13 de agosto de 2011 Ano 6 – edição 309 Revista semanal distribuída por e-mail aos cadastrados e dedicada aos assuntos de interesse dos iniciados na Arte Real. Criador: Robson Granado Colaboradores: Aquilino R. Leal Francisco Maciel GRANDES INICIADOS JOÃO CAETANO dos Santos – (27/1/1808 – 24/8/1863) Foi João Caetano dos Santos iniciado maçom na Loja “2 de Dezembro”, Rio de Janeiro, no ano de 1845, tendo alcançado no Grande Oriente do Brasil, o Grau 30.‟. A sua patente se encontra no Arquivo da Ordem. Importante ator e encenador do Brasil. Ator e empresário teatral carioca (27/1/1808-24/8/1863). Considerado o primeiro teórico da arte dramática brasileira, é responsável pela profissionalização do teatro no país. João Caetano dos Santos nasce no Rio de Janeiro e estréia como ator em 1831. Especializa-se em papéis dramáticos, encenando peças de dramaturgos europeus, como William Shakespeare e Alexandre Dumas. Em 1833 funda a própria companhia teatral em associação com a bailarina e atriz Estela Sezefreda, com quem se casa em 1845. Com a montagem de Antonio José, ou O Poeta e a Inquisição (1838), de Gonçalves de Magalhães, introduz temas brasileiros no teatro desenvolvido no país. Sua companhia rompe com a tradição então predominante, totalmente influenciada pela dramaturgia portuguesa, ao encenar autores nacionais. Ela também revoluciona a representação dramática ao colocar no palco apenas atores brasileiros, uma prática incomum na época. Nos livros Reflexões Dramáticas (1837) e Lições Dramáticas (1861), João Caetano apresenta seu ideário estético do teatro: a substituição dos “vícios declamatórios do estilo lusitano por um estilo de representar mais simples e verdadeiro”. Morre no Rio de Janeiro. SÍMBOLOS História da Maçonaria no Brasil Na frequesia de São Gonçalo da Praia Grande, em terras fluminenses, o vigário Belchior Pinheiro de Oliveira, o fuuro Irmão Sócrates da Loja Compercio e Artes, fundou em 1812 a Loja Distinctiva, que tinha por timbre um índio manietado. Desta Loja depois também fazia parte o futuro panfletário da “Malagueta”, o português Luiz Augusto May, ex-comandado de José Bonifácio no 3º Batalhão do Gen. Prant, em 1808, por ocasião da invasão francesa em Portugal. Veio ele ao Brasil secretariando o Conde da Barca, quando este aqui chegou com os planos de elevar o Brasil a Reino, ppara que Portugal pudesse tomar parte no cogresso de Viena como Grande Potência. Depois, durante dez anos, atacou implacavelmente José Bonifácio e o seu governo. Pouco depois, em 12/09/1813, outros 18 obreiros d Loja Virtude e Razão resolveram fundar na Bahia uma terceira oficina, a Loja União, e juntando-se então as três lojas bahianas (Virtude e Razão – Humanidade – União) no mesmo ano de 1813 instalaram em Salvador o primeiro Grande Oriente Brasileiro, sendo proclamado Grão-Mestre Antônio Carlos Ribeiro de Andrada. Folha Maçônica Nº 309, 13 de agosto de 2011 Página 1 Conforme já ficou constatado, a Maçonaria brasileira dos tempos primevos, por força de circunstâncias, tomou uma feição puramente política, pois debaixo do segredo maçônico e em seus templos fechados, os patriotas fervorosos podiam trabalhar às escondidas para a libertação de sua terra natal do jugo e da prepotência lusitana e a possível proclamação de uma república, o que naquela época chegava aser uma verdadeira obsessão. E nada melhor para prová-lo do que o texto de uma carta escrita em 1808 por Joaquim Gonçalves Ledo, que então estufava na universidade de Coimbra, ao seu irmão Custóio, que por sua vez estudava medicina em Londres. Para se entender melhor o porquê dessa carta, devo esclarecer que naquele ano José Bonifácio, o futuro... “Patriarca da Independência”, era professor catedrático na citada Universidade, e estava organizando um batalhão de studantes portugueses e brasileiros para combater a invasão francesa em Portugal. “Custódio – Eu tenho razões patrióticas para não acompanhar o Sr. Andrada nas forças de Front. A invasão do general Junot, a partida do Rei e da corte para o Rio de Janeiro, o tratado de Fontainebleau, os acontecimentos que agora se desenrolam na Europa, são, e ninguém o negará de boa fé, o início , senão o grande passo, de nossa formação nacional, da liberdade do Brasil. “Brasileiro, não seguirei para os batalhões potugueses, nem derramarei meu sangue na defesa dos opressores de minha terra de nascimento, o amado Brasil. Dizem-me fraco e pusilânime, ignorantes que são de todos os meus intuitos não proclamados abertamente. “Se o rei de Portugal, se a nobreza de Portugal abandonaram o berço que os embalou, não seria eu que, nascido no Brasil, odiando os matadores de Tiradentes, que iria para o campo de batalha lutar pela liberdade dos déspotas que sugaram e ainda sugam as riquezas brasileiras. “Partirie daqui brevemente e acompanhado de mais amigos irei organiza no Brasil a primeira Loja Maçônica que será o centro da propaganda liberal no Brasil. Lembra-me ao Araújo e sou o seu irmão Joaquim. Gonçalves Ledo” Outro não foi também o espírito que movia os maçons que em 15/11/1815 fundaram no Rio de Janeiro, na residência do Dr. João José Vahia, na Rua da Pedreira da Glória, uma Loja Maçônica com o título distintivo Comércio e Artes, que adotou o rito Moderno e subordinou-se ao Grande Oriente luzitano ao invés de agregar-se ao já então já existente Grande Oriente Brasileiro da Bahia. Os IIr.´. fundadores desta loja foram Antônio Marques Correa de Aguiar; Francisco Mendes Ribeiro; José Cardozo Neto (Napoleão); José Ignácio Albernaz (Ulisses); Joaquim Ferreira Júnior (Heitor); Felipe Contuxa; André Avelino; Custódio Peixoto Soares e Antônoi José de Lança (Hypócrates), citados como tais na tata de reinstalação de 24/06/1821. Se o nome de Gonçalves Ledo não é citado, é porque certamente só se filiou à Comércio e Artes depois da fundação, adotando o nome horóico Diderot. Tinha ele votado de Portugal, sem ter podido bacharelar-se por falta de recursos, já que lhe falecera o pai. Fonte: Segundo texto de Isa Ch‟an, Achegas para a história da Maçonaria no Brasil. São Paulo: divulgação circunscrita aos maçons, 5968 V.´. L.´. Uma cópia desse livreto foi-nos gentilmente cedida pelo querido Irmão Paulo Cunha. (Continua) A POLÊMICA NA FOLHA O LOGRO DOS GRUPOS DA INTERNET COM ENFOQUE MAÇÔNICO Fato: Intuitivamente acreditávamos, sem qualquer constatação, serem os fóruns eletrônicos (internet) restritos a maçons uma extensão do que ocorre nas Lojas. Para comprovar nossas suspeitas resolvemos participar de uns seis desses fóruns dentre inúmeros que proliferam na rede. Em todos fizemos o pedido de filiação, normalmente confirmado posteriormente quando fomos levados a responder a um questionário com o objetivo de verificar a nossa condição de iniciados; perguntas típicas do tipo s...s m...m? Em que c...a fica a P...a B...a? De o...d v...s? E assim por diante. Um desses grupos pareceu-nos o mais rigoroso; chega ao ponto de qualificar o eventual pretendente em quatro categorias de acordo com o seu grau: nível 1 (AM), Folha Maçônica Nº 309, 13 de agosto de 2011 Página 2 nível 2 (CM), nível 3 (MM) e nível 4 (MI)! Um outro chega a pedir provas de regularidade sem o que, a priori, não se pode participar; para tal supostamente envia correspondência eletrônica para todos os membros do fórum e de outros fóruns, para a potência de filiação do pretendente (acreditamos nunca respondida!) e, se possível, para a própria Loja do futuro membro, questionando se o quinhoeiro é regular e qual a sua situação. Logo de início e propositalmente ficamos devendo algumas respostas e a comprovação de nossa regularidade... Que aconteceu? Absolutamente nada! Poucos dias depois lá estávamos participando ativamente! O mais curioso é que ao fazermos nossa inscrição em um outro grupo, recebemos uma resposta tipo “O Irmão é muito bem vindo ao grupo „Engodo‟, onde apenas são tratados assuntos da Ordem! Brevemente entraremos em contato para completar a inscrição em nosso grupo...”. Qualquer curioso é assim recebido! E o mais interessante, nunca recebemos qualquer resposta do moderador do grupo, pesem nossas inúmeras e frustradas tentativas de participação! A nossa pesquisa, realizada entre os meses de junho a agosto de 2009, nos revelou alguns pontos merecedores de destaque: Poucos grupos são o suficientemente rigorosos com a seleção de seus membros. Qualquer „gota‟ esperto participa! Os temas tratados, em raríssimos casos, abordam temas referentes à Ordem; quando o fazem, os assuntos envolvidos são extremamente vulgares e corriqueiros, não trazendo qualquer novidade e/ou interesse. Neste caso a discussão do tema é repleta de „achismos‟ e enfoques meramente pessoais, sem fundamentos dignos. Propositalmente levantamos algumas questões; nenhuma delas foi respondida adequadamente, na maioria dos casos a „turma saia pela tangente‟, tecendo considerações que bem pouco ou nada tinham com o propósito inicial, motivando respostas de outros que, em nosso entender, não tinham acompanhado o tema central. De tantas correspondências ele, tema, acabava em segundo plano e a banalidade se ocupando o primeiro plano. É extremamente fácil obter respostas das coisas mais óbvias para qualquer iniciado e que para algum „curioso‟ são de inestimável valor realimentando assim as chamas de sua curiosidade. À guisa de teste chegamos indagar o que representava a sigla TFA! E não é que em menos de dois ou três minutos a sigla nos foi comunicada! É impossível que qualquer iniciado ignore, no entanto sempre aparece um que quer ser o „mestre‟ expondo seu conhecimento (?!) por mera vaidade. É bem verdade que houve um ou dois que colocaram em dúvida sermos iniciados... E os demais? Fizemos outros poucos ensaios e mesmo com as „suspeitas‟ fomos respondidos rapidamente! Lastimável! A falta do que fazer ou mesmo a gana de aparecer fez com que, acidentalmente provocássemos um debate ao usar o termo „mano‟ em vez do consagrado „irmão‟: um dos participantes de certo grupo sentiu-se ofendido alegando ser o primeiro um termo pejorativo por ser usado em locais „suspeitos‟, inclusive enviando parte do seu significado segundo um suposto dicionário. Retrucamos enviando a definição do termo mano dada pelo 1 dicionário Aurélio ; uma nossa estupidez! Isto gerou dezenas de correspondências... Uns contra outros a favor, mas nenhum apresentando razões sérias ou dignas de publicação. Que fizemos? Passamos a usar a expressão „brother‟: ninguém, ninguém mesmo retrucou nem expressou qualquer ressentimento! Dias depois lembramos aos membros do grupo que a expressão „brother‟ foi ou é usada nas rodas de malandragem (crime?!) no Rio de Janeiro! Silêncio total! Nenhuma manifestação! „E aí brothers?‟ Também verificamos os conhecimentos gerais do „pessoal‟: uma lástima! Houve pessoas a confundir „coxão‟ (carne) com „colchão‟! Sim! Até assunto de carne, churrasco e afins foi tratado naquele fórum! Isso sem citar a polêmica que levantamos a condenar o termo „deletar‟, utilizando o seu substituto delir... Foi um reboliço dos diabos! A bem da verdade, salvo honrosas exceções a cultura de uma forma geral ficou bem abaixo de nossa expectativa. Inclusive nos assuntos relacionados à Ordem! Até um suposto mestre chegou a ignorar os filhos de Noé... Deplorável! Solicitamos ajuda para alguns de nossos ensaios por diversas vezes. Apenas um, repetimos: apenas um membro do grupo se prontificou em ajudar! Ajuda aguardada por mais de dois meses e que acabamos por não conseguir! O que mais se vê nesses grupos, pelo menos naqueles que permanecemos filiados por uns três meses, é a 2 presença constante de politiquetes: uns defendendo o presidente da época outros não, em ambos os casos com muitos „devemos‟, e nada de „fizemos, „fazemos‟ ou „vamos fazer‟! Alguns invocaram uma ação mais forte da Ordem, certamente permanecendo eles deitados ou no máximo sentados à frente de seu computador „amassando‟ as suas imundas nádegas! Em dado momento entramos no debate e bem a nosso estilo propusemos não votar! Foi um „deus no acuda‟, justificativas e mais justificativas, muitas e muitas, todas repetindo àquilo que a própria política e os políticos alegam e querem que repitamos: o voto é o aperfeiçoamento 1 Substantivo masculino. Fam. Ant.: Irmão, Cunhado, Amigo, camarada, colega. Adjetivo. Muito amigo; íntimo. Inseparável, unido. 2 Luis Inácio Lula da Silva. Folha Maçônica Nº 309, 13 de agosto de 2011 Página 3 da democracia e que no futuro... blá... blá... Foi nesse momento que tivemos a idéia de perguntar: “Imaginem um segundo turno para presidente, de um lado um já consagrado ladrão Ali Babá e do outro a consagrada déspota Lucrecia Bórgia, também respondendo a processos, em quem votar?”. A resposta: “Vote no menos ruim”! Desistimos! A nossa caixa de correspondência vivia repleta de mensagens. Acreditem, mais de 200 mensagens por dia! 90% delas sem qualquer conteúdo e o 10% restante... Também! Se duvidarem, participem de alguns desses melancólicos grupos! Claro que fizemos algumas amizades (raras) até o momento (setembro/2009) mantidas com trocas sérias de correspondências sérias. Também nos deparamos com pessoas dignas, cultas e de valor moral que sabem o que dizem e, certamente, o que fazem e o que querem. Por outro lado também pudemos perceber certo fanatismo em alguns dos membros a defender a filosofia e postura da Ordem, segundo eles imutável, única e verdadeira. Em quase totalidade percebemos que meia dúzia digitava descabidamente, comportando-se como „donos do pedaço‟, ficando entre eles a quase totalidade de correspondências, fúteis assuntos em quase todas! Muitos „Poderoso irmão‟, „Queridos irmãos‟, „Fraternos irmãos‟ etc. mantendo em movimento a língua, apenas a língua e uns poucos dedos a digitar... O resto... Inerte! Aproveitamos aqueles momentos para divulgar o semanário Folha Maçônica entre os associados. Como resposta não obtivemos qualquer comentário, o que nos leva a crer não na perfeição do periódico, mas sim a não leitura do mesmo pesem as centenas de participantes contemplados com a publicação. Apenas não conseguimos saber se os moderadores faturam alguns „cobres‟ dos „yahoos‟ da vida; a primeira impressão é que sim pois a dificuldade para sair nos recordou o suplicio de abandonar uma qualquer das operadoras telefônicas! Conclusão: Poderíamos estender-nos muito mais, relatando situações senão trágicas pelo menos cômicas „degustadas‟ nesses três longos meses de convivência. Você pode e não deve acreditar no que escrevemos mas isso não te dá o direito de tratar com vilipêndio o que escrevemos; não te é concedido o direito de „achismo‟! A necessária ação é participar (não só recebendo correspondências) de meia dúzia desses fóruns... Aproveita a tua inscrição em cada um desses grupos e tenta ler as correspondências recebidas/enviadas pelos seus membros desde a sua criação. Não duvidamos que também fiques decepcionado como nós também o ficamos. A prova de que não somos os únicos a assim pensar é o constante entra/sai de pessoas; alguns até externando a sua indignação até de forma bastante agressiva, olvidando-se de nossos princípios de paciência e de tolerância, em especial com os menos afortunados. "Nada é mais perigoso que um bom conselho acompanhado de um mau exemplo." (Autor desconhecido) Sim Coluna assinada pelo M.·. I.·. Aquilino R. Leal, Fundador Honorário da Aug.·. e Resp.·. Loj.·. Maç.·. Stanislas de Guaita 165 MEDITE O candidato O Candidato ao ingresso na Instituição Maçônica é denominado Profano, ou Leigo. Deve ser uma pessoa com idade superior a 25 anos, de posição social média, de conduta proba e que aufira ganhos oriundos de uma atividade honesta, compatíveis com os compromissos que venha a assumir. A idade vem fixada por tradição, pois em alguns casos, sendo “lowton”, poderá ser iniciado com 21 anos. Exige-se ser maior de idade porque o Candidato entrará na maturidade com vida funcional já definida e senso de Folha Maçônica Nº 309, 13 de agosto de 2011 Página 4 responsabilidade. Não há limite de idade, uma vez que esta permita a freqüência aos trabalhos e que o Candidato tenha lucidez completa para acompanhar a disciplina mental. O Candidato deverá ser do sexo masculino. Em torno disso, têm-se gerado celeumas prolongadas, mormente nos atuais tempos, em que a mulher luta por uma posição na sociedade que a iguale ao homem. A Maçonaria não é “machista”, e muitas foram as tentativas de instituir Lojas femininas e mistas; em toda parte ainda existem trabalhos femininos e mistos, até com resultados práticos muito bons. O cerne da questão, porém, não reside no fator sexo, mas sim na tradição e no fator psicológico, pois o homem é dedutivo, enquanto a mulher é intuitiva. A junção dos dois equivale a um perfeito equilíbrio, mas isso no casamento ou na união; em uma Instituição, não se torna viável, em face da exigência, em todo cerimonial, do poder criador e procriador; o “falus” ainda constitui um símbolo cuja interpretação envolve uma ação exclusivamente masculina. Temos ainda a proibição do ingresso da mulher na Maçonaria estampada no 18º Landmark, assim como dos aleijados ou escravos. A posição social média do Candidato diz respeito à educação social; ele deve ter certa intimidade com a vivência clubista; deve saber vestir-se, usar gravata, apresentar-se, em certos casos, até de smoking, com desenvoltura e naturalidade; deverá saber portar-se condignamente nas festividades, ser sóbrio em todo sentido e saber desempenhar as tarefas sociais que lhe forem determinadas. Portar-se à mesa, saber usar os talheres, escolher os vinhos, enfim, sem imitar um gentleman, mas agir de tal modo que não venha a ser notado. A conduta social deverá ser proba, isto é, comportar-se como homem de bem; conduzir com honestidade os seus negócios, não se entregar a excessos perigosos; manter uma compostura moral que o recomende; respeitar sua família; saber orientar seus filhos; prover o sustento dos seus, dando-lhes uma vida amena e de proteção. Nega-se o ingresso a quem não crê em Deus e em uma vida futura; isso porque o Candidato deve depositar fé em um Ente Superior e Criador, porque só assim respeitará o próximo, participará da Caridade social e buscará interesse nas questões espirituais. Não se deve exigir do Candidato uma religiosidade acentuada, mas conhecer suas tendências. A Loja Maçônica congrega elementos espiritualizados e de um nível homogêneo; o ingresso de um elemento dissonante perturbará a boa marcha dos trabalhos e suscitará posições antagônicas que criarão a intolerância e a discórdia. A família do Candidato deve estar ciente que seu membro está ingressando na Maçonaria, para evitar o surgimento de oposições, críticas e ressentimentos. É de suma importância que o Candidato usufrua de uma renda suficiente para atender aos seus compromissos sociais e familiares e aos novos que receberá. A Maçonaria é uma Instituição cujo ingresso está na dependência de uma livre escolha; e tem a mais ampla liberdade para aceitar ou repelir o convite. Além das taxas, mensalidades, óbulos, surgem gastos imprevistos, como o da coleta para auxiliar um Irmão necessitado, o da contribuição para a construção de uma sede, gastos com viagens, festividades, enfim, o que um grupo social necessita para sobreviver dentro de sua organização. Torna-se extremamente perigoso aceitar um Candidato cujas posses sejam acanhadas porque, cedo ou tarde, necessitará ser auxiliado. Não pode uma Loja aceitar Candidatos que já sugiram um futuro problema. A desgraça pode atingir qualquer um, mesmo o mais abastado; será porém, um fato superveniente, um caso fortuito que era imprevisível; então a Loja se obriga a amparar o necessitado. Quando um Candidato é escolhido pelo proponente, o seu nome é apresentado em Loja para aceitação preliminar. É evidente que o proponente se apresenta como “fiador”, e, diante de sua responsabilidade, a Loja aceita a sua indicação; somente um Mestre poderá indicar um Candidato. Os Aprendizes ou Companheiros não têm esse direito. Uma vez aprovada a proposta, é procedida uma rigorosa sindicância; três são os sindicantes que trabalham isoladamente e com autonomia. Devem os sindicantes colher as informações com a máxima discrição; podem entreter um diálogo com o Candidato; podem até dizer da razão de sua entrevista; é recomendável, também, que esclareçam o Candidato sobre a instituição que o está sindicando. Com os meios técnicos de que dispomos hoje em dia, fácil será buscar junto aos Cartórios de Protesto de Títulos das Distribuições da Justiça Estadual e Federal, junto à Justiça do Trabalho, informações precisas. Buscar, junto aos Diretores dos Educandários em que estudam os filhos do Candidato, se no caso for casado e tiver filhos em idade escolar, informações quanto ao interesse do pai na educação de seus filhos. Pesquisar o seu curriculum escolar ou universitário, se for o caso, verificar junto aos seus subordinados se é chefe tolerante e justo, checar o seu comportamento e relacionamento com a esposa; enfim, todos os elementos que Folha Maçônica Nº 309, 13 de agosto de 2011 Página 5 possam fornecer dados precisos sobre aquele que será Membro da mesma Loja e que passará a comungar os mesmos ideais e cultuar o amor fraterno com a mesma sinceridade. A solidariedade de classe às vezes torna o sindicante parcial; aceita após uma sindicância superficial o Candidato que, mais tarde, ninguém reterá, porque sentindo-se frustrado naquilo que julgava poder usufruir, abandona compromissos, amigos e responsabilidades, criando problemas para a Loja e para a Instituição. Daí ser o trabalho do Sindicante uma tarefa de relevante importância, pois dependerá de sua palavra o ingresso ou não do Proposto. Não devemos esquecer que o ingresso na Maçonaria é feito de uma maneira um tanto arbitrária. Quase a totalidade dos Candidatos ingressa “sem Saber” absolutamente nada a respeito da Instituição. Colhido de surpresa e desprevenido, posto consciente que irá submeter-se a uma Iniciação, com provas e compromissos, o Candidato nem sempre concorda com o que lhe é abruptamente apresentado. Nos Estados Unidos da América, as Lojas proporcionam aos Candidatos um curso preparatório; esse curso tem duplo objetivo; preparar o Candidato e conhecê-lo pelo convívio; Irmãos lhe freqüentam a casa, tomam parte nas refeições e apreciam a formação do lar do Candidato; dialogam com a esposas e com os filhos,enfim, antes de tornar o Candidato um Maçom, provam-no com rigor, inteligência e eficiência. Já ouvi dizer que se cogita editar uma “cartilha” para o Candidato, na qual são apresentados os “Princípios da Instituição”, as “obrigações”, os “deveres”, o “compromisso” e o “comportamento” de forma simples e clara, sobretudo para demonstrar que não se trata de um grupo religioso; que não faz política e que não há outro interesse senão o do aperfeiçoamento do homem. Mas enquanto essa “cartilha” não nos é apresentada, nada impede que os Sindicantes passem ao Candidato tais apresentações. Assim sendo meus Irmãos, não vamos ser desatentos com aqueles que pretendem conviver conosco, em nossa Loja, em nosso meio social e principalmente junto às nossas mulheres e filhos. Gilberto Ferreira Pereira (Venerável Mestre da Loja Maçônica Stanislas de Guaita 165 – GLMERJ) *lido em 02/08/2011. Referências Bibliográficas: Denizar Silveira de Oliveira Filho, Rizzardo de Camino, Odéci Schilling de Camino e José Castellani. CONVERSA AO PÉ DO OLVIDO “Nevermind” é o segundo álbum de estúdio da banda norte-americana Nirvana, lançado em 1991. Assim que foi lançado, conquistou aclamação da crítica e sucesso de público, vendendo em torno de 26 milhões, 11,5 milhões nos estados unidos segundo a RIAA. Este álbum consagrou o Nirvana no mundo todo, famoso pela sua variada sonoridade e principalmente pela sua capa, com uma foto do bebê Spencer Elden nadando atrás de uma nota de 1 dólar presa num anzol, eleita pela revista Rolling Stone como a melhor capa de todos os tempos. Este álbum está na lista dos 200 álbuns definitivos no Rock and Roll Hall of Fame. Mesmo lançado há 20 anos, “Nevermind” ainda continua sendo um dos trabalhos mais influentes do cenário musical. Recentemente, o canal de TV norte-americano VH1, elegeu “Nevermind” como o segundo melhor álbum de rock da história, apenas atrás de “Revolver”, dos Beatles. Pois veja bem. Essa imagem da capa do álbum foi retirada do Facebook, por infringir os termos de uso da rede social, segundo o Hollywood Reporter. "O Facebook não permite fotos que ataquem um indivíduo ou um grupo, ou que contenham nudez, uso de drogas, violência e outras violações", disse um aviso do Facebook, segundo o Hollywood. Não é por nada não, mas essa capa é a verdadeira cara do capitalismo eletrônico do Facebook. Folha Maçônica Nº 309, 13 de agosto de 2011 Página 6 Recentemente avaliado em 50 bilhões de dólares, o Facebook vê oportunidade de ampliar seus negócios publicitários para além do segmento de jogos e outros lances, e teve 355 milhões de lucro nos primeiros nove meses de 2010, sobre faturamento de 1,2 bilhão de dólares. Não resta outra opção que cantar um canção do Nirvana, em tom de deboche maior: “Come as you are, as you were, as I want you to be, as a friend, as a friend, as an old enemy / Take your time, hurry up ,the choice is yours, don't be late / Take a rest, as a friend, as an old memoria, memoria, memoria, memoria [...] And I swear that I don't have a gun/No I don't have a gun./I don't have a gun) (Venha como você é, como você foi, como que quero que você seja, como um amigo, como um amigo, como um velho inimigo / Olha o tempo, corra logo, a escolha é sua, não se atrase /Dá um tempo, como um amigo, como uma velha memória memória memória memória [...] E eu juro que eu não tenho uma arma/ Não, eu não tenho uma arma /Eu não tenho uma arma). Bom, Kurt Cobain, a alma e corpo do Nirvana, tinha uma arma, e se matou com um tiro. O Facebook, na maior cara de pau, vai continuar faturando milhões de velhos, adultos, adolescentes como o entu$iasmo do bebê-peixe da foto atrás do anzol e da minhoca de dólar. Coluna assinada pelo Ir.·. Francisco Maciel, membro da Aug.·. e Resp.·. Loj.·. Maç.·. D’Artagnan Dias Filho GLMERJ DICA Acompanhe, pelo blog e pelo Twitter, a expedição do Irmão Artur Albuquerque ao Alaska (EUA) numa motocicleta Harley Davidson. Serão 53 mil km, ida e volta, por estradas, através de 18 países, durante 135 dias. A partida foi dia 4 de junho último, pela manhã. Blog http://phdalaska.hwbrasil.com Twitter http://twitter.com/phdalaska Desafio de motocicleta, do Rio de Janeiro ao Alaska Diário de Bordo: Billings – Desde a última revisão em Fairbanks, a roda traseira vinha apresentando um ruído estranho. Em Canmore, completei o óleo do motor e em Great Falls, notei um pequeno vazamento. A fim de descobrir o ponto de origem, levei a Electra no Car Wash para lavar o motor e na garagem, coloquei um jornal limpo sob a Electra e horas depois, ainda não havia pingado nada. Mesmo assim, estava preocupado. Como no outro dia, o Magnus iria cedo para o trabalho, instalou o seu GPS GARMIN nüvi na Electra para eu chegasse mais rapidamente a loja Beartooth Harley-Davidson, no outro lado da cidade. No outro dia, quando eu estava indo para a loja da Harley, lembrei da conversa que tivemos, na noite da minha chegada a sua casa, sobre a importância de nos mantermos sempre otimistas sobre todas as nossas expectativas na vida. Então, tirei a preocupação com os problemas na Electra da minha cabeça e passei a pensar positivamente, acreditando que tudo teria solução simples e a despesa seria mínima. Na oficina, fui muito bem atendido pelo Bud, que anotou tudo o que eu falei, deu uma volta com a Electra e prometeu que faria o possível para entregá-la no fim da tarde. Quando voltei a loja, começou uma chuva forte, que não atrapalhou a reunião do HOG local. Muitas Harleys molhadas, alegria e bebida de graça. Quando consegui falar com o Bud, ele me disse que apenas limpou as pastilhas e o ruído na roda parou. Quanto ao óleo, foram apertados alguns parafusos e o problema foi sanado. Quando perguntei o preço do serviço, me respondeu sorrindo que era cortesia da loja e me desejou sucesso na conclusão da grande jornada. Agradeci muito ao Bud pela simpatia no atendimento e pela gentileza. Após a chuva, o Garmin me levou de volta para casa. Para casa, realmente, porque a família do Magnus fazia me sentir como se estivesse em casa. Quando cheguei, o Magnus perguntou se o GPS funcionou bem e começou a inserir mais dados sobre as próximas cidades e hotéis que eu iria pernoitar, a partir do dia seguinte. Como ele iria ao encontro de Sturgis, perguntei se o GPS iria me levar até Deadwood – onde eu lhe devolveria – e ele respondeu que o GPS iria me levar até o Rio de Janeiro, pois era a sua colaboração para melhorar a precisão na navegação de volta para casa. Gratidão e humildade foram os sentimentos mais intensos que vivenciei durante toda essa minha viagem. Folha Maçônica Nº 309, 13 de agosto de 2011 Página 7 Hino do Grande Oriente de São Paulo Letra do Irmão Márcio Campos e música do Irmão Toninho Mathias Da Independência participamos Nossa bandeira está na história Maçons com liberdade, Sempre juntos em ação, Fraternidade e igualdade em prol desta Nação De um passo, a expansão De um estado crescente em ação Nasce o Grande Oriente de São Paulo Com justiça e perfeição, Trabalhando no progresso da nação Desde mil oitocentos e trinta e um Quando nasce o primeiro embrião Homens livres, de bons costumes Despojados de interesse e de vaidade Constituem a Loja Amizade Grande Oriente de São Paulo Formadores de opinião, Grande Oriente de São Paulo Em busca do bom senso e da razão Primeiro passo, primeira ação Com trabalho e muita união Na história da independência O trabalho dos dignos maçons De um País livre, formado por Irmãos Crescendo, sempre crescendo, Grande Oriente de São Paulo No brilho, de cada dia Somos no Estado de São Paulo Maçons unidos, fortalecidos Com o Grande Oriente de São Paulo Lançado, oficialmente, em 29/07/2011 no Palácio Maçônico, em São Paulo, em solenidade comemorativa aos 90 anos de Fundação do GOSP. Decretado, no ato, como Hino Oficial do GOSP, pelo Grão Mestre Mário Sérgio Nunes da Costa. DOCUMENTOS E FOTOS ANTIGAS Capa de revista maçônica de 1955 Disponível no site do Museu Maçônico Paranaense http://www.museumaconicoparanaense.com/MMPRaiz/i magens/irevistas/pages/Colet%E2nea%20Ma%E7%F4ni ca-1973_JPG.htm Folha Maçônica Nº 309, 13 de agosto de 2011 Página 8 EUREKA (TUREKA E NÓSREKA) Contestações, lances, bobagens, respostas, estudos, crendices, fatos, curiosidades, sofismas, perguntas, humor, nostalgia, outros e... nós! variados, ‘nóstícias’ Teste de inteligência Você é inteligente? Você é perspicaz? Faça o teste abaixo e verifique. O presente teste se compõe de sete, apenas sete, perguntas que devem ser respondidas em, no máximo, 3 minutos, nada mais! Seja honesto e responda cada quesito no tempo indicado. 1. Complete a seqüência lógica: S T Q ___ ___ ___ ___ 2. Com um único traço torne a expressão matemática abaixo verdadeira. 5 + 5 + 5 = 550 3. No espaço abaixo escreva qualquer coisa. 4. No espaço em branco abaixo desenhe um retângulo com três linhas. 5. O pai de Renata, Sr. João, tem cinco filhas; à primeira deu o nome de Rará, a segunda recebeu o nome de Reré, a terceira Rirí e a quarta levou o nome de Roró. Qual é o nome da quinta e última filha do Sr. João? Resp.: ____________________________________________________________________________________ 6. Por questão de facilidade, conforto e menor desgaste físico, qual é o melhor: Subir uma descida ou descer uma subida? Resp.: ____________________________________________________________________________________ 7. Sem anotar nenhum resultado de cálculos intermediários, não usando calculadora, determina mentalmente o resultado da seguinte expressão: Ao valor de 1.000 adiciona 40, ao resultado acrescenta mais 1.000, acrescenta mais 30, adiciona mais 1.000, acrescenta 20, mais outros 1.000 e, finalmente, mais 10. Resp.: ____________________________________________________________________________________ A resposta de cada quesito será dada no próximo número da Folha Maçônica. Aqui mesmo! Colaboração do MI Aquilino R. Leal, Fundador Honorário da Aug e Resp Loj Maç Stanislas de Guaita 165 Folha Maçônica Nº 309, 13 de agosto de 2011 Página 9 Enquete inútil: O que quer dizer o termo sic que costumamos ler em algumas reportagens? (Envie-nos sua resposta e a publicaremos semana que vem.) Respostas à enquete da semana passada (Por que as pessoas têm chulé?): Mesmo sem chulé, o pé tem um cheiro característico. Todos os animais produzem certas substâncias no corpo que exalam odor, são os feromônios. Eles servem para identificar o indivíduo e, em certos animais, como forma de atração do sexo oposto. O chulé aparece quando a pele dos pés é atacada por micróbios (plantas ou animais microscópicos) que acabam agindo juntamente com o suor do corpo. Visite nossas páginas online: Blog da Folha Maçônica: http://folhamaconika.blogspot.com/ Site para download das edições da Folha Maçônica e de 6161 arquivos de interesse maçônico, com mais de 130 mil visualizações: http://SITIO-FOLHA-MACONICA.4shared.com/ Blog com desenhos e pinturas do Irmão Robson Granado: http://robsongranado.blogspot.com/ Folha Maçônica Nº 309, 13 de agosto de 2011 Página 10