ANO: 15
Nº 68
JUNHO 2015
página 2
Pensando nisso...
Ciranda de ideias
Fazendo história
O sumiço das abelhas
Jogos Matemáticos
Semana das mães
página 3
página 5
página 7
Sociedade de Educação Integral
Colégio Pequeno Príncipe
www.colegiopequenoprincipe.com.br
CNPJ: 56.013.931/0001-89
Rua Marechal Deodoro, 1653
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Fone: 16 3623-0731
Ribeirão Preto
CEP: 14025-386
Estado de São Paulo
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junho 2015
EDITORIAL
Colégio Pequeno Príncipe: 50 anos!
N
os três primeiros meses do ano de 1966, páginas do jornal Diário de Notícias apresentaram inúmeras notas divulgando a fundação
de uma nova escola, na cidade de Ribeirão Preto. Tratava-se de um ideal a ser alcançado por seis jovens
casais comprometidos com a educação de seus filhos
e de outras crianças, sem as típicas preocupações dos
investidores que montam um negócio.
Foi assim, ansiosos por uma educação de qualidade,
que esses casais colocaram em prática o projeto de criação do Colégio que, ano que vem, completa 50 anos.
Para comemorar data tão importante, o jornal Dois
Pontos comunica o lançamento de um novo projeto:
a criação do Centro de Documentação e Memória do
Colégio Pequeno Príncipe, visando:
• selecionar, recuperar, tratar e armazenar todo
o acervo produzido nessa instituição escolar: documentos escritos, relatos orais ou escritos, práticas e projetos pedagógicos desenvolvidos ao longo de sua história;
• coletar, organizar e produzir um arquivo
permanente de história oral com depoimentos de
ex-alunos, pais, professores, funcionários e amigos do Colégio;
• elaborar um livro ilustrado, que será lançado na
festa de 50 anos do Colégio, relatando sua história;
• preservar todo esse acervo, através da organização de um arquivo permanente, em nossas dependências, com facilidade de acesso a pessoas ou
instituições interessadas.
“Trata-se de grande esforço. Será [mais] uma experiência de amor” e, para ser concretizada, não poderemos prescindir de sua colaboração. Precisamos da
sua memória para resgatar e registrar nossa história.
Expediente
COORDENAÇÃO: André Luís Oliveira; Zilda Ap.
Rodrigues de Oliveira.
COLABORADORAS: Adriana Marques Gabriel.
Augusta Maria Risk; Mariju Vicentini.
DIAGRAMAÇÃO: Débora Salviato Caetano.
REVISÃO: Erika Chiarello.
IMPRESSÃO: Premium Gráfica e Digital.
TIRAGEM: 800 exemplares.
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Recorte de publicação do jornal Diário de Notícias, de 28 /01/1966
Você, que esteve conosco, em qualquer momento,
ao longo desses 50 anos, seja como aluno, funcionário, professor ou educador, que certamente ajudou a
construir nossa identidade, é parte integrante e marcante
dessa história, e agora precisa nos ajudar a escrevê-la.
Para compartilhar experiências e desafios, que
você viveu no Colégio, doar ou emprestar fotos ou documentos, procure-nos, no Colégio, ou acesse o site:
www.memoriacpp.org. No site, é possível conhecer
detalhes do projeto e um pouco de nossa história, através de alguns documentos, relatos e imagens, além
de orientações quanto às formas de colaboração. É
importante observar que estamos apenas começando
a escrever essa história e tudo o que você tiver, para
nós, é fundamental, especialmente, a sua memória.
Entrando no clima dos 50 anos, o Dois Pontos começa a publicar, a partir desta edição, algumas matérias
referentes à nossa história. Para iniciar, relançamos a
coluna “Entrevista”, apresentando nosso muito querido
ex-aluno, Marcelo Rodini Luiz, que, hoje, desenvolve
com competência e sensibilidade a sua arte de levar
entretenimento às pessoas. Agradecemos pelo carinho
e atenção com que recebeu a equipe do jornal.
Esta edição inaugura a coluna “Memória CPP” e,
começamos homenageando a eterna tia Maria Lúcia
Viotti Campos, com um belíssimo texto de André
Luís Oliveira (tio André). Vale a pena conferir.
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PENSANDO NISSO...
O sumiço das abelhas
O
fenômeno é denominado Síndrome do Colapso das
Colmeias ou Desordem do Colapso de Colônias, da
sigla, em inglês, CCD, para Colony Collapse Disorder, muito utilizada em países do Hemisfério Norte, como os
da Europa, dos Estados Unidos e do Japão. Caracteriza-se
pelo abandono em massa e, repentino, de colmeias, fenômeno observado desde o final da década de 90 e que tem se intensificado nos últimos anos. De acordo com reportagem de
Deutsche Welle, o Brasil “perdeu cinco posições no ranking
mundial de exportação de mel, caindo da 5ª para a 10ª posição. O abandono das colmeias nos estados nordestinos chegou a 60% e a taxa de desaparecimento de abelhas chegou a
90% em outros estados brasileiros.” (www.dw.de)
Inúmeras pesquisas atribuem causas variadas a esse fenômeno. Destacam-se, na maioria dos estudos, o uso desenfreado de agrotóxicos em plantações. Essas perigosas substâncias químicas são levadas pelas abelhas para dentro das
colmeias através do pólen ou do néctar coletados e acabam
enfraquecendo as abelhas, tornando-as mais vulneráveis a
fungos, vírus e bactérias, fato que pode levá-las à morte. Outros estudos apontam que essas mesmas substâncias afetam
o sistema nervoso das abelhas, atrapalhando sua memória e
senso de direção, incapacitando-as de retornarem à colmeia,
após a coleta de pólen e néctar.
Popularmente, abelhas são muito conhecidas como produtoras de mel, cera, própolis, mas pouco se sabe a respeito
de sua importância para a produção de alimentos. Segundo
os cientistas, cerca de 80% de tudo o que é consumido no
mundo, tendo origem na agricultura, é polinizado pelas abelhas. Daí a grande preocupação com seu desaparecimento.
Pensando nisso, nós, como educadores, não podemos nos
omitir da responsabilidade de educar e conscientizar nossa
comunidade sobre o assunto, despertando o desejo de desempenhar um papel social importante na valorização e preservação das abelhas.
Assim, consideramos oportuno aprofundar um pouco
mais a programação desenvolvida, anualmente, pelas profesO LESAM recebe Escolas de Ensino
Infantil e Fundamental durante todo o
ano, e, por meio de visitas monitoradas,
proporciona às crianças uma aprendizagem sobre a diversidade de formas, cores
e tamanhos de abelhas e como ocorre a
polinização. As crianças interagem com
as abelhas, através do nosso jardim de polinizado-res e dos
ninhos presentes nele, tanto de abelhas sociais quanto de
solitárias. Acreditamos que as crianças são o foco principal
na conscientização, uma vez que são mais receptivas às
informações novas e podem disseminar esses conhecimentos a todos à sua volta.”
Texto e imagem cedidos pela bióloga e doutoranda Yara Roldão, a quem agradecemos pela
atenção com que nos atendeu no LESAM.
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soras de Ciências, Vilma e Camila, dos 5° anos A e B, quando
abordam diferentes grupos animais.
Agendamos uma visita ao Laboratório de Estudos e Serviços Ambientais ─ LESAM, coordenado pelo Prof. Dr.
Carlos Alberto Garófalo, na FFCLRP, no campus da USP,
para o próximo mês de agosto. Na ocasião, as crianças desenvolverão atividades relacionadas ao tema “O mundo das
abelhas e o ambiente em que vivem”, sendo orientadas sobre
a importância das abelhas para a sociedade. (Veja o box).
Também entramos em contato com nosso ex-aluno, Daniel Malusá Gonçalves, coordenador da campanha “sem
abelha, sem alimento”, uma extensão da iniciativa do Centro
Tecnológico de Apicultura e Meliponicultura do Rio Grande
do Norte (CETAPIS), liderada pelo seu pai, o Prof. Dr. Lionel Segui Gonçalves, professor titular aposentado da USP de
Ribeirão Preto, geneticista e pesquisador de abelhas. Trata-se
de um belo trabalho de conscientização sobre a importância
das abelhas e propostas de ações para sua proteção no Brasil
e na América Latina, a fim de combater as causas do declínio
dessa população. Para conhecer e participar dessa campanha,
você pode acessar: www.semabelhasemalimento.com.br.
Interior de colmeia de Leurotrigonamuelleri, conhecida como lambe-olhos
Interior de colmeia de Frieseomelitta varia, conhecida como marmelada brava
Interior de colmeia de Meliponaescutellaris, conhecida como uruçu nordestina
Imagens de criação doméstica cedidas, gentilmente, por José Antônio C. de Oliveira, criador amador de
abelhas sem ferrão. Agradecemos a atenção dispensada à equipe do Jornal Dois Pontos.
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CIRANDA DE IDEIAS
Os meios de comunicação
Quem tem mais de 50 anos viveu, na juventude, a
expectativa da visita do carteiro. Esse era o meio de
comunicação mais comum entre amigos, parentes, namorados... pessoas que estavam distantes. Mensagens
rápidas eram enviadas por telegramas, as mais longas
por cartas. Mas escrever uma carta era bem diferente
de mandar uma mensagem por whatsApp, deixar uma
publicação no Facebook ou mesmo passar um e-mail.
A carta era cuidadosamente preparada, tinha rascunho, que era lido e relido para, então, ser “passasdo a
limpo”. As palavras eram minuciosamente escolhidas
e, para tanto, frequentemente o dicionário era consultado... os contatos demoravam um tempo maior para
acontecer, mas esse tempo, cá entre nós, guardava lá
sua magia. Para contar essa história às crianças dos 3ºs
anos, trabalhamos com o livro “Correspondência”, de
Bartolomeu Campos de Queirós, procurando mostrar
a importância da comunicação através das cartas. Elas
despertam a sensibilidade das pessoas e o respeito às
palavras que expressam seus sentimentos.
Como conclusão desse trabalho, as crianças escreveram cartas, devendo postá-las durante a visita à
sede dos Correios, em nossa cidade.
Professoras Mariclê e Ângela (Letras menores)
Alunos do 3º ano A
Alunos do 3º ano B
Germinação das sementes
Em uma das aulas práticas de Ciências do 5º ano, os
alunos realizaram uma atividade sobre a germinação de
sementes. O experimento foi realizado da seguinte maneira: os alunos forraram a bandeja plástica com papel toalha úmido e, em seguida, colocaram algumas sementes.
Durante uma semana, puderam observar o surgimento de
novas plantinhas a partir das sementes que germinaram.
Os alunos também compararam essas bandejas com outras mantidas na geladeira ou com as
que não receberam água.
Alunos do 5º ano A
Alunos do 5º ano A
Alunos do 5º ano B
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CIRANDA DE IDEIAS
Jogos Matemáticos
Os alunos do 3º ao 5º ano têm a oportunidade de trabalhar, em sala de aula, com jogos matemáticos, com o
objetivo de estimular o interesse pela matemática, socializar os alunos e buscar cooperação mútua.
A utilização de atividades lúdicas na Matemática e de materiais concretos está inteiramente relacionada
ao desenvolvimento cognitivo da criança. Segundo Lino de Macedo, o jogo tem por finalidade ajudar o aluno
a desenvolver o seu raciocínio lógico com praticidade, adquirindo habilidades e competências, pois, através
desta prática de ensino, é possível construir também relações sociais cujo propósito é aprender a lidar com
limite e ações de respeito ao próximo.
Os jogos são planejados para serem mais um recurso pedagógico na construção do conhecimento da Matemática, em conjunto com os demais conteúdos programáticos.
Alunos do 4º ano A
Alunos do 4º ano B
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Alunos do 4º ano B
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FAZENDO HISTÓRIA
Upa cavalinho!
Depois de desenvolver um trabalho sobre “cavalos”, nada melhor que visitar um haras. Assim, as
crianças dos Grupos 3 fizeram um passeio à Fazenda
Vassoural, onde puderam observar e até saber um pouco mais sobre esses animais. Nas fotos abaixo, vemos
as crianças interagindo e até alimentando os animais.
Quem quer pão?
Entre as delícias que as crianças do Grupo 4 (professoras Karine e Lyndsay) têm feito na culinária, por
sugestão do aluno Luca P. Marchesi, convidamos sua avó Ilse para fazer uma receita de pão que, segundo
ele, era uma delícia. As crianças também ajudaram a pôr a mão na massa e o resultado foi muito bom, como
podemos ver nas fotos abaixo.
Visitando um cacaueiro
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Por ocasião da Páscoa, na nossa cultura, muito se
fala também de chocolate.
Aproveitando esse momento, as professoras do
G3 (Renata e Fernanda) levaram as crianças para conhecer um pé de cacau, nas proximidades do colégio.
Eles observaram alguns frutos e aprenderam um
pouco sobre a matéria-prima do chocolate.
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FAZENDO HISTÓRIA
Semana das mães
Para comemorar o Dia das Mães, nada melhor que convidá- las para fazer uma atividade com seus filhos.
O resultado foi surpreendente! Juntos, fizeram pinturas maravilhosas em vasos que depois seriam
aproveitados para plantar hortaliças.
Agradecemos a presença das mães, lembrando que “o que plantamos na infância, colhemos para a vida toda.”
Abaixo vemos alguns momentos desses encontros.
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ENTREVISTA
Uma imagem despertando reflexões
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o sábado, 23 de maio, o Jornal Dois Pontos assistiu a um espetáculo do Projeto Baixada Cultural, no
vão do Mercado Municipal. Uma atuação que remeteu a lembranças de um tempo em que a vida era menos
complicada e a paisagem da cidade era mais humana. Não,
isso não é nostalgia! É apenas uma pausa para refletir sobre
o valor de se deixar envolver pelos olhares, gestos e expressões do outro como um igual, numa paisagem em que todos
se misturam, na condição de cidadãos.
Manifestações artísticas na rua sempre foram comuns em
todo o mundo, e têm assumido expressão e freqüência significativas nas grandes cidades, onde passam a ser admiradas
pelo reconhecimento dos momentos de magia e sensibilização que incorporam à paisagem urbana. Mas o que vimos
naquele sábado foi realmente singular.
Ali estava nosso ex-aluno, muito querido, Marcelo Rodini Luiz, com seu gogó e agilidade nos malabares. Gentilmente, ele nos concedeu uma entrevista.
DP – Como e quando você “se descobriu” artista?
M – Olha, difícil responder a essa pergunta (risos). Talvez fosse mais fácil responder como e quando me descobri arteiro, mas, pensando bem, arteiros somos todos, pelo
menos, na infância. E não estou falando somente de fazer
bagunça; falo de expressar os sentimentos de forma mais
clara e mais sincera; ou seja, mais artística. Porém, a gente
cresce e perde contato com a criança feliz, curiosa, sensível
e aberta que fomos para nos tornamos adultos. E parece que
a vida fica chata. Vida de adulto parece chata. Mas há quem
lute contra isso. Procuro ser exemplo dessa busca. E penso
que consigo. Voltando à pergunta, me descobri artista quando comecei a escrever poesias, na infância, no próprio “Pequeno Príncipe”. Descobri-me malabarista quando aprendi a
jogar três bolinhas para o alto e pegá-las novamente (risos).
Do dia em que aprendi malabares até hoje, passei por um
processo e continuo passando: de buscar cada vez mais a
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arte e viver dela, com ela. Mas dois pontos, quer dizer, três
pontos da minha vida foram significativos neste processo:
quando vi um espetáculo de circo, no Teatro Municipal, e
decidi fazer circo; quando escrevi minha tese de monografia
na faculdade de Psicologia (não há faculdade/ curso superior de circo, no Brasil. Uma pena, senão eu teria feito!) e
quando decidi deixar o escritório (incentivado por amigos e
mestres palhaços, pois trabalhava com o meu pai) e me “jogar” como malabarista. Muitas pessoas me diziam para eu
“desencanar”, para trabalhar de dia, em um emprego fixo e
treinar malabares somente à noite, por exemplo. Ainda bem
que não escutei essa “galera”; hoje sou bem feliz e realizado
com o que faço.
Minha tese de graduação recebeu o seguinte título: “Malabarismo e Circo como Dispositivos Terapêuticos; Disparadores de Alegria no Tratamento de Pessoas com Sofrimento
Psíquico”. Foi baseada na Oficina semanal de um ano que
ministrei no CAPS (Centro de Atendimento Psicossocial, o
“substituto” dos antigos Manicômios/ Hospitais Psiquiátricos).
DP – Vimos pessoas se aproximando despretensiosamente
e lá permanecendo. Não havia preocupação em se sentarem ou
fugirem do sol. Apenas se deixavam levar pela apresentação
que se desenvolvia espontânea e alegremente. O foco era o artista, e não havia motivo que justificasse desviar a atenção. A
sua paixão era contagiante. Qual paixão é maior: a arte ou a
arte na rua?
M– Minha paixão maior é a arte, pois ela nos liberta.
A arte e os encontros; são as duas coisas que mais nos libertam (aprendi isso na Psicologia, durante minha vivência
toda, em Assis e na Unesp). A rua é um dos melhores lugares
para se trabalhar como artista. Tanto nas praças, mercadões,
calçadões, parques, quanto no semáforo. O reconhecimento
vem instantaneamente com aplausos, sorrisos, elogios, com
o “chapéu” e o valor que recebemos. Diferente dos trabalhos comuns em que se “trampa” o mês inteiro para receber
só após 30 dias. O legal da rua é que ela é o espaço mais
democrático de todos, indiscutivelmente. Paga quem quer,
o quanto pode, se gostou. Se não gostou, não precisa contribuir. Acontece que hoje, as pessoas, principalmente, as mais
ricas, não se misturam com pessoas de outras classes sociais
(mais baixas). A maioria das pessoas, infelizmente, só sai de
casa para ir ao trabalho, e também para frequentar espaços
privados (casa de amigos/parentes, restaurantes, shoppings,
baladas, lojas, bares, academias, clubes). E se formos parar para pensar, não há muito que fazer na nossa cidade. Há
muito mais espaços privados que públicos. Ao teatro, por
exemplo, as pessoas pouco vão, eu acho. Mas mesmo assim,
os teatros ainda são lugares para os quais se paga para entrar.
Então, quando, finalmente, as pessoas ocupam o espaço público, geralmente, estão de passagem (para um outro lugar
privado, ou correndo, ou no trânsito). Não há convívio no
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ENTREVISTA
espaço público e parte disso se deve ao medo da violência
espalhado pela mídia, em conjunto com a polícia, desde a
época da ditadura. O que nos resta de público são as praças,
as calçadas e os parques, mas insisto: pouquíssimas pessoas
se encontram nesses espaços públicos. E elas estão sempre
em movimento. Entretanto, quando veem um artista, elas
têm vontade de parar. Ufa! Em algum momento, elas têm
que parar, nem que seja no semáforo, por breves segundos.
E é por tudo isso que eu idealizei e organizo atualmente, com
mais pessoas, o Festival de Arte de Rua de Ribeirão Preto.
DP – Notamos a presença de inúmeros alunos seus como
espectadores. Além de encantar pessoas na rua, que outras atividades você desenvolve?
M – Além de malabarista e palhaço, em eventos, aniversários de criança, na rua, festivais, casamentos, shows de
música (já me apresentei com mais de 25 bandas) e convenções de circo, sou professor de circo para crianças. Ensino
malabarismo e palhaço para todas as idades. Tenho esse espetáculo solo: “Mamú-Nipulación”, que nada mais é que a
minha pesquisa técnica com diversos tipos de malabares e
um pouco de mágica mesclada com a pesquisa do palhaço e
do jogo com o público, brincando com alguns personagens.
Sou integrante de um grupo de malabaristas performáticos, a
Trup-Trip-Gêmeos, com mais duas amigas gêmeas. Juntos,
temos um outro projeto de música cigana/balkan com malabares chamado “SaltimBalkans”. Também sou integrante do
Coletivo de Palhaços: a Palhaçaria S/A, que organiza cabarés de palhaços, se apresenta no calçadão, em comunidades
carentes, parques, semáforos, festivais e teatros. Acabamos
de criar um espetáculo que apresentamos, hoje, no encerramento do Festival de Arte de Rua. Foi divertido demais
de fazer. Também sou colaborador de diversos movimentos
sociais, que foram meus primeiros palcos, na cidade, como
o “Pró-Arena”, através do qual conquistamos, com a população, a revitalização/ reforma do Teatro de Arena e o “Se
Vira Ribeirão”. Integro o “ViraMente” (movimento de saúde
mental que realiza a Virada Cultural da Luta Antimanicomial e ações diversas de ocupação da cidade pelos usuários
de saúde mental). Também organizo festivais como o de
Arte de Rua, e algumas Convenções de Malabarismo, Circo
e Palhaços, como a Paulista (que trouxe para Ribeirão duas
vezes, nos últimos anos, mais de 200 artistas circenses em
cada edição) e agora, a Convenção Brasileira; além de estar
começando a articulação com amigos de vários países da 1ª
Convenção Latino-Americana de Malabarismo, que acontecerá, provavelmente, no Chile, em 2016.
DP – E o Projeto Baixada Cultural: objetivos atingidos ou
ainda falta muito?
M – Sem palavras para o nosso alcance. Ainda estamos
analisando, mas parece que tivemos um público direto de
1000 pessoas e indireto de mais de 3000 pessoas. O Festival
deste ano, mais uma vez, foi feito com uma verba curta para
o projeto que queremos, mas no ano que vem ele será muito
maior, provavelmente com apoio do Edital PROAC. Tivemos 10 espetáculos e 7 oficinas com público significativo.
Ocupamos diversos lugares da Baixada, até porque o apoio
financeiro do festival foi dado através do projeto Baixada
Cultural, da Associação Amigos do Memorial da Classe
Operária-UGT, que realiza atividades na Baixada da cidade,
durante 8 meses. Tivemos oficinas com público participativo
e numeroso. Trabalhamos muito bem com as pessoas a ideia
de que elas devem contribuir com o chapéu do artista de rua,
simplesmente, para que ele volte no outro dia, e não tenha
que se tornar um empregado ou um operário que, muitas
vezes, não cria, não inventa, não alegra e não causa reflexão/
transformação no cotidiano da cidade e na vida das pessoas.
DP – Despeça-se de nós como desejar.
M – Eu gostaria de agradecer imensamente à professora
Zilda por ter ido assistir ao meu espetáculo, ter prestigiado
o Festival de Arte de Rua, ter feito uma matéria comigo no
Jornal Dois Pontos e ter sido uma das minhas professoras
brilhantes, no CPP. Foi ela quem me fez entender que os professores podem e, até devem, ser pessoas descoladas (que
falam a mesma língua que os alunos), alegres, bem-humoradas, comediantes, sinceras e amigas dos próprios alunos;
Além disso, o profissional do futuro deve ser diplomado,
multifacetado, dedicado, articulado e estudar várias línguas.
Engraçado ela ter me feito essa entrevista, pois, hoje, sou
malabarista viajado (me apresentei em 5 países diferentes e
falo 3 línguas), formado e busco sempre ser multifacetado.
Sou professor de circo na escola em que trabalho porque,
além de malabarista, tenho diploma de psicólogo. Acho que
aprendi bem a lição!
Também gostaria de agradecer ao Colégio Pequeno Príncipe por ter sido a minha grande escola e ao Jornal por estar
divulgando meu trabalho e o Festival. Gostaria também de
dizer que é uma alegria sagrada e imensa voltar ao colégio,
ministrar oficina de circo, ser convidado a me apresentar no
projeto com as creches (do qual participei desde o primeiro
ano e continuei mesmo depois de sair da escola), encontrar
os professores e funcionários e ser sempre bem- recebido com
sorrisos e abraços. Quando vão me chamar de novo? (risos).
Gostaria de convidar a todos para conhecer um pouco
mais meu trabalho e os grupos e coletivos do qual faço parte.
Páginas no Facebook: “Mamute Malabarista”, “Festival
de Arte de Rua de Ribeirão Preto”, “Palhaçaria S/A”, “Se
Vira Ribeirão” e “Viramente”.
Vídeos no Youtube, digitar: “Mamute Malabarista”,
“Festival de Arte de Rua de Ribeirão Preto”, “Convenção
Paulista de Malabarismo” e “Malabarize-se” (o maior canal
de malabarismo do mundo com mais de 300 vídeos)
Meu contato é (16) 98126-7080, ou Marcelo Mamute, no Face.
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MEMÓRIA CPP
UMA PROFESSORA INESQUECÍVEL
Por: André Luís Oliveira, em memória de Maria Lúcia Viotti Campos
Minha mãe achava estudo a coisa mais fina do mundo.
Não é.
A coisa mais fina do mundo é o sentimento.
Aquele dia de noite, o pai fazendo serão, ela falou comigo:
“Coitado, até essa hora no serviço pesado.”
Arrumou pão e café, deixou tacho no fogo com água quente.
Não me falou em amor.
Essa palavra de luxo.
Adélia Padro
N
ão são poucos os pensadores e educadores que,
quando indagados sobre o seu professor inesquecível, dizem que se lembram mais da maneira de ser, de falar, de olhar, de dar aula do que propriamente dos conteúdos ensinados pelo mesmo.
A lembrança da querida tia Maria Lúcia me faz
constatar a veracidade desses fatos memoráveis.
Além de sua enorme competência como professora,
ficou marcado em minha memória afetiva e, por que
não dizer, auditiva, a fala mansa e ao mesmo tempo
firme, com o seu peculiar sotaque mineiro, mas não o
sotaque mineiro a que eu estava habituado por conta
da família de minha mãe; não era o falar do interior de
Minas e sim o da capital, Belo Horizonte. Lembro-me
de que gostava de escutá-la, achava mágico quando
a entonação mineira dava logar ao Inglês em nossas
aulas com o livro vermelho “Target One”.
A fala da tia Maria Lúcia não feria o aluno, nem em sua
forma, nem em seu conteúdo, era uma fala ética e estética.
Tia Maria Lúcia, além de ser minha professora de
Inglês, era também a diretora. E foi como diretora que,
mesmo sem o saber, deixou-me um ensinamento precioso que tento pôr em prática como pessoa e educador.
A história começa com os alunos do ginásio, inclusive eu, tentando se acomodar para assistir a uma
apresentação teatral dos alunos da quinta série.
A professora e os alunos-atores estavam apreensi-
vos com o atraso de um colega que representaria um
personagem importante. Passaram-se mais uns quinze
minutos e nada dele chegar e para complicar, os figurinos tinham sido entregues no dia anterior e as crianças tinham levado para suas casas para experimentá-los e, se preciso, ajustá-los (nessa época as nossas
mães tinham tempo e desenvolviam habilidades que
herdavam de suas mães e avós).
De repente chegou a informação de que o aluno
viajara e a professora comunicou o impasse para a tia
Maria Lúcia que, com tranquilidade, sugeriu que tivesse início a apresentação.
Sob o comando da professora, o espetáculo começou e a tia Maria Lúcia sumiu. Não me lembro da
história ali representada, mas posso afirmar que o personagem ausente era um leão. No momento em que
o leão entraria em cena, surpreendendo a todos, tia
Maria Lúcia entra em cena vestida de onça dizendo
assim: “Olá, eu sou o leão dessa história, mas estou
tão bravo que virei uma onça!”.
A professora sorriu aliviada e a peça, mesmo com
alguns improvisos, chegou ao seu final sem percalço
algum e com o aplauso de todos.
Essa era a nossa diretora, a tia Maria Lúcia que, despojada, com paixão e presença de espírito, deixava-se
arrebatar pelo seu trabalho. Ela me ensinou que brincadeira é coisa séria. As crianças sabem disso muito bem.
Patrícia / Néia
www.buffetfestaefolia.com.br
[email protected]
Fone: (16) 3931-1506
Rua Marcondes Salgado, 2273
- Ribeirão Preto - SP
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GINCANA
GINCANA ENSINO FUNDAMENTAL 2
Comissão Organizadora: Ana Célia, Ângela, Jurema, Maria Marta, Marta, Nilza, Vera e Zilda.
E
ntre os dias 11 e 15 de maio, foi realizada a 31ª
Gincana do Ensino Fundamental II.
Mais uma vez, como vem acontecendo nos últimos anos, as expectativas foram superadas. Durante
toda a semana, prevaleceram a organização das equipes, o empenho e dedicação dos professores e dos assistentes, bem como a disposição de cada participante
em colaborar para que tudo transcorresse em um clima de alegria e descontração.
Na sexta-feira à noite, a presença de pais, amigos
e ex-alunos, foi também muito gratificante. E mesmo
diante de tantos espectadores, os participantes não se
inibiram realizando, com grande responsabilidade,
um belo espetáculo!
Merece destaque, ainda, o envolvimento das equipes no cumprimento da etapa social: a doação de livros para a Feira do Livro, as toneladas de alimentos
e roupas arrecadados e, principalmente, a doação de
sangue. Pela primeira vez, desde que essa prova foi inserida na Gincana, foi superada a quantidade mínima
de doadores, por todas as equipes, atingindo o total de
73 doações. Essa foi, sem dúvida, uma grande vitória.
Temos, portanto, muito a agradecer a todos os envolvidos nesse evento, seja como participante, colaborador ou espectador. O bom ânimo de vocês, o carinho, a seriedade e o respeito com que cada momento foi
tratado, serão sempre lembrados com grande emoção.
Ano que vem tem mais!
APARELHOS AUDITIVOS DE ALTA DEFINIÇÃO
RUA CAMPOS SALLES, 1262 - CENTRO - FONE:(16) 3635-7061
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junho 2015
GALERIA
Talento e criatividade, tudo isso tem no CPP
Catarina Barros de Salles - 3º B
Lorena F. C. C. Brochi - 3º B
Tiago S. de Felício - 6º B
Isabella Cardoso Moraes - 4º A
Pedro C. D. Tozo - 3º B
Rafaela F. C. C. Brochi - 3º B
Maria Eduarda S. Ambrósio - 5º B
Helen R. Braga - 3º B
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