Cidades
[email protected]
O ESTADO DO MARANHAO · São Luís, 2 de agosto de 2015 - domingo
“Antonio Brunno dizia que o
nosso foco na casa de apoio
deveria ser a dignidade aos
pacientes, e é isso que nós
fazemos aqui"
Antonio Lima Sousa, pai de Antonio Brunno Pessoa Sousa
Após perda de filho, família cria
fundação e acolhe vítimas de câncer
Fundação Antonio Brunno Pessoa Sousa foi fundada em 2011 pelo casal Antonio e Fátima Lima Sousa, após a morte do
filho em decorrência de câncer; Antonio Brunno Pessoa Sousa criou o projeto da casa de apoio durante seu tratamento
Divulgação
Quer ajudar?
Fundação Antonio Brunno Pessoa Sousa
Endereço: Rua C, Quadra 09,
Casa 18, Planalto Anil II
Jock Dean
Da equipe de O Estado
D
urante dois anos e meio,
o jovem Antonio Brunno
Pessoa Sousa visitou pacientes no Hospital Aldenora Bello, em São Luís.Vestido de palhaço,
ele procurava levar um pouco de
alegria aos pacientes em tratamento contra o câncer. Mas uma
ironia da vida fez com que aos 22
anos ele fosse acometido pela
doença. Enquanto lutava pela vida, o jovem se preocupou também em garantir que outras pessoas tivessem condições de continuar o tratamento. E foi em meio
à dor da perda do filho que o casal
Antonio Lima Sousa e Fátima Pessoa deu um exemplo de solidariedade, criando a Fundação Antonio Brunno Pessoa Sousa, que
presta assistência a pacientes com
câncer em São Luís.
Foi quando iniciou seu tratamento no Hospital Tarquínio
Lopes Filho (Hospital Geral) que
Antonio Brunno Pessoa Sousa
descobriu uma realidade que é
comum a muitos pacientes com
câncer: a falta de condições financeiras de levar seu tratamento adiante. "Ele passou a conviver com famílias vindas do interior, cujos familiares tinham
câncer e não tinham onde ficar.
Então, começou a participar da
vida dessas pessoas. Foram cerca de 10 a 15 pessoas carentes
que ficaram ligadas a ele nesse
período", contou o pai, Antonio
Lima Sousa.
O Início - Em meio ao tratamento, Antonio Brunno Pessoa Sousa
percebeu que de cada 10 pessoas
que vinham do interior do estado
para se tratar em São Luís e retornavam para sua cidade, apenas
duas conseguiam voltar para a
capital para dar continuidade ao
tratamento. "Com três meses de
tratamento, ele começou a planejar o aluguel de uma casa para
abrigar essas pessoas e nós argumentamos que ele não poderia
fazer aquilo, pois estava doente e
que seria mais trabalho para a
família. Ele desistiu do aluguel,
mas começou a levar essas pessoas para nossa casa. Porém, chegou um momento em que ficamos sem condições de recebêlas", disse Antonio Lima Sousa.
A partir daí, o jovem, mesmo
doente, começou a trabalhar no
projeto de uma casa de apoio, a
Contas para doação:
Banco do Brasil
Ag: 42889
C/C: 34793-0
Itaú
Ag: 4525
C/C: 25280-7
Contatos:
Telefones: (98) 3181-0016/
98825-5472/ 98296-2329
E-mail: [email protected]
“
Hoje, eu vivo
dos resultados
da fundação.
Com ela,
Antonio Brunno
deu novamente
sentido à minha
vida. Assim
como me deu
sentido quando
nasceu e,
durante seus 22
anos comigo,
todos os dias
ele me resgata
com o trabalho
nessa casa"
Antonio Lima Sousa,
pai de Antonio Brunno Pessoa Sousa
Casa de Apoio João Paulo II. Com
o agravamento da sua saúde, ele
e os pais foram para São Paulo.
"Enquanto nós perguntávamos
sobre a saúde dele e buscávamos
o tratamento, ele ficava pesquisando sobre casas de apoio. De São
Paulo, ainda fomos para Barretos,
e mais uma vez ele procurando
casas de apoio. Tudo o que ele via
nos locais por onde passávamos
colocava em seu projeto. Foi em
Barretos que ele concluiu o proje-
to da casa ", afirmou Antonio Lima Sousa.
No dia 28 de março de 2011,
Antonio Brunno Pessoa Sousa
faleceu vítima de câncer no
mediastino. "Mas ele não foi vencido pelo câncer. Deus foi quem o
levou para Si", disse Antonio Lima
Sousa. De volta a São Luís, a família viu no notebook, que sempre acompanhava o jovem em
suas viagens em busca de tratamento, os projetos que havia elaborado para ajudar outros pacientes oncológicos. "Minha filha
Adriana achou o projeto Donnos
da Alegria, no qual convidava 10
jovens para fazer o trabalho que
ele começou sozinho, que era visitar hospitais e levar um pouco
de alegria aos pacientes em tratamento. Esses jovens iniciaram seu
trabalho um mês após a morte do
meu filho", contou.
A obra - Assim nascia a Fundação Antonio Brunno Pessoa
Sousa, que há quatro anos presta
apoio a pacientes com câncer vindos do interior do estado e sem
condições de se manter em São
Luís. A casa acolhe os pacientes e
seus acompanhantes, lhes dando abrigo, alimentação, custeando exames e medicamento, deslocamento para as sessões de rádio
e quimioterapia, atividades lúdicas e também auxilia com despesas funerárias dos pacientes mais
humildes. "Nós já perdemos 74
irmãos, mas podemos afirmar
que nos esforçamos ao máximo
para que tivessem os melhores últimos dias das suas vidas, porque,
acima de tudo, o que nós doamos
aqui é amor", informou Antonio
Lima Sousa.
Desde sua fundação, mais de
600 pacientes já passaram pela
casa, que atende diariamente de
46 a 56 pessoas a um custo mensal de R$ 48 mil. "Em seu projeto, Antonio Brunno deixou tudo
muito detalhado. As atividades
que a casa deveria desenvolver,
como atender os pacientes, desde a alimentação até o deslocamento. No começo não foi fácil.
Dois meses após começarmos
nossas atividades, faltou comida, e tivemos de correr atrás.
Confesso que cheguei a pensar
em desistir, porque o que eu
mais queria a casa não poderia
me dar, que era o meu filho de
volta. Mas hoje vejo que a casa
não ajuda apenas as pessoas
que recebemos nela. A casa
também me salvou", disse Antonio Lima Sousa.
Continua em Cidades 2
Vídeo na versão digital
oestadoma.com.br
Antonio Brunno (e) e seus amigos se vestiam de palhaço para animar crianças doentes no Hospital Aldenora Bello
Download

INTERNET PDF JORNAL.qxp