2 TXHp
TXHp HQWUHYLVWDVHPL
HQWUHYLVWDVHPLHVWUXWXUDGD
A entrevista semi-estruturada ou aprendizagem semi-estruturada é
provavelmente a técnica mais forte da visita de diagnóstico. Ela tem lugar
em sessão informal orientada, onde algumas das questões são
predeterminadas e as novas questões ou linhas de questionamento surgem
durante a entrevista, em resposta as perguntas dos entrevistadores.
/RFDOGDHQWUHYLVWD
A entrevista é realizada durante a visita da assessoria técnica à família, em
seu estabelecimento rural. Preferencialmente é conduzida nos locais sobre
os quais está-se fazendo perguntas (casa, roçado, açude, curral, pomar,
etc..) como meio de obter respostas e opiniões específicas dos(as)
entrevistados(as). Além disso, os(as) entrevistadores(as) inspirarão maior
confiança à família se percorrer o seu estabelecimento e as áreas de
manejo.
(QWUHYLVWDUDIDPt
(QWUHYLVWDUDIDPtOLD
Na entrevista com a família, deve evitar-se falar só com membros
masculinos adultos, pois as mulheres também tem papel importante nas
decisões e na produção. Normalmente as mulheres são responsáveis por
enormes parcelas da mão-de-obra produzida da unidade familiar, conhecem
melhor os problemas da obtenção de lenha, o plantel de pequenas criações
e os cuidados com os quintais do que os homens, por exemplo. Deve-se
questionar as pessoas certas, incluindo atmosfera favorável para a
participação dos mais velhos, jovens e crianças.
5RWHLUR
Como este tipo de diagnóstico não recomenda o uso de questionários, a
observação pessoal passa a ser um dos melhores instrumentos de coleta
de dados. Isto posto é preciso considerar que os(as) entrevistadores(as)
deverão estar atentos(as) para perceber o dia a dia da família, que é muito
rico em detalhes. Além de bons(as) observadores(as), os(as)
entrevistadores(as) devem estar descansados(as) mental e fisicamente
para absorver, e percorrer os locais de interesse do levantamento.
A entrevista pode parecer informal, mas na verdade será cuidadosamente
estruturada e controlada. Os(as) entrevistadores(as) devem usar uma lista
ou roteiro de questões e fazer perguntas abertas, testando os tópicos
conforme eles vão surgindo. As novas perguntas são colocadas durante o
desenvolvimento da entrevista.Esta medida visa: orientar a conversa com a
família entrevistada, evitando paralelismo de assuntos que torna a
entrevista um caos da comunicação, e auxiliar aprofundar a discussão
sobre determinados aspectos julgados interessantes para o trabalho, que
poderiam ser esquecidos. Porém, não se pode correr o risco de transformar
o roteiro em um questionário
51
352&85()$=(5
9 Dedique tempo preparando uma lista ou roteiro de entrevista mais geral e
anote no seu caderno de campo para ser usado como orientação durante
as entrevistas;
9 Tenha em mente que a entrevista segue uma estrutura que foi
organizada pela equipe técnica tendo em vista um certo objetivo;
9 Fique relaxado mas conserve a intensidade da entrevista;
9 Explique com toda clareza quem você é;
9 Apresentar-se bem e explicar porque está se fazendo a entrevista;
9 Perguntar se a hora é oportuna para a entrevista;
9 Permita que o(a) outra entrevistador(a) complete sua seqüência de
questões;
(9,7()$=(5
9 Perguntas que contenham duas questões como:”existe um centro de
saúde aqui e vocês estão contentes com ele’’?
9 Permitir que o informante se sinta como que formalmente inquirido;
9 Usar linguagem técnica e complicada;
9 Programar para chegar na hora das refeições;
9 Chegar tirando fotos sem pedir licença;
9 Chegar comendo ou bebendo a água que foi levada;
9 Interromper o(a) entrevistado(a) ou o(a) outro(a) entrevistador(a);
9 Discordar ou contestar resposta dos entrevistados;
9 Ignorar mulheres e crianças;
9 Fazer perguntas que induzam as respostas;
9 Criticar aspetos da vida dos entrevistados;
9 Utilizar comportamento (linguagem de corpo) impróprio;
9 Mostrar enfado ou impaciência;
9 Dar conselho à família - anotar o caso para posterior providência -;
9 Pedir frutas ou outras coisas para levar consigo;
52
,OXVWUDomRGHSDUWHGHURWHLURDSOLFDGRjXPDXQLGDGHGHSURGXomR
,OXVWUDomRGHSDUWHGHURWHLURDSOLFDGRjXPDXQLGDGHGHSURGXomR IDPLOLDU
$'DGRVGR(VWDEHOHFLPHQWR
• 1RPHGD3URSULHGDGHRXSRVVHnão
tem
1RPHGD3URSULHGDGHRXSRVVH
• (QGHUHoRORFDOL]DomRComunidade
de Água Fria, Zona Extrativista
(QGHUHoRORFDOL]DomR
• 0XQLFtSLRPedra
Branca do Amapari
0XQLFtSLR
• (VWDGRAmapá
(VWDGR
• 6LWXDomR)XQGLiULDLicença
de ocupação fornecido pelo INCRA
6LWXDomR)XQGLiULD
%'DGRVGDIDPtOLD
WHPSR
GHGLFDG
R DR
PDQHMR
(VFRODULGDG
H
2FXSDomR
58
Primário
completo
Lavoura
100
Mulher
43
Primário
incompleto
Casa e
lavouras
100
Amapari,
Ap
Homem
23
2º grau
incompleto
Lavoura e
assalariamento
temporário fora
do lote
75
Maria Rita
Paz
Gomes
Amapari,
Ap
Mulher
21
2º grau
incompleto
50
Rosildo
Paz
Gomes
Amapari,
Ap
Homem
5
-
Lavoura,
casa e
ensino na
escola
Não trabalha
Matilde
Paz
Gomes
Amapari,
Ap
Mulher
3
-
Não trabalha
0
/RFDO
GH
/RFDOGH
RULJHP
6H[R
José
Temístocle
s Gomes
Breves, Pa
Homem
Maria
Onório
Gomes
Afuá, Pa
Raimundo
da Silva
Paz
1RPH
,GDGH
0
53
$QWHFHGHQWHVHXVRDWXDOGRVUHFXUVRVQDWXUDLV
Uma forma de debater e sistematizar com a família as principais
transformações que tem ocorrido na forma como ela tem usado
os recursos naturais consiste em trabalhar um painel onde é feita
uma breve descrição de como era no passado e como está no
presente o uso dos recursos na agricultura, nas criações, na
caça, na pesca e no extrativismo vegetal; apontando a superfície
ocupada por cada sub-sistema e registrando a percepção dos
membros da UPF sobre os motivos para as mudanças.
352&85()$=(5
9 Após a caminhada pela área de uso da família, convide-a para debater
como era o trabalho no passado e o que mudou em relação a hoje;
9 Recorra a uma ou mais folhas de papel madeira, armando a matriz
conforme ilustração a seguir;
9 Indague sobre um determinado período no passado em que o uso da
terra era diferente do atual (ex: chegada no lote, quando os pais
exploravam a área...);
9 Vá pautando o debate sub-sistema por sub-sistema e anote as
caracterizações e explicações na matriz;
9 Verifique com o grupo se a sistematização está correta;
9 Prepare a folha para viagem embalando-a em saco plástico.
54
• $QWHFHGHQWHVHXVRDWXDOGRVUHFXUVRVQDWXUDLV
SubSubsistema
Roça
Situação
anterior*
Roças em área de
mata, com 1 capinas
leve no ano e
produção/ha de 40
sacas de arroz, 12
sacas de milho e 100
sacas de mandioca
Área
(ha)
Situação atual
Área
(ha)
Por que
mudou
2,5
Roça em capoeira de
5 anos com duas
capinas pesadas e
produção/ha de 32
sacas de arroz, 8
sacas de milho e 80
sacas de mandioca
1
Capoeiras foram
plantadas com
pasto sobrando
pouco estoque
de capoeira para
roça. Roça de
capoeira dá
mais capina e
menos produção
do que roça de
mata
Cultivos de acerola e
muruci solteiros com
uso inicial de
adubação NPK
2
Incentivo de
crédito do
PROCERA para
acerola e
expansão dos
recursos para
muruci
Roças mais
perto do igarapé
foram
enriquecidas
com banana,
açaí e cupuaçu
Culturas
solteiras
-
0
Açaí +
cupuaçu
-
0
6
Pesca
-
-
Caça
-
-
Extração
de madeira
Criações
60 aves e 5 cabeças
de gado nelore
10 (pasto)
30 aves e nenhuma
cabeça de gado
15 (pasto)
Aves: Doenças
e diminuição da
produção de
milho
Gado: novilhas
abortavam,
animais
ganhavam
pouco peso e
foram abatidos
ou vendidos
Sítio
(*) primeiros dez anos no lote
55
R
0DSHDPHQWRSDUWLFLSDWLYR
Os mapas são particularmente importantes em projetos de
desenvolvimento rural nas fases de diagnóstico, planejamento,
implementação, acompanhamento e avaliação. As pessoas que
conhecem melhor a área em estudo são aquelas que vivem e
trabalham no local.
Os mapas podem ser utilizados para se aprender rapidamente
com a família, assimilando parte do conhecimento coletivo deles.
Os mapas são valiosos auxiliares, por exemplo: para se testarem
padrões no uso do solo, para se explorar importantes diferenças
em praticas de cultivo, e para se identificar dificuldades mais
importantes.
As diferentes experiências dos integrantes da família ajudam a
criar consenso e torna a comunicação mais fácil. O resultado é
que os(as) entrevistadores(as) passam a compreender melhor a
maneira de pensar dos camponeses, suas prioridades e as
razões pelas quais eles querem ou não agir de um determinado
modo.
) WR3DWUtFLD0RXUmR
56
352&85()$=(5
9 Dedique algum tempo refletindo sobre o objetivo do mapeamento;
9 Percorra a área com os membros da família antes de convida-los a fazer
o mapa;
9 Traga uma boa quantidade de folhas e pincéis SLORW coloridos, para mapas
desenhados em papel madeira;
9 Encoraje e permita que os moradores produzam um mapa desenhado em
papel madeira;
9 Escolha um local amplo e iluminado o suficiente para permitir a interação
dos membros da família na confecção do mapa e uma superfície plana
(mesa, assoalho);
9 De acordo com seu roteiro e referenciado ao que foi observado na
caminhada na área, pergunte a todos sobre: os locais de trabalho, moradia,
florestas, fontes de água, instalações rurais (edificações, cercas, estradas,
rede de energia elétrica, etc.), áreas (área total da propriedade; Área de
Preservação Permanente (APP), Reserva Legal (RL), áreas florestais;
áreas de exploração econômica - ex: pastagens, agricultura) , vizinhos
confrontantes, solos, topografia de terreno, orientação Leste-Oeste; rumos
e distâncias etc.;
9 Convide algum membro da família a ir colocando os desenhos na folha
de papel;
9 Continue perguntando, tendo em vista confirmar ou mudar as
informações no mapa .Os mapas podem ser inicialmente desenhados a
partir de outros mapas e corrigidos durante a analise;
9 Não se preocupe em demasia com as escalas mas com a informação
sobre dimensões (metros, quilômetros, hectares ou outras medidas);
9 Ao final, a folha de papel madeira é dobrada e embalada em saco
plástico para ser lavada para o local da oficina.
57
&DPLQKDGDWUDQVYHUVDO
Esse tipo de caminhada é uma técnica muito simples para
encorajar os(as) entrevistadores(as) e o grupo familiar a explorar
todas as características espaciais da área em estudo.
O grupo percorre os limites da área, que não necessariamente
será o lote mas todo o território onde a família faz o uso dos
recursos naturais, reconhecendo características particulares no
uso do solo, vegetação, fauna, tipo de solos, práticas culturais,
infraestruturas e disponibilidade de água. No final, o diagrama
produzido será a representação esquemática da caminhada feita
pelo grupo.
352&85()$=(5
9 Escolha a direção para a caminhada após observar pontos de interesse e
discutir com seus informantes;
9 Discutir com o grupo uma lista de tópicos que serão observados (solos,
vegetação, animais, água...) podendo ser atribuído a cada pessoa a
responsabilidade por ir destacando as informações a respeito de um tópico;
9 Focalize suas questões naquilo que você observa no caminho;
9 Caminhe dentro dos limites do território, se possível. Normalmente, é
preferível conduzir-se diretamente para o ponto final do percurso e, no
retorno vá fazendo as perguntas da lista ;
9 Quando o grupo retorna, são compiladas as informações em um
diagrama, em folha de papel madeira, que deverá ser verificado e
complementado pelos membros da família.
(9,7()$=(5
9 Dar lições ou ficar impaciente;
9 Caminhar apenas em linha reta: caminhadas transversais podem ser
conduzidas em círculos, zig-zags;
9Caminhar muito rápido: o grupo pode perder os detalhes característicos
58
'6LVWHPDGH3URGXomR$WXDO
• 4XDGUR1DWXUDO
Discriminação
Mata
Vegetação
Piquiá, andiroba, loro, aquariquara,
ingá, morototó, pará-pará, abiu,
carapaúba, jarana, cedro, pau-jacaré
e mandioqueira.
Animais
Caças: onça, veado, tatu, cutia e
paca. Cobras: coral, comboia,
jararaca, surucucu, itinga, jibóia e
papagaio. Aves: mutum, tucano,
gavião, jacamim e bem-te-vi.
Água
-
Solo
Plano a levemente ondulado,
barrento arenoso, com muito humos
e cobertura morta e boa umidade
Capoeir Pasto
a
jurubeba
grande, lacre,
imbaúba,
sororoca,
caferana,
matapasto,
cipó de fogo,
etc.
Braquiara
infestada
por assapeixe,
jurubeba,
chumbinho,
lacre,
tucumã,
imbaúba,
rebrotos de
piquiá, etc.
Saúva,
Cambóia,
formiga,
jararaca,
lagarta, paca,
cupim
tatú
Plano a
levemente
ondulado,
barrento
arenoso,
matéria
orgânica e
umidade
medianas
Plano a
levemente
ondulado,
barrento
arenoso,
com pouco
humos e
cobertura
morta e
pouca
umidade
Murici
Açaí + Igara- Sítio
cupuaçu pé
Murici e
invasoras:
Açaí,
cupuaçú,
taperebá e
invasoras:
anani,
Manga,
andiroba, coco,
ucuúba, laranja,
mururé,
limão,
itajá e
jaca,
maria-mole açaí,
cupuaçu,
pupunha,
goiaba,
hortaliças
,
Escorpião,
Lagarta,
Lontra, ornament
Pulgão,
saúva,
saúva,
jabuti,
lagarta,
.
formiga de
formiga,
trairão, formiga
fogo, arapuã,
periquito,
piranha,
preta,
lagarta e grilo
tucano
aracú e
taoca,
puraqué mucura,
morceg
o,
arapuã
e
Clara, perene
bentevi
Plano,
arenoso
barrento,
pouco humus
e pouquíssima
cobertura
morta, seco
-
Plano,
barrento
arenoso,
com
muito
humos e
cobertura
morta e
boa
umidade
Plano,
barrento
arenoso,
com
muito
humos e
cobertura
morta e
umidade
59
'HVFULo
'HVFULomR GHVXE
GHVXEVLVWHPDVRULHQWDGDSRUURWHLUR
O roteiro orientador da caracterização dos sub-sistemas pode ser
definido em cada Pólo, de acordo com as especificidades locais.
Proposta base de roteiro para levantamento de subsub-sistemas:
6XEVLVWHPDVGHSURGXomR
D 6LVWHPDVGHFXOWLYR
5RoD
•
De inverno e de verão
•
De várzea e de terra-firme
•
Área média
•
Vegetação derrubada: mata, capoeirão, capoeira ou juquira
•
Variedades de cada espécie plantada
•
Quantidades de sementes e mudas por unidade de área
• Calendário agrícola no período chuvoso e de estiagem, demonstrando atividades de
homens, mulheres e crianças: Broca – derruba- queima- coivara – plantio de cada espécie
– capinas – outros tratos culturais – colheitas
•
Destinação da área após as colheitas. Sendo o caso, tempo de pousio
• Produção por produto, por área (atenção: mandioca é produto da roça e farinha é
produto da casa de farinha)
•
Ataques de insetos, outros animais e doenças
•
Meios de controle de pragas e doenças
•
Principais problemas segundo o/a produtor/a
•
Área média
•
Variedades de cada espécie plantada
•
Quantidades de sementes e mudas por unidade de área
6$)
• Calendário agrícola no período chuvoso e de estiagem, demonstrando atividades de
homens, mulheres e crianças: Broca – derruba- queima- coivara – plantio de cada espécie
– capinas – outros tratos culturais – colheitas
•
Adubação: adubos, quantidades e modo de aplicação
• Produção por produto, por área, por ano (atenção: mandioca é produto do SAF e farinha
é produto da casa de farinha)
•
Ataques de insetos, outros animais e doenças
•
Meios de controle de pragas e doenças
•
Principais problemas segundo o/a produtor/a
•
Área média
•
Variedades de cada espécie plantada
•
Quantidades de sementes e mudas por unidade de área
&XOWXUDVSHUHQHVFRPHUFLDLVVROWHLUDVRXFRQVRUFLDGDV
• Calendário agrícola no período chuvoso e de estiagem, demonstrando atividades de
homens, mulheres e crianças: Broca – derruba- queima- coivara – plantio de cada espécie
– capinas – outros tratos culturais – colheitas
60
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2 TXH p HQWUHYLVWD VHPL HVWUXWXUDGD A entrevista semi