DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO XXV CONCURSO PARA INGRESSO NA CLASSE INICIAL NA CARREIRA DA DEFENSORIA PÚBLICA PROVA ESCRITA ESPECÍFICA- BANCA III 1ª Questão (35 pontos): O Ministério Público do Rio de Janeiro representou Antônio pelo ato infracional análogo ao art. 157, § 2º, I e II do Código Penal em 26 de fevereiro de 2014, processo n° 123123-12.2014.8.19.0001, pois teria subtraído, em conjunto com pessoas não identificadas, e mediante o emprego de objeto pontiagudo não apreendido, bens de propriedade de Maria. Antônio foi apreendido em flagrante e, no mesmo dia, foi ouvido pelo Promotor de Justiça com atribuição, ocasião em que confessou os fatos. Oferecida a representação, foi decretada a sua internação provisória e designada audiência de apresentação. Nesta oportunidade, ao ser interrogado, negou os fatos e disse que só havia confessado porque os PMs que o apreenderam haviam sequestrado seu irmão. O Juízo da Infância, também neste ato, revogou a internação provisória, decretando a liberação do adolescente, sem a aplicação de qualquer medida protetiva, mesmo tendo o adolescente histórico familiar complexo, sido atendido várias vezes pelo Conselho Tutelar de sua região e passado por diversas instituições de acolhimento, preferindo ficar nas ruas. A sua família nunca foi questionada sobre suas faltas escolares, seja pela direção, pelo órgão fiscalizador ou pelos dirigentes do programa social em que estava inserido com a contrapartida da frequência escolar. Por fim, foi designada audiência de continuação a ser realizada em um mês, não tendo o adolescente comparecido. Observa-se que, logo depois, em 20 de abril de 2014, Antônio foi representado também por ato infracional análogo ao art. 157, §2°, I e II do CP na Comarca de Petrópolis, tendo recebido medida socioeducativa de internação em 07 de junho de 2014, processo 456456-45.2014.8.19.0042, sendo encaminhado para o Rio de Janeiro para cumprir a medida de internação no Educandário Santo Expedito, tendo sido expedida a devida guia para Comarca da Capital. Na unidade de internação no Rio de Janeiro, Antônio aderiu à proposta do seu Plano Individual de Atendimento, art. 52 e ss da lei 12.594/12 e, em 23 de outubro de 2014, a medida foi progredida para semiliberdade, cumprida no CRIAAD Santa Cruz. Na reavaliação seguinte, em 24 de março de 2015, a medida foi novamente progredida, sendo Antônio encaminhado ao CREAS de abrangência do abrigo para o qual fora acolhido, para cumprimento de medida de liberdade assistida, que cumpria com louvor. As audiências referentes ao processo 123123-12.2014.8.19.0001 foram adiadas várias vezes, seja por ausência das testemunhas, da própria vítima ou do próprio Antônio, o que culminou na expedição de mandado de busca e apreensão, uma única vez, em julho de 2014. O mandado foi cumprido em 30 de março de 2015, no próprio CREAS onde Antônio se apresentou para cumprir a liberdade assistida, tendo sido encaminhado para a unidade de internação provisória, ficando desde então privado de sua liberdade. O cumprimento do mandado de busca e apreensão foi apenas comunicado ao Juiz, não sendo o adolescente apresentado ao Juiz da Infância. A audiência de continuação foi designada para 15 de abril de 2015. Na audiência de continuação, presente o Defensor Público, o Juiz da Infância julgou procedente a pretensão socioeducativa, e prolatou sentença, formando seu convencimento na confissão de Antônio e depoimento de um policial. Por fim, determinou a internação cumulada com tratamento psiquiátrico e psicológico frente aos laudos acostados à representação, determinando seu imediato cumprimento, expedindose guia para ser apensada ao processo de execução da medida aplicada nos autos 456456-45.2014.8.19.0042. Na qualidade de Defensor Público designado para atuar na Vara da Infância e Juventude da Capital, redija a peça cabível para a defesa dos interesses do adolescente. Questão nº2 (20 pontos) Jean, pessoa com deficiência e em situação de rua, e sua companheira Simone, que costumam dormir numa praça no centro da Cidade, são conduzidos compulsoriamente pela guarda municipal a distante abrigo público. O Núcleo de Defesa dos Direitos Humanos da Defensoria Pública, durante vistoria mensal nesse abrigo, trava contato com Jean, que narra ter sido obrigado pelos agentes públicos a deixar o local onde usualmente repousava e manifesta o anseio de retornar à praça e ali permanecer. Jean informa ainda que não conheceu seus pais e nunca foi registrado, mas gostaria de ter uma certidão de nascimento em que constasse seu nome como Jean Santana e um nome de mãe, se possível, Maria das Dores Santana. Esclareceu, por fim, que gostaria de requerer o recebimento do benefício de prestação continuada, mas lhe informaram que seria negado, pois ele não preenche o critério de miserabilidade legal, uma vez que Simone já recebe o referido benefício assistencial e, por isso, a renda familiar mensal per capita supera o critério objetivo legal de ¼ do salário-mínimo. Indique, de modo fundamentado, quais as orientações a serem prestadas a Jean e quais as medidas que podem ser adotadas (dispensada a elaboração de peça). Questão nº3 (20 pontos) Em vistoria à unidade prisional feminina, que exibia superlotação e celas infectas, úmidas e imundas, o Defensor Público foi informado que a custodiada Vanessa, com 20 anos, deixara a cela 8 da galeria B, e fora internada em hospital penitenciário após passar mal algumas noites antes. Após expedir ofício solicitando informações do caso, o Defensor recebe o esclarecimento do hospital de que Vanessa havia sofrido intervenção cirúrgica ginecológica, com retirada do útero pelo agravamento de câncer ginecológico, nunca antes diagnosticado. O hospital também informa que a detenta terá que permanecer internada durante ao menos 02 meses para continuação do tratamento, que compreenderá acompanhamento psicológico e psicoterápico paliativos, porque ela apresentou sinais de depressão com a incapacidade reprodutiva. Além disso, segundo laudo médico circunstanciado do oncologista do hospital, a encarcerada está em estágio avançado da doença e precisa fazer uso contínuo de um medicamento que, embora não esteja registrado na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) e não seja incorporado e dispensado pelo Sistema Único de Saúde (SUS), é o único, segundo recentes avanços da medicina lastreados em estudos científicos citados pelo médico, capaz de controlar a doença e resguardar a saúde da custodiada. Vanessa, embora presa há aproximadamente 01 ano e 03 meses, jamais havia recebido atendimento médico no sistema prisional, uma vez que há pelo menos 05 anos não há médico especializado que atenda na unidade, conforme informações da Direção. Descreva fundamentadamente a(s) medida(s) que pode(m) ser adotada(s) no caso, individual e/ou coletivamente (dispensada a elaboração de peça). Questão nº4 (15 pontos) José da Silva procura o núcleo de primeiro atendimento da Defensoria Pública aduzindo que teve seu automóvel apreendido e removido para depósito publico, tendo em vista a existência de débitos de IPVA e multas referentes aos últimos 5 anos. Para a liberação do veículo, pretende o poder público o pagamento de tais débito e multas, além do pagamento de todas as diárias correspondentes ao tempo de permanência do veículo no depósito do Estado. Acontece que o assistido foi arrematante do veículo em leilão ocorrido em setembro de 2014 e, na época, teve negada a transferência do automóvel para sua titularidade em razão da existência de débitos anteriores ao leilão. Na qualidade de Defensor Público, que medida(s) adotaria na defesa dos interesses de José da Silva. Justifique. (dispensada a elaboração de peça) Questão nº 5 (10 pontos) Discorra sobre a teoria das concausas aplicada à disciplina previdenciária ligada aos acidentes do trabalho, formulando hipótese a título de exemplo (dispensada a elaboração de peça).