206
A. FERRONATO et al.
CARACTERIZAÇÃO DAS SEMENTES E COMPARAÇÃO DE MÉTODOS PARA
DETERMINAR O TEOR DE ÁGUA EM SEMENTES DE
SUCUPIRA-PRETA (Bowdichia virgilioides H.B.K. - PAPILIONOIDEAE) E
PÉ-DE-ANTA (Cybistax antisyphilitica Mart. - BIGNONIACEAE)1
ALESSANDRO FERRONATO2, SUSAN DIGNART3 E IVO PEREIRA DE CAMARGO4
RESUMO - Para as sementes, a água é indispensável na manutenção dos processos bioquímicos
responsáveis pela vida, seja como constituinte do protoplasma, como solvente ou veículo para os
nutrientes minerais. Para se conhecer o teor de água nas sementes, visando a colheita e
monitoramento dos processos de beneficiamento e armazenagem, é essencial a disponibilidade
de métodos precisos e rápidos de determinação. O objetivo do trabalho foi caracterizar as sementes
de sucupira-preta e de pé-de-anta, bem como comparar três métodos de estufa para determinar o
teor de água nas sementes. Na caracterização foi obtido o peso de 1000 sementes de sucupirapreta de 24,5g (40.766 sementes/kg), bem como 24,6g para sementes de pé-de-anta (40.683
sementes/kg). Os dados biométricos dos frutos de sucupira-preta e pé-de-anta apresentaram valor
de mediana para comprimento e largura de 4,1cm e 1,0cm, e 17,5cm e 5,9cm, respectivamente.
Os dados biométricos das sementes de sucupira-preta e pé-de-anta apresentaram valor de mediana
para comprimento, largura e espessura de 4,8cm, 3,4cm e 2,2cm, e 8,5cm, 8,9cm e 1,1cm,
respectivamente. Para o conteúdo de água, foram avaliados os métodos de estufa com 103±2°C
por 17 horas, 105±3°C por 24 horas e 130-133°C por uma hora, todos utilizando sementes inteiras.
O delineamento experimental foi inteiramente casualizado em esquema fatorial, com quatro
repetições de aproximadamente 1,0g de sementes cada, sendo utilizado sementes secas e úmidas.
Os métodos apresentaram resultados significativamente diferentes, porém, os métodos para
determinar o teor de água em estufa a 103±2°C por 17 horas, 105±3°C por 24 horas e 130-133°C
por uma hora apresentaram baixo grau de precisão para sementes úmidas de sucupira-preta. Para
sementes secas de pé-de-anta, o método que apresentou menor precisão foi a estufa a 103±2°C
por 17 horas.
Termos para indexação: Bowdichia virgilioides, Cybistax antisyphilitica, teor de água.
BIOMETRIC CHARACTERIZATION AND COMPARISON BETWEEN WATER
CONTENTS DETERMINATION METHODS IN
Bowdichia virgilioides H.B.K. (SUCUPIRA-PRETA - PAPILIONOIDEAE)
AND Cybistax antisyphilitica Mart. (PÉ-DE-ANTA - BIGNONIACEAE) SEEDS
ABSTRACT - For seeds the water is indispensable to maintenance of biochemical processes
responsible for life, as a constituent of plasma, as a solvent and a vehicle to mineral nutrients. To
know the seeds water content for its harvest and to monitor it during the processing and storage
processes, it is essential the availability of precise and fast determination methods. This
work had as objective to characterize the sucupira-preta and pé-de-anta seeds, as well as to
select a stove method for water contend determination. In the characterization was obtained
2
1
Aceito para publicação em 31.12.2000; parte da Dissertação de Mestrado
em Agricultura Tropical, apresentada pelo primeiro autor à FAMEV/UFMT,
em março de 1999; trabalho conduzido com auxílio da CAPES, CNPq e
FAPEMT.
Revista Brasileira de Sementes, vol. 22, nº 2, p.206-214, 2000
Engº Agrº, MSc., Prof° Assistente do Deptº de Solos e Engenharia Rural,
UFMT, e-mail: [email protected]
3
Engª Agrª, MSc.; Técnica de Atividade Ambiental, Fundação Estadual do
Meio Ambiente - FEMA, Cuiabá-MT.
4
Engº Agrº, Dr., Profº Adjunto do Depto. de Fitotecnia e Fitossanidade,
FAMEV/UFMT.
CARACTERIZAÇÃO E TEOR DE ÁGUA EM SEMENTES DE SUCUPIRA-PRETA E PÓ-DE-ANTA
207
24.5g (40.766 seeds/kg) as sucupira-preta 1000 seeds weight, as well as 24.6g (40.683 seeds/kg)
for pé-de-anta seeds. The biometrics data for sucupira-preta and pé-de-anta fruits presented the
median value of 4.1cm, 10.0cm and 17.5cm, 5.9cm for length and width respectively. The biometrics
data of de sucupira-preta and pé-de-anta seeds presented the median value of 4.8cm, 3.4cm, 2.2cm
and 8.5cm, 8.9cm, 1.1cm for length, width and thickness respectively. For the water contend
determination were evaluated the stove methods with 103±2°C for hours, 105±3°C for 24 hours
and 130-133°C for on hour, all using whole seeds. The experimental design was the completely
randomized, in factorial arrangement with four repetitions of approximately 1.0g of seeds each,
being used dry and moist seeds. The methods presented results significantly different, however
the water contend determination methods using stove at 103±2°C for 17 hours, 105±3°C for 24
hours and 130-133°C for one hour showed low degree of precision for sucupira-preta moist seeds.
For pé-de-anta dry seeds, the stove method at 103±2°C for 17 hours presented the lower precision.
Index terms: Bowdichia virgilioides, Cybistax antisyphilitica, water contents.
INTRODUÇÃO
O desenvolvimento das sementes ortodoxas pode ser
caracterizado por três estádios. No primeiro ocorre a fertilização, intensa divisão celular e a diferenciação dos tecidos.
No segundo estádio há um incremento de matéria seca pelo
acúmulo de proteínas, lipídios e amido, observando-se um
aumento nas dimensões da semente. O terceiro estádio é de
maturação onde cessa o armazenamento de reservas e ocorre
a perda de água pela semente (Leprince et al., 1993).
A redução no teor de água, durante a maturação, é variável conforme a espécie, podendo chegar a 90% do conteúdo
inicial, o que tem como conseqüência a redução do metabolismo da semente até um estado de quiescência, o que é considerado uma estratégia adaptativa.
Um outro grupo de sementes não sofre uma redução do
teor de água tão pronunciada ao final do seu período de desenvolvimento, e perde rapidamente a viabilidade quando
submetidos a ambientes que promovem a dessecação (Chin,
1989 e Leprince et al., 1993). Estas diferenças de comportamento estão relacionadas com diversos fatores tais como a
deposição diferenciada de substâncias (compostos fenólicos,
oxidases, açúcares e proteínas), tamanho das sementes e estruturas das membranas e envoltórios (Chin et al., 1989 e
Leprince et al., 1993).
A tolerância diferenciada das sementes ao dessecamento
determina variações nos métodos de manuseio e armazenagem das diversas espécies.
A água atua nos processos celulares das sementes de diferentes formas: como solvente para as substâncias armazenadas, como catalisador de reações bioquímicas e como componente estrutural (Leopold & Vertucci, 1989). A disponibilidade de água no substrato ou na atmosfera dá início ao pro-
cesso de embebição das sementes, devido aos seus componentes higroscópicos como proteínas e açúcares, o que resulta no incremento dos processos metabólicos (Justice & Bass,
1978).
Portanto, o conhecimento do teor de água nas sementes
quiescentes é um dos fatores mais importantes para a manutenção da longevidade das sementes em ambiente de armazenagem, considerando-se que o aumento do metabolismo consome energia e libera calor, propiciando um ambiente favorável para fungos e insetos capazes de deteriorá-las (Silva, 1988).
Para se conhecer o teor de água das sementes, visando a
colheita e o monitoramento nos processos de beneficiamento
e armazenagem, é essencial a disponibilidade de métodos precisos e rápidos de determinação.
A determinação do teor de água nas sementes apresenta
problemas decorrentes de sua composição química e das
interações com a água. A água retirada das sementes pode ser
a água livre, água coloidal e água metabólica. Durante a secagem, a água livre é facilmente removida pela aplicação do
calor de vaporização, enquanto que as demais exigem mais
calor para sua retirada (Grabe, 1989).
A água metabólica apresenta propriedades diferentes da
água livre, como um menor ponto de congelamento, maior
ponto de ebulição, menor pressão de vapor e maior densidade. A água coloidal não tem a função de solvente e não conduz eletricidade, portanto não é medida por métodos baseados em condutividade elétrica. Porém, não há uma linha precisa que separa a água livre da água coloidal, havendo um
estado de equilíbrio entre ambas, onde a porcentagem de água
coloidal se eleva com o aumento geral do conteúdo de água
até o máximo (Grabe, 1989).
A água metabólica é retida tão fortemente que não pode
ser removida pelos métodos de secagem sem que sejam reti-
Revista Brasileira de Sementes, vol. 22, nº 2, p.206-214, 2000
208
A. FERRONATO et al.
radas também substâncias voláteis, principalmente em sementes com alto conteúdo de óleo. Isto é atribuído a acelerada
decomposição gerada pela atividade enzimática decorrente
da aplicação de calor sendo perdidos compostos como CO2 e
H2O. Portanto, os períodos e as temperaturas dos métodos
oficiais devem ser escolhidos de forma que deixem água suficiente na semente para compensar a perda de peso pela liberação de substâncias voláteis (Grabe, 1989).
Para determinar o teor de água nas sementes são utilizados métodos primários, também chamados diretos ou básicos
que consistem na aplicação de calor em estufas para a retirada da água, onde são empregadas temperaturas pré-determinadas e se avalia o conteúdo de água através das variações de
peso das amostras (Marcos-Filho et al., 1987).
Outros métodos primários consistem na retirada de água
através da destilação e extração com solventes. São métodos
que determinam diretamente o conteúdo de água, servindo
de calibração para métodos secundários ou práticos. São métodos precisos, porém demandam mais tempo para sua aplicação (Grabe, 1989).
Os métodos secundários ou indiretos avaliam características físicas ou químicas das sementes que se relacionam com
o conteúdo de água. Os mais comuns avaliam propriedades
elétricas e outros utilizam higrometria, espectroscopia
infravermelho, ressonância magnética nuclear, espectroscopia
de microondas e reações químicas (Figliolia et al., 1993 e
Grabe, 1989).
As Regras para Análise de Sementes - RAS (Brasil,
1992), empregadas oficialmente nos laboratórios brasileiros, indicam os seguintes métodos diretos: a) estufa a baixa temperatura constante: 103±2°C por 17 horas, (preconizada pelas Regras Internacionais de Análise de Sementes), indicada para sementes que apresentam composição
química mais sujeita a perda de substâncias voláteis; b)
estufa a alta temperatura constante: 130-133°C por uma
hora, (preconizada pelas Regras Internacionais de Análise de Sementes), utilizada principalmente para testes que
requerem a moagem das sementes; c) estufa a 105±3°C por
24 horas, realizado com sementes inteiras e indicado para
todas as espécies de sementes.
No Brasil, o método mais utilizado é o da estufa a
105±3°C por 24 horas, sendo estabelecidos também os padrões de tolerância para a variação de resultados entre
subamostras da mesma amostra de trabalho (Brasil, 1992).
Os resultados são expressos em porcentagem, com base
na diferença entre o peso úmido e o peso seco da amostra.
Com relação aos períodos e as temperaturas preconizadas pelos métodos existem dúvidas em relação às sementes
Revista Brasileira de Sementes, vol. 22, nº 2, p.206-214, 2000
grandes, se a água seria totalmente retirada, e se nas sementes pequenas não haveria perda de substâncias voláteis
(Figliolia et al., 1993).
Dificuldades foram encontradas em se obter os níveis de
tolerância prescrito nas RAS para variação de resultados entre subamostras, quando são estudadas espécies não domesticadas (Camargo, 1997 e Dignart, 1998). Estes problemas ocorrem mais freqüentemente com espécies clímax, recalcitrantes e com aquelas que apresentam dormência devida ao
tegumento impermeável, o qual impede a troca de umidade
com o meio exterior (Malavasi et al., 1996).
O objetivo do trabalho foi caracterizar a biometria dos
frutos e das sementes e comparar métodos para determinar o
teor de água (estufa a 103±2°C por 17 horas, estufa a 105±3°C
por 24 horas e estufa a 130-133°C por uma hora) em sementes de Bowdichia virgilioides H.B.K. (sucupira-preta) e
Cybistax antisyphilitica Mart. (pé-de-anta).
MATERIAL E MÉTODOS
O experimento foi conduzido no Laboratório de Análise
de Sementes da Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária (FAMEV) da Universidade Federal de Mato Grosso
(UFMT), em novembro de 1998.
Os frutos maduros de sucupira-preta (Bowdichia
virgilioides H.B.K.), foram coletados na copa de 15 matrizes,
encontradas no campus da UFMT, no bairro Morada dos
Nobres e na Cachoeira das Garças, Cuiabá - MT, no mês de
agosto de 1998. Os frutos foram expurgados com fosfeto de
alumínio por quatro dias e, posteriormente, beneficiados manualmente retirando-se as sementes da vagem, fazendo-se a
seleção das sementes inteiras das predadas por inseto. Após
o beneficiamento, as sementes foram acondicionadas em sacos de papel e armazenadas por 85 dias no Laboratório de
Sementes da FAMEV/UFMT em câmara seca à temperatura
de aproximadamente 18°C e 45% de UR, por aproximadamente três meses.
Os frutos maduros de pé-de-anta (Cybistax antisyphilitica
Mart.) foram coletados na copa de cinco matrizes, no campus
da UFMT e no bairro Shangrilá, Cuiabá – MT, no mês de
julho de 1998. As sementes foram retiradas manualmente após
os frutos se abrirem naturalmente à sombra. Procedeu-se à
retirada da parte alada das sementes e ao descarte das sementes danificadas por insetos. Estas sementes foram acondicionadas em saco de papel e armazenadas por 115 dias no Laboratório de Análise de Sementes da FAMEV/UFMT em câmara seca, nas mesmas condições de temperatura e UR da outra
espécie.
209
CARACTERIZAÇÃO E TEOR DE ÁGUA EM SEMENTES DE SUCUPIRA-PRETA E PÓ-DE-ANTA
Foi realizada uma caracterização prévia dos lotes, no
início do armazenamento, das duas espécies com a determinação do peso de 1000 sementes (oito repetições de 100 sementes), o cálculo do número de sementes por quilograma,
as dimensões dos frutos (régua milimetrada) e das sementes
(micrômetro, com precisão de 0,001mm) e avaliou-se o teor
de água inicial, pelo método de estufa a 105±3°C por 24 horas, com quatro subamostras.
Na avaliação dos métodos empregados para determinar
o teor de água nas sementes, adotou-se um delineamento experimental inteiramente casualizado em esquema fatorial,
formado pelos métodos para determinar o teor de água, as
espécies estudadas e a condição inicial de umidade nas sementes, com quatro subamostras de aproximadamente uma
grama de sementes cada, num total de 48 parcelas. Os níveis
do fator “métodos” foram: secagem a 103±2°C por 17 horas,
secagem por 105±3°C por 24 horas e secagem a 130-133°C
por uma hora. Os níveis do fator “espécies” foram: sementes
de pé-de-anta (Cybistax antisyphilitica) e de sucupira-preta
(Bowdichia virgilioides). Os níveis de condição de umidade
foram: sementes secas e sementes úmidas. As sementes secas
foram obtidas do lote armazenado na câmara seca e as sementes úmidas, por hidratação, em câmara de germinação do
tipo BOD, a 30°C por 24 horas, em caixas plásticas do tipo
gerbox com tela, onde adicionou-se 45ml de água no fundo,
obtendo-se 13,2% para as sementes de sucupira e 18,9% para
as de pé-de-anta.
Os dados de teor de água foram submetidos a testes de
normalidade e homogeneidade de variâncias, análise de
variância pelo teste F, sendo as médias comparadas pelo teste
de Tukey, ao nível de 5% de probabilidade.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
As sementes e os frutos de Bowdichia virgilioides H.B.K.
e de Cybistax antisyphilitica Mart. apresentaram as seguintes
características (Tabela 1) e (Figuras 1, 2, 3 e 4):
Os dados biométricos dos frutos de sucupira-preta (Figura 1) apresentaram o comprimento com valor de mediana
de 4,1cm e a largura com mediana de 1,0cm. A variável comprimento possui moderada assimetria positiva e a dispersão
dos dados, representado pelo retângulo, é pequena, compreendendo os valores de 3,7 a 4,6cm (50% dos dados). Os 50%
dos dados restantes estão compreendidos pelas linhas verticais. Os círculos e asteriscos mostram dados espúrios. A variável largura possui dispersão dos dados muito pequena, onde
25% dos dados coincidem com a própria mediana. O retângulo representa 50% dos dados, que variam de 1,0 a 1,1cm.
Esta variável praticamente não possui assimetria.
Os dados de comprimento e de largura de frutos de péde-anta (Figura 2) possuem mediana de 17,53 e 5,97cm respectivamente. A variável comprimento possui distribuição
simétrica e os 50% dos dados representados pelo retângulo
variam entre 16,57 a 18,83cm. Da mesma forma que a variável largura para frutos de sucupira-preta, a largura dos frutos
de pé-de-anta possuem pequena dispersão e os 50% dos dados estão dispersos entre 5,7 a 6,1cm.
As variáveis biométricas das sementes de sucupira-preta
(Figura 3) possuem distribuição simétrica, e as medianas para
comprimento, largura e espessura são, respectivamente, 4,80;
3,42 e 2,23mm. A distribuição dos dados para a variável comprimento varia de 4,61 a 5,01mm; para a variável largura vai
de 3,29 a 3,55mm e para espessura varia de 2,12 a 2,37mm.
Este dados representam 50% dos dados para cada variável
exibidos pelos retângulos.
Para as dimensões das sementes de pé-de-anta (Figura
4), apenas a largura apresenta distribuição assimétrica positiva. As medianas das variáveis comprimento, largura e espessura são 8,47; 8,97 e 1,13mm, respectivamente. A distribuição dos 50% dos dados compreendidos pelo retângulo da variável comprimento varia de 8,09 a 8,89mm; para a variável
largura a distribuição varia de 8,11 a 9,71mm e para a variável espessura a distribuição vai de 1,04 a 1,23mm.
Estes dados de biometria de frutos e sementes são valiosos em estudos de melhoramento genético de populações, na
padronizações de testes em laboratório bem como na melhoria
das condições de armazenamento e para a otimização na produção de mudas. No entanto, fica difícil compará-los com
TABELA 1. Peso de 1000 sementes, o número de sementes por quilo e o teor de água inicial nas sementes em lotes de
sementes de Bowdichia virgilioides (sucupira-preta) e de Cybistax antisyphilitica (pé-de-anta). UFMT,
Cuiabá-MT, 1999.
Espécie
Peso de 1000
sementes (g)
Número de sementes por
quilograma
Desvio padrão
Teor de água
inicial (%)
Bowdichia virgilioides
Cybistax antisyphilitica
24,53
24,58
40.766,00
40.683,00
0,82
0,68
10,00
7,80
Revista Brasileira de Sementes, vol. 22, nº 2, p.206-214, 2000
210
A. FERRONATO et al.
7
6
Centímetros
5
4
3
2
1
0
N=
220
220
COMPRIMENTO
LARGURA
Centímetros
FIG. 1. Comprimento e largura, em centímetros, de frutos de Bowdichia
virgilioides (sucupira-preta). UFMT, Cuiabá-MT, 1999.
30
29
28
27
26
25
24
23
22
21
20
19
18
17
16
15
14
13
12
11
10
9
8
7
6
5
4
3
2
1
0
3
7
4
N=
21
COMPRIMENTO
21
LARGURA
FIG. 2. Comprimento e largura, em centímetros, de frutos de Cybistax
antisyphilitica (pé-de-anta). UFMT, Cuiabá-MT, 1999.
Revista Brasileira de Sementes, vol. 22, nº 2, p.206-214, 2000
CARACTERIZAÇÃO E TEOR DE ÁGUA EM SEMENTES DE SUCUPIRA-PRETA E PÓ-DE-ANTA
211
10
9
8
7
Milímetros
6
5
4
3
2
1
0
N=
100
COMPRIMENTO
100
LARGURA
100
ESPESSURA
FIG. 3. Comprimento, largura e espessura, em milímetros, de sementes de
Bowdichia virgilioides. UFMT, Cuiabá-MT, 1999.
16
15
14
74
13
20
12
11
Milímetros
10
9
8
7
6
5
4
3
2
1
0
34
58
38
N=
75
COMPRIMENTO
75
75
LARGURA
ESPESSURA
FIGURA. 4. Comprimento, largura e espessura, em milímetros, de sementes de
Cybistax antisyphilitica. UFMT, Cuiabá-MT, 1999.
Revista Brasileira de Sementes, vol. 22, nº 2, p.206-214, 2000
212
A. FERRONATO et al.
outros estudos, devido ao pioneirismo desse trabalho, com
essas espécies, sendo possível apenas a comparação com outras espécies.
De acordo com as RAS (Brasil, 1992), as sementes de
ambas as espécies são enquadradas na categoria de sementes
pequenas (>5000 sementes/kg), assim como as sementes de
Guazuma ulmifolia Lam. (mutamba) (peso de 1000 sementes
- 10,87g em média) (Araújo-Neto, 1997) e também para
Physocalimma scaberrimum Pohl. (aricá) (peso de 100 sementes - 0,166g em média) (Matos, 1998).
As Figuras 5 e 6 apresentam teores de água obtidos por
diferentes métodos e condições de umidade das sementes de
Bowdichia virgilioides e de Cybistax antisyphilitica, respectivamente. Os dados apresentaram razão de variância significativa ao nível de 1% para todos os fatores (métodos, espécies e condição de umidade inicial), bem como para a interação
condição de umidade das sementes x espécie x método para
determinar o teor de água. A significância da interação entre
os fatores “método”, “espécie” e “condição de umidade inicial”, indica não haver um método único que possa ser empregado, independente da espécie e da condição de umidade
inicial, que permita a extração do maior conteúdo de água
possível das sementes. Nesse sentido, esse resultado sinaliza
para a necessidade de uma reformulação nos procedimentos
16
prescritos pelas Regras para Análise de Sementes (Brasil,
1992). O método de referência deve ser aquele que permita,
de maneira reproduzível, a exata quantificação do teor de água
nas sementes; podendo existir, nesse caso, não um único método, estando sua escolha condicionada a um teste prévio, à
semelhança do que se fez neste trabalho.
Ambas as espécies responderam diferentemente a determinação do teor de água nos três métodos e nas duas condições de umidade, sendo que, para sementes de Bowdichia
virgilioides, na condição de sementes úmidas, os métodos que
utilizaram estufa a 130-133°C por uma hora e a 105±3°C por
24 horas permitiram maior retirada de água das sementes, em
relação ao método que utiliza temperatura de 103±2°C por
17 horas, determinando o teor de 14,2% e 13,2% de água,
respectivamente (Figura 5).
Para as sementes de Bowdichia virgilioides, na condição de semente seca, os métodos de determinação que extraíram maior conteúdo de água foram a estufa a 103±2°C por
17 horas e 105±3°C por 24 horas, apresentando teores de água
de 9,0% e 8,8%, respectivamente (Figura 5).
Para sementes úmidas de Cybistax antisyphilitica, os três
métodos utilizados apresentaram teor de água significativamente iguais, no entanto, o método que apresentou maior
média foi o da estufa a 130-133°C por uma hora (19,2%)
14,2
13,2
14
11,4
Teor de água (%)
12
10
9
8,8
8,1
8
6
4
2
0
Métodos
103°C 17 h -Sucupira úmida
103°C 17 h - Sucupira seca
105°C 24 h - Sucupira úmida
105°C 24 h - Sucupira seca
130°C 1 h - Sucupira úmida
130°C 1 h - Sucupira seca
FIG. 5. Teores de água em porcentagem de base úmida para Bowdichia virgilioides
para sementes úmidas e secas, obtidos por diferentes métodos de determinação.
UFMT, Cuiabá-MT, 1999.
Revista Brasileira de Sementes, vol. 22, nº 2, p.206-214, 2000
213
CARACTERIZAÇÃO E TEOR DE ÁGUA EM SEMENTES DE SUCUPIRA-PRETA E PÓ-DE-ANTA
25
18,7
18,9
19,2
Teor de água (%)
20
15
10
7,6
8,3
7,3
5
0
Métodos
103°C 17 h - Pé-de-anta úmida
103°C 17 h - Pé-de-anta seca
105°C 24 h - Pé-de-anta úmida
105°C 24 h - Pé-de-anta seca
130°C 1 h - Pé-de-anta úmida
130°C 1 h - Pé-de-anta seca
FIG. 6. Teor de água em porcentagem base de úmida para Cybistax antisyphilitica para
sementes úmidas e secas, obtidos por diferentes métodos de determinação. UFMT,
Cuiabá-MT, 1999.
(Figura 6). Quando as sementes estão com teor de água baixo, estas respondem diferentemente ao método utilizado, sendo a estufa a 105±3°C por 24 horas superior aos demais, no
sentido de retirar mais água (8,3%) (Figura 6).
De acordo com Grabe (1989), a água é retirada nas sementes por diferentes graus de força, e o que se observou
neste experimento foi que, sementes mais úmidas requerem
menor período de exposição para a retirada da água e que
sementes mais secas requerem maior período.
Figliolia et al. (1993) relata a dúvida quanto a retirada
somente de água das sementes pequenas, devido às altas temperaturas e longos períodos de exposição. No entanto, Grabe
(1989) propõe adotar o método que deixa um pouco de água
para compensar a possível perda de peso pela retirada de substâncias voláteis da semente, o que sugere a adoção de métodos que retirem um teor intermediário de água.
As Regras para Análise de Sementes adotadas no Brasil,
admitem uma variação no teor de água igual a 0,6%, entre
duas subamostras para sementes florestais pequenas com teor
de água inferior a 12% e 0,8% para sementes pequenas com
teores de água superior a 12% (Brasil, 1992).
As maiores variações no teor de água entre subamostras,
obtidas no experimento, estão na Tabela 2. Os valores para as
sementes úmidas de sucupira-preta, nos métodos 103±2°C,
105±3°C e 130-133°C, e sementes secas no método 103±2°C
foram superiores à tolerância permitida, deixando patente a
TABELA 2. Valores de maior diferença entre subamostras de um mesmo tratamento, obtidos por diferentes métodos
para determinar o teor de água nas sementes de Bowdichia virgilioides (sucupira-preta) e de Cybistax
antisyphilitica (pé-de-anta). UFM T, Cuiabá-M T, 1999.
Espécie
Diferença entre subamostra %
Métodos
130-133°C/1 hora
103±2°C/17 horas
105±3°C/24 horas
Sementes úmidas
Sementes secas
1,8
1,3
1,5
0,3
2,1
0,2
Cybistax antisyphilitica Sementes úmidas
Sementes secas
1,4
0,4
0,2
0,4
0,8
0,3
Bowdichia virgilioides
Revista Brasileira de Sementes, vol. 22, nº 2, p.206-214, 2000
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A. FERRONATO et al.
imprecisão dos métodos empregados. Para as sementes de
pé-de-anta, observou-se uma diferença acima do permitido,
somente, no tratamento que utiliza sementes úmidas e o método 103±2°C.
É possível que haja uma relação peso do recipiente e
peso da amostra utilizada na determinação conferindo imprecisão ao teste. Devido ao peso dos recipientes (diâmetro de
6,0cm e altura de 4,0cm) estar por volta de 26g em média e a
amostra representar em média 4% deste peso, uma variação
pequena no peso do recipiente pode provocar esta grande
variação entre subamostras.
Desta mesma forma, Camargo (1997), avaliando os métodos de estufa para determinação do teor de água em sementes de Bertholletia excelsa Humb. & Bonpl., encontrou níveis de precisão inferiores aos prescritos pelas RAS. No entanto, Malavasi et al. (1996) aceitam haver diversas causas
para que ocorram diferenças entre subamostras, como, por
exemplo, a variação da espessura do tegumento e dos envoltórios da semente, acúmulo diferenciado de resinas, etc. Dignart
(1998) discute a questão de se estabelecer padrões para sementes de longa domesticação, que apresentam grande
homogeneidade genética, o que não se enquadra em sementes silvestres.
CONCLUSÕES
! O método que utiliza estufa a 105±3°C por 24 horas apresentou precisão para determinar o teor de água em sementes secas de sucupira-preta e sementes úmidas e secas de
pé-de-anta;
! todos os métodos apresentaram menor precisão na determinação do teor de água em sementes úmidas de sucupirapreta;
! o método de estufa a 130-133°C por uma hora apresentou
resultados estatisticamente iguais ao método da estufa a
105±3°C por 24 horas, para sementes úmidas de pé-de-anta,
portanto, pode ser utilizado em casos que se necessite de
rapidez na determinação do tedor de água.
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CARACTERIZAÇÃO DAS SEMENTES E COMPARAÇÃO