MOTIVAÇÃO DE PESSOAS DENTRO DE UMA EMPRESA Olívia Cristina Perez1 Andressa Duaibs Vieira2 RESUMO O presente trabalho tem por objetivo verificar a motivação dos colaboradores dentro da empresa de pequeno porte. Para isso, foi utilizado o método do estudo de caso e aplicado um questionário para verificar se a recompensa financeira é o principal fator motivacional para os funcionários. Os resultados indicaram que para os profissionais da empresa, a recompensa financeira é um fator motivacional importante para sua permanência na organização. Palavras-chave: Motivação, Recompensa Financeira, Reconhecimento. 1 Doutora em Ciência Política e Professora titular na Universidade Paulista [email protected] 2 Graduada em Administração de empresas pela Universidade Paulista [email protected] (UNIP/Santos). (UNIP/Santos). 1 INTRODUÇÃO Esta pesquisa tem como finalidade trazer uma abordagem sobre a motivação dos colaboradores dentro de empresa de pequeno porte. Segundo Sobral e Peci (2008), a empresa deve motivar seus empregados, despertando a identificação dos colaboradores com a organização e a permanência dos mesmos na instituição. Complementando, Chiavenato (2004) explica que a motivação dos empregados impulsiona e estimula o comportamento e o desempenho do empregado. As organizações devem conhecer os principais elementos motivadores, e descobrir os principais pontos causadores da rotatividade. Deste modo, a valorização do funcionário torna-se uma ferramenta de gerenciamento indispensável para as organizações. Há grandes fatores que influenciam diretamente a motivação e o comprometimento dos colaboradores, como a remuneração, a eficácia da liderança, programas de incentivo com o grupo de trabalho, desenvolvimento e reconhecimento (MAYO, 2003). De forma contrária, a principal razão que os empregados deixem à organização é a falta de um plano estratégico de captação de talentos, sensação de que não está fazendo progresso ou de que não têm oportunidades para crescimento (MAYO, 2003). Sendo o colaborador a peça indispensável para a organização, gerador do seu sucesso ou insucesso, cabe à empresa dar condições físicas e psicológicas para o bem estar dos mesmos, motivando-os, e proporcionando um ambiente em que possam encontrar satisfação, para que assim, mediante a simetria de ambos os objetivos, resulte no alcance das metas organizacionais e individuais. Levando-se em conta a influência das organizações para obter e garantir um ótimo desempenho dos empregados, as empresas devem capacitar e motivar os mesmos, promovendo principalmente desenvolvimento pessoal e profissional, e, satisfazendo as expectativas financeiras. A presente pesquisa contribui para essa reflexão ao observar a motivação dos colaboradores dentro da organização, compreendendo os motivos que direcionam e mantêm os profissionais satisfeitos no ambiente de trabalho, mantendo os mesmos por mais tempo na empresa, com elevada produtividade e excelência nos resultados. Mais especificamente, a pesquisa parte da constatação da importância da motivação dentro da empresa e pretende diagnosticar se a recompensa financeira é o principal fator motivacional para os colaboradores. Tem-se como hipótese que - em que pese outros fatores envolvidos na motivação, tais como: possibilidade de crescimento dentro da empresa, trabalho em equipe, desafio e realização profissional, - a motivação é proporcionada principalmente pela questão salarial. Logo, o objetivo da pesquisa é observar os fatores considerados essenciais pelos colaboradores para que os mesmos se sintam motivados e permanecerem na empresa. 2 REFERENCIAL TEÓRICO Para Sobral e Peci (2008), no âmbito organizacional, a motivação é um processo essencial na vida de qualquer pessoa e pode ser definida como a predisposição individual para exercer esforços que busquem o alcance de metas organizacionais, condicionada pela capacidade de esses esforços satisfazerem, simultaneamente, alguma necessidade individual. Conforme a definição, a motivação não é uma característica individual, mas sim o resultado da interação entre a pessoa e determinada situação. Três elementos podem ser destacados nessa definição de motivação – esforço, metas organizacionais e necessidades. Conforme os autores: A motivação se refere a um esforço individual. Indivíduos motivados se esforçam mais, mas nem sempre na direção dos objetivos organizacionais. Por isso, além da intensidade, são importantes a qualidade e a direção desse esforço individual. O desafio do administrador é canalizar esses esforços individuais para o alcance das metas organizacionais, buscando a melhoria do desempenho dos indivíduos no cargo. De modo simultâneo, a motivação é um processo que busca a satisfação de alguma necessidade (SOBRAL e PECI, 2008, pág. 208). Os indivíduos se esforçam como consequência do desconforto e da tensão criados por uma necessidade não satisfeita. O comportamento resulta da tensão gerada pelas necessidades internas e da busca em satisfazê-las. Para a organização, a motivação dos trabalhadores no desempenho de suas funções deve ser consistente e compatível com a satisfação das necessidades individuais. Pessoas que perdem horas de trabalho navegando pela Internet ou jogando conversa fora estão motivadas do ponto de vista individual, porque preenchem uma necessidade psicológica ou social, mas estão desmotivadas do ponto de vista organizacional (SOBRAL e PECI, 2008). Visão geral das teorias de motivação As teorias organizacionais e administrativas sempre foram responsáveis pela introdução de várias concepções acerca da motivação. Essas diferentes concepções influenciaram a prática administrativa, mas seu conteúdo e relevância devem ser compreendidos a partir de uma análise histórica (SOBRAL e PECI, 2008). Ou seja: A escola clássica de administração, especificamente a contribuição de Taylor, é conhecida por introduzir a visão tradicional sobre a motivação, segundo a qual o administrador especifica os objetivos, divide as tarefas e treina os funcionários para realizar as tarefas, buscando motivá-los por meio de um sistema de incentivos, principalmente de ordem material (salários). Dessa forma, quanto mais o funcionário produz, mais ganha em termos de salário. Baseia-se no pressuposto do homem econômico, segundo o qual as pessoas buscam maximizar seus interesses materiais e são motivadas unicamente por esse tipo de incentivo. Essa forma de incentivo funcionou (e continua a funcionar) enquanto o foco da administração era o aumento da eficiência (SOBRAL e PECI, 2008, pág. 208). A escola de relações humanas foi responsável por introduzir o lado humano na administração e reconhecer a importância das necessidades sociais na motivação. Baseada no pressuposto do homem social, a teoria direciona os administradores a trabalhar com os grupos formais e informais nas organizações e a motivar os empregados, criando condições propícias para a satisfação no trabalho. Se no modelo anterior a autoridade do administrador era aceita em troca de melhores salários, neste modelo ela é aceita em troca do tratamento atencioso que os superiores despendem aos funcionários. Por isso, a contribuição dessa escola é criticada pelo caráter mais manipulativo e por certa ingenuidade dos pressupostos motivacionais, uma vez que trabalhadores satisfeitos nem sempre são os que produzem mais (SOBRAL e PECI, 2008). Ainda segundo os autores: A partir da década de 1950, começa a ser desenvolvido um conjunto amplo de teorias de motivação mais abrangentes e complexas. As teorias comportamentais vão além dos conceitos de homem econômico e homem social, começando a trabalhar com o pressuposto do homem complexo, considerando que o trabalhador é influenciado por incentivos econômicos, biológicos, sociais e psicológicos, difíceis de serem compreendidos com simples teorias de motivação. Essas teorias buscavam identificar os fatores que poderiam afetar a motivação. Elas são classificadas em três categorias: A. Perspectivas de conteúdo acerca da motivação: trata-se de um conjunto de teorias que busca entender as necessidades internas que motivam as pessoas. Além disso, auxilia os administradores na compreensão dos fatores que possibilitam a satisfação dessas necessidades no ambiente de trabalho; B. Perspectivas de processo acerca da motivação: reúnem as teorias que enfatizam o ‘como’ da motivação, ou seja, os processos de seleção das ações comportamentais. C. Perspectivas de reforço acerca da motivação: conjunto de teorias que enfatiza a forma como se aprende o comportamento desejado, analisando a relação comportamento-consequências (SOBRAL e PECI, 2008, pág. 208-209). Muitas dessas teorias atualmente são questionadas e criticadas; no entanto, seus conceitos definiram, em boa medida, o que hoje se entende por motivação, assim como as práticas motivacionais prevalecentes nas organizações contemporâneas. A seguir, serão apresentadas as principais teorias que compõem cada uma das perspectivas destacadas (SOBRAL e PECI, 2008). Motivação no Âmbito Profissional Segundo Maximiano (2002) nos diversos campos de suas atividades, as pessoas são estimuladas por razões as quais algumas são conhecidas e conscientes, já outras são por instinto e inconscientes. Tais estímulos movimentam, movem, motivam em direção a objetivos diversos. Observa-se que essas palavras expressam a mesma ideia pois derivam da palavra latina motivus, que significa aquilo que movimenta, faz andar. Ainda segundo o mesmo autor, a palavra motivação indica as causas ou motivos que produzem determinado comportamento, seja ele qual for. A motivação é a energia ou força que movimenta o comportamento e que tem três propriedades: direção: o objetivo do comportamento motivado ou a direção para a qual a motivação leva o comportamento; intensidade: magnitude da motivação; permanência: duração da motivação (MAXIMIANO, 2002, pág. 275). A principal maneira de motivar, antes da Revolução Industrial, consistia no uso de punições, criando, dessa forma, um ambiente generalizado de medo e, tais punições, não eram unicamente de natureza psicológica, podendo acontecer sob forma de restrições financeiras, chegando a se tornar reais sob a forma de prejuízos de ordem física (MAXIMIANO, 2002). Já a teoria da Administração Científica defendia o uso de formas de controle sobre os subalternos para que se conseguisse fazê-los atingir níveis predeterminados de produtividade. Em lugar do clima de punição, adotou-se a crença de que o dinheiro seria a principal fonte de incentivo à motivação e acreditou-se que os trabalhadores escolheriam seus empregos não pelo tipo de trabalho ou conteúdo dos cargos, mas o fariam tomando por base as perspectivas de remuneração (MAXIMIANO, 2002). Sobral e Peci (2008) consideram a motivação um estado de espírito positivo, que permite ao indivíduo a realização das tarefas do cargo e de seu pleno potencial. É a gasolina interior para se enfrentarem os desafios da função e da organização. É a paixão com que o indivíduo exerce uma missão, alcançando satisfação quando os objetivos são alcançados. A preocupação com a motivação funcional teve início a partir dos estudos de Elton Mayo entre 1927 e 1932, com as experiências na Fábrica Hawthorne, com a Teoria das Relações Humanas. As experiências de Hawthorne apresentam um novo conceito de homem (CHIAVENATO, 2000). Fatores motivacionais Sobral e Peci (2008) complementam que os fatores motivacionais estão relacionados com o conteúdo do cargo e com a natureza das tarefas que a pessoa executa. Os fatores motivacionais estão sob o controle do indivíduo, pois estão relacionados com aquilo que ele faz e desempenha. Envolvem sentimentos de crescimento individual, reconhecimento profissional e auto realização, e dependem das tarefas que o indivíduo realiza no seu trabalho. Segundo Chiavenato (2000), tradicionalmente, as tarefas e os cargos eram arranjados e definidos com a preocupação de atender aos princípios de eficiência e economia, eliminando o desafio e a criatividade individual. Com isto, perdiam o significado psicológico para o indivíduo que os executa e criavam um efeito de desmotivação, provocando apatia, desinteresse e falta de sentido psicológico. O efeito dos fatores motivacionais sobre as pessoas é profundo e estável. Quando os fatores motivacionais são ótimos, eles provocam a satisfação nas pessoas. Porém, quando são precários, eles evitam a satisfação. Sobral e Peci (2008), concluem que a cada dia que passa o trabalhador se conscientiza de que não é um fator de produção e sim o fator principal do processo produtivo, e entende que o seu sucesso está diretamente ligado ao sucesso da empresa. Diante disso as organizações tendem a aproveitar mais seus Recursos Humanos. Valorização Profissional O reconhecimento ou valorização profissional apresenta-se na forma de recompensas que poderão ser intrínsecas enquanto programas de reconhecimento e extrínsecas enquanto sistemas de compensação (ROBBINS, 2010). Com o intuito de reconhecer aqueles profissionais que ofereceram grande contribuição à empresa, a organização concede prêmios a estas pessoas, tornando-as exemplo para os demais profissionais (CHIAVENATO, 2004). Detalhando melhor: Um exemplo de sistema espetacular de recompensa desenvolvido pela Toyota nos Estados Unidos é o prêmio de assiduidade perfeita usado em todas as instalações americanas de manufatura da Toyota. A assiduidade é fundamental na Toyota, pois os funcionários são muito capacitados e fazem parte de uma equipe, e o número de empregados é enxuto. O sistema de assiduidade perfeita recompensa a assiduidade total – nenhuma falta não justificada em um ano. Os que integram o grupo da assiduidade perfeita são convidados a participar de um grande banquete em um importante centro de convenções. Cerca de uma dúzia de veículos Toyota novos são apresentados no palco. Um sorteio aponta os ganhadores que levarão os veículos para casa com todos os impostos e taxas pagos. Cerca de 60 a 70% dos funcionários da Toyota integram o grupo da assiduidade perfeita – nenhum dia de falta ou de atraso. O custo total dessa extravagância de uma noite da Toyota para fazer com que milhares de funcionários sejam pontuais e assíduos no trabalho é uma ninharia (LIKER, 2005, pág. 198). Pode-se notar que o processo de remuneração das organizações que antes se limitava a administrar as políticas de cargos, salários e os planos de benefícios, atualmente busca criar um processo de compensação e de reconhecimento dos resultados da empresa, que possam ser alinhados aos objetivos estabelecidos na estratégia empresarial (GARRETT, 2006). Os processos de recompensar pessoas são fundamentais para o incentivo e motivação dos funcionários da organização, considerando os objetivos organizacionais a serem, assim como os objetivos individuais a serem atendidos. Recompensa significa uma retribuição, premio ou reconhecimentos pelos serviços de alguém. A recompensa é fundamental no reconhecimento do desempenho de um profissional na organização (CHIAVENATO, 2004). Os programas de reconhecimento de funcionários vão desde um muito obrigado até programas formais nos quais tipos específicos de comportamento são encorajados e as regras destes programas são identificados claramente (ROBBINS, 2010). Entender os objetivos estabelecidos e projetar o sistema de compensação que melhor direcione e incentive a atuação dos colaboradores é o grande desafio das organizações. A administração de cargos e salários, em conjunto com o sistema de avaliação de desempenho e do planejamento de carreiras, forma o processo de reconhecimento e recompensas (GARRETT, 2006). O prêmio de reconhecimento pode ser indicado pelo gerente ou cliente interno de um funcionário ou equipe e, deve comunicar à direção o reconhecimento pela contribuição (CHIAVENATO, 2004). Muitos críticos argumentam que os programas de reconhecimento dos funcionários são muito suscetíveis à manipulação por parte de dirigentes de empresas, pois em diversas funções, os critérios para definir o que é um bom desempenho não são assim tão evidentes, o que dá margem para que os gestores manipulem o programa para beneficiar seus funcionários favoritos (ROBBINS, 2010). Presume-se que a compensação financeira e os benefícios associados, são a chave para a retenção da mão de obra. Embora isso seja verdade em muitos casos, a chance de aumento salarial em outra instituição, não é o principal motivo pelo qual a maioria dos empregados deixa a empresa em que trabalha. Mesmo em cargos operacionais, nos quais o valor do salário tem sido visto como principal incentivo, a satisfação no trabalho é uma das variáveis mais importantes do nível de comprometimento dos empregados (CHAPMAN, 2007). O ato de pensar em sair do emprego está intimamente relacionado ao nível de satisfação de um indivíduo no cargo que ocupa. Baixos níveis de satisfação no trabalho estão relacionados a um grau mais elevado de consideração sobre a saída do emprego. Os funcionários com maior probabilidade de deixar o emprego são aqueles que possuem mais talento, são mais bem treinados e têm capacidade para contribuir positivamente para a organização (CHAPMAN, 2007). Satisfação no trabalho e valorização pessoal A satisfação no trabalho está relacionada a fatores como: complexidade no trabalho (quanto mais complexo, maior satisfação); retorno financeiro; condições gerais no trabalho; Reconhecimento; chance de usar habilidades e talentos e carga de trabalho (CHAPMAN, 2007). Conforme Chapman (2007), o anseio por valorização pessoal não está relacionado a posição hierárquica. O desejo por consideração, também não está limitado à atividade ou ao tipo de trabalho realizado. Ainda para Chapman (2007), a valorização pessoal no ambiente profissional tornou-se uma importante área de pesquisa em diversos campos acadêmicos. Isso está relacionado ao papel significativo que a valorização pessoal desempenha na satisfação do trabalho. Afirma-se intuitivamente que trabalhar num ambiente onde há senso de apreciação por aquilo que contribuímos é mais agradável o que realizar a mesma tarefa (pelo mesmo salário) e não se sentir valorizado por quem está ao redor. Do mesmo modo, comunicar apreço em relacionamentos profissionais tem se mostrado uma maneira de melhorar a qualidade das relações entre funcionários e seus supervisores, assim como entre colegas de trabalho. Subordinados valorizam muito o fato de saber como comunicar encorajamento e apreciação por seus companheiros (CHAPMAN, 2007). Palavras de afirmação representam na linguagem na qual as palavras são usadas para comunicar uma mensagem positiva a outra pessoa. Quando fala essa linguagem, está apoiando verbalmente uma característica positiva de alguém. Como acontece com todas as linguagens da valorização pessoal, existem muitos dialetos. Um dialeto é uma maneira singular de falar determinada linguagem (CHAPMAN, 2007). O processo de implementação da motivação através da valorização pessoal normalmente pode ser estabelecido em reuniões já existentes na rotina da empresa e em estruturas atuais. O modelo de motivação através da valorização pessoal foi positivamente desenvolvido de modo a manter baixos custos financeiros (CHAPMAN, 2007). Segundo Wood & Picarelli (2004), a remuneração funcional, ou remuneração por cargo, é a forma mais tradicional utilizada pelas empresas para recompensar seus funcionários por seu trabalho, representando ainda hoje a âncora, ou seja, a maior parcela do mix total de remuneração. A remuneração funcional é implantada junto com um sistema de cargos e salários. Em empresas que experimentam crescimento rápido ou transformações profundas, o sistema de cargos e salários ajuda a dar coerência interna à organização, proporcionando definições básicas que apoiam a estruturação do trabalho; A remuneração funcional permite a equidade externa. Por meio de pesquisas salariais, a empresa pode comparar seus salários com os praticados no mercado e, assim estabelecer diretrizes adequadas para atrais e reter a mão-de-obra desejada; A remuneração funcional permite a equidade interna. Ter os salários estabelecidos a partir de regras aplicáveis a todos na empresa produz um sentimento de justiça entre os funcionários. Essas, porém, não são as únicas razões pelas quais a remuneração funcional é amplamente utilizada. Pesquisadores que estudam a adoção de sistemas de gestão, com o sistema de cargos e salários, advogam que eles nem sempre são adotados por serem eficazes e gerarem soluções comprovadas. Frequentemente, isto nem mesmo ocorre. As empresas tendem a imitar umas às outras na adoção desses sistemas e nem sempre existe uma justificativa racional para esse comportamento. Segundo Chiavenato (2002), os benefícios podem ser classificados a partir de sua natureza em: Assistenciais: visam prover o empregado e sua família de segurança e suporte para casos imprevistos. Estão nessa categoria benefícios como assistência médica, assistência financeira, suplemento de aposentadoria etc.; Recreativos: procuram proporcionar para o empregado e sua família lazer, diversão e estimulo para produção cultural. Estão nessa categoria clubes, promoções e concursos culturais, colônia de férias etc.; Serviços: proporcionam para o empregado e sua família serviços e facilidades para melhorar sua qualidade de vida, como restaurante, estacionamento, comunicação etc. Os benefícios oferecem suporte para os empregados que lhes permitem segurança a que de outra forma não teriam acesso. A composição da remuneração fixa e benefícios deve ser efetuada com cuidado para otimizar os recursos utilizados na satisfação das necessidades dos empregados abrangidos por eles. Muitas empresas procuram destacar o valor dos benefícios oferecidos para que os empregados consigam avaliar sua importância em relação à remuneração fixa. Já em Wood & Picarelli (2004), são descritas as etapas necessárias para o desenvolvimento de um plano de remuneração por cargo, conforme segue: Diagnóstico da organização; Divulgação; Planejamento; Levantamento das atividades; Descrição de cargos; Análise de cargos; Avaliação de cargos; Pesquisa salarial; Construção da estrutura salarial; Elaboração das políticas salariais. Fatores que geram a insatisfação no trabalho Considerando a dessemelhança nos padrões de satisfação no trabalho, é necessário, ainda, após a implantação de cargos, verificarem as necessidades individuais de participação de cada trabalhador, além da adoção de fatores tecnológicos, requerendo alguns fatores psicológicos (CHIAVENATO, 2002). Para obtenção de tais fatores, Chiavenato (2002) afirma ser necessário: elevada motivação intrínseca do trabalho, desempenho de alta qualidade no trabalho, elevada satisfação com o trabalho, redução das faltas (absenteísmo) e dos desligamentos espontâneos (rotatividade). Dentro do contexto referente à satisfação no cargo e trabalho, Herzberg instituiu a teoria dos dois fatores. A satisfação no cargo é função do conteúdo ou atividades desafiadoras e estimulantes do cargo, são os chamados "fatores motivadores". A insatisfação no cargo é função do ambiente, da supervisão, dos colegas e do contexto geral do cargo, enriquecimento do cargo (ampliar as responsabilidades) são os chamados "fatores higiênicos". Em relação à motivação para o trabalho, apregoando o chamado enriquecimento do cargo, obtendo assim a satisfação através do mesmo. Para algumas pessoas o cargo, em relação ao crescimento pessoal, é pequeno demais. Sendo necessário aumentar decididamente os objetivos, as responsabilidades e os desafios das tarefas do cargo. Para melhorar a qualidade de vida no trabalho, os cargos estão sendo transformados em atividades de equipes, deixando de ser individuais, proporcionando maior satisfação das pessoas com a tarefa desenvolvida e com sua organização. 3 METODOLOGIA A presente pesquisa objetiva descrever os fatores motivacionais encontrados em uma empresa de pequeno porte que conta com 30 funcionários. Para tanto foi elaborado um questionário direcionado aos profissionais de maneira geral. O questionário foi respondido por todos os 30 funcionários. O instrumento aplicado para a coleta de dados foi a escala de Likert com variância de 5 pontos. A principal vantagem dessa escala é a facilidade de construção e aplicação, além dos entrevistados entenderem rapidamente como utilizar a escala (MALHOTRA, 2001). Para análise dos itens da escala de Likert utilizou-se o cálculo do Ranking Médio (RM). No RM atribui-se um valor de 1 a 5 para cada item, para obtenção da média ponderada de cada pergunta, baseando-se na frequência das respostas. A cada item foi atribuída uma escala quantitativa, conforme a seguir: Discordo totalmente (1), Discordo (2), Nem Concordo nem Discordo (3), Concordo (4) e Concordo totalmente (5). Quanto mais próximo de 5 estiver o RM, maior é o nível de motivação dos profissionais. Desta forma foi obtido o RM através da fórmula abaixo: Média Ponderada (MP) = Σ ( fi.Vi) Ranking Médio (RM) = MP / (NS) 4 RESULTADOS Gráfico 1- Motivação em relação aos objetivos Afirmação: A empresa em que eu trabalho me motiva a alcançar os objetivos propostos O gráfico 1 mostra se a empresa motiva seus funcionários a alcançar os objetivos propostos pela mesma: 37% dos respondentes disseram discordar totalmente, enquanto 10% discordam, 23% não concordam nem discordam, 27% concordam e 3% concordam totalmente. A partir das respostas, obteve-se um Ranking Médio (RM) de 2,5, ou seja, as opiniões estão igualmente dividas. Por este resultado, não é possível obter uma conclusão específica em relação à motivação do alcance dos objetivos, pois as respostas foram espalhadas. Nota-se que Sobral e Peci (2008) afirmam que no âmbito da organização, a motivação é um processo essencial na vida de qualquer pessoa. Gráfico 2 – Motivação no trabalho Afirmação: O meu chefe me motiva dentro do trabalho Observando-se o gráfico 2 percebe-se que os respondentes, quando questionados sobre a motivação exercida por seus chefes no ambiente de trabalho, 7% responderam que discordam totalmente, 10% discordam, 37% nem concordam nem discordam, e 47% concordam. Por meio das respostas, obteve-se um Ranking Médio (RM) de 3,2. Esse resultado demonstra que a empresa pratica o que diz Sobral e Peci (2008), quando afirma que cabe ao administrador descobrir onde o funcionário está situado na hierarquia e tomar medidas que possam satisfazer as necessidades do nível em que ele se encontra. Gráfico 3 - Dinheiro como motivador Afirmação: O dinheiro é o que me motiva a trabalhar mais Nota-se no gráfico 3 que os entrevistados, quando questionados se o dinheiro lhes motivam a trabalhar mais, 20% responderam que discordam totalmente, 13% disseram que discordam, 10% não concordam nem discordam, 40% concordam, e 17% concordam totalmente. Através destas respostas, foi obtido um Ranking Médio (RM) de 3,2, o que sustenta o que escreve Maximiano (2002) quando afirma que adotou-se a crença de que o dinheiro seria a principal fonte de incentivo à motivação e acreditou-se que os trabalhadores escolheriam seus empregos não pelo tipo de trabalho ou conteúdo dos cargos, mas o fariam tomando por base as perspectivas de remuneração. Gráfico 4 - Reconhecimento no trabalho Afirmação: A minha empresa reconhece o meu trabalho No gráfico 4 é possível notar que os entrevistados ao serem questionados sobre o reconhecimento do seu trabalho pela empresa, 20% responderam que discordam totalmente, 7% responderam que discordam, 53% não concordam nem discordam, 17% concordam e 3% concordam totalmente. Foi obtido com essas respostas, um Ranking Médio (RM) de 2,8, o que vai a favor do que diz Chiavenato (2004) que ressalta o reconhecimento como fundamental à organização empresarial. Gráfico 5 - Necessidade dos funcionários Afirmação: A minha empresa procura identificar as necessidades dos funcionários para poder motivá-los Quando questionados se a organização na qual trabalham procura identificar a necessidade dos funcionários para poder motivá-los, 30% responderam que discordam totalmente, 20% disseram discordar, 27% não concordam nem discordam, 23% concordam, enquanto ninguém concorda totalmente. Com base nestas respostas, obteve-se um Ranking Médio (RM) de 2,4, o que vai contra Sobral e Peci (2008) ao afirmarem que para a organização, a motivação dos trabalhadores no desempenho de suas funções deve ser consistente e compatível com a satisfação das necessidades individuais. Gráfico 6 - Importância da motivação Afirmação: A motivação é um fator importante para que eu permaneça na organização Com a análise do gráfico 6 nota-se que os entrevistados, ao serem questionados se a motivação é um fator importante para que permaneçam na empresa, 7% discorda, 7% nem concorda nem discorda, 30% concordam e 57% concordam totalmente. Com base nestas respostas, obteve-se um Ranking Médio de 4,4, o que comprova o que diz Sobral e Peci (2008) ao afirmarem que a motivação é a “gasolina” interior para se enfrentarem os desafios da função e da organização. É a paixão com que o indivíduo exerce uma missão, alcançando satisfação quando os objetivos são alcançados. 5 CONCLUSÃO Considerado por vezes tema repetitivo para fins de estudos, o fato é que identificar a real motivação das pessoas é além de necessário no ambiente organizacional, um dos grandes desafios dos gestores, dada a complexidade de cada indivíduo. Um dos pontos que aparece como unanimidade entre gestores e pesquisadores é de que aquelas equipes que se encontram altamente motivadas, alcançam resultados excepcionais em suas tarefas, ao contrário dos resultados obtidos por equipes não motivadas. Diante desta afirmativa, observou-se que a motivação, e a falta dela, são assuntos muito discutidos nas organizações. Motivação e liderança são conceitos que estão intimamente ligados. Um bom líder deve estar motivado e simultaneamente, deve ser capaz de motivar os elementos da sua equipe. Com este estudo, procurou-se observar a motivação dentro de uma empresa de pequeno porte. A pesquisa buscou diagnosticar se a recompensa financeira é considerada o principal fator motivacional para os profissionais da organização, fazendo com que permaneçam na empresa. A hipótese apresentada foi a de que, apesar de existirem outros fatores envolvidos na motivação - possibilidade de crescimento dentro da empresa, trabalho em equipe, desafio e realização profissional - a motivação é proporcionada principalmente pela questão salarial. Para verificar se a recompensa financeira é considerada pelos funcionários o principal fator motivacional foram aplicados 30 questionários para os funcionários da empresa. Em ambos os questionários foi utilizado o método de escala Likert, para obtenção do Ranking Médio e posterior análise dos dados. Após a análise dos dados, conclui-se que a hipótese apresentada foi parcialmente confirmada, pois em uma escala que varia de 1 a 5, o RM obtido foi de 3,2 quando questionado a influência da recompensa financeira, na sua motivação e permanência na organização. Quando se fala em recompensa financeira recebida em decorrência do trabalho realizado, além do salário em si, evolve neste contexto, por exemplo, os benefícios oferecidos, as gratificações, a participação nos lucros, entre outros. Face aos resultados obtidos através desta pesquisa e o confronto com as características previstas na literatura, é correto afirmar que a importância da remuneração oferecida pela empresa está ligada à influência da motivação e permanência dos funcionários, e que é preciso que os indivíduos sejam remunerados corretamente, de forma que o dinheiro (ou a falta dele) não seja um problema para os mesmos. Nesse aspecto, notou-se que os incentivos financeiros proporcionados pela empresa são importantes quando relacionados à motivação dos profissionais. 6 REFERÊNCIAS CHAPMAN, Elwood N. Relações Humanas na Empresa – Desenvolvendo Habilidades Interpessoais. Rio de Janeiro: Qualitymark, 2007. CHIAVENATO, Idalberto. Recursos Humanos. São Paulo: Atlas, 1998. ___. Introdução à teoria geral da administração. Campus: São Paulo, 2000. ___. Recursos Humanos. São Paulo: Atlas, 2002. ___. Introdução a Teoria Geral da Administração. Rio de Janeiro: Campus, 2003. ___. Gestão de Pessoas. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004. FERREIRA, Ademir Antonio. Gestão Empresarial: de Taylor aos nossos dias: evolução e tendências da moderna Administração de empresa. São Paulo: Thomson Learning, 2002. 7 reimpr. da 1 ed. de 1997. FERREIRA, M.L.C.B. e SIQUEIRA, M.M.M. Antecedentes de Intenção de Rotatividade: estudo de um modelo psicossocial. Campinas: Anpad, 2001. GARRETT, Alexandre. 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