Ano IX • nº 183
Agosto de 2010
R$ 5,90
AN cartão BRB
em poucas palavras
Divulgação
E o palhaço, o que é? É ladrão de mulher...
Não dá para entender a origem desse bordão, nem
a razão pela qual ele, vira e mexe, aparece em nossas
memórias de infância. Injustiça cruel com os profissionais
que dedicam sua vida à nobre tarefa de fazer rir as crianças
e os crescidinhos também.
Pois é ele, ou melhor, são elas, as palhacinhas Doutoras
Música e Riso, as nossas homenageadas da capa. O grupo,
criado por Antonia Vilarinho, leva alegria para as crianças
internadas em hospitais da cidade e que, portanto, não estão
podendo brincar. Leia, em Palhaçadas que confortam (página
24), como o teatro e a música podem ter efeitos terapêuticos.
Teatro e música, aliás, têm este mês ótimas opções nos
palcos da cidade. Uma delas é o Cena Contemporânea,
festival internacional que chega a sua 11ª edição e ocupa
praticamente todos os teatros brasilienses (página 29).
Na seção Graves & Agudos, o tema do mês é o projeto A
música na linha do tempo, que traz o melhor da MPB e da
música erudita à Sala Cássia Eller, da Funarte (página 26).
Nas artes plásticas, dois bons programas no CCBB
e na Caixa Cultural. No primeiro, a exposição Brasília
e o construtivismo: um encontro adiado (página 30); na
segunda, a mostra Bandeira de Mello, retrospecto (página 31).
A seção Água na Boca tem como destaque a matéria
em que fazemos 15 sugestões de restaurantes para se
comemorar em grande estilo o Dia dos Pais (página 4).
Na coluna Pão & Vinho (página 15), Alexandre Franco
completa nossa proposta sugerindo a cada pai um tipo de
vinho. Para os filhos de Claudes, um Côte du Rhône; para
os de Giuseppes, um Toscano; e para os Manoéis e Joaquins,
um bom Douro...
Aliás, se me permitem, escolho esta última sugestão para
fazer um brinde ao meu pai, um Fernandes com ancestrais
lusitanos que infelizmente não estará comigo neste 8 de
agosto, mas merece a homenagem. Feliz Dia dos Pais, seu
Sérgio. E Feliz Dia dos Pais a todos os pais que nos leem.
Boa leitura e até setembro.
Maria Teresa Fernandes
Editora
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águanaboca
O Le Jardin, do Clube de Golfe, criou para o Dia do Pais uma
sobremesa que tem tudo para agradar: mousse de cachaça.
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picadinho
garfadas&goles
pão&vinho
palavradochef
dia&noite
solidariedade
graves&agudos
queespetáculo
galeriadearte
luzcâmeraação
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Tiragem 10.000 exemplares | Errata A foto da capa da edição 182 é de autoria de Eduardo Oliveira.
www.roteirobrasilia.com.br
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água na boca
Bife de tira com arroz de
brócolis e fritas, do Ilê
Eles também
merecem
O
s filhos dotados de algum talento
culinário e disposição para encarar um fogão – além de uma pia
cheia de panelas e pratos sujos – podem
render homenagem a seus pais sem precisar sair de casa. Para os desprovidos dessas
virtudes, entretanto, o jeito é “abrir a
mão” e convidar o paizão para se refestelar
em algum bom restaurante da cidade. Opções não faltam. E a Roteiro selecionou
com carinho algumas das melhores maneiras de festejar o Dia dos Pais em alto estilo.
4
O Bottarga Ristorante partiu do
princípio de que o 8 de agosto é um dia
tão especial que merece um menu também especial. De entrada, um tartare de
salmão, seguido de um prato inédito no
cardápio: arroz de pato. Para completar, a
torta rústica de maçã com chantilly e canela, em nova versão. De acordo com os
proprietários, Leo Lynce e Maria Tereza
Cavalcanti, os pratos criados para a data
ficaram tão bons que eles já pensam em
agregá-los ao cardápio. A sequência de
É hora de pensar
numa maneira
especial de
homenagear os pais
neste 8 de agosto
delícias custa R$ 96 por pessoa.
O mesmo princípio seguiu o chef
Thiago Assunpção, do Pan Doo, que
criou três menus completos caprichados,
com entrada, prato principal e sobremesa. Pais e filhos podem escolher, de entrada, entre sushi de ceviche, frango Satay e
espetada de carne. De prato principal,
tornedor ao molho de ostras e legumes à
indiana, carneiro com pétalas de cebola
ou camarão ao leite de coco. Na sobremesa, as possibilidades são os sorvetes de co-
Fotos: Divulgação
co malasiano, de chocolate com pimenta ou com calda de frutas
do bosque. Qualquer das três opções de menu custa R$ 39,90
por pessoa.
Virgínia Prieto e Gustavo Drumond informam que o seu
Triplex vai imprimir sotaque espanhol à homenagem. O cardápio especial para o Dia dos Pais tem na entrada tapas e tiraditos
variados. Como prato principal, paleta de cordeiro acompanhada de tortilha espanhola de batatas e arroz de açafrão. Ambos
apor R$ 43 por pessoa. Para completar, eles recomendam uma
sobremesa pra lá de caprichada: massa folhada de uvas verdes
com creme de confeiteiro e sorvete de baunilha, que custa R$ 12.
Daisy e Daniel Vieira, do 4Doze Bistrô, acreditam que o Dia
dos Pais deve ter o mesmo peso do Dia das Mães. Ambos estão
no calendário para estreitar os laços familiares. Nada melhor, então, do que reunir a família à mesa e comemorar com um almoço
ou jantar caprichado. Eles criaram um prato que, garantem, vai
pegar em cheio os pais pela barriga: medalhão ao molho de figos,
acompanhado de fettucine na manteiga de ervas. O prato individual sai por R$ 36,90.
A inspiração do chef Ville, do Mercado Municipal, veio de
sua última viagem gastronômica pela Itália. Ele resumiu os inesquecíveis sabores daquele país europeu criando um prato único,
ideal para o Dia dos Pais: macarronada tricolore. A delícia tamanho família vem com fettucine ao molho fredo acompanhado de
penne ao molho alichela e espaguete ao molho passata. Mamma
mia! E ainda tem o reforço de três carnes: filé mignon, peito de
frango e costelinha suína. Ideal para ser compartilhado, com muita disposição, por três a quatro pessoas. Custa R$ 44,90.
Como a Itália está mesmo na moda, o Belini Il Ristorante vai
celebrar o Dia dos Pais com massa romana, que volta ao cardápio
da casa. Trata-se de espaguete com brócolis e linguiças toscanas
sem pele. O delicado sabor picante na boca vem do queijo grana
padano ralado e da pimenta malagueta. Custa R$ 28,50 e o pai
ainda pode escolher entre duas cortesias da casa: uma taça de vinho tinto italiano Montepulciano d ‘ Abruzzo 2008 ou qualquer
uma sobremesa do cardápio.
Paulo Maurício também oferece a sobremesa de presente ao
pai que for festejar em seu Ilê: o delicioso pretão com creme de
leite. As carnes também estarão com preço promocional no domingo. Tanto o bife de tira como a picanha e o prime rib vão custar R$ 39. Os acompanhamentos, dois, podem ser escolhidos
entre arroz de brócolis, batatas fritas e farofa de ovos. Quem
optar pela moqueca de camarão no coco vai desembolsar R$ 29
e poderá escolher também dois acompanhamentos, entre arroz,
pirão e farofa de dendê.
O chef Bené, do restaurante Le Jardin, criou um prato que
cai bem no paladar masculino: risoto de ossobuco com açafrão
(R$ 43, individual). Para completar, ele recomenda a mousse de
cachaça, acepipe de saborear rezando que custa R$ 18.
Pizza de gorgonzola com pêra, da Baco Pizzaria
Macarronada tricolore, do Mercado Municipal
Risoto de ossobuco com assafrão, do Le Jardin
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Medalhão ao molho do figos, do 4Doze Bistrô
Massa romana, do Belini Il Ristorante
Paleta de cordeiro, do Parrilla Madrid
Torta de maçã com chantilly, do Bottarga
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O bufê especial do Dia dos Pais no
Armazém do Brás terá como carros-chefes a bacalhoada e a rabada, dois pratos
bastante apreciados por eles. Para acompanhar a comilança, o primeiro chope
que o pai saborear sairá de graça. O preço do bufê no domingo será de R$ 16,90
por pessoa. Criança paga metade.
Já o bufê de almoço da Forneria Baco
terá os habituais antepastos, massas frescas, risotos e carnes preparadas na hora,
com a inclusão de paella de bacalhau,
paella marinera e leitão assado no forno
à lenha, a R$ 45 por pessoa. O bufê infantil sai por R$ 19.
Pratos também reforçados estão no
cardápio especial do Parrilla Madrid, especializado em carnes preparadas ao estilo
argentino. São dois os pratos dedicados
aos pais: a paleta de cordeiro marinada no
vinho com alecrim (R$ 119 a porção para
três pessoas) e a super back ribs, suculenta
costela de porco assada, defumada e grelhada durante cinco horas (R$ 78 a porção para três pessoas).
No Severina, restaurante de comida
nordestina, a data será marcada com o
lançamento de uma sobremesa típica da
região Nordeste: o bolo de rolo. A delícia,
acompanhada de sorvete de tapioca com
goiabada em pasta, custa R$ 12,90.
Como o domingo é sempre bom quando termina com a família em torno de uma
bela massa de pizza, a Baco Pizzaria terá
rodízio com mais de 30 sabores. Os destaques serão a calabresa bêbada e a gorgonzola com pêra, as queridinhas dos papais.
O rodízio sai a R$ 30,80 por pessoa.
Criança até 12 anos paga R$16.
Na rede Fratello Uno, uma criação
especial do chef Dudu Camargo: a pizza
de linguiça lança-chamas (com erva doce e
cebola, coberta com de salada de rúcula e
lascas de queijo burrata). Em três tamanhos, para atender a todo tipo de família:
grande (R$ 46,80), média (R$ 41,20) e pequena (R$ 35,80).
Para quem preferir terminar o domingo agarrado a um bom sanduíche,
Fotos: Divulgação
água na boca
Bolo de rolo com sorvete de tapioca, do Severina
o Respeitável Burguer tem várias opções.
A sugestão para encerrar com chave de ouro o Dia dos Pais é pedir um sanduíche de
pernil acebolado no pão francês, que custa
R$ 9,10. Com a vantagem de que lá a comemoração pode se alongar pelo tempo
que pais e filhos aguentarem. A casa de
Dudu Camargo fica aberta 24 horas à espera dos esfomeados de plantão.
Mais importante do que escolher onde comemorar é fazer do 8 e agosto um
dia especial e inesquecível para os pais.
Bom apetite e um excelente domingo!
Bottarga
QI 9 Lago Sul (3234.7871)
Pan Doo
306 Sul (3443.5534)
Triplex
Centro de Lazer Beira Lago (3226.8869)
4Doze Bistrô
412 Sul (3345.4351)
Mercado Municipal
509 Sul (3442.4500)
Belini Il Ristorante
113 Sul (3345.0777)
Ilê
209 Sul (9994.1503)
Le Jardin
Clube de Golfe (3321.2040)
Armazém do Brás
107 Norte (3347.4735)
Forneria Baco
ParkShopping (3234.7871)
Parrilla Madrid
408 Sul (3443.0698) Severina
201 Sul (3224.6922)
Baco Pizzaria
408 Sul (3244.2292)
309 Norte (3274.8600)
Fratello Uno
103 Sul (3321.3213)
109 Norte (3447.8989)
Respeitável Burger
402 Sul (3224.8852)
Outros agrados para os pais
Quer um espresso ou um lungo? Essa
vai ser a grande dúvida do sortudo que
ganhar um dos sonhos de consumo de
todo pai gourmet que se preze... Com
essa Nespresso Le Cube, a possibilidade
de degustar diferentes sabores de
legítimos grand crus. Acompanham duas
xícaras para cada tipo de café.
À venda na Belini
Pães e Gastronomia
(113 Sul). De
terça a sábado,
das 6h30 à
meia noite.
Telefone:
3345.0777.
R$ 1300.
Máquina
de fazer pão
O pai prático e novidadeiro vai gostar
da Artpane, uma panificadora que ele
programa para fazer um pão quentinho.
É só colocar os ingredientes e seguir as
orientações do fabricante que a delícia
fica pronta na hora que ele desejar, sem
sujar as mãos, até 15 horas depois da
programação. O sabor,
o tamanho e a
cor do pão é
ele que decide.
À venda no
site www.
comprafacil.
com.br por
R$ 239,04
(R$199,90
mais o frete
de R$ 39,14).
Mini geladeira
Livro
da hora
Ideal para o
marinheiro
de primeira
viagem que
quer ter
alguma ideia
do que seja a
paternidade
assim que
ela é descoberta. No livro Diário de um
grávido, da Mescla Editorial, o jornalista
Renato Kaufmann conta, de forma
bem humorada, como é atrapalhada
e emocionante a gravidez sob a ótica
masculina. Baseado em fatos reais, o
autor divide o livro em quatro partes,
incluindo os três trimestres da gravidez, o
nascimento e os primeiros dias de convívio
com a filha Lúcia. À venda na Livraria
Cultura (CasaPark e Shopping Iguatemi)
por R$ 31,92.
Rádio nostálgico
Ideal para o pai que tem um bar em
casa e gosta de receber os
amigos em paz,
sem ter de
enfrentar a blitz
depois... Com
espaço para
guardar até 15
latas de 350 ml,
a mini geladeira
Mobicool dá um
toque retrô à
decoração. No site
www.americanas.
com.br ela custa
R$ 459,00 e não há
despesa com frete.
It’s now or never...
Para aquele tipo de pai
que se amarra no
Elvis Presley e acha
que o cantor, na
verdade, nem
morreu. Relógio
de parede com a
estampa do ídolo.
R$ 84. À venda na
Cobogó (704/705 Norte, Bloco E. Telefone: 3039.6333. R$ 22.
Chaveirinho
Para o pai que já tem tudo e se
amarra em criações vintage. À
venda na Cobogó, que fica na
704/705 Norte, bloco E, lojas
51/56. Telefone: 3039.6333. R$ 85.
Se a grana anda curta e
a solução for optar pela
“lembrancinha”, melhor
que ela tenha um toque
pessoal e seja estilosa.
O mimo já vem
com espaço para
colocar aquela sua foto
caprichada das férias passadas. Também
à venda na Cobogó. R$ 22.
Fotos: divulgação
Máquina
de fazer café
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água na boca
Território
paulista
O Viena e o Galeto’s
já chegartam, mas
ainda vêm por aí
Pobre Ruan e o Gero
Texto e fotoS Eduardo Oliveira
U
m pedaço de São Paulo desembarcou em Brasília junto com o
Iguatemi. Não bastasse o próprio shopping ser filial de um paulista,
seu mix gastronômico trouxe para cá
uma boa leva de restaurantes da maior
cidade brasileira. Alguns exemplos: o
executivo Viena, já em funcionamento,
a parrilla argentina do Pobre Ruan e o
italiano Gero, do grupo Fasano, que serão inaugurados em breve. Em julho,
quem fincou pé no pedaço foi o Galeto’s,
tradicional restaurante paulistano em atividade desde 1971.
“Já éramos parceiros do Iguatemi em
São Paulo, então fomos convidados para
abrir aqui em Brasília”, conta a gerente de
marketing Sílvia Corbucci. Com 430m² e
capacidade para 212 pessoas, a filial candanga é a maior da rede, que conta ainda
com 11 lojas em São Paulo e uma no Rio
de Janeiro. Apesar da grande quantidade
de filiais, a marca não é franqueada. Todas as casas pertencem a Paulo Gala, filho
do fundador, o português Adelino Gala, e
têm administração centralizada.
Esta é a segunda tentativa do Galeto’s
de se instalar em Brasília. Há mais de dez
anos, o restaurante chegou a funcionar no
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ParkShopping, mas não por muito tempo. Para que esta vez seja definitiva, a
aposta é no bom treinamento da equipe.
Alguns funcionários vieram de São Paulo
com o intuito de treinar os demais. “Trouxemos algumas pessoas que têm bastante
tempo de casa e em quem confiamos cegamente para ajudarem nesta fase inicial”,
informa Sílvia.
Como não poderia der diferente, o galeto é de longe o prato mais pedido, se-
gundo a gerente de marketing. O corte da
ave desossada foi desenvolvido no próprio Galeto´s e até hoje é feito manualmente, exclusivamente para os restaurantes da rede. Os galetos são grelhados com
sal grosso e levam o tempero da casa, criado há 40 anos. Para completar, o cliente
ainda escolhe um molho especial, entre
tártaro, vinagrete, barbecue, mostarda em
grãos, ervas finas e champignons.
O prato que dá nome à casa é o carro-
chefe da rede, mas não a única opção. O
cardápio oferece grande variedade de grelhados, como picanha, filé, baby beef, salmão e camarão. Para acompanhar, o cliente pode escolher desde o sofisticado risoto
de champignons até as tradicionais batatas e polentas fritas. “Em Brasília, curiosamente, nossa polenta fez muito sucesso, é
o acompanhamento que mais sai”, diz Sílvia. Se preferir, o cliente ainda tem como
opção de acompanhamento massas com
molhos à escolha.
Já que uma boa refeição pede uma boa
sobremesa, o Galeto’s tem um completíssimo cardápio de doces, dividido em três
categorias: “Tradicionais da casa”, “Porque vale a pena” e “Sem culpa”. Na primeira seção, o destaque é o pudim, nas
versões clássico, brûlée ou com pêssego.
A segunda traz uma seleção de doces
com sorvete Häagen-Dazs, do sundae de
chocolate e do petit gâteau até o Bossa
Nova – sorvete de baunilha com calda de
maracujá e flocos de coco. Por fim, a categoria “Sem culpa” é para aqueles que
querem manter a forma saboreando frutas da estação ou uma salada de frutas.
Galeto’s
Shopping Ituatemi – Lago Norte
(3577.5261)
Diariamente, das 11 às 23h.
Planeta doce
Gostosuras criadas por confeiteiros de
Araxá e Nova York dividem a preferência
da freguesia na biscoiteria Pingo de Leite
Por Lúcia Leão
Fotos Rodrigo Oliveira
Q
Sílvia Corbucci: em Brasília, a maior filial do Galeto's
uem já visitou a mineira Araxá
certamente conhece pingo de
leite. É aquele docinho que as
crianças oferecem aos turistas na entrada
das termas e que cativa os sentidos dos
visitantes pelo sabor inusitado (resultado
da mistura do leite com a rapadura), a tonalidade marrom brilhante, como a do
chocolate, e a textura divertida da casquinha crocante que o envolve e contrasta
com a massa cremosa.
“É o doce que melhor representa a tradição culinária mineira, especialmente da
região de Araxá, onde eu nasci e passei deliciosos períodos da infância enrolando e
embalando pingo de leite no papel celofane, como todas as meninas da minha geração”, conta Denise Araújo. Ela foi buscar nessas reminiscências o nome para a
casa de quitandas que abriu no último
mês de maio, em parceria com os filhos
João e Marcelo, na 413 Sul.
Os pingos de leite estão lá, numa bandejinha bem na entrada da casa, para serem degustados pelos clientes. Para além
deles, mais de uma centena de delícias
saídas, em sua maioria, dos livros de receitas tradicionais e da memória dos antigos. Denise, com a experiência doméstica e o gosto pela cozinha, e João, com
os conhecimentos adquiridos em cursos
de gastronomia, resgataram segredos que
passaram de mãe para filha por muitas
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água na boca
os bolos exclusivos, em formato de rosas,
magnólias, estrelas e uma boa variedade
de desenhos que por si só garantem uma
mesa especial.
Pães doces, ciabatas e salgados – assados ou fritos em óleo de canola – completam as opções de guloseimas, mas não os
prazeres oferecidos pela Pingo de Leite. O
ambiente simples e elegante projetado pela arquiteta Mônica Pinto – a mesma que
assina as decorações do restaurante Piantella e da adega Expand – acolhe na medida o café da manhã ou o chá das cinco –
as horas de maior movimento da casa –
ou uma parada para um simples cafezinho. Ou nem tão simples assim. Outra
vedete da casa, o cafezinho é preparado
com grãos especiais numa La Spaziale, a
terceira melhor no ranking internacional
de máquinas de café italiano.
É! A simplicidade é um luxo!
Pingo de Leite – Biscoiteria e Café
413 Sul – Bloco B (3445.1330)
De 2ª a 6ª feira, das 8h30 às 19h30;
sábados, das 8h30 às 18h.
gerações e estavam prestes a se perder pela natural mudança de hábitos imposta
pela vida moderna. Como o bolo de
mandioca, bem molhadinho e cremoso,
e o bolo da Maria, um pão de ló preparado à moda da avó Maria. Os aneizinhos
de queijo, biscoitinhos salgados bem crocantes, estão no mesmo rol das receitas
familiares. São especialidade da mãe de
Denise, dona Dulcinéia.
“A maior dificuldade foi adaptar essas
receitas caseiras à produção em larga escala”, conta Marcelo, o gerente do negócio e
único dos sócios que não coloca a mão na
massa. “Eu vi minha mãe e meu irmão fazerem várias tentativas até ajustarem as
quantidades e a manipulação dos ingre-
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dientes para chegar à mesma qualidade
dos produtos que a gente come nas casas
de Araxá”.
As quitandas mineiras são o carro-chefe do Pingo de Leite, mas não têm exclusividade no cardápio da casa. Dividem as
prateleiras e balcões com ícones da confeitaria internacional, como os brownies,
os muffins (bolinhos recheados) delicadamente confeitados e os cupcakes (bolinhos
no copo, como o nome diz), uma criação
dos confeiteiros novaiorquinos que está
virando febre em Brasília. “Quantos a
gente faz, tantos a gente vende”, garante
Marcelo. Também vieram de Nova York
– o contraponto de Araxá no planeta doce
Pingo de Leite – as formas de onde saem
Pingo
de leite
A receita é simples e tem
só um segredo: paciência.
Ingredientes
4 litros de leite
1 quilo de rapadura em barra
1 colher de sobremesa de bicarbonato
Modo de preparar
Misturar os ingrediente em um tacho
(a rapadura picada) e cozinhar em
fogo brando, mexendo sempre, até
chegar ao ponto de brigadeiro. Isso leva
aproximadamente quatro horas. Deixar
esfriar, enrolar com a mão untada com
manteiga e embrulhar em papel celofane.
Chili Peper
no Sudoeste
Texto e fotos Eduardo Oliveira
H
á tempos a atividade gastronômica está em franca expansão no
Sudoeste. Basta folhear as edições anteriores da Roteiro para constatar
que novas opções de uma boa refeição vão
surgindo no bairro uma após outra. Agora, os moradores do Sudoeste e redondezas ganham mais um presente, com a chegada da filial de um dos mexicanos mais
populares da cidade: o Chili Pepper. “Um
é pouco, dois é bom, três é bom demais”,
comemora o proprietário Wildemar Silva,
que abriu o terceiro restaurante da grife
no dia 9 de julho, na quadra 302.
Lá se vão 12 anos desde que o empresário inaugurou o primeiro Chili Pepper,
na Asa Sul. O sucesso da casa, alavancado
pelo bufê a preço justo, levou à abertura
da filial na Asa Norte oito anos depois. A
chegada ao Sudoeste, que consolida de vez
a marca, é um desejo antigo. “A ideia de
abrir aqui é de muito tempo atrás, mas faltava encontrar um espaço ideal, porque o
Sudoeste é bastante concorrido. Acabamos encontrando um lugar pequeno, mas
bastante aconchegante”, explica Silva. A
espera compensou: “O movimento já está
quase igual ao da Asa Norte e da Asa Sul.
Os clientes novos somaram-se aos que herdamos das outras duas casas”.
A nova filial segue o lema de que em time que está ganhando não se mexe. O cardápio é o mesmíssimo, assim como o bufê,
preferido por 85% dos clientes porque seu
preço é bem em conta”, informa o proprietário. Pagando R$ 21, o freguês degusta 11
receitas, como o chili, o taco, a quesadilla, a
guacamole, o sour cream e o pico-de-gallo.
Para completar, tortilhas doces de sobremesa. Aos domingos e segundas o preço
sobe para R$ 24, mas também inclui costelinha suína e chimichangas. Quem preferir
pedir à la carte também tem, entre outras
opções, Califórnia nachos (tortilha recheada com feijão e carne ou frango) e Fajitas
(arroz e feijão mexicanos com carne, frango, salmão ou camarão), além de outros
pratos à base de frango, filé e picanha.
A decoração da casa é caprichada, e os
motivos mexicanos estão por todos os lados. Além de vasos, totens e chapéus, panos e outras peças típicas nas paredes, cada mesa é estampada com uma bela foto
do país. Assim, o cliente tem a chance de
jantar com vista para as belezas naturais
das praias de Cancun e Acapulco, a arquitetura pré-colombiana das pirâmides do
Sol e da Lua ou ainda as paisagens urbanas
da Cidade do México, a mais populosa do
mundo.
Chili Pepper
302 Sudoeste – Bloco C (3341.1065)
215 Sul – Bloco C (3345.5565)
213 Norte – Bloco A (3274.5565)
Diariamente, das 11h30 até o último cliente.
11
picadinho
Praça reforçada
Nos próximos meses chegam à praça de
alimentação do Brasília Shopping seis
novos restaurantes. Entre as novidades,
dois nordestinos: Mercado 153 e Coco
Bambu. O primeiro, com a proposta de
recriar o ambiente de um mercado
municipal, tem no cardápio de pratos
simples a requintados, tudo a preços
acessíveis. Já a pizzaria e tapiocaria
cearense Coco Bambu terá como carroschefes as tapiocas doces e salgadas, crepes
e pizzas. O shopping recebe em breve
também as franquias Salad Creations, Jin
Jin Wok, Kopenhagen Gourmet Station
e a hamburgueria carioca Zacks.
Fotos: Divulgação
Gotas geladas
do valor arrecadado com a venda de
um dos pratos para ajudar as vítimas
das enchentes. No primeiro mês da
campanha (de 17 de julho a 16 de
agosto) o prato solidário será o Bode da
Severina (bode guisado, acompanhado
de macaxeira cozida, farofa de feijão de
corda e arroz branco soltinho). Na casa,
há duas versões diferentes do Bode da
Severina – para três pessoas (R$ 57,90)
ou para duas (R$ 37,20).
Volta às origens
O Nippon Gourmet (207 Sul), que
inicialmente praticava a cozinha francesa,
mudou seu foco para a culinária japonesa.
Agora, sua proposta gratronômica é
praticamente a mesma do Nippon da
403 Sul, com pratos à la carte e rodízio.
Mas para os amantes da comida francesa
foram mantidos o filé Café de Paris,
o filé au poivre e o filé marchand de vin.
A frutaria, a padaria e o brunch aos
domingos continuam os mesmos.
Mestre Francisco
Em um compartimento a 196ºC
negativos, gota a gota do puro creme
do sorvete se transforma em pequenas
bolinhas geladas. O resultado, parecido
com flocos de neve, está fazendo o maior
sucesso entre a garotada. Esse sorvete
diferente pode ser encontrado no Deli
Drops, que acaba de ser inaugurado no
Taguatinga Shopping. Além dos sabores
tradicionais, o sorvete pode ser
encontrado em versões como doce de
leite, blue ice, melão e melancia, podendo
ainda ser adicionados cookies, bala
explosiva e confete.
Pratos solidários
O restaurante Severina (201 Sul) ajudará
as vítimas das enchentes no Nordeste.
Durante três meses, a casa destinará 10%
12
Bar e restaurante inspirado
no Rio de Janeiro dos anos
40. O bufê, com cerca de 20
tipos de frios, sanduíches e
rodadas de empadas e quibes,
e a performance do garçom
Tampinha são atrações certas
para os frequentadores.
Começou na última segunda-feira, 2, mais
uma edição do curso Cozinhando com
Francisco. Todas as segundas do mês
o chef Francisco Ansiliero ensina sua arte
das 19 às 23h, no Dom Francisco da
Asbac. Sua proposta é orientar os alunos
na execução de pelo menos três pratos
por noite, ficando a cargo deles a escolha
e o preparo das receitas.
Intensa
A polonesa Belvedere lançou a primeira
vodka de luxo com 50% de teor alcoólico,
mantendo sua suavidade e sabor. Os
apreciadores podem esperar dessa edição
limitada notas de caramelo e chocolate
amargo com leve toque de pimenta.
Duplamente filtrada em carvão, os 50%
de teor alcoólico acentuam os aromas e
texturas da vodka. A Belvedere Intense
estará disponível na embalagem de 1 litro
nos aeroportos internacionais e a partir
de maio de 2010, no tamanho de 700ml,
no mercado interno. O preço sugerido
é de R$165.
X-Picanha
Acaba de abrir as portas em Brasília uma
filial dessa rede de restaurantes do interior
paulista que ficou famosa com a picanha
argentina servida na pedra e os
sanduíches com cortes especiais de carne.
A X-Picanha fica no Boulevard Shopping,
no final da W3 Norte.
Tudo sobre restaurante
O chef francês Philippe Gobet, diretor
da escola de confeitaria Lenôtre de Paris
– considerada a melhor da Europa –
e membro da Academia Francesa do
Chocolate, é uma das atrações do 22º
Congresso da Associação Brasileira de
Bares e Restaurantes (Abrasel), de 18
a 20 deste mês, no Centro de Convenções
Ulysses Guimarães. Durante o serão
discutidas questões fundamentais do setor
de alimentação fora do lar e apresentadas
as principais novidades tecnológicas do
setor. Completam a programação uma
feira da panificação, cursos de degustação
de vinhos e uma exposição de grandes
marcas de cachaça brasileira. Desde os primórdios
O enólogo francês
Grégoire Gaumont
ministrará mais um
curso de vinhos na
Vintage do Terraço
Shopping. Abordando
o tema O vinho desde
os seus primórdios,
Gaumont explicará
quais são os fatores determinantes para
a qualidade de um vinho, técnicas de
conservação, como degustar e melhor
apreciar o produto, além de dicas sobre
harmonização com pratos. O curso
acontece em dois sábados seguidos,
14 e 21 de agosto, das 16 às 19h.
Informações: 3234.1332 ou terraco@
vintagevinhos.com.br.
Em plena W3 Sul, o Bar Brasília tem
decoração caprichada, com móveis e objetos
da primeira metade do século XX. Destaques
para os pasteizinhos. Sugestão de gourmet:
Cordeiro ensopado com ingredientes
especiais que realçam seu sabor.
202 Norte (3327.8342)
506 Sul Bloco A (3443.4323)
13
GARFADAS & GOLES
Luiz Recena
garfadas&[email protected]
Águas de julho
Ano passado escrevi sobre chuva na Bahia e a tristeza que sobre Salvador se abate quando a água é miúda e persistente. Foram
duas semanas de chuva quase todos os dias. Mais água do que as lágrimas de solidão vertidas em cânticos de saudade. Do sol e
da praia, tão perto e tão longe do escriba que busca inspiração na luz e nas areias. E nas garfadas e nos goles! Pois o perrengue
voltou. Ruas inundadas, carcaças de casas velhas desabando, vítimas fatais, descasos oficiais. E buracos, buracos e mais buracos.
Nem mesmo os borracheiros estão felizes com a desgraça que lhes favorece o negócio. Uma nova quinzena de chuva se completa,
com quatro ou cinco “janelas”, breves, para secar roupas ou correr para uma loira na praia. Sem querer pontificar, mas apostando
na assertiva: a cidade não foi, mesmo, feita para a chuva. E esta começa a ir embora, finalmente.
Limão e limonada
Tarde francesa
Nossas avós ensinavam que até essa
fruta azedinha pode dar um suco gostoso,
com açúcar e gelo. E se as chuvas fecham
a praia e alagam as ruas, restam os
shoppings. Ah! Essa maldita invenção do
capital para dar chance para o consumo
seguro da burguesia e da classe média.
Verdadeiros templos do brega (popular e
chique), fortalezas do gastar por impulsos.
Mas é ali que moram as limonadas,
principalmente nesta época. Então, de
garfo em punho e a conhecida sede
desértica, ao ataque!
O pernambucano Grupo Couvert tem
dois restaurantes em Salvador, um deles
no Paralela. Com os dois pés atrás, lemos
o cardápio exposto na porta e, com lupa,
examinamos o ambiente. Dava para
encarar. O bom da surpresa boa é quando
você, preparado para reagir e resmungar,
recebe carinho e fino trato. Bem falantes
e sabendo o que diziam, Paulo e Lucas
fizeram com esmero as honras da casa,
já meio vazia naquele quase fim de tarde.
Explicações competentes se sucederam e
a casa Couvert ganhou espaço. Carpaccio
e filé ao vinho do Porto. Tudo bem
apresentado e saboroso. Madame M.
gostou, o que é meio caminho andado
para o sucesso de uma refeição.
Bella Napoli
O nome dele é Paralela, feminino, o
mesmo da avenida, o mais novo shopping
da capital. Mais para o lado do aeroporto,
atende principalmente o público das
praias do norte, de Piatã ao Flamengo,
sem esquecer, nunca, nossa gloriosa e
imortal Itapuã. Ali tem um Bella Napoli,
franquia nacional com cardápio italiano
honestíssimo. Nhoque à bolonhesa,
R$ 18,90. Bem feito e saboroso. Para
acompanhar, meia garrafa de Trapiche,
malbec argentino com gosto de infância.
Fundo musical: concerto de Jose Carreras,
Plácido Domingo e Luciano Pavarotti.
Bravo. Não doeu.
14
Pequenos detalhes
O filé tem molho com bacon, cebola
e funghi e uma batata gratinada que
harmoniza tudo. Entre os filés da casa,
destaque ainda para o gourmet (com
molho de queijos e fettucine) e o clássico
poivre vert. Tudo a menos de R$ 25. Há
mais carnes, frutos do mar e risotos. Nada
muito caro. E se o distinto está sem saber
o que escolher, cada mês tem cinco
sugestões do chef para ajudar os indecisos.
A carta de vinhos é pequena, mas tem
variedade nas origens e bons rótulos de
cada uma. A tarde começara no chope e
nele continuou, pois era Brahma, caldereta
e colarinho cremoso, no capricho. Tem
happy hour com petiscos variados, que
aquecem a ideia de voltar. No final, Rafael
substituiu Pedro, sem comprometer a
eficiência e mantendo a ideia de que todos,
ali, foram muito bem preparados.
Primeira janela
Christopher é um descendente de Asterix,
dono da Barraca do Francês, que meu
vizinho Alexandre Franco chamou de
petit bistrô sur mer, de tão boa que é. Pois
nosso gaulês partiu para nova aventura:
um bar, Le Petit Bar, um pouco longe da
praia, no coração da vila de Stella Maris,
praia vizinha de Itapuã. Veio com tudo:
balcão em “U”, mesinhas altas e baixas,
banquetas e cadeiras, tudo parecido com
bares da França. Além de várias cervejas,
chope Heineken! Uma dádiva. O verão
pode demorar um pouquinho, mas,
quando chegar, estaremos preparados.
No pasarán!
Só Dinho salva
E na tarde do domingo sem chuva, uma
moqueca de camarão na Toca do Dinho.
Caymmi e Vinícius não viveram em vão...
PÃO & VINHO
ALEXANDRE FRANCO
pao&[email protected]
Para cada tipo de pai
O Dia dos Pais está aí, e com ele alegrias e saudades.
No meu caso, alegrias dobradas por ainda poder festejar
o meu e ser festejado pelos meus filhos. O almoço de
domingo ganha novos ares e, espera-se, novos “comes
e bebes”, com capricho especial.
Para os “bebes”, é claro, eu sempre sugiro um bom
vinho. Nesta época, ainda de frio, ao final do inverno,
aconselho um tinto de bom corpo, se possível já um pouco
envelhecido, ao menos com uns cinco anos de garrafa.
Quem sabe, ainda, para homenagear o pai do pai, do
pai, do pai, possamos escolher a origem com base na
ascendência da família. Assim, para os filhos dos Manuéis
e Joaquins, podemos pensar num Douro; para os filhos
dos Dominiques e Claudes, quem sabe um Rhône; dos
Giuseppes e Dantes, certamente um Toscano; e assim
por diante.
Além de providenciar o néctar para acompanhar o festim,
podemos ainda pensar em presenteá-los com um bom
vinho, uma sugestão que sempre dou aos meus filhos.
Nessa linha, porém, sei que temos que pensar nas
preferências e costumes de cada um de nossos pais e,
portanto, sugiro as seguintes reflexões:
Para o pai cervejeiro, o mais comum deles, acostumado
a uma bebida gelada, espumante, cremosa, de baixo teor
alcoólico e com leve amargor, podemos pensar em um
bom espumante, cremoso mas ao mesmo tempo seco.
Um champanhe é o ideal, e sugiro o Brut Souverain da
Henriot (R$ 220 na Vinci).
Para o pai uisqueiro, um tipo também numeroso,
acostumado a uma bebida forte, de alto teor alcóolico
e sabor marcante, própria para a reflexão ou a digestão,
podemos pensar em uma boa aguardente vínica, como um
conhaque ou uma bagaceira, mas sugiro mesmo o brandy
italiano da Antinori, envelhecido seis anos em carvalho e
sedoso como poucos – que, todavia, não tem importador no
Brasil (pelo que sei). Portanto, deixo como segunda sugestão
o brandy Solera Gran Reserva Hidalgo 200 (R$ 140 na
Mistral).
Para o pai drinqueiro, aquele que gosta de abrir o apetite
com um gin fiss, uma Caipi (rinha, rosca ou ríssima) ou ainda
um amaro, podemos sugerir certamente um bom Jerez Fino,
ou Oloroso, mas fico com o Amontillado Príncipe 20 anos
(R$ 170 na World Wine).
Para o pai licoreiro, aquele que curte um licorzinho após
a refeição, acostumado a degustar uma “sobremesa líquida”,
doce e quase xaroposa, podemos sugerir um bom vinho do
Porto, especialmente se for possível arcar com o custo de
um Vintage. Fico com o Burmester Vintage 1995 (R$ 190
na Adega Alentejana) ou uma opção mais em conta, o
Burmester LBV (R$ 90 na mesma Adega Alentejana).
Para o pai vinheiro, cada vez mais comum entre nós,
um sujeito eventualmente mais difícil de se agradar, inclusive
quanto ao preço a ser pago pelo presente (especialmente
se já for experiente na arte de beber vinho), sofisticação
seria a palavra-chave que eu escolheria para me orientar.
Nesse sentido, nada melhor que um belo Borgonha. Se
couber no bolso um Vosne-Romanée, seria perfeito. Sugiro
o Vosne-Romanée 1er Cru Vieilles Vignes 2006, de
Dominique Laurent (R$ 400 na World Wine).
Finalmente, para o pai abstêmio, o mais raro deles, como
o meu, aliás, poderíamos pensar em um vinho sem álcool
produzido no Brasil. Mas eu, sinceramente, me recuso a
ceder a estes, até porque o próprio conceito de vinho, um
fermentado de uva, pressupõe a existência de algum álcool.
Portanto, nesses casos, podemos pensar em um vinho bem
leve e frutado, com baixíssimos teores alcoólicos, como é
o caso de alguns bons alemães. Fico com o Piersporter
Michelsberg Selbach Riesling Kabinett 2005, com apenas
9,5% de álcool, quase um refresco, inclusive para o bolso
(R$ 45 na Vinci).
Feliz Dia dos Pais a todos!!!
15
PALAVRA DO CHEF
Quentin Geenen
de Saint Maur
[email protected]
Xocoati
Foi quando escolhi retirar um refinado tijolinho de
chocolate Saveurs du Monde, inserido tal qual uma
pedra preciosa lapidada num écrin noir da Maison Pierre
Marcolini Chocolatier, que a assinatura cor marfim
aplicada na sua face escura chamou minha atenção:
Trinidad, Gana, Java, Madagascar, Venezuela, Brasil e
Equador.
Fechei os olhos e deixei-o derreter lentamente sobre
a língua anestesiada pelo prazer da concentração e pelo
poder de seu sabor, com o céu da boca abrindo caminho
para a via olfativa, compartilhando com outros sentidos
as emoções das essências capturadas e realçadas nessa
pequena joia. A massa crocante e tenra pouco a pouco
desvaneceu para moldar minha boca com uma fina
película de doces emoções, que logo se irradiaram para
além dos sentidos, para o sonho e uma viagem metafísica.
Considerado pelos maias uma fruta que só podia servir
para alimentar os deuses, ele foi apelidado de “xocoati”,
denominação que carrega até hoje na sua etimologia pelo
mundo dos idiomas. A polpa da fruta servia e serve até
hoje para fazer um delicioso e refrescante suco. Seus
frutos são colhidos a mão, rachados no facão, os caroços
retirados e deixados para fermentar por aproximadamente
uma semana. Por fim, as favas são derramadas pela terra,
formando tapetes monocrômicos deixados ao sol e
revirados até secar, remetendo ao processo de secagem
do café no terreiro.
A próxima etapa, depois da escolha e triagem das
sementes por especialistas e conhecedores na matéria,
será realizada no atelier do artesão dos sabores, o
chocolatier. Ele entra em ação na escolha da qualidade e
da origem das favas, que são torradas, trituradas e, por
fim, moídas. Na fase de conchagem, adiciona-se açúcar à
16
Ambiente agradável,
comida boa e área de lazer
para as crianças fazem o
sucesso da casa desde
1987. No almoço, além
das pizzas, o buffet de
massas preparadas na
hora, onde o cliente escolhe
os molhos e ingredientes
para compor seu prato.
306 Norte (3273.8525)
pasta que será remexida lentamente durante
dias até se obter uma pasta homogênea
e cremosa. Temos aí a base primária do
chocolate. Para chegar a um sabor padrão,
uma textura particular que permite identificar
a maison, aromas, óleos essenciais,
manteigas, açúcar e segredos são
adicionados à massa, que em seguida
será enformada e recheada.
Você encontra hoje barras de chocolate com o teor de
cacau mencionado em sua embalagem, para diferenciá-las
das manobras das grandes indústrias, que substituíam,
por exemplo, a manteiga por gorduras hidrogenadas e as
essências naturais mais sutis por essências químicas, sem
destaque para a proporção de cacau.
O Brasil, que teve sua produtividade de cacau
centralizada no sul da Bahia, está pouco a pouco se
recuperando da dizimação das suas plantações vitimadas
pela disseminação da vassoura de bruxa como ato de
sabotagem política.
Hoje, em destaque o trabalho societário de Diego
Badaró, descendente de uma família de fazendeiros de
cacau, e de um americano, Frederick Schilling. Juntos, eles
apostam na retomada do desenvolvimento dos cacaueiros
na região de Ilhéus, reforçando a tarefa do pequeno
mamífero da família dos procinídeos, o jupará, que por
instinto, após se regalar com a polpa da fruta, enterra
os caroços para assegurar sua fonte de sobrevivência.
Outro projeto na América do Sul: os habitantes da
cidade de Tocache, ao norte de Lima, no Peru, vítimas
do narcotráfico, estão substituindo o cultivo da coca pelo
plantio de cacau.
Cacau, sabor, paz e amor.
17
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DIA E NOITE
Arthur Simões
olharessobreaíndia
lúciocosta
Última chance para quem ainda
não foi à exposição que homenageia o arquiteto. Até agora, 56
mil pessoas já passaram pelo
Museu da República para saber
mais sobre a trajetória profissional do inventor de Brasília,
com a ajuda de maquetes, fotos
e recursos de multimídia que
permitem ao visitante ver e ouvir
o próprio Lúcio Costa falando
sobre o acervo ali exposto. Até 8
de agosto, de terça a domingo,
das 9 às 18h30. Entrada franca.
festazen
Vem aí a 37ª edição da Quermesse do Templo Budista de
Brasília, mais conhecida como Festa do Buda. Todos os
sábados e domingos de agosto, os jardins do templo localizado na entrequadra 315/316 serão palco de apresentações de artes marciais e danças orientais, todas regadas a
muita comida típica nas alegres barraquinhas da quermesse. Os organizadores preveem um público de 15 mil
pessoas na festa, que já virou tradição na cidade. Das 17
às 22h, com entrada franca. Informações: 3245.3388.
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fotoearquitetura
Tuca Reinés, um dos fotógrafos que ilustraram o livro em homenagem a Athos
Bulcão, estará em Brasília no dia 10 para
participar do ciclo de palestras Docol sobre
a importância da fotografia na decoração.
Ele faz uma palestra no Encontro das artes,
que acontece no Centro de Convenções
Brasil 21, às 19h30. Em 1991, Tuca fez
imagens da cidade para o projeto Brasília
2000, uma das ações para a candidatura a
sede dos Jogos Panamericanos. As inscrições
são gratuitas e podem ser feitas pelo
telefone 0800 7712348, das 9 às 18h.
Divulgação
Ana Lúcia Arrázola
Os fotógrafos Arthur Simões, Renato Negrão e Artur Versiani foram à
Índia e captaram, com suas lentes, o cotidiano e a riqueza cultural do
país milenar. O resultado desse trabalho está agora em duas exposições
na Casa de Cultura da América Latina, da UnB. Na primeira, estão
50 fotos digitais coloridas 40 x 60cm, de Arthur e Renato. Apesar de
visitarem o país em momentos distintos, os dois estiveram em Calcutá,
Varanasi, Agra e Delhi, onde foi feita a maioria das imagens. Na segunda,
intitulada Índia sobre pés descalços, estão 15 fotos digitais também de
40 x 60 cm, feitas por Versiani, “flagrantes diários do universo indiano
onde o encanto do simples e do incomum prevalecem”. Até o dia 22, de
terça a sexta, das 10 às 20h, e nos fins de semana e feriados, das 12
às18h. A CAL fica no Edifício Anápolis (SCS). Entrada franca.
Mauro Baptista Vedia
êxtase
Londres, 1979. Um grupo de velhos amigos leva uma vida amarga
e vive no limite da razão. Assim é Êxtase, em cartaz no CCBB até
26 de agosto. Escrita por Mike Leigh, a peça se propõe a mostrar,
de maneira inteligente e divertida, a relação homem-mulher e o
universo da classe trabalhadora na Inglaterra pós-industrial, “uma
ode ao amor, à amizade e à solidariedade entre as pessoas comuns”.
Com direção de Mauro Baptista Vedia, tem no elenco Mário
Bortolotto, Erika Puga, Amanda Lyra, Eduardo Estrela, Francisco
Eldo Mendes e Fernanda Catani. A obra dá continuidade ao projeto do
diretor de fazer um teatro popular e sofisticado ao mesmo tempo. Êxtase
vem após seu bem sucedido espetáculo A festa de Abigaiu, que ficou dois
anos em cartaz e foi assistido por mais de 40.000 pessoas em São Paulo.
Ingressos a R$ 15 e R$ 7,50. Informações: 3310.7087.
Divulgação
mordendooslábios
O título acima sugere dureza e suavidade, algo contundente que corta uma
superfície sensível, uma cena que sangra causando dor e prazer. De fato,
a proposta da peça em cartaz no Teatro da Caixa Cultural só até o dia 8 é
“marcar a pele do espectador, como faz uma mordida forte ou um beijo
com sabor picante”. Dirigida por Hamilton Vaz Pereira, criador da trupe
Asdrúbal Trouxe o Trombone, nos idos de 1974, a peça já atingiu a marca
de 100 apresentações e foi vista por mais de 50.000 espectadores de todo o
país. De acordo com Hamilton, “precisamos de textos criados aqui e postos
à cena nos palcos dessa parte do mundo, pois queremos saber quem
somos, o que podemos com o teatro brasileiro e que contribuição nossa
arte pode dar à humanidade.” No elenco, além do diretor, estão Lena Brito,
Bianca Comparato e Ivan Mendes. Ingressos a R$ 20 e R$ 10.
Os organizadores prometem montar uma
superestrutura jamais vista na cidade. Vem aí,
dia 19 de setembro, o Carnafacul Brasília, que
prevê levar 20 mil pessoas ao Autódromo de
Brasília. Serão 12 horas de festa animadas por
seis trios elétricos: Timbalada (foto),
Cheiro de Amor, Alexandre
Peixe, João Neto e Frederico,
Clima de Montanha, além de
atração surpresa! Ivete
Sangalo, Claudia Leite ou
outra estrela da música baiana?
Os portões do autódromo
serão abertos ao meio dia.
Ingressos a partir de
R$ 40, para elas, e R$ 50,
para eles, à venda em
ingressonaweb.com.br
ou bilheteriadigital.com.br
Divulgação
Os escoceses do Simple Minds
desembarcam pela primeira vez
em Brasília no próximo dia 21,
no Ginásio Nilson Nelson. O
show é comemorativo dos 30
anos de carreira da banda, que
teve seu auge em meados dos
anos 80, na onda da new wave.
Repertório é o que não vai
faltar: são 16 discos gravados e
alguns sucessos, como Don´t
you forget about me, Alive and kicking e Promised you a miracle. Atualmente,
a banda divulga o álbum Graffiti soul, lançado ano passado. Jim Kerr (vocais)
e Charlie Burchill (guitarra e teclado), os únicos remanescentes da formação
original, sobem ao palco acompanhados por Mel Gaynor (bateria e percussão),
Eddie Duffy (baixo) e Mark Taylor (teclado). Os ingressos para o show (meiaentrada) estão a R$ 80 (pista) e R$ 150 (Vip Open Bar), e já podem ser
comprados nas lojas Free Corner.
carnafacul
Emi Music
devoltaaosanos80
21
Divulgação
DIA E NOITE
corselvagem
aenergiadeprabhu
estounaquadra
Esse é o título do livro que Fátima Bueno acaba de
lançar. Publicada pela Thesaurus Editora, a obra traz
um relato pessoal e intimista do tempo em que a artista
plástica morou na 407 Norte e descobriu os encantos
não só da quadra, como também de outros locais da Asa
Norte. Em suas anotações aparecem referências ao
Parque Olhos D’Água, ao Beirute, ao Bendito Suco, às
paradas culturais disseminadas pelo Açougue T-Bone e
ao próprio. De acordo com o poeta e professor Augusto
Rodrigues, da UnB, Estou na quadra “funde confissão e
relato, onde o espaço urbano revela-se espaço humano.
Um relato escrito com passos”. À venda por R$ 30
no site: www.thesaurus.com.br
22
quemnãotemcão...
“Expressar-se pela arte, viver de arte,
fazer da arte um caminho foi uma forma
de continuar a viver e expandir-se essencialmente como Ser”. Nos últimos dez
anos, o artista plástico Prabhu produziu
inúmeros trabalhos em técnicas diversas.
Esse gaúcho residente em Brasília há
32 anos tem como linguagem artística
“a tentativa de criar um espaço onde arte,
criatividade e meditação sejam uma única
energia”. Seu trabalho pode ser visto de 6
a 28 deste mês na Casa Thomas Jefferson
(706/906 Sul). De segunda a sexta-feira,
das 9 às 21h; sábados, das 9 às 12h.
Em ambiente aconchegante, com
decoração pontuada por arte e
história,pode-setomarumcafezinho
ou um chope para acompanhar o
pastel de bacalhau, o sanduíche de
mortadela ou o autêntico Bauru.
No almoço, cardápio paulistano.
509 Sul (3244.7999)
Divulgação
Divulgação
“Embalado pela musicalidade, temperatura e vibração de sua
marcante pintura, ele traz à tona revelações, ao expor a intimidade do seu trabalho com uma série de surpreendentes
desenhos”. Assim resumiu o artista plástico e curador Glênio
Lima o trabalho de Tarciso Viriato, que está na mostra em
cartaz na Caixa Cultural até o dia 22. Em Cor selvagem estão
expostas 12 telas, 10 cerâmicas e 20 desenhos que têm como
tema imagens do cotidiano ou signos do imaginário popular,
“como as cruzes que nos levam às linhas cruzadas da moderna e
futurista Brasília, cidade que o cearense Tarciso Viriato escolheu
para viver”, conclui Glênio. Diariamente, das 9 às 21h.
...caça com gato. Já que as
feiras de livro em nossa cidade
há um bom tempo não vingam,
o jeito é pegar um avião e ir à
Bienal do Livro de São Paulo,
este ano com programação
capaz de envergonhar os que,
por aqui, já tentaram realizar
eventos do gênero. Quem for
ao Pavilhão de Exposições do
Parque Anhembi, entre 12 e 22
de agosto, vai ter à disposição
agenda de 700 atividades que
incluem debates com os
escritores Jostein Gaarder
(Noruega), Ignácio de Loyola
Brandão, Lygia Fagundes
Telles, Milton Hatoum, Moacyr
Scliar, Ruth Rocha e Ziraldo,
só para citar alguns de uma
lista com mais de cem nomes
já confirmados. Os homena­
gea­dos desta edição são
Monteiro Lobato e Clarice
Lispector. Os temas de destaque
são a lusofonia e o livro digital.
Veja a programação completa em
www.bienaldolivrosp.com.br.
A casa de Brasília segue a
proposta das outras filiais,
com shows, boa comida
e o tradicional chope
cremoso. Frequentado por
personalidades da política e da
música. A decoração é inspirada
nas décadas de 50 a 70. No
sábado, tradicional feijoada ao
som de chorinho e samba de
raiz. Cardápio assinado pelo
chef Olivier Anquier.
201 Sul (3224.9313)
Depois do sucesso do show
que fizeram em 11 de junho
passado no Marina Hall, os
seis integrantes da banda
voltam a Brasília, desta vez
para animar o Luau do Iate
Clube. A apresentação única
será no dia 13, a partir das
22h. No repertório, além dos
sucessos do CD Roupa Nova
em Londres, as inesquecíveis canções que marcaram três décadas de estrada: Dona,
Sapato velho, Anjo, A força do amor e Seguindo o trem azul. O luau integra o calendário
de eventos que celebram os 50 anos do Iate Clube de Brasília. Ingressos a partir de R$ 35
(individual) e R$ 45 (mesa). Informações: 3329.8700.
jazz contemporâneo
O contrabaixista brasiliense Leonardo Cioglia se apresenta
nesta sexta-feira, 6, na Casa Thomas Jefferson (706/906 Sul).
Radicado nos Estados Unidos há 11 anos, tem seu talento
ligado ao jazz brasileiro e seus inúmeros sotaques. Será
acompanhado por John Ellis (saxofone), Mike Moreno
(guitarra elétrica) e Rafael Barata (bateria). Estudou na Escola
de Música de Brasília e, vitorioso num festival de jazz no Canadá, recebeu bolsa de
estudos para a Berklee College of Music, de Boston. Às 21h, com entrada franca.
debemcomavida
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comacaraeacoragem
Eles foram os introdutores do stand up
comedy do Brasil, os primeiros a fazer
humor sem apoio de maquiagem, figurino, luz ou qualquer recurso cênico, a
não ser o microfone, claro. Fernando
Caruso, Cláudio Torres, Paulo Carvalho e
Fábio Porchat vêm a Brasília pela primeira
vez para fazer duas apresentações na Sala
Villa-Lobos. Dias 14 e 15, com ingressos
a R$ 60 e R$ 30. Bilheteria: 3034.6560.
Cícero Rodrigues
Wilian Aguiar/Divulgação
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roupanova
Divulgação
caixacultural30anos
A Caixa Cultural faz aniversário no dia 12. Para não deixar a data passar em branco,
programou uma série de shows imperdíveis. De 10 a 12, os Demônios da Garoa se
apresentam em homenagem ao centenário de nascimento de Adoniran Barbosa. Saudosa
maloca, Trem das onze e outros clássicos que imortalizaram o sambista paulista vão remexer
o baú de lembranças musicais de quem já passou dos “enta”. E de 13 a 15, Teresa Cristina
(foto) e o Grupo Semente ocupam o palco da Caixa Cultural, terceira parada da turnê que
começou em São Paulo e depois foi para o Rio. No repertório, sucessos do novo CD,
Melhor assim. Ingressos a preço popular: R$10. Informações: 3206.6456.
Uma história de amor onde não há ciúme, nem traição. O maior
obstáculo é a discriminação sutil e a covardia de se enfrentar
preconceitos. Vem aí Gorda, do norte-americano Neil Labute.
Em montagem nacional dirigida por Daniel Veronese, a peça vem
de temporadas em São Paulo e no Rio, onde mais de 50 mil pessoas
já se emocionaram e se divertiram com Helena, mulher inteligente,
sensual, divertida e com 30 quilos acima do peso ideal. Fabiana
Karla vive a protagonista, que se apaixona por Tony (Michel
Bercovithc). Dias 7 e 8, na Sala Villa-Lobos. Ingressos entre
R$ 30 e R$ 70. Informações: 3325.6239.
oscandidatoseacultura
O Movimento Viva Arte, o mais novo
projeto do Açougue Cultural T-Bone,
promove a partir do dia 19 O candidato
e a cultura, série de bate-papos com
cada um dos oito candidatos ao governo
do Distrito Federal. A ideia é que os
participantes discutam com artistas
e eleitores suas políticas para o setor
cultural. “Não se trata de um debate.
Queremos apenas ouvir quais são os
planos de cada candidato para o futuro.
Teremos tudo gravado, registrado e
divulgado na página do Movimento Viva
Arte”, informa Luís Amorim, proprietário do açougue. Cada candidato terá
15 minutos para explicar suas propostas
e, em seguida, responderá às perguntas
do público. Mais informações no site
www.movimentovivaarte.com.br.
23
SOLIDARIEDADE
Palhaçadas
que confortam
As Doutoras Música e Riso levam alegria a
crianças internadas em hospitais de Brasília
Por Vicente Sá
Q
24
uando aquela menininha de sete
anos, magricela, com dois olhos
imensos, entrou na escola do
Gama pela primeira vez, em 1969, a professora perguntou: o que essa minha pequenina veio fazer aqui na escola?
A resposta esperada era: vim estudar e
aprender. Mas o que a professora ouviu
foi: vim fazer teatro. E fez mesmo. Todos
os dias, no horário do recreio, ela não só
montava suas peças como colocava os co-
leguinhas para atuar. Estava definido o
destino de atriz de Antonia Vilarinho.
Hoje, quando ela, transformada em
Doutora Fronha, acompanhada de mais
quatro palhaças, entra nas pediatrias do
Hospital de Base, do Hospital Regional
da Asa Sul ou do Hospital de Sobradinho, a intenção é a mesma: levar o teatro
e a alegria a crianças que não estão podendo brincar como as outras.
A interação é imediata. Pelo menos
durante as duas horas que a trupe passa
brincando, inventando histórias e fazen-
do palhaçadas, as crianças nem se lembram que estão doentes em um hospital.
A magia dos palhaços comove pais, mães,
médicos, enfermeiros e funcionários. Por
um bom tempo, a máxima “rir é o melhor
remédio” realmente funciona.
O grupo foi criado por iniciativa da
atriz-palhaça Antonia Vilarinho, a menina dos olhos grandes, que se inspirou
nos Doutores da Alegria, companhia
criada em São Paulo em 1991 e que fez e
faz escola no Brasil inteiro. O grupo paulista fez tanto sucesso que criou, em 2007,
e aliar-se ao programa Adolescentro, da
Secretaria de Saúde, especializado no
atendimento ao adolescente em situação
especial de uso de drogas e vivência de violência sexual. São alguns dos mais experientes talentos de Brasília reunidos, sob
a batuta de Antonia Vilarinho, em um
projeto de grande alcance social.
Depois de toda uma vida em grupos
de teatro de Brasília, Antonia descobriu
sua faceta de palhaça quando cursava teatro na Univerdidade Federal da Bahia, e
participou de um curso-retiro ministrado
pelo grupo Lume. Foram 12 dias imersos
no universo dos clows. Depois do retiro,
ela e seus 16 companheiros de teatro saíram às ruas e periferias de Salvador em
grupos de quatro, exercitando tudo o que
tinham aprendido.
Foi a partir daí que ela se viu realmente como uma atriz-palhaça e entrou de cabeça na história. Primeiro, foi estudar
com o grupo Lume, em São Paulo; depois, foi para Londres, estudar com Philipe Gaulier. Quando retornou a Brasília,
já era outra pessoa. Aqui desenvolveu
o trabalho As caixas, as trouxas e a
fronha – sozinha no palco, já provocou
ataques de riso do público em várias capitais brasileiras. Sua última apresentação,
no Rio de Janeiro, foi aplaudida de pé
por um teatro lotado. Um sonho
Antonia Vilarinho: fazer rir é um trabalho sério
e uma glória para qualquer ator.
Atuando como atriz em filmes produzidos em Brasília, e pensando em novos
projetos, Antonia não pretende parar o
trabalho das Doutoras, o que é um alívio
e uma alegria para os pequenos nos hospitais. Enquanto novos trabalhos não aparecem, ela está fazendo pós-graduação em
direção teatral na Universidade Dulcina.
Só para deixar sem graça quem acredita
que uma palhaça não leva nada a sério.
Fotos: Rafael Herzog
o Palhaços em Rede, programa que oferece orientações e consultoria aos grupos
que querem atuar em hospitais. Utilizando esse serviço, Antonia criou, há dois
anos, o grupo Doutoras Música e Riso,
que tem alcançado grande sucesso na
cidade.
As “doutoras” são atrizes-palhaças com
formação profissional, que decidiram se
dedicar também ao trabalho junto a
crianças doentes. E que seguem estudando pelo menos dois dias por semana para afinar a música e a graça do clown.
O trabalho desenvolvido pelo grupo
cresceu em 2010, chegando a uma cidade- satélite. Criada para atuar no Hospital Regional da Asa Sul (HRAS), a companhia está “invadindo” outros espaços
onde palhaços e palhaças fazem a alegria
de quem costuma ter poucos motivos
para rir. Agora, o grupo dedica as terças
e quintas-feiras aos internos do HRAS,
do Hospital de Base e do Hospital de Sobradinho, levando música e humor às
crianças.
Patrocinada pela Petrobras e pelo Fundo de Apoio à Cultura (FAC) da Secretaria de Cultura do DF, a companhia ainda
se propõe a realizar oficinas de clown, criar
um Banco de Palhaças, para ampliar o trabalho,
25
graves & agudos
Pachá
A arte
dos sons
A música na linha do
tempo prossegue nos
fins de semana
de agosto
Joventino Júnior
Quarteto
Artesanal
Por Heitor Menezes
N
Divulgação
Lorota
Boa
o calor da seca que abrasa a alma do brasiliense, espremido
entre o sufoco do trânsito, a
violência e o lero-lero da política, resta
mirar a arte. A religião é outro departamento, outro bálsamo (há controvérsias); o
que interessa no momento é a arte dos sons,
a música, antídoto ao agosto, mês do desgosto.
Vejamos o projeto A música na linha do tempo,
ora em curso na Sala Cássia Eller (Complexo Cultural da Funarte, no Eixo Monumental). Em julho, aos que
ficaram na cidade o projeto proporcionou apresentações às sextas e sábados nas quais privilegiou-se mostras da história da nossa
música popular no período compreendido entre 1900 e 1930,
bem como um quadro da música renascentista, à qual devemos reverência por ser parte do caldeirão de manifestações
que forjaram o que hoje se conhece por cultura brasileira.
Em agosto, o projeto continua, nos fins de semana,
desta feita escalando, de maneira veladamente didática,
no campo da canção popular e da música erudita, compositores que deixaram o legado de rastros históricos a
serem seguidos. Estamos falando, no primeiro caso, de
figuras do porte de Noel Rosa, Wilson Batista, Ataulfo
Alves, Assis Valente, Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Lamartine Babo, João de Barro e Ary Barroso. E de
Vivaldi, Telemann, Bach e outros ilustres da música
barroca.
MPB de 1930 a 1949
26
Tonicesa
Badu
Primeiro os populares, sempre às sextas-feiras, 20h30.
Dia 6, a cantora Uliana Dias reúne pérolas de Wilson Batista
e Noel Rosa e revive o duelo de sambas antológicos, tipo Palpite
Estúdio
Barroco
voz) apresentam a visão “yin” e matraqueada do samba clássico.
Música barroca
Nos sábados de agosto, sempre às 17
horas, a conversa é música erudita, que
real­mente refrigera a alma e espanta a secura do fim de tarde. Alimento para o espírito, digamos assim. Se em julho o tema
foi a Renascença, este mês trata-se do Barroco, estilo muito apreciado por peças
musicais sublimes, mas muito complicado de entender porque promoveu o encontro (ou o desencontro) entre as coisas
da carne e do espírito.
Falando sério: o Barroco produziu coisas lindas, mas é de
bom tom se ater apenas
aos ouvidos e curtir a
obra de Antonio
Vivaldi, o “padre vermelho”
(o cara era
ruivo e não
comunista), J.S. Bach e ou-
Toque
de Salto
A música na linha do tempo
Todas as sextas e sábados de agosto na Sala
Cássia Eller do Complexo Cultural da Funarte.
Ingressos a R$ 10 e R$ 5.
Mércia Batista
Nina Orthof
Infeliz,
que a dupla
pôs na rua e os
antigos acompanharam com fervor; na verdade,
um dos muitos momentos especiais que o
Rio de Janeiro testemunhou na formação
de nossa música popular, entre 1930 e
1949.
Dia 13, Ataulfo Alves e Assis Valente
serão o mote da apresentação do cantor e
compositor Tonicesa Badu. O primeiro,
ao lado de Mário Lago, compôs as imortais Ai, que saudades da Amélia e Atire a primeira pedra. Quanto a Assis Valente, cuja
biografia trágica talvez chame mais atenção do que sua produção musical, este
tem o nome escrito no Livro de Ouro da
MPB e era um dos favoritos do repertório
de Carmen Miranda.
Semana seguinte, 20 de agosto, tem
tributo a Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro, com o grupo Lorota Boa. George
Lacerda (voz e percussão), Cacai Nunes
(viola caipira), Vavá El Afiouni (baixo),
Rafael dos Santos (bateria) e Juninho Ferreira (sanfona) estão na formação que
apresenta um certo forró sem os tradicionais triângulo e zabumba. Tem sanfona,
mas será possível?
E na última sexta-feira do mês (27/8),
a obra de Lamartine Babo, João de Barro
e Ary Barroso será ouvida na interpretação do quarteto feminino Toque de Salto.
Sandra Borges (voz e violão), Mônica Borges (voz e percussão), Silvana Moura (voz
e percussão), e Marise Pinheiro (surdo e
tros representantes do gênero. Dia 7, Sidnei Maia (flauta), Luis Tibana (violão),
João Bosco (violão) e Pachá Galina (violoncelo), que formam o Quarteto Artesanal,
prometem o deleite tocando the best of
Vivaldi, música que sempre vale a pena
ouvir, conhecer ou redescobrir.
Dia 14, Karla Dias (flauta doce) e
Alessandro Santoro (cravo e fortepiano, o avô do piano) enchem a
Sala Cássia Eller com sons da
partitura escrita pelos bambas do
Barroco: Bach, Jacques-Martin
Hotteterre e Joseph Bodin de
Boismortier, sendo esses dois últimos venerados como mestres da
flauta doce.
Dia 21, a aventura barroca prossegue com uma audição dedicada à
obra do alemão Carl Philipp Emanuel
Bach. O recital reúne os professores da
Escola de Música de Brasília Paulo Magno (flauta transversal) e Suzi Magalhães
(cravo).
Fechando a tampa, dia 28, teremos o Estúdio Barroco, formação que reúne Ana Cecilia Tavares (cravo), André Vidal (canto),
Cecília Aprigliano (viola da gamba) e Sueli
Helena de Miranda (flauta doce).
Seja qual for o programa, popular ou
erudito, fiquemos com a música, que, nos
dizeres de Arthur Schoppenhauer, não é,
como nas outras artes, uma reprodução
das ideias, “mas uma reprodução da vontade”. Complicou? Então, lembremos
Astor Piazolla: fecha teus olhos e escuta.
27
QUE ESPETÁCULO
Noite de celebração
Jogo de Cena promete muitas surpresas na festa dos seus 25 anos
Por Bruno Henrique Peres
Fotos: Adla Marques
C
lassificado como uma tradicional vitrine cultural, o Jogo
de Cena comemora, neste mês de agosto, 25 anos de história. Trata-se de um projeto que tem orgulho de ser
100% brasiliense e possuir afinada sintonia com a produção cultural da cidade, nas palavras de seu coordenador-geral, James
Fensterseifer. “Muitos e importantes personagens da cultura de
Brasília passaram pela organização do Jogo de Cena”, orgulha-se
James.
Tanto tempo de êxito artístico justifica-se pela brava resistência a adversidades inerentes à produção cultural e por um entendimento simples, mas determinante. “Há 25 anos, um grupo de
atores e produtores culturais da cidade decidiu juntar a necessidade de espaço para a apresentação de seus trabalhos com a
carência de atrações culturais para o público”, explica James.
“Além de ser uma tradicional vitrine cultural, o Jogo de Cena
continua abrindo espaço para novos e velhos talentos e se
renovando a cada ano”, completa.
Em se tratando de uma história construída a partir da colaboração de inúmeros representantes da classe artística brasiliense,
nada mais natural que a celebração também contemple convidados mais do que especiais. São artistas que deram os primeiros passos em apresentações do Jogo de Cena, como a Anti Status Quo Cia de Dança, da coreógrafa Luciana Lara, e fiéis companheiros de décadas, como o artista plástico Paulino Aversa,
que pintará um quadro ao vivo na noite de 18 de agosto, no
Teatro da Caixa, durante a apresentação do Jogo de Cena 25
anos. “O programa especial de aniversário promete muitas surpresas”, diz James.
Logo na entrada do teatro estarão expostas fotografias da mostra O Jogo na Caixa, de Adla Marques. Também serão projetados
em um telão registros da trajetória do espetáculo. A abertura da
noite será feita pelo mímico Miqueias Paz, que acompanha o projeto desde o início, nos idos de 1985. A apresentação, como não
podia deixar de ser, será dos mestres de cerimônia Welder e Pipo.
Completam a noite de celebração uma versão reeditada do
espetáculo As namoradeiras, embrião do lendário grupo A Culpa
é da Mãe, atual Cia de Comédia Os Melhores do Mundo; a performance atualizada de O motoqueiro fantasma, do comediante
Heleno Goiaba; e a exibição do vídeo Quem ganha com o Jogo de
Cena. O encerramento será feito pelo quarteto de baterias do
Bateras Beat, comandado por Dino Verdade. E, claro, são convidados de honra a cativa plateia e também o público estreante.
Jogo de Cena – 25 Anos
28
18/8, às 20h, no Teatro da Caixa (Setor Bancário Sul). Ingressos a
R$ 20 e R$ 10 (meia entrada para estudantes, pessoas com 60 anos
ou mais, funcionários da Caixa e doadores de 1 kg de alimento).
Mais informações: 3206.9448/3206.6456. Classificação etária: 14 anos.
Abrem-se
as cortinas
Cabul, em novembro de 1999.
Entre os espetáculos nacionais está
ainda a montagem paulista Abracadabra,
de Luiz Päetow, com direção artística de
Dan Stulbach. O espetáculo-solo foi escrito e é interpretado por Päetow, vencedor
do Prêmio Shell 2009 de iluminação por
Music-hall. Trata-se de um monólogo sem
uma história ou um personagem fixo, que
se altera na medida da interação com a
plateia e dos questionamentos levantados
durante a encenação. Um número restrito
de espectadores recebe lanternas e se torna responsável por aquilo que todos irão
enxergar.
Na pauta dos espetáculos locais, destaque para A comédia dos erros, de Shakespeare, em montagem dos irmãos Adriano e
Fernando Guimarães, dias 28 e 29, no
Teatro da Caixa Cultural. Estarão em cena dois pares de irmãos gêmeos idênticos,
com o mesmo nome, numa mesma cidade.
Nem eles próprios nem ninguém sabe da
existência dos seus respectivos “duplos”.
Com tantas opções interessantes no
fim deste mês e no comecinho do próximo, bom mesmo é acessar a programação
completa do Cena Contemporânea no site
www.cenacontemporanea.com.br e aproveitar o máximo que puder o festival.
Cena Contemporânea
De 24/8 a 5/9 em todos os teatros de
Brasília. Festas de abertura e encerramento
no Museu da República.
Dirce Vieira
Dimitry Tulpanov
Por ter participado intensamente das
edições anteriores, a Espanha será homenageada nesta edição do festival. O curador Guilherme Reis incluiu quatro montagens procedentes daquele país. O grupo
Kabia, do País Basco, apresenta duas peças: Paisagem com argonautas e Dizer chuva
e que chova. O grupo Creaciones Artísticas Las Cuatro Esquinas traz El jardín del
mundo e o Centro Dramático Nacional e
Geografias de Teatro apresenta As terras
de Alvargonzáles.
Este ano, o Cena Contemporânea abrirá espaço maior para participação dos grupos nacionais e locais. Entre os destaques
está a montagem mineira Till – a saga de
um herói torto, que marca a volta do Grupo
Galpão ao teatro de rua. Num mundo em
que é cada vez mais marcante a presença
dos excluídos, a parábola das aventuras
do anti-herói Till Eulenspiegel, em tudo
semelhante a Macunaíma, de Mário de
Andrade, é bem atual.
Do Rio vem a Cia Amok Teatro, com
Kabul, um espetáculo sobre a guerra, vista
através da intimidade de dois casais afegãos que refletem o martírio de uma nação traumatizada por 20 anos de violência
e entregue à tirania dos fundamentalistas.
Criação livremente inspirada no livro As
andorinhas de Cabul, do escritor argelino
Yasmina Kadra, e na imagem real de uma
mulher, coberta com uma burca azul, sendo executada publicamente no estádio de
Harold Rodrigez
T
odos os palcos da cidade se preparam para a passagem da 11ª edição
do Cena Contemporânea – Festival
Internacional de Teatro de Brasília, que chega com alentada programação de 30 espetáculos de sete países, com destaque para
a Espanha, a homenageada deste ano.
Em comum, o fato de serem produzidos
por companhias jovens e possuírem propostas arrojadas e criativas, na ponta da
criação cênica no mundo.
Exemplos disso são o grupo Kabia, do
País Basco, que tem merecido excelentes
críticas na Espanha, e o ISH Theater, uma
companhia de Israel que apresenta um
show de cabaré no qual mescla a narrativa
mitológica da Odisseia, de Homero, com a
história de uma excêntrica família italiana.
Reflexões sobre o exílio, a tortura, a
solidão e a guerra em territórios que vivem cotidiano conflituoso estão nas montagens não só do País Basco como também nas procedentes da Colômbia, Cuba
e Israel, revelando, sob a perspectiva teatral, o que pensam os criadores contemporâneos. O espetáculo Não vá chorar,
por exemplo, conta a história de cubanos
que decidem abandonar seu país e sequestram várias embarcações para tentar concretizar esse sonho. A montagem do Teatro Viento de Águia, de Cuba, com direção de Boris Villar, reproduz um brutal
enfrentamento entre os amotinados e as
forças leais à revolução de Fidel Castro.
Está chegando a
hora dos criativos
espetáculos
do Cena
Contemporânea
29
Gustavo Favoreto
galeria de arte
O encontro
que não
houve
Amilcar de Castro
A arquitetura e a arte construtivista tinham plena identidade na
década de 50, mas só se encontram agora, em exposição no CCBB
Por Alexandre Marino
N
César Oiticica Filho
o início da década de 50 do século passado, os artistas modernistas de esquerda defendiam o realismo social como linguagem e resistiam à
ruptura pregada pelos abstracionistas, vertente de vanguarda que começava a se destacar no Brasil. Uns e outros simpatizavam com as mudanças anunciadas pelo
presidente Juscelino Kubitschek (19561961). Ele propunha uma ação desenvolvimentista capaz de superar os obstáculos
estruturais do país, de forma a provocar
um acelerado avanço em todos os setores
econômicos, idéia que deu origem ao slogan “cinqüenta anos em cinco”.
Kubitschek projetou Brasília como a capital que levaria o desenvolvimento ao território praticamente desabitado do interior
do país, multiplicando a produção de alimentos e indústrias de base. A concepção
da cidade foi produto da vanguarda arquitetônica e urbanística representada por Os-
30
car Niemeyer e Lúcio Costa, unida a um
grupo de artistas plásticos que deu alma e
espírito à cidade – Ceschiatti, Bruno Giorgi, Portinari e Di Cavalcanti, entre outros.
As afinidades afetivas e ideológicas de
Costa e Niemeyer com esses artistas determinaram a ausência, na composição estética de Brasília, de outros como Amílcar
de Castro, Franz Weissmann e Hélio Oiticica, que representavam a arte construtivista brasileira. Eles já eram vanguarda em
relação aos artistas que marcaram a paisagem de Brasília, mas estavam plenamente
sintonizados com a proposta artística da
cidade. JK, criador de um dos ícones da
modernidade brasileira – o complexo arquitetônico da Pampulha, quando prefeito de Belo Horizonte – atraiu a empatia de
jovens intelectuais e artistas, e todos, modernistas, concretos e neoconcretos, eram
favoráveis às mudanças propostas por ele.
Agora, o encontro entre a arquitetura
de vanguarda e a arte de vanguarda se realiza, 50 anos depois, com a exposição Brasília e o construtivismo: um encontro adiado,
em cartaz no Centro Cultural Banco do
Brasil até 19 de setembro. A curadoria é
de Fernando Cocchiarale, que se apressa
a avisar que não há qualquer confronto
entre os artistas que desenharam a paisagem de Brasília e os construtivistas, ausentes da paisagem urbana da capital.
Para Cocchiarale, as esculturas públicas construtivistas eram as de maior importância entre as produzidas à época da
construção de Brasília. E, no entanto, estão totalmente ausentes da cidade. O cura-
Macaleia, de Hélio Oiticica
dor acredita que as explicações para essa
ausência, “múltiplas e heterogêneas”, passam pela inadequação do construtivismo
à lógica figurativa do monumento, além
de razões político-ideológicas que empurravam a esquerda para o realismo.
A identidade dos construtivistas com
a proposta urbano-arquitetônica de Brasília é de fato enorme. As gigantescas formas metálicas de Amílcar de Castro e
Weissmann se amoldam com suavidade
aos contornos da arquitetura, o que pode
ser facilmente percebido na área externa
do CCBB. Outros artistas, como Luiz Sacilotto, Waldemar Cordeiro, Lygia Clark
e Hélio Oiticica, apresentam obras e projetos tridimensionais totalmente coerentes com o ambiente urbano brasiliense.
Uma xilogravura de Lygia Pape, Tecelar 1,
criada em 1956, tem tudo a ver com as formas do Congresso Nacional, que parece
ter sido inspirado por ela.
Para Cocchiarale, os artistas Athos
Bulcão e Rubem Valentim representam
“uma rara ressonância da arte construtiva
nos espaços públicos de Brasília”, embora
não tenham participado desse movimento. Não por acaso, há exemplos de suas
obras na exposição. Ele lembra ainda que
Brasília “é um cenário perfeito para a sintonia dessas duas produções de ponta do
Brasil moderno, que, no entanto, jamais
se consumou plenamente”.
Brasília e o Construtivismo:
um encontro adiado
Até 19/9, de 3ª a domingo, das 9 às 21h,
no CCBB.
O universo de
Bandeira de Mello
Fotos: Divulgação
Uma ótima oportunidade de conhecer o trabalho do pintor modernista
Enterro no sertão
Por Maria Teresa Fernandes
B
andeira de Mello, o artista; Bandeira de Mello, o professor; Bandeira de Mello, o homem verdadeiro e sem fachadas.
As três faces de Lydio Bandeira de
Mello, do alto de seus recém-completados 81 anos, estão reveladas em Bandeira
de Mello, retrospecto, em cartaz na Caixa
Cultural até o dia 29. Lá estão cerca de
65 obras do artista mineiro, um ícone do
modernismo, entre pinturas e desenhos
que retratam nus femininos, cenas do cotidiano, animais, pinturas religiosas, paisagens, o sertão, camponeses e retratos.
A partir da consultoria do próprio
artista, que realizou sua concepção junto
com o produtor Anderson Eleotério, a
exposição apresenta peças inéditas do
acervo pessoal de Bandeira de Mello restauradas especialmente para a mostra.
Uma cronologia ilustrada de sua vida e
obra é complementada por um documentário em que o pintor revela memórias interessantes dos 38 anos em que foi
Retirantes
professor da Escola de Belas Artes da
Universidade Federal do Rio de Janeiro,
bem como de sua infância, época em que
despertou para o desenho e a pintura.
Nascido na cidade de Leopoldina,
quando tinha seis anos Bandeira de Mello
visitou uma vizinha que fazia uma pintura
a óleo. Vendo o interesse do menino, perguntou se ele queria pintar um pouco. Foi
o bastante para acender nele a chama que
marcaria sua vida dali em diante. O que a
vizinha levava um mês para fazer, o pequeno aprendiz fez em apenas um dia.
Ela então chamou o pai do pequeno artista e contou-lhe a façanha. A partir daí,
cada vez que o advogado Lydio Bandeira
de Mello ia ao Rio de Janeiro trazia para
o filho tintas e telas para suas pinturas.
Conforme conta o próprio artista no
documentário disponível na mostra,
quando tinha 17 anos, “época em que a
gente decide o que vai ser amanhã”, comunicou aos pais o desejo de ir para o Rio
de Janeiro estudar na Escola de Belas Artes. Apoiado pela família, o estudo da pintura acadêmica seria, de fato, um fator de-
Procissão
terminante em sua carreira. Dono de um
metiê dos mais vigorosos, sua obra acabou se consagrando pela riqueza de detalhes, pela técnica rigorosa e, sobretudo,
por sua extraordinária capacidade de trabalho, de forma humilde e incessante.
Obcecado pela permanência da obra
de arte e avesso a trabalhos contemporâneos efêmeros, “aqueles realizados em
gelo, cera e carne”, Bandeira de Mello
considera que a arte deve ter como função registrar a interação do homem com
o Universo. “Os homens das cavernas já
grafavam seus desenhos em pedra e depois em placas de terracota, justamente
para divulgar e perpetuar a obra de arte”,
afirma no documentário produzido pela
Sambacine, disponível para quem for à
mostra e quiser se aprofundar no universo do artista.
Bandeira de Mello, retrospecto
Até 29/8, de 3ª a domingo, das 9 às 21h,
na Caixa Cultural, com entrada franca.
Agendamento de visitas monitoradas:
3206.9892.
31
luz câmera ação
Bang-bang
cozido “al dente”
CCBB exibe 20 obras essenciais dos westerns
spaghetti, versão italiana de um dos gêneros
emblemáticos do cinema norte-americano
Por Sérgio Moriconi
A
mitologia do western “na bota”.
A referência não diz respeito
ao calçado do herói, do mocinho, como se costumava dizer, mas
à denominação da península italiana, lugar onde foi gerada uma incrível quantidade de clássicos filmes de
“faroeste” nos anos 60 e 70. Obras
como Por um punhado de dólares, Três
homens em conflito e Era uma vez no oeste,
três dos mais célebres longas de Sérgio
Leone, ajudaram inclusive a revitalizar um
gênero que experimentava certa estagnação
em sua pátria- mãe, os Estados Unidos, no final dos anos 50. Como isso pôde acontecer
com um tipo de filme por muitos considerado
emblemático para a cultura dos EUA? Pode ser
que a mostra Faroeste spaghetti – O bang-bang à italiana, em cartaz no CCBB até o dia 22, responda a
essa e a outras enigmáticas questões desse surpreendente e improvável fenômeno.
O renomado crítico francês André Bazin dizia que
o western era “o filme americano por excelência”, fazendo eco ao mestre John Ford, que os considerava a mais
justa representação da epopéia da colonização do país. Entretanto, a mística do western povoou corações e mentes do
mundo todo, especialmente de crianças, vestidas com suas
32
Meu nome é ninguém
A morte anda a cavalo
cartucheiras e chapéus de “caubóis”, enfrentando facínoras imaginários. Na Itália, ou em toda a Europa do pós-guerra, obviamente não foi diferente. Fellini declarou certa vez sua fascinação por toda a cultura popular norte-americana, pelos cartoons,
pelos faroestes. Tudo isso, segundo ele, tinha um sentido libertário, lúdico, para quem crescera sob a lúgubre ideologia fascista. Os italianos, ao contrário dos franceses, conviveram bem –
talvez melhor – com a avalanche cultural dos EUA no velho
continente, nos anos 50.
A geração toda de Fellini, de um modo geral, gostava dos filmes do período clássico de Hollywood. Os westerns faziam parte
desse caldo. Mesmo na época neo-realista, diretores como Pietro
Germi e Giuseppe De Santis refletiram em várias de suas obras o
interesse pelo gênero. Um nada, se levamos em conta o que viria
pela frente, mais precisamente entre os anos de 1963 e 1973. Durante uma década, os westerns, agora chamados spaghetti, dominaram a produção italiana para exportação em termos de lucros auferidos em bilheteria. Ainda que o nome de Sergio Leone venha
de imediato à mente quando se procura uma razão para a explosão internacional do “bang-bang made in Italy”, é preciso lembrar
que pelo menos 25 westerns haviam sido produzidos na Cinecittà
antes de Leone iniciar a realização de Por um punhado de dólares.
Numa de suas análises sobre o western à italiana, Christopher
Frayling menciona vários fatores econômicos que de alguma maneira explicam a sua gênese. Alguns dados levantados são significativos. Do lado norte-americano, a produção de westerns dos
grandes estúdios havia decrescido de 54, em 1958, para apenas
11, no período 62/63, e crescido para 37, apenas em 1967, devido ao inesperado sucesso do filme de Leone. Havia, segundo
Por um punhado de dólares
Frayling, uma grande demanda para esse
tipo de filme, impossibilitada de ser suprida por Hollywood devido a uma importante crise financeira. Roma, no entanto – leia-se Cinecittà –, vivia situação
inversa. O cinema italiano experimentava uma era de esplendor na segunda década do segundo pós-guerra.
Desde o início dos anos 50, a estrutura de produção cinematográfica da Itália
só perdia para a hollywoodiana. A cooperação entre produtores dos dois países era
intensa. Não devemos nos esquecer que
dezenas de superproduções históricas sobre a Roma antiga e outros dramas de
época eram rodados nos EUA com grandes nomes italianos (Sophia Loren, por
exemplo) dividindo os cartazes com estrelas e astros norte-americanos. Juntou-se,
então, a fome com a vontade de comer: a
indústria italiana de cinema procurava financiamento internacional para filmes
populares; Hollywood, apesar da crise, tinha algum dinheiro e gostou quando os
italianos ofereceram locações baratas na
Espanha, disponibilizando ainda, a baixíssimo custo, a quantidade de extras que
fosse necessária. Os americanos abraçaram de vez a idéia porque vislumbraram a
possibilidade de ganhar um bom dinheiro no seu próprio mercado, já que os westerns tinham um público cativo naquele lado do Atlântico.
O que os americanos não esperavam é
que os westerns spaghetti mudassem substancialmente a cara do gênero. Muito do
impacto do cinema de Leone consiste no
seu afastamento do que se convencionou
chamar “clássica fórmula do western”, sustentada por três pilares básicos: os cidadãos da cidade, vistos como agentes civilizatórios (civilizados e bons), são ameaçados por grupos de selvagens foras-da-lei
(incivilizados e maus), finalmente salvos
por um herói com características dos dois
grupos, mas que, apesar de desajustado
socialmente, acaba agindo como agente civilizador. Nos spaghettis, diferentemente,
não há nem bons nem maus. Em Meu nome é ninguém, de Tonino
Valleri, o herói age motivado pelo dinheiro. A cidade de San Miguel, cenário do filme, está longe de ser um microcosmo da
civilização. Ao contrário, segundo os termos de Peter Bondanella, “é um lugar
quase surrealista, onde ninguém trabalha
a não ser o coveiro”. Matar é a única forma de ganhar respeito. A mesma caracte-
Era uma vez no Oeste
rística está presente em Sérgio Corbucci
(Sartana/Os violentos vão para o inferno),
assim como em Gianfranco Parolini (Sabata/Sartana) e mesmo nas comédias escrachadas de Trinity. Popularíssimo, esse
personagem passou pelas mãos de diversos diretores e não deixa dúvida quanto
ao caráter politicamente incorreto, iconoclasta, que os italianos impuseram à
tradição do western. Pode-se mesmo dizer
que eles azedaram o molho da nobre
iguaria norte-americana.
Faroeste spaguetti –
O bang-bang à italiana
De 3 a 22/8, no CCBB. Ingressos a R$ 4 e R$ 2.
Mais informações: 3310.7087
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luz câmera ação
À prova
de morte
Por Reynaldo Domingos Ferreira
Q
num Dodge Callenger RT/1970 pelas ruas de Austin, no Texas, à procura de um
lugar para comemorar o aniversário da
terceira, uma DJ da emissora da cidade.
Elas acampam no Güero´s Taco Bar, que
exibe, em sua decoração, cartazes de películas antigas, como Three Irenes, no qual
Tarantino – que aparece como Warren,
dono do estabelecimento – teria se inspirado para criar (ou reciclar, como é do seu
estilo) o argumento da fita.
Quase de forma simultânea à chegada
das três garotas ao bar, surge também, dirigindo um Chevy Nova, o dublê Mike
(Kurt Russell). Instado por Shanna a tomar um drinque, Mike se diz abstêmio de
álcool e depois não reage, em absoluto,
quando ela o provoca por meio de uma
dança de colo de alta potencialidade erótica, que o envolve fisicamente. Posteriormente, sem ser percebido, Mike faz, à disFotos: Divulgação
uentin Tarantino fez um thriller
do tipo road movie para mostrar
como se efetiva o treinamento
dos dublês de atores, usando,
para isso, argumento de ficção que remete
aos dos filmes B, de horror, da década de
70, em que as cenas de perseguição em
carros de alta potência – como o Pontiac
GTO – se constituíam em grande atração
de bilheteria.
Sem ter nada do brilhantismo de Cães
de aluguel, Pulp fiction, Kill Bill ou Bastardos inglórios, o filme foi rodado também
sem muita pretensão. O roteiro faz referência direta aos filmes do gênero dos
anos 70, que se caracterizavam por constantes riscos na tela, descontinuidade nas
montagens e discrepância da tonalidade
fotográfica, ora em preto e branco, ora em
colorido. Além disso, o diálogo, apesar
de envolvente, é pobre e do nível mais rasteiro possível, como manda o figurino,
embora cite, em dado momento, um poema de Robert Frost.
A história, narrada em metalinguagem, é a de três amigas – Arlene (Vanessa
Ferlito), Shanna (Jordan Ladd) e Julia
(Sydney Tamii Poitier) – que transitam
tância, várias fotos das garotas, quando estas deixam o bar ou entram numa banca
de revistas.
A resistência de Mike é posta novamente à prova três meses depois, quando
ele encontra, em Lebanon, Tennessee,
outras três garotas que desejam enfrentálo num Dodge Challenger tomado de empréstimo de um tal de Jasper (Jonathan
Loughran). É principalmente a partir dessa sequência que Tarantino procura tirar
ilações sobre a guerra dos sexos em que o
carro se torna instrumento de fascínio,
poder e domínio.
Inegavelmente, as cenas de perseguição nas estradas praticamente desertas do
Tennessee são de tirar o fôlego, pois uma
das garotas se põe amarrada ao capô do
Dodge Challenger, que recebe consecutivas bordoadas do Chevy Nova do alucinado Mike, ansioso por eliminá-las. A se dar
crédito à informação de que teria sido Tarantino o operador de câmara a captar os
lances dessa eletrizante corrida à beira de
precipícios, tem-se de reconhecer que se
trata de um trabalho notável, mas de sabor, é claro, de dejà vu. Os atores, que atuam de improviso, em grande parte, estão
muito bem, tanto os novos como os veteranos, destacando-se as atrizes, pela extraordinária sensualidade.
À prova de morte (Death proof)
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EUA/ 2007, 114min. Roteiro e direção:
Quentin Tarantino. Com Kurt Russell,
Rosario Dawson, Sydney T. Poitier, Mary
Elizabeth Winstead, Tracie Thoms, Jordan
Ladd, Vanessa Ferlito, Quentin Tarantino e
Jonathan Loughran.
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