Expediente
Diretor Geral
Gabriel Galvão
[email protected]
[email protected]
Edição e Diagramação
Camila Carrano
[email protected]
As opiniões reunidas nesta publicação
não representam necessariamente o
ponto de vista dos organizadores deste projeto.
A revista está disponível para download em
www.pontomarketing.com
Colaboradores
Bruno Mendes (http://promoverpropaganda.wordpress.com/)
Murilo Lima (www.lisosapiens.blogspot.com)
Camila Barros (http://milagtbarros.blogspot.com/)
Nathália Machado (@nathaliarpbh)
Apoiadores
Agência de Sustentabilidade (http://www.agenciadesustentabilidade.com.br/)
Inclusão Brasil (http://www.inclusaobrasil.com.br/)
Portal da Sustentabilidade (http://www.sustentabilidade.org.br/)
Sustentabilidade é Acção (http://sustentabilidadenaoepalavraeaccao.blogspot.
com/)
Patrocinadores
Cempre (http://www.cempre.org.br/)
Idec (http://www.idec.org.br/)
Meu Mundo Sustentável (http://lojavirtual.meumundosustentavel.com/ecommerce_site/index.php?zt=1&cdg=5346)
Qualitymark (http://www.qualitymark.com.br/)
www.pontomarketing.com
Índice
Sustentabilidade: um conceito que assusta alguns
04
Entrevista: Isa Magalhães
05
A insustentabilidade do consumismo
10
Consumidor não sabe de onde vem o bife em seu prato
12
Sustentabilidade: necessidade de inovação no
marketing de destinos
13
Quando a sustentabilidade inviabiliza um negócio
15
A Carta Terra
16
O luxo se rende ao verde
17
A busca constante por um Brasil melhor
18
O papel social da Sustentabilidade nas organizações
20
Boas sementes em terra fértil
21
Sustentabilidade:
um conceito que assusta alguns
Sustentabilidade é
uma palavra que você
já deve ter ouvido.
Sustentabilidade também
é um conceito que
provavelmente você
deve ter alguma ideia do
que seja. Acontece que
algumas pessoas encaram
a sustentabilidade como
algo nocivo ao planeta
e à sociedade por pura
ignorância e falta de
interesse em pesquisar
sobre seu significado. Na
verdade, tudo que é ligado
ao conceito sustentável
é justamente para tornar
o mundo um lugar melhor.
Parece que essas pessoas
estão torcendo para que
o planeta se acabe logo.
Das duas, uma: ou são da
tropa dos cavaleiros do
apocalipse ou discípulos de
Hitler.
e se fazer de idiota é a
atitude mais burra que
existe.
ser. Ela é apolítica e se
importa com a sociedade
e sua manutenção.
O que é
sustentabilidade?
O que fazer pela
sustentabilidade?
Justamente para
O Portal da
responder essa
Sustentabilidade
pergunta foi que
explica bem o conceito:
criamos a Semana da
Sustentabilidade. Apesar
Propõe-se a ser um
de eu estar engajado
meio de configurar a
em diversos projetos
civilização e atividade
diferentes, tive de
humanas, de tal forma
passar esse à frente
que a sociedade, os
de todos os outros
seus membros e as
pela sua importância.
suas economias possam
Assim, além de mim,
preencher as suas
estão inclusos nesse
necessidades e expressar projeto os colaboradores
o seu maior potencial no Bruno Mendes, Camila
presente, e ao mesmo
Carrano e Murilo
tempo preservar a
Lima, além da Nathália
biodiversidade e os
Ferreira e da Camila
ecossistemas
naturais,
Barros. Todo mundo se
Fugindo da
planejando
e
agindo
juntou para conseguir
sustentabilidade como
de forma a atingir prócontatos e informações
o diabo foge da cruz
eficiência na manutenção para a primeira
indefinida desses ideais.
Já disse várias vezes,
semana temática
mas nunca me canso
do blog. Esperamos
de repetir: quase todas
Considerando que a
que a semente da
as pessoas transferem
sustentabilidade propõe
sustentabilidade seja
para os outros a
a continuidade do
plantada na consciência
responsabilidade de cuidar planeta Terra e da raça
das pessoas e que
do mundo. Sempre dizem
humana, sem qualquer
passem a ser mais
que é culpa do próximo
tipo de distinção,
sensíveis para o que
quando na verdade a culpa
inclusive a política,
acontece no nosso único
é de todos, tanto de quem
ela não é uma atitude
planeta.
está no poder quanto de
comunista, neoliberalista
quem está longe dele. Se
ou anarquista, como
estamos todos no mesmo
alguns pseudoplaneta, então a culpa é
intelectuais julgam
nossa e fugir do assunto
www.pontomarketing.com
4
Entrevista: Isa Magalhães,
autora de Sustentabilidade nos Negócios
Como dito no artigo anterior, sustentabilidade assusta algumas pessoas pelo
fato de não saberem exatamente do que se trata. Então, nada melhor que
ir atrás de fontes confiáveis sobre o tema. O livro Sustentabilidade nos Negócios é uma forma de adquirir valiosas informações sobre o que é e como
aplicar a sustentabilidade dentro das organizações. Entrevistamos a autora
do livro, Isa Magalhães, profissional de RH formada em História, Psicologia
Transpessoal e Coach, sobre esse tão simples, importante e ao mesmo tempo polêmico tema.
Isa Magalhães é formada em História, Psicologia
Transpessoal e Coach pela Integrated Coaching Institute, com pós-graduação em Gestão de Pessoas
pela FIA/ USP. É Psicoterapeuta, Coach, Palestrante
e Consultora em Desenvolvimento de Pessoas, com
foco em treinamentos comportamentais nas áreas
de Autoconhecimento, Relacionamento Interpessoal, Criatividade, Negociação, Liderança e Motivação.
Desenvolve projetos em RH Estratégico e Qualidade de Vida no Trabalho com a visão biopsicossocial
nas organizações, tendo entre seus clientes grandes
empresas como os Correios, Oi, SEBRAE, Petrobras,
Porto Seguro, Avon, entre outras. Autora dos livros
“Psiu, O Síndico Pode Estar Ouvindo” (contos) e
“Manual de Sobrevivência ao Medo” (Ed. Universalista), “Gestão Holística de Pessoas – Qualidade de
Vida e Bem-Estar no Trabalho” (Ed. Flora Nativa).
O que é sustentabilidade, em seu conceito geral?
Em primeiro lugar, o meu olá para os leitores desse site. O termo sustentabilidade,
uma palavrinha meio na moda, tem um conceito muito maior que imaginamos, nesses
tempos de aquecimento global, muitas crises econômicas e sociais. Há quase 20 anos,
a ONU afirmou que desenvolvimento sustentável “é o atendimento das necessidades
das gerações atuais, sem comprometer a possibilidade de satisfação das necessidades
das gerações futuras“. O termo, que para muitos se refere apenas à gestão ambiental
nas grandes empresas, tomou outras proporções ao também indicar uma gestão
responsável não apenas com o meio ambiente, mas com as pessoas e tudo que se
refere ao social.
Mas o termo “sustentabilidade” ganhou uma conotação muito mais holística no século
XXI. Um termo que ganhou notoriedade como referência aos projetos ambientais das
grandes organizações, quando pressionadas pela sociedade a fazerem uma gestão
sustentável sobre seus resíduos de produção, tornou-se muito mais sistêmico e engloba
não apenas a ecologia externa, mas também a ecologia interna, seja das pessoas, seja
das empresas.
www.pontomarketing.com
5
Como aplicar a sustentabilidade nas empresas modernas?
A consciência de uma empresa nasce em seus valores, que são os sustentáculos da cultura
organizacional – o estilo de comunicação, os tipos de pessoas que recrutará e o padrão
de liderança dos gestores. Por isso, para trabalharmos com o conceito de sustentabilidade
primeiro temos que trabalhar com a cultura da empresa, seus valores, missão, visão.
No meu livro, eu falo do uso dos valores humanos para a construção de uma empresa
mais solidária e consciente, que poderá ajudar a tornar a vida melhor na sociedade em
que vivemos. Nisso, o termo sustentabilidade passa a representar não apenas um modelo
de gestão ecológica do meio ambiente, mas um modelo de gestão da ecologia interna que
norteia as políticas de gestão de pessoas e suas estratégias de negócios.
Existe um valor humano que considero ideal para a prática da gestão sustentável, que é
a boa vontade. Este valor é uma das bases da mudança comportamental que devemos
alcançar para termos sustentabilidades nas ações futuras. Boa vontade significa uma atitude
de cooperação que transforma o amor em ação concreta. A boa vontade estimula a justiça
e a honestidade nas pessoas, por isso é considerado um dos valores mais importantes para
sociedade humana contemporânea.
Sabemos que a liderança tem um papel fundamental no processo de
conscientização para a sustentabilidade. Como os líderes das organizações que
desejam aderir à sustentabilidade podem mobilizar os demais colaboradores
para participar do processo?
Primeiramente, os líderes deve se conscientizar da importância de uma gestão de pessoas
sustentável, porque fazemos negócios com pessoas e para pessoas. Assim, a educação
interna para uma mudança de valores é o princípio. Mesmo porque a visão sustentável
não é uma técnica, é uma consciência. Segundo, para uma organização sobreviver e se
desenvolver necessita de inovações constantes para se revitalizar. O processo de revitalização
acontece quando trabalhamos regularmente a cultura organizacional. Podemos revitalizar
uma empresa mexendo em seus valores, alterando sua cultura. E como já disse antes, isso
não é fácil porque sugere uma mudança de consciência. E todos nós sabemos da grande
resistência para mudarmos.
No entanto, valores como respeito ao próximo, compaixão, solidariedade, simplicidade,
amor e tantos outros importantes para a boa convivência humana são fundamentais
para a saúde biopsicossocial da empresa. Os líderes devem ser treinados para usar esses
valores.
Qual o papel da comunicação nesse processo?
Nossa sociedade atual é baseada na informação, na comunicação de ideias. Mas informação
não é formação. Dessa maneira, acho que a comunicação tem um grande desafio que é
encontrar um modelo de informação mais substancial em tempos de urgências, onde as
pessoas não mais leem, e querem tudo muito rápido. Conscientizar as pessoas sobre a
necessidade de um novo modelo econômico, social e ambiental que traga sustentação aos
recursos naturais globais e qualidade de vida para todos no planeta é fundamental.
Todo mundo sabe o quanto o modelo de produção das grandes empresas estão sendo
questionado nos últimos anos em termo de “ecoeficiência”. Ou seja, a preocupação com
questões como a emissão de menos poluentes, a redução da produção de lixo industrial,
menos gasto de energia entre outras, são discutidas em busca de soluções urgentes para
a poluição que está ameaçando o planeta e as futuras gerações. A comunicação, seja
em veículos da mídia ou internamente na empresa, é uma das principais ferramentas de
conscientização das pessoas neste século, sobre todos estes assuntos.
www.pontomarketing.com
6
Você considera que as organizações de hoje estão verdadeiramente voltadas
para a importância da sustentabilidade, como diferencial no mercado?
Não. A maioria das empresas ainda não adotou verdadeiras práticas sustentáveis. Os
projetos nessa área ainda são muito tímidos diante da urgência em nos encontramos. A
maioria adota práticas superficiais, projetos para venderem sua imagem a sociedade. Existe
muito mais propaganda do que verdade nos projetos que conheço. Claro que existem
empresas conscientes e preocupadas com o meio ambiente, as pessoas a sua comunidade.
Mas infelizmente ainda são poucas…
Acredito que ainda não existe a verdadeira consciência por parte das empresas por falta de
uma mudança na mentalidade dos lideres em relação aos negócios. A urgência dos resultados
financeiros, dos lucros, ainda impera. Mas agora não se trata mais de “marketing”, se trata
de sobrevivência mesmo! Sobrevivência não apenas do planeta, mas dos negócios, afinal
os consumidores estão cada vez mais antenados e exigentes quanto à responsabilidade das
empresas em sua comunidade e com o meio ambiente. E em nossa sociedade da informação,
ninguém esconde mais nada. Assim, atenção senhores gestores, sejam verdadeiros em
seus discursos. O cliente não perdoa ser enganado!
Diante da grande demanda do mercado por empresas cada vez mais voltadas
para práticas sustentáveis, o que as ações sustentáveis podem representar no
resultado final das empresas?
Os resultados para uma empresa que tem uma visão sustentável são enormes! Creio que a
prática sustentável já é um modo de vida ainda não totalmente vivenciado por todos, mas
a velocidade e a intensidade das mudanças ocorridas nos últimos anos são surpreendentes.
Assim, embora as ações sustentáveis da maioria das empresas ainda sejam tímidas, elas
estão procurando se adaptar ao mundo dos negócios globalizados e ecologicamente corretos,
um cenário que exige uma visão competitiva aliada a um comportamento cooperativo. Essa
realidade mostra a necessidade das empresas buscarem formas criativas e alternativas
de negociação para obterem lucratividade. Práticas de negociações ilícitas como as que
detonaram a recente crise no mercado americano que varreu o globo não serão mais aceitas.
Por isso que já se fala muito em mudanças radicais no modelo econômico vigente.
Fazendo um comparativo com as organizações de países desenvolvidos, o
Marketing Sócio Ambiental no Brasil, apresenta características agregadoras,
independente da demanda do mercado, ou ainda é visto como ação corretiva
para a ampliação de mercado das empresas?
O Brasil tem uma cultura agregadora. O pensamento de sustentabilidade nos negócios visa
aliar o lucro com a responsabilidade social e ambiental. E para isso a atenção aos recursos
humanos e naturais como forma de gerar lucro é o desafio das empresas que buscam
prosperar, construir uma boa imagem para os seus clientes e sem deixar de ser responsável
pelo futuro das próximas gerações.
A questão agora é uma mudança verdadeira de consciência por parte das empresas,
que no século passado foram mestras na produção de bens diversificados e criaram o
marketing para incorporar fatores como preço, qualidade, serviços e inovação tecnológica
ao consumidor, numa corrida maluca para ganhar o cliente. Essa mentalidade fortaleceu a
cultura da competição extremamente agressiva e predatória, onde todos os valores morais
foram postos em cheque, principalmente com o cuidado no trato com a vida, com as
pessoas, com o planeta. A competição, centrada na lógica financeira de lucros crescentes,
negou totalmente as conseqüências negativas para o meio ambiente, e conseqüentemente,
a vida como um todo.
www.pontomarketing.com
7
No livro você fala sobre a “desmassificação
da produção de consumo”. O que
isso significa e qual a influência da
sustentabilidade nisso?
A transformação da mentalidade consumista de
nossa sociedade é fundamental para colocarmos
novamente a vida no centro de tudo. E isso é um
paradoxo complexo, porque a nossa economia
capitalista sobrevive do consumo, e o que
acontecerá com ela se pararmos de consumir?
Essa pergunta é também tem uma resposta
complexa. Acho que tem haver com a busca
por um consumo com qualidade e não mais
por quantidade. Desmassificar é uma nova
consciência de um consumo menos predatório.
A solução é a mudança de valores gananciosos
e totalmente voltados para o “ter mais dinheiro
do que podemos gastar”. No livro eu falo sobre o
lucro acumulado pelas grandes empresas, que é
exagerado e mal distribuído, fazendo do mundo
um lugar desigual, uns com muitos outros com
tão pouco. Dessa forma, fazer uma empresa
prosperar não é torná-la a mais rica, isso não
passa de uma crença de que “quanto mais dinheiro
tenho mais forte serei”. A última crise econômica
mundial provou que isso não verdadeiro, afinal, as primeiras empresas a afundarem eram
aparentemente ricas e sólidas! Acredito que desmassificar o consumo é a busca por algo
mais intangível que os produtos comprados, como os valores humanos, o bem-estar social
e a preservação do meio-ambiente.mo! Sobrevivência não apenas do planeta, mas dos
negócios, afinal os consumidores estão cada vez mais antenados e exigentes quanto à
responsabilidade das empresas em sua comunidade e com o meio ambiente. E em nossa
sociedade da informação, ninguém esconde mais nada. Assim, atenção senhores gestores,
sejam verdadeiros em seus discursos. O cliente não perdoa ser enganado!
Geralmente vemos a aplicação de ações sustentáveis no ambiente externo
à empresa. E quanto ao ambiente interno, como a sustentabilidade pode ser
aplicada?
O problema é que alguns empresários ainda fazem confusão com essa denominação.
Eles acham que o termo sustentabilidade designa algo estanque, individualizado, do tipo:
sustentabilidade econômica é gerar lucros, sustentabilidade ambiental é proteger o meio
ambiente ou a sustentabilidade social é melhorar a vida das pessoas. Falta-lhes uma visão
sistêmica. De um modo geral podemos dizer que só é sustentável aquilo que se desenvolve
continua e sistemicamente.
Por isso, uma gestão sistêmica é à base da Sustentabilidade Corporativa, uma vez que engloba
vários aspectos do modelo de negócio a ser adotado. Esses aspectos vão do econômico
ao social, do humano ao ambiental. É uma gestão totalmente integrada, onde às praticas
da empresa compactuam com o planejamento estratégico, integrando objetivos, forma de
produção, características dos produtos e relacionamento com todos os seus stakeholders.
www.pontomarketing.com
8
Que dicas você daria para as pessoas que desejam levar o conceito de
sustentabilidade para ser discutido e aplicado nas empresas onde trabalham?
No meu livro tem uma passagem onde falo que tudo é uma questão de valores internos
e educação para a busca da paz, um sentimento que nos deixa solidários e capazes de
usarmos a política de sustentabilidade:
“Ao educarmos nossa mente e emoções para a tranquilidade, menos hostilidade, serenidade
de espírito, harmonia interior e conciliação, estaremos nos educando para a paz.
Esse processo pode começar no que alguns chamam de chamada Pedagogia da Cooperação,
uma prática baseada em três movimentos:
1.
Convivência: vivenciar o compartilhar é fundamental para a aprendizagem social. É
preciso entender o outro para nos reconhecer neste outro.
2.
Consciência: ao criarmos um clima de cumplicidade com os outros, podemos
refletir sobre a importância da convivência e sobre as possibilidades de modificar nossos
comportamentos e relacionamentos.
3.
Transcendência: a disposição para dialogar, decidir em consenso, experimentar
as mudanças propostas e integrar nossa vida, provoca as transformações interiores
desejadas.
Na visão holística da vida, as evoluções ocorrem de dentro para fora, sempre do pequeno
para o maior, ou do indivíduo para a sociedade. Assim, o processo de aprendizado de novos
valores indispensáveis para um ambiente de cooperação e paz, começa em nós mesmos.
Da mesma forma que aprendemos a correr, a andar, falar, escrever, podemos aprender a
cooperar. Mas esse aprendizado não é intelectual. Somente praticando a cooperação em
diferentes condições, seja pessoal, grupal, social, profissional é que aprenderemos a nos
relacionar de forma cooperativa. Essa é a verdadeira revolução no ambiente de trabalho”
(passagem do livro).
E quais as dicas para que as pessoas apliquem a sustentabilidade em suas vidas
particulares?
Para temos sustentabilidade na vida, temos que ter ações coerentes com a nossa missão
pessoal. Dessa maneira, devemos nos conhecer melhor para alinhar o nosso Sentir, Pensar
e Agir. Ou seja, normalmente nós sentimos de uma forma, pensamos de outra e agimos
muitas vezes totalmente em desarmonia com o sentir e o pensar. Isso é fundamental para
trabalharmos nosso todo de forma integral: corpo/mente/emoções/espírito.
Olhar a vida de forma integral requer uma mudança de valores, pois isso nos traz a
consciência que de que somos todos interligados, o que eu faço ao outro retorna de alguma
forma para mim. E isso não misticismo! É física quântica…Tá, eu sei que a maioria acha
tudo isso bobagem, mas reconhecer a importância de um bom relacionamento é vital para
a nossa natureza humana. Sempre afirmo que um relacionamento ético e afetivo é à base
do equilíbrio para nossa existência, e não apenas um ideal de vida.
Devemos nos espelhar nos grandes filósofos e pensadores, em mestres da humanidade
como Cristo, Buda, Confúcio, e muitos outros que mostraram que a correta relação entre
os seres humanos traz paz e saúde integral para todos – pessoas e o Planeta Terra.
www.pontomarketing.com
9
A insustentabilidade do
consumismo
Falar de sustentabilidade
virou moda. Usar a
sustentabilidade como
bandeira para vender
produtos virou moda, tendose tornado uma estratégia
comum adoptada por muitas
empresas. A sustentabilidade
não pode ser apenas uma
palavra que está na moda,
mas terá de ser, antes de
mais, uma atitude de respeito
pelo ambiente e pelos outros!
O termo sustentabilidade,
ou mais propriamente,
desenvolvimento sustentável,
apareceu em 1987 no
relatório Brundtland (O
Nosso Futuro Comum),
definido assim:
“O desenvolvimento
sustentável é aquele que
procura satisfazer as
necessidades da geração
actual, sem comprometer
a capacidade das gerações
futuras de satisfazerem as
suas próprias necessidades”.
Hoje em dia são inúmeras
as definições. De um
modo geral, todas elas
abarcam três componentes
essenciais: o ambiente, a
sociedade e a economia.
Se o ambiente não for são,
a sociedade não poderá
ser sã, e se a sociedade
não for sã, a economia
também não o poderá ser.
Mas a sustentabilidade
não se pode limitar a uma
definição inter-geracional,
pois há que ter em conta
que também se aplica
intra-geracionalmente:
não é sustentável que
uma parte da população
deste planeta consuma
desenfreadamente,
gastando excessivamente
recursos e produzindo
www.pontomarketing.com
10
demasiado lixo, enquanto
outra parte da população
vive abaixo do limiar
da pobreza, em estado
de fome crónica, vendo
familiares e amigos
sucumbir diariamente
por falta de alimento ou
de condições sanitárias
básicas.
A pegada ecológica
A pegada ecológica,
que exprime a área
da superfície terrestre
produtiva para produzir
os recursos utilizados e
para assimilar os resíduos
gerados por um indivíduo,
uma comunidade, um
país, ou mesmo para a
população mundial, é uma
forma de termos uma ideia
da insustentabilidade da
nossa actuação.
Face á população
existente, a pegada
ecológica média que nos
cabe é de 2,0 hectares
por pessoa; no entanto,
a pegada ecológica média
estimada na terra é de
2,9 hectares por pessoa.
Estamos a usar mais 45%
da superfície da terra e
oceanos para produzir
o que consumimos e
depositar o lixo que
produzimos do que o
que ela pode sustentar.
E a isto acrescem as
disparidades que vão
desde os 12,5 hectares por
pessoa nos EUA (e mais
noutros países) até aos
0,6 hectares por pessoa no
Bangladesh.
Sustentabilidade
depende de nós
Alcançar um mundo
sustentável depende de
todos nós, de estarmos
esclarecidos e de
esclarecermos que o
caminho que a economia
global tem seguido é
errado. O caminho para a
sustentabilidade tem de
passar não só pelo respeito
pelo ambiente e equilíbrio
dos ecossistemas, mas
também pela justiça
social e pela distribuição
equitativa de recursos. Há
que mudar de rumo, e esta
viragem implica uma acção
individual e colectiva na
redução do consumo e na
redução da produção de
resíduos.
Será ético e sustentável
criar falsas necessidades
aos consumidores,
para que eles comprem
cada vez mais coisas,
diminuindo-se o tempo
de vida dos objectos que
são úteis, gastando-se
desnecessariamente mais
recursos e produzindose mais resíduos, quando
na realidade as pessoas
não precisariam de tais
objectos? Fica a pergunta
no ar…
Universidade Lusíada de
Vila Nova de Famalicão.
Já trabalhou como
engenheira química e em
um laboratório de análise
de águas e efluentes
de uma universidade;
Trabalha há 8 anos como
arquiteta numa câmara
municipal, estando
presentemente ligada à
gestão urbanística. Sua
paixão pelas questões
ambientais e sobretudo
pela sustentabilidade
levou-a a criar o blog
Sustentabilidade é Acção
há pouco mais de um ano,
onde, nos tempos livres,
tenta continuar a divulgar
a necessidade de, todos
e cada um, mudarmos
o nosso mundo para um
mundo melhor.
Autora
Manuela Araújo tem
47 anos e é de Vila Nova
de Famalicão, cidade
do norte de Portugal.
Formada em Licenciatura
em Engenharia Química,
na Universidade do Porto;
mestra em Tecnologias do
Ambiente, na Universidade
do Minho; Licenciatura
em Arquitectura, na
www.pontomarketing.com
11
Consumidor não sabe de onde
vem o bife em seu prato
Apesar do cerco ter fechado
nos últimos tempos para os
frigoríficos e supermercados
no quesito informação sobre
a origem da carne que
comercializam, o fato é que
o consumidor ainda não
tem como saber se a carne
que chega ao seu prato está
comprometida com crimes
ambientais, fundiários e
trabalhistas, mesmo que esse
direito esteja assegurado
pela Constituição Federal
e Código de Defesa do
Consumidor.
A realidade é que ainda
são poucos os frigoríficos,
e mesmo supermercados,
realmente dispostos a
dialogar com a sociedade
com transparência. A queixa
recorrente desse setor é
pontuado pelo estigma
de criminalidade que
carrega. Entretanto, não há
demonstração de postura
firme de empresas idôneas
do ramo em relação à
exclusão de fornecedores que
agem de forma ilegal, ou que
não tenham incorporado em
suas práticas aspectos sociais
e ambientais.
Muitos já têm a consciência
de que podem, através
de seu consumo, punir
ou premiar empresas de
acordo com o grau de
responsabilidade social
e ambiental que tem. Mas
o importante exercício
individual da cidadania só
será possível se for amparado
por políticas governamentais
e empresariais que
favoreçam o consumidor a
praticar um consumo justo,
ambiental e socialmente
sustentáveis, por meio do
acesso fácil à informações.
A responsabilidade
é compartilhada por
consumidores, empresas e
governos.
Governos têm o dever de
promover a mudança de
cultura predatória que,
no passado, eles mesmos
estimularam. Têm a
missão de rever a lógica de
concessão de crédito, que
favorece crimes ambientais
e fundiários, em nome do
crescimento econômico.
Precisam ainda fiscalizar as
leis fundiárias, trabalhistas e
ambientais que já vigoram.
Considerando a urgência da
alteração dos padrões de
produção e consumo frente
as mudanças climáticas, a
ausência de um sistema de
rastreamento que garanta a
informação sobre a origem
da carne ao consumidor
brasileiro é inaceitável.
caminhar para mudar
condutas para além da
imposição da lei.
Por meio da Campanha
“Mude o Consumo para
Não Mudar o Clima”
(www.climaeconsumo.org.
br) realizada em conjunto
com o Instituto Vitae
Civilis, o Idec vem buscando
conscientizar o consumidor
para o impacto ambiental
e social de suas escolhas,
sugerir alternativas para
que ele mude seus hábitos
de consumo cotidianos; e
ainda cobrando de empresas
e governos ações efetivas
para o combate às mudanças
climáticas.
Autora
Lisa Gunn é socióloga
graduada pelo Instituto de
Filosofia e Ciências Humanas
da Unicamp e mestre em
ciência ambiental (Procam –
Programa de Pós Graduação
em Ciência Ambiental da
USP), é coordenadora
executiva do Idec. Adriana
G. Charoux Formada em
Comunicação Social pela
FAAP (Fundação Armando
Alvares Penteado) e História
na USP (Universidade de São
Paulo). É autora do livro A
ação social das empresas:
quem ganha com isso?
Editora Peirópolis, 2007.
Empresas, por sua alta
capacidade de operar
mudanças num curto espaço
de tempo, podem e devem
ampliar seu compromisso
social e ambiental, cumprindo
a legislação vigente e
www.pontomarketing.com
12
Sustentabilidade:
necessidade de inovação no
marketing de destinos
Por buscarmos um
maior equilíbrio entre as
necessidades atuais e
futuras mediante o foco de
manter um padrão de vida
socioambiental de certa
forma similar ao que temos
hoje para futuras gerações,
a sustentabilidade tornouse um princípio nortear
importantíssimo para o
marketing de destinos.
Sabemos que os princípios
de marketing desenvolvidos
nas décadas de 60, 70 e
80 continuam válidos até
hoje. Entretanto, devido às
constantes mudanças no
perfil de consumo, da rapidez
e volume de informação
gerada pelas empresas assim
como da super-segmentação
existente no mercado,
atualmente um grande
número de clientes não esta
mais reagindo aos esforços
de marketing que fizeram
tanto sucesso nas décadas
anteriores.
Frente a este cenário,
devemos fomentar a inovação
nas ferramentas, estratégias
e metodologias afim de que
o marketing de destinos
consiga obter resultados
expressivos nas esferas
ambiental, sociocultural e
econômica.
Infelizmente em muitos
casos, os recursos
humanos e financeiros
reservados ao marketing
de destinos são utilizados
prioritariamente para captar
novos turistas. Porém,
esta é uma visão muito
míope por não considerar
os impactos negativos
www.pontomarketing.com
13
normalmente gerados pelo
desenvolvimento turístico.
O marketing de
destinos precisa da
sustentabilidade
Neste contexto, é possível
afirmar que o marketing
de destinos focado na
sustentabilidade deve
principalmente sensibilizar
os atores sociais (turistas,
morados, funcionários e
gestores) envolvidos com
a atividade turística a
respeito das características
socioambientais existentes
no destino.
tal modo que este responda
de maneira direta ao objeto
da sensibilização através das
formas de comportamento
desejadas ou sugeridas pelos
gestores do destino.
Este comportamento do
consumidor turístico é
resultado do processo pelo
qual os indivíduos ou grupos
selecionam, adquirem e usam
produtos, serviço, idéias,
experiências ou do que eles
dispõem para satisfazer suas
necessidades e desejos.
Sustentabilidade e turismo
devem ser parceiros
Com este foco de
sensibilização, haverá uma
grande probabilidade de que
os atores sociais façam um
melhor julgamento e tenham
um maior conhecimento da
região, e conseqüentemente,
poderão criar uma
consciência a respeito da
sustentabilidade do destino.
O grande intuito de formar
consumidores responsáveis
e que valorizem os destinos
turísticos é pela necessidade
de preservar os atrativos
turísticos e o meio ambiente,
reconhecendo que a
capacidade efetiva do destino
mais depende de como as
pessoas usam o destino de
que o número de turístas.
Para que isto ocorra, as
estratégias de marketing
devem ser bastante
persuasivas, ou seja, que
possuam propriedades
capazes de alterar o
funcionamento psicológico
(consciência) do individuo, de
Devemos ter em mente, que
a sensibilização gerada pelo
marketing se converte em
uma grande oportunidade
para os destinos turísticos
brasileiros, pois desta
influenciará o comportamento
futuro dos turistas, que
consequentemente poderão
ter atitudes corretas e
adequadas em relação à
sustentabilidade do destino.
É importante destacar, que
a sensibilização não deve
alcançar somente os turistas,
mas também moradores,
funcionários e gestores
de empresas públicas e
privadas. Desta forma, todos
os atores sociais poderão
contribuir com a preservação
socioambiental, evitando
com isto os abandonos que
normalmente ocorrem em
determinados atrativos
turísticos bem como
fomentando uma maior
valorização dos próprios
recursos naturais e culturais.
Autor
Gustavo da Cruz é
doutor em Turismo e
Sustentabilidade pela ULPGC
(Espanha). Atua na área de
Marketing de Destinos, sendo
professor e coordenador
do Mestrado em Cultura e
Turismo da UESC.
www.pontomarketing.com
14
Quando a sustentabilidade
inviabiliza um negócio
Por mais que a frase soe
estranha, ela é mais comum
do que imaginamos; a
sustentabilidade inviabiliza,
sim, um negócio. Para os
leigos, fica um pouco difícil
de entender, mas a lógica e a
realidade da sustentabilidade
corporativa são muito
diferentes da lógica do
terceiro setor, principalmente
das grandes instituições que,
vira e mexe, aparecem na
televisão em protestos contra
diversas empresas. Elas
estão erradas? Não do ponto
de vista dos seus objetivos.
Acontece que o objetivo das
empresas é bem diferente e
seria uma baita demagogia
falar de sustentabilidade
corporativa sem levar em
conta o aspecto financeiro.
Uma empresa não é uma
organização filantrópica;
o lucro é, querendo ou
não, personagem principal
para ela. Cabe à área de
sustentabilidade ou aos
profissionais responsáveis
pelo processo, que o lucro
não se dê a qualquer custo.
Ser sustentável não sai
barato
A questão é que muitas vezes
a sustentabilidade é um longo
caminho a ser percorrido.
E por mais que deva ser
considerada investimento,
dependendo do negócio, ela
não sai barato. É aí que a sua
prática pode ser inviabilizada.
Pergunto: o que fazer nessas
horas? Fechar as portas,
demitir todos os funcionários
e sumir do mapa? Adotar o
processo e falir por perda de
mercado? Continuar atuando
sem levar em consideração a
sustentabilidade? Em todas
essas hipóteses o resultado
seria ruim. A diferença seria
o tempo que a empresa
duraria.
A principal característica da
sustentabilidade, e um de
seus maiores desafios no
mundo empresarial, é que
a maioria dos resultados
é percebida em longo
prazo. Mas nem por isso as
estratégias têm de deixar
de ser feitas no tempo
presente. Vejamos o exemplo
da então British Petroleum,
que há mais de uma década
percebeu que o negócio não
era exatamente petróleo,
mas sim energia. O que
seria dela daqui a, sei lá,
30 anos, se no passado ela
não mudasse seu escopo de
atuação?
Sustentabilidade é para todas
as empresas?
O tema é mais fácil de
ser entendido e praticado
quando falamos de grandes
empresas. De empresas que
trabalham com planejamento
estratégico para, ao menos,
médio prazo, de empresas
que têm profissionais que
analisam as tendências e
movimentações do mercado
e, principalmente, de
empresas que têm margem
financeira para bancar a
necessidade de mudança. Foi
isso que a BP e muitas outras
fizeram.
fim do empreendimento?
Por mais tenso que possa
parecer, é uma situação
muito comum e na maioria
das vezes os donos optam
por levar a empresa até
quando der. Obviamente não
é o ideal, mas como julgar?
Querendo ou não,
dependendo do caso, a
sustentabilidade encarece
o produto final. E por mais
que o discurso das grandes
empresas e da própria
sociedade seja bonito, a
maioria não está disposta a
pagar mais por isso. Ainda. A
minha sugestão pessoal, que
também está muito longe do
ideal: faça o possível. Faça o
basicão, se for a única coisa
viável. Mas faça. Qualquer
ação de sustentabilidade é
melhor que nada. Agora se a
empresa ainda está no papel,
por favor, que tal procurar
outro segmento para atuar?
Autora
Julianna Antunes é
jornalista (com diploma),
corredora de alto rendimento
físico e baixo rendimento
financeiro (ou seja, só gasto
dinheiro!), pós-graduada
em responsabilidade social
empresarial e terceiro setor,
diretora da Agência de
Sustentabilidade e editora
do blog Sustentabilidade
Corporativa.
Mas, e quando a realidade
é outra? E quando o caso
se trata de uma média ou
pequena empresa onde
qualquer impacto, por menor
que seja, pode significar o
www.pontomarketing.com
15
A Carta da Terra
Uma das principais
características atuais da
comunicação digital é a
ligação que a conectividade
da internet possibilita entre
as pessoas. O contato online
é fundamental em algumas
causas para que ações no
mundo offline possam ser
efetivas. Um exemplo é
a campanha da Carta da
Terra. Vários voluntários
conseguiram participar
do evento e da campanha
através das informações
postadas na internet.
Portanto, aproveitando as
recentes ações da campanha,
apresento então o projeto
não apenas para mostrar
nosso apoio, mas também
abrir espaço para nossos
leitores saberem mais sobre
o assunto.
O que é A Carta da Terra?
A “Iniciativa da Carta da
Terra” é o nome dado a uma
rede global de extraordinária
diversidade de pessoas,
organizações e instituições
que participam da promoção
e implantação dos valores e
princípios da Carta da Terra.
A Carta da Terra é uma
declaração de 16 princípios
éticos fundamentais para
a construção de uma
sociedade global justa,
sustentável e pacífica. Ela
é estruturada em quatro
grandes tópicos: Respeito e
cuidado pela comunidade da
vida, integridade ecológica,
justiça social e econômica,
democracia, não-violência e
paz.
História
Em 1987 a Comissão das
Nações Unidas para o Meio
Ambiente e Desenvolvimento,
através do documento “Nosso
Futuro Comum”, recomendou
a redação de uma nova carta
sobre o desenvolvimento
sustentável com o objetivo de
ajudar a construir no século
21 uma sociedade global
justa, sustentável e pacífica.
Em 1992, em evento paralelo
da Cúpula da Terra – Eco-92
– realizada no Rio de Janeiro,
foi elaborada a primeira
versão da Carta. Após oito
anos, em um processo
participativo envolvendo
todos os continentes e com a
contribuição de milhares de
pessoas de todas as raças,
credos, idades e profissões,
incluindo especialistas em
ciências, filosofia, ética,
religiões e leis internacionais,
a versão final foi lançada
no Palácio da Paz em Haia
em 29/06/2000. Em 2003
a UNESCO reconheceu a
Carta da Terra como um
instrumento chave para
a educação e cultura, e
a considerou como um
importante marco ético para
a humanidade.
A Campanha
No último dia 22 de abril
a Carta da Terra lançou
mundialmente a sua
campanha nos meios de
comunicação de massa em
prol da conscientização da
necessidade de um mundo
melhor, mais cidadão e
responsável. Na mesma
data, a bandeira da Terra
foi hasteada por crianças
em solenidade no Parque
Ibirapuera em São Paulo.
por voluntários, remete ao
pensamento de Gandhi que
lembra que a mudança que
queremos ver no mundo
começa por cada indivíduo.
O objetivo é fomentar entre
o grande público o conceito
de “Cidadania Terra” onde os
interesses pelo bem comum
do planeta estão acima dos
individuais.
A Carta da Terra se preocupa
com a transição para
maneiras sustentáveis de
vida e desenvolvimento
humano, pode ser
considerada como um
guia. O atual momento
requer mudanças não
apenas na maneira de viver,
mas também em nossos
pensamentos, nos desafiando
a examinar nossos valores e
escolher um melhor caminho
para o nosso futuro. A Carta
da Terra é um instrumento
valioso que nos educa e nos
permite partilhar ideias com
um número crescente de
pessoas por todo o mundo.
Portanto, deve ser levado em
consideração e ter um espaço
de dedicação em nossas
vidas.
Autora
Camila Carrano é
atualmente editora e
colaboradora do blog Mídia
Boom; colunista semanal
do blog Ponto Marketing;
idealizadora e editora
da Revista A Bordo da
Comunicação e está no
ano de conclusão do curso
de Marketing no UniCeub.
A campanha denominada
“Começa Com Você“,
desenvolvida em São Paulo
www.pontomarketing.com
16
O Luxo se rende ao verde!
Em tempos onde a
sustentabilidade é o
assunto mais comentado,
as grifes de luxo
aproveitaram para se lançar
nesta onda e agregar
valor aos seus negócios e
produtos, mostrando os seus
consumidores uma atitude
mais limpa e consciente.
De uns anos pra cá, a relação
luxo + sustentabilidade tem
ficado mais estreita e forte.
O conceito de luxo vem
se fundindo à necessidade
da preservação do meio
ambiente e com isso as
grifes não se preocupam
apenas em ser a mais cara e
exclusiva, é preciso também
ser “verde”.
O universo da
sustentabilidade abrange
além da evolução no
processo de produção,
um novo estilo de vida:
o de consumidor ativo,
engajado na recuperação
do meio ambiente e que
procura através de seus
atos, trazerem um consumo
consciente para sua vida.
Esse consumidor ajuda a
aumentar a qualidade de
produtos elaborados nas
propostas sustentáveis,
dotados de conteúdo
ecológico e de qualidade
agregada passando a ser
considerados valores de luxo
e exclusividade.
Marcas tornando-se
conscientes
A conscientização ecológica
está ganhando terreno
mundialmente e as grifes
enfrentam um dos seus
maiores desafios: descobrir
como operar de maneira
sustentável sem reduzir em
muito a sensação de luxo.
Algumas marcas já se
mostram engajados nos
problemas ambientais
e diversos exemplos se
colocam como opção
mercadológica. Batizadas
de ecofriendly, referemse às novas tendências que
surgem com a temática da
sustentabilidade.
A primeira a aderir ao
“ecoluxo” foi a LVMH que
adquiriu participação de 50%
na grife Edum, marca criada
por Bono Vox, vocalista do
U2, que só utiliza algodão
cultivado por pequenos
produtores da África,
garantindo retorno social a
essas comunidades. Temos
exemplos brasileiros como à
marca Osklen, pioneira em
desenvolver artigos de luxo
com forte apelo sustentável.
A Osklen aderiu ao couro
de látex natural, advindo da
Amazônia e que beneficia
centenas de famílias que
sobrevivem da extração
controlada de látex.
O momento parece propício
para os novos pensamentos
e atitudes, o componente
simbólico é determinante
na escolha dos produtos,
é por esse caminho que
se desenvolvem as novas
configurações do luxo,
tornando um diferencial
para aquelas grifes que já
perceberam os novos valores
presentes nos dias de hoje
e na crescente preocupação
ambiental por parte da
sociedade.
e da consciência sócioambiental se tornou uma
estratégia de marketing
muito atraente para as
marcas do segmento de
luxo. Inclusive na maneira de
mostrar o luxo, que vai além
da ostentação e da riqueza
material, mostram um valor
procurado pelo consumidor
na hora da escolha da marca
com o conceito que mais o
atrai. Conscientizando com o
luxo a sociedade através da
emoção e democratização.
Autor
Caio Ribeiro é formado
em Marketing, Atua
como Consultor de
mídia e marketing de
luxo. Editor do blog
Marketingnaweb, direcionado
ao mercado de luxo.
Levantar a bandeira do
ecologicamente correto
www.pontomarketing.com
17
A busca constante
por um Brasil melhor
na Fundação EspaçoEco,
instituição criada para tratar
de assuntos sustentáveis e
local onde diversos jornalistas
puderam aprender a
importância do uso adequado
de utensílios do dia-a-dia
e até medir, por meio de
pequenas atitudes, o quão
sustentável uma empresa
pode ser.
Cada vez mais nosso mundo
está precisando de pessoas e
entidades que levem a sério
o tema sustentabilidade.
Grandes empresas e
instituições tentam se
adequar a essa nova fase.
Felizmente, muitas dessas
têm noção do seu peso nessa
área e estão implantando
ou apoiando projetos que
promovam o bem comum.
É preciso que todos pensem
na situação em que estamos
vivendo para que se crie
uma consciência geral de
que não há mais como adiar
a mudança de atitudes em
relação ao meio ambiente.
Afinal, o que ficará como
legado dos dias de hoje para
nossos descendentes? Falta
de água potável, condições
ambientais insuportáveis e
resíduos de todos os tipos
abandonados em cidades
super povoadas?
Para reverter esta visão de
caos, inicia-se a partir do
conceito de sustentabilidade
a conscientização relacionada
com a continuidade dos
aspectos econômicos, sociais,
culturais e ambientais da
sociedade humana.
De uma forma simples, é
garantir a sustentabilidade
de um projeto ou de
uma determinada região,
possibilitando que essa área
continue a prover recursos
e bem estar econômico e
social para as comunidades
que nela vivem por muitas e
muitas gerações. Mantendo
a força vital e a capacidade
de regenerar-se mesmo
diante da ação contínua e
da presença atuante da mão
humana.
Conscientização
Empresarial
O que ainda faz com que
tenhamos esperança nessa
mudança ambiental são
empresas sérias e que
realmente cumprem o
que dizem. Nesse sentido,
fazemos questão de citar
a empresa BASF que nos
convidou para um workshop
de sustentabilidade realizado
Pudemos também publicar
uma matéria da PHILIPS,
que provou trabalhar
fortemente para reduzir
seus impactos na natureza
por meio de produtos que
buscam reduzir o consumo
de energia: eles possuem
a GreenFlagship que
mostra que algumas dessas
fabricações fazem parte de
uma família que segue os
critérios de EcoDesign.
É como um atestado de
que a mercadoria cumpre
com sua responsabilidade
pela preservação do meio
ambiente, após passar por
procedimentos de verificação.
Esses são apenas alguns
exemplos de empresas sérias
que fazem de fato ações
responsáveis.
A notícia nem sempre é
positiva
Infelizmente, nem tudo
que é dito e publicado está
realmente acontecendo.
Decidimos dividir com
vocês, público interessado,
um pouco do que acontece
nesta área do “Marketing
Verde”. Imagine uma
empresa de grande porte,
multinacional, que divulga
dados e informações não
www.pontomarketing.com
18
comprovadas na prática,
ou seja, dizem fazer algo
a respeito da redução de
impactos ambientais mas,
diversas vezes, encontramos
empecilhos pela busca
da verdade – como a
dificuldades que nos impõe
para visitarmos os locais
onde os projetos estão
instalados, por exemplo.
Entendemos que não é
fácil mudar estratégias
de fabricação de uma
empresa com dimensões
imensuráveis, mas também
compreendemos que a
falta de rigor de divulgação
de dados é prejudicial a
toda a cadeia, afetando
quem de fato faz. Por isso
deixamos nosso alerta aos
consumidores: antes de
acreditar em informações
institucionais, pesquise
profundamente projetos
divulgados nos sites dessas
empresas.
O público consumidor é um
aliado indispensável nessa
luta e está começando a
se conscientizar mais a
respeito da situação de risco
do planeta, procurando
produtos que possam ter um
encaminhamento adequado
pós-uso e um baixo consumo
de energia durante seu
tempo de vida. Esse é mais
um fator que tem feito
com que grandes empresas
mudem seus estilos de
produção: elas não podem
mais deixar de olhar para
as localidades onde estão
inseridas.
Nosso Portal e nossos
objetivos
O Portal Inclusão
Brasil busca conhecer
pessoalmente os projetos de
sustentabilidade realizados
por tais organizações para
que assim possamos divulgálos de forma responsável,
nossa intenção é mostrar
o que e quem está fazendo
ações responsáveis,
divulgar seus resultados e,
principalmente, oferecer
às demais empresas a
possibilidade de aderir a
outras iniciativas, criando
essa oportunidade de sinergia
entre elas.
Afinal, muitos projetos
são implantados de forma
parecida, ou até mesmo
ações que necessitem
do complemento de
outros, trabalhando em
parceria as ações podem
ser potencializadas mais
facilmente.
Giovanna Penteado
Sayeg atualmente está
se especializando em
Comunicação Social com
habilitação em Jornalismo
na Universidade Anhembi
Morumbi. É responsável pelo
desenvolvimento e conteúdos
do portal Inclusão Brasil,
além de criar estratégias de
marketing e negócios nas
comunidades da web com
o objetivo de estreitar o
relacionamento das empresas
com seu público por meio da
Criax Redes Sociais.
www.inclusaobrasil.com.br
Esse é o desafio: unir
esforços e ampliar a atuação
da iniciativa privada no
setor social, tornandose parte integrante
da política brasileira
de desenvolvimento
sustentável.
Acreditamos que pode
haver mudanças definitivas.
Acreditamos também
que trabalhando juntos
podemos ter um crescimento
sustentável e precisamos
saber que a responsabilidade
não é do outro, e sim, nossa.
Faça sua parte!
Autores
Fabio Stefanini Jor é
graduado em Comunicação
Social pela Fundação
Armando Álvares Penteado
e especialista em desenho
publicitário pela Escola
Panamericana de Arte. Vem
atuando na área desde 1989,
tendo passado por grandes
agências de publicidade,
produtoras de multimídia,
televisão e editora. É Diretor
do Portal Inclusão Brasil.
www.pontomarketing.com
19
O papel social da Sustentabilidade
nas organizações
A abordagem ambiental
presente nas atividades
empresariais deixou de
figurar como elemento
diferencial de mercado
e passou a ser encarada
como filosofia de trabalho e
sobrevivência organizacional,
para algumas empresas.
O pensamento sustentável
precisa ir além do “pensar”.
É necessário por em prática,
manter o sistema e ir além
dos limites da organização.
Tão importante quanto a
implantação e manutenção
de um sistema de ações
sustentáveis é sua
propagação para a sociedade.
O modelo de sustentabilidade
ideal não pode ser limitado
por muros ou paredes. Deve
se expandir e levar o conceito
proposto na organização para
o meio em que a mesma está
inserida.
empresa para o meio social
não é tarefa fácil, e uma peça
essencial neste processo é
seu colaborador. Ele será
o agente multiplicador das
ações sustentáveis que a
organização desenvolve,
levando as boas práticas
para dentro de sua casa,
familiares, amigos, que
repassarão os conhecimentos
para outras pessoas.
Ser sustentável dentro dos
limites da empresa é limitar
a manutenção de um mundo
melhor, e para melhorá-lo é
preciso melhorar as pessoas
que nele habitam e que de
dele precisam, mas acabam o
degradando. Tão importante
quanto ter seu pensamento
sustentável é levá-lo ao
maior número de pessoas.
Pensar no mundo que
deixaremos para as próximas
gerações é importante, mas
é preciso antes pensar que
pessoas que deixaremos para
o mundo no futuro, sem isso
o futuro pode não chegar.
Autor
Bruno Mendes é
Administrador de Empresas
pela Faculdade de Alagoas,
pós graduando em Gestão
Estratégica de Empresas
e Marketing pelo Centro
de Ensinos Superiores de
Maceió - CESMAC. Amante
de corridas de rua e do
fascinante mundo que nos
une: a Internet.
Sustentabilidade é
um conjunto de ações
integradas
É importante ter a
consciência que uma
organização é apenas um
núcleo de um ambiente
complexo e enorme. Ser uma
ilha de sustentabilidade em
meio às ações degradantes
das pessoas que a cercam
não faz parte de um modelo
sustentável consciente. Não
adianta ser um exemplo de
sustentabilidade dentro da
empresa e ao sair fechar os
olhos para a degradação do
homem ao meio ambiente.
O processo de ampliação da
abrangência do sistema de
gestão sustentável de uma
www.pontomarketing.com
20
Boas sementes em terra fértil
Viajei esta semana no
ônibus com cinco meninas
na faixa dos 8 a 10 anos.
Estavam vestidas a caráter,
pois vinham do ballet.
Conversavam alegremente,
riam e emanavam aquela
energia gostosa que só as
crianças têm. Mais pareciam
bailarinas de Degas.
Fiquei a observá-las
curiosamente, ora lembrando
minha própria infância,
quando minha mãe sonhava
que eu também me tornasse
uma linda bailarina, ora
pensando em como seria
bom se, no mundo, todas as
crianças tivessem a mesma
chance: aprender uma arte.
Assim como eu não tive,
milhares pelo mundo a
fora também não têm esta
oportunidade. Muitas não
têm sequer uma refeição por
dia. Outras se perdem em
tenra idade e não chegam a
completar uma década, como
aquelas alegres dançantes.
Diante daquela cena, me
peguei a pensar em algo que
sempre me volta à mente.
É um tema recorrente e
uma pergunta: o que temos
feito pelas nossas crianças?
Vivemos em um mundo tão
conturbado, tão violento, tão
cheio de desigualdades, com
tantos desequilíbrios, uns
com tanto, outros sem nada,
que fico a pensar no que
posso fazer dentro da minha
esfera de ação para dar um
mínimo de contribuição que
seja pelo meu planeta. E
só me vem à cabeça uma
palavra: crianças.
A tão falada sustentabilidade
não se resume a gestos
corajosos de ONGs que lutam
pela natureza. Também não
é apenas evitar os saquinhos
plásticos no supermercado.
Pra mim, ser sustentável é
ter atitudes que valorizem
a vida e, sobretudo, o
SER HUMANO. Pois um
mundo com pessoas “nãosustentáveis”, não poderá ser
sustentável e muito menos
sobreviver. E onde tudo isso
começa? É lá, na infância.
Penso: como posso ajudar
uma criança a ser uma
pessoa melhor? Como esta
criança pode crescer e se
tornar uma Pessoa, no
melhor sentido do termo?
Como posso contribuir para
que as crianças adquiram
consciência ecológica, de
cidadania? E por ecológico
não entendo apenas o que
diga respeito à natureza. Pra
mim, o mais relevante é a
ecologia humana, é gerar a
nutrição de nossas crianças
com afeto, com auto-estima,
com oportunidades, com
educação de qualidade, com
valores éticos e humanos,
para que se tornem o melhor
que puderem ser, para
que vivam suas vocações,
respeitando os talentos, os
limites, as capacidades de
cada um. Respeito: taí, essa
palavra combina muito com
sustentabilidade.
Sou uma sonhadora e
quero fazer mais. Quero
fazer pelas crianças, pois
elas saberão levar adiante
novos ideais. Estão livres
dos ranços passados, são
espontâneas e criativas, até
que as aprisionemos em
padrões atrasados e egoístas.
São como uma terra fértil e
adubada, à espera de nossas
boas sementes. Plantemos,
então.
Autora
Shirley Guimarães
de Mello é Redatora,
Webwriter, Arteterapeuta,
apaixonada por criatividade,
sustentabilidade,
voluntariado, arte,
crianças, histórias e o que a
imaginação permitir.
www.pontomarketing.com
21
Download

Revista - Ponto Marketing