Expediente Diretor Geral Gabriel Galvão [email protected] [email protected] Edição e Diagramação Camila Carrano [email protected] As opiniões reunidas nesta publicação não representam necessariamente o ponto de vista dos organizadores deste projeto. A revista está disponível para download em www.pontomarketing.com Colaboradores Bruno Mendes (http://promoverpropaganda.wordpress.com/) Murilo Lima (www.lisosapiens.blogspot.com) Camila Barros (http://milagtbarros.blogspot.com/) Nathália Machado (@nathaliarpbh) Apoiadores Agência de Sustentabilidade (http://www.agenciadesustentabilidade.com.br/) Inclusão Brasil (http://www.inclusaobrasil.com.br/) Portal da Sustentabilidade (http://www.sustentabilidade.org.br/) Sustentabilidade é Acção (http://sustentabilidadenaoepalavraeaccao.blogspot. com/) Patrocinadores Cempre (http://www.cempre.org.br/) Idec (http://www.idec.org.br/) Meu Mundo Sustentável (http://lojavirtual.meumundosustentavel.com/ecommerce_site/index.php?zt=1&cdg=5346) Qualitymark (http://www.qualitymark.com.br/) www.pontomarketing.com Índice Sustentabilidade: um conceito que assusta alguns 04 Entrevista: Isa Magalhães 05 A insustentabilidade do consumismo 10 Consumidor não sabe de onde vem o bife em seu prato 12 Sustentabilidade: necessidade de inovação no marketing de destinos 13 Quando a sustentabilidade inviabiliza um negócio 15 A Carta Terra 16 O luxo se rende ao verde 17 A busca constante por um Brasil melhor 18 O papel social da Sustentabilidade nas organizações 20 Boas sementes em terra fértil 21 Sustentabilidade: um conceito que assusta alguns Sustentabilidade é uma palavra que você já deve ter ouvido. Sustentabilidade também é um conceito que provavelmente você deve ter alguma ideia do que seja. Acontece que algumas pessoas encaram a sustentabilidade como algo nocivo ao planeta e à sociedade por pura ignorância e falta de interesse em pesquisar sobre seu significado. Na verdade, tudo que é ligado ao conceito sustentável é justamente para tornar o mundo um lugar melhor. Parece que essas pessoas estão torcendo para que o planeta se acabe logo. Das duas, uma: ou são da tropa dos cavaleiros do apocalipse ou discípulos de Hitler. e se fazer de idiota é a atitude mais burra que existe. ser. Ela é apolítica e se importa com a sociedade e sua manutenção. O que é sustentabilidade? O que fazer pela sustentabilidade? Justamente para O Portal da responder essa Sustentabilidade pergunta foi que explica bem o conceito: criamos a Semana da Sustentabilidade. Apesar Propõe-se a ser um de eu estar engajado meio de configurar a em diversos projetos civilização e atividade diferentes, tive de humanas, de tal forma passar esse à frente que a sociedade, os de todos os outros seus membros e as pela sua importância. suas economias possam Assim, além de mim, preencher as suas estão inclusos nesse necessidades e expressar projeto os colaboradores o seu maior potencial no Bruno Mendes, Camila presente, e ao mesmo Carrano e Murilo tempo preservar a Lima, além da Nathália biodiversidade e os Ferreira e da Camila ecossistemas naturais, Barros. Todo mundo se Fugindo da planejando e agindo juntou para conseguir sustentabilidade como de forma a atingir prócontatos e informações o diabo foge da cruz eficiência na manutenção para a primeira indefinida desses ideais. Já disse várias vezes, semana temática mas nunca me canso do blog. Esperamos de repetir: quase todas Considerando que a que a semente da as pessoas transferem sustentabilidade propõe sustentabilidade seja para os outros a a continuidade do plantada na consciência responsabilidade de cuidar planeta Terra e da raça das pessoas e que do mundo. Sempre dizem humana, sem qualquer passem a ser mais que é culpa do próximo tipo de distinção, sensíveis para o que quando na verdade a culpa inclusive a política, acontece no nosso único é de todos, tanto de quem ela não é uma atitude planeta. está no poder quanto de comunista, neoliberalista quem está longe dele. Se ou anarquista, como estamos todos no mesmo alguns pseudoplaneta, então a culpa é intelectuais julgam nossa e fugir do assunto www.pontomarketing.com 4 Entrevista: Isa Magalhães, autora de Sustentabilidade nos Negócios Como dito no artigo anterior, sustentabilidade assusta algumas pessoas pelo fato de não saberem exatamente do que se trata. Então, nada melhor que ir atrás de fontes confiáveis sobre o tema. O livro Sustentabilidade nos Negócios é uma forma de adquirir valiosas informações sobre o que é e como aplicar a sustentabilidade dentro das organizações. Entrevistamos a autora do livro, Isa Magalhães, profissional de RH formada em História, Psicologia Transpessoal e Coach, sobre esse tão simples, importante e ao mesmo tempo polêmico tema. Isa Magalhães é formada em História, Psicologia Transpessoal e Coach pela Integrated Coaching Institute, com pós-graduação em Gestão de Pessoas pela FIA/ USP. É Psicoterapeuta, Coach, Palestrante e Consultora em Desenvolvimento de Pessoas, com foco em treinamentos comportamentais nas áreas de Autoconhecimento, Relacionamento Interpessoal, Criatividade, Negociação, Liderança e Motivação. Desenvolve projetos em RH Estratégico e Qualidade de Vida no Trabalho com a visão biopsicossocial nas organizações, tendo entre seus clientes grandes empresas como os Correios, Oi, SEBRAE, Petrobras, Porto Seguro, Avon, entre outras. Autora dos livros “Psiu, O Síndico Pode Estar Ouvindo” (contos) e “Manual de Sobrevivência ao Medo” (Ed. Universalista), “Gestão Holística de Pessoas – Qualidade de Vida e Bem-Estar no Trabalho” (Ed. Flora Nativa). O que é sustentabilidade, em seu conceito geral? Em primeiro lugar, o meu olá para os leitores desse site. O termo sustentabilidade, uma palavrinha meio na moda, tem um conceito muito maior que imaginamos, nesses tempos de aquecimento global, muitas crises econômicas e sociais. Há quase 20 anos, a ONU afirmou que desenvolvimento sustentável “é o atendimento das necessidades das gerações atuais, sem comprometer a possibilidade de satisfação das necessidades das gerações futuras“. O termo, que para muitos se refere apenas à gestão ambiental nas grandes empresas, tomou outras proporções ao também indicar uma gestão responsável não apenas com o meio ambiente, mas com as pessoas e tudo que se refere ao social. Mas o termo “sustentabilidade” ganhou uma conotação muito mais holística no século XXI. Um termo que ganhou notoriedade como referência aos projetos ambientais das grandes organizações, quando pressionadas pela sociedade a fazerem uma gestão sustentável sobre seus resíduos de produção, tornou-se muito mais sistêmico e engloba não apenas a ecologia externa, mas também a ecologia interna, seja das pessoas, seja das empresas. www.pontomarketing.com 5 Como aplicar a sustentabilidade nas empresas modernas? A consciência de uma empresa nasce em seus valores, que são os sustentáculos da cultura organizacional – o estilo de comunicação, os tipos de pessoas que recrutará e o padrão de liderança dos gestores. Por isso, para trabalharmos com o conceito de sustentabilidade primeiro temos que trabalhar com a cultura da empresa, seus valores, missão, visão. No meu livro, eu falo do uso dos valores humanos para a construção de uma empresa mais solidária e consciente, que poderá ajudar a tornar a vida melhor na sociedade em que vivemos. Nisso, o termo sustentabilidade passa a representar não apenas um modelo de gestão ecológica do meio ambiente, mas um modelo de gestão da ecologia interna que norteia as políticas de gestão de pessoas e suas estratégias de negócios. Existe um valor humano que considero ideal para a prática da gestão sustentável, que é a boa vontade. Este valor é uma das bases da mudança comportamental que devemos alcançar para termos sustentabilidades nas ações futuras. Boa vontade significa uma atitude de cooperação que transforma o amor em ação concreta. A boa vontade estimula a justiça e a honestidade nas pessoas, por isso é considerado um dos valores mais importantes para sociedade humana contemporânea. Sabemos que a liderança tem um papel fundamental no processo de conscientização para a sustentabilidade. Como os líderes das organizações que desejam aderir à sustentabilidade podem mobilizar os demais colaboradores para participar do processo? Primeiramente, os líderes deve se conscientizar da importância de uma gestão de pessoas sustentável, porque fazemos negócios com pessoas e para pessoas. Assim, a educação interna para uma mudança de valores é o princípio. Mesmo porque a visão sustentável não é uma técnica, é uma consciência. Segundo, para uma organização sobreviver e se desenvolver necessita de inovações constantes para se revitalizar. O processo de revitalização acontece quando trabalhamos regularmente a cultura organizacional. Podemos revitalizar uma empresa mexendo em seus valores, alterando sua cultura. E como já disse antes, isso não é fácil porque sugere uma mudança de consciência. E todos nós sabemos da grande resistência para mudarmos. No entanto, valores como respeito ao próximo, compaixão, solidariedade, simplicidade, amor e tantos outros importantes para a boa convivência humana são fundamentais para a saúde biopsicossocial da empresa. Os líderes devem ser treinados para usar esses valores. Qual o papel da comunicação nesse processo? Nossa sociedade atual é baseada na informação, na comunicação de ideias. Mas informação não é formação. Dessa maneira, acho que a comunicação tem um grande desafio que é encontrar um modelo de informação mais substancial em tempos de urgências, onde as pessoas não mais leem, e querem tudo muito rápido. Conscientizar as pessoas sobre a necessidade de um novo modelo econômico, social e ambiental que traga sustentação aos recursos naturais globais e qualidade de vida para todos no planeta é fundamental. Todo mundo sabe o quanto o modelo de produção das grandes empresas estão sendo questionado nos últimos anos em termo de “ecoeficiência”. Ou seja, a preocupação com questões como a emissão de menos poluentes, a redução da produção de lixo industrial, menos gasto de energia entre outras, são discutidas em busca de soluções urgentes para a poluição que está ameaçando o planeta e as futuras gerações. A comunicação, seja em veículos da mídia ou internamente na empresa, é uma das principais ferramentas de conscientização das pessoas neste século, sobre todos estes assuntos. www.pontomarketing.com 6 Você considera que as organizações de hoje estão verdadeiramente voltadas para a importância da sustentabilidade, como diferencial no mercado? Não. A maioria das empresas ainda não adotou verdadeiras práticas sustentáveis. Os projetos nessa área ainda são muito tímidos diante da urgência em nos encontramos. A maioria adota práticas superficiais, projetos para venderem sua imagem a sociedade. Existe muito mais propaganda do que verdade nos projetos que conheço. Claro que existem empresas conscientes e preocupadas com o meio ambiente, as pessoas a sua comunidade. Mas infelizmente ainda são poucas… Acredito que ainda não existe a verdadeira consciência por parte das empresas por falta de uma mudança na mentalidade dos lideres em relação aos negócios. A urgência dos resultados financeiros, dos lucros, ainda impera. Mas agora não se trata mais de “marketing”, se trata de sobrevivência mesmo! Sobrevivência não apenas do planeta, mas dos negócios, afinal os consumidores estão cada vez mais antenados e exigentes quanto à responsabilidade das empresas em sua comunidade e com o meio ambiente. E em nossa sociedade da informação, ninguém esconde mais nada. Assim, atenção senhores gestores, sejam verdadeiros em seus discursos. O cliente não perdoa ser enganado! Diante da grande demanda do mercado por empresas cada vez mais voltadas para práticas sustentáveis, o que as ações sustentáveis podem representar no resultado final das empresas? Os resultados para uma empresa que tem uma visão sustentável são enormes! Creio que a prática sustentável já é um modo de vida ainda não totalmente vivenciado por todos, mas a velocidade e a intensidade das mudanças ocorridas nos últimos anos são surpreendentes. Assim, embora as ações sustentáveis da maioria das empresas ainda sejam tímidas, elas estão procurando se adaptar ao mundo dos negócios globalizados e ecologicamente corretos, um cenário que exige uma visão competitiva aliada a um comportamento cooperativo. Essa realidade mostra a necessidade das empresas buscarem formas criativas e alternativas de negociação para obterem lucratividade. Práticas de negociações ilícitas como as que detonaram a recente crise no mercado americano que varreu o globo não serão mais aceitas. Por isso que já se fala muito em mudanças radicais no modelo econômico vigente. Fazendo um comparativo com as organizações de países desenvolvidos, o Marketing Sócio Ambiental no Brasil, apresenta características agregadoras, independente da demanda do mercado, ou ainda é visto como ação corretiva para a ampliação de mercado das empresas? O Brasil tem uma cultura agregadora. O pensamento de sustentabilidade nos negócios visa aliar o lucro com a responsabilidade social e ambiental. E para isso a atenção aos recursos humanos e naturais como forma de gerar lucro é o desafio das empresas que buscam prosperar, construir uma boa imagem para os seus clientes e sem deixar de ser responsável pelo futuro das próximas gerações. A questão agora é uma mudança verdadeira de consciência por parte das empresas, que no século passado foram mestras na produção de bens diversificados e criaram o marketing para incorporar fatores como preço, qualidade, serviços e inovação tecnológica ao consumidor, numa corrida maluca para ganhar o cliente. Essa mentalidade fortaleceu a cultura da competição extremamente agressiva e predatória, onde todos os valores morais foram postos em cheque, principalmente com o cuidado no trato com a vida, com as pessoas, com o planeta. A competição, centrada na lógica financeira de lucros crescentes, negou totalmente as conseqüências negativas para o meio ambiente, e conseqüentemente, a vida como um todo. www.pontomarketing.com 7 No livro você fala sobre a “desmassificação da produção de consumo”. O que isso significa e qual a influência da sustentabilidade nisso? A transformação da mentalidade consumista de nossa sociedade é fundamental para colocarmos novamente a vida no centro de tudo. E isso é um paradoxo complexo, porque a nossa economia capitalista sobrevive do consumo, e o que acontecerá com ela se pararmos de consumir? Essa pergunta é também tem uma resposta complexa. Acho que tem haver com a busca por um consumo com qualidade e não mais por quantidade. Desmassificar é uma nova consciência de um consumo menos predatório. A solução é a mudança de valores gananciosos e totalmente voltados para o “ter mais dinheiro do que podemos gastar”. No livro eu falo sobre o lucro acumulado pelas grandes empresas, que é exagerado e mal distribuído, fazendo do mundo um lugar desigual, uns com muitos outros com tão pouco. Dessa forma, fazer uma empresa prosperar não é torná-la a mais rica, isso não passa de uma crença de que “quanto mais dinheiro tenho mais forte serei”. A última crise econômica mundial provou que isso não verdadeiro, afinal, as primeiras empresas a afundarem eram aparentemente ricas e sólidas! Acredito que desmassificar o consumo é a busca por algo mais intangível que os produtos comprados, como os valores humanos, o bem-estar social e a preservação do meio-ambiente.mo! Sobrevivência não apenas do planeta, mas dos negócios, afinal os consumidores estão cada vez mais antenados e exigentes quanto à responsabilidade das empresas em sua comunidade e com o meio ambiente. E em nossa sociedade da informação, ninguém esconde mais nada. Assim, atenção senhores gestores, sejam verdadeiros em seus discursos. O cliente não perdoa ser enganado! Geralmente vemos a aplicação de ações sustentáveis no ambiente externo à empresa. E quanto ao ambiente interno, como a sustentabilidade pode ser aplicada? O problema é que alguns empresários ainda fazem confusão com essa denominação. Eles acham que o termo sustentabilidade designa algo estanque, individualizado, do tipo: sustentabilidade econômica é gerar lucros, sustentabilidade ambiental é proteger o meio ambiente ou a sustentabilidade social é melhorar a vida das pessoas. Falta-lhes uma visão sistêmica. De um modo geral podemos dizer que só é sustentável aquilo que se desenvolve continua e sistemicamente. Por isso, uma gestão sistêmica é à base da Sustentabilidade Corporativa, uma vez que engloba vários aspectos do modelo de negócio a ser adotado. Esses aspectos vão do econômico ao social, do humano ao ambiental. É uma gestão totalmente integrada, onde às praticas da empresa compactuam com o planejamento estratégico, integrando objetivos, forma de produção, características dos produtos e relacionamento com todos os seus stakeholders. www.pontomarketing.com 8 Que dicas você daria para as pessoas que desejam levar o conceito de sustentabilidade para ser discutido e aplicado nas empresas onde trabalham? No meu livro tem uma passagem onde falo que tudo é uma questão de valores internos e educação para a busca da paz, um sentimento que nos deixa solidários e capazes de usarmos a política de sustentabilidade: “Ao educarmos nossa mente e emoções para a tranquilidade, menos hostilidade, serenidade de espírito, harmonia interior e conciliação, estaremos nos educando para a paz. Esse processo pode começar no que alguns chamam de chamada Pedagogia da Cooperação, uma prática baseada em três movimentos: 1. Convivência: vivenciar o compartilhar é fundamental para a aprendizagem social. É preciso entender o outro para nos reconhecer neste outro. 2. Consciência: ao criarmos um clima de cumplicidade com os outros, podemos refletir sobre a importância da convivência e sobre as possibilidades de modificar nossos comportamentos e relacionamentos. 3. Transcendência: a disposição para dialogar, decidir em consenso, experimentar as mudanças propostas e integrar nossa vida, provoca as transformações interiores desejadas. Na visão holística da vida, as evoluções ocorrem de dentro para fora, sempre do pequeno para o maior, ou do indivíduo para a sociedade. Assim, o processo de aprendizado de novos valores indispensáveis para um ambiente de cooperação e paz, começa em nós mesmos. Da mesma forma que aprendemos a correr, a andar, falar, escrever, podemos aprender a cooperar. Mas esse aprendizado não é intelectual. Somente praticando a cooperação em diferentes condições, seja pessoal, grupal, social, profissional é que aprenderemos a nos relacionar de forma cooperativa. Essa é a verdadeira revolução no ambiente de trabalho” (passagem do livro). E quais as dicas para que as pessoas apliquem a sustentabilidade em suas vidas particulares? Para temos sustentabilidade na vida, temos que ter ações coerentes com a nossa missão pessoal. Dessa maneira, devemos nos conhecer melhor para alinhar o nosso Sentir, Pensar e Agir. Ou seja, normalmente nós sentimos de uma forma, pensamos de outra e agimos muitas vezes totalmente em desarmonia com o sentir e o pensar. Isso é fundamental para trabalharmos nosso todo de forma integral: corpo/mente/emoções/espírito. Olhar a vida de forma integral requer uma mudança de valores, pois isso nos traz a consciência que de que somos todos interligados, o que eu faço ao outro retorna de alguma forma para mim. E isso não misticismo! É física quântica…Tá, eu sei que a maioria acha tudo isso bobagem, mas reconhecer a importância de um bom relacionamento é vital para a nossa natureza humana. Sempre afirmo que um relacionamento ético e afetivo é à base do equilíbrio para nossa existência, e não apenas um ideal de vida. Devemos nos espelhar nos grandes filósofos e pensadores, em mestres da humanidade como Cristo, Buda, Confúcio, e muitos outros que mostraram que a correta relação entre os seres humanos traz paz e saúde integral para todos – pessoas e o Planeta Terra. www.pontomarketing.com 9 A insustentabilidade do consumismo Falar de sustentabilidade virou moda. Usar a sustentabilidade como bandeira para vender produtos virou moda, tendose tornado uma estratégia comum adoptada por muitas empresas. A sustentabilidade não pode ser apenas uma palavra que está na moda, mas terá de ser, antes de mais, uma atitude de respeito pelo ambiente e pelos outros! O termo sustentabilidade, ou mais propriamente, desenvolvimento sustentável, apareceu em 1987 no relatório Brundtland (O Nosso Futuro Comum), definido assim: “O desenvolvimento sustentável é aquele que procura satisfazer as necessidades da geração actual, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de satisfazerem as suas próprias necessidades”. Hoje em dia são inúmeras as definições. De um modo geral, todas elas abarcam três componentes essenciais: o ambiente, a sociedade e a economia. Se o ambiente não for são, a sociedade não poderá ser sã, e se a sociedade não for sã, a economia também não o poderá ser. Mas a sustentabilidade não se pode limitar a uma definição inter-geracional, pois há que ter em conta que também se aplica intra-geracionalmente: não é sustentável que uma parte da população deste planeta consuma desenfreadamente, gastando excessivamente recursos e produzindo www.pontomarketing.com 10 demasiado lixo, enquanto outra parte da população vive abaixo do limiar da pobreza, em estado de fome crónica, vendo familiares e amigos sucumbir diariamente por falta de alimento ou de condições sanitárias básicas. A pegada ecológica A pegada ecológica, que exprime a área da superfície terrestre produtiva para produzir os recursos utilizados e para assimilar os resíduos gerados por um indivíduo, uma comunidade, um país, ou mesmo para a população mundial, é uma forma de termos uma ideia da insustentabilidade da nossa actuação. Face á população existente, a pegada ecológica média que nos cabe é de 2,0 hectares por pessoa; no entanto, a pegada ecológica média estimada na terra é de 2,9 hectares por pessoa. Estamos a usar mais 45% da superfície da terra e oceanos para produzir o que consumimos e depositar o lixo que produzimos do que o que ela pode sustentar. E a isto acrescem as disparidades que vão desde os 12,5 hectares por pessoa nos EUA (e mais noutros países) até aos 0,6 hectares por pessoa no Bangladesh. Sustentabilidade depende de nós Alcançar um mundo sustentável depende de todos nós, de estarmos esclarecidos e de esclarecermos que o caminho que a economia global tem seguido é errado. O caminho para a sustentabilidade tem de passar não só pelo respeito pelo ambiente e equilíbrio dos ecossistemas, mas também pela justiça social e pela distribuição equitativa de recursos. Há que mudar de rumo, e esta viragem implica uma acção individual e colectiva na redução do consumo e na redução da produção de resíduos. Será ético e sustentável criar falsas necessidades aos consumidores, para que eles comprem cada vez mais coisas, diminuindo-se o tempo de vida dos objectos que são úteis, gastando-se desnecessariamente mais recursos e produzindose mais resíduos, quando na realidade as pessoas não precisariam de tais objectos? Fica a pergunta no ar… Universidade Lusíada de Vila Nova de Famalicão. Já trabalhou como engenheira química e em um laboratório de análise de águas e efluentes de uma universidade; Trabalha há 8 anos como arquiteta numa câmara municipal, estando presentemente ligada à gestão urbanística. Sua paixão pelas questões ambientais e sobretudo pela sustentabilidade levou-a a criar o blog Sustentabilidade é Acção há pouco mais de um ano, onde, nos tempos livres, tenta continuar a divulgar a necessidade de, todos e cada um, mudarmos o nosso mundo para um mundo melhor. Autora Manuela Araújo tem 47 anos e é de Vila Nova de Famalicão, cidade do norte de Portugal. Formada em Licenciatura em Engenharia Química, na Universidade do Porto; mestra em Tecnologias do Ambiente, na Universidade do Minho; Licenciatura em Arquitectura, na www.pontomarketing.com 11 Consumidor não sabe de onde vem o bife em seu prato Apesar do cerco ter fechado nos últimos tempos para os frigoríficos e supermercados no quesito informação sobre a origem da carne que comercializam, o fato é que o consumidor ainda não tem como saber se a carne que chega ao seu prato está comprometida com crimes ambientais, fundiários e trabalhistas, mesmo que esse direito esteja assegurado pela Constituição Federal e Código de Defesa do Consumidor. A realidade é que ainda são poucos os frigoríficos, e mesmo supermercados, realmente dispostos a dialogar com a sociedade com transparência. A queixa recorrente desse setor é pontuado pelo estigma de criminalidade que carrega. Entretanto, não há demonstração de postura firme de empresas idôneas do ramo em relação à exclusão de fornecedores que agem de forma ilegal, ou que não tenham incorporado em suas práticas aspectos sociais e ambientais. Muitos já têm a consciência de que podem, através de seu consumo, punir ou premiar empresas de acordo com o grau de responsabilidade social e ambiental que tem. Mas o importante exercício individual da cidadania só será possível se for amparado por políticas governamentais e empresariais que favoreçam o consumidor a praticar um consumo justo, ambiental e socialmente sustentáveis, por meio do acesso fácil à informações. A responsabilidade é compartilhada por consumidores, empresas e governos. Governos têm o dever de promover a mudança de cultura predatória que, no passado, eles mesmos estimularam. Têm a missão de rever a lógica de concessão de crédito, que favorece crimes ambientais e fundiários, em nome do crescimento econômico. Precisam ainda fiscalizar as leis fundiárias, trabalhistas e ambientais que já vigoram. Considerando a urgência da alteração dos padrões de produção e consumo frente as mudanças climáticas, a ausência de um sistema de rastreamento que garanta a informação sobre a origem da carne ao consumidor brasileiro é inaceitável. caminhar para mudar condutas para além da imposição da lei. Por meio da Campanha “Mude o Consumo para Não Mudar o Clima” (www.climaeconsumo.org. br) realizada em conjunto com o Instituto Vitae Civilis, o Idec vem buscando conscientizar o consumidor para o impacto ambiental e social de suas escolhas, sugerir alternativas para que ele mude seus hábitos de consumo cotidianos; e ainda cobrando de empresas e governos ações efetivas para o combate às mudanças climáticas. Autora Lisa Gunn é socióloga graduada pelo Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp e mestre em ciência ambiental (Procam – Programa de Pós Graduação em Ciência Ambiental da USP), é coordenadora executiva do Idec. Adriana G. Charoux Formada em Comunicação Social pela FAAP (Fundação Armando Alvares Penteado) e História na USP (Universidade de São Paulo). É autora do livro A ação social das empresas: quem ganha com isso? Editora Peirópolis, 2007. Empresas, por sua alta capacidade de operar mudanças num curto espaço de tempo, podem e devem ampliar seu compromisso social e ambiental, cumprindo a legislação vigente e www.pontomarketing.com 12 Sustentabilidade: necessidade de inovação no marketing de destinos Por buscarmos um maior equilíbrio entre as necessidades atuais e futuras mediante o foco de manter um padrão de vida socioambiental de certa forma similar ao que temos hoje para futuras gerações, a sustentabilidade tornouse um princípio nortear importantíssimo para o marketing de destinos. Sabemos que os princípios de marketing desenvolvidos nas décadas de 60, 70 e 80 continuam válidos até hoje. Entretanto, devido às constantes mudanças no perfil de consumo, da rapidez e volume de informação gerada pelas empresas assim como da super-segmentação existente no mercado, atualmente um grande número de clientes não esta mais reagindo aos esforços de marketing que fizeram tanto sucesso nas décadas anteriores. Frente a este cenário, devemos fomentar a inovação nas ferramentas, estratégias e metodologias afim de que o marketing de destinos consiga obter resultados expressivos nas esferas ambiental, sociocultural e econômica. Infelizmente em muitos casos, os recursos humanos e financeiros reservados ao marketing de destinos são utilizados prioritariamente para captar novos turistas. Porém, esta é uma visão muito míope por não considerar os impactos negativos www.pontomarketing.com 13 normalmente gerados pelo desenvolvimento turístico. O marketing de destinos precisa da sustentabilidade Neste contexto, é possível afirmar que o marketing de destinos focado na sustentabilidade deve principalmente sensibilizar os atores sociais (turistas, morados, funcionários e gestores) envolvidos com a atividade turística a respeito das características socioambientais existentes no destino. tal modo que este responda de maneira direta ao objeto da sensibilização através das formas de comportamento desejadas ou sugeridas pelos gestores do destino. Este comportamento do consumidor turístico é resultado do processo pelo qual os indivíduos ou grupos selecionam, adquirem e usam produtos, serviço, idéias, experiências ou do que eles dispõem para satisfazer suas necessidades e desejos. Sustentabilidade e turismo devem ser parceiros Com este foco de sensibilização, haverá uma grande probabilidade de que os atores sociais façam um melhor julgamento e tenham um maior conhecimento da região, e conseqüentemente, poderão criar uma consciência a respeito da sustentabilidade do destino. O grande intuito de formar consumidores responsáveis e que valorizem os destinos turísticos é pela necessidade de preservar os atrativos turísticos e o meio ambiente, reconhecendo que a capacidade efetiva do destino mais depende de como as pessoas usam o destino de que o número de turístas. Para que isto ocorra, as estratégias de marketing devem ser bastante persuasivas, ou seja, que possuam propriedades capazes de alterar o funcionamento psicológico (consciência) do individuo, de Devemos ter em mente, que a sensibilização gerada pelo marketing se converte em uma grande oportunidade para os destinos turísticos brasileiros, pois desta influenciará o comportamento futuro dos turistas, que consequentemente poderão ter atitudes corretas e adequadas em relação à sustentabilidade do destino. É importante destacar, que a sensibilização não deve alcançar somente os turistas, mas também moradores, funcionários e gestores de empresas públicas e privadas. Desta forma, todos os atores sociais poderão contribuir com a preservação socioambiental, evitando com isto os abandonos que normalmente ocorrem em determinados atrativos turísticos bem como fomentando uma maior valorização dos próprios recursos naturais e culturais. Autor Gustavo da Cruz é doutor em Turismo e Sustentabilidade pela ULPGC (Espanha). Atua na área de Marketing de Destinos, sendo professor e coordenador do Mestrado em Cultura e Turismo da UESC. www.pontomarketing.com 14 Quando a sustentabilidade inviabiliza um negócio Por mais que a frase soe estranha, ela é mais comum do que imaginamos; a sustentabilidade inviabiliza, sim, um negócio. Para os leigos, fica um pouco difícil de entender, mas a lógica e a realidade da sustentabilidade corporativa são muito diferentes da lógica do terceiro setor, principalmente das grandes instituições que, vira e mexe, aparecem na televisão em protestos contra diversas empresas. Elas estão erradas? Não do ponto de vista dos seus objetivos. Acontece que o objetivo das empresas é bem diferente e seria uma baita demagogia falar de sustentabilidade corporativa sem levar em conta o aspecto financeiro. Uma empresa não é uma organização filantrópica; o lucro é, querendo ou não, personagem principal para ela. Cabe à área de sustentabilidade ou aos profissionais responsáveis pelo processo, que o lucro não se dê a qualquer custo. Ser sustentável não sai barato A questão é que muitas vezes a sustentabilidade é um longo caminho a ser percorrido. E por mais que deva ser considerada investimento, dependendo do negócio, ela não sai barato. É aí que a sua prática pode ser inviabilizada. Pergunto: o que fazer nessas horas? Fechar as portas, demitir todos os funcionários e sumir do mapa? Adotar o processo e falir por perda de mercado? Continuar atuando sem levar em consideração a sustentabilidade? Em todas essas hipóteses o resultado seria ruim. A diferença seria o tempo que a empresa duraria. A principal característica da sustentabilidade, e um de seus maiores desafios no mundo empresarial, é que a maioria dos resultados é percebida em longo prazo. Mas nem por isso as estratégias têm de deixar de ser feitas no tempo presente. Vejamos o exemplo da então British Petroleum, que há mais de uma década percebeu que o negócio não era exatamente petróleo, mas sim energia. O que seria dela daqui a, sei lá, 30 anos, se no passado ela não mudasse seu escopo de atuação? Sustentabilidade é para todas as empresas? O tema é mais fácil de ser entendido e praticado quando falamos de grandes empresas. De empresas que trabalham com planejamento estratégico para, ao menos, médio prazo, de empresas que têm profissionais que analisam as tendências e movimentações do mercado e, principalmente, de empresas que têm margem financeira para bancar a necessidade de mudança. Foi isso que a BP e muitas outras fizeram. fim do empreendimento? Por mais tenso que possa parecer, é uma situação muito comum e na maioria das vezes os donos optam por levar a empresa até quando der. Obviamente não é o ideal, mas como julgar? Querendo ou não, dependendo do caso, a sustentabilidade encarece o produto final. E por mais que o discurso das grandes empresas e da própria sociedade seja bonito, a maioria não está disposta a pagar mais por isso. Ainda. A minha sugestão pessoal, que também está muito longe do ideal: faça o possível. Faça o basicão, se for a única coisa viável. Mas faça. Qualquer ação de sustentabilidade é melhor que nada. Agora se a empresa ainda está no papel, por favor, que tal procurar outro segmento para atuar? Autora Julianna Antunes é jornalista (com diploma), corredora de alto rendimento físico e baixo rendimento financeiro (ou seja, só gasto dinheiro!), pós-graduada em responsabilidade social empresarial e terceiro setor, diretora da Agência de Sustentabilidade e editora do blog Sustentabilidade Corporativa. Mas, e quando a realidade é outra? E quando o caso se trata de uma média ou pequena empresa onde qualquer impacto, por menor que seja, pode significar o www.pontomarketing.com 15 A Carta da Terra Uma das principais características atuais da comunicação digital é a ligação que a conectividade da internet possibilita entre as pessoas. O contato online é fundamental em algumas causas para que ações no mundo offline possam ser efetivas. Um exemplo é a campanha da Carta da Terra. Vários voluntários conseguiram participar do evento e da campanha através das informações postadas na internet. Portanto, aproveitando as recentes ações da campanha, apresento então o projeto não apenas para mostrar nosso apoio, mas também abrir espaço para nossos leitores saberem mais sobre o assunto. O que é A Carta da Terra? A “Iniciativa da Carta da Terra” é o nome dado a uma rede global de extraordinária diversidade de pessoas, organizações e instituições que participam da promoção e implantação dos valores e princípios da Carta da Terra. A Carta da Terra é uma declaração de 16 princípios éticos fundamentais para a construção de uma sociedade global justa, sustentável e pacífica. Ela é estruturada em quatro grandes tópicos: Respeito e cuidado pela comunidade da vida, integridade ecológica, justiça social e econômica, democracia, não-violência e paz. História Em 1987 a Comissão das Nações Unidas para o Meio Ambiente e Desenvolvimento, através do documento “Nosso Futuro Comum”, recomendou a redação de uma nova carta sobre o desenvolvimento sustentável com o objetivo de ajudar a construir no século 21 uma sociedade global justa, sustentável e pacífica. Em 1992, em evento paralelo da Cúpula da Terra – Eco-92 – realizada no Rio de Janeiro, foi elaborada a primeira versão da Carta. Após oito anos, em um processo participativo envolvendo todos os continentes e com a contribuição de milhares de pessoas de todas as raças, credos, idades e profissões, incluindo especialistas em ciências, filosofia, ética, religiões e leis internacionais, a versão final foi lançada no Palácio da Paz em Haia em 29/06/2000. Em 2003 a UNESCO reconheceu a Carta da Terra como um instrumento chave para a educação e cultura, e a considerou como um importante marco ético para a humanidade. A Campanha No último dia 22 de abril a Carta da Terra lançou mundialmente a sua campanha nos meios de comunicação de massa em prol da conscientização da necessidade de um mundo melhor, mais cidadão e responsável. Na mesma data, a bandeira da Terra foi hasteada por crianças em solenidade no Parque Ibirapuera em São Paulo. por voluntários, remete ao pensamento de Gandhi que lembra que a mudança que queremos ver no mundo começa por cada indivíduo. O objetivo é fomentar entre o grande público o conceito de “Cidadania Terra” onde os interesses pelo bem comum do planeta estão acima dos individuais. A Carta da Terra se preocupa com a transição para maneiras sustentáveis de vida e desenvolvimento humano, pode ser considerada como um guia. O atual momento requer mudanças não apenas na maneira de viver, mas também em nossos pensamentos, nos desafiando a examinar nossos valores e escolher um melhor caminho para o nosso futuro. A Carta da Terra é um instrumento valioso que nos educa e nos permite partilhar ideias com um número crescente de pessoas por todo o mundo. Portanto, deve ser levado em consideração e ter um espaço de dedicação em nossas vidas. Autora Camila Carrano é atualmente editora e colaboradora do blog Mídia Boom; colunista semanal do blog Ponto Marketing; idealizadora e editora da Revista A Bordo da Comunicação e está no ano de conclusão do curso de Marketing no UniCeub. A campanha denominada “Começa Com Você“, desenvolvida em São Paulo www.pontomarketing.com 16 O Luxo se rende ao verde! Em tempos onde a sustentabilidade é o assunto mais comentado, as grifes de luxo aproveitaram para se lançar nesta onda e agregar valor aos seus negócios e produtos, mostrando os seus consumidores uma atitude mais limpa e consciente. De uns anos pra cá, a relação luxo + sustentabilidade tem ficado mais estreita e forte. O conceito de luxo vem se fundindo à necessidade da preservação do meio ambiente e com isso as grifes não se preocupam apenas em ser a mais cara e exclusiva, é preciso também ser “verde”. O universo da sustentabilidade abrange além da evolução no processo de produção, um novo estilo de vida: o de consumidor ativo, engajado na recuperação do meio ambiente e que procura através de seus atos, trazerem um consumo consciente para sua vida. Esse consumidor ajuda a aumentar a qualidade de produtos elaborados nas propostas sustentáveis, dotados de conteúdo ecológico e de qualidade agregada passando a ser considerados valores de luxo e exclusividade. Marcas tornando-se conscientes A conscientização ecológica está ganhando terreno mundialmente e as grifes enfrentam um dos seus maiores desafios: descobrir como operar de maneira sustentável sem reduzir em muito a sensação de luxo. Algumas marcas já se mostram engajados nos problemas ambientais e diversos exemplos se colocam como opção mercadológica. Batizadas de ecofriendly, referemse às novas tendências que surgem com a temática da sustentabilidade. A primeira a aderir ao “ecoluxo” foi a LVMH que adquiriu participação de 50% na grife Edum, marca criada por Bono Vox, vocalista do U2, que só utiliza algodão cultivado por pequenos produtores da África, garantindo retorno social a essas comunidades. Temos exemplos brasileiros como à marca Osklen, pioneira em desenvolver artigos de luxo com forte apelo sustentável. A Osklen aderiu ao couro de látex natural, advindo da Amazônia e que beneficia centenas de famílias que sobrevivem da extração controlada de látex. O momento parece propício para os novos pensamentos e atitudes, o componente simbólico é determinante na escolha dos produtos, é por esse caminho que se desenvolvem as novas configurações do luxo, tornando um diferencial para aquelas grifes que já perceberam os novos valores presentes nos dias de hoje e na crescente preocupação ambiental por parte da sociedade. e da consciência sócioambiental se tornou uma estratégia de marketing muito atraente para as marcas do segmento de luxo. Inclusive na maneira de mostrar o luxo, que vai além da ostentação e da riqueza material, mostram um valor procurado pelo consumidor na hora da escolha da marca com o conceito que mais o atrai. Conscientizando com o luxo a sociedade através da emoção e democratização. Autor Caio Ribeiro é formado em Marketing, Atua como Consultor de mídia e marketing de luxo. Editor do blog Marketingnaweb, direcionado ao mercado de luxo. Levantar a bandeira do ecologicamente correto www.pontomarketing.com 17 A busca constante por um Brasil melhor na Fundação EspaçoEco, instituição criada para tratar de assuntos sustentáveis e local onde diversos jornalistas puderam aprender a importância do uso adequado de utensílios do dia-a-dia e até medir, por meio de pequenas atitudes, o quão sustentável uma empresa pode ser. Cada vez mais nosso mundo está precisando de pessoas e entidades que levem a sério o tema sustentabilidade. Grandes empresas e instituições tentam se adequar a essa nova fase. Felizmente, muitas dessas têm noção do seu peso nessa área e estão implantando ou apoiando projetos que promovam o bem comum. É preciso que todos pensem na situação em que estamos vivendo para que se crie uma consciência geral de que não há mais como adiar a mudança de atitudes em relação ao meio ambiente. Afinal, o que ficará como legado dos dias de hoje para nossos descendentes? Falta de água potável, condições ambientais insuportáveis e resíduos de todos os tipos abandonados em cidades super povoadas? Para reverter esta visão de caos, inicia-se a partir do conceito de sustentabilidade a conscientização relacionada com a continuidade dos aspectos econômicos, sociais, culturais e ambientais da sociedade humana. De uma forma simples, é garantir a sustentabilidade de um projeto ou de uma determinada região, possibilitando que essa área continue a prover recursos e bem estar econômico e social para as comunidades que nela vivem por muitas e muitas gerações. Mantendo a força vital e a capacidade de regenerar-se mesmo diante da ação contínua e da presença atuante da mão humana. Conscientização Empresarial O que ainda faz com que tenhamos esperança nessa mudança ambiental são empresas sérias e que realmente cumprem o que dizem. Nesse sentido, fazemos questão de citar a empresa BASF que nos convidou para um workshop de sustentabilidade realizado Pudemos também publicar uma matéria da PHILIPS, que provou trabalhar fortemente para reduzir seus impactos na natureza por meio de produtos que buscam reduzir o consumo de energia: eles possuem a GreenFlagship que mostra que algumas dessas fabricações fazem parte de uma família que segue os critérios de EcoDesign. É como um atestado de que a mercadoria cumpre com sua responsabilidade pela preservação do meio ambiente, após passar por procedimentos de verificação. Esses são apenas alguns exemplos de empresas sérias que fazem de fato ações responsáveis. A notícia nem sempre é positiva Infelizmente, nem tudo que é dito e publicado está realmente acontecendo. Decidimos dividir com vocês, público interessado, um pouco do que acontece nesta área do “Marketing Verde”. Imagine uma empresa de grande porte, multinacional, que divulga dados e informações não www.pontomarketing.com 18 comprovadas na prática, ou seja, dizem fazer algo a respeito da redução de impactos ambientais mas, diversas vezes, encontramos empecilhos pela busca da verdade – como a dificuldades que nos impõe para visitarmos os locais onde os projetos estão instalados, por exemplo. Entendemos que não é fácil mudar estratégias de fabricação de uma empresa com dimensões imensuráveis, mas também compreendemos que a falta de rigor de divulgação de dados é prejudicial a toda a cadeia, afetando quem de fato faz. Por isso deixamos nosso alerta aos consumidores: antes de acreditar em informações institucionais, pesquise profundamente projetos divulgados nos sites dessas empresas. O público consumidor é um aliado indispensável nessa luta e está começando a se conscientizar mais a respeito da situação de risco do planeta, procurando produtos que possam ter um encaminhamento adequado pós-uso e um baixo consumo de energia durante seu tempo de vida. Esse é mais um fator que tem feito com que grandes empresas mudem seus estilos de produção: elas não podem mais deixar de olhar para as localidades onde estão inseridas. Nosso Portal e nossos objetivos O Portal Inclusão Brasil busca conhecer pessoalmente os projetos de sustentabilidade realizados por tais organizações para que assim possamos divulgálos de forma responsável, nossa intenção é mostrar o que e quem está fazendo ações responsáveis, divulgar seus resultados e, principalmente, oferecer às demais empresas a possibilidade de aderir a outras iniciativas, criando essa oportunidade de sinergia entre elas. Afinal, muitos projetos são implantados de forma parecida, ou até mesmo ações que necessitem do complemento de outros, trabalhando em parceria as ações podem ser potencializadas mais facilmente. Giovanna Penteado Sayeg atualmente está se especializando em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo na Universidade Anhembi Morumbi. É responsável pelo desenvolvimento e conteúdos do portal Inclusão Brasil, além de criar estratégias de marketing e negócios nas comunidades da web com o objetivo de estreitar o relacionamento das empresas com seu público por meio da Criax Redes Sociais. www.inclusaobrasil.com.br Esse é o desafio: unir esforços e ampliar a atuação da iniciativa privada no setor social, tornandose parte integrante da política brasileira de desenvolvimento sustentável. Acreditamos que pode haver mudanças definitivas. Acreditamos também que trabalhando juntos podemos ter um crescimento sustentável e precisamos saber que a responsabilidade não é do outro, e sim, nossa. Faça sua parte! Autores Fabio Stefanini Jor é graduado em Comunicação Social pela Fundação Armando Álvares Penteado e especialista em desenho publicitário pela Escola Panamericana de Arte. Vem atuando na área desde 1989, tendo passado por grandes agências de publicidade, produtoras de multimídia, televisão e editora. É Diretor do Portal Inclusão Brasil. www.pontomarketing.com 19 O papel social da Sustentabilidade nas organizações A abordagem ambiental presente nas atividades empresariais deixou de figurar como elemento diferencial de mercado e passou a ser encarada como filosofia de trabalho e sobrevivência organizacional, para algumas empresas. O pensamento sustentável precisa ir além do “pensar”. É necessário por em prática, manter o sistema e ir além dos limites da organização. Tão importante quanto a implantação e manutenção de um sistema de ações sustentáveis é sua propagação para a sociedade. O modelo de sustentabilidade ideal não pode ser limitado por muros ou paredes. Deve se expandir e levar o conceito proposto na organização para o meio em que a mesma está inserida. empresa para o meio social não é tarefa fácil, e uma peça essencial neste processo é seu colaborador. Ele será o agente multiplicador das ações sustentáveis que a organização desenvolve, levando as boas práticas para dentro de sua casa, familiares, amigos, que repassarão os conhecimentos para outras pessoas. Ser sustentável dentro dos limites da empresa é limitar a manutenção de um mundo melhor, e para melhorá-lo é preciso melhorar as pessoas que nele habitam e que de dele precisam, mas acabam o degradando. Tão importante quanto ter seu pensamento sustentável é levá-lo ao maior número de pessoas. Pensar no mundo que deixaremos para as próximas gerações é importante, mas é preciso antes pensar que pessoas que deixaremos para o mundo no futuro, sem isso o futuro pode não chegar. Autor Bruno Mendes é Administrador de Empresas pela Faculdade de Alagoas, pós graduando em Gestão Estratégica de Empresas e Marketing pelo Centro de Ensinos Superiores de Maceió - CESMAC. Amante de corridas de rua e do fascinante mundo que nos une: a Internet. Sustentabilidade é um conjunto de ações integradas É importante ter a consciência que uma organização é apenas um núcleo de um ambiente complexo e enorme. Ser uma ilha de sustentabilidade em meio às ações degradantes das pessoas que a cercam não faz parte de um modelo sustentável consciente. Não adianta ser um exemplo de sustentabilidade dentro da empresa e ao sair fechar os olhos para a degradação do homem ao meio ambiente. O processo de ampliação da abrangência do sistema de gestão sustentável de uma www.pontomarketing.com 20 Boas sementes em terra fértil Viajei esta semana no ônibus com cinco meninas na faixa dos 8 a 10 anos. Estavam vestidas a caráter, pois vinham do ballet. Conversavam alegremente, riam e emanavam aquela energia gostosa que só as crianças têm. Mais pareciam bailarinas de Degas. Fiquei a observá-las curiosamente, ora lembrando minha própria infância, quando minha mãe sonhava que eu também me tornasse uma linda bailarina, ora pensando em como seria bom se, no mundo, todas as crianças tivessem a mesma chance: aprender uma arte. Assim como eu não tive, milhares pelo mundo a fora também não têm esta oportunidade. Muitas não têm sequer uma refeição por dia. Outras se perdem em tenra idade e não chegam a completar uma década, como aquelas alegres dançantes. Diante daquela cena, me peguei a pensar em algo que sempre me volta à mente. É um tema recorrente e uma pergunta: o que temos feito pelas nossas crianças? Vivemos em um mundo tão conturbado, tão violento, tão cheio de desigualdades, com tantos desequilíbrios, uns com tanto, outros sem nada, que fico a pensar no que posso fazer dentro da minha esfera de ação para dar um mínimo de contribuição que seja pelo meu planeta. E só me vem à cabeça uma palavra: crianças. A tão falada sustentabilidade não se resume a gestos corajosos de ONGs que lutam pela natureza. Também não é apenas evitar os saquinhos plásticos no supermercado. Pra mim, ser sustentável é ter atitudes que valorizem a vida e, sobretudo, o SER HUMANO. Pois um mundo com pessoas “nãosustentáveis”, não poderá ser sustentável e muito menos sobreviver. E onde tudo isso começa? É lá, na infância. Penso: como posso ajudar uma criança a ser uma pessoa melhor? Como esta criança pode crescer e se tornar uma Pessoa, no melhor sentido do termo? Como posso contribuir para que as crianças adquiram consciência ecológica, de cidadania? E por ecológico não entendo apenas o que diga respeito à natureza. Pra mim, o mais relevante é a ecologia humana, é gerar a nutrição de nossas crianças com afeto, com auto-estima, com oportunidades, com educação de qualidade, com valores éticos e humanos, para que se tornem o melhor que puderem ser, para que vivam suas vocações, respeitando os talentos, os limites, as capacidades de cada um. Respeito: taí, essa palavra combina muito com sustentabilidade. Sou uma sonhadora e quero fazer mais. Quero fazer pelas crianças, pois elas saberão levar adiante novos ideais. Estão livres dos ranços passados, são espontâneas e criativas, até que as aprisionemos em padrões atrasados e egoístas. São como uma terra fértil e adubada, à espera de nossas boas sementes. Plantemos, então. Autora Shirley Guimarães de Mello é Redatora, Webwriter, Arteterapeuta, apaixonada por criatividade, sustentabilidade, voluntariado, arte, crianças, histórias e o que a imaginação permitir. www.pontomarketing.com 21