GREVE
Grande quinta-feira de lutas: Paralisação para cobrar compromissos!
Os eletricitários vão parar no próximo dia
16 para cobrar os compromissos do governador Fernando Pimentel com a renovação das
concessões das usinas, com o Acordo Coletivo
Específico da Primarização, com a saúde e segurança e com o pagamento integral do retroativo. Já estamos no segundo semestre do ano.
A direção daCemig tomou posse, nomeou cargos, alterou salários dos diretores, conselheiros
e assessores, fez uma reestruturação que não
entendemos, mas o debate sobre os grandes temas da empresa não está evoluindo.
Ao priorizar as suas reivindicações, a categoria demonstrou maturidade para a luta e confirma o seu compromisso com o futuro da empresa. O governo do Estado já teve tempo de sobra
para implementar as mudanças prometidas,
mas será preciso pressão para que se alinhe aos
objetivos estratégicos contra o sucateamento da
empresa, visando a melhoria dos serviços prestados para garantir a recuperação da estatal.
Esperávamos que este governo quebrasse a ló-
gica de sucateamento que vinha buscando lucro
fácil na Cemig a custa de altas tarifas e que, finalmente, a Cemig retomasse o seu papel social.
A reforma administrativa que os eletricitários
aguardam é aquela que refaz o quadro próprio
para realizar com eficiência a geração, transmissão, distribuição e comercialização de energia,
real motivo da empresa existir.
Esse foi o compromisso fundamental do
novo governo. Só que não colocaram esse plano em atividade e cabe a nós, trabalhadores,
irmos às ruas exigir avanços. Como as ações
em andamento não conseguiram, até agora,
colocar a Cemig no novo tempo, e como o futuro da empresa depende da primarização e da
renovação das usinas, só os trabalhadores podem reverter esse quadro.
De nada adianta constatar que as mudanças
ainda não ocorreram e ficar se lamentando pelos
corredores. A quinta-feira de luta (16) é que vai
provocar essa virada. Converse com seu colega,
vista-se de vermelho e vamos à luta.
Chave Geral - Número 781 - De 14/07/2015 a 20/07/2015 - Página 1
Negociações paralisadas
Na última sexta-feira, 10, o Sindieletro se reuniu com o presidente da Cemig, Mauro Borges, e com o diretor de Gestão Empresarial,
Márcio Serrano, para a entrega do resultado das assembleias. O Sindicato cobrou também respostas para as prioridades apontadas
pela categoria, todas compromissos eleitorais do governador Fernando Pimentel. Entre negativas, itens sem resposta, confirmados e
atropelados, veja como andam as negociações.
X
Pagamento do
retroativo dos 3%
Proposta dos trabalhadores é
iniciar em julho o pagamento em
até 10 parcelas fixas mensais de R$
1.500, com correção monetária, juros de mora, e os reflexos na PLR
e no tíquete. Aposentados devem
receber até dezembro.
Os diretores da empresa alegaram que a Cemig tem problema de
caixa e que o reflexo nos tíquetes
não está previsto no acórdão do
TST. Não se posicionaram sobre as
demais questões.
Primarização
Foi novamente entregue a proposta de Acordo Coletivo Específico (ACE) de Primarização e cobrado o retorno das negociações,
interrompidas pela Cemig, desde
a última reunião, em 28 de abril.
Também foi cobrado o compromisso de contratação imediata de 1.500
eletricistas.
A Comissão do Trabalho, da
Previdência e da Ação Social da
Assembleia Legislativa aprovou, em
audiência pública realizada no dia
1º de julho, a participação de seus
membros na mesa de negociação
para cumprimento dos compro-
V
Técnicos de projeto
Cemig concordou com a primarização da atividade, resgatando o
controle da empresa sobre a gestão dos projetos.
missos contra a terceirização das
atividades-fim.
O presidente Mauro Borges reafirmou o compromisso com a primarização e disse que as negociações serão feitas diretamente com
ele, mas alegou que ainda não tem
uma resposta da casa para a proposta de ACE.
Renovação das
concessões de usinas
O presidente relatou que está
em contato com o governo federal
e com a Aneel para buscar alternativas aos leilões das usinas. Reconheceu que é um compromisso do
governador, mas admitiu que ainda
não há nada de concreto. O Sindieletro solicitou também que nas
usinas da Aliança, onde a Cemig
tem 45% de participação e a Vale
55%, a Cemig GT assuma a operação e manutenção das hidrelétricas.
Saúde e Segurança
O Sindieletro cobrou participação na fiscalização dos contratos com as empresas terceirizadas
e a participação nas Comissões de
Análise de Acidentes com os trabalhadores terceirizados. O presidente disse que irá encaminhar a
reivindicação sobre a participação
nas comissões.
Banco de Oportunidades
Foi implantado pela empresa; no entanto, o Sindieletro cobra o fim da
interferência dos gerentes no processo de mobilidade interna e da impossibilidade de quem está fora da
Cemig acessar o Banco.
X
Mesa temática PCR
Última reunião foi no dia 15/05. Aguardamos
agendamento de nova reunião.
Concurso interno
Cemig ainda não respondeu o ofício do Sindieletro
enviado no dia 8 de junho.
Acesso de dirigentes sindicais à Cemig
As negociações estão paradas, a Cemig não respondeu sobre o acesso dos dirigentes às usinas.
Tíquete alimentação para os terceirizados
Sem resposta da Cemig.
Diagnóstico da Superintendência
de Informática e Telecomunicações – TI
Trabalhadores fizeram várias denúncias e solicitaram parar as terceirizações do setor. No dia 30 de junho, o Sindieletro solicitou agendamento de reunião
conforme acertado com o diretor da DGE, Márcio
Serrano, mas, até hoje a empresa não chamou o Sindieletro para conversar.
Periculosidade para COS/COD (Portaria 1078)
Sem resposta da Cemig.
-
Rede subterrânea
Na reunião que aconteceu na última sexta-feira (10),
Cemig apresentou a proposta para as reivindicações dos
eletricistas da rede subterrânea e enviará o documento
para o Sindieletro. O Sindicato se reunirá com os trabalhadores da RDS para avaliar a proposta da empresa.
Comitê de Mulheres da Cemig
A Circular DRP-H 53/2015, de 3 de julho
oficializou o Comitê Cemig Mulher, sem a discutir as
propostas apresentadas pelo Sindieletro.
V Negociações bem sucedidas
X Negociações paralisadas
-
Atropelo da Cemig
Negociações com pendências
CONTRA A ENRO
Chave Geral - Número 781 - De 14/07/2015 a 20/07/2015 - Página 2
Eletricitários cobram PLR linear
Nos últimos anos, distribuição da PLR
quase dobra a diferença entre a maior
e a menor remuneração na Cemig
Na terceira reunião da Mesa
Temática sobre a Participação
nos Lucros e Resultados, realizada na terça-feira (7), a Cemig
propôs que a PLR deve estimular
o aumento da produtividade e a
qualidade dos resultados organizacionais, garantir que o trabalhador reconheça sua parcela
de contribuição nos resultados
da empresa e motivar o envolvimento e comprometimento
com foco na produtividade. Os
empregados devem orientar-se
por ações relevantes que geram
resultados e que agregam valor
ao negócio. E, por fim, que as
regras devem ser simples, com,
no máximo, cinco indicadores
corporativos e cinco específicos.
A postura da empresa já é o
reconhecimento de que errou
nos últimos acordos, quando
propôs inúmeros indicadores
que não levavam a nenhum lugar. Falta agora à empresa reconhecer que não há transparência
e sobra injustiça na PLR.
Os representantes do Sindieletro na Mesa Temática questionaram que a forma utilizada
pela Cemig para a distribuição
dos lucros é uma das mais injustas do país, não contribui
para a retenção de talentos e
ainda faz com que os trabalhadores se sintam desmotivados e
desvalorizados.
Os gestores da empresa se
apropriaram, nos últimos anos,
de um benefício conquistado pelos trabalhadores com greve de
fome e que acabou servindo para
beneficiar os altos cargos.
A discrepância na distribuição dos lucros pela Cemig é uma
apropriação injusta do esforço de todos e cria um pequeno
grupo de privilegiados ao invés
de promover justiça, retendo os
verdadeiros talentos. Tal postura
só agrava a desigualdade dentro
da empresa, que já é grande. Segundo o Balanço Social Consolidado da Cemig, a relação entre
a maior e a menor remuneração
na empresa, que em 2010 era de
18,12 vezes, saltou para 32,26 vezes em 2014.
Os representantes da Cemig
sugeriram que, na próxima reu-
nião, sejam discutidos os indicadores de PLR. Como sempre,
querem discutir apenas o que
interessa à gestão. Mas os diretores do Sindieletro insistiram
que, primeiramente, deve ser
resolvida a forma de distribuição dos lucros, garantindo que
será encarada como uma questão de direito e de justiça. Para
isso, a distribuição deve ser feita
de forma igualitária, valorizando
cada trabalhador.
DESABAFO DE ELETRICISTAS DA SUB-TRANSMISSÃO:
“Com a falta de pessoal, o trabalho chegou ao desumano”
Os eletricitários não aguentam mais as condições precárias de trabalho devido ao
número reduzido de pessoal
próprio. Para o Sindieletro, a
solução virá somente quando a
Cemig negociar a proposta da
categoria para a celebração do
Acordo Coletivo Específico de
Primarização.
Na semana passada, eletricistas da área de Sub-transmissão, que atuam na região Leste,
responsáveis por serviços em
rede elétrica com potência de
até 161 kV, deram o recado: não
suportam mais tanta precarização, estão no limite.
“Nossas condições de trabalho são bastante ruins. Já
fizemos jornadas extras de
trabalho de mais de 30 horas,
porque estamos atuando com
equipe de apenas quatro eletricistas e ainda existe a previsão
da nossa equipe ter apenas três
trabalhadores. Falta pessoal,
mas o trabalho só vem aumentando”, desabafou um eletricista, da equipe de Governador Valadares.
Outro trabalhador disse que
as viagens a trabalho ocorrem
de segunda a sexta-feira, com
muitos trajetos que ultrapassam
300 quilômetros. Segundo ele, a
vida familiar ficou prejudicada.
“Dificilmente podemos planejar mais tempo com esposa e os
filhos, pois chegamos em casa
pregados e estressados. Isso é
desumano, precisamos de qualidade de vida”, acrescentou.
Para o Sindieletro, os trabalhadores estão certos, a solução
passa pela primarização das
atividades-fim. Mas nada virá
de bandeja, só as mobilizações
farão a diferença para conquistarmos a contratação de mais
pessoal. Vamos participar do 16
de julho, Dia de Paralisação.
OLAÇÃO, VAMOS DE PARALISAÇÃO!
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Sindieletro, presente!
Foto: Lidyane Ponciano
Papa convoca para a luta por dignidade
dos povos indígenas e o modelo
econômico de produção predatória
que está acabando com o meio ambiente (a Mãe Terra), entre outros
assuntos.
Dois diretores do Sindieletro
participaram da delegação mineira para o Encontro, Jairo Nogueira
Filho, também secretário geral da
CUT MG, e Jair Gomes Pereira Filho, que atua na Pastoral Social Comunidade Nossa Senhora da Esperança, da Paróquia Rainha da Paz,
no bairro Caiçara.
Jair lembrou que os movimentos
social e sindical entregaram ao Papa
uma carta com grande destaque
para a luta dos trabalhadores contra
a terceirização, citando as consequências do PL 4330 (hoje, tramita no
Senado como PLC 30).
“Ficou claro no encontro com o
Papa que nós, trabalhadores, precisamos nos organizar mundialmente. O capital se globalizou e agora
chegou a hora das lutas se globalizarem”, avaliou Jairo Nogueira Filho.
Foto: Lidyane Ponciano
A visita do Papa Francisco ao
Equador, à Bolívia e ao Paraguai,
entre os dias 6 e 12 de julho, ficou
marcada na história de lutas sociais
e sindicais dos latinos americanos.
Durante a visita, o papa Francisco convocou os trabalhadores e os
povos pobres, indígenas, mulheres,
negros e outras minorias para a
luta pelo que chamou de três pilares que precisam ser conquistados:
“Terra, Trabalho e Teto”. Francisco
criticou o capitalismo, o que denominou de “sutil ditadura”. O papa
também não poupou os meios de
comunicação que, segundo ele, são
concentrações monopolistas.
Durante a visita de Francisco à Bolívia aconteceu o Encontro
Mundial de Movimentos Populares,
com 1.500 pessoas de 40 países. A
programação contou com painéis
que aprofundaram temas como, a
terceirização em esfera global, a exploração e a precarização das condições e relações de trabalho, o trabalho infantil e escravo, a exploração
Foto: Lidyane Ponciano
Papa condena a
exclusão e a indiferença
O papa convocou os fiéis a refletirem sobre a realidade dos excluídos e trabalhadores na América Latina e sobre a degradação
do meio ambiente, lançando um
desafio para os povos: lutar para
mudar a sua realidade.
“Reconhecemos nós que as coisas não andam bem num mundo
onde há tantos camponeses sem terra, tantas famílias sem teto, tantos
trabalhadores sem direitos, tantas
pessoas feridas na sua dignidade?
Reconhecemos nós que as coisas
não andam bem, quando o solo, a
água, o ar e todos os seres da criação
estão sob ameaça constante? Então
falemos sem medo: Precisamos e
queremos uma mudança”.
Francisco lembrou que o sistema capitalista se tornou global e
impôs a lógica do lucro a todo custo, a exclusão social e a destruição
da natureza. Ele reconheceu que o
capitalismo é insuportável para os
camponeses, os trabalhadores, as
comunidades pobres, e é insuportável para a Mãe Terra. “Queremos
a globalização da esperança, que
nasce dos povos e cresce entre os
pobres, que deve substituir esta globalização da exclusão e da indiferença”, destacou.
Francisco colocou como tarefa
para os movimentos social e sindical a luta por uma economia a
serviço do povo, inclusiva, onde os
seres humanos e o meio ambiente
não estejam a serviço do dinheiro.
Monopólio da Comunicação
O pontífice criticou também
a concentração monopolista dos
meios de comunicação social,
“que pretendem impor padrões
alienantes de consumo e certa
uniformidade cultural”. Segundo
ele, esse monopólio é outra forma
de um novo colonialismo, o colonialismo ideológico.
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Redação: Benedito Maia, Mariângela Castro, Rosana Zica e Vinícius Avelar - Fotografia:
Benedito Maia - Diagramação: Vinícius Avelar - Cartunista: Nilson Azevedo - Central de
Informações: Nízio Fernandes - Impressão: Alicerce Editora Gráfica - Tiragem: 7.500
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Chave Geral - Número 781 - De 14/07/2015 a 20/07/2015 - Página 4
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