SEMENTES DO REINO Lançar as redes texto Darci Vilarinho foto Ana Paula “Lançai as redes para a pesca”, disse Jesus a Simão. Embora já andassem na faina toda a noite, assim fizeram e apanharam tão grande quantidade de peixes que as redes começavam a romper-se. Viver e anunciar o Evangelho é a primeira tarefa do discípulo. Mas o sucesso da sua missão está na força da Palavra de Jesus. Se o discípulo se fia apenas de si mesmo, a pesca redundará numa falência desastrosa, mas se acredita e se fia da Palavra de Jesus, a pesca será abundante. É claro o ensinamento que se extrai do encontro de Pedro com Jesus. O trabalho da noite anterior tinha sido nulo. “Andámos na faina toda a noite e não apanhámos nada”. Embora os factos sugiram que não vale a pena, Pedro obedece porque confia nas palavras do Mestre. E a pesca torna-se milagrosa, superabundante, inacreditável. Valeu a pena! Pedro que, depois de uma noite de trabalho e desilusão, na manhã seguinte não teve dúvidas em obedecer à Palavra do Mestre. A sua barca encheu-se de peixe e de optimismo. Acolhe Jesus na tua barca. Confia na sua palavra, lança mais uma vez a tua rede vazia e defeituosa. Ficarás maravilhado com o que vai acontecer. Deus confia em ti Jesus precisa da tua barca. Como Pedro, poderás ter consciência da tua indignidade ou fragilidade. Mas Ele precisa da tua barca e das tuas redes, para o ajudares numa missão extraordinária que só Ele conhece. Empresta-lhe a tua barca e as tuas redes, porque Ele precisa da tua disponibilidade para anunciares o seu Evangelho. Ele tem confiança em ti. Continuarás a sentir a tua fragilidade e o teu pecado, mas não temas. Serás pescador de homens. E o milagre vai acontecer. Jesus não se deixa impressionar pela tua fragilidade. Ele acredita em ti, confiando-te o seu Evangelho, a sua própria missão. Poderás então dizer com toda a liberdade: Creio em Ti, Senhor, porque acreditas em mim. Fio-me de Ti, porque Tu confias em mim. Seguir-te-ei para onde quer que me chames. “Faz-te ao largo e lança as redes”, foi a ordem que o Bispo de Turim deu a José Allamano para que se fiasse de Deus e fundasse o Instituto da Consolata. Mais tarde, confiado na palavra de Pio X, funda o Instituto das Irmãs que, este ano precisamente, celebram o seu centenário de fundação. Confiante e consciente de ver aí a vontade de Deus, Allamano rematou: “Já que o dizes, lançarei as redes”. E é por isso que, no fim da sua vida, pôde humildemente afirmar: “Há uma coisa que muito me consola: fiz sempre o que Deus queria de mim e sinto-me feliz por nunca me ter desviado”. Viver e anunciar o Evangelho é a primeira tarefa do discípulo. Mas o sucesso desta sua missão está todo na força da Palavra de Jesus Confia na sua Palavra Todas as vezes que pela manhã lanças as redes para recolher amor e à noite te apercebes que não recolheste nada, não percas a confiança. Ama e entenderás. Todas as vezes que se rompem as malhas da rede das tuas relações e as pessoas te fogem ou se perdem por outros caminhos, não deites fora a tua rede. Todas as vezes que te vem a vontade de deixar para trás a tua profissão de pescador de homens, porque a barca da tua vida parece rota e vazia, não te deixes vencer pelo pessimismo. Lembra-te da confiança de Bispo Virgílio Pante, missionário da Consolata, na catedral da sua diocese de Maralal, no norte do Quénia FÁTIMA MISSIONÁRIA 24 FEVEREIRO 2010 SEMENTES DO REINO A palavra faz-se missão em Fevereiro 2010 07 Fevereiro | 5º Domingo Comum | Is 6, 1-8; 1Cor 15, 1-11; Lc 5, 1-11 “Faz-te ao largo” Fiemo-nos na palavra de Cristo, que nos manda ainda hoje cumprir a sua missão na terra. “O mandato missionário – disse o Papa João Paulo II – introduz-nos no terceiro milénio e convida-nos a ter o mesmo entusiasmo que tiveram os cristãos da primeira hora: podemos contar com a força do mesmo Espírito que desceu no dia de Pentecostes e hoje nos impele a recomeçar”. Guia, Senhor, os nossos passos, hoje e sempre. Alimenta-nos com a tua palavra, sustém-nos com a força do teu Espírito. 14 Fevereiro | 6º Domingo Comum | Jr 17, 5-8; 1Cor 15, 12-20; Lc 6, 17-26 Propostas de felicidade Todos procuramos a felicidade, porque nascemos para ser felizes, mas talvez a busquemos nas propostas que o mundo nos oferece: nas riquezas, no sucesso, no poder. Por aqui não vamos lá. Cristo propõe uma nova hierarquia de valores em que os pobres são ricos e os que choram serão consolados. Felizes os que encontrarem este caminho e o apontarem aos outros. São os construtores de paz a que se refere o Evangelho e que se encontram espalhados por toda a parte. Juntemo-nos a eles e seremos mais felizes. Que eu encontre, Senhor, a verdadeira felicidade, no valor da misericórdia, na justiça e na construção da paz. 21 Fevereiro | 1º Domingo Quaresma | Dt 26, 4-10; Rm 10, 8-13; Lc 4, 1-13 A Palavra está perto de ti “A Palavra está perto de ti, na tua boca e no teu coração”. Quaresma é tempo para abrir os ouvidos a esta Palavra que há 2000 anos ecoou na Palestina e hoje pode ressoar no nosso coração. Precisamos de parar, abrir o Livro Sagrado, entender por onde passam os caminhos de Deus e alinhar por eles a nossa vida. “Nem só de pão vive o homem, mas de toda a Palavra que sai da boca de Deus”. Sobretudo nesta Quaresma, que mais uma vez o Senhor nos concede. Abre, Senhor, os nossos ouvidos e o nosso coração para entendermos as Palavras do teu Filho Jesus. 28 Fevereiro | 2º Domingo Quaresma Gn 15, 5-18; Fil 3, 17-4,1; Lc 9, 28-36 Subir ao monte para orar Quaresma é subir ao monte com Jesus para me deixar deslumbrar pela sua divindade e poder contemplar o seu rosto. Para O imitar no gesto sublime de rezar. Fazemos tanta coisa, trabalhamos noite e dia e esquecemos talvez a coisa principal: rezar. Com Jesus e como Jesus. Orar é subir. Orar é transfigurar-se. É procurar caminhos diferentes, aclarar dúvidas e incertezas. “É de joelhos que se vê melhor”. Porque é aí que nos sentimos os íntimos de Deus, vemos com os seus olhos e podemos dialogar com Ele face a face. Que dignidade! E quantas ocasiões desaproveitadas. Dá-me, Senhor, o gosto da oração. Que eu te imite no diálogo de intimidade com o Pai e na partilha de mim mesmo com os outros. DV FÁTIMA MISSIONÁRIA 25 FEVEREIRO 2010 Intenção Missionária Fevereiro Manuel Carreira Para que a Igreja, consciente da sua identidade missionária, se esforce por seguir fielmente a Cristo proclamando o seu Evangelho a todos os povos Allamano alerta Papa Até há uns tempos atrás, o apostolado missionário estava todo concentrado nas congregações religiosas. A Igreja, as dioceses, as paróquias e o próprio Papa, dedicavam-se mais a alimentar a fé daqueles que já eram cristãos: muitas confissões, muitas missas, pregações e outras. Era a tradição e cumpria-se. Depois, em 1622, a Santa Sé instituiu uma congregação romana, que dava pelo nome de «Propaganda Fide», a qual passou depois a chamar-se «Congregação para a Evangelização dos Povos». Entretanto foram-se dan do mais uns passos em frente, mas a Igreja institucionalizada, pouco se mexeu. A tal ponto que, em 1912, o beato José Allamano, fundador dos missionários da Consolata, juntou-se a outros superiores de institutos missionários italianos e pediram ao Papa que publicasse um documento em que se afirmasse que a missão com petia a todos os cristãos, e que todas as dioceses e paróquias deviam envidar esforços para que a palavra «missão» começasse a entrar nos esquemas da pastoral geral. Foram estes alguns passos que levaram o papa Pio XI a publicar a encíclica missionária «Rerum Ecclesiae» e a instituir o Dia Missionário Mundial. Foram gestos proféticos que estão, ainda hoje, a dar os seus frutos em plenitude.