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Hospital de Braga presta homenagem
a duas centenas de profissionais
Consciente de que 25 anos ou mais de trabalho a
uma única instituição é, hoje em dia, uma raridade, o
Hospital de Braga retoma hoje uma tradição que vigorava
no extinto Hospital de São Marcos. A unidade hospitalar
pública gerida pelo Grupo Mello homenageia esta tarde,
a partir das 16h00, mais de 200 profissionais de saúde,
pelos seus 25 anos ou mais de trabalho e dedicação.
Numa cerimónia apresentada por Tânia Ribas de Oliveira,
a tarde de homenagem conta, no final, com um espetáculo da fadista Mafalda Arnaulth. «Nesta homenagem vão
estar presentes colaboradores no ativo e colaboradores
aposentados, que irão ver reconhecido o seu empenho
e dedicação de várias décadas de trabalho a cuidar
de quem mais precisa», disse fonte da administração,
acrescentando que, «num ano que o Hospital de Braga
identifica como o “Ano do Colaborador”, não podia ser
mais oportuno retomar a homenagem aos profissionais
com mais de 25 anos de casa e aposentados, uma
tradição já iniciada no Hospital de São Marcos.
Amanhã, “Dia do Hospital”, a unidade vai evocar a
passagem do terceiro aniversário nas novas instalações.
O programa arranca, pelas 12h00, com a celebração
de uma missa na capela do Hospital de Braga. Para as
13h00 está agendada a inauguração da exposição “Os
rostos de uma história”, que estará patente durante o
mês maio, na Ágora do Hospital. Após esta inauguração
segue-se um momento de convívio entre colaboradores e
utentes, pelas 13h30, na Ágora, junto à Entrada Principal
do Hospital.
Projeto “Pimpolho” aposta
na prevenção da ambliopia em Braga
A unidade hospitalar bracarense apresenta, amanhã,
em conferência, o “Projeto Pimpolho”, que está orientado
para a prevenção de ambliopia no Município de Braga.
Na conferência de imprensa vão estar presentes os
representantes das entidades promotoras da iniciativa
– Hospital de Braga e a Câmara Municipal de Braga,
nas pessoas de João Ferreira, presidente da Comissão
Executiva do Hospital de Braga, Sandra Guimarães, médica
oftalmologista responsável pela secção de Oftalmologia
Pediátrica e Estrabismo do Hospital de Braga e mentora
do Projeto Pimpolho, e Ricardo Rio, presidente da Câmara
Municipal de Braga.
O Projeto Pimpolho pretende despistar a ambliopia a todas as crianças de Braga, que frequentam estabelecimentos
de ensino público ou privado, com idades compreendidas
entre os 3 e 4 anos, idade em que esta patologia pode
ser revertida. As avaliações oftalmológicas de despiste
da ambliopia serão realizadas todas as quintas-feiras de
manhã – exceto feriados e férias escolares – no Hospital
de Braga a cerca de 25 crianças.
«Com este projeto as entidades promotoras pretendem
promover o despiste da ambliopia, uma patologia que
pode, se não for tratada, afetar para sempre a saúde e
qualidade de vida da criança», disse fonte hospitalar,
acrescentando que «a avaliação oftalmológica será desenvolvida por um médico oftalmologista e um técnico
ortoptista nas instalações do Serviço de Oftalmologia».
Apresentada como uma doença exclusiva da infância
e apenas tratável nesta faixa etária, o tratamento da
ambliopia pode alcançar um sucesso próximo dos 100
por cento. «O não tratamento na idade pediátrica acarreta
cegueira, baixa visão, ou visão subnormal, não passível
de ser corrigida para o resto da vida, isto é, mesmo
com posteriores cirurgias, correção ótica ou outros
tratamentos, essa criança ficará para sempre sem visão
normal», resume a fonte.
BRAGA
DOMINGO, 11 de maio de 2014
Diário do Minho
Produção começou no Instituto Monsenhor Airosa
Médica de Braga gera interesse
do Papa por hóstias sem glúten
DR
Investigadora da UMinho é a única autora dos estudos sobre doença celíaca em Portugal
JOAQUIM MARTINS FERNANDES
O atual Papa Francisco
foi o grande impulsionador das hóstias sem glúten em vários países da
América Latina. O interesse por esse tipo de hóstias, inofensivas para as
pessoas portadoras de doença ce-líaca, foi expresso numa altura em que o
atual Papa era ainda Bispo
de Buenos Aires, Argentina. Na origem do processo em Portugal esteve uma
menina de Vila Verde que
ia fazer a primeira comunhão, mas que sofria da
doença que desaconselha
uma hóstia comum.
O envolvimento da médica que diagnosticou a
doença levou o Arcebispo Primaz, D. Jorge Ortiga, a autorizar o Instituto
Monsenhor Airosa a produzir as hóstias que começaram agora a disseminar-se pelo mundo católico. A
mudança contribuiu para
uma maior visibilidade da
doença celíaca, que é uma
doença autoimune, devido
a uma intolerância alimentar crónica e permanente
ao glúten, fragmento proteico que se encontra no
trigo, centeio e cevada.
A revelação foi feita on-
tem pela investigadora bracarense Henedina Antunes, na âmbito da segunda
Reunião Nacional de Doença Celíaca, que decorreu
na Colunata de Eventos
dos Hotéis do Bom Jesus.
A médica do Hospital de
Braga e docente da Escola de Ciências da Saúde da Universidade do Minho aproveitou a jornada
de reflexão sobre a doença
celíaca para lançar o livro
“Medicina da Evidência na
Doença Celíaca”, no qual
fez a revelação que envolve o atual líder mundial da
Igreja Católica.
Ao Diário do Minho, a
investigadora precisou que
na origem do caso está
uma jovem de Vila Verde,
à qual diagnosticou a doença celíaca, quando tinha
18 meses.
Chegada à idade da primeira comunhão, a menina viu a médica a envolver-se numa solução que
conciliasse a prática religiosa com a saúde.
«Comungar uma hóstia
normal seria anular cinco
anos de tratamento e a alternativa – beber do sangue de Cristo – pareceu-me
errada, porque nenhuma
pessoa menor de 18 anos
deve beber álcool», recordou a investigadora.
Os argumentos da médica convenceram o Arcebispo de Braga e o caso aca-
bou por despertar o interesse do então Bispo de
Buenos Aires, atual Papa
Francisco, depois de Henedina Antunes ter publicado numa revista científica portuguesa, um texto
sobre o tema.
«Fui contactada por um
colega pediatra da Argentina, a pedir o contacto do
Arcebispo de Braga, D.
Jorge Ortiga, para o Bispo de Buenos Aires, atual Papa, que queria implementar a medida na Argentina», disse a médica do
Hospital de Braga, precisando que o interesse do
então Bispo Bergoglio visava permitir que os cristãos da sua diocese com
doença celíaca pudessem
comungar sem risco para a
saúde durante a sua prática religiosa ou mesmo seguir o sacerdócio.
As hóstias, então fabricadas em Braga, no Instituto Monsenhor Airosa, passaram também a ser produzidas numa casa de religiosas de Buenos Aires.
Mas o interesse do atual Papa possibilitou que
a instituição bracarense
encontrasse novos mercados fora de portas, em países como Brasil, Espanha,
França, Grã-Bretanha, Angola e Cabo Verde.
Doença ganhou visibilidade
O envolvimento da Igreja Católica acabou
por dar uma maior visibilidade a uma
doença ainda «muito desconhecida». Os
únicos estudos existentes em Portugal
são da responsabilidade da investigadora
bracarense e não ultrapassam a região do
Minho. O primeiro trabalho incidiu sobre
o concelho de Braga e revelou que a
capital minhota tinha uma prevalência de
1 caso por 134 habitantes. Um segundo
estudo prospetivo, à escala da região do
Minho, permitiu à médica concluir pela
incidência de 5,2 casos de doença celía-
ca por 100.000 habitantes com menos
18 anos. Mais recentemente, um estudo
retrospetivo revelou a existência de 3,95
casos por 100.000 habitantes. Henedina
Antunes sublinha que, «depois de ter
estado muito tempo parado», o Ministério
da Saúde já tomou, há mais de um ano,
as medidas que se exigem: o anticorpo
que permite detetar a doença já está disponível e é comparticipado em cerca de
50 por cento. Em média, custa 3,5 euros
ao utente e o teste tem uma eficácia na
ordem dos 95 por cento.
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Médica de Braga gera interesse do Papa por hóstias sem glúten