Prefeito-CORONEL Diogo Tita agride professores universitários com TAPA no ROSTO –
Paranaíba
Set 2
Carta à Comunidade Acadêmica da UFMS/CPAR
Estimadas e Estimados colegas Professores, Técnicos e Estudantes da Universidade Federal de
Mato Grosso do Sul – Câmpus Paranaíba;
Escrevo para relatar um gravíssimo e preocupante acontecido que acredito nos atingir a todas
e todos.
Hoje (31/08), realizamos uma atividade no câmpus, um mini-curso com dois professores de
fora do município sobre a prática clínica na perspectiva Histórico-Cultural. Após o evento,
fomos levar os palestrantes para jantar no restaurante Come-Come. Enquanto conversávamos
sobre nossas práticas profissionais, chegou à nossa mesa o Prefeito do Município, Diogo
Robalinho de Queiroz, também conhecido pela alcunha de Tita ou Diogo Tita, bravejando
quem éramos nós, “barbudos”, e que ele estava trazendo para o município, junto com a
reitora Célia, o curso de Medicina Veterinária; ao que respondi lamentar a vinda de tal curso
(posição que, aliás, defendo publicamente).
O Senhor Prefeito, com um comportamento notadamente alterado, respondeu-me com um
TAPA no rosto e continuou bravejando: “Cala a boca, sabe quem eu sou? Eu sou o prefeito
desse município!” e continuo, “lamentáveis são suas barbas”, essas “barbas de buceta”, e que
não sabemos o custo que é manter uma universidade e que somos um “bando de vagabundos
que chupinhamos o Estado”. Nesse momento, um dos professores convidados pediu que ele
se acalmasse, pois em nossa conversa sequer estávamos falando do município ou da
Universidade, ao que o Senhor Prefeito respondeu com outro TAPA, em sua mão, mandandolhe também calar a boca. Mandou-nos a todos calarmos a boca inúmeras vezes, enquanto
repetia, gritando descontrolado, o mesmo discurso relatado, com poucas variações e alguns
acréscimos como: “Fui eu quem trouxe a Universidade Estadual para Paranaíba e o Ramez
Tebet a Federal”, “Queria eu ser psicólogo, esses vagabundos que vivem em seus mundinhos e
não pagam suas contas” e “Esses professores vagabundos que vêm de Campo Grande
chupinhar nosso dinheiro”. Quando as pessoas que o acompanhavam foram retirá-lo, ele
começou a gritar à distância, para as pessoas que estavam no restaurante: “Olhem para esses
vagabundos que vem aqui nos atrapalhar, EU estou trazendo o curso de Medicina Veterinária
para essa cidade”. Retornando à nossa mesa e repetindo as mesmas ofensas, fora novamente
conduzido por seus acompanhantes à mesa em que estava sentado. Minutos depois, mais uma
vez conduzido por seus acompanhantes à sua camionete, retornou à mesa, apontando o dedo
na cara do professor palestrante (nosso convidado) dizendo que eles ainda irão conversar, que
ele o conhece, com uma evidente ameaça ao professor e que entendemos extensiva a nós
professores da UFMS/CPAR, já que não seria possível ao Senhor Prefeito conhecer nosso
convidado, por ele não ser do município ou sequer do estado.
O fato ocorrido demonstra a completa ausência de trato com a coisa pública por parte do
Senhor Perfeito. Fui abordado em público, num espaço não reservado a discussões de tal
monta, para tratar de assuntos que deveriam ser discutido em adequados fóruns.
A isso acresça-se o ABUSO DE PODER perpetrado pelo Senhor Prefeito contra os ali presentes
quando junto com o tapa, evoca sua condição de administrador público: “Cala a boca, sabe
quem eu sou? Eu sou o prefeito desse município!”
Diante disso, gostaria de desenvolver algumas reflexões:
1 – Tal fato acontece exatamente no dia seguinte ao que estive em Campo Grande, junto a
outros professores e representante discente em reunião da ADLeste com a Reitora e próreitores, como representante sindical deste campus na composição de comissão organizada
pela ADLeste, expondo as condições deterioradas de trabalho e estudo de professores,
técnicos e estudantes nos câmpus da UFMS (inclusive enviei convite aos colegas professores e
técnicos convidando à reunião em que discutimos o conteúdo do documento apresentado à
Magnífica Reitora e os Pró-reitores).
2 – É uma situação aviltante o fato de que um trabalhador desta Universidade tenha sido
chamado de vagabundo, quando nós professores (ao menos os do curso de Psicologia)
historicamente, nesse câmpus, trabalhamos carga-horária superior àquela que os sindicatos
defendem como razoáveis, em condições precárias e que nos impossibilitam de desenvolver
adequadamente nossas atividades-fim (ensino, pesquisa e extensão).
3 – Ademais, o Senhor Prefeito, ao referir-se a nós, psicólogos, como “vagabundos que vivem
em seus mundinhos”, além de denotar seu profundo desconhecimento da realidade da
produção de conhecimento psicológico, bem como da realidade dos profissionais psicólogos,
profere uma grave ofensa ao conjunto da categoria dos psicólogos. Também nossos alunos,
futuros psicólogos, foram gravemente ofendidos em suas escolhas de projeto profissional. Por
fim, o prefeito demonstrou, publicamente, o desprezo que nutre por estes profissionais e, por
derivação, pela existência de tal curso neste câmpus.
4 – Ao dizer que não pago minhas contas – o que, antes de tudo é uma calúnia e só mostra o
despreparo do Senhor Prefeito com os assuntos da vida pública –, o Senhor Prefeito olvida-se
do fato de que é o conjunto de impostos que nós, trabalhadores, pagamos, que retorna a ele
sob a forma de salário para que na investidura do seu cargo cuide da administração pública da
cidade.
5 – É um fato vergonhoso a qualquer munícipe o de que o prefeito de sua cidade tenha
agredido fisicamente e ofendido a um professor que se dispôs, sem qualquer remuneração ou
pró-labore, a deslocarem-se a um campus de interior para trazer-nos uma discussão de
altíssimo nível, enquanto se gaba por estar trazendo um novo curso para esta mesma
Universidade, que imagino desconhecer as atuais condições de trabalho e estudo de
professores, técnicos e estudantes.
Diante disso proponho:
1 – Mesmo estando aprovada a vinda do curso de Medicina Veterinária para o câmpus,
retomarmos o debate amplo e aprofundado acerca desse fato, que é também uma questão
política.
2 – A retomada das discussões a respeito das condições de trabalho e estudo a que nós,
professores, técnicos e estudantes, estamos sujeitos na UFMS.
3 – Que haja ampla discussão acerca dessa afronta à autonomia da universidade pública.
4 – Que discutamos as precárias condições oferecidas pelo município (transporte público,
assistência, saúde e trabalho) para a permanência dos estudantes no município e no câmpus.
5 – Que a Universidade se manifeste oficialmente em relação ao ocorrido.
Paranaíba/MS, 31de agosto de 2013.
Professor Doutor Nilson Berenchtein Netto
Psicólogo – CRP/MS 14/05620-9
Professor Adjunto da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul – Câmpus Paranaíba
Coordenador do Curso de Psicologia da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul – Câmpus
Paranaíba
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