HISTÓRIAS DE VIDA DE PROFESSORES DE GEOGRAFIA: UM ENCONTRO COM NOVAS TERRITORIALIDADES EM RONDÔNIA Kelton Gabriel/UFPR [email protected] Lucileyde Feitosa Sousa/UFPR e Pesquisadora do GEPCULTURA da Universidade Federal de Rondônia [email protected] INTRODUÇÃO Para muitos de nós, a escola tem um papel de destaque na formação dos alunos, é o lugar da produção do conhecimento, da formação de cidadão, do encontro com as diversidades que atravessam a vida. E trabalhar com esta diversidade no contexto amazônico significa pensar no papel do docente nas séries iniciais, sem desconsiderar a sua trajetória de vida que, de certa maneira, reflete diretamente na sua prática pedagógica em sala de aula. Nesse bojo, este trabalho traz a dimensão pessoal e a ação pedagógica de professores leigos, mediante os seus relatos de experiências, e atuantes no Ensino Fundamental, especialmente na disciplina de Geografia, na rede pública estadual de ensino, no Estado de Rondônia. O universo da pesquisa é constituído por 30 professores - discentes do curso de Geografia e que moram em diversos municípios do Estado, cuja faixa etária varia de 25 a 55 anos de idade. Fazem o curso de Geografia, através do Programa de Capacitação de Professores Leigos – PROHACAP, mediante convênio realizado entre o Governo do Estado de Rondônia e a Universidade Federal de Rondônia (UNIR). Esses professores, anteriormente excluídos do processo seletivo normal do vestibular, tiveram a oportunidade de adentrar as fronteiras da Universidade mediante o processo seletivo do PROHACAP, contribuindo para o aperfeiçoamento profissional e a concretização de muitos sonhos. Neste sentido, vale destacar o papel da universidade na formação desses professores de Geografia, sobretudo, em Rondônia que passou por um massivo processo migratório marcado por grandes conflitos e genocídios. Todavia, esse processo migratório que ocorreu em Rondônia a partir da década de 1970, e que “correspondeu a nova fronteira agrícola” nos convidou a aderir este tema, pensando numa forma que permitisse fazer ouvir as vozes desses professores que por inúmeras razões migraram em busca de terra, de melhores alternativas de vida como se observa na narrativa de uma das professoras: “Meus pais saíram do nordeste em busca de melhores condições de vida indo para o Mato grosso, chegando lá ficaram sabendo que em Rondônia ganhava terras de graça e muita a ponto de ficar rico. Então meu pai migrou mais uma vez após ter ficado apenas dois anos em Tangará da Serra, no estado do Mato Grosso, e veio para Ji-Paraná nos anos 70”. V.R.B Neste sentido, este trabalho teve por objetivo analisar a dimensão do fazer pedagógico de professores leigos, atendo-se ao universo rico de suas histórias de vida, sobretudo, porque foram professores que chegaram ao Estado de Rondônia a partir da década de 1970, atraídos pelas políticas públicas dos projetos de Colonização do INCRA, a terra nessa época tornou-se um grande atrativo para o migrante. Por exemplo, “a nova fronteira agrícola” se apresentava como alternativa de trabalho e de acesso à terra. Neste contexto, cabe problematizar quais são as práticas desses professores leigos na disciplina de Geografia? As histórias de vida ajudam a refletir sobre o fazer pedagógico, ainda mais em áreas rurais ou de assentamentos? O que temos armazenado em nossa memória sobre a nossa atuação profissional até hoje? Muitos dos temas significativos foram expostos nos textos produzidos pelos professores como se observa na narrativa abaixo: “Lembro-me do meu primeiro dia de trabalho, foi fantástico, cheguei com a esperança de que na escola iria conseguir realizar todos os meus sonhos. Iniciei o dia com uma reunião onde estavam presentes todos os professores. Não via a hora de chegar o meu momento de falar para que assim pudesse expressar o meu sentimento. Quando tive a oportunidade disse: estou numa viagem, onde a minha mala é o conhecimento e no instante se encontra vazia, mas espero enchê-la com noções adquiridas através de experiências, estudo e apoio dos colegas”. DRM Partimos do principio de que há vários sujeitos sociais e históricos, merecedores de dignidade no seu trabalho pedagógico, ainda mais da diversidade encontrada por esses professores nesse novo território rondoniense, assim, cabe pensar que processos de ensino foram construídos? Desta maneira, Kozel (2007, p.117): afirma que “O espaço não é somente apreendido através dos sentidos, ele referenda uma relação estabelecida pelo ser humano, emocionalmente de acordo com as suas experiências espaciais. Assim, o espaço também e vivido”. E os professores com os quais trabalhamos vivenciaram este espaço amazônico com toda a sua relação de afetividade, construíram sentidos e recriaram este espaço a partir de sua experiência educacional. Serão explicitadas a seguir as características da pesquisa, como se deu o registro das experiências vivenciadas no cotidiano da sala de aula e no mundo vivido dos professores aqui contemplados. Nóvoa (2007), ao trabalhar com a formação de professores em Portugal, nos fala do processo identitário que passa por esta capacidade de exercemos com autonomia a nossa atividade profissional, lembrando que o cada um ensina tem haver com aquilo que somos como pessoa quando praticamos o ato de ensinar. Desta maneira, muitas das experiências aqui relatadas refletirão o modo de vida desses professores, a sua educação e valores. O interesse pelas histórias de vida de professores atuantes no Ensino Fundamental surgiu por ocasião de uma das atividades desenvolvidas por nós, na época lecionávamos para esses professores no curso de Geografia, através do Programa PROHACAP na cidade de Rolim de Moura, no Estado de Rondônia. Para tanto, este artigo se detém especificamente em uma das atividades desenvolvidas em sala de aula e que versou sobre as histórias de vida desses educadores que, por diversos fatores, migraram para Rondônia a partir de 1970, começando fazer acontecer a educação no Estado e se aventuraram no ato de lecionar em vários municípios até então não emancipados. Na atividade proposta em sala de aula, tendo em vista os debates e reflexões relevantes no contexto da prática pedagógica, solicitamos aos alunos que escrevessem sobre as suas experiências, destacando a chegada em Rondônia, o olhar sobre este espaço amazônico, o encontro com novas realidades e culturas, as primeiras vivências em sala de aula como professores, a atuação profissional, indo ao processo de ingresso na Universidade através desse Programa de Capacitação de Professores Leigos. De início, a idéia foi bem aceita pelos alunos, criando uma expectativa positiva na sala de aula, uma vez que para a maioria do grupo tornou-se um desafio escrever a sua própria história de vida. Desta maneira, as histórias de vida nos levaram a refletir coletivamente sobre esta dimensão histórica do fazer pedagógico em Rondônia, considerando esta vasta experiência vivida e transmitida nos diversos contextos históricos e sociais. Neste sentido, Goodson (2007, p.71) sugere: “Ouvir a voz do professor devia ensinar-nos que o autobiográfico, “a vida” é de grande interesse quando os professores falam do seu trabalho (...). O que considero surpreendente, se não francamente injusto, é que durante tanto tempo os investigadores tenham considerado as narrativas dos professores como dados irrelevantes”. Por sua vez, através das produções escritas nos deparamos com práticas que revelaram as dificuldades dos professores, a inexperiência de ensinar e a falta de opção teórica-metodológica. As pessoas lançaram-se ao desafio de consolidar pedagogicamente uma ação, primeiramente agrupando os alunos ao longo das linhas e assentamentos rurais, utilizando, muitas vezes, livros didáticos distantes da realidade amazônica, mesmo com toda a adversidade encontrada assumiram este compromisso social. 2. REFERENCIAL TEÓRICO-METODOLOGICO TEXTO: LUGAR DE CONSTITUIÇÃO DO SUJEITO SOCIAL E HISTÓRICO Adotando uma postura sócio-interacionista, tratar-se-á o texto como lugar de constituição do sujeito social e histórico, através das mais variadas representações. Nessa concepção, o que o indivíduo faz, ao usar a língua, não é somente exteriorizar os seus pensamentos, vivências, mas corresponde a uma atividade constitutiva, cujos lócus de realização é a interação verbal (eu e o tu). A linguagem é, nessa concepção, lugar de interação humana: várias vozes se entrecruzam em um contexto sócio-histórico e ideológico. Essas vozes, nascidas das práticas cotidianas, se entrecruzam principalmente no ambiente escolar, por isso o docente precisar fazer da sala de aula um espaço de interação, de trabalho, de intercambio entre os alunos envolvidos nas atividades produtivas que ali acontecem como se consta na narrativa de uma das professoras: “Eu enquanto professora, procuro ser educadora, tenho procurado evitar os erros que me marcaram na infância. Tenho na medida do possível tentando fazer um trabalho para atingir todos os alunos da mesma forma, sem restrições a ninguém, sem protecionismo e sem discriminação a qualquer classe ou raça que eles pertenciam. E eu continuo caminhando com muitas dificuldades, buscando aprender e descobrir meios que possam contribuir no aprendizado dos futuros cidadãos de Rondônia”. AJRS A produção de texto, tecida com o sabor das histórias de vida, visa a recuperação da cultura, atribuindo assim o registro das experiências dos sujeitos que constroem educação e que sejam vistos como produtores de textos, colaborando para a inclusão social e o exercício da cidadania. Quando se pensa em texto surgido da interação verbal, significa pensá-lo não somente no sentido de “armazenar” apenas palavras, decodificá-las, mas indo, além disso, no sentido de propor interação, romper silêncios e construir histórias. A proposta surgida foi desenvolvida no decorrer de atividades em sala de aula, partindo do mundo vivido dos professores nessa tentativa de reconstruir o conhecimento através de uma prática discursiva. Procurou-se fazer a relação entre as historias de vida dos professores com a sua docência na disciplina de Geografia. Os professores com os quais trabalhamos são oriundos do sul e sudeste do país, vieram em busca, no inicio da década de 1970, de melhores condições de vida e principalmente de terras, de conquistar o direito de melhorar de vida, de enriquecer no Estado de Rondônia. Havia por trás dessa migração “forçada” todo um imaginário de riqueza, de abundância. Para Goodson (2007, p. 75): “Os estudos referentes às vidas dos professores podem ajudar-nos a ver o indivíduo em relação com a história de seu tempo, permitindo-nos encarar a intersecção da história de vida com a história da sociedade, esclarecendo, assim, as escolhas, contingências e opções que se deparam ao indivíduo”. A interação verbal permite a construção desses significados históricos, pressupõe diálogos e conflitos, logo, há toda uma historicidade presente. Por isso, o encontro com o outro proporciona o intercambio de experiências, anseios e medos construídos ao longo de determinados espaços sociais, além da construção do conhecimento no âmbito das relações humanas. Poucas são as oportunidades de troca, de interação verbal, principalmente quando o outro tem a oportunidade de ler os nossos próprios textos. Os textos foram feitos individualmente, sendo dado um prazo de três meses para o trabalho escrito, tendo como enfoque a reconstituição de como se deu a trajetória de vida, com destaque para os processos de escrita e de leitura na vida, a chegada em Rondônia, às primeiras experiências como professores em áreas rurais ou em assentamentos, chegando ao ingresso na Universidade. E, sem dúvida, esta escrita passa pela linguagem, que não é instrumento nem produto acabado, mas constituidora do sujeito e da sua consciência. Vale agora dizer que a escrita leva a reflexão sobre o mundo e conseqüentemente evidencia a nossa percepção em relação a esse mundo. Escrevendo textos, vale lembrar que é na linguagem que se encontra este pode de tecer a história a cada dia, de rever percepções. Pelos diferentes lugares, andando com o cacaio nas costas, estes professores com os quais trabalhamos se lançaram ao compromisso com o ato de ensinar, de levar crianças e adolescentes à escola. É uma caminhada de muitos professores, sem dúvida, mas aqui se encontra uma parcela significativa deles que, com base em suas vivências, ajudaram a construir a educação no Estado de Rondônia. Colaboraram com a maneira de fazer docência, ainda mais em áreas carentes, distantes e desassistidas pelo poder público. Sem dúvida, tornou-se uma satisfação ter trabalhado com esses professores, mostrando a importância do seu trabalho, a sua voz feita de histórias e de desafios, as visões acadêmicas em relação ao processo de escolarização vivido por eles. Através do contato com esses textos, adentramos ao mundo da escrita dos professores, ao encontro com as suas diversas linguagens, significando para nós o conhecer o mundo da cultura, das relações sociais estabelecidas ao longo do tempo. Ao longo dessas trajetórias pessoais vimos o destaque para o espaço vivido, o ambiente sociocultural, a linguagem, as representações, as vozes nascidas das práticas cotidianas, feitas de luta, esperança, resistência, de busca por melhores condições de vida. Neste contexto, se coloca a importância das contribuições de Benjamin (1994), Kramer (1994), Freire (1994), kozel (2007), Saquet (2009) por permitirem perceber o homem nas várias dimensões, conhecer como se deu o percurso da práxis dos professores, a compreensão do espaço e de novas territorialidades. Benjamim (1994) em seu texto “O Narrador”, menciona que a arte de narrar estar prestes a desaparecer do quadro’ cultural e social da humanidade. Tal questão deve-se ao fato de que o homem, de geração em geração, pouco vem praticando atividade de contar suas experiências e conhecimento do seu meio social às futuras gerações. Com o surgimento e avanço da Modernidade, Globalização, o ser humano estar cada vez mais se isolando, perdendo o contato “corpo a corpo” com o seu semelhante, evidenciando a inexistência ou embaraço ao relatar algo como afirma Benjamin (1994, p. 198): “Quando se pede num grupo que alguém narre alguma coisa, o embaraço se generaliza. É como se estivéssemos privados de uma faculdade de intercambiar experiências”. Benjamin denuncia o caráter medíocre da experiência no mundo moderno. O desencanto do mundo no capitalismo representa este declínio da experiência humana coletiva. Por sua vez, há uma história coletiva a ser contada em Rondônia, levando os próprios professores à condição de narradores. Assim pergunta-se: O que o professor tem escrito sobre a sua prática pedagógica? É necessário ler o que ele escreve? Ao lermos os textos dos professores saberemos de suas experiências, de suas estratégias em sala de aula, não deixando que a sua experiência fique empobrecida por falta de um registro escrito. E Kramer (1994, p. 61) nesse sentido argumenta que: “(...) é preciso que os professores se tornem narradores, autores de suas práticas, leitores e escritores de suas histórias, para que possam ajudar as crianças a também se tornarem leitoras e escritoras reais (...)”. Como se observa a experiência dos próprios professores, na condição de autores dos seus próprios textos, enriqueceria muito mais as atividades da escola. É preciso que o professor mostre a sua condição de autor, de escritor, principalmente em relação a sua bagagem de vida. Benjamin classifica em dois tipos os narradores: o camponês sedentário e o marinheiro viajante. O primeiro mantém e fixa as suas origens no lugar onde nasceu e o segundo ao viajar vai incorporando às experiências dos outros e recontando às suas. Os dois narradores são os precursores da arte de narrar e o desafio implica encontrar a história a partir das experiências, mesmo que sejam fragmentadas e da memória coletiva, recuperando a capacidade do homem de tornar suas experiências comunicáveis em narrativas como se observa na narrativa de mais uma professora: “Ser professora é um sonho que tenho desde a infância e uma das profissões mais gratificante que eu conheço e me orgulho de ter a certeza e o fruto do meu trabalho hão de renovar as mentes, hão de renovar os empecilhos e há de restaurar a dignidade do homem, há de construir um mundo com mais amor, mais paz e felicidade”. D.M.B A narrativa evidencia o sonho da professora de se tornar uma educadora, se orgulha disso e pensa na construção de um mundo melhor, sem dúvida há uma gama de subjetividade e que tece novas histórias e constrói novas significações no contexto educacional da Amazônia. Benjamin ao longo de seus estudos definiu a figura do narrador, como sábio, mas essa sabedoria não é fruto do individualismo, mas sim da coletividade, das vozes dos camponeses sedentários e dos viajantes. A arte de narrar não é privilégio somente dos adultos, mas também é das crianças que estão mais disponíveis para ouvir qualquer relato das mais diversas categorias. Com isso vai se constituindo em exímios narradores do povo. Neste sentido, para Kramer (1994, p. 71): “não é de uma fala qualquer que a escola necessita: não se restringe essa identidade a um perene tagarelar ou a um papaguear repetitivo. Pois não é de palavras apenas que a linguagem está esvaziada, mas de história. Encontrar a identidade narrativa requer que se puxem os fios não só das experiências enraizadas nos sujeitos que fazem imediatamente a prática, mas também os fios do conhecimento construído por múltiplos sujeitos ao longo da história”. Pois, assim, é que se começa a pensar num fazer pedagógico includente e que atenda de fato aos interesses dos alunos, considerando o seu contexto sociocultural. Mas para que o professor ajude no processo de inclusão é necessário que primeiro consiga se incluir e, isso, aconteceu para esses professores que trabalhamos quando conseguiram ingressar à universidade, como se percebe na narrativa de uma das professoras: “Hoje estou fazendo Prohacap estamos entrando no quarto período é uma luta, pois ser uma educadora, mãe, dona de casa e estudante ao mesmo tempo é batalha. Uma batalha com triunfo com sabor de conhecimento e vitória”. D.M.B Além disso, Paulo Freire (1994) já enfatizava a importância do diálogo, da conscientização, explicitando a compreensão critica do processo de ensino, renovando o significado da educação no contexto social do individuo e dos homens: “O diálogo, o encontro com o outro, permite ao homem ser sujeito de sua própria historia, construindo-se como pessoa, transformar o mundo, estabelecer relações com os outros homens, fazer cultura e fazer história”. O fato dos professores não terem já ingressados à Universidade significou muito na trajetória de vida deles. A partir do ingresso nesse Programa passaram a compreender mais as suas práticas pedagógicas, evidenciando esse processo de compreensão crítica que destaca Paulo Freire. Esse pensar criticamente influenciou na forma de olhar este novo espaço de Rondônia, bem como as práticas construídas na escola e no encontro com as novas territorialidades. Chama atenção Saquet (2009) que a territorialidade corresponde a este fenômeno social que envolve indivíduos que fazem parte do mesmo grupo social e de grupos distintos, mostrando que as territorialidades estão intimamente ligadas a cada lugar: elas dão-lhe identidade e são influenciadas pelas condições históricas e geográficas de cada lugar. Em Rondônia, esta nova territorialidade está marcada pelas relações cotidianas, dialógicas entre os professores e alunos, fazendo parte do campo das representações, do universo da subjetividade dos sujeitos. 3. CONSIDERAÇÕES FINAIS Ao concluirmos este trabalho vimos a importância de se trabalhar com as histórias de vida dos docentes de Geografia de Rondônia. Através dos textos escritos pelos próprios docentes, vimos as marcas da subjetividade em relação as suas práticas em sala de aula. Há a presença de uma territorialidade marcada pela relação afetiva com o lugar, efetivando-se principalmente nas relações cotidianas entre professores e alunos. Nas narrativas, vimos que o professor, na condição de migrante, passou a lecionar com todas as adversidades encontradas, sem haver escolas e merendas, principalmente na dificuldade de continuar com a sua formação. Por meio de seus textos, vimos a importância do registro da memória coletiva desses professores que iniciaram este processo educativo em Rondônia, sendo a maioria pioneira no ato de educar. Para nós, foi uma grande satisfação e prazer trabalhar com esses professores e alunos do Curso de Geografia, da Universidade Federal de Rondônia. Como maior resultado destaca-se a publicação do livro: “Na trilha do cacaio: construindo a educação na Amazônia”, publicado pela Editora da Universidade Federal de Rondônia e que contem muitas histórias de vida. Acreditamos que esta experiência registrada em cada página desse livro colabore para incentivar outros professores a registrarem a sua prática em sala de aula, o seu mundo vivido, documentar suas histórias sobre este fazer geográfico que acontece nas séries iniciais. Isto é, que os professores registrem mais as suas próprias experiências, não se limitando apenas ao uso do livro didático com conteúdos geralmente mecanicistas, mas que tragam a perspectiva do seu ensinar, do seu fazer pedagógico dentro desse contexto de novas territorialidades no Estado de Rondônia. 4. REFERÊNCIAS BENJAMIN, Walter. Obras escolhidas, magia e técnica, arte e política, 7ª ed. São Paulo: Brasiliense, 1994 FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler. 29ed. São Paulo: Cortez, 1994. FREITAS, Maria .Teresa.(1994) O pensamento de Vygotsky e Bakhtin no Brasil. São Paulo, Campinas, Papirus, 1994. KOZEL, Salete et all (org.) Da percepção à cognição a representação: reconstruções teóricas da Geografia Cultural e Humanista. São Paulo: Terceira Margem; Curitiba: NEER, 2007. KRAMER, Sonia. Por entre as pedras: arma e sonho na escola. São Paulo: Ática, 1994. NÓVOA, Antonio. Vidas de Professores. 2ª Ed. Editora Porto, 2007. SAQUET, marcos Aurélio; SPOSITO, Eliseu (orgs). Territórios e Territorialidades: teorias, processos e conflitos. 1. Ed. São Paulo: Expressão Popular, 2009.