Vanni et al.: Influência da ordem de treinamento em homens destreinados www.brjb.com.br ARTIGO ORIGINAL (ORIGINAL PAPER) EFEITO DE DIFERENTES ORDENS DOS EXERCÍCIOS DE FORÇA NO NÚMERO DE REPETIÇÕES, VOLUME TOTAL DE TREINO, PERCEPÇÃO SUBJETIVA DE ESFORÇO E RESPOSTA LACTACIDÊMICA EM HOMENS DESTREINADOS Otávio Vanni1,2, Ramires Alsamir Tibana1,2,3, Fernando de Aguiar1,2, Dahan da Cunha Nascimento1,2, Frederico Santos de Santana1,2, Sandor Balsamo1,2,4 1 Centro Universitário Euro-Americano (UNIEURO) - Departamento de Educação Física Brasília, DF - Brasil 2 Grupo de Estudo e Pesquisa em Exercício de Força e Saúde (GEPEEFS) – Brasília/DF/Brasil. 3 Programa Pós-graduação em Educação Física - Faculdade de Educação Física Universidade Católica de Brasília - Brasília, DF - Brasil 4 Programa de Pós-Graduação em Ciência Medicas da Faculdade de Medicina da Universidade de Brasília – Brasília/DF/Brasil. Autor Correspondente: Sandor Balsamo Centro Universitário Euro-Americano (UNIEURO) - Departamento de Educação Física Brasília, DF - Brasil CEP: 70910-900; Telefone: 55 (61) 3445-5888; e-mail: [email protected] Submitted for publication: May 2011 Accepted for publication: Oct 2011 Brazilian Journal of Biomotricity, v. 5, n. 4, p. 221-229, 2011 (ISSN 1981-6324) EFFECT OF DIFFERENT EXERCISE ORDERS ON STRENGTH, NUMBER OF REPETITIONS, TOTAL TRAINING VOLUME, PERCEIVED EXERTION AND BLOOD LACTATE IN UNTRAINED MEN 221 Vanni et al.: Influência da ordem de treinamento em homens destreinados www.brjb.com.br RESUMO VANNI, O.; TIBANA, R. A.; AGUIAR, F.; NASCIMENTO, D. C.; SANTANA, F. S.; BALSAMO, S. Efeito de diferentes ordens dos exercìcios de força no número de repetições, volume total de treino, percepção subjetiva de esforço e resposta lactacidêmica em homens destreinados. Brazilian Journal of Biomotricity. v. 5, n. 4, p. 221-229, 2011. O objetivo do presente estudo foi observar o efeito de diferentes ordens de exercícios resistidos para membros superiores na lactatemia [LAC], volume total (VT) e percepção subjetiva de esforço (PSE). A amostra foi constituída de nove homens não-treinados em Treinamento de Força (TF) (idade: 24,22 ± 2,44 anos; massa corporal: 70,94 ± 7,99 Kg; altura: 1,73 ± 0,05 m). O protocolo foi constituído de cinco sessões separadas por pelo menos 48h. Dia 1- apresentação da pesquisa. Dias 2 e 3teste e re-teste da carga referente a 10 repetições máximas (RM). Dias 4 e 5- execução aleatorizada dos protocolos de treinamento caracterizados por duas ordens invertidas com relação ao tamanho do grupo muscular. Constituídas de três séries e o máximo de repetições até a exaustão voluntária máxima com carga correspondente a 10RM e dois minutos de recuperação entre as séries e exercícios. GP – remada máquina (RMQ), supino horizontal com a barra longa (SH), rosca bíceps apoiado na parede com barra reta (RB) e rosca tríceps na polia alta (TP); PG – TP, RB, SH e RMQ. A ANOVA one way demonstrou diferença significativa entre as séries e exercícios para as duas ordens, os primeiros exercícios conseguiam realizar um maior número de repetições corroborando com estudos anteriores. Os resultados demonstraram que a PSE e a [LAC] não sofreram diferenças entre as ordens. Em relação ao desempenho das ordens não se observaram diferenças significativas. Conclui-se que os resultados constituem importantes ferramentas para a elaboração do TF com relação ao posicionamento dos exercícios. ABSTRACT VANNI, O.; TIBANA, R. A.; AGUIAR, F.; NASCIMENTO, D. C.; SANTANA, F. S.; BALSAMO, S. Effect of different exercise orders on strength, number of repetitions, total training volume, perceived exertion and blood lactate in untrained men. Brazilian Journal of Biomotricity. v. 5, n. 4, p. 221-229, 2011. The aim of this study was to observe the effect of different orders of resistance exercises for upper limbs in lactatemia [LAC], total volume (VT) and ratings of perceived exertion (RPE). The sample consisted of nine men untrained in Strength Training (ST) (age: 24.22 ± 2.44 years, body mass: 70.94 ± 7.99 kg; height: 1.73 ± 0.05 m). The protocol consisted of five sessions separated by at least 48 hours. Day 1 - presentation of research. Days 2 and 3 - test and re-test load corresponding of 10 repetitions maximum (10RM). Days 4 and 5 implementation of randomized training protocols characterized by two inverted order with respect to the size of the muscle group. Consisting of three sets and the maximum repetitions to the load of 10RM and two minutes recovery between sets and exercises. GP - rowing machine (RM), bench press with long bar (BP), biceps against the wall with straight bar (RB) and triceps pushdowns (TP), PG - TP, RB, SH and RMQ. The one-way ANOVA showed significant difference between sets and exercises for the two orders, the first exercises could perform a greater number of repetitions, corroborating previous studies. The results showed that the RPE and [LAC] suffered no differences between the orders. Regarding the performance of the orders there were no significant differences. We conclude that the results provide important tools for the preparation of resistance training in relation to the positioning of the exercises. Key words: Muscle force, perceived exertion, lactate. INTRODUÇÃO O treinamento de força (TF) é geralmente prescrito para promover o aumento na força absoluta, potência, hipertrofia e resistência muscular. Dependendo dos objetivos e das necessidades individuais, diversas variáveis podem ser consideradas no delineamento do TF, como o número de exercícios, séries, carga, velocidade de execução, intervalo de recuperação entre as séries e a ordem dos exercícios (KRAEMER E RATAMESS, 2004; FLECK E KRAEMER, 2007). Tradicionalmente, preconiza-se que sejam realizados os exercícios para grandes grupos musculares antes dos pequenos grupos musculares (SFORZO e TOUEY, 1996; ACSM, 2009). Entretanto, recentemente, estudos têm demonstrado que independente da ordem, os exercícios posicionados ao final da sessão realizam menos repetições (SIMÃO et al., 2005; 2007; SILVA et al., 2009) e parecem possuir menores ganhos de força muscular (DIAS et al., 2010; SIMÃO et al., 2010) quando comparado aos mesmos exercícios posicionados no começo da sessão (TIBANA e BALSAMO, 2011). Brazilian Journal of Biomotricity, v. 5, n. 4, p. 221-229, 2011 (ISSN 1981-6324) Palavras-Chave: Força Muscular, Percepção Subjetiva de Esforço, Lactato. 222 Vanni et al.: Influência da ordem de treinamento em homens destreinados www.brjb.com.br A PSE e a [LAC] são parâmetros usualmente utilizados para a determinação dos efeitos de distintas ordens de treinamento resistido na intensidade. A PSE caracteriza-se por uma escala categórica de medida de intensidade do TF e, apesar disso, não está claro como a ordem dos exercícios a influencia (SIMÃO et al., 2005; SPREUWENBERG et al., 2006; SIMÃO et al., 2007; BELEZZA et al., 2009). Em relação à [LAC], o único estudo que analisou a intensidade por meio da [LAC], mostrou que, em um protocolo com exercícios de grandes grupos musculares colocados no início da sessão, a intensidade foi significativamente maior (BELEZZA et al., 2009). Além disso, apesar de existirem poucos estudos o volume de TF tem sido avaliado simplesmente pelo número de repetições realizadas nas diferentes ordens. Portanto, desenvolveu-se a hipótese de que independente da ordem, os exercícios posicionados ao final da sequência de treino realizariam menor volume total. Outra hipótese é que na ordem GP (grandes grupos musculares para pequenos grupos musculares) possivelmente sejam observados maiores valores de [LAC] pela maior massa muscular solicitada primariamente, sobretudo em indivíduos destreinados. Diferente da PSE que supõem se não sofrer mudanças tendo em vista que a carga utilizada é máxima e constante. Logo, o presente estudo tem como objetivo analisar a influência de diferentes ordens de exercício resistido no número de repetições realizadas, volume total de treino, PSE e [LAC] em homens destreinados. MATERIAIS E MÉTODOS Pesquisa com característica experimental teve participação voluntária com amostra composta por nove adultos aparentemente saudáveis (24,22 ± 2,44 anos; massa corpórea 70,94 ± 7,99 Kg; altura 1,73 ± 0,05 m), do sexo masculino, sendo todos os indivíduos novatos ou destreinados por vários anos (ACSM, 2009). Como critérios de inclusão os participantes não deveriam possuir quaisquer lesões osteomioarticulares ou doença que comprometesse a realização do protocolo do estudo, responder negativamente qualquer item do questionário PAR-Q e assinar o termo de consentimento livre e esclarecido. O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da instituição sob o Protocolo nº 030/09, parecer nº 035/09. Teste de força muscular Pensando nas limitações existentes do teste de 1RM (TAN, 1999) como: a variação da força de 10 a 20% no dia, resultando num número de repetições variado para um percentual fixo de 1RM, diferenças interindividuais no número de repetições alcançadas para um percentual fixo de 1RM, número de repetições atingíveis de um grupamento muscular menor quando comparado com um grupamento muscular maior (TIBANA et al., 2011) e pela nível de treino dos participantes, já que existe uma tendência para controlar os ganhos de força, especialmente para indivíduos destreinados que tendem a ter rápidos ganhos. Por isso foi realizado o teste de 10 repetições máximas (10RM) em dois diferentes dias separados por 48-72h. Baseando-se no protocolo de (MONTEIRO et al., 2005) as seguintes recomendações foram seguidas: 1) Aquecimento em cada equipamento com duas séries de 10 repetições com carga auto-selecionada com descanso de um minuto após os exercícios, antes do início da primeira tentativa; 2) A carga referente a 10RM foi determinada com o máximo de peso possível para a falha Brazilian Journal of Biomotricity, v. 5, n. 4, p. 221-229, 2011 (ISSN 1981-6324) Amostra 223 Vanni et al.: Influência da ordem de treinamento em homens destreinados www.brjb.com.br concêntrica ocorrer na 11ª repetição; 3) Foram realizadas no máximo três tentativas com intervalo de recuperação de dois minutos entre elas; 4) Para a determinação da confiabilidade dos testes de 10RM foi realizado um re-teste calculando o coeficiente de correlação intra-classe para RMQ (r = 0,98), SH (r = 0,99), RB (r = 0,98) e RT (r = 0,97). Não houve controle na velocidade de execução das repetições com objetivo de aproximar ao máximo do modo como esses exercícios são executados em sessões típicas. Entretanto, com intuitos de evitar influências da velocidade de execução na PSE por causa da maior ativação muscular e resposta metabólica (KULIG et al., 2011) os participantes foram orientados a executar cada repetição com velocidade moderada (ACSM., 2009) de ± 2s na fase concêntrica e ± 2s na fase excêntrica. Além disso, estímulos verbais foram realizados a fim de manter alto o nível de rendimento (MCNAIR et al., 1996). A [LAC] foi coletada em quatro momentos durante os protocolos do experimento: após cinco min. de repouso (PRÉ), após a terceira série do primeiro exercício (EXE1), após a terceira série do terceiro exercício (EXE3) e 10 min após o protocolo, com o indivíduo em repouso (PÓS10). As coletas de sangue capilar (25µl) foram de acordo com o protocolo de (OLIVEIRA et al., 2010), brevemente: foram extraídas da região lateral do dedo indicador por meio de lancetador (marca Accu-check); Para assepsia do dedo foram utilizadas gazes embebidas de álcool (solução a 70%) com o avaliador usando luvas descartáveis; Todas as análises de [LAC] foram realizadas em lactímetro marca Roche, modelo Accutrend Lactate. Percepção subjetiva de esforço (PSE) A PSE foi obtida imediatamente após a terceira série de cada exercício usando a escala de OMNI-RES (ROBERTSON et al., 2003). Os participantes classificaram o esforço percebido de acordo com a determinação de critérios que foram desde extremamente fácil até extremamente difícil. Através dos resultados foi realizada a média da PSE da sessão de treinamento. Os resultados da PSE foram apresentados com media dos valores ao longo das séries. Protocolo experimental O protocolo experimental foi realizado em cinco dias, conforme a sequência indicada a seguir: a) No primeiro dia os voluntários assinaram termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), preencheram o questionário PAR-Q, realizaram a análise antropométrica (peso e altura) e a familiarização com a PSE, execução correta dos exercícios e procedimentos do protocolo como intervalo entre as tentativas e exercícios. Além disso, as sessões de testes foram realizadas em quatro diferentes dias separados por no mínimo 48h; b) No segundo e terceiro dias foram realizados o teste e re-teste de 10RM; c) No quarto e quinto dias os testes foram realizados de forma aleatória com as duas diferentes ordens dos exercícios: grande para o pequeno grupamento muscular (GP) e pequeno para o grande grupamento muscular (PG). Os exercícios escolhidos foram: remada máquina (RMQ); supino horizontal com a barra longa (SH), rosca bíceps apoiado na parede com barra reta (RB) e rosca tríceps na polia Brazilian Journal of Biomotricity, v. 5, n. 4, p. 221-229, 2011 (ISSN 1981-6324) Analise da lactatemia 224 Vanni et al.: Influência da ordem de treinamento em homens destreinados www.brjb.com.br alta (TP) pela sua grande disseminação entre os praticantes. O intervalo de recuperação foi composto de dois minutos para todos os exercícios e entre as séries com carga correspondente a 10RM. Análise estatística A estatística foi realizada aceitando alfa com nível de significância para todas as variáveis estudadas em p ≤ 0,05. Inicialmente realizou-se o teste de Shapiro-Wilk para avaliar a normalidade dos dados. Para os dados de repetições a homogeneidade foi testada pela equação de Maucly e quando a esfericidade foi violada realizaram-se ajustes baseados nas estimativas de Greenhouse e Geisser. A ANOVA Two Way de medidas repetidas foi usada para analisar as diferenças na resposta [LAC] entre o repouso, as séries e os grupos. O teste T de Student foi realizado para calcular as possíveis diferenças do número total de repetições e volume total de treinamento entre ordens. Para avaliar a diferença da mediana dos valores da PSE ao longo das séries entre as ordens foi utilizado o teste de Wilcoxon. A Tabela 1 e a Figura 1 ilustram os valores observados para o volume total de treino e número total de repetições em cada exercício, respectivamente. Foram observadas diferenças significativas (p≤0,05) para todos os exercícios com exceção do RB nas diferentes ordens dos exercícios no volume total de treino e número total de repetições, respectivamente. Tabela 1 - Volume total de treino (Kg) em cada exercício nas diferentes ordens dos exercícios de força. TP RB SH RM GP 3.337 ± 893 837 ± 343 2.427 ± 658* 5.065 ± 1,086* PG 4.153 ± 1.217* 918 ± 429 2.027 ± 858 1.228 ± 366 *Diferença significativa entre as ordens (p≤ 0,05). Figura 1 - Soma do número de repetições em cada exercício por seqüência. GP = grandes grupos primeiro; PG = pequenos grupos primeiro; * = p ≤ 0,05. Brazilian Journal of Biomotricity, v. 5, n. 4, p. 221-229, 2011 (ISSN 1981-6324) RESULTADOS 225 Vanni et al.: Influência da ordem de treinamento em homens destreinados www.brjb.com.br Quanto a PSE não foram identificadas diferenças entre o GP (mediana = 10) e PG (mediana = 10) (Figura 2). Já em relação à [LAC], não houve diferença entre as ordens, porém os momentos EX1, EX3 e PÓS10 nas duas ordens apresentaram valores maiores significativamente em relação ao PRÉ (Figura 3). Figura 3 - Cinética da [LAC] das duas ordens e os momentos pré exercício (PRÉ), exercício 1 (EXE1), exercício 3 (EXE3) e pós exercício (PÓS10). GP = Grande para os pequenos grupos musculares; PG = Pequeno para os grandes grupos musculares. *Diferença significativa nos momentos (EXE1), (EXE3) e (PÓS10) em relação ao momento (PRÉ) p ≤ 0,05. DISCUSSÃO As hipóteses levantadas em princípio sobre a queda no número de repetições e, consequentemente menor volume total para os exercícios que se posicionavam ao final das ordens se confirmaram. Os resultados encontrados no presente estudo estão de acordo com as informações disponíveis em outras investigações (SFORZO E TOUEY, Brazilian Journal of Biomotricity, v. 5, n. 4, p. 221-229, 2011 (ISSN 1981-6324) Figura 2 - Mediana dos valores da percepção subjetiva de esforço ao longo das séries para as diferentes ordens. PM-GM = pequeno para os grandes grupamentos musculares; GM = grandes para os pequenos grupos musculares. 226 Vanni et al.: Influência da ordem de treinamento em homens destreinados www.brjb.com.br 1996; SIMÃO et al., 2007; BELEZZA et al., 2009; DIAS et al., 2010; SIMÃO et al., 2010). Em relação à [LAC], não houve diferença entre as ordens, ao contrário da hipótese inicial do presente estudo, com isso parece que a massa muscular envolvida não influencia na reposta do lactato. Belezza et al. (2009) também verificaram o comportamento da [LAC] em duas ordens de exercício para todo o corpo, contando com 29 indivíduos separados em dois grupos, homens (11) e mulheres (18) ambos treinados no TF. Para o grupo de homens não foram verificadas diferenças em nenhum momento entre as duas ordens. Para o grupo de mulheres somente houve diferença na ordem do grande grupo muscular para o pequeno após o exercício de desenvolvimento. Uma das argumentações citada pelos autores foi o menor engajamento do grupo de mulheres no TF, pois realizavam uma média de (1,9 ± 1,3) sessões por semana, enquanto os homens (3,2 ± 1,9), teoricamente preparando-os a suportar maiores níveis de acidose. Diferente do estudo supracitado nossa amostra foi constituída de indivíduos não treinados em TF, porém os resultados não se diferenciam em se tratando do sexo masculino. É demasiado cedo para se firmar qualquer conclusão a respeito do comportamento da [LAC] em diferentes ordens, sobretudo por conta da escassez de estudos que analisaram esta variável como medidor de intensidade. Em recente revisão realizada por Tiggemann et al. (2010) sobre a PSE nas variáveis do TF, um tópico se destinou a ordem dos exercícios. O ordenamento dos exercícios parece não afetar a PSE. Este comportamento se repete em análises para o emprego da escala somente ao final da sequência (MONTEIRO et al., 2005), em um determinado momento nas duas sequências (BELEZZA et al., 2009) ou após todas as séries nas duas sequências (SIMÃO et al., 2010). Tiggemann et al. (2010) citam que a principal variável moduladora para a PSE no TF é a carga utilizada, abordam também a existência de poucos estudos que avaliaram a PSE em repetições máximas, mesmo assim concluem que este protocolo do tipo máximo, obviamente gerará valores maiores para a PSE, resultando em respostas semelhantes mesmo em diferentes protocolos, o que corrobora com os resultados do presente estudo. Uma das possíveis limitações deste estudo seja a familiarização com a PSE. Em termos gerais, os resultados obtidos sugerem que os primeiros exercícios realizam Brazilian Journal of Biomotricity, v. 5, n. 4, p. 221-229, 2011 (ISSN 1981-6324) Observou se que independente do grupo muscular realizado primeiramente, os níveis de fadiga interferem no exercício posterior. O número total de repetições e o volume total de treino foi diferente significativamente para os exercícios RMQ, SH e TP entre as ordens, não ocorrendo o mesmo para o RB. Porém, tal afirmativa não se aplica totalmente para os exercícios que são realizados no meio da sequência. Assim, como o observado no RB, outros estudos mostraram que o exercício posicionado no meio das duas ordens foi o que não sofreu diferença quanto ao número de repetições máximas (NOVAES et al., 2007), inclusive em amostras femininas (SIMÃO et al., 2007). Além disso, deve-se destacar que o presente experimento não utilizou uma sequência cumulativa para os mesmos grupos musculares, como nos estudos (MONTEIRO et al., 2005, NOVAES et al., 2007, SIMÃO et al., 2007). Outra explicação seria a possível relação dos equipamentos utilizados previamente aos exercícios de pequenos grupos musculares e a diferença entre o recrutamento das musculaturas no peso livre e na máquina. Sabendo que no peso livre (supino) com uma carga de 80% ocorre maior recrutamento de musculaturas como tríceps braquial e peitoral maior quando comparado com a máquina (MCCAW e FRIDAY, 1994), tal fadiga residual neste exercício, pode ter prejudicado o número de repetições no rosca tríceps que foi o último exercício. Como o exercício previamente ao rosca bíceps, foi realizado na máquina, tais diferenças supracitadas podem não ter ocorrido. Com isso o rosca bíceps pode não ter sido prejudicado. 227 Vanni et al.: Influência da ordem de treinamento em homens destreinados www.brjb.com.br um maior volume de treino para a dada carga de trabalho. Em contrapartida esses mesmo exercícios quando realizados ao final do protocolo tendem a executar um menor número de repetições para a mesma carga de trabalho. O que afirma que a ordem pode ser uma variável diretamente relacionada com a intensidade do esforço. Dessa forma, na elaboração de um programa de treinamento o músculo que se deseje priorizar no que diz respeito ao ganho de força muscular deve ser o primeiro (DIAS et al., 2010 ; SIMÃO et al., 2010; TIBANA e BALSAMO, 2011). APLICAÇÕES PRÁTICAS A manipulação da ordem dos exercícios no TF em uma sessão para membros superiores tende a alterar o desempenho para os exercícios que são realizados no final do programa independente de sua massa muscular e ou articulações envolvidas. Um aspecto importante é a escolha dos exercícios empregados na sessão de treino, dependendo de seu posicionamento e tipo (máquinas x peso livre) o desgaste poderá ser maior. Desta forma, levando a uma reflexão critica sobre a organização dos exercícios e processos de treinamento. Sendo assim treinadores e especialistas podem utilizar uma sessão de TF seguindo uma sequência que atenda as necessidades de cada praticante. AMERICAN COLLEGE OF SPORTS MEDICINE. Progression Models in Resistance Training for Healthy Adults. Medicine Science in Sports and Exercise, v. 34, p. 364-380, 2009. BELLEZZA, P.; HALL, E.; MILLER, P.; BIXBY, W. The influence of exercise order on blood lactate, perceptual, and affective responses. Journal of Strength and Conditioning Research, v. 23, p. 203-8, 2009. DIAS, I.; SALLES, B.; NOVAES, J.; COSTA, P.; SIMÃO R. Influence of exercise order on maximum strength in untrained young men. Journal of Science and Medicine in Sport, v. 13, p. 65-69, 2010. 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