workshop
Do envolvimento à participação:
o papel da comunicação na gestão de riscos
UNIVERSIDADE DOS AÇORES • 20 a 22 de Julho de 2011
convidados
equipa
Ana Moura Arroz
Manuela Calheiros
Paulo Borges
Isabel Carvalho Guerra
Rosalina Gabriel
Luísa Pedroso Lima
Ana Cristina Palos
José Manuel Mendes
Isabel Estrela Rego
Álamo Meneses
António Félix Rodrigues
José Parreira
Emiliana Silva
Isabel Abreu dos Santos
Marta Silva
Lia Vasconcelos
Sofia Guedes Vaz
José Vieira
programa
20 de Julho
20h00 - PRELÚDIO
Exibição comentada do filme “ O
ARQUITECTO E A CIDADE VELHA”
22 de Julho
09h15 – PAINEL CONVIDADOS
21 de Julho
09h15 – PAINEL CONVIDADOS
CIDADANIA E GOVERNANÇA DO
RISCO
RSCOS AMBIENTAIS, COMUNICAÇÃO
CIIENTÍFICA, MEDIA E CIDADÃOS
O papel do investigador na
peritagem de riscos: monitorização
da infestação por térmitas nos
Açores
Interfaces
sociedade
Planeamento e preparedness: riscos
ambientais e vulnerabilidade social
Percepção de riscos ambientais e
participação na gestão das paisagens
entre
ciência,
risco
Entre a persuasão e a mediação: a
complexidade
das
agendas
da
Comunicação de Risco
Risco e responsabilidade social dos media
enquanto opinion makers
Comunicação de risco e sustentabilidade
Integração das perspectivas leigas
nos sistemas de gestão integrada
11h30 - SESSÃO DE POSTERS
11h30 – PAINEL
PROJECTO AFRICA ANNES I
PROJECTO AFRICA ANNES II
14h30 - MASTER-CLASS
14h30 - MASTER-CLASS
INTERVENÇÃO SOCIAL: DA
CONCEPÇÃO À AVALIAÇÃO DE
PROGRAMAS
ESTRATÉGIAS DE PROMOÇÃO DO
ENVOLVIMENTO E PARTICIPAÇÃO DOS
CIDADÃOS
Manuela Calheiros
Inscrições
externas
e
Isabel Carvalho Guerra
10 euros (acesso apenas a sessões de trabalho)
Contactar: 924270216 [email protected]
Incorporação da percepção social na comunicação de risco ambiental
Campus de Angra do Heroísmo • Pico da Urze
Projecto áfrica annes
Sobre a criança que nascera em tão dificultosas
circunstâncias, parece que não impendia a sorte de seus
irmãos. África, alimentada pela burra e embalada nos
ternos braços de Luzia, ganhava saúde e beleza e já
ultrapassara os meses que tinham sido fatais para os
outros meninos, seus irmãos.
Seu pai ia visitá-la quase todas as tardes, antes do
toque das trindades, ao anoitecer, e olhava-a com
alguma ternura.
Passava as pontas dos dedos nos seus negros cabelinhos,
e as muito velhas mulheres que residiam no paço,
quando viam o capitão do donatário olhar a menina,
ficavam muito espantadas por não ser costume um tão
grande Senhor olhar assim sua filha.
Também Fernão Gonçalves, amo de Antão Annes,
chamado da Barba porque a tinha muito comprida,
dizia que nunca o pai dele o havia olhado deste modo
porque não era hábito os poderosos senhores perderem
seu tempo a visitar crianças.
Quando começou a idade de lhe nascer os dentes,
deram-lhe para roer a vértebra de um peixe que não
era baleia, encontrado no pesqueiro do Demo, assim
chamado por ser ruim e trabalhoso. Esse peixe não
tinha osso nem espinha, enorme de quarenta e dois
côvados em comprimento e oito de largo, de quinze
palmos de alto e da ponta da boca até à guelra tinha
vinte e cinco palmos; e que, o vendo, alguns homens
disseram que se se abrira a boca, bem pudera caber e
entrar por ela uma junta de bois com seu carro.
E o amarraram e andaram cem homens subindo por
ele como sobem pelas cintas de um navio, e no dia
seguinte, cento e cinquenta, e todos o cortaram com
machados. (…)
Todo derretido o peixe, viram que não tinha osso nem
espinha como atrás
á disse, mas os nervos eram de tal
modo rijos que podiam prender com eles as reses ou
outras bestas à relva e que tinham a maior resistência
sem nunca se quebrarem.
Pois foi um pequeno pedaço destes nervos, parecendo
âmbar, que puseram nas mãozinhas de África e com o
qual ela coçava suas gengivas rosadas.
Tempos depois encontraram outro peixe morto, de
estranha grandura, mas derretido não se tirou grande
proveito por se gastar mais lenha para o queimar do
que o que valia em azeite. Mas alumiava mais claro do
que o de baleia quando ardia e não saía nenhum cheiro.
Era tão grande e espantoso com suas barbatanas no
redor da cabeça como tábuas de forro e com cabelos
como de seda nas pontas, parecendo um resplendor.
Este peixe dizem que é grande guerreiro e furioso na
peleja.
Também quiseram dar um pedacito dele a África
para coçar suas gengivas, mas a menina assustou-se
tanto que gritou durante três dias.
Parecia que já o tivesse alguma vez olhado em seu meio,
natural, que era o profundo abismo do mar.
E isto tudo que a menina fazia era causa de espanto.
Por todos estes sinais, e porque África tinha um brilho
desusado no olhar e devido ao seu nascimento que
ocorreu no próprio momento do terramoto, como
Petronilla Afonso jurava, pondo a mão sobre a Bíblia,
havia quem acreditasse que ela estaria predestinada a
grandes feitos.
In Madalena Férin. (2001). África Annes.
Download

Poster de divulgação do workshop