LEANDRO BATISTA DA SILVA
SULENE MARIA CUNHA DA ROCHA
DELANE TEODORA DE OLIVEIRA LEONARDO
(Organizadores)
Garança
Poética
2012
Colégio Militar de Brasília
EGGCF - Gráfica do Exército
Brasília 2012
Ficha Catalográfica
ISBN: 978-85-62061-03-5
Projeto Gráfico: EGGCF - Gráfica do Exército.
Capa: Larissa Lúcio Meyer.
Editoração Eletrônica
(Diagramação): Soldado Gilney Lopes de Ataides.
Soldado Elton Nunes da Silva.
Revisão: Delane Teodora de Oliveira Leonardo.
Leandro Batista da Silva.
Digitação: Joaquina Bento Miranda da Silva.
Impressão e Acabamento: EGGCF - Gráfica do Exército.
Colégio Militar de Brasília:
Fone:(61) 34241000
www.cmb.ensino.eb.br
Estabelecimento General Gustavo Cordeiro de Farias - “Gráfica do Exército”
AL. Mal. Rondon S/N - Setor de Garagens - QGEx - CEP: 70630-901 - Brasília - DF
Tel:3415-4248 - RITEX: 860-4248 - FAX: 3415-5829
Site: www.eggcf.eb.mil.br - Email: [email protected]
SUMÁRIO
Prefácio .................................................................................................15
Introdução .............................................................................................17
ENSINO FUNDAMENTAL
6º ANO
Eu imagino
Valentina Alves Menezes Andrade........................................................23
Mãe
Bruna Vasconcellos Monteiro de Castro ...............................................24
Carioca
Isabella Carneiro da Silva .....................................................................25
A Barata e a Formiga
Pedro Mota Hoertel ...............................................................................26
7º ANO
Meu mundo Perfeito
Lucas Souza de Carvalho ......................................................................31
Mundo perfeito
Nathália Oliveira Pereira.......................................................................32
Sonhos trocados
Marco Túlio Villela Ribeiro Faria .........................................................33
Tempo
Samuel Sena Galvão ............................................................................34
Tudo de que preciso
Neanderson de Oliveira Rodrigues .......................................................35
Jardinagem da Amizade
Helena Benatt do Nascimento Alves.....................................................36
Um banquete e tanto
Ana Júlia Emy Messias Nakata.............................................................38
8º ANO
O homem que achou um livro
Leonardo Francisco M. C. Cândido Ribeiro .........................................41
Lágrimas
Quéren-Hapuque Torres de Sousa.........................................................43
Linhas da Imaginação
Laura Reis Vieira ..................................................................................44
Não entendo
Juliana Weinert de Lima .......................................................................45
Que futuro queremos?
Anne Costa Bittencourt Andrade ..........................................................46
Enfrentando a realidade
Luthielly Alves Lopes ...........................................................................47
9º ANO
Linda chuva
Pedro Henrique Rocha de Freitas .........................................................51
A chuva
Matheus Lemos Pereira.........................................................................52
Mudança do mundo
Luiza Tessmann.....................................................................................53
O livro e seus valores
Luiza Tessmann ....................................................................................54
Fim do Fundamental
Luiza Tessmann.....................................................................................56
Liberte-se
Ana Carolina de Aro Rezo Cardoso .....................................................57
Lo siento, hermanos
Lorena Pimenta Bomfim .......................................................................58
Janela do Tempo
Raquel Lopes Amaral ............................................................................60
Amizade
Juliana de Aquino Ferraz ......................................................................61
Desejos
Juliana de Aquino Ferraz ......................................................................62
Professor...
Bruna Paracat Carvalho dos Santos ......................................................63
Liberdade de viver
Daniela Oliveira da Silva ......................................................................64
Correria da vida
Paulo Roberto Marculino de Souza ......................................................65
O jogo
Paulo Vitor Santana Santos ...................................................................66
Minha música
Maria Eduarda Vidal de Santana...........................................................67
Amor
Pedro Paulo Pacheco de Andrade .........................................................68
Aquele que resolveu ficar
Derek Chaves Lopes .............................................................................69
Até o sol voltar
Débora Angonese ..................................................................................70
ENSINO MÉDIO
1º ANO
Delírio do eu?
Luiz Felipe Costa Gomide ....................................................................77
Comparação
Jaqueline Gutierri Coelho .....................................................................78
Paixão
Giovana Mazzoni Armando Sant’anna .................................................79
Melodia
Giovana Mazzoni Armando Sant’anna .................................................80
A beleza de quem não vê
Mariah Sá Barreto Gama ......................................................................81
Um poema
Rafaela Souza Vilela .............................................................................82
2º ANO
Sertão
Giovana Vieira Porto.............................................................................85
Amizade
Teciana Xavier Lopes Ferreira ..............................................................86
Você e eu
Débora Fernandes Madera ....................................................................87
Triste fim
Beatriz Edla Caetano.............................................................................88
Saudade
Yasmin Albuquerque de Melo...............................................................89
A peça de teatro sem ensaios
Andeson Abner de Souza Leite .............................................................90
Combustível do homem moderno
Anna Beatriz Pinheiro de Souza Abreu ................................................91
Mal do século
Mayara Flores Bonatto..........................................................................92
Chuva
Marcus Bruno Custódio Vasconcelos ...................................................93
Mentiras
Bianca Mariano Porto ...........................................................................94
3º ANO
Certa conversa com Drummond
Romulo Luiz dos Santos Lima..............................................................99
Necessário o questionar
Adriano Souza Brandão ...................................................................... 100
Fui!
João Luís Ferreira Caetano ................................................................. 102
Your Eyes
Gabriel Paiva Dias Lacerda & Luiz Felipe C. Pompeu Brasil ............ 103
Faz parte da vida
Cristian Landri Cabral de Moraes ....................................................... 104
A viúva
Marcela Moreira Caldas Rodrigues & Marina Nunes Pessôa ............ 105
Vergonha
Marcela Moreira Caldas Rodrigues .................................................... 106
Poeminha a Millôr
Thaise Medeiros de Cerqueira ............................................................ 107
Cadeira de balanço
Isadora Bonfim Nuto ........................................................................... 108
Sierra
Emanuel Vinícius de Lavor Miranda .................................................. 111
Tempo e Vida, Ser
Érika Wanessa Gomes de Mesquita .................................................... 113
Tempo
Mariel Figueiredo de Castro ............................................................... 114
Amor de volta
Fabiane Rejane Silva Coelho .............................................................. 115
Letras
Samuel dos Santos Silva ..................................................................... 116
ILUSTRADORES
Valentina Alves Menezes Andrade – 6º ano
João Vítor Dallarosa Linhares – 6º ano
Bárbara Lovisi Silva Gomide – 6º ano
Sabrina Roberta Ferreira Silva de Oliveira – 7º ano
Sofia de Mello Caselli – 8º ano
Victor Laus Adachi – 8º ano
Larissa Leão Dalla Torre – 3º ano
Giovanna Fernandes – 3ºano
Larissa Lúcio Meyer – 3º ano (capa)
13
PREFÁCIO
Mais uma vez apresentamos à comunidade escolar uma edição
de nossa coletânea literária – “Garança Poética”. A publicação desta
obra representa o coroamento de uma série de atividades associadas ao
trabalho com a palavra e que são desenvolvidas ao longo do ano letivo.
É uma satisfação perceber que o ambiente escolar proporciona,
além da educação formal, o contato com a arte, por meio da literatura. A
edição 2012 do “Garança Poética” é uma boa representação disso.
Nossos educandos posicionam-se nesta obra como jovens que
anseiam compreender o mundo que os rodeia. Apesar da pouca idade,
apresentam-se como pessoas que são capazes de se expressar e de
observar, por intermédio da palavra, temas que lhes são próprios.
Trazer a público mais uma obra é mostrar que temos o compromisso
com a formação integral de nossos estudantes, ao mesmo tempo em que
estamos atentos ao espaço que a leitura e a escrita devem ocupar na
formação do futuro cidadão.
Parabéns a nossos alunos-escritores, alunos-ilustradores,
professores, à Família Garança e a todos que colaboraram para que esta
obra alcançasse o seu 16º ano de edição.
HEIMO ANDRÉ DA SILVA GUIMARÃES DE LUNA – CEL
COMANDANTE DO COLÉGIO MILITAR DE BRASÍLIA
15
INTRODUÇÃO
O hábito e a paixão por escrever nem sempre são dons inatos;
exigem a motivação, o despertar, algo que nos faça acreditar que nosso
texto merece ser lido pelo outro. Em razão disso, o trabalho com a palavra
na escola precisa fazer parte de um projeto mais amplo, que dê à escrita
literária o espaço que lhe é devido; e que mostre ao aluno que “escrever é
duro como quebrar rochas” – citando João Cabral –, mas não algo impossível.
Nesse sentido, entra em ação uma gestão pedagógica comprometida, em uma instituição de ensino que sabe o quanto é possível e importante não apenas estimular, mas, especialmente, valorizar as habilidades
de seu jovem aluno. É nesse contexto que, há dezesseis anos, o Colégio
Militar de Brasília incentiva – e possibilita – o trabalho artístico com a
palavra, por meio de nosso Garança Poética.
No que se refere a esse incentivo à escrita, além de uma equipe de
educadores preparados, também estudiosos, pesquisadores, é necessário
gente amorosa, que anseia por ver o aprendente – por que não um neologismo tão cabível aqui? – libertando sua imaginação e, possivelmente,
apaixonando-se pela arte de abrir-se no texto.
Além das diversas habilidades já dominadas pelo aspirante a poeta-escritor, como boas coesão, sintaxe, pontuação, perfeita articulação de
ideias, dentre outras competências, certamente que técnicas de produção
literária, o uso de figuras de sintaxe, enfim, alguns recursos de estilística,
devem ter suscitado a criatividade do artista, como se pode notar nos poemas de diversos de nossos alunos. Isso é perceptível desde as singelas
produções do 6º ano, passando pelas dores do amor dos 9º e 1º anos e
chegando às reflexões mais maduras na despedida dos nossos queridos
discentes do 3º ano do Ensino Médio – muitos desses, aliás, publicando
textos, ininterruptamente, desde o Ensino Fundamental.
Entretanto, há que se considerar tal fato como resultado de um trabalho bem realizado, durante todo o ensino básico, bem como da perfeita
união entre habilidades e competências; isto é, o aluno é estimulado a
desenvolver uma habilidade, por meio de um determinado conhecimento,
e, posteriormente, torna-se capaz de aplicar tal conhecimento adquirido,
ou seja, passa a ter a competência para aplicá-lo em suas atividades diversas.
17
O sujeito que escreve bem, que desenvolve bem o ato comunicativo, é livre, conquista não só o respeito da sociedade, mas, principalmente,
desenvolve sua autoestima; é um ser que se conhece e que sabe se expor,
inclusive, com clareza e objetividade, oralmente, além de compreender as
mensagens que o mundo lhe transmite, já que, quanto maior o domínio da
escrita e da fala, maior e melhor é o nível do conhecimento.
Os jovens talentos que ousaram escrever e publicar suas obras
nesta edição do Garança Poética são exemplos de que é por meio da prática incessante e da dedicação, tanto dos próprios poetas quanto de uma
equipe de profissionais persistentes e dedicados, que a poesia cresce, a
paixão por escrever se aflora e a arte nasce; quando menos se espera,
surge também um artista.
Citando o brasileiríssimo Jorge Amado, neste momento em que
enfaticamente comemoramos sua célebre centenária existência, ele, que
notavelmente admirava o ímpeto juvenil:
Pobres dos escritores que não se derem conta disso: escrever é
transmitir vida, emoção, o que conheço e sei, minha experiência
e forma de ver a vida”. (Em 1995, comentando não escrever para
ganhar prêmios, quando da sua indicação para o prêmio Camões).
Em vista de tudo que o Garança Poética representa para nossa
comunidade escolar, a sugestão que fica é que nossos alunos recebam o
presente que é mais esta edição e prossigam em suas práticas de revelar
ao papel e, claro, ao mundo – “ele” merece e precisa saber – todo o descobrir e toda a emoção que o simples fato de existir lhes proporciona. Ação
que tão belamente nossos alunos ousaram realizar.
Brasília, setembro de 2012.
Gabriela Menezes de Souza
Mestre em Educação
Professora de Língua Portuguesa do Colégio Militar de Brasília
18
ENSINO FUNDAMENTAL
6º ANO ENSINO FUNDAMENTAL
22
Ilustração de autoria da aluna VALENTINA ALVES MENEZES ANDRADE Turma 604
Eu imagino...
A imaginação
é algo que não se apaga,
estraga ou acaba.
Não se destrói;
quebra barreiras,
pula obstáculos,
vai além
e nunca se contém.
Existe na mente de poucos,
é prima da criatividade,
irmã do pensamento e, sem dúvida,
minha melhor amiga de todas as horas.
Não sei se é sentimento,
que de repente chega,
ou se é dom que já nasceu comigo.
A única coisa que sei
é que não é pássaro,
não é avião...
o que vive comigo
é a imaginação.
Valentina Alves Menezes Andrade – Turma 604
23
Mãe
Mãe é a pessoa mais querida,
pode ser sua estrela-guia,
amiga, companheira...
Mãe é sempre verdadeira.
Mãe é tudo!
É seu porto seguro,
é quem ajuda, explica...
Mãe é quem lhe entende e surpreende.
Mãe é serena,
sempre generosa,
às vezes agitada, complicada...
Mas sempre será mãe.
Ela é quem lhe deu a vida!
E sempre faz tudo para lhe ver feliz!
Distribui sorrisos, beijos...
E amor de mãe.
Mãe é sempre bondosa e carinhosa,
é bonita por sua personalidade...
Mãe é cheirosa e charmosa.
Se não fosse você, mãe,
não existiria todo o amor que sinto
e que venho agora lhe oferecer!
Bruna Vasconcellos Monteiro de Castro – Turma 605
24
Carioca
Sou do Rio de Janeiro
Sou feliz
Sou da gema
Tenho orgulho de quem sou.
Tenho sotaque diferente,
Falo “mermo” da vida
Sou da cidade das mulheres mais lindas
Sou carioca.
Sou da praia, sou do mar
Onde cada um é do seu jeito
E onde eu posso ser
Eu mesma!
Isabella Carneiro da Silva – Turma 605
25
A Barata e a Formiga
No tempo em que os animais ainda falavam, existiu uma
Barata que dedicava sua vida a reclamar de tudo: no sol, reclamava do calor; na chuva, reclamava das gotas de água; no inverno,
implorava pelo verão; no verão, desejava o frio. Também em casa,
não se mostrava contente com nada.
Dona Formiga, cansada das reclamações da vizinha, resolveu dar-lhe uma lição. Depois de um dia desgastante de trabalho,
ela até tentou pensar em algo para castigar a Barata, mas não
conseguiu pensar em nada. Já cansada, ligou a televisão e ficou
assistindo a um filme de terror que passava. Depois de uma hora,
adormeceu.
Na manhã seguinte, a pequena trabalhadora despertou de
um terrível pesadelo. Ficou tão assustada que decidiu pedir a opinião do psicólogo mais famoso da mata, o senhor Lagarto.
Após a conversa inicial, o psicólogo disse à Formiga que o
pesadelo fora motivado pelo filme a que ela assistira. Foi aí que
ela teve uma brilhante ideia para dar um jeito em sua vizinha reclamona.
Saindo do consultório do senhor Lagarto, a Formiga passou na casa da Barata e a convidou para um passeio. Mesmo
reclamando, a vizinha aceitou e se surpreendeu ao perceber que
a visita seria ao hospital.
No hospital, as duas vizinhas encontraram insetos com todos os tipos de doença: uma abelha que nunca mais poderia voar
por ter perdido as asas; uma minhoca que estava impossibilitada
de rastejar e teria de viver no hospital para sempre, entre outros
casos. A Barata ficou muito impressionada com tudo, mas não
quis demonstrar para a vizinha.
Terminada a visita, cada uma voltou para sua casa e, à noite, foram dormir. Eis que a reclamona teve um pesadelo: sonhou
que perdera a proteção de suas asas e que, por isso, estava com
pneumonia e fora desenganda pelos médicos. A Barata acordou
muito assustada e percebeu que reclamava à toa de sua vida,
26
pois alguns seres viviam em situações muito tristes e nem por isso
ficavam a reclamar tanto da existência.
No dia seguinte, a Barata despertou modificada e decidiu
nunca mais reclamar da vida.
Moral:
Quando achar que as coisas estão ruins para você, pense que
há pessoas em situações muito piores.
Pedro Mota Hoertel – Turma 605
27
7º ANO ENSINO FUNDAMENTAL
30
Ilustração de autoria do aluno JOÃO VÍTOR DALLAROSA LINHARES Turma 605
Meu mundo perfeito
Todo dia quando acordo
Vejo como a vida está sem sentido
Eu quero é ver seu sorriso e seu olhar
E sonho todas as noites em lhe amar.
Contemplo as estrelas
E entendo que não posso esquecer você.
Às vezes, me pego imaginando
Momentos inesquecíveis
Mas lembro que são impossíveis.
Quando estou com você, tudo fica bem.
Nunca me senti assim com ninguém
Você é tudo para mim
Eu amo você!
Lucas Souza de Carvalho – Turma 701
31
Mundo Perfeito
Às vezes, imagino um mundo perfeito
Com duendes, fadas e muito mais...
Mas basta olhar para o nosso mundo
E já vejo a beleza que nele há:
A natureza, os animais,
As plantas, as amizades...
Mas, com tanta destruição,
Violência, assassinatos,
Desmatamento, poluição,
Volto a imaginar um mundo perfeito,
Mas não desses com duendes e fadas,
E sim um mundo em que ainda tenho esperança
De que um dia se torne real...
Um mundo realmente perfeito,
No qual o homem fará as pazes
Não só com os animais e as plantas,
Mas também com o seu próprio semelhante.
Nathália Oliveira Pereira – Turma 702
32
Sonhos trocados
Meu sonho era ser jogador de futebol,
Mas tive que parar de jogar
Deixei de fazer gol
Para no CMB entrar.
Muito estudei
A bola para longe joguei
Em um preparatório entrei
Às aulas atenção prestei.
Os professores muito explicaram
Aos livros me dediquei
As brincadeiras acabaram
O dia chegou, no colégio entrei.
O colégio é tudo que imaginei
Minha vontade aumentei
Muito me esforcei
E graduado me tornei.
No próximo ano,
A bola desejo chutar
E na banda, como aluno,
Meu trombone tocar.
Marco Túlio Villela Ribeiro Faria – Turma 702
33
Tempo
Para os grandes estudiosos
É um elemento muito importante.
Já para os preguiçosos,
É só uma preocupação restante.
A vida gira em torno do tempo;
Por esse motivo,
Tudo tem o seu momento
Afinal, o tempo faz o destino.
O tempo é precioso,
Não para,
Não volta;
O agora é que está em jogo.
Um dia seremos esquecidos no passado,
O tempo não perdoa;
Não podemos ficar parados,
Nenhum segundo pode ser desperdiçado.
Samuel Sena Galvão – Turma 705
34
Tudo de que preciso
Primeiro criatividade,
Para a ideia rolar.
Depois, papel e caneta
Para da minha mente
Saltar.
Tudo isso é importante,
Mas o que nunca pode faltar
É a alegria,
Pois sem ela
Nada rimará.
Neanderson de Oliveira Rodrigues – Turma 705
35
Jardinagem da amizade
Eu morava em Brasília
Tudo era maravilha
Como não pude ficar,
Meu pai tive que acompanhar.
Fui para o mato,
Cheguei a Humaitá
Saudade sinto de fato,
Acho que não retorno mais lá.
Oba! Fui para Fortaleza,
Capital do Ceará.
Tudo era uma beleza,
Não queria sair de lá.
Novamente, outra mudança
Meu coração ficou partido.
Mas tenho esperança
De que se realize meu pedido.
Chegando a Brasília,
Encontrei uma amizade de verdade,
Novamente, tudo maravilha,
Era uma grande amizade.
36
Certo dia, acontecia
Tudo aquilo por que passei
Ela foi para Santa Maria,
Novamente eu chorei.
Amizade é assim,
Igual a jardinagem.
É difícil para mim,
Constante aprendizagem.
Helena Benatt do Nascimento Alves – Turma 706
37
Um banquete e tanto
Pão vou ter que comer,
Porque cereal não vai ter
E vou tomar Nescafé,
Porque ninguém vai fazer café.
No almoço, arroz e feijão,
Pois não tem macarrão
E vou beber limonada,
Porque não tem mais nada.
No jantar, terá sopa
E, para terminar, água vou tomar.
Ana Júlia Emy Messias Nakata – Turma 709
38
8º ANO ENSINO FUNDAMENTAL
40
Ilustração de autoria da aluna BÁRBARA LOVISI SILVA GOMIDE Turma 605
O homem que achou um livro
Ele era um homem de uns trinta anos, morava em Belo
Horizonte, era professor de música. Tocava trombone, mas nunca
explorara o talento a fundo. Era solteiro e tinha uma vida tediosa.
Um dia, quando voltava para casa a pé, o homem se cansou e amaldiçoou o instrumento por ser tão pesado. Recostou-se
em um banco e se sentou.
Não demorou muito e ele viu um objeto brilhoso em cima
do outro banco e se levantou para buscá-lo. Era um livro. Um livro
de capa azul e com letras prateadas e que, de tão desgastadas, o
impossibilitavam de ler o título.
O homem abriu o livro e, de imediato, se interessou. O texto era escrito com letras grandes, grossas, e, alternado ao texto,
havia várias figuras sobre seu assunto preferido: música. Ele folheou o livro, fechou-o e o guardou dentro do estojo do trombone.
Quando chegou a sua casa, ele se pôs a ler o sábio livro
e, enquanto lia, fascinava-se com as informações ali contidas e
pensou sobre como nunca tinha se dado conta de tantos detalhes
sobre sua própria profissão.
Ao chegar à página que procurava – a do trombone – ele
apanhou o instrumento e testou cada uma das informações ali
presentes. Depois de todas as informações confirmadas, o homem pegou seu trombone e, surpreso, percebeu como tocava
com mais suavidade agora.
Na contracapa do livro havia o cartão de uma biblioteca.
No dia seguinte, o sujeito foi à biblioteca e lá se espantou: a variedade de livros que ele podia encontrar era enorme. E assim o
professor de música foi alugando livros, primeiro um, depois outro,
e sempre e cada vez mais...
Foi assim que ele aprendeu a cozinhar melhor, a tecer, a
construir, a consertar. Aprendeu os mistérios e encantos das diversas áreas do conhecimento.
Depois de cinco anos, esse homem se casou, teve filhos,
tornou-se um músico de renome e viveu como ele jamais imaginara que viveria: feliz.
41
Apesar disso, ele morreu – já bem velhinho – com um sentimento de culpa. Culpa por perceber o que ele perdera nas primeiras décadas de sua vida. No entanto, algo dentro dele tentava
aplacar esse sentimento, dizendo-lhe que o que importava ser ter
se dado conta de que precisava mudar sua vida.
Os livros não o salvaram da morte, mas o salvaram da vida.
Da vida que ele levaria sem a felicidade que encontrou na leitura.
Leonardo Francisco de M. C. Cândido Ribeiro – Turma 801
42
Lágrimas
Foram muitas lágrimas derramadas
Que com o seu nome foram gravadas.
Gritando elas estavam,
Clamando por sua atenção
Mas, pelo que parece,
Você não tem coração.
“Ficadas”, “pegadas”
Amor e paixão.
Eu apenas queria sua admiração...
Quéren-Hapuque Torres de Sousa – Turma 801
43
Linhas da imaginação
Na garupa de um sonho
Viajo a galope pelo mundo
E pela linha do horizonte
Me conduzo...
No sonho de um menino
Subo montanhas,
Atravesso grandes rios
E continuo a galopar
Por este infinito mundo imaginário
Onde olhar de homem algum
Há de chegar.
Na bagagem de fantasia
Levo meus sentimentos
Mas, por favor,
Esqueça a dor e os sofrimentos
Pois o amor, a alegria
São os que reinam nesta vida.
E, ao acordar para a “vida”,
Dizem que os sonhos se vão
Então me diga:
Será que acaba assim?
Pois você sabe
O que é a vida de um homem
Sem imaginação?
Laura Reis Vieira – Turma 802
44
Não entendo
Vivo em um mundo complicado
De muitas perguntas
E nenhuma resposta.
No mundo em que o errado vira certo,
O certo é brega, careta...
O que já era de se esperar.
Mas, um dia, o mundo voltará
Voltará ao seu início
Ao início de algo muito maior.
Ao início de um mundo de esplendor,
Um mundo que será recordado
E que não se tornará um lixo.
Até lá vou esperar
Enquanto isso, no mundo de agora,
Existem apenas zumbis controlados pela mídia.
No mundo das almas impuras
Eu vivo à espera de um lugar
Que seja bom para mim
E para todos.
Juliana Weinert de Lima – Turma 804
45
Que futuro queremos?
Há vinte anos,
muitos países,
muita poluição.
Um encontro.
Ocorreu a Eco 92.
Desenvolvimento sustentável,
um desafio.
Agenda 21,
um compromisso.
O que conseguimos?
O que realizamos?
Houve avanços?
Houve recuos?
Mais uma vez,
na mesma cidade,
197 estados-membros.
O desafio de trocar o cinza pelo verde
aconteceu a Rio+20.
Que futuro queremos?
Temos que pensar,
daqui a algum tempo nos reuniremos.
Para sorrir?
Ou para chorar?
Anne Costa Bittencourt Andrade – Turma 804
46
Enfrentando a realidade
A escola estava cheia,
Mas eu me sentia sozinha e perdida
Era como se estivesse vivendo outra realidade.
Despertei ao ouvir o sinal
Vi as pessoas correndo, conversando
Brigando e ofendendo umas às outras.
Fechei os olhos,
Tentando ficar sozinha novamente.
Luthielly Alves Lopes – Turma 812
47
9º ANO ENSINO FUNDAMENTAL
50
Ilustração de autoria da aluna SABRINA ROBERTA F. SILVA DE OLIVEIRA Turma 710
Linda chuva
Quando estou sozinho em casa,
Como é lindo de se ver
Todas as nuvens pesadas,
Um fenômeno a nascer.
A chuva bela chegando
Águas ao sertão levando,
Lavouras a fertilizar,
Nossas casas a lavar.
E quando cai é uma festa!
Crianças nela brincando
De Marinha e pique-pega,
Todos rindo e adorando.
E depois que a chuva passa,
A vida volta ao normal
Só aquilo que sempre fica
É a lembrança excepcional.
Pedro Henrique Rocha de Freitas – Turma 902
51
A chuva
Olho lá fora para ver
Gotas caindo sem direção.
Está começando a chover,
Algo que tira a atenção.
Contemplo toda a água que cai,
Pois me trazem memórias
De um homem cheio de vitórias:
O meu falecido pai.
Sou apenas uma formiga
Nesta grande imensidão,
Neste cheiro que abriga,
Nesta tamanha emoção.
A chuva termina calma
O vazio predomina,
O Sol volta e domina,
Mas não limpa a minha alma.
Matheus Lemos Pereira – Turma 902
52
Mudança do Mundo
Após parar e pensar
Vendo o mundo girar
E nada se consertar
Tudo apenas piorar.
Guerras inundam
Desigualdades são crimes
Desavenças prevalecem
Diferenças são anormalidades
Pessoas morrendo
Matando umas às outras
O que estará acontecendo?
Nada irá melhorar
Ninguém irá mudar
E em uma grande catástrofe
O mundo vai se tornar.
Luiza Tessmann – Turma 902
53
O livro e seus valores
Um menino sentado à mesa
As páginas de um livro folheava
E, a cada vez que revirava,
Mais se interessava
E mais tinha certeza
De que o livro o ajudava
A fugir da realidade e de sua dureza.
A leitura abre portas
Para o mundo descobrir
Para emprego conseguir
Para mais se aprender
E a diferença fazer.
Nada se compara às páginas de um livro
Ao seu cheirinho de novo
Poder carregá-lo para todo lugar
E parar para pensar
Que um mundo diferente
Pode estar presente
Naquelas páginas envolventes.
Ler para aprender
Ler para crescer
Ler para desfrutar
Ler para encantar
Ler para entender
54
Ler para crer
Ler para amar
Ler para alegrar
Ler para ver
Ler para saber
Ler para viajar
Ler para sonhar
Ler para ser
Ler para viver.
Luiza Tessmann – Turma 902
55
Fim do Fundamental
Depois de quatro anos
Está acabando
O que parece que foi ontem
Que estava começando.
Foram anos de risada
Anos de tristeza
Anos de palhaçadas
E anos de certezas.
Anos de muito estudo
Anos de muitos trabalhos e lições
Anos de notas boas
Anos de concentrações
E também de diversões.
Anos de brigas entre amigos
Anos de reconciliações
Anos de novas amizades
Mas anos de separações.
Anos de muita música
Em nossa banda maravilhosa
E anos de muito esporte
Em nossa SEF grandiosa.
Ainda virão três anos
Mas nada será igual
Nada irá se comparar
A esses anos de Fundamental
Que acabaram de passar.
Luiza Tessmann – Turma 902
56
Liberte-se
Ninguém mais quer ter o que já tem em casa
Não se quer aquilo que saiu do catálogo
E a piada de ontem não tem mais graça
Por que não temos mais aqueles diálogos?
Caímos, mas aprendemos a levantar mais fortes
Queremos atenção, faremos valer a pena
E ninguém está seguro, nem tudo é sorte
Passa o tempo e ainda não terminamos a cena.
Não choramos mais pelos mesmos motivos
Somos adolescentes, somos ativos
Queremos liberdade de expressão.
Sonhando com o futuro e o moldando...
É assim que os jovens a vida vão levando
Quem somos? Quando crescermos, saberemos.
Ana Carolina de Aro Rezo Cardoso – Turma 905
57
Lo siento, hermanos
Estamos enfrentando um verão congelante. Os mil sóis de
potência acanham-se sobre um piso granuloso de nuvens. A janela tornou-se leitosa como cal, misturada à umidade suja e barrenta das chuvas pré-outonais. Meus dedos arroxeiam-se, dolorosamente, com o frio fervente que ascende do inferno gélido dos
meus nervos – ignorei tais sensações com maestria.
Exatamente no ápice dos meus calafrios agoniantes, desci
para o exterior, ao toque histérico da sineta. Sentei-me no banco
de cimento, o de sempre; mordisquei serenamente meu desjejum
vespertino. A cada mordida, um grupo alheio de humanoides jovens saltava à minha vista e aparentava não compartilhar o mesmo desconforto térmico que eu sentia. Os grupos aglutinavam-se
numa confusão unitária, engoliam-me como o frio, aos poucos.
Felizmente, minutos antes do meu falecimento por hipotermia, meus caríssimos hermanos cumprimentaram-me sem cerimônias epiléticas. Sentiram, também, o agouro crescente entre
os seres barulhentos. Mantivemo-nos a uma distância razoável do
grupo alfa; caso contrário, morreríamos queimados naquele fogo
de lábia. Quando a explosão aconteceu, corremos rapidamente à
retaguarda (donde estávamos próximos, espertamente) e esquecemos o colapso por alguns minutos. Hermanos à parte, o frio nos
deixou roxos.
Os hermanos e eu estávamos desconfortáveis. As pontas da
minha negritude sedosa levantavam-se, alertamente irritadas. O
sangue não mais circulava propriamente, arrependi-me de ignorar
o frio.
Que tipo de frio me acomete? Creio que, talvez, todos os
tipos. O frio das mãos, até a frieza cardíaca ao memoriar. O céu
aparentava ser congelante e desetimulante para sorrisos em tais
dias friorentos; apreciava, e muito. Algumas pessoas têm o dom
divino de contrastarem belamente com tais temperaturas amenas;
seus lábios ficam róseos e os olhos, mortalmente penetrantes.
Deixam pessoas estúpidas, como eu, sem palavras. Uma distra58
ção com os hermanos, encontrei alguma divindade caída do cosmos. Sofregamente olhei-a por alguns míseros segundos, pendurados em olhadelas encorpadas. As pessoas escureciam a luz,
eram sombras que faziam a intersecção entre a fonte luminosa.
Desviei-me de tudo aquilo.
Os grupos gritavam, eram um ovo chato esmagando o pátio
enegrecido pelas nuvens. À luz, os desprevenidos se mostravam
desnecessariamente – a sombra da certeza envolvia-me. O dito
núcleo do odioso grupo se esfarinhava, diziam. Após alguns pulinhos curiosos, inutilmente, percebi que era uma perda impagável
de tempo. Puxei os hermanos comigo, precisávamos voltar para
aquelas salas plastificadas. Mais alguns passos, alguns metros
de treva, observe adiante a sua morte. O chão nodoso segurava
meus passos preguiçosos, eu não suportava olhar para o corredor
claro, à minha mão direita.
Chegava ao fim da rebelião conjunta. Minha palidez era disfarçada com os gracejos nervosos, que fazia conjuntamente com
as esguelhas para trás. A divindade, meus olhos descolavam-se
com nano ruídos de desgosto. Minha dignidade, minha muralha
de cortesia – ruíram aquosas; partiam ao chão e levavam a minha
cabeça junto com a corrente que se desprendia para direções indeterminadas, loucamente.
Lorena Pimenta Bomfim – Turma 906
59
Janela do Tempo
Olhe pela janela
Não vê nada mudar?
Mas tudo está tão diferente
Nada está em seu lugar.
Não vê que o tempo passa rápido?
Não vê que o ontem já é o amanhã?
A vida não espera a preguiça
Nem procura o tempo perdido.
As coisas mudam sem perceber
O vento passa e ninguém vê.
Corra atrás do que te faz bem
Sinta a brisa tocar em seu rosto
Conheça alguém que saiba seu gosto
E, quando não souber o caminho,
Olhe de novo pela janela
E veja como pode o sol,
De longe,
Brilhar sozinho.
Raquel Lopes Amaral – Turma 907
60
Amizade
Em um amor tão grande...
Existe tanta felicidade...
Que nunca é o bastante
O nome disso é amizade.
Não é como estar apaixonado
É outro sentimento
Mas, por outro lado,
Provoca o mesmo contentamento.
Junto ao amigo
Tudo é mais divertido
E então você pensa:
“Como pode ser tão querido?”
São os mesmos gostos
Sem nenhuma diferença
Só falta terem os mesmos rostos
Mesmo já sendo irmãos de alma.
Juliana de Aquino Ferraz – Turma 908
61
Desejos
As pessoas desejam coisas demais
Joias, carros caros ou dinheiro
Somente coisas materiais
Mas tudo é passageiro.
Na infância, meninas querem bonecas
Na adolescência, uma bela bicicleta
Trim... trim... faz a campainha dela.
Quando adultas, um grande lar para morar
Mas, quando envelhecem,
Só querem alguém para conversar.
Quando crianças,
Meninos desejam um carrinho com controle remoto
Na adolescência, às vezes, querem uma moto
Brum... brum... ronca o motor.
Quando adultos, só querem trabalhar
Mas, quando envelhecem, só querem um confortável lar.
Por toda a vida, todos desejam bens materiais
Desejam coisas banais
Mas, um dia, vão parar para pensar
Que as melhores coisas,
Não se pode comprar.
Juliana de Aquino Ferraz – Turma 908
62
Professor...
De certas horas da manhã
Até enfim anoitecer
Você sempre está lá
Cumprindo seu dever.
Deve ser difícil ter que aturar
Dia e noite nosso blá blá blá
Um teste constante de paciência
Que limpa a consciência.
Professor me desculpe,
Há algo que precisa saber
Você é sim um grande mestre
Que um dia irei bendizer.
Mas, mesmo que todo dia estude,
Saiba, é o aluno quem ensina
A matéria da juventude.
Bruna Paracat Carvalho dos Santos – Turma 908
63
Liberdade de viver
Entreguei minha liberdade ao seu sorriso
Me fiz refém sem peso e nem juízo
Procurei em seu coração abrigo
E, agora, escrevo tão arrependido.
Eu, tão destemido, decidido
Como uma ave que voa livre pelo ar
Fui obrigado a descobri o que é amar,
A pedir e humilhado implorar.
Terá a vida uma razão aparente
Ou um motivo plausível para viver?
Terá a dor algum remédio permanente
Que faça toda essa agonia desaparecer?
Seria eu algum mocinho injustiçado?
Algum pobre homem que sempre sofre calado?
Que corre e torce para algum dia aprender
E ensinar a liberdade de viver?
Daniela Oliveira da Silva – Turma 908
64
Correria da Vida
Na correria da vida
É difícil ter tempo sobrando
Estou sempre me mexendo
Se paro é porque estou estudando.
Cada dia um sacrifício
Cada momento um lugar
Cada semana um padrão
Fácil de se acostumar.
Mas esse tal sacrifício
Não faça de cara fechada
Eu também sei que é difícil
Mas reclamar não adianta nada.
É isso que quero dizer
Levante a cabeça e sorria
Prefere morrer de tristeza
Ou viver sempre na alegria?
Paulo Roberto Marculino de Souza – Turma 908
65
O jogo
Começa o jogo
Flamengo e Fluminense
A bola está rolando
Só quero ver quem vence.
Jogo lindo
Lá no Maracanã
Dorival está sorrindo
Para ver o resultado amanhã.
Depois do primeiro tempo
Temos intervalo
Vamos para o segundo
Com o pé cheio de calo.
Falta para o Flamengo
Wagner Love vai bater
Mas que golaço!
Fez o Flamengo vencer!
Paulo Vitor Santana Santos – Turma 908
66
Minha música
E, na calada da noite,
Os fones vão me acalmar
E entre graves e agudos
Eu consigo sonhar.
Improvisando um microfone
Eu finjo cantar,
A vassoura é uma guitarra
Que eu imagino tocar.
Os ritmos são tantos
Que é fácil se perder.
O chuveiro é o palco
Para o “show” que vou fazer.
Agora, desculpe-me
Mas a música me espera.
Tapem seus ouvidos, pois
Afinação... quem me dera.
Maria Eduarda Vidal de Santana – Turma 911
67
Amor
Amor, como podes tanto doer
Se nem ao menos podemos te ver?
És tão complexo e tão belo
Às vezes, fluis de modo singelo.
Não importa qual é a idade
Quando acabas, sempre deixas saudade
Pois parecias eterno até o fim
Mesmo que apenas para mim.
Às vezes, começas estranho,
Na inexperiência da juventude.
Quando tomas rumo, és como luz no fim de um túnel.
Sinto tua falta, meu amor.
Também me falta teu calor
Sinto-me frio como a dor.
Pedro Paulo Pacheco de Andrade – Turma 913
68
Aquele que resolveu ficar
Estranho, como, às vezes, sinto-me perdido
Perdido em ideias sem o menor sentido
Navegando solitário pelos mares da imaginação
Vagando na companhia de minha solidão.
Estranho, como continuo a procurar
Aqueles lugares onde consiga me encontrar
Lugares onde não me sinta como meu próprio inimigo
Lugares onde ao menos eu esqueça o perigo.
Como cada dia que passa e eu me sinto diferente
Cada calma hora que eu vivo se vai de repente
Como coisas tão pequenas que eu sinto falta
E outras, maiores, que não levam a nada.
E muitos dizem, mas, no fundo, poucos se importam
Pegam sua parte, pedem desculpas e viram as costas
Olham nos olhos, dizem que sim, mas eu já não sei
Não sei se é mesmo verdade ou só se me enganei.
Vejo seus navios ao fundo, deixando o cais
Não digo nada, já é tarde demais
Eles se foram, mas eu continuo em meu lugar
Talvez percebam seu erro e resolvam voltar.
Derek Chaves Lopes – Turma 913
69
Até o sol voltar
As lágrimas escorriam pelo meu rosto
Você pediu para eu não ir embora
O sol já estava se pondo.
A noite está chegando
Não se preocupe
Não o deixarei sozinho.
A primeira vez que nos beijamos
Não havia escuridão
Mas, agora, a noite está chegando.
A razão do meu sorriso é você
O que faz tudo clarear
O seu sorriso faz o sol voltar
E tudo clarear.
Deixe a escuridão ir embora
O sol vai voltar e ficaremos juntos
Até o sol voltar.
Débora Angonese – Turma 914
70
Ilustração de autoria da aluna
SOFIA DE MELLO CASELLI Turma 808
71
ENSINO MÉDIO
1º ANO ENSINO MÉDIO
76
Ilustração de autoria do aluno VICTOR LAUS ADACHI Turma 812
Delírio do eu?
Choro hoje por lembranças,
Que deveriam permanecer no passado,
Mas que cismam em voltar
Para me lembrar de quem sou.
Lembranças que gostaria,
Em certos momentos,
Que não existissem.
Mas sei que, sem elas,
Eu nunca seria eu.
Lembranças é muito vago,
Chamo-as de experiências.
Experiências que me ajudaram
A ser quem sou hoje.
No passado, as experiências;
No presente, as possibilidades.
Os delírios de um jovem
Que não controla seus sonhos.
No futuro, quem sabe?
O que importa é que,
Entre erros e acertos,
Eu estou, a cada dia,
Tornando-me cada vez mais eu.
Luiz Felipe Costa Gomide – Turma 101
77
Comparação
Você é como as estrelas que estudo:
Bonito demais para entender,
Confuso demais...
Muitos sentimentos expostos assim,
Na superfície do seu rosto,
Como se fosse fácil interpretá-los...
Brilhante demais para qualquer um admirar,
Mas, às vezes...
Você é confuso demais para eu compreender
E, às vezes,
É tão fácil lhe decifrar...
Mas aí tudo volta a ser confuso,
Como as constelações a serem decifradas.
Na cor escura da noite, com apenas uma luneta,
Tentar enxergar um pouquinho do mundo gigantesco...
Do mesmo modo é conversar com você:
É enxergar um pouquinho
Do que você guarda dentro da sua mente.
Enfim...
Não sei dizer se terei você:
É como dizer que eu gosto das estrelas
Sem poder tocá-las.
Jaqueline Gutierri Coelho – Turma 101
78
Paixão
Poderia escrever-lhe mil sonetos,
Citar Shakespeare, tocar Beethoven,
Oferecer-lhe tesouros, flores,
Viver uma aventura, navegar pelos mares!
Morrer um pelo outro, como Romeu e Julieta fizeram,
Por uma infelicidade do destino.
Oh!, não! Nosso amor não deve ser imortal!
Durar enquanto nossos corpos estiverem quentes,
Cheios de paixão!
Que não inspire canções, poesias...
Que inspire mais amor.
De uma forma simples, de uma forma única,
O nosso amor.
Giovana Mazzoni Armando Sant’Anna – Turma 103
79
Melodia
Cantando para a lua,
Sem perder o tom
Embaixo da chuva
Tentando te alcançar
Fones de ouvidos,
Mão no bolso
Ignorando o mundo
Pensando no teu gosto
Desejando estar a teu lado
Sentindo teus lábios
Contemplando as estrelas
Sentados no gramado
Uma leve melodia
Iremos formar
Juntos,
Nada irá nos derrotar
Meu braço ao redor de teu corpo
Teu cabelo batendo em meu rosto
E a lua a nos observar
Quieta, quieta
Iluminando nossa história
As lágrimas do céu vão cair
As roupas vão molhar
Não ligando,
Continuo a cantar
Cantar, cantar
Pretendendo te alcançar.
Giovana Mazzoni Armando Sant’Anna – Turma 103
80
A beleza de quem não vê
Olhe para mim.
O que você vê?
Olhe para dentro de mim.
Pare de querer me fazer quem não sou
Acabo eu acreditando em você
Mais uma vez.
Estas lágrimas são minhas.
Elas me completam.
Elas me aliviam.
Elas me lembram de quem eu sou.
Agora olhe para mim e pare de me julgar.
Estou farta desse mundo moldado para a perfeição.
E você? Você é igual a todos os outros
Só mais um grão de areia
Para me arranhar o corpo
E me tirar o prazer da praia.
Mariah Sá Barreto Gama – Turma 108
81
Um poema
Sua batalha não está ganha
Enquanto não te admitires perdedor
A vitória é plena,
Mas, para mim, és um pecador!
Não desisto do que comecei
Não vou te subestimar
Meu orgulho corre pelas veias
E meu tempo passa em uma ampulheta de areia
Chega de mentiras e de promessas de melhoras
O melhor já passou e o passado não voltará
O tempo, às vezes, acha-se importante
Mas, para mim, ele é um mero pedante.
Enquanto me acho inteligente para sobreviver
Deparo-me com coisas que não quero ver
E, quanto mais o tempo passa,
Ficamos menos espertos às farsas.
Rafaela Souza Vilela – Turma 114
82
2º ANO ENSINO MÉDIO
Ilustração de autoria da aluna
LARISSA LEÃO DALLA TORRE Turma 313
84
Sertão
Terra onde vive gente inocente
Terra onde a paisagem é rara de se ver
Terra onde o sol é resplandecente
Esse é o sertão do meu viver.
Árvores pequenas, clima e animalejo
Cultura, artesanato e vasos feitos pelo oleiro
Demonstram a beleza do povo sertanejo
Esse é o sertão do povo brasileiro.
Giovana Vieira Porto – Turma 202
85
Amizade
É bom olhar para trás
E olhar o agora
Perceber que tudo está em paz
Que eu não passei da hora
De pedir desculpas
De pedir perdão
De assumir a culpa
De buscar com o coração
As alegrias e a amizade
E procurar a felicidade
Saber que posso de novo contar
Com aqueles que vão me ajudar
Aqueles que sempre estiveram lá
Que não me deixam cair
Que minha mão vão segurar
E que me fazem sorrir.
Teciana Xavier Lopes Ferreira – Turma 207
86
Você e eu
Adorava aquele tempo
Quando sentíamos a brisa
Naquele lugar,
Onde você me ensinou,
Onde tudo começou.
Você sabia tudo sobre mim
E eu não escondia nada
Era só você me ver
E até meus movimentos
Você podia prever.
Você me aceitou como sou
E, de longe,
Senti que seu coração
Era muito bom.
Quando me via triste
Você tentava me animar
Dizendo besteiras,
Com graça, para me animar.
Você me ensinou a não desistir;
E, nas maiores dificuldades,
A erguer a cabeça e a seguir.
Eu queria voltar ao passado
Para aproveitar melhor
Os bons tempos que tive com você.
Sabe?
Você me ensinou a ser quem sou.
Sempre estarei aqui
Perto de você.
Débora Fernandes Madera – Turma 208
87
Triste fim
“Agora chegou minha hora de morrer” – foram as palavras
pronunciadas pelo ancião ao sentir um mal súbito.
O senhor recostou-se em sua cama, apoiando as costas em
três almofadas e inspirou o ar espesso. Ele sabia que a hora de
partir havia chegado. O coração palpitava descompassadamente
e sua mente fremia memórias rotas. Não esperava um fim tão melancólico e solitário. Não tinha mulher, amigos ou filhos; passara
toda a vida redigindo ofícios, recluso em um escritório.
Nesse momento, deu-se conta de que não aproveitara a vida
no que ela tinha de melhor; não soubera viver. Apenas importara-se com problemas pequenos e nunca se arriscara, com medo de
errar. Dedicara-se apenas ao trabalho, trabalho esse que não o
encantava. Nunca fizera o que realmente queria, não se entregara
a uma história de amor.
O corpo do senhor estava desfalecendo, mas sua alma já
morrera fazia tempo. O ancião tentava se recordar dos bons momentos; porém, eles eram tão escassos que nada vinha a sua
mente. Então se perguntava: “O que fiz de minha vida?” Ele sabia
que, quando partisse, ninguém sentiria sua falta.
– Eu daria tudo para poder ver o dia nascer, poder amar,
sorrir mais, chorar, colecionar amigos, admirar a natureza. Enfim,
viver.
Porém, já era tarde. O medo da morte o contagiava. Na verdade, maior que o medo de morrer era o de viver. Ele passou a
vida esquivando-se dos riscos e das alegrias. A monotonia melancólica foi seu viver.
Em seu delírio final, com semblante de arrependimento, fez
seu último pedido:
– Deixo-lhes meu epitáfio: “Aqui jaz um homem que não viveu, um homem que passou pela vida sem ter amado verdadeiramente. Jaz um exemplo a não ser seguido.” – suspirou, deixando
o mundo.
Beatriz Edla Caetano – Turma 208
88
Saudade
Saudade é a solidão acompanhada
É quando o amor ainda não foi embora,
Mas o amado já...
Saudade é amar um passado que ainda não passou
É recusar um presente que machuca
É não ver o futuro que nos convida...
Saudade é sentir que existe o que não existe mais
Saudade é o inferno dos que perderam,
É dor dos que ficaram para trás
É o gosto da morte na boca dos que continuaram.
Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade:
Aquela que nunca amou
E esse é o maior dos sofrimentos
Não ter por quem sentir saudades
Passar pela vida e não viver.
Yasmin Albuquerque de Melo – Turma 208
89
A peça de teatro sem ensaios
Muitas vezes me esqueço
De que não pode existir amanhã.
Adio as coisas,
Esperando que tudo entre em ordem
Sem que eu tenha que levantar um dedo.
Arrependo-me disso.
Vivi apenas um terço da minha vida
E muitos já perguntam:
“Há tanto arrependimento em um coração tão jovem?”
“Sim, há.”
Eu queria ter amado qualquer um sem me importar,
Aceitando a todos sem ter que julgar por atitudes
Ou defeitos.
Queria ter me aceitado primeiro
Para depois aceitar o mundo como ele é.
Sinto remorso
Por ter tido o Medo como principal inimigo.
Por fim, aprendi a dar valor às coisas pequenas,
E a não ter o sonho como meu epitáfio.
Andeson Abner de Souza Leite – Turma 208
90
Combustível do homem moderno
Café
Banho
Café
Roupa
Café
Trânsito
Café
Trabalho
Café
Chefe
Café
Almoço
Café
Tédio
Café
Trânsito
Café, café, café ...
Anna Beatriz Pinheiro de Souza Abreu – Turma 209
91
Mal do Século
Inveja que mata a alma
Que instiga o ódio e o rancor
Os sentimentos já não importam
Onde será que está o amor?
As pessoas só sabem enganar
E só pensam em vencer
Mesmo que, para isso,
Seja preciso matar
E a vida perder seu valor.
Inveja do próximo,
Ódio a seu irmão,
Rancor de um paixão
Mentiras e trapaças que não acabam.
O ser humano,
Capaz de tudo para vencer,
Só pensando no ter,
Deixa de amar
E de viver.
Mayara Flores Bonatto – Turma 209
92
Chuva
Os dias passam e eu sob a chuva.
Enquanto observo as nuvens escuras,
A chuva traz lembranças que não quero aqui
Pois essas e outras não me fazem sorrir.
O frio que faz me traz solidão
E não tenho quem me aqueça o coração
Diante dos raios não sei o que fazer
Não sei se já quero morrer.
Talvez, algum dia, quando estiver claro
Quem sabe eu receba o que considero raro.
Mas, enquanto estiver nessa escuridão,
Sei que não sou o único nessa aflição.
Não sei se algum dia fui feliz
Pelo que passo, não sei o que fiz
A chuva passa, a aflição fica
E minha tristeza nada justifica.
Marcus Bruno Custódio Vasconcelos – Turma 211
93
Mentiras
Ela estava espantada. Ultrajada. Decepcionada. Mal conseguia acreditar no que havia acabado de descobrir. Vinte e três
anos de casamento. Seria possível que tivessem sido vinte e três
anos de mentiras? Estava tão surpresa que sequer percebeu que
havia caído no sofá e que em seu rosto só havia lágrimas.
O marido tinha acabado de sair para o trabalho e esquecera
seu tablet em casa. Ela tentou chamá-lo para avisar, mas já era
tarde. Foi quando percebeu que ele estava aberto em um e-mail. A
curiosidade tomou conta, é claro, e, após hesitar alguns instantes,
concluiu que uma pequena olhadinha não faria mal algum. Afinal,
que segredo o marido teria que ela não poderia saber? Ela leu. E
se arrependeu no mesmo segundo.
Agora a mulher até se perguntava se o esquecimento teria
sido mesmo um incidente, ou se a página aberta seria realmente
uma coincidência. Não parecia ser. Parecia que o marido havia
feito tudo intencional e calculadamente para que ela visse. E, por
mais absurdo que parecesse, era nisso que seu coração machucado acreditava.
Estava dividida e indecisa. Não sabia se ligava para dizer à
mãe que ela sempre estivera certa sobre o homem; para o marido,
a fim de confrontá-lo; ou para pedir à advogada para planejar o divórcio. Resolveu não fazer nada, pois ainda não havia conseguido
assimilar a ideia.
Fez como nos filmes americanos: um pote de sorvete, uma
coberta grossa e seu choro doído. Não melhorou ou confortou,
mas só piorou a situação. Quanto mais pensava naquilo, mais
revoltada ficava. Lembrou-se de todos os anos, e, com isso, de
todas as mentiras que aquilo significava.
Havia sido uma maneira horrível de descobrir algo como
aquilo, porém, ela também não acreditava existir um modo bom.
Mas em um e-mail que ele mandava para o amigo? Era simplesmente ultrajante!
A mulher tentou pensar em um discurso para quando o marido chegasse, mas era, ao mesmo tempo, tanto para falar e a
total falta de palavras para expressar o que devia ser dito, que era
melhor deixar que o momento falasse por si só. Resolveu então
se levantar e arrumar o jantar. Conversaria com ele durante a refeição e estudaria a sua reação.
94
Comida pronta, mesa posta e o horário de fim do expediente.
O marido chegou, como sempre, na hora. Deu-lhe um beijo no
rosto, foi para o quarto deixar a pasta e o blazer e voltou para a
sala de jantar afrouxando a gravata.
Ele tentou puxar assunto algumas vezes, mas a mulher permanecia muda e com o rosto impassível. O homem desistiu de
conversar e começaram a comer.
– Humm... Está uma delícia! – comentou o marido.
Aquilo que sempre alegrava a mulher, naquela hora magoou,
tudo por causa do cinismo do qual ela agora tinha conhecimento.
Uma lágrima escorreu por seu rosto e ela tentou disfarçar. Ele viu.
– O que houve, querida? Qual é o problema?
– Você esqueceu seu tablet em casa. – ela entregou o aparelho ao marido e enxugou mais uma lágrima fugidia.
– Obrigado. – ele pegou o objeto e o colocou ao seu lado na
mesa. – Mas, agora me diga: o que aconteceu?
– Estava aberto nesse mesmo e-mail que está aí.
Ele pegou-o de novo e olhou. Seu rosto foi ficando branco
à medida que lia as palavras na tela; o garfo escorregou de sua
mão e caiu no prato como um baque, enquanto o tablet quase foi
parar no chão.
– Querida, não é o que parece! – ele sabia o quanto aquilo
significava para a mulher.
– Como não é o que parece? Está escrito! – ela já havia se
levantado e as lágrimas de raiva agora rolavam descontroladamente – Tantas mentiras... Por quê?! Por quê?!
– Eu não falei nada para não magoar você!
– Eu acreditava em você... – só havia decepção em sua voz;
ela caiu na cadeira, arrasada.
– Eu posso explicar!
– Então explique! – ela já gritava – Pois para mim não faz
sentido algum! Você sempre me disse exatamente o contrário. Explique. – então a mulher, dona de casa convicta, suspirou profundamente e desabafou – Como? Como assim você odeia a minha
torta de maçã?
Bianca Mariano Porto – Turma 213
95
3º ANO ENSINO MÉDIO
Ilustração de autoria da aluna
GIOVANNA FERNANDES Turma 305
98
Certa conversa com Drummond
Quando eu nasci, um anjo pequeno
Daqueles que são esquecidos por todos
Disse:
– Vai, Rômulo, ser apagado na vida.
Os pais que tanto queriam
Por alguns anos se orgulharam
E depois, quando perceberam,
Não era um filho como almejaram.
Por fora, tudo em perfeito compasso
Com um sorriso no rosto
Os braços prontos para o abraço.
Por dentro, tudo muito complicado
Algum parafuso solto, quem sabe.
Reclamava de tudo pelos cantos
Sozinho para não causar nenhum espanto.
Encontra o bem na amizade
Tentando encontrar a garota
Quem o ensinaria sobre o amor de verdade?
Por trás dos cabelos presos e da burocracia
Dentro daquela boca macia
Encontro a paz de fato
Sem ao menos precisar tirar a farda ou o sapato.
Oh! Deus! Por que não me encontrastes?
Se sabeis que ainda te defendo
Porém, só Vós me conheceis como um fraco.
Romulo Luiz dos Santos Lima – Turma 303
99
Necessário o questionar!
Aqui vão lágrimas.
Lágrimas de saudade
Como se velho fosse,
Pois a vida minha
Já foi vivida
“So many times”!
Sonhos que controlei!
Sonhei!
Amei!
Amo o real,
Mas não há tempo...
“Tique-taque”
Tique-taque
Lembranças
Falta fazem pessoas
Pessoas juntas
Saudade!
Tempo passa,
Lembrança fica,
Saudade mata,
E hoje
100
Choro...
Choro
Pela vida que tive
Pela esperança infértil
Pela felicidade
Pela...
Ainda há o que viver
Pelo que ainda falta
Enxugo o rosto
Vejo o relógio
0h22min
Adriano Souza Brandão – Turma 305
101
Fui!
Fui obrigado.
Fui, obrigado!
Fui!
Obrigado.
João Luís Ferreira Caetano – Turma 306
102
Your Eyes
When I look in your eyes
I can see the moonlight
And I can see the dark Sky
Full of stars.
When you laugh at me
I feel like there is
Something in my heart
Trying to say something to you.
When you were gone
I felt pain ‘cause I can’t see
Your eyes anymore
And this drives me up the wall!
At this moment
I realized what my heart
Is trying to say
... I Love you!
Gabriel Paiva Dias Lacerda – Turma 306
Luiz Felipe Coelho Pompeu Brasil – Turma 306
103
Faz parte da vida
Dias quentes,
dias de inverno.
Noites mortas,
por onde anda o tempo?
Fechado para reformas
dizem as portas do inferno
ao passo que as do céu
estão abertas para todo ferro.
Mas que paz irritante!
De onde viera tanta sanidade?
Para onde vai tanta santidade?
Ninguém quer guerra?
Precisamos de algo para reivindicar!
Dai-nos inquietações
Precisamos de algo para reivindicar!
Um ovo, uma galinha e o mundo...
Precisamos de algo para reivindicar!
“Cale a boca, moleque,
não vê que estamos cansados!
Quando começar uma guerra
Escreverás sobre paz!
Não entendo vocês, artistas”.
Desculpe.
Tive um pesadelo.
Cristian Landri Cabral de Moraes – Turma 307
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A viúva
Se eu dissesse que realmente o superei
Meu coração diria amém
Eu não estaria sofrendo tanto assim
E não estaria pensando tanto em você.
Se eu admitir que não consigo me acostumar,
Terei meu coração quebrado novamente?
Enquanto lhe espero em meus braços
Cantando a nossa canção.
A noite fria me consome
Ouço sua voz junto ao vento
Sinto seu toque em minha pele
Enquanto desejo que tudo isso seja real.
Olho para o céu e as estrelas brilham sobre mim
Radiantes como era o nosso amor
E não posso contar a ela sobre nós
Porque podem se apagar com tanto sofrimento.
Marcela Moreira Caldas Rodrigues (Texto) – Turma 310
Marina Nunes Pessôa (Ilustração) – Turma 310
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Vergonha
Eu tenho vergonha:
Vergonha do meu cabelo.
E da minha espinha? Que vergonha!
Vergonha do meu desmazelo
E da minha inocência.
Sinto vergonha da minha aparência
De quando eu falo besteira
Ou quando sei sobre o assunto.
Vergonha do meu corpo
Do meu estilo e do meu comportamento
Sim! Eu tenho vergonha.
Mas eu não tenho vergonha
De rir quando estou feliz
Ou de chorar, quando infeliz.
De consolar um amigo
De perdoar ou pedir perdão.
Sim! Eu tenho vergonha.
Mas eu não me envergonho
De ser eu mesma.
Marcela Moreira Caldas Rodrigues – Turma 310
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Poeminha a Millôr
“Não há colchão mais duro que a louça da sepultura”
A chuva caindo
Lenta e esparsa
Como quem chora
No velório do poeta.
Que nada!
É dia de sol
O dia da morte de Millôr Fernandes
Sorte a sua,
Caro inspirador de meus ensaios e poemas
Os passarinhos cantam o dia da morte de Millôr Fernandes
Pena de nós, mortais,
Que ficamos ainda mais pobres
Habitantes de um país sem a sua rima.
Thaise Medeiros de Cerqueira – Turma 310
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Cadeira de balanço
Ele estava na biblioteca, onde passava a maior parte do seu
tempo desde que deixara a família e fora viver sozinho, há muitos
anos. Sentava-se, como de costume, na poltrona antiga; uma xícara de café, ainda cheia, repousava sobre a mesinha de madeira,
junto a um pequeno prato de torradas intocadas. Pousava, levemente, sobre as pernas, um livro de contos com capa preta dura
e letras douradas bem desenhadas, o preferido da esposa, com
quem passara feliz, entre os dedos trêmulos, deixando à mostra
os olhos fundos e melancólicos, que pareciam olhar para dentro.
Os filhos já se haviam ido de casa, já tinham suas próprias
vidas, famílias, empregos... A filha mais velha tentou levá-lo consigo; um dos filhos ofereceu-lhe uma casa próxima à sua. Ambos,
esforços em vão. Não sairia dali. Nunca. Gostava de lá. Gostava
de estar só. Gostava da companhia de seus livros; do gato cinzento e gordo que deitava, preguiçosamente, sobre o tapete; do
luar na janela; da névoa que tomava a pequena varanda e embaçava os vidros nas noites frias; e, certamente, da bela orquídea
amarelo-alaranjada com pontinhos marrons, da qual ele cuidava
com mais dedicação do que a si mesmo, lembrando-se, com um
discreto sorriso nos olhos vazios, de quando a mulher, como em
um ritual diário, a punha sobre a mesinha de vidro da varanda e
sentava-se na cadeira de palhinha entrelaçada, cantarolando docemente com a neta mais velha, ainda pequena, nos braços.
Sim, gostava de estar só. Só com seus pensamentos. Não
havia porque incomodar a família, não precisava dar-lhes trabalho, afinal, logo iria partir. Sabia disso. Sabia, e não se angustiava, não temia. Esperava, pacientemente. Sozinho. A jovem que lá
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trabalhava ia duas vezes por semana, preparar a comida e limpar
a casa; verificar-lhe a saúde e dar alguma novidade ao gato, o pequeno Tertúlio (pequeno apenas em função de carinho, pois crescia para os lados e em idade). A moça era eficiente e silenciosa,
delicada e pontual em seus afazeres, perfeita para sua função.
Ela mal via o dono da casa, que estava sempre trancado na biblioteca, e lá ela não tinha permissão para entrar.
Por esses dias, andava ainda mais ausente, mais calado,
mais dentro de si. Afagava Tertúlio com maior comoção. Organizara a biblioteca, limpara-a impecavelmente, dedicara-se à flor como
se fosse a última vez. Um dos netos, talvez não o mais querido
– amava a todos igualmente - , mas, com certeza, o de maior afinidade, estava passando a semana com ele, não a pedidos, não
por necessidade, apenas pela vontade de ver o avô. Embora não
falassem muito, a companhia ou a mera coincidência da presença
lhes bastava. Vez ou outra reuniam-se para conversar, em frases
curtas e intensas, em sentimentos agudos e mudas exclamações.
A entrada da biblioteca só era permitida na presença do avô, que,
nessas ocasiões, contava-lhes fatos antigos, mostrando-lhe, com
orgulho e nostalgia, a beleza das cousas.
Ele era carinhoso, embora de forma fria e contida. Tinha o
mundo nos olhos. Rios de incertezas, de histórias, de conhecimento. De mágoas. Cheios de tudo. O neto via nele um abismo,
profundo, misterioso e belo. Tentava entender sua solidão. Compreendia-o.
Naquela noite, enquanto segurava os óculos por entre os dedos trêmulos e levava o livro por sobre as pernas, chamou Tertúlio
a seu lado. Disse-lhe umas palavras soltas. Acariciou seu pelo
macio. Seria em breve. Muito em breve. Fechou, lentamente, o
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livro. Chamou o garoto. Pediu que levasse sua cadeira à varanda.
O garoto compreendeu. Era uma noite fria e bonita. Ele apertou,
fraquejante, mas firmemente, a mão do jovem; deu-lhe a chave da
biblioteca, olhou, distante e saudoso, para a orquídea. Pediu que
o deixasse. Assim o fez o garoto. Deu um beijo na testa do avô,
pôs Tertúlio em seu colo, deixou escapar uma lágrima. Saiu.
Na varanda, ele restou olhando para o nada, por breves segundo esternos. Soprou uma brisa mais forte. E fria. E triste. Aconchegante. Ele fechou os olhos. Tudo parou. As pálpebras cerradas
descansavam serenas. Restava apenas o leve vaivém da cadeira
de balanço.
Isadora Bonfim Nuto – Turma 310
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Sierra
Sierra estranha a luminosidade. Sente a cabeça pesar. Olha
confusa para os lados e logo tudo faz sentido. Ela está decidida.
Vai até o espelho e sente-se ancorada. Não demora muito para
querer ir dar um passeio. Lá fora está muito úmido, venta e o orvalho indica que houve chuva. O frio faz com que respirar doa. E
é assim que ela passa a ensaiar tudo o que vai dizer. A princípio,
pouco importa como ele vai se sentir, mas já está quase tudo sistematizado para que não seja tão ruim. Tudo vale, desde que, ao
final, ela pareça estar certa.
Carregada de sua agonia, Sierra começa a se movimentar
estranhamente. O movimento é crescente e logo a vemos pulando. Não parece que seus pés encostam o chão. Os cabelos
acompanham, e gritam, e sobem, e descem e voltam. Seus pensamentos estão focados. Em algumas horas, toda aquela história
irá acabar. Não precisa ser coerente, mas que valha a pena. Ela
agora passa a dar enormes saltos, definindo semicírculos e desregulando o nível da sua atividade mental. Não tem mais a noção de
o quanto suas emoções mudam de densidade. Espere um pouco,
o céu já vai desabar. Será muito bonito. Ainda mais quando ela começar a gritar e a sua maquiagem se transformar em dramáticos
borrões. Você deve estar gostando de pensar nisso, porque, de
fato, é muito bonito!
Despercebido, o tempo passa e isso se deve, principalmente, pela maneira como Sierra estava correndo contra ele. Chega a hora de chamar um táxi que a leve àquele edifício cheio de
pessoas que também correm e choram, mas nenhuma que tenha
motivos tão verdadeiros quanto os dela.
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É uma pena pensar assim. Sua aparência não importa, tanto
quanto as suas palavras, mas enquanto o elevador vai subindo,
ela tenta disfarçar com a mão a sobriedade do olhar, com maquiagem escorrendo. Seu nervosismo aumenta com os andares. Ela
repete em pensamento: “Acabou”.
Ao bater à porta do escritório dele, a cabeça de Sierra se
esvazia. Ele questiona a sua presença. “É muito importante o que
tenho a dizer”. Essas foram as últimas palavras ditas por ela naquela sala, sem contar uma série de vogais deliberadamente emparelhadas. Sierra perdeu o foco, mas acabou gostando. Alguns
metros andados de pensamentos desperdiçados. Foi, ao menos,
um bom banho de chuva.
Emanuel Vinícius de Lavor Miranda – Turma 312
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Tempo e Vida, Ser
Pensar...
O tempo não passa...
Chorar...
O tempo não cura as marcas...
Viver...
O tempo não some com as cicatrizes...
Sonhar...
O tempo voa... voa... E nem se sente ele passar...
Sorrir...
Já nem se lembra das lágrimas...
Viver...
É simplesmente deixar o tempo passar;
É ver os sonhos, e tentar concretizá-los;
É ver as marcas que o tempo trouxe;
E não as ver como dor, mas como experiências.
É sorrir do choro...
É sonhar na vida...
É pensar em ser...
É viver, vivendo...
É ter esperança...
Érika Wanessa Gomes de Mesquita – Turma 312
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Tempo
Tão desejado, mas tão incerto
Tão mesquinho, porém tão justo
Entregue-se a mim por um momento.
Deixe-me recuperar
O que de mim tomou;
Deixe-me sentir o gosto
Do que não terei de volta
Apenas bata em minha porta
E diga que vai ficar.
Retribuirei seu sorriso
Aplaudirei suas palavras
Abraçarei você quando for embora.
Com um segundo me recordarei
Com uma hora derramarei lágrimas
E com um dia... viverei de novo.
Mariel Figueiredo de Castro – Turma 312
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Amor de volta
Quando você voltar,
aquela porta que bateu,
não se esqueça de trancar
e de jogar fora a chave.
Estarei aqui,
como estive a todo instante,
no mesmo lugar em que paramos,
onde antes tentamos.
Ainda me resta por você
aquele velho afeto, a devoção
e, dentro de mim, sei:
os bons dias voltarão.
Venha, meu bem,
venha que ainda há tempo
de recuperar o tempo
que, quando meu, era todo seu.
Fabiane Rejane Silva Coelho – Turma 312
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Samuel dos Santos Silva – Turma 314
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