Ano IX - Nº 30 - Julho/Agosto/Setembro 2008
Impressa em papel reciclado
Poluição por
Carga Difusa
Uma ameaça constante nos rios
dos centros urbanos
Entrevista
A professora Rosa Helena de Oliveira Martins,
pioneira em estudos das conseqüências da
poluição em rios, discorre sobre gerenciamento
e técnicas para a sua minimização.
Despoluição
O programa Córrego Limpo, uma parceria entre
o Governo do Estado, por meio da Sabesp, e
a Prefeitura de São Paulo, se propõe a mudar
a situação de degradação dos córregos da
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capital Julho
paulista.
Turismo de choque:
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passeio de barco pelo Rio Tietê
editorial
PARTICIPE DA
PRÓXIMA EDIÇÃO!
EXPO CENTER NORTE - PAvIlhÃO AMARElO
12, 13 E 14 DE AgOSTO DE 2009
Fenasan e Encontro Técnico Aesabesp
há 20 anos contribuindo para o desenvolvimento
do saneamento ambiental no Brasil e no mundo.
FENASAN 2009
XX FEIRA NACIONAL
dE sANEAmENtO E
mEIO AmbIENtE
XX ENCONTRO
TÉCNICO AESABESP
Promoção
AESABESP
4 | Saneas
Associação dos Engenheiros da Sabesp
Patrocínio
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2008
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Índice
expediente
Saneas é uma publicação técnica bimestral da Associação
dos Engenheiros da Sabesp
DIRETORIA EXECUTIVA
Presidente - Luiz Yukishigue Narimatsu
Vice-Presidente - Pérsio Faulim de Menezes
1º Secretário - Nizar Qbar
2º Secretário - Ivo Nicolielo Antunes Junior
1º Tesoureiro - Luciomar Santos Werneck
2º Tesoureiro - Nélson Luiz Stábile
DIRETORIA ADJUNTA
Diretor de Marketing - Carlos Alberto de Carvalho
Diretor Cultural - Olavo Alberto Prates Sachs
Diretor de Esportes - Gilberto Margarido Bonifácio
Diretor de Pólos - José Carlos Vilela
Diretora Social - Cecília Takahashi Votta
Diretor Técnico - Choji Ohara
14 Poluição por
matéria tema
Carga Difusa
Fenasan 2009
6 Fenasan 2009 promete o mesmo sucesso de 2008
Entrevista
8 Rosa Helena de Oliveira Martins
Opinião
12 Devemos investir em ações de educação ambiental
Visão de mercado
24 O tratamento de efluentes líquidos e sua viabilidade
econômica
Artigos técnicos
27 A utilização do modelo winhspf no estudo das cargas
difusas de poluição da Bacia do Ribeirão da Estiva, SP
36 Educação ambiental / cultural / social do saneamento
básico de Jales - SP
39 Chuvas ácidas
42 Gestão dos recursos hídricos
“Causos” Do Saneamento
44 O reservatório do tempo de Dom Pedro II
45 O taxista poliglota de Lisboa
Palavra de amigo
46 Uma homenagem ao profissional e amigo estimado
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CONSELHO DELIBERATIVO
Aram Kemechian, Carlos Alberto de Carvalho, Choji Ohara,
Gert Wolgang Kaminski, Gilberto Margarido Bonifácio,
Helieder Rosa Zanelli, José Carlos Vilela, Ivan Norberto
Borghi, Luis Américo Magri, Marcos Clébio de Paula, Nélson
César Menetti, Olavo Alberto Prates Sachs, Ovanir Marchenta
Filho, Sérgio Eduardo Nadur e Valter Katsume Hiraichi
CONSELHO FISCAL
José Marcio Carioca, Gilberto Alves Martins e Paulo
Eugênio de Carvalho Corrêa
Pólos da Região Metropolitana de São Paulo - RMSP
Coordenador - Aram Kemechian
Costa Carvalho e Centro - Maria Aparecida S.P. dos Santos
Leste - Luis Eduardo Pires Regadas
Norte - Oswaldo de Oliveira Vieira
Oeste - Evandro Nunes de Oliveira
Ponte Pequena - Mercedino Carneiro Filho
Sul - Paulo Ivan Morelli Fransceschi
Pólos AESABESP Regionais
Coordenador - Helieder Rosa Zanelli
Baixada Santista - Ovanir Marchenta Filho
Botucatu - Osvaldo Ribeiro Júnior
Franca - Marcos Marcelino de Andrade Cason
Itapetininga - Rubens Calazans Filho
Lins - Marco Aurélio Saraiva Chakur
Presidente Prudente - Robinson José de Oliveira Patricio
Vale do Paraíba - José Galvão F. Rangel de Carvalho
CONSELHO EDITORIAL - Jornal AESabesp
Sonia Regina Rodrigues (Coordenadora)
FUNDO EDITORIAL
Silvana de Almeida Nogueira (Coordenadora)
Antonio Soares Pereto, Dione Mari Morita, Eliana Kitahara,
José Antonio de Oliveira Jesus, Luiz Narimatsu, Maria Lúcia
da Silva Andrade, Milton Tsutiya, Miriam Moreira Bocchiglieri
Coordenador do site: Luis Américo Magri
JORNALISTA RESPONSÁVEL
Maria Lúcia da Silva Andrade - MTb.16081
Assistente de Redação: Walter Prandi
PROJETO VISUAL GRÁFICO E DIAGRAMAÇÃO
Neopix Design
[email protected]
www.neopixdesign.com.br
Associação dos Engenheiros da Sabesp
Rua 13 de maio, 1642, casa 1
Bela Vista - 01327-002 - São Paulo/SP
Fone: (11) 3284 6420 - 3263 0484
Fax: (11) 3141 9041
[email protected]
www.aesabesp.com.br
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editorial
Poluição difusa: o lado
“B” das grandes cidades
Esta edição da Revista Saneas aborda um dos temas
mais recorrentes nos cenários dos grandes centros urbanos: a poluição por carga difusa. Ela é formada por
resíduos de origens diversas, mas principalmente pelo
lixo acumulado nas ruas e calçadas, na maior parte de
material que poderia ser aproveitado em reciclagem.
Os habitantes, os empreendimentos, as empresas;
enfim todos os agentes de produção e consumo das
grandes metrópoles deveriam ter aulas diárias de
civilidade antes de despejarem tantos dejetos em nossos rios, transformando-os em depósitos.
O exemplo dessa constatação está na foto de capa
dessa Revista, que retrata uma das cenas deploráveis
durante o Passeio pelo Rio Tietê, que foi oferecido
pela AESabesp aos participantes da Fenasan 2008. O
colorido de embalagens, sacos plásticos, garrafas PETs,
pneus, metais, restos de materiais de construção e de
mais uma infinidade de lixo contrasta com a cor preta
da água do maior rio do Estado de São Paulo.
O índice zero de oxigênio, o mau cheiro, as moscas e
espumas que habitam pedaços do Tietê, especialmente
na capital paulista e nos municípios de seu entorno,
incomodam a muitos, a começar pela própria Sabesp
que desenvolve o Projeto Tietê, cujo meta é recuperar
o rio ao longo da cidade de São Paulo, evitando que o
esgoto de indústrias e residências chegue até seu leito
sem tratamento.
Outra ação de competência da Sabesp, que inclusive ganha destaque nesso Governo do Esrado e a Prefeitura de São Paulo, que tem por finalidade mudar a
atual situação de degradação dos córregos da Capital.
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Como hoje a questão ambiental é uma preocupação latente, há um trabalho bem mais consciente, que
envolve atuações de políticas públicas e engajamento
de ONGs e cooperativas, além da conscientização do
cidadão para a preservação da vida, do ecossistema,
das águas e da própria cidade. Contudo, um melhor
planejamento, urbano da ocupação de áreas para moradias, junto com um programa educacional para a
população, seria muito bem vindo.
Dentro desse contexto, a entrevista com a Prof. Dra.
Rosa Helena Martins, da USP, aborda as questões técnicas de monitoramento da poluição difusa e destaca
que implementar boas práticas de gerenciamento é o
que dá sustentabilidade aos recursos ambientais. Em
outra abordagem, o diretor da ONG Navega São Paulo,
Douglas Siqueira, ressalta, na seção “Opinião”, a importância de iniciativas que causam impacto na população, para que brote um envolvimento comprometido
da mesma.
Complementando a esfera técnica e social da matéria tema, esta Revista também dá continuidade a
duas sessões que têm feito muito sucesso entre os
profissionais do setor: a “Causos do Saneamento” com
abordagens pitorescas de fatos ocorridos e a “Palavra
de Amigo”, que é um espaço onde alguém pode fazer
uma justa homenagem a outro colega que se destaca
por sua capacidade técnica, profissional e humana.
Um forte abraço e uma boa leitura a todos,
Eng. Luiz Narimatsu
Presidente da AESabesp
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fenasan 2009
Fenasan 2009 promete o mesmo
sucesso de 2008
O presidente da AESabesp, Luiz Narimatsu, e o diretor
secretário , Nizar Qbar, com a sua equipe de trabalho,
formada por Alessandra Buke, Denis Santos, Flávia Baroni
e Paulo Oliveira.
No aniversário dos 22 anos da AESabesp, também foi
realizado o lançamento da Fenasan 2009, pela equipe
de trabalho da entidade, que comemorou, juntos aos
convidados, o grande sucesso que esse evento, realizado em caráter simultâneo, com o XIX Encontro Técnico
da AESabesp, alcançou em 2008, superando todas as
expectativas de crescimento.
A Fenasan (Feira Nacional de Saneamento e Meio
Ambiente), nesse “Ano Internacional do Saneamento”,
reuniu 146 expositores (em 2007 foram 103), inclusive
com a adesão de três grupos internacionais: ADS International e Fernco Inc., dos Estados Unidos, alémShakti
Pumps, da Índia, e RAS International, do Uruguai, constituindo-se no maior evento nacional do setor.
E para 2009 a tendência é de continuação dessa
liderança, pois a praticamente um ano da sua realização, prevista para 12,13 e 14 de agosto, no ExpoCenter Norte, em São Paulo, a AESabesp já conta com
40% do espaço reservado, mais da metade do que nas
edições anteriores nessa mesma época.
Mesmo com a instabilidade da economia, a Fenasan prevê crescimento em 2009. Embora seja difícil
prever crescimentos de qualquer mercado, diante da
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turbulência do quadro econômico mundial que há dias
apresenta a combinação de dólar em alta com bolsas
em baixa e crédito minguado, alguns setores da economia nacional devem continuar com investimentos
em alta, como o de saneamento.
De acordo com Luiz Narimatsu, presidente da AESabesp, os investimentos previstos para o setor, até 2010,
não devem mudar de rumo, porque eles surtem efeitos
nas economias de outras esferas públicas que implicam em desenvolvimento, como meio ambiente, educação, habitação, redução da pobreza e principalmente
saúde, com o registro do seguinte argumento:
“ a própria OMS (Organização Mundial da Saúde)
aponta que cada dólar gasto em melhoria sanitária
gera um benefício econômico de US$ 4”.
Face ao quadro, ele também atribui uma forte confiança das empresas que já operam tradicionalmente
nesse mercado, como a vinda de novos grupos que
vêem no saneamento um setor de captação de recursos e expansão tecnológica. “Isso ficou claro na nossa
Feira e Congresso de 2008, cujo espaço foi lotado com
habituais e novas participações.
Outro aspecto favorável para a Fenasan 2009, destacado por Luiz Narimatsu, é a participação da AESabesp
nas reuniões do Conselho de Saneamento Ambiental
da Abimaq (Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos), que estabelece uma proximidade com o
setor industrial, representado por entidades que concentram um “poll” de empresas com interesses voltados ao setor de saneamento, como o Sindesam (Sindicato Nacional das Indústrias de Equipamentos para
Saneamento Básico), Abemi (Associação Brasileira de
Engenharia Industrial), Asfamas (Associação Brasileira
de Fabricantes de Materiais e Equipamentos para Saneamento), entre outras.
A diretoria de marketing, liderada por Carlos Alberto de Carvalho, providenciou para que as marcas
“Fenasan” e “Encontro Técnico” fossem registradas
definitivamente em nome da AESabesp, além de estabelecer as mídias “Revista Saneas” e “Jornal AESabesp”
como veículos oficias da FENASAN 2009.
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Telefones
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As empresas que já confirmaram sua participação
como ência
expositoras na Fenasan 2009, até o fechamento desta
(colunas,etc.).
edição, são:
•Sabesp – Companhia de Saneamento
Básico do Estado de São Paulo
•Abimaq - Associação
Brasileira da
Organização
Indústria de Máquinas e Equipamentos,
com a Ilha Sindesam (Sindicato Nacional
das Indústrias de Equipamentos para
Saneamento Básico), formada por um
“pool” de empresas que atendemo setor de
saneamento.
•ABS Indústria de Bombas Centrífugas
•AG Solve Monitoramento Ambiental
•Allonda Comercial de Geossintéticos
Ambientais
•Amanco Brasil
•AVK Válvulas do Brasil
•Brasbom Comercial Importação e
Exportação
•CEB Conexões Especiais do Brasil
•Danfoss do Brasil Indústria e Comércio
•Digitrol Indústria e Comércio
•Dositec Bombas Equipamentos e
Acessórios
•Ebara Indústria e Comércio
•Ebro Stafsjö do Brasil Importação e
Exportação de Válvulas
•Emec Brasil Sistemas de Tratamento de
Água
•Emicol Eletro Eletrônica
•Enmac Engenharia de Materiais Compostos
•ESA Eletrotécnica Santo Amaro
•FGS Brasil Indústria e Comércio
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Expositores confirmados
para a Fenasan 2009emSeraída de Rua 1200
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•Fluid Feeder Indústria e Comércio
•GE Fanuc Intelligent Platforms do Brasil
•Glass Indústria e Comércio de Bombas
Centrífugas
•Getesi Indústria de Equipamentos
Eletrônicos e Sistemas
74m
²
•Hidrosul Máquinas Hidráulicas
•Helmut Mauell do Brasil
•Higra Industrial
•Interlab Distribuidora de Produtos
Científicos
•Invel Comércio Indústria e Participações
•Kanaflex Indústria de Plásticos
•Kemira Kemwater Brasil
•KSB Bombas Hidráulicas
•Lamon Produtos
•Masterserv Controle de Erosão e Comércio
•Marte Balanças e Aparelhos de Precisão
•Nivetec Instrumentação e Controle
•Nunes Oliveira Máquinas e Ferramentas
•Plastimax Indústria e Comércio
•Prominas Brasil Equipamentos
•Saint-Gobain Canalização
•Sampla do Brasil Indústria e Comércio de
Correias
•Sondeq Indústria de Sondas e
Equipamentos
•SVS Selos Mecânicos
•Tigre Tubos e Conexões
•Vika Controls Comércio de Instrumentos e
Sistemas
Acesse o site www.fenasan.com.br e saiba como se tornar um expositor.
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H
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HIDRANTE
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A
entrevista
Rosa Helena de Oliveira Martins
Engenheira civil
de formação,
com mestrado
e doutorado
pela Escola
Politécnica
da USP
(Universidade
de São Paulo)
em Sistemas de
Planejamento e
Aproveitamento
Econômico
de Recursos
Hídricos,
além da
especialização
em Hidrologia
pelo United
States
Geological
Survey, Rosa
Helena é uma
personalidade
indicada dentro
do universo
técnicocientífico para
abordar, com
propriedade, o
tema principal
desta edição da
Saneas.
“
Implementar boas práticas de
gerenciamento é o que dá sustentabilidade
aos recursos ambientais”
Uma das pioneiras na atuação em trabalhos referentes ao impacto que a poluição difusa causa nos
centros urbanos, na década de 70, a engenheira
consultora, Rosa Helena de Oliveira Martins, tem
um olhar muito bem focado para essa questão.
Saneas: A senhora é citada como uma das
profissionais pioneiras nos trabalhos voltados para a questão da poluição por carga
difusa. Qual a função que a senhora ocupava
na época do início desse trabalho?
Rosa Helena: À época, era gerente do Setor de
Hidrologia da Cetesb (e posteriormente Divisão
de Estudos Hidrológicos).
Saneas: O que mais motivou a sua atuação
dentro dessa problemática?
Rosa Helena: Trabalhava na área de Engenharia
da Empresa Ambiental (aonde na época se produziam pareceres técnicos e se desenvolviam
estudos, diagnósticos e projetos de interesse) e
construía minha formação acadêmica na área de
Recursos Hídricos. Vale observar que de origem
sou engenheira civil e que na época não havia
graduação em Engenharia Ambiental. Para o
mestrado e o doutorado, então as áreas de concentração eram Obras Hidráulicas, Saneamento e
Recursos Hídricos. Nesse contexto, o tema fazia
o link entre as duas áreas. E sendo assunto para
doutorado deveria ser inédito. Na qualidade de
inédito, algo que fosse um desafio.
Saneas: A origem da poluição difusa é
bastante diversificada, vai desde o desgaste
causado pelos veículos, passa pelo lixo acumulado nas ruas e calçadas, absorve resíduos
orgânicos, concentra materiais de indústrias, enfim, é provocada por vários fatores
poluentes. É possível ter um monitoramento
de controle da sua origem?
Rosa Helena: O nome difusa vem do fato de
que é difícil determinar sua origem, ou seja,
10 | Saneas
não é localizada, é dispersa. Se não é facilmente
localizável, também não é facilmente monitorável
e controlável com as ações clássicas de caracterização das entradas e saídas de um sistema, portanto passíveis de ações de interesse, tais como
controle, eliminação, etc. Assim sendo é consequentemente difícil não só monitorar a sua origem como controlá-la. Na verdade as redes clássicas (básicas) de monitoramento de qualidade
de água não foram concebidas com este intuito,
embora se possa buscar “padrões” de estiagem e
de época de chuva nos dados coletados por estas redes, associando-se estes padrões às situações encontradas nas bacias hidrográficas, tais
como foi mencionado na pergunta: lixo, material
de origem veicular (efluentes sólidos e líquidos)
domésticos e industriais. Ou seja, acabamos de
identificar suas origens e seus efeitos, então fomos em busca de relações de causa e efeitos, das
quais tanto os engenheiros gostam e que na verdade nos indica o caminho para um programa de
abatimento e/ou de controle das cargas difusas,
que como todos podem ver são também medidas
aparentemente dispersas, não localizadas, mas à
montante do local de interesse.
Saneas: O controle não estaria voltado para
um tratamento do efluente?
Rosa Helena: Como vimos não se trata do lançamento do efluente e nem de sua limpeza. Tratase de evitar que o escoamento superficial direto
(quando chove, por exemplo) não tenha o que
carrear (lixo, sedimento) ou conduzir / diluir, como
os efluentes urbanos (estes sim lançados de forma
localizada). Trata-se de implementar boas práticas de gerenciamento do ambiente (urbano, por
exemplo), tais como varredura de ruas, coleta de
lixo, coleta, tratamento e afastamento dos efluentes em geral. Ou seja, são formas de abatimento
na fonte, junto à origem, ou seja, da não geração.
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Saneas: Considerando que a carga poluidora pode
variar com a intensidade dos eventos meteorológicos, pode-se considerar também a adoção
de padrões sazonais de qualidade para o lançamento dos efluentes?
Rosa Helena: A sua pergunta nos remete à questão
anterior, em países onde o sistema de esgotamento
é unitário (esgotos e drenagem pluvial) há ‘rios’ que
passam inteiramente dentro de estações de esgotos
(tal como é o caso do rio Emscher na Alemanha) e há
parques que acumulam os volumes escoados durante
a chuva, tal como é o caso da cidade de Denver nos
EUA, para depois de finalizado o evento chuvoso, o
“excesso” de água servida vai sendo paulatinamente
liberado para jusante. Bem, mas estamos falando das
entradas do sistema e não dos efluentes. Quanto ao
lançamento de efluentes propriamente ditos, eles
estão sujeitos à uma legislação que toma por base
“vazões de referência”, típicas da estação seca e mais
restritiva do ponto de vista da sua disponibilidade
para assimilação pelo corpo receptor . A maior quantidade de água presente no corpo receptor na época
de chuvas, pode não significar maior volume de diluição, pois, como falamos, esta chuva poderá ter ‘carreado’ material da superfície dos terrenos que já foi
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Saneas | 11
entrevista
incorporado à massa de poluentes transportada pelo
corpo d’água e precisando sofrer autodepuração, por
exemplo.
Saneas: Existe a visão de que a preservação da
várzea natural representa uma forma de controle
de enchentes e também da qualidade da água por
ser mantida a capacidade assimilativa natural do
ecossistema. Como isso pode ser aplicado numa
grande metrópole como São Paulo?
Rosa Helena: É difícil. Na Europa hoje se pratica a
revitalização, mas a situação é outra. A dimensão de
São Paulo e de seus problemas merece reflexões muito
específicas.
Saneas: O instrumento técnico-jurídico da gestão
de espaço urbano é o Plano Diretor das Prefeituras. Na sua concepção, existe uma inadequação do
uso e ocupação do solo da Região Metropolitana
de São Paulo, que gera um aumento da poluição
por carga difusa?
Rosa Helena: Espaços urbanos, com densidades
populacionais metropolitanas geram a intensificação
do uso do solo urbano que por sua vez decorre da intensificação das atividades antrópicas. Entretanto, o
estabelecimento de cidades às margens dos veículos
de escoamento da produção, dos canais de comunicação com as demais populações e o conseqüente
recebimento dos efluentes decorrentes das atividades
antrópicas pelos corpos receptores urbanos existem
desde que o primeiro grupamento populacional se estabeleceu às margens de um rio. Isto tanto remonta
à antiga Mesopotamia, tal como foi o caso dos rios
Tigre e Eufrates, como pode ser encontrado no recente caderno de grandes megalópolis publicado como
suplemento pelo jornal o Estado de São Paulo, onde
encontramos depoimentos notáveis sobre megalópolis
como Mombaça e Lagos. As soluções são necessárias,
mas variam caso a caso, dependem não somente de
recursos econômicos, de Planos Diretores Municipais,
da cultura do país e, sobretudo, de uma cultura de
Planejamento, em geral.
12 | Saneas
Saneas: A senhora apontaria alguma alternativa
que já deu certo em outros centros urbanos para
a minimização da poluição difusa?
Rosa Helena: Como já falamos, podemos mencionar as técnicas de contenção “na fonte” seja dos deflúvios (i.e, controle de enchentes) com pavimentos
permeáveis, por exemplo, como da geração da carga
difusa propriamente dita,mediante o não lançamento
de efluentes nos corpos receptores, da não produção
de lixo e resíduos em geral, por exemplo.
Saneas: O que essa diminuição poderia significar para as esferas da economia, saúde e meio
ambiente?
Rosa Helena: Melhor qualidade de vida, menores custos incrementais futuros
Saneas: O setor privado, em determinadas situações, foi um predador do meio ambiente. A
senhora acha que ele poderia se redimir numa
parceria com as esferas públicas para a recuperação de nossa esfera ambiental? Como a senhora
analisa esse tipo de parceria?
Rosa Helena: De certa forma o próprio Poder Público
também pode ser identificado como um predador dos
recursos ambientais, na medida em que não consegue
garantir a sua sustentabilidade. Parcerias? Por que
não? É a forma atual de se trabalhar e cumprir nossa
responsabilidade social. Já existem iniciativas de minimização de resíduos em parcerias muito bem sucedidas, entre outras.
Saneas: A Sabesp desenvolve obras para a despoluição do Rio Tietê e acelera um Programa denominado “Córrego Limpo”. Gostaríamos que a
senhora emitisse as suas considerações a respeito
dessas investidas.
Rosa Helena: Não conheço os detalhes técnicos destes
Programas e seria portanto leviano emitir qualquer
julgamento. As responsabilidades e os custos assumidos no projeto de despoluição são enormes, são um
grande desafio.
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2008
TRADIÇÃO EM QUALIDADE
E TECNOLOGIA
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Aplicado em redes coletoras
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OPINIÃO
Douglas M. Siqueira
Douglas M.
Siqueira é
economista,
administrador,
programador e
empresário. Ele
conta que após
mais de 30 anos
de experiências
adquiridas em
empresas de
pequeno, médio
e grande porte,
tanto nacionais
quanto
multinacionais,
com atuação
nas áreas
comercial e
de marketing,
concebeu uma
nova atuação
profissional.
Em 2006,
conheceu o
projeto Navega
São Paulo e
identificou a
oportunidade
de somar a sua
experiência
a um desejo
de infância:
proteger e
preservar o
meio ambiente.
Hoje atua
como diretor
no Instituto
Navega São
Paulo.
“
14 | Saneas
Devemos investir
em ações de educação
ambiental”
Navegando no rio Tietê na região metropoAcredito que a primeira coisa a fazer é eslitana podemos constatar que em suas águas
clarecer por que estou dando minha opinião
a origem da poluição difusa da quarta maior
em relação a um tema relativo ao saneamento,
cidade do planeta é bastante diversificada.
meio ambiente e consequentemente qualidade
Quando levamos a população e principalde vida. Para aqueles que acompanham e fazem
mente os alunos do nível fundamental dois e
parte da minha carreira profissional e princimédio para realizarem esta experiência, conpalmente das minhas atividades e desafios na
seguimos chocá-los e certamente gerar uma
diretoria do Instituto Navega São Paulo (INSP
reflexão a respeito. Como também, despertar
– ONG e OSCIP), ao qual me dedico durante os
a perplexidade e indignação ao informarmos
últimos dois anos, sabem o quanto este assunto
que alguns municípios coletam o esgoto, mas
é importante para mim e para nós do INSP. Na
não o tratam e jogam no Tietê.
realidade a poluição por carga difuDurante o percurso da navegasa do rio Tietê, fez, em 2005, surgir a
até 35% da
ção, observando os córregos deidéia do projeto Navega São Paulo e
degradação do
saguarem, podemos mostrar a
despertar todo o meu interesse pelo
nosso Tietê é
carga poluidora proveniente de
assunto.
proveniente da
ligações clandestinas de esgotos,
Tendo como referência o rio Tiepoluição gerada
restos de óleo lubrificante, tintas,
tê na região metropolitana de São
nas regiões
e outros produtos aparentemente
Paulo, sabemos que até 35% da
urbanas
tóxicos que despejados em sarjedegradação do nosso Tietê é provetas e bueiros contribuem para o aumento das
niente da poluição gerada nas regiões urbanas,
cargas poluidoras transportadas pelas redes de
que parte tem origem no escoamento superfidrenagem urbana que chegam até o rio.
cial sobre áreas impermeáveis, áreas em fase de
Principalmente nas grandes cidades, viveconstrução, depósitos de lixo ou de resíduos
mos hoje vários efeitos típicos e negativos da
industriais e outros. O escoamento superficial
urbanização, um destes é quando são realizada água nesses locais carrega o material, solto
das alterações das condições físicas dos rios e
ou solúvel que encontra, até os corpos d’água
afluentes para adequação da rede de macrolevando, portanto, cargas poluidoras bastante
drenagem, isso gera sérias alterações da biota
significativas. Além disso, a impermeabilização
devido à mudança dos habitats. E também,
gera maior capacidade de arraste e, portanto,
agrava-se esta situação com as alterações da
maiores cargas poluidoras. As redes de drenaqualidade da água que usualmente o lançagem urbana são responsáveis pela veiculação
mento da drenagem urbana costuma trazer,
dessas cargas e que se constituem em imporalterando-se profundamente toda a estrutura
tantes fontes de degradação de rios, lagos e
do ecossistema aquático.
estuários.
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2008
OPINIÃO
“devemos evitar ao máximo interferir no curso natural da água principalmente nas
várzeas e regiões de mananciais, protegendo e preservando o ecossistema.
Precisamos inovar e estabelecer normas para regularizar o reúso da água nos
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grandes centros urbanos.”
As concentrações de poluentes no escoamento
gerado variam ao longo do evento hidrológico, assim como variam as vazões. Podemos afirmar que
o lixo ou resíduos gerados, o modo como são armazenados e processados são fundamentais para
a saúde dos recursos hídricos e consequentemente
para a qualidade de vida das populações nas regiões
urbanas.
É necessário enfatizar a necessidade da coleta local
de dados para que seja possível o diagnóstico correto
dos problemas de poluição causados por cargas difusas e também para que as decisões sobre medidas de
controle tenham suporte em levantamentos e análises
coerentes com a realidade local.
Minha opinião é que devemos evitar ao máximo
interferir no curso natural da água principalmente
nas várzeas e regiões de mananciais, protegendo e
preservando o ecossistema.
Precisamos inovar e estabelecer normas para
regularizar o reúso da água nos grandes centros urbanos e assegurar que todas as construções, obras
públicas ou privadas preservem uma parte do solo
para que ele possa realizar a sua importante função
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de absorver e tratar naturalmente a água, permitindo que ela complete o seu ciclo como vem fazendo
a bilhões de anos.
Devemos investir em ações de educação ambiental, adequar o passivo ambiental, o consumo à
disponibilidade de recursos naturais e inovar com
atividades que causem o mínimo impacto ao meio
ambiente. Estas são as condições impostas para garantia da subsistência das próximas gerações.
E finalizando, estou certo de que a batalha em
relação à redução da poluição por carga difusa deve
ser tratada na consciência do indivíduo, destacando
a sua importância e a de todos os setores da sociedade unidos nesta missão.
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matéria tema
Poluição por
Carga Difusa
O impacto da poluição difusa nos centros urbanos
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matéria tema
A poluição gerada nas águas dos afluentes de centros urbanos é dita de origem difusa, uma vez que
provém de atividades que depositam poluentes de
forma esparsa sobre a área de contribuição da bacia
hidrográfica. Ela é formada por resíduos de origem
bastante diversificada, como os provocados pelo desgaste do asfalto pelos veículos, o lixo acumulado nas
ruas e calçadas, as decomposições orgânicas, as sobras
de materiais das atividades de construção, os restos
de combustível, óleos e graxas deixados por veículos,
poluentes do ar, etc.
De um modo geral, a poluição gerada em áreas urbanas tem origem no escoamento superficial sobre
áreas impermeáveis. Tal processo carrega o material,
solto ou solúvel que se transforma em cargas poluidoras bastante significativas. Além disso, a impermeabilização leva ao aumento do número de vezes em que
a bacia produz escoamento superficial e ao aumento
também das velocidades de escoamento, gerando
maior capacidade de arraste e, portanto, maiores
cargas poluidoras. As redes de drenagem urbana são
responsáveis pela veiculação dessas cargas e sabe-se
hoje que se constituem em importantes fontes de
degradação de rios, lagos e estuários.
Ligações clandestinas de esgotos, efluentes de
fossas sépticas, vazamentos de tanques enterrados
de combustível, restos de óleo lubrificante, tintas,
solventes e outros produtos tóxicos despejados em
sarjetas e bueiros também contribuem para o aumento das cargas poluidoras transportadas pelas
redes de drenagem urbana.
Efeitos típicos da urbanização incluem a modificação dos canais da macro-drenagem, a alteração das
margens e da vegetação ribeirinha, o aumento nas
taxas de erosão com conseqüente aumento no assoreamento e a variação nos hidrogramas, com aumento dos volumes e picos de vazão. O escoamento
superficial traz poluentes como matérias orgânicas,
tóxicos, bactérias e outros. Assim, o lançamento da
drenagem urbana em corpos d’água introduz modificações que produzem impactos negativos diversos,
com conseqüências a curto e a longo prazo sobre o
ecossistema aquático.
De acordo com a publicação dos relatórios de
Osborne e Harris, em 1989, “mesmo quando há
apenas alterações das condições físicas do canal para
adequação da rede de macrodrenagem, já ocorrem
sérias alterações devido à mudança dos habitats. Agrava-se esta situação com as alterações da qualidade da
água que usualmente o lançamento da drenagem urbana costuma trazer”.
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E existe ainda a visão de que a preservação da
várzea natural, sem grandes alterações da morfologia
dos cursos d’água e da vegetação ribeirinha, representa uma forma de controle de enchentes e também da
qualidade da água por ser mantida a capacidade assimilativa natural do ecossistema. Preservam-se assim
o habitat natural das espécies e, ao mesmo tempo, a
capacidade de amortecimento dos picos de cheia.
fontes difusas
de poluição
De acordo com a divulgação do relatório
Novotny, 1991, cinco condições caracterizam
as fontes difusas de poluição.
São elas:
• lançamento da carga poluidora é intermitente e está relacionado à precipitação;
• os poluentes são transportados a partir de
extensas áreas;
• as cargas poluidoras não podem ser monitoradas a partir de seu ponto de origem,
mesmo porque sua origem exata é impossível de ser identificada;
• o controle da poluição de origem difusa
obrigatoriamente deve incluir ações sobre
a área geradora da poluição, ao invés de incluir apenas o controle do efluente quando
do lançamento;
• é difícil o estabelecimento de padrões de
qualidade para o lançamento do efluente,
uma vez que a carga poluidora lançada
varia com a intensidade e a duração do
evento meteorológico, a extensão da área
de produção naquele específico evento,
e outros fatores que tornam a correlação
vazão x carga poluidora praticamente impossível de ser estabelecida.
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Mesmo quando há
apenas alterações das
condições físicas do canal
para adequação da rede
de macrodrenagem, já
ocorrem sérias alterações
devido à mudança dos
habitats.
A variação do impacto causado pelo lançamento
da drenagem urbana, logicamente, depende de fatores
como o estado do corpo d’água antes do lançamento,
sua capacidade assimilativa, e ainda da quantidade e
distribuição das chuvas, uso do solo na bacia, tipo e
quantidade de poluente arrastado. Os problemas então gerados podem ser subdivididos em seis grandes
categorias:
•
•
•
•
•
•
alterações estéticas,
depósitos de sedimentos,
depleção da concentração de oxigênio dissolvido,
contaminação por organismos patogênicos,
eutrofização,
danos devido à presença de tóxicos.
A poluição por cargas difusas inicia-se com o arraste
dos poluentes atmosféricos pela chuva e o escoamento
superficial direto será responsável pelo transporte dos
poluentes dispostos sobre a superfície da área urbana
até o lançamento final no corpo receptor.
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As concentrações de poluentes no escoamento
gerado variam ao longo do evento hidrológico, assim
como variam as vazões. É de se esperar que tais valores formem um “polutograma”, com a mesma forma
genérica do hidrograma correspondente.
É difícil calcular ou prever a distribuição temporal
das concentrações de poluentes, isto é, o “polutograma”.
Na maior parte dos estudos de poluição por cargas difusas, no entanto, o objetivo principal é a avaliação do
impacto do lançamento da drenagem urbana sobre o
corpo receptor, e a resposta do ecossistema ao problema
geralmente se dá de forma razoavelmente lenta.
Um dos fenômenos discutidos quando se trata de
prever “polutogramas” é a ocorrência da chamada carga
de lavagem (em inglês, “first flush”). A explicação mais
comum é a de que se trata da remoção inicial do material acumulado no período entre chuvas, quer sobre
o solo, quer no interior das canalizações, significando
que o pico do “polutograma” ocorreria antes do pico das
vazões. O fato desta carga de lavagem às vezes ocorrer
e outras não, pode estar relacionado com as perdas iniciais no escoamento superficial.
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matéria tema
Programa
Córrego Limpo
Nascido de uma parceria entre o Governo do Estado, Sabesp e a Prefeitura
de São Paulo, o Programa Córrego Limpo,
que envolve ações da Secretaria de Estado de Saneamento e Energia, da Sabesp e
das Secretarias Municipais de Coordenação das Subprefeituras, de Infra-Estrutura Urbana e Obras e do Verde e Meio Ambiente, atua na recuperação de córregos
degradados da capital paulista.
Em sua fase inicial, se estima um investimento de R$ 200 milhões destinados à recuperação de 42 córregos, por
serem elementos de estruturação urbana. Ainda que não sejam diretamente
aproveitados para o abastecimento de
água, interferem muito nas condições
de saúde e saneamento da população.
Nas enchentes, as águas da chuva se
misturam com esgotos não tratados,
agravando muito os riscos e danos aos
moradores das áreas atingidas. A poluição da água pode ser também a causa
de doenças de veiculação hídrica, proliferação de insetos, além de trazer outros
incômodos, como o mau cheiro.
A Revista Saneas buscou informações
sobre o Programa com a Sabesp e a
Prefeitura de São Paulo.
Em dois anos serão:
R$ 200 milhões
em investimentos
42 córregos
2,4 milhões de
pessoas beneficiadas
204 km2
de área beneficiada
antes depois
Córrego Carandiru
antes depois
Lago Toronto
Em dez anos serão:
300 córregos despoluídos
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Córrego Tenente Rocha
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antes depois
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matéria tema
“o córrego só vai estar efetivamente limpo se não houver
esgotos nem lixo nas suas águas ou nas suas margens”
Entrevista concedida pelo Gerente de Departamento da
Superintendência de Planejamento e Desenvolvimento
da Metropolitana-MP, da Sabesp, Jairo Tardelli Filho
Saneas: O acúmulo de dejetos nos afluentes Rio
Tietê e Pinheiros da Região Metropolitana é uma
preocupação prioritária para a Sabesp?
Sabesp: Os córregos são o receptáculo final da maior
parte dos resíduos, sólidos e líquidos, das atividades
humanas em uma bacia hidrográfica. Se os esgotos
não são coletados ou tratados (responsabilidade da
Sabesp no Município de São Paulo), grande parte deles
é lançada nos córregos e rios que passam pelas áreas
urbanizadas. Igualmente, o lixo pode ser lançado diretamente nos córregos ou, se lançados nas ruas, vão ter
acesso aos córregos por ocasião das chuvas. Mesmo a
poluição atmosférica, neste caso, é lavada pela água
das chuvas e vai para o córrego...
Saneas: Quando e com qual propósito foi iniciada
a Operação Córrego Limpo?
Sabesp: O Programa Córrego Limpo foi lançado no início de 2007, com a visão correta de que o córrego só
vai estar efetivamente limpo se não houver esgotos
nem lixo nas suas águas ou nas suas margens. Aí entra
a parceria entre a Sabesp e a Prefeitura do Município
de São Paulo, cada uma atuando no âmbito de suas
atribuições. Tem um terceiro agente, muito importante:
a população. De nada valerão os esforços da Sabesp e
da Prefeitura, se a população não tiver consciência do
seu papel nesse processo.
Saneas: Qual é a participação da Sabesp e da Prefeitura de São Paulo na efetivação deste Projeto?
Sabesp: Realmente a “novidade” nesse programa é a
parceria entre a Sabesp e a Prefeitura do Município
de São Paulo. Veja o caso dos lançamentos provisórios de esgotos nos córregos: muitas vezes eles acontecem porque as obras de implantação do coletortronco teve de ser paralisada devido à existência de um
assentamento populacional na várzea. Aí ocorre o
desvio dos esgotos para o córrego, contribuindo para
a poluição das suas águas. A parceria é fundamental
para a solução desse problema, pois a Prefeitura tem
a responsabilidade de efetuar o reassentamento dessa
população e a reurbanização da área, permitindo a
continuidade estrutural do coletor.
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matéria tema
Em geral, as responsabilidades das entidades estão assim distribuídas: a Sabesp executa as obras de coleta
de esgotos, elimina os lançamentos clandestinos de
esgotos nas galerias de águas pluviais e executa interligações e complementações de coletores. A PMSP
faz a limpeza do leito e das margens do córrego, faz o
reassentamento da população ribeirinha, se for o caso,
e obriga os imóveis a se conectarem às redes públicas
de coleta de esgotos.
Saneas: O que já foi feito desde o início da Operação e o que ainda estar por fazer em curto, médio
e longo prazos?
Sabesp: O Programa já conta com duas etapas: a
primeira contempla 42 córregos urbanos, envolvendo
cerca de 2,5 milhões de pessoas. A segunda tem 58
córregos, com 1,3 milhão de pessoas nas suas bacias.
Até o momento já foram equacionados 12 córregos
sendo previstos 11 até o final deste ano de 2008. O
horizonte final para essas duas etapas é 2010. Com
certeza esse é um Programa que terá continuidade,
estendendo-se inclusive aos demais municípios da
Região Metropolitana de São Paulo.
Saneas: Além do impacto ambiental, essa Operação contempla outros segmentos, como saúde,
habitação, economia, entre outros?
Sabesp: Um programa deste tipo tem um caráter essencialmente ambiental e sanitário, com repercussões
positivas em termos de saúde pública e qualidade
de vida da população. Um córrego limpo significa
que ele não exalará maus odores, não terá ratos e
outros vetores que causam problemas de saúde pública, e o fundo de vale será, efetivamente, um elemento
importante da paisagem urbana. Um aspecto interessante também é que em muitos casos a despoluição
e limpeza do córrego ocorrem conjuntamente com a
instalação de parques lineares. Esses fatores também
têm repercussões econômicas, especialmente a valorização dos imóveis próximos ao fundo de vale.
Mais uma vez, para manter isso tudo é importante a
conscientização da população, pois um lançamento
indevido de algum produto químico na sarjeta, por
exemplo, poderá comprometer todo o trabalho de recuperação do córrego por um bom tempo. Houve um
caso de um córrego, já com os trabalhos concluídos,
aparecer todo branco devido à lavagem de vasilhames
de tinta em uma obra de um edifício.
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matéria tema
“O Programa Córrego Limpo, além do impacto
ambiental, contempla a eliminação de doenças”
Entrevista concedida pela Secretária Executiva de
Comunicação da Prefeitura da Cidade de São Paulo,
Rosana Telles
Saneas: O acúmulo de dejetos nos afluentes da
região Metropolitana é uma preocupação prioritária para a Prefeitura de São Paulo?
Prefeitura de São Paulo: Desde o início desta administração, a Prefeitura da Cidade de São Paulo, entre
outras prioridades, vem trabalhando em regime contínuo na limpeza das galerias de águas pluviais, caixas de
drenagem - “bocas de lobo” e nos leitos dos córregos e
ribeirões, removendo todo tipo de dejetos que tem seu
destino final nos cursos d’água da nossa cidade. Estes
trabalhos são permanentes.
Saneas: Quando e com qual propósito foi iniciada a
Operação Córrego Limpo?
Prefeitura de São Paulo: O Programa Córrego Limpo,
começou em março de 2007, com o propósito de
despoluição dos cursos d’água, para eliminação de todos os lançamentos de esgotos domiciliares clandestinos, com a complementação das redes coletoras por
parte da Sabesp em parceria com a Prefeitura, recuperando assim a qualidade das águas e melhorando o
meio ambiente.
Saneas: Qual é a participação da Prefeitura de São
Paulo na efetivação deste Projeto? E qual é a importância de se contar com a parceria da Sabesp
nesta Operação?
Prefeitura de São Paulo: A Prefeitura faz a limpeza e
a remoção de entulho; a realocação das famílias que
habitam irregularmente sobre as margens e o leito do
córrego; obras complementares de contenção das margens quando necessárias; construção de habitações
populares para moradia das famílias que deixam as
ocupações em beira dos mananciais; a notificação aos
proprietários dos imóveis que ainda não regularizaram
a sua ligação à rede coletora da Sabesp - “Ligações
Factíveis” e outros serviços complementares. A parceria com a Sabesp é fundamental. Sem ela o Programa
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Córrego Limpo não alcançaria os resultados que estamos obtendo, que é a recuperação dos nossos cursos
d’água. Importante registrar que esta integração não
existia e os planos estratégicos não dialogavam.
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Saneas: O que já foi feito desde o início da Operação e o que ainda estar por fazer em curto, médio e
longo prazos?
Prefeitura de São Paulo: Pelo curto espaço de tempo
decorrido desde o início dos trabalhos, sentimos que
os resultados já alcançados são altamente significativos para a melhoria da qualidade de vida dos moradores, nos 6 córregos já despoluídos, dos 42 previstos
até 2009, com a eliminação do mau cheiro, insetos e
ratos e com a volta de peixes e aves. Este Programa
prosseguirá até conseguirmos despoluir todos os cursos d’água da nossa cidade, a médio e longo prazo.
Saneas: Além do impacto ambiental, essa Operação
contempla outros segmentos, como saúde, habitação, economia, entre outros?
Prefeitura de São Paulo: O Programa Córrego Limpo,
além do impacto ambiental, contempla a eliminação
de doenças provenientes do esgoto a céu aberto e dos
gases liberados, da melhoria das habitações destinadas às famílias removidas, gerando uma economia de
assistência médica ambulatorial às pessoas moradoras
próximas do córrego. A comunidade inteira passa a ter
uma melhor qualidade de vida. Este Programa beneficia toda a população de nossa cidade.
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matéria tema
Sabesp destaca importância de parques
urbanos e envolvimento da comunidade
Colaboração do DEPARTAMENTO DE IMPRENSA DA Sabesp
Não há como pensar em um planeta sustentável sem
iniciativas que estimulem o desenvolvimento de área
verde. Esse foi o objetivo da 12ª Audiência de Sustentabilidade, realizada em 21 de outubro, no auditório Tauzer Garcia Quinderè, na Sabesp. O evento destacou a importância
dos parques públicos e o papel da comunidade na gestão
desses locais.
Hélio Castro (foto) , superintendente de Produção de
Água da Sabesp, apresentou o projeto Parque da Integração, desenvolvido pela empresa em parceria com o
Governo do Estado e a Prefeitura de São Paulo. O parque
terá 7,5 km de extensão e será construído em torno da
adutora Rio Claro, entre o bairro de Sapopemba e o Largo
São Matheus. O local contará com ciclovia, pista de pedestre, bicicletário, parquinho, anfiteatro, áreas para a
prática de esportes (malha, bocha e campo de futebol),
entre outras atrações.
O Parque da Integração foi dividido em cinco setores.
Os dois primeiros deverão ser entregues em novembro.
O projeto tem previsão para ser concluído em 2010. “A
gente conta com a comunidade na gestão desse espaço,
de forma a utilizá-lo de maneira adequada para a sua
preservação”, destacou.
Em seguida, o Prof. Dr. Paulo Renato Mesquita Pellegrino, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU), da
Universidade de São Paulo, falou sobre “Novos Conceitos
de Paisagismo em Parques Urbanos”. Em sua apresentação, o professor apontou conceitos de como conseguir
uma harmonia entre as construções e o meio ambiente.
“Estamos numa cidade que praticamente perdeu as possibilidades que tinha de se desenvolver sustentavelmente.
Carregamos uma visão deturpada de que cidade e natu-
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reza são coisas distintas, quando não são. A cidade é a
natureza transformada, mas é natureza”, afirmou.
Logo depois foi apresentado o Programa 100 Parques,
da Prefeitura de São Paulo. A palestra foi ministrada por
Alejandra Maria Devecchi, coordenadora de Planejamento Ambiental da Secretaria Municipal do Verde e Meio
Ambiente. O projeto foi lançado em janeiro deste ano e
tem como objetivo possibilitar que o município tenha, ao
menos, cem parques públicos. Segundo Alejandra, foram
identificadas áreas prioritárias para a construção dos
parques. Em muitas delas a Prefeitura teve de negociar
a desapropriação. “No momento, 17 parques estão sendo
construídos. Temos projetos para outros 34 serem criados
nos próximos anos”. A palestrante destacou quatro locais
em especial: a borda da Cantareira, a nascente do Rio
Aricanduva, e as represas Billings e Guarapiranga.
A audiência ainda contou com a participação de Mauricio Broizini, presidente do Conselho Deliberativo do
Movimento Nossa São Paulo. Ele destacou a importância
do envolvimento da comunidade em favor dos parques
e, de maneira geral, nos assuntos do cotidiano: “O movimento nasceu para criar uma sinergia entre os vários
setores da sociedade civil, com o objetivo de contribuir
com o poder público para a construção de uma cidade
justa e sustentável”.
Após as apresentações, surgiram idéias para o desenvolvimento de novos projetos. A consultora Maria Ângela
Barea, por exemplo, propôs que hortas fossem plantadas
nas lajes das moradias nas favelas. Para ela, trata-se de
uma alternativa para locais em que há dificuldade para o
plantio por conta de sua precária arquitetura.
O Movimento de Urbanização e Legalização do Pantanal
(MULP) tem projeto parecido em parceria com o Instituto
Alana. Seu representante, Ronaldo Delfino de Souza, afirmou que o a organização possui um trabalho socioeducativo no Jardim Pantanal, Zona Leste de São Paulo. O bairro
conta com aproximadamente 5.400 famílias. É apenas um
dos dezessete que ocupam a várzea do rio Tietê.
As audiências de sustentabilidade têm como objetivo
principal ampliar o espaço de diálogo com a sociedade,
sendo um fórum de discussão de propostas que possam
contribuir com os temas abordados. A avaliação da organização foi a de que o evento atingiu seu objetivo, dado
o envolvimento dos participantes.
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matéria tema
Poluição secular impera
no Rio Tietê, em SP
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MAURICIO LIMA/AFP/Getty Images
O Rio Tietê, segundo pesquisas, tem entre 10 e
15 milhões de anos. Com 1136 km, ele corta todo o
Estado de São Paulo, até chegar no rio Paraná, na
divisa com Mato Grosso do Sul. Os índios o chamavam de Anhembi, mas ele ficou famoso como Tietê,
o rio das conquistas, o caminho dos Bandeirantes
nos séculos XVI - XVII.
O Tietê nasce em Salesópolis a 22 km do Oceano
Atlântico, mas corre para dentro do nosso Estado, por
isso foi muito utilizado como estrada de acesso por
índios, bandeirantes e religiosos, que necessitavam
chegar as vilas que cresciam a beira do rio. Segundo
conta a história, os Jesuítas navegavam entre os rios
Tietê, Tamanduateí e o Pinheiros para que pudessem
chegar nos pontos mais distantes da jovem cidade.
Os Bandeirantes atravessavam todo o Estado pelo
Rio Tietê até chegarem no rio Paraná alcançando
desta forma a região sul do nosso País desbravando
terras e dando ao nosso País o formato que hoje
conhecemos.
Em 1700 já há relatos de exploração de ouro
e ferro em São Paulo, causando variações na cor
das águas do Tietê, já na metade do século XVIII a
exploração da cultura do açúcar provocava o desmatamento das margens do rio.
Em 1900 já existiam mais de 150 empresas jogando lixo no Tietê, como resultado, em 1970 o
índice de oxigênio na água chegou a zero, ficando
apenas mau cheiro, moscas e espumas no Tietê.
A preservação do Rio Tietê na capital paulista
começou em uma ação iniciada em 1992, o Projeto
Tietê. O programa, de responsabilidade da Sabesp,
tem como meta recuperar o rio ao longo da cidade
de São Paulo, evitando que o esgoto de indústrias e
residências chegue até seu leito sem tratamento.
Saneas | 25
visão de mercado
Prof. Ms. Adalberto Mohai Szabó Júnior
Técnico em
eletrônica,
licenciado em
ciências com
habilitação plena
em química e
bacharel em
química com
atribuições
tecnológicas.
Pós-graduado em
gestão e manejo
ambiental e
mestre em
educação. É
também, autor
de livros técnicos
utilizados em
instituições
de ensino de
diversos Estados
do país, de
inúmeros artigos
publicados em
significativos
meios de
comunicação e de
inúmeros projetos
de educação
ambiental e
responsabilidade
social.
Consultor
e instrutor
de empresas
de pequeno,
médio e grande
porte. Professor
universitário
com expressiva
atuação em
cursos superiores
de tecnologia,
em cursos de
bacharelado e
em cursos de
pós-graduação.
Atualmente
leciona em várias
instituições de
ensino superior
da região do ABC.
O TRATAMENTO DE EFLUENTES
LÍQUIDOS E SUA VIABILIDADE
ECONÔMICA
No Brasil as indústrias não podem colocar os efluentes
líquidos por elas gerados em contato com o ambiente
extra fabril sem que sejam devidamente tratados,
exceto em casos em que as características desses
efluentes estejam em conformidade com as exigências legais, o que dificilmente acontece.
Subentende-se desta forma que na maior parte
das vezes as indústrias precisam tratar os efluentes
que geram. E assim sendo, podemos concluir que
as mesmas possuem duas diferentes alternativas.
A primeira que consiste em tratá-los para posterior
despejo, e a segunda, que consiste em tratá-los para
que sejam reaproveitados na própria indústria.
A segunda opção é muito mais recomendada que
a primeira, pois em circunstâncias em que a indústria
trata seus efluentes para que sejam reaproveitados,
ela acaba diminuindo o consumo de água potável e
os custos com tal consumo.
26 | Saneas
Contudo, para grande parte dos empresários não
basta este argumento para convencê-los da viabilidade econômica desse tipo de projeto.
Para tanto, demonstrarei através de um exemplo
hipotético de que maneira devemos proceder para
calcular dois importantes indicadores que servem de
parâmetro para conhecer detalhes da viabilidade.
O primeiro deles, é conhecido como prazo de
retorno (pay back). Trata-se de um indicador que
nos mostra quanto tempo será necessário para o
dispendimento de capital para que os efluentes sejam tratados e re-aproveitados retorne aos cofres da
instituição.
Para determinarmos este importante indicar, utilizarei os valores abaixo como referência, supondo
que estivéssemos diante de uma empresa que tivesse
interesse em tratar os efluentes por ela gerados para
reaproveitamento interno.
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visão de mercado
Investimento: R$ 100.000,00
Custo mens. consumo de água antes implantação do projeto: R$ 40.000,00
Custo mens. consumo de água após implantação do projeto: R$ 20.000,00
De pose desses dados, basta que façamos uso da fórmula abaixo:
Pay Back = Investimento / Economia Mensal
Pay Back = R$ 100.000,00 / (R$ 40.000,00 – R$ 20.000,00)
Pay Back = R$ 100.000,00 / R$ 20.000,00
Pay Back = 5 meses
Isso significa que durante os cinco primeiros meses subsequentes a implantação do projeto a empresa não
lucraria absolutamente nada, pois a mesma só estaria recuperando mês a mês, o dispendimento de capital feito
para que o projeto fosse colocado em prática. A empresa só lucraria a partir do 6º mês e essa lucratividade corresponderia a R$ 20.000,00 por mês, ou seja, R$ 240.000,00 por ano ou R$ 2.400.000,00 por década.
Para determinar o outro indicador igualmente importante, denominado rentabilidade, basta fazermos os cálculos abaixo:
Rentabilidade = Economia mensal / Investimento
Rentabilidade = R$ 20.000,00 / R$ 100.000,00
Rentabilidade = 0,2 x 100 Ü 20% ao mês
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visão de mercado
Este indicador deve ser comparado com as rentabilidades conseguidas por intermédio de investimentos com
baixo grau de risco, oferecidos pelo mercado financeiro.
No Brasil, a caderneta de poupança tem conferido
aos seus investidores uma rentabilidade mensal de
aproximadamente 0,6%. Isso significa que a rentabilidade desse empreendimento no país é extremamente
significativa, ou seja, mais de 30 vezes maior.
Se o empresário desta empresa deixasse o dinheiro
necessário para colocar o projeto em prática na caderneta de poupança, veja como essa quantia se comportaria durante dezessete meses, supondo uma rentabilidade mensal de 0,6% ao mês:
MES
VALOR
MES
VALOR
1
2
3
4
100.000,00
100.600,00
101.203,60
101.810,80
10
11
12
13
105.530,60
106.163,80
106.800,80
107.441,60
5
102.420,90
14
108.086,30
6
7
8
9
103.035,40
103.653,60
104.275,50
104.901,20
15
16
17
108.734,80
109.387,20
110.043,50
Percebe-se que passados dezessete meses na caderneta de poupança o empresário teria acumulado
a quantia de R$ 110.043,50 e se o dinheiro tivesse
sido investido no tratamento dos efluentes para
reaproveitamento intra-fabril, o ganho teria sido de
R$ 240.000,00, uma quantia muito maior que a acumulada no banco.
Através deste artigo, acredito que tenha ficado suficientemente claro que investimentos que contribuam
para o desenvolvimento sustentável são em muitas
vezes economicamente viáveis, pois todo e qualquer
empreendimento que possui um pay back relativamente pequeno e uma rentabilidade sensivelmente
superior a rentabilidade oferecida pelo mercado financeiro aos seus investidores através de produtos com
baixo grau de risco deve ser considerado economicamente viável.
Esse exemplo hipotético que usei como referência
permite aos leitores que aprendam a maneira com que
o pay back e a rentabilidade de um empreendimento
devem ser determinados.
Contatos: [email protected]
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2008
artigo técnico
A UTILIZAÇÃO DO MODELO WINHSPF NO
ESTUDO DAS CARGAS DIFUSAS DE POLUIÇÃO
DA BACIA DO RIBEIRÃO DA ESTIVA, SP.
Ana Lúcia Silva - Engenheira química, mestranda pela Escola Politécnica da USP – Área de Concentração: Engenharia
Hidráulica. End.: R. Dr. Zuquim, 757, apto 68, Santana – São Paulo – sp. Tel.: + 55 11 6971-4168;
Email: [email protected]
Monica Ferreira do Amaral Porto - Professora Associada da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo,
Email: [email protected]
Assim como muitos conceitos evasivos, a poluição difusa é de modo geral especificada como aquilo que
ela não é. Literalmente, é definida como sendo aquela
causada por poluentes que não são descarregados pelas fontes pontuais. Definem-se então as cargas poluidoras (Prime, 1998): Cargas pontuais: a fonte é possível de ser determinada e localizada, como é o caso de
esgotos domésticos, descargas industriais, efluentes de
aterros sanitários, etc. Cargas difusas ou não pontuais:
geradas de forma distribuída ao longo da superfície
do solo por inúmeros agentes poluidores, que afluem
aos corpos d’água preferencialmente por ocasião dos
eventos de chuvas. As fontes difusas de poluentes são
mais freqüentemente associadas às atividades de uso
do solo. Entre estas, as que mais contribuem são: desenvolvimento urbano, agricultura, construção urbana
e rural, corte de madeira e mineração. As fontes de
cargas difusas podem se, em áreas rurais: atividades
agrícolas; atividades pecuárias; silvicultura; chácaras
de lazer e recreação; etc. E em áreas urbanas: áreas
residenciais, comerciais, industriais, complexos esportivos, parques, etc.; meios de transporte; deposição
atmosférica , etc. Pode-se citar ainda outras condições
que caracterizam as fontes difusas (Porto, 1995): (1)
o lançamento da carga poluidora é intermitente e
está relacionado à precipitação; (2) os poluentes são
transportados a partir de extensas áreas; (3) as cargas
poluidoras não podem ser monitoradas a partir de seu
ponto de origem, mesmo porque não é possível identificar sua origem; (4) o controle da poluição de origem
difusa, obrigatoriamente, deve incluir ações sobre a
área geradora da poluição, ao invés de incluir, apenas,
o controle do efluente quando do lançamento; (5) é
difícil o estabelecimento de padrões de qualidade para
o lançamento do efluente, uma vez que a carga poluidora lançada, a extensão da área de produção naquele
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2008
específico evento e com outros fatores, que tornam a
correlação vazão x carga poluidora praticamente impossível de ser estabelecida.
BACIA HIDROGRÁFICA DE ESTUDO
A Bacia hidrográfica de Ribeirão da Estiva encontrase totalmente inserida no município de Rio Grande da
Serra e na Bacia da Billings, com 100% da área de Proteção Ambiental. O Ribeirão da Estiva é um afluente do
Rio Grande, que por sua vez é um dos formadores da
Bacia Hidrográfica da Represa Billings. Possui uma área
aproximada de 17 km2 e representa 45,94% da área total do município. A cidade faz limite com os seguintes
municípios: Ribeirão Pires (norte), Suzano (leste), Santo
André (oeste e sul) (SABESP, 2000). O manancial abastece toda a cidade de Rio Grande da Serra e uma parte
da cidade de Ribeirão Pires. O processo de tratamento
da água é do tipo convencional. De acordo com a sra.
Francisca Adalgisa, da SABESP, a bacia de Ribeirão da
Estiva possui cerca de 1500 pessoas (censo de 2000,
IBGE). Dados de saúde indicam necessidade de revisão
do sistema de atendimento à população quanto ao
saneamento básico, a fim de melhorar a qualidade de
vida. A rede coletora de esgotos concentra-se na área
central, apresentando 19 km de extensão e 600 ligações. A carga poluidora potencial é de 1.963 kg de DBO/
dia e a remanescente é de 1.616 kg de DBO/dia (CETESB,
2002). O restante do esgoto não alcança a lagoa por
falta de implantação de recalque. Grande parte da área
urbanizada não dispõe de rede coletora, lançando os
despejos a céu aberto ou em galeria de águas pluviais.
A característica predominante na bacia hidrográfica
do Ribeirão da Estiva é rural, com a exceção de alguns
pontos onde já se observa alguma ocupação desordenada, a maioria delas em áreas impróprias para este
fim (áreas de risco e com restrições legais).
Saneas | 29
artigo técnico
O MODELO HSPF
O WinHSPF é uma interface em Windows para o
modelo HSPF 11.0 no BASINS 3.0. Hydrological Simulation Program – FORTRAN (HSPF), é um modelo de
simulação de fenômenos hidrológicos e qualidade da
água para poluentes tóxicos orgânicos. Permite integrar
simulações de contaminação por cargas difusas, temperatura da água, transporte de sedimentos, nutrientes
e interações entre sedimentos e elementos químicos.
Inclui simulações simples (constante de concentração)
e detalhadas de processos (transformações químicas de
nutrientes). O modelo HSPF passou por várias revisões
com inserção de novos algoritmos. Em 1984 foi desenvolvida a metodologia CMRA (Chemical Migration and
Risk Assessment), o qual trazia procedimentos mais
detalhados de simulação de sedimentos e transporte e
interação de parâmetros químicos. Além disso, combinava o uso os dados de freqüência-duração com dados de toxicidade para obter a freqüência de condições
agudas e crônicas em organismos aquáticos. Com este
novo algoritmo é lançado a versão 8.0 do HSPF. Em
1993 surge o HSPF 10.0. Era notório que o modelo 5.0
possuía deficiências para modelar nutrientes nos corpos d’água, por ser inábil na simulação das interações
entre nutrientes e sedimentos, como adsorção/desorção, advecção e deposição/remoção de sedimentos. Na
nova versão o modelo passa a considerar efeitos do
pH no equilíbrio do alumínio e do carbonato e da alcalinidade; e os possíveis efeitos da complexação do ferro
e competição com o alumínio, além de ver resolvidos
as deficiências anteriores. A nova versão melhorou a
definição de como estão ligados os vários segmentos
da bacia, a partir do desenvolvimento das ferramentas
SCHEMATIC e MASS-LINK. A versão 11.0 é apresentada
em 1997. Com um melhor entendimento da dinâmica
das fontes de nitrogênio na bacia de Chesepeak, USA,
a EPA promove uma melhoria na capacidade de modelagem a partir da inclusão de três fontes de poluição
diferentes: deposição atmosférica, fertilizantes agrícolas e áreas com florestas. Além disso o modelo tem os
algoritmos que simulam o ganho e perda de nutrientes
por plantas expandido, minimizando uma hiper-sensibilidade para simulações com aplicações de fertilizantes. Também o nitrogênio passa a ser simulado em
diferentes formas, frações de nitrogênio orgânico lábil
e refratário particulado e dissolvido, entre outras melhorias. A última versão, o HSPF 12.0, ocorreu em 2001,
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artigo técnico
com o refinamento da representação da hidrologia
de wetlands. Outras me-lhorias foram: capacidade
de representar a irrigação em segmentos permeáveis,
definidas pelo usuário; simulação mais simplicada de
eventos de neve; simulação de BMPs; a inserção da
ferramenta REPORT para que o usuário possa personalizar a maneira como pretende que os dados sejam
extraídos. Encontra-se em estudo melhorias para a
simulação de vazão/sedimentos (Donigian, 2002).
O HSPF possui uma longa história na aplicação de
manejos de bacias, incluindo a análise de carga de
nutrientes e avaliação de BMP’s para a agricultura na
bacia hidrográfica de Chesapeake (Meyers, Albertin e
Cocca, 2001). Desde a sua inclusão no modelo BASINS
2.0, vem sendo aplicado para o desenvolvimento do total máximo de cargas diárias (TMDLs), desenvolvimento
de programas de monitoramento , planejamento do
uso e ocupação do solo e outros projetos de manejo de
bacias. TMDLs para coliforme fecal e outros poluentes
não pontuais, e vem provando ser efetivo para a modelagem de cargas de bactérias em rios. Possui a vantagem de ser capaz de prover uma contínua simulação de
ambas as descargas diretas recebidas por rios: cargas
pontuais e difusas. O usuário é capaz de antecipar o
impacto de diferentes tipos de uso e ocupação da bacia
através da simulação destes e antecipar mudanças na
qualidade da água. A seguir são descritas algumas das
ferramentas de cálculo do modelo:
PWATER: simula o fluxo e/ou armazenamento da água
no segmento em estudo e a partir da entrada de dados
sobre os fluxos de água, faz simulações, fornecendo
diversos tipos de informações.
SEDMNT: simula a produção e remoção de sedimento
de um segmento permeável.
PQUAL: simula parâmetros de qualidade e poluição
da água em escoamentos em segmentos de solo
permeáveis usando correlações simples com a água/
sedimento gerado. Qualquer parâmetro pode ser
simulado, tanto na superfície como em três camadas
inferiores de fluxos de água.
PEST: simula com detalhes processos de nutrientes
e pesticidas, biológicos ou químicos. Os algoritmos
básicos utilizados são originalmente desenvolvidos
para uso em terras rurais, mas podem ser usadas em
outras áreas permeáveis.
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Saneas | 31
artigo técnico
NITR: simula o comportamento o transporte e as
reações das espécies químicas nitrato, amônia e nitrogênio orgânico. As reações são simuladas separadamente para cada camada do solo.
PHOS: A simulação do fósforo envolve o seu transporte, uso por plantas, adsorção/desorção, imobilização e mineralização nas várias formas de fósforo. O
método usado para transporte e reação do fósforo é
o mesmo usado para o nitrogênio, na seção NITR e as
subrotinas usadas para transporte e reação do fósforo
são as mesmas para os pesticidas.
TRACER: simula o movimento de um traçador conservativo em um segmento permeável.
IWATER: simula a retenção, armazenamento e evaporação da água em um segmento de solo impermeável.
Sua operação é similar ao PWATER.
SOLIDS: simula o acúmulo e remoção de sólidos pela
carga difusa e outros meios, no segmento impermeável.
Figura 2 – Apresentação dos resultados de calibração e simulação das BMP´s
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artigo técnico
IWTGAS: estima a temperatura e concentração do
oxi-gênio dissolvido e do dióxido de carbono na água
que escoa pelo segmento impermeável.
IQUAL: simula o carreamento, através de um segmento não permeável, de substâncias químicas ou poluentes pela água, usando uma relação simples com o
balanço hídrico ou os sólidos.
RCHRES: simula os processos que podem ocorrer em
um trecho de rio, um canal aberto ou em um reservatório de mistura completa. Assumindo mistura completa, RCHRES consiste de uma única zona situada entre dois nós, os quais são as extremidades de RCHRES.
O fluxo de vazão que atravessa é unidirecional. Podem
existir até cinco tipos de saídas e uma única entrada.
SINK: calcula a quantidade de material que sedimenta
no módulo RCHRES e determina as mudanças resultantes na concentração.
HYDR: simula os processos hidráulicos que ocorrem
em RCHRES. Os processos elucidados são o comportamento hidráulico do reservatório e dos fluxos de vazão,
e a análise dos constituintes dissolvidos na água. A
equação básica usada é a de continuidade. O HSPF não
assume um formato para RCHRES, mas assume que
não há uma relação fixa entre a profundidade, a área
superficial e o volume e para alguma demanda com
uma componente f (VOL ), a relação funcional é constante no tempo. Isto significa que não há reversão da
direção do fluxo. A técnica de modelagem é conhecida
como “rotina de retenção” ou “onda cinemática”.
ADCALC: Simula a advecção para substâncias dissolvidas ou em solução.
FTABLE: trata-se de uma tabela para funções hidráulicas gerado pelo modelo. Contém dados rudimentares das características de um canal, e o modelo utiliza-se da equação de Manning, através da extração de
quatro valores: profundidade, largura média do canal, n de Manning e inclinação longitudinal do canal.
O HSPF também assume determinadas características
para cálculo de seção, altura do canal, declividade,
etc. A rotina de cálculo acaba sendo uma “rotina de
armazenamento” ou “onda cinemática”. Nestes métodos, o momento não é considerado.
CONS: simula substâncias conservativas.
HTRCH: simula os processos que determinam a temperatura da água em RCHRES a partir de dados meteorológicos.
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SEDTRN: simula o transporte, deposição e desgaste
de sedimento inorgânico no módulo RCHRES. O
HSPF divide a carga de sedimento inorgânico em três
componentes (areia, lodo e argila), cada qual com
suas propriedades. O modelo assume que a remoção
de sedimento inorgânico não afeta as propriedades
hidráulicas do canal, e que o depósito dos sedimentos
simulados ocorre em diferentes áreas do leito. O movimento longitudinal de fundo não é simulado. Pode-se
utilizar três métodos de simulação: métodos de Toffaleti e Colby, e uma equação em função da velocidade.
GQUAL: possui diversas subrotinas para simulação de
até 3 substâncias químicas que estejam dissolvidas ou
associadas a sedimentos, no RCHRES. Também calcula
o aumento da concentração do qual resultante de um
decaimento de uma substância química qualquer, capaz
de formá-lo.
RQUAL: simula constituintes envolvidos em transformações bioquímicas: OD, DBO, Amônia, Nitrito,
Nitrato, Ortofosfato, Fitoplâncton, Alga, Zooplâncton, Nitrogênio orgânico, Fósforo orgânico e Carbono
orgânico refratários e totais, Carbono orgânico total,
pH, dióxido de carbono e a DBO potencial.
APLICAÇÃO DO MODELO MATEMÁTICO À BACIA DE
RIBEIRÃO DA ESTIVA
Dados de carga pontual: Na bacia de Ribeirão da Estiva, não existem pontos de cargas pontuais.
Dados hidrográficos: Obtidos a partir da análise de
plantas da bacia da EMPLASA. Para cálculo da geometria do reservatório foram feitas aproximações a partir
da tabela FTABLE, os quais foram calibrados posteriormente. Os dados hidrológicos foram obtidos de um
estudo feito pelo DAEE de regionalização do Ribeirão
da Estiva e disponibilidade hídrica. Devido a falta de
dados, limitou-se o estudo a apenas um ponto da bacia, junto à captação de água da ETA da SABESP.
Dados geográficos: obtidos junto ao Instituto Sócio
Ambiental (ISA). O local é predominantemente permeável. Considerou-se três tipos de uso e ocupação,
por serem os principais: floresta nativa como 80% da
área total da bacia de Ribeirão da Estiva, 10% como de
uso urbano não consolidado e os outros 10% como de
uso agrícola, todos com drenagem para o ribeirão.
Dados meteorológicos: Foram inseridos dados de
precipitação atmosférica, radiação solar, evaporação,
temperatura e potencial de evapotranspiração, os
Saneas | 33
artigo técnico
quais eram necessários para o tipo de simulação que
foi feita, todos em intervalos horários.
Dados de qualidade: foram utilizados os dados obtidos pela SABESP ao longo dos anos de 2000 a 2002,
sendo identificados os parâmetros com maior número
de dados, maior variabilidade sazonal e selecionados
a partir da capacidade de simulação do modelo: coliformes termotolerantes, fósforo total, sólidos em suspensão e OD. Para validação apenas os parâmetros coliformes termotolerantes e fósforo total foram utilizados,
pois não haviam os outros dados para o ano de 2000.
CALIBRAÇÃO E VALIDAÇÃO DO MODELO
• Calibração hidrológica do modelo: A calibração foi
feita a partir da entrada de dados de 1995 a 2002, e a
calibração de vazão a partir de 1999 a 2002, porque o
modelo inicia com o reservatório vazio, apesar de existir um parâmetro de entrada onde o usuário informa
com que volume o reservatório encontra-se no momento de início da simulação. Foi refinada seguindo
os seguintes passos: (1) observou-se os resultados de
balanço de massa gerados pelo próprio HSPF, até que a
% de erro fosse menor que 10%. (2) para calibração da
vazão considerou-se a vazão média de longo período,
de forma que a vazão média dos 4 anos diferi-se da real
em menos que 10%. (3) ajuste de distribuição da alta e
baixa vazão de escoamento através do ajuste das taxas
de percolação e infiltração através do solo e recargas do
rio; (4) distribuição da precipitação ao longo do dia; (5)
utilização de diferentes valores mensais de variáveis de
acordo com a variação sazonal esperada. Os resultados
estão apresentados na Figura 2.
• Calibração hidráulica: Seguindo instruções da literatura consultada na EPA, foram acrescentadas duas linhas
na FTABLE, com mais duas alturas de 10 e 20 pés, cerca de
4 a 5 vezes a altura máxima medida. Nesta bacia foi considerado que a vazão de saída do reservatório depende
do volume e do tempo, partindo do princípio que não
há controle da vazão do reservatório e devido a haver
bombeamento para a ETA.
• Calibração do modelo para o módulo de geração
de sedimentos: Uma vez calibrado o sedimento gerado por erosão, segue-se à calibração do sedimento que
adentra a massa de água. Para a variável K, o fator de
erodibilidade para solos paulistas varia entre 0,18 e 0,13.
O método utilizado foi o de Toffalety, atendendo às características da bacia simulada.
34 | Saneas
• Calibração do modelo para coliformes termotolerantes ou fecais: A ferramenta utilizada para
calibração dos coliformes termotolerantes foram
PQUAL e GQUAL já que o modelo não possui um algoritmo específico para este parâmetro. O primeiro
passo foi a estimação dos dados de carga de entrada. Estes valores são distribuídos com freqüência
mensal para cada tipo de uso e ocupação do solo.
Deve-se entrar com a capacidade máxima de retenção e taxa de acumulação em cada segmento, a qual
deve ser de 1,5 a 1,8 vezes maior que a taxa de acumulação. Foi considerado que a carga de coliforme
fecal gerado que chegava ao reservatório estava associado ao escoamento superficial.
• Calibração do modelo para fósforo total: O
parâmetro fósforo possui um módulo próprio para ser
simulado tanto no módulo PERLND quanto no RCHRES.
No entanto, este módulo exige o conhecimento de diversas variáveis, entre elas a capacidade de absorção/
desorção de fósforo por plantas, difusão do mesmo do
sedimento para o meio, etc. Devido a não existência
destes dados para o ambiente simulado, optou-se por
simplificar o método de simulação. O fósforo total
foi modelado a partir do módulos genéricos PQUAL
e GQUAL. Os usos de solo que estariam originando o
fósforo seriam o agrícola e o urbano não consolidado.
Concluiu-se que a concentração de fósforo total na
bacia de Ribeirão da Estiva não se correlaciona com a
precipitação. Como o modelo permite a variabilidade
sazonal, o modelo foi calibrado variando a carga de
fósforo de 0,1 a 5 Kg de P/m2.dia, com valor médio
de carga afluente ao reservatório foi de 1,2 kg de P/
m2.dia. Na bacia, o total produzido encontrado foi de
27 kg de P/ano. A calibração obtida pode ser considerada razoável, sendo respeitados limites máximos
e mínimos de concentração encontrados para os dados reais. Os resultados simulados com dados acima
do normal em eventos sem chuva explica-se pelo
acúmulo de fósforo no segmento, carreado em grande
quantidade na primeira chuva. A concentração final é
remanescente destes dias.
• Calibração do modelo para oxigênio dissolvido:
A modelagem para Ribeirão da Estiva considerou as três
formas possíveis de reaeração, e o melhor resultado
foi obtido a partir do método de Covar modificado.
Constatou-se que a variação dos expoentes de velocidade e altura no método de Covar pouco interferem
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2008
artigo técnico
no resultado final. Após fixar estes em valores default
partiu-se para a variação de REAK para a qual o modelo
apresenta maior sensibilidade. Finalmente chegou-se a
um valor ótimo de coeficiente de reaeração de 0,37/ft.
Foi considerada a DBO média.
Verificação dos resultados
A verificação dos resultados foi feita a partir da simulação das variáveis coliformes termotolerantes e fósforo
para o ano de 2000. Não foi possível validar outras
variáveis já que não existiam dados para as mesmas.
Correlação r2: As correlações obtidas na validação dos
dados, para o ano de 2000 foram:
-Coliforme termotolerante: r2 = 0,96
-Fósforo total: r2= 0,04
Teste T: O teste T é usado para determinar se duas
médias amostrais são iguais, assumindo igual variância para as duas amostras: dados reais e dados simulados. Para um nível de significância de 5%, o teste
considerou as duas séries de dados iguais, para ambos
os parâmetros de qualidade. Diante destes resultados
foram considerados bons os valores obtidos a partir
da simulação do WinHSPF, principalmente para o
parâmetro coliforme termotolerante.
Análise crítica dos resultados
O modelo, apesar de ser do tipo agregado, apresenta
uma dificuldade considerável de calibração hidrológica
em função do grande número de variáveis a serem trabalhadas, e principalmente pela falta de dados neste
trabalho. O modelo apresentou ótimos resultados para
o parâmetro coliforme termotolerante e não tão bons
para o parâmetro fósforo total. O primeiro apresenta
uma ótima correlação de concentração com a intensidade de chuva, e este foi provavelmente o principal
motivo da obtenção de bons resultados, já que o al-
goritmo simulado correlaciona a formação do qual a
eventos de chuva. O fósforo total é um elemento complexo na natureza, com diversas fontes, o que justifica
a necessidade de algoritmos de cálculo bem trabalhados e um conhecimento apurado do sistema de trabalho. Donigian (2002), em seu trabalho de calibração e
validação de um bacia hidrográfica dos Estados Unidos
utilizando o modelo HSPF também encontrou problemas na calibração do parâmetro fósforo, obtendo um
resultado ruim. Analisando o ribeirão da Estiva quanto
aos seus dados de qualidade percebe-se que a variação
da concentração de alguns parâmetros é sazonal, principalmente o fósforo. As fontes de fósforo nesta bacia
são principalmente de cargas difusas e da carga interna
do sistema. O pH do corpo d’água tende a ácido, o que
influencia na ressolubilização de metais, entre eles o
ferro ao qual o fósforo encontra-se normalmente associado. A variação de OD é grande, tendendo a anoxia. O
potencial de redução do meio aquático tende a aumentar à medida em que a concentração de oxigênio tende
a zero. Com isto há a redução do íon férrico (Fe+3) a íon
ferroso (Fe+2). Uma vez que o fósforo se complexa com
os compostos férricos, este fenômeno de oxi-redução
libera o fósforo que se solubiliza na água intersticial do
sedimento, ficando disponível para difusão na massa
d’água. Por sua vez esta difusão é dependente do gradiente entre a concentração do fósforo em suspensão na
água intersticial e na coluna d’água. Este fenômeno é
observado no reservatório de Ribeirão da Estiva. A correlação entre o fósforo total e o ferro total é de r = 0,72.
Tudo isto pode explicar a origem do fósforo no corpo
d’água. Estes fatores não foram considerados na simulação, mesmo porque desconhece-se exatamente quais
variáveis atuam neste meio e principalmente por falta
de dados. O parâmetro OD apresentou bons resultados.
Tabela 1 Valores médios dos dados
Coliforme termotolerante (NMP/100 mL)
Período de 12
meses
Valor
médio real
Valor médio
simulado
% diferença
Fósforo total
Valor
médio real
Valor médio
simulado
% diferença
2000(9)*
103
105
1
0,023
0,026
13
2001 (5)
75
86,6
15
0,025
0,022
14
2002 (4)
256
106
59
0,028
0,027
5
* número de eventos observados durante o monitoramento
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Saneas | 35
artigo técnico
A minimização das cargas difusas a partir
de uma BMP
A projeção do IBGE é que a cidade de Rio Grande da
Serra aumente em cerca de 47% até 2015. A tendência
que se observa em grandes centros urbanos é o crescimento mais acentuado em áreas de mananciais. Como
a localização da bacia de Ribeirão da Estiva pode ser
considerada privilegiada, é de se esperar um grande
afluxo de pessoas para a região, sem a infra-estrutura
necessária. Contando que 1/3 desta população seja
a responsável pela origem das cargas difusas e que
o aumento de 47% para esta região se concentre na
área de mananciais próximo ao ribeirão haveria um
incremento de quase 80% da carga difusa afluente
ao reservatório. Para o parâmetro fósforo, significaria
que o ribeirão estaria com a qualidade da água totalmente comprometida, ou seja, com valores bem acima
da legislação. Em termos de tratamento de água, os
Esgoto doméstico
esgoto estravasado
esgoto sanitário
fossa septicé
Animais selvagens
animais domésticos
esgotos ilegais
animais confinados
água parada
nutrientes
outras fontes domésticas
carga difusa
Tabela 2 - BMPs sugeridas a serem aplicadas na Bacia de Ribeirão da Estiva.
Educação ambiental
1
1
1
5
1
5
3
4
5
5
1
2
Incentivo de diminuição
de uso de fertilizantes
0
0
0
0
0
0
0
0
0
3
3
0
Incentivo de plantio de
vegetação nativa
1
1
1
1
1
2
0
0
0
5
0
0
Conservação de áreas
naturais
0
0
0
1
1
1
0
1
0
1
1
3
Revegetação de espaços
abertos e varzea
0
0
0
0
0
0
0
0
0
1
1
1
Áreas de proteção ambiental
0
0
0
0
0
0
0
0
0
3
0
3
Trabalho de conservação
conjunto com a comunidade
1
1
0
1
0
3
4
3
3
2
1
3
Monitoramento, idêntificação e eliminação de
fontes
3
3
0
4
0
0
4
0
0
0
3
3
Bacias de retenção de
chuvas
1
1
1
3
3
3
1
3
3
5
5
5
Wetlands construídas
2
3
3
3
3
2
2
3
1
3
1
5
Várzeas naturais
1
1
1
3
1
1
0
3
0
3
1
0
BMP
36 | Saneas
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2008
artigo técnico
parâmetros simulados não são bons indicadores diretos para análise do impacto no processo. O que se
pode é inferir sobre prováveis problemas e impactos
futuros a partir da experiência com outros mananciais.
Com relação ao coliforme termotolerante, problemas
advindos da poluição difusa de patógenos envolve a
possível existência de organismos mais agressivos à
saúde humana e de difícil tratamento em estações
convencionais. Segundo Faust (1999), o grupo de bactérias do tipo coliforme não é de difícil inativação e
remoção por tratamentos simples e convencionais,
como o cloro livre. No entanto, é importante ressaltar
que para outros organismos patógenos existe a necessidade de se preocupar com o aumento do tempo
de contato e da concentração do desinfetante no processo de tratamento.
Quanto ao parâmetro fósforo total, a sua concentração não é controlada para a água após tratamento,
mas sua existência em reservatórios pode ser bastante
prejudicial para a qualidade da água para tratamento.
Em geral mananciais com altas concentrações de fósforo apresentam eutrofização, com presença de algas em abundância, sendo as mais problemáticas as
cianofíceas. Além do seu potencial tóxico, as mesmas
liberam na água substâncias orgânicas que atribuem
gosto e odor à água. O tratamento para a remoção
destas substâncias tóxicas e de gosto e odor são extremamente caros e complexos, como por ex. carvão
ativado em pó e carvão ativado granulado.
A aplicação de uma BMP capaz de diminuir em 3%
a carga total afluente ao reservatório, de origem difusa, seria o suficiente para que as concentrações de
coliformes termotolerantes no reservatório ficassem
abaixo de 200 coliformes termotolerantes /100 mL,
com redução média de 83%. Uma BMP capaz de remover 5% da carga difusa afluente de fósforo total
seria o suficiente para garantir que as concentrações
de fósforo no reservatório fossem inferiores ao limite
da legislação, com uma redução média de 77% das
concentrações de fósforo total. Kittle et al (2002) fez
uma revisão sobre BMPs, onde avalia a efetividade de
algumas ações que vão desde preventivas, não estruturais, leis e fiscalizações, manutenção até finalmente
BMPs estruturais, para determinadas fontes de poluição. A avaliação vai de 0 a 5, sendo que em 0 a BMP não
se aplica para aquela fonte de poluição, e para as classificações 1, 3 e 5 a mesma possui baixa, média e alta
eficiência. Para a classe 4, a BMP possui eficiência intermediária entre 3 e 5. Na Tabela 2 são sugeridas algumas
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práticas ótimas de manejo que poderiam ser aplicadas
a bacia de Ribeirão da Estiva para minimizar a carga de
coliformes termotolerantes e de fósforo. É importante
notar que as BMPs mais importantes são aquelas onde
há o trabalho de manutenção, fiscalização e educação
ambiental com trabalho conjunto com a comunidade.
CONCLUSÃO
Como principais conclusões deste estudo destacam-se:
1. O modelo WinHSPF mostrou-se adequado para
a simulação de geração de cargas difusas, em especial
para parâmetros correlacionados com a precipitação,
e também para a obtenção de dados médios anuais.
A análise para a simulação de resultados pontuais foi
prejudicada principalmente pela escassez de dados
para um melhor e mais efetivo teste comparativo;
2. Não é possível criticar o modelo quanto a sua
eficiência na simulação de fósforo total, neste trabalho, devido a falta de dados para que fossem utilizadas outras ferramentas disponíveis no modelo. Para
uma melhor avaliação torna-se necessário que estes
dados sejam obtidos;
3. O modelo demonstrou ser bastante útil para a
simulação de cenários futuros, como aumento das cargas difusas afluentes ao reservatório, permitindo avaliar
possíveis medidas mitigadoras a serem tomadas;
4. A ferramenta geradora de BMP foi extremamente importante para demonstrar que ações de
contenção mínimas para geração de cargas difusas
podem levar a resultados ótimos na diminuição da
carga afluente ao reservatório;
5. Os algoritmos para as rotinas sedimentos devem
ser aprimoradas. No entanto, não foi possível fazer
uma análise mais refinada devido a falta de dados;
6. O modelo WinHSPF, por ser do tipo agregado, não
necessita de maiores detalhamentos como em outros
modelos para cargas difusas. No entanto, notou-se durante o trabalho a dificuldade para a obtenção de dados
simples como precipitação, radiação solar, velocidade
do vento, temperatura, em base horária; vazão, morfometria e demais variáveis utilizadas nos módulos de
qualidade, principalmente para o parâmetro sedimento. Este tipo de dado não é rotineiramente levantado
no Brasil e possui grande influência em um estudo de
modelagem de qualidade da água. Esta falta de dados
acaba por limitar maiores avanços na área.
Saneas | 37
artigo técnico
EDUCAÇÃO AMBIENTAL / CULTURAL / SOCIAL
DO SANEAMENTO BÁSICO DE JALES - SP
Eng. Antonio Rodrigues Grela Filho - Gerente da Divisão de Jales – RTDJ , [email protected]
É obrigação do gestor de saneamento buscar alternativas
que contribuam para uma melhor qualidade de vida.
Mesmo o quadro divulgado, é preciso minimizar os impactos negativos. De acordo com os dados do Ministério da Saúde, Ministério das Cidades, IBGE (2000), o
saneamento básico encontra-se muito distante do que
todos nós desejamos.
Segundo o IBGE (2000) cerca de 40 % da população urbana tem acesso a redes coletoras de esgotos
sanitários, e que somente 25 % recebem algum tipo
de tratamento.
Além dos aspectos gerenciais necessários, a população
precisa ser integrada as discussões, pois o consumo de
água e a geração de esgotos se devem as suas ações.
A necessidade do envolvimento da população se
torna cada vez mais necessário para que as ações sejam
entendidas com mais profundidade pelos gestores.
Objetivos:
O objetivo deste trabalho é demonstrar que o saneamento básico (água / esgotos) podem ser um meio de
fazer educação ambiental. Demonstrar aspectos relativos ao trabalho de parceria realizada com amplo envolvimento da comunidade tem trazido um resultado
excepcional, além do esperado.
Saneamento Básico:
Segundo Organização Mundial da Saúde – OMS, o saneamento básico é o fator que interfere no meio. Responde pela prevenção de doenças.Garantir água em
quantidade e com qualidade, coletar, afastar e tratar os
esgotos é função primordial para a qualidade de vida.
É importante que a população conheça as dificuldades e desafios que os sistemas apresentam. Assim,
os gestores devem manter o sistema de forma que o
local possa se tornar um campo de estudos e de aprendizado em questões ambientais, culturais e sociais.
38 | Saneas
A forma que vem sendo conduzido o trabalho com
o saneamento básico de Jales – SP tem sido muito
diferente, permitindo a Sabesp – Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo, que além da
responsabilidade, conquista a integração educacional.
Metodologia:
A estação de tratamento de esgotos de Jales foi inaugurada em abril de 2001 e constitui-se num sistema
lagoas de estabilização aeróbia e anaeróbia. A eficiência é de 91 % de remoção de carga orgânica. A Figura
1 mostra a vista aérea do local.
Figura 1 – Foto aérea da estação de tratamento de esgotos de Jales – SP
Na parte de baixo da foto, encontramos os Córregos
Tamboril e Marimbondinho, que formam o Ribeirão Marimbondo que deságua no Rio São José dos Dourados.
Com o objetivo de compartilhar com a população a
questão do tratamento de esgotos e do meio ambiente,
foram desenvolvidas parcerias com varias entidades
da comunidade, tais como: Unijales (curso de Biologia), ONG Ecoação, Grupo Escoteiros Dragões D´Oeste,
Rotaract Club, Interact Club, Associação Novo Pontal,
Secretaria Municipal da Educação, Diretoria Regional
de Ensino Estadual, AVCC – Associação Voluntários de
Combate ao Câncer, Produtores Rurais e Empresas.
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artigo técnico
Em seguida, incluímos o Poção
(Aqüífero Guarani) no roteiro da
visitação, conforme Figuras 2 e 3.
Fig. 2 – Poção I
Fig. 3 - Torre de resfriamento
do Poção I
Criamos os jardins temáticos de água: poço cacimba, monjolo, roda d’água,
pilão, fogão a lenha, moinho (Figura 4), e o de esgotos: privada, bacia, chuveiro, fossa, fogão a lenha.
Criamos o Jardim dos Sentidos: (carro-de-boi – visão, pé de cravo – olfato, monjolo – audição). Criamos o Jardim dos Aromas com: cravo, alecrim,
arruda, jasmim, hortelã e outros.
Tivemos visitas de alunos nos jardins temáticos de água e de esgotos no
de 2006 de 5.000 alunos, no ano de 2007 de 4.507 alunos e no ano de 2008
até o mesmo de junho tivemos 2.700 alunos.
Resultados:
• Desde o ano de 2001, vem sendo realizado o trabalho de educação ambiental
com paisagismo e reflorestamento – Figura 5.
• O reflorestamento vem sendo desenvolvido com o viveiro de mudas.
• Já plantamos 90.000 mudas aproximadamente, numa área de 60
hectares.
• Temos um tanque de peixes com água de uma nascente, que serve aos
membros da AVCC – Associação dos Voluntários no Combate ao Câncer.
No ano de 2008, fornecemos 150 quilos de peixes (tilápia) ao Albergue
Noturno.
• É desenvolvida uma horta orgânica que serve aos trabalhadores, com a
compostagem no local.
• A estação de esgotos serve de visitação a toda a população, mais precisamente ao trabalho de educação ambiental – Figura 6.
• Até um casamento foi fotografado na área de paisagismo.
• Vale lembrar que a Estação de Tratamento de Esgotos foi indicada para
representar a cidade de Jales no Concurso 7 Maravilhas da Região, promovido
pelo Jornal Diário da Região da cidade de São José do Rio Preto – SP, sendo
Fig. 4 – Jardim Temático Água
Fig. 5 – Reflorestamento e flores
da ETE de Jales
uma das finalistas. Considerações / Recomendações:
Transformar um local que pode ser considerado insalubre em uma área de
aulas e cidadania, proporcionando a oportunidade de conhecer e entender as
Fig. 6 – Sala Ambiental.
questões ambientais, que são importantes para o futuro.
Os locais são ambientes preservados, social e educacional de forma correta.
O trabalho continua de forma direta, tanto que nesta 1ª semana de agosto, uma futura mãe de Porto Alegre – RS quer
o plantio de 30 árvores na área da estação de tratamento de esgotos, para comemorar o nascimento de sua filha.
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Saneas | 39
artigo técnico
Implantação de esgotos em pequenas comunidades carentes –
caso do Distrito de Prudêncio de Moraes.
Objetivos:
O objetivo deste trabalho é demonstrar a implantação de esgotos no Distrito de
Prudêncio e Moraes com 600 habitantes – Município de General Salgado – SP,
com 100 % de aceitação dos moradores, por parte da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo – Sabesp.
Devemos destacar além da aplicação dos investimentos, também muita vontade de melhorar as condições sanitárias. Isto já trouxe reflexos positivos à comunidade como higienização, limpeza e mais qualidade de vida.
Metodologia Utilizada:
No ano de 2006 iniciamos a obra: 01 Estação Elevatória de Esgotos com 210,00
metros de rede de recalque para atender 234 imóveis, 3.789,12 metros de rede
coletora, 1.910,23 metros de emissários e 01 Estação de Tratamento com 637,52
metros de emissário final.Dos 234 imóveis, 80 foram atendidos por gravidade,
enquanto 154 atendidos pela estação elevatória.
Havia uma reivindicação da população que trabalha na zona rural, nas atividades de cana, pecuária e agricultura. Isto devido a quantidade de pernilongos,
moscas e mosquitos, além de mau cheiro exalado nas guias de sarjetas.
As crianças brincavam nos esgotos e com os esgotos..
Resultados Obtidos:
• Com as 234 ligações domiciliares alteramos as condições precárias de
higiene, porque passamos a coletar, afastar e tratar os esgotos que corriam
pelas ruas da comunidade.
• Foram investidos na ordem de R$ 800.000,00, atingindo R$ 1.353,00 por
habitantes, muito acima da média nacional.
• A população aceitou prontamente a melhoria, comprovada pelas ligações dos
imóveis, alcançando 100 % de atendimento.
• Com a finalização da obra em 2008, a situação foi alterada.
Considerações / Recomendações:
Segundo o IBGE (2005) cerca de 50 % da população brasileira não tem acesso a
rede coletora de esgotos e que somente 15 % dos esgotos são tratados.
Apesar da universalização do saneamento básico ser um aspecto de difícil
solução, uma vez que envolve políticas sociais, econômicas e de gestão, a Comunidade de Prudêncio e Moraes encontra-se diferenciada do quadro brasileiro.
Para a aceitação da comunidade realizamos audiências públicas, visitas e pesquisas com os moradores. Este trabalho alcançou a meta de ligar 100% dos
imóveis, com 90 dia após o encerramento da obra.
Referência Bibliográfica:
Manual de Saneamento 3ª edição – Ministério da Saúde, 1999.
Introdução à qualidade das águas e ao tratamento de esgotos – Marcos Von
Sperling – 3ª edição. UFMG, 2005.
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Estação Elevatória pronta
Estação de Tratamento pronta
Esgotos a céu aberto (antes)
Situação atual
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artigo técnico
Chuvas Ácidas
Eng. Robson Fontes da Costa
Engenheiro da Divisão de Controle de Perdas Norte,
Coordenador do Pólo Norte da Aesabesp
[email protected]
As chuvas ácidas são um sério problema de agressão
ao meio ambiente, são gotas de água que podem ser
chuva ou neblina carregada de ácido nítrico e sulfúrico. Esses ácidos são resultados de reações químicas
que ocorrem na atmosfera a partir da presença do
enxofre, que, por sua vez, é emitido para a atmosfera
pelas indústrias, pela queima de carvão, pelos veículos,
etc. Ela pode manifestar-se tanto no local de origem,
como a centenas de quilômetros de distância. A ação
corrosiva do ácido é impiedosa, provoca acidificação
do solo, prejudicando as plantas e animais, a vida dos
rios e florestas. Da mesma forma as edificações presentes na área são afetadas, o excesso de nitrogênio
lançado pela chuva ácida em determinados lagos
também pode causar crescimento excessivo de algas,
e conseqüentemente perda de oxigênio, provocando
um significativo empobrecimento da vida aquática e
prejudicando o tratamento da água.
Hoje em dia, a concentração de CO2 no ar atmosférico tem se tornado cada vez maior, devido ao
grande aumento da queima de combustíveis contendo
carbono na sua constituição. A queima do carbono
pode ser representada pela equação:
C + O2 ---> CO2
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Tanto o gás carbônico como outros óxidos ácidos, por
exemplo, SO2 e NOx, são encontrados na atmosfera e as
suas quantidades crescentes são um fator de preocupação, pois causam, entre outras coisas, as chuvas ácidas.
O termo chuva ácida foi usado pela primeira vez por
Robert Angus Smith, químico e climatologista inglês.
Ele usou a expressão para descrever a preciptação ácida que ocorreu sobre a cidade de Manchester no início da Revolução Industrial. Com o desenvolvimento
e avanço industrial, os problemas inerentes às chuvas
ácidas têm se tornado cada vez mais sério.
Um dos problemas das chuvas ácidas é o fato destas
poderem ser transportadas através de grandes distâncias, podendo vir a cair em locais onde não há queima
de combustíveis.
Embora se aceite como padrão de acidez da chuva
o valor de pH 5,6, estes podem mudar em função de
condições locais. Por exemplo, na floresta amazônica a
chuva é ligeiramente mais ácida devido à grande atividade da floresta.
Convencionalmente, no entanto, se definiu uma chuva ácida como sendo aquela onde os valores de pH são
inferiores a 5,6. Os ácidos sulfúrico e nítrico, conforme
já visto, são ácidos fortes e portanto tem alto grau de
ionização (respectivamente 61% e 92%). Sua presença
na atmosfera influencia fortemente o pH da chuva .
Saneas | 41
artigo técnico
Problemas decorrentes das chuvas ácidas
A chuva ácida causa grandes problemas, como a corrosão do mármore, ferro e outros materiais usados em
construções; prejudica a agricultura, pois a terra se torna
ácida, necessitando que se coloque calcáreo para reduzir
a acidez; a água dos rios se torna ácida prejudicando a
sobrevivência dos peixes e de toda a vida aquática.
Para diminuir a poluição da natureza com a liberação de gases tóxicos como o monóxido de carbono e
o monóxido de nitrogênio, estão sendo utilizados em
automóveis os catalisadores. Os catalisadores transformam os gases tóxicos em não tóxicos, como por
exemplo, o monóxido de carbono (CO) é transformado
em gás carbônico (CO2), o monóxido de nitrogênio
(NO) em gás nitrogênio (N2).
Efeito tampão
Água: a interação da forma tóxica do enxofre (SO2)
com a água resulta em ácido sulfúrico e isso não
ocorre necessariamente nos corpos líquidos, mas principalmente na atmosfera, sendo que depois ocorre
a precipitação sob a forma de chuva ácida. A chuva
ácida é prejudicial principalmente em ecossistemas de
águas alcalinas como riachos e lagos, e solos naturalmente ácidos que não dispõem de algum tampão para
compensar essa acidez adicional.
Sabemos que o “Ciclo da Água”, em ambiente natural, como da região objeto, de clima quente-úmido e
subquente-umido, atinge o meio aéreo-atmosfera por
evaporação e evapotranspiração, perdendo e deixando
os dissolvidos. Acumula-se no ar em forma de vapor,
de início com característica neutra.
O ar atmosférico, (matéria gasosa), é formado por
uma mistura de vários elementos e compostos distintos, mas que pode sofrer modificação na sua composição e quantidades dependendo da região. Basicamente, tem-se presença do nitrogênio em cerca
de 78% ; do oxigênio com 20% ; do hidrogênio-H2
igual com 0,00005%; do metano 0,0002%; do vapor
d’água,(micro partículas) de 0,1 a 2,8% e, do gás carbônico numa média de 0,033%, (com variações desde
0,01 até 0,1%), completando-se com outros inúmeros
elementos, vários compostos gasosos em solução e
grande variedade de partículas sólidas em suspensão,
levantados do solo pelo vento, todos podendo agir
também como núcleos de condensação para o vapor
d’água ou serem dissolvidos pela movimentação do
ar e pela precipitação.
42 | Saneas
O vapor d’água condensado na atmosfera, (nuvem),
ao receber gases como o gás carbônico, (mais o ácido
sulfídrico formado), etc., irá dissolve-los até o nível de
saturação, sendo a concentração proporcional a solubilidade e a pressão parcial de cada um deles, numa
dada temperatura, adquirindo características de pH
mais reduzido, retornado como chuva, esperando-se
em torno de 5,0 – 6,0 pH, acidez de 10 a 20 mgCaCO3/l
e numa alcalinidade entre 20 e 25mgCaCO3/l.
Isso pode ocorrer, mesmo sem ou com ação de poluentes, chamada genericamente de “precipitação ácida”, onde o pH da água das nuvens pode estar abaixo
de 5,6, isto por conter na atmosfera ou receber parcelas
de sulfatos, cloretos, amônia, nitratos, etc., através da
passagem das gotas nessas camadas, quando de sua
queda, chuva com pH em torno de 3,5 a 5,0.
O resfriamento do vapor condensado em forma de
nuvem leva à posterior precipitação pluvial, (chuva),
sobre a superfície dos solos, rios, lagos, etc., sendo
que a parcela d’ água precipitada sobre a superfície
sólida, pode seguir três vias distintas: a) infiltração;
b) evapotranspiração; c) escoamento superficial.
Define-se como pH a variável que caracteriza
o grau ácido ou básico da amostra, indicando as
relações entre os íons hidrogênio-H+ carregados
positivamente, com os íons oxidrila-OH- carregados
negativamente. Quando ocorre equivalência entre
esses íons, a amostra é neutra; com predominância
dos íons hidrogênio-H+ ela é ácida e, com predominância dos íons oxidrila-OH- a amostra é básica
ou chamada de alcalina.
• O pH é medido em unidades de valores de 0 a
14, numa escala logarítmica, (cologarítmica), assim:
um pH 4,0 (10-4) é dez (10) vezes mais ácido que um
pH 5,0 (10-5), 100 vezes mais ácido do que o pH 6,0
(10-6). Um pH 10 será 1000 vezes mais básico que um
pH 7,0, 100 vezes mais que o pH 8,0 e 10 vez mais
que um pH 9,0 e assim por diante .
• O pH comanda a especificação química das
águas, p. ex.: a capacidade de neutralizar ácidos é
chamada de alcalinidade e a de neutralizar base é
chamada de acidez, estando os dois estados em função do menor ou maior teor de CO2 numa água e da
presença de soluções tampões, que no caso impedem
a mudança brusca de pH em substâncias líquidas,
gasosas ou em fluidos que se expandem ou ocorrem
à maneira de um líquido ou gás.
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artigo técnico
Medidas de Controle das chuvas ácidas
O progresso da humanidade traduzido em termos de
conforto vem, aos poucos, revelando um sem número
de agressões ambientais, muito delas inesperadas e
até desconhecidas.
Da mesma forma que o avançar da tecnologia que
se dá nos países desenvolvidos e muito lentamente vai
chegando aos menos evoluídos, às agressões ambientais, traduzidas pela poluição, nos países adiantados,
sendo cuidadas todas ao mesmo tempo, desde as formas mais evidentes até às mais complexas e nem tão
visíveis como a poluição por óxidos de nitrogênio que
têm uma atenção especial e são cuidadas, todas, com
igual rigor. Já, nos países menos evoluídos, uma das
formas de poluição que mais salta aos olhos é a poeira
na atmosfera, expelida das chaminés das fábricas e de
outras atividades, como sejam, o oxi-corte e as queimas
diversas ao ar livre e que ainda nem são cuidadas.
Seja como for, o controle da poluição do ar começa
pelo combate à poluição por particulados (poeiras),
todavia, enquanto as nações em desenvolvimento
ainda batalham para eliminar esse tipo “primitivo”
de poluição, as nações mais evoluídas já a tem como
página virada e partem para resolver outras etapas,
como a poluição pelo CO2 (dióxido de carbono ou gás
carbônico), causador principal do efeito estufa; pelos
óxidos de enxofre e nitrogênio, causadores da chuva
ácida; e pelos CFC’s (clorofluorcarbonos), causadores
da destruição da camada de ozônio e fortes contribuintes para o efeito estufa. E já aposentaram há
muito tempo, por exemplo, o amianto como isolante
térmico e controlam com eficiência toda a forma de
emissão de hidrocarbonetos cancerígenos.
Se, agora, a situação for analisada pelo lado hídrico,
vê-se que a história se repete. Enquanto os países em
desenvolvimento ainda se encontram no primitismo
do tratamento dos esgotos sanitários e ainda têm
muito a caminhar no que diz respeito aos esgotos industriais, nos países adiantados já se cuida da águas
para o consumo humano sem trihalometanos e sem
benzo-a-pireno e ainda com teores rigorosamente
controlados de outras impurezas, como, por exemplo,
metais pesados. Coliformes fecais, vibriões coléricos
e outros menos votados, já caíram no esquecimento
pelas bandas de lá, onde também já aposentaram há
muito tempo o ascarel como óleo de transformador, o
aldrim como defensivo agrícola etc.
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Já, pelo lado dos resíduos, nós, menos evoluídos,
ainda estamos às voltas com os lixões anti-higiênicos
e outros tipos de lixo que maltratam a qualidade das
preciosas águas doces dos mananciais subterrâneos
e de superfície, levando toda sorte de doenças aos
usuários dessas águas. Aterro controlado ou outras
formas de destinação de resíduos já são assuntos resolvidos nos países adiantados; por lá, a preocupação
é com o lixo nuclear.
A própria evolução tecnológica, por sua vez, vai
mostrando, com o tempo, os malefícios de produtos que
eram ou são de uso corriqueiro e que eram tidos como
inofensivos ao ecossistema e, em particular, à saúde
humana. Vejam o caso do DDT. Quem não se lembra?
Usado para eliminar aqueles incômodos piolhos; também o caso do BHC para matar baratas e do ascarel,
dielétrico para transformadores, muitas vezes inocentemente utilizado, há alguns anos, como desengraxantes
das mãos e do corpo. Não se esquecendo do próprio CFC
que, muito tempo mais tarde de sua ampla utilização é
que veio a se constatar o estrago que ele estava fazendo
com a camada de ozônio da estratosfera.
Infelizmente, por aqui, embora saibamos disso tudo
que é prejudicial, as providências a respeito chegam
bem mais tarde e não temos como amenizar, em curto
prazo, a situação, principalmente por falta de recursos
financeiros. Com isso, a lógica indica que temos mesmo é que combater inicialmente aquilo que for mais
gritante, direcionando, para isso, com inteligência os
poucos recursos. Em outras palavras, de que adianta
realizar esforços para combater emissões de gases que
destroem a camada de ozônio, que provocam o efeito
estufa ou que geram as chuvas ácidas se ainda nem
chegamos perto do combate às agressões do meio ambiente por particulados na atmosfera?
Saneas | 43
artigo técnico
Gestão dos Recursos Hídricos
Eng. Marco Antônio Silva de Oliveira - Departamento de Gestão e Desenvolvimento Operacional da
Baixada Santista - RSO
Preliminarmente a abordagem da Poluição Difusa,
uma das principais fontes da degradação dos recursos
hídricos, teceremos alguns comentários gerais sobre
o problema da gestão da água no meio ambiente urbano, uma vez que tal tema, principalmente nos dias
de hoje, como ensina o Dr. Benedito Braga, começa
a despertar interesse nos habitantes das metrópoles
brasileiras em função de problemas na área do abastecimento de água, esgotamento sanitário, enchentes
e da situação de extrema degradação da qualidade da
água de nossos rios.
No nosso país, cerca de 75% da população vive em
áreas urbanas e uma parcela considerável em regiões
metropolitanas. A região metropolitana de São Paulo,
por exemplo, envolve 39 municípios e concentra mais
que metade da população de todo o estado. Em alguns estados brasileiros, como o Rio de Janeiro, 97%
da população vive em áreas urbanas. Esta aglomeração maciça ocorreu principalmente ao longo dos últimos 30 ou 40 anos sem que a infra-estrutura urbana
(transportes, saneamento e habitação) acompanhasse
o ritmo de crescimento observado.
A gestão de recursos hídricos em geral é um tema
de natureza interdisciplinar complexo. Trata-se da utilização racional da água para diferentes finalidades e
de sua destinação final após o respectivo uso. Entre os
diferentes usos da água destacam-se: abastecimento
doméstico e industrial, irrigação, geração de energia,
navegação, lazer e turismo. Além do uso da água, o
gerenciamento de recursos hídricos envolve o seu controle tanto do ponto de vista quantitativo (enchentes
e secas) como do qualitativo (poluição).
Ao contrário do ar que, dependendo do vento, pode
fluir em diferentes direções; a água sempre escoa de
montante (da nascente, região mais alta da bacia hidrográfica) para jusante (foz, a parte mais baixa). Assim, os
usuários da água em uma bacia hidrográfica estão fisicamente relacionados sendo que, aqueles localizados à
montante irão necessariamente impactar os de jusante
em termos de quantidade e/ou qualidade de água.
44 | Saneas
A implantação do controle de quantidade/qualidade de água também ser torna complexo de ser
implementado dependendo de como o solo da bacia
é utilizado, uma vez que algumas variáveis devem ser
consideradas como por exemplo, a impermeabilização
do solo nas áreas urbanas (construções, telhados, estacionamentos, ruas asfaltadas, etc.), aliado as questões
de utilização do solo, tanto urbano quanto rural, pricipalmente por conta das ações antrópicas..
Gerir nossos recursos hídricos é buscar o equilíbrio
entre demandas e disponibilidades hídricas no âmbito
da bacia hidrográfica. Enquanto a disponibilidade está
ligada a fatores eminentemente físicos, a demanda inclui, além de fatores físicos (necessidades metabólicas
humanas), outros fatores de natureza social, econômica e ambiental.
As demandas estão atreladas às atividades humanas e necessidades ecológicas na bacia hidrográfica
e podem ser agregadas por unidades geográficas e
políticas cujos contornos em geral diferem daqueles
da bacia hidrográfica.
Esta é a situação existente hoje na organização do
Estado brasileiro onde as demandas por abastecimento, controle de cheias e recreação, por exemplo, estão
ligadas aos municípios. Cabe ao município a responsabilidade pelo controle do uso de seu solo urbano e
rural. Municípios à montante impactam municípios
à jusante em um curso d´água. Assim, parece racional que haja alguma forma de articulação entre estas
unidades políticas para benefício do uso integrado dos
recursos hídricos na bacia hidrográfica.
Conceitos de Poluição das Águas
A Poluição das águas é causada pela introdução de
matéria ou energia em algum corpo hídrico pela atividade antrópica, que venha alterar suas características
físico-químicas e biológicas.
A fonte de poluição pode ser pontual ou difusa. A
poluição pontual é quando o ponto de lançamento da
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artigo técnico
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TENDÊNCIA DAS CONCENTRAÇÕES DE N-NITRATO
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30
25
20
mg/L
A poluição Difusa
Por definição poluição difusa é toda carga de polui
ção depositada sobre as superfícies e presente na atmosfera que é carregada para os corpos d´ água durante, principalmentte, os eventos chuvosos. Sendo
isso decorrente da intensa urbanização ocorrida nas
últimas décadas, por conta da crescente impermeabilização do solo nas cidades levando a um significativo
aumento do escoamento superficial bem como a uma
grande liberação de poluentes para o meio ambiente
urbano. E estes fatores potencializam os efeitos de
degradação da qualidade da água pelas cargas difusas
em corpos hídricos de áreas urbanas.
As cargas difusas são transportadas de longas distâncias, não sendo possível dizer exatamente qual foi
sua origem. Seu lançamento é intermitente, dependente da duração e da intensidade da chuva e também
da área produtora.
Devido às suas características, a poluição difusa
trata-se de um fenômeno aleatório da mesma maneira que o evento de precipitação responsável por
sua ocorrência. Assim torna-se extremamente difícil
determinar a distribuição temporal das concentrações
dos poluentes.
E em razão disso, há uma preocupação e ao mesmo
tempo um desafio na busca de metodologias científicas de forma que se possa mensurar a sua abrangência, os seus efeitos e formas de controle.
Dentre as metodologias existentes citamos as principais: Método da Concentração Média no Evento (a mais
conhecida e utilizada), Método da Taxa de Exportação,
Método da Acumulação e Lavagem de Material, Método
Simplificado de SCHUELER (1987), Método de Heaney e
Método de Amy; além delas há inúmeros estudos de casos, inclusive o desenvolvimento de modelos matemáticos mas específicos para o caso estudado.
Por exemplo, a CETESB utiliza como indicador de
poluição difusa em água subterrânea o nitrato. Sua
origem está relacionada a atividades agrícolas e esgotos sanitários. Sendo o nitrato uma forma estável de
nitrogênio em condições anaeróbias, esta substância
pode ser considerada persistente e sua remoção da
água para atender ao padrão de potabilidade que é de
10 mg/L, é onerosa e, por vezes, tecnicamente inviável,
prejudicando o abastecimento público e privado.
Os gráficos abaixo mostram a evolução das concentrações de nitrato verificadas pelo monitoramento da
CETESB no Aqüífero Bauru, ao longo do tempo.
15
10
5
0
1992-1994
1995-1997
1998-2000
2001-2003
2003-2006
Concentrações máximas de N-Nitrato ao londo do tempo no Aqüífero Bauru
TENDÊNCIA DAS CONCENTRAÇÕES DE N-NITRATO
mg/L
carga poluidora é bem definido (descarte de esgoto in
natura em corpos de água), já na poluição difusa não
é possível definir esse ponto, sendo esta poluição oriunda, normalmente, de uma extensa área como por
exemplo: a lavagem das superfícies pelas chuvas.
1,80
1,60
1,40
1,20
1,00
0,80
0,60
0,40
0,20
0,00
1992-1994 1995-1997
1998-2000
2001-2003
2004-2006
Medianas das concentrações de N-Nitrato ao londo do tempo no Aqüífero Bauru
Considerações Finais
Face a importância, mas no entanto, não podemos nos
esquecer da complexidade que norteia o tema abordados, é um desafio para o Poder Público e para a sociedade
implementar medidas que possam ser efetivas e eficazes
no minimização e redução dessa carga de poluição.
Acreditamos que uma das medidas, apesar de ser de
longo prazo, mas não podemos deixar de comentar, é
a persistência na informação e formação em todos os
níveis da nossa sociedade quanto os novos conceitos
de Educação Ambiental, pois para sobrevivermos dependemos desse líquido precioso, que é ÁGUA e para
preservar as suas diversas fontes precisamos Educar,
Educar e Educar.
Saneas | 45
editorial Do Saneamento
“Causos”
Relatamos, nesta edição, dois “Causos” sobre o Prof. Eduardo Riomey Yassuda. Trata-se de uma homenagem da AESabesp a este ilustre profissional, ícone do saneamento, ex-diretor da Sabesp e integrante da
colônia nipo-brasileira, dentro da comemoração do “Centenário da Imigração Japonesa”, no Brasil.
CAUSO I
O RESERVATÓRIO DO TEMPO
DE DOM PEDRO II
Por Carlos Massuyama ( Argos Engenharia Ltda.)
Durante alguns anos trabalhei com os Prof. Eduardo R.
Yassuda, José Martiniano de Azevedo Netto e Mauro
Garcia, numa empresa de consultoria.
Era por volta do ano 1980, e o Prof. Yassuda chamou
todos os técnicos da empresa numa sala para assistirem
a apresentação de um projeto importante.
Lá também estavam, o Prof. Azevedo Netto, já consagrado ícone da Hidráulica e Saneamento, com seu jeito
extrovertido e brincalhão, como sempre, e o Dr. Mauro
Garcia não menos experiente e respeitado, ambos com
grande “quilometragem” na área de projetos e obras
de água e esgotos. Eu estava sentado ao lado do Prof.
Azevedo e o Dr. Mauro na fileira de trás.
Lá pelas tantas o Prof. Yassuda começou a falar do Reservatório da Consolação, aqui de São Paulo, que consta
dos anais do Saneamento como um reservatório muito,
mas muito, muito antigo.
Foi aí que o Dr. Mauro Garcia não se conteve, levantou
o braço e falou:
-”OPA!!! Fui eu que construí esse reservatório !”
De bate pronto, o “bom astral” Prof. Azevedo Netto, já foi
logo dizendo:
-”Qual Reservatório ?
“ Aquele de pedra da época de Dom Pedro II ?”
A gargalhada foi geral!
Logo a seguir o Dr. Mauro tentou corrigir:
-”Não, não, pessoal. Espera aí!. Sou velho, mas nem tanto assim !”. Eu construí um reservatório de concreto, ao
lado daquele de pedra, da época de Dom Pedro II.
Novas gargalhadas ressoaram no recinto.
Foram momentos, no meio de tanto trabalho, que deixaram saudades e boas recordações.
46 | Saneas
Julho / Agosto / Setembro
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2008
“Causos”
editorialDo Saneamento
CAUSO II
O TAXISTA POLIGLOTA
DE LISBOA
Por Estanislau Marcka (Engevix Engenharia S/A)
Quando Secretário dos Serviços e Obras Públicas do
Governo do Estado de São Paulo na gestão do então
governador Roberto Costa de Abreu Sodré (lá pelos
idos do final da década de 60 e início da de 70), o Eng.
Eduardo Riomey Yassuda tinha como seu assessor técnico de gabinete o Eng. Paulo Soichi Nogami.
Certa ocasião, atendendo a determinação do governador, partiram os dois “japoneses” para uma missão
oficial em Portugal. Chegando ao Aeroporto de Lisboa,
desembaraçaram as bagagens e tomaram um taxi.
Ordenaram ao motorista: - “Hotel Nossa Senhora de
Fátima, por favor.”
O motorista atendeu e seguiu rumo ao hotel enquanto
os dois, no banco de trás, conversavam sobre os temas
da reunião oficial que teriam no dia seguinte e intercalavam com algum comentário sobre a paisagem,
sobre como Lisboa estava bonita etc. Tudo isso sob o
olhar atônito do motorista que os observava pelo espelho retrovisor interno do automóvel.
Mais adiante, ao parar em um semáforo, o motorista
não resistiu. Baixou o vidro e comentou com um companheiro seu de profissão que havia parado ao lado:
- “Oh gajo, raios! Tu não sabes o que está a me aconteceire. Há dois japoneses conversando aqui atrás e eu
estou a entendeire tudo!!!”
Julho / Agosto / Setembro
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2008
Saneas | 47
PALAVRA DE AMIGO
Uma homenagem
ao profissional
e amigo exemplar
Por Masato Terada
Carlos Alberto dos Santos nasceu em Valparaíso – Estado de
São Paulo em 22/02/1947. Filho do “seu” Chiquinho da farmácia e de dona Odete, é conhecido pelos seus amigos mais
próximos como “Farmacinha”.
Cursou o “grupo escolar” e o “ginásio” em sua terra natal e
o “científico” em Araçatuba. Diplomou-se em Engenharia pela
Escola Politécnica da USP, fato do qual se orgulhava, e foi morador da Casa do Politécnico onde o conheci. Após o Biênio,
primeiro e segundo ano básico da faculdade, comum a todas
as modalidades, iniciou os estudos em Metalurgia e posteriormente optou pelo curso de Engenharia Civil Hidráulica, tendo
concluído o curso em 1970.
O Carlos, na Poli, foi um ótimo aluno. Fomos colegas de turma. Era aprovado praticamente em todas as matérias somente
com as notas das provas mensais, tendo sido dispensado da
maioria dos exames finais. E não era um rachador, um CDF. Era
isto sim, um aluno organizado, como o foi em toda a trajetória
profissional, e procurava assistir a todas as aulas.
Era também um dorminhoco. Certa vez perdeu a prova das
duas horas da tarde, apesar de eu ter passado no apartamento
dele e do Aurélio para acordá-los, uma hora antes. Resmungaram (provavelmente pensaram: que japonezinho chato, ainda
falta uma hora) e disseram que tudo estava sob controle.
Abro aqui um parêntesis para homenagear um colega, também Civil e Hidráulico, amigo comum da Poli e morador da
“Casa”, que era simplesmente um gênio, bom caráter, bom filho,
de origem humilde e que trabalhava para se sustentar desde
os 14 anos de idade. Conseguiu estudar ao mesmo tempo Engenharia e Física, trabalhar e se formar sem depender de ninguém, nem de sua família que não tinha condições. Com toda a
certeza teria tido um futuro brilhante pelo seu espírito prático,
sua bondade, sua transparência, sua capacidade de estudo e
trabalho, sociabilidade e pela sua inteligência absolutamente
fora da curva. Ele faleceu em um acidente trágico cinco meses após a nossa formatura. Até hoje, passados quase quarenta
anos, ainda nos emocionamos ao lembrar desse amigo. Seu
nome: Aurélio Zacarias Afonso.
Iniciamos nossa atividade profissional em janeiro de 1971
no antigo FESB – Fomento Estadual de Saneamento Básico,
Autarquia que dava apoio às Prefeituras do interior na elaboração de estudos e projetos de sistemas de água e esgotos,
48 | Saneas
obtenção de financiamentos junto ao BNH e Caixa Econômica
Estadual e execução de obras. O Carlos foi designado para fiscalizar obras, entre elas as do sistema de abastecimento de
água de Mogi das Cruzes.
Nos dois primeiros anos de FESB optamos por melhorar a
nossa formação acadêmica e resolvemos fazer Pós-Graduação
em Saneamento Básico, na Poli, já que o curso de Engenheiro
Sanitarista da Saúde Pública era muito concorrido e a fila de
espera para conseguir vaga levava vários anos. Um detalhe: a
direção do FESB nos liberou com a condição de repor o horário
das aulas. Durante dois anos, tempo de duração do curso, trabalhamos das 14 às 24 horas, de segunda a sexta.
A partir de 1973 o Carlos foi transferido para a regional de
obras de Bauru, sob o comando de um outro grande amigo
nosso, o Engenheiro Luiz Guilherme de Oliveira.
Casou-se com Vera Inês Valente, com quem teve dois filhos:
o Marco Aurélio e a Ana Claudia, hoje médica.
A partir daí, com a incorporação do FESB pela SABESP, todos
conhecem sua trajetória e a sua inestimável contribuição ao
setor, sempre dentro de rígidos princípios de ética.
• Engenheiro da SAR sob o comando do saudoso Professor
Doutor Armando Fonzari Pêra;
• Gerente Divisional de Lins;
• Chefe de Departamento da Regional de Presidente Prudente sob ao comando de outro grande amigo, o Engenheiro
Dagoberto Antunes da Rocha;
• Superintendente Regional do Vale do Ribeira;
• Superintendente Regional de Presidente Prudente.
Após a sua fase de SABESP o Carlos trabalhou como Consultor Independente e posteriormente como sócio da Conduto Engenheiros Consultores e da Santore Zwiter, onde
desenvolveu vários negócios ligados à prestação de serviços
de água e esgoto e continuou agregando experiência e conhecimento em prol da sociedade.
Atualmente mora em Sabino, próximo à Lins, numa bela
chácara que é um verdadeiro paraíso, situada à beira da
represa de Promissão.
Carlos Alberto, um grande abraço a você, à Vera, aos seus
filhos Marco Aurélio e Ana Claudia, aos seus pais “seu” Chiquinho e dona Odete, e aos seus irmãos Sonia e Paulo César, uma
família que tive a satisfação de conhecer.
Julho / Agosto / Setembro
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2008
editorial
ANUNCIE NA
REVISTA SANEAS
Ela é fEita por quEm EntEndE dE
EngEnharia E sanEamEnto ambiEntal.
ConhEça as oportunidadEs dE partiCipação na rEvista.
A Revista saneas é uma
publicação da:
Contato de publiCidade:
AesAbesp
tel: 11 3263 0484
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AESABESP
Associação dos Engenheiros da Sabesp
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