36 Diário Económico Sexta-feira 30 Novembro 2012
DESTAQUE REDUZIR CUSTOS COM ‘CLOUD COMPUTING’
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PT faz aposta
na ‘nuvem
interactiva’ para
promover as PME
António Freitas de Sousa
[email protected]
Desde que o mundo passou a viver
ao ritmo dos computadores e da
Internet que tanto as empresas
como cada indivíduo por si deixaram de ter certezas insofismáveis
acerca da realidade que as circunda. Em princípio, a pergunta é
disparatada, mas a modernidade
tremendamente veloz do mundo
transformou-a numa obrigação: a
realidade que nos rodeia é real ou
meramente virtual? A resposta é
cada vez mais insignificante – o
que faz regressar a pergunta à área
do disparate.
É neste quadro que a PT está
interessada em acrescentar mais
virtualidade ao mundo real, quer
das empresas, quer – em segundo
plano – dos indivíduos. Esse
acrescento chama-se ‘cloud
computing’ e, segundo Orlindo
Soares dos Santos, director de
serviços da PT para aquela área,
essa nuvem surpreendente pode
definir-se do seguinte modo: é
um modelo de pagamento por
utilização para permitir, o acesso
‘a pedido’, disponível e conveniente, a uma ‘pool’ partilhada de
recursos computacionais configuráveis (por exemplo, redes,
servidores, armazenamento,
aplicações, serviços) que podem
ser rapidamente disponibilizados
e libertados com esforço mínimo
de gestão ou interacção com o
fornecedor de serviços. Trocado
por miúdos, o cloud computing é
uma forma de, através da Internet
e a partir de qualquer computador, telemóvel ou tablet disponíveis em qualquer parte do mundo,
uma empresa ou pessoa aceder às
suas informações – ou, pelo menos, àquelas que instalou no seio
dessa nuvem surpreendente.
Como parece óbvio – pelo volume de informação de que necessitam – é às empresas e não
tanto aos particulares que este
sistema interessa. É nesse quadro que a PT, em parceria com o
Diário Económico, tem vindo a
percorrer várias cidades do país
para apresentar essa nuvem interactiva e anunciadora de bom
tempo. O último passo desse pé-
“
A adesão ao sistema
superou as nossas
expectativas. A banca
era um sector que
importava chamar
para a ‘cloud’
e isso já aconteceu.
Orlindo Soares dos Santos
Director de Serviços de TI, Cloud e
Segurança da PT
O MOMENTO
Abel Aguiar, director de
Serviços de Consultoria e
Outsourcing da Portugal
Telecom, mostrou um
estudo segundo o qual
28% das PME planeiam
diversificar para novos
mercados no próximo
ano e 24% têm intenção
de lançar novos produtos
ou serviços em 2013. O
que prova o dinamismo
da classe empresarial
face às dificuldades que a
economia actualmente
atravessa.
riplo sucedeu ontem, em Leiria.
Para Orlindo Soares dos Santos,
“o cloud computing é um novo
paradigma tecnológico em que recursos de tecnologias de informação (TI) e sistemas de informação
(SI) são disponibilizados na rede
como um serviço, de forma dinâmica e escalável”. Em relação às
tecnologias actuais, as vantagens,
principalmente no que se refere às
empresas, são incontáveis.
Poupança assinalável
Desde logo – e essa é uma das
principais preocupações das empresas – o sistema permite assinaláveis poupanças no que diz respeito às TI. “A cloud permite uma
redução do ‘cost of ownership’ até
50% e a sustentabilidade baseada
em arquitecturas ‘rightsize’”, diz
aquele responsável da PT; ou seja:
permite dimensionar a informação das empresas às suas necessidades reais, sem ter que pagar por
capacidade instalada que nunca é
usada. Mas o sistema é de tal modo
flexível e dinâmico que permite às
empresas, em qualquer altura, aumentar e diminuir a potência dos
seus dispositivos de TI e de SI,
ajustando-os aos picos; e como a
nuvem é ‘pay-per-use’.
Os níveis de poupança registam-se ainda noutra dimensão:
como tudo o que é preciso está na
cloud, um utilizador dos seus serviços pode usar o computador
mais básico que, mal entra na nuvem, a máquina passa a ser de última geração. Aliás, cada utilizador, se assim o desejar, poderá estar a trabalhar no seu ambiente de
trabalho em qualquer parte do
mundo, de forma individual, rápida e segura. O novo sistema, por
ter qualidades facilmente demonstráveis, promete ser o próximo passo nas áreas das TI e SI. Segundo a operadora nacional,
“cerca de 50% dos clientes corporate PT pretendem subscrever serviços cloud nos próximos 12 meses; 66% destes clientes pretendem adoptar soluções de cloud; e
as áreas com maior enfoco são a
segurança, infraestrutura e presença web”. Que é como quem
diz: o próximo passo é a caminho
das nuvens. ■
Fotos : Paula Nunes
É o passo mais recente em termos de tecnologias de
informação. Redução de custos é um dos muitos benefícios.
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Sexta-feira 30 Novembro 2012 Diário Económico 37
PONTOS-CHAVE
A inexistência de fibra
óptica pode, em algumas
regiões, ser um problema para
a a utilização da cloud. Mas
o 4G, que chegará a 90% da
população, resolve o problema.
Os serviços cloud da PT
para empresas estão
disponíveis no portal
SmartCloudPT: registo,
subscrições e gestão de
recursos em regime self-service.
Palmela/Setúbal,
Golegã/Santarém, Porto
e Leiria foram as regiões onde a PT,
em parceria com o Diário Económico,
organizou as sessões de divulgação
do ‘cloud computing’.
2
Segurança,
fiabilidade e acesso
estão asseguradas
na ‘cloud’
A cloud é, para as empresas, um
sistema imensamente global.
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Bruno Barbosa
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Bruno Barbosa
1 Aspecto da conferência que
teve lugar em Leiria, no Palace
Hotel Monte Real, quando Abel
Aguiar fazia a apresentação de
soluções cloud para empresas.
Assistiram cerca de 50 pessoas.
2 Cátia Castro e Natália Valinha,
da LN Moldes, conversam antes
do início da sessão.
3 Humberto Luís, da Bindomatic
Portugal, com António Nogueira,
da PT Negócios.
4 Aspecto do welcome coffee.
5 Nuno Teixeira Bernardo e
Mário Sousa, da PT, com Lino
Ferreira, da Teleleiria, e José
Vendeirinho, da Novalec.
6 Ana Bocas, da PT Negócios,
Paulo Rodrigues, da ASPP,
Alexandra Castanheira, da PT
Negócios, Vítor Domingues, da
Transportes João Pires, e José
Maia, da PT Negócios.
7 Carla Neves, da PT Negócios,
Rogério Silva, da Frulact, e
Cristina Ribeiro, da PT Negócios.
8 Graça Cardoso, da Casa de
Frangos de Amarante, e Sara
Rocha, da PT Negócios.
Bruno Barbosa
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Um dos maiores óbices que as empresas demonstram ter em relação
a uma possível aposta no cloud
computing tem a ver com a segurança. É um assunto antigo e tem a
ver menos com as tecnologias de
informação e mais com a percepção de segurança que cada indivíduo reconhece nas tecnologias
que utiliza – percepção essa muitas vezes desfasada da realidade.
A questão é tão simples quanto
isto: a percepção sobre segurança
que a cloud induz em quem com
ela toma contacto pela primeira
vez é muito menor que a que é induzida por qualquer pirâmide de
mostrengos tecnológicos escondidos na sala dos fundos de uma
empresa. Para qualquer conhecedor de questões de segurança,
nada podia estar mais errado.
Abel Aguiar, da PT – e com larga experiência conseguida em diversas partes do mundo – explicou isso mesmo aos participantes
presentes nas diversas apresentações levadas a efeito pela operadora, em colaboração com o Diário
Económico, em diversas cidades
do país. Ao contrário da percepção
possivelmente induzida, a cloud
tem níveis de segurança muito
acima dos sistemas tradicionais.
Mais: para além da segurança, a
fiabilidade da rede é também um
dado perfeitamente adquirido em
termos da cloud. Esbatem-se assim, desta forma, duas reservas
que, à partida, as empresas poderiam ter em relação a uma futura
adesão ao sistema. “As empresas
podem ter a Portugal Telecom, a
Microsoft, a Google, a IBM, a Yahoo, e a Amazon a gerir e proteger
os seus dados”, especifica.
Por outro lado, e tal como Orlindo Soares dos Santos, Abel
Aguiar não quis deixar de salientar a questão da redução de custos
para as empresas: segundo disse,
53% das empresas que já aderiram à cloud afirmam a poupança
em termos de tecnologias de informação como uma das vertentes e relevar.
Vantagens em todos os quadrantes
Para Abel Aguiar, são incontáveis
os benefícios da utilização da
cloud. E elencou vários. Para além
da redução de custos e do aumento da segurança, o sistema permite
o armazenamento escalável; o
acesso remoto; e a facilidade de
implementação: “sem a necessidade de implementação de
hardware e vários outros componentes, as empresas podem estar a
trabalhar quase na mesma fracção
de tempo que demora a configurar
uma conta no Twitter”, explica.
Por outro lado, disse ainda
Abel Aguiar, “a cloud tem um
melhor tempo de resposta, na
maioria dos casos, do que o
hardware do servidor padrão”, o
que, entre outros predicados, tem
o efeito de “as pequenas start-ups
poderem competir mais eficazmente com algumas das grandes
empresas, já que a base tecnológica é a mesma”.
Finalmente – e apesar de tudo
continuamos no segmento da
poupança – a cloud opera favoravelmente ao nível da performance, durabilidade e alta disponibilidade, uma vez que permite “correr os seus sites e aplicações SaaS
(Software as a Service) num ritmo
muito mais rápido, com os benefícios de usar um serviço muito
mais durável e disponível”.
Fica assim claro que a cloud
responde favoravelmente a todas
as principais preocupações demonstradas pelas empresas: segurança, fiabilidade, privacidade
e tempo de resposta, entre outras. Tudo isto a um preço mais
acessível. ■ A.F.S.
“
Email, alojamento
de sites e ‘storage’ são
os principais serviços
cloud utilizados pelas
PME, mas ainda com
valores de adopção
muito reduzidos.
Abel Aguiar
Director de Serviços de Consultoria
e Outsourcing da PT
38 Diário Económico Sexta-feira 30 Novembro 2012
DESTAQUE REDUZIR CUSTOS COM ‘CLOUD COMPUTING’
‘Cloud computing’ não será nuvem
negra para as empresas informáticas
À primeira vista, a concorrência assusta. Mas há sempre uma forma de dar a volta a um problema.
[email protected]
O mundo do ‘cloud computing’
promete ser a materialização de
um objectivo que esteve sempre
nos horizontes de quem usa as
mais recentes tecnologias de informação – custo controlado, segurança, rapidez e facilidade de
utilização, universalidade para
um conjunto determinado de
utilizadores e o que mais se verá.
Mas, aparentemente, há dois tipos de empresas que podem ficar
fora deste novo mundo onde
tudo parecem ser vantagens: as
empresas que comercializam e
gerem hard ware e soft ware.
Para os dois responsáveis que
lideraram as apresentações da PT
Negócios em várias cidades do
país, essa eventualidade pode não
se verificar. Mas admitem que,
numa primeira análise, a cloud
pode configurar esse risco. E até
mesmo outro, segundo adiantava
Orlindo Soares dos Santos: “alguns responsáveis empresariais,
ao nível dos directores de informática, podem pensar que, com a
utilização da cloud, a sua prestação dentro da empresa deixa de
ser necessária”.
Ora, pode perfeitamente não
ser assim, em ambos os casos.
No que se refere às empresas que
comercializam material informático, e ainda segundo aquele
responsável, “há muitas que já
“As próprias
empresas de
tecnologias de
informação podem
alocar-se na cloud e
prestar outro tipo de
serviços” no mesmo
segmento”, adiantou
Orlindo Soares dos
Santos.
incorporaram que o futuro é
este e já o incorporaram” na sua
lista de opções estratégicas para
o futuro próximo.
A estratégia, para este tipo de
empresas, é clara: devem tornar-se ‘experts’ na utilização da
cloud e continuar a ser prestadoras de serviços tecnológicos, fazendo derivar parte da sua capacidade para as especificidades
que lhe são adjacentes. É que haverá sempre empresas que não
têm apetência para ‘perder tempo’ com questões logísticas ligadas á computação, que se manterão clientes das sociedades de
tecnologias de informação. “As
próprias empresas de tecnologias
de informação podem alocar-se
na cloud e prestar outro tipo de
serviços” no mesmo segmento”,
adiantou Orlindo Soares dos
Santos a uma plateia onde esta
questão da concorrência não havia passado despercebida.
Fotos : Bruno Barbosa
António Freitas de Sousa
Aspecto da audiência à conferência
realizada no Ipanema Park Hotel, no
Porto, que reuniu cerca de 50 pessoas.
Modelo híbrido
Por outro lado, recordam aqueles
responsáveis, a migração das
empresas dos sistemas tradicionais para a cloud pode não ser a
opção mais vantajosa para as empresas. Seja por questões de dimensão, de objectivos, de universo ou outros, “é possível que
um modelo híbrido – de utilização da cloud e dos sistemas tradicionais ao mesmo tempo – seja o
mais adequado a muitas empresas que já estão no terreno”, afirmou Orlindo Soares dos Santos.
Neste patamar – o das sociedades que já existem – o objecto
das empresas de tecnologias de
informação tem por isso continuidade assegurada e a concorrência da cloud não será um
peso inultrapassável.
Já no que diz respeito às empresas que estão a preparar o seu
lançamento no mercado – seja
ele qual for – aquele responsável
admite que não há nenhuma razão para não optarem pela utilização exclusiva do cloud computing, uma vez que é uma arquitectura que cresce à medida das
necessidades da sua utilização.
Ou seja, e em resumo, não
será a cloud a transformar-se
numa nuvem negra no horizonte das empresas do sector, promete a PT. ■
Sofia Oliveira, da PT
Negócios, com Ricardo
Portela, da Ramos
Ferreira Engenharia.
Carla Barbosa, Catarina Almeida
e Moreira da Silva à conversa
antes do início da conferência.
Arnaldo Carvalho, da PT Negócios, José
Martins e José Barreiros, da 32 Senses,
seguiram os trabalhos com atenção.
PUB
Em parceria:
ENCONTROS PT NEGÓCIOS/DIÁRIO ECONÓMICO
PORTUGAL INOVADOR – “Cloud, Redução de Custos”
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