pensamento comunicacional brasileiro O legado das ciências humanas coleção comunicação • História do pensamento comunicacional – Cenários e personagens, José Marques de Melo • Mídia e poder simbólico – Um ensaio sobre comunicação e campo religioso, Luís Mauro Sá Martino • A produção social da loucura, Ciro Marcondes Filho • Culturas e artes do pós-humano – Da cultura das mídias à cibercultura, Lucia Santaella • Corpo e comunicação – Sintoma da cultura, Lucia Santaella • Navegar no ciberespaço – O perfil cognitivo do leitor imersivo, Lucia Santaella • Mídia controlada: A história da censura no Brasil e no mundo, Sérgio Mattos • Comunicação e Cultura das minorias, Raquel Paiva / Alexandre Barbalho (orgs.) • A realidade dos meios de comunicação, Niklas Luhmann • A sociedade enfrenta sua mídia: Dispositivos sociais de crítica midiática, José Luiz Braga • É preciso salvar a comunicação, Dominique Wolton • Teoria do jornalismo: Identidades brasileiras, José Marques de Melo • Comunicação e sociedade do espetáculo, Valdir José de Castro / Cláudio Novaes Coelho • O signo da relação, Cremilda Celeste de Araújo Medina • A dromocracia cibercultural – Lógica da vida humana na civilização mediática avançada, Eugênio Trivinho • A televisão brasileira na era digital – Exclusão, esfera pública e movimentos estruturantes, César Ricardo Siqueira Bolaño / Valério Cruz Brittos • Ética e comunicação organizacional, Clóvis de Barros Filho (org.) • Políticas de comunicação: Buscas teóricas e práticas, Murilo César Ramos / Suzy dos Santos (orgs.) • Mídia e movimentos sociais: Linguagem e coletivos em ação, Jairo Ferreira / Eduardo Vizer (orgs.) • Linguagens líquidas na era da mobilidade, Lucia Santaella • Mídia e cultura popular: História, taxionomia e metodologia da Folkcomunicação, José Marques de Melo • Comunicação e inovação: Reflexões contemporâneas, Mônica Pegurer Caprino (org.) • Comunicação e democracia: Problemas & perspectivas, Wilson Gomes / Rousiley C. M. Maia • Midiatização e processos sociais na América Latina, Antônio Fausto Neto / Pedro Gilberto Gomes / José Luiz Braga / Jairo Ferreira (orgs.) • Observatórios de mídia: Olhares da cidadania, Rogério Christofoletti e Luiz Gonzaga Motta (orgs.) • O escavador de silêncios – Formas de construir e de desconstruir sentidos na comunicação, Ciro Marcondes Filho • Sistemas públicos de comunicação no mundo, Coletivo Brasil de Comunicação Social •Vestígios da travessia: Da imprensa à internet – 50 anos de jornalismo, José Marques de Melo •Ser jornalista: A língua como barbárie e a notícia como mercadoria, Ciro Marcondes Filho • Ser jornalista: O desafio das tecnologias e o fim das ilusões, Ciro Marcondes Filho • Interesses cruzados – A produção da cultura no jornalismo brasileiro, Sérgio Luiz Gadini • A sociedade tecida pela comunicação: Técnicas da informação e da comunicação entre inovação e enraizamento social, Bernard Miège • A serpente, a maçã e o holograma, Norval Baitello Junior • Os caminhos cruzados da comunicação – Política, economia e cultura, José Marques de Melo • O futuro da internet: Em direção a uma ciberdemocracia, André Lemos / Pierre Lévy • Redes sociais digitais: A cognição conectiva do Twitter, Lucia Santaella / Renata Lemos • A ecologia pluralista da comunicação: Conectividade, mobilidade e ubiquidade, Lucia Santaella • Comunicação e identidade: Quem você pensa que é?, Luís Mauro Sá Martino • Regulação das comunicações: História, poder e direitos, Venício Artur de Lima • O princípio da razão durante – comunicação para os antigos, a fenomenologia e o bergsonismo – Tomo I – Nova teoria da comunicação III, Ciro Marcondes Filho • O princípio da razão durante – da Escola de Frankfurt à crítica alemã contemporânea – Tomo II – Nova Teoria da Comunicação III, Ciro Marcondes Filho • O princípio da razão durante – O círculo cibernético: o observador e a subjetividade – Tomo III – Nova Teoria da Comunicação III, Ciro Marcondes Filho • O princípio da razão durante – Diálogo, poder e interfaces sociais da comunicação – Tomo IV – Nova Teoria da Comunicação III, Ciro Marcondes Filho • O princípio da razão durante – O conceito de comunicação e a epistemologia metapórica – Tomo V – Nova teoria da comunicação III, Ciro Marcondes Filho • História do jornalismo: Itinerário crítico, mosaico contextual, José Marques de Melo • O explorador de abismos: Vilém Flusser e o pós-humanismo, Erick Felinto / Lucia Santaella • O rosto e a máquina: O fenômeno da comunicação visto dos ângulos humano, medial e tecnológico – Nova Teoria da Comunicação vol. 1, Ciro Marcondes Filho • Comunicação ubíqua: Repercussões na cultura e na educação, Lucia Santaella • Mutações no espaço público contemporâneo, Mauro Wilton / Elizabeth Saad Corrêa (orgs.) • Teoria e metodologia da comunicação – Tendências para o século XXI, José Marques de Melo • Pensamento Comunicacional Brasileiro: O legado das Ciências Humanas – vol. I – História e sociedade, José Marques de Melo / Guilherme Moreira Fernandes • Pensamento Comunicacional Brasileiro: O legado das Ciências Humanas – vol. II – Cultura e poder, José Marques de Melo / Guilherme Moreira Fernandes • Comunicação Mediações Interações, Lucrécia D´Alessio Ferrara • Pensamento Comunicacional Brasileiro: O legado das Ciências Humanas – vol. III – Mídia e consumo, José Marques de Melo / Guilherme Moreira Fernandes comunicação pensamento comunicacional brasileiro O legado das ciências humanas III – Mídia e consumo José Marques de Melo Guilherme Moreira Fernandes (orgs.) Direção editorial: Claudiano Avelino dos Santos Coordenação editorial: Valdir José de Castro Assistente editorial: Jacqueline Mendes Fontes Preparação dos originais:Claiton César Czizewski Élmano Ricarte de Azevêdo Souza Guilherme Moreira Fernandes Revisão: Caio Pereira Tarsila Doná Diagramação: Dirlene França Nobre da Silva Capa: Marcelo Campanhã Impressão e acabamento: PAULUS Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Pensamento comunicacional brasileiro: o legado das ciências humanas III: mídia e consumo / José Marques de Melo, Guilherme Moreira Fernandes, (orgs.). – São Paulo: Paulus, 2015. – (Coleção Comunicação) Vários autores. ISBN 978-85-349-4226-3 1. Ciências humanas 2. Ciências sociais 3. Comunicação 4. Consumo 5. Mídia I. Melo, José Marques de. II. Fernandes, Guilherme Moreira. III. Série. 15-06418CDD-302.2 Índices para catálogo sistemático: 1. Ciências da comunicação: Sociologia 302.2 1ª edição, 2015 © PAULUS – 2015 Rua Francisco Cruz, 229 04117-091 – São Paulo (Brasil) Tel.: (11) 5087-3700 – Fax: (11) 5579-3627 www.paulus.com.br [email protected] ISBN 978-85-349-4226-3 5 Volume 3 Arthur Ramos Cândido Mendes Fernando Henrique Cardoso Florestan Fernandes Gabriel Cohn Ingrid A. Sarti Luiz Costa Lima Maria Isaura Pereira de Queiróz Octavio Eduardo Samuel Pfromm Netto Coautores Alexandre Luiz de Oliveira Serpa Aline Strelow Ana Regina Rêgo Ana Silvia Lopes Davi Médola Antonio Hohlfeldt César Bolaño Claiton César Czizewski Cosette Castro Elias Machado Élmano Ricarte de Azevêdo Souza Fernanda Nalon Sanglard Gilmar Hermes Graça Caldas Guilherme Moreira Fernandes Itamar de Morais Nobre Janine Marques Passini Lucht Jefferson Ferreira Saar Jhonatan Mata José Marques de Melo Juliana Gobbi Betti Júnia Martins Júnior Pinheiro Karina Janz Woitowicz Luís Francisco Munaro Luís Humberto Marcos Luís Mauro Sá Martino Luitgarde Oliveira Cavalcanti Barros Magnolia Rejane Andrade dos Santos Marcia Perencin Tondato Maria Cristina Castilho Costa Maria das Graças Targino Marise Baesso Tristão Monica Martinez Nelia Del Bianco Osvando J. de Morais Pedro Gilberto Gomes Rafael Grohmann Ranielle Leal Moura Roseméri Laurindo Samantha Castelo Branco comunicação 7 Sumário Preâmbulo Luís Humberto Marcos.................................................................................15 Apresentação Guilherme Moreira Fernandes......................................................................19 Introdução José Marques de Melo.................................................................................27 Parte V Comunicação: fluxos comportamentais (consumo, participação e opinião pública)...........................41 Para entender a comunicação como geradora de fluxos comportamentais Ranielle Leal Moura...................................................................................43 1. categorias sociais.......................................................................57 O domínio científico das categorias sociais segundo Gabriel Cohn Rafael Grohmann......................................................................................59 A Sociologia e a Comunicação Gabriel Cohn............................................................................................65 Uma reflexão do pensamento de Gabriel Cohn sobre o papel da sociologia na constituição de uma ciência da comunicação humana Jefferson Ferreira Saar...............................................................................73 comunicação pensamento comunicacional brasileiro 8 2. Conceitos psicossociais.................................................................81 O manejo político de conceitos psicossociais segundo Arthur Ramos Luitgarde Oliveira Cavalcanti Barros...........................................................83 A opinião pública, a censura e a propaganda Arthur Ramos............................................................................................103 Aspectos metodológicos do pensamento científico de Arthur Ramos Magnolia Rejane Andrade dos Santos.......................................................135 3. A esfera eclesial...............................................................................145 Vozes frankfurtianas repercutem na esfera eclesial segundo Cândido Mendes Élmano Ricarte de Azevêdo Souza e Itamar de Morais Nobre....................147 A cultura popular Cândido Mendes.......................................................................................153 Para além das estruturas? A cultura popular numa sociedade em midiatização. Pedro Gilberto Gomes...............................................................................177 4. O interesse psicológico.................................................................183 Psicologia, Comunicação e Educação segundo Samuel Pfromm Netto Alexandre Luiz de Oliveira Serpa...............................................................185 Interesse psicológico pela comunicação de massa Samuel Pfromm Netto...............................................................................191 Psicologia e Comunicação de Massa na obra de Samuel Pfromm Netto Nelia Del Bianco.....................................................................................211 5. Dependência cultural....................................................................219 Revisionismo crítico de Faletto e Cardoso passa despercebido em bolsões dependentistas segundo Ingrid Sarti Cosette Castro..........................................................................................221 Comunicação e dependência cultural: um equívoco Ingrid A. Sarti............................................................................................233 Reflexões sobre a noção de “dependência cultural” na América Latina Marise Baesso Tristão e Fernanda Nalon Sanglard.....................................259 sumário 6. Imperialismo cultural...................................................................271 9 Teoria do imperialismo cultural revisitada pelo pensador uspiano Octavio Ianni Jhonatan Mata..........................................................................................273 A cultura brasileira refletida por Octavio Ianni Gilmar Hermes..........................................................................................281 Ianni, cidadão do mundo, um scholar na vida Graça Caldas.............................................................................................289 Contextualização teórica .............................................................297 Pensando sobre os fluxos comportamentais da Comunicação Roseméri Laurindo.......................................................................................299 Reflexão pedagógica..........................................................................311 Revisitando as relações teóricas entre Ciências Sociais e Ciências da Comunicação – uma arqueologia Maria Cristina Castilho Costa.......................................................................313 Parte VI Comunicação: ciências sociais aplicadas............325 Para entender a Comunicação como campo de aplicação das teorias e metodologias das Ciências Sociais Juliana Gobbi Betti....................................................................................327 1. A base empírica..................................................................................343 Ideias germinais de um pioneiro da pesquisa empírica integrando o binômio universidade-empresa Janine Marques Passini Lucht....................................................................345 A aplicação das Ciências Sociais Octavio Eduardo.......................................................................................353 A aplicação das Ciências Sociais segundo Octavio da Costa Eduardo Marcia Perencin Tondato...........................................................................363 2. Funcionalismo...................................................................................369 A análise funcionalista dos fenômenos sociais na perspectiva de Florestan Fernandes Monica Martinez.......................................................................................371 comunicação pensamento comunicacional brasileiro 10 Funcionalismo e análise científica na moderna Sociologia Florestan Fernandes..................................................................................383 A atualidade do método funcionalista de interpretação sociológica Elias Machado...........................................................................................395 3. Análise ideológica..........................................................................409 Interdisciplinaridade e método híbrido para um objeto em transformação segundo Dante Moreira Leite Aline Strelow............................................................................................411 Uma ideologia, uma história: o método de análise ideológica de Dante Moreira Leite Claiton César Czizewski e Guilherme Moreira Fernandes..........................419 Dante Moreira Leite e a busca da nação brasileira Luís Francisco Munaro...............................................................................425 4. Análise de documentos................................................................437 Usos e abusos do gravador e outras tecnologias na pesquisa acadêmica segundo Maria Isaura Pereira de Queiróz Júnior Pinheiro e Júnia Martins..................................................................439 Análise de documentos em Ciências Sociais Maria Isaura Pereira de Queiróz.................................................................449 História oral como opção metodológica: aplicações, implicações e contribuições Samantha Castelo Branco.........................................................................473 5. Cultura de massa.............................................................................483 Luiz Costa Lima: traços biográficos e bibliográficos Maria das Graças Targino..........................................................................485 Comunicação e Cultura de Massa Luiz Costa Lima.........................................................................................497 Pluralismo metodológico na pesquisa seminal sobre a cultura de massa segundo Costa Lima Ana Regina Rêgo......................................................................................561 6. Teoria do curto-circuito.............................................................573 A teoria do curto-circuito fomentou a credibilidade da academia brasileira na comunidade internacional, segundo Fernando Henrique Cardoso Karina Janz Woitowicz..............................................................................575 sumário 11 Comunicação para um novo mundo Fernando Henrique Cardoso.....................................................................585 Notas sobre a atualidade da visão epistemológica de Fernando Henrique Cardoso sobre a “Comunicação para um novo mundo” Ana Silvia Lopes Davi Médola....................................................................595 Contextualização teórica .............................................................603 Em busca de metodologias de pesquisa para compreender as Ciências Sociais como Ciência, aí compreendida a Ciência da Comunicação Antonio Hohlfeldt........................................................................................605 Reflexão pedagógica..........................................................................617 Matrizes das Ciências Sociais na Epistemologia da Comunicação Luís Mauro Sá Martino................................................................................619 Epílogo César Bolaño.............................................................................................633 Sobre os autores...................................................................................637 comunicação Obra comemorativa aos 100 anos de fundação da Família Paulina 15 Preâmbulo Ousadia que fortalece espaço ibero-americano Luís Humberto Marcos E sta é uma obra gigantesca que só um espírito intranquilo, na procura constante de novos caminhos, poderia gerar. José Marques Melo contagia, estimulando atitudes que combatam a rotina que, muitas vezes, invade o espírito do investigador. Trata-se, pois, do resultado de um ato de grande ousadia científica. A novidade não estará na emersão da Comunicação a partir das “ciências humanas”, ou das “ciências sociais e humanas”, designação que suscita dúvidas epistemológicas. A novidade está na segmentação e sistematização dos mais variados campos da progressão científica brasileira, em articulação com as principais correntes do pensamento europeu (e não só), nos espaços da sociologia, da psicologia, da antropologia etc. A novidade está na riqueza de reflexões que se cruzam, criticamente, com diferentes olhares. Registra-se a influência dos principais teóricos que servem de base às ciências da Comunicação, mas, sobretudo a forma como os especialistas brasileiros foram integrando e elaborando novas perspectivas de abordagem dos fenômenos comunicacionais. São dezenas de autores cruzando linhas de debate crítico nos alicerces da Comunicação. A divisão da obra está metodológica e pedagogicamente muito bem elaborada. Abrindo com a gênese da comunicação humana, vai desen- comunicação pensamento comunicacional brasileiro 16 cadeando uma linha de leitura que converge para o derradeiro setor da comunicação nas ciências sociais aplicadas. Ou seja, vão-se galgando os ramos do conhecimento, numa linha ascendente como se estivéssemos a subir uma árvore que se vai desbravando a partir de um pequeno tronco, alicerce da comunicação. Nesse sentido, constitui um utilíssimo instrumento didático para a imersão no campo comunicacional. A ideia que gostaria de deixar sobre aquilo que me sugere esta obra de gigantes projeta-se numa imagem que representa duas árvores ligadas pelos ramos… Árvore com árvore invertida, em que os ramos de uma se misturam com os da outra, reforçando a base do conhecimento comunicacional, como sinapses que se fortalecem, abrindo-se a novas ramificações num processo vivo interminável… O tronco da segunda árvore é o do pensamento (pré)comunicacional brasileiro. Em desenho surrealista, poder-se-ia representar assim: tronco pequeno da primeira árvore cuja base é a gênese de comunicação, ramos dos mais variados campos teóricos em que beberam os teóricos brasileiros; esses ramos conectam-se com novos ramos de aportações brasileiras que se vão adensando para entroncar numa base que configura o pensamento comunicacional brasileiro. Nos espaços escondidos estão raízes. Muitas delas comuns que se entrelaçam e se confundem. Autorregenerando-se. Desenho de LHM ilustra as sinapses de cruzamentos científicos entre diferentes escolas. preâmbulo Algumas das grandes escolas, mais clássicas ou mais modernas, estão repercutidas no pensamento (pré)comunicacional brasileiro, e aqui se perspectiva a sua evolução… Na “sociedade da ecranvidência” e do descartável em que estamos mergulhados, obras como esta ajudam-nos a pensar mais e melhor nas raízes do saber comunicacional e do processamento da comunicação. Em português. O espaço ibero-americano precisa de obras como esta para se afirmar nos areópagos internacionais das ciências da comunicação. Sendo o Brasil a maior potência no contexto ibero-americano, pelo seu papel liderante na organização e dinamização de iniciativas de reflexão sobre a Comunicação, uma obra desta magnitude fortalece o espaço ibero-americano da comunicação. Fica sendo um manual indispensável a qualquer biblioteca, pessoal ou institucional, para quem sabe que a comunicação não é só um bem elementar à vida, mas que precisa ser, cada vez mais, investigada e aprendida. Sem limites, porque há sempre novos caminhos, novos horizontes, para quem se aventura nas vias da comunicação humana. Ou seja, esta obra é um gerador de novas pesquisas, novas descobertas. Um ponto de partida crítico para que o espírito intranquilo da sua gênese promulgue novas pistas sobre a Comunicação. 17 Porto, 8 de junho de 2014. Prof. Dr. Luís Humberto Marcos Secretário Geral da AssIBERCOM - Associação Ibero-americana de Comunicação e Diretor do Museu Nacional da Imprensa, Porto, Portugal. comunicação apresentação 19 Apresentação Guilherme Moreira Fernandes E m dezembro de 2013, durante o VIII Simpósio Nacional de Ciências da Comunicação (Sinacom), fui a São Paulo para lançar minha primeira parceria editorial com o grande mestre José Marques de Melo, o livro Metamorfose da folkcomunicação (Editae Cultural, 2013). À ocasião recebi o convite para trabalhar em mais uma “quase epopeia”, que acabou se tornando este livro que ora apresentamos ao leitor. Durante os meses daquele dezembro e janeiro de 2014 foram várias as trocas de e-mail com o intuito de debater o melhor formato para o livro. Optamos por seguir uma estratégia similar à que fizemos no Metamorfose da folkcomunicação, ou seja, a cada “texto-base” seria acrescentado um “texto introdutório” e haveria um outro amarrando cada uma das seções. Após diversas discussões modificamos o formato, e a cada “texto-base” foram acrescentados dois outros textos. O primeiro, de natureza biobibliográfica, ressaltando a trajetória do autor e a importância do texto, e outro, de natureza metodológica, trazendo novas contribuições ao texto. Dividimos a produção em dois momentos; assim, os autores das notas metodológicas tiveram acesso aos textos biobibliográficos, o que evitou possíveis repetições desnecessárias. comunicação pensamento comunicacional brasileiro 20 Cada uma das seis seções presentes no conjunto da obra tiveram outros três textos. O primeiro, denominado “introdução”, visa a apresentar o conjunto de textos em consonância com o título da seção. O segundo, que chamamos de “contextualização teórica”, publicado após os “textos-base” e suas respectivas notas, tem como objetivo amarrar os seis textos presentes da seção, visto que os autores são filiados a distintas áreas e não apresentam diálogos per se. Por fim, “reflexão pedagógica” é o texto de fecho e traz contribuições para a leitura reflexiva. Os exegetas da “contextualização teórica” tiveram acesso às notas biobibliográficas, e os convidados para redigir a “reflexão pedagógica”, por sua vez, tiveram conhecimento dos textos de “introdução”. Neste ponto aproveito para tornar públicos meus agradecimentos aos professores Claiton César Czizewski e Élmano Ricarte de Azevêdo Souza, que me ajudaram na preparação dos originais, e também a todos os autores, editoras, institutos e familiares que gentilmente cederam os direitos de reprodução dos textos. Mesmo com todos os esforços, não foi possível a publicação do texto original de Dante Moreira Leite e Octavio Ianni, o qual substituímos por uma resenha, prática já adotada nos outros volumes com os textos de Lévi-Strauss e Antônio Cândido (volume 1) e Darcy Ribeiro (volume 2). A escolha dos exegetas não foi arbitrária. Procuramos pesquisadores que possuem afinidade com o autor ou com o tema refletido no texto. Conseguimos representantes de todos os Estados da federação. Do Rio Grande do Sul a Roraima, da Paraíba ao Acre. Mobilizamos 112 pesquisadores, além dos 30 pensadores que compõem os “textos-base”, totalizando 142 autores. No momento do copydesk, ao se aproximar das mil páginas e ainda estarmos na quarta seção do livro, a sapiência de Marques de Melo aconselhou dividirmos a obra em três volumes. O primeiro volume – “História e sociedade” – foca sobretudo os processos comunicativos axiológicos; o segundo – “Cultura e poder” – apresenta aspectos e traços da comunicação; e o terceiro – “Mídia e consumo” – reúne textos com o propósito de refletir cognitivamente a aplicabilidade da comunicação e sua relação com as ciências sociais apresentação e humanas. A divisão permite que os livros possam ser lidos em conjunto ou de forma separada, sem se ater à ordem dos volumes. O livro está em consonância com as preocupações do professor Marques de Melo de resgatar e trazer à baila o estado da arte da comunicação. Ao contrário de outras publicações com vistas nos teóricos e pensadores da comunicação stricto sensu, este livro traz uma abertura e uma visão do processo comunicacional de forma lato. Todos os 35 pensadores reunidos nos “textos-base” não são oriundos do campo comunicacional, são reconhecidos por pares em outras esferas da grande área das ciências humanas e sociais. Contudo, suas diversas contribuições ao universo comunicacional os fazem autores-referências. O caráter que diferencia esta de tantas outras antologias é a presença dos intérpretes-leitores. Estes sim pesquisadores atuantes no campo comunicacional que direcionaram seu olhar para a comunicação inscrita e circunscrita nestes 36 textos. Apesar dos nossos esforços, não conseguimos autorização para a reprodução de todos os textos que gostaríamos. Nesses casos, substituímos o “texto-base” por um comentário com as principais indicações comunicacionais presentes no texto que serviu de base para os exegetas, e que não estão presentes nesta antologia. Também consonante com a perspectiva pedagógica do professor Marques de Melo, o livro apresenta visões das mais distintas gerações de pesquisadores, de mestrandos a renomados e prestigiados pesquisadores do campo comunicacional. As diversas orientações metodológicas e epistemológicas coexistem lado a lado. O resultado é um amplo mosaico da sociedade e da cultura brasileiras à luz das ciências da comunicação. Este livro está divido em duas seções. A primeira (quinta, se levarmos em consideração os primeiros volumes da série), denominada “Comunicação: fluxos comportamentais (consumo, participação e opinião pública)”, apresenta o pensamento de Gabriel Cohn, Arthur Ramos, Cândido Mendes, Samuel Pfromm Netto, Ingrid Sarti e Octavio Ianni. Os textos e os autores aqui reunidos são fundamentais para a compreensão dos meandros que a comunicação envolve, como as categorias sociais, a psicologia, a cultura 21 comunicação pensamento comunicacional brasileiro 22 popular e o imperialismo cultural. Os textos foram escritos em períodos variados, sendo o mais antigo de 1937 (Ramos) e o mais recente de 1984 (Ianni), e trazem objetos empíricos e proposições diferentes. A exemplo dos demais, não tratam especificamente do fenômeno comunicacional, mas a comunicação pode ser percebida no contexto. O texto de Cohn, originalmente publicado em 1970, traz os pontos que foram desenvolvidos posteriormente da tese de doutorado do autor, que foi publicada pela editora Pioneira em 1972, com o título “Sociologia da Comunicação: teoria e ideologia”, obra recentemente relançada pela Vozes (2014). Cohn baliza a categoria científica da comunicação como ciência autônoma ou como campo empírico do universo sociológico; “[...] adotar uma ou outra dessas soluções não significa, contudo, pôr em causa a especificidade de uma ciência própria da Comunicação” (Cohn, 2011, p. 223). Debate esse que não admite uma única resposta ou solução, como bem expõe Braga (2010). Cohn então faz a defesa de que a ciência da comunicação não pode constituir-se sem o domínio das categorias sociais. Concepção retomada por Cohn (2001) em debate promovido pela Compós no início deste século. Os textos de Ramos e Pfromm Netto trazem contribuições para a reflexão da Psicologia da Comunicação. Pfromm Netto realiza ainda um amplo levantamento sobre as obras que tratam do assunto e a influência dos meios de comunicação de massa no comportamento individual. Já Ramos traz o debate de três pontos: a opinião pública, a censura e a propaganda. Originalmente preparado na década de 1930, o texto permanece atual, mostrando sua força de clássico. O autor retoma as discussões de Tarde (expresso em A opinião e as Massas) e apresenta suas contribuições ao tema que está longe de um consenso, como já foi percebido por Marques de Melo Por isso mesmo, sociólogos, psicólogos, antropólogos, cientistas políticos têm se devotado ao seu estudo, numa tentativa de analisar as suas manifestações no bojo da sociedade, explicando causas e dimensionando efeitos. Contudo, a aplicação apresentação 23 da instrumentalização científica ao estudo do fenômeno ainda não proporcionou uma convergência de posições normativas ou conceituais (Marques de Melo, 1977, p. 49). Pensando especificamente no universo da Comunicação, Marques de Melo propõe algumas definições do termo como “opinião pública é o juízo de valor formulado pelo povo em torno de um fato concreto” (Marques de Melo, 1977, p. 51), e constata que “a opinião pública é um fenômeno dialético, que resulta do choque entre opiniões divergentes, diante de um fato, logrando uma delas galvanizar as atenções e as preferências da maioria dos indivíduos” (Marques de Melo, 1977, p. 55). Já ciente dessa problemática da definição, Ramos parte de uma distinção entre público e multidão, sendo a multidão uma reunião de indivíduos em um mesmo espaço físico e o público uma multidão de caráter espacial. Já a censura e a propaganda são métodos especiais utilizados para conter o poder da opinião pública. Neste ponto, o autor também permeia o campo da participação e do consumo. A relação entre opinião pública, participação e consumo também é refletida por Cândido Mendes ao retratar a cultura popular no âmbito da esquerda católica no Brasil. Já Sarti recupera o debate teórico em torno das teorias sobre a América Latina, com ênfase em ressaltar a importância dos fenômenos de natureza ideológica e os mecanismos de dominação, para questionar o ramo comunicacional presente na literatura da “dependência cultural”, que esquece que a América Latina é capitalista e conhece diferentes articulações de classe em cada uma de suas nações. O imperialismo cultural aparece também nos escritos de Ianni, que questiona o caráter “único” da cultura brasileira, tomando como base da argumentação a noção de hegemonia e a luta de classes. Tais argumentos nos fazem recordar dos dizeres de Bordenave (1983), a respeito da participação: “[...] o povo participa mais e melhor quando o problema responde a seus interesses e não apenas aos da liderança ou das instituições externas” (Bordenave, 1983, p. 49). E de García Canclini (2008), mostrando que “hoje vemos os processos de consumo como algo comunicação pensamento comunicacional brasileiro 24 mais complexo do que uma relação entre meios manipuladores e dóceis audiências” (García Canclini, 2008, p. 59). A segunda parte deste livro (sexta da coleção) é denominada “Comunicação: ciências sociais aplicadas”, reunindo o pensamento dos seguintes autores: Octávio Eduardo, Florestan Fernandes, Dante Moreira Leite, Maria Isaura Pereira de Queiróz, Luiz Costa Lima e Fernando Henrique Cardoso. São apresentadas seis correntes de pensamentos que podem ser aplicadas nos estudos de comunicação. Octávio Eduardo traz reflexões sobre a base empírica das Ciências Sociais; Florestan Fernandes faz a defesa do funcionalismo como perspectiva epistemológica; Dante Moreira Leite apresenta o método de análise ideológica; Maria Isaura Pereira de Queiróz apresenta a forma de análise metodológica de documentos; Luiz Costa Lima debate as relações entre a Comunicação e a Cultura de Massa; e Fernando Henrique Cardoso concebe a teoria do curto-circuito para pensar a Comunicação Social. O conjunto de textos não esgota o tema, mas retoma debates por vezes esquecidos em face de outras correntes como a Teoria Crítica e os Estudos Culturais ingleses, norte-americanos e latino-americanos, que, nas últimas décadas, se mostraram dominantes nos estudos comunicacionais. O primeiro volume apresentou as seções “Comunicação Humana: Gênese e Evolução”, com o pensamento de Lévi-Strauss, Câmara Cascudo, Jarbas Maciel, Florestan Fernandes, Barbosa Lima Sobrinho e Virgilio Noya Pinto, e “Comunicação: processo social básico”, com as pesquisas de Emilio Willems, Alceu Maynard Araújo, Paulo Freire, Manuel Diégues Júnior, Antônio Cândido e Fernando de Azevedo. O segundo volume apresentou as seções “Comunicação: fenômeno cultural”, com o pensamento de Egon Schaden, Gilberto Freyre, Ruben Oliven, Alfredo Bosi, Darcy Ribeiro e Vamireh Chacon, e “Comunicação: sistema de poder”, com os escritos de Carlos Guilherme Mota, José Nilo Tavares, René Dreifuss, Ruth Cardoso, Juan Diaz Bordenave e Celso Furtado. Deixamos as construções simbólicas a cargo dos leitores e desejamos uma proveitosa leitura. apresentação 25 Referências BORDENAVE, Juan E. D. O que é participação. São Paulo: Brasiliense, 1983. BRAGA, José Luiz. “Disciplina ou campo? O desafio da consolidação dos estudos em Comunicação”. In: FERREIRA, Jairo; PIMENTA, Francisco J. P.; SIGNATES, Luiz (orgs.). Estudos de Comunicação: transversalidades epistemológicas. São Leopoldo: Unisinos, 2010, p. 19-38. COHN, Gabriel. “O campo da Comunicação”. In: FAUSTO NETO, Antônio; PRADO, José Luiz A.; PORTO, Sérgio D. (orgs.). Campo da Comunicação: caracterização, problematizações e perspectivas. João Pessoa: UFPB, 2001, p. 41-49. COHN, Gabriel. “Uma ciência da comunicação humana não pode constituir-se sem o domínio das categorias sociais”. In: MARQUES DE MELO, José (org.). Pensamento Comunicacional Uspiano: ideias que abalaram os alicerces da ECA-USP. Vol. 3. São Paulo: ECA-USP; Socicom, 2011, p. 223-228. GARCÍA CANCLINI, Néstor. Consumidores e cidadãos: conflitos multiculturais da globalização. 7ª ed. Rio de Janeiro: UFRJ, 2008. MARQUES DE MELO, José. Comunicação, opinião e desenvolvimento. 3ª ed. Petrópolis: Vozes, 1977. MARQUES DE MELO, José; FERNANDES, Guilherme M. (orgs.). Metamorfose da Folkcomunicação: antologia brasileira. São Paulo: Editae Cultural, 2013. comunicação