INSTITUTO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE
FUNORTE-SOEBRÁS
Análise Comparativa entre medidas Cefalométricas e
Equilíbrio do Perfil Fotográfico sob a Ótica de Diferentes
Grupos Avaliadores
ERASMO CANTON
Monografia apresentada ao programa
de pós-graduação do Instituto de
Ciências
da
Saúde-FUNORTE/
SOEBRÁS
núcleo
Lages,
como
requisito à obtenção do título de
Especialista em Ortodontia.
Lages, 2009
INSTITUTO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE
FUNORTE-SOEBRÁS
Análise Comparativa entre Medidas Cefalométricas e
Equilíbrio do Perfil Fotográfico sob a Ótica de Diferentes
Grupos Avaliadores
ERASMO CANTON
Monografia apresentada ao programa
de pós-graduação do Instituto de
Ciências
da
Saúde-FUNORTE/
SOEBRÁS
núcleo
Lages,
como
requisito à obtenção do título de
Especialista em Ortodontia.
Orientador: Álvaro Furtado
Lages, 2009
“A alegria está na luta, na tentativa,
no sofrimento envolvido. Não na
vitória propriamente dita”.
(Mahatma Gandhi)
AGRADECIMENTOS
Agradeço aos meus mestres que através de seus ensinamentos me
ajudaram na conquista de mais um degrau de minha formação.
Ao meu orientador Álvaro, pelo incentivo, dedicação, ensinamentos
que levo para a vida, muito obrigado.
Em especial ao meu mestre Dr. Vilmar, pessoa sábia e estudiosa,
que me transmitiu os primeiros ensinamentos de ortodontia, despertando
em mim o interesse para essa área tão fascinante da odontologia.
Aos meus colegas, pelas risadas, pelo companheirismo.
SUMÁRIO
RESUMO
ABSTRACT
1 INTRODUÇÃO..........................................................................
1
2 REVISÃO DE LITERATURA.......................................................
4
3 PROPOSIÇÃO ..........................................................................
10
4 METODOLOGIA .......................................................................
11
5 RESULTADOS ..........................................................................
14
6 DISCUSSÃO ............................................................................
19
7 CONCLUSÃO............................................................................
21
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS................................................
23
ANEXOS .....................................................................................
25
LISTA DE GRÁFICOS
Gráfico 01:
Número de indivíduos em cada classificação pelas
análises cefalométricas...............................................
Gráfico 02:
Correlação entre perfis cefalométricos muito agradáveis
e a classificação dos três grupos avaliadores .................
Gráfico 03:
17
Correlação entre perfis cefalométricos desagradáveis e a
classificação dos três grupos avaliadores ......................
Gráfico 06:
17
Correlação entre perfis cefalométricos aceitáveis e a
classificação dos três grupos avaliadores ......................
Gráfico 05:
16
Correlação entre perfis cefalométricos agradáveis e a
classificação dos três grupos avaliadores ......................
Gráfico 04:
15
Correlação
desagradáveis
entre
e
perfis
a
cefalométricos
classificação
dos
três
18
muito
grupos
avaliadores ...............................................................
18
LISTA DE TABELAS
Tabela 1 Valores absolutos dos resultados, sem a classificação
cefalométrica ...............................................................................
14
RESUMO
Este trabalho teve por objetivo comparar medidas angulares e lineares de
grandezas cefalométricas rotineiramente utilizadas na determinação da
posição sagital de dentes e bases ósseas, comparando-as com as
respectivas fotos de perfil dos pacientes, analisando se para diferentes
grupos de avaliadores é necessário que essas medidas estejam dentro da
normalidade para que o perfil seja considerado agradável. Três grupos
foram formados, cada um com 20 avaliadores, um grupo formado por
ortodontistas, um por cirurgiões dentistas não especialistas em ortodontia
e outro por leigos, que não tem contato com odontologia. Essas pessoas
analisaram um álbum contendo 50 fotos de perfil de pacientes, e segundo
seus critérios estéticos atribuíram conceitos para cada fotografia. Os
conceitos são: perfil muito agradável, agradável, aceitável, desagradável,
muito desagradável. Para a comparação objetiva as seguintes medidas
cefalométricas foram obtidas das análises dos pacientes :FMA, AFAI, 1.
NA, 1-NA, 1. NB, 1-NB, Witts. Após a tabulação dos dados o autor
concluiu que para os pacientes classificados como muito agradáveis
cefalométricamente,
ortodontistas,
cirurgiões
dentistas
e
leigos
concordaram entre si. Para os que foram classificados como agradáveis,
os leigos foram mais exigentes na avaliação seguido pelos cirurgiões
dentistas e depois pelos ortodontistas. Quando cefalométricamente o perfil
foi considerado aceitável novamente os ortodontistas foram menos
exigentes na apreciação dos pacientes, enquanto os cirurgiões dentistas e
leigos fizeram uma avaliação muito parecida. De forma geral o autor pode
afirmar pelos dados obtidos que os ortodontistas consideram uma gama
maior de perfis como sendo agradáveis do que os cirurgiões dentistas e
leigos.
Palavras-chave: Análise cefalométrica, perfil estético, análise facial.
ABSTRACT
This work had for objective to compare angular and lineal measures of
greatness cephalometric routinely used in the determination of the
position sagittal of teeth and bone bases, comparing them with the
respective pictures of profile of the patients, analyzing if for different
groups of appraisers it is necessary that those measured they are inside of
the normality for the profile it is considered nice. Three groups they were
formed, each one with 20 evaluators, one group formed by orthodontists,
one by surgeons dentists non specialist in orthodontics and other for laity,
that doesn't have contact with dentistry. Those people analyzer an album
containing 50 pictures of profiles of patients, e your second aesthetic
criteria attributed concepts for each photo. The concepts they are: profile
very nice, nice, acceptable, unpleasant, very unpleasant. For the
comparison aims at the measured following cephalometric they were
obtained of the patients' analysis: FMA, AFAI, 1. NA, 1-NA, 1. NB, 1-NB,
Witts. After the tabulation of the data the author concluded that for the
patients classification with very pleasant cephalometric, orthodontists,
surgeons dentists and lay people agreed to each other. For the ones that
they were classification as nice, the laity they were more demanding in
the evaluation followed by surgeons dentists and later orthodontists.
When cephalometric the profile acceptable, back the was considered
orthodontists they were less demanding in the appreciation of the
patients, whereas surgeons dentists and lay people made an evaluation
very seemed. In general the author can say that the data obtained by
orthodontists consider a wider range of profiles as pleasant as the
surgeons dentists and lay people.
Key-words: Cephalometric analysis, aesthetic profile, profile analysis.
1
1 INTRODUÇÃO
Desde as culturas e sociedades da antiguidade até os dias de hoje,
grande ênfase tem sido dada a atratividade física, principalmente a facial.
A aparência facial tem grande influência sobre as experiências individuais
sociais e, potencialmente afeta o desenvolvimento da personalidade
durante a vida. Os profissionais, pacientes e a sociedade de modo geral,
acreditam que a melhora na aparência aumenta a auto estima e é
importante para o sucesso e aceitação social. As considerações sobre
estética facial têm sido conceito inseparável dos princípios e da prática da
ortodontia (VEDOVELLO et al., 2002).
Já no início do século XX, a ortodontia recebia com propriedade os
primeiros conceitos sobre beleza e harmonia facial aplicados à clínica,
fundamentados nas figuras gregas clássicas. Constatou-se que o estudo
da ortodontia estava conectado com a arte relacionada à face humana, e
que a boca era uma das principais estruturas determinantes da beleza
facial (RINO NETO; PAIVA, 2007).
É necessário salientar a importância da análise facial como exame
complementar indispensável ao diagnóstico e planejamento ortodôntico,
salientando que a melhora da morfologia facial deve ser o objetivo do
tratamento das maloclusões (STEINER, 1959).
2
A cefalometria do esqueleto tem sido intensamente utilizada pelos
ortodontistas. Autores como Nanda e Ghosh (1997) mostraram que o
tecido mole nem sempre acompanha a morfologia do tecido duro.
Diante desse aspecto, surgem dúvidas como a que nos propomos
estudar;
se
existe
concordância
entre
as
medidas
rotineiramente
utilizadas e obtidas por meio do estudo cefalométrico de tecidos
esqueléticos com aquelas baseadas em tecidos tegumentares, e se o
julgamento subjetivo do padrão de beleza feito por leigos, cirurgiões
dentistas clínicos gerais e cirurgiões dentistas especialistas em ortodontia
tem concordância.
Avaliar também uma possível vantagem da classificação feita por
leigos, sendo que não possuem opinião formada a respeito da beleza do
perfil,
pois
não
receberam
treinamento
ortodôntico,
diferente
dos
ortodontistas que buscam analisar ângulos e planos individualmente.
É necessário pensar sobre a decisão de tratamento, sabendo que
as diferenças raciais, sexo, idade, educação, status socioeconômico e
localização geográfica também afetam as preferências estéticas das
pessoas.
A situação atual exige que o profissional se aproxime das
expectativas do seu paciente ao definir a melhora da estética facial e do
sorriso como o principal objetivo do tratamento, e a avaliação direta da
face do paciente como principal recurso do diagnóstico, a qual permite
observar as características faciais harmoniosas e desarmoniosas e como o
paciente é avaliado por si e por seus pares.
3
Ao paciente não interessa que os ângulos e proporções estejam
dentro de um padrão de normalidade, se esse padrão não se adequar às
características étnicas, individuais e da sociedade onde esse paciente vive.
A principal aspiração do paciente é ser reconhecido como bonito,
ou no mínimo normal, por si e pela sociedade, eliminando características
desagradáveis do sorriso a de sua face.
Diante disso, devemos entender como a população realiza a
apreciação estética dos seus integrantes, para que possamos reproduzir
essa avaliação na nossa rotina de diagnóstico.
4
2 REVISÃO DE LITERATURA
Angle (1907) acreditava que o estudo da ortodontia estava
diretamente
considerando
relacionado
a
boca
ao
a
estudo
área
mais
da
face
humana
importante
para
como
a
arte,
beleza
e
caracterização da face. Considerou a beleza da face de Apolo de Belvedere
um guia perfeito para a face harmônica, alegou que o perfil grego
representava o resultado de uma raça pura e afirmou que a oclusão
normal era determinante do equilíbrio, harmonia e proporcionalidade
facial.
Por longos períodos, observou-se uma supervalorização dos dados
cefalométricos, sobretudo no aspecto sagital, com a utilização de diversas
medidas dentárias e esqueléticas como determinantes de padrões de
normalidade facial e dentária. Nessas análises, as determinações das
posições sagitais da maxila e mandíbula eram e ainda são consideradas os
mais importantes fatores para o diagnóstico ortodôntico e ponto chave de
decisões terapêuticas. Os ortodontistas buscavam então, uma perfeição
cefalométrica em seus tratamentos, muito embora alguns resultados
desastrosos pudessem ocorrer em relação à estética facial do paciente
(GROSSI et al., 2007).
O
desenvolvimento
necessidade
de
da
ferramentas
de
cirurgia
ortognática
diagnóstico
das
determinou
características
a
de
harmonia, equilíbrio, e proporções faciais. Surgiram então as análises de
5
medidas tegumentares, como as de Ricketts, Burstone, Merrifield,
Spradley, Jacobs, Crowe, Bass, Arnett e Bergman. (GROSSI et al., 2007)
Infelizmente a correção da mordida nem sempre resulta na melhora ou
até na manutenção da estética facial. Em alguns casos a obtenção de uma
correta oclusão resulta em uma piora do perfil facial. Parte desse
problema pode ser explicado pela pouca atenção ao equilíbrio e harmonia
facial e por não estabelecer objetivos estéticos à resolução do caso
(ARNETT; BERGMNAN, 1993).
Moreira
e
colaboradores
(2002),
em
trabalho
científico,
selecionaram 20 modelos fotográficos do sexo feminino com idades entre
14 e 25 anos. Uma telerradiografia de perfil de cada modelo foi realizada e
em seguida duas análises cefalométricas (Legan & Burstone e McNamara
Jr.) foram realizadas. Os dados obtidos pelas análises foram comparados
com os valores ditos normais pelos autores das cefalometrias. Após
análise
dos
resultados
os
autores
concluíram
que
as
medidas
cefalométricas relativas aos dois terços inferiores do terço inferior da face,
na análise de Legan & Burstone, que refletem a posição do incisivo inferior
e do lábio inferior, apresentaram-se estatisticamente diferentes dos
valores descritos pelos autores. Também concluíram que as medidas
ósseas apresentadas por McNamara Jr. que são comumente utilizadas no
planejamento
ortodôntico-cirúrgico,
não
mostraram
diferenças
estatisticamente significativas em relação aos valores obtidos para a
amostra considerada.
6
A revisão da evolução da especialidade tem sido realizada em
vários momentos históricos. TWEED (1953) reavaliou seus casos tratados
em 25 anos, seguindo a filosofia proposta por Angle, de que a melhor
harmonia facial seria obtida com todos os dentes em oclusão. Tweed
observou que apenas 20% dos pacientes apresentavam oclusão normal e
adequada harmonia facial. A maioria deles apresentava desarmonia facial
devido
a
protrusão
dentária
exagerada
dos
incisivos,
exigindo
retratamento. O equilíbrio foi alcançado às custas de exodontias,
contrariando as filosofias vigentes até então. A posição do incisivo inferior,
avaliada na teleradiografia de perfil, passou a ser determinante de
exodontias a fim de obter um ângulo entre o longo eixo do incisivo e o
plano mandibular 90+- 5. Segundo Tweed (1953) esse parâmetro estava
relacionado à estética facial agradável. A utilização destes e outros
parâmetros cefalométricos resultou em exodontias desnecessárias e
iatrogenias na estética facial (REIS et al., 2006).
Ainda segundo Reis et al., (2006), ao paciente não interessa que os
ângulos e proporções de sua face estejam dentro de um “padrão de
normalidade” se este padrão não se adequar às suas características
étnicas e individuais.
Burstone (1958) concluiu que os dentes e os ossos da face
formavam uma armação sobre a qual estavam os músculos e o tegumento
e que o tratamento ortodôntico, ao alterar essa relação, poderia produzir
efeitos desejáveis ou indesejáveis no contorno facial. Burstone (1959)
afirmou também que maloclusões não só exibiam desarmonias dentárias
7
como também desarmonias faciais e em parte poderia ser produzida por
uma variação no tecido mole, podendo também o inverso ocorrer, as
variações do tecido mole mascarando alterações dento esqueléticas.
Segundo Ricketts (1968), era dever de quem diagnosticava, a
partir de uma condição morfológica no início do tratamento, visualizar um
possível comportamento futuro. Em uma análise do tecido mole bucal,
vários fatores deveriam ser considerados, entre eles, a correlação entre
forma e função, a interação entre a língua e os lábios em todas as suas
funções e a influência labial no posicionamento dentário.
Moyers (1991) diz que existem muitas faces bonitas com boa
oclusão que possuem medidas distantes do normal. Não é necessário
tratar a maloclusão com relação a objetivos cefalométricos fixos. As
cefalometrias podem fornecer uma linha de objetivos de tratamento
satisfatórios, os quais, combinados a outras informações de modelos
dentários, históricos e observação do paciente, tornam possível um plano
de tratamento individualizado.
Subtelny (1961) disse que o tecido mole facial é uma máscara que
se sobrepõe ao esqueleto facial e é diretamente afetada por mudanças
dentais e ósseas.
Para Paiva (2003) as metas cefalométricas podem ser ignoradas se
a
estética
do
paciente
estiver
agradável,
portanto
os
valores
cefalométricos devem ser analisados com ressalvas. O enfoque atual é
mais estético que numérico. Destaca ainda que a grande quantidade de
cefalometrias que se encontram na literatura reflete nada mais que a
8
inquietação constante dos pesquisadores em encontrar valores que
traduzam com precisão as estruturas estudadas.
Para Ioi et al. (2005), a percepção da beleza pode ser alterada
com base no aumento ou diminuição da convexidade facial inerente em
cada indivíduo . Para Czarnecki et al. (1993), Spyropoulos et al. (2001), a
principal diferença entre as preferências de ortodontistas e leigos é que o
público, em geral, admira um padrão facial mais convexo, com lábios mais
volumosos
e
posicionados
mais
anteriormente
do
que
o
padrão
ortodôntico com perfil reto.
Estudando a influência da discrepância maxilomandibular, no
sentido anteroposterior, nos tecidos moles da face, Knight e Keith(2005) e
Phillips, Griffin e Bennett (1995) revelaram que quando discrepâncias
anteroposteriores aumentam, a atratividade diminui, portanto, indivíduos
com perfis equilibrados são considerados mais atraentes do que aqueles
com faces convexas ou côncavas, avaliados por ortodontistas, cirurgiões
bucomaxilofaciais e leigos.
Quando se analisa o componente vertical na apreciação do perfil
facial de Smit e Dermaut (1984) verificaram que as alterações verticais,
no
perfil
tegumentar
da
face,
são
mais
importantes
do
que
as
discrepâncias anteroposteriores no julgamento da estética facial.
Em um estudo realizado por Knight e Keith (2005) avaliando perfis
faciais femininos, notaram que o aumento da altura facial antero inferior
estava
associada
a
faces
menos
atraentes
quando
avaliadas
por
ortodontistas e, na avaliação dos leigos, tal associação não foi observada.
9
Já nas faces masculinas o inverso foi notado, perfis faciais menos
atraentes tem relação com a diminuição da altura facial antero inferior.
Para Rino Neto e Paiva (2003), a avaliação dos perfis faciais,
masculinos e femininos, realizados por leigos discrimina menos os perfis
em relação aos profissionais da área da saúde, portanto, consideram um
espectro maior de perfis em suas preferências.
10
3 Proposição
A pesquisa a ser realizada se propôs à determinar se as medidas
cefalométricas (AFAI, FMA, 1. NA, 1. NB, 1-NA, 1-NB, Witts) estão
relacionadas com a percepção de estética de pessoas leigas, cirurgiões
dentistas clínicos gerais e ortodontistas.
11
4 METODOLOGIA
Foram aleatoriamente escolhidas 50 fotos de perfil arquivadas das
documentações ortodônticas de pacientes da clínica de Pós-graduação do
ICS – FUNORTE/SOEBRAS NÚCLEO LAGES – SC.
Dos pacientes selecionados, 26 são do sexo feminino, com idades
entre 9 e 31 anos, e 24 do sexo masculino com idades entre 9 e 32 anos e
foi coletada a adesão ao projeto através da assinatura do termo de adesão
(Anexo A)
As 50 fotos originais foram fotografadas com uma máquina Sony
DSC-S730, em seguida reveladas em papel fotográfico no tamanho 10x15
e após arquivadas em um álbum (Anexo B).
As fotos originais foram tiradas no período de 2005 a 2008, todas
de pacientes das turmas de Pós-graduação do ICS – FUNORTE/SOEBRAS
NÚCLEO LAGES – SC.
Todas as fotos originais foram tiradas pelo mesmo instituto
radiográfico.
Os traçados cefalométricos foram realizados pelos alunos do curso
de pós-graduação e conferidos pelo autor, obtendo as medidas usadas
neste estudo; as seguintes medidas angulares e lineares foram usadas:
FMA, AFAI, 1-NA, 1. NA, 1-NB, 1. NB, WITTS. Sendo que para efeitos de
tabulação dos resultados as medidas (1. NA e 1-NA), (1. NB e 1-NB), são
um só e os dois devem estar dentro da normalidade para serem tabulados
12
como corretos. Essas medidas foram escolhidas pelo autor por entender
que estão relacionadas com o lábio, posição antero-posterior das bases
ósseas, e aumento do terço inferior da face.
Foram formados três grupos contendo 20 avaliadores em cada
grupo. O primeiro grupo formado por pessoas leigas no assunto, sem
qualquer
parentesco
com dentistas
especialistas em
ortodontia. O
segundo grupo formado por clínicos gerais e o terceiro por estudantes de
ortodontia no último ano da especialização, ou formados há menos de
cinco anos.
Para cada avaliador foi enviado uma pergunta e uma tabela (Anexo
B), juntamente com o álbum de fotografias. O avaliador respondeu a
pergunta para cada foto do álbum, totalizando 50 respostas por avaliador.
Os dados coletados a partir das respostas dos avaliadores foram
tabulados e analisados.
Para classificação de cada foto do álbum, para fins de comparação
com os dados obtidos dos avaliadores, a seguinte relação foi feita:
− Perfil muito agradável: quando as cinco medidas das análises
cefalométricas utilizadas se encontram dentro da norma.
− Perfil agradável: quando apenas quatro medidas das análises
cefalométricas utilizadas se encontram dentro da norma.
− Perfil aceitável: quando apenas três medidas das análises
cefalométricas utilizadas se encontram dentro da norma.
− Perfil desagradável: quando apenas duas medidas das análises
cefalométricas utilizadas se encontram dentro da norma.
13
− Perfil muito desagradável: quando apenas uma ou nenhuma das
medidas das análises cefalométricas utilizadas se encontram
dentro da norma.
Os dados coletados a partir das respostas dos 60 avaliadores
juntamente com os valores das análises cefalométricas foram tabulados e
analisados.
14
5 RESULTADOS
Após o término da tabulação das respostas dos avaliadores as fotos
foram classificadas seguindo os critérios da metodologia do trabalho:
- De maneira objetiva, pelo cruzamento de informações coletadas
das análises cefalométricas .
- De maneira subjetiva através da comparação das respostas dos
três grupos de avaliadores, com cada um dos cinco grupos formados pelas
medidas
cefalométricas.
(Muito
agradável,
agradável,
aceitável,
desagradável, muito desagradável)
- Para facilitar o entendimento, na Tabela 1 estão listados os
valores absolutos dos resultados, sem a classificação cefalométrica.
Tabela 1: Valores absolutos dos resultados, sem a classificação cefalométrica
Muito agradável
Agradável
Aceitável
Desagradável
Muito desagradável
Ortodontistas
27
217
366
287
103
Cirurgião
Dentista
12
204
331
329
124
Leigos
27
181
363
300
129
Fonte: Próprio autor (2009)
5.1 Classificação objetiva
Foi determinada usando as informações das cefalometrias dos
pacientes. Das 50 fotos analisadas a classificação foi a seguinte:
− Muito agradável: 3 fotos, totalizando 6% das fotos.
− Agradável: 3 fotos, totalizando 6% das fotos .
15
− Aceitável: 9 fotos, totalizando 18% das fotos.
− Desagradável: 16 fotos, totalizando 32% das fotos.
− Muito desagradável: 19 fotos, totalizando 38% das fotos.
Gráfico
01:
Número
de indivíduos em
cada classificação
pelas análises
cefalométricas (medidas)
Número de Indivíduos em cada
classificação(anáIise cefaIométrica)
3
3
Muito Agradável
19
9
Agradável
Aceitável
Desagradável
Muito
16
Fonte: Próprio autor (2009)
5.2 Classificação subjetiva
Para
realizar
essa
classificação
os
números
levados
em
consideração são os que foram extraídos dos grupos cefalométricos
definidos objetivamente. Sendo assim para o grupo muito agradável as 3
fotografias representam 100% da amostra, para o grupo agradável as 3
fotografias representam 100% da amostra, para o grupo aceitável as 9
fotografias representam 100% da amostra, para o grupo desagradável as
16 fotografias representam 100% da amostra, e para o grupo muito
desagradável as 19 fotografias representam 100% da amostra.
16
5.2.1 Classificação subjetiva dos três grupos avaliadores
Através dos dados coletados das análises cefalométricas e das
respostas dos ortodontistas foram elaborados gráficos que mostram o
percentual para cada uma das cinco classificações realizadas.
Abaixo seguem os gráficos com as classificações.
Gráfico 02: Correlação entre os perfis cefalométricos muito agradáveis e a
classificação dos três grupos avaliadores
Correlação entre os perfis cefaIométricos muito agradáveis e
a cIassificação dos três grupos avaliadores
60,00%
48,33%
50,00%
43,33%
36,66%
40,00%
20,00%
10,00%
30,00%
28,33%
28,33%
18,33%
30,00%
20,00% 20,00%
10,00%
5,00%
1,68%
3,33%
3,34% 3,34%
0,00%
Muito
Agradável
Agradável
Aceitável
Ortodontista
Cirurgião Dentista
Fonte: Próprio autor (2009)
Desagradável
Muito
Desagradável
Leigos
17
Gráfico
03:
Correlação
entre
os
perfis
cefalométricos
agradáveis
e
a
classificação dos três grupos avaliadores
Correlação entre os perfis cefaIométricos agradáveis e a
cIassificação dos três grupos avaliadores
50,00%
45,00%
40,00%
35,00%
30,00%
25,00%
20,00%
15,00%
10,00%
5,00%
0,00%
43,33%43,33%
33,33%
26,66%
35,00%
28,33%28,33%
13,33%
11,68%
13,33%
11,66%
8,33%
1,68%
1,68% 0,00%
Muito
Agradável
Agradável
Aceitável
Desagradável
Ortodontista
Cirurgião Dentista
Muito
Desagradável
Leigos
Fonte: Próprio autor (2009)
Gráfico 04: Correlação entre os perfis cefalométricos aceitáveis e a classificação
dos três grupos avaliadores
Correlação entre os perfis cefaIométricos aceitáveis e a
cIassificação dos três grupos avaliadores
45,00%
41,66%
40,00%
36,66%
34,44%
35,00%
30,00%
25,00%
32,22%
30,55%
29,44%
20,00%
18,33% 16,66%
20,00%
13,90%
15,00%
10,00%
5,00%
8,35%
9,44%
5,20%
2,22%
1,11%
0,00%
Muito
Agradável
Agradável
Aceitável
Ortodontista
Cirurgião Dentista
Fonte: Próprio autor (2009)
Desagradável
Muito
Desagradável
Leigos
18
Gráfico 05: Correlação entre os perfis cefalométricos desagradáveis e a
classificação dos três grupos de avaliadores
Correlação entre os perfis cefaIométricos desagradáveis e a
cIassificação dos três grupos avaliadores
45,00%
38,12%
35,37% 34,50%
40,00%
35,00%
32,30%
30,00%
26,56%
23,00% 22,81%
25,00%
24,96% 25,00%
20,00%
15,00%
10,93%
9,68%
9,37%
10,00%
5,00%
3,43% 3,14%
0,83%
0,00%
Muito
Agradável
Agradável
Aceitável
Desagradável
Ortodontista
Cirurgião Dentista
Muito
Desagradável
Leigos
Fonte: Próprio autor (2009)
Gráfico 06: Correlação entre os perfis cefalométricos muito desagradáveis e a
classificação dos três grupos avaliadores
Correlação entre os perfis cefaIométricos muito
desagradáveis e a cIassificação dos três grupos avaliadores
40,00%
35,00%
32,60%
33,42%
33,15% 32,63% 32,63%
31,84%
30,00%
25,00%
19,18%
20,00%
18,68%
15,78%
16,84%
15,00%
13,23%
15,00%
10,00%
5,00% 2,36%1,06% 1,60%
0,00%
Muito
Agradável
Agradável
Aceitável
Ortodontista
Cirurgião Dentista
Fonte: Próprio autor (2009)
Desagradável
Muito
Desagradável
Leigos
19
6 DISCUSSÃO
O trabalho realizado buscou verificar as possíveis concordâncias
existentes entre
medidas cefalométricas (objetivas), em relação à
avaliação subjetiva da face, determinada por três grupos de avaliadores;
ortodontistas, cirurgiões dentistas e pessoas leigas.
Quando
avaliados
no
geral,
sem
a
divisão
que
leva
em
consideração os grupos cefalométricos, os resultados para a interpretação
subjetiva dos perfis muito agradáveis são iguais para ortodontistas (2,7%)
e leigos (2,7%), e diferentes para os cirurgiões dentistas (1,2%). Quando
analisamos o perfil agradável, a percepção dos ortodontistas é mais
favorável (21,7%) do que a dos cirurgiões dentistas (20,4%), seguidos
pelos leigos (18,1%). No perfil aceitável ortodontistas (36,6%) e leigos
(36,3%)
convergem
nas
interpretações,
seguidos
pelos
cirurgiões
dentistas (33,2%). Para o perfil desagradável os menores resultados
foram com os ortodontistas (28,7%), seguidos pelos leigos (30%) e
cirurgiões dentistas (32,9%). No perfil muito desagradável a situação se
repete, ortodontistas (10,3%) apenas ocorre
a inversão
entre os
cirurgiões dentistas (12,3%) e leigos (12,9%). Num estudo semelhante
realizado por Reis et al. (2005), verificou-se que 3% dos avaliados foram
classificados como agradáveis, 89% aceitáveis e 8% desagradáveis,
discordando dos dados encontrados nesse trabalho. Quando os dados
cefalométricos são levados em consideração para classificação do perfil os
20
dados
mudam.
Para
o
perfil
muito
agradável
cefalométricamente,
ortodontistas (3,33%), cirurgiões dentistas (3,33%) e leigos (3,33%)
tiveram a mesma percepção. Para o perfil agradável ortodontistas tiveram
uma avaliação de percepção agradável maior (26,66%), divergindo dos
cirurgiões dentistas (13,33%) e leigos (11,66%), concordando com Reis e
colaboradores (2005) que perfis agradáveis são minoria. Quando o perfil
aceitável foi comparado a situação foi a seguinte;ortodontistas (41,66%),
cirurgiões dentistas (34,44%) e leigos (36,66%), concordando com o
trabalho de Reis, Capelozza e Claro (2006) onde constataram que os
indivíduos classificados como aceitáveis são maioria. Para o perfil
desagradável os ortodontistas (24,06%) e leigos (25%) tiveram a mesma
percepção enquanto os cirurgiões dentistas fizeram uma avaliação maior
(32,3%) de perfis desagradáveis. Para o perfil muito desagradável os
ortodontistas
fizeram
a
menor
avaliação
(12,69%),
seguidos
dos
cirurgiões dentistas (15%) e leigos (16,84%). Esses resultados estão de
acordo com as citações de Burstone (1958), que comprovou a extrema
variabilidade
comprimento,
do
tecido
mostrando
tegumentar
que
em
muitas
espessura,
vezes,
tonicidade
o
e
diagnóstico
dentoesquelético não traduz a verdadeira desarmonia facial, que pode
estar mascarada pelas características tegumentares.
21
7 CONCLUSÃO
Após tabulação dos resultados concluiu-se que:
1. Para o perfil muito agradável cefalométricamente;ortodontistas,
cirurgiões dentistas e leigos tiveram a mesma percepção, porém
bem abaixo dos valores sugeridos na classificação pela norma
cefalométrica.
2. Para o perfil agradável;ortodontistas tiveram uma avaliação de
percepção agradável maior, divergindo dos cirurgiões dentistas
e leigos.
3. Quando o perfil aceitável foi comparado, novamente a situação
anterior se repetiu.
4. Para o perfil desagradável os ortodontistas e leigos tiveram a
mesma percepção enquanto os cirurgiões dentistas fizeram uma
avaliação maior de perfis desagradáveis.
5. Para o perfil muito desagradável os ortodontistas fizeram a
menor avaliação, seguidos dos cirurgiões dentistas e leigos.
6. Conclui- se que ortodontistas consideram uma gama maior de
perfis
como
agradáveis,
ao
contrário
dos
leigos
que
consideraram um número maior de perfis muito desagradáveis.
Isso talvez se deve a fatores como cor de pele, olhos, cabelo,
que podem ser fatores de confusão.
22
7. Conclui-se também que as medidas cefalométricas utilizadas
nesse estudo não são determinantes de um perfil agradável na
percepção dos grupos pesquisados.
23
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25
ANEXOS
26
ANEXO A TERMO DE CONCENTIMENTO
Associação Educativa do Brasil
ANEXO 1
(SOEBRAS)
INSTITUTO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE
NÚCLEO LAGES
TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO
CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM ORTODONTIA
Você está sendo convidado a participar em uma pesquisa. O documento
abaixo contém todas as informações necessárias sobre esta. Sua
colaboração neste estudo é muito importante, entretanto a decisão em
participar é toda sua.
Para tanto, leia atentamente as informações abaixo e decida.
Se concordar em participar basta preencher seus dados e assinar a
declaração concordando. Caso tenha alguma dúvida pode esclarece - lá
com o responsável pela pesquisa.
Obrigado pela compreensão e apoio!
Esclarecemos que seus dados pessoais serão mantidos em
rigoroso sigilo.
Eu, . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
. . . . . . . . , portador do RG no. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
nascido(a) em . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . concordo de livre
e espontânea vontade em participar como voluntário da pesquisa,
ANÁLISE COMPARATIVA ENTRE MEDIDAS CEFALOMÉTRICAS E
EQUILÍBRIO DO PERFIL FOTOGRÁFICO SOB A ÓTICA DE
DIFERENTES GRUPOS AVALIADORES, realizado pela CD. Erasmo
Canton, matriculado no Curso de Ortodontia ICS FUNORTE/SOEBRAS –
NÚCLEO LAGES.
Declaro que obtive as informações necessárias, bem como todos os
eventuais esclarecimentos quanto às dúvidas por mim apresentadas.
Estou ciente que:
1. O Tema do trabalho é: ANÁLISE COMPARATIVA ENTRE
MEDIDAS CEFALOMÉTRICAS E EQUILÍBRIO DO PERFIL
FOTOGRÁFICO SOB A ÓTICA DE DIFERENTES GRUPOS
AVALIADORES. Participarão da pesquisa pessoas leigas e
cirurgiões dentistas.
2. Para o levantamento dos dados desejados a pesquisa em questão
será realizada através de uma pergunta (Anexo B) elaborada pelo
autor da pesquisa. Sendo que os dados serão anotados em
27
3.
4.
5.
6.
instrumento próprio especialmente elaborado para tal fim e
posteriormente lançados e analisados.
Se, no decorrer da pesquisa, eu tiver qualquer dúvida ou por
qualquer motivo necessitar posso procurar pelo Curso de
Especialização em Ortodontia Funorte/Soebras, na pessoa de Álvaro
Furtado, pelo telefone (49) 3223-5566.
.
Tenho a liberdade de interromper a colaboração neste estudo no
momento em que desejar, sem necessidade de qualquer explicação.
Tal desistência não causará nenhum prejuízo a minha saúde ou bem
estar físico.
As informações obtidas neste estudo serão mantidas em sigilo e, em
caso de divulgação em publicações científicas, os meus dados
pessoais não serão mencionados.
Caso eu deseje, poderei pessoalmente tomar conhecimento dos
resultados ao final desta pesquisa (os resultados serão enviados via
e-mail caso desejado).
Desejo receber os resultados por e-mail ( ) sim ( ) não.
E-mail: . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
DECLARO que, após convenientemente esclarecido pelo pesquisador
e ter entendido o que me foi explicado, consinto voluntariamente
em participar desta pesquisa e assino o presente documento.
Lages,
/
/2008.
_____________________________________
Assinatura
28
ANEXO B QUESTIONÁRIO
De acordo com o que você entende por padrão de beleza,
classifique cada foto do álbum segundo uma das opções citadas abaixo:
a - Muito agradável
b - Agradável
c - Aceitável
d - Desagradável
e - Muito desagradável
FOTOS
Muito
agradável
Foto
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14
15
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17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31
32
33
34
Agradável
Aceitável
Desagradável
Muito
desagradável
29
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46
47
48
49
50
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