O Corpo ISSN: 2236-8221 Página 1 04.08.2013 ISSN: 2236-8221 Jornal de popularização científica Edição n. 44, Maio de 2015 [email protected] Vitória da Conquista, Bahia. http://www.marcadefantasia.com/o-corpo-e-discurso.htm EXPEDIENTE DE O CORPO Editores George Lima Nilton Milanez Organizador O corpo é discurso Nilton Milanez Nesta edição, O Corpo é discurso apresenta o Grupo de Estudos do Discurso da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte – UERN, coordenado pelo Prof. Dr. Francisco Paulo da Silva. Além disso, o Corpo traz um artigo de Cleudemar Alves Fernandes, pela Universidade Federal de Uberlândia, um artigo de Jamille da Silva Santos, pela Universidade Estadual do Sudoete da Bahia, e um artigo de Rafael de Souza Bento Fernandes, pela Universidade Estadual de Maringá. Ainda, o Corpo traz alguns poemas que compõem o livro “Bocoió” do Prof. Alexandre Filordi. O Corpo é Discurso traz também um Pocket Comix por Renato Lima e notícias ligadas ao universo acadêmico e da Análise do Discurso, no Brasil. George Lima Revisão Ricardo Andrade Amaral Jamille da Silva Santos Editoração eletrônica (MARCA DE FANTASIA) Henrique Magalhães CONSELHO EDITORIAL Dr. Elmo José dos Santos (UFBA) Dra. Flávia Zanutto (UEM) Dra. Ivânia Neves (UFPA) Dra. Ivone Tavares Lucena (UFPB) Dra. Mônica da Silva Cruz (UFMA) Dr. Nilton Milanez (UESB) Dra. Simone Hashiguti (UFU)) Acesse o site do Labedisco: www2.uesb.br/labedisco Surgido em 2007, o GEDUERN, cessos de produção identitária e de modos alidade. Na segunda linha, Memória, Dis- Grupo de Estudos do Discurso da Univer- de subjetivação na contemporaneidade tem curso e Interpretação, as descrições se sidade do Estado do Rio Grande do Norte como objetivo descrever e interpretar voltam para a relação entre discurso e – UERN, é coordenado pelo Prof. Dr. Fran- memória na constituição, circulação e cisco Paulo da Silva e congrega docentes produção de efeitos de sentido em mate- e discentes do curso de Letras e de ou- rialidades discursivas em contextos insti- tras áreas afins, da UERN e de outras tucionais múltiplos: político, midiático, instituições, pesquisadores em níveis de graduação e de pós-graduação com interesse em problematizar a centralidade das práticas discursivas na atualidade. As pesquisas desenvolvidas pelos membros do grupo se inserem nos deslocamentos teóricos e metodológicos da análise do discurso francesa, naquilo “Em nossos trabalhos, partimos do pressuposto que os enunciados verbais e não verbais constitutivos das discursividades contemporâneas atuam decisivamente para a estabilização de certos saberes, ideias, mitos e representações em nossa cultura, e inversamente” urbano, literário, escolar, jurídico e religioso. Em nossos trabalhos, partimos do pressuposto que os enunciados verbais e não verbais constitutivos das discursividades contemporâneas atuam decisivamente para a estabilização de certos saberes, ideias, mitos e representações em nossa cultura, e inversamente, pois é por que podemos chamar de uma virada his- meio dos discursos que certos consensos tórico semiológica que vem marcando socais são desestabilizados e entram em atualmente a prática de diversos grupos crise. Ademais, acreditamos que tais prá- de estudos discursivos no Brasil, a exem- processos identitários e modos de subjeti- ticas de significação, no seu funcionamen- plo do GEADA, do LABOR, do GRUDIOCOR- vação na atualidade, observando tais pro- to histórico e semiológico, estão estreita- PO, do LEDIF, do GEF, para citar alguns, cessos de produção na relação entre o mente vinculadas às correlações de força fundamentados sobretudo no pensamento discurso e as relações de saber e poder. existentes na sociedade, razão pela qual de Michel Foucault e nas repercussões de Com esse objetivo, a linha de pesquisa as pesquisas do grupo se voltam para o sua obra na teoria do discurso inicial- volta-se para a análise das identidades funcionamento de diferentes manifesta- mente formulada por Michel Pêcheux. como efeitos de sentido e para a subjetiva- ções discursivas e para os processos de Nesse viés, o grupo atua em duas linhas ção como processo de constituição ética, constituição subjetiva na atualidade, como de pesquisa. A primeira, Estudo dos pro- em diferentes práticas discursivas na atu- forma de problematizar a inscrição e a Página 2 O Corpo crições, publicações e atividades realizadas, o CONLID tem congregado pesquisadores de diversas áreas das ciências sociais e humanas que se interessam pelo funcionamento da linguagem, em uma perspectiva discursiva, cujos trabalhos repercutam a dimensão da subjetividade, do social e do histórico na descrição e na problematização de práticas discursivas em nossa atualidade. materialização das relações de saber e Grupo de Pesquisa em Linguística e Literapoder que suturam o tecido social. Para mais informações do gru- tura (GPELL), o Grupo de Estudos em Tra- po, tais como membros, projetos e publi- Com foco nestas e noutras dução (GET), o Departamento de Letras cações, visitem a página do grupo no dire- questões o GEDUERN realiza desde 2008 Vernáculas (DLV), o Departamento de Le- tório dos grupos de pesquisa no CNPq: o CONLID, Colóquio Nacional de Lingua- tras Estrangeiras (DLE) e o Departamento gem e Discurso, sediado no Campus Cen- de Arte (DART), da Faculdade de Letras e tral da UERN, na cidade de Mossoró, Artes (FALA) da Universidade do Estado do Clique Aqui! evento que irá para a sua quarta edição. Rio Grande do Norte (UERN). Com números O evento é realizado em parceria com o bastante expressivos, em termos de ins- Página 3 O Corpo IV Simpósio Nacional de Letras e Linguística e III Simpósio Internacional de Letras e Linguística O Simpósio Nacional de Letras e Linguística e Simpósio Internacional de Let ras e Linguística traz em sua quarta edição o tema "Linguagem, Literatura e Ensino: desafios e possibilidades". O evento será realizado na Regional Catalão da Universidade Federal de Goiás, nos dias 25 a 28 de agosto de 2015 e receberá propostas de Grupos de Trabalhos (GT’s) e Mesas-redondas, dentro da temática proposta. Contaremos, ainda, com várias atividades específicas como, conferências, minicursos e atividades culturais. Para saber mais a respeito do IV SINALEL Clique Aqui! Página 4 O Corpo Em nosso percurso acadêmico, nossas pesquisas em Análise do Discur- além de ocupar campos afetivos em suas de palavras. As pinturas integram a cultu- variabilidades de alcance. ra, com a qual se mantêm em diálogo, e so, até mesmo por procurarmos acompa- Tendo como centro a enunciação trazem elementos próprios ao funciona- nhar o desenrolar histórico dessa disci- e tomando a imagem como objeto sobre o mento discursivo histórico e socialmente plina, nos colocou diante da fotografia qual voltamos nosso olhar, revisitamos, em produzido e modificado. como uma materialidade discursiva. Esse As Palavras e as Coisas, as reflexões que No que concerne aos estudos em objeto, para o qual apenas iniciamos nos- Michel Foucault desenvolve acerca do qua- Análise do Discurso, essa disciplina, quan- sas observações teórico-analíticas, leva- dro “As Meninas”, de Velásquez, quando do de suas primeiras proposições, teve nos a recorrer a estudos de três domí- mostra que nesse quadro materializa-se como objeto exclusivamente o discurso nios do saber: estudos sobre fotografia, a algo de natureza discursiva. Trata-se da político; logo, em seu desenvolvimento, o Semiologia e Análise do Discurso propria- noção de representação colocada em tela, objeto foi ampliado visando a abranger os mente. O que buscamos em cada um de- que rompe com a ideia de similitude, com a discursos cotidianos. O desenvolvimento les converge para o campo da enuncia- semelhança com o objeto representado. O desse campo disciplinar é ininterrupto, e, ção, posto que, ao apreender a fotografia que está em cena nessa pintura é uma como objeto de linguagem, somos insta- representação de natureza conceitual; dos a vislumbrá-la no exercício da função assim, representa-se o próprio conceito enunciativa. Das diferentes recorrências de representação, como sustenta Michel teóricas, entrevemos dado funcionamen- Foucault com a análise empreendida. to da fotografia como objeto sócio e historicamente produzido em relação a posicionamentos de sujeitos, cuja função enunciativa a expõe como um objeto caracterizado por hibridismo. Isto, porque a fotografia pode ser tomada como elemento identitário, documento, objeto de comprovação investigatória, de testemunho, registro histórico, arte, souvenir, Página 5 No ano seguinte ao da publicação dessa obra, Foucault escreve um rápido texto intitulado As palavras e as imagens, e “Ao apreender a fotografia como objeto de linguagem, somos instados a vislumbrála no exercício da função enunciativa” nele aborda a análise “das relações entre o discurso e o visível”, isto porque em toda cultura, e em cada uma em particular, há em se tratando de objetos tomados para várias formas de linguagem, tudo fala, e o estudo, procura abarcar todas as formas discurso pode ser restaurado despojado de linguagem e compreendê-las como O Corpo materialidades de discursos. Por conseguinte, as imagens, de diferentes natureza, são tomadas como linguagem não verbal que materializam discursos em funcionamento na história, na sociedade, na cultura. A memória das imagens está posta no cotidiano e integra a cultura dos sujeitos desde tempos remotos. Temos imagens produzidas por meio de pinturas, esculturas, etc., e que podem remontar, inclusive, a história da arte, com seus tidos e à constituição dos sujeitos. tornou oportuno o título da imagem, pois grandes expoentes, mas, sobretudo, evi- Para ilustração do funcionamento ela acentua as desigualdades sociais en- denciam uma semiologia, compreendida da fotografia como materialidade discursi- tre os sujeitos em tela, e com isso reflete va, apresentaremos uma foto feita por nós a condição social dos protagonistas e mesmo, que, sob o título “Desigualdades” também dos demais sujeitos. “A memória das foi vencedora de um desafio fotográfico Tomada como materialidade imagens está posta no cotidiano e integra a cultura dos sujeitos desde tempos remotos” promovido pela Escola Pública de Fotogra- discursiva, essa fotografia evoca uma fia Sit Kong Sang, durante o período de 21 a memória, uma vez que no sertão da Regi- 27 de fevereiro de 2015. ão Nordeste do Brasil, se não em toda Assim como a noção de enunciado proposta por Foucault, a imagem se inscreve na história, tem um eco, integra aqui como uma forma de linguagem em processos de significação por meio dos quais os sujeitos se manifestam e também se constituem na história. Em termos de metodologia, pensaríamos em um arquivo de imagens como o que possibilita uma inter-relação dos sujeitos e os discursos, tanto no que concerne a enunciações quanto ao que se refere aos senPágina 6 uma memória e atesta a produção e o funcionamento de discursos, ao mesmo tempo em que os materializa. Nesta imagem, os dois sujeitos centrais transportam objetos em uma grande embalagem equilibrada na cabeça, e ainda outros objetos presos nas costas. Esses sujeitos contrastam com os banhistas na praia, dos quais se distinguem e se diferenciam. Essa diferença região, em grandes partes, dadas as precariedades de recursos, os sujeitos transportam objetos como os da imagem acima. Trata-se de uma peculiaridade cultural e uma constituição social, posto que apenas os sujeitos dessa região tem a capacidade “natural” para equilibrar objetos na cabeça. Vislumbramos, assim, uma memória das imagens que possibilita um funcionamento discursivo nessa materialidade. Contrastam-se posicionamentos de sujeitos – de um lado turistas na praia, de O Corpo outros o sertanejo de lugar afastado do ria. Em outros termos, diríamos que a fo- REFERÊNCIAS: litoral – pelas construções identitárias tografia, ao portar uma história, porta FOUCAULT, Michel. As Palavras e as Coi- que lhes caracterizam. Essas constru- igualmente posicionamentos de sujeitos sas. Trad. António Ramos Rosa. Lisboa: ções identitárias são historicamente socioculturalmente marcados. Esse possí- Portugália Editora, 1967. produzidas e marcam diferenças socio- vel encontro da fotografia com o discurso, culturais. Contudo, não se trata de identi- aquela como materialidade deste, encontro dades fixas, ou homogêneas em cada inclusive de reflexões sobre fotografia sujeito; são identidades moventes, que se arroladas por profissionais da área, em contrapõem, produzidas por discursos. seus diversos campos de atuação, com Esses breves apontamentos reflexões próprias aos estudos linguísticos indicam a proficuidade do objeto fotogra- e discursivos, leva-nos a tomar a fotografia para análises de discurso; mesmo fia como possível narrativa visual e, conporque, em consonância com profissio- sequentemente, como materialidade de nais da fotografia (Cf. SONTAG, 2004), discursos. FOUCAULT, Michel. As Palavras e as imagens. In: MOTTA, Manoel Barros (Org.) Estética: literatura e pintura, música e cinema. Trad. Inês Autran Dourado Barbosa. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2000. p. 78-81. (Ditos e Escritos, III). SONTAG, Susan. Sobre Fotografia. Trad. Rubens Figueiredo. São Paulo: Companhia das Letras, 2004. vemos que ela porta e conta uma histó- Página 7 O Corpo Renato Lima é graduado em Pintura pela Escola de Belas Artes - UFRJ. Para saber mais sobre o autor e suas produções, acesse também o site Pockets - Histórias de Bolso ou a página de Facebook Pocketscomics. Página 8 O Corpo adaptação da obra literária de mesmo “Não há verdade verdadeira que não seja subjetivada, isto é apropriada” (Soren Kierkigaard) nome. Em que a narrativa fílmica em questão conta a história de uma jovem Isabella Swan que é levada a viver na cidade de Forks com seu pai, atual xerife da cidade, O presente trabalho tem como onde conhece e se apaixona por Edward, objetivo pensar a construção de um su- um colega de escola bem estranho que jeito espectador de cinema, e como o vive na cidade com sua família. No desen- mesmo é subjetivado a padrões social- rolar da trama, Bella descobre que seu mente impostos por meio de uma trama apaixonado e sua família se tratam de midiática que o emerge em uma constru- vampiros. E com esta descoberta, a nar- ção histórico-social que determina como rativa é transportada para o interior do os vampiros devem ser vistos nos dias de universo fantástico de criaturas místicas do sujeito. Para isso, precisamos enten- hoje, devido uma construção de conduta como Vampiros e Lobisomens que convi- der o que é sujeito e o que é subjetivação que exemplifica o que é certo ou errado vem pacificamente ao lado de humanos e para poder diferenciar tais noções que na sociedade atual. até protegendo-os. Bella se encontra en- apesar de distintas são muito próximas Para tanto tomarei como exem- volta neste universo de fantasia de amor causando em certos momentos uma con- plificação a saga “Crepúsculo” (2008) que a faz desejar ser transformada em fusão. Utilizo o livro de Judith Revel, dirigido por Catherine Hardwick, que teve vampira para que possa viver eternamente “Foucault Conceitos Essenciais” (2005) a segunda maior bilheteria de um filme de ao lado de seu amado Edward. onde a autora traz uma distinção entre os conceitos. Para a autora sujeito é “um vampiro da história perdendo apenas para “Lua Nova” que a continuação da sua saga mostrando desta maneira a importância e influencia desenvolvida na sociedade principalmente nos jovens da atualidade. O filme citado trata-se de uma Página 9 SUJEITO/SUBJETIVIDADE Para poder pensar a construção encadeada no interior da narrativa fílmica é preciso definir algumas noções que a constroem como um meio de subjetivação objeto historicamente constituído sobre a base de determinações que lhe são exteriores” (REVEL, 2005, p. 84). Tendo em vista, que pensamos em um sujeito discursivo e não em um sujeito pragmático. Desta forma, penso o sujeito como algo O Corpo que é imbricado por meio de relações consciência interior do sujeito e determina Não poderia responder esta histórico-sociais, ou seja, um ser vivo, quem ele realmente é na relação estabele- pergunta com outra construção imagéti- que se relaciona com outros e com a cida com o outro. É nesta relação que se ca, se não a de um ser pálido, de unhas sociedade a sua volta, que fala, que tra- dá a compreensão de si mesmo. Desta grandes, que ressurge dos mortos, se balha, sendo por meio destas relações maneira, a subjetividade não dá conta do alimenta de sangue e, por isso, é temido, que se dá a subjetivação do sujeito, en- eu, ela precisa se converter em um nós um ser que espalhava medo por onde para poder se estabelecer, logo, penso passava. Assim sendo, temos uma cons- como é colocado por Milanez: trução social que determina que o vampiro deva ser uma imagem de medo, de uma A pergunta sob a qual trabalhamos é a retomada kantiana do questionamento foucaultiano ‘Quem somos nós?(MILANEZ. 2013, s/p). Para pensar em uma resposta para esta pergunta trago a narrativa fílmitendendo por subjetivação a ideia de: “Compreender as modalidades de uma relação consigo, que envolve a realização ca já citada que traz a construção de um nós por meio do universo fantástico dos vampiros maldição. Tal construção se difunde por muito tempo no imaginário do espectador. No entanto vemos emergir em 2008 uma nova construção social, ou seja, em termos foucaultianos, uma nova condição de possibilidade que nos é apresentada para a figura do vampiro que agora não mais como a representação do mal e sim temos um vampiro bom, que não bebe san- de uma prática continua de procedimen- QUEM SOMOS NÓS? gue humano e que ao contrario defende tos de escrita de si e para si, isto é, um Como já dito, para pensar como os humanos. De tal forma, me leva um procedimento de subjetivação” (REVEL, se dá a construção histórico-social de questionamento: que condições de possi- 2005. P.83). Destarte, Auruox (1998), “quem somos nós” trago a narrativa fílmi- bilidade faz com que se modifiquem as concorda com Revel quando traz que a ca “O Crepúsculo” (2008) para observar características transcritas para um vam- “subjetividade designa a consciência inte- por meio da mesma que construção de piro? Se pararmos para pensar a cons- rior de si. Somente o sujeito tem a esta sujeito vampiro nos é apresentada nos interioridade, em oposição à objetividade dias de hoje, e quais posições são reafirdo mundo externo que pensamos ser madas no interior de nossa sociedade por acessível a todos” (AURUOX, 1998, p. 253) meio desta produção cinematográfica. Assim, entendo que o processo Para tanto, não posso deixar de fazer uma de subjetividade se da na relação entre retomada histórica em torno da imagem sociedade e sujeito que, segundo Auruox construída para o vampiro. Desse modo, (1998), pensando em uma noção heidege- pergunto: que imagem era construída para riana, diz que a subjetividade está na o “Nosferatu” em 1922? Página 10 trução social em que estamos inseridos, descobriremos que não pode ser outra O Corpo dade coletiva que é evidenciada por meio de sua bilheteria, quando falamos do filme de segunda maior bilheteria entre os filmes de vampiro perdendo apenas para sua continuação, o que reafirma um discurso de aprovação pelo espectador que se identifica com os sujeitos ali apresentados e concorda com o discurso que circula imbricado no interior da narrativa fílmica, pois para que haja uma subjetivação do sujeito é preciso que o mesmo senão a disciplinarização dos corpos que Desta maneira, temos uma subje- transgrida as regras para ele estabeleci- determinam como se deve ser: alto, boni- tivação do sujeito espectador que coloca o das por meio de um jogo de saber/poder to, magro e jovem. Desta maneira, é que vampiro não mais na posição de um ser que determina que tipo fisionômico deva vejo representada nesta modificação da repugnante, mas agora no lugar de um constituir a sociedade. Assim, quem não imagem do vampiro uma subjetivação do sujeito desejado, colocado na trama como se enquadra neste perfil transgrede as espectador, que não espera vê algo dife- herói por poder transmitir algo que move o leis sociais que, segundo Foucault (2006), rente do que lhe é imposto socialmente. desejo de toda uma sociedade que está a todas as vezes que a uma transgressão É desta forma que o casal prin- busca da beleza e juventude eterna. Estes cipal da trama é representado. Bella, que aspectos são determinantes no que pode e em relação a uma lei a também uma coer- é interpretada por uma jovem branca, o que não pode ser aceito perante uma magra, de cabelos pretos levemente on- sociedade que assim perde sua alteridade. todas as vezes que um sujeito não se en- dulados, olhos escuros, de estatura medi- nados, isto é, magro, bonito e jovem, ele é ana, e o Edward, que não foge também a este padrão, é representado por um rapaz alto, branco, magro de cabelos castanhos. Assim vemos representado um padrão de beleza que diz para sociedade o que pode e deve ser permitido para a construção de um corpo perfeito, criando assim a idealização de como devemos ser. Página 11 [...] No ponto em que nos encontramos, a definição provisória mais englobante que eu proporiada subjetividade é: o conjunto das condições que torna possível que instancias individuais e/ou coletivas estejam em posição de emergir como território existencial auto-referêncial, em adjacência ou em relação de delimitação com uma alteridade ela mesma subjetiva. (GATTARI. 1992, p.15-16). Desta forma, vejo uma subjetivi- ção que leva novamente a norma. Assim, quadra aos padrões corpóreos determiexcluído, considerado uma anormalidade ou um mostro, que, segundo Foucault (2010), afirma o que rompe com certos padrões estabelecidos socialmente. Então, quando os sujeitos sociais se subjetivam, ou seja, rompem com uma ordem estabelecida por uma posição determinada socialmente que diz quem somos, temos assim uma construção de um monstro social que se evidencia por meio de uma goO Corpo vernamentabilidade de si, isto é, um ge- determinado por uma sociedade. Além ções. Este se estabelece como um sujeito renciamento de si mesmo. pensante que tem condições de escolher disso, o que era considerado como um Desta maneira, Guattari (1992) carma, algo terrível de ser carregado e nos fala de uma tendência de homogenei- era a vida eterna, transforma-se em algo que fisiologia corporal quer deter. zação por meio da midiatização de este- desejado por todo este desejo que fica reótipos trazida por ele com o conceito representado na fala de Bella no fim da REFERÊNCIAS de “mass-midialização” que trata do em- narrativa quando a mesma pede que ele a burrecimento da população criando as- transforme para que os dois possam viver sim uma homogeneização de seres que eternamente, lindos, jovens e felizes para reproduzem padrões pré-determinados e sempre. que se subjetivam no sentido que não Deste modo, quem não se enqua- AUROUX, Sylvain. A Filosofia da Linguagem. Editora da UNICAMP. Campinas 1998. GATTARI, Felix, Caosmose; um novo paradigma estético. São Paulo: Editora 34, 1992. P.11-44. compreendem a si mesmo e nem se en- FOUCAULT, Michel. Prefácio à Transgres- xergam em relação ao outro e apenas são. In: Ditos e Escritos III – Estética: reproduzem um padrão determinado, ou Literatura e pintura, música e cinema. Rio seja, uma busca incessante pela beleza e de Janeiro: Forense Universidade, 2006, juventude eterna que é apresentada por p.28-46. meio da mídia e evidenciada através de FOUCAULT, Michel. Os anormais. Curso no uma crescente busca pelas academias e Collège de France (1974-1975). Trad. Edu- cirurgias plásticas no interior da socie- ardo Brandão. 2ºed.São Paulo: Martins dade. Fontes, 2010. MILANEZ, Nilton. A Dessubjetividade de CONSIDERAÇÕES FINAIS Assim verificamos uma subjetivação dos sujeitos por meio de uma materialidade fílmica que determina o que deve e pode ser feito em relação a sua corporaridade, e que se evidencia quando verificamos uma modificação históricocultural da imagem do vampiro, que antes era caracterizado por um ser repugnante e agora é apresentado como um herói quando traz consigo um padrão de beleza Página 12 Dolores. Escrita de discursos e misérias dra aos padrões de beleza estabelecidos do corpo no espaço. In: JÙNIOR, Antônio por uma norma social que determina o que Fernandes; KHALIL, Marisa Martins Gama é ser saudável e ser magro é colocado (orgs.). Linguagem . Estudos e Pesqui- como um mostro com vários problemas de sas. Vol.17, nº2. Editora Catalão, Goiás: saúde, e fora de um padrão de beleza. A Departamentos de Letras/ UFG/CAC, ruptura com este padrão de beleza deter- dez/2013 (no prelo). mina uma subjetividade e um governo de si que podem determinar praticas de conhecimento si mesmo, corpórea que determina um sujeito que se conhece a si mesmo por meio dos outros e por meio das rela- REVEL, Judith. Foucault Conceitos Essenciais. Trad. Maria do Rosario Gregilin, Nilton Milanez, Carlos Piovesani. Ed. Clara Luz. São Carlos.2005. O Corpo Bocoió é um livro de poesia de Alexandre Filordi. Divide- GUACHO se em quatro partes: Desnorteios, Sangas sentimentais, É aparente o caos instalado Coisidades da natureza e Vária pastagem, convidando o no ninho do guacho, leitor a deslocar a sua experiência com as coisas, os em cada distorção de graveto um propósito silencioso flui sentimentos, consigo mesmo e, sobretudo, com o modo e no todo converge a beleza. de vida absorvido pelas repetições do dia a dia. O livro As pontas sobradas investem afora pode ser adquirido pelo site da Editora Patuá: para ignorar o homogêneo, www.editorapatua.com.br. A seguir, estão alguns dos po- o real incide é no de dentro, emas que compõem a obra Bocoió. no não visto e ao que se furta ao olhar ajuizado. E não seria tão bom se as gentes PARTIR se vissem assim, Quando eu partir não me frangalhe no não ver do importante? em milhões de fragmentos por piedade: ele era isso, ou aquilo, aquiloutro, aquilatado, É o que eu guacho. e toda eteceteração adjunta aos remorsos. LUCIDEZ Quando eu partir apenas aceite Um dia a lucidez chega, o absurdo da impermanência. e dá-se conta de que o jambeiro é empenado porque procura a luz, A partida é a recusa do torpor dessa existência, e não por determinação interna apenas; é quando vencemos o consentimento estabelecido, apropria-se da constatação de que ninguém passa pelo buraco da agulha, é surfar na onda que dará nas pedras afiadas, e insistência assim parecida é burrice para além de uma encarnação; é o fiel da balança do quanto que se vale, aprende-se a colher a temporalidade ignorando o tic-tac, não sei o porquê, mas é. pois tem coisas que brotam quando menos se quer e se espera; Mas quando eu partir, passa-se a praticar a função zelosa das mãos e dos braços – que eu também me aceite, a de carinhar e a de abraçar; e afirme que, claro está, decora-se o bê a bá de que o apego no fato já feito desde o parto, é bigorna amarrada nos pés das franjas do futuro; estou a partir. e, talvez, num fim sem fim, Quem não está? adquire-se a decência de não se ter mais razões no fazer, no querer, no agir, no ter, no respirar e em tudo mais. Página 13 O Corpo Ao clicar na imagem do vídeo a baixo, você poderá assistir no Youtube o documentário "Foucault na Bahia: a liberdade nunca é demais", que relata a presença de Michel em Salvador na Faculdade de Filosofia da Universidade Federal da Bahia em 1976, no período da ditadura no Brasil. Professores e pesquisadores falam de sua experiência sobre a estada de Foucault em Salvador e sobre seu trabalho. Apresentam-se ali documentos assinados por Michel Foucault, além do destaque à mídia impressa sobre as discussões e conferências do filósofo. Esse percurso de Foucault na Bahia é o primeiro registro audiovisual sobre o assunto no Brasil e foi apresentado publicamente pela primeira vez no Colóquio “30 anos com Foucault: Corpo e Heterotopias”, realizado em dezembro de 2014 na UESB pelo Laboratório de Estudos do Discurso e do Corpo. Página 14 O Corpo INTRODUÇÃO Em 2014, o Brasil sediou a Copa do Mundo de Futebol. Por se tratar do rá uma retomada dos conceitos de semió- verbal e que tem como objeto a língua, a tica em Pierce (2008) e Santaella (1987; semiótica estuda a linguagem enquanto: 2005) e, em seguida, a análise. (i) formas sociais de comunicação e expressão; (ii) sistema sócio histórico de evento máximo do referido esporte, celebrado em sua “terra natal” – tais são as representações veiculadas –, houve uma 3. SEMIÓTICA PIERCIANA representação de mundo e (iii) sistema de produção de sentidos. Um dos pressupos- Em 1918, Ferdinand de Saussure tos da base teórica é que o simbólico é (2012), no curso de Linguística Geral, esta- constitutivo do homem, tomado como um beleceu que língua é um sistema de signos ser social que naturalmente busca signifi- convencionais que apresenta uma relação car experiências – ou fenômenos. Desse biunívoca com a realidade, em termos de modo, o objeto da semiótica é o “[...] exa- significado e significante. Desde a pers- me dos modos de constituição de todo e Se uma determinada campanha pectiva estruturalista de linguagem até as qualquer fenômeno de produção de signi- midiática presta-se a vender um produto, abordagens pragmáticas mais recentes, ficação e sentido” (SANTAELLA, 1987, p.13). deve fazê-lo engendrando signos que discute-se como se dá a percepção da reforcem ou neguem determinados este- Pierce desenvolveu tal dispositi- realidade, mediada por sistemas simbóli- reótipos, nesse caso “nacionais”, dado vo de indagação a partir de uma profunda cos, que não se restringem, dependendo do que a “caipinha” é a bebida típica do Bra- reflexão sobre lógica e epistemologia no recorte epistemológico, ao verbal. Nesse sil, reconhecida internacionalmente. campo das ciências humanas, principal- ínterim, nos Estados Unidos da América, mente em Kant. Segundo Santaella (1987; Tomando por corpus um folder Charles Sanders Pierce (2008) concebeu a 2005), o estudioso postulou que há três distribuído aos comerciantes para divul- semiótica (do grego semion, signo), como tipos gação do produto, o objetivo do estudo é uma teoria fenomenológica para compre- (basicamente observativa), a filosofia desenvolver uma análise semiótica tendo ensão de todo e qualquer processo signifi- (positiva) e a ideoscopia (requer instru- por base a relação pierciana de signo- cativo que possa ser logicamente estrutu- mentos e métodos para confirmação de objeto, que prevê ícones, índices e símbo- rada em termos de linguagem. hipóteses). A arquitetura filosófica de retomada de diversos signos na mídia que reforçam certa identidade de “brasilidade”. Um desses casos foi o lançamento do preservativo de caipirinha, da linha “Cores e Sabores” da Prudence. de ciência: a matemática los como critérios classificatórios e re- Diferentemente da linguística Pierce (2008) segmenta, ainda, no âmbito flexivos. Em um primeiro momento, have- saussuriana, que se interessa pelo signo da fenomenologia, a lógica da metafísica. Página 15 O Corpo Das chamadas ciências normativas deri- cia cotidiana ou, ainda, à factualidade do mentos analíticos partem da seguinte vam a Estética, a Ética e a Lógica (ou existir. Já a terceiridade contempla a sín- peça publicitária, o corpus do estudo: semiótica). tese intelectual de apreensão do fenômeno Em sua tentativa de compreen- - é o pensamento sobre os signos através der fenômenos como linguagem (ou seja, dos quais representamos e, assim, inter- qualquer coisa presente à mente), Pierce pretamos o mundo: delimitou categorias universais presentes em toda experiência e pensamento. Há três principais segundo Santaella (1987; 2005), (i) Qualidade, (ii) Relação/ Reação e (iii) Representação/ Mediação. Essas categorias, em relação à apreensão do interpretante, correspondem aos Um signo, ou representâmen, é aquilo que, sob certo aspecto ou modo, representa algo para alguém. Dirige-se a alguém, isto é, cria na mente dessa pessoa, um signo equivalente, ou talvez um signo mais desenvolvido. Ao signo assim criado denomino interpretante do primeiro signo. Representa esse objeto não em todos os seus aspectos, mas com referência a um tipo de ideia que eu, por vezes, denominei de fundamento do representâmen. (PIERCE, 2008, p.46). FIGURA 1. CAMPANHA PRUDENCE CAIPIRINHA FONTE: PRUDENCE. Disponível em: < http:// www.useprudence.com.br/ >. Acesso em 10 ago. 2014. conceitos de Primeiridade, Secundidade e Terceiridade. Dito de outro modo, Pierce elaborou uma teoria de leitura de base lógica ancorada na fenomenologia suficientemente abrangente para abarcar modos de compreensão sobre qualquer que seja o objeto, uma vez que tudo que está presente à mente pode vir ser a ser um signo – desde um cheiro ou uma cor até O conceito de signo, de maneira simplória, é uma coisa que substitui outra coisa e provoca um efeito interpretativo. Isso quer dizer que não aprendemos o real em si, mas a tradução desse real permeada pela linguagem e que retorna sob a forma de signo. Desse modo, entre a realidade e o homem existe uma crosta sígnica, que é o espaço do (efeito de) sentido. manifestações mais elaboradas da expressão humana como obras de arte. 4. ANÁLISE Dependendo da maneira como o signo se refere ao seu objeto, há classificações através das quais podemos apreendê-lo. Santaella (2005) utiliza três verbos para explicar tais relações: sugere, indica e representa. Quando o signo sugere o seu objeto, trata-se de um ícone, isto é, um signo que se traduz como uma simples possibilidade ou impressão sobre algo. Já o índice é um signo que funciona relacionado diretamente à coisa a Pierce estabeleceu uma metodo- qual faz referência. Parafraseando Santa- deriva das três categorias explicitadas logia específica para aplicação da teoria, ella (1987), rastros, pegadas, resíduos são brevemente a seguir: a primeiridade é a que leva em consideração três elementos: todos índices de que alguém passou e impressão inicial, a “qualidade” do signo, o objeto, o signo e o interpretante, postos deixou marcas; nesse sentido pode-se geralmente expressa na forma de meros em, pelo menos, três relações diferentes: o afirmar que o índice é o real, concreto e sentimentos e emoções. A secundidade signo com ele mesmo; o signo com o objeto singular. O índice é o tipo de signo que A sistematização da disciplina refere-se ao mundo pensável da existên- Página 16 e o signo com o interpretante. Os movi- indica seu objeto. O Corpo Por sua vez o símbolo não é sexo oral. uma coisa singular, mas um tipo. O exem- Segundo Santaella (2005), a plo de Santaella (1987) é a palavra mu- lógica da linguagem publicitária é bruta- lher que, dependendo do emprego, não lista: ou vende o produto (que pode ser remete uma pessoa em especial, mas a até mesmo uma ideia), ou ele perecerá. uma representação altamente ideológica relativa a um determinado entorno social e cultural historicamente datado. O símbolo é o tipo de signo representa que seu objeto. Na peça publicitária, divulgada durante a época da Copa do Mundo de Futebol, em 2014, percebe-se clara referência a elementos simbólicos característicos de um ideal de “brasilidade”. Ademais das cores, a escolha do drink “caipirinha” é uma metonímia de nossa pátria no sentido de que a representa (inter)nacionalmente. FIGURA 2. DETALHE 1 FONTE: PRUDENCE. Disponível em: < http://www.useprudence.com.br/ >. Acesso em 10 ago. 2014. Em certo sentido, o próprio limão, que apresenta a sensação gustativa de acidez vai ao encontro da noção de sexo fora do normal, como se o produto prometesse um fetiche, posto, inclusive, a estra- Lançar uma nova apresentação de preservativo no mercado, assim, implica em uma análise pormenorizada de públicoalvo, do contexto de produção, da previsibilidade de respostas que, em seguida, serão utilizadas por profissionais da área de comunicação visual e marketing para compor uma peça. nheza que causa pensar em um preserva- O movimento da análise semióti- tivo, em primeiro lugar, com sabor e, em ca tem por objetivo desautomatizar esse segundo lugar, com sabor caipirinha. Outro processo de produção de signos que tra- dado que reforça essa leitura é o outro zem à tona representações permeadas de ícone do canudo dentro da embalagem do identidades e de estereótipos. Esse é o preservativo (Figura 3): caso da camisinha de caipirinha, que cha- O enunciado “Chegou mais uma ma atenção por sua estranheza e por novidade com o sabor e a proteção que o “dialogar” com o ideal de “brasilidade”. Brasil já conhece” evoca a questão do REFERÊNCIAS sabor, relacionada diretamente à ideia de SANTAELLA, Lucia. Semiótica Aplicada. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2005. gozo sexual, intrínseca ao objeto comercializado (um preservativo). A explosão, como um ícone, que sugere algo por relações de semelhança, FIGURA 3. DETALHE 2 FONTE: PRUDENCE. Disponível em: < http://www.useprudence.com.br/ >. Acesso em 10 ago. 2014. atua na peça publicitária como uma possível referência à ejaculação, prontamente contida pela barreira que é a embalagem do preservativo (Figura 2): Na condição de sugerir, própria do signo icônico, o canudo, elemento que serve para sucção da bebida no interior de um recipiente pequeno (geralmente um ________. O que é semiótica. 1ª ed. São Paulo: Brasiliense, 1987. (Coleção Primeiros Passos; 103). PIERCE, Charles Sanders. Semiótica. Trad. José Teixeira Coelho Neto. 4ª ed. São Paulo: Perspectiva, 2008. (Estudos; 46). SAUSSURE, Ferdinand de. Curso de Linguística Geral. Trad. Antônio Chelini (org.). 34ª ed. São Paulo: Cultrix, 2012. copo), alude implicitamente à prática do Página 17 O Corpo Dica de O Corpo Leitura do HQ “Pretérito Mais Que Perfeito”, dirigido por Andrei Miralha, Petrônio Medeiros e Otoniel Oliveira Que histórias um lugar pode testemunhar durante anos, décadas, séculos de observação silenciosa de pessoas que por ele passam e compartilham, mesmo que por breves momentos, uma parte de sua vida? Pretérito Mais Que Perfeito é uma experiência gráfico-narrativa em que um banco da Praça da República em Belém, é retratado em várias temporalidades. Uma viagem, tanto por vários estilos de desenho dos quadrinhos, quanto pela história recente do Brasil, num passado, presente e futuro inexoralvelmente interligados. Leitura do livro “O Corpo Utópico, As Heterotopias”, escrito por Michel Foucault Um outro tom de Foucault. Um outro Foucault. Mais confessional e mais próximo da literatura. O CORPO UTÓPICO, AS HETEROTOPIAS reúne duas conferências de 1966, que permaneciam inéditas até recentemente, seguidas de um posfácio assinado por Daniel Defert. “O corpo utópico” e “As heterotopias” são duas conferências radiofônicas, proferidas por Michel Foucault, nos dias 7 e 21 de dezembro de 1966, no France-Culture. Estas conferências foram objeto de uma edição em áudio com o título de “Utopias e heterotopias” (INA-Mémoires vives, 2004). Colaboradores O Corpo é Discurso é o primeiro jornal eletrônico de popularização científica da Bahia. Popularização da Ciência A pesquisa científica gera conhecimentos, tecnologias e inovações que beneficiam toda a sociedade. No entanto, muitas pessoas não conseguem compreender a linguagem utilizada pelos pesquisadores. Neste contexto, a grande mídia e as novas tecnologias de comunicação cumprem o papel de facilitadores do acesso ao conhecimento científico. Para contribuir com esse processo, em sintonia com o espírito que anima o Comitê de Assessoramento de Divulgação Científica do CNPq, criamos esta seção no portal do CNPq. Seja bem-vindo ao nosso espaço de popularização da ciência e aproveite para conhecer as pesquisas dos cientistas brasileiros e os benefícios provenientes do desenvolvimento científico-tecnológico.