O Corpo
ISSN: 2236-8221
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04.08.2013
ISSN: 2236-8221
Jornal de popularização científica
Edição n. 44, Maio de 2015
[email protected]
Vitória da Conquista, Bahia.
http://www.marcadefantasia.com/o-corpo-e-discurso.htm
EXPEDIENTE DE O CORPO
Editores
George Lima
Nilton Milanez
Organizador
O corpo é discurso
Nilton Milanez
Nesta edição, O Corpo é discurso apresenta o Grupo de Estudos do Discurso da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte – UERN, coordenado pelo Prof. Dr. Francisco Paulo da Silva. Além disso, o Corpo traz um artigo de Cleudemar Alves Fernandes, pela Universidade Federal de Uberlândia, um artigo de Jamille da Silva Santos, pela Universidade
Estadual do Sudoete da Bahia, e um artigo de Rafael de Souza Bento Fernandes, pela Universidade Estadual de Maringá. Ainda, o Corpo traz alguns poemas que compõem o livro
“Bocoió” do Prof. Alexandre Filordi. O Corpo é Discurso traz também um Pocket Comix por
Renato Lima e notícias ligadas ao universo acadêmico e da Análise do Discurso, no Brasil.
George Lima
Revisão
Ricardo Andrade Amaral
Jamille da Silva Santos
Editoração eletrônica
(MARCA DE FANTASIA)
Henrique Magalhães
CONSELHO EDITORIAL
Dr. Elmo José dos Santos
(UFBA)
Dra. Flávia Zanutto
(UEM)
Dra. Ivânia Neves
(UFPA)
Dra. Ivone Tavares Lucena
(UFPB)
Dra. Mônica da Silva Cruz
(UFMA)
Dr. Nilton Milanez
(UESB)
Dra. Simone Hashiguti
(UFU))
Acesse o site do Labedisco: www2.uesb.br/labedisco
Surgido em 2007, o GEDUERN,
cessos de produção identitária e de modos alidade. Na segunda linha, Memória, Dis-
Grupo de Estudos do Discurso da Univer-
de subjetivação na contemporaneidade tem curso e Interpretação, as descrições se
sidade do Estado do Rio Grande do Norte
como objetivo descrever e interpretar
voltam para a relação entre discurso e
– UERN, é coordenado pelo Prof. Dr. Fran-
memória na constituição, circulação e
cisco Paulo da Silva e congrega docentes
produção de efeitos de sentido em mate-
e discentes do curso de Letras e de ou-
rialidades discursivas em contextos insti-
tras áreas afins, da UERN e de outras
tucionais múltiplos: político, midiático,
instituições, pesquisadores em níveis de
graduação e de pós-graduação com interesse em problematizar a centralidade
das práticas discursivas na atualidade.
As pesquisas desenvolvidas
pelos membros do grupo se inserem nos
deslocamentos teóricos e metodológicos
da análise do discurso francesa, naquilo
“Em nossos trabalhos,
partimos do pressuposto
que os enunciados verbais e não verbais constitutivos das discursividades contemporâneas atuam decisivamente para a
estabilização de certos
saberes, ideias, mitos e
representações em nossa
cultura, e inversamente”
urbano, literário, escolar, jurídico e religioso. Em nossos trabalhos, partimos do
pressuposto que os enunciados verbais e
não verbais constitutivos das discursividades contemporâneas atuam decisivamente para a estabilização de certos saberes, ideias, mitos e representações em
nossa cultura, e inversamente, pois é por
que podemos chamar de uma virada his-
meio dos discursos que certos consensos
tórico semiológica que vem marcando
socais são desestabilizados e entram em
atualmente a prática de diversos grupos
crise. Ademais, acreditamos que tais prá-
de estudos discursivos no Brasil, a exem-
processos identitários e modos de subjeti-
ticas de significação, no seu funcionamen-
plo do GEADA, do LABOR, do GRUDIOCOR-
vação na atualidade, observando tais pro-
to histórico e semiológico, estão estreita-
PO, do LEDIF, do GEF, para citar alguns,
cessos de produção na relação entre o
mente vinculadas às correlações de força
fundamentados sobretudo no pensamento
discurso e as relações de saber e poder.
existentes na sociedade, razão pela qual
de Michel Foucault e nas repercussões de
Com esse objetivo, a linha de pesquisa
as pesquisas do grupo se voltam para o
sua obra na teoria do discurso inicial-
volta-se para a análise das identidades
funcionamento de diferentes manifesta-
mente formulada por Michel Pêcheux.
como efeitos de sentido e para a subjetiva-
ções discursivas e para os processos de
Nesse viés, o grupo atua em duas linhas
ção como processo de constituição ética,
constituição subjetiva na atualidade, como
de pesquisa. A primeira, Estudo dos pro-
em diferentes práticas discursivas na atu-
forma de problematizar a inscrição e a
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O Corpo
crições, publicações e atividades realizadas, o CONLID tem congregado pesquisadores de diversas áreas das ciências
sociais e humanas que se interessam pelo
funcionamento da linguagem, em uma
perspectiva discursiva, cujos trabalhos
repercutam a dimensão da subjetividade,
do social e do histórico na descrição e na
problematização de práticas discursivas
em nossa atualidade.
materialização das relações de saber e Grupo de Pesquisa em Linguística e Literapoder que suturam o tecido social.
Para mais informações do gru-
tura (GPELL), o Grupo de Estudos em Tra-
po, tais como membros, projetos e publi-
Com foco nestas e noutras dução (GET), o Departamento de Letras
cações, visitem a página do grupo no dire-
questões o GEDUERN realiza desde 2008 Vernáculas (DLV), o Departamento de Le-
tório dos grupos de pesquisa no CNPq:
o CONLID, Colóquio Nacional de Lingua- tras Estrangeiras (DLE) e o Departamento
gem e Discurso, sediado no Campus Cen- de Arte (DART), da Faculdade de Letras e
tral da UERN, na cidade de Mossoró, Artes (FALA) da Universidade do Estado do
Clique Aqui!
evento que irá para a sua quarta edição. Rio Grande do Norte (UERN). Com números
O evento é realizado em parceria com o bastante expressivos, em termos de ins-
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O Corpo
IV Simpósio Nacional de Letras e Linguística e III Simpósio Internacional de Letras e Linguística
O Simpósio Nacional de Letras e Linguística e Simpósio Internacional de Let
ras e Linguística traz em sua quarta edição o tema
"Linguagem, Literatura e Ensino: desafios e possibilidades".
O evento será realizado na Regional Catalão da Universidade Federal
de Goiás, nos dias 25 a 28 de agosto de 2015 e receberá propostas de Grupos de Trabalhos (GT’s) e Mesas-redondas, dentro da temática proposta.
Contaremos, ainda, com várias atividades específicas como, conferências,
minicursos e atividades culturais.
Para saber mais a respeito do IV SINALEL Clique Aqui!
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O Corpo
Em nosso percurso acadêmico,
nossas pesquisas em Análise do Discur-
além de ocupar campos afetivos em suas
de palavras. As pinturas integram a cultu-
variabilidades de alcance.
ra, com a qual se mantêm em diálogo, e
so, até mesmo por procurarmos acompa-
Tendo como centro a enunciação
trazem elementos próprios ao funciona-
nhar o desenrolar histórico dessa disci-
e tomando a imagem como objeto sobre o
mento discursivo histórico e socialmente
plina, nos colocou diante da fotografia
qual voltamos nosso olhar, revisitamos, em
produzido e modificado.
como uma materialidade discursiva. Esse
As Palavras e as Coisas, as reflexões que
No que concerne aos estudos em
objeto, para o qual apenas iniciamos nos-
Michel Foucault desenvolve acerca do qua-
Análise do Discurso, essa disciplina, quan-
sas observações teórico-analíticas, leva-
dro “As Meninas”, de Velásquez, quando
do de suas primeiras proposições, teve
nos a recorrer a estudos de três domí-
mostra que nesse quadro materializa-se
como objeto exclusivamente o discurso
nios do saber: estudos sobre fotografia, a
algo de natureza discursiva. Trata-se da
político; logo, em seu desenvolvimento, o
Semiologia e Análise do Discurso propria-
noção de representação colocada em tela,
objeto foi ampliado visando a abranger os
mente. O que buscamos em cada um de-
que rompe com a ideia de similitude, com a
discursos cotidianos. O desenvolvimento
les converge para o campo da enuncia-
semelhança com o objeto representado. O
desse campo disciplinar é ininterrupto, e,
ção, posto que, ao apreender a fotografia
que está em cena nessa pintura é uma
como objeto de linguagem, somos insta-
representação de natureza conceitual;
dos a vislumbrá-la no exercício da função
assim, representa-se o próprio conceito
enunciativa. Das diferentes recorrências
de representação, como sustenta Michel
teóricas, entrevemos dado funcionamen-
Foucault com a análise empreendida.
to da fotografia como objeto sócio e historicamente produzido em relação a posicionamentos de sujeitos, cuja função
enunciativa a expõe como um objeto caracterizado por hibridismo. Isto, porque a
fotografia pode ser tomada como elemento identitário, documento, objeto de
comprovação investigatória, de testemunho, registro histórico, arte, souvenir,
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No ano seguinte ao da publicação
dessa obra, Foucault escreve um rápido
texto intitulado As palavras e as imagens, e
“Ao apreender a fotografia como objeto de
linguagem, somos
instados a vislumbrála no exercício da
função enunciativa”
nele aborda a análise “das relações entre
o discurso e o visível”, isto porque em toda
cultura, e em cada uma em particular, há
em se tratando de objetos tomados para
várias formas de linguagem, tudo fala, e o
estudo, procura abarcar todas as formas
discurso pode ser restaurado despojado
de linguagem e compreendê-las como
O Corpo
materialidades de discursos. Por conseguinte, as imagens, de diferentes natureza, são tomadas como linguagem não
verbal que materializam discursos em
funcionamento na história, na sociedade,
na cultura.
A memória das imagens está
posta no cotidiano e integra a cultura dos
sujeitos desde tempos remotos. Temos
imagens produzidas por meio de pinturas,
esculturas, etc., e que podem remontar,
inclusive, a história da arte, com seus tidos e à constituição dos sujeitos.
tornou oportuno o título da imagem, pois
grandes expoentes, mas, sobretudo, evi-
Para ilustração do funcionamento
ela acentua as desigualdades sociais en-
denciam uma semiologia, compreendida da fotografia como materialidade discursi-
tre os sujeitos em tela, e com isso reflete
va, apresentaremos uma foto feita por nós
a condição social dos protagonistas e
mesmo, que, sob o título “Desigualdades”
também dos demais sujeitos.
“A memória das
foi vencedora de um desafio fotográfico
Tomada como materialidade
imagens está posta no cotidiano e
integra a cultura
dos sujeitos desde
tempos remotos”
promovido pela Escola Pública de Fotogra-
discursiva, essa fotografia evoca uma
fia Sit Kong Sang, durante o período de 21 a
memória, uma vez que no sertão da Regi-
27 de fevereiro de 2015.
ão Nordeste do Brasil, se não em toda
Assim como a noção de enunciado proposta por Foucault, a imagem se
inscreve na história, tem um eco, integra
aqui como uma forma de linguagem em
processos de significação por meio dos
quais os sujeitos se manifestam e também se constituem na história. Em termos de metodologia, pensaríamos em um
arquivo de imagens como o que possibilita uma inter-relação dos sujeitos e os
discursos, tanto no que concerne a enunciações quanto ao que se refere aos senPágina 6
uma memória e atesta a produção e o funcionamento de discursos, ao mesmo tempo
em que os materializa. Nesta imagem, os
dois sujeitos centrais transportam objetos
em uma grande embalagem equilibrada na
cabeça, e ainda outros objetos presos nas
costas. Esses sujeitos contrastam com os
banhistas na praia, dos quais se distinguem e se diferenciam. Essa diferença
região, em grandes partes, dadas as precariedades de recursos, os sujeitos
transportam objetos como os da imagem
acima. Trata-se de uma peculiaridade
cultural e uma constituição social, posto
que apenas os sujeitos dessa região tem a
capacidade “natural” para equilibrar objetos na cabeça.
Vislumbramos, assim, uma memória das imagens que possibilita um
funcionamento discursivo nessa materialidade. Contrastam-se posicionamentos de
sujeitos – de um lado turistas na praia, de
O Corpo
outros o sertanejo de lugar afastado do ria. Em outros termos, diríamos que a fo-
REFERÊNCIAS:
litoral – pelas construções identitárias tografia, ao portar uma história, porta
FOUCAULT, Michel. As Palavras e as Coi-
que lhes caracterizam. Essas constru- igualmente posicionamentos de sujeitos
sas. Trad. António Ramos Rosa. Lisboa:
ções identitárias são historicamente socioculturalmente marcados. Esse possí-
Portugália Editora, 1967.
produzidas e marcam diferenças socio- vel encontro da fotografia com o discurso,
culturais. Contudo, não se trata de identi- aquela como materialidade deste, encontro
dades fixas, ou homogêneas em cada inclusive de reflexões sobre fotografia
sujeito; são identidades moventes, que se arroladas por profissionais da área, em
contrapõem, produzidas por discursos.
seus diversos campos de atuação, com
Esses breves apontamentos reflexões próprias aos estudos linguísticos
indicam a proficuidade do objeto fotogra- e discursivos, leva-nos a tomar a fotografia para análises de discurso; mesmo fia como possível narrativa visual e, conporque, em consonância com profissio- sequentemente, como materialidade de
nais da fotografia (Cf. SONTAG, 2004), discursos.
FOUCAULT, Michel. As Palavras e as imagens. In: MOTTA, Manoel Barros (Org.)
Estética: literatura e pintura, música e
cinema. Trad. Inês Autran Dourado Barbosa. Rio de Janeiro: Forense Universitária,
2000. p. 78-81. (Ditos e Escritos, III).
SONTAG, Susan. Sobre Fotografia. Trad.
Rubens Figueiredo. São Paulo: Companhia
das Letras, 2004.
vemos que ela porta e conta uma histó-
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O Corpo
Renato Lima
é graduado em Pintura pela Escola de Belas Artes - UFRJ. Para saber mais sobre o autor e
suas produções, acesse também o site Pockets - Histórias de Bolso ou a página de Facebook Pocketscomics.
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O Corpo
adaptação da obra literária de mesmo
“Não há verdade verdadeira que não seja
subjetivada, isto é apropriada”
(Soren Kierkigaard)
nome. Em que a narrativa fílmica em questão conta a história de uma jovem Isabella
Swan que é levada a viver na cidade de
Forks com seu pai, atual xerife da cidade,
O presente trabalho tem como
onde conhece e se apaixona por Edward,
objetivo pensar a construção de um su-
um colega de escola bem estranho que
jeito espectador de cinema, e como o
vive na cidade com sua família. No desen-
mesmo é subjetivado a padrões social-
rolar da trama, Bella descobre que seu
mente impostos por meio de uma trama
apaixonado e sua família se tratam de
midiática que o emerge em uma constru-
vampiros. E com esta descoberta, a nar-
ção histórico-social que determina como
rativa é transportada para o interior do
os vampiros devem ser vistos nos dias de
universo fantástico de criaturas místicas
do sujeito. Para isso, precisamos enten-
hoje, devido uma construção de conduta
como Vampiros e Lobisomens que convi-
der o que é sujeito e o que é subjetivação
que exemplifica o que é certo ou errado
vem pacificamente ao lado de humanos e
para poder diferenciar tais noções que
na sociedade atual.
até protegendo-os. Bella se encontra en-
apesar de distintas são muito próximas
Para tanto tomarei como exem-
volta neste universo de fantasia de amor
causando em certos momentos uma con-
plificação a saga “Crepúsculo” (2008)
que a faz desejar ser transformada em
fusão. Utilizo o livro de Judith Revel,
dirigido por Catherine Hardwick, que teve
vampira para que possa viver eternamente
“Foucault Conceitos Essenciais” (2005)
a segunda maior bilheteria de um filme de
ao lado de seu amado Edward.
onde a autora traz uma distinção entre os
conceitos. Para a autora sujeito é “um
vampiro da história perdendo apenas
para “Lua Nova” que a continuação da
sua saga mostrando desta maneira a
importância e influencia desenvolvida na
sociedade principalmente nos jovens da
atualidade.
O filme citado trata-se de uma
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SUJEITO/SUBJETIVIDADE
Para poder pensar a construção
encadeada no interior da narrativa fílmica
é preciso definir algumas noções que a
constroem como um meio de subjetivação
objeto historicamente constituído sobre a
base de determinações que lhe são exteriores” (REVEL, 2005, p. 84). Tendo em
vista, que pensamos em um sujeito discursivo e não em um sujeito pragmático.
Desta forma, penso o sujeito como algo
O Corpo
que é imbricado por meio de relações consciência interior do sujeito e determina
Não poderia responder esta
histórico-sociais, ou seja, um ser vivo, quem ele realmente é na relação estabele-
pergunta com outra construção imagéti-
que se relaciona com outros e com a cida com o outro. É nesta relação que se
ca, se não a de um ser pálido, de unhas
sociedade a sua volta, que fala, que tra- dá a compreensão de si mesmo. Desta
grandes, que ressurge dos mortos, se
balha, sendo por meio destas relações maneira, a subjetividade não dá conta do
alimenta de sangue e, por isso, é temido,
que se dá a subjetivação do sujeito, en- eu, ela precisa se converter em um nós
um ser que espalhava medo por onde
para poder se estabelecer, logo, penso
passava. Assim sendo, temos uma cons-
como é colocado por Milanez:
trução social que determina que o vampiro deva ser uma imagem de medo, de uma
A pergunta sob a qual trabalhamos é
a retomada kantiana do questionamento foucaultiano ‘Quem somos
nós?(MILANEZ. 2013, s/p).
Para pensar em uma resposta
para esta pergunta trago a narrativa fílmitendendo por subjetivação a ideia de:
“Compreender as modalidades de uma
relação consigo, que envolve a realização
ca já citada que traz a construção de um
nós por meio do universo fantástico dos
vampiros
maldição. Tal construção se difunde por
muito tempo no imaginário do espectador.
No entanto vemos emergir em 2008 uma
nova construção social, ou seja, em termos foucaultianos, uma nova condição de
possibilidade que nos é apresentada para
a figura do vampiro que agora não mais
como a representação do mal e sim temos um vampiro bom, que não bebe san-
de uma prática continua de procedimen- QUEM SOMOS NÓS?
gue humano e que ao contrario defende
tos de escrita de si e para si, isto é, um
Como já dito, para pensar como
os humanos. De tal forma, me leva um
procedimento de subjetivação” (REVEL, se dá a construção histórico-social de
questionamento: que condições de possi-
2005. P.83). Destarte, Auruox (1998), “quem somos nós” trago a narrativa fílmi-
bilidade faz com que se modifiquem as
concorda com Revel quando traz que a ca “O Crepúsculo” (2008) para observar
características transcritas para um vam-
“subjetividade designa a consciência inte- por meio da mesma que construção de
piro? Se pararmos para pensar a cons-
rior de si. Somente o sujeito tem a esta sujeito vampiro nos é apresentada nos
interioridade, em oposição à objetividade dias de hoje, e quais posições são reafirdo mundo externo que pensamos ser madas no interior de nossa sociedade por
acessível a todos” (AURUOX, 1998, p. 253)
meio desta produção cinematográfica.
Assim, entendo que o processo Para tanto, não posso deixar de fazer uma
de subjetividade se da na relação entre retomada histórica em torno da imagem
sociedade e sujeito que, segundo Auruox construída para o vampiro. Desse modo,
(1998), pensando em uma noção heidege- pergunto: que imagem era construída para
riana, diz que a subjetividade está na o “Nosferatu” em 1922?
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trução social em que estamos inseridos,
descobriremos que não pode ser outra
O Corpo
dade coletiva que é evidenciada por meio
de sua bilheteria, quando falamos do filme
de segunda maior bilheteria entre os filmes de vampiro perdendo apenas para
sua continuação, o que reafirma um discurso de aprovação pelo espectador que
se identifica com os sujeitos ali apresentados e concorda com o discurso que
circula imbricado no interior da narrativa
fílmica, pois para que haja uma subjetivação do sujeito é preciso que o mesmo
senão a disciplinarização dos corpos que
Desta maneira, temos uma subje-
transgrida as regras para ele estabeleci-
determinam como se deve ser: alto, boni- tivação do sujeito espectador que coloca o
das por meio de um jogo de saber/poder
to, magro e jovem. Desta maneira, é que vampiro não mais na posição de um ser
que determina que tipo fisionômico deva
vejo representada nesta modificação da repugnante, mas agora no lugar de um
constituir a sociedade. Assim, quem não
imagem do vampiro uma subjetivação do sujeito desejado, colocado na trama como
se enquadra neste perfil transgrede as
espectador, que não espera vê algo dife- herói por poder transmitir algo que move o
leis sociais que, segundo Foucault (2006),
rente do que lhe é imposto socialmente.
desejo de toda uma sociedade que está a
todas as vezes que a uma transgressão
É desta forma que o casal prin- busca da beleza e juventude eterna. Estes
cipal da trama é representado. Bella, que aspectos são determinantes no que pode e
em relação a uma lei a também uma coer-
é interpretada por uma jovem branca, o que não pode ser aceito perante uma
magra, de cabelos pretos levemente on- sociedade que assim perde sua alteridade.
todas as vezes que um sujeito não se en-
dulados, olhos escuros, de estatura medi-
nados, isto é, magro, bonito e jovem, ele é
ana, e o Edward, que não foge também a
este padrão, é representado por um rapaz alto, branco, magro de cabelos castanhos. Assim vemos representado um
padrão de beleza que diz para sociedade
o que pode e deve ser permitido para a
construção de um corpo perfeito, criando
assim a idealização de como devemos
ser.
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[...] No ponto em que nos encontramos, a definição provisória mais
englobante que eu proporiada subjetividade é: o conjunto das condições
que torna possível que instancias
individuais e/ou coletivas estejam
em posição de emergir como território existencial auto-referêncial,
em adjacência ou em relação de
delimitação com uma alteridade ela
mesma subjetiva. (GATTARI. 1992,
p.15-16).
Desta forma, vejo uma subjetivi-
ção que leva novamente a norma. Assim,
quadra aos padrões corpóreos determiexcluído, considerado uma anormalidade
ou um mostro, que, segundo Foucault
(2010), afirma o que rompe com certos
padrões estabelecidos socialmente. Então,
quando os sujeitos sociais se subjetivam,
ou seja, rompem com uma ordem estabelecida por uma posição determinada socialmente que diz quem somos, temos assim uma construção de um monstro social que se evidencia por meio de uma goO Corpo
vernamentabilidade de si, isto é, um ge- determinado por uma sociedade. Além
ções. Este se estabelece como um sujeito
renciamento de si mesmo.
pensante que tem condições de escolher
disso, o que era considerado como um
Desta maneira, Guattari (1992) carma, algo terrível de ser carregado e
nos fala de uma tendência de homogenei- era a vida eterna, transforma-se em algo
que fisiologia corporal quer deter.
zação por meio da midiatização de este- desejado por todo este desejo que fica
reótipos trazida por ele com o conceito representado na fala de Bella no fim da
REFERÊNCIAS
de “mass-midialização” que trata do em- narrativa quando a mesma pede que ele a
burrecimento da população criando as- transforme para que os dois possam viver
sim uma homogeneização de seres que eternamente, lindos, jovens e felizes para
reproduzem padrões pré-determinados e sempre.
que se subjetivam no sentido que não
Deste modo, quem não se enqua-
AUROUX, Sylvain. A Filosofia da Linguagem. Editora da UNICAMP. Campinas 1998.
GATTARI, Felix, Caosmose; um novo paradigma estético. São Paulo: Editora 34,
1992. P.11-44.
compreendem a si mesmo e nem se en-
FOUCAULT, Michel. Prefácio à Transgres-
xergam em relação ao outro e apenas
são. In: Ditos e Escritos III – Estética:
reproduzem um padrão determinado, ou
Literatura e pintura, música e cinema. Rio
seja, uma busca incessante pela beleza e
de Janeiro: Forense Universidade, 2006,
juventude eterna que é apresentada por
p.28-46.
meio da mídia e evidenciada através de
FOUCAULT, Michel. Os anormais. Curso no
uma crescente busca pelas academias e
Collège de France (1974-1975). Trad. Edu-
cirurgias plásticas no interior da socie-
ardo Brandão. 2ºed.São Paulo: Martins
dade.
Fontes, 2010.
MILANEZ, Nilton. A Dessubjetividade de
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Assim verificamos uma subjetivação dos sujeitos por meio de uma materialidade fílmica que determina o que
deve e pode ser feito em relação a sua
corporaridade, e que se evidencia quando
verificamos uma modificação históricocultural da imagem do vampiro, que antes
era caracterizado por um ser repugnante
e agora é apresentado como um herói
quando traz consigo um padrão de beleza
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Dolores. Escrita de discursos e misérias
dra aos padrões de beleza estabelecidos
do corpo no espaço. In: JÙNIOR, Antônio
por uma norma social que determina o que
Fernandes; KHALIL, Marisa Martins Gama
é ser saudável e ser magro é colocado
(orgs.). Linguagem . Estudos e Pesqui-
como um mostro com vários problemas de
sas. Vol.17, nº2. Editora Catalão, Goiás:
saúde, e fora de um padrão de beleza. A
Departamentos de Letras/ UFG/CAC,
ruptura com este padrão de beleza deter-
dez/2013 (no prelo).
mina uma subjetividade e um governo de si
que podem determinar praticas de conhecimento si mesmo, corpórea que determina um sujeito que se conhece a si mesmo
por meio dos outros e por meio das rela-
REVEL, Judith. Foucault Conceitos Essenciais. Trad. Maria do Rosario Gregilin,
Nilton Milanez, Carlos Piovesani. Ed. Clara
Luz. São Carlos.2005.
O Corpo
Bocoió é um livro de poesia de Alexandre Filordi. Divide- GUACHO
se em quatro partes: Desnorteios, Sangas sentimentais, É aparente o caos instalado
Coisidades da natureza e Vária pastagem, convidando o no ninho do guacho,
leitor a deslocar a sua experiência com as coisas, os em cada distorção de graveto
um propósito silencioso flui
sentimentos, consigo mesmo e, sobretudo, com o modo
e no todo converge a beleza.
de vida absorvido pelas repetições do dia a dia. O livro
As pontas sobradas investem afora
pode ser adquirido pelo site da Editora Patuá: para ignorar o homogêneo,
www.editorapatua.com.br. A seguir, estão alguns dos po- o real incide é no de dentro,
emas que compõem a obra Bocoió.
no não visto
e ao que se furta ao olhar ajuizado.
E não seria tão bom se as gentes
PARTIR
se vissem assim,
Quando eu partir não me frangalhe
no não ver do importante?
em milhões de fragmentos por piedade:
ele era isso, ou aquilo, aquiloutro, aquilatado,
É o que eu guacho.
e toda eteceteração adjunta aos remorsos.
LUCIDEZ
Quando eu partir apenas aceite
Um dia a lucidez chega,
o absurdo da impermanência.
e dá-se conta de que o jambeiro é empenado porque procura a luz,
A partida é a recusa do torpor dessa existência,
e não por determinação interna apenas;
é quando vencemos o consentimento estabelecido,
apropria-se da constatação de que ninguém passa pelo buraco da agulha,
é surfar na onda que dará nas pedras afiadas,
e insistência assim parecida é burrice para além de uma encarnação;
é o fiel da balança do quanto que se vale,
aprende-se a colher a temporalidade ignorando o tic-tac,
não sei o porquê, mas é.
pois tem coisas que brotam quando menos se quer e se espera;
Mas quando eu partir,
passa-se a praticar a função zelosa das mãos e dos braços –
que eu também me aceite,
a de carinhar e a de abraçar;
e afirme que, claro está,
decora-se o bê a bá de que o apego no fato já feito
desde o parto,
é bigorna amarrada nos pés das franjas do futuro;
estou a partir.
e, talvez, num fim sem fim,
Quem não está?
adquire-se a decência de não se ter mais razões no fazer,
no querer, no agir, no ter, no respirar
e em tudo mais.
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O Corpo
Ao clicar na imagem do vídeo a baixo, você poderá assistir no Youtube o
documentário "Foucault na Bahia: a liberdade nunca é demais", que relata a
presença de Michel em Salvador na Faculdade de Filosofia da Universidade Federal da Bahia em 1976, no período da ditadura no Brasil. Professores e pesquisadores falam de sua experiência sobre a estada de Foucault em Salvador e sobre seu trabalho. Apresentam-se ali documentos assinados por Michel Foucault,
além do destaque à mídia impressa sobre as discussões e conferências do filósofo. Esse percurso de Foucault na Bahia é o primeiro registro audiovisual sobre o assunto no Brasil e foi apresentado publicamente pela primeira vez no
Colóquio “30 anos com Foucault: Corpo e Heterotopias”, realizado em dezembro
de 2014 na UESB pelo Laboratório de Estudos do Discurso e do Corpo.
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O Corpo
INTRODUÇÃO
Em 2014, o Brasil sediou a Copa
do Mundo de Futebol. Por se tratar do
rá uma retomada dos conceitos de semió-
verbal e que tem como objeto a língua, a
tica em Pierce (2008) e Santaella (1987;
semiótica estuda a linguagem enquanto:
2005) e, em seguida, a análise.
(i) formas sociais de comunicação e expressão; (ii) sistema sócio histórico de
evento máximo do referido esporte, celebrado em sua “terra natal” – tais são as
representações veiculadas –, houve uma
3. SEMIÓTICA PIERCIANA
representação de mundo e (iii) sistema de
produção de sentidos. Um dos pressupos-
Em 1918, Ferdinand de Saussure
tos da base teórica é que o simbólico é
(2012), no curso de Linguística Geral, esta-
constitutivo do homem, tomado como um
beleceu que língua é um sistema de signos
ser social que naturalmente busca signifi-
convencionais que apresenta uma relação
car experiências – ou fenômenos. Desse
biunívoca com a realidade, em termos de
modo, o objeto da semiótica é o “[...] exa-
significado e significante. Desde a pers-
me dos modos de constituição de todo e
Se uma determinada campanha
pectiva estruturalista de linguagem até as
qualquer fenômeno de produção de signi-
midiática presta-se a vender um produto,
abordagens pragmáticas mais recentes,
ficação e sentido” (SANTAELLA, 1987, p.13).
deve fazê-lo engendrando signos que
discute-se como se dá a percepção da
reforcem ou neguem determinados este-
Pierce desenvolveu tal dispositi-
realidade, mediada por sistemas simbóli-
reótipos, nesse caso “nacionais”, dado
vo de indagação a partir de uma profunda
cos, que não se restringem, dependendo do
que a “caipinha” é a bebida típica do Bra-
reflexão sobre lógica e epistemologia no
recorte epistemológico, ao verbal. Nesse
sil, reconhecida internacionalmente.
campo das ciências humanas, principal-
ínterim, nos Estados Unidos da América,
mente em Kant. Segundo Santaella (1987;
Tomando por corpus um folder
Charles Sanders Pierce (2008) concebeu a
2005), o estudioso postulou que há três
distribuído aos comerciantes para divul-
semiótica (do grego semion, signo), como
tipos
gação do produto, o objetivo do estudo é
uma teoria fenomenológica para compre-
(basicamente observativa), a filosofia
desenvolver uma análise semiótica tendo
ensão de todo e qualquer processo signifi-
(positiva) e a ideoscopia (requer instru-
por base a relação pierciana de signo-
cativo que possa ser logicamente estrutu-
mentos e métodos para confirmação de
objeto, que prevê ícones, índices e símbo-
rada em termos de linguagem.
hipóteses). A arquitetura filosófica de
retomada de diversos signos na mídia
que reforçam certa identidade de
“brasilidade”. Um desses casos foi o lançamento do preservativo de caipirinha,
da linha “Cores e Sabores” da Prudence.
de
ciência:
a
matemática
los como critérios classificatórios e re-
Diferentemente da linguística
Pierce (2008) segmenta, ainda, no âmbito
flexivos. Em um primeiro momento, have-
saussuriana, que se interessa pelo signo
da fenomenologia, a lógica da metafísica.
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O Corpo
Das chamadas ciências normativas deri-
cia cotidiana ou, ainda, à factualidade do
mentos analíticos partem da seguinte
vam a Estética, a Ética e a Lógica (ou
existir. Já a terceiridade contempla a sín-
peça publicitária, o corpus do estudo:
semiótica).
tese intelectual de apreensão do fenômeno
Em sua tentativa de compreen- - é o pensamento sobre os signos através
der fenômenos como linguagem (ou seja, dos quais representamos e, assim, inter-
qualquer coisa presente à mente), Pierce pretamos o mundo:
delimitou categorias universais presentes em toda experiência e pensamento.
Há três principais segundo Santaella
(1987; 2005), (i) Qualidade, (ii) Relação/
Reação e (iii) Representação/ Mediação.
Essas categorias, em relação à apreensão do interpretante, correspondem aos
Um signo, ou representâmen, é aquilo
que, sob certo aspecto ou modo, representa algo para alguém. Dirige-se a
alguém, isto é, cria na mente dessa
pessoa, um signo equivalente, ou talvez
um signo mais desenvolvido. Ao signo
assim criado denomino interpretante do
primeiro signo. Representa esse objeto
não em todos os seus aspectos, mas
com referência a um tipo de ideia que
eu, por vezes, denominei de fundamento
do representâmen. (PIERCE, 2008, p.46).
FIGURA 1. CAMPANHA PRUDENCE CAIPIRINHA
FONTE: PRUDENCE. Disponível em: < http://
www.useprudence.com.br/ >. Acesso em 10 ago. 2014.
conceitos de Primeiridade, Secundidade e
Terceiridade.
Dito de outro modo, Pierce elaborou uma teoria de leitura de base lógica ancorada na fenomenologia suficientemente abrangente para abarcar modos
de compreensão sobre qualquer que seja
o objeto, uma vez que tudo que está presente à mente pode vir ser a ser um signo – desde um cheiro ou uma cor até
O conceito de signo, de maneira
simplória, é uma coisa que substitui outra
coisa e provoca um efeito interpretativo.
Isso quer dizer que não aprendemos o real
em si, mas a tradução desse real permeada pela linguagem e que retorna sob a
forma de signo. Desse modo, entre a realidade e o homem existe uma crosta sígnica,
que é o espaço do (efeito de) sentido.
manifestações mais elaboradas da expressão humana como obras de arte.
4. ANÁLISE
Dependendo da maneira como o
signo se refere ao seu objeto, há classificações através das quais podemos apreendê-lo. Santaella (2005) utiliza três verbos para explicar tais relações: sugere,
indica e representa. Quando o signo sugere o seu objeto, trata-se de um ícone, isto
é, um signo que se traduz como uma simples possibilidade ou impressão sobre
algo.
Já o índice é um signo que funciona relacionado diretamente à coisa a
Pierce estabeleceu uma metodo-
qual faz referência. Parafraseando Santa-
deriva das três categorias explicitadas logia específica para aplicação da teoria,
ella (1987), rastros, pegadas, resíduos são
brevemente a seguir: a primeiridade é a que leva em consideração três elementos:
todos índices de que alguém passou e
impressão inicial, a “qualidade” do signo, o objeto, o signo e o interpretante, postos
deixou marcas; nesse sentido pode-se
geralmente expressa na forma de meros em, pelo menos, três relações diferentes: o
afirmar que o índice é o real, concreto e
sentimentos e emoções. A secundidade signo com ele mesmo; o signo com o objeto
singular. O índice é o tipo de signo que
A sistematização da disciplina
refere-se ao mundo pensável da existên-
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e o signo com o interpretante. Os movi-
indica seu objeto.
O Corpo
Por sua vez o símbolo não é
sexo oral.
uma coisa singular, mas um tipo. O exem-
Segundo Santaella (2005), a
plo de Santaella (1987) é a palavra mu-
lógica da linguagem publicitária é bruta-
lher que, dependendo do emprego, não
lista: ou vende o produto (que pode ser
remete uma pessoa em especial, mas a
até mesmo uma ideia), ou ele perecerá.
uma representação altamente ideológica
relativa a um determinado entorno social
e cultural historicamente datado. O símbolo é o tipo de signo representa que seu
objeto.
Na peça publicitária, divulgada
durante a época da Copa do Mundo de
Futebol, em 2014, percebe-se clara referência a elementos simbólicos característicos de um ideal de “brasilidade”.
Ademais das cores, a escolha do drink
“caipirinha” é uma metonímia de nossa
pátria no sentido de que a representa
(inter)nacionalmente.
FIGURA 2. DETALHE 1
FONTE: PRUDENCE. Disponível em:
< http://www.useprudence.com.br/ >.
Acesso em 10 ago. 2014.
Em certo sentido, o próprio limão, que apresenta a sensação gustativa
de acidez vai ao encontro da noção de sexo
fora do normal, como se o produto prometesse um fetiche, posto, inclusive, a estra-
Lançar uma nova apresentação de preservativo no mercado, assim, implica em
uma análise pormenorizada de públicoalvo, do contexto de produção, da previsibilidade de respostas que, em seguida,
serão utilizadas por profissionais da área
de comunicação visual e marketing para
compor uma peça.
nheza que causa pensar em um preserva-
O movimento da análise semióti-
tivo, em primeiro lugar, com sabor e, em
ca tem por objetivo desautomatizar esse
segundo lugar, com sabor caipirinha. Outro
processo de produção de signos que tra-
dado que reforça essa leitura é o outro
zem à tona representações permeadas de
ícone do canudo dentro da embalagem do
identidades e de estereótipos. Esse é o
preservativo (Figura 3):
caso da camisinha de caipirinha, que cha-
O enunciado “Chegou mais uma
ma atenção por sua estranheza e por
novidade com o sabor e a proteção que o
“dialogar” com o ideal de “brasilidade”.
Brasil já conhece” evoca a questão do
REFERÊNCIAS
sabor, relacionada diretamente à ideia de
SANTAELLA, Lucia. Semiótica Aplicada.
São Paulo: Pioneira Thomson Learning,
2005.
gozo sexual, intrínseca ao objeto comercializado (um preservativo).
A explosão, como um ícone, que
sugere algo por relações de semelhança,
FIGURA 3. DETALHE 2
FONTE: PRUDENCE. Disponível em: <
http://www.useprudence.com.br/ >.
Acesso em 10 ago. 2014.
atua na peça publicitária como uma possível referência à ejaculação, prontamente contida pela barreira que é a embalagem do preservativo (Figura 2):
Na condição de sugerir, própria
do signo icônico, o canudo, elemento que
serve para sucção da bebida no interior de
um recipiente pequeno (geralmente um
________. O que é semiótica. 1ª ed. São
Paulo: Brasiliense, 1987. (Coleção Primeiros Passos; 103).
PIERCE, Charles Sanders. Semiótica.
Trad. José Teixeira Coelho Neto. 4ª ed.
São Paulo: Perspectiva, 2008. (Estudos;
46).
SAUSSURE, Ferdinand de. Curso de Linguística Geral. Trad. Antônio Chelini
(org.). 34ª ed. São Paulo: Cultrix, 2012.
copo), alude implicitamente à prática do
Página 17
O Corpo
Dica de O Corpo
Leitura do HQ “Pretérito Mais Que Perfeito”, dirigido por
Andrei Miralha, Petrônio Medeiros e Otoniel Oliveira
Que histórias um lugar pode testemunhar
durante anos, décadas, séculos de observação
silenciosa de pessoas que por ele passam e compartilham, mesmo que por breves momentos,
uma parte de sua vida?
Pretérito Mais Que Perfeito é uma experiência gráfico-narrativa em que um banco da Praça da República em Belém, é retratado em várias
temporalidades. Uma viagem, tanto por vários
estilos de desenho dos quadrinhos, quanto pela
história recente do Brasil, num passado, presente e futuro inexoralvelmente interligados.
Leitura do livro “O Corpo Utópico, As Heterotopias”, escrito por Michel Foucault
Um outro tom de Foucault. Um outro Foucault. Mais confessional e mais próximo da literatura. O CORPO UTÓPICO, AS HETEROTOPIAS reúne
duas conferências de 1966, que permaneciam
inéditas até recentemente, seguidas de um posfácio assinado por Daniel Defert.
“O corpo utópico” e “As heterotopias” são
duas conferências radiofônicas, proferidas por
Michel Foucault, nos dias 7 e 21 de dezembro de
1966, no France-Culture. Estas conferências foram objeto de uma edição em áudio com o título
de “Utopias e heterotopias” (INA-Mémoires vives,
2004).
Colaboradores
O Corpo é Discurso
é o primeiro jornal
eletrônico de
popularização
científica da Bahia.
Popularização da Ciência
A pesquisa científica gera conhecimentos, tecnologias e inovações que beneficiam toda a sociedade. No entanto, muitas pessoas não conseguem compreender a
linguagem utilizada pelos pesquisadores. Neste contexto, a grande mídia e as novas
tecnologias de comunicação cumprem o papel de facilitadores do acesso ao conhecimento científico. Para contribuir com esse processo, em sintonia com o espírito
que anima o Comitê de Assessoramento de Divulgação Científica do CNPq, criamos
esta seção no portal do CNPq. Seja bem-vindo ao nosso espaço de popularização da
ciência e aproveite para conhecer as pesquisas dos cientistas brasileiros e os benefícios provenientes do desenvolvimento científico-tecnológico.
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