LITERATURA/LITTÉRATURE Godofredo de Oliveira Neto: “Marcelino Nanmbrá, o Manumisso” Alfredo Margarido mais recente romance de Godofredo de Oliveira Neto* intriga o leitor pelo título, que associa a identidade da personagem falsamente principal (Marcelino Nanmbrá), com um substantivo que funciona como um adjectivo : “o manumisso”. Tenho muitas dúvidas que este termo possa ser decifrado pela maior parte dos leitores de português, na medida em que pertence ao vocabulário criado pela escravatura e pela maneira de gerir a liberdade dos escravos : manumisso, diz o dicionário de Cândido de Figueiredo, é “aquele que teve alforria ; escravo forro”. Em certo sentido podíamos afirmar tratar-se de um anacronismo, já que a escravatura foi abolida no Brasil pelo famoso decreto áureo de 13 de Maio de 1888, assinado pela Princesa Isabel. Todavia, face a um autor tão astucioso no recrutamento do seu vocabulário, e tão bem informado da história do seu país, devemos pôr em dúvida a realidade do anacronismo : Godofredo de Oliveira Neto quer salientar que a sociedade brasileira ainda não pôs termo às muitas formas de escravatura que caracterizam o quotidiano de um país que descende dos milhões de escravos africanos que desembarcaram na costa brasileira entre os séculos XVI e XIX. Indirectamente, também, o título salienta o facto de estarmos perante um falso-autêntico romance histórico, na medida em que em várias passagens do texto somos informados da cronologia : o romance começa em 1937, com a cerimónia que permitiu a queima da bandeira dos Estados, operação O 78 destinada a denunciar o federalismo republicano, que incomodava não só os adeptos das soluções totalitárias, mas ainda mais os integralistas de Plínio Salgado. A data em que ocorrem os acontecimentos principais é contudo 1942, ano em que o governo de Getúlio Vargas supera as opções germanófilas que caracterizavam certos meios culturais e políticos brasileiros, alinhando ao lado dos norteamericanos e do seu dirigente máximo, Franklin Delano Roosevelt, para declarar guerra ao Japão, à Itália e à Alemanha. Mas se o romancista tem o cuidado de fornecer os marcos cronológicos que permitem acompanhar a organização da história política do Brasil, não se separa ele nunca das considerações regionais, nem sequer da micro-história local. O seu projecto pretende por isso associar a macro-história, ou seja a história mundial, às escolhas de um quotidiano pobre, como é o da Praia do Nego Forro, no litoral de Santa Catarina. O laço entre o título e esta Praia é tão evidente que chega quase a ser pleonástico, mas ele permite sobretudo compreender o esforço teórico : a história universal só pode ser compreendida quando sabemos como pode ela ser vivida pelos famélicos da terra nas suas pequenas ou até minúsculas localidades. Por outro lado, o romance não podia furtar-se à inter-textualidade, seja na organização temática, seja também no que se refere à organização do vocabulário, sendo que a sintaxe respeita naturalmente os particularismos culturais da região. Não sendo embora um romance onde se procuram concentrar os particularismos locais, a verdade é que o esforço do romancista - onde perpassa a sua experiência pessoal, provinda certamente da infância assenta no inventário das formas, das cores, das texturas, dos cantos, dos voos, seja dos peixes, seja dos pássaros. Marcelino Nanmbrá é de resto conhecido pela alcunha de Lino Voador, que alude não aos pássaros mas aos peixes voadores, esses animais singulares que animam tanto o Atlântico e suscitam técnicas particulares de pesca. A lição linguística associa, como não podia deixar de ser, Pound, Joyce e Guimarães Rosa : os particularismos linguísticos são uma espécie de capital regional, no caso de Guimarães Rosa, urbano, no caso de Joyce, e mais cosmopolita no caso de Pound. Pode até encontrar-se em não poucas passagens um sopro picaresco, comprometido contudo pela outra lição intertextual que faz deste romance uma obra consagrada à iniciação sexual de Marcelino Nanmbrá, jovem pescador que passa no romance dos dezasseis para os dezassete anos, e não tinha até então, como confessa angustiado ao seu amigo Tião, visto uma mulher nua. Mas encontramos aqui um triângulo, sendo o eixo fornecido pelo jovem pescador, e aí aparecendo a governanta do senador Nazareno, que passa as férias da villa Fayal em Nego Forro, Eve, e as duas adolescentes, Martinha e Sabina, que se interrogam sobre a sua própria sexualidade, que não se pode entender sem a relação com os homens. O romance nunca perde contudo de vista a necessidade de mobilizar as informações mais reveladoras das escolhas do país, embora, deve dizer-se, neste aspecto o LATITUDES n° 14 - mai 2002 romance esteja nitidamente redigido para ser compreendido apenas pelos brasileiros. Quando Godofredo de Oliveira Neto, numa das operações em que procura pôr em evidência o racismo brasileiro, se refere ao Fluminense, o clube pó de arroz, é evidente que fornece uma informação que dificilmente pode, sem extensa nota de rodapé, sem compreendida em Lisboa ou em Paris. O sentido é em primeiro lugar carioca e só num segundo grau pode ser alargado ao Brasil : durante anos a fio o clube de futebol Fluminense recusou integrar homens de cor nas suas equipas e, quando se viu obrigado a fazê-lo, obrigou esses jogadores a empoar-se abundamente com pó de arroz para negar a evidência da cor. Ainda hoje, no Maracanã, sobretudo nos choques Fluminense-Flamengo, os adeptos do Flamengo lançam sobre os adeptos do Fluminense basta farinha de mandioca, o substituto barato do pó de arroz. É arrastado pela necessidade de reforçar a brasileiridade do texto que encontramos em várias passagens a referência à extradição de Olga Benário. Godofredo de Oliveira Neto mobiliza este incidente da vida política brasileira, para denunciar a crueldade dos fascistas mas sobretudo dos nazistas brasileiros, que se empenharam em extraditar para a Alemanha esta militante do Partido Comunista Brasileiro, casada com o “cavaleiro da esperança”, Luís Carlos Prestes. Também neste caso a utilização de um acontecimento hipercarregado de simbolismo só pode funcionar quando o leitor possui uma excelente informação respeitante à história contemporânea do Brasil. Acrescente-se que o romance utiliza aquilo a que chamarei uma construção “impressionista”, que lhe permite encastrar na narrativa uma grande quantidade de informações que definem a condição cultural e física da sociedade brasileira nos anos indo de 1937 a 1942. Assim, por exemplo, o romance faz referências discretas a duas das personalidades mais controversas do getulismo : Filinto Müller, encarregado das operações repressivas LATITUDES n° 14 - mai 2002 policiais (pena que Godofredo de Oliveira Neto não tenha encontrado lugar para referir a morte singular deste polícia, asfixiado na cabine de um avião da Varig que pegara fogo em pleno voo, tendo chegado já cadáver ao aeroporto parisiense de Orly), assim como Lourival Fontes, o criador do famoso DIP (Departamento de Informação e Propaganda), que teve como colaboradores homens como Graciliano Ramos, Oswaldo de Andrade, Mário de Andrade e Manuel Bandeira. Não sem alguma crueldade, o romancista salienta os compromissos que macularam as escolhas e as práticas dos escritores brasileiros, sendo certamente Graciliano o mais singular, pois saiu das prisões políticas do getulismo para aceitar as tarefas que lhe foram destinadas no DIP. Pode dizer-se que o romance procura fornecer uma síntese das escolhas políticas e culturais brasileiras, tal como podiam ser compreendidas a partir do litoral de Santa Catarina, onde se não liam jornais, mesmo se há referências às revistas da época, a Fon-Fon et a Careta, mas se ouvia a rádio que, como em todos os estados totalitários, foi um dos agentes mais eficazes da propaganda do aparelho político. Mas o romancista nos informa dos gostos musicais, visto a rádio emitir constantemente Ari Barroso, Almirante, Villalobos, Lamartine Babo. Confesso ter ficado algo surpreendido com a ausência de Pixinguinha que, enquadrado nos famosos concursos de música popular organizados pelo DIP, foi o introdutor dos ritmos do jazz, naturalmente importados dos Estados Unidos. A história de Marcelino Nanmbrá, cafuzo descendente de africanos e de índios, fica à margem da sociedade branca, se bem que tivesse frequentado a escola primária, onde não passou da terceira classe. Godofredo de Oliveira Neto procede ao inventário das práticas racistas da sociedade brasileira, na medida em que os urbanos, brancos ou considerando-se tais, denunciam a maneira como as povoações empestam, devido à presença, mesmo se reduzida, dos negros. Godofredo de Oliveira Neto Marcelino pertence à categoria menos repelida dos mestiços claros, o que o torna não só aceitável, mas sedutor. A governanta dos filhos do senador Nazareno, figura grada do aparelho político que funciona no Rio entre a Guanabara e o Catete, Eve, encontra no corpo do jovem pescador o próprio modelo do futuro herói brasileiro, que não será negro, mas antes fantasma que já vem do século XIX, pelo menos, moreninho. Marcelino será contudo vítima de um acidente de trabalho pois, tendo sido picado por um peixe, não procede a nenhuma desinfecção, confiando o tratamento a uma dessas virtuosas que tudo cura com chás e outras mèsinhas, o que não consegue travar a invasão da gangrena, que obriga os cirurgiões a amputar a mão esquerda do pescador. Mas é precisamente durante este período em que luta contra a infecção, que Marcelino é vampirizado pela “alemãzona”, embora Eve seja já uma brasileira descendente de uma família alemã. Se a filha do senador Nazareno sente a atracção “selvagem” do jovem pescador, não consegue dar o passo em frente que a levaria à iniciação sexual. Essa tarefa cabe a Eve, muito mais velha, que não se deixa enlear nem pela virgindade, há muito perdida, nem pelas considerações sociais, que consegue rejeitar. São de resto alguns dos diálogos opondo Sibila, a filha do senador, a Marcelino que servem para tornar mais clara a estrutura do racismo brasileiro, pois se Marcelino defende que os sentimentos dos homens são homogéneos, não havendo aí lugar para 79 classes sociais, já a jovem Sabina está convencida de que não pode haver tal homogeneidade : os sentimentos variam de acordo com o estatuto social, o que vale dizer que também variam conforme as condições somáticas de cada um. Se bem que não seja um elemento muito posto em evidência, pode e deve dizer-se que o romance não renuncia nunca ao inventário e à denúncia das condições de funcionamento da sociedade brasileira, marcada não só pelas diferenças sociais, mas assentanto estas na existência de grelhas somáticas muito numerosas e, naturalmente, muito agressivas. Se encontramos já em Tião um dos homens que pretende recuperar as terras que os urbanos, europeus e brancos, retiraram aos índios, não há dúvida que o aguilhão que o empurra depende das condições históricas da organização da sociedade brasileira. No plano da brasileiridade, que recupera os caminhos literários já iniciados por Gregório de Matos, e prosseguidos por Gonçalves Dias ou por Guimarães Rosa, encontramos não só o autóctone, que conhece os meandros das várias naturezas, mas nelas assenta a consciência nacional. Se o curió canto-praia desempenha um papel fundamental, preso na sua taquara - e o indianismo não pode deixar de evocar, na história literária brasileira, o verde taquaral que emerge na poesia do carioca Gonçalves Crespo, que a história da literatura 80 brasileira empurrou para os portugueses, onde figura como um dos melhores poetas parnasianos - tal como o sabiá de Gonçalves Dias dissera que o canto brasileiro não podia confundir-se com os rouxinóis da Menina e Moça do Bernardim Ribeiro. Como se a densidade canora - e sempre esperei aqui uma incisa que pudesse admitir os canários de Leodegário A. de Azevedo Filho - constituisse uma das formas mais particulares de afirmação da originalidade brasileira. O leitor que, mesmo atento aos particularismos brasileiros, não dispõe da intimidade com a natureza que é dada pelo nascimento, sentiu-se muitas vezes, neste romance, como Pero Vaz de Caminha face à densidade arbórea onde não conseguia identificar uma única planta. No caso do romance de Godofredo de Oliveira Neto os particularismos referem-se sobretudo à gente voante e cantante, assim como aos peixes. Quando Marcelino descreve os seios de Eve como sendo “duas barrigas de baiacu inchado” (p. 24), o leitor retem a ousadia da metáfora, mas considera apenas a função do “inchado”, que autoriza a pensar em seios volumosos, que atraem de resto a mão e o corpo de Marcelino. O universal não pode explicarse sem passar pelo crivo do nacional, ou mesmo do regional : o eco provocado pelas escolhas políticas na Praia do Nego Forro implica a tomada de posição de cada um, mesmo do mais modesto, mesmo daquele que parece não dispor da menor forma de consciência política. Mesmo se a sua participação é provocada apenas pelo aumento brutal e pela rarificação dos produtos indispensáveis à organização do quotidiano, não há quem possa excluir-se das escolhas políticas. E, sendo assim, não há sociedade que possa furtar-se à maneira como constrói a sua própria história. Qualquer que seja a distância separando a Praia do Nego Forro do Catete, as decisões políticas só podem alcançar o seu máximo efeito quando interiorizadas pelos humílimos produtores do litoral santa-catarinense. O leitor não-brasileiro não é repelido pelos termos regionais, mas não pode evitar deitar mão aos dicionários para devolver o pleno sentido à estrutura do romance. Não me fica mal confessar que mais de uma vez me lancei nas páginas do Aurélio para encontrar a definição exacta, que me permitia reforçar o sentido do texto. O romance iniciático, que envolve a metamorfose de Marcelino Nanmbrá - que se devia grafar Nan-mbrá, separado, como manda a lógica terminológica índia - que passa de adolescente a adulto - por obra e graças da governanta Eve - tal como perde uma parte do corpo, a mão esquerda, em consequência do trabalho e das condições de assistência. Mas que, históricamente, assinala um período em que a penicilina, que todavia já existia, ainda não entrara nos hábitos mais correntes, devido à segunda guerra mundial. Mais alguns, poucos, anos e a infecção de Marcelino teria sido debelada graças a doses maciças de sulfamidas. Se o romance que comentei nesta mesma revista possuia um carácter essencialmente urbano e cosmopolita, já as aventuras de Marcelino recuperam os valores da região, integrando-se noutro aspecto da ficção brasileira que, sobretudo na esteira do neo-realismo, se empenhou em proceder ao inventário não só das articulações sociais, mas sobretudo da língua com que o Brasil se define e se inventa. Há, neste romance, o recurso aos arquivos, assim como a utilização das tradições orais santa-catarinenses, sublinhando a importância da escuta na restruturação do mundo. Se em algumas passagens se sente o recurso aos arquivos (por exemplo, p. 17, evocação dos anúncios que seria possível ler nas paredes do Rio de Janeiro em 1942 : “Pharmácia Azambuja, Leite de Colónia, Dentifrício Odol, Armazens Triumpho”), é quase sempre a oralidade que fornece o material mais simbolicamente significativo. Se o romance mobiliza de maneira constante a psicologia histórica cara a Ignace Meyerson e a Jean-Pierre Vernant, não pode separar-se do ingrediente policial LATITUDES n° 14 - mai 2002 que a literatura norte-americana impôs ao mundo inteiro. Eve faz parte de uma conspiração que mobiliza figuras mal definidas que procuram atingir o próprio aparelho de Estado, situação denunciada por Marcelino que permite a intervenção eficaz das forças secretas. Sendo que esta operação policial fere mortalmente Eve, que como não podia deixar de ser, dado o seu nome, fora a iniciadora sexual, sendo ao mesmo tempo, sempre fiel ao modelo bíblico, o agente da perturbação. Do ponto de vista estritamente simbólico, a operação revela não só a necessidade, mas sobretudo a eficácia das forças do ordem, mesmo quando agem secretamente. Num plano complementar podemos simplesmente verificar que o Brasil aparece como uma nação consciente da sua própria estrutura, e por isso capaz de resistir às operações levadas a cabo pelas forças que procuram comprometer ou tornar inviável a democracia. O romance recupera neste plano os direitos que cabem à história, permitindo a utilização da micro-história, a história dos indivíduos e das pequenas instituições, para dar conta da maneira como o país é engendrado pela violência : os escravos forros que, nos anos da abolição da escravatura, tiveram as rótulas esmagadas pelos proprietários, e que passaram a vida arrastando-se, fornecem a prova última da violência repressiva das sociedades racistas. Paradoxalmente, Eve não só rejeita os preconceitos, mas manifesta um interesse profundo pelo cafuzo, no qual se misturam os sangues e as genealogias : o cafuzo é, do ponto de vista da alemãzona, o próprio futuro do Brasil, o homem capaz de superar as oposições. Elogio da mestiçagem, o que faz do romance de Godofredo de Oliveira Neto uma resposta, mesmo se indirecta, à condenação do mestiço a que procedera Euclides da Cunha, a isso “cientificamente” autorizado por Nina Rodrigues, em Os Sertões. Como se a literatura brasileira não pudesse furtar-se à violência dos problemas somáticos, ou simplesmente raciais que a sociedade procura recusar, aceitando pagar o elevado preço do recalque, num domínio que exige análises profundas e opções claras. Há já vinte anos que acompa- nho a produção romanesca de Godofredo de Oliveira Neto, pois em 1981 analisei no Jornal do Brasil, a sua primeira ficção publicada, A Faina de Jurema, quando ainda morávamos todos na Rua Bartolomeu Portela, quase colada ao cinema Veneza. Prossigo agora, salientando a ductilidade do criador e a sedução de uma escrita que não repele nenhum dos materiais que a voz, o canto, o corpo, podem introduzir no espaço forçosamente virtual da escrita. Só pode, por isso, convidar-se o leitor, sobretudo o português, a ler neste romance a imensidade dos particularismos culturais do Brasil e das praias de Santa Catarina. Preparando-me para ter o prazer de ler - esperemos que muito em breve - o próximo e inevitável romance de Godofredo de Oliveira Neto * Marcelino Nanmbrá, o Manumisso, Rio de Janeiro, Editora Nova Fronteira, 2000, 211 p. O capista, que não leu o romance, mobilizou a calandra de um Nash, marca que o texto nunca refere! Prix National du Conte Brésilien 2001 pour Aleilton Fonseca Académie des Lettres de Bahia a décerné, en février dernier, le Prix National Herberto Salles Contes 2001 à notre ami Aleilton Fonseca, co-éditeur de la revue Iararana, avec laquelle nous entretenons des échanges réguliers et enrichissants. Professeur de littérature brésilienne à l’Université de Feira de Santana (Etat de Bahia), Aleilton Fonseca, 42 ans, est déjà l’auteur de six livres, dont celui que nous présentions dans Latitudes n°12 de décembre 2001, Jaú dos Bois e outros contos. Juste avant ce prix il venait de publier O desterro dos mortos (éditions RelumeDumará), autre livre de contes, dans L’ LATITUDES n° 14 - mai 2002 lesquels il fixe des scènes et des types humains de l’intérieur rural ou de la ville, avec une grande sensibilité. Le livre présenté par Aleilton Fonseca pour participer au Prix Herberto Salles s’intitule O Canto de Alvorada. Il a été sélectionné parmi 297 autres concurrents originaires de plusieurs Etats du Brésil, la plupart étant du Minas Gerais et de São Paulo et il sera bientôt publié D.S. Aleilton Fonseca 81