Disciplina: Filosofia
Professor: Daniel de Oliveira Neto
Prova de filosofia (peso 5,0) 18/07
I - Trabalho (peso 3,0): 08/08 e 15/08.
em grupos de 4. Apresentação oral.
Descobrir 20 palavras de origem indígena, explicando o seu significado.
Trazer uma receita de uma comida indígena. Apresentação oral.
II - Trabalho de Recuperação de nota.
- À mão. INDIVIDUAL (Trabalhos iguais não serão aceitos)
Entrega depois da correção da prova.
1 - Faça um resumo do conteúdo do trimestre, destacando cada conteúdo novo com um título.
2 - Grife com canetinhas coloridas as partes mais importantes de cada conteúdo (mas cuidado
para não ficar grifando tudo, só o mais relevante).
3 - Copie a questão da prova na parte em que seu resumo irá tratar do assunto.
4 - Coloque a resposta solicitada da questão logo abaixo (não precisa copiar as outras).
5 - Explique a resposta com as suas palavras.
6 - Continue fazendo o resumo e inserindo as questões erradas entre ele.
7 - Grampeie a prova no resumo.
8 - Entrega depois da correção da prova.
Resumo bem feito e questões bem respondidas darão a metade da nota por cada questão.
Mitologia Oriental
O Rei do Fogo (de Camboja)
Um arrepio de medo percorreu o pequeno grupo de camponeses. Parando de colher
arroz, começaram a olhar o Sol com angústia. Era meio-dia em ponto e o astro se sombreava,
como se estivesse se escondendo atrás de véus. Pouco a pouco as trevas o devoraram e só
restava um crescente fino traço que também acabou se apagando. Sem dar um grito, homens e
animais se deitaram, caindo num sono profundo. Em volta, a floresta também se calara: macacos,
feras, pássaros, todos dormiam. Alguns instantes mais tarde, todos despertaram: o Sol voltara.
Era apenas um eclipse como os outros.
Um velho sacudiu a cabeça e declarou, sentencialmente:
- Mais uma brincadeira do Rei do Fogo! Em uma das sete torres onde vive, no alto de uma
grande montanha, ele usou seu talismã, a espada mágica. Geralmente ele guarda ao seu lado,
numa bainha ricamente enfeitada. Basta que ele retire alguns centímetros, e o sol entra em
eclipse. Foi isso que aconteceu. Tomara que ele nunca a desembainhe por completo: o Sol
morreria e isso seria o fim do mundo.
Rahu, o sequestrador (Índia)
Rahu esfregava as garras: seu audacioso projeto finalmente dera certo. Ele, um Davana,
demônio dos mundos inferiores, conseguira se introduzir num banquete divino sem ser notado.
Os deuses Vishnu, Rama, Shiva, Ganexh e seus pares lá estavam se divertindo e fazendo
circular, após beberem algumas gotas do precioso vaso que continha o néctar divino. Habilmente
disfarçado, Rahu esperava ansiosamente que o recipiente chegasse até ele. Quando, afinal,
conseguiu tocar com a língua a deliciosa bebida, ouviram-se dois gritos. O Sol e a Lua haviam
desmascarado o demônio e o denunciaram aos outros deuses em termos veementes.
Vishnu lançou seu disco de bordas afiadas e decapitou Rahu. Enquanto o grande corpo do
Davana caía sobre a Terra, provocando violentos terremotos, sua cabeça foi lançada aos céus.
Sua cauda se separou do corpo, transformando-se no horrível monstro Ketu, que causa os
cometas e as chuvas de meteoros. E sua cabeça ficou percorrendo os céus eternamente,
perseguindo a Lua e Surya, o Sol, querendo se vingar deles. Às vezes, Rahu, o sequestrador,
consegue agarrar um dos dois astros, engolindo-os e fazendo as trevas se abaterem sobre o
mundo. Os homens, assustados, chamam isso de eclipse. Mas felizmente, até hoje, Rahu sempre
acabou sendo obrigado a cuspir de novo suas vítimas, e a vida pode, assim, continuar.
O Mito da Orquídea (China)
Na cidade chinesa de Anan existia uma formosa jovem chamada Hoan-Lan. Essa linda
menina-moça tinha por hábito se divertir as custas de quem se apaixonasse por ela, chegando a
levar alguns rapazes ao suicídio, devido a sua frieza e desprezo.
Cansado de ver tantos sofrimentos, um poderoso deus decidiu castigar Hoan-Lan e como
castigo fez a volúvel jovem se apaixonar perdidamente pelo formoso Mun-Say, sem que esse
lhe prestasse a mais pequena atenção.
Desesperada pelo amor de Mun-Say, Hoan-Lan procurou o deus da montanha de Tan-Vien
e implorou-lhe ajuda, mas este estava tão zangado com a atitude da jovem, que mandou-a
embora. Na saída da gruta, Hoan-Lan encontrou uma bruxa de pés de cabra que ofereceu
vingança contra o seu amado em troca da alma da jovem. Perdidamente apaixonada, aceitou o
pacto e a bruxa fez um feitiço com a folha de palmeira e enterrou-a depois de pronunciar umas
palavras desconhecidas.
Passado alguns dias, Hoan-Lan viu seu amado Muy-Say de longe e correu a seu encontro,
mas quando se preparava para abraçá-lo, o jovem rapaz transformou-se numa árvore de ébano.
Chorando muito junto ao amado, ali ficou durante muito tempo até que despertou a
compaixão de um deus que, colocando o dedo na testa da moça, a perdoou, transformando-a
numa flor antes que a bruxa lhe retirasse a alma. No entanto, concedeu que jamais se separasse
de seu amado, vivendo da seiva da árvore.
E foi assim que apareceu a primeira orquídea.
Mitologia da Amazônia
Mito da Vitória-régia
Os pajés tupis-guaranis, contavam que, no começo do mundo, toda vez que a Lua se
escondia no horizonte, parecendo descer por trás das serras, ia viver com suas virgens prediletas.
Diziam ainda que se a Lua gostasse de uma jovem, a transformava em estrela do Céu.
Naiá, filha de um chefe e princesa da tribo, ficou impressionada com a história. Então, à
noite, quando todos dormiam e a Lua andava pelo céu, ela querendo ser transformada em
estrela, subia as colinas e perseguia a Lua na esperança que esta a visse.
E assim fazia todas as noites, durante muito tempo. Mas a Lua parecia não notá-la e dava
para ouvir seus soluços de tristeza ao longe.
Em uma noite, a índia viu, nas águas límpidas de um lago, a figura da Lua. A pobre moça,
imaginando que a Lua havia chegado para buscá-la, se atirou nas águas profundas do lago e
nunca mais foi vista.
A Lua, quis então recompensar o sacrifício da bela jovem, e resolveu transformá-la em
uma estrela diferente daquelas que brilham no céu. Transformou-a então numa "Estrela das
Águas", que é a planta Vitória Régia. Assim, nasceu uma planta cujas flores perfumadas e
brancas só abrem à noite, e ao nascer do sol ficam rosadas.
O SOL E A LUA
O sol tinha acabado de passar um pouco de curare em suas flechas e guardava a
zarabatana bem à mão, pronto para atirar. Não desgrudava os olhos dos galhos das árvores,
prestando atenção ao menor movimento de folhas. De repente, ouviu uma gargalhada que o fez
voltar-se. Sem perceber, acabara de passar por um garoto que estava sentado ao pé de uma
árvore com dois magníficos papagaios.
O sol se deteve e resolveu descansar um pouco junto deles. Nem viu o tempo passar, e,
quando se deu conta, o dia já estava acabando. Não conseguia sair de perto dos dois papagaios
que tanto o divertiam. Assim, propôs ao menino levar os dois papagaios em troca de seu cocar de
plumas. O garoto estava muito preocupado com sua aparência, pois acabara de completar dez
anos. Agora já poderia pintar o corpo com urucum e jenipapo. Seus cabelos acabavam de ser
cortados, e, quando crescessem de novo, ele teria o direito de prendê-los ou fazer tranças. Seria
um rapazinho... Já tinha as maçãs do rosto pintadas. Imaginava-se entrando na aldeia com aquele
cocar de plumas. Aceitou com alegria o oferecimento do sol e lá se foi, dançando, em direção à
aldeia.
O sol também estava com pressa, louco para mostrar a seu amigo lua os dois papagaios. O
amigo ficou maravilhado com a beleza da plumagem dos pássaros e se divertiu muito com as
palavras engraçadas que eles diziam. Assim, resolveu adotar um deles. Escolheu o verde de
cabeça amarela e o deixou em sua oca, empoleirado num pedaço de pau que enfiou no chão. O
sol também fez um poleiro para seu papagaio e o alimentou com grãos e sementes de todo o
tipo.
Na manhã seguinte, os amigos lua e sol foram pescar. Levaram arco e flecha, e também
arpões, para o caso de encontrarem o pirarucu, que era o seu peixe favorito, mas dificílimo de
pegar. Ao anoitecer, voltando para a casa, estavam muito cansados e não tiveram forças para
preparar os peixes que haviam pescado. Deitaram-se nas esteiras e logo dormiram. Os papagaios
pareciam tristes por vê-los assim, e naquela noite ficaram em silêncio.
Nos dias que se seguiram, o sol e seu companheiro lua não conseguiam entender porque
os papagaios estavam tão tristes. Quando os pegavam nas mãos para que se empoleirassem nos
dedos, tentando ensiná-los a falar, os pássaros pareciam não mais se divertir.
Mas um dia, ao voltarem da caça, tiveram uma dupla surpresa. Primeiro, os papagaios
foram ao encontro deles, falando como nunca. Saltitavam de um ombro para outro, como se
quisessem cantar e dançar. Dentro da oca, uma surpresa ainda maior os aguardava: junto ao fogo
havia duas grandes vasilhas com cassaripe fumegante! Quem teria preparado a comida? Eles se
sentaram, comeram todo o delicioso pirão e se deitaram. Mas não conseguiam dormir. Que
mistério! Os papagaios os olhavam com um ar divertido. Se pudessem falar, será que poderiam
contar o que havia acontecido?
No dia seguinte, quando foram caçar, os dois tinham a cabeça cheia de perguntas sem
respostas. Enquanto isso, na oca, acontecia uma cena estranha.
Os dois papagaios se transformavam pouco a pouco em duas moças encantadoras, de
cabelos longos, pretos e brilhantes como a noite sob a chuva. Quando a metamorfose se
completou, uma delas se escondeu perto da porta para ver quando os dois amigos voltavam,
enquanto a outra preparava a refeição.
- Depressa, não temos muito tempo! Hoje eles disseram que chegariam mais cedo. Temos
que acabar antes que voltem. Quando chegam da caça, eles vêm tão cansados.
E que surpresa tiveram os dois mais uma vez! Resolveram que no dia seguinte voltariam
mais cedo e entrariam escondido pelos fundos. Dito e feito: deslumbrados com a beleza das duas
moças, apaixonaram-se por elas e suplicaram que nunca mais se transformassem em papagaios
de novo. Fizeram uma grande festa para celebrar os casamentos. Mas a casa havia ficado
pequena demais para quatro pessoas, e por isso decidiram se revesar para ocupá-la. O sol e sua
mulher escolheram o dia. Lua aceitou a noite. É por isso que nunca vemos o sol e a lua ao mesmo
tempo no céu.
Curupira (Protetor das árvores e dos animais)
Kurupira: corpo de menino - do tupi-guarani - Kurumí: menino (curumim). O curupira é um
personagem mitológico, com pelos vermelhos e pés virados, conseguindo desnortear
completamente os caçadores que sempre seguem na direção contrária e ficam perdidos na
floresta. Vive metido no meio do mato, habita toda a região amazônica. É o ente protetor das
florestas. Pressentindo as tempestades que poderão trazer danos à floresta, bate nas árvores
para que estas se despertem e assim resistam à fúria da intempéries. É considerado nosso mito
mais antigo e que tem, nitidamente, uma criação livre de influências dos colonizadores. Mito
conhecido de vários índios sul-americanos, na Venezuela, o chamam de Máguare. Na Colômbia,
Selvage. Os incas peruanos o denominam Chudiachaque. A cabeça também varia: em alguns
lugares, ele é careca, em outros tem cabeleira vermelha. Mas todos o descrevem como um anão
com os pés às avessas-calcanhar para frente, dedos para trás. Seu rastro engana o caçador
predador, fazendo com que se perca na floresta. Quebra o machado de quem desmata a
floresta. Não varia, também, sua função de ente protetor da flora e da fauna. O curupira muitas
vezes é descrito como uma entidade má e assassina, não tendo piedade dos caçadores. Por isso,
os índios que nele acreditam costumam deixar artefatos como uma espécie de oferenda para
que os curupiras não os ataquem. Uma de suas táticas é o uso de um assovio alto e estridente
que tem o poder de desorientar o alvo, fazendo-o perder-se na mata.
Como protetor das florestas, castiga impiedosamente aquele que caça por prazer, que
mata as fêmeas prenhas e os filhotes indefesos, mas ampara o caçador que tem na caça o seu
único recurso alimentar, ou que abate o animal por verdadeira necessidade. Também protege os
pescadores que se aventuram nos incontáveis rios, igarapés, etc., durante o período das chuvas,
mais fortes entre os meses de novembro e maio.
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Disciplina: Filosofia Professor: Daniel de Oliveira Neto