Povo Pataxó Encarte Especial: Cimi 40 anos Texto: Cimi Regional Leste Fotos:Arquivo Cimi 352 Jan/Fev–2013 Cimi Regional Leste A desconstrução do colonialismo O Cimi surgiu em 1972, como organismo da Igreja Católica, responsável pela Pastoral Indigenista. Teve o papel importante na denúncia da situação dramática vivenciada pelas populações indígenas em plena ditadura militar. Atuou no apoio e assessoria aos povos indígenas na luta pela defesa e recuperação de suas terras, pelo respeito e incentivo às suas práticas culturais e pela sua autonomia. O Cimi contribuiu para tornar conhecida a causa indígena no cenário político nacional e internacional, ampliando, assim, o leque de alianças. No campo político-ideológico, o Cimi já apontava em suas assembleias que os povos indígenas não eram as únicas vítimas, mas junto com os trabalhadores urbanos e rurais faziam parte das classes oprimidas e empobrecidas do país. Em 1978, o Cimi concluiu o levantamento inicial dos povos indígenas nas regiões Leste e Nordeste do Brasil, quando constatou a existência de 22 grupos étnicos. Após esse levantamento, foi convocada a I Assembleia do Regional Leste, realizada entre 12 e 15 de setembro de 1979, em Vitória, Espírito Santo, quando então foi decidido por estruturar uma equipe no estado, formada por Fábio Martins Villas e Zenira Márlia. Essa equipe, além de ter a função de representação, deveria promover a integração de todas as forças missionárias “ Na minha aldeia tem, Beleza sem cessar, Eu tenho arco, Eu tenho flecha, Tenho raiz pra curar... ” (Toré cantado no início e no final do ritual Pataxó Hã-hã-hãe) da sociedade civil no apoio às lutas dos povos indígenas, além de ter a tarefa de preparar novos missionários para compor equipes para atender as realidades específicas dos povos indígenas da região Leste. A realidade encontrada era desafiadora. Os territórios reduzidos ou invadidos e muitos índios vivendo em periferias, ora trabalhando como assalariados, subempregados, ora desempregados. Povos vivendo em situação de desestruturação sócio-político-econômica, etnocultural, forçada pela imposição dos valores da sociedade capitalista (consumo, cooptação, individualismo, negação da identidade étnica). Mesmo submetidos a esse processo desestruturado e de integração permanente exercido pelo Estado capitalista, esses povos não perderam sua memória histórica e a sua principal luta era a reconquista e garantia de suas terras. A política indigenista dos militares caracterizava-se pelas seguintes ações: demarcação de diminutas áreas para os índios; projetos econômicos integracionistas promotores de desagregação dos grupos étnicos; repressão às organizações indígenas e à igreja missionária comprometida com a libertação; estabelecimento de critérios de indianidade para emancipação compulsória de indivíduos e até de comunidades inteiras e negação da identidade étnica de vários grupos indígenas. Desrespeitados pelo poder público e considerados como restos de etnias, os índios eram manipulados e pressionados pela conjuntura política. Em 1979, no Regional Leste, foi formada outra equipe do Cimi para atuar junto ao Povo Maxakali, no município de Bertópolis, Minas Gerais. A prioridade era a reunificação das duas áreas indígenas de Água Boa e Pradinho. Nesse período, muitos povos que viviam confinados na Fazenda Guarany, na Colônia Penal Indígena, em Minas Gerais, passam a se organizar, e com o apoio do Cimi, retornam aos seus territórios de origem (Krenak, Guarani, parte dos Tupinikim e dos Pataxó Hã-Hã-Hãe). Os Xakriabá, Maxakali e Pataxó do Extremo Sul da Bahia mantinham suas lutas pela sobrevivência e garantia de parte de seus territórios de forma isolada. Redemocratização As lutas pela redemocratização do país possibilitaram o surgimento de vários movimentos sociais nos anos 80; institucionalizaram-se, como CUT (Central Única dos Trabalhadores), PT (Partido dos Trabalhadores), MST (Movimentos dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), dentre outros. A criação da UNI - União das Nações Indígenas, em 1980, significou uma primeira tentativa de dar direção em nível nacional para a luta indígena no país. Por sua vez, o Cimi Leste impulsionou uma articulação com as Pastorais Sociais, movimentos populares e entidades ligadas à causa indígena, como o Grequi - Grupo de Estudos da Questão Indígena, em Belo Horizonte. Na região Leste/Nordeste, vários povos indígenas que viviam impossibilitados de exercer a sua identidade étnica ressurgem no cenário político regional e nacional e retomam a luta pela terra. Em 1981, os índios da região Leste realizam, em Teófilo Otoni, MG, a sua primeira assembleia. Nesse período, priorizou-se o acompanhamento aos povos Tupinikim e Guarani, ambos do Espírito Santo, Pataxó, da Bahia, Krenak e Maxakali, de Minas Gerais, em virtude dos conflitos pela posse da terra. As atividades iniciais desenvolvidas pelo Cimi Leste contaram com o apoio financeiro e incentivo da Cese - Coordenadoria Ecumênica de Serviço/BA, ÖED e a Diocese de Graz/ Áustria. A política indigenista oficial continuou sendo formulada e executada pelos militares até a promulgação da Constituição Federal, em 1988, quando foram estabelecidas as novas bases legais para a questão indígena O Regional Leste do Cimi é caracterizado por equipes de base que desenvolvem atividades junto aos índios, à Igreja, à sociedade envolvente, e no próprio Cimi, nos aspectos da formação, terra, organização indígena, autosustentação e diálogo interreligioso. Aspectos marcantes da história do Regional Leste: • Apoio ao processo de luta pela terra indígena; • Conscientização e organização dos índios; • Sensibilização e envolvimento da Igreja Católica; • Sensibilização da população envolvente e Semana dos Povos Indígenas; • Levantamento de dados e documentação; • Aprofundamento do conhecimento da cultura indígena. Essas ações proporcionaram os seguintes resultados: • Os Tupinikim/Guarani se rearticularam e recuperaram seu território no Espírito Santo; • Os Krenak retornaram e ocuparam seu território no Vale do Rio Doce, em Minas Gerais; • Os Pataxó Hã-hã-hãe se rearticularam e retornaram ao seu território no Sul da Bahia; • Os Maxakali conseguiram a reunificação de seu território; • A problemática indígena ganhou mais espaço junto à opinião pública; • O apoio da Igreja Católica se deu de forma efetiva em algumas regiões; • Realização de campanhas de solidariedade aos povos indígenas; • Assistência jurídica; • Ajuda financeira em situações de emergência; • Articulação de várias denúncias na imprensa nacional e internacional. Ressaltamos que o mais significativo dos resultados foi o fato das comunidades indígenas que viviam sufocadas pela opressão terem se manifestado, assumindo sua identidade étnica, tornando-se combativas, na busca de soluções para os seus problemas. Jan/Fev–2013 2 PERÍODO DE 1981 A 2000 A reconquista de terras cujo meio ambiente fora degradado pelos invasores e a desestruturação das aldeias e posterior rearticulação dos índios estabelecendo novo ordenamento socioeconômico, provocaram outras demandas de trabalho para o Cimi, sobretudo, nos aspectos da saúde, educação, economia, organização e formação. Diante disso, o Cimi intensificou a formação de equipes locais e a sua capacitação em conjunto com o Cepis - Centro de Educação Popular do Instituto Sedes Sapietiae, com o objetivo de exercer o acompanhamento específico e sistemático às comunidades indígenas, através da assessoria e apoio nos aspectos da organização e formação, como também para buscar o envolvimento da sociedade regional e dos órgãos de Estado no apoio aos índios. A assessoria do Cepis foi fundamental para o Cimi Regional Leste fortalecer e clarear a sua atuação, perceber os avanços, os novos desafios que se apresentavam durante o processo. Nesse período, a política indigenista oficial continuou sendo formulada e executada pelos militares até a promulgação da Constituição Federal, em 1988, quando foram estabelecidas as novas bases legais para a questão indígena. A substituição dos militares por civis na condução da Política Indigenista não alterou a sua formulação. Somente em 1991, através de Decreto-Lei, o Presidente da República propôs a descentralização das competências da União em relação aos povos indígenas, demonstrando uma nova orientação político-administrativa. Além disso, o governo adotou uma política de redução dos recursos da Funai, por isso, na maioria das regiões do país, as comunidades indígenas foram forçadas a negociação de seus direitos, venda de recursos naturais e arrendamento das terras. No tocante à luta pela terra, a Funai investiu na desmobilização da organização dos índios, através do assistencialismo e da cooptação de lideranças indígenas e também de medidas judiciais. Ao mesmo tempo em que a Funai propunha as ações declaratórias de nulidade de títulos dos fazendeiros das áreas Krenak e Pataxó Hã-hã-hãe, negociava a retirada dos índios ou a redução de suas terras. A consequência disso foi o acirramento de todo tipo de violência contra os índios, até mesmo entre si, gerando assassinatos de várias lideranças. Contudo, a resistência se manteve, sendo destaque a luta dos Pataxó Hã-Hã-Hãe, Xakriabá, Maxakali, Tupinikim, que, vítimas de massacres, mantiveram a ofensiva na luta pela terra. POVOS INDÍGENAS: SINAIS DE RESISTÊNCIA E VIDA P Percebendo o presente: colonialismo no século XXI O modelo de desenvolvimento baseado no grande capital predatório tem sido o implementado pelas autoridades nos três estados da circunscrição do Regional Leste - Bahia, Minas Gerais e Espírito Santo. Os 30 povos indígenas nesses estados têm sido constantemente assediados por esse modelo de desenvolvimento que tenta a subtração dos seus territórios e seus direitos com aval dos poderes executivo, legislativo e judiciário em desrespeito à Constituição Federal. A violência contra os povos indígenas e suas lideranças tem sido uma marca desse modelo de desenvolvimento que criminaliza e judicializa as lutas. O desenvolvimento concebido prioriza o agro e o hidro negócios, a mineração, o turismo, obras de infraestrutura, e geração de energia elétrica e atômica. Em todos os estados e regiões, lá estão os povos indígenas sofrendo os impactos diretos desse modelo de desenvolvimento com resquícios colonialistas. No Sul da Bahia, o monocultivo do eucalipto, turismo e o complexo da Ferrovia Norte-Sul. No Oeste, a fronteira agrícola do monocultivo da soja, milho, algodão, a construção de hidrelétricas e mineração. No Norte, a transposição do Rio São Francisco e a construção de usinas nucleares impactam e assustam toda a população. No Norte de Minas Gerais, o eldorado da mineração, a transposição do Rio São Francisco, o projeto de construção de estradas, denominado Pró-Acesso, a construção de hidrelétricas e a pecuária têm sido o modelo colonizador de desenvolvimento. No estado do Espírito Santo, o diálogo tem sido determinado pelas empresas Vale e Fíbria, que sedimentam o seu modelo de desenvolvimento autoritário e violento contra as populações indígenas e quilombolas. A política indigenista do governo federal é totalmente alheia, omissa e submissa às vontades dos estados e seus agentes econômicos. As providências quanto à demarcação dos territórios, o atendimento à saúde, à educação, à assistência aos direitos são constantemente negligenciados pela Funai, Sesai, Secretarias de Educação, Ministério Público e Polícia Federal. Frente ao processo de violência e desafios, os povos indígenas nesses estados e regiões têm encontrado forças e formas de se organizar e mobilizar, concebendo um processo de resistência muito interessante e positivo para o movimento indígena no país. ataxó Hã-hã-hãe no Sul da Bahia - Depois de décadas de luta e resistência, reconquistam o seu território de 54.100 hectares, com ações de retomadas, ações administrativas e judiciais. Por último, o Supremo Tribunal Federal, no julgamento da ACO 312/BA em 02/05/2012, assegura o seu direito na posse legítima do território para cerca de 2.500 índios. Tupinambá no Sul da Bahia - Até o ano 2000, eram conhecidos como Caboclos de Olivença. A Conferência Indígena, em Coroa Vermelha/BA, motivou a sua luta pelo autorreconhecimento como povo Tupinambá. A partir desse reconhecimento, o povo, com cerca de 4 mil índios, tem implementado a luta pela reconquista do território e dos seus direitos. A reação do capital tem sido bastante violenta, mas já existe o reconhecimento oficial do território de 67.000 hectares nos municípios de Ilheús, Una e Buerarema, que se encontra em situação de grave conflito. Pataxó no Extremo Sul da Bahia - Uma luta histórica desse povo de 12 mil índios nos municípios de Porto Seguro, Santa Cruz Cabrália, Prado, Itamaraju e Teixeira de Freitas, na denominada Costa do Descobrimento. Esse Povo sofre diretamente os impactos do monocultivo do eucalipto, do turismo e da sobreposição de áreas dos Parques Nacionais do Monte Pascoal e do Descobrimento sobre o seu território. Com ações de retomada intensificadas a partir da Conferência Indígena no ano 2000, o povo já tem o reconhecimento do Território de Barra Velha, de 57 mil hectares; Kahy/Pequi, de 25 mil hectares; Coroa Vermelha, de cerca de 5 mil hectares, também em situação de grave conflito. Tupinikim/Guarani no Espírito Santo - Depois de muita luta contra a empresa multinacional Aracruz Celulose, invasora do território indígena, os cerca de 2 mil índios conseguiram a vitória da demarcação e homologação de 14 mil hectares, que está em processo de recuperação ambiental. Xakriabá no Norte de Minas Gerais - Os 8 mil índios estabeleceram um processo de organização e mobilização para a recuperação do seu território numa das regiões mais violentas e áridas do estado de Minas Gerais. Parte da vitória veio nos anos 80, com 54 mil hectares do território de 93 mil hectares. A luta contínua teve em 2011 o reconhecimento do total do território. Ao se constituir o município de São João das Missões, no final dos anos 90, os indígenas assumem a administração do município com prefeito, secretários e mais seis vereadores, o que permanece sendo um fato único no Regional Leste. A luta pela regularização total do território continua com ações de retomada, também em situação de grave conflito. Maxakali no Nordeste de Minas Gerais - Povo de cultura ímpar no estado mantém fielmente as suas tradições de povo caçador, coletor e seminômade. Cerca de 1.600, os Maxakali resistem em pouco mais de 5 mil hectares a todo tipo de assédio cultural, em quatro municípios do estado - Santa Helena de Minas, Bertópolis, Teófilo Otoni e Ladainha. As condições de sobrevivência são precárias, com alto índice de mortalidade infantil. Kaxixó na região Central de Minas Gerais - Povo recém ressurgido tem muita dificuldade na luta diária, devido a perda de alguns referenciais mais antigos. É muito desassistido e discriminado pelo movimento indígena e pelos órgãos responsáveis e sociedade regional. O território recém identificado pela Funai foi de 5.512 mil hectares para 350 índios. Este fato tem provocado forte reação aos poderes políticos e econômicos nos municípios de Martinho Campos e Pompeu, com ameaças às lideranças. Assim como os Kaxixó, existe uma demanda no Regional Leste com povos em situação de ressurgimento étnico, que estão reiniciando o processo de luta: Xakriabá de Cocos/ BA, Tupinambá de Belmonte/BA, Payayá/BA, Tumbalalá/ BA, Aricobé/BA, Aranã/MG, Mukurin/MG, Pury/MG, Araxá/ MG, Tupinikim da Chapada do A/ES, entre outros. A violência contra os povos indígenas e suas lideranças tem sido uma marca desse modelo de desenvolvimento que criminaliza e judicializa as lutas. O desenvolvimento concebido prioriza o agro e o hidro negócios, a mineração, o turismo, obras de infraestrutura e geração de energia elétrica e atômica 3 Jan/Fev–2013 REGIONAL LESTE, PRESENÇA E LUTA Para os povos indígenas se acentua o desafio de continuar a mobilização na defesa dos seus direitos, em especial a demarcação dos territórios, diante de uma conjuntura desfavorável imposta pelos setores anti-indígenas fortalecidos pela política de alianças do governo federal E APOIADORES Jan/Fev–2013 4 m todos esses povos e situações, os membros do Regional Leste têm contribuído de forma significativa: temos hoje três equipes situadas no Sul da Bahia, Norte de Minas Gerais e na sede Regional, em Belo Horizonte (MG). Com oito missionários liberados, o Regional sempre busca as parcerias solidárias para melhor contribuir com as demandas. Os recursos humanos têm sido aquém do necessário para atuar em todas as regiões de forma mais constante. Os recursos econômicos também são exíguos para as demandas postas. As distâncias geográficas dificultam uma maior interação e intercâmbio entre as equipes e os povos, sempre colocados como prioritários para o Regional no fortalecimento da solidariedade. O Regional tem a sua assembleia anual, onde são apresentados os planejamentos das equipes para o ano seguinte, com a devida avaliação do planejamento anterior. A Coordenação Regional faz o monitoramento do planejamento das equipes durante o ano. Existe a divisão das principais tarefas entre os membros da coordenação e das equipes com o objetivo de dinamizar os trabalhos. O processo formativo dos missionários é sempre priorizado no dia a dia ou em momentos formais de reuniões, encontros, cursos, seminários, assembleias e intercâmbios. Os povos indígenas têm se esforçado para manter os seus processos organizativos e a articulação entre si. No povo Pataxó no Extremo Sul da Bahia existe um Conselho de Caciques, a Frente de Resistência e a Federação Pataxó e Tupinambá da Bahia, além de várias Associações Comunitárias. No Estado da Bahia foi criado o Movimento Indígena dos Povos da Bahia - MOPOIBA, que tem a proposta de articular a luta dos povos naquele estado. Em Minas Gerais existe o COPIMG - Conselho dos Índios de Minas Gerais, além de várias associações. A organização mais antiga e precursora de um processo de mobilização Regional é a APOINME - Associação dos Povos e Organizações Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo. O Cimi Regional Leste reconhece o esforço das lideranças para manter vivas e estruturadas algumas organizações, mas, às vezes, acabam reafirmando certas Jerry Kaxixó sobre o trabalho do Cimi: “ O Cimi sempre nos apoiou nos momentos em que ninguém nem olhava pra gente. Houve momentos em que estávamos completamente abandonados pelo poder público, mas o Cimi sempre estava lá, pra nos ajudar a seguir adiante, na busca pelos nossos direitos. Sempre apoiando a gente em seminários, cursos, mobilizações, incentivando e ajudando, principalmente quando a gente era chamado lá no Ministério Público Federal, na Funai e em outras instâncias; o Cimi é um dos únicos parceiros que de fato acredita na gente, na nossa luta. Já fomos muito discriminados e desafiados na região; às vezes as lideranças sentiam medo, mas vinham os antropólogos, o Cimi e nos davam confiança. Já lutei muito com o Cimi desde o Luiz Lobo, o Luciano e o Sumário e agora com o Eduardo sempre tivemos apoio. Tenho certeza que a coisa pode mudar se as lideranças chamarem, não ficar só esperando a Funai, o Estado. A luta agora dos Kaxixó é muito parecida com a luta do começo, as novas lideranças não tem muito conhecimento e o Povo está precisando muito de apoio. O Cimi foi importante na nossa luta e na nossa vida, acreditou nos Kaxixó, só temos é que agradecer muito . ” políticas de Estado em parcerias que se distanciam dos anseios das comunidades. Nesse sentido, temos feito o esforço em manter a aproximação com as comunidades e alguns grupos organizados como as mulheres indígenas e jovens que têm sido importantes no retorno do processo formativo e consequente mobilização. Projetando o futuro Na nossa Assembleia Regional, em fevereiro de 2013, reafirmamos o nosso compromisso com a causa dos pequenos e suas lutas, em especial com a causa indígena e sua promoção à luz do Plano de Pastoral do Cimi. O Regional Leste reafirma ser a luta pela regularização dos territórios indígenas, a formação assumida como elemento fundamental para a articulação e alianças que possibilita a transformação da realidade e a autonomia dos Povos indígenas nesta nossa região antes e agora como ponte para o futuro. No entanto, temos os nossos desafios: Politicamente, temos que retomar de forma mais intensa o processo formativo de missionários e indígenas. O objetivo é de melhor apoiar a luta de um maior número de povos em situação de fragilidade. Também se faz necessário o aumento do número de missionários e de aliados, o que poderá contribuir nos trabalhos e na superação maléfica da conjuntura. A situação de permanente conflito e violência contra os povos indígenas em nossas regiões atesta o nosso compromisso e solidariedade. A estrutura política e física do trabalho no regional se mantém por intermédio de equipes, mas temos que nos redimensionar melhor nos espaços das regiões e dos estados, ampliando nosso potencial de apoio às lutas dos índios. Para os povos indígenas se acentua o desafio de continuar a mobilização na defesa dos seus direitos, em especial a demarcação dos territórios, diante de uma conjuntura desfavorável imposta pelos setores anti-indígenas fortalecidos pela política de alianças do governo federal, aliado ao projeto desenvolvimentista que há 10 anos, depois de uma década de neoliberalismo, nos reconecta aos anseios da ditadura militar quanto ao desenvolvimento nacional. Pensar o Regional Leste para o futuro significa partirmos do princípio de que existe já estabelecido o nosso compromisso com a causa desde a fundação do Regional e na sua atualidade. Que o apoio à luta dos povos indígenas nesta Região vai continuar sempre na escuta dos anseios desses povos e no acreditar nos seus processos organizativos, a começar pelas comunidades. Que a luta pela regularização dos territórios sempre foi e será fator de união, formação, organização, mobilização e alianças para os povos e o Cimi. n