Revista VITAS – Visões Transdisciplinares sobre Ambiente e Sociedade – www.uff.br/revistavitas ISSN 2238-1627, Ano II, Nº 4, outubro de 2012 EUCALIPTO: MUDANÇAS PERCEPTÍVEIS NO MUNICÍPIO DE CLAROS DOS POÇÕES-MG Fredson reis Nunes1 [email protected] Aparecida Pereira Soares2 [email protected] Selma Pereira Soares 3 [email protected] RESUMO: O artigo descreve o processo de reflorestamento de eucalipto no município de Claro dos Poções, norte de Minas Gerais, e suas implicações ambientais e sociais, uma vez que a implantação dos maciços homogêneos no município trouxe mudanças perceptíveis, tanto no quadro ambiental como também no quadro social. A ameaça é grande à vegetação natural do Cerrado ali presente e às espécies animais, gerando também impactos sociais negativos, uma vez que famílias locais estão sendo encurraladas pelo processo de reflorestamento do eucalipto. O texto descreve as modificações ocorridas e a carência que hoje se apresenta nas famílias ali situadas, que antes complementavam o orçamento familiar com o Cerrado. A metodologia baseia-se em pesquisas bibliográficas com autores que discutem o tema proposto, entrevistas locais e pesquisa de campo no município de Claro dos Poções. PALAVRAS-CHAVE: Eucalipto, Cerrado, Impactos ambientais, Impactos sociais, Claro dos Poções. 1 Acadêmico do curso de Geografia da Universidade Estadual de Montes Claros – MG - bolsista do projeto PIBID. – Professor acadêmico do Programa Núcleo de Atividades para a Promoção da Cidadania – NAP – UNIMONTES.E-mail: [email protected] 2 Acadêmica do curso de Geografia da Universidade Estadual de Montes Claros – MG. E-mail: [email protected] 3 Acadêmica do curso de Geografia da Universidade Estadual de Montes Claros – MG – Professora acadêmica do Programa Núcleo de Atividades para a Promoção da Cidadania – NAP – UNIMONTES.Email:[email protected] 1 Revista VITAS – Visões Transdisciplinares sobre Ambiente e Sociedade – www.uff.br/revistavitas ISSN 2238-1627, Ano II, Nº 4, outubro de 2012 ABSTRACT: This paper describes environmental and social impacts of the introduction of the plantation of eucaliptus in the the bioma of Cerrado in the north of the state of Minas Gerais. KEYWORDS: Cerrado, environmental assessment; social assessment, Claro dos Poções INTRODUÇÃO A difusão das monoculturas cultivadas geneticamente, principalmente no que diz respeito ao norte/nordeste de Minas, acarretou a substituição das varias espécies de fauna e flora local; juntamente a essas “substituições” houve a desestruturação da “agri-cultura” familiar, resultando assim na resistência das famílias camponesas do lugar. “A nova paisagem configurada pelo processo desenvolvimentista afetou drasticamente os pilares de sustentação da agricultura familiar tradicional, construídos em séculos de convivência com seus ecossistemas e seus limites agroambientais”. (D’angelis Filho e Dayrell, 2009, p. 05). Para situar o leitor do presente artigo, em primeiro momento, realiza-se um recorte histórico e localização regional, assim também como a vivência dos moradores locais e atributos naturais com ênfase na importância do cerrado para as famílias situadas no determinado espaço. A demanda pela plantação de eucalipto na região não trouxe somente grandes maciços homogêneos, mas também questões de relevância no âmbito ambiental e social, uma vez que interferiu nos recursos naturais locais e também interferiu no quadro social das famílias locais, temas que serão abordados no decorrer do presente trabalho. O Cerrado, bioma de maior predominância no sertão norte mineiro, cobria originalmente cerca de dois milhões de km2 do território brasileiro, mas cerca de 2 Revista VITAS – Visões Transdisciplinares sobre Ambiente e Sociedade – www.uff.br/revistavitas ISSN 2238-1627, Ano II, Nº 4, outubro de 2012 40 de sua área foi desmatada. É constituído por vegetação caducifólia (ou estacional), predominante arbustiva de raízes profundas, galhos retorcidos e cascas grossas (que dificulta a perda de água). Duas das espécies mais conhecidas são o pequizeiro e o buriti (o último encontrado em brejos e nas nascentes de rios e veredas). É uma formação plenamente adaptada ao clima tropical típico com chuvas abundantes no verão e no inverno seco, desenvolvendo-se, sobretudo, no centro-oeste brasileiro. Esse bioma também ocupa porções significativas do estado de Roraima. Nas regiões Sudeste e Nordeste do país ele se apresenta como enclave. Em regiões mais úmidas esta formação se torna mais densa e com árvores maiores, caracterizando o chamado “cerradão”, conforme AB ‘SABER (1971). Para que seja mais bem compreendida a vivência dos moradores locais com o Cerrado e a importância dele na vida dos mesmos, desde a alimentação, uso de ervas medicinais, à cultura, isso faz parte de um processo socioeconômico de grande relevância. Recorremos em primeiro momento aos estudos de Luz e Dayrell (2000) sobre a região: A riqueza do regime alimentar na região é ao mesmo tempo a expressão maior do cruzamento da questão social com a questão ecológica, posto que o alimento é a energia que o corpo humano necessita,com qualquer outro ser vivo. O regime alimentar, tecido ao longo dos séculos pelos Geraizeros, pelos Caatingueiros, pelos Vazanteiros, é o resultado do modo como essas populações se apropriaram das diferentes condições naturais que a região oferecia seus brejos/várzeas, suas encostas suas chapadas, seus cerrados, suas matas secas suas caatingas ensejando seus sistemas agrícolas. Deste modo, mais que a pecuária, a região, sem duvida, tem uma tradição, uma agricultura, há o requeijão, o queijo de minas, o cuscuz, a rapadura, o licor de pequi, a cachaça,o bolo de milho, alem dos remédios... Luz, C; Dayrell, C.(2000,p. 23) Segundo Gomes (1998), na região, de bioma predominante cerrado, são extraídos diferentes tipos de produtos animais e vegetais, sendo que mais de 200 espécies de plantas potencialmente úteis ainda não foram devidamente exploradas. Dentre diversas espécies de interesse, o pequi (caryocar brasiliense), o cajuzinho-do-cerrado (anacardium humile), o rufão (peritassa campestris), a fava 3 Revista VITAS – Visões Transdisciplinares sobre Ambiente e Sociedade – www.uff.br/revistavitas ISSN 2238-1627, Ano II, Nº 4, outubro de 2012 d’anta4, conhecida na região como favela; em certas épocas do ano famílias locais se embrenham na mata a procura desses frutos, vendidos a peso para compradores de fora, dessa forma adicionando uma renda a mais no orçamento familiar. De acordo com Gomes (1996): As espécies nativas são fontes de renda para agricultores da região. Isto ocorre porque a produção agrícola é composta quase que exclusivamente de produtos para subsistência e são inúmeros as dificuldades encontradas pelos agricultores, destacando-se a queda da produtividade das lavouras, devido principalmente à seca; esgotamentos dos solos e aumento da incidência de doenças e pragas nas plantações. Da vegetação nativa os agricultores extraem recursos para o consumo e comercialização, que é o caso da fava d’anta dito anteriormente. O extrativismo de plantas nativas é expressivo, contribui para a obtenção de alimentos alem de geração de renda através da comercialização (Gomes, 1996 p. 29). Percebe-se que o Cerrado é um bioma, um ecossistema de suma importância para os povos locais desde seus modos de vida às tradições e costumes. Também é importante para o regime hídrico regional, que é abundante, mas que com o passar dos anos vem sendo alterado com a introdução das monoculturas do eucalipto na região: embora a média pluviométrica não tenha sido alterada, as irregularidades das chuvas são freqüentes, comprometendo assim a agricultura familiar dos pequenos proprietários. A INTRODUÇÃO DA MONOCULTURA DE EUCALIPTO: IMPACTOS SOCIOAMBIENTAIS O município de Claro dos Poções está situado na mesorregião do norte de Minas, na microrregião de Montes Claros, tendo municípios limítrofes: Montes Claros, Bocaiúva, Jequitaí, Francisco Dumont e São João da Lagoa, ficando aproximadamente a 450 km da capital mineira, Belo Horizonte. Sua população é de aproximadamente 8.000 pessoas (IBGE, Senso 2010). O clima tropical típico da região e do bioma predominante, o Cerrado, é considerado do ponto de vista hidrológico a caixa d’água do Brasil. 4 Árvore de porte médio cujos seus frutos são usados para a fabricação medicamentos veterinários. 4 Revista VITAS – Visões Transdisciplinares sobre Ambiente e Sociedade – www.uff.br/revistavitas ISSN 2238-1627, Ano II, Nº 4, outubro de 2012 De acordo com Rodrigues (2003), do ponto de vista da paisagem natural predominante na região, a área se encontra inserida no Domínio dos Chapadões Interiores, de acordo com a divisão morfoclimática proposta por Ab’ Saber (1971). Em classificação fitogeográfica, a área situada encontra-se inserida no domínio das savanas – Cerrados/Campos Gerais Tropicais. E em termos de cobertura vegetacionais natural e tratos antrópicos: Floresta tropical Subcaducifolia, Floresta Estacional Decidual, Savana, Formações pioneiras e reflorestamento. A demanda das empresas para com a plantação de eucalipto na região se iniciou primeiramente pelo fato das terras serem propícias para o cultivo do eucalipto, instalam-se em terras do estado por meios de contratos e pela compra de propriedades particulares, segundo Porto-Gonçalves: Os gerais, ou seja, as terras públicas das chapadas dos sertões do norte de minas, se tornaram particulares, seja pelas mãos do estado, através de contratos de sucessão de uso para grandes plantações de eucalipto,seja pela apropriação à mão grande, a ponta do fuzil. Tudo isso articulado ao pólo siderúrgico do Quadrilátero ferrífero, fornecendo carvão de ótima qualidade, vegetal, para queimar nos auto-fornos e/ou nas indústrias de ferro-ligas de Sete Lagoas, Capitão Enéas, Várzea da Palma, Pirapora Ipatinga, bocaiúva, Betim...(C.W. Porto-Gonçalves,1999, p.23) O estado de Minas Gerais, embora possua uma das mais avançadas legislações ambientais dos pais, segundo Araújo (2000), é, ao mesmo tempo, um dos estados que mais sofrem alterações antrópicas, principalmente, como visto, a supressão da cobertura vegetal natural para implantações de florestas homogêneas, áreas que para muitos especialistas constituem verdadeiros desertos verdes. Um dos primeiros impactos danosos ambientais começa com a supressão da vegetação natural e na preparação do terreno para o plantio, preparação e correção do solo, combate as formigas e pragas através do uso de inseticidas, intensa movimentação de tratores, caminhões e trabalhadores. 5 Revista VITAS – Visões Transdisciplinares sobre Ambiente e Sociedade – www.uff.br/revistavitas ISSN 2238-1627, Ano II, Nº 4, outubro de 2012 Segundo uma moradora local, após o plantio do eucalipto, o riacho “Cana Brava”5, que sempre foi permanente, acabou assoreado: “lembro que antes os meninos tomavam banho no rio no fundo de casa hoje se quiserem, tem cavar na areia até fazer um pequeno buraco pra encher d’água.”6 Figura1- Supressão vegetal natural, e ao fundo plantação de eucalipto, município de Claro dos Poções – MG, Fonte: NUNES, F. R. As novas paisagens configuradas pelo processo de reflorestamento ocorrem em todas as regiões brasileiras, mas tem se intensificado na região Norte/Nordeste mineira, segundo D’angelis Filho e Dayrell, (2009 p.06): “Impactos significativos ocorrem em todas as regiões brasileiras, particularmente as situadas em uma ampla faixa de transição dos cerrados para a caatinga sob o domínio do semi-árido brasileiro.” 5 Afluente do Riacho Fundo, Localizada sua jusante no município de Claro dos Poções, próximo a BR 365, km 56 entre a micro bacia do Riacho Fundo e a micro bacia do Rio São Lamberto. 6 Relato verbal, Srª Aldelina, moradora local cuja propriedade da mesma se encontra em limite territorial com áreas em processo de reflorestamento. 6 Revista VITAS – Visões Transdisciplinares sobre Ambiente e Sociedade – www.uff.br/revistavitas ISSN 2238-1627, Ano II, Nº 4, outubro de 2012 Figura1- Desmatamento próximo a jusante do riacho Cana Brava, município de Claro dos Poções – MG. Fonte: NUNES, F.R. Um grande fato preocupante para os moradores é a interferência no leito e nos cursos d’água dos riachos, como por exemplo, a construção de pequenas represas próximas a nascentes e no leito dos mesmos, utilizando sacos de areia e aprofundamento do leito, com o propósito abastecer os caminhões pipas7 para regar as mudas de eucalipto durante e após seu plantio. 7 Caminhões cuja finalidade é dada ao transporte de água. 7 Revista VITAS – Visões Transdisciplinares sobre Ambiente e Sociedade – www.uff.br/revistavitas ISSN 2238-1627, Ano II, Nº 4, outubro de 2012 Figura2- Pequena represa construída no leito do riacho Cana Brava, município de Claro dos Poções – MG. Fonte: NUNES, F. R Outro fato preocupante causado após a plantação do eucalipto é a diminuição do volume de água dos leitos, uma vez que o fluxo era permanente e após o plantio do eucalipto se tornou quase intermitente, devido ao assoreamento e o represamento do leito em diversos locais. Figura3- Assoreamento do riacho Cana Brava, próximo a sua nascente. Fonte: NUNES, F. R. 8 Revista VITAS – Visões Transdisciplinares sobre Ambiente e Sociedade – www.uff.br/revistavitas ISSN 2238-1627, Ano II, Nº 4, outubro de 2012 Segundo Lima (1996), a introdução de certa espécie arbórea em um determinado ecossistema contribuirá para a conservação da hidrografia local ou pode contribuir também para sua destruição. As veredas presentes na região são áreas consideradas como um verdadeiro berçário de pássaros e pequenos animais; são locais de nascentes, constituídas de solos pobres, cobertura vegetal de gramíneas, pequenos arbustos e palmeiras de grande porte, os Buritis8. Mas nelas já não se encontra um volume de água perene, pois com o passar do tempo houve a interferência negativa dos grandes fazendeiros com a inserção do gado de corte, e recentemente com a implantação de eucalipto na região. Figura 04. Buritizeiro em meio a uma vereda local, agora intermitente principalmente em período de estiagem. Fonte: NUNES, F. R. Conforme Carvalho (2001), o plantio em áreas elevadas em relação ao curso d’água desempenhará um forte papel no abastecimento do lençol freático: 8 Mauritia vinifera 9 Revista VITAS – Visões Transdisciplinares sobre Ambiente e Sociedade – www.uff.br/revistavitas ISSN 2238-1627, Ano II, Nº 4, outubro de 2012 Quanto a rebaixar o lençol freático, outras plantas também o fazem, algumas mais do que eucalipto, mas há questões a considerar: as árvores extraem do solo menos água do que ajudam a injetar nele; na seca seu metabolismo desacelera-se e portanto sua evapotranspiração, como já disseram os especialistas; finalmente se rebaixarem o lençol significativamente num ou outro caso, corte-se o eucalipto e o efeito desaparecerá. Carvalho (2001). Após diálogo com outra moradora local, percebe-se o desânimo de sua família viver encurralada pelo eucalipto “me dá saudade e tristeza ao mesmo tempo, em lembrar que antes isso tudo era chapada os meninos gostava de ir pro mato brincar, caçar o que comer... , eu pegava Tingui pra fazer sabão... E hoje eles chegaram e plantaram eucalipto em tudo” 9. Aqui se recorre novamente a Gontijo (1999), que traz uma excelente contribuição para o entendimento da ruptura do equilíbrio ambiental e social no Cerrado: Entretanto com a introdução das florestas homogêneas de eucalipto nas áreas de chapadões, os camponeses perderam as áreas que utilizavam para completar sua economia ... perderam a possibilidade de completar sua alimentação com frutos e a pequena caça durante anos de más colheitas. Perderam a possibilidade de catar galhos caídos que lhe serviam como lenha. Perderam acesso a áreas de pastos que possibilitavam a sobrevivência de seu rebanho durante secas. Perderam uma área considerável de plantas medicinais com as quais colocavam em prática um conhecimento já arraigado e repassado desde gerações pretéritas. Perderam em muitos casos a sua própria propriedade, pois muitos camponeses não possuíam titulo de propriedade de suas terras e estas, sendo devolutas foram passadas para as reflorestadoras (Gontijo, 1999:71-72). Percebe-se aqui que após a introdução da monocultura do eucalipto na localidade houve uma ruptura com a com a fauna e flora local, uma vez que todo o meio ecológico foi alterado. 9 Relato verbal, Srª Aldelir, morador local. 10 Revista VITAS – Visões Transdisciplinares sobre Ambiente e Sociedade – www.uff.br/revistavitas ISSN 2238-1627, Ano II, Nº 4, outubro de 2012 Pequizeiro florido, árvore restada após o desmatamento das áreas locais para o plantio de eucalipto. Fonte: NUNES, F. R. Percebe-se também que houve uma grande ruptura no que diz respeito ao quadro social local, uma vez que as famílias estão sendo encurraladas pelo processo de reflorestamento, sendo obrigadas a mudar, e em muitas às vezes drasticamente seu modo de vida e também mudanças na economia, pois os complementos orçamentais extraídos de maneira sustentável no cerrado local já não existem. A policultura que aqui existia fortemente ligada à vida dos moradores locais está cedendo lugar às monoculturas. CONSIDERAÇÕES A economia dos moradores locais, reforçada pelo extrativismo vegetal do Cerrado, era diversificada, com a criação de pequenos rebanhos soltos nas largas10, em área de vegetação forrageira usada no período da seca, quando o gado não tinha a alimentação suficiente nas pequenas propriedades de seus proprietários, que recorriam a tal recurso. 10 Termo de origem local/regional referente às terras devolutas e/ou de grandes proprietários, que antes do processo de reflorestamento eram de uso comunal. 11 Revista VITAS – Visões Transdisciplinares sobre Ambiente e Sociedade – www.uff.br/revistavitas ISSN 2238-1627, Ano II, Nº 4, outubro de 2012 A monocultura do eucalipto na localidade tomou o espaço das pequenas lavouras como as de milho, cana, feijão, hortaliças, entre outros, que reforçavam a alimentação dos moradores locais e também no que diz respeito às diversas plantas para uso medicinal. Como fica a questão dos pequenos agricultores, que dependem do Cerrado para complementar o orçamento familiar assim também como sua sobrevivência? Foi possível observar, através deste estudo sucinto, que a introdução do eucalipto no município de Claro dos Poções, norte de Minas Gerais, é de fato preocupante, uma vez que os recursos hídricos, o meio natural, as relações sociais e socioeconômicas sofrem os impactos advindos das transformações após a implantação das monoculturas de eucalipto no Município. Figura 4- pequena propriedade que está sendo cercada pelo eucalipto. Município de Claro dos Poções - MG. Fonte: NUNES, F. R Os cursos d’água já se encontram assoreados e rarefeitos, principalmente próximo às áreas reflorestadas e em reflorestamento, e as famílias dos pequenos agricultores estão sendo encurraladas pelo eucalipto. 12 Revista VITAS – Visões Transdisciplinares sobre Ambiente e Sociedade – www.uff.br/revistavitas ISSN 2238-1627, Ano II, Nº 4, outubro de 2012 REFERÊNCIAS AB ‘SABER, A. N. A organização natural das paisagens inter e subtropicais brasileiras. In: Simpósio do cerrado, 3, 1971. São Paulo: Blücher/ed. USP, 1971. ARAÚJO, Marcos Antonio Reis. Conservação da biodiversidade em Minas Gerais: em busca de uma estratégia para o século XXI. Belo Horizonte: Unicentro Newton Paiva, 2000. CARNEIRO, Geralda V. N. F. B. [et al]; SANTOS, G. A. dos (Org). Trabalho, cultura e sociedade no Norte/Nordeste de Minas. Montes Claros: Best Comunicação e Markenting, 1997. CARVALHO, E. O boi e o eucalipto. Estado de Minas Gerais, Belo Horizonte, p. 3, (01. nov. 2001) D´ANGELIS FILHO, J. S. & DAYRELL, C.A. 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