ANAIS DO III ENCONTRO NACIONAL DO GT HISTÓRIA DAS RELIGIÕES E DAS RELIGIOSIDADES –
ANPUH -Questões teórico-metodológicas no estudo das religiões e religiosidades. IN: Revista
Brasileira de História das Religiões. Maringá (PR) v. III, n.9, jan/2011. ISSN 1983-2859.
Disponível em http://www.dhi.uem.br/gtreligiao/pub.html
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TRAÇOS BIOGRÁFICOS DO CÔNEGO LUIS VIEIRA DA SILVA:
SER CRISTÃO NA AMÉRICA PORTUGUESA (SÉC. XVIII – SOCIABILIDADE E
IDENTIDADES SOCIAIS)
Herinaldo Oliveira Alves1
Licenciado e bacharel em História pela UFOP
[email protected]
1 – INTRODUÇÃO
O século XVIII, em Minas Gerais, é marcado por uma efervescente e complexa
formação social, ritmada, entre outras coisas, pelo auge do ouro e conseqüente riqueza, como
também pela pobreza gerada. No entanto, nosso objeto de estudo, neste artigo, não é o século
XVIII ou mesmo a sociedade mineira no setecentos. O objeto de estudo é um membro dessa
sociedade, Luis Vieira da Silva. Neste artigo, no entanto, deter-me-ei à trajetória deste
religioso e homem de letras, buscando ampliar o campo de compreensão do pensamento por
ele veiculados através dos sermões como também de sua inserção em alguns meios
intelectuais e políticos da Capitania. Natural das Minas, que nela viveu nos idos de mil e
setecentos, aluno dos jesuítas, tornou-se sacerdote católico, professor de filosofia do
seminário de Mariana e, no decorrer de sua trajetória religiosa, recebeu o título de Cônego,
sendo mais conhecido por seu envolvimento na Inconfidência Mineira. Luis Vieira da Silva
está inserido em seu tempo, motivo pelo qual da importância de interpretar as atitudes de sua
vida a luz de uma época o que nos possibilita compreender melhor determinados
posicionamentos de certos agentes históricos.
No entanto, não objetivamos reconstituir parte da vida do cônego Luis Vieira da Silva
a partir do que escreveram sobre ele no século XVIII. Não se trata de buscar biografias épicas,
o que não existiu, mas sim, a partir de documentos elaborados no período, seja pela Igreja ou
pelo Estado, que, por diversas formas, tentavam mapear a vida dos habitantes do Reino
buscando informações que pudessem corroborar ou negar sua idoneidade, no diz respeito à
sua condição de cristão velho, sua conduta moral, ou mesmo de “fiéis vassalos” subservientes
a sua alteza. Todavia, a despeito dos percalços políticos vividos pelo Cônego, é possível não
traçar a biografia de Vieira da Silva de forma dicotômica – antes e depois da Inconfidência;
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pode-se, pelo contrário, reconhecer as matrizes culturais-ideológicas que embasaram sua
reflexão ao longo de sua vida. Assim, este religioso expressou, em seus sermões ou em sua
vida, as contradições socioculturais de sua época, marcada por acirrada mutabilidade. Para
traçarmos de maneira mais eficaz esta breve biografia do Cônego Vieira utilizamos, dentre
outros documentos, o processo montado para sua ordenação sacerdotal genericamente
chamado de de genere.2 Na primeira parte desse processo, vê-se desenrolar uma série de
interrogatórios acerca da origem do candidato ao sacerdócio católico para apurar se o mesmo
é de origem herética ou se possui, em sua ascendência, algum membro oriundo de uma
“infesta nação”, ou seja, mouros, judeus, negros, mulatos. No de genere temos, anexo a sua
primeira parte, cópias das certidões de batismo e casamento de seus pais e avós como forma
de legitimar a pureza de sangue e a ancestralidade pia dos membros de sua família, como
verdadeiros e legítimos cristãos, tementes a Deus e aos preceitos da Igreja. É neste corpus
documental que teremos a principal fonte desse artigo.
Não se trata apenas de reconstituir uma trajetória biográfica, mas sim, tentar observar
como Luis Vieira da Silva percorreu seu laborioso caminho até sua prisão, por ocasião da
Inconfidência Mineira, e mesmo como a instituição Igreja buscava conhecer seus membros
através de investigações feitas em diversas partes por onde os candidatos ao sacerdócio
residiram. Isso possibilitará também, compreender melhor como ele, em sua caminhada
intelectual, travou contato com diferentes correntes de pensamento filosófico e teológico,
tentando articulá-los em seus discursos como também na sua vida. Um jesuíta da época de
Vieira da Silva, o padre José Nogueira, ao escrever uma apresentação do jovem seminarista
ao colégio de São Paulo, classifica-o dizendo ser o mesmo um menino de “bom gênio e
engenho”, apontando assim, dentre outras coisas, características intelectuais importantes,
onde se pode observar a capacidade articular em um discurso diversos ramos do saber. A vida
do Cônego Luis Vieira da Silva nos possibilitará ampliar nosso campo investigativo e
interpretativo de suas matrizes retóricas e sua atuação na sociedade.
2 – DAS ORIGENS
O processo para ordenação sacerdotal é composto de três partes: o de genere, que
designa a investigação sobre a naturalidade do candidato como também de seus progenitores,
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e se os mesmos são batizados, casados na igreja, crismados, podendo assim, serem
considerados cristãos velhos. Já a segunda parte, de moribus, busca, através de depoimentos
de terceiros conhecer a conduta moral da pessoa, se é respeitosa, digna de confiança, não
difamada. A última parte desse processo, de patrimonium, avalia se o candidato possui algum
bem móvel ou imóvel que, em algum momento, possa viabilizar seu sustento independente do
seu estado clerical. Essas orientações foram estabelecidas pelo concílio de Trento e reforçadas
pelas Constituições primeiras do Arcebispado da Bahia,3 no capítulo terceiro. Um rol de 29
perguntas é apresentado a diversas pessoas, na maioria das vezes em número de 10, para
apurar acerca das origens, da moral e do patrimônio.
A naturalidade de Luis Vieira da Silva será motivo de diferentes interpretações
resultante do pronunciamento feito por ele mesmo na devassa por ocasião das inquirições da
Inconfidência Mineira. Em diversas passagens dos autos da Inconfidência, é registrado pelo
escrivão da devassa ser o Cônego natural de Ouro Branco.4 Não será nenhum lapso do
escrivão da devassa este registro ou mesmo do próprio Cônego, talvez explicado pelo
nervosismo frente a situação da prisão, do julgamento que seriam submetidos e das
penalidades que por ventura receberiam. No entanto, será no Arraial de Ouro Branco que irão
residir suas irmãs e sua mãe por algum tempo, e onde terá também umas terras, conforme se
observa na terceira parte do de genere, quando trata dos bens patrimoniais que possuía. Na
última parte do processo, estão anexadas as certidões dos bens que possuía e que poderia, a
partir delas, retirar alguma renda para seu sustento sem precisar dos pagamentos oriundos do
exercício do ministério sacerdotal. Há, por parte do Cônego, uma ligação com o Arraial de
Ouro Branco, não por origem, mas por proximidade, seja do seu patrimônio, seja por laços
familiares. Luis Vieira da Silva irá nascer no Arraial de Soledade, atual Lobo Leite, 5 sendo
batizado no dia 21 de fevereiro de 1735.6 Era o primogênito do casamento de Luis Vieira
Passos, natural de Portugal, da paróquia de São Miguel de Vilela, onde nasceu no lugar
chamado Passos, e de Josefa Maria do Espírito Santo, natural da paróquia de Santo Ildefonso,
Cidade do Porto, conforme apresentou Vieira nos interrogatórios genealógicos que a Câmara
Eclesiástica7 submetia-os no processo de genere.8
Os pais do cônego Vieira, Luis Vieira Passos e Josefa Maria do Espírito Santo, se
retiraram para as terras do Brasil sem vínculos de matrimonio e se conheceram,
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provavelmente, nas Minas, onde residiam no Arraial das Congonhas do Campo. No mesmo
ano em que eles contrariam matrimonio, ambos aparecem sendo padrinhos em um batizado,
mas solteiros, conforme registro nos livros de Batismo da paróquia de Congonhas do Campo.9
No mesmo assento datado de abril de 1733 quando o reverendo vigário faz o registro da
madrinha, Josefa, há a informação de quem é o seu pai. É comum, na escrituração religiosa, o
cuidado de registrar se a mulher era casada ou solteira, e se no caso fosse casada, não sendo o
marido o padrinho, se fazia a devida anotação apontando que a madrinha era esposa de outra
pessoa, apontando seu nome. Neste caso, “Josefa Maria, filha de Miguel Luis da Costa”,
ainda não era casada com Luis Vieira Passos o que levou o pároco a registrar a quem Josefa
ainda estava ligada, por laço de filiação. O enlace matrimonial acontecerá “aos dezoito dias
do mês de novembro de mil setecentos e trinta e três anos, às onze horas da manhã, na capela
de Nossa Senhora da Soledade”.10 É interessante observar que dois padres são as testemunhas
deste casamento: o padre Manoel Fonseca e o padre Domingos Nunes Maya, fato este não
muito usual.
Luis Vieira Passos, pai do Cônego Luis Vieira da Silva, foi batizado em sete de
novembro de mil seiscentos e noventa e três. É natural do lugar chamado Passos, Portugal, da
paróquia de São Miguel de Vilela.11 Seus pais, João Gaspar e Ana Francisca (avós paternos),
casaram em 1689.12 Ana Francisca, avó paterna do Cônego Vieira da Silva, é natural do lugar
chamado Cancela, freguesia de São Tiago, Castelo de Lanhoso, extra muro, conforme
apresentado pelos interrogatórios realizados em Portugal e das certidões que foram inclusas
ao processo. Os pais de Ana Francisca, Luis Gonçalves e sua mãe, homônima, Ana Francisca
(bisavôs do Cônego Vieira da Silva), eram também naturais e moradores do mesmo arraial,
Cancela. Exerciam trabalhos manuais como roceiros no dito arraial. Ana Francisca, filha,
retirou-se para a freguesia de São Miguel de Vilela para se casar com João Gaspar.
João Gaspar, por sua vez, era filho de Antonio Gaspar e Isabel Luisa (bisavôs paternos
do Cônego), são tidos, pelos depoentes, como naturais do lugar chamado Passos, da paróquia
de São Miguel de Vilela.13 João Gaspar e Ana Francisca (que havia se retirado de Cancela
para se casar com João Gaspar), avós paternos, são tidos pelas testemunhas como legítimos e
velhos cristãos. Além disso, eram lavradores, como apontam a maioria dos depoentes que,
com exceção de um, tinham o mesmo ofício. Dentre os filhos deste casal a documentação
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aponta o nome de mais dois, além de Luis Vieira Passos (pai do Cônego): Constantino14 e
Manoel Luis Vieira. Este último era “padre de missas” que, pela observação de Custódio do
Vale Araujo, primeiro a depor na paróquia de São Miguel, em Portugal, no ano de 1751, havia
poucos anos que tinha falecido.15
Todas as testemunhas apontam ter conhecido Luis Vieira Passos “que há anos se
ausentara para os Estados do Brasil nos sítio das Congonhas do Campo” e que “pelo decurso
de muitos anos falou e conversou muitas vezes” com ele,16 ou, como aparece em outros
trechos dos interrogatórios, que “muitas vezes falou antes de sua ausência”.17 Em Portugal,
Luis Vieira exercia o ofício de carpinteiro antes de se ausentar para a colônia. Do Brasil,
“escrevera algumas vezes”,18 ou como afirma a sexta testemunha, “de lá tem enviado muitas
cartas aquela freguesia, como tem ouvido em várias conversações”.19 Em uma dessas cartas,
conforme menciona a sétima testemunha, dá notícias de seu casamento e do nascimento de
filhos.
Josefa Maria do Espírito Santo, mãe do Cônego Vieira, natural da paróquia de Santo
Ildefonso, também em Portugal, é filha de Miguel Luis da Costa e de Joana Pessoa da Silva.
Miguel Luis da Costa (avó materno do Cônego Vieira da Silva) é filho de João Luis e
Francisca Joana20 (bisavôs do Cônego) naturais da freguesia de Santa Maria das Medas, lugar
do Pombal, Portugal, e viviam da lavoura.21 Miguel Luis (avô materno) foi batizado em
dezenove de setembro de mil seiscentos e setenta e sete,22 retirando-se, posteriormente, para a
cidade do Porto onde “aprendera o ofício de trocedor de seda”.23 O trocedor era a pessoa que,
de acordo com Rapahel Bluteau, exercia oficio manual com um instrumento, o torcedor, que
“se aparta dando voltas”24. O torcedor de seda é o “oficial que torce seda”. Este casou-se com
Joana Pessoa da Silva (avó do cônego) na freguesia de Santo Ildefonso. Joana fora batizada
em 20 de fevereiro de mil seiscentos e oitenta e um.25 Era filha de Jerônimo Fernandes e de
Mariana Pessoa Silva (bisavôs do Cônego) residentes todos na rua da Corduária, e viviam do
ofício de lavradores.26 Os avós maternos do cônego casaram-se no ano de 170027 mas
residiram ainda na rua da Corduária “por mais de vinte anos”.28 Todas as testemunhas
afirmam ter Miguel Luis da Costa (avô materno) se retirado para os Estados do Brasil com
sua esposa (Joana Pessoa da Silva) e seus filhos, sem mencionar quais eram ou, pelo menos,
quantos descendentes já possuíam. No Brasil, o casal Miguel Luis da Costa e Joana Pessoa da
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Silva irão se instalar no Arraial das Congonhas onde a filha Josefa Maria do Espírito Santo irá
contrair matrimônio com Luis Vieira Passos.
Nas denunciações feitas no Brasil, tanto em Ouro Branco como em Congonhas do
Campo, várias pessoas apontam para o ofício manual realizado pelo pai do Cônego Luís
Vieira da Silva. Além de ser oficial de carpinteiro, tanto em Portugal como no Brasil, é
apontado também como roceiro e mineiro,29 acumulando, desta forma, funções. Em data
incerta, no Brasil, Luis Vieira Passos receberá o título de Alferes. Russel Wood observa que
alguns títulos (alferes, capitão – de milícias, mestre de campo) eram “muito ambicionados a
ponto de um governador observar sarcasticamente que era mania de nobreza, ou uma esposa
ambiciosa, e não o desejo de servir a Coroa que levava os colonos a fazer petições aos
governadores e aos reis para concessão de tais postos”.30 Desta forma, estes títulos tinham
mais uma função de status social, que apontava para uma certa importância da pessoa no
cenário de determinado lugar ou região, ao invés de determinadas funções exercidas por estes
agentes históricos. No entanto, enquanto ainda estava no reino, Luis Vieira Passos participou
de uma guerra no Norte de Portugal contra a Espanha. Duas folhas do processo de banho,
documento este preparado para se realizar o casamento com Josefa Maria, que por algum
motivo foram anexadas ao de genere, aponta que Luis Vieira Passos esteve como “soldado
nas guerras passadas nas quais andou pelas praças do Minho” e, além de soldados nas tropas
reais, trabalhou como oficial de carpinteiro durante a mesma batalha.31 As guerras passadas a
qual se refere o documento é a Guerra de Sucessão Espanhola ocorrida entre 1702 e 1714 em
decorrência da vagância do trono espanhol e a sucessão régia do trono hispânico.32
Do casamento entre Luis Vieira Passos e Josefa Maria do Espírito Santo, foram
identificados quatro filhos, conforme documentação paroquial arrolada, tanto de Congonhas
do Campo, como de Ouro Branco. O primeiro filho encontrado na documentação é o próprio
Luis Vieira da Silva, futuro cônego Vieira, nascido e batizado na capela da Soledade,
paróquia de Congonhas do Campo, em 21 de fevereiro de 1735.33 O segundo filho do casal,
Maria, nasceria na paróquia de Santo Antônio, em Ouro Branco, sendo batizada no mesmo
lugar em 26 de junho de 1737.34 Segue com mais dois batizados ocorridos na freguesia de
Congonhas do Campo, ambos na capela da Soledade, sendo a terceira filha de nome Antônia,
batizada em 17 de agosto de 174135 e a outra filha, de nome Josefa, que recebeu o batismo em
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1º de janeiro de 1744.36 Não há livro de óbitos da paróquia de Congonhas desse período, o
que impossibilitou a localização das datas de morte do Alferes Luis Vieira Passos. Há
informação de sua morte de Luis Vieira Passos, pai do Cônego Vieira, antes de sua
ordenação, que ocorre em 1759, a partir de um requerimento realizado por Vieira da Silva
onde declara ser Luis Vieira Passos já defunto. Já o óbito da mãe, Josefa Maria do Espírito
Santo, ainda impreciso, foi localizado um registro nos livros da freguesia de Santo Antônio de
Ouro Branco, datado de 15 de setembro de 1768. Refere-se ao acento de óbito de uma Josefa
Maria do Espírito Santo, que recebendo a extrema unção, mas sem comungar, pois estava
com “muitos vômitos” veio a falecer “da vida presente” e fora enterrada dentro da Igreja
Matriz de Santo Antônio de Ouro Branco.37 Além do nome, não há nenhum outro registro que
ajude a identificar se é ou não o óbito de Josefa Maria do Espírito Santo, se era viúva, se tinha
filhos, testamentos, que possa ajudar a identificar se é a mãe do cônego Vieira da Silva ou
mesmo uma homônima.
3 – DOS ESTUDOS
A diocese de Mariana foi criada pelo Papa Bento XIV pela bula Candor Lucis Eterne, no
ano de 1745.38 Nessa época, a região das Minas do Ouro se desvincula oficialmente da
jurisdição religiosa da diocese do Rio de Janeiro. O primeiro bispo a tomar posse foi Dom frei
Manoel da Cruz que, após uma longa viagem do Maranhão até as Minas pelo sertão entrou
solenemente em sua catedral no dia 28 de novembro de 1748.39 Uma de suas primeiras
atitudes como Bispo de Mariana, foi criar uma Instituição de ensino que fosse lugar para a
formação do Clero de seu bispado. Em dezembro de 1750, Dom Frei Manuel da Cruz funda o
seminário de Mariana dedicando-o à proteção de Nossa Senhora da Boa Morte.40
Luís Vieira da Silva fez seus primeiros estudos no Seminário de Mariana, pedindo sua
transferência para o Colégio dos Jesuítas, em São Paulo, em 1752. Na época, o superior do
Seminário de Mariana era o padre José Nogueira, da Companhia de Jesus, e o mesmo faz a
apresentação de Luis Viera para São Paulo. No termo de apresentação do seminarista para o
Colégio dos Jesuítas apresenta-o como sendo de “bom gênio e engenho”.41 Para Raphael
Bluteau, engenho é a “força natural do entendimento, com a qual o homem percebe prompta e
facilmente o que lhe ensinam, aprende as ciências e artes mais dificultosas, inventa e obra
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muitas coisas”.42 Já a figura do gênio corresponde, para o mesmo autor, ao “talento e
disposição natural com que uma pessoa se inclina”.43 Desta forma, padre Nogueira, Jesuíta,
via no jovem Vieira da Silva uma pré disposição intelectual que o faz apresentá-lo aos seus
pares em São Paulo, colocando-o em contato com um colégio talvez melhor estruturado que
lhe possibilitasse um desenvolvimento intelectual mais avançado.
Em São Paulo também se realizaram inquirições sobre o comportamento moral de
Luis Vieira da Silva no período de dezembro de 1757. Corresponde a um dos interrogatórios
mais fracos, sem muitas informações, podendo ser inferido que na referida cidade não era
aluno interno dos Jesuítas, mas sim externo. Ia para o colégio para assistir as aulas e ficava
hospedado em uma casa na cidade como se observa a partir do depoimento de Francisco
Coelho Aires que fora um de seus vizinhos. Um outro depoente, Jerônimo de Castro, conhecia
o dito “habilitando (...) e no tempo que esteve nesta cidade assistiu o mesmo habilitando com
dinheiro para a sua sustentação”.44
Ao concluir seus estudos em São Paulo retorna para Mariana, sendo ordenado pelo
primeiro bispo, Dom frei Manoel da Cruz, em vinte três de março de mil setecentos e
cinqüenta e nove.45 Nomeado vigário da Vila de São José Del Rei, hoje Tiradentes, transmitiu
pouco depois a administração paroquial desta Vila para o padre Toledo, que posteriormente se
envolveria também no processo da Inconfidência Mineira.46 O cônego Vieira é apontado pelo
historiador Raimundo Trindade, como também por Eduardo Frieiro47, entre os grandes
pregadores das Minas. Sobre ele, cônego Raimundo Trindade indica terem sido proferidos
três sermões emblemáticos, a saber: da inauguração da Igreja de São Francisco de Assis de
Ouro Preto; nas exéquias do Príncipe do Brasil e nas celebrações fúnebres do doutor
Lourenço José de Queirós Coimbra.48 Infelizmente, nossa pesquisa conseguiu descobrir
apenas um desses sermões referentes a exéquias do doutor Lourenço, pároco de Sabará. Os
arquivos de Ouro Preto, onde se encontra o fundo arquivístico da Ordem Terceira de São
Francisco de Vila Rica, não foi encontrado nenhum sermão ou pronunciamento do Cônego
Vieira da Silva.
4 – DA VIDA PÚBLICA
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Luís Vieira da Silva, então padre da Diocese de Mariana49, foi nomeado pelo segundo
prelado deste bispado, Dom Joaquim Borges de Figueiroa, como professor do Seminário
Diocesano na cadeira de filosofia, ato anunciado, inclusive, em carta pastoral. As pastorais
são documentos episcopais que deveriam ser lidos em todas as paróquias após a estação da
Missa, ou seja, antes da benção final.50 Tratava-se de uma maneira eficaz de divulgação, pois
desta forma, a notícia espalhar-se-ia rapidamente. No entanto, no de genere há alguns
documentos que mencionam Luis Vieira da Silva exercendo atividades como professor antes
mesmo dele receber as ordens sacras. O primeiro documento está nas folhas 169 fazendo
menção a ele como professor. Posteriormente, em 1759, antes de ser ordenado, há uma
petição onde é citado “Luis Vieira da Silva, clérigo subdiácono, Mestre no Seminário desta
cidade”,51 o que percebe-se sua atuação no seminário como professor. Por fim, após sua
ordenação, vê-se outro requerimento do mesmo Vieira onde se lê que ele atuou como
professor de Filosofia do Seminário de Mariana e desejava, no entanto, concorrer a vaga de
uma das igrejas que estavam sem pároco: do Rio das Pedras e de Nossa Senhora da
Conceição, de Catas Altas.52
Além de professor, Vieira atuou como orador sacro. Neste ínterim, sua fama de bom
pregador espalhara-se, apontado pela historiografia do século XX como um renomado e
exímio pregador em Minas Setecentista (como já mencionado o cônego Raimundo Trindade,
como também por Eduardo Frieiro53). Torna-se então sermoniário oficial de Prados, além de
ser convidado a proferir o sermão na inauguração (parcial) da Igreja de São Francisco de
Assis, em Vila Rica (atual Ouro Preto), em 1771.54 Isso se deve por ter sido membro da
Ordem Terceiro de São Francisco de Assis de Vila Rica, ocupando também, o cargo de
Comissário da Irmandade, sendo o sétimo Comissário da Ordem em Vila Rica.55 Nas ordens
Terceiras, o Comissário é o sacerdote responsável em dirigir espiritualmente a congregação
depois de canonicamente investido no cargo pelo provincial.56 Este sermão não foi encontrado
no referido Arquivo, apenas menção a ele.
No que diz respeito ao campo da oratória, a atuação de Vieira não se restringia à
difusão da doutrina e dos valores religiosos; ele também atuava, ainda que implicitamente, no
âmbito político-religioso, pois os sermões católicos não deixavam de veicular valores e
modelos de ordem social. Além disso, Vieira também construía, através dos sermões, uma
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determinada memória da diocese, a partir da atuação de seus homens ilustres. Isso não era
casual, pois um dos elementos para a interpretação da história para o pensamento católico dos
tempos modernos era a atuação do protagonista de determinados agentes, normalmente
pertencentes à elite social, política ou religiosa.
Em paralelo, todavia, destacadas mudanças também transcorriam no campo do
pensamento católico. No que toca à eloqüência religiosa, sua relevância ampliara-se
progressivamente desde o século XVI, com a pregação tendo adquirido o mesmo estatuto da
leitura e do ensino da Escritura Sagrada e, neste sentido, devendo ser promovida de forma
freqüente (cotidiana, ou pelo menos três vezes por semana na Quaresma, no Advento e nos
períodos de jejum, além de sua obrigatoriedade aos domingos). Desta forma, a prática do
sermão era tida pela hierarquia eclesiástica como o principal meio de doutrinação do povo,
face à dificuldade de acesso aos textos bíblicos em línguas vulgares pelos leigos. Estas
orientações para pregação surgem com mais vigor durante o Concílio de Trento e é ressaltado
pelas Constituições primeiras do Arcebispado da Bahia quando afirma que “a pregação da
palavra de Deus nosso Senhor é o mantimento espiritual das almas, e muito necessária para a
Salvação delas, como diz o Sagrado Concílio Tridentino”.57 Por isso, atribuía-se grande
importância à formação em retórica nos colégios e seminários.
Esta valorização, por sua vez, propiciou que, ao longo do século XVII, o modelo
retórico tradicionalmente empregado na prática da pregação religiosa, de viés escolástico
(sermo moderno) cedesse lugar ao sermão epidítico, fundado nas normas da retórica clássica,
o qual visava oferecer um modelo de sociedade reformada ao catolicismo. Assim, a Igreja
delineava sua própria Renascença, reeditando, para isto, os escritos dos Padres da Igreja,
sobretudo de Santo Agostinho, autor que confluiu, em uma mesma fundamentação teológica,
a constituição da sociedade cristã e da interioridade humana. Por outro lado, a retórica
católica dos tempos modernos jamais dispensou o referencial aristotélico-tomista, pelo qual o
agir pessoal comportava uma dimensão ético-política, desdobrada da concepção do livrearbítrio e do ideário da co-participação dos homens na obra da criação divina (Massimi,
2005).
5 – CONCLUSÃO
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O Cônego Vieira, em suas múltiplas identidades de sacerdote, homem letrado e
político, também colecionou um número significativo de pessoas não tão simpatizantes com
sua figura. Quando tentou assumir o cargo de Vigário da paróquia do Rio das Pedras, alguns
cônegos abriram um processo contra ele acusando-o de simoniaco. Isso resultou em
problemas, inclusive, para ocupar o cargo de cônego, quando de sua nomeação pela Rainha
no ano de 1783, onde passaria a incumbir-se do culto religioso na catedral58. O segundo livro
do Cabido de Mariana possui apenas um registro sobre ele: “provido, e colado na mesma Sé,
o Reverendo Luis Vieira da Silva, o qual houve posse corporal, e controvérsia no dia 25 de
Março de 1783”.59 A “posse controvérsia”, conforme mencionado por um cônego em 1790, é
a recusa por parte de outros cônegos que não o desejava no cabido da Diocese. Sua posição, e
aliás, deveria ser de confiança do bispo por ter ocupado já há alguns anos o cargo de professor
do seminário diocesano, só foi possível graças a um processo aberto pelo Cônego Vieira da
Silva, elaborado por Tomas Antônio Gonzaga, em defesa da legitimidade da nomeação e
posse. Hoje, este processo foi incorporado ao de genere, na primeira parte, e abre o dito
códice.
Aparentemente integrado à sociedade letrada de Minas colonial, Vieira da Silva,
contudo, passa à posição de contestador, subversivo, criminoso e deportado para Portugal, na
seqüência das denúncias e punições envolvendo o movimento da Inconfidência mineira. Na
metrópole lusitana, viveu por vários anos sob clausura conventual. Remeteu ao rei pedido
para ter sua pena comutada, como a de outro sacerdote. No entanto, o rei solicita ao Visconde
de Barbacena informações sobre o Cônego Vieira para saber se deve ou não soltá-lo, como
fez com o padre Manoel Rodrigues da Costa. Visconde de Barbacena, na carta em que
respondeu ao rei, ressaltava que fez algumas investigações e sabe da fragilidade da saúde do
cônego “muito enfraquecida e deteriorada não só pela idade, mas pelos violentos incômodos,
e conseqüentes moléstias que acompanharão a sua desgraça”. O estado de saúde fragilizado
do cônego na Metrópole é visto como castigo divino, por ter se indisposto frente ao Rei. No
entanto, Visconde de Barbacena apresenta razões extra judiciais para repensar a libertação do
inconfidente afirmando ser o “suplicante Luis Vieira da Silva, cujos talentos e instrução eram
notoriamente superiores aos do padre Manoel Rodrigues da Costa, super maior a capacidade
de malícia”.60 É público e notório o reconhecimento por seus contemporâneos da capacidade e
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ANAIS DO III ENCONTRO NACIONAL DO GT HISTÓRIA DAS RELIGIÕES E DAS RELIGIOSIDADES –
ANPUH -Questões teórico-metodológicas no estudo das religiões e religiosidades. IN: Revista
Brasileira de História das Religiões. Maringá (PR) v. III, n.9, jan/2011. ISSN 1983-2859.
Disponível em http://www.dhi.uem.br/gtreligiao/pub.html
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habilidade intelectual que Vieira possuía, desde sua tenra idade, como afirma o jesuíta
Nogueira, que o admirava, como pelo temor que sofria administradores régios que via nele
sinal de perigo para a ordem pública. Não está em anexo a este documento do Arquivo
Ultramarino a resposta do Rei com a decisão, mas tanto Cônego Raimundo Trindade como
Eduardo Frieiro afirmam que o Cônego retornou à Colônia brasileira, onde veio a falecer em
data ainda imprecisa. Nenhuma documentação foi encontrada a este respeito.
Notas
_______
* * Os documentos utilizados neste artigo é resultado das pesquisas realizadas como bolsista no projeto de
Iniciação Científica, PIBIC/CNPq, no período de 2007 a 2009 sob a orientação da professora Dra. Virgínia
Buarque.
1
Herinaldo Oliveira Alves é Licenciado e Bacharel em História pela Universidade Federal de Ouro Preto e
atualmente atua como professor do Colégio Nossa Senhora da Piedade, Congonhas, e da Escola Benjamim
Guimarães da rede Estadual de Educação, ambos no Estado de Minas Gerais - Brasil.
2
De genere, palavras latinas que significam das origens. SARAIVA, F. R. dos Santos. Novíssimo Dicionário
Latino Português. 12º ed. Rio de Janeiro/Belo Horizonte: Garnier, 2006.
3
CONSTITUIÇÕES PRIMEIRAS DO ARCEBISPADO DA BAHIA. Feitas e ordenadas pelo Ilustríssimo e
Reverendíssimo Senhor Dom Sebastião Monteiro da Vide, 5º Arcebispo do dito Arcebispado, e do Conselho de
sua Magestade. Propostas e aceitas em o synodo Diocesano, que odito Senhor Celebrou em 12 de junho do anno
de 1707. Impressas em Lisboa no anno de 1719 e em Coimbra em 1720. Titulo XLIII, parágrafo 224. p. 92 s. A
partir daqui citada apenas como: CONSTITUIÇÕES PRIMEIRAS DO ARCEBISPADO DA BAHIA. Op.
cit. p.
4
AUTOS de Devassa da Inconfidência Mineira. 2º Ed. Brasília, Câmara dos Deputados. Belo Horizonte:
Imprensa Oficial de Minas Gerais, 1982. Volume 2, p. 95.
5
BARBOSA, Waldemar de Almeida. Dicionário histórico e geográfico de Minas Gerais. Belo Horizonte:
Imprensa oficial, 1971. p. 269.
6
ARQUIVO ECLESIÁSTICO DA ARQUIDIOCESE DE MARIANA. Atestado de batizado de Luis Vieira
da Silva. em: 21/02/1735. In: LIVRO DE BATISMO DA PARÓQUIA DE NOSSA SENHORA DA
CONCEIÇÃO DAS CONGONHAS DO CAMPO 1731 – 1741. Estante H livro 17. folhas 47.
7
Câmara Eclesiástica: sinônimo de Cúria, a secretaria de um governo episcopal. In.: RODRIGUES, Flávio
Carneiro. Cadernos Históricos do Arquivo Eclesiástico de Mariana – os dois relatórios decenais de Dom
Antônio Ferreira Viçoso (1853 – 1866). Volume 4. Mariana: Ed. Dom Viçoso, 2005. p. 95.
8
ARQUIVO ECLESIÁSTICO DA ARQUIDIOCESE DE MARIANA. de genere et moribus et patrimonium
de Luís Vieira da Silva. Armário 01. Prateleira 03, 1750 – 1759. A partir daqui este documento será citado
apenas como: AEAM. De genere. Op. Cit. f. __
9
AEAM. Atestado de batizado de Manoel, mulato, em: 12/04/1733. In: LIVRO DE BATISMO DA
PARÓQUIA DE NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO DAS CONGONHAS DO CAMPO 1731 – 1741.
Estante H livro 17. folhas 16 V.
10
AEAM. De genere. Op. Cit. f. 148 V. Não há livro de casamentos da paróquia de Congonhas. Esta é uma
cópia anexada ao processo de genere.
11
AEAM. De genere. Op. Cit. f. 97 V.
12
AEAM. De genere. Op. Cit. f. 99 V.
13
AEAM. De genere. Op. Cit. f. 99 V.
14
AEAM. De genere. Op. Cit. f. 98.
15
Cf.: AEAM. De genere. Op. Cit. f. 86.
16
AEAM. De genere. Op. Cit. f. 88 V.
17
AEAM. De genere. Op. Cit. f. 94.
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Brasileira de História das Religiões. Maringá (PR) v. III, n.9, jan/2011. ISSN 1983-2859.
Disponível em http://www.dhi.uem.br/gtreligiao/pub.html
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18
AEAM. De genere. Op. Cit. f. 89 V.
AEAM. De genere. Op. Cit. f. 79.
20
Cf.: AEAM. De genere. Op. Cit. f. 132 e 132 V.
21
Cf.: AEAM. De genere. Op. Cit. f. 115.
22
A certidão de batizado encontra-se nos livros da Freguesia de Santa Maria das Medas, folhas cinqüenta e nove.
Há uma cópia anexa ao processo de genere às folhas 133. Cf.: AEAM. De genere. Op. Cit. f. 133.
23
AEAM. De genere. Op. Cit. f. 121.
24
BLUTEAU, Raphael. Vocabulario portuguez & latino: aulico, anatomico, architectonico. Coimbra: Collegio
das Artes da Companhia de Jesu, 1712 - 1728. 8 v. disponível em: http://www.brasiliana.usp.br/dicionario,
acessado em: 31 de maio de 2010. p. 204 – 205.
25
AEAM. De genere. Op. Cit. f. 133.
26
Cf.: AEAM. De genere. Op. Cit. f. 132.
27
A certidão de Casamento encontra-se nos livros da Freguesia de Santo Ildefonso, extra muros, folhas duzentas
e trinta e sete. Há uma cópia anexa ao processo de genere às folhas 132 e 132 V. AEAM. De genere. Op. Cit. f.
132 – 132 V.
28
AEAM. De genere. Op. Cit. f. 129. Sete, das dez testemunhas, falaram ser da rua da Corduária.
29
Cf.: AEAM. De genere. Op. Cit. f. 145.
30
RUSSEL WOOD, A. J. R. Autoridades ambivalentes: Estado no Brasil e a contribuição para “a boa ordem na
República”. In.: SILVA, Maria Beatriz Nizza (org.). Brasil: Colonização e escravidão. Rio de Janeiro: Nova
Fronteira, 2000. p. 116 – 117. Grifo nosso.
31
AEAM. De genere. Op. Cit. f. 161 – 161 V.
32
Sobre a guerra de sucessão espanhola vide: http://www.infopedia.pt/$guerra-da-sucessao-de-espanha>.
Acessado em 02/05/2010. Vide também: LIDDELL HART, Basil Henry. As grandes guerras da história. Trad.:
Aydano Arruda. 3º Ed. São Paulo: IBRASA, 1982. p. 115 – 129.
33
AEAM. Atestado de batizado de Luis Vieira da Silva. Op. Cit. Estante H, livro 17. folhas 47.
34
AEAM. Livro de batizados da paróquia de Santo Antonio de Ouro Branco. Prateleira S, livro 24. folhas 10 V.
35
AEAM. Livro de batizados da paróquia de Nossa Senhora da Conceição das Congonhas do Campo.
Prateleira H, livro 18. folhas 71 V.
36
AEAM. Livro de batizados da paróquia de Nossa Senhora da Conceição das Congonhas do Campo.
Prateleira H, livro 18. folhas 138 V.
37
AEAM. Livro de Óbitos da paróquia de Santo Antonio de Ouro Branco. Prateleira S, livro 37. Folhas 91.
38
Cf.: TRINDADE, Cônego Raimundo. Arquidiocese de Mariana – subsídios para sua história. 2º ed. Belo
Horizonte: Imprensa Oficial, 1953. p. 100. A denominação atual é Arquidiocese de Mariana. Com a mesma bula
o Papa Bento XIV, em 06/12/1745, também criou a diocese de São Paulo e a prelazia de Goiás.
39
O primeiro bispo de Mariana foi Dom Frei Manoel da Cruz que só tomou posse em seu novo bispado, pois era
anteriormente bispo do Maranhão, em 1748, após uma verdadeira epopéia pelo interior do Brasil em sua viagem
para Minas. Este evento de posse do primeiro Bispo foi narrado na obra Auro Trono Episcopal, reeditado, no ano
de 2006, pelo arquivo Público Mineiro. Cf.: AVILA, Affonso. Resíduos seiscentistas em Minas: textos do século
do ouro e as projeções do mundo barroco. 2º ed. Revista e atualizada. Belo Horizonte: Secretaria de Estado de
Cultura de Minas Gerais. Arquivo Público Mineiro, 2006. Sobre a criação da diocese vide também:
VASCONCELOS, Diogo. História do Bispado de Minas Gerais. Belo Horizonte: Apolo, 1935. p. 25.
40
Cf.: TRINDADE, Cônego Raimundo. Breve notícias dos Seminários de Mariana. Publicação do bicentenário
do Seminário e cinqüentenário sacerdotal de Dom Helvécio Gomes de Oliveira. São Paulo: Revista dos
Tribunais, 1953. p. 12
41
AEAM. De genere. Op. Cit. f. 48.
42
BLUTEAU, D. Rapahel. Op. cit.. p. 117.
43
BLUTEAU, D. Rapahel. Op. Cit. p. 53.
44
AEAM. De genere. Op. Cit. f. 193.
45
Cf.: TRINDADE, Cônego Raimundo. Arquidiocese de Mariana. Op. cit. p. 135.
46
Cf.: TRINDADE, Cônego Raimundo. São Francisco de Assis de Ouro Preto. Rio de Janeiro: Ministério da
Educação e Saúde, 1951. Publicação da Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Nº 17. p. 200.
47
Cf. FRIEIRO, Eduardo. O diabo na livraria do Cônego. 2º ed. São Paulo: Itatiaia, 1981.
48
Cf.: TRINDADE, Cônego Raimundo. São Francisco de Assis de Ouro Preto. Op. cit. p. 197.
19
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ANAIS DO III ENCONTRO NACIONAL DO GT HISTÓRIA DAS RELIGIÕES E DAS RELIGIOSIDADES –
ANPUH -Questões teórico-metodológicas no estudo das religiões e religiosidades. IN: Revista
Brasileira de História das Religiões. Maringá (PR) v. III, n.9, jan/2011. ISSN 1983-2859.
Disponível em http://www.dhi.uem.br/gtreligiao/pub.html
_________________________________________________________________
49
Outras informações sobre a Diocese de Mariana vide: VASCONCELOS, Diogo. História do Bispado de Minas
Gerais. Belo Horizonte: Apolo, 1935. p. 25.
50
Cf.: TRINDADE, Cônego Raimundo. Arquidiocese de Mariana. Subsídios para a sua história. 2º ed. Belo
Horizonte: Imprensa Oficial, 1953. Vol. 1º. p. 147.
51
AEAM. De genere. Op. Cit. f. 182.
52
AEAM. De genere. Op. Cit. f. 230.
53
Cf. FRIEIRO, Eduardo. O diabo na livraria do Cônego. 2º ed. São Paulo: Itatiaia, 1981.
54
TRINDADE, Raimundo, Cônego. São Francisco de Assis de Ouro Preto. Op. Cit. p. 201.
55
ARQUIVO DA PARÓQUIA DE NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO – OURO PRETO (APNSC –
OP). LIVRO DE ELEIÇÕES DE MESA, JUÍZES E PRESIDENTES DE BAIRROS DA ORDEM TERCEIRA
DE SÃO FRANCISCO DE ASSIS DE VILA RICA. Volume 160 Caixa 38, Estante 04, Prateleira 01. folhas 51.
56
ARQUIVO DA PARÓQUIA DE NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO – OURO PRETO (APNSC –
OP). ESTATUTO DA VENERAVEL ORDEM TERCEIRA DE SÃO FRANCISCO DE ASSIS DE VILA
RICA. 1754. Estante 03, prateleira 01, Artigo 153, 154 e 155, folhas 31 e 32. volume 204, Caixa 26.
57
CONSTITUIÇÕES PRIMEIRAS DO ARCEBISPADO DA BAHIA. Op. Cit. Livro Terceiro, Título 20,
parágrafo 512, grifo nosso.
58
TRINDADE, Raimundo. Arquidiocese de Mariana. Op. Cit. Vol. I. p. 147.
59
AEAM. 2º Livro do Cabido de Mariana. Armário 08, prateleira 03. f. 26 V.
60
ARQUIVO HISTÓRICO ULTRAMARINO. In.: BOSCHI, Caio César. Inventário dos manuscritos avulsos
relativos a Minas Gerais existentes no Arquivo histórico Ultramarino (Lisboa). Belo Horizonte: Fundação João
Pinheiro, Centro de Estudos Históricos e Culturais, 1998. CD 48, rolo 427 a 432.
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traços biográficos do cônego luis vieira da silva: ser cristão