Material
Preparatório
Viver Nazaré
Textos:
André Luís de Araújo (Roteiros para oração/reflexão)
Luís Duarte Vieira (Roteiros para grupos e redes)
Revisão:
André Luís Araújo
Rachel Omoto Gabriel
Vanessa Ap. A. Correia
Tradução:
Espanhol: André Luís de Araújo
Inglês: Raphael Gil; Matheus C. Bartholomeu
Revisão tradução:
José Luis Fuentes, sj
Projeto Gráfico:
Victor Luigi Bautista Pisani
www.magis2013.com
2. Introdução
3
3. Roteiros para Oração/reflexão
6
Eis-me aqui
7
Tudo o que existe canta ao Senhor
8
O olhar que salva o mundo
9
Ele está no meio de nós
10
Escutai, pois
11
Meus olhos veem a Tua salvação
12
Permanecei no meu amor
13
Conhecendo o sonho de Deus
14
Toma, Senhor, e recebe
15
Esperam por nós “nações”
16
4. Roteiros para grupos e redes
17
5. Anexo 24
2
2.
Introdução
O MAG+S, um encontro da Companhia de Jesus com jovens inacianos do mundo
inteiro, motiva os jovens a estar em profunda e sincera sintonia com o espírito do magis
inaciano, expressão de uma sede inesgotável, um impulso vital, que nos leva a desejar e
a realizar grandes coisas em favor do Reino.
Em 2013, o MAG+S terá lugar no Brasil, com o lema “Esperam por nós ‘nações’”,
convocando-nos à mobilidade, à proximidade, à compaixão, ao profetismo, à comunhão
de destino com o próprio Cristo, na doação completa da vida, para que a humanidade
viva. Inspirado no texto da Congregação Geral 35 (Dec 2,22), o lema motiva-nos a ir às
fronteiras, com a consciência de que “a criação aguarda ansiosamente a manifestação
dos filhos de Deus” (Rm 8,19), pois é nossa missão constantemente re-criar o mundo,
fazendo aparecer nele a justiça e a paz.
O lema do MAG+S Brasil é também uma resposta que a juventude inaciana dá à Igreja,
quando ela nos interpela, através do lema da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), com o chamado de Cristo: “Ide e fazei discípulos entre todas as nações” (Mt 28, 19), nas tantas nações
que esperam por nós, por nosso testemunho, pelo Evangelho da esperança. Aqui não nos referimos às nações geográficas, marcadas por fronteiras, como as que conhecemos. Para além
das fronteiras geográficas, sustentamos que há outras nações, comunidades de pobres, oprimidos, deslocados, solitários, com as quais queremos compartilhar nossa vida e que clamam
por um pouco de esperança, de luz e de sentido, num mundo que anuncia a diluição das fronteiras geográficas e, ao mesmo tempo, ergue muros de exclusão, incompreensão, isolamento.
O MAGIS tem sido um convite a peregrinar, desde a sua criação em 1997. E, no Brasil, não será diferente. Será um apelo a peregrinar às nações, deixando-se questionar pela
realidade e pelo Senhor, do mesmo modo que o fez o peregrino Inácio. Peregrinar a partir
de si, para o encontro com o próximo. Peregrinar tendo o Cristo como guia, a humanidade
como destinatária de amor e o mundo como lugar do seguimento, lugar amado pelo Deus
que se encarna e onde se realiza a experiência de ser cristão.
Imbuído desse espírito de peregrinos, o MAG+S 2013 propõe um caminho. Como
sabemos, a quantidade de jovens que participará, no Brasil, nos dias de encontro, é pouca,
comparada às centenas de milhares de jovens inacianos no mundo. Mas o caminho que o
MAG+S Brasil propõe é para todos porque, antes de tudo, ele quer nos colocar em sintonia
com o magis inaciano, o qual todos somos chamados a viver, como projeto para a vida.
Para isso, idealizamos um caminho simbólico, bíblico e espiritual para os jovens e
seus grupos. No caminho do MAG+S, vamos “visitar/viver” alguns lugares bíblicos. Lugares percorridos por Jesus e que são cheios de sentido para nós, como caminho de crescimento humano e espiritual. Propomos seguir os caminhos de Jesus e, neles, seguir Jesus.
O caminho rumo ao magis e rumo ao MAG+S é composto de diferentes momentos e
atividades. Veja, abaixo, os eixos temáticos, a inspiração e o lugar que motivam cada momento preparado para o MAG+S.
Este itinerário que é proposto nos vai inspirando, conforme a vivência de Jesus, nos
diferentes tempos de sua vida, levando-nos igualmente a tantos lugares e situações. Começaremos por Nazaré, lugar da preparação, do crescimento, do discernimento e da saída;
chegaremos a Betânia, espaço para reconhecer-se comunidade, lugar da amizade e da alegria do encontro; faremos um grande percurso por diferentes povoados rumo a Jerusalém,
percurso marcado por muitos encontros que nos revelam muito do Projeto de Deus; subiremos a Jerusalém, lugar de confirmação e de resposta radical, e finalizaremos na Galileia,
lugar dos desafios da vivência do cotidiano, do anúncio e do testemunho diário.
3
4
MOMENTO
EIXO
INSPIRAÇÃO
LUGAR BÍBLICO
Preparação
Discernimento
O que Deus me
dá a desejar?
Nazaré
Encontro em
Salvador (Bahia)
Encontro
Reconhecer-se
comunidade
Betânia
Experiências
Envio
Ide, inflamai o
mundo
Caminho para
Jerusalém
JMJ
Confirmação
Diante da
comunidade
Jerusalém
Volta para casa
Missão
Responder com
a vida
Galiléia
PREPARAÇÃO: VIVER NAZARÉ
Em espírito de acolhida, queremos iniciar este percurso rumo ao magise ao
MAG+S. Iniciaremos com este tempo de preparação, que tem como eixo central a dimensão do discernimento, tempo de recolhimento, de aprendizado, de cotidiano, de
escuta. Este tempo de espera até o MAG+S será tempo de viver Nazaré. Nessa pequenina cidade nos encontramos.
Nazaré quer dizer “aquela que guarda”, portanto, aquela que guarda a presença
de Deus. É uma pequena aldeia, na Galileia, citada no Novo Testamento. É em Nazaré
que Maria recebe a anunciação. É lá também que Jesus viveu toda sua infância e juventude, no convívio com a família, com os vizinhos, com a comunidade de fé, com a realidade sociopolítica de seu tempo, com o trabalho. De lá ele parte para a missão.
Aí será o nosso lugar nestes meses de preparação que antecedem ao MAG+S
Brasil e à Jornada Mundial da Juventude. Aí nos vamos reconhecendo, vendo como o
Projeto de Amor do Pai se encarna corajosamente em nós. Aí vamos descobrindo o desejo infinito de Deus e o nosso princípio e fundamento, as bases sobre as quais se ergue
e se sustenta a nossa vida. Aí vamos aprendendo a força de uma nova maneira de olhar,
de entrar no íntimo dos seres para salvá-los, para refazer a realidade por mais dura que
seja. Nazaré revela quem somos, porque experimenta a simplicidade do povo, o amor
que redime e testemunha o crescimento em estatura e graça. Nazaré evidencia a centralidade do Reino, uma vez que ouviu a Palavra do Senhor e abriu espaços para que ela
se encarnasse. Nazaré nos permite compreender a vida do povo e chegar àquele lugar
da redenção mais profunda, onde o fruto da iniciativa amorosa de Deus se encontra e
cresce, enquanto se entrega total e livremente. Nazaré se esvazia para ver o mundo se
encher de amor e nos inquieta, porque se desinstala em favor de um bem muito maior,
mais universal. De Nazaré o discípulo se projetará no mundo, em busca das nações que
o ajudarão a inflamar os povos no mesmo amor.
5
COMO USAR ESTE MATERIAL
Para nos aprofundarmos na vivência de Nazaré, propomos estes roteiros que são
esquemas de oração, de partilha e de encontro, divididos em dois tipos. Na primeira
seção, apresentamos esquemas que, elaborados a partir de dez dimensões, podem ser
feitos individualmente ou em grupos, por partilhas ou por revisão de vida, por meio de
tempos fortes de meditação ou contemplação do Mistério de Salvação que se encarna e nos salva. Evidentemente que se notará certa linearidade no percurso proposto,
uma vez que a base se encontra nos Exercícios Espirituais. No entanto, isso não invalida
os tempos e os momentos de cada grupo ou pessoa, que poderão imprimir o ritmo
que quiserem, dado que os temas se estruturam mais por dimensões concêntricas, que
propriamente obedecendo à lógica da sucessão. Assim, nesta disposição circular, os temas estão como que justapostos, desenvolvidos a partir de cinco sugestões bíblicas
e de uma breve motivação, oferecendo-se a oportunidade de se começar a partir de
qualquer ponto, bastando simplesmente o ânimo e a generosidade, aproveitando-seda
estrutura tanto quanto ajude a atingir o fim para o qual se destina (EE 23). Afinal, a continuidade e o aprofundamento exigidos em cada dimensão dar-se-ão conforme a realidade do(s) exercitante(s), à medida que se reconhece aproximando ou distanciando do
centro, que é o próprio Cristo, para onde todas as coisas se encaminham.
Nos roteiros da segunda seção, apresentamos três sugestões de temas para serem trabalhados nos grupos/comunidades/redes, na mística de Nazaré. Outros temas,
que façam mais sentido para as distintas realidades, podem ser incorporados. A ideia
principal é permitir que o MAG+S seja um tempo oportuno para o encontro de grupos
de jovens inacianos e para a articulação de redes inacianas de jovens, em cada parte do
mundo. Nesse sentido, a realização de atividades com os temas propostos nos roteiros
seria conveniente para reunir jovens de diferentes grupos, de diferentes obras, tecendo
redes.
Os roteiros propõem, na mística de Nazaré, refletir, contar, rezar as histórias de
vida dos jovens. Nazaré é o lugar da vida escondida de Jesus, lugar onde Ele cultiva sua
história na vida da família, da vizinhança, da comunidade de fé. Ela pode ser para cada
jovem lugar de encontro e cultivo de sua história de vida também. Os roteiros propõem,
ainda, os temas da realidade juvenil e do discipulado, a partir de Nazaré. Por fim, eles
sugerem diferentes tipos de atividades que podem ser realizadas pelos jovens. A essas
atividades sugeridas podem se agregar outras que façam sentido em cada realidade.
Enfim, o MAG+S Brasil pretende ser este tempo de graça. Sermos colocados com
o Filho, no seu seguimento, no dinamismo do Reino, ajudando a gerar um mundo mais
humano, fraterno e justo, entrelaçando o melhor de nossos desejos com o desejo de
Deus. Ir às ‘nações’ conscientes de que quando esses desejos se harmonizam, o magis
acontece, porque só no diálogo de desejos pode brotar uma realidade nova.
6
3.
Pontos para
Oração Pessoal
7
Eis-me aqui!
Todo caminho da gente é resvaloso.
Mas, também, cair não prejudica demais.
A gente levanta,
a gente sobe,
a gente volta!
(Guimarães Rosa)
A quem recebe os Exercícios, muito
aproveita entrarneles com ânimo e
generosidade para com seu Criador e Senhor. (EE 5)
Há em nós um desejo profundo, algo que nos inquieta e que de alguma maneira
nos impulsiona. Somos o tempo todo instigados, provocados a reagir. São muitos afetos,
sentimentos: imagens, cores, recordações, sons, vídeos, vozes, angústias, ruídos, odores,
lugares, gostos, alegrias, texturas, pessoas...Tanto apelo, muita vida! Como ordenar tudo
isso? Como selecionar tanta informação? Como processar esses dados sem se perder?
‘Eis-me aqui!’
Para quê? Por quê? Em que condições? Quando? Querendo ir para onde? Em que
direção? Sozinho? Alguém mais vai junto? Por quanto tempo?
Questionar-se ajuda, anima, auxilia quem se dispõe a caminhar. Orienta as forças,
estimula e lança luz onde estamos e nos vamos constituindo. Encoraja quem se compromete a se aproximar, a ver de perto, a analisar e a medir esforços diante dos desafios. Elimina
os voluntarismos e faz olhar uma e outra vez para fora e para dentro. É um exercício de
reconhecimento, uma tentativa de nomeação.
Uma busca e, de repente, um encontro. A graça diante do Senhor, uma clareza e
um nível diferente de compreensão. Um amor maior que nos abraça e que se compromete
a nos acompanhar, que acredita em nós e nos dá condições de fazer coisas ainda muito
maiores... É o dinamismo do Reino abrindo caminho na História!
• GRAÇA: Fazer-se presente na presença do Senhor.
• PALAVRA DE DEUS: Êx3, 1-10
Sb 9, 1-18
Is6, 1-8
Lc1, 26-38
Lc 10, 1-9
• REVISÃO/PARTILHA DA ORAÇÃO: Onde estou? Oque me impulsiona no caminho a seguir?
8
TUDO O QUE EXISTE CANTA
AO SENHOR...
Sou uma filha da natureza:
quero pegar, sentir, tocar, ser.
E tudo isso já faz parte de um todo,
de um mistério.
Sou uma só...
Sou um ser.
E deixo que você seja.
Isso lhe assusta?
Creio que sim.
Mas vale a pena.
(Clarice Lispector)
As outras coisas sobre a face da Terra são
criadas para o ser humano e para o ajudarem a
atingir o fim para o qual é criado.(EE 23)
Um ser entre os demais, um ser como os demais; um com os demais, um para os demais.
Um dinamismo crescente, exigente, uma percepção aguçada da vida. Descobrir-se parte de um
mistério muito maior que se distende, se abre, se nutre de nossa existência e se faz também com a
nossa participação. É espantoso e é maravilhoso: o Senhor conta conosco para continuar criando.
Tudo o que existe canta ao Senhor...
Um concerto harmonioso, uma diversidade de acordes, uma combinação inusitada,
uma riqueza de possibilidades e uma parceria. Para quê? Por que o homem?
Criatura em meio às criaturas, em busca de sua própria revelação, procurando compreender: o mundo, a natureza, os outros seres, o fim para qual é criado. E o sentido, tocado,
experimentado vai chegando pelas relações que estabelece com o que existe e se manifesta.
E ainda a tentativa de alcançar o transcendente e de mergulhar nele. Abrir-se ao
infinito e gerar um mundo mais humano, mais divino, mais possível.
• GRAÇA: Perceber como Deus trabalha e age em mim e em todas as criaturas.
• PALAVRA DE DEUS: Sl8
Dn3, 52-90
Rm8, 18-30
Cl 1, 12-20
Ap 21, 1-7
• REVISÃO/PARTILHA DA ORAÇÃO: Como me vejo criatura entre as criaturas? Qual é
o meu papel? Como descobri-lo? Como executá-lo?
9
O OLHAR QUE SALVA O MUNDO
O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
olhando para a direita e para a esquerda,
e, de vez em quando, olhando para trás...
E o que vejo, a cada momento,
é aquilo que nunca antes eu tinha visto,
e eu sei dar por isso muito bem...
Sei ter o pasmo essencial
que tem uma criança se, ao nascer,
reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
para a eterna novidade do Mundo...
(Alberto Caeiro)
“Façamos a redenção do gênero humano...” (EE 107)
Algo se perde pelocaminho. Cai em meio às pedras, aos espinheiros ou num ter-
reno pouco profundo.E, querendo brotar, é sufocado e queimado pelo sol. Parece morto,
sem vontade, inerte, esquecido. Porém, basta um olhar...
O olhar que salva o mundo.
Uma maneira nova de ver, que resgata,que redime e devolve dignidade a tudo.
Uma forma de entrar no íntimo dos seres e salvá-los desde dentro, fazendo acordar as
fibras que despertam a vida. Uma forma de enxergar movendo os olhos para todos os
lados. Para trás? Para esquerda? Voltando, avançando, reconsiderando, refazendo?
E, então, perguntar-se: O que eu vejo? Como vejo? Como me vejo, percebo os outros e
o que acontece? Como me relaciono com o mundo, com as coisas, com a natureza e com Deus?
Finalmente, oespanto: a vida! E nós, estamos abertos à novidade do que aprendemos
a ver ou acostumamos o olhar à rotina das mesmas formas? O que a realidade pede de nós?
• GRAÇA: Ter um olhar agradecido e atento, capaz de dar-se conta de como todos
os bens e dons descem do Alto.
• PALAVRA DE DEUS: Sl 13 (14)
Ez 37, 1-14
Os 11, 1-9
Mt 13, 1-9
Lc7, 11-17
• REVISÃO/PARTILHA DA ORAÇÃO: Sou capaz de dar um sentido novo à realidade
que vejo?
10
ELE ESTÁ NO MEIO DE NÓS!
Sei que Deus mora em mim como em sua melhor casa.
Sou sua paisagem,
sua retorta alquímica,
e, para sua alegria, seus dois olhos.
Mas esta letra é minha.
(Adélia Prado)
Olhar como Deus habita nas criaturas e
em mim, dando-me o ser, o viver,
o sentir e o entender. (EE 235)
Certa vez alguém dizia que contemplar é perceber o templo que existe em cada
ser, em cada criatura. É considerar a maneira como o Criador vive e habita no que é criado. E esse esforço conduz a uma memória agradecida da vida que se vê transformada e,
ao mesmo tempo, autenticamente livre.
Ele está no meio de nós!
Por livre decisão da Sua vontade, caminha conosco, discretamente, enos quer
tambémlivres de todo e qualquer condicionamento. Não se ausenta, não se omite, não
gera tumultos e vai se encarnando na realidade. Não invade; pede para entrar e estar
conosco. Simples presença.
Como perceber, então,os efeitos dessa presença sem perder a própria identidade
e dando conta dos frutos que ela gera em nós? E como exercer nossa criatividade e encontrar nosso lugar no mundo sem nos determinarmos por uma situação qualquer que
nos pudesse vitimar? Isso exige personalidade e protagonismo!
É o desafio de encontrar um jeito próprio de ser e de responder com a própria
vida,à medida que reconhecemos o Senhor e O seguimos. Aprender com Ele, no comum
dos dias, o melhor modo de ser humano. Olhando para Ele, sabemos quem somos...
• GRAÇA: Reconhecer e experimentar os efeitos da presença do Senhor.
• PALAVRA DE DEUS: Sl 22 (23)
Mt 14, 22-36
Lc2, 1-15
Jo1, 1-18
Jo 21, 1-14
• REVISÃO/PARTILHA DA ORAÇÃO: O que posso fazer concretamente para tornar
mais sensível a presença do Senhor nos lugares onde Ele parece não estar?
11
ESCUTAI, POIS!
Escutai, pois!
Se as estrelas se acendem
é porque alguém precisa delas.
É porque, em verdade,
é indispensável que sobre todos os tetos,
cada noite,
uma única estrela,
pelo menos, se alumie.
(Maiakówski)
Não ser surdo, mas pronto e diligente para
atender ao chamado do Senhor. (EE 91)
Se por um instante paro e presto atenção ao que está à minha volta, começo a ter a
sensação de que vou negligenciando muita coisa. Pessoas, sons, animais, cheiros, objetos,
gostos, cores, paisagens, cenas... vão passando despercebidos, apesar de evidentes e imediatos. Por que isso acontece? Onde me refugio? Quais são os meus critérios para ouvir, ver,
sentir e interagir com o que está ao meu redor?
Escutai, pois!
Orelhas enrijecidas, olhares cansados, braços e pernas vacilantes. Como reeducar a
sensibilidade? Como ver e ouvir além do que se mostra e sentir os seus apelos?
Gaste tempo neste exercício. Olhe as pessoas e tente descobrir nelas a Pessoa do Senhor; escute o que dizem e, entre todas as vozes, procure perceber e discernir o que lhe é dito agora; observe
o que fazem e participe, opte, colabore, aprenda, escute, reconheça e se reconheça.
A nossa abertura ao infinito e o nosso desejo mais profundo revelam quem somos.
Por isso, propor esse diálogo de desejos é dispor-se a ver surgir uma realidade nova, um dinamismo novo, a força do Magis – um modo de ser e de proceder, de experimentar o amor
que redime, na pessoa de Jesus. A centralidade do Reino.
• GRAÇA: Escutar e responder, com grande ânimo e generosidade, ao chamado do
Senhor.
• PALAVRA DE DEUS: Dt5, 1-3
1Sm 3, 1-10
Mc 7, 31-37
Jo 10, 11-18
Tg1, 19-25
• REVISÃO/PARTILHA DA ORAÇÃO: Meus desejos são expressões do meu ser? Brotam
do meu manancial?
12
MEUS OLHOS VEEM A TUA SALVAÇÃO!
Se cada dia cai,
dentro de cada noite há um poço
onde a claridade está presa.
Há que sentar-se
à beira do poço da sombra
e pescar a luz caída
com paciência.
(Pablo Neruda)
Recordar os benefícios recebidos pela criação, redenção e dons
particulares, ponderando, com muito afeto, quanto Deus nosso Senhor
tem feito por mim e quanto me tem dado daquilo que tem... (EE 234)
Reconhecer minimamente a bondade, manifestar gratidão. Esforço e sutileza espiritual, olhar iluminado, braços estendidos. Luz que se projeta e se amplifica, sinal no céu
que atravessa a noite e a escuridão até outras margens. Ânimo e conforto para os que há
muito esperam. Promessa e testemunho.
Meus olhos veem a tua salvação!
O corpo rejubila. A alegria se instala. A alma bendiz. O olhar se transforma. O espírito se revigora. A ação de graças acontece.
E agora que posso ver, o que faço? O que essa luz pode fazer? Onde colocá-la? Agora
que se acendeu, como propagá-la, para quechegue a outras partes?Parailuminar outros rostos? Para não ofuscar o que precisa ser visto?Para não invadir ou violentar nenhuma realidade?
Sentir, recolher, saborear internamente, e com muito afeto, o que o Senhor tem
feito por nós. Aprender a delicadeza da pergunta: ‘que queres que eu te faça?’; ou ainda:
‘crês que posso fazê-lo?’. Ouvir, respeitar, silenciar, acolher ou, corajosamente, anunciar,
compadecer-se, amar, servir...
• GRAÇA: Conhecimento interno do Senhor e de tanto bem recebido, para que,
inteiramente reconhecendo, possa em tudo amar e servir.
• PALAVRA DE DEUS: Is 49, 1-13
Mt 9, 27-31
Mc 10, 46-52
Lc2, 22-40
Rm 13, 8-14
• REVISÃO/PARTILHA DA ORAÇÃO: O que me é necessário para conseguir reconhecer a bondade e seus efeitos e ter uma atitude agradecida diante do que acontece a
mim e aos outros?
13
PERMANECEI NO MEU AMOR!
Quando o amor vos fizer sinal, segui-o;
ainda que os seus caminhos sejam duros e escarpados.
E quando as suas asas vos envolverem, entregai-vos;
ainda que a espada escondida na sua plumagem vos possa ferir.
(Khalil Gibran)
Em tempo de desolação nunca fazer mudança, mas permanecer
firme e constante nos propósitos e determinação em que estava na
consolação precedente. (EE 318)
Um convite a desinstalar-se. Compreender a fundo o Mistério que nos envolve. E,
mais do que nunca, o necessário auxílio da Graça, a fim de captar a realidade envolvente
do nosso pecado e a força transformadora do Amor. O momento de decidir por um caminho e gastar a vida nele. Estou disposto a responder a este apelo?
Permanecei no meu amor!
Tenho forças suficientes para essa empreitada? Conheço minhas fraquezas e minhas desordens? Estou consciente de minhas armadilhas? Onde deposito minha confiança? Qual é o tamanho do amor que eu tenho e que trago no coração?
Considerar isso é importante, pois buscar a vontade de Deus é, de algum modo,
buscar e encontrar em nós mesmos o fruto da iniciativa amorosa e criadora do Senhor.
Trata-se daquele lugar e daquela direção profunda e autêntica de nossa vida pessoal em
que desvelamos a ação do Espírito que nos move num amor sempre crescente.
O processo, porém, é de esvaziamento, mas para encher o coração de um amor
sempre maior, capaz de uma entrega total. Somente se permanecermos nesse amor é
que a nossa vontade poderá se manter no seu propósito. Sem o amor, a pura força de
vontade não resistiria...
• GRAÇA: Pedir o dom do discernimento dos espíritos, a fim de ser firmes no amor
e na perseverança!
• PALAVRA DE DEUS: Jr 31, 10-14
Mt 2, 13-23
Jo 15, 9-17
2Cor 1, 3-7
1Pd 4, 8-13
• REVISÃO/PARTILHA DA ORAÇÃO: Que tensões e conflitos tenho experimentado?
Quais são meus condicionamentos? Com que amorrespondo a esses desafios?
14
CONHECENDO O SONHO DE DEUS...
Desejo, primeiro, que você ame,
e que, amando, também seja amado.
E que se não for, seja breve em esquecer
e, esquecendo, não guarde mágoa.
Desejo, pois, que não seja assim,
mas se for, saiba ser sem desesperar.
(Victor Hugo)
Ver a mim mesmo, como estou diante de Deus nosso Senhor e de
todos os seus santos, para desejar e conhecer o que é mais grato à
sua divina bondade. (EE 151)
O Senhor nos inquieta quando penetra em nossa vida. Suscita inspirações, ul-
trapassa o imediato, alarga nossos horizontes. Mas é discreto, ama, conhece, confia e
espera... E como reagimos? Evitamos o perigo? Procuramos segurança? Repetimos o passado? Afastamos os obstáculos? Arriscamos, paralisamos, atacamos, avançamos, recuamos, confiamos?
Conhecendo o sonho de Deus...
Uma aventura e um desafio para o medo, um incentivo para o desejo. Desejo e
medo: instintos de sobrevivência a serem considerados e integrados na natureza humana
que, levada a contemplar o sonho de Deus, tem nele uma ajuda concreta para centrar os
afetos e liberar os desejos na direção do bem mais universal – desejado e possível.
Enfim, deixar-se afetarinteiramente e permitir que o Senhor interpele, passo a
passo, em cada cena, em todo tempo, a partir do acontecimento salvífico. Reconhecer
que justamente aí Deus tem a iniciativa e nós nos calamos, paranos oferecermos sem reservas, dispostos a lutar contra todo egoísmo e contra toda dificuldade, colocando nossas
vidas a serviço do Reino.
• GRAÇA: Conhecer e desejar o que o Senhor quer para minha vida.
• PALAVRA DE DEUS: Sl 139 (138)
Is 35
Ef1, 3-14
1Tm 2, 1-7
Hb 10, 5-10
• REVISÃO/PARTILHA DA ORAÇÃO: Estou onde Deus quer? Faço a Sua vontade?
Confio Nele plenamente?
15
TOMA, SENHOR, E RECEBE...
‘Onde fica a saída?’, perguntou Alice ao gato que ria.
‘Depende’, respondeu o gato.
‘De quê?’, replicou Alice;
‘Depende de para onde você quer ir.’
(Lewis Carroll)
Os que quiserem afeiçoar-se e distinguir-se mais em todo serviço do
seu Rei Eterno e Senhor Universal farão oferendas de maior valor e
importância. (EE 97)
Um encontro é sempre uma oportunidade, uma possibilidade de um novo significado, outro sentido. De um reconhecimento a um processo de identificação, para incorporá-lo ou deixá-lo de vez. Confirmação e certeza ou conversão e mudança de rota. Mas
sempre: encontro! Seguir com o olhar, acompanhar; falar face a face, relembrar; ouvir a
voz e se emocionar; estar na estrada, caminhar; abraçar, acolher, perdoar.
Toma, Senhor, e recebe...
O que eu tenho para partilhar? Quanto eu quero oferecer? Do que eu preciso
me desfazer? O que desejo agradecer? Tenho algo a pedir? É melhor partir ou ficar? Que
sentimentos tenho experimentado?
Descobrir-se noMistério: éeste o tempo favorável. Pessoalmente o Senhor vem
ao nosso encontro enos leva em segurança e nos abre os tesouros da Sua graça. Fala
conosco como quem fala a um amigo, distribui de Seus dons conforme lhe apraz, dispõe
de tudo, renova a nossa vida. É a explosão de um amor sempre fiel: saída, anúncio, testemunho, empenho detodo o ser.Entrega total e silêncio – sinal de uma presença cuja
profundidade não se conhecia antes...
• GRAÇA: Dispor-se inteiramente no amor e no serviço a Deus e aos irmãos.
• PALAVRA DE DEUS: Êx, 33, 7-17
Mt 25, 14-30
Mc 10, 17-22
Lc 21, 1-4
2Cor 6, 1-10
• REVISÃO/PARTILHA DA ORAÇÃO: De que encontros me recordo e como eles me
levam a sair de mim?
16
ESPERAM POR NÓS “NAÇÕES”...
Desistir...
eu já pensei seriamente nisso,
mas nunca me levei realmente a sério;
é que tem mais chão nos meus olhos do que o cansaço nas minhas
pernas,
mais esperança nos meus passos, do que tristeza nos meus ombros,
mais estrada no meu coração do que medo na minha cabeça.
(Cora Coralina)
Considerar as palavras de Cristo nosso Senhor a todos os servidores
e amigos que envia para esta jornada.(EE 146)
Unidos sob a Bandeira de Cristo já não temos mais bandeiras. Há muito chão,
muitos passos, muita estrada. Formamos todos juntos uma única comunidade enviada
em Missão, com o intuito de chegar às “nações” humanas, para além das fronteiras geográficas, que se abrem continuamente. Nas palavras do Padre Geral, um coro de vozes
reclama a nossa assistência...os pobres, os marginalizados, os excluídos, os diminuídos, os
pequenos, os inferiorizados, os manipulados esperam por nós...
Esperam por nós “nações”...
Todas com necessidade de profetas que façam chegar até elas as notícias da salvação, essa mensagem enorme, universal e irredutível, que alcança todos os povos, que
lhes devolve a dignidade e a esperança. Nações que ainda estão muito longe humanamente, existencialmente. E, para muitas das quais, a salvação ainda é um sonho, um desejo.
É este, pois, o sentido da Missão da Igreja, da Companhia e de todos os que se
inspiram no Magis. Que ela seja a favor das “nações”, como um serviço desinteressado,
segundo o coração de Deus, de Sua vontade, de Seu Espírito.
• GRAÇA: Pedir a Nossa Senhora para alcançar-nos de seu Filho, nosso Senhor, a
graça de sermos recebidos sob sua Bandeira.
• PALAVRA DE DEUS: Is 52, 7-10
Mt 28, 16-20
Mc 6, 7-13
Lc3, 1-6
At 22, 6-21
• REVISÃO/PARTILHA DA ORAÇÃO: Estou sinceramente disposto a colaborar para que
a alegria e a esperança do Evangelho se transformem em realidade nessas “nações”?
17
4.
Roteiros para
grupos e redes
18
A MINHA NAZARÉ, LUGAR QUE
GUARDA A PRESENÇA DE DEUS
Estar em Nazaré significa que somos chamados a estar com Jesus, naquela que guarda
a presença de Deus e a história de crescimento do seu enviado. Em Nazaré, encontramos os
relatos da vida escondida de Jesus, a vida que estamos acostumados a chamar de vida oculta.
Nazaré é entendida como ponto de partida, tempo de preparação e discernimento. Mas é
também ponto de chegada, porque somos sempre motivados a retornar ao silêncio, ao escondimento, à história pessoal de vida e crescimento.
Nos Exercícios Espirituais, ao contemplarmos os mistérios da vida de Cristo, Santo
Inácio nos propõe contemplar a sua vida oculta. O que chamamos, então, de vida oculta trata-se da vida cotidiana, sem fatos relevantes. Vida na qual Ele foi definindo sua vocação, que
tinha o Pai e Seu projeto como centro. Viver Nazaré, então, é dar-nos conta dos mistérios de
nossa própria vida, isto é, dos aspectos, fatos, memórias que guardam a presença de Deus,
nas coisas pequenas, triviais, cotidianas que vivemos.
Nos trinta anos que viveu em Nazaré, Jesus teceu grande parte de sua história. Não há
Jesus sem os trinta anos ocultos em Nazaré. Não haveria a doação e a entrega que Ele fez se
não tivesse havido o lugar da vida, do aprendizado, do discernimento, da escuta. Assim, o que
guarda a presença amorosa de Deus é a própria história.
Do mesmo modo, nós construímos nossas histórias, cheias das marcas de Deus, no cotidiano, ocultas, em lugares pouco ou muito importantes, no encontro com tantas pessoas, no
diálogo e aprendizado da cultura, da fé, do ofício. Nossas histórias são os lugares que guardam
a presença de Deus, e viver Nazaré é dar-se conta disso.
Nazaré como lugar simbólico é, para nós, espaço de crescimento humano e espiritual. Crescimento em graça e estatura (Lc 2,52). Para os jovens, Nazaré é espaço para cultivar a
família, o trabalho, os amigos, o aprendizado, a fé. Na mística de Nazaré, cultivamos:
•
•
•
•
•
•
a família como lugar de aprendizagem dos valores;
o cotidiano como parte da vida;
a amizade como dom de relações mais fraternas e serviço;
a escola como espaço de aprendizado, crescimento, encontro;
o trabalho como oferta dos dons e construção da vida, do mundo;
a cultura como terreno de encontro com a história coletiva, com a memória e com
o diferente;
• a história pessoal e social como espaço de contradições, de pobrezas, de preconceitos, de dificuldades;
• a história pessoal e social como espaço de graça, de sabedoria, de dons.
Na partilha de nossas vidas, notamos que elas tecem, com outras, a história da humanidade. E olharmos a história da humanidade, em nossa localidade, faz-nos perceber, mais
claramente, nossa realidade, com suas alegrias e dores, e esta, por sua vez, nos faz sonhar a
vida plena, abundante e feliz para todas as pessoas.
Doar a vida. Amar sem medida. Partilhar a vida. Fazer amigos. Contar nossas histórias de
vida. Manter viva a memória. Sonhar. Encontrar-se. Escutar. Olhar com os olhos de Deus. Usar a
voz. Dar voz. Romper os medos e preconceitos. Defender a vida. Comprometer-se com os pobres e
sofredores. Colocar-se a caminho. Compreender a realidade. Não aceitar a violência e a opressão.
Ofertar o que somos. Cuidar. Esperar. Eis o que aprendemos a viver em Nazaré.
19
PARA CONVERSAR:
ncias, memórias, acon1 – Quais aspectos, circunstâ
rdam a presença amorosa
tecimentos de sua história gua
de Deus?
eriências familiares, re2 – Comentar, no grupo, exp
mais significativas na vida
ligiosas, de vizinhança que são
pessoal de cada um.
temos espaços comuns
3 – No local em que vivemos
tar juntos”? Quais aspectos
de convivência, tempo para “es
nosso convívio comunitário
fortalecem e quais fragilizam
ança, na Igreja...)?
(no grupo, na família, na vizinh
S BÍBLICOS
SUGESTÃO DE TEXTO
IR COM O
PARA REZAR E DISCUT
GRUPO/COMUNIDADE:
•Dt 4, 9
•Êx 3, 1-10
•Lc 1, 26-38
•Lc 2, 1-15
ADES PARA
SUGESTÃO DE ATIVID
ROS JOVENS
REALIZAR COM OUT
TEMA PROINACIANOS SOBRE O
POSTO:
•Cine-Fórum;
•Tarde de Oração;
•Rodas de Conversa;
•Retiros;
tórias;
•Oficinas de contação de his
o tema: como saraus,
•Atividades culturais com
, shows, festivais;
apresentações teatrais, vídeos
enil de sua localidade.
•Fóruns sobre a realidade juv
20
NAZARÉ NA VIDA DE JESUS E
NA VIDA DA JUVENTUDE
Nazaré foi o lugar de Jesus ser criança, de crescer. Foi aí que Ele viveu os tempos
intensos da adolescência e juventude e tudo que marca esse tempo da vida. Em cada
época, as fases da vida ganham significados e conteúdos novos, mas podemos imaginar
que muitas coisas que marcam hoje o ser jovem, tiveram também influência na vida de
Jesus, em Nazaré. Aprender um ofício, inserir-se na realidade sociocultural de uma época,
formar seus próprios grupos, pares, assumir uma fé, ir delineando um projeto pessoal
para a vida.
No mundo, hoje, temos mais de um bilhão de pessoas jovens (entre 15 e 24
anos). Representando quase um terço da população mundial, esses jovens compõem a
maior população jovem da história. Pelos mais diversos cantos do mundo, em milhares
de Nazarés, os jovens vão vivendo suas dores, alegrias, descobertas, medos, sonhos e
desejos, oportunidades e dificuldades.
Contemplar a vida de Jesus, em Nazaré, como propõem os Exercícios Espirituais
de Santo Inácio, pode iluminar a contemplação que fazemos da vida dos jovens contemporâneos. São muitos os desafios para ser jovem hoje.
Em Nazaré, Jesus aprende a profissão do pai e assume esse ofício. Essa relação com
o trabalho, tão marcante na vida das pessoas, como o foi na vida do Cristo, é vivida por
muitos jovens mundo afora. Do mesmo modo, a experiência do estudo é impactante para
os jovens de hoje. A escola não é só lugar de aprendizado, é também espaço de crescimento e de relações, de superação e de inclusão.
Esses dois campos da vida juvenil, no entanto, são hoje atravessados por grandes
desafios. O desemprego atinge aproximadamente 75 milhões de jovens entre 15 e 24
anos. Em algumas regiões, as taxas de desemprego juvenil chegam a 25%. São os jovens
também que assumem os trabalhos mais precários. Além disso, cerca de 100 milhões de
adolescentes e jovens estão fora da escola1.
O tempo que Jesus viveu em Nazaré o fez profundo conhecedor da realidade de
sua época e dos desafios que o povo vivia. Seguir Jesus, na mística de Nazaré é também
um convite a olhar a vida da juventude e de todo o povo. Quais são os desafios atuais?
Quais as razões do sofrimento dos jovens? E quais são suas esperanças?
Como peregrinos, contemplar a vida da juventude de nossas realidades e do
mundo nos leva também a contemplar a vida do próprio Jesus, no oculto de Nazaré. Olhar
e ouvidos atentos, coração aberto; dessa maneira, somos chamados a estar no mundo, no
cotidiano da vida. Ouvir, ver, sentir as dores e alegrias do mundo, das pessoas, dos jovens.
Em Nazaré, nesse solo de tanta vida e de tantas coisas pequeninas, Jesus vai descobrindo e assumindo sua missão. É na juventude que vamos descobrindo o desejo mais
profundo de nosso coração. É na juventude que vamos definindo nosso projeto de vida,
em confronto com o que vemos, ouvimos e sentimos na realidade da vida.
1. Dados da Organização das Nações Unidas (ONU), em relatório mundial da juventude.
21
PARA CONVERSAR:
e características da juven1 – Quais os principais desafios
tude na região onde você vive?
ens de sua região e do
2 – Quais as formas que os jov
l?
erar os desafios da vida juveni
mundo têm buscado para sup
zaNa
em
a vida de Jesus,
3 – Em quê o exercício de olhar
juvenil hoje?
ré, nos ajuda a ver a realidade
S BÍBLICOS
SUGESTÃO DE TEXTO
UTIR COM O
PARA REZAR E DISC
GRUPO/COMUNIDADE:
•Lc 1, 26-38
•Lc 1, 39-56
•Lc 4, 16-21
•Mt 2, 16-18
•Mt 2, 19-23
IDADES PARA
SUGESTÃO DE ATIV
ROS JOVENS
REALIZAR COM OUT
TEMA PROINACIANOS SOBRE O
POSTO:
•Cine-Fórum;
•Tardes de Oração;
•Rodas de Conversa;
r sobre a vida de Jesus
•Encontros para refletir/reza
em Nazaré;
ter como é ser jovem hoje;
•Encontros para estudar/deba
eitos dos jovens;
•Atividades em defesa dos dir
ais, com diferentes ex•Festivais e atividades cultur
pressões culturais jovens.
22
AS NAÇÕES QUE ESPERAM POR NÓS
Nazaré, na vida de Jesus, é lugar de chegada e de partida. Chegada, quando regressa do exílio no Egito, ainda criança (Mt 2, 21-22). Partida, quando assume o projeto do Pai
para sua vida e sai em missão (EE 158).
Aquele que segue Jesus é também chamado a ser discípulo missionário. A palavra
discípulo tem a ver com aprender, isto é, aprender com o mestre um jeito de ser, de agir,
de viver, de servir. Os jovens terão a oportunidade de doar as próprias vidas em favor da
humanidade, se tomarem Jesus como modelo e horizonte, como fizeram os primeiros
discípulos que conviveram com Ele. Os discípulos viam Jesus orar, atuar, salvar, contestar,
acolher, perdoar, curar e desejaram fazer as mesmas coisas, embora fossem lentos para
crer e compreender.
Contemplando a vida de Jesus, em Nazaré, podemos aprender seu modo de vida
para fazer como Ele. A sua vida em Nazaré nos aponta a direção do Reino e nos revela um
modo de seguir Jesus, no cotidiano de nossa realidade. Sua vida oculta nos ajuda a entrar
em contato com nossa história, nossa realidade, nossos sonhos, os desafios da realidade
e, nisso tudo, descobrir um projeto para a vida. Da mesma forma, esse projeto pode se
realizar em nossa história, nosso trabalho, nossa casa, nossa família e nossas amizades,
nosso estudo. Alimentar nossa sede de mais amar, mais servir, de mais vida e mais felicidade.
Por isso, podemos dizer que Nazaré nos envia às “nações” que esperam por nós.
Como discípulos de Jesus, sabemos que o seu seguimento não trata de grandes feitos. Ele
mesmo, enviado como salvador do mundo, não saiu nunca da Palestina, revelando-nos
que segui-Lo pode ser algo do cotidiano, da realidade concreta da vida. Entretanto, exige
atitude de Peregrino, ou seja, atitude de busca, de mobilidade, de confiança, a exemplo
do Peregrino Inácio.
E o MAG+S nos motiva a pensar nas “nações” que esperam por nós. Essas nações
podem ser lugares, realidades, comunidades, situações, fronteiras. Pode ser a vizinhança,
a escola, o trabalho, a vida dos pobres, os deslocados, os deprimidos, as pessoas com
quem vivemos. É preciso ir a essas nações e, com elas, seguir na direção do Reino, da vida
plena, abundante e feliz para todos. Sentimo-nos motivados?
As “nações” esperam discípulos que tenham conhecido o Cristo e queiram ser continuadores de seu Projeto. “O nosso profundo amor a Deus e a nossa paixão pelo mundo
deveriam fazer-nos arder como um fogo que acende outros fogos” (CG 35ª Dec 2, 10).
23
PARA CONVERSAR:
gria do Reino aos jovens
1 – Como anunciar, hoje, a ale
s nossos grupos?
das nossas comunidades e do
e pede uma entrega to2 – Como respondo a Jesus qu
as?
tal, generosa, feliz e sem reserv
tuamente para semu
dar
3 – Como podemos nos aju
e da vida plena e feliz
guirmos na direção do Reino
para todos?
S BÍBLICOS
SUGESTÃO DE TEXTO
IR COM O
PARA REZAR E DISCUT
GRUPO/COMUNIDADE:
•Jo 13, 1 -17
•Jo 15, 9-17
•Jo 10, 10-18
•Mt 28, 16-20
•Mc 6, 7-13
ADES PARA
SUGESTÃO DE ATIVID
ROS JOVENS
REALIZAR COM OUT
TEMA PROINACIANOS SOBRE O
POSTO:
•Cine-Fórum;
•Tardes de Oração;
•Rodas de Conversa;
•Realizar missões jovens;
ção do MAG+S Brasil;
•Celebrar o envio da delega
jetos de vida.
•Oficinas de elaboração de pro
24
5.
Anexos
DECRETO 2, 22 – 35ª CONGREGAÇÃO GERAL DA COMPANHIA DE JESUS
Deus criou um mundo com diversidade de habitantes; e isso
é bom. A criação exprime a rica beleza deste mundo digno de ser
amado: pessoas que trabalham, que riem, que prosperam juntas são
sinais de que Deus está vivo no meio de nós. Todavia, a diversidade torna-se problemática quando as diferenças entre as pessoas são
vividas de tal maneira que algumas prosperam à custa de outras que
são excluídas, de maneira que as pessoas lutam, se matam umas às
outras e se empenham em destruir. Então, Cristo sofre no mundo e
com o mundo que Ele quer renovar. É precisamente aqui que se situa
a nossa missão. É aqui que temos de discerni-la, de acordo com os
critérios do magis e do bem mais universal. Deus está presente nas
trevas da vida, tentando sempre refazer as coisas. Deus precisa de colaboradores nesta empresa: pessoas que têm a graça de ser recebidas
sob a bandeira do Seu Filho. Esperam por nós “nações”, para lá de definições geográficas, “nações” que hoje incluem os que são pobres e
deslocados, os que estão isolados e profundamente sós, os que ignoram a existência de Deus e os que usam Deus como um instrumento
com objetivos políticos. Há novas “nações” e fomos enviados a elas.
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Viver Nazaré