Avaliação do sistema de produção de mudas de cebola em bandejas.
Luís Eduardo Junqueira Maluf1; Paulo Almeida Schmidt1; Nuno Rodrigo Madeira2;
Rovilson José de Sousa1; Gustavo Melasipo Vilela Leite1; Anderson Okada1;
Fernando Henrique Vieira Santos1.
1
Universidade Federal de Lavras, Campus Universitário, Depto. Agricultura, CEP 37200-000, Lavras, MG;
2
Embrapa Hortaliças, C.P.218, CEP 70359-970, Brasília, DF. Email: [email protected]
RESUMO
O trabalho teve o objetivo de avaliar o sistema de produção de mudas de cebola
em bandejas de poliestireno expandido (isopor) em comparação ao tradicional sistema de
produção de mudas em canteiros. A cultivar Régia foi superior em produtividade a
‘Granex 33’. Quanto ao sistema de produção de mudas, não foram verificadas diferenças
significativas, o que torna a produção de mudas em canteiros mais viável pelo seu menor
custo.
Palavras chaves: Allium cepa L., cultivares.
ABSTRACT
Evaluation of onion seedlings produced in trays.
The work had for objective to test the system of onion seedlings production,
cultivars ' Régia' and ' Granex 33 ' in trays of expanded poliestiren in comparison to the
traditional system of seedlings produced in beds. The cultivar 'Régia' was more productive
than ‘Granex 33’. About the system of seedlings production, significant differences were
not verified, what turns the seedlings production in beds more viable for its smaller cost.
Key words: system of production of seedlings, cultivars.
No Brasil, predomina o sistema de produção de cebola por mudas produzidas em
canteiros. Este sistema, entretanto, apresenta alguns inconvenientes como a ocorrência e
a disseminação de doenças de solo. Além disso, o arranquio das mudas é operação
dispendiosa e que exige cuidado para não danificar as plantas.
A utilização de mudas produzidas em bandejas, com substrato comercial, começa
a ser praticada (Filgueira, 2000). Ela pode melhorar a qualidade das mudas, aumentar o
estande e facilitar a operação de transplantio. Além disso, a redução ou eliminação do
estresse por ocasião do transplantio pelo efeito de proteção conferido pelo torrão de
substrato que acompanha a muda pode proporcionar precocidade de produção.
Assim, o experimento foi realizado visando a avaliar o sistema de produção de
mudas em bandejas de poliestireno expandido (isopor) na cultura da cebola.
MATERIAL E MÉTODOS
O experimento foi conduzido na horta do Departamento de Agricultura da
Universidade Federal de Lavras, de abril a setembro de 2002.
Utilizou-se o delineamento inteiramente casualizado com cinco repetições, sendo
os tratamentos dispostos em um fatorial 2 X 2 x 3 (produção de mudas em bandejas e em
canteiros; cultivares Régia e Granex 33 e colheita aos 140, 150 e 160 dias). Cada parcela
foi constituída de 0,5m de canteiro, no espaçamento de 25x10cm, perfazendo um total de
20 plantas por parcela.
O semeio foi efetuado em 11 de abril, em canteiros na densidade de 5g.m-2 e em
bandejas de 200 células, com 3 a 5 sementes por célula com desbaste após três
semanas, deixando uma única planta por célula. O transplantio foi realizado 45 dias após
o semeio. Os tratos culturais seguiram as recomendações técnicas (Comissão, 1999;
Filgueira, 2000). Empregaram-se as cultivares Régia e Granex 33 pela sua precocidade e
boa aceitação comercial.
A primeira colheita foi realizada aos 140 dias após o semeio e 95 dias após o
transplantio, quando mais de um terço das plantas apresentavam-se tombadas. A
segunda e terceira colheitas foram realizadas 10 e 20 dias, respectivamente, após a
primeira colheita. As plantas foram curadas a campo por um dia somente e, em função da
ocorrência de chuvas, recolhidas para galpão por 10 dias, após os quais efetuaram-se as
avaliações.
Os dados obtidos foram submetidos a análises da variância, efetuando-se quando
verificadas diferenças significativas, teste Tukey, a 5 % de probabilidade, para as
variáveis sistema de produção de mudas e cultivares.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Observou-se maior porcentagem de plantas estaladas na cultivar Régia (56,6%)
em relação à Granex 33 ( 41,4%), enquanto que para sistemas de produção de mudas
não houve diferenças significativas. A porcentagem de plantas estaladas aumentou
conforme se aumentou o ciclo da cultura, passando de 35,1% de plantas com “estalo” aos
140 dias para 49,6% na segunda e 72,4% na terceira colheita (Figura 1A).
A cultivar Granex 33 apresentou pescoço do bulbo com diâmetro de 10,0mm,
significativamente menor que ‘Régia’ com 13,1mm. Quanto a sistemas de produção de
mudas, não foram verificadas diferenças significativas. O diâmetro do pescoço diminuiu
segundo um padrão linear à medida que se aumentou o ciclo da cultura, entre 140 e 160
dias após o semeio (Figura 1B). Provavelmente, o menor diâmetro do pescoço na cultivar
Granex 33, característica interessante por conferir melhor conservação pós-colheita, é
tipicamente varietal pois o diâmetro dos bulbos foi semelhante para as duas cultivares e
para as três épocas de colheita.
O diâmetro dos bulbos foi semelhante entre as cultivares Régia, com 71,6cm e
Granex 33, com 72,3cm e entre sistemas de produção de mudas, com 71,9 e 72,0cm.
Quanto à época de colheita, aos 140 dias o diâmetro médio dos bulbos foi de 71,7cm,
atingindo o máximo aos 150 dias, com 72,8cm.
A produtividade da cultivar Régia, 92440 kg.ha -1, foi estatisticamente superior a da
Granex 33, 72252 kg.ha -1. Não foram observadas diferenças significativas entre os
sistemas de produção de mudas, sendo de 82920 kg.ha -1 para mudas produzidas em
canteiros e 81852 kg.ha -1 para mudas produzidas em bandejas. Portanto, a produção de
mudas em bandejas de isopor deve ser empregada somente no caso da existência de
algum fator que limite a produção de mudas em canteiros, como o histórico de ocorrência
de algum problema fitossanitário no solo de difícil controle e limitante ao bom
desenvolvimento das mudas.
Quanto à época de colheita observou-se ligeiro crescimento da primeira época
(82520 kg.ha -1) para a segunda (85420 kg.ha -1) e queda ligeira para a terceira (79220
kg.ha -1). Como a avaliação foi feita sem estar completo o processo de cura, em função
das condições climáticas desfavoráveis, essa curva provavelmente corresponde a
diferenças no teor de água, resultado do processo de desidratação e cura ainda a campo.
Conclui-se, portanto, que a cultivar Régia foi superior em produtividade. Quanto ao
sistema de produção de mudas, não havendo diferenças significativas entre mudas
produzidas em canteiros ou em bandejas, o primeiro método torna-se mais viável pelo seu
menor custo.
LITERATURA CITADA
COMISSÃO DE FERTILIDADE DO SOLO DO ESTADO DE MINAS GERAIS
Recomendações para o uso de corretivos e fertilizantes em Minas Gerais - 5a
Aproximação. Viçosa, MG, 1999. 359p.
FILGUEIRA, F.A.R. Novo manual de olericultura: Agrotecnologia moderna na produção e
comercialização de hortaliças. Viçosa: UFV, 2000. 402p.
A
80
16
70
Plantas estaladas (%)
2
60
18
y = -230,375 + 1,8625x R = 83,82%
B
y = 80,50 - 0,46x R2 = 99,96%
14
12
50
10
40
8
30
6
20
4
10
2
0
140
150
Colheita (dias após o plantio)
160
0
140
150
160
Colheita (dias após o plantio)
Figura 1: Porcentagem de plantas estaladas (A) e diâmetro do pescoço (B) em função da época de colheita
(Lavras, 2002).
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