Impresso Especial Revista 3600145136-DR/PR SOGIPA CORREIOS SOCIEDADE DE OBSTETRÍCIA E GINECOLOGIA DO PARANÁ R. Buenos Aires, 995 - Cep 80250-070 - Curitiba - Paraná ANO 24 - Nº 08 - OUTUBRO / NOVEMBRO / DEZEMBRO / 2004 S O C I E D A D E C U R I T I B A D E FILHO ADOTIVO TRAZ ALEGRIA AO CASAL FERTILIZAÇÃO IN VITRO COMEMORA 20 ANOS ATO MÉDICO: EM DEFESA DA SAÚDE DO BRASILEIRO DO PA R A N Á 6e7 10 e 11 REVISTA SOGIPA 02 No ano de 2004, a SOGIPA cumpriu seus objetivos. Concentrou-se em poucos eventos científicos, mostrando claramente sua vocação para realização, com sucesso, de grandes eventos de envergadura nacional. Nossos esforços foram concentrados no apoio ao congresso da Sociedade de Ginecologia da Infância e da Adolescência, que contou com 910 inscritos, provenientes dos mais variados Estados da Federação. O evento transcorreu de forma organizada e com bastante criatividade, visando motivar um público médico diversificado, incentivando a interação multidisciplinar. Nosso sucesso deveuse à Drª. Marta Rehme, que soube coordenar todas as comissões, e sobretudo à comissão científica, que elaborou um temário abrangente e apropriado à realidade nacional. Nossos objetivos foram também cumpridos no XII Congresso Sul Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia, que contou com 1.123 sulistas inscritos. Nosso trabalho foi elogiado pelos protagonistas dos Estados do Sul, dos demais Estados, da indústria farmacêutica e dos ramos de atividades comerciais médicas afins, aos quais agradecemos a Contando com um potencial humano de trabalho sério, associado a esta vocação do paranaense, à hospitalidade, e às suntuosas acomodações deste centro de convenções, é que estaremos concentrando nossos esforços neste primeiro trimestre de 2005 na candidatura da SOGIPA e da cidade de Curitiba para o Congresso Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia de 2008. Contamos com a ajuda de todos para isto. Um feliz 2005. Vinícius Milani Budel NOTAS Nota do Editor É com imensa certeza e vontade de acertar que aceitamos a convocação para participar da tarefa de editar a Revista Sogipa, entre acertos e desacertos, estamos procurando fazer de modo mais democrático possível as páginas que a cada trimestre têm chegado até vocês. Por motivo alheio, porém existente, que relatar não vale a pena, esta edição que deveria sair no mês de dez. 2004, somente pôde ser editada agora. Ao que o Editor desta Revista vem aos seus leitores desculpar-se pelo não cumprimento do dever. Que a Festa do Natal, para aqueles que comemoram a lembrança do nascimento de Jesus, tenha sido sobre o amor ao próximo em primeiro lugar. É com muita esperança, trabalho, saúde a todos que desejo dias melhores para nós médicos em 2005. Meu muito obrigado. Presidente: Dr. Vinicius Milani Budel Comissão de Residência Médica: Dr. Amauri do Rosário Dr. Emerson Kooji Nihi Dr. Leonel Ricardo Curcio Junior Vice-presidente: Dr. Dênis José Nascimento 1º Secretário: Dr. Plínio Gasperin Júnior 2ª Secretária: Drª Vera Maria A. Garcia e Boza 1º Tesoureiro: Dr. Edson Gomes Tristão 2º Tesoureiro: Dr. Antonio Paulo Mallmann Diretoria Científica: Dr. Almir Antonio Urbanetz Drª Claudete Reggiani Mello Dr. Newton Sérgio de Carvalho Diretora Social: Drª Marcia Luiza Krajden Drª Ângela Maria Sanderson Chiaratti Comissão de Medicina Fetal: Dr. Adriano Pienaro Chrisóstomo Dr. Cláudio Correa Gomes Dr. Carlos Alberto Anjos Mansur Comissão de Obstetrícia: Dr. Afonso Clemer Tosin Lopes Drª Lenira Gaede Senesi Drª Solange Borba Gildmeister Dr. Jean Boutros Sater (Guarapuava) Dr. Luiz Carlos A. Steffen (Londrina) Dr. Eduardo E. Obrzut Filho (P. Branco) Drª Maria Bernadete Hesseine Sá (Foz) Drª. Valderez Ap. C. Bathaus (C. Mourão) Comissão de Pesquisa: Dr. Laerte Justino de Oliveira Dr. Rosires Pereira de Andrade Ouvidoria: Dr. João Edson Borba Taques Diretor de Divulgação: Dr. Dzonet Quarentei Mercer Diretor de Patrimônio: Dr. Geci Labres de Souza Júnior Comissão de Ética: Dr. José Sória Arrabal Dr. José Luiz de Oliveira Camargo Dr. Mauri José Piazza Comissão Infanto Puberal: Drª Marta Francis Benevides Rehme Dr. Fernando Cesar de Oliveira Júnior PREVIDENCIÁRIA SOBRE O 13º SALÁRIO * Mylene Gai Mercer Presidente da SOGIPA Diretoria da SOGIPA Biênio 04/05 - Eleita em 25.11.03 CONTRIBUIÇÃO EXPEDIENTE Comissão de Ginecologia: Dr. José D’Oliveira Couto Filho (Londrina) Dr. Namir Cavalli (Cascavel) Comissão de Defesa Profissional: Dr. Hélcio Bertolozzi Soares Comissão de Urogineco: Dr. Jorjan de Jesus Cruz Dr. Mário Eduardo Rebolho Editor Revista SOGIPA: Dzonet Q. Mercer ao total percebido naquele mês, adicionado do montante referente à gratificação natalina". Portanto, o recolhimento deve ser feito sobre o total de rendimentos limitado ao teto de contribuição, atualmente em R$ 2.508,72. Ao efetuar a cobrança em separado, o INSS acaba recebendo duas vezes mais do que deveria. Por exemplo: de conformidade com os cálculos feitos pelo INSS, se uma pessoa que recebe R$ 1.000,00 de salário de contribuição, ao receber, em novembro, também a primeira parcela do 13º salário, estaria sujeita à alíquota de 11%, aumentando a faixa de contribuição, cuja alíquota é a de 9%. O desconto que ela sofreria seria de R$ 165,00 (11% de R$ 1.500,00), quando o correto seria manter a contribuição pelos 9%, passando a contribuição a R$ 135,00 (9% dos R$ 1.500,00). Ainda acerca da mesma questão, o Superior Tribunal de Justiça entendeu que a diferença da contribuição previdenciária recolhida a mais pelo INSS será restituída com correção pela Ufir, mais 1% até dezembro de 1995, e pela variação da taxa básica de juros (Selic) a partir de janeiro de 1996. Os pedidos de devolução dos valores pagos a mais e para que seja feita a alteração do critério, para que o desconto passe a incidir sobre o somatório dos salários e do 13º salário, estão sendo dirigidos ao Juizado Especial Federal, ligado à Justiça Federal, o prazo prescricional é de dez anos e o trâmite desse tipo de ação leva em torno de três a cinco anos. Ressalte-se que se trata de uma questão bastante polêmica, não existindo ainda jurisprudência firmada sobre o assunto, porém as perspectivas de sucesso são boas. Os médicos que recebem o 13º salário poderão entrar com o pedido de pagamento dos valores pagos a maior e de mudança na forma de recolhimento sem que haja necessidade de contratar advogado. Da mesma forma que ocorreu nos casos do pagamento da correção do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e da revisão dos benefícios pagos aos aposentados, uma recente decisão do Superior Tribunal de Justiça está motivando diversos contribuintes a ingressarem com ações contra cobrança em separado da contribuição previdenciária ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) sobre o 13º salário, cujo principal argumento seria o de que o valor recolhido superaria o teto legal. O Superior Tribunal de Justiça, no Recurso Especial nº 573.644, entendeu que a contribuição previdenciária deve incidir sobre o montante total recebido pelo empregado, não podendo ser calculada em separado quando do pagamento do 13º salário. De acordo com o entendimento do ministro Luiz Fux, relator do recurso, "a teor do disposto no parágrafo 7º do artigo 28 da Lei 8.212/91 é descabida e ilegal a contribuição previdenciária incidente sobre a Mylene Gai Mercer - OAB/PR nº 27.579 - É advogada em Curitiba, atua nas áreas de direito tributário e empresarial gratificação natalina calculada mediante aplicação, em separado, da tabela relativa às alíquotas e salários-de-contribuição, conforme previsto no parágrafo 7º do medison artigo 70 do Decreto nº 612/92". Ultra-Som Raio-x e Mamógrafo Desse modo, conforme o referido Representante Beatriz de Moraes Kormann julgado, "para se chegar ao valor que corresponda à contribuição a cargo EQUIPAMENTOS E A CESSÓRIOS do empregado, deve ser aplicada a FILME PARA RX ULTRA-SOM - NOVOS E SEMI-NOVOS MAMÓGRAFO CHASSIS TRANSDUTORES ARCO EM C correspondente alíquota sobre o DRYS VÍDEO PRINTER MESA TELE-COMANDADA APARELHOS PARA RX DENSITOMETRIA ÓSSEA salário-de-contribuição mensal, que www.ekhorad.com.br para o mês de dezembro corresponda R. Marechal Deodoro, 2129C - Alto da XV - Curitiba - PR - 80050-010 - Fone/Fax: (41)262-5252 [email protected] QUALIDADE FUJI COM EXCLUSIVIDADE PARA VOCÊ Jornalista ResponsáveL: Simone Meirelles MTB 2615-PR Comissão de Endoscopia: Dr. Cassiano Rojas Maia Dr. Edison Luiz Almeida Tizzot Dr. Ricardo Teodoro Beck Foto da Capa: Rogério Machado / SMCS Parque Tanguá Comissão de Ginecologia: Dr. Alessandro Gomes Schüffner Dr. Fabio P. Mansani (Ponta Grossa) Dr. Hilton José P. Cardim (Maringá) Dr. Jarbas Barbeta (Medianeira) Diagramação e Impressão: Primapress.com.br Gráfica Darnol Ltda. Tel. 41 252-4068 Redação: Simone Meirelles e Brisa Teixeira Tiragem: 2.000 exemplares A reprodução é permitida, desde que citada a fonte. Os artigos assinados não reproduzem a opinião da revista. SOGIPA - Sociedade de Obstetrícia e Ginecologia do Paraná - Fundada em 01 de outubro de 1952 - Filiada à FEBRASGO Fone: 41 232-2535 - Fax: 41 223-6300 - R. Buenos Aires, 995 - 80250-070 - Curitiba - Paraná - e-mail: [email protected] Filmes para RX Densitometria 03 REVISTA SOGIPA EDITORIAL colaboração e o reconhecimento. A programação científica, a atividade social muito alegre e festiva, o cronograma de compromissos cumprido pontualmente, a equipe de audiovisual, a agência de viagem, hotelaria eficiente, enfim, todos os colaboradores do evento mostraram que o paranaense é um povo organizado e hospitaleiro. O Dr. Dênis José Nascimento, presidente desse congresso, soube orquestrar com maestria todas as comissões que muito se empenharam. Agradecemos a todos a participação. O Estação Embratel Convention Center, o mais moderno do país, e uma rede hoteleira muito próxima ao centro de convenções, colaboraram para que tudo ocorresse de acordo com o previsto. REVISTA SOGIPA 04 1.200 PARTICIPANTES Um sucesso. Assim pode ser resumido o XII Congresso Sul Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia. Nada menos que 1.200 médicos dos três estados do Sul participaram dos eventos, entre palestras, mesas redondas, debates e cursos. A abertura contou com representantes do CRM, AMB, FEBRASGO, secretarias municipal e estadual de Saúde, os presidentes da SOGIPA, SOGISC e SORGIRGS. Com uma programação científica ampla e atual, o Congresso levou aos médicos a oportunidade da educação continuada, o melhor preparo dos profissionais tanto no atendimento público quanto privado, contemplando inúmeros assuntos voltados a esse objetivo. Por isso mesmo, o tema oficial foi “Assistência Integral à Saúde da Mulher”. Tão importante quanto esses conhecimentos, foi a oportunidade de estreitar relacionamento entre os médicos sul brasileiros, propiciando o intercâmbio e a troca de experiências entre as diversas realidades encontradas nas mais distantes cidades do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Para a SOGIPA, o evento trouxe o fortalecimento de seu papel frente aos médicos tocoginecologistas paranaenses. Propiciou também uma condição financeira melhor, uma vez que reverteu em caixa positivo para a entidade. São recursos que poderão ser aplicados na melhor realização de outros eventos voltados aos médicos. “O êxito do Congresso se fundamentou nas várias parcerias realizadas entre a Sociedade, laboratórios da indústria farmacêutica, secretarias de Estado e Município, além da participação da Ekipe de Eventos, que se revelou extremamente competente em todas as suas atribuições”, relata o Dr. Dênis Nascimento, presidente do Congresso. O evento premiou os melhores trabalhos apresentados em temas livres e pôsteres. CONFIRA O DISCURSO DE 05 REVISTA SOGIPA SUL BRASILEIRO DE G.O. RECEBE ABERTURA DO CONGRESSO Na abertura do Congresso, o Dr. Dênis Nascimento foi bastante cumprimentado por seu discurso, que de forma concisa abordou a situação do médico no Brasil. Confira a íntegra: “Este é um momento muito especial para todos nós, momento de nos confraternizarmos, fazermos novas amizades, compartilharmos as nossas dificuldades e, principalmente, momento de nos reciclarmos para que possamos oferecer mais e melhores condições de assistência à saúde da mulher sul brasileira. Em nome da comissão organizadora deste evento, quero agradecer a presença de todos vocês, estimados colegas, que deixaram suas famílias e trabalho, deslocando-se de suas cidades com o intuito de se aprimorarem profissionalmente e, certamente, serão o fator de destaque e sucesso deste importante encontro médico dos três estados irmãos. Há cerca de 2,5 anos, por ocasião XI Congresso, na amistosa Porto Alegre, assumimos o desafio de presidir o evento que hoje se inicia. Desafio que foi possível, uma vez que, ao lado de pessoas que fazem a diferença, pudemos, pouco a pouco, ir construindo o nosso congresso, na mesma medida em que este maravilhoso espaço que desfrutamos hoje, era também edificado. Quero, portanto, agradecer a toda comissão organizadora por tornar esta noite possível. Em tempos de dificuldades, encontramos vários parceiros que confiaram e investiram em nossas propostas de educação médica continuada, a despeito das facilidades que a Internet oferece a todos os que por ela navegam. Aos laboratórios da indústria farmacêutica, com parcerias fiéis e honestas, oferecemos os nossos mais sinceros agradecimentos. A assistência integral à saúde da mulher é o tema oficial deste nosso encontro diferenciado pela presença de renomados especialistas da tocoginecologia sul brasileira que prima por transmitir a todos vocês as mais recentes novidades e avanços de nossas especialidades, diretrizes alicerçadas nas maiores evidências científicas de cada área, tendo como meta príncipe atingir a excelência e a compe- tência nesta integral assistência. Privilegiamos vários assuntos, incluindo a atual situação de todos os médicos brasileiros que lutam por melhores condições de trabalho e remuneração, em contínua batalha com os agenciadores e planos de saúde que relutam em implantar a nossa CBHPM. Temos visto, ao longo dos anos, uma perda de autonomia e até uma crise de identidade do médico, que é assalariado e liberal ao mesmo tempo. Entretanto, pesquisas do CFM e MS, mostram que pouco mais de 0,4% dos médicos abandonam a profissão, e isso permite aceitar que a realização do médico decorre, principalmente, de enriquecimento interno e não externo, levando a entender a Medicina como forma de afeição e aplicação de vida. Portanto, para melhorar a nossa autoestima e imagem na sociedade em que vivemos, é preciso que lutemos por todos os nossos direitos, o que inclui a implantação da lei do Ato Médico, tão combatida por outros setores mais politizados, a implantação da CBHPM, a melhoria do ensino médico nacional, impedindo a abertura de novos cursos de Medicina (portaria ME 1217/04), o fortalecimento do SUS e, principalmente, manter sólidas as parcerias entre a AMB, o CFM e as Sociedades de Especialidades, com a criação da Ordem dos Médicos do Brasil, que deverá ser construída com a sensibilidade e a percepção inerente às necessidades da classe médica, propiciando-nos uma atividade profissional politicamente mais forte e com maior capacidade de resolver os problemas implícitos à sua atuação. Eu comecei agradecendo e vou terminar agradecendo: agradecer à excelente Ekipe de Eventos (Rivadário, Mirela, Chaves, Allison), à Vanetour (Efi, Andréia), à rede hoteleira Slaviero (Paulo Ventura), parceiros que não mediram esforços para a realização deste evento. Agradecer à sempre inestimável contribuição das nossas secretárias sogipanas, a Leonor e a Ana. Agradecer ao presidente da Schering, Sr. Theo Van Der Loo, que veio pessoalmente a Curitiba com sua equipe para consolidar a forte e mais represen- Dr. Dênis Nascimento tativa parceria com o XII CSBGO. Agradecer a todos laboratórios e expositores, parceiros igualmente importantes, como a Ache, Atrazeneca do Brasil, Aventis, Biolab Sanus, Bleymed, Eli Lilly do Brasil, Farmoquímica, Cirúrgica Passos, FQM, Janssen-Cilag, Herbarium, Kley Hertz, Libbs, Livraria do Isidoro, Marjan, Medison, Medley, Millet-Roux, Olsen, Organon, Promedon, Pro Stili, Radimagem, Schering, Sigma, Theraskin, Wyeth-Whitehall, Secretaria de Estado da Saúde e Secretaria Municipal de Saúde. E, uma vez que a razão deste nosso encontro é a mulher, quero fazer minhas as palavras de um pensador americano, Stanley Baldwin, que diz o seguinte: prefiro acreditar no instinto de uma mulher à razão de um homem! E quero prestar uma homenagem a todas as mulheres aqui presentes: mães, esposas, filhas, trabalhadoras, entre tantas: obrigado por vocês existirem! Mas, afinal, o que é que nós fazemos com as nossas vidas? Vivemos as nossas vidas olhando sempre para a frente, para o amanhã. Mas só conseguimos realmente entendê-las quando olhamos para trás. E, quando nós olhamos para trás, o que realmente se destaca é que as coisas se resumem a pessoas. E, são as pessoas que verdadeiramente fazem a diferença! Tenho certeza que vocês farão a diferença neste encontro! Pois, o sucesso só é bom mesmo quando compartilhado, e queremos compartilhá-lo com todos vocês! Muito obrigado e tenham todos um ótimo congresso!” REVISTA SOGIPA 06 IN VITRO COMEMORA 20 ANOS No dia 7 de outubro de 1984, nascia Ana Paula Caldeira, na cidade de São José dos Pinhais, Região Metropolitana de Curitiba. Seria mais um nascimento como tantos outros, se não fosse pelo fato de que a garota representa um marco na Medicina Brasileira. Ana Paula foi o primeiro bebê de proveta nascido no Brasil. Nestes últimos 20 anos, as técnicas de Reprodução Assistida avançaram muito. Vários procedimentos deixaram de ser invasivos e as taxas de sucesso aumentaram significativamente. O primeiro bebê de proveta brasileiro nasceu apenas seis anos após Louise Brown, o primeiro do mundo, o que mostra que, no início, o Brasil esteve no encalço do que era descoberto na Europa e nos Estados Unidos. Hoje, o país tornou-se referência na área, atendendo pacientes até do Exterior. A estimativa é de que chegue a 500 mil o contingente de crianças nascidas com a ajuda das técnicas de reprodução assistida em todo o mundo. Segundo os especialistas, a Fertilização In Vitro, foi uma das técnicas que mais avançou. Não só o procedimento em si foi aprimorado, como técnicas auxiliares foram criadas para aumentar as taxas de gravidez e a qualidade dos embriões implantados. É o caso do Diagnóstico Genético PréImplantacional, desenvolvido em 1994, onde é possível detectar se o futuro bebê poderá apresentar problemas cromossômicos, como a Síndrome de Down, por exemplo. Esse exame possibilita que mulheres com mais de 40 anos possam desenvolver gestações mais seguras e com bebês mais saudáveis. Todas as pessoas sonham em ter uma família. Ao se casarem, homens e mulheres têm em mente que ter LINHA COMPLETA PARA GO: ULTRA-SOM NOVOS E SEMI-NOVOS MONITOR E DETECTOR FETAL MESA GINECOLÓGICA VIDEO-COLPOSCÓPIO ASSISTÊNCIA TÉCNICA: ESPECIALIZADA EM ULTRA-SOM (MULTIMARCAS) REPARO E VENDA DE TRANSDUTORES VIDEO-PRINTERS GERENCIAMENTO DE IMAGEM: SISTEMA DE CAPTURA IMPRESSÃO A JATO DE CERA SUPRIMENTOS SISTEMA 3D SONOCUBIC ACOPLÁVEL EM QUALQUER EQUIPAMENTO DE ULTRA-SONOGRAFIA AV. PRES. AFFONSO CAMARGO, 849 - LOJA 4 - CRISTO REI - CEP 80050-370 - CURITIBA - PR - FONE/FAX (41) 3016-0010 [email protected] - www.radimagem.net filhos é uma meta possível e fácil de ser realizada. Porém, infelizmente, nem sempre é assim. Diversos fatores fazem com que o casal não possa concretizar este projeto sem a ajuda médica. Estima-se que no Brasil mais de 6 milhões de casais têm alguma dificuldade para obter a gravidez. Conforme o especialista na área Alessandro Schuffner, ao longo dos anos houve um aprimoramento dos medicamentos, meios de cultura e outros componentes de um ciclo de fertilização in vitro, com conseqüente redução do custo do tratamento. Há inclusive uma regulamentação da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana e do Conselho Federal de Medicina que aborda os critérios para a “Doação de Óvulo Compartilhada”, onde uma mulher que se dispuser a doar parte dos óvulos, poderia ter seu tratamento de fertilização in vitro até mesmo gratuitamente. Atualmente estão sendo tratados menos de 10% da população de casais inférteis. O principal motivo listado pelo médico é o fato de a infertilidade ter sido a única afecção médica que ficou fora da cobertura dos planos de saúde, após a recente regulamentação. Sem contar que o tratamento ainda é visto como elitista, embora não 07 REVISTA SOGIPA FERTILIZAÇÃO seja. Essas dificuldades podem ser contornadas uma vez que existem protocolos diversificados de estímulo ovariano, que são apresentados e decididos conjuntamente com o casal; onde os protocolos com estimulação mínima aproximam-se economicamente das possibilidades da maioria da população. E, o mais importante, a infertilidade ainda não é encarada como um problema de saúde, apesar de ser uma condição que afeta emocionalmente o casal, lembra Schuffner. A década passada demonstrou avanços importantes nas Técnicas de Reprodução Assistida (TRA) que se traduzem em aumento da chance de casais realizarem o sonho de criar uma família. Esses avanços incluem melhora nos meios de cultura associados com técnicas de transferências embrionárias mais gentis e modernas, dentre outras tecnologias. Mais desenvolvimentos em TRA são aguardados nos campos da genética e biotecnologia. Dr. Alessandro Schuffner FERTILIZAÇÃO IN VITRO - APÓS 20 ANOS, O QUE MUDOU? HÁ 20 ANOS AGORA Somente através da Videolaparoscopia, com anestesia geral. Procedimento invasivo com Internação. Apresenta maior risco. Através do ultra-som, sob sedação. Não invasivo sem internação. Apresenta menor risco. Taxas de Gravidez 15% 45% Diagnóstico Pré-Implantacional de Doenças Cromossômicas (DPG) Impossível Controle para evitar gestação múltipla, através da análise dos embriões Não existia É feita por técnicas modernas para avaliação da qualidade dos embriões. São transferidos somente os melhores (1 ou 2). Homens com vasectomia ou pequena quantidade de espermatozóides (menos do que 5 milhões/ml) Impossível Possível graças à técnica do ICSI (Injeção Intracitoplasmática do Espermatozóide), em que um único espermatozóide é injetado dentro do óvulo. Homens com azoospermia Não existia Fertilização com óvulos de doadora Não era feita Procedimento sem custo Não existiam Gravidez em casais sorodiscordante para o HIV – homem com o vírus e a mulher não contaminada Impossível Coleta de óvulos Possível. Hoje doenças cromossômicas, como a Síndrome de Down, podem ser diagnosticadas precocemente, antes da transferência embrionária. Podem recorrer ao banco de sêmen, com rígidos controles de qualidade, com maior semelhança fenotípica e imunológica, sendo a seleção feita pelo casal. Realizada em caso de mulheres que não têm óvulos capazes de serem fertilizados ou estão na menopausa Possíveis para pacientes com até 35 anos com alterações tubárias ou fator masculino que se dispõe a compartilhar anonimamente seus óvulos. Hoje graças a avançadas técnicas de separação do sêmen, após checagem através de PCR, podemos proporcionar uma amostra com espermatozóides livre do vírus HIV, com isso possibilitando a gravidez desta mulher, sem contaminá-la. [1] Fonte: IPGO e Dr. Alessandro Schuffner (e-mail: [email protected]) [1] Referência: “Implicações éticas quanto às técnicas de reprodução assistida em casais sorodiscordantes para HIV, onde a mulher é soronegativa e o homem é soropositivo”. Arq Cons Reg Méd do PR, 21 (82): 74-76, 2004. Todas as técnicas de fertilização existentes hoje podem não ser suficientes para dar a todos os casais a alegria do filho biológico. Nesses momentos, é preciso buscar novas alternativas e a adoção é uma delas. “Quando descobrimos que não poderíamos ter filhos, resolvemos adotar, mas antes passamos por diversos tratamentos. Quem sabe, deveríamos ter adotado antes”. Revelações como esta são comuns em casais que passam muitos anos em vão tentando gerar um filho biológico e depois optam pela adoção. Até desistir dos tratamentos, o casal passa por muitas decepções. A cada resultado negativo, como bem sabem os médicos especializados na área, há um novo luto acompanhado de depressão e baixa-estima, além do desgaste emocional do casal e entre as suas relações familiares e sociais. Por isso, é preciso perceber a hora em que as tentativas de concepção devem ser deixadas de lado e quando uma adoção tem potencial para tornar a paciente tão feliz quanto se tivesse concebido um filho biológico. “A culpa é o primeiro sentimento da pessoa que descobre a infertilidade. Os religiosos, por exemplo, acham que estão sendo punidos por Deus e toda a pressão social existente gera tristeza e sensação de fracasso”, explica a psicóloga especialista em adoção e professora do Departamento de Psicologia da Universidade Federal do Paraná, Lidia Natalia Dobrianskyj Weber. Isso porque nossa história, segundo ela, está voltada para a cultura de que devemos ter filhos e que o laço de sangue é o mais importante. Mas quem escolhe adotar, normalmente chega à conclusão de que o filho é importante de qualquer maneira, porque a filiação é construída. PESQUISA Até há algum tempo, poucos estudos sistemáticos sobre a adoção tinham sido realizados no Brasil e isto trouxe como conseqüência a generalização de casos dramáticos e a formação de preconceitos e estereótipos. A tese de doutorado sobre adoção de Lídia Weber, que resultou no livro Pais e Filhos por Adoção no Brasil, publicado pela Editora Juruá (2001), foi um grande avanço para desmistificar algumas questões. A pesquisa para a tese foi realizada com 400 pais adotivos, filhos adotivos e filhos biológicos que têm irmãos adotivos, moradores de 17 estados e 105 cidades diferentes do Brasil. Um dos dados comprovados na pesquisa – considerada uma característica do perfil brasileiro – é que a maioria dos futuros pais ainda prefere crianças brancas, saudáveis, recém-nascidas (até três meses de idade) e do sexo feminino. “Quem tem motivação mais altruísta apresenta menor tendência de fazer exigências em relação às características físicas da criança. Quanto mais exigências se faz em relação à idade, raça, cor de olhos e cabelos, mais difícil será para adotar”, destaca Lídia. Prof.ª Dra. Lidia Natalia D. Weber LEI FACILITA A ADOÇÃO, MAS 48% AINDA SÃO ILEGAIS O caminho da adoção é bem menos árduo e desgastante do que se imagina. A lei ficou mais favorável a isso, depois do Estatuto da Criança e do Adolescente de 1990, garantindo mais tranqüilidade e rapidez. Hoje, qualquer pessoa maior de 21 anos pode adotar uma criança ou um adolescente. O estado civil não importa. Ela pode ser solteira, casada, divorciada ou legalmente separada. Mesmo assim, cerca de 48% dos casos de adoção são ilegais para agilizar o processo, segundo informa Lídia Weber. O adotante faz o registro da criança em cartório, o que é ilegal, para não precisar passar pela aprovação e respaldo do Juizado da Criança e da Juventude. Para entrar num processo correto, deve-se fazer o pedido de adoção ao Juizado, passar por uma avaliação com entrevistas e visitas na casa do interessado em adotar. No entanto, a demora na adoção muitas vezes ocorre pelo nível de exigência do adotante que prefere um recém-nascido de cor clara e muitas vezes com traços semelhantes aos pais adotivos. Alguns estados vêm avançando nas pesquisas e programas sobre o assunto para agilizar o processo de adoção. “Em Minas Gerais existe o projeto ‘Pais de Plantão’ Se um bebezinho é encontrado, ele vai direto para uma adoção e nunca para um abrigo”, conta Lídia. No Paraná, ela explica que há um projeto – ainda em discussão – de uma nova lei sobre adoção, para que se defina o destino de uma criança no processo de adoção em, no máximo, um ano. Apesar dessas iniciativas, o descaso social e a burocracia também são problemas sérios no Brasil, fazendo com que muitas crianças acabem ficando nas instituições por um problema judiciário burocrático. Rosa Bittencourt e Ari Silveira são jornalistas e pais de Malu. CARTA DE UMA MÃE FELIZ REVISTA SOGIPA 08 ALEGRIA AO CASAL “Nove anos de casamento. Dois abortos espontâneos e cinco tentativas fracassadas de tratamento para engravidar, sendo que a última delas foi uma inseminação artificial. O próximo passo, segundo o ginecologista e especialista em reprodução que nos acompanhava, seria a fertilização in vitro (FIV). Depois de considerar, além do alto valor (de R$ 4 a 15 mil), de mais uma vez sofrer um desgaste físico e emocional que não tem preço, decidimos partir para a adoção, projeto que já havia sido cogitado logo após o primeiro tratamento. Decisão tomada, seguimos em direção à Vara da Infância e da Juventude de Curitiba para saber tudo a respeito da adoção (documentação, espera na fila, apoio psicológico, licençamaternidade e paternidade, entre outras dúvidas). Documentação entregue e 30 dias depois fomos comunicados pela psicóloga da Vara da Infância que já estávamos habilitados. Era começo de fevereiro de 2004 e dali para frente qualquer dia era dia de realizar o nosso sonho de ser pai e mãe de uma menina com idade entre 0 e 1 ano e meio, conforme estava anotado em nosso processo. Para surpresa e felicidade nossa, dos parentes e dos amigos que estavam acompanhando toda a nossa espera, 30 dias depois da habilitação fomos comunicados que havia uma menina de 1 e oito meses na fila para adoção. Antes de conhecê-la e saber de sua história já sabíamos que seria a nossa filha. Fomos de coração aberto para conversar com a psicóloga e ver sua carinha. A primeira vez que a vimos foi por uma fotografia e 1 hora depois pessoalmente. Depois foram mais oito dias de encontro diários para a fase de adaptação até a justiça conceder a guarda provisória e ela entrar oficialmente em nossa casa, no dia 17 de março. Na bolsa, a certidão de nascimento antiga e no coração todo o amor do mundo para a nossa filha Maria Luísa, a Malu, como carinhosamente é chamada por todos que a cercam. Em meados de julho, quatro meses depois de mudar nossa vida de ponta cabeça de tanto carinho, amor, alegria, gargalhada, recebemos a boa notícia de que o juiz concedeu a adoção e que já poderíamos registrá-la como nossa filha. Em seis meses de deslumbramento total por nossa pequena temos a dizer para os casais que estão em tratamento para engravidar ou para aqueles que já têm um ou mais filhos: adotem uma criança. Não tenham preconceito com a idade (1, 2, 3, 6, 7, 10 anos ou mais). O que importa é o amor que essa criança tem para dar a vocês e o amor de vocês para ela. Não desanimem com a fila de espera na capital e nem no interior. Dêem o primeiro passo que é apresentar a documentação e obter a habilitação para a adoção na Vara da Infância. O tão esperado telefonena avisando que tem um menino ou uma menina esperando por vocês vai chegar. Depois de conhecer seu filho ou filha, todo o tempo de espera não é nada diante da presença de uma criança dentro de um lar.” 09 REVISTA SOGIPA DEPOIS DE LONGOS TRATAMENTOS, FILHO ADOTIVO TRAZ REVISTA SOGIPA 10 EM DEFESA DA SAÚDE DO POVO BRASILEIRO * Edson de Oliveira Andrade Muitas bobagens têm sido propaladas acerca do projeto de lei que regulamenta os atos médicos. As mais recentes foram publicadas no jornal O Globo pelo médico Aloísio Campos da Paz, da rede Sarah. Antes de mais nada, é preciso esclarecer que todas as profissões da área da saúde têm sua regulamentação em lei, exceto a Medicina. Isso, em tese, deve-se ao fato de todo mundo saber o que o médico faz, e os legisladores nunca se preocuparam com a matéria. No entanto, justamente devido à evolução do conhecimento científico e a complexidade cada vez maior da atenção à saúde, tal legislação hoje é necessária. O projeto de lei diz, em cinco artigos, que só o médico, ressalvado o odontólogo, tem a competência profissional para diagnosticar as doenças e prescrever o tratamento para os doentes. Nada além do óbvio. A atenção à saúde é obrigatoriamente praticada por equipe multiprofissional, pois ninguém a realiza sozinho. Cada profissão tem sua atribuição definida em lei, e nenhum outro profissional diagnostica doenças e indica o respectivo tratamento. O psicólogo faz a avaliação psicológica, o fisioterapeuta faz a avaliação cinésio-funcional, o enfermeiro a de enfermagem e todos tratam dos pacientes de acordo com suas capacidades e com absoluta autonomia dentro das prerrogativas estabelecidas em suas leis. Dr. Edson de Oliveira Andrade Dizer que todos os profissionais se subordinariam aos médicos após a aprovação da lei do ato médico é uma aleivosia. Só por desconhecimento ou má fé pode-se disseminar a inverdade que, para ir ao dentista ou a um psicólogo, precisaria antes do aval de um médico. Propagam tais inverdades aqueles interessados na não regulamentação da Medicina, que preferem manter uma área cinzenta de interface entre as profissões, abrindo caminho para o exercício ilegal da profissão e o charlatanismo. Quando o projeto de lei prevê que só um médico pode chefiar serviços médicos, não preconiza a subordinação de outros profissionais aos médicos. Significa que os serviços de cirurgia, ginecologia, cardiologia e tantos outros, onde se praticam atos médicos, têm que ter um responsável técnico médico, que responda por eles. Estes são os responsáveis perante os Conselhos de Medicina, e são interpelados quando ocorrem denúncias envolvendo médicos. Os serviços de enfermagem, 41 289-0029 representante autorizado sistemas - Kit Histerectomia - Microscópios - Detectores Fetais - Estufas / Autoclaves - Histeroscopia sistema de captura de imagens bisturi alta freqüencia - CAF | sistema de vídeo para colposcópio - Laparoscopia Medilab Higiene e Saúde Ltda. - Rua Paranaguá, 1173-A - CEP 80610-140 - Curitiba - Paraná - Tel. 41 289-0029 - Cel. 9153-3578 - www.medilabsaude.com.br profissionais de saúde “multifunção”, que sabem um pouco de enfermagem, de nutrição, de medicina etc., o suficiente para implementar uma assistência à saúde de segunda para gente de segunda. Fato eticamente inaceitável Some-se a tudo isso a crônica escassez de recursos para a saúde, e teremos um retrato fiel do que vem ocorrendo. Disso, aliás, o médico Aloísio Campos da Paz não pode se queixar. Há muitos anos, e há vários governos, a rede Sarah é beneficiada com um aporte de recursos diferenciado, à parte dos demais hospitais do Ministério da Saúde. Pelo site oficial do Ministério podemos ver que a rede Sarah recebeu sozinha, em 2003, 245 milhões de reais, contra 207 milhões para todos os hospitais próprios. Sem dúvida, este é um fator determinante para a excelência dos serviços prestados pela rede, e que bom seria se todos os gestores da saúde no país tivessem o mesmo tratamento. É preciso deter este iceberg, cuja parte submersa revela uma perspectiva cruel e sombria para a saúde pública brasileira. A regulamentação em Lei dos atos médicos constitui apenas um primeiro passo, mas que ajuda ao explicitar as ações que só este profissional pode executar, devidamente habilitado, fiscalizado e capaz de assumir os riscos pelas decisões que venha a tomar. Temos consciência de que nenhum profissional atua sozinho na assistência à saúde, mas temos também a certeza de que não se faz saúde sem médicos. Aprovar o PL 25 (Lei do Ato Médico) é antes de tudo um ato de cidadania. Um gesto de respeito às pessoas. Edson de Oliveira Andrade é Presidente do Conselho Federal de Medicina. 11 REVISTA SOGIPA ATO MÉDICO: de nutrição, de fonoaudiologia, entre outros, são e serão sempre dirigidos pelos respectivos profissionais, como rezam as leis de cada um. Os médicos não querem, e nem podem, chefiá-los. Da mesma forma, a direção geral de uma instituição de saúde, ou uma secretaria, ou um ministério, que não requerem formação médica específica, poderão ser dirigidos por qualquer profissional (os dois últimos Ministros da Saúde são economistas), desde que tenham médicos respondendo pelos atos médicos, como exige a legislação atual. No calor dos debates que vêm acontecendo, ainda longe dos olhos e ouvidos da população brasileira, a principal interessada, o que a lei do ato médico vai coibir, de verdade, é a tentativa deliberada de promover uma assistência à saúde sem médicos habilitados, mais barata por certo, mas com riscos à vida dos pacientes e aos profissionais que se arriscam a substituí-los. As chamadas casas de parto são exemplos destas ações. Criadas para acompanhar os partos ditos normais e “humanizar” a parição, estas sim retrocedem ao século passado na assistência à gestante. As complicações de um parto, quando acontecem, são de tal ordem dramáticas que se o médico não estiver presente e com recursos adequados, não há tempo para salvar as vidas da mãe e da criança. Mas não são as únicas aberrações. O Programa de Saúde da Família também precisa ser revisto quanto à composição de equipes sem médicos para atendimento à população. E ainda são muitas as secretarias e postos de saúde sem diretor médico pelo Brasil afora. Uma instituição de saúde sem um responsável técnico médico funciona ao arrepio da lei. Conceber uma Medicina sem médicos não é um debate acadêmico. É a aplicação acrítica do receituário neoliberal do Banco Mundial. Desvirtuar o conceito de equipe é essencial para aviar esta receita. Ao invés de reunir os saberes e práticas de cada profissional em benefício da população, misturamse estes ingredientes em receitas práticas capazes de serem aplicadas por qualquer um de seus membros. Em breve teríamos REVISTA SOGIPA 12 PLANOS DE SAÚDE E A HORA DO BASTA! * Dr. Hélcio Bertolozzi Soares As dúvidas e a insegurança são marcantes entre os cerca de 2,2 milhões de paranaenses que lutam para manter os seus planos ou seguros de saúde, e outros tantos que alimentam a expectativa de ingressar na assistência supletiva, desviando-se do razoável mas saturado sistema público. O quadro de incertezas não é "privilégio" dos usuários dos serviços, sejam paranaenses ou de outros Estados. Alcança-nos a todos, os médicos e demais prestadores de serviços. Se não estamos "no mesmo barco", usando o jargão popular, podemos garantir que estamos no mesmo mar revolto e traiçoeiro, onde ainda não há nenhum porto seguro de regras transparentes e isonômicas. A medicina estimulada sob visões mercantilistas e de lucro fácil abriu barreiras na relação médico-paciente, comprometendo a qualidade da assistência, o acesso aos avanços técnico-científicos e a concepção hipocrática da profissão. Sob a batuta das operadoras, os planos e seguros de saúde experimentaram aumentos superiores a 400% na última década, ou 248,77% somente no período de janeiro de 1997 a abril de 2004, quando o Índice de Custo de Vida estimado pelo Dieese foi de 72,63%. O consumidor sabe muito bem o que pagou, pois comprometeu de forma crescente a sua renda familiar. Pior: foi ludibriado com o argumento sintônico das empresas de saúde complementar de "aumento de custos". Sem um único centavo repassado aos médicos e demais serviços, é de se pressupor que em 10 anos as operadoras/seguradoras multiplicaram seus lucros e, acostumadas a eles, relutam em estreitar a sua ganância. Também fica claro que, no período, os médicos sustentaram suas perdas nos consultórios, ambulatórios e hospitais sem a menor compaixão e reconhecimento das empresas. Apesar do advento da Lei dos Planos de Saúde (9.656/98) e da Agência Nacional de Saúde Suplementar (criada há quatro anos), da instalação de CPI e de tantos fóruns de debates, a verdade é que o setor de assistência supletiva ainda não foi devidamente "passado a limpo". Agora, para desespero daqueles que lucram sob a mais rasteira das chantagens, os sinos de boas novas ecoam de todas as frentes na sociedade. O alerta de que cessam os tempos de tolerância à mercantilização e à arrogância vem dos usuários e dos prestadores de serviços, respaldados pelos organismos de defesa do consumidor, pela Dr. Renato Schwansee Faucz Justiça e pelas demais instituições Dra. Rosangela Trova Hidalgo públicas reguladoras. Neste momento, nossa recomendação aos usuários dos planos é para que • Mamografia sejam prudentes, observando aten• Ultra Sonografia Geral tamente os critérios da contratualização com a operadora, em especial no que se referem à disposição dos R. Comendador Araújo, 510 - Cj. 1301 - Fone: (41) 223-4353 - Fax: (41) 324-7217 atos médicos. Se a migração for a Curitiba - PR - Cep 80420-000 - [email protected] CURSOS DE ECOGRAFIA 13 REVISTA SOGIPA A GANÂNCIA DOS opção, deve ser bem avaliada no tange ao equilíbrio de estágios diferentes nos vários Estados. No Paraná, as valores e características assistenciais. Conforme oriendecisões adotadas Pela Comissão Estadual de Honorários tação da própria Promotoria de Defesa do Consumidor, Médicos, em conjunto com as Sociedades de os casos omissos devem ser levados à sua competência Especialidades, decretam restrições a algumas modalipara dirimir dúvidas e solucionar conflitos. O índice de dades de assistência ou mesmo empresas pelo fato de reajuste autorizado pela ANS é de 11,75%. Os patamares relutarem em negociar regras contratuais claras, que fixados por seguradoras como a Sul América (46,14%) e incluam critérios para atualização de valores dos procediBradesco (81,6%) tornam-se obscenos diante do frágil – mentos. e improcedente – argumento de aumento de custo. Desde 1.o de maio último prevalece a orientação para Para os profissionais médicos, a implantação da que os usuários dos seguros-saúde sejam atendidos na Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos modalidade de reembolso, já que as seguradoras Médicos é um processo irreversível. Trata-se de um instruparecem "dar de ombros" para seus 200 mil credenciados mento ético, digno e, acima de tudo, que vem proporcino Paraná. Pela intransigência nas negociações, há a onar um modelo atualíssimo do que a medicina oferece à perspectiva de descredenciamento coletivo das empresas população. Foram quase três anos de estudos envolde medicina de grupo, representadas pela Abramge e vendo todas as especialidades médicas, determinando que atendem cerca de 150 mil usuários. A um rol de cerca de 5,4 mil procedimentos, quase o dobro Assepas/Unidas, sistema de autogestão com cerca de do relacionado no instrumento anterior, a Lista de 400 mil consumidores, reconhece a legitimidade da Procedimentos Médicos de 1992. E quando se fala em CBHPM mas reluta em adotá-la de forma plena quanto a recomposição de valores, não é apenas a sociedade valores e prazos. médica que exibe a vultosidade das perdas, mas um É iminente a notificação à Promotoria de Defesa do órgão reconhecidamente representativo dos parâmetros Consumidor para que, em 30 dias, os beneficiários de econômicos do Brasil, que é a Fipe, presente nos estudos planos de autogestão igualmente sejam atendidos no da Classificação. No recente encontro dos Conselhos de sistema de reembolso, com cobrança de R$ 50 nas conMedicina do Sul e Sudeste, em Minas Gerais, o presidente sultas e tabela plena nos procedimentos. Um risco que da ANS, Fausto Pereira dos Santos, ressaltou que é atribuatinge sobretudo os usuários de planos como da ição das entidades médicas representativas definir, datas Cassi/Banco do Brasil, Caixa Federal, Correios, Petrobrás, e prazos para recomposição das perdas dos últimos 10 Copel, Sanepar e Susef, dentre outros. Há a perspectiva anos. Ao mesmo tempo, disse que a Classificação é de fixação de cronograma de datas e metas a serem absolutamente correta em sua interpretação social e que, atingidas em negociações que irão envolver o CFM, a embora não seja da alçada da ANS, os valores praticados AMB e a Unimed Brasil, o que viria não só tranqüilizar pelas operadoras estão muito aquém daqueles que usuários, cooperados e prestadores de serviços de modo entende ser éticos. geral, mas, principalmente, estabelecer um novo O Conselho de Medicina e a Associação Médica do momento na assistência supletiva brasileira. Paraná, ao longo desse período de impasse, têm atuado Dr. Hélcio Bertolozzi Soares é presidente da Comissão Estadual em defesa do médico, da profissão e, sobretudo, da de Honorários Médicos, vice-presidente do Conselho Regional de sociedade. A consolidação de nossos interesses na Medicina do Paraná e diretor de convênios da Associação Médica do implantação da Classificação passa, obrigatoriamente, Paraná. Artigo publicado no site CRM-PR. pelos princípios de eqüidade, justiça, universalidade e disponibilidade de todos os atos médicos em benefício do nosso paciente. Entendemos que não deve haver • Transvaginal • Mama CALENDÁRIO DO CURSO BÁSICO discriminação quanto ao tipo de • Morfológico • Doppler jan. 03/01 a 28/01 jul. 20/06 a 22/07 assistência prestada ao paciente. • Básico em Tocoginecologia fev. 31/01 a 25/02 ago. 25/07 a 19/08 As negociações visando a celemar. 28/02 a 25/03 set. 22/08 a 23/09 Av. Silva Jardim, 1126 Curitiba - PR bração de contratos entre médicos e abr. 28/03 a 22/04 out. 26/09 a 21/10 Fone: (4) 322-0074 ou 222-9926 operadoras, em conformidade com mai. 25/04 a 20/05 nov. 24/10 a 18/11 site: www.epam-ecografia.com.br e-mail: [email protected] jun. 23/05 a 17/06 dez. 21/11 a 16/12 a legislação vigente, encontram REVISTA SOGIPA 14 Dzonet, 20/07/2004. A diretoria da SOGIPA está discutindo o novo estatuto da entidade, que deverá ser adequado conforme o novo código civil brasileiro. Assim, será preciso transformar o órgão na associação da Sociedade de Obstetrícia e Ginecologia do Paraná. Ainda assim, poderá ser mantido o nome fantasia de SOGIPA. A mudança deverá ocorrer já a partir do início deste ano. PÓS-GRADUAÇÃO AMANHÃ Quando lembrares de mim Não te esqueças, Andei o mesmo caminho, Na inquietude O grito para acertar. Andar lado a lado, Buscando um norte Que jamais acertei. Fiz-me infeliz Pelo pouco carinho. Noites de insônia, Dormias tranquila. Quando, Nas tormentas Afastavas-te. No meu barco eu só Velejava tristezas. Amargas lembranças. Na garganta um nó, Mais aperta Que desata. Assim, Fui sentindo-me Cada vez mais longe, Afastar-se do teu porto Parecia a tua maior alegria. Não és má, És ótima! Sempre vivestes Um amor distante, Mais para tua origem De que para teu presente. Quantas e quantas horas Te desejei minha. Quando te achava, Estavas nas tarefas Que muito bem o fazes. Num mundo cheio de ti, Como ilha bem guardada, Impenetrável, Uma simples mortal. NOVO ESTATUTO É possível se sentir no Tahiti mesmo no Brasil? A resposta é sim, se você estiver num resort luxuoso à beira mar, com uma piscina exclusiva na porta do seu charmoso bangalô. Esse lugar é o Nannai Beach Resort, localizado em Porto de Galinhas, Pernambuco. Entre as opções de acomodação, existem duas categorias de apartamentos e três de bangalôs. Em sua maioria, os bangalôs são independentes e desenhados para oferecer conforto e tranqüilidade. São distribuídos entre lâminas d'água e jardins, possuem varanda espaçosa e piscina privativa de profundidade variada. Um ambiente de estar aconchegante composto de sofá e conjunto de mesa e cadeiras mescla-se com o quarto do casal, equipado com TV por assinatura, condicionador de ar e outras comodidades. O Resort oferece um grande conjunto de piscinas com mais 6.000m² de lâmina d'água cristalina, que percorre grande parte de sua área de lazer. Dentro da piscina principal encontram-se espaços exclusivos de hidromassagem, prainha com vista do mar, área para crianças e um bar molhado. Também é possível praticar esportes variados, enquanto uma equipe de monitores se encarrega de oferecer atividades diárias para as crianças. Se tudo isso não bastasse, o hotel está localizado próximo à praia de Porto de Galinhas, uma das mais bonitas e badaladas de Pernambuco. Mais informações podem ser obtidas no site www.nannai.com.br. Durante a década de 90 os grandes benefícios da videocirurgia foram demonstrados, ampliando-se gradativamente suas indicações. Os programas de residência médica em ginecologia e obstetrícia, na grande maioria dos serviços brasileiros, não capacitam o residente para o exercício adequado da endoscopia ginecológica. Por isso, foi criada a pósgraduação “latu sensu” em viedolaparoscopia (PGVL) e videohisteroscopia (PGVH) do Instituto Fernandes Figueira (Fundação Oswaldo Cruz), no Rio de Janeiro. Não é possível cursar os dois cursos ao mesmo tempo. A atividade teórica terá duração de 15 horas mensais. Podendo ser ministrada semanalmente ou ao final de cada mês. Nos dias 10 e 12 de março será ministrado um curso de ginecologia, obrigatório para os interessandos em cursar a pós-graduação. Mais informações podem ser obtidas pelo site www.endolap.com.br. CAMPANHA PELO ATO MÉDICO A aprovação do Projeto de Lei do Ato Médico (PLS 25/2002) depende da mobilização que sensibilize o Congresso Nacional sobre a sua importância para a saúde pública brasileira. No Rio Grande do Sul, a AMIRGS (Associação Médica do Rio Grande do Sul) desencadeou uma campanha para a obtenção de um milhão de assinaturas favoráveis à Lei, que será encaminhada aos Deputados Federais e Senadores. Segundo Newton Barros, presidente da AMIRGS, com a recomendação da AMB e CFM, os demais estados tendo a mesma atitude, facilmente será possível chegar a um milhão de assinaturas almejados. O CFM já solicitou a divulgação da campanha entre os médicos. * Consultorias em Medicina Fetal * Ecografia Obstétrica e Morfológica Fetal * Transluscência Nucal * Cardiotocografia * Perfil Biofísico Fetal * Biópsia de Vilo Corial * Amniocentese * Cordocentese * Transfusão Intra-útero * Ecografia Ginecológica * Doppler Obstétrico e Ginecológico Tel: 242-7070 - e-mail: [email protected] Av. 7 de Setembro, 4848 - cj. 604 - 80240-000 - Curitiba - Paraná JORNADA PARANAENSE DE ATUALIZAÇÃO EM CLIMATÉRIO Promoção: SOGIPA – SOBRAC Local: Auditório Araucária - SOGIPA 9º CONGRESSO PARANAENSE DE GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA Jornada Paranaense de Reprodução Humana Local: Ponta Grossa – PR CURSO DE RECICLAGEM EM GINECOLOGIA, OBSTETRÍCIA E REPRODUÇÃO HUMANA Local: Auditório Araucária - SOGIPA HORMOGIN Apoio: SOGIPA Local: Associação Médica do Paraná INFECTON – DST/AIDS Local: Auditório Araucária – SOGIPA SIMPÓSIO CENTRO-SUL DE MASTOLOGIA Local: Auditório Araucária - SOGIPA OBS. As datas dos eventos ainda serão definidas. CONGRESSO Será realizado em Vitória-ES, de 20 a 23 de abril de 2005, o VII Congresso Brasileiro de Videocirurgia (Sobracil). Mais informações podem ser obtidas pelo site www.sobracil.org.br/ congresso ou pelo fone (27) 3324-1333. VAGAS Hospital da Região Metropolitana de endo Curitiba está oferec istas vagas para planton res em Obstetrícia. Valo binar. dos plantões a com a. Informações com Sr a. Mary Moura ou Dr Maristela. 2 Fone: (41) 283-552 15 REVISTA SOGIPA O TAHITI É AQUI EVENTOS SOGIPA 2005