UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ
CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE – BIGUAÇU
CURSO DE PSICOLOGIA
FERNANDA MARQUES FARIAS
VENDE-SE UM CORPO NA TV:
O discurso midiático na construção de representações sociais do corpo e do padrão
atual ocidental de beleza através do Big Brothe r Brasil 9.
BIGUAÇU
2009
FERNANDA MARQUES FARIAS
VENDE-SE UM CORPO NA TV:
O discurso midiático na construção de representações sociais do corpo e do padrão
atual ocidental de beleza através do Big Brothe r Brasil 9.
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à
banca examinadora do curso de Psicologia da
Universidade do Vale do Itajaí. Centro de
Ciências da Saúde – Biguaçu. Sob a Orientação
da Profª: Enis Mazzuco.
BIGUAÇU
2009
FERNANDA MARQUES FARIAS
VENDE-SE UM CORPO NA TV:
O discurso midiático na construção de representações sociais do corpo e do padrão
atual ocidental de beleza através do Big Brothe r Brasil 9.
Esta monografia foi julgada adequada para obtenção do título do grau de Bacharel em
Psicologia na Universidade do Vale do Itajaí no curso de Psicologia.
Área de concentração: Antropologia / Psicologia Social
Biguaçu, 23 de junho de 2009
Banca Examinadora:
________________________________________
Profª. Msc. Enis Mazzuco.
UNIVALI – CE de Biguaçu
Orientadora
______________________________________
Profª. Msc. Ivânia Jann Luna
UNIVALI – CE Biguaçu
Membro
________________________________
Profº Drº: Marcelo Oliveira
Universidade de São José
Membro
Biguaçu
2009
Dedico esta monografia a todos os profissionais e
acadêmicos que contribuíram direta ou indiretamente
para que a realização da mesma fosse possível. Dedico
também a todos os familiares e amigos pelo incentivo nas
horas difíceis e ausentes. E por último, mas não menos
importante, dedico a Enis Mazzuco, pois a nossa
convivência me fez repensar caminhos e ideais.
AGRADECIMENTOS
Neste momento tão significativo de minha vida acadêmica e pessoal, há muitos
a quem agradecer...
A alguma força maior, por me guiar nesta caminhada, presente nos momentos
difíceis, sendo meu auxílio e refúgio;
Aos meus pais Pedro Paulo e Helena, em especial à minha mãe, agradeço pela
vida, pelo amor incondicional, e por todos os sentimentos que me tornaram a pessoa que
sou;
Ao meu irmão, Leonardo, que mesmo não tendo conhecimento da realização
deste, é parte imprescindível em minha vida;
Aos meus amigos, por serem fiéis companheiros, principalmente nos momentos
mais complicados, servindo como apoio e incentivo;
A Sarita Duarte Farias, que acreditou neste trabalho e contribuiu sobremaneira
para que a concretização do mesmo se tornasse possível, sempre me incentivando a não
desistir, sendo partícipe direto de tal conquista;
A Luana e Marcelo, amigos tão queridos, por todo o carinho, apo io e
contribuição que me possibilitaram a concretização deste;
A Aurivar Fernandes Filho, colega de curso, e querido amigo, que tão
diretamente contribuiu para a que produção e realização deste trabalho se tornasse
realidade;
A Profª. e Orientadora Enis Mazzuco, pela paciência e acompanhamento deste
trabalho, seu incentivo constante e imenso carinho, inclusive sendo tão pródiga em suas
recomendações nos momentos mais difíceis, assim como tão excepcional em saber dizer
as palavras certas, foram de maior valia;
A Banca examinadora, primeiramente por aceitarem participar da concretização
deste trabalho, e também pelo apoio e contribuição no processo de produção do mesmo;
A todos os queridos professores que participaram diretamente na produção
deste, pelo crédito e incentivo depositados em sua construção;
A Simone Coelho (auxiliar de biblioteca), que indo além de seu trabalho
profissional contribuiu imensamente para a produção técnica deste trabalho;
E por fim, mesmo não sendo de praxe, a mim mesma, que apesar das tortuosas
dificuldades, apesar de, em algumas ocasiões ter deixado de acreditar na rezalização
deste trabalho, consegui seguir em frente, principalmente com o apoio e afeição de
todos já citados, modificando ideais e estratégias, mas confiando em minha própria
capacidade de superar desafios.
O mundo é gentil com a beleza/ Põe a mesa,
arruma a sala/ Exala compreensão/ Tudo se faz
possível/ A beleza pode esconder/ O mau, o sujo, o
desprezível/ E ainda assim só por ser belo/ Faz
parecer incrível/ Que o mundo gosta da beleza
fácil/ Do que é superprático/ Banalidade rara/
Superfície clara/ Do que se vê logo de cara/ E
nunca se enxerga.
Rodrigo Maranhão / Zélia Duncan
RESUMO
Este Trabalho de Conclusão de Curso aborda como tema central o ―Padrão atual
ocidental de beleza‖, delimitado em um estudo acerca das ―Representações sociais do
corpo e de beleza que estão presentes no discurso midiático do Big Brother Brasil 9‖. A
finalidade do presente trabalho está centrada na compreensão dos ideais de corpo/beleza
propagados em uma sociedade baseada no consumo, onde este corpo é comparado a
uma mercadoria e o seu culto é difundido entre toda a sociedade. Buscamos através
deste, estar contribuindo para uma maior compreensão dos fatores envolvidos no
processo de disseminação do discurso midiático televisivo que influenciam para a
representação social do padrão de beleza e de juventude na sociedade contemporânea
ocidental, e para tanto, ao final desse estudo apontamos alguns fatores que evidenciam a
presença da temática juventude no discurso midiático observado, tendo como parâmetro
tanto o corpo feminino como o masculino. Para que os resultados de tal trabalho fossem
alcançados a categorização foi o método de análise eleito para a discussão dos dados
levantados através das cenas do programa, sendo que as categorias selecionadas foram:
1. Culto a imagem corporal perfeita; 2. A utilização de maneiras estratégicas para a
manutenção de corpos jovens e perfeitos; 3. O desprezo pela velhice como forma de
reafirmar um padrão de práticas que evidenciam um ideal de beleza propagado; 4. A
existência da temática juventude no discurso midiático do Big Brother Brasil 9 tendo
como parâmetro homens e mulheres. Os principais resultados encontrados mostram que
a temática juventude se faz presente no discurso do programa através do uso de
maneiras estratégicas (como plásticas) para a manutenção de corpos jovens por parte
dos participantes, da repulsa dos próprios idosos participantes do programa por
características próprias da velhice, e também através da presença de cuidados com a
aparência, tanto por homens, quanto por mulheres.
Palavras-chave: representações sociais, discurso midiático, padrão de beleza.
IDENTIFICAÇÃO
ÁREA DE PESQUISA: Psicologia Social/Antropologia.
TEMA: Padrão atual ocidental de beleza.
TÍTULO DO PROJETO: VENDE-SE UM CORPO NA TV: O discurso midiático na
construção de representações sociais do corpo e do padrão atual ocidental de beleza
através do Big Brother Brasil 9.
ALUNA
Nome: Fernanda Marques Farias
Código de Matricula: 06.1. 3805
Centro: Centro de Ciências da Saúde – Biguaçu
ORIENTADORA
Nome: Enis Mazzuco
Categoria Profissional: Psicóloga
Titulação: Mestre em Sociologia Política
Curso: Psicologia
Centro: Centro de Ciências da Saúde – Biguaçu
Curso: Psicologia
Semestre: 2009/I
SUMÁRIO
1. INTRODUÇÃO.......................................................................................................... 9
2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA................................................................................ 13
2.1 O CONCEITO DE REPRESENTAÇÃO SOCIAL.................................................. 13
2.2 LEVANTAMENTO HISTÓRICO ACERCA (...) .................................................. 16
2.3 O PADRÃO ATUAL OCIDENTAL DE BELEZA FÍSICA................................... 19
2.4 IDEAL DE JUVENTUDE........................................................................................ 23
2.5 O PODER DO DIRCURSO MIDIÁTICO............................................................... 25
2.5.1 O poder da mídia através dos reality shows (...) ................................................... 28
3. METODOLOGIA..................................................................................................... 30
4. APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS.................................. 32
4.1BIG BROTHER BRASIL......................................................................................... 32
4.2 PERFIL DOS PARTICIPANTES DO BIG BROTHER BRASIL 9........................ 34
4.3 DEFINIÇÃO DAS CATEGORIAS DE ANÁLISE................................................. 39
4.3.1Culto à imagem corporal perfeita........................................................................... 39
4.3.2 A utilização de maneiras estratégicas para a manutenção (...)............................. 43
4.3.3 O desprezo pela velhice como forma de reafirmar (...)........................................ 45
4.3.4 A existência da temática juventude no discurso (...)............................................. 48
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS................................................................................... 52
REFERÊNCIAS............................................................................................................ 55
ANEXOS........................................................................................................................ 61
1. INTRODUÇÃO
A estrutura social se constitui como elemento fundamental da realidade na
existência humana. É nas interações sociais que construímos nossa subjetividade. Dessa
forma é a partir das vivências que podemos adquirir a confiança na realidade vivida e
compreender as diferenças entre nós e as outras pessoas.
A representação que surge como algo que todos nos fazemos diante das coisas,
pessoas e situações, e que pode ou não ser condizente com a realidade, aparece como
algo que é compartilhado ou não entre as pessoas, mas que de qualquer maneira tem
papel fundamental no processo de inclusão social.
Nesse contexto da representação social pode-se perceber também o poder da
mídia, pois, em sentido geral, não há práticas culturais que hoje fiquem fora da ação do
discurso midiático. Esse discurso desempenha um papel ambíguo e até mesmo
contraditório tanto a partir da perspectiva da liberdade e dos valores democráticos como
também a partir do ponto de vista da inovação e da superioridade estética. A tensão
entre as tendências a uma homogeneização em contrapartida às diferenças culturais é
constantemente apresentada no processo histórico da mídia de massa.
Assim, através de sua grande participação nas práticas sociais, a mídia acaba
tendo um papel fundamental na produção e divulgação de padrões estéticos de beleza masculina ou feminina - através de discursos que colaboram para a exploração dos
corpos na construção de uma imagem corporal específica. E juntamente com esse ideal
propagado, apresentado em uma sociedade baseada no consumo, onde o corpo é
comparável a uma mercadoria e o seu culto é difundido entre toda a sociedade, aparecer
jovem é o maior ideal de beleza, tendo o corpo função principal nas relações sociais de
auto-afirmação perante a si mesmo e diante das outras pessoas. Nos apresenta Russo
(2005, p.81) que:
As pessoas aprendem a avaliar seus corpos através da interação com o
amb iente, assim sua auto-imagem é desenvolvida e reavaliada continuamente
durante a vida inteira (BECKER, 1999), mas as necessidades de ordem social
ofuscam as necessidades individuais. So mos pressionados em nu merosas
circunstâncias a concretizar, em nosso corpo, o corpo ideal de nossa cultura
(TA VARES, 2003).
É possível se observar que na atualidade é delegado ao corpo uma grande
importância. Fenômeno que acaba refletindo diretamente na valorização das pessoas.
Com os avanços da tecnologia que possibilitam o ―melhoramento‖ estético, passou-se a
acreditar que é obrigação de todos combater o desgaste biológico - devendo-se adiar o
envelhecimento - e tampouco apresentar características físicas que evidenciem esse
processo, buscando aumentar assim o controle sobre as variáveis de ordem biológica
que levam à morte, através da busca pela eterna juventude.
Nossa cultura passou a adotar outros princípios para seus ideais de vida e
saúde. Se antes estar bem significava ter boa saúde física e boas condições de vida,
agora muito mais do que ser saudável, deve-se ter a aparência de tal. Neste sentido,
podemos citar como exemplo as mulheres, que são por excelência aquelas que tomam
para si o papel de quem têm procurado cada vez mais se reafirmar perante si mesmas e
diante da sociedade, buscando a realização de um ideal de beleza. Ideal este que não se
trata de uma construção pessoal ou particular, mas antes um apelo social por um padrão
específico de beleza e de corpo. Tendo o corpo o papel de mec anismo e símbolo de
beleza e longevidade, cabe à mídia como maior divulgadora das tendências e mudanças
sociais, a função de disseminar tais ideais para as massas, fazendo com que a
insatisfação pelo corpo destoante do idealizado socialmente, passe a fazer parte do diaa-dia de todas as pessoas.
Manter uma aparência jovial é atualmente a maior meta do ideal de beleza
ocidental. Novos tratamentos estéticos de rejuvenescimento surgem a cada dia. O
padrão de corpo firme, elástico, ágil e escultural é cada vez mais almejado por pessoas
das mais diferentes idades, classes sociais e graus de escolaridade.
A disseminação de uma imagem ideitária, sobretudo do corpo feminino, na
sociedade ocidental contemporânea através do discurso midiático, especialmente na TV
aberta - maior veículo transmissor de informação na atualidade -, gera uma propagação
ainda maior da importância do corpo como principal ―lugar‖ de significação e status
social. E assim as transformações realizadas no corpo acabam por ser sempre
causadoras de significados, e a necessidade do indivíduo de se incluir no ―bem visto‖
socialmente o leva por caminhos que produzem a sua própria identidade e um papel
social a ser sustentado. Esse processo acaba gerando novos significados para o próprio
indivíduo e para o outro, e assim exaustivamente numa eterna busca pela satisfação
pessoal; assim como numa eterna tentativa de enquadramento no contexto cultural da
sociedade em que vive.
Desta maneira procurando-se entender o impacto esse destaque dado à
juventude nos programas publicitários, assim como a forma como a mídia exerce
influência sobre a construção das representações sociais do corpo, se fez importante um
estudo que viesse a investigar os discursos sobre esse corpo, produzidos pela mídia
televisiva.
Por fim, buscando-se estar contribuindo para uma maior compreensão dos
fatores envolvidos no processo de disseminação do discurso midiático televisivo, que
influenciam para a representação social do padrão de beleza ocidental de juventude,
essa pesquisa se propôs a responder ao seguinte questionamento: Quais as
representações sociais do corpo e do padrão atual ocidental de beleza que estão
presentes no discurso midiático do Big Brother Brasil 9?
Cabe citar para conhecimento do leitor, que o programa Big brother Brasil é
um reality show da Rede Globo¹ de televisão que teve início em 2002, e que consiste no
confinamento de um número de indivíduos em uma casa cenográfica, onde não há
conexão com o mundo exterior e eles são vigiados 24 horas por dia por câmeras e
microfones espalhados pelos cômodos da casa. Os participantes do programa não têm
acesso a jornais, programas de televisão, ou qualquer outro contato com o meio externo,
e o objetivo do programa é eleger como celebridades pessoas ―normais‖ saídas da
sociedade e que se inscrevem através de vídeos enviados para a emissora, o campeão
será aquele que permanecer até o final e for eleito pelo público através da votação por
telefone e internet, levando para casa uma quantia de 1 milhão de reais.
Tendo como base o problema de pesquisa anteriormente citado, fez-se
necessário então, delinear objetivos a serem considerados para que os resultados desse
estudo fossem alcançados: realizar um levantamento histórico acerca das representações
sociais de corpo e beleza no Brasil e no mundo; caracterizar o padrão atual ocidental de
beleza física; resgatar teoricamente as concepções acerca da juventude presentes no
discurso ocidental atual; verificar a existência da temática juventude no discurso
__________________________
¹ O reality show Big Brother pertence à empresa Endemo l, produtora holandesa de televisão,
especializada em reality shows fundada em 1994 por John de Mol e Joop Van Den Ende, que entrou no
Brasil em 2001 através de uma união co m a Rede Globo, a Endemol Globo.
midiático observado tendo como parâmetro tanto o corpo feminino como o masculino.
Para a fundamentação teórica dessa pesquisa apresentamos primeiramente o
conceito tido acerca da representação social; um dos conceitos chaves da Psicologia
Social. Após o referido tópico apresentou-se também um levantamento histórico acerca
das representações sociais de corpo e beleza no Brasil e no mundo, fazendo-se uma
trajetória que vai desde a Grécia antiga e sua valorização do corpo através da exibição
de estátuas e práticas esportivas que propagavam seu ideal de corpo, até a atualidade
onde nos encontramos em um estágio de supervalorização do corpo. Realizamos ainda,
um levantamento de características do padrão atual ocidental de beleza física e como se
dá a vida em uma sociedade baseada no consumo, e também algumas concepções do
ideal de juventude. Por fim, apresentamos informações acerca do poder do discurso
midiático e como a mídia vem cada vez mais adquirindo o poder de influenciar a
sociedade, juntamente com dados acerca dos reality shows e do Big Brother Brasil.
Destarte, em se tratando de uma pesquisa qualitativa e utilizando como
procedimento de análise a técnica de análise de conteúdo, os dados coletados através do
programa foram divididos em categorias: 1. Culto a imagem corporal perfeita; 2. A
utilização de maneiras estratégicas para a manutenção de corpos jovens e perfeitos; 3. O
desprezo pela velhice como forma de reafirmar um padrão de práticas que evidenciam
um ideal de beleza propagado; 4. A existência da temática juventude no discurso
midiático do Big Brother Brasil 9 tendo como parâmetro homens e mulheres.
Por fim, os principais resultados encontrados no processo de análise do
discurso midiático observado mostram que, - fazendo referência aos objetivos deste
trabalho – a existência da temática juventude no discurso midiático observado tendo
como parâmetro tanto o corpo feminino como o masculino, se dá principalmente por
características que evidenciam: a existência de maneiras estratégicas (como plásticas)
para a manutenção de corpos jovens por parte dos participantes; a repulsa dos próprios
idosos participantes do programa por características próprias da velhice; a presença de
cuidados com a aparência, tanto por homens, quanto por mulheres.
2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
2.1 O CONCEITO DE REPRESENTAÇÃO SOCIAL
O fato de vivermos numa sociedade em constante transformação, onde as
coisas cada vez mais se alteram, e de maneira cada vez mais rápida, nos remete a
compreendermos esta através de sua realidade social, sendo que, para que isso ocorra é
preciso antes de mais nada ter consciência de que sendo o social fator fundamental da
realidade humana, é também fundamental o processo de representação pelo qual a vida
em sociedade nos remete, já que não existe convívio social, nem relação humana sem
que haja representações.
Todas as interações humanas, surjam elas entre duas pessoas ou entre dois
grupos, pressupõem representações. (...) Semp re e em todo lugar, quando nós
encontramos pessoas ou coisas e nos familiarizarmos com elas, tais
representações estão presentes. (MOSCOVICI, 2003, p. 40).
Neste sentido, ―representações podem ser tomadas como sinônimo de signos,
imagens, formas ou conteúdos de pensamento, atividade representacional dos
indivíduos, conjunto de idéias desenvolvidas por uma sociedade‖ (FRANÇA, 2004, p.
14). Com relação às ciências sociais, Minayo (1993, p. 158) no diz que, as
representações sociais ―são definidas como categorias de pensamento, de ação e de
sentimento que expressam a realidade, explicam- na, justificando-a ou questionando-a.‖
Na psicologia as representações sociais são vistas e abordadas através da
relação indivíduo-sociedade, através do interesse pela cognição. Ela reflete sobre a
construção do conhecimento que se dá a partir da relação no social, cultural, etc., dos
indivíduos, dos grupos, dos sujeitos sociais, assim buscando conhecer através de todos
os lados como a sociedade conhece e constrói tal conhecimento com os indivíduos. No
geral, como se dá a relação sujeito e sociedade pa ra estarem construindo a realidade
numa pareceria total. (ARRUDA, 2002).
Para Durkheim (1990) as representações podem ser divididas em individuais e
coletivas, na qual as individuas ficariam a cargo de estudos na área da psicologia e as
coletivas seriam objeto de estudo da sociologia. (GUARESCHI; JOVCHELOVITH,
1997). Através de seus estudos na área da sociologia, surge o conceito de representação
coletiva que foi empregado na criação de uma teoria da religião, magia e pensamento
mítico. Para ele os fenômenos relacionados ao coletivo não podem ter uma explicação
baseada no indivíduo, já que este não pode inventar uma língua ou uma religião, então
esses são produtos derivados de um povo, ou de uma comunidade. Propondo a divisão
entre o indivíduo e o social, Durkheim buscava dar conta de um todo e para isso
buscava fundamentação na concepção de que as regras que comandam a vida individual
são diferentes das que comandam a vida coletiva (ALEXANDRE, 2004).
Fazendo uma analogia com a medicina, Sperber (1985 apud ALEXANDRE,
2004) diz que ―a mente humana é susceptível de representações culturais, do mesmo
modo que o corpo humano é suscetível a doenças‖. Ele faz a seguinte classificação a
respeito das representações sociais:
Colet ivas - representações duradouras, tradicionais, amplamente distribuídas,
ligadas à cultura, transmitidas lentamente por gerações, comparadas à
endemia; sociais – típicas de culturas modernas espalham se rapidamente por
toda a população, possuem curto período de vida, semelhante aos
―modis mos‖ e se comparam à epidemia. (SPERBER, 1985 apud
ALEXANDRE, 2004, p.123-124).
O termo ―coletivo‖ de Durkheim foi substituído por Moscovici (2003, apud
FRANÇA, 2004) pelo ―social‖ dando lugar às representações sociais ao invés de
representações coletivas, buscando assim explorar a variação e distinção das idéias do
coletivo nas sociedades modernas, dando destaque à idéia de produção, criação coletiva
de idéias, ligando assim as representações a procedimentos implicados com diferenças
na sociedade. De acordo com Moscovici (2003 apud FRANÇA, 2004, p.14),
(...) as representações sociais são entidades ―quase tangíveis‖ que
correspondem à substância simbólica que entra na sua elaboração e às
práticas especificas produzidas por essa substância; elas circulam, se
entrecruzam, se cristalizam continuamente por meio de palavras, gestos,
encontros, impregnando os objetos, práticas e relações sociais.
Os grupos e as pessoas criam suas representações durante a comunicação e a
partir da cooperação. As representações não são criadas apenas por um indivíduo em
isolado, mas uma vez que tenham sido criadas, estas adquirem vida própria, assim
passam a movimentar-se de maneira que se dá a oportunidade para que nasçam novas
representações, enquanto velhas representações se extinguem. (MOSCOVICI, 2003).
Moscovici (2003) identifica dois processos básicos que estão envolvidos na
construção e mudança das representações sociais, a ancoragem e a objetivação. Onde
ancorar significa trazer para dentro das categorias e imagens conhecidas, aquilo que
ainda não foi classificado e rotulado, ou seja, transformar o estranho e não conhecido
em algo familiar, e assim ancorar as coisas desconhecidas em representações que já
existem, de maneira que o novo objeto da representação passe a ter um sentido.
Na objetivação, objetivar significa converter algo abstrato em algo quase físico,
assim reproduzindo um conceito que se tem, em uma imagem, quase como algo
―concreto‖. Neste sentido as representações de noções abstratas são convertidas em
imagens que têm seu conteúdo interno descontextualizado formando um núcleo
figurativo que no fim dará lugar às imagens como elementos da realidade.
As pessoas e os grupos estão longe de serem vistos apenas como receptores
passivos, pelo contrário, estes pensam por si próprios, produzindo e comunicando
incessantemente suas representações e soluções às questões, dúvidas que estes mesmos
se colocam. Em todos os lugares onde existe vida social, as pessoas estão analisando,
comentando e formulando teorias acerca de suas vivências, teorias essas que podemos
chamar de teorias implícitas (POZO, 2002) e que no fim possuem poder decisivo nas
relações sociais em que estão introduzidas as suas escolhas, gostos, planejamentos, etc.
(MOSCOVICI, 2003).
Acerca da definição clássica das representações sociais, Spink (1993, p.300)
apresenta- nos através das palavras de Jodelet (1985) que estas,
são modalidades de conhecimento prático orientadas para a comunicação e
para a compreensão do contexto social, material e ideativo em que vivemos.
São, conseqüentemente, formas de conhecimento que se manifestam como
elementos cognitivos — imagens, conceitos, categorias, teorias —, mas que
não se reduzem jamais aos componentes cognitivos. Sendo socialmente
elaboradas e compartilhadas, contribuem para a construção de uma realidade
comu m, que possibilita a comunicação. Deste modo, as representações são,
essencialmente, fenô menos sociais que, mes mo acessados a partir do seu
conteúdo cognitivo, têm de ser entendidos a partir do seu contexto de
produção. Ou seja, a partir das funções simbólicas e ideológicas a que servem
e das formas de co municação onde circulam.
As representações têm como função prioritária estar contribuindo nos
processos de formulação de comportamentos e de orientações nas comunicações sociais.
A vida dos indivíduos é feita através das representações, onde estas acontecem no
conjunto de conceitos, explicações e afirmações que são estabelec idas no dia-a-dia da
vida social.
2.2 LEVANTAMENTO HISTÓRICO ACERCA DAS REPRESENTAÇÕES SOCIAIS
DE CORPO E BELEZA NO BRASIL E NO MUNDO¹
Se a história da sociedade for examinada através de sua literatura histórica e
antropológica, descobriremos que durante esta história as pessoas se marcaram com
cicatrizes, pintaram, perfuraram-se, fizeram uso de enchimentos, enrijeceram-se, se
depilaram, poliram e cuidaram de seus corpos em nome da beleza. (ETCOFF, 1999).
O conceito de beleza e a apropriação que se faz do corpo como parte moldável
sofreram transformações durante toda história da humanidade, várias foram às
tendências e gostos ao longo dos tempos.
Aquilo que for considerado belo depende da cultura em que se está inserido e
da época,
(...) a beleza jamais foi algo de absoluto e imutável, mas assumiu faces
diversas segundo o período histórico e o país: e isso não apenas o que diz
respeito à beleza física (do ho mem, da mu lher, da paisagem), mas também no
que se refere à Beleza de Deus ou dos santos, ou das idéias... (ECO, 2004,
p.14).
O belo e a beleza são objeto de estudo ao longo da história, a estética como disciplina
filosófica surgiu na antiga Grécia tendo como reflexão as manifestações do belo como
algo natural ou como produto da arte. Poetas, arquitetos, escultores e dramaturgos
freqüentavam espaços públicos e proclamavam o livre debate de idéias acerca da beleza.
Para os pré-socráticos, a beleza estava ligada ao Cosmos, com relação à harmonia e
simetria, alguns como Platão, associavam a beleza à bondade e ao que é bom. (ECO,
2004).
____________________
¹Co m relação ao seguinte tópico da revisão bibliográfica, é importa co mentar que anteriormente fazendo
jus ao primeiro objetivo específico desta pesquisa, este se tratava de um breve histórico acerca das
representações sociais de corpo (...), porém no decorrer deste projeto de pesquisa, o estudo dos autores
pesquisados (ECO, 2004; ETCOFF, 1999; FA RIA; SIQUEIRA, 2006; SENNETT, 2003; VIGARELLO;
2006) co m relação ao tema nos levaram a perceber que, quando falamos de representação social de corpo,
estamos também falando de beleza, de uma forma que optamos então por alterar tal objetivo específico e
conseqüentemente o seguinte tópico.
O corpo na Grécia (Antiguidade Clássica) estava ligado à valorização do corpo
masculino nu que se relacionava à exibição de um corpo forte, exercitado, de acordo
com os padrões estéticos da época. (SENNETT, 2003 apud FARIA e SIQUEIRA,
2006).
Através da mitologia, as estátuas gregas serviam como símbolos do perfil
grego que existia como arquétipo da beleza e que era propagado por pintores, escultores
e anatomistas. (ECO, 2004). Oliveira (2004) nos aponta que o corpo tendo lugar
privilegiado para os gregos, fazia com que se exaltassem a práticas de esportes, já que o
corpo atlético era tido como sinônimo de beleza, saúde e virilidade.
Na idade média (século IV–XV) propagou-se uma concepção de beleza que
tinha relação com a identificação que se fazia com Deus e deste com a beleza, o bem e a
verdade. Através da beleza das coisas se chegava à beleza suprema de Deus. (ECO,
2004). Com relação ao corpo, este era escondido atrás de misticismos, mitos religiosos e
superstições. A igreja reprimia o corpo, as práticas físicas como a dança eram
associadas ao pecado, assim como todo o prazer carnal. (FARIA; SIQUEIRA, 2006).
Bourcier comenta que ―A Idade Média inventou a retórica do corpo: um culto da forma
pela forma que parece ser uma constante do espírito francês em todas as artes‖. (1994
apud FARIA; SIQUEIRA, 2006, p. 4).
Nesse período o Brasil - ou melhor, a terra que um dia seria chamada de Brasil
- ainda não era colonizado pelos europeus e nesse sentido ainda não havia sofrido
influências da cultura deste povo. No entanto podemos dizer que a história do corpo e
da beleza² no País começa antes mesmo de sua colonização pelos europeus, pois antes
que estes aqui chegassem estas terras já eram povoadas pelos povos indígenas que aqui
estavam e que possuíam formas particulares de lidar com o corpo.
Homens e mulheres indígenas andavam nus e arrancava m todos os pêlos do
corpo, até mesmo sobrancelhas e pestanas, mas as mulheres índias, diferentemente dos
homens, deixavam seus cabelos crescerem naturalmente, demonstrando grande estima
pelos cabelos, estes eram lavados, penteados e presos com cordões de a lgodão em forma
____________________
² sendo este trabalho uma pesquisa acerca das representações sociais do padrão de beleza, com referência
na sociedade ocidental atual, não se fez necessário discutir nesse levantamento histórico se os povos
indígenas incorporam ou não um conceito de corpo belo, ou qual o lugar do conceito de beleza nas
sociedades indígenas, e sendo assim, apenas apresentamos os dados citados pelo autor pesquisado (DEL
PRIORE, 2000, 2006).
de tranças. As índias também diferiam dos homens com relação ao fato de não furarem
lábios e faces para colocação de pedras, apenas furavam as orelhas para pendurar
conchas. (DEL PRIORE, 2006).
Ao desembarcar na então chamada Terra de Santa Cruz, os recém chegados
portugueses impressionaram-se com a beleza de nossas índias: pardas, bem dispostas,
com cabelos compridos, andando nuas e ―sem vergonha alguma‖. (DEL PRIORE,
2000).
Já na época da colônia com a grande influência da todo-poderosa Igreja, era
forte o adestramento em relação à beleza e à sexualidade. Com relação às mulheres,
estas tinham que se vestir de maneira decente e se enfeitarem com pudor e modéstia,
principalmente porque estando o pecado presente no corpo, a mulher era símbolo maior
do demônio. (DEL PRIORE, 2006).
No Renascimento (séculos XV-XVI), principalmente na Itália e depois em toda
a Europa, os artistas eram vistos como verdadeiros criadores, onde a beleza era
percebida entre invenção e imitação da natureza, a arte era criada para o deleite estético
e apreciação. (ECO, 2004). Vigarello (2006, p. 15) falando sobre o corpo descrito,
corpo hierarquizado no século XVI, nos retrata que era, ―impossível, portanto, ignorar a
hierarquia do visível e do corpo na vida diária: o privilégio conferido às partes altas, o
intenso investimento no rosto (...)‖. Fazia também parte do renascimento a arte de
dançar e se mostrar como bom dançarino; mover-se com maestria e elegância era
exigido de todos os nobres, os jovens eram solicitados a dedicarem-se ao estudo dos
movimentos, isso fazia parte da disciplina do corpo dos nobres e se dava principalmente
para o corpo masculino. (FARIA; SIQUEIRA, 2006).
No decorrer dos séculos XVI e XVIII ainda se via uma predominância da
estética de inspiração aristotélica, era através das regras que se obtinha a perfeição da
arte. Começa a surgir uma crescente importância dada ao ideal do ―belo‖. A revolução
industrial, a guerra de independência Americana e a Revolução Francesa propiciam o
surgimento de novas idéias, surge aí o neoclassicismo. (ECO, 2004). No século XVIII o
ballet, que surge das danças realizadas na corte, torna-se arte cênica e os homens são os
primeiros a se profissionalizarem na arte de disciplinar o corpo. (FARIA; SIQUEIRA,
2006).
Nesse mesmo período no Brasil, a ênfase a beleza é dada sobre a parte de cima
do corpo e o rosto é tido como espaço estratégico da beleza, o que leva ao uso de
espartilhos e regimes episódicos contra a obesidade, que assim pudessem salientar a
beleza do rosto, ombros e busto, sendo que a parte inferior do corpo apenas servia como
pedestal. (MORENO, 2008). E nos séculos que se seguem, a valorização do corpo se
volta para as partes mais baixas, pernas, quadris, cintura. Havendo também uma
evolução nos penteados usados. Recentemente, a aparência faz jus ao conjunto das
partes, incluindo porte do busto, afinamento dos quadris e alongamento de pernas.
(MORENO, 2008).
Vigarello (2006, p. 49) a respeito do século XVII nos fala que, ―(...) a beleza
corporal ganhou em nuanças e em extensão. O ―corpo‖, por exemplo: o desenho da
cintura e do quadril adquiriu presença e precisão‖. O mesmo autor também nos diz que
―a beleza, no século XVIII, não é mais comandada pelo inteligível, e sim pelo sensível;
o critério não é mais o do absoluto, mas o do relativo‖. (Id., p.72).
No século XIX segundo Vigarello (2006, p.103), ―o olhar sobre o corpo se
enriqueceu inexoravelmente, acrescentando detalhes estéticos, indicações, palavras. As
silhuetas mudam‖. Percebe-se que o culto ao corpo já surge como algo que envolve
sacrifícios em busca da beleza, pois ―quando Darwin viajou no Beagle no século XIX,
encontrou uma paixão universal ‗pelo adorno‘, com freqüência envolvendo sacrifício e
sofrimento, que era ‗maravilhosamente fantástica‖. (ETCOFF, 1999, p.13).
No Brasil a herança deixada pelos europeus no ―novo mundo‖ alterava valores
e comportamentos. Desde o início do século XIX há uma luta contra o poder da
metrópole e já se dava um progresso através da higiene e da medicina, onde o
enquadramento disciplinar do corpo também tinha seu papel de grande valor e os
médicos já viam a educação física como forte transformadora do social, sendo grande a
lista de justificações para uma educação do corpo. Desde cedo se aprendia a olhar,
admirar e domesticar o corpo. (FARIA; SIQUEIRA, 2006).
O século XX é marcado em todos os ângulos como um tempo de rupturas, a
estética é revolucionada e surgem conceitos dos mais diversos, alguns vêem a beleza
como fundamentada em princípios que não se alteram, para outros a realidade é o que
mais se adequa à arte, e outros ainda seguem padrões matemáticos para a estética.
(ECO, 2004). Emerge no final do século XX o surgimento do corpo canônico que se
caracteriza de um conjunto de estratégias e técnicas para manter-se um corpo belo.
(FONTES, 2006). Para Vigarello (2006, p.143), ―é sobre uma mudança de silhueta que
se inaugura a beleza do século XX, ‗metamorfose‘ iniciada dos anos 1910 aos anos
1920: linhas estendidas, gestos aligeirados. As pernas se exibem, os penteados se
elevam, a altura se impõe‖.
No Brasil - não diferente do resto do mundo - no decorrer dos anos de 1900 e
1930 embelezar-se estava associado às mulheres demasiadamente vaidosas, passando
por artistas às libertinas, e esses valores eram propagados através das revistas
brasileiras. Nos anos 50 revistas voltadas para o público feminino mostravam atrizes de
cinema americanas e européias, ganhadoras de concursos de miss e de beleza, e outras,
que como mulheres belas aconselhavam outras mulheres a como o serem. Nos anos 60 a
imagem divulgada é a da sensualidade, fortalecendo-se um discurso voltado para a
mulher, enfatizando que esta devia se auto – conhecer e a seu corpo. Já nos anos 80 o
que surge é o ―mercado dos músculos‖ e de todos os mecanismos que levem à
manutenção do corpo. (FARIA; SIQUEIRA, 2006). Sendo que, com relação aos
homens o que se pode dizer é que, ―enquanto nos anos 50 não se fala em beleza e sim
em uma boa aparência, na década de 80 e 90 a palavra já passa a estar mais presente
demonstrando uma nova abordagem quanto ao assunto‖. (OLIVEIRA, 2008, p.1).
Por fim, no século XXI estamos diante de uma supervalorização do corpo,
onde tal fenômeno
surge como
traço
característico
das sociedades atuais
(CERQUEIRA, 2007), pois, se antes ―(...) o corpo foi considerado o espelho da alma.
Agora ele é chamado a ocupar o seu lugar, mas sob a condição de se converter
totalmente em boa forma‖. (SANT‘ANNA 2001, p.108).
E, segundo Goldenberg (2002 apud GOLDENBERG, 2005, p.70) ―no Brasil, e
mais particularmente no Rio de Janeiro, o corpo trabalhado, cuidado, sem marcas
indesejáveis (rugas, estrias, celulites, manchas) e sem excessos (gordura, flacidez) é o
único que, mesmo sem roupas, está decentemente vestido‖.
2.3 O PADRÃO ATUAL OCIDENTAL DE BELEZA FÍSICA
―Na panóplia do consumo, o mais belo, precioso e resplandecente de todos os
objetos (…) é o CORPO‖. (BAUDRILLA RD, 1995 apud CERQUEIRA,
2007, p.1570).
A sociedade atual nos remete a um tempo onde a vida é baseada no consumo.
Vivemos em uma sociedade de consumo e diante desta o culto da imagem e das
aparências é mais do que sagrado, a imagem corporal perfeita se transformou no objeto
mais desejado de todos. ―Ser belo é aproximar-se de um ideal, sempre determinado de
modo universal, distinto do que é cada corpo (...)‖ (SANT‘ANNA 2001, p.108), e assim
o corpo acaba surgindo como o principal e maior protagonista da pós- modernidade,
onde com o progresso das biotecnologias surgem a cada dia novas possibilidades para
que este possa ser modelado à maneira como a sociedade - através de seu molde ideal o propague mantendo o controle sobre o desejo de todos. (CERQUEIRA, 2007).
(...) o controle da sociedade sobre os indivíduos não se opera simples mente
pela consciência ou pela ideologia, mas co meça no corpo, co m o corpo. Foi
no biológico, no somático, no corporal que, antes de tudo, inv estiu a
sociedade capitalista. (FOUCAULT, 1979, p.80).
O corpo não aparece apenas como objeto de maior destaque, mas é também
nele que está o princípio da vida humana no momento atual. ―(...) O corpo porta em si a
marca da vida social, expressa-o a preocupação de toda sociedade em fazer imprimir
nele, fisicamente, determinadas transformações que escolhe de um repertório cujos
limites virtuais não se podem definir‖. (RODRIGUES, 1983, p.62). Ele traz consigo
toda a beleza almejada pelo indivíduo, mostrando-se como algo possível de ser
alcançado por quem o desejar ter, bastando apenas transformá- lo de acordo com seu
ideal para que o original dê lugar a um novo produto pronto para ser mostrado e
vendido como se fosse uma mercadoria.
Em u m cenário marcado pelo hedonismo em torno de uma imagem
cosmetizada e fet ichizada, imp regnada de conotações eróticas, sedutoras,
sexuais, sensoriais e sensuais, o corpo tido como desejável é um corpo moeda, a u m só tempo produto e objeto de compra e venda, um instrumento
de produção e reprodução de sentidos e identidades, uma vitrine móvel a ser
continuadamente reformulada e copiada. (FONTES, 2006, p.129)
Sendo propagado como o maior dos bens, ou melhor, a maior das mercadorias
que se possa ter, o corpo deve seguir alguns pad rões rígidos e específicos de
apresentação como toda mercadoria pronta para ser comercializada, e ―se considerarmos
todas as modelações que sofre, constataremos que o corpo é pouco mais que uma massa
de modelagem à qual a sociedade imprime formas segundo s uas próprias disposições
(...)‖. (RODRIGUES, 1983, p.62). Idealizado, configurado e propagado seguindo as
normas instituídas este deve ser um ―produto‖ (re)construído a partir dos mecanismos
que o tornem mais adequado culturalmente, podendo assim atender às demandas de uma
vida em sociedade baseada em um ideal de culto ao corpo.
E como nos coloca Sabino, ―a insatisfação estética e a incessante busca do
―corpo ideal‖ movimentam, portanto, a indústria da forma física que abarca desde
nutricionistas e cirurgiões plásticos até as indústrias da informação, passando pela
indústria farmacêutica‖. (2000, p.65). Pois antes mesmo de ser apenas belo, deve-se
ostentar uma imagem perfeita. O padrão de corpo firme, elástico, ágil e escultural deve
ser cada dia mais aspirado e assim submetido por vontade própria a exercícios, cirurgias
plásticas, medicamentos, tratamentos de beleza e o que mais for possível de se fazer
para que esteja sempre dentro do padrão estabelecido e não seja motivo de estranheza
nem de repulsa por não aparentar a perfeição.
Cuidar mais de si mes mo é u m valor soberano que está na ordem do d ia. A
exib ição contínua e flutuante de tipos físicos idolatra a vitalidade e a
jovialidade, anuncia técnicas e métodos de remodelagem anatômica e
mobiliza multidões com promessas extraordinárias e exemplos de sucesso,
mu itos deles baseados no prolongamento da juventude, no revigoramento
físico e em u ma v ida de prazeres imediatos. (COUTO, 2000 apud FONTES,
2006, p. 129).
A percepção que se tem do copo o torna duplamente determinado, pois se de
um lado este é visto através de sua naturalidade (volume, peso, formato, musculatura,
etc.), por outro, ele é analisado através da avaliação social (magro, grande, gordo, feio,
bonito, etc.). (BOURDIEU, 2005). E dessa forma, todo corpo que não se ajustar ao
modelo médico e cultural de uma corporeidade- moeda e hedonista tende a ser designado
como destoante e não validado em relação ao padrão da boa forma física. Este corpo
destoante que não adere ao padrão estabelecido de reformulação e ajustamento da
imagem poderá despertar reações de estranheza e até de repulsa. Na cultura atual o que
não estiver de acordo com aquilo que é desejado quase sempre é algo assustador.
(FONTES, 2006).
Estamos diante de uma sociedade onde tanto homens como mulheres tornam-se
uma mistura de organismo e máquina, cyborgs, na busca pelo corpo perfeito. As
mulheres estão envoltas em padrões de se tornarem um ser mutante, de um lado a
anoréxica e do outro a saudável ―popozuda‖, tudo isso seguindo o padrão de ser magra,
linda, possuírem músculos arredondados, estarem sempre bronzeadas, possuírem
grandes seios de silicone, serem lipoaspiradas, loiras e de lábios fartos. Os homens
devem seguir um modelo de homem em uma cultura masculina de corpo modificado,
onde se deve ostentar músculos perfeitos, construindo-se um corpo sarado e artificial
que possa ressaltar o corpo desejado. (GONÇALVES, 2002).
E assim,
se as sociedades inscrevem suas marcas também nos corpos humanos, nas
sociedades atuais as exigências em relação à performance corporal são cada
vez maiores: os corpos têm de ser belos, sadios, disciplinados, atraentes,
sensuais, perfumados, prazerosos e simultaneamente obedientes a uma
disciplina que os encarcera em formas e formatos estabelecidos pelas modas
e que, ao longo dos anos, exige corpos cada vez mais ―trabalhados‖ e que
também exige privação dos prazeres sensoriais. (M ENDONÇA, 2008, p.49).
Todo esse padrão de corpo belo, magro, malhado e modificado está
diretamente ligado ao ideal de juventude também idealizado, o qual estaremos
discutindo mais profundamente no próximo item (2.4).
2.4 IDEAL DE JUVENTUDE
O momento atual nos remete a uma época em que as práticas culturais
reafirmam a cada dia a juventude como o principal foco do valor cult ural da vida em
sociedade. ―Interpretável como um rito de passagem e uma faixa etária privilegiada, na
qual podem ser inscritos os mitos das possibilidades infinitas, a juventude é a metáfora
ideal da contemporaneidade (...)‖. (FONTES, 2006, p.2).
Estamos vivenciando um período onde ―a imagem de força, beleza e juventude
se torna sinônimo de saúde, ou melhor, a saúde está subsumida à estética; o que pode
significar que não estar ―em forma‖, não compartilhar as práticas do grupo, é estar sem
saúde, e, por conseguinte, excluído de sua convivência‖ (SABINO, 2000, p.63-64).
E ainda que nas últimas décadas a população mundial tenha conquistado 20
anos a mais de vida, a sociedade ainda não descobriu maneiras de fazer uso dessa
aquisição. Embora o mundo nunca tenha apresentado antes tantos velhos quanto como
agora no início do século XXI, a cultura em questão ainda elege a adolescência como
ideal cultural demonstrando um panorama de deslumbre total pelo novo. (FONTES,
2006).
Enquanto todos os valores e comportamentos culturais vigentes têm como
parâmetro u ma sociedade de jovens, a demografia do mundo aponta para uma
realidade em que a população idosa torna-se majoritária, tornando evidente a
dissonância entre a demografia populacional do mundo e a forma co mo a
sociedade, as políticas públicas e a direção do olhar cultural do ocidente estão
estruturados. (FONTES, 2006, p. 4).
Sendo que, juntamente a esta dificuldade de aceitação da velhice, há também a
problemática do consentimento das práticas amorosas e manifesta ções sexuais para
estas mesmas pessoas. Pois, numa visão limitada em relação à sexualidade e à velhice, a
sociedade comumente classifica esse estágio da vida como um período de assexualidade
ou até mesmo de androginia. Ou seja, um período em que a pessoa teria que assumir
exclusivamente a função de avó ou avô, cuidando de seus netos, fazendo tricô e vendo
televisão (RISMAN, 2005).
E assim, o sentimento de repulsa pelo envelhecimento com certeza acaba sendo
ainda mais evidenciado e até mesmo estimulado em nossa sociedade, pois se tratando de
uma cultura que dá destaque ao corpo jovem como modelo idealizado, tanto
fisicamente, como sexualmente, o envelhecimento acaba surgindo como sinônimo de
rejeição daquilo que se espera para o futuro em sociedade, até mesmo como mecanismo
de reprodução, e nesse sentido, ―(...) o velho é um elemento dissonante, um indivíduo
trafegando irreversivelmente na contramão das infovias que levam ao futuro‖.
(FONTES, 2006, p. 10).
(...) todas essas técnicas de gerenciamento do corpo que floresceram no
decorrer dos anos 80 são sustentadas por uma obsessão dos invólucros
corporais: o desejo de obter uma tensão máxima da pele; o amo r pelo liso,
pelo polido, pelo fresco, pelo esbelto, pelo jovem; ansiedade frente a tudo o
que na aparência pareça relaxado, fran zido, machucado, amarrotado,
enrugado, pesado, amolecido ou distendido; uma contestação ativa das
marcas do envelhecimento no organismo. Uma negação laboriosa de sua
morte p ró xima. (COURTINE, 1995 apud FONTES, 2006, p. 126).
Com o crescente avanço tecnológico-científico e novas descobertas pelas quais
a sociedade vem passando a cada dia, aumenta-se ainda mais o ideal de que o corpo
pode ser controlado e de que a depredação deste pode ser cada vez mais anulada em
decorrência de sua modificação e aperfeiçoamento.
Utilizam-se todos os tratamentos médicos e estéticos para escapar à velhice,
pois os corpos doentes e idosos não têm lugar nesta sociedade consumista e
jovem. As pessoas não se querem lembrar que a velhice é u m fenômeno que
atravessa todas as épocas, culturas e sociedades e por isso recorrem a todos
os tratamentos que lhes permitam ter u m corpo bonito durante mais tempo
(grifo meu). (CERQUEIRA, 2007, p. 1574).
O discurso que visa afirmar a velhice, isto é, a tomada de consc iência do
envelhecimento demográfico da população mundial, acaba sofrendo um atrito, pois o
deslumbramento que a sociedade atual possui não apenas pelo novo e pelo recente, mas
também pelo futuro, acaba por fazer com que a sociedade contemporânea tenha
dificuldade de aceitar a velhice, seja esta como idade ou como sinais deixados pelo
tempo na estrutura corporal biológica. A verdade é que a cultura contemporânea está
virada para o presente e idealizando o futuro. (FONTES, 2006).
A sociedade atual ambiciona por além de alcançar a beleza e a juventude
também ter o direito à vida eterna, pois, ―a morte é o limite, o momento que lhe escapa
(...)‖ (FOUCAULT, 1988, p.130), e sobre isso nos aponta Sant‘Anna (2001, p.24) que,
―depois do direito ao rejuvenescimento, o direito à permanência. Nem que para
permanecer seja preciso trocar de sexo, de sangue, de cabelo, em suma, de corpo‖.
2.5 O PODER DO DIRCURSO MIDIÁTICO
―A imagem de u m corpo formatado, perfeito, acessível a todos, é a mais
transmitida, principalmente pela ‗grande janela aberta‘ para o mundo que é a
televisão‖. (CERQUEIRA, 2007, p. 1572).
A publicidade midiática vem adquirindo cada vez mais um poder de influência
sobre a sociedade, generalizando assim a idolatria por padrões sociais propagados.
Entre outras coisas ―a mídia desempenha papel fundamental na produção e na
circulação dos sentidos que determinam o modo como os gêneros – feminino e
masculino – são vistos pelos indivíduos‖. (GHILARDI-LUCENA, 2008, p.17).
Falar atualmente de representação já nos remete espontaneamente ao uso que a
mídia faz dessa disseminação de idéias, valores e padrões que fazem parte da cultura da
sociedade contemporânea. ―Os veículos de comunicação colaboram para as novas
articulações ao colocar à disposição um rol de exemplos e modelos de comportamento e
de atitudes com as quais as pessoas poderão se identificar‖. (GHILARDI-LUCENA,
2008, p.17). A imagem refletida pela mídia se torna cada vez mais presente na vida
diária das pessoas, ao mesmo tempo em que reflete um grande teor de significados e
importância para a constituição destas. A respeito disso Samarão (2007, p.48) nos traz
que:
A imagem publicitária – representativa ou não do cotidiano – tornou-se parte
da cultura da sociedade. Buscar entender a cultura é buscar mo strar que, uma
vez inserida no cotidiano dos indivíduos, a imagem é tida co mo u m espelho
da sociedade e, por meio dela, pode-se entender a cultura – não apenas a
midiát ica – que ela representa. Nessa sociedade cada vez mais globalizada,
capitalista e rápida, ‗a realidade do tempo foi substituída pela publicidade do
tempo‘. (DEBORD, 1997, p.106).
A mídia enfoca a beleza, seja esta masculina ou feminina, como qualidade
fundamental a ser alcançada por todos, sendo que textos de jornais, revistas e discursos
televisivos têm trazido cada vez mais assuntos relacionados levando a uma legitimação
cada vez maior de tal fator. (GHILARDI-LUCENA, 2008) ―A mídia não só incorpora
elementos da realidade, mas também modula, redimensiona e recria esse real (...)‖.
(PIRES; FERRAZ, 2008, p.33). Criando um mercado produtivo que vende e fatura
através da exploração de corpos esculturais de perfeição apresentando e/ou confirmando
uma construção de um ideal específico de corpo, onde este nem sempre é o ideal para
todos, tampouco um padrão possível de ser obtido por todo esse público que o almeja.
A circulação das idéias, preceitos e produtos promovem um ideal de
felicidade, g lorificada na livre pro moção do prazer, obsidiana na saúde e na
juventude. Os conselhos dietéticos, estéticos e musculares na total
man ifestação narcísica desta era que preza pelos discursos, multip lica as
imagens e as informações e promove a responsabilidade indiv idual de gestão
integral de si mesmo. O corpo, como espetáculo, se converte
simu ltaneamente em causa e efeito de comunicação. (COUTO, 2001 apud
ARAUJO; BALDISSERA; STOFFEL, 2007, p.2).
O padrão estético propagado pela sociedade atual e que é ofertado através da
mídia, leva as pessoas a uma ―profunda insatisfação‖ com seus corpos, onde estas
acabam em certos momentos se odiando por apresentarem alguns quilos a mais; leva a
adotarem dietas altamente radicais e restritivas; exercícios físicos descontrolados sem
atenção médica necessária; e em última instância a recorrerem aos avanços da
tecnologia e ao uso desenfreado de cirurgias plásticas, onde tudo que se faz visa
alcançar um modelo ideal de corpo estimulado pela mídia.
O corpo atual - o qual deve ser bem cuidado e exibido co m intensidade –
surge na sociedade recoberto de elementos significativos , tornando-se texto
carregado de significações, reflexo das características sociais atuais: imagem,
efemeridade, opulência; ou seja, é uma construção textual que pode
man ifestar os ideais, a cultura, e os valores que a sociedade tem prezado, de
acordo com as diferentes épocas. E tal corpo, então, sendo bem cuidado,
deverá ser exibido e apresentado à sociedade constantemente. Cada vez mais,
ele é arrancado dos mistérios da natureza, para ser glorificado pela medicina,
estética e info rmática. (A RAUJO; BA LDISS ERA; STOFFEL, 2007, p.2)
A sociedade atual acaba por preconizar uma construção da imagem do corpo
saudável e perfeito onde o indivíduo para ser ―bem aceito‖ deve antes de tudo parecer
belo e saudável. ―Cuidados com a aparência pessoal são vistos, hoje, como atributos
importantes no marketing pessoal, podendo refletir diretamente na vida profissional de
uma pessoa e no sucesso de seus negócios‖. (GARBOGGINI, 2008, p.88). A vida
cotidiana passa por um processo de estetização onde as influências da cultura de
consumo são cada vez mais vistas como prioridade máxima e nesse processo é função
da mídia criar um modelo de beleza e saúde que deve ser idolatrado e seguido por todos,
mesmo que esse nem sempre condiga com uma realidade de beleza e saúde.
De maneira ampla o discurso midiático, seja este qual for, acaba agindo como
uma grande ferramenta ideológica já que este tende a influenciar a vida das pessoas
através de sua linguagem, imagens e tudo aquilo que se refere ao que se deseja divulgar.
Na sociedade atual a mídia surge como poderoso mecanismo de desenvolvimento e
produção de identidades de tal maneira que faz parte de sua ―estratégia de jogo‖ ter o
controle dos discursos e ocupar o lugar de controle absoluto, fazendo com que o
telespectador se resuma a um simples ouvinte e seguidor daquilo que se constrói.
A produção dos meios de comunicação de massa, produção de ―subjetividade
capitalística‖ gera u ma espécie de cultura com vocação universal. (...) Fonte
singular de informação e entretenimento, a imprens a assume, então, um
importante papel educador/formador: mostra, exibe, propaga como o leitor
(espectador/ouvinte/internauta) deve se comportar como consumidor de
produtos, idéias, comportamentos, modas (SIQUEIRA; FA RIA, 2006, p. 7).
Não há contextos sociais, nem práticas culturais que hoje fiquem fora da ação
da mídia, e nem esses são entendidos fora de sua função de disseminadora de
representações sociais. Assim na contemporaneidade, grande parte da produção e
distribuição de culturas, passando tanto pelas inovações quanto pela estética, têm
passado pelo poder do discurso midiático. E ―a produção midiática acaba por permear a
cultura com elementos cuja lógica é a do mercado e da acumulação é propiciar o
surgimento de identificações precárias e provisórias e de práticas cotidianas cujas
origens são, muitas vezes, estranhas à realidade vivida.‖ (MENDONÇA, 2008, p.41).
2.5.1 O poder da mídia através dos reality shows e a legitimidade do Big Brother Brasil
A mídia tem adquirido cada vez mais o poder de influenciar nas
representações sociais, onde entre outros fatos o seu poder de dar sentido as coisas é
cada vez maior, difundindo e reafirmando idéias. E contando para isso com vários
mecanismos de força, sendo que uns dos que mais tem se sobressaído na atualidade, são
os reality shows, programas de televisão que visam representar a vida real e que acabam
surgindo como ―um retrato da contemporaneidade (...)‖. (MILLAN, 2006, p.191).
Esse tipo de programa conta com a credibilidade do senso comum, que muitas
vezes visualiza o discurso midiático como um discurso de autoridade, onde quem sabe
mais, nesse caso a mídia, acaba ditando regras para quem sabe menos, à sociedade.
(AMARAL, 2005). A mídia passa ao telespectador a idéia de poder e onipotência,
fazendo com que este acredite ser o senhor do destino dos integrantes dos programas de
reality shows. (MILLAN, 2006).
Assim, o desejo que o ser humano tem de representar sua vida pessoal, e que
teve no teatro grego a manifestação maior desse desejo, tendo através do tempo e do
desenvolvimento tecnológico evoluído através do cinema, televisão e atualmente o
computador, acaba ganhando notoriedade ainda maior através dos reality shows, onde o
dia-a-dia de pessoas comuns é retratado para toda a sociedade através de filma gens ao
vivo. (MILLAN, 2006).
Em meio a esse mundo dos reality shows podemos citar o Big Brother Brasil,
versão brasileira de um dos reality shows mais famosos e duradouros do mundo todo, e
que foi idealizado primeiramente por ―John de Mol e Joopvan den Ende em 1999, na
Holanda, e recebeu o título de ―Big Brother (...)‖. (MILLAN, 2006, p.192).
O Big Brother é um programa de televisão que consiste no confinamento de
várias pessoas em uma casa, e que voluntariamente se dispõem a serem filmadas no
período que permanecerem ali, entretendo o público. Quanto a isso, Olórtegui (2000)
sugere que os ―reality shows‖ são programas que revelam um indivíduo telespectador
espetacularizado e banalizado em suas relações mediadas pela TV, em que o vazio e a
sedução são preponderantes. (MILLAN, 2006, p.192).
E como nos aponta Livingstone,
a pessoa assistindo televisão sentada quieta em seu sofá é parte de uma
audiência respeitável, que presta cuidadosa atenção e se concentra em
entender e se beneficiar do entretenimento oferecido, ou ela é um ‗parasita de
sofá, passivo, dependente da mídia para os seus prazeres, e influenciável?.
(2004 apud CAMPANELLA, 2008, p.4).
O que acaba por acontecer nos reality shows, a exemplo do Big Brother Brasil,
é que se de um lado temos participantes ambicionados por terem fama, dinheiro, ou, o
que mais lhes for possível barganhar através do programa; do outro, temos um púbico
ávido por saber tudo da vida alheia, tendo no programa a oportunidade até mesmo de
encontrar uma confirmação de suas próprias experiências de vida, ou ainda, de
encontrar a chance de ―ausentar-se da própria vida, abandonando provisoriamente o
lugar ativo de gerir a própria existência‖. (MILLAN, 2006, p.193).
Assim a hegemonia do Big Brother, seja ele na versão brasileira ou não, mas
principalmente nesta, vem a confirmar a instabilidade de experiências da sociedade
moderna, na qual, a não certeza e aceitação de sentimentos, pensamentos e ação fazem
com que passamos a outros, personagens fictícios ou não, a responsabilidade de viver
nossos medos e dúvidas, por fim, nossa própria existência.
3. METODOLOGIA
Se apoiando em achados de pesquisas e estando atenta a fundamentos teóricos
e científicos, buscando construir de maneira geral com uma investigação acerca do tema
abordado, a pesquisa qualitativa foi a metodologia utilizada na confecção deste estudo.
Na pesquisa qualitativa o problema a ser pesquisado assemelha-se a um
obstáculo, percebido este de maneira parcial e fragmentado e analisado de forma
assistemática. Essa abordagem parte do princípio de que há ―uma relação dinâmica
entre o mundo real e o sujeito, uma interdependência viva entre o sujeito e o objeto, um
vínculo indissociável entre o mundo objetivo e a subjetividade do sujeito‖.
(CHIZZOTTI, 1995, p.79). Para a identificação do problema e delimitação é necessário
um ―mergulho‖ do pesquisador na vida e no contexto, no passado e presente das
situações que geram o problema, assim devendo-se livrar de antemão de preconceitos e
predisposições de modo a agir de maneira aberta diante do que observa , buscando obter
uma compreensão plena dos fatos.
O instrumento de coleta de dados empregado foi a pesquisa documental, que
segundo Gil:
Assemelha-se muito à pesquisa bibliográfica. A única diferença entre ambas
está na natureza das fontes. Enquanto a pesquisa bibliográfica se utiliza
fundamentalmente das contribuições dos diversos autores sobre determinado
assunto, a pesquisa documental vale-se de materiais que não receberam ainda
um tratamento analítico, ou que ainda podem ser reelaborados de acordo com
os objetivos da pesquisa. (1999, p. 66)
Do ponto de vista de Lakatos e Marconi (1991, p. 174), ―a característica da
pesquisa documental é que a fonte de coleta de dados está restritamente a documentos,
escritos ou não, constituindo o que se denomina de fontes primárias‖. Podendo a coleta
de dados ser feita no momento em que ocorre o fato, ou depois.
Seguindo os mesmos passos da pesquisa bibliográfica, o que há de se
considerar em relação à pesquisa documental é que seu primeiro passo incide em estar
explorando fontes documentais, estas que são em geral, em grande número. Gil, afirma
que nesse processo:
Existem, de u m lado, os documentos de primeira mão, que não receberam
qualquer tratamento analítico, tais como: documentos oficiais, reportagens de
jornal, cartas, contratos, diários, filmes, fotografias, gravações etc. De outro
lado, existem os documentos de segunda mão, que de alguma forma já foram
analisados, tais como: relatórios de pesquisa, relatórios de empres as, tabelas
estatísticas etc. (1999, p. 66)
Na busca por uma investigação completa, detalhada e verdadeira da realidade
pesquisada, Richardson nos traz que:
Os documentos escritos e as estatísticas não são as únicas fontes que podem
fornecer informações referentes a fenômenos sociais. Existe uma variedade
de outros elementos que possuem u m valor documental para as Ciências
Sociais: objetos, elementos iconográficos, documentos fotográficos,
cinematográficos, fonográficos, videocassetes, etc. (1999, p. 2 28)
Buscando-se contemplar todos os dados relevantes que aparecerem no decorrer
deste estudo, optamos por utilizar a técnica de análise de conteúdo, dado que esta
consegue privilegiar o(s) discurso(s) do(s) sujeito(s) de pesquisa. Segundo Bardin
(1979) apud Richardson (1999, p. 223), a análise de conteúdo pode ser entendida como:
(...) u m conjunto de técnicas de análise das comunicações visando obter,
através de procedimentos sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo
das mensagens, indicadores (quantitativos ou não) que permitam inferir
conhecimentos relativos às condições de produção/recepção (variáveis
inferidas) dessas mensagens.
Neste sentido Lakatos e Marconi (2007, p. 131-132) nos dizem que:
Na análise de conteúdo referente à imprensa, é encontrado material útil à
pesquisa sobre as influências dos grupos de pressão e dos indivíduos. O
conteúdo da imprensa falada (rád io, televisão, cinema, teatro) oferece
informações valiosas para levar o pesquisador a perceber as manipulações
utilizadas com objetivos propostos.
Desta forma, depois de coletados os discursos do programa Big Brother Brasil
9, da rede Globo de televisão, foi realizada uma categorização dos elementos desses
discursos, tendo como base para a escolha das categorias de análise, os objetivos
específicos desta pesquisa.
Diante do que foi exposto acima vale ressaltar que ―a operação de classificação
dos
elementos
seguindo
determinados
(RICHARDSON 1999, p. 239).
critérios
denomina-se
categorização‖.
4. APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
Nesta etapa do trabalho serão analisados os dados coletados através da
observação do programa Big Brother Brasil 9, sendo que neste primeiro momento faz-se
importante apresentar um histórico do programa, assim como clarificar dados acerca da
edição 2009 e também sobre o perfil dos participantes.
4.1BIG BROTHER BRASIL¹
O Big Brother Brasil é um reality show (tipo de programa televisivo baseado
na vida real) que pertence a Endemol Globo, empresa nascida de uma união entre a
Endemol - produtora holandesa de televisão, especializada em reality shows fundada em
1994 por John de Mol e Joop Van Den Ende - e a Rede Globo de televisão, e teve início
em 2002. O programa consiste no confinamento de um número de indivíduos em uma
casa cenográfica, onde não há conexão com o mundo exterior e eles são vigiados 24
horas por dia por câmeras e microfones espalhados pelos cômodos da casa.
Os participantes do programa não têm acesso a jornais, programas de televisão,
ou qualquer outro contato com o meio externo, e o objetivo do programa é eleger como
celebridades pessoas ―normais‖ saídas da sociedade e que se inscrevem através de
vídeos enviados para a emissora, o campeão será aquele que permanecer até o final e for
eleito pelo público através da votação por telefone e internet, levando para casa um
prêmio em dinheiro.
O Big Brother Brasil é exibido na Rede Globo através de transmissões diárias
em horário nobre e também em pay-per-view no canal por assinatura Premiere Shows e
com flashes no Multishow.
O processo de seleção para participar do programa inclui o envio de material
em vídeo que é eleito e analisado pela produção através de critérios definidos. Após a
seleção, os participantes passam por um processo de entrevistas eliminatórias. Em
algumas temporadas a escolha de participantes foi feita através de sorteio (Big Brother
Brasil 4, 5 e 6) ou por olheiros na rua (Big Brother Brasil 7 e 8), e no mais recente, o
_______________________
¹ Sobre o BIG BROTHER BRASIL, disponível em: http://www.telehistoria.co m.b r/revista/;
http://bbb.globo.com/; http://oglobo.globo.com/cultura/revistadatv/; http://g1.globo .com/ Noti cias /
Big Brother Brasil 9, além destas formas de seleção também houve a eliminatória
através de provas e entrevistas realizadas no programa Mais Você, da mesma emissora.
Originalmente o prêmio em dinheiro que o vencedor leva para casa era de 500
mil reais, mas a partir da quinta temporada do reality show, este foi aumentado para 1
milhão de reais. Sendo que além deste prêmio final para o grande ve ncedor, também há
a prêmios menores para o segundo e terceiro lugar, além de prêmios de participação
para os demais competidores, desde que esses não tenham desistido. Ao longo do
programa também há provas, onde os competidores concorrem a outros prêmios
(normalmente não em dinheiro) que são ofertados pelos patrocinadores.
A casa onde o programa é realizado fica em um local isolado do Projac, central
de estúdios da Rede Globo em Jacarepaguá, Rio de Janeiro. Foi construída em 55 dias
úteis para o primeiro programa, com 2.300 metros quadrados e desde então já passou
por várias mudanças. Possui atualmente quatro quartos, sendo três destes de todos os
participantes e um que fica em poder do líder. Excluindo a primeira edição do
programa, quando os quartos eram identificados por cores, todas as demais temporadas
costumam adotar decorações temáticas para os mesmos. A partir da quarta temporada
houve também a inclusão de uma academia de ginástica na parte externa da casa. Além
de todos os demais cômodos, como cozinha, sala, banheiro, dispensa, a casa ainda conta
com um ―confessionário‖, uma sala especial onde apenas entra um participante de cada
vez, e onde entre outras coisas, são realizadas votações individuais.
Inicialmente os participantes passam por um período de uma semana em
confinamento num hotel, e posteriormente seguem para a casa do Big Brother Brasil
onde serão recebidos pelo apresentador do programa e apresentados para o público.
Iniciando o ―jogo‖ é realizada uma prova para a escolha do líder da semana, e a partir
daí a cada semana será escolhido um novo líder que é imune à votação e indica alguém
ao paredão (eliminação por votação do público); também um anjo que será responsável
por imunizar alguém para não ir ao paredão; e ainda um outro eleito para o paredão, que
será indicado pelo maior número de votos, dos demais participantes. Os telespectadores
escolhem o eliminado por telefone e pela internet. O procedimento é repetido todas as
semanas até o fim do programa.
Os participantes não possuem qualquer contato com o exterior da casa, exceto
quando como prêmio de alguma prova, eles ganham essa chance. Eles têm a
possibilidade de deixar a casa se assim desejarem, porém não há retorno permitido e
outro jogador é colocado em seu lugar. No caso de algum partic ipante ter algum
problema de saúde durante sua estadia no programa, um médico é autorizado a entrar na
casa, e para casos menos graves há um kit de primeiros socorros disponível.
Atualmente o programa está na sua nona temporada, que teve início no dia 13
de janeiro de 2009. O Big Brother Brasil 9 começou com algumas particularidades, tais
como: a casa divida em dois lados (A e B) por um muro (retirado no dia 18 de janeiro
de 2009); entre os participantes quatro pré-selecionados conviveram por uma semana
em uma casa de vidro localizada no Via Parque Shopping, no Rio de Janeiro, até que
dois desses foram escolhidos para integrar a casa no dia 21 de janeiro; foram incluídos
participantes com idade superior à 60 anos; houve a existência de um quarto secreto na
parte externa da casa (o quarto branco, utilizado na 3ª semana); no dia 12 de fevereiro
foi construída uma segunda casa de vidro, localizada no quintal da própria casa onde
ficaram dois novos participantes.
Por fim cabe ressaltar que o Big Brother Brasil 9 foi a edição que registrou a
pior média de audiência até o presente momento. Apesar disso, do ponto de vista
comercial, essa edição foi a que rendeu mais lucro para a Rede Globo, com uma receita
estimada em R$ 110 milhões, faturados através de cotas de patrocínio, merchandising,
anúncios, anúncios extras, espaços vendidos na casa, assinaturas de pacotes na TV paga,
etc.
4.2 PERFIL DOS PARTICIPANTES DO BIG BROTHER BRASIL 9
ANA CAROLINA (Disponível em: http://bbb.globo.com/BBB9/ Participantes/0,, PTP
23-16398,00-ANA+CAROLINA.html) – Ana Carolina Madeira, catarinense de
Florianópolis, 24 anos; formada em direito; adora animais, tem sete cachorros e
pretende fazer faculdade de veterinária; gosta de se vestir bem, se maquiar e de usar
sapato caro; se diz ansiosa, sem papas na língua e conta com seu carisma e inteligência
para conquistar o público; é consumista e possui hábitos caros; trabalha vendendo
lingerie e diz: ―Quando vou a um shopping, eu compro e logo tenho que vender um
monte de lingerie para compensar”. Em Florianópolis, ela mora com os pais e seus
quatro irmãos.
ALEXANDRE (Disponível em: http://bbb.globo.com /BBB9/ Participantes /0,,PTP3016398,00-ALEXANDRE.html) – Alexandre Gomes da Silva, Pernambucano de Olinda,
35 anos; é administrador de empresas; se considera falante e espontâneo; atualmente
trabalha em um banco em Natal, no Rio Grande do Norte, onde mora há cinco anos; diz
que não tem medo de novas experiências e que faz amizades facilmente – porém, só se
entrega se for recíproco. Espirituoso e bem- humorado, ele também revela seu hobby: ir
à praia.
FRANCINE (Disponível em: http://bbb.globo.com/BBB9 /Participantes /0,,PTP2716398,00-FRANCINE.html) – Francine, nascida no Rio Grande do Sul há 25 anos; filha
de pais divorciados; se mudou para São Paulo para estudar Rádio e TV, onde se formou
no final de 2008; diz que seus pontos fracos são bebida, homem e festa, e que sua
paixão são as passarelas, sendo modelo desde os 12 anos; tem como desejo provar que
uma mulher vaidosa, bonita e que se arruma não precisa ser fútil para ter sucesso na
vida; se considera ao mesmo tempo palhaça e nervosa, e não dispensa uma maquiagem,
um traje espalhafatoso (preferencialmente rosa).
ANDRÉ
(Disponível
em:
http://bbb.globo.com/BBB9/Participantes/0,,PTP42-
16398,00-ANDRE.html) – André Luis Gusmão de Almeida, Paulista, 34 anos; pai de
quatro filhos; deseja através do Big Brother Brasil 9ganhar fama para ter sucesso em sua
carreira como cantor sertanejo; gosta de andar a cavalo e passear com a esposa e com os
filhos; gosta de dançar ("Gosto de todo tipo de música, menos rock pauleira") e bebe
socialmente.
JOSIANE
(Disponível
em:
http://bbb.globo.com/BBB9/Participantes/0,,PTP40-
16398,00-JOSIANE.html) – Josiane, 30 anos, Mineira de Juiz de Fora; é cantora e
formada em psicologia; diz que: "Apaixonar-se por embalagem é fácil, mas se
apaixonar por conteúdo é que é realmente o maior desafio”, e assim pretende
conquistar o público; é fascinada por música, curte MPB e música eletrônica, também
toca piano, violão e percussão, e tem uma paixão especial pela castanhola; na casa, diz
que vai assumir seu lado palhaça e desligada. Mas sem perder o respeito pelas pessoas.
EMANUEL
(Disponível em:
http://bbb.globo.com/BBB9/Participantes/0,,PTP25-
16398,00-EMANUEL.html) – Emanuel, 24 anos, catarinense; apesar de se dizer pacato
e tranqüilo, promete não ficar parado na 9ª edição do Big Brother Brasil. ―Vai ter muita
festa. Para mim, não tem tempo ruim, sempre quero fazer esportes e agitar ‖, conta;
gosta de mulheres morenas, saradas, de olhos verdes e cabelos longos; é medalhista na
natação, seu esporte favorito, e estudante de Administração; acredita que sua
personalidade solidária, amiga, simples e carinhosa vai fazer a diferença para o público
na hora do paredão.
MAÍRA
(Disponível
em:
http://bbb.globo.com/BBB9/Participantes/0,,PTP41-
16398,00-MAIRA.html) – Maíra Cardi, 25 anos, nasceu em São Paulo, mas foi morar
em Cuiabá, no Mato Grosso, aos 4 anos; foi mãe aos 16 anos de seu único filho; é
apresentadora de TV e acaba de voltar de uma temporada na Europa, onde passou um
ano trabalhando como modelo; ela diz que nada tira o seu foco do prêmio de R$ 1
milhão e que prefere o dinheiro à fama. “Dinheiro compra felicidade", segundo ela.
FLÁVIO
(Disponível
em:
http://bbb.globo.com/BBB9/Participantes/0,,PTP32-
16398,00-FLAVIO.html) – Flávio Steffli, gaúcho de25 anos; morou em Atlanta, nos
EUA desde 2007 e voltou para tentar umavaga no programa;com cabelos ruivos possui
os apelidos de Tocha, Vermelho, Cinaleira e Forosca;esbanjando confiança, Flávio é
direto quando questionado sobre sua estratégia no jogo e seus trunfos: "Serei o capitão
do time e acredito que o meu senso de humor será o diferencial dentro da casa. Estou
no BBB pelo dinheiro. Não quero ser um espectador do jogo. Transformarei em atitude
e ação toda a minha força de vontade".
MICHELLE (Disponível em: http://bbb.globo.com/BBB9/Participantes/0,,PTP3316398,00-MICHELLE.html) – Michelle Costa, pernambucana de Recife, 24 anos; se
diz uma pessoa batalhadora, "Costumo dizer que decisão é a parte mais difícil da vida e
nem por isso deixei de trabalhar e batalhar”, comenta; seu primeiro trabalho foi aos 12
anos, como modelo de um comercial, e também já foi recepcionista, vendedora e
assistente de palco; é estudante de direito e ano passado (2008) se inscreveu no
concurso de Miss da faculdade para ganhar bolsa de um ano; foi Miss Pernambuco em
2008.
LEONARDO (Disponível em: http://bbb.globo.com/BBB9/Participantes/0,,PTP2616398,00-LEONARDO.html) – Leonardo Jancu, Paulistano, 25 anos; entra no Big
Brother Brasil 9disposto a derrubar quem aparecer no seu caminho; é administrador de
empresas; se diz realista e muito carismático; é judeu e passou um tempo em Israel;
possui duas tatuagens, uma em homenagem ao pai que morreu de câncer, e outra que
reproduz o símbolo judaico ―Rai‖, que significa vida; solteiro, diz que gosta de meninas
bonitas e simpáticas, mas não tem preferência por loiras ou morenas, “Eu gosto é de
mulher‖, comenta.
MILENA
(Disponível
em:
http://bbb.globo.com/BBB9/Participantes/0,,PTP37-
16398,00-MILENA.html) – Milena Fagundes nascida em Manaus há 32 anos; é
assessora de imprensa e promotora de eventos; se define como tranqüila, mas diz: "Sou
impulsiva, falo tudo o que me vem à cabeça. "; se casou aos 18 anos e tem dois filhos;
está solteira há um ano e meio e não descarta a possibilidade de se envolver com alguém
na casa.
MAXIMILIANO (Disponível em: http://bbb.globo.com/BBB9/Participantes/0,,PTP2816398,00-MAXIMILIANO.html) – Maximiliamo Porto, nascido no Rio de Janeiro,
possui 30 anos e é artista plástico; dono de cinco tatuagens, entre elas, maximize-se e
minimize-se (suas palavras de ordem) possui um estilo despojado, e se classifica como
um desenho animado vivo; “Consegui me diferenciar pela minha imagem, minha
profissão e minhas tatuagens”, opina; é autodidata, e tendo sido criado sem pudores e
com uma criação liberal se diz sendo um molecão.
MIRLA
(Disponível
em:
http://bbb.globo.com/BBB9/Participantes/0,,PTP35-
16398,00-MIRLA.html) – Mirla Araújo Prado, paraense natural de Belém, 27 anos; é
advogada e diz que um de seus maiores sonhos é trabalhar na área de comunicação
social; costuma cantar para louvar Deus e já foi vocalista de bandas amadoras em sua
cidade; é apaixonada por seus animais de estimação (um cachorro e dois gatos); gosta
de Ivete Sangalo e da dupla sertaneja Victor e Leo, e considera Brad Pitt um homem
bonito; se vê como brincalhona, divertida, hiperativa, estabanada e extremamente
sincera, ela diz que não vai criar um personagem para se manter na casa: “Quero ser eu
mesma e viver intensamente essa experiência”.
NEWTON
(Disponível
em:
http://bbb.globo.com/BBB9/Participantes/0,,PTP24-
16398,00-NEWTON.html) – Newton Siqueira, gaúcho de 29 anos; diz que fazer sexo
dentro da casa para ele não vai ter problema, mas posar nu está fora de cogitação (por
ser criado em uma família evangélica); foi criado pela avó; já trabalhou como dançarino
na boate de um cruzeiro universitário, modelo e produtor de eventos; atualmente é
proprietário de um bar em São Paulo, para onde se mudou há cinco anos; é espontâneo,
divertido, com ele não tem tempo ruim.
NAIÁ (Disponível em: http://bbb.globo.com/BBB9/Participantes/0,,PTP36-16398,00NAIA.html) – Naiá, paulistana de 61 anos; que ser chamada no Big Brother Brasil 9 de
vovó Naná e está disposta a trazer boa mensagem aos mais velhos e paz para a casa; é
promotora de eventos, joga cartas do tarô e quer ganhar o prêmio de R$ 1 milhão para
promover bailes dançantes grátis para a terceira idade; é viúva (foi casada por 20 anos),
mas possui outro relacionamento, é mãe de quatro filhos e possui vários netos; possui
um estilo zen e tranqüilo, mas que ―roda a baiana" quando ―pisam no seu calo‖; se diz
adepta de uma boa farra e de uma boa cantoria, alem de bastante vaidosa.
NORBERTO (Disponível em: http://bbb.globo.com/BBB9/Participantes/0,,PTP3916398,00-NORBERTO.html) – Norberto Carias dos Santos, paulista de Bananal, 63
anos; foi criado pela avó materna e por uma tia; é formado em ciências contábeis e
trabalhou como auditor fiscal; atualmente é ator e conta: “Após me aposentar voltei
toda minha atenção para a área artística, principalmente o teatro. O rádio foi uma
ligeira passagem. O teatro e a televisão me encantam”; nas festas promete participar:
―Até altas horas acho que não, mas até uma certa hora garanto que sim.‖; para ele o
Big Brother é uma oportunidade de conquistar fama e dinheiro.
PRISCILA
(Disponível
em:
http://bbb.globo.com/BBB9/Participantes/0,,PTP29-
16398,00-PRISCILA.html) – Priscila, nascida em Campo Grande, capital do Mato
Grosso do Sul, 26 anos; é morena com 1,60m e 60 kg, tem o corpo esculpido na
musculação e nas aulas de Muay Thai; é jornalista; com a morte da mãe ficou
responsável pelos dois irmãos mais novos e até chegou a abrir mão de um convite para
seguir a carreira de modelo em São Paulo; diz que: ―Agora chegou a hora de cuidar de
mim‖, ―Quero faturar quando sair da casa‖; Priscila garante estar preparada para
suportar a pressão e o julgamento popular, e comenta: ―Nasci no interior e mulher
bonita, na minha cidade, todo dia é julgada‖.
RALF (Disponível em: http://bbb.globo.com/BBB9/Participantes/0,,PTP38-16398,00RALF.html) – Ralf, paulistano de 32 anos; se define como um cara batalhador e
verdadeiro; é empresário de diversos ramos, que incluem a pecuária e a constr ução civil;
aposta na naturalidade para ganhar o prêmio; se diz um líder natural; solteirohá sete
meses, afirma que está sempre à procura do sexo oposto: "Não fico três meses sem
mulher. Não tenho tipo físico preferido. Gosto de mulheres com corpo bonito e com
bom humor. O importante é ser uma companhia divertida" ; disposto a buscar a diversão
em todas as oportunidades, comenta: "Gostaria de unir a fama ao dinheiro. O
programa abre uma série de portas, e é essa união que torna tudo atraente" .
4.3 DEFINIÇÃO DAS CATEGORIAS DE ANÁLISE
As categorias abaixo citadas foram selecionadas com base na observação do
programa Big Brother Brasil 9, sendo eleitas através da comparação entre dados
oriundos dessa observação e a fundamentação teórica desse trabalho. A seleção dessas
categorias teve como propósito responder aos objetivos dessa pesquisa.
1. Culto a imagem corporal perfeita.
2. A utilização de maneiras estratégicas para a manutenção de corpos jovens e perfeitos.
3. O desprezo pela velhice como forma de reafirmar um padrão de práticas que
evidenciam um ideal de beleza propagado.
4. A existência da temática juventude no discurso midiático do Big Brother Brasil 9 tendo
como parâmetro homens e mulheres.
4.3.1Culto à imagem corporal perfeita.
Em se tratando de um reality show, e neste sentido tendo como objetivo maior
retratar a vida real, o Big Brother Brasil vai além de um programa de TV de
monitoramento contínuo do comportamento humano. Pois além de evidenciar
comportamentos que são próprios da sociedade, – já que fazem parte deste programa
pessoas ―normais‖ tiradas de tal contexto – o Big Brother Brasil é um fenômeno
comercial disposto a vender marcas e estilos de vida.
Sendo que tal programa leva milhares de pessoas a dedicarem uma parcela de
minutos e até mesmo horas do seu dia para acompanharem o que acontece na vida
desses ―desconhecidos‖ participantes, ele acaba por ser uma vitrine ao vivo e a cores da
sociedade brasileira atual de consumo. Sociedade esta, no qual as pessoas fazem cada
dia mais alusão a uma forma de mostrar e de vender uma imagem corporal entendida
como perfeita, ou seja, que se encaixe nos padrões estabelecidos e disseminados por
esta mesma sociedade.
E assim, o corpo que surge na atualidade como o maior protagonista social,
tendo o seu modelo ideal sendo propagado por toda a sociedade das mais diferentes
formas, levando a todos um ideal de beleza a ser compartilhado como bem maior.
Cerqueira (2007). O Big Brother Brasil acaba sendo um legitimador do fato de que na
sociedade atual o indivíduo dá mais preferência à imagem corporal que deve possuir
baseado nos padrões estéticos estabelecidos pela sociedade em questão, do que qualquer
outra forma de se apresentar e valorizar perante as outras pessoas e a si mesmo.
O corpo que se ―vende‖ para os outros acaba se refletindo na própria busca
pela imagem perfeita que se deve alcançar. Assim, através do programa e em busca de
quaisquer que sejam os objetivos, – dinheiro, reconhecimento, fama, vaidade – as
pessoas vendem cada vez mais seus corpos, e dessa maneira com cada vez menos roupa,
acabam evidenciando e propagando um padrão atual ocidental de corpo e beleza que
deve ser almejado e mais ainda, conquistado.
E como nos aponta Fontes,
em u m cenário marcado pelo hedonismo em torno de u ma imagem
cosmetizada e fet ichizada, imp regnada de conotações eróticas, sedutoras,
sexuais, sensoriais e sensuais, o corpo tido como desejável é um corpo moeda, a u m só tempo produto e objeto de compra e venda, um instrumento
de produção e reprodução de sentidos e identidades, uma vitrine móvel a ser
continuadamente reformulada e copiada. (2006, p.129)
Neste sentido, se de um lado estão os participantes do programa abrindo mão
de sua intimidade e privacidade, permitindo que milhares de pessoas façam parte de seu
dia-a-dia, do outro, estão essas milhares de pessoas ansiosas por analisar
minuciosamente cada movimento desses indivíduos que se sujeitam a tal fiscalização,
de tal maneira que cada pessoa que assiste acaba por tentar enxergar nos participantes, a
si mesmas, ou aquilo que desejam ser. Talvez essa fosse a vida que muitos desejassem
ter, a casa que muitos gostariam de viver, e os corpos que muitos buscam alcançar.
Enfim, através do programa as pessoas passam a ter seus desejos representados, como
se passassem para os ―personagens‖ todas as suas angústias, medos, vontades e
realizações, como se seus sonhos se tornassem mais realidade, ao visualizar alguém
―real‖ usufruindo do mesmo. (MILLAN, 2006).
O fator de maior importância no programa talvez seja justamente o fato de que,
atualmente o corpo, e neste sentido a imagem ganham um poder social cada dia maior, e
assim, se mostrar fisicamente passa a ser mais eficaz para um status social do que
quaisquer outras características. Assim, muitas vezes a imagem que se constrói a cerca
de alguém está diretamente ligada ao fato de quão maiores forem seus peitos e bunda
(em relação às mulheres), ou mais musculosos e definidos forem seus corpos (em
relação aos homens).
E quanto a isso nos alude Mendonça que,
se as sociedades inscrevem suas marcas também nos corpos humanos, nas
sociedades atuais as exigências em relação à performance corporal são cada
vez maiores: os corpos têm de ser belos, sadios, disciplinados, atraentes,
sensuais, perfumados, prazerosos e simultaneamente obedientes a uma
disciplina que os encarcera em formas e formatos estabelecidos pelas modas
e que, ao longo dos anos, exige corpos cada vez mais ―trabalhados‖ e que
também exige privação dos prazeres sensoriais. (2008, p.49).
É importante também ressaltar que se o Big Brother Brasil faz menção à vida
real, mostrando a vida de pessoas reais, é importante se pensar até que ponto essas
pessoas de fato refletem a imagem de toda uma sociedade em questão. Se nos
detivermos em olhar mais a fundo o ―tipo‖ dos indivíduos selecionados, percebemos
logo que na verdade este não reflete o perfil das pessoas reais da sociedade na qual o
programa visa representar, mas talvez, meramente uma parcela específica desta.
O que se vê na verdade, dentre os homens e mulheres participantes do
programa é uma padronização de estilos e características. A grande maioria é jovem e
com corpos bem delineados que cuidam e aperfeiçoam seu visual em busca de serem
bem quistos e reconhecidos.
E para exemplificar essa padronização dos participantes, tendo como parâmetro
neste momento, aspectos de cuidados e manutenção de seus corpos, podemos citar uma
conversa entre as integrantes do Big Brother Brasil 9, Priscila, Michelle, Ana Carolina e
Milena. No dia 24 de janeiro de 2009 estas conversam sobre a colocação de prótese de
silicone e também a realização de plástica. No decorrer da conversa Priscila diz que
colocou prótese de silicone um pouco antes de entrar na casa. Michelle contou que
colocou a prótese para participar do concurso Miss Brasil. E Ana Carolina falou que já
tinha seios grandes antes da plástica, mas sentiu vontade de colocar 250 ml de silicone.
Por fim Milena revelou que tem silicone e que também já fez lipoaspiração na barriga.
O que se percebe nessa padronização de perfis é que o corpo destes indivíduos
acaba por ter o papel maior de veicular e vender a imagem do programa. Este corpo,
modelo de uma dada perfeição, – jovem e aperfeiçoado – é objeto presente e onipotente
dentro da casa do Big Brother Brasil, e estando em todos os contexto s do programa, ele
está relacionado ao sexo, à exposição, à manipulação e tantas outras maneiras de se
relacionar, que muitas vezes nem nos damos conta, como à própria relação fisiológica
que mantemos com nosso corpo.
E é assim, através desses modelos perfeitos representados pelos participantes
do Big Brother Brasil, que como nos apresenta Ghilardi- Lucena (2008) a mídia acaba
por adquirir cada dia mais o poder de influenciar a sociedade, propagando a
generalização de corpos perfeitos, e acabando por manter seu papel fundamental na
circulação de idéias determinantes para a representação social. Representações estas,
que como nos fala Moscovici (2003) surgem a partir de todas as relações humanas, pois
quando nos familiarizamos com pessoas ou coisas, as represe ntações estão presentes.
Talvez antes do Big Brother Brasil o corpo nunca tenha sido tão claramente
lançado à mostra na televisão aberta no Brasil. Estamos diante de um contexto no qual
manequins humanos são o principal investimento da vitrine de uma sociedade baseada
no consumo. E assim o Big Brother Brasil faz lançamento de uma indústria que produz
e propaga maneiras de ser e agir. Na qual, como nos apresenta Moscovici (2003), uma
vez que as representações tenham surgido, elas acabam por adquirir ―vida própria‖
possibilitando um movimento de criação de novas representações que substituam
antigas. Nesse sentido, mais do que representar uma sociedade, o Big Brother Brasil
impõe a esta como esta deve ser, e assim como os indivíduos que querem ser aceitos e
bem quistos devem se apresentar, criando e reformulando novas representações.
Além disso, é importante ressaltar que o programa dá ao público o poder de
julgar quem deve e quem não deve continuar na casa, – ou pelo menos lhes permite
pensar que possuem esse poder. Assim tornando-se juiz do comportamento alheio o
telespectador passa a ter o poder de escolher quem permanece e quem não permanece
dentro da casa, utilizando para isso o quesito do que se quer ou não visualizar, e fazendo
uso de um parâmetro de ideal de pessoa, que acaba por passar pela própria imagem de
perfeição de corpo físico que é propagada, imagem esta, que permite avaliar, levando
em conta o quão próximo do perfil ideal o indivíduo participante do Big Brother Brasil
está.
4.3.2 A utilização de maneiras estratégicas para a manutenção de corpos jovens e
perfeitos.
Se o Big Brother Brasil acaba por ter a função de fábrica de imagens perfeitas,
como já discutido na categoria anterior, cabe agora ressaltar que para que essa imagem
tida como perfeita, ou melhor dizendo, que esse corpo ideal, jovem e perfeito, tão
almejado e propagado pela sociedade em questão seja construído, são necessárias
algumas estratégias de realização e manutenção do mesmo.
Pois se,
cuidar mais de si mesmo é um valor soberano que está na ordem do dia. A
exib ição contínua e flutuante de tipos físicos idolatra a vitalidade e a
jovialidade, anuncia técnicas e métodos de remodelagem anatômica e
mobiliza multidões com promessas extraordinárias e exemplos de sucesso,
mu itos deles baseados no prolongamento da juventude, no revigoramento
físico e em u ma v ida de prazeres imediatos. (COUTO, 2000 apud FONTES,
2006, p. 129).
Assim, se na sociedade brasileira atual o corpo tem papel fundamental naquilo
que as pessoas são ou representam ser perante esta mesma sociedade; se a valorização
destas se dá através da imagem física que estas possuem; e se para tornar-se bem quisto
ou pelo menos aceito é preciso estar envolto neste padrão ideal de beleza/corpo, também
torna-se necessário então moldar-se ou aperfeiçoar-se para alcançar este ideal. E neste
sentido o Big Brother Brasil tem a função de além de propagar este ideal de corpo
conseqüentemente também propagar tais maneiras estratégicas para a concretização
deste modelo de corpo.
Atualmente estamos diante de um processo o qual juntamente com o ideal de
beleza disseminado pela sociedade, por exemplo, através do Big Brother Brasil, surge
também, talvez em decorrência deste ou para pelo menos confirmá- lo, um processo de
avanço tecnológico voltado primordialmente para o melhoramento estético.
Podemos citar aqui, o crescimento do mercado das cirurgias plásticas. Nesse
sentido, vale descrever a conversa realizada no dia 20 de janeiro de 2009 no BB9, na
qual a participante Priscila fala sobre plástica na barriga com outros participantes na
sala. Explica ela: “A abdominoplastia você amarra os músculos da barriga”, “Já me
interessei”, diz Milena, rindo. Priscila conta que quando fez a cirurgia para pôr silicone
nos seios também queria afinar a cintura e tirar gordurinhas da barriga.
Estamos vivenciando um estágio social em que a propagação de uma fábrica de
sonhos, ou melhor, de um sonho único e idealizado, o de ter o corpo mais perfeito
possível – de acordo com os padrões sociais estabelecidos – torna-se cada dia mais fácil
e concreto para pessoas das mais diferentes classes sociais. (CERQUEIRA, 2007).
Neste sentido temos o exemplo do Brasil como país de excelência na área das cirurgias
plásticas, advindo de uma cultura de modificação corporal que vem desde os anos 60 e
cujo patriarca é o mais famoso cirurgião plástico brasileiro do ramo do aperfeiçoamento
estético: Ivo Pitanguy (Disponível em: http://revistaepoca.golob .com /Revista/Epoca /).
Entretanto, cabe-nos mencionar que se de um lado o aperfeiçoamento estético é
cada vez mais possível de ser alcançado, por outro lado temos o fato de que muitas
vezes passamos a abdicar do que realmente nos traz bem estar físico, e acabamos
violando os limites de infringir a nós mesmos dor física e sofrimento em prol do desejo
maior de alcançar um ideal de beleza/corpo que deve ser aquele que é eleito pela grande
maioria como o perfeito. Beleza e corpo que estão diretamente ligados ao ideal de
juventude. Ideal este, que aparece quando faz-se a ligação entre juventude e saúde.
Portanto, já não basta apenas ser saudável, deve-se ter aparência de tal. E assim,
utilizam-se todos os tratamentos médicos e estéticos para escapar à velhice,
pois os corpos doentes e idosos não têm lugar nesta sociedade consumista e
jovem. As pessoas não se querem lembrar que a velhice é u m fenômeno que
atravessa todas as épocas, culturas e sociedades e por isso recorrem a todos
os tratamentos que lhes permitam ter u m corpo bonito durante mais tempo
(grifo meu). (CERQUEIRA, 2007, p. 1574).
Para exemplificar o fato de que muitas vezes a inclusão neste contexto de ideal
de corpo vai até mesmo além do próprio bem estar físico, podemos citar a conversa
realizada no dia 24 de janeiro de 2009, pelas participantes do programa Big Brother
Brasil 9, Priscila, Michelle, Ana Carolina e Milena, - e que já foi mencionada na
categoria acima – na qual, estas fazem uma discussão acerca de prótese de silicone e
plástica. Michele conta para as demais que mesmo tendo gostado do resultado da
inserção de prótese de silicone para a participação no concurso Miss Brasil, só fez isso
para ficar no mesmo nível que as outras participantes: “antes eu já gostava do meu
peito, sempre que eu tirava a blusa falavam que eu tinha um peito bonito”. Já Ana
Carolina relata que passou mal depois que saiu da sala de cirurgia, “eu tomei a
anestesia e quando voltei, vomitava muito”, mas que ainda assim, ela não se arrependeu
de ter aumentado os seios.
O que podemos perceber é que cada vez mais as pessoas, sejam elas das mais
diferentes idades, classes sociais e graus de escolaridade, passaram a acreditar que o seu
dever maior é alcançar este ideal de beleza (CERQUEIRA, 2007), na qual o padrão de
imagem aceita é o de juventude e corpo escultural, e que deve-se para isso combater
com todas as ―armas‖ possíveis o desgaste biológico, além de tudo aquilo que não se
encaixe dentro de um parâmetro de corpo malhado e firme. (FONTES, 2006).
4.3.3 O desprezo pela velhice como forma de reafirmar um padrão de práticas que
evidenciam um ideal de beleza propagado.
Para que possamos começar a pensar acerca da velhice e de sua relação com as
práticas de beleza propagadas através da mídia, principalmente através do Big Brother
Brasil, faz-se importante antes de qualquer coisa, levando-se em conta a participação,
até mesmo surpreendente, de dois integrantes com mais de 60 anos no Big Brother
Brasil 9, informar que de acordo com o Art. 24, Capítulo V, da Lei nº 10.741, de 1º de
outubro de 2003 do estatuto do idoso, ―Os meios de comunicação manterão espaços ou
horários especiais voltados aos idosos, com finalidade informativa, educativa, artística e
cultural, e ao público sobre o processo de envelhecimento‖ (Disponível em:
http://www.planalto. gov.br/ccivil).
Neste sentido cabe-nos refletir se foi em decorrência desta lei que a emissora
responsável pelo Big Brother Brasil 9, resolveu incluir no grupo de participantes
maiores de 60 anos, ou esta inclusão foi no intuito de atingirem uma maior diversidade
no programa, ou ainda, se estes apenas participaram do programa para que a emissora
pudesse dispor de uma parcela ainda maior de audiência televisiva.
De qualquer forma, o que podemos dizer com relação à participação desses
participantes maiores de 60 anos no Big Brother Brasil 9, - fato este que é o primeiro
em 8 anos de programa - é que, a nova ―situação‖ acaba por apresentar ao púbico novas
possibilidades de representação, ou seja, uma situação até então estranha, acaba de se
tornar algo conhecido, logo esta, passa a produzir um sentido para quem a reconhece,
dando origem ao processo que Moscovici (2003) dá o nome de ancoragem.
Destarte, partindo dessa nova realidade do programa, que é a situação da
inclusão de pessoas com mais de 60 anos, e sendo esta baseada em quaisquer das
alternativas levantadas anteriormente, ou ainda, qualquer outra que seja, na verdade o
que ocorreu no Big Brother Brasil 9, foi de certa forma a utilização da velhice como
forma de análise e até mesmo apreciação da juventude.
Foi possível observar que, de um lado apresentou-se a velhice como sendo
discriminada pela juventude, isso ficou claro na conversa entre o apresentador do
programa e Naiá, - a participante de 61 anos - ocorrida no dia 16 de março de 2009,
devido ao fato de que a mesma estava no paredão e enfrentava no confessionário a
Máquina da verdade. Entre as perguntas feitas a Naiá, o apresentador do programa
questiona: “qual a maior ignorância dos jovens da casa em relação à velhice”. Naiá
responde: “A gente pode se igualar. Eu fico olhando e penso “eles ainda perdem muito
tempo”. E com relação a esta fala da participante Naiá podemos fazer uso da idéia de
que o sentimento de repulsa e até pré-conceito em relação à velhice se dá, pois, o velho
acaba surgindo como alguém que está fora do contexto social, e os jovens acabam tendo
a visão de que ―(...) o velho é um elemento dissonante, um indivíduo trafegando
irreversivelmente na contramão das infovias que levam ao futuro‖. (FONTES, 2006, p.
10).
Por outro lado, apresentou-se um desprezo e uma abnegação relevante com
relação à velhice, e assim esta passa a acontecer de maneira negativa, devendo ser
combatida como algo que traz repulsa social e descontentamento para o próprio
indivíduo. Neste sentido podemos citar a declaração da participante Naiá acerca de sua
velhice, no dia 07 de março de 2009. Em conversa com as participantes Josiane e Ana
Carolina no Quarto Palácio de Cristais, Naiá responde: “Eu não quero ver nada caindo
mais. A lei da gravidade é triste”, quando as participantes lhe questionam se ela
gostaria de ter um quarto espelhado como o da casa do Big Brother Brasil 9. Esta fala
de Naiá nos remete ao que nos aponta Courtine que, com relação ao apresso pelo corpo
e o uso de cirurgias para diminuir ou reparar ou efeitos da idade, as técnicas de
rejuvenescimento
(...) são sustentadas por uma obsessão dos invólucros corporais: o desejo de
obter uma tensão máxima da pele; o amo r pelo liso, pelo polido, pelo fresco,
pelo esbelto, pelo jovem; ansiedade frente a tudo o que na aparência pareça
relaxado, fran zido, machucado, amarrotado, enrugado, pesado, amolecido ou
distendido; uma contestação ativa das marcas do envelhecimento no
organismo. Uma negação laboriosa de sua morte próxima. (1995 apud
FONTES, 2006, p. 126).
O que se vê com a participação de dois integrantes com mais de 60 anos no Big
Brother Brasil 9, é na verdade, maior do que qualquer outro fato, a propagação do
desprezo pela velhice, pois, em se tratando de um programa na qual a imagem ―fala‖
mais alto, divulgando uma sociedade baseada no consumo de práticas de corpos
perfeitos, a velhice aparece como algo que surge para ofuscar o ideal de beleza/corpo
que se tem, e por isso esta deve ser combatida de todas as formas. E nesse sentido até
mesmo a sexualidade passa a ser algo visto como mera alusão da velhice, como se, ao se
tornar velho o indivíduo passasse a não possuir mais sexualidade (RISMAN, 2005), e
com referência a isto podemos mencionar a já citada conversa de Naiá e o apresentador
do programa, na qual em resposta ao que a participante responde quando lhe
questionado acerca da maior ignorância dos jovens com relação à velhice, o
apresentador rebate com a seguinte afirmação: "O que eu sinto é que eles fingem que
você não tem sexualidade".
E ainda neste sentido, fazendo alusão também a fala de Naiá, na já citada
conversa do dia 07 de março de 2009 com as participantes Josiane e Ana Carolina, na
qual a participante de 61 anos, diz com relação ao seu corpo e ao fato de que este se
tornou caído com a velhice, que: “Eu quero ver tudo subindo”. Dizendo também que,
quem gosta de espelho é gente jovem, se referindo ao fato de que o que gostamos de ver
refletido no espelho é o corpo que só a juventude pode nos dar. Torna-se possível
perceber que o propagado pelo Big Brother Brasil 9, é que, a velhice dita pelos próprios
velhos é algo tal como repulsivo e desnecessário, a qual deve ser combatida, pois o que
realmente torna alguém satisfeito é a juventude (FONTE, 2006) e este é o padrão o qual
deve se fazer parte, já que, sendo a morte o limite da vida, deseja-se ―depois do direito
ao rejuvenescimento, o direito à permanência. Nem que para permanecer seja preciso
trocar de sexo, de sangue, de cabelo, em suma, de corpo‖. (SANT‘ANNA 2001, p.24).
4.3.4 A existência da temática juventude no discurso midiático do Big Brother Brasil 9
tendo como parâmetro homens e mulheres.
Em se tratando de um programa que faz apelo a várias estratégias para a
obtenção de audiência, tais como, propaganda e marketing, o Big Brother Brasil faz uso
daquilo que mais lhe distingue como um programa de reality show, ou seja, ele faz uso
da imagem da vida real, – ou pelo menos ―vende‖ esta idéia de realidade – para se
propagar ainda mais. Destarte, representando ou não a realidade, o que acaba por
acontecer é que, a imagem ofertada pelo programa ajuda muito na construção e
manutenção de um ideal de corpo/beleza propagado, onde a padronização dos
estereótipos dos participantes apenas contribui para uma maior veiculação do progra ma,
assim como propagação de tal padronização da imagem corporal perfeita.
E assim, talvez esse possa ser um dos motivos relevantes da legitimidade do
programa, de tal modo que o fato deste produzir representações, abre possibilidades
para que todas – ou pelo menos parte – as idéias produzidas através do programa e
ofertadas ao público, sejam em muito, transformadas em realidade, ou seja, todo esse
padrão de beleza, essa imagem perfeita disseminada pelo discurso do programa, passe a
ser, – ou já venha sendo ao longo desses 8 anos – uma fábrica ―real‖ de pessoas –
público – seguidores desse padrão de beleza ofertado, e nesse sentido como nos aponta
Moscovici (2003) o concreto vira real, ou seja, há um processo de objetivação, e assim,
todo esse conceito repassado pelo Big Brother Brasil se torna fato.
E neste sentido, tendo-se como representações, um ―sinônimo de signos,
imagens, formas ou conteúdos de pensamento, atividade representacional dos
indivíduos, conjunto de idéias desenvolvidas por uma sociedade‖ (FRANÇA, 2004, p.
14). Podemos dizer que, ―os veículos de comunicação colaboram para as novas
articulações ao colocar à disposição um rol de exemplos e modelos de comportamento e
de atitudes com as quais as pessoas poderão se identificar‖. (GHILARDI-LUCENA,
2008, p.17).
E deste modo possibilitando um ―mundo‖ de possibilidades e formas de
representações, usufruindo desta característica de divulgação através da imagem, os
próprios participantes acabam por utilizar a sua imagem como forma de se aproximarem
do telespectador, promovendo uma identificação do público para com eles, e difundindo
pela sociedade telespectadora modos de ser e agir que condizem com aquilo que é aceito
socialmente como gerador de status.
Os participantes levam ao público novas significações tanto para o modo de ser
e agir, como para se apresentar sociamente, fazendo com que as pessoas passem a
analisar, comentar e formular teorias acerca de suas experiências, – teorias estas que são
chamadas de teorias implícitas (POZO, 2002) – e que no fim acabam tendo um poder
decisivo em suas escolhas, gostos, desejos, etc. (MOSCOVICI, 2003). Ou seja, os
participantes acabam passando para os espectadores idéias, tais como, a de que para se
alcançar o mesmo status de um deles, devem seguir certos preceitos estipulados pela
sociedade.
Nesse sentido, com certeza um dos assuntos em pauta no Big Brother Brasil 9,
foi a vaidade, e tanto homens como mulheres não deixaram de transparecer suas
opiniões e anseios acerca do tema. Podendo ser citada aqui a conversa realizada no dia
06 de fevereiro de 2009 no Big Brother Brasil 9, onde os casais Ralf e Milena e Josiane
e Newton conversam sobre partes do corpo que gostam ou que acham que deveriam
melhorar em si mesmos. Newton pergunta a Josiane qual parte do corpo ela acha que ele
poderia melhorar fisicamente. Ela responde que são as pernas. Depois, ele pergunta a
ela o que mais gosta no físico dele, ao que ela responde: ―O peitoral‖. E é dessa forma,
trazendo esses pequenos exemplos que a mídia acaba enfocando a beleza, seja ela
masculina ou feminina, como qualidade fundamental a ser alcançada, pois dela depende
o bem estar social dos indivíduos,
tanto
fisicamente, profissionalmente e
emocionalmente. (GHILARDI- LUCENA, 2008).
Seguindo através da idéia de que o Big Brother Brasil propaga muito mais do
que maneiras de ser, mas também idéias acerca das características relevantes
socialmente para uma conduta adequada de acordo com o meio social, podemos citar a
conversa realizada no dia 10 de março de 2009 entre as participa ntes Naiá, Maíra e Ana
Carolina onde estas articulam acerca da pergunta que o apresentador do programa fez
para Maíra, de quem era a pessoa mais fútil da casa, e a mesmo comentou que achou o
termo “futilidade muito pesado”, e diz: “Eu disse que era você, Ana, por se ligar mais
aos bens materiais, mas que isso não era futilidade”. Já Ana respondeu: “Mas o que é
futilidade? É a gente falar de maquiagem, roupa e essas coisas? Isso é coisa de mulher,
não é futilidade. É vaidade. Toda mulher gosta dessas coisas. Falar de marcar, isso sim
é futilidade. Mas de coisa de mulher, não”. Maíra concorda e argumenta: ―Toda
mulher, mesmo as que não podem ficar comprando coisas, gostam de falar de
maquiagem, de roupas, dessas coisas todas. Concordo que isso é vaidade”.
E com respeito à conversa supracitada podemos pensar o Big Brother Brasil 9,
não apenas como disseminador de padrões de beleza , mas também como difusor de
idéias através do discurso de seus participantes, tais como, que toda mulher é vaidosa,
ou que vaidade é mesmo coisa de mulher, como apontado na conversa acima. E neste
sentido ainda podemos citar também a conversa realizada no dia 19 de fevereiro de
2009, entre Naiá e Ana Carolina, onde Ana comenta sobre seus gostos a respeito de
homem: ―Eu gosto de homem capaz de elevar minha mente, que conversa sobre coisas
que eu não conheço e me faz aprender. Eu gosto de homem inteligente. Você acha que
eu ficava com os homens bonitos? Não, era tudo feio. Mas eram inteligentes”. Passando
a idéia de que se o homem não é bonito, pelo menos é inteligente, como se uma
característica compensasse a falta da outra, ou como se na falta de beleza a pessoa
tivesse que no mínimo dispor de outra característica relevante socialmente. É dessa
maneira, que até mesmo de forma branda que, ―a mídia desempenha papel fundamental
na produção e na circulação dos sentidos que determinam o modo como os gêneros –
feminino e masculino – são vistos pelos indivíduos‖. (GHILARDI-LUCENA, 2008,
p.17).
Partindo-se então da idéia de que tanto homens, quanto mulheres devem estar
atentos a características que os tornam socialmente bem quistos, podemos citar a
conversa realizada no dia 14 de março de 2009 entre as participantes do Big Brother
Brasil 9, Priscila, Milena e Josiane, onde estas falam dos seus tipos de homens
favoritos. Priscila revela que gosta dos ―fortinhos‖ e belos, Josiane também dá valor à
beleza masculina e disse que sempre se envolveu com modelos, já Milena é a única que
não se deixa impressionar pela estética, e relata que não gosta de homens bonitos, já que
também não é uma mulher bela.
Com relação à conversa citada acima, podemos perceber que a beleza é vista
como quesito para a escolha de parceiros, sendo que, quando a s pessoas não se sentem
bem o bastante com sua imagem, não se sentem bonitas, acabam não dando importância
à estética, até mesmo como se beleza só combinasse com beleza, como foi dito pela
participante Milena. E tendo esse sentido através da beleza
o corpo atual - o qual deve ser bem cuidado e exib ido co m intensidade –
surge na sociedade recoberto de elementos significativos, tornando -se texto
carregado de significações, reflexo das características sociais atuais: imagem,
efemeridade, opulência; ou seja, é uma construção textual que pode
man ifestar os ideais, a cultura, e os valores que a sociedade tem prezado, de
acordo com as diferentes épocas. E tal corpo, então, sendo bem cuidado,
deverá ser exibido e apresentado à sociedade constantemente. Cada vez mais,
ele é arrancado dos mistérios da natureza, para ser glorificado pela medicina,
estética e info rmática. (A RAUJO; BA LDISSERA; STOFFEL, 2007, p.2)
Por fim, o que podemos perceber é que entre outras coisas o Big Brother Brasil
9, mostra através de seus participantes que além das mulheres, os homens também têm
cada vez mais se preocupando com a aparência, e um exemplo disso é o ocorrido no dia
31 de janeiro de 2009, quando a participante Francine cuida de alguns dos participantes
masculinos da casa, primeiro depila o pescoço de Flávio, depois a sobrancelha de Ralf e
por último os pêlos das costas de Newton. “Hoje é o dia da beleza masculina”, afirmou
à participante.
E é assim que na sociedade atual tantos homens como mulheres tornam-se cada
vez mais uma mistura entre organismos vivos e máquinas, na eterna busca pelo ideal de
corpo.
(GONÇALVES, 2002). Onde apenas cabe à mídia como disseminadora de
idéias o papel de representar essa sociedade, como se seu discurso apenas fosse ―um
retrato da contemporaneidade (...)‖. (MILLAN, 2006, p.191). De tal forma que, o Big
Brother se mantém hegemonicamente propagando representações sociais de corpo e
beleza.
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
A disseminação de um padrão de corpo/beleza baseado em um culto da
imagem e da aparência física na sociedade atual vem crescendo de maneira exacerbada.
Várias são as motivações que levam as pessoas à prática acentuada de maneiras
estratégicas de moldarem seus corpos, pois, não importando classe social, idade e sexo,
ser belo é - relembrando a referência de Sant‘ Anna (2001, p.108) - ―aproximar-se de
um ideal, sempre determinado de modo universal (...)‖.
O discurso que predomina na sociedade atual é aquele que elege o corpo como
o ―senhor do poder‖ na vida de cada indivíduo, e assim este passa a ser, nada mais, nada
menos, do que o grande ditador das regras sociais.
E neste sentido, podemos observar o grande papel que a mídia possuí como
disseminadora das representações sociais, pois, tendo o corpo papel primordial na
sociedade contemporânea, na qual as pessoas passaram a se moldar como manequins de
vitrine, buscando ―venderem-se‖, cabe a mídia então, representar e/ou apresentar qual o
modelo ideal que deve ser adotado, como se fosse criadora da ―fôrma de bolo‖ que dará
vida a todos os indivíduos ―perfeitos‖ esteticamente.
É certo que o poder legitimado da mídia só lhe é permitido porque a sociedade
em questão se submete a tal feito, mas de qualquer forma, a mídia também acaba por
além de ditar as ―regras do jogo‖, também representá- las, ou seja, o discurso midiático
acaba por evidenciar à sociedade aquilo que já lhe pertence, seu papel é apenas o de
propagar tais ideais.
Sendo que outro aspecto elencado neste estudo é o fato de que, além das
representações sociais de corpo/beleza existentes no discurso midiático, este também
acaba por evidenciar as práticas sociais que na atualidade têm cada vez mais exaltado a
juventude como característica ideal de corpo, negligenciando assim aspectos
relacionados à velhice e o fator envelhecer.
Destarte, direcionando nosso pensamento para o discurso midiático observado,
ou seja, o programa Big Brother Brasil 9, o que podemos notar é que desde a escolha
dos participantes, que deveria ser feita a contemplar a realidade de indivíduos da
sociedade, - já que se trata de um programa baseado na vida real - na verdade este
acaba por representar apenas uma pequena parcela da população. E este grupo
selecionado, em sua maioria, faz parte de uma seleta coligação de indivíduos que se
adaptam ao perfil ideal, pressuposto socialmente, e mesmo que acabem por não
representar a grande maioria da sociedade, estes acabam por ser a imagem fiel daquilo
que muitos ambicionam aparentar.
Os participantes do Big Brother Brasil, sejam eles homens ou mulheres,
aparecem de maneira a se ―venderem‖ para o público na busca por ganharem o carisma
dos telespectadores em prol do desejo de serem o grande vencedor do programa.
Enquanto isso o telespectador vê no participante do programa uma forma de
representação de sua própria vida.
E nesse sentido, outro ponto importante a ser pensado, é o fato de que o Big
Brother Brasil acontece de maneira a vender imagens, ou melhor, o programa é
realizado em prol de um objetivo maior que é a obtenção de lucros para aqueles que o
produzem, - assim como qualquer outro programa de televisão - e neste ponto o
diferencial do Big Brother não está em seus objetivos, e sim em como estes podem ser
alcançados.
Pois, em se tratando de um reality show, e desta maneira tendo o papel de
representar a vida real através de um programa de televisão, o Big Brother Brasil acaba
não apenas representando uma sociedade – ou uma parcela dela - mas também, além de
identificar suas características, acaba por propagar modos de ser, agir e se apresentar
socialmente, levando ao público uma imagem de status social que só é alcançada
através de certo esforço, nada pequeno.
De qualquer forma, há de se pensar sobre o sucesso do Big Brother Brasil, pois
já são nove temporadas no ar, e para um programa de televisão no qual, não apresenta
informações sobre o bem social, não faz incentivo a bens culturais, não repassa
conceitos de valores sociais, nove edições são muita coisa. Mas enfim, são pessoas
comendo, bebendo, fazendo festa, tomando banho de sol, fofocando, brigando,
dormindo e outras coisas mais, e no fim ainda podem ganhar 1 milhão de reais. Quem
sabe em uma sociedade baseada no consumo, isso realmente seja a única coisa que se
queira ver, ou melhor, ter. Dinheiro, fama, e um corpo bonito como o dos ―artistas‖ da
TV, esta, quem saiba é a ambição maior da sociedade contemporânea.
E no fundo vivemos um abismo entre o que se que ser, e o que se é realmente,
entre o bizarro e o perfeito, e de qualquer forma ambos parecem ter o seu valor em uma
sociedade que trabalha e produz pensando unicamente no consumo, na qual seja no Big
Brother Brasil ou em qualquer outro programa de televisão aberta, valores úteis para o
coletivo acabam não tendo espaço, porque a própria sociedade dá importância a outros
tipos de valores.
E de qualquer maneira, o contrato da Endemol Globo está garantido até 2012, e
até lá, continuaremos a ter como um dos programas televisivos mais relevantes da TV
aberta no Brasil, um programa que tem como maior indicador a completa falta de pudor
da sociedade, a desmoralização do bem particular em algo público, e a violação do
corpo como ferramenta de poder e exposição.
E assim, o que nos cabe citar é que, sendo a proposta inicial desta pesquisa a
de identificar os padrões de beleza envoltos nas representações sociais da sociedade
atual, e no decorrer deste trabalho os objetivos foram sendo moldados até que se
concretizassem na proposta de identificar a existência da temática juventude no discurso
midiático observado tendo como parâmetro tanto o corpo feminino como o masculino.
Podemos dizer com a finalização deste trabalho, que acreditamos ter
alcançado os objetivos anteriormente sugeridos. De tal maneira que a aluna conseguiu
aprender o que era de seu interesse maior, pois seu desejo ao realizar esta pesquisa foi
de certo modo satisfeito. De certo modo, pois, acredita que muitas outras questões
podem ser respondidas e até mesmo pesquisas podem ser feitas, na qual indicações de
estudos futuros seriam, assuntos como o processo histórico da beleza, - sendo este um
material que se mostrou bastante escasso no decorrer da pesquisa – e também a grande
solidez do programa Big Brother Brasil, que permanece há tanto tempo no ar.
Por fim, todo o conhecimento adquirido através desta pesquisa pode ser
atribuído, principalmente, à gratificação que se obtêm com a realização da mesma,
fazendo jus em nível de representações, às possibilidades, às dificuldades, os obstáculos
e aos desafios que se impuseram ao longo do processo de realização de uma pesquisa
como esta.
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ANEXOS
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