BOLETIM INFORMATIVO – ABENFO/SP
Órgão de Divulgação da Associação Brasileira de Obstetrizes e Enfermeiros Obstetras – Seção São Paulo
Congrega Enfermeiros Neonatologistas e Especialistas na Área de Saúde da Mulher e é Vinculada a ABEn
Ano 16 – número 47 – Abril 2012
 EDITORIAL
TOP MATERNAL: PEQUENAS IDEIAS, GRANDES RESULTADOS
As práticas que se seguiram a ampliação do conhecimento sobre as patologias obstétricas
trouxeram inquestionáveis avanços nos cuidados obstétricos e perinatais. Por outro lado, a extrema
medicalização da assistência, justificada por uma concepção que vê a gestação e parto como processos
potencialmente patológicos e carregados de risco, ofuscou os aspectos humanos e emocionais da
experiência de dar à luz.
Como reação a este estado de coisas, medidas estimuladoras da fisiologia do parto foram adotadas,
como banhos, deambulação, o uso de bola e técnicas de relaxamento, que se mostram benéficas e ajudam
a desestimular a adoção de medidas agressivas e muitas vezes danosas a mãe e ao concepto. Por outro
lado, em ambiente institucional, a longa exposição do corpo feminino no trabalho de parto coloca a
parturiente em mais uma situação de vulnerabilidade, sobretudo, em hospitais que treinam médicos e
outros profissionais, como é o caso do Hospital Maternidade Leonor Mendes de Barros (HMLMB). Com esta
preocupação, foi confeccionada uma faixa de tecido confortável, protetora das mamas para ser usada
durante todo o parto, e que recebeu o nome de top maternal.
Após alguns meses de experiência com o uso do top maternal pôde-se perceber que as mulheres,
em sua totalidade, manifestaram bem-estar com o uso da faixa, pelo conforto e preservação do corpo,
aumentando a satisfação com o processo de parturição. Ao mesmo tempo, foi observado que o top
facilitava o aleitamento na primeira hora e o contato pele a pele precoce e prolongado no pós-parto
imediato, favorecendo o cumprimento do quarto “passo para o sucesso do aleitamento materno”. Este
efeito facilitador se evidenciou de maneira global, mas se destacou nas cesarianas, onde é maior a
resistência da equipe no atendimento desta recomendação.
Do ponto de vista científico, há comprovação sobre os benefícios do contato pele a pele e da
amamentação precoce para o sucesso da amamentação. Há inúmeros ganhos, além do aumento do vínculo
mãe-filho e da manutenção da temperatura do recém-nascido, melhorando os resultados maternos e
neonatais. Desta maneira o top maternal tem sido indicado a todas as mulheres em trabalho de parto no
HMLMB, com uso integral no trabalho de parto, parto e pós-parto imediato.
Como o tecido do top contém elastano, há um perfeito encaixe do corpo do bebê ao corpo
materno logo após o nascimento, dispensando a necessidade de um membro da equipe de segurar o
recém-nascido o tempo todo na primeira hora de vida. Com isto, foi possível estimular neonatologistas,
obstetras, auxiliares de enfermagem e enfermeiros a aceitar e defender o uso da novidade. É uma pequena
medida, mas com grande impacto na busca por uma assistência cuidadosa e respeitosa.
Rosemeire Sartori de Albuquerque
Comissão de Educação, Serviços e Legislação ABENFO-SP
 HOMENAGEM
enfermagem para verificar problemas da assistência
obstétrica, em especial nas comunidades indígenas.
Aposentou-se da EEUSP em 1981, mas continuou
atuando intensamente na atenção pré-natal e
planejamento familiar junto a projetos assistenciais.
Participou da Diretoria da Associação Brasileira de
Obstetrizes (ABO) que deu origem à Abenfo. Em
1992-1993 trabalhou com entusiasmo para a
criação da Seção São Paulo, primeira seccional da
Associação Brasileira de Obstetrizes e Enfermeiros
Obstetras. Aqueles que usufruíram de seu convívio
certamente se lembram com saudades da dedicada,
querida e amável Dona Malvina!
MALVINA DE OLIVEIRA RAMOS NETTO
(1917 – 2008)
 SUGESTÕES DE ARTIGOS
Dona Malvina, como era carinhosamente
conhecida, nasceu em uma fazenda em Santa Rosa
de Viterbo (SP), em 03 de fevereiro de 1917 e
faleceu aos 91 anos na cidade de São Paulo, no dia
30 de agosto de 2008. Atuou no ensino primário e
secundário por vários anos, sobretudo na zona
rural. Seu contato com a Obstetrícia se deu quando
lecionava na fazenda dos Matarazzo; a “comadre”
que atendia aos partos, às vezes pedia sua ajuda.
Sua mãe também atendia aos partos dos colonos da
fazenda e os comentários a respeito dos
nascimentos e partos sempre chamaram sua
atenção. Em 1942 formou-se Obstetriz pela Escola
de Obstetrícia anexa à Clínica Obstétrica da
Faculdade de Medicina da USP. No decorrer das
décadas de 1940 a 1960, atendeu a vários partos no
domicílio; à época tinha contato com parteiras
“curiosas” em uma das favelas de São Paulo.
Ingressou no quadro docente da Universidade de
São Paulo em 1966 como Instrutora na Escola de
Obstetrícia. Atuou no Serviço Obstétrico Domiciliar
(SOD), como supervisora de alunas do Curso de
Obstetrícia. No início da década de 1970 houve a
incorporação do Curso de Obstetrícia à Escola de
Enfermagem da USP (EEUSP). Então, dada a sua
formação em Saúde Pública e em Planejamento
Familiar, Dona Malvina foi integrada, como auxiliar
de ensino, ao Departamento de Enfermagem
Médico-Cirúrgica, na área de Enfermagem de Saúde
Pública. Dona Malvina foi pioneira nos estudos, no
ensino e exercício da Enfermagem em
planejamento familiar. Em 1978, obteve o título de
Mestre na EEUSP, defendendo a dissertação:
“Aborto provocado e conhecimentos sobre
planejamento familiar: estudo realizado entre
mulheres de um serviço de saúde materna”. Ainda
como docente da EEUSP foi para o estado do Pará,
no campus da USP em Marabá, com alunas de
Fusco CLB, Souza e Silva R, Andreoni S. Unsafe
abortion: social determinants and health inequities
in a vulnerable population in São Paulo, Brazil. Cad.
Saúde Pública 2012; 28(4):709-719. Disponível em:
http://www.scielo.br/pdf/csp/v28n4/10.pdf
Desigualdades na saúde e aborto inseguro
Súmula: Estudo transversal de base populacional
realizado em uma comunidade de baixa renda em
São Paulo-SP, teve como objetivo estimar a
prevalência de aborto inseguro e identificar
características sociodemográficas associadas a ele e
a sua morbidade. Foram incluídas no estudo 375
mulheres entre 15 a 54 anos que residiam na
comunidade no segundo semestre de 2005 e
primeiro semestre de 2006. O aborto (variável
dependente) foi dividido em 3 categorias: Não
aborto ou somente filhos vivos (NA/LB) aborto
espontâneo (SA) e induzido(IA). As variáveis
independentes foram: idade na primeira relação
sexual, estado civíl na ocasião do primeiro evento;
etnia/cor; estado de origem, religião, trabalho
remunerado/atividade,
renda
per
capita,
escolaridade, número de parceiros sexuais no ano
anterior auto-relatado, o uso de métodos
anticoncepcionais na gravidez relacionada ao
evento; incompatibilidade, ou a diferença entre o
número de crianças nascidas vivas e o número de
auto-relato ideal de filhos (LB – IN). Além destas
variáveis, investigou-se o nível de aceitação do
aborto. Os resultados foram analisados por meio de
regressão logística univariada e múltipla
multinomial. Foi identificado um número elevado
de abortos, 144 abortos em 375 mulheres
correspondendo a uma taxa de prevalência de
24,8%. Os últimos modelos de regressão foram:
idade da primeira relação sexual <16 anos (OR =
4,80); mais de 2 parceiros sexuais no ano anterior
(OR = 3,63); mais crianças nascidas vivas do que a
mulher auto-relatou como número ideal (3,09);
aceitação do aborto devido à insuficiência
econômica (OR = 4,07); etnia negra/cor (OR = 2,67)
e baixa escolaridade (OR = 2,46), todos com p<0,05.
A discussão fundamenta-se nos determinantes
sociais da saúde com base no conceito e modelo
adotado pela OMS e pelas desigualdades na saúde
causados por esses determinantes na ocorrência de
aborto inseguro. O aborto inseguro e características
sociodemográficas
são
influenciados
pelos
determinantes sociais da saúde descritos no estudo,
gerando nesta população de baixa renda vários
níveis de desigualdades na saúde.
Linha púrpura: utilidade clínica na avaliação do
progresso do parto
Shepherd A, Cheyne H, Kennedy S, McIntosh C,
Styles M, Niven C. The purple line as a measure of
labour progress: a longitudinal study. BMC
Pregnancy and Childbirth 2010, 10:54. Disponível
em:
http://www.biomedcentral.com/14712393/10/54
Súmula: Atualmente, o exame vaginal (EV) é
considerado o padrão ouro para avaliação do colo
uterino na determinação do progresso do trabalho
de parto. No entanto, é inerentemente impreciso,
estudos indicam uma precisão global para a
determinação do diâmetro do colo do útero entre
48-56%. Além disso, EVs podem ser desagradáveis,
invasivo e constrangedor para as mulheres, e estão
associados com o risco de infecção. À luz de
crescente preocupação sobre o uso de intervenções
rotineiras no trabalho de parto
devem-se
considerar alternativas, meios menos invasivos de
avaliar a evolução do processo de parto. Tem sido
relatada a presença de uma linha de cor púrpura
durante o trabalho de parto, vista a partir da
margem anal e que se eleva entre as nádegas com a
evolução do parto. Este estudo longitudinal teve
como objetivo avaliar em que percentual de
mulheres a linha púrpura estava presente, clara e
mensurável e determinar se existia relação entre o
comprimento da linha púrpura e a dilatação cervical
e/ou a localização da cabeça fetal na pelve.
Observou-se 144 mulheres em trabalho de parto
espontâneo (n = 112) ou induzido (n = 32) desde a
admissão até o EV final. As mulheres foram
examinadas na posição lateral e obstetrizes
registraram a presença ou a ausência da linha ao
longo do trabalho de parto, imediatamente antes
de cada EV. Quando presente, o comprimento da
linha foi medido utilizando-se uma fita métrica
descartável. Utilizou-se o teste qui-quadrado para
independência da presença da linha púrpura, tipo
de parto e paridade. O teste t para amostras
independentes foi utilizado para comparar o peso
ao nascimento e a duração do trabalho de parto
entre mulheres que apresentaram a linha púrpura e
as que não tiveram. A relação entre a extensão da
linha com a dilatação cervical e a altura da cabeça
fetal foi estudada por meio da análise de
correlação. Esta análise explorou quando a
extensão da linha foi paralela às mudanças tanto na
dilatação cervical como na altura da cabeça fetal. A
linha púrpura foi vista em 109 mulheres (76%).
Houve correlação positiva média entre o
comprimento da linha e a dilatação cervical
(r=0,36, n=66, P=0,0001) e a altura da cabeça fetal
(r=0,42, n=56, p <0,0001). Os autores concluem que
a linha púrpura existe e há uma correlação positiva
entre a média do seu comprimento e a dilatação
cervical e a altura da cabeça fetal. Quando a linha
estiver presente ela pode ser útil para avaliação
clínica do progresso do trabalho de parto, ao lado
de outras medidas. São necessárias mais pesquisas
para avaliar se a medição da linha é aceitável para
as mulheres em trabalho de parto e também para
os profissionais.
 PROGRAME-SE – CURSO ABENFO
SISTEMATIZAÇÃO
DA
ASSISTÊNCIA
ENFERMAGEM NA ATENÇÃO OBSTÉTRICA
DE
Ministrante: Profª. Drª. Rosemeire Sartori de
Albuquerque
Data: 26 de maio de 2012
Horário: 8h30 às 14h30
Local: Escola de Enfermagem da USP
Endereço: Ave. Dr. Enéas Carvalho de Aguiar, 419
São Paulo (SP)
Investimento: Sócio ABENFO – isento. Não sócio –
R$ 60,00. Vagas limitadas
Inscrições antecipadas: www.abenfosp.com.br
 AGENDA
V ENEON - ENCONTRO DE ENFERMAGEM
OBSTÉTRICA E NEONATAL DO ESTADO DO RIO DE
JANEIRO
Data: 23 a 25 de maio de 2012
Local: Escola de Enfermagem Anna Nery/ UERJ
Data limite para envio de trabalho: 10/05/2012
Informações: [email protected]
III
CONGRESSO
DE
INVESTIGAÇÃO
EM
ENFERMAGEM IBERO-AMERICANO E DE PAÍSES DE
LÍNGUA OFICIAL PORTUGUESA
Data: 12 a 15 de junho de 2012
Local: Coimbra – Portugal
Informações: www.esenfc.pt/congressouicisa2012
ou www.esenfc.pt
NICER MIDWIFERY CONFERENCE 2012 - A two day
academic conference focusing on excellence
in contemporary midwifery education and
research
Data: 8 e 9 de setembro
Local: University of Notinghan – United Kingdom
Informações:
http://www.nottingham.ac.uk/midwifery/about/nic
er-midwifery-conference/home.aspx
V CONGRESSO IBERO-AMERICANO DE PESQUISA
QUALITATIVA EM SAÚDE
Data: 11 a 13 de outubro de 2012
Local: Lisboa – Portugal
Informações:
http://www.pesquisaqualitativa2012.com/
CONGRESSO INTERPACÍFICO SOBRE PARTO E
PESQUISA EM SAÚDE PRIMAL
Data: 26 a 28 de outubro de 2012
Local: Hawaii - Honolulu
Informações: www.wombecology.com
Contato: [email protected]
III ENCONTRO INTERNACIONAL DE PESQUISA EM
ENFERMAGEM – Avanços no cuidado, gestão e
política.
Evento Comemorativo - 70 ANOS da Escola de
Enfermagem da Universidade de São Paulo
Data: 29 a 31 de outubro de 2012
Local: Centro de Convenções Rebouças
Endereço: Av. Dr. Enéas Carvalho Aguiar, 23 –
Cerqueira Cesar – São Paulo/SP
Informações:
http://www.ee.usp.br/evento/2012/encontro/suge
stoes.asp
NORMAL LABOUR & BIRTH: 7TH INTERNATIONAL
RESEARCH CONFERENCE
A Conferência visa disseminar evidência de pesquisa
na assistência ao trabalho de parto e parto, para
melhorar as práticas clínicas, educação, gestão,
supervisão e desenho de políticas de obstetrícia e
para futuras pesquisas.
Data: 26 a 30 de outubro de 2012
Local: Hangzhou Normal University – Zhejiang,
China
Informações:
http://hlxy.hznu.edu.cn/index.asp;
http://www.iresearch4birth.eu/iResearch4Birth/res
ources/cms/documents/China_English_flyer.pdf
ICOWHI 19th INTERNATIONAL CONGRESS ON
WOMEN’S HEALTH 2012: Partnering for a Brigther
Gobal Future
Data: 14 a 16 de novembro de 2012
Local: Bangkok – Thailand
Informações:
http://www.ns.mahidol.ac.th/n_web/WomenHealt
h/Call-for-abstract.html
 NOTA
Os interessados em divulgar eventos, opiniões e
reflexões de interesse da Enfermagem Obstétrica
neste Boletim, devem enviar à Comissão de
Divulgação, por e-mail: [email protected]
 AVISO
A ABENFO-SP é uma sociedade civil, sem fins
lucrativos e com filiação facultativa. Para se filiar a
ABENFO é necessário preencher ficha de afiliação e
efetuar pagamento da anuidade do ano vigente. A
ficha de inscrição está disponível no site da
ABENFO-SP.
EXPEDIENTE
Boletim Informativo da Associação Brasileira de
Obstetrizes e Enfermeiros Obstetras, Seção São Paulo.
ABENFO – SP
Rua Napoleão de Barros, 275. Sala 03
Vila Clementino – São Paulo CEP: 04024 – 000
Telefax: (0xx11) 5539 3622
e-mail: [email protected]
Diretoria 2011 - 2013
Presidente: Ruth Hitomi Osava
Vice-Presidente: Sandra Regina A. Neves Cason
1ª Secretária: Nathalie Leister
2º Secretário: Geraldo Mota de Carvalho
1ª Tesoureira: Jaqueline Sousa Leite
2ª Tesoureira: Rita de Cássia S.V. Janicas
Comissão de Educação, Serviços e Legislação:
Rosemeire Sartori de Albuquerque
Comissão de Estudos e Pesquisa: Maria Alice
Tsunechiro
Comissão de Publicações e Divulgação: Olga Aparecida
Fortunato Caron
Conselho Fiscal: Márcia Massumi Okada, Larissa da
Silva Farah e Mitsue Kuroki
Editora Chefe: Isabel Cristina Bonadio
Equipe Editorial: Camilla Alexsandra Schneck, Emilia
Saito, Maria Alice Tsunechiro
Publicação mensal
Acesso gratuito no site ABENFO-SP
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