Perfil de cores: Perfil genérico de impressora CMYK
Composição 175 lpi a 45 graus
100
100
Conto, canto e encanto com a minha história...
95
75
95
75
25
25
5
5
0
0
Guarulhos
Centro de Guarulhos em 1940.
Espaço de Muitos Povos
8
4
9
5
3
1
7
2
100
100
95
75
6
95
1 – Antigo campo do Paulista Esporte Clube, atual Praça Getúlio Vargas; 2 – Atual Rua Capitão Gabriel;
3 – Atual Rua 7 de Setembro; 4 – Atual Rua D. Pedro II; 5 – Atual Rua Felício Marcondes; 6 – Igreja Matriz;
7 – EE Capistrano de Abreu; 8 – Atual Rua João Gonçalves; 9 – Cemitério São João Batista.
25
ISBN 978-85-7673-122-1
5
75
25
5
0
0
9 788576 731221
D:\CIDADES\GUARULHOS\Capa final 2008\Capa Guarulhos elton2009.cdr
terça-feira, 28 de abril de 2009 14:53:13
Copyright © 2008 by Noovha América
GUARULHOS
Espaço de Muitos Povos
Editor Responsável
Nelson de Aquino Azevedo
Coordenador Editorial
Jefferson Pereira Galdino
Organizadores do Livro
Elton Soares de Oliveira, Maria Cláudia Vieira Fernandes, Gláucia Garcia de
Carvalho, Elmi El Hage Omar, Benedito Antônio Genofre Prézia, Sandra Emi
Sato, William de Queiroz, Márcio Roberto Magalhães de Andrade, Antônio
Manoel dos Santos Oliveira, Lúcia de Jesus Cardoso Oliveira Juliani, Edson
José de Barros, José Elmano de Medeiros Pinheiro, Caetano Juliani e Vagner
Carvalheiro Porto.
Diagramação, Tratamento de Imagens e Capa
Jefferson Pereira Galdino
Mapas
William de Queiroz – Laboratório de Geoprocessamento – UnG
Cesar Cunha Ferreira
Fotografias
Maria Cláudia Vieira Fernandes, Márcia Pinto, Alexandre de Paula,
Elton Soares de Oliveira, João Machado, Aparício Reis (Índio), José Maria Muniz
Ventura, Levi da Silva, acervo de Isabel Borazanian, Gláucia Garcia de Carvalho,
acervo da Casa de Cultura Paulo Pontes, Massami Kishi, acervo do Grupo
Literário Letra Viva, acervo da Prefeitura Municipal de Guarulhos e Arquivo
Histórico de Guarulhos.
Revisão
Arte da Palavra
Sirlene Francisco Barbosa
Agradecimentos
A todos que colaboraram com a cessão de dados e fotos para esta publicação,
especialmente a Maria Genaina de Almeida Reder, Terezinha Missawa
Camurça e Marco Raczka.
www.guarulhostemhistoria.com.br
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)
Guarulhos: espaço de muitos povos. – 2a ed. – São Paulo:
Noovha América, 2008. – (Série conto, canto e encanto com
a minha história...)
Vários organizadores
Vários fotógrafos
Bibliografia
ISBN 978-85-7673-122-1
1. Guarulhos (SP) – História – Literatura infanto-juvenil
I. Série.
08-11628
CDD-028.5
Índices para catálogo sistemático:
1. Guarulhos: São Paulo: Estado: História:
Literatura infanto-juvenil
028.5
2. Guarulhos: São Paulo: Estado: História:
Literatura juvenil
028.5
2a Edição – 2008
Todos os direitos desta edição reservados à
Noovha América Editora Distribuidora de Livros Ltda.
Rua Monte Alegre, 351 – Perdizes
São Paulo/SP – CEP 05014-000
Telefax: (0xx11) 3675-5488
Site: www.noovhaamerica.com.br
E-mail: [email protected]
2
Espaço de Muitos Povos GUARULHOS
Este livro chega no momento em que os moradores de Guarulhos anseiam por conhecer a história local, preservar suas tradições culturais e cuidar
do meio ambiente.
Período ímpar na história, quando surgem falas
que reivindicam ações de fortalecimento da
autoestima das populações locais, em face ao fenômeno massificado da globalização.
Certamente, a divulgação da história, a promoção da cultura e da educação, por exemplo, são fatores que fortalecem o reconhecimento das pessoas.
Ao resgatar o papel da história como elemento
identitário, esta publicação se reveste de grande
valor humanitário, prestando enormes serviços para
a educação e o aprendizado de nossas crianças, jovens, adultos e para o município como um todo.
Lembramos que em 2010 Guarulhos fará 450
anos de sua fundação e os conteúdos desta publicação, nas áreas de história natural, história social,
aspectos geográficos e culturais, serão de grande
valia para as reflexões no aniversário da cidade.
Com frequência, ouvimos dizer que o brasileiro
não tem memória e não valoriza a história.
Contrariando o senso comum, assumimos o
compromisso de resgatar e divulgar os fatos que nos
dizem respeito, oferecendo, especialmente às nossas crianças e jovens, a oportunidade de se apropriarem do conhecimento histórico local.
Certamente, as ações que desenvolvemos hoje
serão o legado que deixaremos para as gerações vindouras.
Este trabalho traz consigo a mensagem de que
cada pessoa é responsável pela história e que está
em nossas mãos compreender o presente e o passado
e construir um mundo melhor.
Dedicamos este trabalho à memória de bravos
homens e mulheres que por aqui passaram, viveram
e ajudaram a construir o município de Guarulhos e
também para os que hoje dão continuidade a esse
trabalho e transformam Guarulhos em uma cidade
mais humana, lembrando que nosso cenário urbano
guarda o que temos de melhor: nossa gente, sua
cultura e sua história.
Prefeitura Municipal de Guarulhos
Secretaria Municipal de Educação
3
GUARULHOS Espaço de Muitos Povos
Vista parcial do centro antigo e da Praça Getúlio Vargas, na década de 1950.
Praça Getúlio Vargas, Rua Felício Marcondes, em 2008.
4
Espaço de Muitos Povos GUARULHOS
Antiga Igreja da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos –
Rua D. Pedro II, igreja demolida no final da década de 1920.
Sumário
Introdução .......................................................................................................................... 7
Capítulo 1 – Aspectos Físicos e Naturais ........................................................................................ 9
Capítulo 2 – Formação Socioeconômica ...................................................................................... 23
Capítulo 3 – Mudanças Políticas e Administrativas..................................................................... 51
Capítulo 4 – Circuitos Turísticos – Patrimônios Culturais e Ambientais ............................... 57
Capítulo 5 – Guarulhos – Diversidade Cultural e Religiosa ..................................................... 85
Capítulo 6 – Retrospectiva Histórica ............................................................................................. 97
Capítulo 7 – Sistema de Transportes e Rodovias ......................................................................111
Capítulo 8 – Esporte e Lazer .........................................................................................................115
Capítulo 9 – Educação ....................................................................................................................117
Capítulo 10 – Símbolos Municipais ................................................................................................119
Capítulo 11 – Os Três Poderes ........................................................................................................121
Referências Bibliográficas ...................................................................................................................127
5
GUARULHOS Espaço de Muitos Povos
MINERAÇÃO DE OURO – INÍCIO DA EXPANSÃO URBANA DA CIDADE DE GUARULHOS
Fonte: Instituto Geográfico e Geológico – IGG/Secretaria de Agricultura do Estado de São Paulo, 1950.
6
Espaço de Muitos Povos GUARULHOS
Aldeia de tapuias. Johann Moritz Rugendas.
Introdução
G
uarulhos constituiu-se como aldeia indígena por volta de 1560, mas seu nome, sua
data de fundação e até mesmo o nome do padre fundador são alvos de polêmica. Pesquisas
iniciais apontavam os nomes dos padres João Álvares, Manuel de Paiva e Manuel Viegas como
possíveis fundadores. Em 1983, a Câmara Municipal votou a Lei no 2.789/83, oficializando o
nome do padre Manuel de Paiva como o fundador de Guarulhos.
A criação da aldeia de Nossa Senhora da Conceição, atual cidade de Guarulhos, esteve vinculada, desde o início, à Vila de São Paulo de Piratininga. A iniciativa dos colonizadores portugueses ao fundarem várias aldeias indígenas em São Paulo visava controlar o espaço para impedir a
passagem dos espanhóis que rumavam, por terra, em direção às minas de ouro e prata de Potosí,
na Bolívia, e também para a proteção contra os ataques dos indígenas Tamoio.
Em 1675, nas terras de São Paulo, a aldeia de Nossa Senhora da Conceição foi elevada à
condição de distrito; dez anos depois, em 8 de maio de 1685, passou à categoria de freguesia.
Apenas em 24 de março de 1880 foi elevada à condição de vila, emancipando-se de São Paulo,
ocasião na qual teve seu nome abreviado para Conceição de Guarulhos. A atual denominação,
por sua vez, foi assumida em 6 de novembro de 1906, quando ganhou o estatuto de cidade.
Fundação de São Vicente. Obra de Benedito Calixto.
7
GUARULHOS Espaço de Muitos Povos
A origem do topônimo Guarulhos está intimamente relacionada
aos primitivos habitantes do território. Os Maromomi foram os primeiros povoadores do lugar; expulsos do litoral paulista pelos Tupi,
chegaram à região por volta de 1400 da era cristã; eram nômades e
viviam da caça, da pesca e da coleta de frutos. Os Maromomi pertencem à família dos indígenas Puri e ao tronco linguístico Macro-Jê. Em contato com os colonizadores, foram escravizados e, a
partir de 1640, passaram a ser chamados de Guarulhos. Entre
1560 e 1623, Guarulhos era chamada de Nossa Senhora da Conceição dos Maromomi.
No ano em que Guarulhos completou 448 anos de fundaIndígena Puri, aparentando
ção, foram observados pelo menos cinco aspectos para com- aos Maromomi. Ilustração de
Rugendas.
preender sua história: seu passado geológico; os primeiros habitantes; os colonizadores portugueses; os imigrantes europeus,
árabes e asiáticos e o
êxodo rural brasileiro.
Tudo isso somado nos
fará entender a história da
cidade, que muito tem a
revelar. Além disso, também cruzaremos informações sobre economia
e globalização com os
acontecimentos locais.
Este livro descortinará o véu sobre nosso
passado e nos fará entender o nosso presente.
Apresentará nossa cultura e os costumes de nosso povo, que muito se
orgulha de ser o 13o município do País em número de habitantes e a primeira não capital no
ranking das 100 maiores
cidades do Brasil.
Mapa com divisão do
território brasileiro em
Capitanias Hereditárias.
8
Espaço de Muitos Povos GUARULHOS
1
Serra do Itaberaba – Pico do Gil, com 1.438 metros de altitude.
Aspectos Físicos e Naturais
RECURSOS NATURAIS
Da economia natural à exploração econômica comercial, a existência de recursos naturais é
essencial para a fixação de grupos humanos e para o estabelecimento de atividades produtivas e
comerciais. Guarulhos apresenta grandes faixas de terras de baixa qualidade para agricultura,
porém possui muitas riquezas minerais em seu subsolo. Um estudo mineralógico da Secretaria
Estadual de Agricultura de São Paulo indica a existência de ouro, pedras, areia, argila (ocre,
amarela e vermelha), caolim, quartzito, granito, ardósia e argila refratária. Em sua parte de baixadas
encontram-se as terras mais férteis para atividades agropastoris.
A história da cidade seria diferente se os recursos naturais fossem outros. Os seres humanos,
em sua relação com o meio ambiente, constroem riquezas e desenvolvem habilidades a partir da
disponibilidade da natureza. Nesse sentido, Guarulhos é um espaço territorial privilegiado em
recursos naturais, fato que possibilitou a existência de quatro ciclos econômicos correspondentes
ao processo de povoamento e expansão territorial urbana.
Palacete Vila Borghese, localizado na Serra da Cantareira, bairro Cabuçu,
construído pelo banqueiro paulista Aquiles Lima em data ainda desconhecida,
certamente antes de 1960.
9
GUARULHOS Espaço de Muitos Povos
LOCALIZAÇÃO GEOGRÁFICA
Guarulhos está situada ao nordeste da Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) e fica
a 17,7 quilômetros do centro da Capital. Dentre os 39 municípios dessa região, é apontada
pelo IBGE como uma cidade industrial. Com
320 quilômetros quadrados, é um município relativamente pequeno. Guarulhos tem como limites Mairiporã e Nazaré Paulista (N), Santa
Isabel (NE), Arujá (E), Itaquaquecetuba (SE)
e São Paulo (S, SW, W e NW).
No município, o Sol e a Lua nascem no
lado dos bairros de Morro Grande, Bonsucesso e Aracília, na zona leste, e põem-se no
lado dos bairros de Vila Galvão, Jardim Vila
Galvão e Itapegica, na zona oeste. Os bairros de Cabuçu de Cima, Tanque Grande e
Capelinha estão na zona norte e os bairros
de Jardim Nova Cumbica, Pimentas e Itaim
na zona sul.
Parque Estadual da Cantareira –
Cachoeira Cabuçu, Guarulhos, 2008.
Guarulhos localiza-se sobre a área de transição entre as zonas tropical e temperada. O Trópico de Capricórnio corta o município em duas
partes, de oeste a leste (WE), sentido Vila Galvão
– Morro Grande. O município situa-se entre os
paralelos 23º16’23" e 23º30’33" de latitude sul, e
entre os meridianos 46º20’06" e 46º34’39" de longitude oeste, ou seja, o município encontra-se na
Laboratório de Geoprocessamento – UnG.
CIDADES CIRCUNVIZINHAS AO MUNICÍPIO DE GUARULHOS
10
Espaço de Muitos Povos GUARULHOS
Rio de Janeiro e Minas Gerais), Guarulhos atraiu
para seu território empreendimentos de alto impacto, o que possibilitou o desenvolvimento regional e sua inserção no modo de produção capitalista no período colonial e contemporâneo.
foto de Plínio Thomaz, de 1969.
latitude do Trópico de Capricórnio (23º27’S), que
o cruza na altura do quilômetro 215 da Via
Dutra.
Estrategicamente posicionada no centro do
principal eixo econômico do Brasil (São Paulo,
Represa Tanque Grande,
reservatório afetado pela seca de
1969.
Represa Tanque Grande, construída em 1958.
Foto de 2007.
Laboratório de Geoprocessamento – UnG.
REGIÃO METROPOLITANA DE SÃO PAULO
11
GUARULHOS Espaço de Muitos Povos
HIDROGRAFIA
Laboratório de Geoprocessamento – UnG.
Guarulhos, assim como os outros municípios da RMSP, depende de recursos hídricos limitados, considerando a grande demanda relativa à região, que possui a economia mais ativa do
País, e sua localização na região das nascentes que
formam a Bacia do Rio Tietê. Desta forma,
Guarulhos possui quantidades de água superficial e subterrânea que não alcançam 10% das necessidades locais, dependendo do fornecimento
dos sistemas produtores Cantareira e Alto Tietê,
que captam a água em regiões distantes. Os principais rios são o Tietê, o Baquirivu-Guaçu e o
Cabuçu de Cima, sendo este último o único com
a nascente em Guarulhos. As águas nas regiões
de nascentes e mananciais são de boa e ótima
qualidade, como no caso das represas do Cabuçu
e do Tanque Grande.
Estudos hidrogeológicos revelam a existência
de significativos reservatórios de água no subsolo,
especialmente na região sul do território, onde a
geologia é sedimentar e reconhece-se o Aquífero
Cumbica, como é o caso dos bairros ao longo da
Rodovia Dutra, próximos ao centro, ao aeroporto, ao Jardim Presidente Dutra e a Cumbica.
Os corpos d’água passam a ter péssima qualidade quando atravessam áreas urbanizadas,
principalmente devido ao lançamento de
efluentes poluidores. Em 2007, a Prefeitura
anunciou que seriam iniciadas obras para tratamento de parte do esgoto.
Na paisagem da cidade destacam-se os cursos d’água Piracema, Pedrinhas, Canal de
Circunvalação, Itapegica, São João, Queromano, Cavalos, Cubas, Japoneses, Cocaia, Taboão,
Invernada (ou Cachoeirinha), Capão da Sombra, Água Suja, Tanque Grande, Lavras, Guaraçau, Taboão (Aracília), Água Chata, Moinho
Velho, Baquirivu-Mirim, Cocho Velho, Parati-Mirim, Popuca e Botinha. Alguns deles deságuam nos rios Baquirivu-Guaçu e Cabuçu de
Cima, outros diretamente no Rio Tietê, que é o
destino final das águas drenadas das áreas urbanas de Guarulhos.
Parte do município, em zona rural, ainda
apresenta relação com a Bacia Hidrográfica do
Rio Paraíba do Sul, como é o caso dos ribeirões
Tomé Gonçalves e Itaberaba e dos córregos
Jaguari e Morro Grande, ambos no bairro do
Morro Grande.
12
Espaço de Muitos Povos GUARULHOS
O Rio Tietê percorre o Estado de São Paulo
de leste a oeste. Nasce em Salesópolis, na Serra
do Mar, a 840 metros de altitude e 22 quilômetros distante do Oceano Atlântico. Como não consegue vencer os picos rochosos rumo ao litoral,
ao contrário da maioria dos rios, que correm para
o mar, o Tietê segue para o interior, atravessa a
Região Metropolitana de São Paulo e percorre
1.100 quilômetros até o município de Itapura,
em sua foz no Rio Paraná, na divisa com o Mato
Grosso do Sul.
Nessa jornada sinuosa, banha 62 municípios
ribeirinhos e seis sub-bacias hidrográficas (Alto
Tietê, Sorocaba/Médio Tietê, Piracicaba/Capivari,
Jundiaí, Tietê/Batalha, Tietê/Jacaré e Baixo Tietê),
uma das regiões economicamente mais ricas do
hemisfério sul. Embora seja apenas um filete de
água em Salesópolis, recebe a vazão de quase 30
pequenos afluentes e vai se tornando um rio volumoso, com uma longa série de corredeiras e cachoeiras.
Com grande importância histórica como via de
penetração do povoamento, foi, durante muito tempo, a única estrada para o interior do Brasil, servindo
de caminho para os bandeirantes, que o percorriam
em busca de ouro, índios e novas terras.
Nesse contexto socioeconômico, o Rio Tietê
desde os primórdios da colonização interagiu
com o processo histórico e com a expansão territorial urbana de Guarulhos. No cenário da colonização portuguesa é muito provável que tenha sido a via de acesso para as descobertas
das minas de ouro no Ribeirão das Lavras. No
início do ciclo do tijolo, foi o mais importante
corredor de transporte das olarias e dos portos
de areia para atender a demanda da construção civil de São Paulo. Funcionava como
hidrovia. Em uma das citações historiográficas
sobre Guarulhos, consta que o padre Manuel
de Paiva navegou, em 1560, sobre o Rio Anhembi, antigo nome do Rio Tietê.
Atualmente, é utilizado, em algumas regiões,
como rio de navegação, já que as construções de
várias barragens e eclusas regularizaram seu curso. As barragens também foram aproveitadas para
a construção de usinas hidrelétricas, que fornecem energia ao Estado de São Paulo.
Laboratório de Geoprocessamento – UnG.
Rio Tietê: interface com Guarulhos
CLIMA
RELEVO
O município de Guarulhos apresenta um
clima subtropical úmido, com temperatura média anual entre 17 ºC e 19 ºC; umidade relativa
do ar média anual de 81,1%; precipitação pluviométrica anual média de 1.470 mm e ventos
dominantes SE-NO-E-O. (Dados cedidos pelo
Ministério da Aeronáutica – Divisão de
Meteorologia.)
A topografia da cidade está expressa na sua
paisagem. O município de Guarulhos está localizado no Planalto Atlântico, possui grandes
baixadas e picos elevados com mais de 1.000
metros de altura, onde as altitudes variam entre: máxima de 1.438 metros, ao norte, na Serra do Itaberaba (Pico do Gil); média de 850
metros; e mínima de 660 metros, na foz do
13
GUARULHOS Espaço de Muitos Povos
Laboratório de Geoprocessamento – UnG.
Córrego Jaguari, divisa com Arujá e
Santa Isabel. A parte mais acidentada
2
fica no norte, junto aos limites com
Mairiporã e Nazaré Paulista.
1
Podemos observar na região norte do município que os morros e montanhas são formados por rochas de origem pré-cambriana (grupos São RoCentro de Guarulhos em 1959.
que e Serra do Itaberaba), tendo como 1 – Atual Rua João Gonçalves; 2 – Cemitério São João
destaques as serras da Cantareira e do
Batista, antes da construção da biblioteca.
Itaberaba.
Já ao sul, onde encontramos o centro e os bairros mais ocupados da cidade, percebemos
que o relevo é formado por colinas, cujas elevações não passam de 40 metros de altitude, e
planícies, que são áreas muito baixas sujeitas às inundações dos rios Tietê, Cabuçu de Cima e
Baquirivu-Guaçu. As colinas são formadas por sedimentos terciários e as planícies por aluviões
quaternários.
14
Espaço de Muitos Povos GUARULHOS
Laboratório de Geoprocessamento – UnG.
Guarulhos – Bairros
15
GUARULHOS Espaço de Muitos Povos
VEGETAÇÃO
A paisagem antiga de Guarulhos era totalmente coberta por vegetação arbórea, arbustiva
e herbácea. Era formada por vegetação florestal, compreendendo a Mata Atlântica; arbustiva
ou cerrados e cerradinho; herbácea de campos e
várzea, junto aos rios.
O uso rural, a mineração e a crescente urbanização da cidade mudaram quase totalmente a
situação inicial, restando em maior quantidade
a floresta tropical na região serrana, onde predominam a mata secundária, havendo apenas
no Núcleo Cabuçu do Parque Estadual da Cantareira a presença de mata primária, e extensas
áreas de campos antrópicos.
Com o crescimento da cidade, restou apenas a vegetação da Serra da Cantareira, a maior
mata nativa que sobrevive dentro do município. A Reserva Estadual da Cantareira possui
uma área de 5.674 hectares, dividida entre a
zona norte da Capital, parte de Guarulhos,
Mairiporã e Franco da Rocha. É formada por
florestas latifoliadas tropicais, onde vivem
Araucária, proximidades da
Represa Cabuçu.
serelepes, nhambus, tucanos e outros animais.
Quase um terço da extensão do município é
composto por áreas de proteção aos mananciais, fontes ou nascentes e reservatórios de
água que são protegidos por lei.
Casa da Candinha – Serra do Bananal, futuro Centro de Preservação da Memória e Cultura Negra.
16
Espaço de Muitos Povos GUARULHOS
RESERVAS ECOLÓGICAS
Foto de Cícero Felipe Guarnieri Ribeiro.
O município de Guarulhos participa da Reserva da Biosfera do Cinturão Verde de São Paulo (RBCV), outorgada pela Unesco como patrimônio mundial. A RBCV fornece serviços
ambientais importantes para o controle das ilhas
de calor, redução de enchentes, poluição atmosférica e produção de água para Guarulhos por
meio dos seus mananciais da Represa Cabuçu e
Tanque Grande.
Represa Cabuçu.
Trilha do Tapiti – Parque Estadual da Cantareira, Guarulhos, 2008.
17
GUARULHOS Espaço de Muitos Povos
Dados Gerais do Município
Aniversário da cidade (fundação): 8 de dezembro.
Distrito: 1675.
Criação da freguesia: 1685 – Denominação da
época: Nossa Senhora da Conceição dos Guarulhos.
Criação da vila: Lei no 34, de 24 de março de 1880 –
Denominação da época: Conceição de Guarulhos.
Alteração do nome: a Lei no 1.021, de 6 de novembro de 1906, altera o nome para a denominação atual,
Guarulhos.
Santa Padroeira: Nossa Senhora da Conceição.
Distrito Jardim Presidente Dutra: foi criado pela Lei
no 3.198, de 23 de dezembro de 1981, com sede no
bairro do mesmo nome, em território desmembrado do
distrito sede do município de Guarulhos.
Prefeito atual: Elói Alfredo Pietá (PT).
Área: 320 km2 (Seade).
População: 1.236.192 (Fonte: IBGE, 2007).
Marco Zero: Praça Tereza Cristina.
Distâncias: São Paulo – 17,7 quilômetros; Atibaia – 67
quilômetros; São José dos Campos – 75 quilômetros; Rio
de Janeiro – 411 quilômetros; Belo Horizonte – 570 quilômetros; Brasília – 1.050 quilômetros; Santos (Porto) –
90 quilômetros; São Sebastião (Porto) – 183 quilômetros.
Rodovias: Presidente Dutra (BR-116); Fernão Dias (BR381); Ayrton Senna (SP-70); Hélio Smidt (SP-19/BR-610);
Vereador Francisco de Almeida (SP-36).
Avenidas: Guarulhos; Dr. Timóteo Penteado; Brigadeiro
Faria Lima; Tiradentes; Presidente Juscelino Kubitschek;
Papa João Paulo I; Santos Dumont; Monteiro Lobato; Emílio
Ribas; Salgado Filho; Octávio Braga de Mesquita; Jamil
João Zarif; Presidente Tancredo Neves; Antônio de Souza;
Júlio Prestes; Benjamim Harris Hunnicult; Anel Viário, que
liga a Vila Galvão ao Parque Cecap e engloba a Av. Pres.
Humberto de Alencar Castelo Branco e parte da Av. Guarulhos. Esta via foi construída no local onde passava a
E.F. Sorocabana (ramal Guarulhos), conhecida como
“Trenzinho da Cantareira”; Av. Pedro de Sousa Lopes,
Marginal Baquirivu e Av. Silvestre Pires de Freitas.
Densidade demográfica: 3.857,08 hab/km².
Latitude do distrito sede do município: 23º16’23”
e 23º30’33” sul.
Longitude do distrito sede do município: 46º20’06”
e 46º34’39” oeste.
Limites: ao norte com Mairiporã e Nazaré Paulista; nordeste com Santa Isabel; ao leste com Arujá; ao sudeste
com Itaquaquecetuba; a sul, sudeste, oeste e noroeste
com São Paulo.
Altitudes: máxima – 1.438 metros, no Espigão da Serra
do Itaberaba (Pico do Gil); média – 759 metros; mínima – 660 metros, localizada na foz do Ribeirão Jaguari
e com o Rio Jaguari, nas divisas de Guarulhos, Santa
Isabel e Arujá; sede – 773,14 metros.
Estrada Bonsucesso, em Itaquaquecetuba.
Estradas: do Cabuçu, David Corrêa, do Recreio, Ana Diniz,
Tanque Grande ou Saboó, do Sacramento, dos Veigas, do
Morro Grande, Albino Martello, do Capuava, Ary Jorge
Zeitune, das Lavras, Água Chata, Guarulhos-Nazaré, Estrada Velha de Bonsucesso (no bairro Cumbica, Lavras e
Parque Piratininga e nos municípios de Itaquaquecetuba e
Mogi das Cruzes), Estrada Velha do Cabuçu, no bairro da
Ponte Grande, Estrada da Parteira, Estrada da Conceição,
na Vila Sabrina, município de São Paulo.
Adjetivo pátrio: guarulhense.
DDD: 11.
Estação Guarulhos em meados de 1930.
18
Espaço de Muitos Povos GUARULHOS
PASSADO GEOLÓGICO DE GUARULHOS
VULCÕES, TERREMOTOS E MAR
Quando andamos pela cidade raramente
prestamos atenção nas formas topográficas do
local que nos cerca e, geralmente, não vemos
mais os rios e suas encostas. Quase tudo se tornou urbano.
A Terra se formou há aproximadamente 4,5
bilhões de anos, quando nem os continentes
nem os oceanos hoje conhecidos existiam. A
superfície do planeta era tão quente, devido às
atividades vulcânicas e aos impactos de meteoritos, que a água não podia nem se condensar
na superfície para formar rios, lagos e oceanos.
19
GUARULHOS Espaço de Muitos Povos
É interessante obserDurante a evolução
var que as rochas, quangeológica da Terra, contido submetidas a condinentes inteiros surgiram e
ções de pressão e tempeforam destruídos por váratura como estas, são
rias vezes e, assim, as fordobradas como um pamas dos continentes que
pel, sem que se quebrem;
hoje conhecemos são geomuitos registros desse
logicamente recentes.
metamorfismo, suas doNa região de Guarubras e seus minerais polhos o evento geológico
dem ser vistos nos arrereconhecido mais antigo
dores de Guarulhos.
corresponde ao desenAssim, Guarulhos,
volvimento de muitos
nesta época, era como
vulcões, que resultou na
os Andes são hoje,
formação de derrames de
uma grande cadeia de
lavas há pouco mais de
Fumarola
vulcânica
de
fundo
oceânico.
montanhas, com mui1,5 bilhão de anos. Mas
essas lavas formaram-se no fundo de um ocea- tos vulcões e terremotos. Acalmados esses
no profundo, ou seja, para passar naquela épo- eventos ao longo de milhões de anos, a eroca por onde hoje é Guarulhos, somente com são causada pelas chuvas, ventos, geleiras e
um barco. A formação deste oceano deveu-se rios por milhares de anos foi desgastando as
à quebra e à separação de um grande conti- montanhas, levando os materiais erodidos penente que hoje não mais existe, e as partes re- los rios até lagos e mares.
As chuvas torrenciais levavam grande quansultantes afastaram-se uma da outra, como hoje
ocorre com a América do Sul e a África, sepa- tidade de pedras, lama e areia das partes mais
radas pelo Oceano Atlântico. Nesse antigo oce- altas, acima das escarpas das falhas, para a parte
ano, onde hoje está Guarulhos, havia muitos afundada, chamada de bacia sedimentar, geranvulcões. As rochas formadas nesses vulcões es- do, inicialmente, grandes escorregamentos,
tão hoje distribuídas principalmente no sopé cujos depósitos foram retrabalhados por rios,
da Serra do Itaberaba (ou do Gil), em Guaru- com lagos, pântanos, florestas e matas entre eles.
Hoje, nas partes mais altas, esses materiais,
lhos, mas podem também ser observadas
mais para nordeste e para sudoeste, até a re- sedimentos do período Terciário, já foram remogião de Araçariguama, perto do município de vidos pela erosão, estando preservados quase que
São Roque. Entretanto, com as mudanças que exclusivamente nas baixadas.
Como o tempo geológico não para, hoje
ocorreram no interior da Terra, esses continentes inverteram seu movimento de distan- podemos ver os rios erodindo as encostas e
ciamento e passaram a deslocar-se um em espraiando-se, e as lagoas – aquelas que ainda
direção ao outro. Isso ocorreu há cerca de não foram preenchidas com entulhos – entre
1,2 bilhão de anos, gerando zonas de sub- eles, na região de Guarulhos. O maior exemplo
dução, processo geológico no qual o fundo é o Rio Tietê, que originalmente tinha um trado oceano penetra a Terra, quando se formou çado cheio de curvas e hoje está muito alterado
um arco de ilhas (como o Japão dos dias de pelas obras de engenharia, com uma planície forhoje), com grandes vulcões na superfície e no mada por sedimentos recentes, conhecidos
como aluviões.
fundo do mar, e com grandes terremotos.
20
Espaço de Muitos Povos GUARULHOS
O contorno do relevo atual da cidade remonta a aproximadamente 60 milhões de
anos atrás. Nesta época, a região do Aeroporto de Cumbica sofreu um grande afundamento, configurando o formato atual do município.
21
GUARULHOS Espaço de Muitos Povos
22
Espaço de Muitos Povos GUARULHOS
2
Soldados com índios. Jean Baptiste Debret.
Formação Socioeconômica
D
e uma aldeia indígena coletora a uma cidade industrial. O que ocorreu para que
houvesse tamanha transformação? A mudança principal ocorreu no modo de organização social,
que passou de uma sociedade nômade para a sedentária. Os primeiros habitantes, os Maromomi,
eram nômades, viviam da pesca, da caça e da coleta de frutos; o tempo de permanência em um
local era determinado pela colheita.
Uma cidade industrial caracteriza-se por um tipo de organização social sedentarizada, que
possui habitações e atividades econômicas fixas. Guarulhos atualmente possui características
essencialmente urbanas: concentração densa de população e farta infraestrutura – rede de fornecimento de água, coleta de esgoto, gás, eletricidade, telefonia, transporte, escolas, postos de
saúde, áreas de lazer, vias de acesso, praças, moradias etc. Qual o caminho percorrido?
Divulgação: Prefeitura de Guarulhos.
EVOLUÇÃO DO VALOR ADICIONADO FISCAL 2000 – 2005,
SETORES ECONÔMICOS (EM BILHÕES DE REAIS)
Fonte: Secretaria Estadual de Negócios da Fazenda (2006).
23
GUARULHOS Espaço de Muitos Povos
O processo de urbanização e expansão territorial da cidade começou com o ciclo do ouro. A
mineração concentrou a força de trabalho na região da Serra do Itaberaba, de Bananal, Tanque
Um dos canais de garimpo de ouro do
Ribeirão das Lavras.
Grande e Lavras. Passado o ciclo do ouro, aconteceu a ocupação das várzeas da cidade para produção de tijolos cozidos, atividade situada próxima aos rios Tietê, Baquirivu-Guaçu e Cabuçu de
Cima. A grande expansão da cidade veio com a
consolidação do processo industrial.
Quanto ao povoamento do município,
pode-se verificar a presença indígena, dos colonizadores portugueses, de etnias africanas, de
imigrantes europeus, árabes, asiáticos e dos próprios trabalhadores rurais brasileiros. Atualmente, mais de 40 etnias habitam o município de
Guarulhos.
INDÍGENAS MAROMOMI
OS PRIMEIROS HABITANTES
DE GUARULHOS
Os primeiros habitantes do território foram
os indígenas Maromomi, um povo pertencente à
família Puri, do tronco linguístico Macro-Jê, que
eram nômades. A família Puri ocupava o imenso
território entre a Serra do Mar, o Vale do Rio
Paraíba do Sul e a Serra da Mantiqueira.
Os Maromomi passaram a frequentar a região de Guarulhos por volta do ano 1400 da
era cristã, após serem expulsos do litoral
paulista pelos indígenas de língua tupi-guarani.
Segundo os registros, esses indígenas eram hábeis andarilhos, troncudos, muito fortes e de pequena estatura, o que lhes dava uma aparência
um tanto distinta dos Tupi.
Uma família de indígenas Puri em viagem às
margens do Paraíba, outubro de 1815.
Gravura de Maximilian Alexander Philipp.
Trecho da certidão de aldeamento de índios – 1721-1810.
Arquivo Público do Estado de São Paulo.
24
Espaço de Muitos Povos GUARULHOS
Os Maromomi são citados por todos os área situada entre a margem do Rio Paraíba
pesquisadores da História de Guarulhos, po- do Sul, os municípios de São João da Barra,
rém são ilustres desconhecidos. Estudo recen- Itaperuna, Cambuci, São Fidélis e o Estado
te feito por Benedito Prézia, linguista douto- do Espírito Santo. Outra hipótese possível é
rado pela Universidade de São Paulo, traz con- que, com o advento da mineração de ouro
tribuições das mais importantes para se conhe- em Guarulhos, em 1602, o governador-geral
do Brasil, d. Francisco de Sousa, trouxe para
cer a nação Maromomi.
Os Maromomi eram nômades e viviam da as minas de ouro paulistas 200 índios do Escaça, da pesca e coleta de frutos. A partir de pírito Santo. Das minas de ouro paulistas fa1640, aproximadamente, os colonizadores ziam parte as de Guarulhos, descoberta feita
por Afonso Sardiportugueses passaram a chamá-los de
nha, em 1597.
Guarulhos, possivelmente devido à
Os Maromomi
semelhança física e cultural com os
não praticavam a agriculparentes que habitavam o litoral
tura, pois eram coletores.
norte do Rio de Janeiro, na freMantinham-se com a coleta do
guesia de Santo Antônio
pinhão, da castanha da sapucaia
de Guarulhos. O terrie do mel silvestre, além da caça
tório dos Guarulhos
Fruto
da
sapucaia.
e da pesca.
compreendia toda a
25
GUARULHOS Espaço de Muitos Povos
Foto Eduardo Cesar – Pesquisa Fapesp 112, junho de 2005.
Viviam em pequenos grupos, deslocando-se de acordo com a extração das frutas e morando em abrigos provisórios (tapuísas). Por
isso, esses grupos coletores e, posteriormente,
os que não falavam a língua tupi, foram chamaPinhões, frutos
dos de Tapuia. Não usavam redes, preferindo dormir no chão, sobre
folhas. Há registros de um contingente de aproximadamente 3 mil Maromomi nas imediações
de São Paulo.
Os missionários tentaram aldeá-los, mas
houve muita resistência. Os poucos que foram
levados para as missões fugiram, pois não se
acostumaram com uma vida sedentária.
Mesmo assim, os paulistas tentaram escravizá-los. Com o abandono das missões, o que
hoje é a cidade de Guarulhos se transformou em
uma vila portuguesa. Frente à escravização, os Maromomi tiveram três atitudes: aceitar como um mal
inevitável, reagir de forma
violenta ou fugir para o
sertão. Muitos reagiram de
forma violenta e várias reda araucária.
voltas ocorreram: em
1652, atearam fogo na fazenda de João Sutil de
Oliveira; oito anos depois, em 1660, a Câmara
de São Paulo registrou uma nova rebelião envolvendo Guarulhos.
Do idioma falado pelos Maromomi foram
conservadas apenas duas palavras: arê, que significa padre, e Nhamã nhaxê muna, que significa Deus.
“Foi o padre Manuel Viegas quem melhor
conheceu o idioma, chegou a traduzir para essa
língua o catecismo Tupi, usado nos aldeamentos, e concluiu a gramática iniciada por Anchieta. Confrontando
outros idiomas de povos da região,
como os Puri e os Coroado, chegamos à conclusão, pela semelhança que
existe entre eles, que os Maromomi
pertenciam à família linguística Puri.”
(Benedito Prézia.)
Homem de Capelinha: crânio encontrado em sambaqui de rio, no Vale do
Ribeira, revela a cultura mais antiga
de São Paulo – meio homem do mar,
meio homem do mato, membro de
um povo singular, com traços não
mongoloides, semelhante a Luzia.
26
Espaço de Muitos Povos GUARULHOS
Rio Paraíba do Sul – território dos indígenas Guarulhos em Campos dos Goytacazes, RJ.
Os Primeiros Brasileiros. Como chegaram a Guarulhos?
No tempo em que o Brasil ainda não era Brasil, quem eram seus habitantes?
Quando chegaram? De onde vieram? Como chegaram a Guarulhos?
Com certeza, essas quatro indagações são difíceis de responder. Mesmo não tendo
respostas conclusivas, de forma resumida abordaremos a temática a partir dos estudos
realizados. Motivo a mais, que com certeza servirá de estimulo à nossa curiosidade e
ajudará o aprofundamento de nossas pesquisas. Se você pensou que foram os portugueses, ou mesmo os atuais indígenas, errou.
De acordo com o pesquisador Eduardo Bueno, “a complexa e fascinante questão sobre
quem foram os ‘primeiros brasileiros’ passa, evidentemente, pela indagação primordial:
quem foram os primeiros seres humanos a colonizar a América?” Sabendo-se que jamais
Reprodução do
existiram, no continente, grandes primatas que pudessem evoluir para a forma humana,
crânio de Luzia.
arqueólogos e antropólogos cedo partiram da premissa de que os primeiros povoadores
haviam chegado ao novo mundo vindos de outro (ou outros) continentes. Mas de onde e quando?
Em 1974, no Sítio da Lapa Vermelha IV, município de Pedro Leopoldo, MG, a equipe da arqueóloga
Annette Laming-Emperaire encontrou várias ossadas, inclusive o crânio de uma mulher, mais tarde batizada
de Luzia. Luzia teria morrido há cerca de 11.500 anos. O que mais surpreendeu o mundo acadêmico foi
quando o arqueólogo Walter Neves, da Universidade de São Paulo, demonstrou que o crânio encontrado
tratava-se de uma pessoa com traços negroides, o que foi confirmado pela reconstituição facial feita pelo dr.
Richard Neave, da Universidade de Manchester, na Inglaterra, em 1999.
Segundo Neves (1999) e Pucciarelli (2004) a hipótese melhor documentada na literatura postula que a
América foi povoada a partir de duas ondas migratórias. A mais recente foi constituída por populações asiáticas,
cujo DNA é o mesmo das populações indígenas atuais. Anterior a esta, houve uma migração de povos não
mongoloides, cujas características nos remetem aos atuais africanos e aborígines australianos. Esse grupo ancestral, que também povoara a Austrália, teria chegado ao Brasil possivelmente através do Estreito de Bering em
uma época de grandes modificações na paisagem terrestre por consequência da última glaciação.
Esse grupo viveu “tranquilamente” até a chegada da migração asiática, que ocorreu a partir de oito mil
anos atrás. Com o tempo, esses primeiros povoadores, em menor número, foram sendo assimilados ou
mortos, o que levou à sua total extinção.
Os primeiros brasileiros – a maior parte de hábito coletor – percorreram muitas regiões do Brasil em busca de
alimentos e melhores climas. É provável que parte desse grupo tenha se deslocado para o litoral, onde havia
mais fartura, tornando-se os homens do sambaqui. Ocuparam todo o litoral sul, sudeste e leste vivendo, sobretudo, de coleta de mariscos, peixes e pequena caça. Muitos dos registros das populações litorâneas podem estar
submersos, pois ocorreram transgressões e regressões do nível relativo do mar durante o Holoceno, episódio que
tem a duração de aproximadamente 12.000 anos (Suguio, 1985).
As variações do nível do mar começaram por volta de 7.000 anos atrás e vêm até os dias atuais.
Como os Maromomi são supostamente descendentes dessas populações dos sambaquis, podemos fazer
uma ligação entre a história desses primeiros ocupantes de Guarulhos com os primeiros povoadores do Brasil.
27
GUARULHOS Espaço de Muitos Povos
CICLO DO OURO
COLONIZAÇÃO PORTUGUESA NO
TERRITÓRIO GUARULHENSE
Comprovadamente, a primeira atividade
econômica/comercial da cidade foi a extração
de ouro. A descoberta ocorreu no final do século XVI na Serra do Jaguamimbaba, em 1597,
e o feito é atribuído a Afonso Sardinha, o velho, estendendo-se até 1812. No início do século XVII, Geraldo Corrêa também descobriu
ouro no Rio Baquirivu-Guaçu e recebeu carta
de sesmaria em 1611. Do início ao fim da mineração foram mais de 200 anos de
atividade.
Veios de ouro em meio a rocha
Toda atividade econômica
de quartzo. São extraídos por
produtiva induz outras; a atividatrituração. No sítio arqueológico
de principal só se realiza satisfado Ribeirão das Lavras verifica-se ouro nas duas formas,
toriamente se existir comércio,
quartzo e cascalho.
prestação de serviços, agricultura, força de trabalho, meios de
minerador precisava dispor de
transporte, estradas etc., por isso
Ouro
em
grãos,
encontra-se
recursos financeiros para gaa produção econômica é um ato
na
terra
em
depósito
de
rantir o sucesso do empreeneminentemente social.
areia ou cascalho. A explodimento. Escravos, ferramenQuando os colonizadores porração é feita com a bateia
tas de trabalho, abertura de
tugueses chegaram à antiga Aldeia
ou por dragagem.
estradas, mercúrio, transporte
de Nossa Senhora da Conceição
de carga, alimento, vestiário,
dos Maromomi, vindos da
senzala, armas de fogo, muVila de São Paulo, e inicianição e impostos contabiliram a extração de ouro, nada
zavam custos e benefícios.
do que existe hoje, em terMuito do que se comprava
mos de infraestrutura urbaera pago em ouro.
na, havia. Guarulhos, nesta
O garimpo de ouro
época, era mata fechada. Os
de Nossa Senhora da
lugares onde atualmente anConceição estava locadamos, moramos, trabalhaBenguela.
Congo.
lizado no centro da Vila de
mos e nos divertimos são
São Paulo de Piratininga, ou
obras humanas.
seja, entre a Vila de São Paulo e as
A caça ao ouro foi o início do
saídas para o Rio de Janeiro e Minas
processo de expansão urbana da loGerais. Os mineradores precisaram
calidade e das atividades comerciais.
abrir caminhos para integrar-se à CaOs locais onde antes só existiam mapitania de São Vicente. Guarulhos
tas passaram a sofrer interferência
interligava-se às atividades da Cahumana com fins comerciais. Para
pitania por três estradas: um
iniciar a extração de ouro, o
28
Escravo. Jean
Baptiste Debret.
Espaço de Muitos Povos GUARULHOS
caminho pela região leste, Bonsucesso-Itaqua- pilão; e a Capela de São Benedito, onde há mais
quecetuba-São Miguel Paulista; outro pelo lado de 250 anos é realizada a romaria e a Festa da
sul, Ponte Grande-Penha; e pelo lado norte, Carpição. O lugar compõe parte do cenário do
Cabuçu-Santana. Guarulhos, através desses ciclo do ouro na cidade.
O mais importante sítio arqueológico, para
acessos, ligava-se à Vila de São Paulo, ao litoral
paulista e carioca, bem como às minas velhas compreender os métodos de mineração de ouro
no Brasil, encontra-se em Guarulhos. Trata-se
do sertão de Taubaté.
Ouro, caminhos, tropeiros e pousos, Guaru- do Sítio Arqueológico do Garimpo de Ouro
lhos começou assim em seu processo econômico. do Ribeirão das Lavras. Para o geólogo da UniUm dos pousos de tropeiros mais conhecidos da versidade de São Paulo, Caetano Juliani, “...o
região leste guarulhense fica na pequena Vila de Bon- local pode ser considerado um laboratório por
sucesso, pouso onde se arranchavam os tropeiros tudo que oferece em termos de conhecimento
em local que era dotado de água (Rio Baquirivu- mineralógico, histórico, geológico e ambiental”.
A mineração de ouro, entre outros fatores,
-Guaçu) e vegetação para alimentar animais etc. No
local confluem a Estrada das Lavras, Estrada Ve- trouxe a Guarulhos duas novas etnias: os cololha de Bonsucesso e a do Caminho Velho. Os nizadores portugueses e os negros africanos.
Nesse período, índios, brancos e negros, uns
tropeiros costumavam descansar após
como escravos e outros como senhores,
marchar de 15 a 20 quilômetros, a 18
foram os principais atores da Históquilômetros do pouso de Bonsucesso,
ria da cidade.
onde fica o sítio arqueológico do garimCacos de cerâmica com estilo
po de ouro do Ribeirão das Lavras.
e gravura de influência africana, o
De modo geral, em torno dos
cemitério de escravos no adro
pousos de tropeiros formaram-se
da Igreja da Irmandade de
pequenos povoados dotados
Nossa Senhora do Rosário
com pequeno mercado codos Homens Pretos, na Rua
berto com folhas de pinD. Pedro II, bem como os
doba, uma igreja, uma
topônimos Estrada das Lapraça e poucas casas.
vras, Campo do Ouro, Catas
Algo muito semeVelhas, Córrego dos Entulhante a Bonsucesso,
lhos etc., existentes na paionde no pequeno largo da
sagem da cidade, dimenpraça existem a Igreja de
sionam a importância da
Nossa Senhora de BonsucesEscravo trabalhando com a bateia.
mineração em Guarulhos.
so, construída em taipa de
Quilombolas da Conceição dos Guarulhos
“Martim Lobo Sardinha em 1776 mandava que o sargento-mor Teotônio José Zuzarte sem perda de
tempo convocasse os auxiliares necessários para dar combate aos quilombolas que se encontravam na
saída da cidade, na aldeia Pinheiros e Sítio da Ponte...” “Mandava aquela autoridade que o capitão-mor
providenciasse ‘Capitães-do-mato e Sertanejos’ para desinfestar os caminhos.”
“Mas, ao que parece, as coisas não iam muito bem. Os quilombolas continuavam desafiando as autoridades. Daí ter sido organizado um plano de proporções bem maiores para combatê-los. O governador
Cunha Meneses enviou ofício aos capitães-mores dos bairros da Penha, Cotia, Santo Amaro, Conceição dos
Guarulhos, Cangussu e São Bernardo. No documento dava instruções para que fosse executado um plano de
vasta envergadura contra os escravos fugidos.”(Clovis Moura, 228)
29
GUARULHOS Espaço de Muitos Povos
Transcrição de trecho da Carta de sesmarias –
Livro I do Arquivo Público do Estado.
“Carta de data de terras de sesmaria de Geraldo Corrêa dada pelo capitão Gaspar Conqueiro, aos 19
dias do mês de setembro de 1611.”
Em Guarulhos chegaram a existir pelo menos seis garimpos de ouro: bairro das Lavras,
Catas Velhas, Monjolo de Ferro ou Lavras Velhas do Geraldo, Campo dos Ouros, Bananal e
Tanque Grande.
O ouro tornou-se base monetária internacional em 1445 e, justamente por isso, possuía significado especial para o império português. Neste contexto colonial, Guarulhos foi um dos locais a compor o mercantilismo português durante a Idade
Moderna. As minas de São Paulo, entre elas as de
Guarulhos, foram o laboratório para os bandeirantes paulistas acumularem experiência para as
Filho de escrava, não escravo. Joaquim do
Espírito Santo ou Joaquim Antônio dos Santos,
apelidado Nhô Quim de Ferro, era filho da
escrava Josepha, que foi vendida pelo dr. João
Álvares de Siqueira Bueno para sua irmã, Ana
Maria de Castro. Teria sido o último
remanescente da escravidão da Fazenda
Bananal. Fonte: Guarulhos Século XX imagens
e histórias, autor: Massami Kishi.
30
Espaço de Muitos Povos GUARULHOS
descobertas e mineração em Minas Gerais. A mineração em Guarulhos e São Paulo antecede em
100 anos as descobertas em Minas Gerais.
Durante os três primeiros séculos de presença colonial portuguesa no planalto paulista, as
construções de casas, igrejas, câmaras, cadeias
etc., eram feitas em taipa de pilão. A taipa representava um modo construtivo barato, seguro e
duradouro, por isso utilizado pela comunidade
lusa, sendo a terra a principal matéria-prima.
Da época das construções em
taipa de pilão restou pouco em
Guarulhos. Em 1685, foi erguida
a Igreja de Nossa Senhora da Conceição, atual Igreja Matriz, que
mantém paredes de taipa
revestidas com tijolos e todas as
paredes do altar em taipa de pilão. No bairro de Bonsucesso, a
Igreja de Nossa Senhora de Bonsucesso foi construída, com essa
técnica. No bairro das Lavras, no
meio da mata, resta um pedaço de
parede que os moradores afirmam ser de uma antiga senzala, haja vista que há pouco tempo foram
retiradas argolas de ferro da referida parede.
Ao esgotamento das atividades de mineração de ouro em Guarulhos sucedeu o ciclo do
tijolo cozido. Entre essas duas fases, no início
do século XIX, teve destaque a plantação de
cana-de-açúcar, direcionada para a produção e
comercialização de cachaça e rapadura, contando inclusive com a força de trabalho escravo.
Parte da parede de taipa da Casa Grande do bairro das Lavras.
Ideia Metalista
O que se convencionou como Idade Moderna ocorreu na Europa, a partir de 1453, com a Tomada de
Constantinopla pelos turcos otomanos; no Brasil, a partir da chegada das caravelas de Pedro Álvares Cabral
a Porto Seguro, no dia 19 de abril de 1500; e em Guarulhos, com a fundação da aldeia, o ciclo do ouro, o
trabalho escravo indígena e africano.
O mercantilismo caracterizou-se como uma política de intervenção do Estado na economia. A riqueza de
um país era medida pela quantidade de metais preciosos, portanto, a riqueza era entendida como a acumulação de ouro e prata. A fim de colocar em prática a ideia metalista, uma das medidas mais comuns adotadas
pelos Estados europeus foi a de estimular a exportação e desestimular a importação. Desse modo, procurava-se favorecer a entrada de metais preciosos e impedir a sua saída.
(Fonte: Luiz Koshiba e Denise Manzi Frayze Pereira in: História do Brasil.)
Provavelmente aventureiro inglês esteve em Guarulhos, em 1597
“Em muitos desses córregos encontramos pequenas pepitas de ouro do tamanho de uma noz, e muito
ouro em pó feito areia. Depois disso, chegamos a uma região bonita onde avistamos uma enorme montanha brilhante à nossa frente.” 7 ( p. 116).
7
A montanha brilhante, segundo Teodoro Sampaio, seria a Serra de Itaberaba, um prolongamento da Mantiqueira, entre os
municípios de Nazaré Paulista e Santa Isabel. Itaberaba, em Tupi, quer dizer “montanha reluzente”. Gabriel Soares de Sousa, em
seu tratado descritivo do Brasil, 1587, dá testemunho semelhante,... “E não há dúvida senão que entrando bem pelo sertão
desta terra há serras de cristal finíssimo, que enxerga o resplendor delas de muito longe.” Fonte: As incríveis aventuras e
estranhos infortúnios de Anthony Knivet, Sheila Moura Hue, organização, introdução e notas. Jorge Zahar Editor.
31
GUARULHOS Espaço de Muitos Povos
Arqueologia em Guarulhos
A Arqueologia tem uma função social bastante importante, pois interage
com a comunidade desde o momento de localização de um sítio arqueológico
até o momento em que se integra a ela para o trabalho de Educação Patrimonial.
No caso de Guarulhos, mais propriamente no sítio arqueológico do Ribeirão
das Lavras, propomo-nos a mostrar como a Arqueologia se faz imprescindível para a reconstrução do passado guarulhense. Além de que o trabalho
arqueológico também nos permite ajudar na preservação, não só dos vestígios materiais removíveis, mas das estruturas maciças.
O trabalho arqueológico permitirá, tomando como exemplo o caso do RiCaco de cerâmica
beirão das Lavras, uma reconstituição do contexto da mineração, do trabalho
encontrado no sítio
nas lavras de ouro pelos trabalhadores indígenas e africanos, conjugando de
arqueológico do
forma interdisciplinar a pesquisa arqueológica com a Geologia, Geografia
Ribeirão das Lavras.
Física, Biologia e com a Educação Patrimonial, um dos principais expoentes do
trabalho do arqueólogo no Brasil e no mundo.
Por fim, o intuito final da Arqueologia para a região de Guarulhos
deve passar pela criação de um espaço educativo que possa se constituir em uma referência para pesquisadores, universitários e estudantes da rede estadual e municipal de Guarulhos. A reconstrução da
História de Guarulhos não somente passa pela importante documentação textual deixada por jesuítas, viajantes ou historiadores do passado, como também pelos veios de ouro do Ribeirão das Lavras, e é aí
que a Arqueologia se apresenta como fundamental para se recontar
bairro das Lavras –
essa história. Arqueólogos – Vagner Carvalheiro Porto e Lúcia Juliani.
Prefeitura de Guarulhos – Secretaria do Meio Ambiente.
Guarulhos.
32
Espaço de Muitos Povos GUARULHOS
Entradas e bandeiras – busca do ouro e a interface com Guarulhos
As entradas e bandeiras eram expedições colonizadoras feitas pelo interior do Brasil nos séculos XVI, XVII e
XVIII. As entradas eram expedições de caráter oficial, visando à conquista da terra e à consolidação do
domínio português, combatendo as tribos indígenas rebeldes.
As bandeiras, por sua vez, de caráter particular, tinham objetivos nitidamente econômicos. Foram empreendidas, sobretudo por paulistas, para capturar índios para utilizá-los no trabalho escravo e descobrir jazidas
de pedras e metais preciosos. Os bandeirantes, alguns deles nascidos ou donos de terras em Santana
de Parnaíba, e suas ações levaram à expansão do
território brasileiro, ao povoamento do interior e ao
levantamento dos recursos naturais. Mas eles também dizimaram muitas populações indígenas e atacaram missões jesuíticas para aprisionar nativos.
Entre os bandeirantes paulistas constatam-se em
Guarulhos as presenças do bandeirante Afonso Sardinha e de Geraldo Corrêa, ambos envolvidos diretamente
com a mineração de ouro e a escravidão indígena.
Bandeirantes. Obra de Jean Baptiste Debret.
AGRICULTURA E
PECUÁRIA EM GUARULHOS
A atividade em meio rural na cidade passa
basicamente por três momentos. De coletora à
agricultura de subsistência e posteriormente
à comercialização do excedente produzido. Em
seu último período, com base em dados disponíveis, não chegou a constituir um ciclo econô-
mico nos moldes da pujante agricultura no Estado de São Paulo, onde se pode observar o
predomínio do plantio de café, cana-de-açúcar,
soja e laranja, por exemplo.
Na época da ocupação indígena, os Maromomi se restringiam à coleta do fruto da
sapucaia, do pião da araucária, mel, raízes etc. Como
descrito em capítulo anterior, os Maromomi
Produção de hortaliças – margens do Rio Baquirivu-Guaçu.
33
GUARULHOS Espaço de Muitos Povos
Matadouro Municipal inaugurado em 13 de maio
de 1929 – local atual do Tiro de Guerra.
são de uma comunidade indígena nômade, que
não chegou a desenvolver técnicas produtivas
no tocante a agricultura e muito menos quanto
a domesticação de animais.
Segundo pesquisas, houve uma transição gradual na qual a economia de caça e coleta coexistiu com a economia agrícola: algumas culturas
eram deliberadamente plantadas e outros alimentos eram obtidos da natureza.
Sobre a agricultura de subsistência em Guarulhos, não existe data precisa de seu início. Sabemos que desde o começo da colonização em
São Paulo as famílias portuguesas viviam da agricultura de subsistência. Em Guarulhos, a primeira atividade econômica dos colonizadores
foi a mineração de ouro. É provável que nas
proximidades dos garimpos do município, a
exemplo do que aconteceu em Minas Gerais
durante o ciclo do ouro, tenham existido plantações voltadas para o abastecimento dos trabalhadores envolvidos na mineração e das respectivas famílias proprietárias.
De modo geral, a agricultura comercial ganha força com a evolução das técnicas agrícolas, fator essencial, que possibilitou a produção
de excedente de mercadorias no meio rural.
Com isso, foi possível a formação de mercados de consumo de produtos agropecuários.
A existência de muitas olarias e o aumento
populacional em Guarulhos e São Paulo favoreceu a diversificação da economia local, inclusive a ampliação da atividade agrícola: logo após
34
a mineração de ouro, o produto de maior destaque da agricultura no município era a cana-de-açúcar. No final do século XIX chegaram a
existir na cidade 30 engenhos situados nas regiões de Ituverava, Tapera Grande, Pirapora e
Bonsucesso. A diversificação aconteceu com a
criação de gado, aves, equinos, suínos e caprinos.
Em 1901, com uma população de 4 mil pessoas residentes em Guarulhos, constata-se a quantidade de 300 cabeças de gado, 20 caprinos, 100
porcos, pouca produção de feijão e arroz e boa
safra de milho. Em 1942, com mais de 10 mil habitantes, relatórios apontavam apenas a existência
de 800 cabeças de gado e cultivo de cereais.
Após 1950, com o avanço da industrialização e o crescimento urbano da cidade, ganha importância a produção hortifrutigranjeira, tendo
à frente do processo famílias imigrantes asiáticas
e europeias, principalmente. Ao longo das várzeas se percebe a ocupação dos leitos dos rios e
córregos com pequenas glebas para produção
de hortaliças. No sopé da Cantareira se observam muitas plantações de chuchu, uva, tomate,
entre outras culturas. Entre as várzeas e a Serra
da Cantareira, muitas famílias se dedicam à criação de porcos e aves. Os produtos hortifrutigranjeiros de Guarulhos, além do mercado local, eram e continuam sendo vendidos no mercado da Capital paulista. Segundo dados da
declaração para o índice de participação dos
municípios (Dipam, 2006), atualmente em Guarulhos existem apenas 54 unidades produtivas
em meio rural.
Matadouro e Frigorífico Mercantoni, inaugurado
em 1954 – localizado na Av. Monteiro Lobato.
Espaço de Muitos Povos GUARULHOS
Reunião na Fazenda Bananal. Da direita para esquerda: Nicola Rinaldi, Arnaldo
Santoni, Olegário Barbosa (dono da fazenda), Juvenal Ramos Barbosa,
José Luis Prata e Ulisses Tavares. Seis fazendeiros, donos da metade
das terras do município. Foto de 1924.
CICLO DO TIJOLO
CHEGAM OS IMIGRANTES
ITALIANOS, ALEMÃES,
LIBANESES E JAPONESES
Ao conversarmos com as
pessoas mais idosas sobre a
História da cidade, muitas se
lembram das olarias. A atividade oleira foi tão significativa que marcou a memória dos
mais antigos e a paisagem da
cidade. Placas de ruas e tijolos timbrados com iniciais de
famílias proprietárias de olarias podem ser um dos caminhos para compreender a importância da produção de tijolos cozidos na história e na
economia locais. O que talvez
alguns moradores e mesmo
pesquisadores não expliquem
é como começou, quais as alterações ocorridas e as mudanças que a produção de tijolos
trouxe para o desenho arquitetônico, a vida cultural e política da cidade.
Uma das muitas olarias existentes ao longo da várzea
do Rio Tietê, exploradas na sua maioria por
imigrantes europeus.
Remanescente de olaria no bairro das Lavras, em 2008.
35
GUARULHOS Espaço de Muitos Povos
Argila das margens do Rio Baquirivu-Guaçu.
A introdução do tijolo como material construtivo, em substituição à taipa de pilão, alterou
a função das olarias e fez com que Guarulhos
reencontrasse seu espaço na economia paulista.
O uso do tijolo impôs alterações na forma tradicional de funcionamento das olarias, que além
de telhas, passaram a produzir tijolos cozidos.
De poucas unidades artesanais nos bairros da Ponte Grande, Vila Augusta e Gopouva, o fenômeno se espalhou por todos os cantos do município, coexistindo duas formas produtivas: a artesanal, através das olarias, e a industrializada.
A atividade, além de todos os significados
históricos, aconteceu no período de transição
da escravidão para a forma de trabalho assalariado. A expansão do mercado consumidor,
aliada ao conhecimento técnico dos imigrantes
europeus na área da construção civil e à revolução tecnológica no mundo do trabalho fizeram
Famílias alemãs – bairro Torres Tibagy.
36
com que o sistema produtivo artesanal das olarias sofresse alterações, tanto na forma de produção de tijolos como no sistema de transporte. Em 1911, foi implantada em Guarulhos a
primeira indústria voltada à produção de telhas
e tijolos (Cerâmica Paulista) e logo em seguida
foi inaugurada a estação do Trenzinho da Cantareira, ambos em Vila Galvão.
Sobre a origem das olarias em território
paulista, uma pesquisadora diz: “A primeira notícia que se tem a respeito da instalação de uma
olaria em São Paulo data de 1575, ano em que o
oleiro Cristóvão Gonçalves requereu à Câmara
Municipal terreno para a implantação de um forno destinado ao cozimento de telhas de barro...;
...entretanto não pode haver dúvida de que em
fins do século XVI – em torno de 1590 – já havia muitas casas cobertas de telha, pois, em 1593,
os oleiros tinham até a sua organização e o seu
juiz de ofício na povoação”. (D’Alambert, p. 74.)
Antes de começar a falar do ciclo do tijolo
em Guarulhos, devemos pensar que sem argila
não é possível produzi-lo. A argila, pelas qualidades maleáveis e plásticas que possui, desde o
início da Antiguidade era utilizada na Mesopotâmia e no Egito como material construtivo.
Argilas são sedimentos minerais normalmente
encontrados próximos aos rios e córregos. A
existência de grandes jazidas de argila em Guarulhos explica-se pelo relevo da cidade. Guarulhos
está localizada no fundo do Vale do Planalto
Paulista e da Serra da Cantareira, planície por
onde correm os rios Tietê, Cabuçu de Cima,
Baquirivu-Guaçu, além de inúmeros córregos e
ribeirões; e, da lavagem do solo, resultou a formação argilosa na camada sedimentar.
Quanto à importância do tijolo cozido no
Estado de São Paulo, veja o que diz a pesquisadora Clara Correia D’Alambert: “A expansão
ferroviária na década de 1860 e a imigração estrangeira trazem, principalmente, alemães e italianos – colaboraram muito para a difusão do
uso da alvenaria de tijolos no Estado de São
Paulo. As fazendas de café do interior paulista
Espaço de Muitos Povos GUARULHOS
foram pioneiras na utilização
do tijolo em suas instalações,
na primeira metade do século
XIX. Os cafeicultores importaram para as cidades a novidade tecnológica do tijolo,
que tão bem solucionou problemas técnicos e construtivos nas suas fazendas”.
Ao esgotamento das atividades de mineração de ouro em
Tijolo feito em olarias guarulhenses, de 1884, acervo do
Guarulhos sucedeu outro moMuseu Histórico de Guarulhos, 2008.
delo de ocupação do espaço.
Correspondendo ao momento econômico,
O povoamento e as atividades econômicas deslocaram-se dos morros, nas regiões norte e leste da além da chegada dos imigrantes europeus, iniciacidade, para as áreas próximas aos rios Tietê, -se a imigração de turcos, libaneses e japoneses. O
Cabuçu de Cima e Baquirivu-Guaçu. A partir de ciclo do tijolo, entre outras coisas, trouxe três ele1870, a imigração subvencionada trouxe milhares mentos novos para o cenário político da cidade, a
de imigrantes europeus para o território paulista; saber: implantação das primeiras indústrias, o momuitos italianos, alemães, espanhóis e portugue- delo assalariado para a remuneração do trabalho
ses vieram para Guarulhos. As condições naturais e o aparecimento dos primeiros operários urbaexistentes em Guarulhos (água, argila, madeira, nos. Na Inglaterra, as oficinas artesãs precederam
areia e pedra) e a proximidade com a Capital pau- a indústria; em Guarulhos, o processo industrial
lista possibilitaram o desenvolvimento de um novo foi antecedido pelas olarias, também chamadas de
ciclo econômico, baseado no tijolo cozido. proto-indústrias.
O ciclo industrial guarulhense começou a se
Outro fator importantíssimo para o ciclo do tijolo foi a extração da cal no território paulista, formar paralelamente ao ciclo do tijolo. Em
1911, a primeira fábrica instalada em Guarulhos
mineral responsável pela feitura da massa.
O consumo de tijolos cozidos na região me- foi a indústria Cerâmica Paulista, no bairro de
tropolitana, utilizados em galpões industriais, vi- Vila Galvão, que produzia tijolos cozidos e telas operárias, pontes, igrejas, prédios, moradias etc., lhas. A presença dos povos que chegaram no sefez aumentar a demanda, concorrendo para a gundo momento da imigração externa – turcos,
ampliação do número de olarias, fábricas e, libaneses e japoneses – contribuiu para a Históconsequentemente, para a diversificação econô- ria local, fato que pode ser constatado nas áreas
mica constatada na cidade. No bairro da Ponte
Grande existiu o Porto da Igreja de Nossa Senhora da Conceição. Local de escoamento da produção de tijolos e areia, via Rio Tietê, para a cidade
de São Paulo, propiciou a abertura de novas estradas, ampliação do comércio, incremento do rebanho bovino e grande número de engenhos voltados para a produção de cachaça.
Barco no Rio Tietê
transportando tijolos, em 1945.
37
GUARULHOS Espaço de Muitos Povos
do comércio, da agricultura e do setor hortifrutigranjeiro. Em 1950, o ciclo econômico da cidade já era considerado industrial, conforme veremos a seguir.
A produção de tijolos guarulhense foi fundamental para a nova configuração arquitetônica
da cidade de São Paulo, expressa em monumentos como Museu do Ipiranga, Pinacoteca do
Estado, Palácio das Indústrias e Teatro Municipal.
Os tijolos cozidos substituíram a tradicional
técnica construtiva da taipa de pilão.
CICLO INDUSTRIAL
PROCESSO DE METROPOLIZAÇÃO
Guarulhos faz parte do seleto grupo das
dez cidades brasileiras responsáveis por 25%
do Produto Interno Bruto (PIB).
A cidade conta com mais de 2.890 indústrias, 11.835 estabelecimentos comerciais, 6.662
empresas prestadoras de serviços e 54 unidades produtivas em meio rural (Dipam, 2006).
Em 2006, atingiu o 9o maior PIB do País, sendo
os dez maiores: São Paulo, Rio de Janeiro,
Brasília, Manaus, Belo Horizonte, Campos de
Goytacazes, Curitiba, Macaé, Guarulhos e Duque de Caxias. Como se deu o processo?
Pedras utilizadas para calçamento de ruas.
A expansão econômica e urbana no período industrial da cidade pode ser compreendida a partir do estudo que envolve a combinação de fatores políticos e sociais, e de recursos naturais do município, aspectos que
possibilitaram a inserção da cidade no contexto do desenvolvimento produtivo local,
regional, nacional e mundial, tendo como base
a indústria estabelecida.
Nossa reflexão destaca os efeitos comerciais
da Primeira e da Segunda Guerra Mundial no
Brasil e em Guarulhos. Concomitante à industrialização, ocorreu a implantação da estrada de
ferro e a ocupação do espaço aéreo para fins
Divulgação: Prefeitura de Guarulhos.
EMPREGOS FORMAIS – SETORES ECONÔMICOS
38
Espaço de Muitos Povos GUARULHOS
estratégicos militares, e o embrionário modal
de transporte de carga aérea, a partir da base
aérea de Cumbica. Nos dias atuais, analisamos
os impactos da política neoliberal.
Para o estudo da evolução da indústria na cidade, bem como a formação do proletariado urbano, entre outros aspectos, é importante periodizar
a análise, e para isso definimos três momentos.
Primeiro momento, de 1911 a 1945; segundo momento, de 1946 a 1989; terceiro momento, de 1990 aos dias atuais.
INDUSTRIALIZAÇÃO:
PRIMEIRO MOMENTO – PROCESSO
ECONÔMICO ENTRE AS
DUAS GUERRAS MUNDIAIS
No primeiro momento, de 1911 a 1945, a cidade começa seu processo de industrialização em
1911, com a implantação da Cerâmica Paulista em
Vila Galvão. Entre 1915 e 1945, o município avança em seu processo fabril, contabilizando 58 unidades produtivas, empregando 624 operários. Importante destacar que as primeiras indústrias foram instaladas na região do centro antigo, no eixo
que vai da Vila Galvão ao bairro do Macedo. Em
termos de Brasil, no primeiro censo econômico
posterior à Primeira Guerra, realizado em 1920,
o levantamento aponta a existência de 13.336
estabelecimentos industriais. Do total, 5.936
foram implantados no quinquênio 1915-1919.
Ao avanço da industrialização em Guarulhos corresponde, também, a implantação do
Ramal da Tramway Cantareira, trecho ferroviário que trouxe o trem de ferro ao centro de
Guarulhos, bem como a implantação das primeiras fábricas ao longo das imediações da linha da rede ferroviária na cidade. A primeira
indústria a se instalar em Guarulhos foi a Cerâmica Paulista, em 1911, implantada no bairro de Vila Galvão, e as indústrias produtoras
de bens de consumo na região do centro expandido, por onde passava o trem da Cantareira, posteriormente chamada de Rede Ferroviária Sorocabana.
Foto da primeira cerâmica mecânica,
instalada em 1911.
O trem da Cantareira foi tão importante para
a industrialização do município quanto a Estrada da Conceição no ciclo do ouro, a Hidrovia
Tietê no início do ciclo do tijolo cozido, ou mesmo as rodovias Dutra e Fernão Dias, a partir da
década de 1950. O ramal do trem da Cantareira
em Guarulhos foi um dos principais facilitadores da indústria nascente. Nos primeiros anos
do século XX, Guarulhos se insere no contexto paulista como fornecedora de produtos para
construção civil, produtos agrícolas, alimentícios e bens de consumo.
As barreiras naturais (Rio Tietê e a Serra da
Cantareira) representavam um impedimento ao
deslocamento da produção guarulhense, que
tinha caminhos de ligação com a Capital por
Bonsucesso, Penha e Jaçanã. O Rio Tietê, até
1915, era o principal corredor de transporte de
mercadorias.
Parte da parede da primeira fábrica
de Guarulhos – Vila Galvão.
39
GUARULHOS Espaço de Muitos Povos
A região da Ponte Grande, localizada
estrategicamente na via de ligação com o
mercado paulista, em 1912 abrigava 45 das
137 casas do município e as 12 olarias existentes. Do Porto da Igreja de Nossa Senhora da Conceição saíam os materiais para o
porto da Capital, localizado na atual Ponte
das Bandeiras.
A construção do Ramal da Tramway
até o centro de Guarulhos possibilitou a diPorto da Igreja, em 1930 – bairro Ponte Grande.
versificação da economia local e o deslocamento do eixo produtivo para outros bairros de São Paulo, através do trem da Cantareira. A
da cidade, principalmente para as regiões aten- Primeira Guerra Mundial desorganizou o sistedidas pelo trem. Integrando Guarulhos pela ma de abastecimento dos mercados dependenZona Norte da Capital, o trem tornou-se a prin- tes de produtos da economia europeia.
Guarulhos, nesse contexto histórico, rececipal via de transporte de passageiros e de merbe investimentos em indústrias, que foram imcadorias do município.
Nessa fase aconteceu a implantação de fá- plantadas ao longo do ramal do trem da Cantabricas de bens de consumo para o atendimento reira, surgindo assim as primeiras fábricas na
da demanda criada com a rápida urbanização região do centro expandido. Por volta de 1920,
da cidade de São Paulo e para substituição das sua economia contava com as seguintes empreimportações, interrompidas pela Primeira sas: Empresa Carbonel de Henrique Carbonel,
Guerra Mundial. A inauguração da Estação de inaugurada em 1923, tecelagem situada próxiTrem Cabuçu, posteriormente denominada de mo a Estação Guarulhos; mais duas empresas
Vila Galvão, favoreceu a expansão industrial do dos srs. Gíacomo Candenuto e Evaristo Bisognini; duas fábricas de polainas, sandálias e
município.
A Cerâmica Paulista, localizada ao lado da artigos de couro; uma de propriedade de José
estação de trem da Vila Galvão, segunda maior Saraceni, situada nas proximidades da Estação
empresa do ramo do Estado de São Paulo, e de Vila Augusto; uma Fábrica de alpargatas do
olarias tradicionais transportavam sua produ- sr. Cerdam Galvez, também na Vila Augusta;
ção de tijolos e materiais cerâmicos para aten- Moinhos Reisa, de moagem de grãos e fabricadimento da demanda da urbanização da cidade ção de farinha dos irmãos Fiúza, na Vila Augusta;
e um matadouro municipal, de propriedade de
Gino Montagnani, inaugurado em 1929 no local onde hoje é o Tiro de Guerra.
Nas palavras do então prefeito José Maurício de Oliveira, a Estrada de Ferro foi fundamental para a expansão urbana do município.
“Apesar da falta de comodidade que se
verifica na Estrada de Ferro do Tramway da
Cantareira, que diariamente nos dá 14 trens,
é extraordinário o progresso que esta estrada trouxe ao município não só à sede e seus
Fábrica de Tecidos Carbonel,
arredores como também às estações vizinhas.
edificada em 1917.
40
Espaço de Muitos Povos GUARULHOS
Chegam as primeiras multinacionais
No início da década de 1930, o estímulo à
industrialização da cidade passou pela edição da
primeira lei, isentando empresários do pagamento
de impostos ao governo municipal, Lei no 20, de
24/3/1937. No ano seguinte, em 11 de março de
1938, chegam ao município as primeiras multinacionais. Tratava-se das fábricas Norton Meyer S.A.
e a Harlo do Brasil Indústria e Comércio S.A., situadas no bairro do Macedo, nas proximidades
da Estação Ferroviária Guarulhos e futuras instalações da Rodovia Presidente Dutra. No início da
década de 1940 Guarulhos contabilizava aproximadamente 58 fábricas, que empregavam 624
trabalhadores em atividades industriais.
O movimento grevista foi duramente reprimido pela polícia. Não temos informações
se houve a participação de trabalhadores de
Guarulhos nas greves gerais de 1917. Nesse
contexto de formação e crescimento do proletariado urbano, aparece o primeiro movimento social de Guarulhos, em 1928, e surge
a comissão popular pela regularização e aumento do número de auto-ônibus no transporte coletivo.
A necessidade de força de trabalho para
construção da base aérea de Cumbica e a Via
Dutra, entre os anos de 1944 e 1950, foi atendida pela migração nacional, principalmente nordestina. A liberação da população rural e constiFoto Massami.
Assim é que por ocasião da inauguração do
Ramal da Estrada de Ferro da Cantareira, a
4 de fevereiro de 1915, eram completamente
desabitados os lugares onde hoje florescem
e prosperam as estações de Vila Galvão e
Vila Augusta, cheias de habitações, desde
casas operárias até os palacetes luxuosos.”
(Oliveira Sobrinho, 1920 in: Santos, 2006.)
Sem corresponder ao desenvolvimento de
uma tecnologia nacional, os investimentos industriais foram principalmente de empreendedores imigrantes europeus e grandes proprietários agrícolas. Os investimentos de capital estrangeiro, principalmente inglês, concentraram-se nos setores de serviços públicos, como transporte ferroviário, energia elétrica, telefonia etc.
A imigração europeia foi o principal fator de crescimento populacional do período,
constituindo um contingente de força de trabalho envolvida nesse primeiro momento da
industrialização. Em Guarulhos, tanto nas
olarias como nas indústrias, eram os italianos,
portugueses, espanhóis, alemães, japoneses,
turcos e libaneses que exerciam funções produtivas e comerciais, transformando matéria-prima e mercadorias para venda no crescente mercado paulista.
Os efeitos da Primeira Guerra Mundial,
além de induzir à ampliação
do parque industrial, acarretaram também em São
Paulo a eclosão de três greves gerais, em que os trabalhadores buscavam solução
para o problema da carestia, denunciavam a especulação com gêneros alimentícios e as condições precárias de trabalho, gerando
greves em 1917.
Abrasivos
Norton Meyer S.A.
41
GUARULHOS Espaço de Muitos Povos
Estação Vila Galvão, em 1950.
tuição de um mercado de reserva de trabalhadores nos centros urbanos foi condição imprescindível para concretização da política de desenvolvimento capitalista brasileira, a partir dos anos
de 1930. Além disso, foi necessária também a
integração do País através de uma rede de rodovias que possibilitasse o deslocamento populacional para os principais centros urbanos e de
investimentos governamentais para favorecer a
migração interna.
As transformações econômicas e sociais
ocorridas nas décadas seguintes alteraram a
configuração populacional, com a chegada
maciça de imigrantes nacionais, vindos principalmente do interior de São Paulo, Minas
Gerais, Paraná, Bahia e outros Estados, ampliando a zona urbana e configurando novos
espaços de convivência, que causaram estranhamento aos moradores estabelecidos, grande parte imigrantes estrangeiros, e aos guarulhenses natos.
As experiências culturais preservadas na
memória de antigos moradores e materializadas na geografia da cidade demonstram uma
apropriação do espaço pelos moradores anteriores ao processo de imigração interna, manifestações e expressões culturais ainda hoje presentes na cidade. Experiências de sociabilidade
que possibilitaram a formação de um sentimento de pertencimento à vida local.
42
A partir da década de 1950, quando a população ultrapassou 35 mil habitantes, o fato começou a causar estranhamento às famílias mais
antigas do município. A nova composição social
gerou uma situação conflituosa entre as famílias
de imigração europeia, asiática, libanesa,
guarulhenses natos e os imigrantes nacionais. A
presença dos imigrantes nacionais implicou em
novas práticas culturais e hábitos sociais.
O período em análise abre com a implantação da primeira indústria, a Primeira Guerra Mundial e a implantação do trem da Cantareira e fecha
com a construção da base aérea de Cumbica. Dois
modais de transportes, o sistema Cantareira e a
Base Aérea de Cumbica, modificaram o cenário
da cidade. O primeiro com grande influência na
expansão da economia local. O segundo, que além
da ocupação do vasto espaço na Fazenda Cumbica significou também a ocupação do espaço
aéreo do município, para finalidades militares e
início do transporte de carga aérea, processo que
se ampliará com a construção do Aeroporto
Internacional de Cumbica.
Os efeitos da Segunda Guerra Mundial (19391945) impulsionaram a industrialização do Brasil
e de Guarulhos. Além da produção para o mercado interno, muitos grupos empresariais brasileiros passaram a vender seus produtos para os
países em guerra; com isso, a indústria cresceu.
Isso é o que veremos nas páginas seguintes.
Espaço de Muitos Povos GUARULHOS
Estrada de Ferro – Em 1896, Vereadores
Discutem a Implantação do Trem
“A partir do final da década de 1860, com a implantação da primeira ferrovia em São Paulo – a ‘São
Paulo Railway’, em 1868 – surge um novo e importante
elemento articulador do desenvolvimento econômico da
província, responsável pelo progresso que marcou profundamente a sociedade paulista e a sua civilização material.” (D’ Alambert, p. 7.)
No final do século XIX, em 1896, já se discutia na
Câmara Municipal de Guarulhos a necessidade de a região ser servida por uma estrada de ferro, ligando Guarulhos à estação do bairro da Penha. A justificativa recaía
sobre a farta quantidade de recursos naturais da região,
Parada Sorocabanos, atual Praça Luiz
mais especificamente à produção de madeira e pedra,
Matheus Maylaski.
além da produção de tijolos. Toda a produção estava
direcionada às crescentes edificações da Capital, justificando a implantação do ramal ferroviário que se
efetivou somente em 1915, com a inauguração do Ramal Guapira – Guarulhos, o trem da Cantareira.
Existiram seis estações e uma parada de trem em Guarulhos: Vila Galvão, Torres Tibagy, Gopouva, Vila
Augusta, Parada Sorocabanos, Estação Guarulhos e Estação Cumbica, na Base Aérea.
O ramal de Guarulhos começou como uma extensão da Estrada de Ferro da Cantareira, que, aberto em
15 de novembro de 1910, saía da Estação do Areal e atingia o Asilo dos Inválidos, no Guapira (depois
Jaçanã). Somente em 1913 foi aberta a primeira estação intermediária, Tucuruvi, e aos poucos outras estações
passaram a ser abertas na linha que atingiu Guarulhos, em 1915. Em 1947, a linha teve a bitola ampliada de
60 cm para 1 metro, quando esta já atingia o Aeroporto Militar de Cumbica. Em 31 de maio de 1965, o
tráfego do ramal foi suprimido, um ano depois de o trecho Areal - Cantareira ter sido extinto. Os trilhos foram
retirados e logo depois diversas estações foram demolidas.
A Estação Guarulhos foi inaugurada em 1915, como terminal do ramal de Guarulhos. A partir da
primeira metade dos anos 1940, passou a sair de lá um ramal – na verdade, a continuação da linha – para
a Base Aérea de Cumbica. Esse ramal foi extinto aparentemente junto com o ramal de Guarulhos, em 1965.
A Estação Guarulhos foi desativada em 1965, com o ramal.
A Estação Guarulhos, atualmente, serve de sede para a Guarda Civil Metropolitana, na Praça IV Centenário, situada no Jardim Santa Francisca. A praça é um dos logradouros mais antigas do município e
abrigava a antiga estação de trem Guarulhos.
Hoje, a estação não existe, mas as instalações que ela possuía foram restauradas e colocada na praça
uma locomotiva antiga, da Usina Tamoio, em Araraquara que, segundo consta, foi resgatada pela Prefeitura,
que a deixou exposta em frente à plataforma da antiga estação. Junto a ela, de um lado, fica a casa que
abrigava o chefe da antiga estação de trem e foi restaurada, apresentando-se em perfeitas condições.
É conhecida como “Casa Amarela”, que hoje é a sede do arquivo municipal.
Estação Ferroviária de Cumbica – Base Aérea.
43
GUARULHOS Espaço de Muitos Povos
INDUSTRIALIZAÇÃO:
SEGUNDO MOMENTO – OFERTA DE
EMPREGO, EXPLOSÃO DEMOGRÁFICA E
CRESCIMENTO DESORDENADO
No segundo momento, de 1946 a 1989,
cabe destacar que as indústrias passaram a se instalar na região de Cumbica. Entre muitos fatores, cinco foram essenciais para o avanço da industrialização guarulhense nesse período: conclusão das obras da Base Aérea de Cumbica;
implantação da Estrada de Rodagem Rio - São
Paulo; força de trabalho disponível com a maciça migração interna; implantação do loteamento
Cidade Satélite Industrial de Cumbica, em 1946,
pela família Guinle; e a disponibilidade de água
do Aquífero Cumbica. Esses fatores foram essenciais para a próxima fase da industrialização
da cidade, sem desconsiderar os demais.
“As obras federais da Base Aérea de Cumbica e da Estrada de Rodagem Rio - São Paulo, cujo traçado atinge a parte mais baixa da
cidade, têm concorrido também para o progresso crescente que se verifica, principalmente pela grande valorização de propriedades.”
(Oliveira, 1943 in: Santos, 2006).
A transferência da Base Aérea do Campo
de Marte, em São Paulo, para Guarulhos, como
parte do Plano Quinquenal de Desenvolvimento do governo Getúlio Vargas, modificou radicalmente a vida da cidade. Até aquele momento as atividades econômicas se davam em terra.
A chegada do equipamento militar significou
Antigo caminhão Chevrolet.
44
também o início da ocupação do espaço aéreo
para fins militares e comerciais; parte dos pousos
e decolagens na pista da base aérea era voltada
para o transporte de carga.
A implantação do loteamento Cidade Satélite Industrial de Cumbica e a respectiva infraestrutura vinda com a Base Aérea mudaram o
eixo de implantação de indústrias e a logística na
cidade. O eixo produtivo da cidade, que era localizado na Região Central, definido pela Estrada
Foto da Base Aérea de Cumbica, trecho da antiga
rodovia Rio - São Paulo e do loteamento da cidade
Industrial Satélite de Cumbica, em 1948.
Via Dutra.
de Ferro Sorocabana, transfere-se para Cumbica, zonas sul e leste, nas proximidades da Rodovia Presidente Dutra.
A partir da Segunda
Guerra Mundial, investimentos do capital estrangeiro, principalmente norte-americano, impulsionaram
o desenvolvimento do setor industrial de bens de
consumo duráveis e capital,
caracterizando uma nova
fase do processo industrial
brasileiro. A predominância
do modelo de desenvolvimento dependente sobre o
desenvolvimento nacionalista se configurou com o
Plano de Metas de Juscelino Kubitschek (1956 1961). Com o lema “50
anos em 5”, acelera o desenvolvimento com a entrada
maciça de capital estrangei- Mapa do loteamento da cidade Industrial Satélite de Cumbica, ode 5
de novembro de 1945 – Implantado pelo Decreto Municipal n 14.
ro na implantação da chamada indústria pesada.
Guarulhos, nesse contexto histórico, é do geólogo dr. Hélio Nóbile Diniz: “...a região
favorecida por sua localização geográfica na Re- de Guarulhos e de Arujá é industrializada e necesgião Metropolitana de São Paulo e por estar no prin- sita de grande quantidade de água para suas ativicipal eixo industrializado, entre Belo Horizonte, Rio dades e processos. A ausência de um sistema mude Janeiro e São Paulo. O ciclo industrial, diferente- nicipal efetivo de abastecimento de água fez com
mente dos ciclos do ouro e do tijolo, que dispu- que as perfurações de poços aumentassem basnham de sua matéria-prima no próprio município, tante durante a década de 1960. Os aquíferos nunpassou a contar com matérias-primas vindas de ca antes explorados favoreciam boas vazões”.
O sucesso do desenvolvimentismo associaoutras regiões. Para isso, as duas principais artérias
rodoviárias, a Rodovia Presidente Dutra e a Fernão do pode ser observado na quantidade e velociDias, foram também importantes fatores de estí- dade da instalação do parque industrial na cidade. Em 1953, eram 27 grandes indústrias; em
mulo à industrialização do município.
Além da localização no triângulo entre Minas 1956, eram 90 grandes fábricas e 80 pequenas.
Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro, o Aquífero Ao processo de implantação das indústrias de
Cumbica foi essencial para o pleno desenvolvi- grande porte nas décadas de 1950, 1960 e 1970
mento do ciclo industrial na cidade. Nas palavras correspondeu uma aceleração do processo
45
Laboratório de Geoprocessamento – UnG.
Espaço de Muitos Povos GUARULHOS
GUARULHOS Espaço de Muitos Povos
migratório para a cidade de Guarulhos, provocando profundas mudanças na sua estrutura urbana e social. A cidade vê multiplicada sua população, como podemos verificar na tabela
demográfica:
ano
1940
1950
1960
1970
1980
1990
2000
2007
população
13.439
35.523
101.273
235.865
532.724
787.866
1.071.299
1.236.192
migrantes %
57,5
71,3
Fontes: IBGE/Prefeitura de Guarulhos.
Foto Massami.
Conforme observa o economista Paul
Singer: “...o desenvolvimento capitalista da economia brasileira foi profundamente marcado
por esta ampla mobilização do exército industrial de reserva, que deu lugar a um abundante
suprimento de força de trabalho pouco qualificada, mas dócil e de aspirações modestas”.
A concentração de indústrias foi acompanhada pela aglomeração de força de trabalho
em loteamentos populares e ocupações de terras públicas e particulares, criando uma demanda por serviços públicos de abastecimento de
água, transporte, pavimentação, educação, saú-
Fábrica de Casimiras Adamastor S/A.
46
de, entre outras. Para criação da infraestrutura
necessária à indústria houve a socialização dos
gastos e até financiamento pelo Estado; porém,
para a satisfação da demanda surgida pela ocupação desordenada, decorrente do processo industrial, os gastos foram assumidos prioritariamente pelo poder público.
Com o intuito de ordenar o crescimento e ocupação do solo, a Lei municipal no 1.503, de 1969,
define as zonas de expansão urbana da cidade, incluindo nela vários bairros, tais como: Jardim Rosa
de França, Cocaia, Taboão, Cidade Serôdio, Santos Dumont, Jardim Maria Dirce, Jardim Presidente Dutra, Vila Nova Bonsucesso, Jardim Leblon,
Parque São Miguel, entre outros.
Em 1950, havia em Guarulhos 35.523 moradores; em 1990, a cidade contava 787.866 habitantes. Em 40 anos vieram para Guarulhos
752.343 novos moradores. A maioria absoluta
dos novos moradores da cidade foi morar nos
loteamentos populares da periferia, áreas de ocupação e favelas, nas proximidades dos locais de
trabalho. Os baixos salários pagos aos trabalhadores e as precárias condições dos bairros levaram à formação de movimentos reivindicatórios
de bairros e sindicatos.
INDUSTRIALIZAÇÃO:
TERCEIRO MOMENTO – DAS MEDIDAS
NEOLIBERAIS AOS DIAS ATUAIS
Período que vai de 1990 aos dias atuais; momento em que tratamos como a economia da
cidade foi impactada pela política neoliberal e
o quadro atual. Em 1990, algumas grandes empresas faliram e outras se mudaram do município. Nesse período falava-se que a cidade havia
deixado de ser industrial e se tornava uma cidade de serviços. O que aconteceu em Guarulhos
reflete uma tendência mundial das economias
periféricas frente à política neoliberal nos marcos da globalização.
Em 1989, na cidade de Washington, representantes das oito maiores economias do mundo se reuniram e elaboraram um plano para os
Espaço de Muitos Povos GUARULHOS
demais países capitalistas. A estratégia visava resolver a crise de
superprodução de mercadorias e
excedentes de capitais constatados entre eles.
De forma resumida, a política neoliberal consiste em abertura comercial, estado mínimo e
garantia de contratos por parte
do Estado nacional. A economia
guarulhense, nesse contexto, foi
afetada com a política de abertura econômica. A falência de empresas e a redução da participação das exportações do Brasil no
Família Saraceni, em 1951 – imigrantes italianos.
mercado internacional trouxeram consequências para a vida da
cidade.
para amplo desenvolvimento dos setores de
Amplos setores passaram a apostar na pers- serviços e comércio. Esperando a grande mupectiva de abertura da economia brasileira com dança de rota econômica, o município passou
a implantação da Área de Livre Comércio das a receber muitos hotéis na região central e o
Américas (Alca) e na otimização das atividades incentivo ao turismo de negócio.
aeroportuárias, como elemento privilegiado
A repercussão das falências de algumas
empresas no início da década de 1990 (governo Collor), e a instalação de vários hotéis no
centro da cidade levou à construção do mito
da mudança de perfil econômico do município.
Para o censo comum, a economia da cidade
havia deixado de ser industrial e se tornara de
serviços.
A confusão sobre o destino da economia
brasileira e a vocação econômica do município
durou, aproximadamente, dez anos. A vitória
dos movimentos sociais no plebiscito em 2002,
onde 10 milhões de pessoas votaram contra a
Alca, e a publicação de um estudo do IBGE,
em 2005, favoreceram a compreensão sobre a
situação e os rumos da economia da cidade.
Segundo estudo: “Onde se instalam indústrias concentra serviços e população. Tal concentração é reflexo direto do nível de industrialização. Além do próprio peso da atividade, a
indústria agrega uma série de serviços em torVista panorâmica do centro expandido da cidade. no de si, o que faz crescer a economia local”.
47
GUARULHOS Espaço de Muitos Povos
Shopping Internacional de Guarulhos – antiga Fábrica Olivetti.
dução chega a R$ 12,06 bilhões anuais no setor
industrial, e a cidade figura no cenário nacional
com um PIB de R$ 18.194.924 bilhões. O emprego no setor formal contabiliza 227.914 trabalhadores. Os setores de comércio e serviços
completam os números do PIB local.
Segundo informações da Prefeitura, o setor de serviços é o que cresce em ritmo mais
intenso. “Seja em função das indústrias, que cada
vez mais terceirizam serviços, como entregas,
contratação de pessoal, manutenção, ou da preAntiga Fábrica Olivetti, 1958.
sença do aeroporto, que impulsiona a implantação de uma série de serviços de transporte e
É a indústria, e não diretamente o Aerologística, hotelaria, turismo e eventos. Atualmenporto Internacional, a grande responsável
te, são mais de mil empresas dos setores de
pelo Produto Interno Bruto de Guarulhos.
transporte e logística atuando em Guarulhos.
A produção se reflete na receita do município: cerca de 60% da arrecadação vêm, segundo a Prefeitura, das atividades industriais.
(Estudo IBGE/Ipea-2005.)
Atualmente, o município ocupa a 9a posição no cenário econômico, sendo responsável por
1,03% do PIB Brasileiro (IBGE-2006). Com um
parque industrial diversificado, conta com 91.847
trabalhadores e mais de 2.890 indústrias. A proEra industrial – modelo automobilístico
transporte rodoviário de cargas.
48
Foto extraída do livro: Philips 80 Anos à Frente.
Espaço de Muitos Povos GUARULHOS
se deram a formação do operariado urbano e
a organização dos seus membros em sindicatos, partidos políticos, associações etc. No município registram-se inúmeras greves e protestos, conduzidos por trabalhadores nas fábricas e nos bairros. Que se têm registros, a fundação do primeiro sindicato na cidade ocorreu em 1958 (Sindicato dos Condutores). A
primeira greve operária ocorreu em 1963, por
100% de aumento salarial.
Vista aérea da Philips, 1960. No local atual abriga
o Campus da Universidade de Guarulhos.
Além disso, a privilegiada localização atraiu, nos
últimos anos, importantes centros de distribuição e logística.”
Para atender às exigências da produção local e de outros polos econômicos regionais,
estão em andamento a modernização do terminal de cargas do Aeroporto de Cumbica, a
construção do terceiro terminal, obras para
interligação do Porto de Santos ao Aeroporto
de Cumbica, através da extensão da Av. JacuPêssego, São Paulo a Guarulhos e a revitalização
da Cidade Satélite Industrial de Cumbica.
A industrialização na região metropolitana, e especialmente em Guarulhos, gerou enorme contraste social, criou riquezas e, também,
muita pobreza, inclusive um grande passivo
socioambiental. Junto com a industrialização
Trabalhadores em frente ao Fórum.
Do processo de desenvolvimento e da forma como se deu a expansão territorial urbana
decorre a quantidade de problemas ambientais e
sociais: de acordo com o IBGE, 10% da população habitam em favelas – o IBGE considera núcleos de favelas aqueles com menos de 50 unidades habitacionais. Quanto às questões ambientais,
as mais graves são o desmatamento, a água e o
Mulheres metalúrgicas, início de 1970. Foto extraída do livro: Philips 80 Anos à Frente.
49
GUARULHOS Espaço de Muitos Povos
solo contaminados e a poluição atmosférica. O
local onde está o município é farto em água subterrânea e escasso em corrente de ar, o que agrava ainda mais a dispersão dos poluentes. A cidade aproveita apenas 8% da água utilizada, e quando considerados os indicadores de desenvolvi-
mento humano, renda, longevidade e educação,
apenas a educação se mantém em níveis
satisfatórios, com Índice de Desenvolvimento
Humano (IDH) de 0,0798, o que coloca a cidade na 191a posição entre os municípios paulistas
e 607a entre os municípios da federação.
Lutas Sociais e Resistência Cultural em Guarulhos
Com o processo de ocupação territorial e a expansão urbana de Guarulhos, os trabalhadores, vistos
como força de trabalho, empregaram a energia essencial para a concretização da produção da riqueza, parte
na condição de escravos, parte como agregados, meeiros, trabalhadores e operários assalariados.
Para além do processo produtivo, percebe-se nas diversas formas de manifestações da cultura religiosa,
gastronômica, na oralidade e na toponímia como se deu, de forma ativa, a assimilação dos diferentes sujeitos.
A resistência das populações indígenas, negras e dos operários imigrantes estrangeiros e nacionais aconteceu,
pelo menos, em dois níveis: na
preservação de suas culturas como
fatores essenciais de resistência e
nas lutas diretas contra o sistema.
A primeira resistência
veio dos indígenas, que não aceitaram docilmente a tentativa de
aldeamento feita pelos colonizadores. Diante da insistência em
aldeá-los e escravizá-los, em 1640,
os indígenas Maromomi reagiram
de forma violenta, ateando fogo
em duas fazendas e expulsando
seus proprietários.
Com o advento da esOposição sindical metalúrgica de Guarulhos, em 1982.
cravidão da população negra, podemos constatar, no mapa da mineração do município, a existência do Ribeirão dos Quilombos; é provável que no local tenha existido um
quilombo. A presença da Igreja da Irmandade de Nossa
Senhora do Rosário dos Homens Pretos, no centro antigo, revela uma expressiva organização dos afro-brasileiros em Guarulhos. Em 1750, a referida igreja foi benta oficialmente.
A implantação da indústria na cidade trouxe consigo a formação da classe operária e a expansão urbana de forma desordenada. Ao período corresponde o
surgimento das primeiras lutas de bairros e nos locais de
trabalho. Contrariando o mito de um operariado dócil,
os trabalhadores rapidamente amadureceram como classe e se organizaram em comissões de bairro, associaJornal O Repórter de Guarulhos,
ções, partidos políticos, sindicatos e outras formas.
de novembro de 1979.
A partir da década de 1970, aparecem novas estratégias de organização entre os trabalhadores, com
movimentos sociais voltados para a defesa dos direitos das mulheres, negros, homossexuais, crianças e adolescentes, idosos, meio ambiente, saúde, educação etc., todos com grande representatividade em Guarulhos.
50
Espaço de Muitos Povos GUARULHOS
3
Igreja Matriz e Praça Tereza Cristina, em 1958.
Mudanças Políticas e Administrativas
D
a fundação aos dias atuais, Guarulhos passou por cinco momentos em sua história
política e administrativa: foi aldeia indígena, distrito, freguesia, município e cidade.
Em 8 de dezembro de 1560, ocorre a fundação da aldeia de Nossa Senhora da Conceição dos
Guarus, pelo padre jesuíta Manuel de Paiva, de acordo com pesquisa do memorialista João Ranali.
Para o pesquisador Benedito Prézia, a aldeia de Nossa Senhora da Conceição dos Maromomi foi
fundada, provavelmente, em 1606, tendo como superior o padre Manuel Viegas. Ainda segundo
ele, em 1604 os jesuítas de São Paulo pediram ao superior-geral em Roma autorização para implantar o aldeamento para os Maromomi, no
Planalto Paulista.
No início do século XVII, é feita a
concessão de datas de terras na região
das minas descobertas por Geraldo
Corrêa, próximas ao Rio Baquirivu-Guaçu, localidade conhecida por Lagoas Velhas do Geraldo, através de carta
de sesmaria. A carta de sesmaria constitui um importante documento que atesta a antiguidade da mineração de ouro
em Guarulhos. Sesmaria é um lote de
terras inculto ou abandonado, que os
reis portugueses cediam a sesmeiros que
se dispusessem a explorá-la.
Por volta de 1640, havia na missão
Maromomi cerca de 800 famílias e uma
população com mais de 3 mil pessoas.
Nessa época, os Maromomi passaram
a ser chamados de Guarulhos. Nesse
Câmara e Prefeitura Municipal,
em prédio construído entre 1921 e 1923.
51
GUARULHOS Espaço de Muitos Povos
Paço Municipal, em 1976.
mesmo ano, os jesuítas são expulsos de São Paulo, por sua posição intransigente contra a escravização indígena na região. Sem os padres, os Maromomi passaram a ser usados em trabalhos nas
fazendas, realizando transporte de carga. Quando
os jesuítas retornaram a São Paulo, em 1653, não
reassumiram a missão dos Maromomi.
Em 1652, houve um levante dos índios
que trabalhavam na fazenda de João Sutil de
Oliveira, ocasião em que foram mortos os
moradores e a propriedade incendiada. Mais
três fazendas foram incendiadas no final da
mesma década, em rebeliões com participação dos Guarulhos. De acordo com Noronha
(p. 116), em 1675 deu-se a criação do distrito. “Por sinal, foi nessa época que se constituíram as principais
circunscrições distritais da capitania, geralmente denominadas
bairros nos documentos oficiais.” No dia 8
de maio de 1685, ocorre a mudança de distrito para freguesia de
Nossa Senhora da Conceição dos Guarulhos.
52
Para o historiador Carlos José,
“O território do futuro município de Guarulhos, por possuir lavras de ouro, atraiu os
colonizadores para a região. É
provável que estes mineradores tenham atuado para a criação da freguesia, tendo em vista que eles apropriaram-se de
terras pertencentes antes aos
índios aldeados e para melhor
atender a seus interesses como
proprietários, algo bem característico do processo de exploração colonial”. No mesmo dia e ano, ocorre a fundação da paróquia
de Nossa Senhora da Conceição dos Guarulhos, atual Igreja Matriz, localizada na Praça
Tereza Cristina.
A terceira mudança, de freguesia para vila,
ocorreu em 1880, de acordo com a Lei Provincial no 34, de 24 de março de 1880. Foi aprovada
pela Assembleia Legislativa Provincial e sancionada pelo então presidente Laurindo Abelardo
de Brito, constando do texto publicado o nome
de Francisco Ignácio de Toledo Barbosa, como
redator, e de José Joaquim Cardoso de Melo,
como secretário do Governo Provincial.
A presença de grandes latifundiários rurais
da época influenciou, pessoalmente, que ocorresse a
transformação, pois vila é
uma povoação superior às
duas categorias anteriores e
inferior à cidade. A vila caracteriza-se pela existência
de um conjunto de casas,
construídas em volta de uma
praça e com poucas ruas de
acesso, dotada com Câma-
Vista interna da Igreja Matriz –
Nossa Senhora da Conceição.
Espaço de Muitos Povos GUARULHOS
ra de Vereadores, intendente municipal e outros
equipamentos públicos.
É muito provável que dois homens públicos da cidade nesta época – o padre João Vicente Valadão e João Álvares de Siqueira Bueno,
guarulhenses que foram, durante muitos anos,
o vigário desta paróquia e deputado –, tenham
influenciado a tomada de decisão. No entanto,
apenas João Bueno fora eleito para a legislatura
de 1880/1881, em cujo início apareceu o projeto de lei criando o município. Levando-se em
conta o espírito dinâmico e hábil de João Bueno,
dada a sua condição de filho da terra e residente, deve-se presumir que foi dele a providencial
iniciativa.
O projeto de lei foi apresentado à mesa
da Assembleia na sessão de 14 de fevereiro
de 1880, sob o n o 21, tendo como signatários Reis França; Oliveira Braga; Campos
Toledo; C. Gavião; Antônio Carlos, o barão de Pinhal; Luiz Carlos; João Clímaco de
Camargo; Tito Correia de Mello e Ferreira
Braga. João Bueno não assinou o projeto e
não estava presente à sessão em que foi apre-
sentado o documento, talvez por conveniência política.
A lei não fixou as divisas do município,
posto que as mesmas devessem coincidir
com os limites das paróquias que o integravam. A instalação do município deu-se com
a presença dos vereadores de São Paulo. A
ata lavrada na ocasião é a seguinte: “Aos
vinte e quatro dias do mês de janeiro de
mil oitocentos e oitenta e um, nesta Vila de
Nossa Senhora da Conceição dos Guarulhos, Comarca da Imperial Cidade de São
Paulo, na Casa destinada para sessões da
Câmara Municipal da mesma, ao meio-dia,
compareceram os srs. presidente e vereadores da Câmara Municipal da Capital, drs.
João Mendes de Almeida Júnior, Américo
Brasiliense Almada Mello, Antônio Francisco Aguiar Castro, Augusto de Souza
Queirós, tenente-coronel Antônio José
Fernandes Braga, para instalação da Câmara Municipal da Vila de Nossa Senhora da
Conceição dos Guarulhos, e dar juramento e posse aos vereadores eleitos da Câma-
Esquina onde foi instalada a primeira sede da Câmara Municipal e também a Intendência, em imóvel
construído em taipa de pilão. Na Rua D. Pedro II, postando-se de frente, a casa legislativa ficava na
esquina do lado direito da Rua Felício Marcondes (antiga Estrada do Cabuçu), local da primeira sede
da Casa Poli (1916) e onde passou a funcionar o armazém Mesquita Marques, em 1944.
53
GUARULHOS Espaço de Muitos Povos
ra Municipal, capitão Joaquim Francisco de 27 de março de 1889, pela Lei Provincial no 66,
Paula Rabello, Francisco Soares da Cunha, perdeu Juqueri (atual Mairiporã), que se constiJoaquim Rodrigues de Miranda, José de tuiu município independente.
Sant’Anna, Marciano Ortiz de Camargo e
Antigamente era comum dizer-se Conceição
José Alves de Almeida Pinho”.
dos Guarulhos ou, simplesmente, Conceição.
A ata foi lavrada por AntôMas, no Governo Tibiriçá, pela
nio Joaquim da Costa Guimarães,
Lei no 1.021, de 6 de novembro
secretário da Câmara paulistana.
de 1906, passou a denominar-se,
Em ata seguinte, lavrada no mesoficialmente, Guarulhos.
mo dia, consta a eleição do capiLogo a seguir, em 19 de detão Joaquim Francisco de Paula
zembro de 1906, pela Lei Estadual
Rabello para presidente da Câmano 1.038, a Vila de Guarulhos foi
ra local. O prédio da Câmara, neselevada à categoria de cidade,
sa ocasião, ficava na Rua D. Pedro
quando possuía população de quaII, na esquina da Rua Felício Marse 5 mil habitantes. Finalmente, a
condes, no lado direito de quem Capitão Joaquim Francisco Lei Estadual no 2.456, de 30 de dede Paula Rabello.
sobe por esta.
zembro de 1953, criou a Comarca
Em 3 de maio de 1886, pela Lei Provincial (Poder Judiciário local), com jurisdição no terrio
n 71, Guarulhos perdeu a Paróquia da Penha, tório municipal, cuja instalação se deu, solenemenque se reintegrou ao município da Capital. Em te, a 18 de fevereiro de 1956.
Lago de Vila Galvão em 1950.
54
Espaço de Muitos Povos GUARULHOS
De capela a município – interfaces com Guarulhos
Da formação de uma capela ao estabelecimento de um município, existe um percurso de denominações.
Entendam melhor quais são e o que significam:
Capela: pequeno templo erigido ou fundado pelos nobres ou senhores nas terras de sua propriedade,
geralmente ao lado de sua casa; convertia-se muitas vezes em paróquia, cuja povoação originava a vila.
De acordo com o historiador John Manuel Monteiro, Guarulhos teve uma Capela em 1666, edificada na
Fazenda Bonsucesso, em terras de Francisco Cubas.
Distrito: divisão territorial e administrativa em que certa autoridade administrativa, judicial ou fiscal
exerce sua jurisdição. Em 1675 Guarulhos foi distrito de São Paulo. Em 23 de dezembro de 1981, foi criado
o distrito do Jardim Presidente Dutra, já no município de Guarulhos.
Freguesia: sede de uma igreja paroquial, que servia também para a administração civil; categoria oficial,
institucionalmente reconhecida, a que era elevado um povoado quando nele houvesse uma capela curada
(ministrada em caráter permanente por um pároco) ou paróquia, na qual pudesse manter um padre à custa
desses paroquianos, pagando a ele a côngrua anual. Em 1685 Guarulhos foi declarado freguesia.
Vila: unidade político-administrativa autônoma equivalente a município, trazida de Portugal para o Brasil
no início da colonização, tendo perdurado até fins do século XIX; toda vila deveria possuir Câmara e cadeia,
além de um pelourinho – símbolo da autonomia. Termo empregado em substituição a município, pois este não
podia ser usado na colônia, ou seja, em terras não emancipadas. Guarulhos foi elevado a Vila de Nossa
Senhora da Conceição dos Guarulhos em 1880.
Termo: território da vila, cujos limites são imprecisos; tinha a sua sede nas vilas ou cidades respectivas; era
dividido em freguesias, limite, raia ou marco divisório que extrema uma área circunscrita. De acordo com a
definição, os bairros da Penha e Juquery se enquadram na descrição.
Cidade: título honorífico concedido até a Proclamação da República, pela Casa Imperial, às vilas e
municípios, sem nada acrescentar à sua autonomia; a partir da Constituição de 1891, este poder é delegado
aos Estados, que podem tornar cidade toda e qualquer sede de município; nome reconhecido legalmente para
as povoações de determinada importância.
Município: divisão administrativa de origem romana, levada pelos romanos para a Península Ibérica, e
de Portugal trazida para o Brasil; equivalente à vila; menor unidade territorial político-administrativa autônoma; entre os romanos, cidade que possuía o direito de se administrar e governar por suas próprias leis; no
Brasil substitui definitivamente o termo “vila” a partir da República, tendo aparecido pela primeira vez na
legislação através da Carta Régia de 29 de outubro de 1700.
Rua D. Pedro II, 1930 – Praça Conselheiro Crispiniano. Prédio à direita: Clube Recreativo
de Guarulhos; primeiro sobrado à esquerda: Cine e Teatro D. Pedro II,
posteriormente Cine República.
55
GUARULHOS Espaço de Muitos Povos
A ORIGEM DO NOME
Há muito tempo vem sendo considerada a
informação definida por Teodoro Sampaio em
O Tupi na Geografia Nacional: guaru significa o indivíduo que come – o comedor, em alusão ao formato do peixe desse nome, cuja parte ventral é
saliente. Consideramos que os colonizadores europeus, na tentativa de resolver as dificuldades de
comunicação e compreensão da diversidade
linguística dos povos indígenas, criaram uma
tupinologia amadora, sistematizada na língua geral e expressa na toponímia nacional e local.
Ainda sobre a origem do nome Guarulhos,
são consideradas significativas as considerações
do historiador John Manuel Monteiro: “A partir da Independência do Brasil, o tupi começou
a ser um instrumento importante da nacionalidade, tudo era chamado de nomes tupis, e mesmo em lugares em que não existiam populações
tupis, como no caso de Guarulhos, quase todos
os nomes são de língua geral, são tupis. Isso
sugere evidentemente que são nomes que foram
atribuídos posteriormente, e às vezes é um exercício enganoso, porque muitas vezes a gente
acha que tem um nome indígena porque os índios deram esse nome, a maior parte dos lugares no Brasil tem nomes indígenas que foram
dados por não índios, e muito posteriormente.
No caso dos Guarulhos é muito curioso porque Guarulhos é o nome que ficou de fato, a
Antigo coreto da Igreja Matriz e, ao fundo, Igreja
da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos
Homens Pretos, em 1926.
56
Trecho da Estrada da Conceição.
Livro: IV Centenário – Guarulhos.
Autor: Adolfo de Vasconcelos Noronha.
partir do século XVII (não se sabe exatamente
quando), mas que pegou e substituiu o nome
anterior para designar um certo grupo indígena, esses que eram chamados Maromomi e que
mais tarde foi corrompido para guaru-mirim,
que em tupi guaru significa pequeno, ou seja,
uma corruptela para marumirim. É algo bastante revelador desses processos de mudança e
a gente tem que ter bastante atenção”. (Monteiro, 2006.)
A atribuição do nome Guarulhos reflete o
processo de colonização portuguesa na tentativa de generalização da cultura Tupi através da
língua geral.
Av. Conceição, antiga Estrada da Conceição, via
de ligação entre o bairro de Santana, em São
Paulo, e Guarulhos. Nome em referência à Igreja
de Nossa Senhora da Conceição dos
Guarulhos, atual Igreja Matriz.
Espaço de Muitos Povos GUARULHOS
4
Nascente do Ribeirão das Lavras.
Circuitos Turísticos – Patrimônios
Culturais e Ambientais
CIRCUITO 1 – CENTRO HISTÓRICO – COLINA
Sob a colina do centro, no triângulo formado pelas ruas Capitão Gabriel, D. Pedro II, Luiz
Gama e João Gonçalves, reconhecido pela Lei no 6.253, de 24 de maio de 2007, como Zona
Central Histórica, encontra-se grande parte da História da cidade com seus patrimônios: Catedral da Cidade – Igreja de Nossa Senhora da Conceição, Marco Zero, Rua D. Pedro II, Cemitério
dos Homens Pretos, antigo prédio do Colégio Claretiano e o Shopping Poli.
Rua D. Pedro II – Antiga Rua Direita
Seu atual nome, atribuído em 1932, deve-se à possível passagem e pernoite de d. Pedro II e
sua esposa Tereza Cristina, em uma casa nesta rua.
Praça Conselheiro
Crispiniano, calçadão da
Rua D. Pedro II – marca
escura no piso demarca o
antigo local da Igreja e do
cemitério da Irmandade
de Nossa Senhora do
Rosário dos Homens
Pretos. Calçadão
inaugurado em 8 de
dezembro de 2008.
Praça Conselheiro Crispiniano no final da
década de 1950. Ao fundo, a Igreja Matriz,
a Rua D. Pedro II, e a segunda sede da Casa
Poli, hoje Shopping Poli.
57
GUARULHOS Espaço de Muitos Povos
Praça Tereza Cristina, Igreja Nossa Senhora da Igreja da Irmandade de Nossa Senhora do
Conceição e Colégio Claretiano
Rosário dos Homens Pretos, Cemitério dos
Pretos e Rua Luiz Gama
Em homenagem a Imperatriz do Brasil,
Tereza Cristina, nela localiza-se a Catedral de
Guarulhos, a Igreja Nossa Senhora da Conceição, mais conhecida como Igreja Matriz. Construída no século XVII, a data provável da construção da Catedral é 1685. Sua construção original é de taipa de pilão, porém passou por várias reformas que a descaracterizaram. Foi elevada a Catedral em 1981, com a criação da Cúria
Diocesana de Guarulhos, quando as paredes de
taipa foram revestidas de tijolos.
Ao fundo da Matriz localiza-se o prédio do
antigo Colégio Claretiano e uma das primeiras
faculdade da cidade, a Farias Brito.
O brasão do Império encontra-se sob a cruz
da Igreja Matriz.
58
Localizada na Praça Conselheiro Crispiniano, atual calçadão da Rua D. Pedro II, a Igreja
da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário
dos Homens Pretos e o Cemitério dos Homens
Pretos abrigavam as manifestações religiosas e
de tradição popular dos negros e pobres. Um
projeto de revitalização do centro, executado
pelo arquiteto Paulo Mendes da Rocha, propõe
a construção de um monumento em memória
das vítimas da escravidão, relembrando a igreja,
demolida por volta de 1928.
“Luiz Gama (1830-1882), nasceu em Salvador, filho de um fidalgo português com a negra
Luiza Mahin. Apesar de livre, seu pai o vendeu
como escravo em São Paulo. Foi escrivão, poeta,
“Aos primeiro de outubro de mil oitocentos e
dezoito faleceo de idropizia de idade de mais de
secenta annos, com os sacramentos da Penitencia
e Extrema Unção Narcizo cazado com Gertrudes
escravos de Francisco Mariano de Oliveira freguez
desta, seo corpo involto em pano branco jaz no
Rozario de onde he Irmão sendo encomendado
O Vigro José Branco Teixa”
Certidão de Óbito de escravo enterrado no
cemitério da Igreja do Rosário – Livro no 5 – Cúria
Diocesana de Guarulhos, em grafia da época.
Espaço de Muitos Povos GUARULHOS
jornalista e ‘advogado’ de escravos, sem diploma – tinha apenas uma provisão do governo.
Em 1881, criou a Caixa Emancipadora Luiz
Gama para a compra de alforrias”. Fonte: Revista Nossa História, no 19, maio de 2005, Editora Vera Cruz.
cada de 1970. Entre 1973 e 2001 abrigou o
Fórum, Secretaria de Obras Particulares, Junta
de Alistamento Militar e Museu Histórico Municipal. Foi tombado pelo Decreto no 21.143,
de 28 de dezembro de 2000.
Antigo Paço Municipal
Rua Sete de Setembro
Data comemorativa da Independência do
Brasil. Até a década de 1970 era uma rua
residencial.
Marco Zero
Localizado na Rua D. Pedro II, em frente
à Igreja Matriz, o marco zero orienta geograficamente a localização e distâncias dos bairros e principais estradas. A nova placa foi inaugurada em 8 de dezembro de 2008.
Construído no início da década de 1920,
abrigou, simultaneamente, a Câmara Municipal e a Biblioteca Municipal até 1958. Foi sede
da Delegacia de Polícia, Conservatório de Música, Secretaria de Administração e, atualmente, da Guarda Civil Metropolitana. Foi tombado pelo Decreto no 21.143, de 28 de dezembro de 2000.
Casa do Ex-prefeito José Maurício de Oliveira
Localizada na esquina da Rua Sete de Setembro com a Rua Felício Marcondes, foi construída em 1935 e utilizada como moradia da
família Maurício de Oliveira até o início da dé-
Antigo Paço Municipal.
Casa do ex-prefeito José
Maurício de Oliveira.
59
GUARULHOS Espaço de Muitos Povos
Escola Estadual Capistrano de Abreu
Rua Capitão Gabriel
Gabriel José Antônio foi vereador e prefeito indicado pela Câmara Municipal de 1908 a
1915. Em 15 de abril de 1913, a Câmara Municipal autorizou a abertura de algumas ruas no
centro e deu o nome do prefeito e presidente
da Câmara a uma delas.
Rua Felício Marcondes
Comerciante na região de Bonsucesso, foi
intendente de 1891 a 1894 e vereador de 1911 a
1919. Em 15 de abril de 1913, a Câmara, tendo-o como presidente, aprovou a abertura de
algumas ruas e uma delas recebeu seu nome, mesmo estando vivo – antiga Estrada do Cabuçu.
Praça Getúlio Vargas e Prédio Antigo da
Câmara Municipal
Inaugurada em 1935, abrigou o primeiro
Grupo Escolar de Guarulhos, que funcionava
na Rua Luiz Faccini desde 1926. Em 1948, recebeu o nome de Capistrano de Abreu em homenagem ao historiador cearense. Foi tombada pelo Decreto no 21.143, de 28 de dezembro de 2000.
Tombada pelo Decreto no 21.143, de 28 de
dezembro de 2001, a praça foi construída na década de 1950. No local do antigo campo do Esporte Clube Paulista, ainda nos anos 1950, recebeu o prédio do Paço Municipal que, em 1976,
foi transferido para o Bom Clima, passando a
funcionar ali a Câmara Municipal.
Prédio antigo da Câmara Municipal – Praça Getúlio Vargas.
60
Espaço de Muitos Povos GUARULHOS
Cemitério São João Batista
te de seus jazigos removidos e transferidos para o
Cemitério São Judas Tadeu para a construção da
Biblioteca Municipal. Relatos orais afirmam que
apenas o local onde eram enterrados os negros e
pobres foi removido; as famílias tradicionais organizaram-se e impediram a violação dos túmulos
de seus familiares, permanecendo no cemitério
que possui o nome de São João Batista.
Prédio da Biblioteca Municipal Monteiro Lobato
Tombado pela Lei no 3.642, de 1990, pelo
processo de Tombamento no 10.763/90. Recebeu esse nome pela Lei no 370, de 28 de agosto de
1956. Os primeiros registros são do final do século XIX. Em 1924, Francisco Antunes doou uma
área de terreno para ampliação e, em troca, recebeu jazigo perpétuo. Na década de 1960 teve par-
Construída em 1968, em terreno do Cemitério São João Batista, para abrigar o acervo da
Biblioteca Municipal criada em 1940, recebeu
o nome do escritor Monteiro Lobato em 1978.
O Auditório Pedro Dias Gonçalves foi palco
de importantes acontecimentos culturais da cidade nas décadas de 1970 e 1980, como o Grupo Literário Letra Viva, Cine Clube Popular
Paulo Pontes, Festival de Teatro e Temporada
de Arte e Cultura (TAC).
Primeira Biblioteca Pública Municipal, criada em 20 de
junho de 1939 pelo ato no 232, funcionou inicialmente
no antigo espaço da Câmara Municipal e Prefeitura,
situada na esquina da Rua Felício Marcondes com a
Rua Sete de Setembro, inaugurada em 26 de novembro
de 1940.
Biblioteca Pública
Municipal, construída em
1968, sobre as ruínas do
antigo cemitério, parte
destinada ao sepultamento
dos brancos pobres, índios
e negros. Em 1978
recebeu o nome de
Monteiro Lobato.
61
GUARULHOS Espaço de Muitos Povos
Rua João Gonçalves
Foi vereador de 1908 a 1916. Em 15 de abril
de 1913, a Câmara Municipal, tendo-o como
vice-presidente, aprovou a abertura de algumas
ruas e uma delas recebeu seu nome.
Largo e Igreja do Rosário
Construção da década de 1930 para substituir a Igreja da Irmandade de Nossa Senhora
do Rosário dos Homens Pretos, demolida por
volta de 1928, para alargar a Rua D. Pedro II.
Foi construída em terreno da chácara de Túlio
Brancaleone, doado para este fim.
Largo e Igreja do Rosário.
62
Espaço de Muitos Povos GUARULHOS
CIRCUITO 2 – CENTRO HISTÓRICO
EXPANDIDO – SOPÉ DA COLINA
Patrimônios situados no sopé da colina central, exceto a Praça dos Estudantes: Bosque Maia,
Teatro Adamastor, Córrego dos Cavalos, Praça
IV Centenário, Arquivo Histórico, Rua da Estação, Praça dos Estudantes, EE Conselheiro
Crispiniano, Rua Nossa Senhora Mãe dos Homens Pretos (de acordo com a tradição oral).
os índios aldeados são objeto de grande polêmica historiográfica.
Rua da Estação
Atual Rua Cerqueira César, aberta em 1914
para ligar a estação à Rua D. Pedro II. João Álvares de Cerqueira César nasceu em Guarulhos, no
bairro de Tapera Grande, em 1835, filho de Bento Alves de Cerqueira Bueno, descendente de
Amador Bueno, grandes proprietários agrícolas.
Local da fundação de Guarulhos
Conforme apontamento do memorialista
Adolfo de Vasconcelos Noronha, em 1560,
neste local, situado entre a Av. Guarulhos, a
Rua Silvestre Calmon e a Rua Barão de Mauá,
teriam sido erguidas uma capela, bem como
um cemitério indígena, aldeia que veio originar a cidade de Guarulhos. Os relatos, tanto
sobre este local quanto de outra aldeia, situada entre Bonsucesso e Pimentas e até mesmo
Córrego dos Cavalos
O nome do córrego vem da época dos
tropeiros e era um dos pontos onde paravam
para alimentar os animais e descansar. A partir
da implantação do trem de ferro, passou a servir de fonte de abastecimento da linha férrea.
O Córrego dos Cavalos está canalizado embaixo da Praça IV Centenário.
Praça IV Centenário, Estação Guarulhos
e Casa Amarela
Av. Guarulhos com a Rua Silvestre Calmon.
A praça recebeu esse nome em 1960, nas
comemorações dos 400 anos da fundação da
cidade. Abriga a Estação Guarulhos e a casa
do chefe da estação, transformada em arquivo
histórico do município. Existe também no local uma locomotiva semelhante às utilizadas na
Estrada de Ferro Tramway Cantareira, inaugurada em 1915 e, após 1941, Estrada de Ferro
Sorocabana.
Parque Estrela, atual
Praça IV Centenário, antigo
Córrego dos Cavalos
ou Lava-pés.
Praça IV Centenário, em 2008.
63
GUARULHOS Espaço de Muitos Povos
Centro Municipal de Educação Adamastor
to utilizado pela população nos fins de semana e
conta com brinquedos, pistas de caminhada, trilhas, pistas de skate, espaços de shows, quadras
poliesportivas e tradicional praça ambulante de
alimentação.
Localizado na Av. Monteiro Lobato, no
antigo prédio da Fábrica de Casimiras Adamastor, inaugurada em 1946. No passado havia sido
chácara – até 1941 – e olaria, a Cerâmica Brasil,
de 1941 a 1946. Hoje, é importante monumento de preservação da memória dos ciclos do Capela do Bom Jesus de Pirapora
tijolo e industrial, funcionando como um cenLocalizada no bairro do Macedo, ao lado
tro cultural, que abriga biblioteca, teatro e cen- do Centro Educacional Adamastor, foi constro de memória.
truída com tijolos em data indefinida, substituindo a antiga edificação em taipa de pilão.
Centro Municipal de Educação Adamastor.
Bosque Maia
Situado na Av. Paulo Faccini, possui trechos
da Mata Atlântica. Com mais de 100 mil metros
quadrados, reúne vários equipamentos de cultura, lazer e educação ambiental. O bosque é mui-
64
Praça dos Estudantes e Escola Estadual
Conselheiro Crispiniano
João Crispiniano Soares nasceu em Guarulhos, em 24 de julho de 1809. Foi conselheiro do Império e presidente das províncias de
Mato Grosso, Minas Gerais, Rio de Janeiro e
São Paulo. O primeiro Ginásio Estadual de
Guarulhos, criado em 1961, ganhou instalações
Bosque Maia.
Espaço de Muitos Povos GUARULHOS
projetadas pelos arquitetos João Batista Vila
Nova Artigas e Carlos Cascaldi. Considerado
patrimônio cultural e arquitetônico, também
recebeu um mural do artista Mário Gruber.
No roteiro pode ser visitado também o primeiro cemitério islâmico da América Latina,
construído por volta de 1965, localizado na
Av. Timóteo Penteado.
EE Conselheiro Crispiniano.
Cemitério Islâmico – Picanço.
65
GUARULHOS Espaço de Muitos Povos
CIRCUITO 3 – SÍTIOS ARQUEOLÓGICOS DO
OURO – ESTRADAS E CAMINHOS
Área de aproximadamente 45 quilômetros
quadrados que comporta o Sítio Arqueológico do
Garimpo de Ouro do Ribeirão das Lavras e constitui um dos raros exemplares conhecidos de sítios
arqueológicos associados à mineração de ouro no
período colonial preservado no planalto paulistano.
Inscrito no Cadastro Nacional de Sí- tios Arqueológicos, localiza-se no bairro da Capelinha, a cerca
de 18 quilômetros do centro de Guarulhos. Local
rico, tanto em história geológica como em inéditas estruturas do processo de mineração no período Colonial. Acesso pela Estrada de Nazaré
Paulista. No bairro das Lavras também é possível observar remanescentes de olarias.
Sítio arqueológico do Ribeirão das Lavras,
ouro no veio de quartzo.
Pico do Itaberaba
É o mais alto da cidade, com 1.438 metros
de altura em relação ao nível do mar. A vegetação é exuberante, contando com inúmeras espécies de animais, além da Bacia Hidrográfica
do Córrego Jaguari. Seu acesso se dá pela Estrada de Nazaré Paulista.
Casa da Candinha
Trata-se da casa da família de d. Cândida Rodrigues Barbosa. O casarão está localizado na Fazenda
Bananal, no atual bairro Bananal. Compõe o cenário
do ciclo do ouro de Guarulhos, situado nas proximidades do Campo dos Ouros, Estrada do Saboo.
Construída em taipa de pilão, é provável que seja
uma das mais antigas casas da cidade. Por muitos
anos funcionou na Serra do Bananal um garimpo de
ouro e conta-se que no porão da casa existia uma
senzala de escravos. Segundo o pesquisador dr. Eudes
Campos, do Arquivo Histórico Washington Luís, São
Paulo, certamente houve uso de mão-de-obra escrava na Fazenda Bananal. Sobre a utilização do porão
da Casa Sede como senzala, carece de esclarecimento e comprovação. A Casa da Candinha foi desapropriada para abrigar o Centro de Preservação
da Memória e Cultura Negra.
Capela de Nosso Senhor do Bom Jesus
Localizada no bairro da Capelinha, na Estrada
de Nazaré, quilômetro 36. Fechada à visitação pública, pois a mesma é construída em terreno particular. Data provável de fundação: 1919.
Estrada das Lavras e
Garimpo de Ouro do Tanque Grande
O topônimo diz tudo. A Estrada das Lavras,
como é conhecida atualmente, é uma bifurcação
da Estrada de Nazaré Paulista para acesso do
bairro das Lavras à Vila de Nossa Senhora de
Bonsucesso. Ao longo da Estrada das Lavras
existem alguns sítios arqueológicos da época da
66
Espaço de Muitos Povos GUARULHOS
mineração de ouro; sítios situados no seminário
dos padres e no Jardim Hanna e, inclusive, uma
parede de taipa de pilão de uma antiga casa colonial chamada de Casa Grande, do bairro das
Lavras, com vários pés de jabuticabeiras, como
era o costume das famílias na época; além da
Estrada Velha de Bonsucesso, entrando pelo Jardim Hanna e Jardim Santa Paula.
mente tenha existido trabalho escravo. No mesmo
cenário pode ser visto um terreiro de candomblé,
remanescente do ciclo do ouro, e a raridade ambiental expressa na Represa do Tanque Grande.
Sítio Arqueológico do Tanque Grande
No local se deu escavação de ouro; o trabalho de garimpo perfurou uma rocha ao meio,
abrindo um canal de aproximadamente 30
metros de extensão. Além do canal, existiu lavagem de ouro em canais construídos com pedras ao longo do Córrego Tanque Grande. O
acesso ao local se dá pela Estrada do Saboo.
Horto Florestal Municipal Burle Marx
Criado em 1977, somente em 1981 passou
a se chamar Burle Marx, em homenagem ao paisagista considerado dos mais importantes do
nosso século. É um centro de educação
ambiental com 60% de mata nativa e 40% de
Garimpo de ouro do Tanque Grande –
viveiro de plantas. O horto fica situado na Esvala talhada em trecho de montanha.
trada do Morro Grande – Mato das Cobras.
Aberto à visitação com agendamento monitoCachoeira Tanque Grande
O local foi desapropriado pela Prefeitura para rado pela Secretaria do Meio Ambiente.
servir de espaço aos adeptos das religiões de origem africana, em suas práticas e devoções religiosas. O local é muito frequentado por pessoas devotas do candomblé. A Cachoeira da “Macumba”, como é chamada pelos seus frequentadores,
compõe o circuito do ouro, local em que possivel-
Vista aérea do Horto Florestal Municipal Burle Marx.
Cachoeira da Macumba ou Maiomba.
Lago Azul em 2008.
67
GUARULHOS Espaço de Muitos Povos
Represa do Tanque Grande
Local aberto à visitação pública, a referida
represa foi construída em 1958 em um convênio da Prefeitura com o Governo do Estado
de São Paulo. Inicialmente, o sistema Tanque
Grande serviu como fonte de abastecimento das
68
indústrias da Cidade Satélite Industrial de Cumbica. Atualmente, através do Saae, o Tanque
Grande abastece a população do Jardim São
João. O local é um bonito cenário para visitar-se, pois além dos recursos hídricos, a vegetação é exuberante.
Espaço de Muitos Povos GUARULHOS
CIRCUITO 4 – SANTUÁRIO DE NOSSA
SENHORA DE BONSUCESSO
se deslocava para a Capital paulista e para o Rio
de Janeiro, onde se formou um povoado que, mesmo após modificações, pode ser reconhecido nas
estruturas de taipa de pilão, que foram preservadas. Segundo depoimentos, o lugar contava, também, com uma cadeia que foi demolida para construir a casa paroquial e o cemitério. A Capela de
São Benedito era frequentada pelos escravos, que
eram proibidos de entrar na Igreja de Nossa Senhora de Bonsucesso.
Estrada do Caminho Velho e Universidade
Federal do Estado de São Paulo (Unifesp)
O topônimo Estrada do Caminho Velho
permaneceu, preservando o antigo caminho de
acesso entre São Paulo, passando por ItaquaNa região dos bairros Pimentas e Bonsucesso quecetuba, sentido Litoral Norte, onde recenpodemos encontrar espaços contemporâneos que temente foi instalado o Teatro Adamastor Pimentas e a Unifesp.
testemunham e preservam o passado histórico.
O Santuário Nossa Senhora de Bonsucesso
compreende a Igreja de Nossa Senhora de Bonsucesso, a Capela de São Benedito e a praça da
igreja, com um casario que abriga as famílias
atuais e os romeiros que participam das tradicionais festas da Carpição e de Nossa Senhora de Bonsucesso, eventos que acontecem no mês de agosto. Localizada em uma das rotas de tropeiros que
Teatro Adamastor Pimentas.
Igreja de Nossa Senhora de Bonsucesso,
construída em 1800.
Unifesp – Trecho da Estrada do Caminho Velho.
Fábrica de pólvora – Guarulhos no contexto da Segunda Guerra Mundial: localizada no bairro dos
Pimentas, na divisa com São Miguel Paulista. De acordo com fontes orais, construída em 1945, com
nome de Produtos Químicos e Rayon ou Fábrica de Baixo, de propriedade da Companhia Nitro –
Química Brasileira. Em 1946, um dos departamentos da fábrica explodiu, matando 46 operários e
ferindo gravemente muitos outros. Pela importância histórica que possui, cerca de mil moradores
ingressaram com um abaixo-assinado reivindicando o tombamento das ruínas da fábrica junto à
Prefeitura de Guarulhos.
69
GUARULHOS Espaço de Muitos Povos
Cemitério de Bonsucesso
Na Vila de Bonsucesso, o cemitério é importante fonte histórica sobre as famílias que habitaram a região.
Shopping Bonsucesso
Além de um centro comercial é um espaço
de lazer e cultura. No local existe cinema, praça
para shows e outros atrativos.
Shopping Bonsucesso.
70
Espaço de Muitos Povos GUARULHOS
CIRCUITO 5 – CUMBICA
Na região de Cumbica estão localizados importantes patrimônios culturais e ambientais,
entre os quais se destaca o Marco do Trópico de
Capricórnio, latitude 23º 27’ Sul, colocando Guarulhos em destaque na geografia internacional.
to do aeroporto e de mais de 500 empresas. O
relevo que podemos observar ao longo do Rio
Baquirivu-Guaçu é resultado do afundamento
da terra que ocorreu há 60 milhões de anos,
aproximadamente.
Base Aérea de Cumbica
Monumento ao Trópico de Capricórnio
localizado na Via Dutra, quilômetro 215,4,
sentido Rio - São Paulo.
Rio Baquirivu-Guaçu e Aquífero Cumbica
Base Aérea de Cumbica, inaugurada em 1945.
Em 1934, neste espaço existia o Clube
Paulista de Planadores. A Base Aérea foi
inaugurada em 1945, em terreno da Fazenda Cumbica doado pela família Guinle, passou a funcionar como importante estrutura
do Ministério da Aeronáutica Brasileira. A
partir de 1946, o ramal Cumbica da Estrada
de Ferro Sorocabana passou a transportar
exclusivamente os militares. As instalações
da Estação de Cumbica são as únicas preservadas até hoje.
Aeroporto
Inaugurado em 1985 com instalações modernas, comércio diversificado e salões de exposição, além de sua função principal, que é o emRio Baquirivu-Guaçu.
O Rio Baquirivu-Guaçu nasce na cidade de
Arujá e corre para Guarulhos. Desde o início
da colonização, no ciclo do ouro, o rio passou
a figurar nos escritos portugueses em carta de
sesmaria que doou terras a Geraldo Corrêa,
onde o mesmo explorou ouro. Sob terras profundas encontra-se o Aquífero Cumbica, manancial de águas, responsável pelo abastecimen-
Aeroporto Internacional de Guarulhos.
71
GUARULHOS Espaço de Muitos Povos
barque de mais de 12 milhões de pessoas por portante centro de convivência com praça de
ano, para mais de 60 cidades em todo o mundo, comércio, clube etc. Cecap significa Caixa Esé importante espaço de convivência e visitação. tadual de Casas para o Povo.
Parque Cecap – Praça Mamonas Assassinas
Projeto do arquiteto João Batista Vila
Nova Artigas para abrigar mais de 10 mil famílias de operários que migraram para Guarulhos no processo de industrialização, na
década de 1960. Projetado com uma concepção arquitetônica que buscava proporcionar
maior convivência coletiva e previa um imPraça Mamonas Assassinas – Parque Cecap, 2008.
72
Espaço de Muitos Povos GUARULHOS
CIRCUITO 6 – ESTAÇÕES
DO TREM DA CANTAREIRA
A Estação Cabuçu foi inaugurada em 1915,
situada na Praça Santos Dumont; posteriormente passou a chamar-se Estação Vila Galvão.
Estação Torres Tibagy
O nome da estação foi dado em homenagem ao pai do engenheiro responsável pela implantação das estações da Tramway da Cantareira, dr. José Carlos de Almeida Torres Tibagy.
Inaugurada em 24 de maio de 1931, ela era uma
pequena estação.
Praça Santos Dumont, fragmentos da antiga
O grande fluxo de pessoas ocorria apenas
Estação Vila Galvão. No entorno da estação,
nos fins de semana, quando os funcionários da
casas da primeira vila operária de Guarulhos.
Bolsa de Valores de São Paulo e seus familiares
Em 1911, em frente à estação existia a pri- se deslocavam para o Clube da Bolsa, atualmenmeira indústria da cidade, a fábrica de tijolos te chamado de Clube Vila Galvão.
e telhas Cerâmica Paulista que, posteriormente, trocou de nome, passando a chamar-se Estação de Gopouva
Companhia Agrícola e Industrial de GuaruLocalizada na esquina das atuais avenidas
lhos, formando no local a primeira vila de ope- Emílio Ribas e Anel Viário (Av. Marechal Humrários da cidade.
berto de Alencar Castelo Branco), na Praça de
Gopouva, havia uma estação de grande porte.
De suas edificações resta apenas uma pequena
construção que servia de moradia para o chefe
da estação. A estação foi um dos fatores que
muito contribuíram para o crescimento da região. Após o seu funcionamento vieram muitas
casas de comércio, o complexo do Sanatório
Placa informativa sobre a história da Vila Galvão.
Estação de Vila Galvão na década de 1930.
Local da antiga Estação de Gopouva.
73
GUARULHOS Espaço de Muitos Povos
Teatro Padre Bento em 2008.
Padre Bento, o prédio da Sociedade Amigos
de Gopouva etc.
Sanatório Padre Bento
Cine-Teatro Padre Bento
Por sua importância histórica, foi tombado como patrimônio cultural da cidade, em
7 de março de 1990, conforme a Lei no 3.587/90,
que também tombou o prédio da igreja católica, ambos no interior do hospital. Localiza-se
na Av. Emílio Ribas, no 1.573, no bairro Jardim
Tranquilidade.
Estação Vila Augusta
Foi a terceira estação do ramal, inaugurada
em 1o de fevereiro de 1916. Apesar de bastante
modificado, ainda existe no local o prédio da
antiga estação. A estrutura fica situada na esquina do Anel Viário com a Rua Augusta, de
frente para a Praça Carlos Dengler. No entorno da estação estabeleceram-se moradias, fábricas, cinema e uma agência do Correio. Entre os
empreendimentos, destacamos a fábrica da faComplexo hospitalar situado na região mília do imigrante italiano Giuseppe Saraceni.
entre o bairro de Gopouva e o Jardim Tranquilidade. É dotado de hospital, campo de
futebol, pequeno povoado, igreja, teatro, piscina, escola etc. No início, era uma instituição particular para tratamento de saúde mental. Em maio de 1931, foi adquirida pelo
Governo paulista e destinada ao tratamento
de portadores de hanseníase (lepra), sendo
inaugurada no dia 5 de junho de 1931. Seu
nome é uma homenagem ao padre Bento Dias
Pacheco, por sua dedicação assistencial aos
hansenianos.
Estação Vila Augusta.
74
Espaço de Muitos Povos GUARULHOS
Casa José Saraceni
Parada Sorocabanos
Não chegava a ser uma estação e começou
a existir depois que o sistema de trens passou
para a propriedade do complexo Sorocabana,
a partir de 1942. A companhia construiu 140
casas para os funcionários, complexo que recebeu o nome de Núcleo Ferroviário Vila dos
Sorocabanos, implantado em 12 de junho de
1954. Ao passar pelo local, o trem parava para
embarque e desembarque dos funcionários da
Sorocabana, onde hoje fica a Praça Luiz
Matheus Maylaski.
Giuseppe Saraceni, italiano de Castiglione, chegou ao Brasil em 1895. Em 1919, adquiriu um terreno entre a Penha e Guarulhos,
onde construiu sua residência e no porão da
casa instalou uma fábrica de perneiras e calçados, que se transferiu de São Paulo para
Guarulhos. Em 1973, a Chácara Saraceni foi
vendida para a Indústria de Máquinas de Escrever Olivetti. Tombado pelo Decreto n o
21.143, atualmente o imóvel pertence ao Internacional Shopping Guarulhos, localizado
na Rua José Saraceni, n o 162, no bairro
Itapegica.
Estação Guarulhos
Localizada na atual Praça IV Centenário, no
Jardim Santa Francisca, teve sua construção iniciada em 1914, sendo inaugurada em 4 de fevereiro de 1915. A inauguração oficial aconteceu
com a viagem que transportou o arcebispo de
São Paulo, d. Duarte Leopoldo da Silva. Após a
desativação do sistema de trens de ferro da Sorocabana, no local passou a funcionar uma Escola Municipal de Educação Infantil, que atualmente é a sede do Arquivo Histórico de Guarulhos. Todas as estações de Guarulhos foram
projetadas pelo engenheiro Torres Tibagy.
Réplica da Estação Guarulhos.
75
GUARULHOS Espaço de Muitos Povos
Estação Cumbica
1965, deixando mágoas e saudades na memóSituada dentro da Base Aérea de Cumbi- ria da cidade.
ca, foi inaugurada em 1942, antes mesmo do
funcionamento da base. O fato explica-se pela
necessidade de transportar materiais para a
construção da base. Para atender os militares
da Aeronáutica eram realizadas duas viagens
por dia: uma às 6h45 da manhã, que partia da
Estação Tamanduateí, em São Paulo, e outra à
tarde, às 16h30, saindo da base. O trem da Sorocabana foi desativado em 31 de maio de
76
Espaço de Muitos Povos GUARULHOS
CIRCUITO 7 – VILA GALVÃO
Completam o Complexo Cultural da Vila
Na região da Vila Galvão são encontrados Galvão o Centro Permanente de Exposição José
importantes equipamentos públicos de lazer e Ismael, a Academia Guarulhense de Letras e o
Estádio Cícero Miranda.
cultura.
Lago de Vila Galvão
Zoológico Municipal e
No local ficam os prédios do Teatro Nelson Museu de Ciências Naturais
Rodrigues, Museu Histórico e Biblioteca Municipal, projetados por Ramos de Azevedo, que
foi sede da Fazenda Cabuçu, de propriedade de
Francisco Galvão Vasconcelos até 1918, e, posteriormente, restaurante e instalações do Parque
Balneário Vila Galvão. Na década de 1980, a Prefeitura passou a utilizar esses equipamentos para
a função atual. Com pista de caminhada, quiosques de alimentação, restaurantes e equipamentos de cultura, o Lago dos Patos recebe aproximadamente 3 mil visitantes nos fins de semana.
Criado em 1981, em área de 70.000 metros
quadrados, no Jardim Rosa de França, o espaço mantém aproximadamente 300 animais de
80 espécies. Em 2005, recebeu o Museu de Ciências Naturais Sylvio Ourique Frajoso e o Centro de Educação Ambiental.
Estádio Cícero Miranda em 2008.
Animal do Zoológico Municipal.
Lago de Vila Galvão.
77
GUARULHOS Espaço de Muitos Povos
Entrada do Zoológico Municipal.
78
Av. Timóteo Penteado na década de 1940,
altura da caixa-d’água.
Espaço de Muitos Povos GUARULHOS
CIRCUITO 8 – CABUÇU – TABOÃO
Capela do Senhor Bom Jesus da Cabeça
sobre a sua origem e como veio parar na Igreja
do Cabuçu. No mês de agosto acontece a festa
em devoção ao Bom Jesus da Cabeça.
Estrada do Cabuçu
Observa-se um diferencial quando se fala
em estrada: todas elas são estreitas e com muitas curvas, o trajeto obedece a topografia do
terreno e, normalmente, quando possui o nome
de estrada é porque é muito antiga. A Estrada
do Cabuçu localiza-se no meio da Serra da Cantareira, ligando os bairros de Vila Galvão e
Taboão; ao longo dela localizam-se vários patrimônios culturais e ambientais.
Parque Estadual da Cantareira
Situada no Cabuçu, às margens da estrada,
foi construída em 1850 pelo negro Raymundo
Fortes, conhecido por mestre Raymundo, em
terras de Joaquina Fortes Rendon de Toledo,
na fazenda onde Raymundo era escravo.
A origem da cabeça do Bom Jesus foi e continua sendo motivo de polêmicas. Há dúvidas
Praça 8 de dezembro – Taboão, 2008.
O parque possui 7.916 hectares, sendo a
maior floresta tropical em meio urbano do
mundo. Abrange os municípios de Guarulhos, Caieiras e Mairiporã, com vegetação de
Mata Atlântica, importantes nascentes de
água e variadas espécies de animais. É a maior
riqueza ecológica que o município possui. Dentro do Parque, em 1907, foi construída a
Parque Estadual da Cantareira em Guarulhos.
79
GUARULHOS Espaço de Muitos Povos
Represa do Cabuçu e, segundo consta, foi a
primeira obra no estilo edificada com cimento e ferro, importados da Inglaterra. Outros
pontos da região considerados relevantes
são: Cachoeira da Macumba, Estrada dos
Veigas, Casa da Vila Burguese, Portão e a
Estrada dos Veigas.
Arqueduto de 1,2 metros de diâmetro e
16,6 quilômetros de comprimento, para
transporte de água da Represa Cabuçu.
80
Cachoeira da Macumba – bairro Taboão.
Espaço de Muitos Povos GUARULHOS
CIRCUITO 9 – BOM CLIMA – COCAIA
Cúria Diocesana
Paço Municipal
Local de onde pode ser vista uma bela
paisagem, aliada a um clima maravilhoso, daí
veio seu topônimo, Bom Clima. Em 1975, a
fazenda foi desapropriada para receber a sede
da Prefeitura. Depois da transferência da Prefeitura da Praça Getúlio Vargas para o Bom
Clima, o bairro passou a crescer. O gabinete
do prefeito ocupa a antiga sede da fazenda.
Parque Jornalista J. B. Maciel
Um bom motivo para conferir a paisagem
do Bom Clima é conhecer o Parque J. B. Maciel,
Desde sua construção, no início da década de 1980, guarda em seus arquivos livros de
tombo, certidões de óbito e de batismo de colonizadores portugueses, escravos índios e negros, bem como inventários e demais documentos que formam importante acervo para
a reconstituição da história local. A Cúria Diocesana localiza-se na Av. Gilberto Dini, no
bairro Bom Clima.
Paço Municipal.
81
GUARULHOS Espaço de Muitos Povos
inaugurado no dia 12 de outubro de 2005 e
que, ao lado da sede da Prefeitura, ocupa 33
mil metros quadrados de área, com pista para
caminhadas, parque infantil, mesa de jogos, área
de eventos e mirante.
Parque Jornalista J. B. Maciel.
Igreja São João Batista dos Morros
Construída na década de 1940, fica localizada na Praça Nello Poli, bairro Cocaia, no final da
Av. Faria Lima. Seu prédio foi tombado pelo Decreto Municipal no 21.143, de dezembro de 2000.
Está aberta aos cultos e visitação.
82
Igreja São João Batista dos Morros.
Espaço de Muitos Povos GUARULHOS
CIRCUITO 10 – PONTE GRANDE
ceição. No local existiu, entre outras coisas, uma
Traçado da antiga Estrada da Conceição, pequena indústria de fabricação de barcos.
via Penha, trecho da Estrada do Cabuçu,
bairro do Porto da Igreja de Nossa Senhora Estrada Velha do Cabuçu
da Conceição, a sede do Clube Tietê e o
Shopping Internacional de Guarulhos.
Estrada da Conceição
Nome de uma das primeiras estradas de ligação entre a aldeia de Nossa Senhora da Conceição e a Vila de São Paulo de Piratininga; vindo pelo bairro da Penha, alguns trechos
correspondem ao traçado da Av. Guarulhos.
Existe, também, a Estrada da Conceição, que
vem de Santana para Guarulhos.
Ponte Grande / Rio Tietê
No Rio Tietê, no bairro da Ponte Grande,
deságua o Rio Cabuçu de Cima. Entrando no Jardim Munhoz, consta em uma placa, num pequeno
trecho de rua, o nome da Estrada Velha do
Cabuçu, provável caminho de ligação que se formou através dos rios.
Clube Tietê
A travessia por terra de Guarulhos à Penha
demandou, historicamente, a construção de grandes pontes. Do tamanho da ponte, que já teve
várias versões, surgiu o nome do bairro. Hoje se
chama Viaduto dos Imigrantes Nordestinos, inaugurado após a retificação do Rio Tietê, em 1982.
No tempo em que o Rio Tietê não era poluído, a população usava-o também para suas
atividades de lazer. Piqueniques, banho, pescaria e caça eram algumas das formas de diversão
dos moradores. Nesse espírito, organizou-se, no
bairro da Ponte Grande, o Clube do Tietê, que
mantém atividades com o mesmo intuito. Próximo ao Clube Tietê, a Prefeitura mantém atividades esportivas e de lazer, no Estádio Arnaldo José Celeste.
Porto da Igreja
Durante o ciclo do tijolo, antes da implantação da linha férrea em Guarulhos, o Rio Tietê
era utilizado como hidrovia para transporte de
cargas e pessoas. Daí surgiu a necessidade de
um local para carregamento dos barcos que
transportavam tijolos, areia, pedra e madeira
para a Ponte das Bandeiras, em São Paulo. Por
isso, o bairro foi batizado com o nome de bairro do Porto da Igreja de Nossa Senhora da Con-
Clube Tietê.
83
GUARULHOS Espaço de Muitos Povos
Parque Ecológico do Tietê
ciados pela população de São Paulo e GuaruLocalizado entre a Rodovia Ayrton Senna e lhos. Dentro da área do Parque Ecológico foi
a Av. Assis Ribeiro, proporciona espaços de edu- inaugurado, em 27 de fevereiro de 2005, o campus
cação ambiental e de lazer que podem ser apre- da Universidade de São Paulo (USP Leste).
Parque Ecológico do Tietê.
84
Espaço de Muitos Povos GUARULHOS
5
Grupo Os favoritos da catira, durante a Festa de Nossa Senhora de Bonsucesso.
Guarulhos – Diversidade
Cultural e Religiosa
F
alar da cultura e da religiosidade guarulhenses é identificar os fios de um rico tecido social que durante todo o processo de
ocupação humana do território foi sendo urdido com muitas cores e
texturas. Através do mapeamento cultural e religioso podemos verificar as contribuições dos diferentes grupos étnicos que, no processo de
evolução urbana, instalaram-se na cidade.
As diferentes formas de organizar a vida social, de conceber e
expressar a realidade dos Maromomi, dos portugueses, dos italianos, japoneses, árabes, dos paulistas do interior, dos mineiros, baianos,
pernambucanos, paraibanos, entre outros, ganham forma nas manifestações culturais e religiosas existentes na cidade.
A multiplicidade religiosa no município expressa-se através do
Cristianismo, que além da Igreja Católica se faz presente através de Igreja Assembleia de Deus,
fundada em 1947 –
muitas outras igrejas oriundas do Protestantismo. O universo relifoto de 1953.
gioso amplia-se com outros segmentos religiosos de origem africana e asiática.
São inúmeras igrejas protestantes e ramificações religiosas: Presbiteriana, Batista, Metodista,
Luterana, Brasil para Cristo, Congregação Cristã do Brasil, Pentecostal e ramificações religiosas como
Seicho-No-Iê, Perfecty Liberty, Igreja Messiânica, Budista, Umbanda, Candomblé, Espiritismo etc.
A pluralidade cultural e religiosa abre um leque de
atividades que têm origem nos diferentes momentos da
história da cidade e demonstram como os sujeitos sociais vivenciam seus costumes e experiências culturais.
Para uma melhor sistematização, dividiremos a questão
cultural em cinco tópicos: manifestações de tradição religiosa, de tradição caipira, de tradição estrangeira, movimentos culturais, casas de cultura e instituições públicas de cultura.
Evento de hip-hop realizado pelo
Espaço Cultural Florestan Fernandes.
85
GUARULHOS Espaço de Muitos Povos
MANIFESTAÇÕES DA CULTURA
TRADICIONAL DE INFLUÊNCIA CATÓLICA
A presença da Igreja Católica como principal instituição orientadora e reguladora da vida
social durante todo o processo de evolução do
município possibilitou a reelaboração de manifestações da cultura popular com forte influência religiosa. Desse processo podemos destacar
as festas de Bonsucesso, da Carpição e do Santuário de Bom Jesus da Cabeça, a Procissão do
Cristo Morto (Corpus Christi) e a Folia de Reis.
Festas de Bonsucesso e Carpição
Capela de São Benedito, erguida em 1800.
Santuário leva milhares de devotos, todos os
anos, a buscar um punhado de terra que é jogada a poucos metros de distância ou levada como
amuleto pelos devotos. Com o calçamento do
terreiro, permaneceu apenas um tanque para co-
Foto João Machado.
Acontecem anualmente entre a Igreja de
Nossa Senhora de Bonsucesso, uma das mais
antigas do município, construída em taipa de
pilão, e a Capela de São Benedito. Segundo data
oficial da igreja, em 2008 a festa completou sua
268a edição. A festa tem dois momentos: o primeiro é a Festa da Carpição, que acontece na
primeira segunda-feira do mês de agosto. Inicialmente, ocorre a carpição do terreiro da igreja
como preparação para a Festa de Nossa Senhora de Bonsucesso, que acontece no último fim
de semana do mesmo mês. Com o passar dos
anos, ganhou outros significados e importância. A crença no poder milagroso da terra do
86
Festa da Carpição, 2007.
Espaço de Muitos Povos GUARULHOS
locação da terra utilizada no ritual. O segundo
momento é a Festa de Nossa Senhora de Bonsucesso, que termina no último fim de semana
do mês de agosto com romarias, cavalgadas, folia de reis, cantorias, procissões, missas e feiras.
As novenas e preparações acontecem durante
todo o mês de agosto. Além das atividades religiosas, a Prefeitura promove eventos culturais
para atendimento ao grande público e o fortalecimento da cultura tradicional, com apresentações de folias de reis, catira e cantores populares como Inezita Barroso, Renato Teixeira,
Almir Sater, Pena Branca, entre outros.
Festa do Santuário Senhor
Bom Jesus da Cabeça
de Toledo, (...) proprietária do latifúndio do
Cabuçu, consegue posse da sagrada relíquia,
removendo-a para sua fazenda, onde a venerou
em oratório particular. Por morte de d. Joaquina
Fortes, passou a imagem para o poder do preto crioulo Raymundo Fortes, ex-escravo e pajem da fazendeira, e daquele para o de outro
Raymundo Fortes, neto do primeiro e
continuador da devoção por d. Joaquina, instituída, tornada pública e difundida com a construção da ‘capelinha’, por volta de 1850”.
(Freitas, 1934 in: Santos, 2006.)
Atualmente, a festa é organizada pelas irmãs servas do Sagrado Coração de Jesus Agonizante, que assumiram o Santuário localizado
em área da Serra da Cantareira, em 1985.
Procissão do Cristo Morto
A celebração é realizada pela Igreja Matriz
Nossa Senhora da Conceição, fundada em 1685.
A principal atividade da comemoração é a procissão da imagem do Cristo Morto pelas ruas
do centro histórico. Conforme os depoimentos
do sr. Álvaro Mesquita e de d. Celina, a procissão percorria as ruas D. Pedro II e Sete de Setembro. No passado recente, as famílias enfeitavam as janelas com toalhas de renda, colocavam
imagens de santos, enfeitando a passagem do cordão religioso com altares e contavam com o
Capela do Senhor Bom Jesus da Cabeça –
Região Cabuçu.
Localizada na Estrada do Cabuçu, é considerada a terceira mais antiga capela do município. A festa acontece no início de agosto, com a
realização de missa caipira, procissão e outras
manifestações culturais que contam com a participação de romeiros de várias cidades. A origem da cabeça está cercada por lendas: “...a
primitiva cabeça do Bom Jesus de Pirapora foi
separada do corpo e recolhida à sacristia do
Santuário, onde permaneceu até que a respeitável senhora paulista, d. Joaquina Fortes Rendon
Igreja Matriz, em 1906.
87
GUARULHOS Espaço de Muitos Povos
Corporação Musical Banda Lyra de Guarulhos, fundada em 1908.
acompanhamento da Corporação Musical Lyra
de Guarulhos. A procissão continua sendo realizada, anualmente, no Corpus Christi, mas as residências cederam lugar às casas comerciais, e a
tradição de enfeitar as janelas desapareceu. Por
falar em Banda Lyra, grupo musical criado em
1908, completou 100 anos em 2008 e atualmente anima todos os meses o Baile da Melhor Idade e outras atividades culturais do município.
MANIFESTAÇÕES DA CULTURA
TRADICIONAL DE INFLUÊNCIA
SERTANEJA
Com o processo de urbanização e deslocamento das populações rurais para os centros urbanos, as vivências culturais sertanejas manifestam-se na recriação de espaços de convivência e
atividades coletivas. A presença sertaneja expressa-se em Guarulhos na música de raiz, catira, casas do norte, casa de danças regionais, festas nordestinas e grupos de repentistas.
Festa da Nossa Senhora de Bonsucesso –
apresentação de Áurea Fontes e o
grupo Viola Viva.
vulgou artistas como Pena Branca e Xavantinho, Oliveira e Olivaldo, entre outros; a Associação Uma Viola na Cidade, por Orlando
Ramos, que continua reunindo os amantes da
música de raiz; e o Viola Viva, coordenado
por Áurea Fontes, que reúne violeiros e cantores, todo último domingo do mês. Os principais representantes desse gênero foram Aleixinho, da dupla Aleixo e Aleixinho, Pena
Música de Raiz
Muitas iniciativas possibilitaram a produ- Branca e Xavantinho e Índio Vago, composição e a difusão da moda de viola, música de tor da música Mágoa de Boiadeiro.
raiz do sudoeste. As principais foram a criação da Associação Guarulhense de Artistas Os Favoritos da Catira
Sertanejos (Agas), por Manuel Resende, que
O grupo de dança criado em 1983, cooriginou a Orquestra de Viola da Agas e di- ordenado por Edson Fontes e formado por
88
Espaço de Muitos Povos GUARULHOS
homens e mulheres de várias idades, reafirma a tradição cultural das famílias que vieram do campo; atualmente é um dos mais
conhecidos grupos do Brasil, participando,
inclusive, do filme “Tapete Vermelho”. Os
Favoritos da Catira, ao som da moda de viola de Oliveira e Olivaldo, divulgam a tradicional dança, um sapateado marcado com
batidas de palmas e pé, no ritmo da viola.
Símbolo da presença nordestina na cidade,
estão em todo o município, principalmente nos
bairros que surgiram a partir da década de
1960, nas zonas norte e oeste da cidade. Vendem produtos alimentícios e oferecem comidas típicas como favada, buchada, carne-seca,
sarapatel, baião-de-dois e outros produtos nordestinos.
Casas de Danças Regionais
As Casas do Norte
Uma das casas do norte da cidade –
bairro Bela Vista.
Também é forte a presença de casas de
forró na cidade. As mais conhecidas atualmente são a Mansão Danças, na Av. Tiradentes; e
o Canecão, na confluência da Av. Monteiro
Lobato com Otávio Braga de Mesquita, que
oferece shows de bandas e artistas de forró e
sertanejo. Nas décadas de 1980 e 1990, as festas nordestinas realizadas na Praça Getúlio
Vargas e posteriormente na Praça Oito de
Dezembro, no Taboão, foram legitimadas
pelo poder público municipal, possibilitando a assimilação e o reconhecimento das tradições nordestinas como forte elemento cultural do município.
Forró no Mansão Danças.
89
GUARULHOS Espaço de Muitos Povos
MANIFESTAÇÕES CULTURAIS
TRADICIONAIS DAS COLÔNIAS FORMADAS
POR IMIGRANTES ESTRANGEIROS
Casa São Jorge Guerreiro – artigos religiosos
afro-descendentes.
Desfile de carnaval em Guarulhos – final de 1970.
A cidade é formada por povos de mais
de 40 nações. A presença cultural desses povos originou colônias de imigrantes que se
reúnem, organizam eventos e mantêm vivas
tradições culturais de seus países de origem.
Em Guarulhos as escolas celebram a Festa
das Nações em homenagem aos vários povos que convivem no território. Os grupos
étnicos organizam festas ou semanas culturais
por meio de suas colônias, com exposições e
apresentações de danças, músicas e comidas
típicas. Anualmente,
eventos desse tipo são
organizados principalmente pelo Círculo Italiano, Liga Árabe Cultural e Associação da
Cultura Nipônica.
Espaço Cultural
Florestan Fernandes.
90
MOVIMENTOS CULTURAIS
E CASAS DE CULTURA
As décadas de 1960 e 1970 corresponderam
ao período de maior repressão política da ditadura militar. Os espaços públicos de convivência social na cidade de Guarulhos e demais centros urbanos desapareceram devido ao controle
repressivo. No final da década de 1970, os movimentos culturais assumiram um papel fundamental para dar voz ao povo por meio de linguagens artísticas. Os Centros Populares de Cultura, as Casas de Cultura e Associações Culturais tiveram papel importante no processo de
Espaço de Muitos Povos GUARULHOS
democratização, anistia e posterior abertura política, como instrumentos de discussão e divulgação dos problemas sociais, além de constituir-se importante espaço de fruição artística
e cultural para jovens estudantes, professores
e operários. As principais iniciativas registradas
na cidade de Guarulhos nos últimos 30 anos
foram: Temporada de Arte e Cultura (TAC),
Casa de Cultura Paulo Pontes (1977) e Grupo
Cultural Letra Viva.
Foto Isabel Borazanian.
Temporada de Arte e Cultura (TAC)
Teatro da Biblioteca Municipal Monteiro Lobato,
em 1981.
Realizada no mês de agosto pela Prefeitura
de Guarulhos, regulamentada pelo Legislativo
em 8 de junho de 1973, era realizada inicialmente na Biblioteca Municipal Monteiro Lobato.
Principal ação pública de cultura nas duas últimas décadas do século XX, promovia apresentações de música e cinema, entre outras manifestações artísticas.
Casa de Cultura Paulo Pontes
Movimento cultural que propunha reunir
pessoas e grupos interessados no desenvolvimento artístico e cultural para, por intermédio
do trabalho coletivo, criar opções de lazer na
cidade de Guarulhos. A história da Casa de Cultura Paulo Pontes tem dois momentos.
O primeiro, de 1977 a julho de 1978, no qual,
de forma itinerante, aproximadamente 18 pessoas
organizavam atividades culturais nos bairros; eram
os domingos de lazer. Com o objetivo de mapear
os problemas e organizar os trabalhadores, o grupo organizava o jornal mural, atividades de música, capoeira, teatro, artes plásticas e brincadeiras
populares que culminavam em um domingo de
atividades, além do Cine Clube Popular.
O segundo momento, de 1978 a 1980, correspondeu ao período de inauguração das instalações
físicas no bairro de Vila Fátima, ao lado da igreja, e
ampliação das ações nos movimentos sociais. Além
das atividades culturais, a Casa de Cultura Paulo
Pontes insere-se nas lutas e movimentos sociais
urbanos. A CCPP constituiu-se ponto de encontro para as lideranças inseridas em várias lutas sociais locais e nacionais, tais como o Comitê pela
Libertação de Presos Políticos (Anistia), o Movimento Feminista e a Oposição Sindical Metalúrgica
de São Paulo e Guarulhos. Em 1980, parte de seus
componentes organizaram o primeiro núcleo do
PT em Guarulhos e participaram da fundação
nacional do Partido dos Trabalhadores.
Domingos de Lazer – teatro de rua. Atores Celso Fratesch e Scapi, 1977.
91
GUARULHOS Espaço de Muitos Povos
Academia Guarulhense de Letras
Em dezembro de 1978, um grupo de escritores e profissionais liberais fundou a Academia
Guarulhense de Letras. O ato, coordenado pelo
sr. Gasparino José Romão, contou com a presença de autoridades e personalidades como Adolfo
Vasconcelos Noronha, Nicolina Bispo, João
Ranali, Oscar Gonçalves, Geraldo Penteado de
Queiroz, entre outros. A Biblioteca Monteiro
Lobato tornou-se sede da Academia nos primeiros tempos. Atualmente, a Academia conta com
37 cadeiras, algumas vagas, e está sediada no Centro Permanente de Exposições José Ismael, na Vila
Galvão. Anualmente publica uma revista literária.
Em 2007, publicou a revista de número 9.
Municipal. Antologia Letra Viva, lançada em
1982, marca a criação do grupo, com a participação dos poetas Álvaro Levadinha, Ângelo
Macedo, Anita Borazanian, Carlos Alberto de
Almeida, Castelo Hansen, Ciça B. Lima,
Edinaldo Couto, Isabel Borazanian, Nefi Tales,
Nelson Alves de Carvalho, Oscar Gonçalves,
Pedro Brito, Valdeli Jerunian e Wanderley B.
Carvalho. Além dos poetas da antologia, participaram do Letra Viva César Magalhães Borges,
Alfredo Ibrahim Khouri, José Alaércio Zamuner e Bosco Maciel. A influência do Letra
Viva estimulou a realização de certames de
poesia e, mais recentemente, o projeto A Palavra em Prisma, pelo Sistema Municipal de Bibliotecas.
Grupo Literário Letra Viva
A criação da Folha Literária, um caderno dominical da Folha Metropolitana, divulgou poemas
de autores da cidade e possibilitou o encontro
desses poetas na Igreja Matriz e, a partir de novembro de 1980, em recitais literários no Auditório Pedro Dias Gonçalves, da Biblioteca
Movimento de Juventude da Cultura Hip-Hop
Grande parte dos jovens guarulhenses se
identifica com o movimento de cultura hip-hop.
A cidade possui muitos grupos que participam
do movimento nas linguagens de dança, música, poesia, grafite e skate.
Grupo Literário Letra Viva – acervo Castelo Hansen.
92
Espaço de Muitos Povos GUARULHOS
Podemos destacar,
ainda, a presença da Associação dos Artistas Plásticos de Guarulhos, a Organização para o Desenvolvimento Econômico e
Sociocultural dos Afro-descendentes (Odesca) e
das ligas Regional e Nacional de Capoeira. Existe
uma forte presença de espaços culturais alternativos, como a Casa de Cultura do Jardim São João,
Evento de 1o de maio, em 1997.
Espaço Cultural Florestan
Fernandes, Espaço Cultural Zumbi dos Palmares, Casa de Cultura Água vimentos também organizam atividades
e Vida, Margarida Alves e Estação Vila enfocando a cultura e os direitos da população
Augusta. Recentemente, em parceria com o afro-descendente.
Ministério da Cultura, foram instalados os
Pontos de Cultura.
Semana da Consciência Negra
Atividade que vem ganhando importância pelo volume e qualidade dos eventos
promovidos pelos grupos afro-descendentes da cidade.
A pastoral afro-descendente da diocese
de Guarulhos realiza há mais de vinte anos a
missa afro-brasileira. Por ocasião da missa, o
cenário da capela é totalmente modificado;
entram em cena atabaques, tambores, agogôs,
incenso, cânticos, roupas e cores, tudo se modifica em relação às missas tradicionais.
Há sete anos a Prefeitura municipal organiza a Semana da Consciência Negra. As atividades da semana consistem na realização de
debates, mostra de filmes, shows e caminhadas.
As atividades acontecem nos dias que antecedem o dia 20 de novembro, data em homenagem a Zumbi dos Palmares.
Além da pastoral afro-brasileira e da Prefeitura, muitas outras entidades, grupos e mo-
Missa afro-brasileira – Igreja Jardim São João,
em 2007.
Semana da Consciência Negra, em 2007.
93
GUARULHOS Espaço de Muitos Povos
INSTITUIÇÕES PÚBLICAS DE CULTURA
As principais instituições públicas de cultura mantidas pelo poder municipal são: Biblioteca Municipal Monteiro Lobato, Conservatório Municipal de Música, teatros municipais, centros de exposição de artes, museus e Arquivo
Histórico Municipal.
Atualmente, é sede do Sistema Municipal
de Bibliotecas, que é integrado por sete bibliotecas públicas, um espaço de troca de livros e
uma biblioteca de música do Conservatório. A
cidade conta, também, com duas bibliotecas de
Educação, mantidas pela Secretaria de Educação, e espaços de leitura nos Centros de Educação
Ambiental do Jardim City e Zoológico Municipal.
Fundada em 1940, funcionou inicialmente
no antigo Paço Municipal, localizado na Rua
Felício Marcondes, sendo transferida para o prédio atual, na Rua João Gonçalves, em 1968. A construção resultou na remoção dos restos mortais de
negros, índios e famílias pobres, sepultadas em
parte do cemitério São João Batista.
Com o único auditório público da cidade,
tornou-se referência para os movimentos culturais, como Cine Clube Popular Paulo Pontes,
Grupo Literário Letra Viva, Festival de Teatro
Amador, Festival de Música e demais manifestações culturais.
Foto Isabel Borazanian.
Biblioteca Pública Monteiro Lobato
Teatro da Biblioteca Municipal Monteiro
Lobato, em 1981.
Biblioteca Pública Municipal Monteiro Lobato, em 2007.
94
Espaço de Muitos Povos GUARULHOS
Conservatório Municipal de Música
Teatros Municipais
Apresentação do Conservatório Municipal.
Teatro Nelson Rodrigues.
Criado em 1961, oferece cursos regulares
de violão, piano, flauta, saxofone, clarinete, violino, viola caipira, trompete, trombone, canto, percussão e monitores de coral. Além de
formação individual, mantém projetos de formação de grupos musicais e a Orquestra Jovem
Municipal. A ação do Conservatório Municipal de Música colaborou para a formação de
uma geração de músicos, cantores e compositores clássicos e populares da cidade.
A cidade conta com o Teatro Nelson Rodrigues (antiga sede da Fazenda Cabuçu), que dispõe de 197 lugares e fica no bairro da Vila
Galvão; o Teatro Padre Bento (Sanatório Padre
Bento), no bairro da Tranquilidade, que atualmente passa por restauração; o Teatro Adamastor, na Av. Monteiro Lobato (antiga Fábrica de
Casimiras Adamastor), com 670 lugares; e o
Adamastor Pimentas, na Estrada do Caminho Velho, para 670 pessoas. A ocupação desses espaços
Vista aérea do Centro Educacional Adamastor.
95
GUARULHOS Espaço de Muitos Povos
acontece com atividades culturais promovidas
pela Secretaria de Cultura, locação por grupos,
atividades educacionais e políticas da Administração Pública e grupos particulares.
Centros de Exposição de Arte
A cidade conta com três principais espaços
públicos de exposição: o Centro de Exposições
Professor José Ismael, no Complexo Cultural
da Vila Galvão; o espaço de Exposição da Biblioteca Monteiro Lobato e o Espaço de Exposição Adamastor, na Av. Monteiro Lobato.
Além dos espaços públicos, a cidade possui vários espaços de exposição em hotéis e centros
de convenções, no aeroporto e no Shopping
Internacional.
Museu Municipal.
dio projetado por Arthur Azevedo foi, até
1918, salão de baile da Fazenda Cabuçu e, a
partir de 1920, restaurante do Parque Balneário de Vila Galvão.
O Arquivo Histórico de Guarulhos possui
acervo de imagens, jornais e documentos da administração pública, os quais estão reunidos na Casa
Museus e Arquivo Histórico Municipal
A cidade conta com acervo museológico, Amarela, que foi, até 1965, a casa do chefe da
em exposição no Lago da Vila Galvão. Um pré- Estação Guarulhos, na Praça IV Centenário.
Casa Amarela – antiga casa do chefe da Estação Guarulhos, atual Arquivo Histórico, em 2008.
96
Espaço de Muitos Povos GUARULHOS
6
Pistas do Aeroporto Internacional de São Paulo, Guarulhos, Cumbica.
Retrospectiva Histórica
60 milhões de anos atrás – Geologia: nesse período formou-se o espaço com as características atuais do território da cidade, época em que ocorreu o afundamento da região onde
atualmente localiza-se o Aeroporto Internacional de São Paulo - Guarulhos, ao longo do Rio
Baquirivu-Guaçu.
1400 – Povoamento indígena: por volta do ano de 1400, guerreiros Tupi, vindos do Paraguai,
ocuparam o Sudeste, expulsando os antigos habitantes do litoral. Os Maromomi deslocaram-se
para as serras do Mar, da Mantiqueira e da Cantareira, Vale do Rio Paraíba e região norte do Rio
de Janeiro.
20 de janeiro de 1535 – Capitania de São Vicente: doada por d. João III a Martim Afonso
de Souza, por alvará.
25 de janeiro de 1554 – Fundação de São Paulo: é inaugurado pelos jesuítas o Colégio de
Piratininga, com missa celebrada pelo padre Manuel de Paiva no local chamado, atualmente, de
Pátio do Colégio.
Situação primitiva
Situação em 1935
Situação em 1886
Situação em 2000
Instituto Florestal/1976, in Reserva da Biosfera da Mata Atlântica e sua
aplicação no Estado de São Paulo/1998
EVOLUÇÃO DO DESMATAMENTO NO ESTADO DE SÃO PAULO
97
GUARULHOS Espaço de Muitos Povos
8 de dezembro de 1560 – Guarulhos aldeia: fundação da Aldeia de Nossa Senhora da
Conceição dos Guarulhos, de acordo com os
memorialistas Adolfo Noronha, Gasparino
Romão e João Ranali. De acordo com a Lei no
2.789/83 foi oficializado o nome do padre
Manuel de Paiva como fundador. Sobre o local
de fundação, veja a página 63.
1597 – Ouro em Guarulhos: o bandeirante paulista Afonso Sardinha descobre ouro em
Guarulhos, atividade econômica que se estendeu por mais de 200 anos.
1599 – Visita do governador-geral do Brasil: a descoberta de ouro nas cinco minas paulistas (Pico do Jaraguá, Guarulhos, Paranaguá,
Santana de Parnaíba e Sorocaba) fez com que o
governador-geral do Brasil, d. Francisco de Souza, visitasse as áreas de mineração, entre elas a de
Guarulhos, em 1599 e em 1601.
1600 – Estrada Geral: ocorre a abertura
da Estrada Geral, hoje Estrada de Nazaré e
Av. João Paulo I.
1611 – Car ta de Sesmaria: Geraldo
Corrêa recebe Carta de Sesmaria; um dos garimpos de ouro em Guarulhos possuiu o
nome de Lavras Velho do Geraldo; o personagem é um dos bandeirantes paulistas.
1640 – Aparecimento da palavra Guarulhos: os primeiros habitantes da Aldeia de
Nossa Senhora da Conceição, os indígenas
Maromomi, passaram a ser chamados de Guarulhos.
1666 – Capela: após Francisco Cubas participar de expedição, provavelmente à Serra da
Mantiqueira, trouxe para Guarulhos grande
quantidade de índios para sua propriedade em
Bonsucesso. Em 1670, fundou uma capela que
ficou como referência deste bairro até os dias
de hoje.
1675 – Guarulhos distrito: divisão territorial e administrativa ligada a São Paulo.
8 de maio de 1685 – Guarulhos freguesia: Nossa Senhora da Conceição dos Guarulhos é elevada à categoria de freguesia.
1685 – Igreja Matriz: fundação da Paróquia de Nossa Senhora da Conceição dos Guarulhos, atual Igreja Matriz, localizada na Praça
Tereza Cristina.
1741 – Festa da Carpição: é a mais antiga
manifestação cultural do catolicismo popular,
que, há mais de 250 anos, acontece na Igreja de
Bonsucesso. São dois eventos: Festa da Carpição,
que acontece na primeira segunda-feira de agosto, e a da Nossa Senhora de Bonsucesso, no último final de semana do mesmo mês.
1750 – Igreja da Irmandade de Nossa
Senhora do Rosário dos Homens Pretos:
nesta data, a referida igreja, que ficava entre a
Praça Conselheiro Crispiniano e a Rua D. Pedro
II, foi benta. Essa igreja foi demolida no final
de 1920.
1800 – Igreja de Bonsucesso: edificação
da atual Igreja de Nossa Senhora de Bonsucesso, por Antônio Xavier D’Ávila.
1812: visitado em 1888
um dos locais de mineração
em Guarulhos, foi constatada a paralisação da ativi-
Igrejas de Nossa Senhora de
Bonsucesso à esquerda e
de São Benedito ao fundo,
no final da rua. Segundo
fontes da Igreja, edificadas
em 1800.
98
Espaço de Muitos Povos GUARULHOS
Automóveis antigos em Guarulhos,
início do século XX.
Igreja Matriz, década de 1930.
dade em 1812, devido ao desabamento que vi- realizou-se a sessão que elegeu seu presidente e
timou diversos escravos, tendo havido nova ten- intendente municipal (prefeito), o capitão Joatativa, com prejuízo, em 1859, quando Joaquim quim Francisco de Paula Rabello.
8 de abril de 1883 – Italiano em Guarulhos:
Calbot tentou extrair ouro do “botado dos anno dia 8 de abril de 1883, aparece nos registros
tigos”, rejeito das lavras anteriores.
1815 – Fase de transição econômica: oficiais da Vila de Nossa Senhora da Conceição
fim da exploração de ouro em Guarulhos e dos Guarulhos o nome do italiano Francisco
do tráfico negreiro no Brasil. Quando cessou Muro, requerendo ser aliviado de multa.
11 de maio de 1884 – Primeira iluminaa mineração de ouro em Guarulhos, muitos
escravos foram levados com seus senhores, o ção pública: a Câmara aprova a colocação de
que causou redução do contingente popula- oito lampiões nas ruas da freguesia.
13 de maio de 1888 – Quilombo: ocorre
cional.
1860 – Imigração: a partir desta época, São a assinatura da Lei Áurea e a libertação dos
Paulo e suas freguesias passam a receber mui- escravos. É provável que em Guarulhos tenha
tos imigrantes europeus; mais para o final desse existido um quilombo, no Pico do Itaberaba.
século, árabes e asiáticos. Data aproximada do Na localidade existe um ribeirão com o nome
de Quilombo ou Ribeirão dos
início do ciclo do tijolo na econoPinheiros.
mia local.
24 de novembro de 1889 –
24 de março de 1880 –
Proclamação da República:
Emancipação política: GuaruGuarulhos toma conhecimento
lhos é elevada à condição de vila,
o
da Proclamação da República.
mediante Lei n 34, e deixa de
1905 – Libaneses: chega a
pertencer ao município de São
Guarulhos o libanês Antônio JorPaulo.
ge, que iniciou sua atividade pro24 de janeiro de 1881 – Prifissional como mascate, voltou
meiros vereadores e intendente:
para o Líbano e retornou a Guatomam posse os primeiros verearulhos em 1910, estabelecendo-se
dores da Câmara Municipal da Vila
Antônio Jorge, um dos
primeiros imigrantes
no centro da cidade como dono
de Nossa Senhora da Conceição
libaneses
de
Guarulhos.
da loja de tecidos Dois Irmãos.
dos Guarulhos. No mesmo dia,
99
GUARULHOS Espaço de Muitos Povos
6 de novembro de 1906 – Apenas Guarulhos: de acordo com a Lei no 1.021, Nossa
Senhora da Conceição dos Guarulhos passou a
chamar-se apenas Guarulhos. Em 19 de dezembro de 1906, Guarulhos é elevada à categoria
de cidade pela Lei Estadual no 1.038.
1908 – Japoneses: chegam ao Brasil as primeiras famílias japonesas que vieram a bordo
do navio Kasato Maru, desembarcando no Porto de Santos. Entre as famílias encontra-se o jovem Naoê Sonoda, que viajou na condição de
filho adotivo. Em 1923, vindo de Andradina,
Naoê vem para Guarulhos e compra uma gleba
de terra no bairro do Macedo. Posteriormente
muitas famílias japonesas vieram para a cidade
e se estabeleceram na região próxima aos bairros de Taboão, Cumbica, Bonsucesso e Jardim
Acácio, dedicando-se à produção de verduras,
flores, ovos etc.
Reunião da Associação Japonesa de
Guarulhos, em 1941.
29 de dezembro de 1908: a Tramway da
Cantareira foi autorizada pelo Governo do Estado a construir um ramal até o bairro Guapira,
e daí passando por Guarulhos, Bonsucesso e
Tomé Gonçalves.
1908 – Luz e Telefone: início da implantação da rede de telefonia e de energia elétrica.
1911 – Primeira fábrica: entra em funcionamento a primeira fábrica; trata-se da empresa de
produção de tijolos Cerâmica Paulista, posteriormente Companhia Agrícola e Industrial de Guarulhos, instalada no bairro de Vila Galvão. Devido à
Primeira Guerra Mundial (1914-1918), aumentou
o número de indústrias instaladas na cidade.
100
Olaria no bairro Ponte Grande.
19 de maio de 1913 – Iluminação: é aprovada a lei que autoriza a Light & Power a executar serviços de iluminação pública em Guarulhos por 30 anos. Em 30 de maio de 1914, é
inaugurada a luz elétrica em Guarulhos.
24 de fevereiro de 1915 – Trem da Cantareira: inauguração do ramal da Estrada de
Ferro Tramway da Cantareira, ligando Guarulhos à zona norte da cidade de São Paulo, por
meio do trem da Cantareira.
18 de agosto de 1922 – Imprensa escrita:
entra em circulação o primeiro jornal da cidade, o Tribuna de Guarulhos, sendo o pioneiro
Benedito Antônio Trama. Em 1934, Miguel
Parente funda o Correio do Povo. A Tribuna circulou durante um ano e o Correio por vários anos.
1o de julho de 1926 – Primeira Escola
Estadual: inaugurado pelo Governo do Estado, o Grupo Escolar de Guarulhos localizava-se na antiga Rua São Paulo (atual Rua
Luiz Faccini). Em 1935, foi transferida para
o local em frente à Praça Getúlio Vargas. O
nome Capistrano de Abreu foi dado em 1947,
por ocasião dos 50 anos de existência do
Grupo (Decreto no 16.720, de 15 de janeiro
de 1947).
16 de junho de 1927 – Matadouro: inicia-se a construção do primeiro matadouro, ficando o proprietário, Gino Mantovani, por tê-lo
construído, isento do pagamento de taxas municipais por 30 anos. O matadouro foi inaugurado em 13 de maio de 1929.
Espaço de Muitos Povos GUARULHOS
1928 – Primeiro movimento popular: o
primeiro movimento popular foi a mobilização
por transporte coletivo. Em 1928, existia uma
comissão popular pela regularização e aumento do número de auto-ônibus.
1930 – Construção da igreja na Praça do
Rosário: com a demolição da Igreja da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, na Praça Conselheiro Crispiniano, a mesma foi reconstruída na esquina da Av.
Sete de Setembro com a Rua João Gonçalves,
na Praça do Rosário.
3 de junho de 1931 – Sanatório Padre
Bento: inauguração do Sanatório Padre Bento,
hospital localizado no bairro de Gopouva. No
início, era destinado exclusivamente ao tratamento da hanseníase.
1932 – Pronto-Socorro: inauguração do primeiro Pronto-Socorro Municipal da Vigilância
Sanitária, que ficava localizado na esquina das
ruas Luiz Faccini com Siqueira Campos, nos fundos da Padaria Barão.
1932 – Primeira escola particular: a professora Nicolina Bispo, autora do Hino ao Centenário de Guarulhos, abre a primeira escola
particular. Ela recebia os alunos que concluíam
o Grupo Escolar e não tinham como continuar
os estudos.
26 de novembro de 1940 – Biblioteca:
inauguração da Biblioteca Pública Municipal,
criada pelo Ato no 232, editado pelo prefeito
Moreira Matos.
1942 – Boicotes dos japoneses à Segunda Guerra: de forma organizada, várias famílias da comunidade
asiática retiraram, no dia 19
de maio de 1942, todas as
mudas de amoreiras que seriam distribuídas aos agricultores guarulhenses e as des-
truíram. O boicote visou a eliminação do bicho-da-seda, que seria destinado à produção de
tecidos a serem utilizados na confecção de vestuário para os soldados do bloco aliado.
8 de agosto de 1943: fundou-se a Santa
Casa de Misericórdia de Guarulhos.
1944 – Migração: o início da construção
da Base Aérea de Cumbica e da Via Dutra atraiu
a Guarulhos milhares de migrantes nordestinos,
mineiros, paranaenses, entre outros.
26 de janeiro de 1945 – Base Aérea
Cumbica: inauguração da Base Aérea de
Cumbica, transferida do Campo de Marte, em
Santana, SP. Foi construída no terreno da antiga Fazenda Cumbica, doado pela família
Guinle.
1o de março de 1946: fundação da Empresa de Ônibus Guarulhos S/A.
1947 – Estação Cumbica: prolongamento
do ramal de trem da Sorocabana até a Base Aérea de Cumbica, única estação que existe até hoje.
1947: neste ano aconteceu a inauguração
de uma das primeiras igrejas evangélicas da
cidade; trata-se da Igreja Assembleia de
Deus.
3 de dezembro de 1949 – Praça Getúlio
Vargas: é declarado de utilidade pública o local onde hoje se encontra a Praça Getúlio Vargas,
para ser construída a sede da Prefeitura. Antes
da desapropriação, o local era o campo do Paulista Futebol Clube.
Rua D. Pedro II, em 1928 –
antigo modelo de ônibus.
101
GUARULHOS Espaço de Muitos Povos
da Comarca, em 31 de outubro
de 1954, foi nomeado o primeiro juiz de Direito, Sólon Fernandes.
1954 – Primeira agência
bancária: o Banco Moreira
Salles inaugura sua agência, sendo seu primeiro gerente o sr. Renato Rinaldi.
1955 – Correio: inauguração da Agência Postal Telegráfica, atual Agência do Correio,
no bairro de Vila Augusta.
1956 – Dados econômicos: nesse ano, Guarulhos
Av. Emílio Ribas – antiga caixa-d’água do SAAE –
contabiliza 90 indústrias de grandemolida no primeiro semestre de 2007.
de porte, 80 pequenas fábricas,
1950 – Ciclo industrial: a economia da 250 olarias, 40 portos de extração de areia, três
matadouros de gado e 30 engenhos voltados
cidade passa à sua fase industrial.
25 de março de 1951 – Santa Casa: constru- para a produção de cachaça.
28 de março de 1956 – Primeiro cartório:
ção da Santa Casa de Misericórdia de Guarulhos.
instalação do Primeiro Cartório de Registro de Imóveis, sendo o escrivão titular o dr. Lauro de Castro.
28 de agosto de 1956 – Cemitério do
Centro: no final do século XIX, Francisco
Antunes doou uma área de terreno para
ampliação do cemitério e, em troca, recebeu um jazigo perpétuo. Em 28 de agosto
de 1956, foi dado o nome de Cemitério São
João Batista.
1956 – Comercial Mesquita: é aberta a
Casa de Comércio Caça e Pesca, atual ComerSanta Casa de Misericórdia. Inaugurada
cial Mesquita.
em 1951, foi um dos primeiros espaços
1958 – Sindicatos: o primeiro a ser fundade atendimento à saúde.
do foi o Sindicato dos Condutores de Veículos
15 de julho de 1951 – Via Dutra: no dia 15 Rodoviários, em 1958. Depois vieram o Sindide julho é inaugurada a Rodovia Presidente cato da Construção Civil, em 1960, e dos Têxteis, em 1961.
Dutra, com duas pistas – trecho Guarulhos.
1958 – Rotary: foi constituído pela associ9 de dezembro de 1953 – Voto direto:
toma posse o primeiro prefeito de Guarulhos ação de rotarianos da cidade.
1958 – Prefeitura muda para a Praça Geeleito com voto da população, Rinaldo Poli.
30 de dezembro de 1953 – Comarca: é túlio Vargas: a Prefeitura sai da Rua Felício Marimplantada a Comarca em Guarulhos, por condes e vai para o prédio na Praça Getúlio
meio da Lei Estadual no 2.456. Após a criação Vargas.
102
Espaço de Muitos Povos GUARULHOS
1960 – Novas bandeiras do movimento
popular: as principais demandas dessa década são por melhorias nas ruas (conservação e
pavimentação), por água encanada, rede e tratamento de esgoto, iluminação pública, transporte, escolas e unidades de saúde.
10 de outubro de 1960 – Museu: fundação do Museu Municipal de Guarulhos.
1960 – CEF: instalação da agência da Caixa Econômica Federal.
8 de dezembro de 1960: Guarulhos comemora 400 anos de fundação, e é lançado o hino
a Guarulhos.
Comissão do IV Centenário.
1961 – Rodovia Fernão Dias: inauguração da Rodovia Fernão Dias.
1961 – Sindicato dos Metalúrgicos: os
metalúrgicos criaram sua associação em 1961,
transformada em sindicato no ano de 1963,
como subsede do sindicato de São Paulo. No
transcorrer da ditadura, a diretoria foi destituída e os militares nomearam Joaquim dos Santos Andrade interventor.
1962 – Escola Conselheiro Crispiniano:
é inaugurada a Escola Estadual Conselheiro
Crispiniano, em prédio projetado pelo arquiteto Vila Nova Artigas. Os alunos do Ensino
Médio foram transferidos do Grupo Escolar
Capistrano de Abreu para a nova escola.
1963 – Primeira greve operária na cidade:
pela primeira vez que se tem notícia, os trabalhadores do município participaram de um movimento grevista. Trata-se da greve geral que aconteceu
em outubro de 1963. Dela participaram cerca de
700 mil trabalhadores do Estado, 79 sindicatos e
quatro federações. A principal reivindicação era
de 100% de reajuste salarial.
20 de maio de 1963 – Senai: o governador Adhemar de Barros assina contrato para
implantação da Escola Senai.
16 de julho de 1963 – Acig: é fundada a
Associação Comercial e Industrial de Guarulhos (Acig), sendo seu primeiro diretor-presidente Nahim Hassam Rachid.
1964 – Bombeiros: entra em funcionamento o grupamento do Corpo de Bombeiros.
31 de maio de 1965 – Suprimido o trem
da Sorocabana: foi suprimido o ramal do trem,
sendo doada à Prefeitura a faixa de terra do trilho por onde ele circulava – Av. Castelo Branco/Av. Tancredo Neves, até a Base Aérea de
Cumbica (Lei no 1.267).
16 de agosto de 1965 – Faculdade de Direito da Vila Rosália: fundação da Sociedade
Guarulhense de Educação (Sage), ou Faculdades Integradas de Guarulhos, por Adolfo de
Vasconcelos Noronha e outros. O curso de
Direito, instalado no dia 31 de março de 1968,
funcionou, inicialmente, em um prédio locado
no bairro da Ponte Grande.
16 de janeiro de 1967 – Parque Cecap:
em 1967 ocorreu a inauguração dos primeiros
apartamentos no Parque Cecap. Posteriormente, em 1975 e 1982, foram inauguradas outras unidades. Projeto financiado pelo Banco
Parque Cecap, em 2007.
103
GUARULHOS Espaço de Muitos Povos
Nacional de Habitação, projetado pelos arquitetos Vila Nova Artigas e Paulo Mendes da Rocha.
30 de junho de 1967 – SAAE: início das atividades do Sistema de Abastecimento de Água
e Esgoto (SAAE), criado pela Lei no 1.286, alterado pelas Leis nos 1.841/73 e 2.508/81.
24 de abril de 1968 – Tribuna Livre: é instituída a Tribuna Livre na Câmara Municipal.
17 de novembro de 1968 – Delegacia
Seccional: é criada a Delegacia Seccional de Polícia, tendo o dr. Tito Maeta como primeiro delegado.
1970 – Migração: devido ao aumento na
oferta de empregos, a cidade atrai grande quantidade de migrantes.
13 de junho de 1970 – Prefeito cassado
com base no AI-5: perde o mandato o prefeito
Alfredo Antônio Nader, cassado por ato do presidente da República com base no AI-5. Nader
foi acusado de improbidade na contratação de
obra pública, processo tido como kafkiano.
1970 – Faculdade Farias Brito: começa a funcionar a segunda faculdade da cidade, a Faculdade de Filosofia Ciências e Letras Farias Brito, localizada no fundo da Igreja Matriz, com os cursos
de Letras, Estudos Sociais, Matemática, Física e
Biologia. Em 1985 passa a se chamar UNG.
Ladeira Campos Sales, em 1925.
1970 – Conjunto habitacional Brigadeiro Haroldo Veloso: conjunto de casas construído na cidade com recursos públicos, por
meio da Companhia Metropolitana de Habitação (Cohab), contabilizando 470 unidades.
104
Brasão alterado pela Lei no 6.357, de 25 de março
de 2008. As imagens do negro e da mulher, bem
como a justificativa sobre a presença de ambos,
deverá ser definida pela casa legislativa.
26 de agosto de 1971 – Figuinha: início
das atividades educacionais das Faculdades Integradas de Guarulhos (FIG), criadas a partir
da Associação Educacional Presidente
Kennedy. O primeiro vestibular abriu vagas
para 800 alunos e a primeira sede da Figuinha
ficava onde hoje é o Colégio Virgo Potens. Em
1972, acontece a mudança para a sede da Rua
Barão de Mauá. A instituição foi reconhecida
pelo Decreto Federal no 76.444, de 19 de novembro de 1976.
7 de setembro de 1971 – Guaru-News:
circula o primeiro número do jornal Guaru-News,
do mesmo grupo empresarial que lançou o Metrô-News e a Folha Metropolitana.
7 de dezembro de 1971 – Hino e Brasão:
são instituídos como símbolos do município o
Hino a Guarulhos e o Brasão de Armas.
23 de fevereiro de 1972 – Olimpíada Colegial: é instituída a Olimpíada Colegial Guarulhense, realizada todos os anos entre os meses de abril e maio.
26 de junho de 1972 – Funerária: é criado o serviço funerário do município, pela Lei
no 1.729.
15 de dezembro de 1972 – Segundo cartório: por meio da Lei Estadual no 67, é criado
o segundo Cartório de Registro de Imóveis.
1º de abril de 1973 – Sindicato dos Químicos: é lançado o projeto para construção da
sede do Sindicato dos Trabalhadores do Setor
Químico, na Rua Francisco de Paula Santana.
8 de junho de 1973 – TAC: é
criada a Temporada de Arte e Cultura.
10 de outubro de 1973 – Tiro
de Guerra: a Prefeitura recebe autorização para implantar o Tiro de
Guerra, de acordo com a Lei n o
1.888.
1973 – FIG na Vila Rosália:
inauguração do campus universitário
das Faculdades Integradas de Guarulhos na Vila Rosália. Início dos
cursos de Educação Física, Ciências
Contábeis e Administração. Em
2005, a instituição passa a se chamar
Centro Universitário Metropolitano
Paulista (Unimesp/FIG).
15 de dezembro de 1973 – Batalhão de Polícia: é instalado o 15o Batalhão Policial, substituindo a 2a ComSaae Guarulhos – Projeto de estações de tratamento de
panhia Independente.
esgoto. As obras foram iniciadas em 2008.
29 de fevereiro de 1976 – Delegacia de Ensino: por meio de
decreto, o governador Paulo Egídio Martins ta época a Associação de Capoeira Rosa
cria a Diretoria Regional e duas Delegacias Baiana. Por muitas vezes os integrantes do
Grupo de Capoeira do Mestre Mirão partide Ensino.
12 de agosto de 1976 – IML: entra em fun- ciparam das atividades de rua organizadas
cionamento o Instituto Médico Legal (IML), pela Casa de Cultura.
1977 – Abastecimento de água: Guaruinstalado no Cemitério da Vila Rio de Janeiro.
5 de setembro de 1976 – Prefeitura no Bom lhos integra-se ao Sistema Cantareira de AbasClima: os gabinetes do prefeito e dos secretários tecimento de Água da Sabesp; 95% da água
foram transferidos da Praça Getúlio Vargas para
a Casa Branca, no bairro Bom Clima.
2 de outubro de 1976 – Câmara de Vereadores na Praça Getúlio Vargas: realizou-se sessão solene para a instalação da nova sede da Câmara Municipal, na Praça Getúlio Vargas.
29 de outubro de 1976 – OAB: em solenidade no Fórum da Comarca de Guarulhos, foi
instalada a Ordem dos Advogados do Brasil.
1977 – Casa de Cultura Paulo Pontes:
em julho de 1977, é fundada, no bairro Vila
Fátima, a Casa de Cultura Paulo Pontes, organizada por estudantes, donas de casa, proConstrução de dutos para transporte de água
da Represa Cabuçu, em 1905.
fessores e, principalmente, operários. É des-
105
ilustração: Luiz Antonio Serrano.
Espaço de Muitos Povos GUARULHOS
GUARULHOS Espaço de Muitos Povos
consumida na cidade é comprada da Sabesp,
sendo o Sistema Cantareira responsável por
60% do abastecimento da região da Grande
São Paulo.
1978 – Greve de metalúrgicos: as greves
de 1978 sacudiram a região da Grande São Paulo. Aconteceram no ABC, em São Paulo, Osasco
e Guarulhos.
10 de maio de 1978 – Patrimônio: a Lei
o
n 2.230 institui o Serviço do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do
Município, em consonância com a Lei Federal
e Lei Estadual no 10.247, de 22 de outubro de
1996.
8 de dezembro de 1978 – AGL: é fundada
a Academia Guarulhense de Letras.
22 de maio de 1979 – Proguaru: por meio
da Lei no 2.305, foi criada a Proguaru, sociedade de economia mista, sendo a Prefeitura sua
sócia majoritária.
1980 – Grandes mobilizações populares
e sindicais: a principal marca da década de 1980
foi a retomada da luta dos trabalhadores do campo e da cidade. O crescimento desordenado
obrigou a população a lutar por aumento de salário, transporte, água, asfalto, rede de esgoto,
creche, escolas, postos de saúde, regularização
de loteamentos, urbanização de favelas etc.
15 de julho de 1980 – Condema: é criado,
mediante a Lei Municipal no 2.380, o Conselho
de Defesa do Meio Ambiente.
22 de outubro de 1980 – Estádio do
Flamengo: o Decreto Municipal no 7.573 cede,
a título precário, uma gleba de terra no Jardim
Tranquilidade à Associação Atlética Flamengo
de Guarulhos, para a construção do Estádio
Antônio Soares de Oliveira.
8 de dezembro de 1980: Guarulhos comemora o centenário de emancipação política
(1880-1980).
31 de janeiro de 1981 – Olho Vivo: é lançado o jornal Olho Vivo, órgão que substituiu a
publicação de Comunicação, periódico que era
voltado basicamente aos interesses dos moradores do Parque Cecap. Em 2007 o jornal passa a chamar-se Diário de Guarulhos.
5 de abril de 1981 – Fundação da
Diocese: é criada a Diocese de Guarulhos, sendo seu primeiro bispo d. João Bergese. Ao ato
de instalação compareceram, aproximadamente, 5 mil fiéis nas dependências religiosas do
Sanatório Padre Bento.
27 de abril de 1981 – Teatro Nelson Rodrigues: é reinaugurado o Teatro do Lago dos
Patos, na Vila Galvão, com o nome de Teatro
Nelson Rodrigues.
Moradores do bairro dos Pimentas e região, exigindo melhor
atendimento e qualidade na saúde.
106
Espaço de Muitos Povos GUARULHOS
Família Dalphorno passeando
de barco no Rio Tietê entre as
décadas de 1940 e 1950.
Rio Tietê – trecho retificado.
23 de outubro de 1981: criação do distrito
do Jardim Presidente Dutra.
1982 – CUT: fundação da Central Única
dos Trabalhadores.
1982 – Retificação do Rio Tietê: ocorre a
retificação do Rio Tietê e a inauguração da Via
Leste, atual Rodovia Ayrton Senna da Silva.
20 de janeiro de 1985 – Inauguração do
aeroporto: inauguração do Aeroporto Internacional de São Paulo - Guarulhos (Cumbica).
27 de abril de 1985 – Centro Paulo
Canarim: fundação do Centro do Trabalhador
para Defesa da Terra Paulo Canarim, entidade
criada para assessorar a organização dos moradores de favelas e dos loteamentos irregulares.
1985 – Direitos Humanos: fundação do
Centro de Defesa de Direitos Humanos Padre
João Bosco Burnier.
1985 – Surge a UNG: a Faculdade Farias
Brito transforma-se em universidade e passa a
chamar-se Universidade Guarulhos (UNG). Conta, atualmente, com 120 cursos e cerca de 20 mil
alunos, divididos em dois campi em Guarulhos,
dois em São Paulo e um em Itaquaquecetuba.
1987 – Uges: é fundada a União Guarulhense
dos Estudantes Secundaristas (Uges). Seus membros fizeram várias mobilizações pelo passe livre
nos ônibus, contra o aumento de mensalidades nas
escolas, pela melhoria do ensino público e organização dos estudantes em grêmios estudantis. No
início dos anos 1990, participou ativamente do
movimento “Fora Collor”.
1989 – Neoliberalismo: o efeito da política neoliberal na cidade foi nefasto e muitas
empresas entraram em falência ou deixaram o
município, causando aumento do desemprego.
Algumas das empresas que desapareceram:
Iderol, Olivetti, Nec, Philco, Hatsuta etc.
1989 – Shopping Poli: é inaugurado o
Shopping Poli, o primeiro da cidade.
18 de setembro de 1990 – Museu de
Ciências: criação do Museu Municipal de
Ciências Naturais de Guar ulhos (Lei n o
3.677).
107
GUARULHOS Espaço de Muitos Povos
16 de agosto de 1992 – HMU: inauguração do Hospital Municipal de Urgências, substituindo o antigo Pronto-Socorro.
22 de outubro de 1995 – Museu do Folclore: inauguração do Museu do Folclore.
1997 – Rede hoteleira: implantação de
vários hotéis na cidade, entre eles: Mônaco, Mercure, Caesar Park, Comfort, Íbis e Meliá.
1997 – ECFF: fundação do Espaço Cultural Florestan Fernandes, entidade promotora de atividades político-culturais.
1998 – Prefeito cassado: Nefi Tales, prefeito eleito em 1996, após várias denúncias,
atraso de pagamentos e greve dos servidores
públicos municipais, teve seu mandato cassado. A cidade viveu momento de intensa agitação política.
22 de outubro de 1998 – Presídio: inauguração do Presídio Estadual Adriano Marrey.
1998 – Shopping Internacional: no mês
de novembro começa a funcionar o Shopping
Internacional, localizado no antigo prédio da
Fábrica Olivetti.
2000 – Prefeito do PT: após 20 anos de
existência na cidade, o PT elegeu seu prefeito.
Trata-se da eleição de Elói Pietá, que superou
no segundo turno o concorrente do PV, Jovino
Cândido da Silva.
2001 – Obras impactantes: pensando em
ampliar o aeroporto, no início do ano o Consema,
a pedido da Infraero, convocou audiência pública, pleiteando o licenciamento para iniciar a construção da terceira pista e o terceiro terminal de
passageiros. Posteriormente houve audiência pública sobre o Rodoanel no trecho norte.
2001 – Faculdade Eniac: com o curso de
Sistemas de Informação, ocorre a implantação
da Faculdade Eniac. No ano seguinte são implantados novos cursos e hoje estão disponíveis dezenas de opções, que incluem as novas modalidades
do ensino presencial e a distância, conectado via
satélite, por internet e ambiente web.
Desenvolvimentismo: presenças do então governador
de São Paulo Carvalho Pinto, do presidente da
República Juscelino Kubitscheck, do prefeito de
Guarulhos Fioravanti Iervolino e autoridades
militares, analisando a maquete da antiga Fábrica
Olivetti, em 1959. Atualmente, prédio do
Shopping Internacional.
Shopping Internacional
de Guarulhos,
em 2007.
108
Espaço de Muitos Povos GUARULHOS
2002 – Faculdade Idepe: no mês de julho de 2002 acontece a fundação da Faculdade Idepe, sendo transferida da Rodovia
Fernão Dias para o antigo Colégio Elite, na
Rua João Gonçalves. As duas faculdades
(Torricelli e Idepe) abrigam mais de 5 mil
alunos.
2003 – Adamastor: inauguração do Centro Municipal de Educação Adamastor, dotado de biblioteca, anfiteatro, salas de conferências, espaço de memória, dança etc. Mesmo local onde, antigamente, funcionava a Fábrica de
Tecelagem Casimiras Adamastor e, durante o
ciclo do tijolo, uma olaria.
2003 – Dia da Consciência Negra: neste ano a Câmara tornou o dia 20 de novembro
feriado municipal, mediante a Lei n o 5950/
2003, em homenagem à memória de Zumbi
dos Palmares; o fato gerou grande polêmica
na cidade.
2004 – Eleição municipal: Elói Pietá é
reeleito prefeito da cidade.
10 de fevereiro de 2006 – Espa: é inaugurada a Escola Superior Paulista de Administração.
2006 – Shopping Bonsucesso: na região
leste da cidade é implantado o Shopping Bonsucesso, situado entre a região dos Pimentas e
Bonsucesso.
15 de setembro de 2006 – Hospital Pimentas/Bonsucesso: é inaugurado o Hospital Público Pimentas-Bonsucesso.
20 de outubro de 2006 – Sítio arqueológico: por meio do Espaço Cultural Florestan
Fernandes, o Movimento Guarulhos Tem História solicita ao Condephaat e ao Ipham o tombamento e o registro do Sítio Arqueológico do
Garimpo de Ouro do Ribeirão das Lavras.
Hospital Municipal Pimentas-Bonsucesso, em 2008.
Canal de mineração do Jardim Hanna.
Canal de mineração no Seminário da Igreja
Católica – bairro das Lavras.
109
GUARULHOS Espaço de Muitos Povos
Câmara Municipal de Guarulhos.
20 de novembro de 2006 – Vereadores mudam de prédio: parte das atividades da Câmara
Municipal, entre elas as seções, foram transferidas
para prédio alugado na Rua João Gonçalves.
2007 – Universidade pública: acontece o
vestibular para a recém-criada universidade pública federal na cidade (Unifesp).
2008: Reforma da Rua D. Pedro II e escavações arqueológicas visando encontrar as
fundações da Igreja e do Cemitério da Irman-
Escavações arqueológicas na
Rua D. Pedro II, em 2008.
dade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos.
2008: Eleição municipal: Sebastião Almeida
(PT) é eleito prefeito para a gestão 2009 a 2012.
10 de novembro de 2008 – Prédio próprio da Câmara Municipal: é votado o Projeto de Lei no 6.436 que autoriza a desafetação
e a cessão de área pública à Câmara Municipal
de Guarulhos para implantação de sua sede; revoga a Lei no 2.231, de 15 de maio de 1978.
Praça da Pedra – desafetada para construção da
sede própria da Câmara Municipal, em 2008.
Parque Escola Chico Mendes – bairro dos
Pimentas, Rua Miguel Ackel, s/n.
110
Espaço de Muitos Povos GUARULHOS
7
Rodovia Presidente Dutra, entrada da cidade.
Sistema de Transportes e Rodovias
ESTRADAS PRINCIPAIS
Via Dutra
Na manhã do dia 19 de janeiro de 1951, o general Eurico Gaspar Dutra, presidente da República, descerrou a placa de inauguração da BR-2, a nova Rodovia Rio-São Paulo, em solenidade realizada na altura de Lavrinhas, SP, com as seguintes palavras: “Estou encantado com o que vi”.
A rodovia ainda não estava completamente pronta, faltando a pavimentação de 60 quilômetros entre Guaratinguetá e Caçapava e de seis quilômetros em um pequeno trecho situado nas
proximidades de Guarulhos. Dos 405 quilômetros de extensão total, porém, 339 estavam concluídos, junto com todos os serviços de terraplanagem e 115 obras especiais (trevos, viadutos,
pontes e passagens inferiores).
Em sua maior porção, a BR-2 contava com pista simples ou “pista singela”, como tratavam
os técnicos de então, operando em mão dupla. Em dois únicos segmentos havia pistas separadas
para os dois sentidos de tráfego: nos 46 quilômetros compreendidos entre a Av. Brasil e a Garganta da Viúva Graça (atual Seropédica), no Rio de Janeiro, e nos dez quilômetros localizados
entre São Paulo e Guarulhos.
Construção do trevo de acesso Via DutraGuarulhos, no início da década de 1950.
Via Dutra em 2008.
111
GUARULHOS Espaço de Muitos Povos
Antiga Rio-São Paulo
Ela começava na Praça Mauá, no Rio, seguindo até Santa Cruz pela Estrada dos Jesuítas, no traçado da atual BR-465, até Paracambi, subindo daí, à esquerda da Dutra de hoje,
em direção a Passa Três, São José dos Marcos, Pouso Seco, Bananal, Formoso, São Joaquim, Barreiras, Queluz, Areias, Lavrinhas e
Silveiras. Nesse ponto, seguia para a direita
do trajeto atual da Dutra, passando por
Valparaíba, Lorena, Guaratinguetá, Aparecida, Roseira, Pindamonhangaba, Taubaté,
Caçapava e São José dos Campos. Voltava
para a margem esquerda da rodovia atual,
passando por Jacareí, Mogi das Cruzes, Suzano, Arujá, Guarulhos, chegando, por fim,
a São Paulo.
(Fonte: Revista 50 anos Rodovia Presidente
Dutra – Edição especial – ano 4 – no 34 – 2001.)
Ayrton Senna
A Rodovia Ayrton Senna da Silva, antiga
Rodovia dos Trabalhadores (SP-070), é uma rodovia do Estado de São Paulo que se chamou
Via Leste durante sua construção e nos primeiros anos de funcionamento. Começa no fim da
Marginal Tietê, no bairro da Penha, zona leste
Trecho da antiga Rodovia Rio-São Paulo, em Guarulhos.
da cidade de São Paulo, cortando os municípios de Guarulhos, Itaquaquecetuba, Mogi das
Cruzes e termina no município de Guararema,
na confluência com a Rodovia Presidente Dutra.
A rodovia continua paralela com a Dutra em
direção ao Vale do Paraíba com a denominação de Governador Carvalho Pinto (também
SP-070).
Nos primeiros quilômetros, ainda nos limites de São Paulo e Guarulhos, cruza o Parque Ecológico do Tietê, onde foram necessárias obras especiais para que a rodovia não
causasse danos ao meio ambiente e para que
pudesse transpor o pântano natural criado
por uma série de canais do Rio Tietê.
Trevo Jacu Pêssego –
Ligação São Paulo/
Guarulhos, 2008.
Rodovia Ayrton Senna.
112
Espaço de Muitos Povos GUARULHOS
Em 1994, por intermédio da Lei no 9.054,
o nome Trabalhadores foi substituído por
Ayrton Senna, em homenagem ao falecido piloto de Fórmula 1, Ayrton Senna da Silva.
No dia 3 de agosto de 1979, o Decreto no
13.756 deu concessão à Dersa para construção
e exploração da Via Leste, hoje chamada de
Rodovia Ayrton Senna.
A rodovia, que teve o primeiro trecho São
Paulo-Guararema construído pela Dersa em
22 meses – de junho de 1980 a 30 de abril de
1982 –, tem 48,3 quilômetros de extensão, aos
quais foram acrescidos cinco, correspondentes à interligação com a Rodovia Presidente
Dutra. A inauguração ocorreu no dia 1o de
maio de 1982.
A obra atendeu a uma necessidade histórica, determinada pelo crescimento da Região
Metropolitana de São Paulo, com acessos ao
Parque Ecológico do Tietê, Aeroporto Internacional de São Paulo-Guarulhos e Terminal
Intermodal de Cargas.
Além de aliviar o tráfego que congestionava a Rodovia Presidente Dutra no trecho mais
movimentado (São Paulo-Guarulhos), a rodovia tornou-se há muito tempo a alternativa necessária entre a Capital paulista e o Vale do
Paraíba e Rio de Janeiro. Passou também a facilitar o turismo ao Litoral Norte e a Campos do
Jordão.
Rodovia Fernão Dias
Fernão Dias é a denominação que a BR-381
recebe no trecho que liga três regiões metropolitanas importantes: a Grande São Paulo, a
Grande Belo Horizonte e o Vale do Aço.
A BR-381 é uma rodovia diagonal administrada pelo Governo Federal e serve de ligação entre os Estados do Espírito Santo, Minas
Gerais e São Paulo.
A rodovia inicia-se na cidade de São Mateus, Espírito Santo, no entroncamento com a
BR-101, chegando até a cidade de São Paulo,
no entroncamento com a BR-116. Possui, ao
todo, 1.181 quilômetros, dos quais 95 são em
São Paulo, 950 em Minas Gerais e 136 no Espírito Santo. A rodovia atravessa importantes
municípios da região Sudeste.
Rodovia Fernão Dias.
113
GUARULHOS Espaço de Muitos Povos
Aeroporto Internacional de São Paulo
Encontram-se em andamento obras de am(Cumbica) – Governador André Franco Montoro pliação da pista de taxiamento PR-A, que pasInaugurado em 20 de janeiro de 1985, o pri- sará de 1.050 para 1.450 metros.
meiro avião a aterrissar no Aeroporto Internacional de São Paulo foi o Boeing 747
da Varig, procedente de Nova York, seguido por um Airbus A-300 da Vasp,
repleto de autoridades procedentes do
Aeroporto de Congonhas.
Possui uma área total de 14 quilômetros quadrados e 5 quilômetros de extensão. Com duas pistas, uma de 3.000 metros
e outra de 3.700 metros, atende uma média de 400 voos diários. O Aeroporto de
Guarulhos liga São Paulo a 63 países do
mundo, embarcando e desembarcando
passageiros para 202 cidades dos cinco
continentes, das quais 126 são internacionais e 76 brasileiras. Pelos portões de entrada e saída circulam diariamente 30 mil
passageiros, além de acompanhantes e visitantes que, somados, representam uma
população flutuante próxima de 100 mil
pessoas.
Desde sua inauguração, milhares de
passageiros utilizaram o Aeroporto de
Cumbica. Desde julho de 1996, tem-se
registrado a média de um milhão de usuários por mês.
Carta de navegação aérea.
114
Aeroporto Internacional de São Paulo.
Espaço de Muitos Povos GUARULHOS
8
Paço Municipal, Parque Jornalista J. B. Maciel.
Esporte e Lazer
A
história dos esportes na cidade compreende iniciativas populares e investimentos públicos feitos através da Secretaria Municipal de Esportes. Das iniciativas populares, o
futebol e a capoeira aparecem como as principais práticas.
FUTEBOL
A prática do esporte acontece nas peladas
de rua, nos campos de várzea, nas quadras públicas e particulares. O primeiro time da cidade foi o Paulista Futebol Clube, que tinha seu
campo onde hoje é a Praça Getúlio Vargas.
Atualmente, a União das Ligas de Futebol
de Guarulhos reúne as cinco Ligas Regionais:
Futebol na Praça Getúlio Vargas, em 1949
de Bonsucesso, São João, Taboão, Vila
– antigo campo do time do Paulista.
Galvão e Centro, que, em 2006, reuniram 91
times de futebol amador na fase regional do campeonato municipal. Além dos 91 times
amadores, existem dois times profissionais, o Flamengo e a A.D. Guarulhos, ligados à Federação Estadual de Futebol.
Time de futebol da Fábrica
Adamastor: José Preto, no
destaque, Túlio Alara, Arlindo
Cardoso, Tião, Walter, Sérgio,
Otávio da Silva, Diamantino,
Osvaldo, Benedito da Silva,
Silva e Renzo.
115
GUARULHOS Espaço de Muitos Povos
CAPOEIRA
investimentos em equipes que representam a
cidade.
As Olimpíadas Colegiais, que tiveram sua
37ª edição em 2007, reúnem cerca de 20 mil atletas em 15 modalidades e 120 categorias, com
um público de mais de 30 mil pessoas.
As ações da Secretaria incluem investimentos nos esportes de alto rendimento, em atletas e
equipes que participam de competições como
Jogos Regionais, Jogos Abertos e competições
nacionais e internacionais. Entre os atletas que
representaram a cidade em competições olímpicas temos João do Pulo, Cláudio Cano, Aurélio
Miguel, Conceição Jeremias, Marli dos Santos,
Eguiberto Guimarães, Eduardo Barone, Durval
Guimarães, Edinanci Silva, Wilson David, Gerson de Andrade e Carlos Domingos Massoni
(Mosquito).
A capoeira é uma atividade cultural de resistência, jogada e praticada durante muito tempo na clandestinidade e sem regulamentação,
que recentemente foi transformada em esporte. Na cidade, esta modalidade é bastante difundida entre a população, de forma regulamentada pelas Ligas Regionais e Nacionais de Capoeira, ou sem regulamentação, como permaESPAÇOS PÚBLICOS DE ESPORTE E LAZER
nência de um costume tradicional pelos afroSão cinco espaços esportivos municipais:
-descendentes.
Complexo Esportivo Fioravante Iervolino,
Complexo Ponte Grande, Ginásio Poliesportivo Bom Clima, Ginásio Bonifácio Cardoso e
FORMAÇÃO ESPORTIVA
As ações de práticas esportivas desenvol- Ginásio João do Pulo.
Quatro campos de futebol utilizados para
vidas pela Secretaria de Esportes do município
atendem aos objetivos de melhoria da qualida- campeonatos municipais: Cícero de Miranda,
de de vida, com atendimento de crianças, ado- Osvaldo de Carlos, Presidente Dutra e São João.
Além dos espaços particulares, Guarulhos
lescentes e adultos, incluindo a terceira idade e a
formação de atletas para competições. O pro- possui 300 praças, 12 parques, 46 áreas de lazer,
grama inclui formação de atletas e orientação es- um zoológico municipal com mais de 300 aniportiva em mais de 60 pontos, realização de com- mais, três centros de educação ambiental, inpetições como Olimpíadas Colegiais, Jogos cluindo o Museu de Ciências Naturais e biblioAdaptados, Jogos da Cidade de Guarulhos e teca especializada em fauna e flora.
Estádio Flamengo em Guarulhos, 2008.
116
Ginásio Poliesportivo Municipal Paschoal
Thomeu (Ginásio Poliesportivo Bom Clima).
Espaço de Muitos Povos GUARULHOS
9
CMEI Mariazinha Rezende Fusari.
Educação
EDUCAÇÃO EM GUARULHOS
Os jesuítas foram os primeiros educadores que chegaram a Guarulhos, por volta de 1580,
para a catequização dos Maromomi, no núcleo indígena de Nossa Senhora da Conceição. O
padre Manuel de Paiva, fundador da cidade, é considerado pelos historiadores locais como o
primeiro educador da cidade.
A educação em Guarulhos, no século XIX, era bastante precária, como em todo o País. As escolas
eram fechadas ora por falta de professores, ora pelos poucos alunos, pois o número mínimo exigido
para o funcionamento das classes era de 16 alunos, além de faltarem recursos de todos os tipos.
As escolas isoladas – classes em que os professores ministravam o ensino para crianças de
diversas idades – foram as únicas alternativas de acesso à educação pública no município até
1926, com a inauguração do Grupo Escolar Capistrano de Abreu, localizado na Rua Luiz Faccini
e posteriormente transferido para a Rua Capitão Gabriel.
A partir de meados do século XX, várias escolas públicas e particulares passam a fazer parte do
cenário educacional do município. Surgem as primeiras escolas municipais. Nos anos 1970 há um
aumento significativo de escolas, nas redes pública e privada, incluindo, nesta última, as primeiras
Grupo Escolar de Guarulhos, inaugurado em 1o de julho de 1926, atual EE Capistrano de
Abreu. Construído sob os escombros do Cemitério dos Bexiguentos, portadores da varíola,
erguido no início do século XVIII.
117
GUARULHOS Espaço de Muitos Povos
EE Conselheiro Crispiniano – início de
funcionamento em 1o de agosto de 1951.
EM Padre João Álvares.
instituições de Ensino Superior da cidade. Uma
extensa Rede de Educação é encontrada no final
do século XX, representada pelas redes Estadual, Municipal e Particular, abrangendo todos os
níveis de ensino.
Entretanto, adentrando o século XXI, a
Rede Municipal de Educação era bastante limitada, oferecendo vagas principalmente na
pré-escola, mas ainda assim em número insuficiente para a demanda; alguns segmentos
eram inexpressivos, como creches e Educação
de Jovens e Adultos. A partir de 2001, iniciase um extenso programa de construção e ampliação de escolas, aumentando em quase 90
mil o número de matrículas, além do estabelecimento de convênios com entidades sociais,
Unifesp – Universidade Federal de
São Paulo – Campus Guarulhos.
118
que atendem milhares de alunos em creches,
pré-escolas, ensino fundamental e alfabetização de adultos.
Em 2007, Guarulhos contava com uma rede
municipal com 119 escolas e mais de 3 mil educadores. Em 2008, são 124 escolas e mais de 4
mil educadores. Na rede estadual são mais de
180 escolas e 1.600 professores.
A cidade apresenta uma taxa de analfabetismo de 5,8%, ou seja, 94,2% da população são alfabetizados. Em resposta a esse problema, há 5.000 alunos hoje atendidos pelo
Mova e Brasil Alfabetizado, por parcerias entre a Prefeitura e o Governo Federal e entidades sociais.
A cidade tem três universidades, sendo uma
pública e duas particulares, além de várias faculdades privadas: Universidade de Guarulhos,
Universidade Federal de São Paulo – Campus
de Guarulhos, Universidade Metodista de São
Paulo – Campus de Guarulhos, Faculdade de
Tecnologia de Guarulhos, Faculdades Integradas Torricelli, Faculdade Eniac, Escola Superior Paulista de Administração, Faculdade
Idepe, Faculdades de Guarulhos, Faculdades de
Ciências de Guarulhos e Centro Federal de Educação Tecnológica de Guarulhos.
Nos últimos anos, a Prefeitura tem feito
notórios investimentos no setor educacional,
numa perspectiva inclusiva, com o aumento do
número de alunos e, sobretudo, com a melhoria
do ensino oferecido à população, com um Projeto Pedagógico hoje reconhecido nacional e
internacionalmente.
Espaço de Muitos Povos GUARULHOS
10
Serra da Cantareira – Trilha do Parque Estadual da Cantareira, Guarulhos.
Símbolos Municipais
BANDEIRA
Instituída pela Lei no 1.679, de 7 de dezembro de 1971, de autoria do heraldista e professor
Arcinoé Antônio Peixoto Faria, a bandeira apresenta as seguintes características: esquartejada
em cruz, sendo os quartéis de azul constituídos por quatro faixas brancas carregadas sobre faixas
vermelhas, dispostas duas a duas no sentido horizontal e vertical e que partem do vértice de um
losango branco central, no qual o brasão municipal é aplicado. O esquartejamento em cruz, conforme a tradição heráldica portuguesa, simboliza o espírito cristão do povo de Guarulhos; o
brasão central expressa o Governo Municipal, figurando, como sede do município, o losango
aplicado. As faixas representam o Poder Municipal que se expande a todos os quadrantes do
território, e os quartéis assim formados representam as propriedades rurais existentes no solo de
Guarulhos.
As cores da bandeira da cidade identificam-se com as do brasão, simbolizando: o azul,
justiça, nobreza, perseverança, zelo, lealdade, recreação e formosura; o branco, paz, trabalho,
amizade, prosperidade e pureza; o vermelho, o amor pátrio, dedicação, audácia, desprendimento, valor, integridade e coragem. Obedece, o nosso lábaro, às dimensões oficiais adotadas
para a Bandeira Nacional, levando-se em consideração 14 módulos de altura por 20 módulos
de comprimento de retângulo. É hasteada obrigatoriamente às 8 horas de cada dia e arreada às
18 horas. Quando usada no período noturno, deve permanecer iluminada. Para o seu
hasteamento, observam-se as seguintes regras: quando hasteada em conjunto com a Nacional e
a Estadual, ficará a Nacional ao centro, a Estadual à direita e a Municipal à esquerda. Quando distendida,
sem mastro, em rua, praça, entre edifícios ou portas, será postada ao
comprido, com o lado maior do retângulo, em sentido horizontal, e a
coroa municipal voltados para cima.
119
GUARULHOS Espaço de Muitos Povos
BRASÃO DE ARMAS
o
Foi instituído, em 1 de fevereiro de 1932, pelo prefeito
nomeado, o major reformado
na Polícia Militar Ariovaldo
Panadés, pelo Ato no 87, tornando obrigatório o seu uso
em todas as repartições e impressos comunais da
cidade. Deve-se ao profundo conhecedor dos feitos dos paulistas, Affonso D’Escragnole Taunay,
a sua composição, assim descrita pelo heraldista
Clóvis Ribeiro, na sua obra Brasões e Bandeiras do
Brasil: “Escudo redondo português, encimado
pela coroa municipal privativa das municipalidades. Em campo azul, duas cabeças de índios e duas
de brancos, de carnação, afrontadas. Em chefe (acima das duas primeiras cabeças) a Lua crescente
de ouro, atributiva de Nossa Senhora da Conceição; em abismo, a cruz ‘ancorada’, atributo do
apelido Álvares, na antiga heráldica portuguesa.
No listel, enramado de hastes de cana-de-açúcar e de trigo, as mais velhas culturas do município,
inscreve-se a divisa: Meu sangue é genuinamente
paulista, ou VERE PAVLISTARVM SANGVIS
MEVS. Como suportes do escudo, duas anhumas,
as belas, grandes e ariscas aves que outrora deram
nome ao Tietê de Anhembi (Rio das
Anhumas), nos anos primeiros de
São Paulo. Banha o antigo
Anhembi as terras de Guarulhos
e tem, como todos sabem, o
maior significado no conjunto das
tradições paulistas, como o ‘Rio
das Monções’”.
Neste brasão, escreve Taunay, estão reunidas
as figuras relembradas da fundação do arraial
luso-indiático, do século XVI; e a do padre bandeirante João Álvares, vigário de São Paulo e grande benfeitor da antiga aldeia de Nossa Senhora
da Conceição, denominação atributiva ao arraial,
depois vila e hoje cidade, pois indiferentemente
chamava-se o lugar Conceição ou Guarulhos.
Consta ter sido o historiador e primoroso pintor Wasth Rodrigues quem desenhou o brasão
proposto por Taunay. Artista a quem Carlos
Drummond de Andrade assim se referiu: “Wasth
não ostentava ciência, possuía-a simplesmente”.
Em 1991, no governo Paschoal Thomeu, o brasão foi modificado pela Lei no 3.761, de 24 de abril.
Em 25 de março de 2008, foi alterado pela
Lei no 6.357, incluindo as figuras de uma mulher e de um negro.
HINO
Autora da Letra do Hino de Guarulhos: Nicolina Bispo
Música: maestro Vicente Aricó Júnior
Orquestra: Wenceslau Nasari Campos
Sob o céu desta Pátria querida
mais cem anos de luta e labor
cingem hoje o teu nome Guarulhos,
que se ergueu por seu próprio valor.
Chaminés, como lanças erguidas,
nos apontam o caminho a seguir.
Trabalhando, vencendo empecilhos,
desfraldando o pendão do porvir.
Tuas praças são livros abertos,
onde lemos futuro e glória.
Crispiniano e Bueno fulguram
como vultos eternos na história...
120
Que teu nome em mais um Centenário
e na língua tupi proclamado,
seja um hino de paz, de esperança,
por teu povo feliz entoado.
Pequenina nasceste, e João Álvares,
jesuíta, benzeu-te com fé.
Tu és hoje cidade progresso,
uma terra que vence de pé.
Eia, pois, guarulhense, avante,
com bravura na luta febril,
por São Paulo e por tudo o que é nosso,
e, acima de tudo o Brasil!
Espaço de Muitos Povos GUARULHOS
11
Paço Municipal, antiga casa da sede da Fazenda Bom Clima, em 2008.
Os Três Poderes
N
a República Federativa do Brasil, o governo é formado por três poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário. Eles são independentes entre si, têm papéis bem definidos pela Constituição e formam um tripé que é a base da democracia.
PODER EXECUTIVO
É exercido pelo presidente, pelos governadores de Estado e pelos prefeitos das cidades.
Eles são eleitos diretamente pelo voto popular para um período de quatro anos, com direito à
reeleição para um período de mais
quatro anos. Eles têm a responsabilidade de administrar o País, os Estados e os municípios, criar metas de
administração, investir em saúde e saneamento básico e tudo o mais que diz
respeito ao bem-estar da população.
Local de funcionamento da
Câmara Municipal e Intendência –
instalada em 24 de janeiro de
1881, na esquina da Rua Felício
Marcondes com a
Rua D. Pedro II.
Inauguração da sede do Paço
Municipal, no dia 5 de setembro de
1976 – gabinete atual do prefeito, de
acordo com o sr. Décio Pompêo.
121
GUARULHOS Espaço de Muitos Povos
PODER LEGISLATIVO
É exercido pelos senadores,
eleitos por um período de oito
anos, e deputados federais no âmbito federal; deputados estaduais
nos Estados e vereadores nos municípios, todos eleitos para períodos de quatro anos. Senadores e
deputados federais estabelecem as
leis do País e fiscalizam as ações
do presidente e dos ministros,
enquanto os deputados estaduais
criam leis no Estado e fiscalizam
as ações do governador. Os vereadores, por sua vez, criam as leis
das cidades e fiscalizam as ações
do prefeito.
Câmara Municipal.
PODER JUDICIÁRIO
É exercido pelos juízes. Compete a eles julgar,
executar as leis e zelar pela
Carta Magna, a Constituição. A criação da comarca
de Guarulhos data de 30
de dezembro de 1953; o
primeiro juiz foi nomeado
em 31 de outubro de 1954.
Fórum de Guarulhos,
Rua José Maurício, 99,
centro.
Administração dos Municípios Através dos Tempos
A administração dos municípios passou por diversos regimes.
• Intendência Municipal: o responsável pela administração era o intendente, que governava com os
membros ou conselheiros, sendo estes os que escolhiam o chefe, por tempo indeterminado. O primeiro intendente
de Guarulhos foi eleito em 24 de janeiro de 1881; trata-se do capitão Joaquim Francisco de Paula Rabello.
• Regime Ditatorial: com a posse de Getúlio Vargas, os prefeitos ou ditadores passaram a ser escolhidos e nomeados pelo presidente do Estado – nessa época era presidente, e não governador –, não tendo
também tempo determinado. As nomeações também podiam ser feitas pelo interventor.
• Democracia: de acordo com o novo Regime, iniciado em 1946, o prefeito e os vereadores passaram
a ser escolhidos pelo povo, com voto secreto e com mandato de quatro anos de duração. Esse Regime vigora
até nossos dias, variando apenas o tempo do mandato.
122
Espaço de Muitos Povos GUARULHOS
INTENDENTES E PREFEITOS
Intendentes
1930 – João Eduardo da Silva. Com a vitória da
Revolução de 1930, empossou-se no cargo, sendo
deposto por José Maurício.
1881 a 1890 – Capitão Joaquim Francisco de
Paula Rabello. Eleito pela Câmara Municipal, foi o
primeiro chefe do Executivo guarulhense. Acumulava os cargos de presidente da Câmara e do Executivo municipal.
1930 a 1931 – Delezino de Almeida Franco.
Empossado pela Junta Revolucionária, pertencia
ao Partido Democrático. Dirigiu o município do
dia 11 de novembro de 1930 a 21 de janeiro de
1931.
1890 a 1891 – Antônio José Siqueira Bueno. Interino. Escolhido pela Câmara Municipal.
1931 – Dr. Alberto Cardoso de Melo. Nomeado
pelo Governo do Estado, atuou de 21 de janeiro a 10
de abril de 1931.
1891 a 1894 – Após a Proclamação da República, a
Câmara foi dissolvida e o Governo Provisório indicou
quatro intendentes: Vicente Ferreira de Siqueira Bueno, Felício
Marcondes Munhoz, Antônio Dias Tavares e Luiz Dini.
Jesuíno José de Souza e Lúcio Francisco Pereira Paiva foram indicados para ocuparem as intendências de justiça,
polícia, finanças e obras públicas.
1894 a 1896 – Lúcio Francisco Pereira, eleito pela
Câmara.
1896 a 1902 – Capitão João Francisco da Silva
Portilho. Escolhido e reeleito várias vezes pela Câmara.
1902 a 1906 – Dr. Leonardo Valardi. Eleito vereador em 30 de julho de 1902, foi escolhido intendente
pela Câmara.
1906 a 1907 – Capitão João Teófilo de Assis
Ferreira, escolhido pela Câmara.
Para ser intendente, o postulante tinha que ser
eleito vereador. Eleito pela maioria dos seus pares da
Câmara Municipal, acumulava os cargos de presidente do Legislativo e do Executivo.
Prefeitos Indicados
1908 a 1915 – Capitão Gabriel José Antônio. Eleito
pela Câmara. A partir de então a titularidade do Executivo passava a denominar-se prefeito. Eleito várias
vezes, faleceu durante o mandato.
1915 a 1916 – Felício Antônio Alves. Escolhido
para substituir o capitão Gabriel.
1931 a 1933 – Major Ariovaldo Panadés. Nomeado pelo Governo do Estado de São Paulo para o período de 11 de abril de 1931 a 31 de agosto de 1932.
1932 – Dr. Alfredo Ferreira Paulino Filho. Nomeado interinamente pelo Governo do Estado para substituir Ariovaldo Panadés do dia 23 de outubro a 23 de
novembro de 1932.
1933 – Carlos Panadés. Funcionário da Prefeitura, recebeu o cargo do seu irmão após demissão do
mesmo e permaneceu nele de 31 de agosto a 2 de
setembro de 1933.
1933 a 1938 – Guilhermino Rodrigues de Lima.
Nomeado pelo Governo do Estado, governou do
dia 2 de setembro de 1933 a 11 de julho de 1938.
1936 – Gentil Bicudo. Contador da Prefeitura, foi
nomeado pelo Governo do Estado durante licença de
Guilhermino Rodrigues de Lima e permaneceu no cargo
de 14 a 26 de fevereiro de 1936.
1936 – José Saraceni. Nomeado interinamente pelo secretário da Justiça para substituir Guilhermino Rodrigues de Lima para o período de
26 de fevereiro a 13 de março de 1936.
1938 – Gentil Bicudo. Nomeado para substituir
Guilhermino Rodrigues de Lima devido à sua demissão, permaneceu no poder no período de 11 de julho
a 21 de julho de 1938.
1917 a 1919 – Zeferino Pires de Freitas, eleito pela
Câmara.
1938 a 1940 – Major José Moreira Matos. Nomeado pelo Governo do Estado pelo período de 21
de julho de 1938 a dezembro de 1940.
1919 a 1930 – José Maurício de Oliveira Sobrinho. Escolhido várias vezes para o cargo de prefeito
pela Câmara.
1940 a 1945 – José Maurício de Oliveira Sobrinho. Nomeado pelo Governo do Estado em 19 de
dezembro de 1940.
123
GUARULHOS Espaço de Muitos Povos
1945 – Gentil Bicudo. Nomeado interinamente
pelo Governo do Estado, devido enfermidade e morte
de José Maurício de Oliveira, para o período de 9 de
janeiro a 23 de maio de 1945.
1945 a 1947 – Dr. Heitor Maurício de Oliveira.
Nomeado pelo Governo do Estado para a gestão de
23 de maio de 1945 a 25 de março de 1947.
1945 – Vasco Elídio Egídio Brancaleoni. Nomeado interinamente pelo Governo do Estado.
1947 – Dulce Insuelo Macedo. Antes da posse do
sr. João Mendonça Falcão, a funcionária da municipalidade é nomeada e assume interinamente por 13 dias.
1947 – João Mendonça Falcão. Nomeado pelo
Governo do Estado, permaneceu no cargo de 9 de
abril a 12 de julho de 1947.
1947 a 1948 – Dr. Olivier Ramos Nogueira. Nomeado pelo Governo do Estado para o Executivo
de 12 de julho de 1947 a 4 de setembro de 1948.
1948 a 1952 – Fioravante Iervolino. Nomeado
pelo Governo do Estado, governou de 4 de setembro de 1948 a 3 de janeiro de 1952.
1952 a 1953 – Antônio Prátici. Nomeado pelo
Governo do Estado, de 31 de janeiro de 1952 a 13 de
dezembro de 1953.
Prefeitos Eleitos por Voto Direto
1953 a 1957 – Rinaldo Poli. Eleição direta. Exerceu o cargo de prefeito de 13 de dezembro de 1953 a
13 de dezembro de 1957. Primeiro prefeito eleito pelo
voto direto na cidade.
1957 a 1961 – Fioravante Iervolino. Exerceu o
cargo de 13 de dezembro de 1957 a 13 de dezembro
de 1961.
1961 a 1966 – Dr. Mário Antonelli. Teve o mandato
eletivo prorrogado por um ano por decreto do marechal
Castelo Branco, em 23 de dezembro de 1965. Governou
de 13 de dezembro de 1961 a 24 de novembro de 1966.
1962 – Francisco Antunes Filho. Na qualidade de
vice-prefeito, substituiu Mário Antonelli durante licença médica, entre os dias 15 de outubro e 15 de novembro de 1962.
124
1966 a 1970 – Waldomiro Pompêo. Governou do
dia 24 de novembro de 1966 a 31 de janeiro de 1970.
1970 – Alfredo Antônio Nader. Assumiu em 31
de janeiro de 1970 e teve o mandato cassado com
base no Artigo 13 do AI-5, por Decreto de 13 de
junho de 1970.
1970 a 1973 – Jean Pierre Hermann de Morais Barros. Nomeado como interventor pelo Governo Federal, de 14 de junho de 1970 a 30 de janeiro de 1973.
1973 a 1977 – Waldomiro Pompêo. Governou
de 31 de janeiro de 1973 a 30 de janeiro de 1977.
1977 a 1982 – Professor Nefi Tales. Foi prefeito
durante o período de 19 de fevereiro de 1977 a 13 de
maio de 1982, quando deixou o cargo para disputar o
cargo de deputado estadual, sendo eleito.
1982 a 1983 – Dr. Rafael Rodrigues Filho. Como
presidente da Câmara, em face à desincompatibilização do vice-prefeito Oswaldo de Carlos, assumiu em 13 de maio de 1982, indo até 19 de fevereiro de 1983.
1983 a 1988 – Dr. Oswaldo de Carlos.
1988 a 1992 – Paschoal Thomeu.
1993 a 1996 – Vicentino Papotto.
1997 a 1998 – Nefi Tales. Foi afastado pela Justiça
e posteriormente cassado pela Câmara Municipal.
1998 a 2000 – Jovino Cândido, como vice de
Nefi Tales, assumiu após a cassação do titular. O presidente da Câmara, Sebastião Bispo Alemão, assumiu
o cargo de prefeito por alguns dias.
2001 a 2004 – Elói Pietá (PT). Eneide Moreira
Lima assumiu o cargo por algumas vezes, na ausência
do prefeito.
2005 a 2008 – Elói Pietá (PT). Além da vice-prefeita Eneide Moreira Lima ter assumido o cargo
por algumas oportunidades, o presidente da Câmara
Municipal, Gilberto Penido, assumiu o cargo de prefeito no final do mês de novembro de 2006, por
poucos dias.
2009 a 2012 – Sebastião Almeida (PT) é eleito
prefeito de Guarulhos em 26 de outubro de 2008 para
exercer a função no período acima mencionado.
Espaço de Muitos Povos GUARULHOS
Galeria de Prefeitos
Cap. Gabriel José
Antônio
Felício Antônio
Alves
Zeferino Pires de
Freitas
José Maurício de
Oliveira Sobrinho
João Eduardo da
Silva
1908 a 1915
1915 a 1916
1917 a 1919
1919 a 1930 e 1940 a 1945
1930
Delezino de Almeida
Franco
Dr. Alberto Cardoso
de Melo
Major Ariovaldo
Panadés
Dr. Alfredo Ferreira
Paulino Filho
Carlos Panadés
1930 a 1931
1931
1931 a 1933
1932
Guilhermino Rodrigues de Lima
Gentil Bicudo
José Saraceni
1936, 1938 e 1945
1936
Major José Moreira
Matos
Dr. Heitor Maurício
de Oliveira
1938 a 1940
1945 a 1947
1948 a 1952 e 1957 a 1961
1933 a 1938
Vasco Elídio Egídio
Brancaleoni
Dulce Insuelo
Macedo
João Mendonça
Falcão
Dr. Olivier Ramos
Nogueira
1945
1947
1947
1947 a 1948
1933
Fioravante Iervolino
125
GUARULHOS Espaço de Muitos Povos
Antônio Prátici
Rinaldo Poli
Dr. Mário Antonelli
Francisco Antunes Filho
1952 a 1953
1953 a 1957
1961 a 1966
1962
Waldomiro Pompêo
Alfredo Antônio
Nader
Jean Pierre Hermann
de Morais Barros
Prof o Nefi Tales
1970
1970 a 1973
Dr. Rafael Rodrigues
Filho
Dr. Oswaldo de
Carlos
Paschoal Thomeu
Vicentino Papotto
1988 a 1992
1993 a 1996
1982 a 1983
1983 a 1988
1966 a 1970 e 1973 a 1977
126
1977 a 1982 e 1997 a 1998
Jovino Cândido
Elói Pietá
Sebastião Almeida
1998 a 2000
2001 a 2004 e 2005 a 2008
eleito em 26/10/2008 para
a gestão de 2009 a 2012
Espaço de Muitos Povos GUARULHOS
Referências Bibliográficas
ABREU, J. Capistrano de. Capítulos de História Colonial (1500-1800) & Os Caminhos Antigos e o Povoamento do Brasil,
pp. 31-41: Antecedentes indígenas e pp. 244-248: Os Guaianazes de Piratininga. Brasília: Editora UNB, 1963.
AB’SABER, N. et al. História Geral da Civilização Brasileira. volume 2: A época colonial – administração, economia e sociedade, introdução geral de Sérgio B. de Holanda. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2004.
ANDRADA, M. F. R. de e ANDRADA E SILVA, J. B. de. “Viagem Mineralógica na província de São Paulo.”
in: BOUREE, N., Geologia Elementar ou Manual de Geologia. Rio de Janeiro, 1846.
ANDRADE, M. R. M. Cartografia de aptidão para assentamento urbano do município de Guarulhos-SP. Dissertação de
mestrado – FFLCH-Usp, 154 p., 7 mapas, 1999.
BRASIL. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Paisagens do Brasil. 2ª Ed. Rio de Janeiro: IBGE, 1972.
D´ALAMBERT, Clara Correia. O tijolo nas construções paulistanas do século XIX. Dissertação apresentada à Faculdade
de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo para obtenção de grau de Mestre, São Paulo, 1993.
DERBY, O. A. Retrospecto histórico dos trabalhos geográficos e geológicos effectuados na província de São Paulo. Boletim da
Comissão Geographica e Geológica da província de São Paulo, 1889 (1); 1-26.
DUPRÉ, M. José. A Mina de Ouro. Coleção Cachorrinho Samba. São Paulo: Ática, 1991.
ELLIS JR., Alfredo. História da Civilização Brasileira, no1. Boletins da Faculdade de Filosofia Ciências e Letras da
USP, IX. São Paulo, 1939.
FENELON, Dea Ribeiro (org.). 50 Textos de História do Brasil. São Paulo: Hucitec, 1974.
FERNANDES, Maria Cláudia Vieira. Casa de Cultura Paulo Pontes – Guarulhos de 1977-80 – Cidade e Cultura: espaço
de luta e construção de poder dos trabalhadores. Monografia. PUC/SP, 2003.
JULIANI, C. Geologia, petrogênese e aspectos metalogenéticos do grupo Serra do Itaberaba e São Roque na região das serras do
Itaberaba e da Pedra Branca, NE da cidade de São Paulo. Tese de doutoramento apresentada ao Instituto de Geociências
da USP, 2 vol., 803 p., 5 mapas, São Paulo, 1993.
JULIANI, Caetano, et al. “As mineralizações de ouro em Guarulhos e os métodos de sua lavra no período
colonial.” in: Geologia, Ciência e técnica. Revista de Divulgação Científica do Cepege, USP – set/1995, nº13.
KISHI, Massami. Guarulhos século XIX imagens e história. Guarulhos: Usina de Ideias, 2007.
KNECHT, T. Ouro no Estado de São Paulo. Boletim do Instituto Geográfico e Geológico (26); 1-97, 1939.
_________. Ocorrências Minerais do Estado de São Paulo. Volume 1: Municípios de São Paulo, Santana de Parnaíba,
Barueri, Franco da Rocha, Guarulhos, Mogi das Cruzes, Suzano e Poá. Instituto Geográfico e Geológico, p. 1145, 1950.
LEFEBVRE, Henri. A Cidade do Capital. Rio de Janeiro: DP&A, 2001.
LEME, Pedro Taques de A. Paes. Notícias das Minas de São Paulo e dos sertões da mesma Capitania; introdução e notas de
Afonso de E. Taunay, incluindo sua monografia de 1937: A propósito da Primeira Casa da Moeda do Brasil (1645), Edição
Comemorativa do IV Centenário da fundação de São Paulo. São Paulo: Livraria Martins Editora, 1953.
127
GUARULHOS Espaço de Muitos Povos
LEME, Pedro Taques de A. Paes. História da Capitania de São Vicente. Edições do Senado Federal, volume 25.
MONTEIRO, John. Vida e morte do índio: São Paulo colonial. VV.AA. Índios no Estado de São Paulo, resistência e
transfiguração. 1984, pp. 21-44.
_________. Negros da Terra, índios e bandeirantes nas origens de São Paulo. São Paulo: Companhia das Letras, 1994.
NORONHA, Adolfo de Vasconcelos. IV Centenário Guarulhos. Prefeitura de Guarulhos, 1960.
OLIVEIRA, A. M. S. (org.). Diagnóstico ambiental para o manejo sustentável do Núcleo Cabuçu do Parque Estadual da
Cantareira e áreas vizinhas do Município de Guarulhos. Universidade de Guarulhos: relatório Fapesp, 109 p., 2v., 2005.
PETRONE, Pasquale. Aldeamentos paulistas. São Paulo: Edusp, 1995.
PIETÁ, Elói. Revirando a História de Guarulhos. São Paulo: Cajá, sem data.
PINHEIRO, José Elmano de Medeiros. Genealogia Geográfica e Histórica no Espaço Paulista. O bairro de Itaquera –
As Minas de São Paulo. Universidade de São Paulo. Trabalho de Graduação Individual: TGI-II.
PRÉZIA, Benedito. Os indígenas do planalto nas crônicas quinhentistas e seiscentistas. São Paulo: Humanitas/FFLCH/
USP, 2000.
RANALI, João. Repaginando a História. Guarulhos: Soge – Faculdades Integradas de Guarulhos, 2002.
REDER, Maria Genaina de Almeida Ribeiro. As Escolas Isoladas na Primeira República. Dissertação de Mestrado
sobre o Ensino Público Primário em Guarulhos.
RIBEIRO, Silvio. Destino Guarulhos: a história do Trem da Cantareira. Diadema: Germape, 2006.
ROMÃO, José Gasparino; NORONHA, Adolfo de Vasconcelos. Guarulhos 1880-1980. Guarulhos: PMG/
Academia Guarulhense de Letras, 1980.
SADER, Eder. Quando Novos Personagens Entraram em Cena: experiências, falas e lutas dos trabalhadores da Grande São
Paulo, 1970-80. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1988.
SANTOS, Carlos José Ferreira dos. Identidade Urbana e Globalização: a formação dos múltiplos territórios em Guarulhos
– SP. São Paulo: Annablume; Guarulhos Simpro, 2006.
SANTOS, Milton. Da Totalidade ao Lugar. São Paulo: Edusp, 2005.
SINGER, Paul. Economia Política da Urbanização. São Paulo: Brasiliense, 1980.
TAUNAY, Afonso d’Escragnolle. História Geral das Bandeiras Paulistas, 1924, v. 4.
VIEGAS, Manuel. Carta ao P. Geral Aquaviva sobre a visita do P. Cristóvão de Gouveia, a língua Tupi e os
Índios Maromemins. In: LEITE, Serafim. História da Companhia de Jesus no Brasil. Lisboa: Portugália/Rio de
Janeiro: Civilização Brasileira, 1949, v. 9, pp. 384-385.
YASSUKAWA, Sugiô. Guarulhos e o progresso de sua colônia japonesa. São Paulo: edição particular, 1965.
Informações históricas sobre a Igreja e o bairro de Bonsucesso. Paróquia Nossa Senhora de Bonsucesso.
Guarulhos, São Paulo, 2004.
128
Download

Espaço de Muitos Povos