ENTREVISTA – NÚBIA OLIVEIRA – 67ª COLOCADA – AFRFB / 2012
Olá, amigos do Estratégia!
É com enorme alegria que hoje irei entrevistar a Núbia Oliveira, aluna do Estratégia
Concursos recém-aprovada no concurso de Auditor-Fiscal da RFB. Muitos de vocês
talvez não conheçam a Núbia, mas se você está nesse mundo dos concursos há
algum tempo, você já deve ter ouvido falar dela. De qualquer forma, deixem-me
apresentá-la! 
A Núbia é uma das concurseiras mais queridas desse Brasil, tanto pelos professores
quanto pelos seus colegas. Em 2010, ela foi aprovada em 1º lugar no concurso de
Analista Administrativo do MPU e 3º lugar para Técnico Administrativo, também do
MPU. Nunca chegou a ser nomeada, mas não ficou sentada esperando que a
nomeassem; ao contrário, seguiu na batalha rumo ao sonhado cargo de AuditorFiscal RFB!
É legal demais ver o quanto as pessoas podem se superar! A Núbia é casada, mãe
de dois filhos e mora no interior do Pará, ou seja, longe dos grandes centros de
preparação para concursos. É uma grande batalhadora! E quem a conhece, sabe
muito bem: durante esse tempo todo, ela procurou ajudar vários colegas por meio
da Internet!
Meus amigos, a Núbia simplesmente arrebentou nesse concurso de AFRFB/2012!
Podemos dizer que ela é uma das sobreviventes desse concurso, que talvez tenha
sido o mais difícil de toda a história!
Ricardo Vale: Núbia, é um prazer falar com você! Fiquei muito feliz quando soube
da sua aprovação, mas confesso que eu já previa que isso iria acontecer! Já até
pensava em como iria entrevistá-la!  Mas me diga uma coisa: qual é a sensação
de ser aprovada? Como é esse sentimento de missão cumprida?
Núbia Oliveira: Que legal essa torcida, Ricardo! Para mim é uma grande honra dar
essa entrevista ao Estratégia Concursos. Engraçado que, mesmo já tendo sido
aprovada em alguns outros concursos, jamais senti algo similar ao que estou
sentindo agora. Nos outros, a sensação era a de ter ganho uma batalha, agora, eu
tenho certeza de que venci a guerra! Já faz mais de duas semanas que saiu o
resultado e parece que ainda não desci das nuvens a que fui alçada!  A sensação
é tão boa e tão gratificante, que até já comecei a esquecer de todas as dificuldades
que enfrentei. Tudo valeu a pena!
Ricardo Vale: Núbia, você nunca foi nomeada para o MPU (ficou no cadastro
reserva durante muito tempo!). Percebo que há muitos concurseiros que se
prejudicam com isso e ficam eternamente esperando pela aprovação. A partir da
sua experiência, quais conselhos você daria àqueles que estão nessa situação?
Núbia Oliveira: Ricardo, o MPU foi uma das pérolas que colhi no meio do caminho.
Desde que passei, sempre o enxerguei assim. É claro que nutri esperanças de ser
chamada, afinal eu estava em 1° lugar. Mas sempre estive consciente de que ele
não era o meu objetivo final, então eu não podia parar de estudar. E mesmo que
fosse, infelizmente, no nosso país, nem o 1° lugar pode confiar no cadastro de
reserva. Isso é absurdo! Passar em 1° demanda uma quantidade de estudos
enorme, um bocado de tempo, muito comprometimento e uma boa estratégia. Isso
tudo causa um grande desgaste na vida do concurseiro, sem falar na expectativa
gerada pela aprovação. Mas como ainda não temos uma lei que regulamente o
cadastro de reserva de forma clara e a favor dos aprovados, o meu conselho para
quem enfrenta essa situação, ou que venha a enfrentar é: NÃO SE ACOMODE! Se
você já conseguiu passar em 1° (ou 2°, 3°...) é porque alcançou um excelente nível
de conhecimento. Se parar por um tempo, ele vai se esvaindo e depois você terá de
começar tudo de novo! Só vale se acomodar quando o seu nome estiver lá no
Diário Oficial, publicado na lista do cargo dos seus sonhos! Quando não paramos de
estudar, o conhecimento vai acumulando e chega a um ponto que você começa a
passar em tudo que, de fato, se dedica.
Ricardo Vale: Posso imaginar o tamanho da dedicação que você teve para vencer
essa batalha da RFB! Como é que você conseguiu conciliar os estudos e o fato de
ser casada e mãe de dois filhos? Sua família te apoiava?
Núbia Oliveira: Não foi nada fácil conciliar a vida de mãe, esposa, dona de casa,
funcionária pública e concurseira. Mas com organização e planejamento, tudo se
ajeita. Acho que a palavra chave é PARCERIA. E parceria não se exige, conquistase. Já recebi muitos e-mails de pessoas reclamando que a família não colabora.
Acho que essas pessoas primeiramente precisam se perguntar: e eu, colaboro
comigo mesma? Na maioria das vezes, a pessoa não tem uma postura firme com os
seus, nem é realmente comprometida com os estudos. Não sei quantas vezes, nos
últimos anos, o meu marido levantou-se pela madrugada e me pegou estudando.
Eu não estava no facebook, eu não estava vendo filmes, eu não estava zapeando
na internet, eu estava estudando! De dia, de noite, sempre procurando brechas
para estudar. As amigas até cansaram de reclamar que eu não as visitava mais. E
elas até diminuíram bastante as visitas a minha casa, pois sempre que chegavam,
eu estava estudando. Minha mãe, que mora em outra cidade, sempre que precisava
vir a minha casa, ligava perguntando qual era o melhor dia. E mesmo com ela em
casa, eu pedia licença para estudar, caso tivesse que cumprir alguma meta aquele
dia. Com os meus filhos tive várias conversas. A mais velha, que agora já tem 11
anos, quando queria falar comigo e eu estava estudando, abria a porta do quarto e
dizia: “mãe, na sua próxima pausa eu preciso falar com a senhora”. O menor, que
acabou de fazer 5, já não tinha tanta paciência. Abria a porta e dizia: “mãe, eu
preciso falar com a senhora...” e já saia despejando tudo.  Mas mesmo assim,
quando das primeiras palavras eu percebia que não era algo importante, eu o
mandava falar com o pai ou dizia que ele precisava aguardar, pois agora eu estava
estudando. Não são palavras que convencem, são atitudes contínuas e duradouras.
Foi assim que ganhei, ou melhor, conquistei, a parceria e o respeito dos que me
cercam. É claro que a personalidade das pessoas a sua volta também conta muito.
Eu tive a grande sorte de casar com uma pessoa parecida comigo em vários
sentidos. Meu marido é PRF e sabe o valor do estudo. O sonho de ser AFRFB era
meu, mas ele também desejava que eu o alcançasse, e me ajudou nessa
empreitada. Por vezes fazia supermercado, arrumava as crianças para irem à
escola, dava banho, comida, enfim, um verdadeiro parceiro. Uma coisa que sempre
me tocou muito: quando eu estava dormindo, naquele estágio quase acordada, por
vezes escutei ele admoestando as crianças para que falassem baixo para que eu
não acordasse. Quando estamos lutando por algo melhor para toda a família, é
muito gratificante nos sentirmos cuidada por ela.
Ricardo Vale: Por que você escolheu como foco o concurso da Receita Federal?
Era esse mesmo o seu sonho?
Núbia Oliveira: Falando com toda a sinceridade possível, num primeiro momento
eu escolhi o cargo de Auditor da Receita por causa do salário. Era o melhor salário
oferecido pelo setor público para pessoas sem formação específica. Além disso,
todos os concursos anteriores tiveram vagas para o meu Estado. Descobri isso
pesquisando na internet. Nunca sequer tinha ouvido falar do cargo. É da minha
natureza estar sempre em busca do melhor. Com concursos públicos não haveria
de ser diferente. Eu me idealizei auditora e isso virou um objetivo para mim.
Coloquei-o lá num pedestal em comecei a subir os degraus para alcançá-lo. Paguei
todos os “pedágios” que tinha no caminho, até alcançá-lo!
Ricardo Vale: Ao longo da sua trajetória, sei que você também teve algumas
reprovações, não foi? Conte-nos um pouco sobre isso!
Núbia Oliveira: Com certeza! Foram várias! Reprovei em concursos do TRF, TRT,
AFRFB, ATRFB, AFT e MDIC. Desde que me formei, em 2005, eu faço concursos.
Mas até 2008, eu era daquelas que se inscrevia quando saía o edital, passava em
uma banca e comprava uma apostila (que mal olhava). Não tinha a menor noção
do que era o meio concurseiro. Nesse período eu nem sei quantos concursos fiz e,
claro, fui reprovada em todos. Em 2008 as coisas começaram a mudar, mas ainda
muito lentamente. Estudei seriamente por 40 dias para o concurso de Técnico do
Seguro Social (INSS) e consegui ser aprovada em 7° lugar. A surpresa foi tamanha
que eu vi que tinha um caminho a ser explorado nessa área. Comecei então a me
informar, mas ainda muito timidamente. Em 2009 saiu o ATA/MF e, pela primeira
vez, eu comecei a estudar com total comprometimento, já visando o cargo de
AFRFB. Consegui aprovação no ATA, mas foi em uma colocação distante (meu
nome só apareceu no Diário Oficial na 3ª chamada). Para mim é como se eu tivesse
sido reprovada e isso me desanimou um bocado. Pensava assim: “se não consegui
passar nesse agora, imagina no de auditor, que deve estar saindo”. Parei um tempo
de estudar, mas aos poucos fui retornando, embora em um ritmo bem lento. Em
setembro do mesmo ano saiu o edital de AFRFB e ATRFB. Ainda estava bem “crua”
de conteúdo, mas por total desconhecimento da real dificuldade desses concursos,
me inscrevi nos dois. Não deu outra, reprovação feia para auditor! Para analista eu
até iria para a discursiva, mas fiquei pelos mínimos. Foi um grande erro, pois se eu
tivesse focado no concurso de analista, é muito provável que tivesse conseguido.
Engraçado que, depois de ter passado pela rotina de estudar para os concursos da
RFB, parece que a vontade de estudar impregnou!  Lembro que descansei
pouquíssimos dias e já comecei a pegar pesado para o concurso de AFT, que estava
para ter edital publicado. Não deu outra, no final de dezembro saiu o edital e eu já
tinha dado conta de ver praticamente todo o conteúdo de Direito do Trabalho. Fui
com tudo, tudo mesmo, para cima desse concurso! Passei Natal e Reveillón
estudando, inclusive. Depois que fiz a prova, vi que não tinha perdido em nenhum
dos mínimos e conseguido uma pontuação razoável. Comecei imediatamente a
focar na discursiva. Quando saiu o resultado da objetiva, tive a maior decepção da
minha vida nesse meio concurseiro: eu havia ficado por 1 questão! Chorei muito,
fiquei revoltada por algum tempo, pois tudo tinha dado errado nesse concurso: dos
11 pontos dados nos recursos, eu só consegui 2, e ainda tinham anulado uma
questão de RLQ, que trouxe de volta ao páreo vários candidatos eliminados. Mas
tinha de ser assim... quando me recuperei dessa derrota, voltei a focar no meu
objetivo inicial: AFRFB. E assim vinha fazendo desde então. Ainda reprovei no
concurso do TRT e MDIC (não fiz o mínimo em Língua Estrangeira). Mas também
nunca mais abandonei o estudo para a área fiscal. Mesmo quando passei em 1°
lugar para Analista do MPU, me mantive estudando para auditor. Em todos os
outros concursos que fiz, sendo aprovada ou reprovada, as disciplinas do AFRFB
continuavam na minha grade.
Ricardo Vale: O edital de Auditor-Fiscal RFB é gigante! São umas 20 matérias, não
é? Um ser humano comum consegue estudar tudo isso?  Como era sua rotina de
estudos? Quantas horas diárias?
Núbia Oliveira: Nossa, é muita coisa! Um ser humano só consegue com muita
dedicação, planejamento, foco e persistência. Até porque, não basta estudar tudo,
tem de lembrar!! E isso só é possível com constantes e periódicas revisões (pelo
menos para pessoas normais como eu ). Minha rotina de estudos sempre seguia
um planejamento prévio. Tudo o que eu precisava estudar naquele dia estava
explicitado na planilha*, com suas respectivas fontes. Sem edital, costumava
estudar de 3h a 5h diárias (líquidas). Raramente conseguia fazer mais que isso. No
meu trabalho eu precisava prestar serviço por 6h/dia, sendo que semanalmente
meu horário mudava (uma semana pela manhã, outra pela tarde). Para conseguir
fazer o tempo render melhor, e também porque eu me sinto mais disposta,
costumava dormir no horário em que não estava trabalhando e estudar a noite,
depois que meus filhos iam dormir. Só para esclarecer, pois essa é uma pergunta
recorrente, funcionava mais ou menos assim:
SEMANA 01:
- Trabalhar: 08h as 14h
- Dormir: 15h as 22h
- Estudar: 01h as 06h
SEMANA 02:
- Trabalhar: 12h às 18h
- Estudar: 23h as 03h
- Dormir: 04h as 11h
Poderia fazer o inverso, deixando a noite para dormir. Confesso que tentei
estabelecer esse padrão várias vezes, mas o rendimento caía muito. Não só de
horas líquidas (05h se tornavam 03h, no máximo), como a própria aprendizagem
era diferente. O maior problema eram as tarefas “extras” que surgiam durante o
dia (normalmente coisas relacionadas aos filhos e a administração da casa), que
quebravam essa rotina, não me deixando dormir quando era preciso. Tentei
minimizá-las ao máximo, mas nem sempre era possível. De vez em quando eu
tinha de sacrificar ou o sono, ou o estudo. Por outro lado, eu procurava compensar
de outras formas. Por exemplo, se tivesse de sair para resolver algo, colocava
vídeo-aulas para rodar no celular e ficava ouvindo enquanto fazia outra coisa (só
para matérias que eu já tivesse estudado). Levava material de estudo para o
trabalho e, sempre que tinha uma folguinha, ao invés de ficar jogando conversa
fora ou navegando na internet, escolhia um canto reservado e ia estudar.
Costumava também vir a pé do trabalho, para poder me exercitar um pouco. Então
plugava os fones de ouvido e vinha escutando. Os 40min passavam voando!
Quando queremos muito algo, sempre damos um jeitinho de conciliar o que for
preciso.
Depois do edital consegui tirar férias + licença, o que me deu 45 dias em casa.
Nesse período eu dormia quando dava sono. O resto eu estudava. É claro que os
problemas domésticos, os filhos e o marido não sumiram , mas até eles me
deram uma relativa folga. Deleguei tudo o que podia delegar e me concentrei ainda
mais nos estudos. No início, ainda me exercitava um pouco, mas nos últimos 30
dias parei tudo (péssima atitude). Nesse período, estudava entre 7h e 12h
líquidas/dia. Mas houve dias que, de tanta dor na coluna, eu não consegui estudar
(o que atrasou deveras minha agenda). Sem edital na praça, não recomendo uma
rotina dessas para ninguém.
*Todo o cronograma que utilizei pós-edital, assim como o do ano de 2012, estarão
disponíveis
na
sala
da
minha
história,
no
Fórum
Concurseiros
(www.forumconcurseiros.com).
Ricardo Vale: Núbia, quando você iniciou os estudos para Auditor-Fiscal RFB,
estudou todas as matérias ou apenas as básicas e foi incrementando com outras
matérias aos poucos?
Núbia Oliveira: No início eu me atinha a estudar as disciplinas básicas e, aos
poucos, fui acrescentado outras, conforme o peso e a dificuldade de aprendizagem.
As que já estavam, sempre permaneciam, embora tivessem a quantidade de horas
diminuída. Antes de montar minhas planilhas, construía um ciclo, onde cada
matéria que eu estava estudando aparecia. As que eu precisava me dedicar mais
tempo, apareciam mais vezes. Depois, saía distribuindo-as pela planilha, na ordem
determinada pelo ciclo. Tomando o cuidado de, a cada matéria distribuída,
preencher também seus respectivos dias de revisão. Aos poucos esses ciclos foram
ficando maiores, com mais disciplinas. À medida que outras novas disciplinas iam
entrando, diminuía a quantidade de vezes que as antigas apareciam. Nunca deixei
de estudar as básicas.
Ricardo Vale: Núbia, durante sua preparação, nós sabemos que você procurou
sempre ajudar os colegas! Sempre que eu entrava lá no forumconcurseiros, eu via
você ajudando o pessoal. Pois, então, eu queria saber se você gosta de estudar em
grupo e quais as vantagens desse método.
Núbia Oliveira: Acho que com o grupo conseguimos potencializar muitas coisas,
mas a maior delas é a motivação. Compartilhamos conhecimentos, dificuldades,
dicas, informações úteis, mas, principalmente, nos apoiamos mutuamente. O meu
grupo, no Yahoo, tinha uma agenda semanal, onde todos deviam participar, de
modo a garantir sua permanência. Isso fazia com que, por mais difícil que tivesse
sido a semana, pelo menos os assuntos do grupo tinham sido vistos (para quem
encarava com responsabilidade e disciplina, claro). O melhor de tudo era que,
durante a semana, todos estavam estudando a mesma coisa, então dava para
discutir e tirar dúvidas de forma bem produtiva. Ao longo do tempo fomos reunindo
uma galerinha muito boa por lá, tanto que temos 5 aprovados no AFRFB, alguns no
ATRFB, CGU, MDIC, Fiscos de SP e RJ, entre outros. Isso em um universo de 40
pessoas. O grupo, para mim, foi o que mais contribuiu para que eu mantivesse a
motivação ao longo do tempo. Participando ativamente não tem como você se
desligar do meio concurseiro. Além disso, há a pressão, mesmo nas semanas mais
complicadas, de participar da agenda do grupo, então você finda tendo uma
motivação extra para estudar. Recomendo para pessoas que gostam de seguir
regras e são comprometidas com o que assumem, pois sem isso, o grupo já nasce
fadado ao fracasso. Outra coisa importante: manter um clima de alto astral. Tudo
que é negativo se dissemina muito rápido, então, a qualquer sinal de “fumaça”,
quem coordena o grupo tem de estar preparado para “levantar a torcida”. Olha
Ricardo, o que aprendi nesses anos coordenando um grupo, levarei para a vida
inteira! O saldo foi extremamente positivo.
Ricardo Vale: Sabemos que você mora no Pará, longe dos grandes centros de
preparação para concursos (RJ, SP e Brasília). Como é estudar para um concurso
do porte do de Auditor-Fiscal RFB morando tão longe assim?  Você acha que teve
uma desvantagem em relação aos outros candidatos? Fez cursos presenciais? Ou
estudou apenas por vídeo-aulas e cursos em .pdf?
Núbia Oliveira: Nunca fiz cursos presenciais. Sempre estudei por livros, vídeoaulas e cursos em .pdf. Quem estuda sozinho, em casa, precisa fazer um
planejamento adequando e ter muita disciplina e foco para segui-lo. E quando se
trata de um concurso top como o de Auditor, isso tem de ser feito de forma
profissional. Antes de começar a passar nos concursos, até achava que eu tinha
alguma desvantagem. Depois concluí que isso é mito! É perfeitamente possível ter
acesso aos melhores materiais/professores do mercado através da internet. Pode
até ser que demore um pouco mais de tempo (ou não), mas se a pessoa souber se
organizar adequadamente, ela terá todas as condições de competir em pé de
igualdade com qualquer pessoa, independentemente de onde seja sua residência.
Ricardo Vale: Ao estudar por cursos em .pdf, você imprimia ou lia tudo na tela do
computador?
Núbia Oliveira: Até julho, imprimia tudo. Sou míope e ler na tela do computador
estava totalmente fora de cogitação. Para ficar mais em conta, eu mesma fazia a
recarga do cartucho da minha impressora. Em julho, por indicação de amigos do
Fórum Concurseiros, comprei um iPad, com tela retina. Foi o melhor investimento
que podia ter feito! Há programas específicos que te permitem fazer praticamente
as mesmas coisas que se faz com o papel impresso (iAnnotate PDF), ou com um
caderno (Noteshelf, por exemplo). Além disso, conseguia carregar boa parte do
meu material de estudo para onde quer que fosse! A partir daí, passei a imprimir só
matérias que exigiam cálculos, por causa do espaço para resolver.
Ricardo Vale: Você tinha mais dificuldades em alguma disciplina?
Núbia Oliveira: Sim, em Contabilidade e Estatística. Em Contabilidade eu me
esforcei para superar minhas limitações. Comprei um curso completo em vídeoaulas do prof. Sílvio Sande, que foi a minha salvação! Sempre que eu tentava ir
aprendendo por livros, encontrava dificuldades. Com o curso, meu entendimento
passou a fluir. Acompanhei também alguns cursos do prof. Marcondes Fortaleza, no
EVP, o que fez consolidar ainda mais os conhecimentos nessa disciplina. Para
arrematar com “chave de ouro”, fiz o curso específico para AFRFB, do Gabriel
Rabelo e Luciano Rosa, aqui no Estratégia. Foi o primeiro material escrito que
realmente consegui levar até o fim, pois já tinha estudado praticamente todos os
assuntos por vídeo-aulas antes. Já em Estatística... confesso que pequei feio nessa
disciplina! Eu não gostava e não me esforcei para aprendê-la. Ainda comecei alguns
cursos, mas quando começava a complicar, eu me sabotava e parava de estudar.
Temos excelentes professores nessa área, mas eu assumi o risco de não me
aprofundar, levando em consideração a relação custo-benefício. Foi um risco
enorme, pois a prova poderia ter vindo com muitas questões de Estatística. No
final, findou sendo uma estratégia acertada, pois nem as que eu sabia (que
necessitavam apenas de conhecimentos mais iniciais), tive tempo de resolver. A P1
de auditor foi a maior prova de resistência psicológica que eu já fiz . O tempo foi
apertadíssimo!
Ricardo Vale: Como foi seu estudo para a prova discursiva? É bom que se diga:
as provas discursivas foram “de lascar”!
Núbia Oliveira: As provas discursivas nunca foram um problema para mim,
felizmente. Como fui criada sem TV em casa, meu passatempo quase absoluto era
a leitura. Acho que isso me trouxe um certo conforto na hora de escrever (e como
eu escrevo... acho que essa entrevista vai ser a maior do site ). Confesso que,
durante a primeira fase, não me preocupei com ela. Sabia que precisava aprender a
matéria, pois se soubesse, escrever não seria o problema. Mesmo assim, como o
tempo é muito curto, precisava treinar. E foi o que fiz depois da prova objetiva. Me
matriculei no curso organizado pelo Cyonil e em mais alguns outros, e treinei
discursivas diariamente, sempre cronometrando o tempo. Também troquei
redações com alguns amigos. Tanto eu corrigia as que me enviavam, como tinha a
minha corrigida por eles. Foi uma experiência riquíssima, de muito aprendizado.
Mas, mesmo com um bom histórico com discursivas, saí da prova de AFRFB
arrasada! De fato, foi “de lascar”! Nunca vi cobrarem conhecimentos tão específicos
em uma discursiva. A minha estratégia foi adotar um português impecável (direto,
simples e objetivo) e caprichar na forma. Porque o conteúdo... não dava para ter
certeza do que o examinador queria em cerca de 60% da prova. Nunca escrevi com
tanta convicção sobre algo que eu não tinha certeza.  Deu certo! Perdi apenas 1
ponto em idioma (porque na pressa esqueci de por duas vírgulas) e muito menos
de conteúdo do que estava esperando.
Ricardo Vale: Núbia, quando esse edital saiu, vi muito concurseiro que se
preparava há anos ficar desesperado com as novas matérias (Legislação Aduaneira
e Legislação Tributária). Como foi no seu caso? Ficou calma ou também teve um
momento de desespero?
Núbia Oliveira: Sinceramente, eu fiquei foi aliviada. Falavam em tantas coisas que
poderiam entrar/sair, que quando o edital se materializou, eu achei ótimo. Pelo
menos, as disciplinas que entraram, representavam conhecimentos extremamente
úteis no dia a dia de um auditor. Se eu tinha de aprender algo novo (porque é fato
que sempre há mudanças), que ótimo que seriam conhecimentos pertinentes ao
cargo que estava pleiteando. Nunca tinha estudado nada parecido antes, e, claro,
senti um pouco de medo. Mas nunca encontrei algo que não pudesse aprender, se
eu quisesse aprender. Apenas aquele sentimento normal de apreensão diante do
novo, mas em menor medida que a sensação desafiante de aprender algo
diferente.
Ricardo Vale: E na reta final para o concurso? Você se concentrava nas matérias
de maior peso ou distribuía seus estudos de maneira mais homogênea?
Núbia Oliveira: Concentrava-me nas de maior peso. Na verdade, as matérias
novas foram as que mais me dediquei, ao lado de Contabilidade, pois sabia que aí
residia a maior parte da prova. Estudei todas, claro, mas dedicando menor tempo.
Junto com essa entrevista estou mandando para o Fórum Concurseiros as minhas
planilhas de 2012, contemplando a preparação desde o início do ano e também a
que elaborei pós-edital. Infelizmente, não consegui terminar de seguir nenhuma
das duas. A primeira, porque o edital saiu antes. A segunda, porque planejei algo
além da capacidade que a minha coluna tinha de me aguentar estudando.  Então,
nos últimos 20 dias, cortei um bocado de coisa e me ative ao que achei mais
importante. Mas cheguei bem perto do que foi previsto. E o mais importante: elas
funcionaram, já que estou aprovada. 
Ricardo Vale: Quais conselhos você daria a alguém na semana anterior à prova?
Ler resumos ou fazer exercícios? Estudar pesado ou pegar mais leve?
Núbia Oliveira: Ler resumos, com certeza! É isso que te deixa com a sensação de
que você viu a matéria e, o mais importante, que lembra dela. Sempre leio que
devemos pegar mais leve próximo a prova. E eu fiz isso quando passei no MPU.
Mas na de auditor ficou impossível! Era muita coisa para revisar e absorver de
última hora! Só tive cuidado em relação ao sono, pois precisaria estar disposta para
enfrentar a maratona de provas. Mas, quanto ao estudo, eu estudei até no carro,
vindo fazer a prova. Nada de pegar material novo na última semana! O concurseiro
tem de pegar os seus, marcadinhos e já manuseados, pois são muito mais fáceis de
fixar.
Ricardo Vale: E o que o concurseiro deve fazer no dia da prova? Alguma dica?
Núbia Oliveira: A minha dica é o seguinte: ao longo do seu estudo, depois que
saiu o edital, sempre que se deparar com algo que o seu “time concurseiro” aponta
como importante e facilmente esquecível, anote para não esquecer. No último dia,
faça um check list dessas anotações (só as “top” mesmo). Eu fazia o seguinte: tudo
o que achava importante ver no dia da prova, batia uma foto com o iPad. Foi
bastante produtivo, pois no sábado de manhã, e também durante a viajem para a
localidade das provas, eu ia olhando essas fotos. Lembro que, antes de entrar na
sala, peguei o meu tablet e olhei novamente todas as fórmulas (eu tinha batido foto
dos papéis que ficavam pregados na minha parede com elas). A verdade é,
aproveitei o tempo ao máximo, pois o conteúdo era gigantesco.
Ricardo Vale: Desculpe-me pelo trocadilho , mas você acha importante ter
Estratégia (rs) para fazer as provas da Receita Federal?
Núbia Oliveira: Importante é pouco, estratégia é essencial! Enfrentar uma prova
com 20 disciplinas diferentes, com conteúdo gigante, sem uma boa estratégia, é
pedir para fracassar. Não posso dizer que é impossível, mas sem um bom
planejamento, acho extremamente difícil. Falando em trocadilho, quero dizer aos
concurseiros que ter o Estratégia como parte de sua estratégia, a tornará muito
mais eficaz. Certeza!
Ricardo Vale: O que foi mais difícil nessa vida de concurseira?
Núbia Oliveira: Nossa Ricardo, foram tantas coisas difíceis... mas acho que o
maior obstáculo foi me manter estudando, sem saber ao certo quando ia sair,
quantas vagas seriam, para onde seriam... engraçado que o único medo que não
tive – e que é muito recorrente – era o de não ser aprovada. Não porque eu tivesse
certeza do sucesso (até porque, em um concurso com tantas variáveis, é
impossível a garantia absoluta), mas porque sabia que ia continuar tentando. Se
não tivesse dado certo para AFRFB, esta hora eu estaria estudando exaustivamente
para o AFT, com certeza! Sabia que uma hora a aprovação viria. Agora, se manter
motivada e estudando por vários anos, é algo bem difícil, pois as distrações que te
tiram o foco são muitas. Dei algumas pausas ao longo desse percurso para viajar
com a família e para receber parentes em casa, e acho que foram bastante
saudáveis. Quando voltava a estudar, a fome de aprender estava gigante! A
questão aqui é programação: você sabe que vai precisar parar, então adiante o que
for possível e já tenha em mente o dia da volta. E o mais importante, volte! No
início é difícil mantermos o mesmo ritmo, mas aos poucos vamos melhorando.
Ricardo Vale: O que você aconselharia a alguém que vá iniciar hoje seus estudos
para a Receita Federal?
Núbia Oliveira: Antes de tudo, leia um bom livro de “auto-ajuda” para concursos,
pois ele é essencial para dar “alma de concurseiro”. Indico aqui os livros do Willian
Douglas e Alex Meirelles. Quando for começar a estudar, de fato, pesquise uma boa
bibliografia. A oferta só aumenta a cada dia, mas infelizmente em proporção
inversa à qualidade. Pesquise nos fóruns, peça indicação a quem já foi aprovado,
folheie na livraria, enfim, não compre no escuro. Trace um planejamento com
metas diárias e factíveis. Siga a risca o que foi planejado, mas não se engesse. Se
for necessário, faça alterações pontuais no decorrer do tempo. Controle o
rendimento nos exercícios e o tempo de estudo. Torne-se um concurseiro
profissional! Acho muito importante frequentar os fóruns especializados, pois lá
pode-se tirar muitas dúvidas que irão surgir. Além disso, é um excelente local para
receber orientações de concurseiros que já trilharam o mesmo caminho. Nos dias
de hoje, acho que esse pode ser um grande diferencial: poder contar com a
orientação de pessoas que já foram aprovadas, encurta sobremaneira o caminho.
Ricardo Vale:
examinadora?
Você
acha
importante resolver muitas questões da
banca
Núbia Oliveira: Sem dúvida! De todas as bancas, mas sempre com ênfase na
banca examinadora. Hoje temos acesso a muitos cursos de exercícios comentados,
nas mais diversas disciplinas. Acho essencial fazê-los! Eu, por vezes, ignorei
completamente os exercícios de livros (as famosas listas). Lia o capítulo e partia
para a aula daquele assunto em cursos de exercícios comentados, pois assim eu
aprendia muito mais. Costumava fazer assim: marcava a resposta que achava
correta, mentalmente justificava o porquê do acerto e também analisava o porquê
do erro das outras alternativas. Só então partia para a resposta dada pelo
professor. Era bastante interessante, pois muitas vezes, apesar de ter acertado a
questão, tinha adotado um linha de pensamento totalmente errada. Com a resposta
correta e fundamentada ali na minha frente, ia me corrigindo e aprendendo cada
vez mais.
Ricardo Vale: Qual você acha que é o maior erro dos concurseiros Brasil afora?
Núbia Oliveira: A falta de foco. A grande maioria não consegue decidir qual
realmente é o cargo dos seus sonhos, então, a cada nova autorização, mudam
completamente seus estudos (isso para não falar daqueles que mudam quando sai
o edital). Isso é um tremendo erro! Ainda quando os cargos são compatíveis,
dentro da mesma área e com muitas matérias similares, até que vai. Mas, por
exemplo, está estudando para AFRFB e se interessa pela PF... não acho que seja
produtivo. Além disso, mudar a grade de estudos a toda hora, prejudica as
REVISÕES, o que faz com que muito do conteúdo já estudado seja desperdiçado.
Não digo que não funcione, mas acho que alonga o caminho. Eu fiz alguns
concursos da área jurídica durante a minha preparação para AFRFB. Mas todos
foram bem conscientes. Não era qualquer um. Além disso, quando os fiz, ou
permaneci estudando para AFRFB, ou já estava com muita coisa adiantada. Por
isso, costumo dizer que foram “desvios programados de rota”. Acho que a maior
prova disso é o depoimento do Thomas Jorgensen, 1° colocado no concurso de
AFRFB, que somente fez dois concursos na vida, sendo aprovado em ambos.
Ricardo Vale: Se você tivesse que apontar algum erro na sua preparação, qual
seria? Por outro lado, quais você acha que foram seus maiores acertos?
Núbia Oliveira: MAIORES ERROS: não ter procurado me informar adequadamente
no início da minha vida concurseira e ter feito algumas opções erradas agora na
reta final. Passei muito tempo estudando erroneamente, peguei alguns materiais
“bombas” e, com isso, perdi um bom tempo no começo da minha preparação.
Agora, na reta final, também me arrependo de ter feito certos cursos ao invés de
outros. Quando vi que tinha avaliado erradamente, não dava mais tempo correr
atrás do prejuízo. Nesse caso, se eu tivesse alguém que conhecesse os
materiais/cursos para me orientar, teria evitado isso. MAIORES ACERTOS: dar a
devida atenção às revisões e ter criado o grupo. Depois de ler o livro do Meirelles,
passei a desenvolver minhas planilhas com todas as revisões programadas e
especificadas. Nossa, que diferença na fixação do conhecimento! Quanto ao grupo,
sem dúvida, o papel dele na minha vitória foi essencial! Levarei para sempre no
meu coração os bons momentos que ali vivemos.
Ricardo Vale: Para terminarmos nossa entrevista, Núbia, gostaria muito que você
deixasse uma mensagem para todos aqueles que um dia almejam chegar onde
você chegou!
Núbia Oliveira: Amigos, por vezes sonhamos com algo melhor para nós. A grande
dificuldade é transformarmos esses sonhos em objetivos. Precisamos estar
dispostos a pagar o preço dessa transformação. Tomar as rédeas da nossa vida,
programar o futuro e começar a por em prática as ações que o tornarão realidade.
Se você deseja, um dia, ocupar os melhores cargos da administração pública,
precisa começar a mudar suas atitudes agora. Vai precisar abdicar de um monte de
coisas, e fazer isso com gosto, sempre tendo em mente que é por algo muito
maior. Saiba que tudo valerá a pena. Quando a sua aprovação vier, você sentirá
que viveu para ver esse dia. Estou esperando vocês do lado de cá!
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ENTREVISTA – NÚBIA OLIVEIRA – 67ª