UNIVERSIDADE ANHEMBI MORUMBI GERALDO DO NASCIMENTO JUNIOR O SERVIÇO DE ENGENHARIA DE MANUTENÇÃO E OPERAÇÃO PÓS-VENDA (CAPELA DO SOCORRO) EM UMA DAS MAIORES EMPRESAS DE SANEAMENTO DO MUNDO: SABESP SÃO PAULO 2008 ii GERALDO DO NASCIMENTO JUNIOR O SERVIÇO DE ENGENHARIA DE MANUTENÇÃO E OPERAÇÃO PÓS-VENDA (CAPELA DO SOCORRO) EM UMA DAS MAIORES EMPRESAS DE SANEAMENTO DO MUNDO: SABESP Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como exigência parcial para a obtenção do título de Graduação do Curso de Engenharia Civil da Universidade Anhembi Morumbi Nome do Orientador : Prof. Gisela Coelho Nascimento SÃO PAULO 2008 iii GERALDO DO NASCIMENTO JUNIOR O SERVIÇO DE ENGENHARIA DE MANUTENÇÃO E OPERAÇÃO PÓS-VENDA (CAPELA DO SOCORRO) EM UMA DAS MAIORES EMPRESAS DE SANEAMENTO DO MUNDO: SABESP Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como exigência parcial para a obtenção do título de Graduação do Curso de Engenharia Civil da Universidade Anhembi Morumbi Trabalho concluído em: 03 de Dezembro de 2008. ____________________________________________ Profª. Gisela Coelho Nascimento ___________________________________________ Profº. Lincoln Lucilio Romualdo Comentários: ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ iv A Gracy , minha companheira, pela atenção, paciência e compreensão, e ao meu pequeno e amado filho Arthur, pelos momentos que não pudemos compartilhar. A minha mãe, Maria, por toda dedicação, amor e carinho, e também pelo incentivo para continuar buscando os meus sonhos. Ao meu pai, Geraldo, pela lição de honestidade e força para conseguir os objetivos. v AGRADECIMENTOS A todos que de alguma forma contribuíram para a realização deste trabalho. vi RESUMO Este trabalho apresenta informações sobre como são executados em uma empresa de saneamento ambiental os serviços de operação e manutenção em sistemas de abastecimento de água e coleta de esgoto, as ferramentas utilizadas, os treinamentos necessários para mão de obra e os métodos utilizados para o completo atendimento a todos os serviços de manutenção que vierem a surgir. Mostra o funcionamento e estrutura de um setor de manutenção da Sabesp e os novos métodos de trabalho que estão sendo adotados como o combate às perdas com manutenções preventivas e pesquisas de vazamentos não visíveis com os resultados já obtidos e a implantação de manutenções preventivas e diagnósticos das redes de esgoto. PALAVRAS-CHAVE: Manutenção, Abastecimento de água, Coleta de esgoto, Vazamentos, Perdas de água, Manutenção preventiva. vii ABSTRACT This work presents information on how carried out in a company of environmental sanitation services in operation and maintenance of water supplies and sewage collection, the tools used, the training necessary for manpower and the methods used to the full service to all maintenance services that will arise. This shows the structure and work of a maintenad Sabesp sector and the new working methods that are being adopted to against the high costs with preventive maintenance and research for leaks, using previously obtained results and the implementation of diagnostic and preventive maintenance of sewage networks. KEY WORDS: Maintenance, Water supply, Sewage collection, Casting, Leaks, Preventive maintenance viii LISTA DE FIGURAS Figura 5-1 -Pontos freqüentes de vazamentos em rede de distribuição ................... 12 Figura 5-2 – Chave de Manobra................................................................................ 14 Figura 5-3 – Cavalete de água .................................................................................. 14 Figura 5-4 – Ferramentas e Equipamentos Utilizados para Manutenção em Cavalete de Água............................................................................. 15 Figura 5-5 – Ferramentas para Manutenção de Ramais Prediais de Água ............... 16 Figura 5-6 - Martelete Pneumático ............................................................................ 17 Figura 5-7 - Unidade Hidráulica................................................................................. 18 Figura 5-8 – Retroescavadeira .................................................................................. 18 Figura 5-9 - Escavadeira Hidráulica .......................................................................... 19 Figura 5-10 - Compressor Pneumático ..................................................................... 19 Figura 5-11 – Compactador....................................................................................... 20 Figura 5-12 – Lixadeira.............................................................................................. 20 Figura 5-13 - Cortador de Tubo ................................................................................. 21 Figura 5-14 - Bomba de Sucção................................................................................ 21 Figura 5-15 - Gerador de Energia ............................................................................. 22 Figura 5-16 – Esmerilhadeira .................................................................................... 22 Figura 5-17 - Serra de Disco ..................................................................................... 23 Figura 5-18 – Tripé .................................................................................................... 24 Figura 5-19 - Medidor de Gases................................................................................ 25 Figura 5-20 - Flex Cleaner......................................................................................... 25 Figura 5-21 - Sewer Rodder ...................................................................................... 26 Figura 5-22 - Sewer Jet ............................................................................................. 26 Figura 5-23 - Alto Vácuo ........................................................................................... 27 Figura 5-24 – Combinado Sewer Jet com Alto Vácuo ............................................... 27 Figura 5-25 – Haste de Escuta .................................................................................. 28 Figura 5-26 – Geofone Mecânico .............................................................................. 28 Figura 5-27 – Geofone Eletrônico ............................................................................. 29 Figura 5-28 – Correlacionador de Ruídos ................................................................. 29 Figura 5-29 – Curso de Instalação de ramais prediais no SENAI/Tatuapé – São Paulo ................................................................................................ 31 Figura 6-1 – Gráfico da quantidade de água no planeta ........................................... 34 Figura 6-2 - Gráfico da distribuição de água no planeta ............................................ 34 Figura 6-3 - Gráfico da distribuição de água no Brasil .............................................. 35 Figura 6-4 - Gráfico da distribuição de água no Estado de São Paulo ...................... 36 Figura 6-5 – Municípios atendidos pela Sabesp........................................................ 37 Figura 6-6 – VRP Leonardo de Fássio ...................................................................... 42 Figura 6-7 – Hidrômetro macromedidor .................................................................... 43 Figura 6-8 – Hidrômetro residencial com vazão de 1,5 m³/s ..................................... 43 Figura 6-9 – Área da VRP Leonardo de Fássio subdividida em distritos de medição e controle (DMC) ............................................................... 44 Figura 6-10 – Construção de Poço de Visita ............................................................. 45 Figura 6-11 – Instalação de válvula gaveta de diâmetro 75mm ................................ 45 Figura 6-12 – Pesquisa de vazamentos não visíveis realizado com haste de escuta .............................................................................................. 46 Figura 6-13 - Incidência de consertos de Esgoto no Pólo Capela do Socorro .......... 49 Figura 6-14 – Mapa temático do setor 178 com números de desobstruções executadas ....................................................................................... 50 ix LISTA DE TABELAS Tabela 5-1 - Perdas físicas e suas causas. ................................................................. 9 Tabela 6-1 - Escassez de recursos hídricos.............................................................. 36 Tabela 6-2 - Total de serviços executados na área da VRP Leonardo de Fássio ..... 46 Tabela 6-3 - Serviços antes, durante e depois das ações preventivas no setor........ 47 Tabela 6-4 - Economia em consertos de vazamentos .............................................. 48 Tabela 6-5 - Economia de água devido à redução do VD e aumento do VU ............ 48 Tabela 6-6 - Planejamento de Limpeza e diagnóstico de redes de esgoto ............... 51 x LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS ABENDE Associação Brasileira de Ensaio Não Destrutivo ABRH Associação Brasileira de Recursos Hídricos ANA Agência Nacional da Água DMC Distrito de Medição e Controle IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IPDT Índice de Perdas da Distribuição Totais ISO International Organization for Standardization (Organização Internacional para Padronização) MASPP Método de Analise e Soluções de Problemas de Perdas de Água e de Faturamento MCA Metro de Coluna D´água MS Unidade de Negócio sul OHSAS Occupational Health and Safety Assessment Series (Série de Avaliação de Saúde e Segurança Ocupacional) PLANASA Plano Nacional de Saneamento PNCDA Programa Nacional de Combate ao Desperdício de Água PNQ Prêmio Nacional de Qualidade PNQS Prêmio Nacional de Qualidade em Saneamento PPQG Prêmio Paulista de Qualidade em Gestão PVC Policloreto de Vinila RDA Rede de Distribuição de Água RMSP Região Metropolitana de São Paulo SABESP Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo SNIS Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento VD Volume Distribuído VRP Válvula Redutora de Pressão VU Volume Utilizado xi SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO ..................................................................................................... 1 2. OBJETIVOS ......................................................................................................... 3 2.1. Objetivo Geral ............................................................................................... 3 2.2. Objetivo Específico ....................................................................................... 3 3. MÉTODO DE TRABALHO ................................................................................... 4 4. JUSTIFICATIVA ................................................................................................... 5 5. O SERVIÇO DE ENGENHARIA DE OPERAÇÃO E MANUTENÇÂO PÓSVENDA EM UMA EMPRESA DE SANEAMENTO ...................................................... 6 5.1. O que é Pós-Venda....................................................................................... 6 5.2. A Operação em um Sistema de Saneamento ............................................... 6 5.3. Manutenção Corretiva ................................................................................... 6 5.3.1 A manutenção corretiva em um sistema de saneamento ........................ 7 5.3.2 A manutenção corretiva em um sistema de distribuição de água ............ 7 5.3.3 A manutenção corretiva em um sistema de coleta de esgoto ................. 7 5.4. Manutenção Preventiva ................................................................................ 8 5.4.1 A manutenção preventiva em um sistema de saneamento ..................... 8 5.4.2 A manutenção preventiva em um sistema de distribuição de água ......... 8 5.4.2.1 Perdas físicas e perdas não-físicas......................................................... 9 5.4.2.2 Principais causas das perdas físicas....................................................... 9 5.4.3 A manutenção preventiva em um sistema de coleta de esgoto ............. 13 5.5. Equipamentos Utilizados em um Sistema de Saneamento ......................... 13 5.5.1 Equipamentos para operação ................................................................ 13 5.5.2 Equipamentos para manutenção em sistema de água ............................ 14 5.5.2.1 Equipamentos para manutenção em cavaletes de água....................... 14 5.5.2.2 Equipamentos para manutenção em ramais prediais de água ............. 16 5.5.2.3 Equipamentos para manutenção em redes de água ............................. 16 5.5.3 Equipamentos para manutenção em sistema de esgoto ....................... 23 5.5.4 Detecção de vazamentos não visíveis ................................................... 28 5.6. Mão-de-Obra Utilizada em um Sistema de Saneamento ............................ 30 5.6.1 Capacidades mínimas exigidas ............................................................. 30 5.6.2 Treinamentos necessários para serviços em água................................ 30 5.6.3 Treinamentos necessários para serviços em esgoto ............................. 31 5.6.4 Treinamentos necessários para detecção de vazamentos não visíveis 32 6. ESTUDO DE CASO ........................................................................................... 33 6.1. Disponibilização de Recursos Hídricos ....................................................... 33 6.1.1 Disponibilização de recursos hídricos no planeta................................... 33 6.1.2 Disponibilização de recursos hídricos no Brasil ..................................... 34 6.1.3 Disponibilização de recursos hídricos no Estado de São Paulo ............. 35 6.1.4 Disponibilização de recursos hídricos na região metropolitana de São Paulo .................................................................................................................. 35 6.1.5 Classificação da escassez de recursos hídricos .................................... 36 6.2. Características Gerais da Empresa Sabesp ............................................... 37 xii 6.3. Características Gerais do Setor de Atendimento (Pólo de Manutenção Capela do Socorro) ................................................................................................ 38 6.3.1 Infra-estrutura ............................................................................................ 38 6.3.2 Mão-de-obra própria.................................................................................. 39 6.3.3 Mão-de-obra terceirizada .......................................................................... 40 6.4. Métodos de Trabalho do Setor .................................................................... 40 6.5. Engenharia e Planejamento dos Serviços e Manutenções Preventivas ..... 41 6.5.1 Ações implantadas para combate às perdas físicas ................................. 41 6.5.1.1 Estudo das ações de perdas na VRP Leonardo de Fássio ................... 42 6.5.2 Ações preventivas de esgoto .................................................................... 49 6.5.2.1 Estudo das ações para implantação das ações preventivas de esgoto 49 6.6. Análise de Dados Obtidos e Relatórios Gerados ........................................ 52 7. CONCLUSÃO .................................................................................................... 53 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .......................................................................... 54 ANEXO A .................................................................................................................. 56 ANEXO B .................................................................................................................. 68 1. INTRODUÇÃO O saneamento básico no Brasil atualmente é muito precário, principalmente nas regiões Norte e Nordeste do País, devido à sua história de construção onde durante muitos anos não houve nenhum tipo de investimento no setor, sendo que no início da Colonização cada indivíduo era responsável pela captação e tratamento da água e disposição dos dejetos não havendo nenhuma responsabilidade e investimento por parte do Governo ou empresa privada. Com o tempo o saneamento foi evoluindo, mas no começo, as expansões e implantações de redes eram feitas pela iniciativa privada, dando acesso ao mesmo apenas aos grandes centros expandidos e as pessoas que lá viviam. Atualmente na região Sudeste do País, principalmente no Estado de São Paulo, o saneamento ambiental provê a grande maioria da população, porém ainda há muito que se investir, pois conforme ocorreu a expansão dos grandes centros urbanos foram instalando-se as redes sem nenhum tipo de planejamento, trazendo hoje grandes problemas de falta d’água e vazamentos. Devido a complexidade e extensão das redes de água e esgoto existente e na grande maioria dos casos não há investimento em prevenção ou renovação dessas redes, uma das áreas mais importantes das empresas de saneamento é o Setor de atendimento de manutenções. O grande desafio de um Setor de atendimento de manutenções é a solução dos principais problemas identificados, não apenas no sentido do conserto corretivo, mas no âmbito de soluções que visam evitar ou minimizar o reaparecimento do problema e a antecipação do mesmo, buscando com isso a redução das perdas e infiltrações existentes no sistema de água, as infiltrações, contaminações e refluxos no sistema de esgoto melhorando assim a satisfação dos clientes. No Setor escolhido para esse estudo (Setor Pólo de Manutenção de Capela do Socorro – SABESP) o desafio é ainda maior, pois o setor está localizado dentro de 2 uma grande área de Manancial entre as Represas Billings e Guarapiranga gerando uma responsabilidade maior quanto aos impactos ao Meio Ambiente. Também há a dificuldade da extensão da área atendida de um total de 514,513 km² e uma população de 656.000 habitantes com 100% de ligação de água e 63% de ligações de esgoto, sendo que o setor disponibiliza de um quadro de 52 empregados, sendo que 19 são administrativos e 33 operacionais, onde a maior parte dos serviços diretos de manutenção são executados por mão-de-obra terceirizada. Com todas essas dificuldades são executados todos os atendimentos solicitados pelo cliente dentro de prazos e metas pré-estipulados e atualmente estão sendo realizados métodos de trabalhos preventivos e preditivos baseados em modelos de qualidade como Prêmio Nacional de Qualidade (PNQ), Prêmio Nacional de Qualidade em Saneamento (PNQS), Prêmio Paulista de Qualidade em Gestão (PPQG), Sistema de Qualidade (ISO 9001:2000) e Sistema de Qualidade em Segurança e Saúde Ocupacional (OHSAS 18001:1999) alcançando premiações que há algum tempo só contemplavam empresas privadas, demonstrando um modelo de gestão eficiente e auto-sustentável. Existe a Lei nº 9.433, de 8 de janeiro de 1997 (anexo A) que trata da Política Nacional de Recursos Hídricos e a partir de 7 de dezembro de 2007 foi criada a Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo (ARSESP) criada através da Lei Complementar nº 1.025 de 07 de dezembro de 2007 (anexo B) para regular, controlar e fiscalizar no âmbito do Estado, os serviços de gás canalizado e, preservadas as competências e prerrogativas municipais, de saneamento básico de titularidade estadual. 3 2. OBJETIVOS Este trabalho trata da demonstração do estudo do funcionamento das manutenções corretivas e preventivas em sistemas de abastecimento e distribuição de água e coleta e afastamento de esgotos adotados em empresas de saneamento ambiental. 2.1. Objetivo Geral Apresentar o funcionamento e estruturação de uma Unidade de Operação e Manutenção em sistemas de abastecimento de água e coleta e afastamento de esgotos, visando a conservação dos sistemas existentes e conseqüente melhoria na qualidade de vida da população mantendo as residências, comércios, indústrias e órgãos públicos sem intermitências no abastecimento de água e sem falhas no sistema de coleta de esgotos. 2.2. Objetivo Específico Apresentar os métodos e práticas adotados no Pólo de Manutenção Capela do Socorro com serviços de manutenção corretiva e preventiva evitando assim problemas de intermitência no abastecimento de água devido aos vazamentos em redes e ramais prediais, pouca pressão de água e problemas de coleta de esgotos como vazamentos e obstruções das redes e ramais, evitando assim problemas de reclamações, acidentes, sinistros, perdas e impactos ao meio ambiente. Outro ponto importante do trabalho consta em mostrar o modelo de gestão em uma empresa de saneamento, no caso a SABESP, que por tratar-se de uma das maiores Empresas no setor pode servir de referência para outras empresas do ramo ou de atividades semelhantes onde os métodos possam ser aplicados. 4 3. MÉTODO DE TRABALHO A metodologia utilizada para o desenvolvimento e realização deste trabalho foi pesquisa “in loco”, pesquisas em sites da Internet, pesquisas em órgãos governamentais relacionados ao tema e pesquisa bibliográfica bem como a experiência adquirida em 14 anos de trabalho na área de manutenção. 5 4. JUSTIFICATIVA Disponibilizar água para a população de São Paulo, com quantidade e qualidade compatíveis com as exigências mínimas para consumo humano é cada vez mais difícil, pois este recurso natural que é consumido compulsoriamente pelos seres vivos, possui um valor agregado altíssimo devido a pouca disponibilidade hídrica na RMSP – Região Metropolitana de São Paulo - conjugado ao alto custo do tratamento. Verifica-se que manter a operacionalidade do sistema com sua integridade física preservada é uma tarefa árdua e constante que é alcançada com a manutenção corretiva e principalmente preventiva diminuindo assim a quantidade de água desperdiçada e as infiltrações de esgoto causadas pelos vazamentos, visto as 6,8 milhões de ligações de água e 5,1 milhões de ligações de esgoto existentes nos 366 municípios do Estado de São Paulo atendidos pela Sabesp, sendo que a Região atendida pelo Pólo de Manutenção da Capela do Socorro possui 164.205 ligações de água e 111.106 ligações de esgoto, segundo dados levantados em fevereiro de 2008 pela SABESP – Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo. A atual estruturação e método de trabalho da área de Operação e Manutenção da SABESP visa otimizar os recursos materiais e pessoais da empresa para minimização das perdas e impactos ao meio ambiente, tanto no desperdício de água quanto na contaminação dos mananciais e solo pelo esgoto, melhorando assim sua imagem junto ao cliente e à sociedade. 6 5. O SERVIÇO DE ENGENHARIA DE OPERAÇÃO E MANUTENÇÂO PÓS-VENDA EM UMA EMPRESA DE SANEAMENTO 5.1. O que é Pós-Venda Pós-venda é o atendimento prestado ao cliente após a venda do produto, o que pode ser feito para o encantamento e fidelização do cliente, por obrigações legais ou por necessidades operacionais. No caso dos sistemas de saneamento a venda é a efetivação da ligação de água e/ou esgoto solicitados pelo cliente e o pós-venda é uma tratativa permanente necessária à operação e ao bom funcionamento do sistema que consiste no atendimento ao cliente mantendo-se a regularidade do abastecimento de água e a efetiva coleta e afastamento do esgoto bem como a execução de manutenções preventivas ou corretivas e o atendimento a sinistros decorrentes da demora na localização e conserto de falhas existentes no sistema. 5.2. A Operação em um Sistema de Saneamento A Operação de fechamento e abertura das redes de grande diâmetro, bem como o controle de pressão e regulagens de Válvulas Redutoras de Pressão (VRP’s) em um sistema de água e o desligamento de estações elevatórias de esgoto em geral é executada por outras áreas previamente determinadas na estrutura da empresa restando para o Pólo de Manutenção apenas a operação local necessária para a manutenção, principalmente em serviços de água onde essa operação do sistema consta da abertura e fechamento de registros das redes de distribuição de água de menor diâmetro (até 75mm no máximo), comunicando à área responsável o motivo e horário do fechamento. 5.3. Manutenção Corretiva Manutenção Corretiva é a manutenção que é necessária somente após a ocorrência de uma falha no sistema, onde geralmente há a necessidade de interrupção da 7 produção ou distribuição e a perda de qualidade do produto. 5.3.1 A manutenção corretiva em um sistema de saneamento Nos sistemas de saneamento a manutenção ocorre geralmente quando há uma falha em alguma bomba ou booster e principalmente quando ocorrem vazamentos nas redes de água ou esgoto. A informação sobre esses vazamentos geralmente é obtida através da reclamação do cliente com maior freqüência através do “call center” e algumas vezes através da comunicação pessoal nas agências de atendimento. 5.3.2 A manutenção corretiva em um sistema de distribuição de água No sistema de distribuição de água geralmente a manutenção corretiva ocorre nas redes de distribuição de água e nos ramais domiciliares onde em quase todos os casos é necessário a abertura de valas para seu conserto e não há idéia de quanto tempo o problema existia até sua percepção pelo cliente ou pela empresa. Quando o problema acontece em uma bomba, booster ou em grandes adutoras a percepção é mais rápida pois tem uma maior abrangência e impacto. 5.3.3 A manutenção corretiva em um sistema de coleta de esgoto No sistema de coleta de esgoto a manutenção corretiva possui uma necessidade de atendimento maior, pois além dos transtornos ao cliente há o risco à saúde e o impacto ao meio ambiente. Geralmente quando há uma necessidade de manutenção corretiva logo o problema é percebido pelo cliente devido ao sistema ter vários pontos de extravasão como poços de visita e retorno aos imóveis nele conectados exalando mau cheiro. Em alguns casos há também o solapamento da via ou passeio até mesmo com a criação de buracos devido ao carreamento do solo através da rede. 8 5.4. Manutenção Preventiva É a manutenção realizada com a intenção de reduzir ou evitar a quebra de partes do sistema evitando assim sua paralização e diminuindo assim o custo da manutenção, custos com sinistros e redução das perdas no sistema melhorando a satisfação do cliente. 5.4.1 A manutenção preventiva em um sistema de saneamento Em um sistema de saneamento a manutenção preventiva visa evitar problemas de irregularidades no abastecimento e retorno de esgoto para os imóveis e meio ambiente. 5.4.2 A manutenção preventiva em um sistema de distribuição de água No sistema de distribuição de água a manutenção preventiva ou de combate as perdas consiste principalmente no levantamento dos principais pontos de atuação com manutenções corretivas identificando a causa dos problemas para então atuar com limpeza e revestimento de redes, trocas de ramais domiciliares, trocas de redes de água, eliminação de pontos de acúmulo de sujeiras (finais de rede). Outra ação muito importante para a redução das manutenções corretivas é a identificação dos vazamentos não visíveis através de geofonamento, correlacionador ou outro método, antecipando a reclamação dos clientes e localizando vazamentos não visíveis os quais poderiam demorar um longo tempo para sua percepção ou até encontrar outros meios de escoamento como Galerias de Águas Pluviais, córregos, etc., evitando assim sua detecção por método visível. Para completar essa ação é importante também termos controlado as bacias de abastecimento divididas em subbacias para um melhor controle e um menor impacto em casos de necessidades de intervenções no sistema. 9 5.4.2.1 Perdas físicas e perdas não-físicas Perdas físicas são caracterizadas pela água subtraída do sistema e que não é consumida pelo cliente final, portanto, origina-se em vazamentos que ocorrem desde a captação, passando pelo processo de tratamento, reservação e adução até a distribuição, também computada neste volume a água utilizada além do necessário para a lavagem de filtros e descargas de rede. Esse tipo de perda ocorre por vazamentos em tubulações, equipamentos e estruturas, por extravasamento de reservatórios e canais, água utilizada em processos operacionais de lavagem de filtros e limpeza de decantadores e descargas em redes de adução e distribuição. Esse tipo de perda é acompanhada pelo Pólo de Manutenção onde têm-se ações específicas para a redução das mesmas. Perdas não-físicas são caracterizadas pela água consumida e não registrada, originadas em ligações clandestinas ou não cadastradas, ou hidrômetros com irregularidade na sua medição, a qual tem uma atuação mais específica da área comercial da empresa. 5.4.2.2 Principais causas das perdas físicas As perdas físicas correspondem aos volumes que escoam através de vazamentos nas tubulações, vazamentos e extravasamento nos reservatórios, na Tabela 5-1 Perdas físicas e suas causas temos caracterizado sua origem e magnitude. (TSUTIYA, 2004). Tabela 5-1 - Perdas físicas e suas causas - Fonte: adaptado PNCDA, 1999. Parte do Origem da Perda Causa Provável Magnitude sistema Captação e Vazamento na AduçãoPressão elevada Adução de Limpeza poço de Ajuste inadequado de do estado das Água Bruta sucção conexões Limpeza do desarenador Variável em função instalações. 10 Parte do Origem da Perda Causa Provável Magnitude sistema Estação de Vazamento estrutural Má qualidade do Significativa, Tratamento Lavagem de filtros material função do estado Descarga de lodo Envelhecimento das instalações e Má execução das obrasda eficiência operacional. Reservação Vazamento estrutura Má qualidade do Variável, função do Extravasamento material estado das Limpeza Envelhecimento instalações e da Má execução das obraseficiência operacional. Adução de Vazamento Tubulação Má qualidade do Variável, função do Água Tratada e Descarga material instalações de Envelhecimento/Corros tubulações e da recalque ão eficiência Projeto ou execução operacional. inadequados Ajuste inadequado das conexões Pressão alta Golpe de aríete (impacto sofrido na rede devido à interrupção repentina do fluxo de água) Corrosão interna devido ao alto teor de cloro utilizado para tratamento da água com qualidade ruim estado das 11 Parte do Origem da Perda Causa Provável Magnitude sistema Distribuição – Vazamento em rede Má qualidade do redes e ramais Vazamento em ramal material prediais Descarga Significativa, função do estado Envelhecimento/Corros das tubulações e ão principalmente Projeto ou execução pressões elevadas. inadequados Ajuste inadequado das conexões Pressão alta Golpe de ariete Corrosão interna devida qualidade da água Segundo Dirlene (2006) as perdas físicas que ocorrem na rede de distribuição de água, incluindo os ramais prediais, são muitas vezes elevadas e estão dispersas, levando a ações corretivas onerosas e complexas, e consideradas de retorno duvidoso, por isso é necessários um critério rígido e controle técnico na implantação das ações. (PNCDA, 1999) Pode-se afirmar (PNCDA, 1999), que as causas mais cogitadas para as perdas de água nas redes distribuidoras e ramais prediais são: - os materiais das tubulações; - a idade das tubulações; - o assentamento das tubulações; - o excesso de pressão na rede; - a alimentação da rede através de bombeamento direto; - os transientes hidráulicos; - a ausência de válvulas ventosas. As experiências técnicas no ramo indicam que a maior quantidade de ocorrências de vazamentos está nos ramais prediais (algo entre 70% e 90% da quantidade total 12 de ocorrências) e que são decorrentes de falhas operacionais dos próprios funcionários dos setores de operação e manutenção. Manobras inadequadas são comuns, como o fechamento ou abertura de válvulas sem controle de tempo, o enchimento ou esvaziamento de redes e adutoras sem controle de velocidade, etc, segundo MASPP-Método de Análise e Solução de Problemas relacionados a Perdas de Água e de Faturamento, PT-Plano de Trabalho número 300, elaborado pela empresa SABESP em 2006, e que pode ser visualizado através da figura Figura 5-1 -Pontos freqüentes de vazamentos em rede de distribuição, onde é identificado qual a incidência de vazamento por parte constituinte da rede de distribuição de água. Figura 5-1 -Pontos freqüentes de vazamentos em rede de distribuição Fonte: PNCDA, 1999, baseado dados SANASA. Quando da entrega das redes para operação e manutenção, verifica-se alguns fatores que relevantes: • Projetos de expansão são mal dimensionados e sem visão conjunta, dificultando a operação; • Não existe programa de manutenção preventiva em redes e seus componentes, tais como ventosas, registros, etc.; 13 • Baixa qualidade dos serviços de manutenção, gerando retrabalho; • Falta procedimento de execução e treinamento dos funcionários; • Pouca interação entre os setores de operação e a manutenção, gerando desgaste; • Falta contato com o cliente para saber se o problema foi sanado; • Tempo de resposta. 5.4.3 A manutenção preventiva em um sistema de coleta de esgoto No sistema de coleta de esgoto a manutenção preventiva consiste em identificação de pontos com maiores problemas de esgoto através do levantamento dos serviços corretivos executados, verificação geral das condições da rede através de inspeções visuais, filmagem da rede, teste de corante para identificação de águas pluviais ligadas na rede ou outro método para determinação do tipo de manutenção preventiva as quais consistem em execução de lavagem preventiva da rede, eliminação de pontos de lançamentos de águas pluviais na rede e remanejamento de rede. 5.5. Equipamentos Utilizados em um Sistema de Saneamento Os equipamentos utilizados em um sistema de saneamento variam de acordo com a atividade executada e eles se distribuem em equipamentos para Operação do Sistema, Manutenção em Água e Manutenção em Esgoto. 5.5.1 Equipamentos para operação Para a Operação os equipamentos são mais simples constando de uma picareta para descobrimento e abertura da caixa dos registros e as chaves de Manobra para a Abertura e Fechamento das Redes conforme demonstrado na Figura 5-2. 14 Figura 5-2 – Chave de Manobra (Sabesp 2007) 5.5.2 Equipamentos para manutenção em sistema de água Em um sistema de Água os Principais equipamentos para Manutenção variam de acordo com o serviço a ser executado pela equipe sendo divididos em consertos de cavalete, ramal de água e rede de água. 5.5.2.1 Equipamentos para manutenção em cavaletes de água Em geral para Manutenções nos cavaletes de água (Figura 5-3) são necessários os equipamentos e ferramentas conforme Figura 5-4 e descrição a seguir: Figura 5-3 – Cavalete de água (Sabesp 2008) 15 Figura 5-4 – Ferramentas e Equipamentos Utilizados para Manutenção em Cavalete de Água (Sabesp 2007) • 1- Desviador de fluxo de água; • 2-Bloqueador de fluxo de água; • 3- Chave tipo “grifo” de 10” e 12”; • 4- Alicate Bomba d’água 9 ½”; • 5- Martelo pequeno; • 6- Arco de serra 12”; • 7- Chave Inglesa ajustável até 10”; • 8- Chaves fixas de boca; • 9- Chave Hale sextavada para registro macho 7/16”; • 10- Biselador para tubo PEAD diâmetros de 20 e 32mm; • 11- Cortador de Tubo de Polietileno; • 12- Tapa furo em madeira ou metálico para tubulação; • 13- Chave para Tê de serviço de 50 e 75mm; • 14- Chave de fenda; • 15- Chave philips; • 16- Chaves especiais para abertura de unidades de medição de água; • 17- Pá; • 18- Enxada; • 19- Chibanca; • 20- Picareta; 16 • 21- Marreta; • 22- Talhadeira; • 23- Ponteiro; • 24- Alavanca. 5.5.2.2 Equipamentos para manutenção em ramais prediais de água Para o reparo de ramais prediais de água são utilizados basicamente os materiais citados anteriormente para execução do reparo em cavaletes com o acréscimo de apenas algumas ferramentas extras como demonstrado na Figura 5-5: Figura 5-5 – Ferramentas para Manutenção de ramais prediais de água (Sabesp 2007) 1- Chave para ferrule; 2- Manivela para furadeira; 3- Chave quadrada para registro macho. 5.5.2.3 Equipamentos para manutenção em redes de água No reparo de redes de água são utilizados diversas ferramentas e equipamentos que não necessariamente devem estar em posse da equipe, mas à disposição caso haja necessidade para algum caso em especial. A seguir citamos alguns tipos de ferramentas utilizados nesse tipo de serviço o que é bem semelhante aos citados anteriormente para consertos de cavalete apenas com alguns acréscimos: • Pá; • Enxada; • Picareta; • Machado; • Alavanca; • Talhadeira; 17 • Panela de ferro; • Concha; • Marreta de 2 e 5Kg; • Ferro de rebater chumbo; • Rebatedor de estopa; • Arco de serra; • Serra para ferro; • Conjunto de chaves de boca; • Conjunto de chaves de catraca Além disso muitas vezes há a necessidade de utilização de equipamentos como segue: • Martelete pneumático para quebra de pavimentos rígidos ou rochas (Figura 5-6); Figura 5-6 - Martelete Pneumático (Sabesp 2007) 18 • Unidade hidráulica para fornecer força hidráulica para o acionamento de equipamentos hidráulicos como serras à disco (Figura 5-7); Figura 5-7 - Unidade Hidráulica (Hydraulic 2007) • Retroescavadeira para a abertura mecânica de valas (Figura 5-8); Figura 5-8 – Retroescavadeira (Caterpila 2008) 19 • Escavadeira hidráulica para abertura mecânica de valas profundas (Figura 5-9); Figura 5-9 - Escavadeira Hidráulica (Hyundai, 2008) • Compressor pneumático para fornecer força pneumática para equipamentos peumáticos como marteletes (Figura 5-10); Figura 5-10 - Compressor Pneumático (Hydraulic 2007) 20 • Compactador para fazer a compactação de solos e concretos em reposições de pavimentos (Figura 5-11); Figura 5-11 – Compactador (Rental, 2008) • Lixadeira para regularização e desbaste de pontas de tubulações (Figura 5-12); Figura 5-12 – Lixadeira (Bosch, 2008) 21 • Cortador de tubo de ferro fundido manual ou pneumático (Figura 5-13); Figura 5-13 - Cortador de Tubo (Sabesp 2007) • Bomba de sucção para o esgotamento de valas (Figura 5-14); Figura 5-14 - Bomba de Sucção (Sabesp 2008) 22 • Gerador de energia para o acionamento de equipamentos elétricos (Figura 5-15); Figura 5-15 - Gerador de Energia (Koyama 2008) • Esmerilhadeira para regularização de pontas de tubulação (Figura 5-16); Figura 5-16 – Esmerilhadeira (Makita, 2008) 23 • Serra de disco para cortes em geral (Figura 5-17). Figura 5-17 - Serra de Disco (Ruma, 2008) 5.5.3 Equipamentos para manutenção em sistema de esgoto No reparo de ramais e redes de esgoto são utilizadas diversas ferramentas e equipamentos onde alguns não necessariamente deve estar direto em posse da equipe, mas à disposição caso haja necessidade para algum caso em especial. A seguir citamos alguns tipos de ferramentas utilizados nesse tipo de serviço: • Pá; • Enxada; • Picareta; • Machado; • Alavanca; • Talhadeira; • Marreta de 2 e 5Kg; • Rebatedor de estopa; • Arco de serra; Além disso muitas vezes há a necessidade de utilização de equipamentos como segue: • Martelete pneumático; • Unidade hidráulica; • Retroescavadeira; 24 • Escavadeira hidráulica; • Compressor pneumático; • Compactador; • Lixadeira; • Cortador de tubo de ferro fundido manual ou pneumático; • Bomba de sucção; • Gerador de energia; • Esmerilhadeira; • Serra de disco; • Tripé para o acesso em locais confinados (Figura 5-18); Figura 5-18 – Tripé (Sabesp 2008) 25 • Medidor de gases diversos para medição das condições gerais do ar em espaços confinados permitindo a entrada nos mesmos sem riscos (Figura 5-19) ; Figura 5-19 - Medidor de Gases (Sabesp 2008) Nos casos de Desobstrução de redes de ramais de esgoto são utilizados ainda alguns equipamentos especiais para facilitar o serviço como segue: • Flex Cleaner para a desobstrução de ramais domiciliares de esgoto (Figura 5-20); Figura 5-20 - Flex Cleaner (Riko, 2008) 26 • Sewer Rodder (Vareta) para desobstrução de redes coletoras de esgoto através de uma vareta giratória demonstrado a seguir na Figura 5-21; Figura 5-21 - Sewer Rodder (Norbrasil 2008) • Sewer Jet para desobstrução de redes coletoras de esgoto através de jatos de água com alta pressão (Figura 5-22); Figura 5-22 - Sewer Jet (Norbrasil, 2008) 27 • Alto Vácuo para limpeza de redes coletoras e poços de visita de esgoto através de sucção (Figura 5-23); Figura 5-23 - Alto Vácuo (Norbrasil, 2008) • Combinado Sewer Jet e Alto Vácuo que é a união dos dois equipamentos citados anteriormente em um só caminhão (Figura 5-24). Figura 5-24 – Combinado Sewer Jet com Alto Vácuo (Brunswick, 2008) 28 5.5.4 Detecção de vazamentos não visíveis Para execução de detecção de vazamentos não visíveis são necessários poucos equipamentos descritos a seguir: • Haste de escuta serve para identificar vibrações no cavalete causadas por vazamentos no ramal (Figura 5-25); Barra Amplificador Mecânico Membrana Vibratória Figura 5-25 – Haste de Escuta (Sabesp 2008) • Geofone mecânico para localização de vazamentos em ramais de água funcionando semelhantemente ao estetoscópio de um médico em contato com o solo ele pode identificar o som do vazamento em ramais e redes de água (Figura 5-26); Figura 5-26 – Geofone Mecânico (Sabesp 2008) 29 • Geofone eletrônico funciona semelhante ao mecânico, porém há o acionamento e volume do som regulável pelo operador (Figura 5-27); Figura 5-27 – Geofone Eletrônico (Sabesp 2008) • Correlacionador de ruídos é um equipamento eletrônico que colocado em pontos diferentes da mesma rede pode identificar possíveis vazamentos e sua localização (Figura 5-28). Figura 5-28 – Correlacionador de Ruídos (Sabesp 2008) 30 5.6. Mão-de-Obra Utilizada em um Sistema de Saneamento Hoje em dia nas maiores empresas de saneamento a mão de obra operacional é multifuncional, ou seja, trabalha tanto nas manutenções de água quanto nas de esgoto e em muitos casos executam também as manobras necessárias, sendo que em alguns casos esses mesmos funcionários podem realizar também a detecção de vazamentos não visíveis. 5.6.1 Capacidades mínimas exigidas Atualmente as empresas de saneamento possuem funcionários mais antigos onde não haviam exigências para a entrada nas empresas. O interessado à vaga chegava à empresa, era contratado, treinado e passado três meses era verificado seu desempenho onde sendo satisfatório o candidato era efetivado no cargo mesmo sendo analfabeto ou semi-analfabeto. Hoje em dia as empresas estão mais preocupadas com a qualidade e como a mão de obra é também muito abundante as exigências começaram a ser mais severas onde na maior parte das empresas exige-se no mínimo o primeiro grau completo para a área operacional e em algumas é exigido também um curso técnico na área. 5.6.2 Treinamentos necessários para serviços em água Muitos treinamentos são ministrados na própria empresa em salas preparadas ou são aprendidas na prática com profissionais mais experientes “on the job” e alguns outros são dados em empresas e/ou escolas específicas e profissionalizantes como por exemplo no “SENAI” mostrado na Figura 5-29. 31 Figura 5-29 – Curso de Instalação de ramais prediais no SENAI/Tatuapé – São Paulo (SENAI, 2006) Especificamente para serviços em água os treinamentos mínimos necessários consistem nas técnicas de reparo de vazamentos em redes e ramais de água nos diversos materiais existentes, sinalização viária, escavação e escoramento de valas, entrada em espaços confinados, segurança do trabalho e planos de emergência em vias públicas. 5.6.3 Treinamentos necessários para serviços em esgoto Especificamente para serviços em esgoto os treinamentos mínimos necessários consistem nas técnicas de reparo de vazamentos em redes e ramais de esgoto nos diversos materiais existentes, sinalização viária, escavação e escoramento de valas, entrada em espaços confinados, segurança do trabalho, planos de emergência em vias públicas e em alguns casos operação de equipamentos para desobstrução de redes e ramais. 32 5.6.4 Treinamentos necessários para detecção de vazamentos não visíveis Para a detecção de vazamentos não visíveis geralmente o treinamento é efetuado com empresas ou escolas especializadas e consta principalmente de ensinar a distinguir os diversos tipos de ruídos ouvidos durante a execução da pesquisa de vazamentos através dos equipamentos sejam eles mecânicos ou eletrônicos. Também existem os cursos para a utilização de equipamentos um pouco mais sofisticados como o correlacionador de ruídos. 33 6. ESTUDO DE CASO No estudo de caso adotou-se a empresa Sabesp, por ser uma das maiores empresas no setor de saneamento e por haver uma abrangência enorme no Estado de São Paulo, sendo cada Unidade com características diferentes, foi selecionado o Setor do Pólo de Manutenção Capela do Socorro para desenvolvimento do estudo. 6.1. Disponibilização de Recursos Hídricos A principal matéria prima da empresa é a água e para obtenção dessa matéria prima há a necessidade da disponibilidade de recursos hídricos no local ou seu transporte de outros locais através de canais artificiais e bombeamento. A seguir mostraremos como estão disponibilizados esses recursos no mundo, no Brasil, no Estado de São Paulo e finalmente na Região Metropolitana de São Paulo, onde está localizado nosso estudo de caso. 6.1.1 Disponibilização de recursos hídricos no planeta A superfície da Terra é formada por ¾ de água doce e salgada, mas apenas 2,5% desse total é de água doce, sendo o restante oceanos e mares. Desse total de água doce 68,9% estão em calotas polares e geleiras, 29,9% são águas subterrâneas, 0,3% estão em rios e lagos e 0,9% são referentes à umidade do solo, águas de pântano, etc., conforme demonstrado na Figura 6-1 – Gráfico da quantidade de água no planeta. 34 Figura 6-1 – Gráfico da quantidade de água no planeta (Sabesp 2007) 6.1.2 Disponibilização de recursos hídricos no Brasil O Brasil tem cerca de 13% de toda a água doce do mundo, mas 80% dessa água está situada na Bacia Amazônica, onde encontra-se apenas 7% da população do País e fica muito distante dos principais centros consumidores, demonstrado na Figura 6-2 - Gráfico da distribuição de água no planeta. Figura 6-2 - Gráfico da distribuição de água no planeta (Sabesp 2007) 35 6.1.3 Disponibilização de recursos hídricos no Estado de São Paulo O Estado de São Paulo, responsável por abrigar 22% de toda a população brasileira possui apenas 1,65% de toda a água doce disponível no País, melhor ilustrado na Figura 6-3 - Gráfico da distribuição de água no Brasil. Figura 6-3 - Gráfico da distribuição de água no Brasil (Sabesp 2007) 6.1.4 Disponibilização de recursos hídricos na região metropolitana de São Paulo A região metropolitana de São Paulo, a qual abriga cerca de 47% da população, possui menos de 4% da água disponível no Estado, observado na Figura 6-4 - Gráfico da distribuição de água no Estado de São Paulo. 36 Figura 6-4 - Gráfico da distribuição de água no Estado de São Paulo 6.1.5 Classificação da escassez de recursos hídricos A Organização das Nações Unidas, baseada em diversos estudos criou a tabela da escassez de recursos hídricos ilustrada na Tabela 6-1, onde podemos verificar que apesar do Brasil ser classificado como um País com água em abundância, o Estado de São Paulo encontra-se classificado como situação crítica quase atingido a Pobre, sendo que a região metropolitana de São Paulo está muito aquém do limite de exclusão da região crítica. Tabela 6-1 - Escassez de recursos hídricos - Fonte : ONU, 2007 37 6.2. Características Gerais da Empresa Sabesp Segundo a Fundação Seade o Estado de São Paulo tem uma área total de 248.809 Km² , 645 municípios com uma população total de 41 milhões de habitantes. Desse total de 645 municípios a Sabesp opera em 366 com uma população atendida de 26,3 milhões de habitantes o que corresponde à 60% da população do Estado, estando entre elas a região metropolitana de São Paulo. Na Figura 6-5 – Municípios atendidos pela Sabesp temos uma ilustração dos município atendidos e as Unidades Responsáveis pelo atendimento. Figura 6-5 – Municípios atendidos pela Sabesp (Sabesp 2007) A Sabesp possui uma extensão de redes de água de 62.347 km com um total de 6,8 milhões de ligações de água e uma extensão de redes de esgoto de 40.937 Km atendendo um total de 5,1 milhões de ligações de esgoto em todo o Estado. 38 6.3. Características Gerais do Setor de Atendimento (Pólo de Manutenção Capela do Socorro) O Pólo de Manutenção Capela do Socorro encontra-se localizado no extremo sul do município de São Paulo, entre as represas Billings e Guarapiranga estando dentro de áreas de Mananciais. Atende os Escritórios Regionais (Agências de Atendimento Sabesp) da Capela do Socorro e do Grajaú e as Subprefeituras de Capela do Socorro e Parelheiros. A área total da região atendida pelo Pólo é de 514,513 Km² com uma população aproximada de 656.000 habitantes sendo que para isso possui uma extensão de redes de distribuição de água de 1.226,79 Km perfazendo um total de 164.205 ligações de água e uma extensão de redes de coleta de esgoto de 887,29 Km com um total de 111.106 ligações de esgoto atendendo com isso uma população de aproximadamente 656.000 habitantes. 6.3.1 Infra-estrutura O Pólo de Manutenção Capela do Socorro é locado em uma área própria de 200 m² sendo que a área administrativa conta com uma área construída de 60 m² onde ficam locados todos os funcionários administrativos e é utilizado também pela mão de obra operacional durante a distribuição e devolução dos serviços. Para os serviços administrativos o Pólo de Manutenção conta com um total de 19 microcomputadores, e demais móveis e materiais de escritório necessários ao trabalho. A área operacional possui todos os materiais necessários para os diversos tipos de manutenção de redes e ramais e equipamentos para detecção de vazamentos não visíveis conforme citado no capítulo 5.5.2 Equipamentos para manutenção em sistema de água da pesquisa bibliográfica, os veículos leves para fiscalização e serviços de consertos de cavaletes e detecção de vazamentos são locados e como veículos próprios o setor possui apenas veículos pesados sendo 2 caminhões para transporte 39 da equipe e equipamentos de manutenção de redes e.ramais de água e 1 caminhão para transporte da equipe e equipamentos de manutenção de redes e ramais de esgoto. 6.3.2 Mão-de-obra própria Como mão de obra própria o Pólo possui a colaboração de 52 funcionários divididos da seguinte forma: • No setor de programação de serviços estão 01 encarregado e 05 funcionários que trabalham na programação e baixa dos serviços nos sistemas; • No setor de fiscalização de serviços de terceiros estão 01 encarregado, 04 funcionários internos que controlam as medições e pagamentos dos serviços passados às contratadas e fazem a distribuição dos serviços que são acompanhados pelos demais 06 funcionários que atuam no acompanhamento em campo da contratada; • No setor do apoio logístico trabalham 06 funcionários que cuidam de todas as compras necessárias a todos os demais setores do Pólo e fazem a retirada dos materiais de estoque no almoxarifado central para a distribuição, controle e baixa de sua utilização, principalmente dos materiais utilizados nos serviços de manutenção; • No setor de manutenção das redes de água e esgoto 01 encarregado, 01 controlador de serviços de água e 01 controlador de serviços de esgoto distribuem e controlam os diversos serviços de manutenção passados ao 14 funcionários que trabalham com manutenções em redes e ramais de água e 8 que trabalham com manutenções em redes e ramais de esgoto; • Para a distribuição e controle dos serviços referentes aos recursos humanos o Pólo possui 01 funcionário que está em direto contato com o setor de recursos humanos da Unidade de Negócio; • Também possui o auxílio de 01 universitário o qual vistoria, monta e controla todos os processos de sinistro da unidade, executa a implantação e controle da qualidade no setor como preparação para os prêmios de qualidade e certificações ISO OHSAS, sendo que também responde pela unidade na ausência do Gerente; 40 • Para o controle dos documentos em geral da unidade e atendimentos telefônicos o Pólo possui 01 secretária; • E finalmente para o gerenciamento de todos os processos a Unidade possui o Gerente do Pólo de Manutenção. 6.3.3 Mão-de-obra terceirizada Como mão de obra terceirizada o Pólo de Manutenção conta com a colaboração dos funcionários das empresas Contratadas conforme segue: • 06 funcionários divididos em três caminhões para execução de serviços de desobstrução de coletores e ramais de esgoto; • 01 funcionário com equipamento de retro-escavadeira; • 06 funcionários divididos em três equipes para ligações novas de água; • 04 funcionários divididos em duas equipes para ligações novas de esgoto; • 30 funcionários divididos em onze equipes para execução de consertos em redes e ramais de água; • 08 funcionários divididos em três equipes para consertos em ramais e redes de esgoto; • 6.4. 15 funcionários para execução de serviços de reposição de pavimento. Métodos de Trabalho do Setor Todo o trabalho no setor começa através da programação dos serviços sendo para tanto utilizado um sistema específico chamado “SIGAO” que recebe online todas as reclamações acatadas pelos diversos meios de comunicação da empresa com o cliente como o “call center”, a internet e as agências de atendimento, mas também é utilizado para abertura e programação de serviços gerados internamente como as pesquisas de vazamentos não visíveis e as demandas de serviços por ela gerada. Após a triagem dos serviços pelo setor de programação o itinerário gerado e as folhas de campo são passados para o encarregado dos serviços operacionais ou para o encarregado de serviços de terceiros os quais fazem sua distribuição para as equipes de mão de obra própria ou contratada para execução dos serviços de de 41 campo apontando as prioridades. As equipes de manutenção de redes e ramais saem para campo para execução dos serviços, sendo que os mesmos são baixados através de rádio ou telefones corporativos logo após sua execução, sendo que esses meios de comunicação são utilizados durante todo o dia para a alimentação de novos serviços que entram durante o dia. No final do dia são entregues à programação as folhas de campo preenchidas para conferência, controle final da execução e arquivamento do registro. Para as equipes de detecção de vazamentos não visíveis são disponibilizados mapas das ruas a serem executadas as pesquisas os quais são pré-determinados no planejamento anual de perdas. Após a identificação dos vazamentos em campo os mesmos são passados para o setor de programação de serviços para serem abertos os serviços de manutenção necessários. 6.5. Engenharia e Planejamento dos Serviços e Manutenções Preventivas Ao longo dos anos foram implantadas as redes e ramais de água e esgoto, sem a devida preocupação com a conservação das mesmas, executando apenas as manutenções corretivas quando necessário, porém com o passar do tempo essas manutenções foram aumentando gerando um número cada vez maior de serviços, sendo necessário cada vez mais a implantação de um planejamento dos serviços, principalmente voltados à manutenção preventiva de água, chamado de combate às perdas e manutenções corretivas de esgoto. 6.5.1 Ações implantadas para combate às perdas físicas Como principal ponto de combate às perdas físicas estão sendo executados delimitações de áreas através de fechamentos de registros e controle de pressões por válvulas redutoras de pressão (VRP), onde temos como piloto a VRP Leonardo de Fássio. 42 Também estão sendo executadas em toda a área de atuação varreduras para detecção de vazamentos não visíveis através de geofones mecânicos e eletrônicos. 6.5.1.1 Estudo das ações de perdas na VRP Leonardo de Fássio Com uma área total de 9.873 Km² e uma extensão de rede de água de 152,2 Km a VRP Leonardo de Fássio (Figura 6-6) tem 12.401 ligações de água ativas atendidas por uma rede de água composta de Ferro Fundido sendo que aproximadamente 91% dessa rede tem mais de 30 anos de idade. Figura 6-6 – VRP Leonardo de Fássio – Fonte: Sabesp 2008 Nesse setor temos um volume macromedido (volume de água que entra no setor Figura 6-7) de 358.400 m³ por mês, porém temos uma volume micromedido (volume de água que é faturado pela empresa) através dos hidrômetros instalados nos imóveis (Figura 6-8) de apenas 255.536 m³ por mês sendo que a diferença entre o macro medido e o micro medido são as perdas de água no setor, sendo sua maioria perda física (vazamentos) e o restante perda não física como erros de medição em micromedidores e fraudes.. 43 Figura 6-7 – Hidrômetro macromedidor – Fonte: Sabesp 2008 Figura 6-8 – Hidrômetro residencial com vazão de 1,5 m³/s – Fonte: LAO 2008 Na Figura 6-9 pode-se observar a característica da área envolvida pela VRP já dividida em distritos de medição e controle (DMC), o que torna mais preciso o planejamento das ações a serem efetuadas bem como os resultados obtidos. 44 Figura 6-9 – Área da VRP Leonardo de Fássio subdividida em distritos de medição e controle (DMC) Fonte: Sabesp 2008 Para a redução das perdas nesse setor que estavam em torno de 452 litros por ligação por dia (l/ligxdia) foram executadas algumas ações como segue: • Estudo para implantação da VRP; • Estudo para implantação dos Distritos de Medição e Controle (DMC’s), • Verificação das condições operacionais da VRP; • Reativação de 151 ligações inativas; • Troca e adequações de 1734 hidrômetros; • Vistorias em consumo zero para verifcação de possíveis fraudes; • Atuações em fraudes identificadas; • Construção de 7 poços de visita para instalação de medidores de vazão (Figura 6-10); 45 Figura 6-10 – Construção de Poço de Visita – Fonte: Sabesp 2008 • Instalação de 3 válvulas gavetas de diâmetro 75mm para fechamentos de água e delimitação do setor (Figura 6-11); Figura 6-11 – Instalação de válvula gaveta de diâmetro 75mm – Fonte: Sabesp 2008 46 • Substituição de 13 válvulas gavetas de diâmetro 75mm; • Descobrimento de 25 válvulas gavetas; • Pesquisas de vazamentos não visíveis em um total de 3 ciclos realizados com mão de obra própria e terceirizada; Figura 6-12 – Pesquisa de vazamentos não visíveis realizado com haste de escuta Fonte: Sabesp 2008 • Interligação de uma rede de 75 x 75mm para ajuste de setorização; Com isso foram gerados serviços de consertos de vazamentos e trocas de ramais de água corretivas e preventivas conforme mostrado na Tabela 6-2 Tabela 6-2 – Total de serviços executados na área da VRP Leonardo de Fássio – Fonte: Sabesp 2008 SERVIÇOS EXECUTADOS Período Custo em R$ 2008 (14/03 A 30/06) Consertos de cavaletes de água (un) 471 28.260,00 Consertos de ramais de água (un) 140 28.000,00 Consertos de redes de água (un) 43 12.900,00 Trocas de ramais de água (un) 347 106.876,00 Total de serviços executados no setor (un) 1001 176.036,00 47 Após a realizações das ações descritas obtivemos os seguintes resultados: • Economia de disponibilização de água de 9% o que representa 128.000 m³ de água por mês; • Redução da idade média de hidrômetros para 4 anos; • Redução da pressão média diurna de 60 metros de coluna de água (mca) para 40 mca e da noturna de 60 mca para 22 mca; • Redução do índice de perdas da distribuição totais (IPDT) de 452 l/ligxdia para 392 l/ligxdia). Representados na Tabela 6-3 tem-se a quantidade de serviços executados no setor anterior às ações, os serviços preventivos e resultantes das varreduras durante as ações e a quantidade executada após o término das ações. Tabela 6-3 – Serviços antes, durante e depois das ações preventivas no setor – Fonte: Sabesp 2008 SERVIÇOS ANTES DURANTE DEPOIS REDUÇÃO 2007 (01/07 A 10/07) 2008 (14/03 A 30/06) 2008 (01/07 A 10/07) % Consertos de cavaletes de água (un) 49 471 31 37% Consertos de ramais de água (un) 21 140 9 57% Consertos de redes de água (un) 7 43 2 71% Trocas de ramais de água (un) 4 347 3 25% Totais de serviços (un) 81 1001 45 44% 48 Tratando em termos de valores podemos verificar a projeção de economia devido à redução nos consertos de vazamentos conforme Tabela 6-4. Tabela 6-4 – Economia em consertos de vazamentos – Fonte: Sabesp 2008 CONSERTOS DE VAZAMENTOS PERÍODO CUSTO MÉDIO 1 ANO RETROATIVO (14/03/07 à 13/03/08) R$ 217.780,00 PROJEÇÃO DE CUSTOS PARA 1 ANO R$ 153.360,00 PROJEÇÃO DE ECONOMIA PARA 1 ANO R$ 64.420,00 Devido à redução do volume disponibilizado de água (VD) e o aumento do volume utilizado e faturado (VU) temos na tabela , a economia realizada em um período de 105 dias e sua projeção para um ano. Tabela 6-5 – Economia de água devido à redução do VD e aumento do VU – Fonte: Sabesp 2008 VALORES ECONOMIZADOS E FATURADOS EM ÁGUA PERÍODO CUSTO MÉDIO (R$ 0,17/m³) 105 dias após o término das ações R$ 76.500,00 Projeção de Economia para 1 Ano R$ 265.930,00 Ao final, mensurando apenas a economia com custo de serviços e custo médio da produção da água, tem-se uma projeção de economia anual de aproximadamente R$ 330.350,00. 49 6.5.2 Ações preventivas de esgoto Com a ação preventiva de esgoto espera-se diminuir o número de serviços de desobstruções de redes e ramais corretivos e retorno de esgoto para os imóveis devido a essas obstruções. Também é previsto um diagnóstico completo da rede quanto à seu estado de conservação, identificação de pontos de vazamentos não visíveis com infiltração, identificação de ligações clandestinas e extravasões irregulares para córregos e galerias de águas pluviais. 6.5.2.1 Estudo das ações para implantação das ações preventivas de esgoto Para início das ações preventivas de esgoto no Pólo de Manutenção Capela do Socorro foi executado um levantamento inicial das áreas com maiores incidências de serviços executados no período de um ano conforme mostrado na Figura 6-13. Figura 6-13 - Incidência de consertos de Esgoto no Pólo Capela do Socorro – Fonte: Sabesp 2008 50 Dentro das área com números de consertos acima de 360 unidades foram extraídos mapas temáticos do setor 178 para identificação das ruas mais críticas como podemos ver na figura Figura 6-14. Figura 6-14 – Mapa temático do setor 178 com números de desobstruções executadas Fonte: Sabesp 2008 Após a identificação das ruas com maiores incidências de problemas identificados na rede e ramais de esgoto foi montado um planejamento (Tabela 6-6) para a limpeza e diagnóstico das redes para realizar o estudo do investimento e resultados obtidos após a implantação. 51 Tabela 6-6 – Planejamento de Limpeza e diagnóstico de redes de esgoto – Fonte: Sabesp 2008 Endereço Rede (m) Limpeza de PV Valor (R$) Rua Satélite Ariel (quadra 164) 307 2 1.037,66 Rua Satélite Dionéia (quadra 164) 330 4 1.115,40 Av Paulo Guilguer Reimberg (quadra 164) 186 4 628,68 Estrada do Itaim (quadra 164) 400 3 1.352,00 Rua José Magalhães (quadra 164) 446 3 1.507,48 Rua José Martins Rodrigues (quadra 164) 201 3 679,38 Rua Satélite Europa (quadra 164) 612 4 2.068,56 Rua David Fabrício (quadra 164) 362 4 1.223,56 Rua Marco Antônio Cest (quadra 164) 378 2 1.277,64 Rua Sérgio Landolfo Furtado (quadra 164) 432 5 1.460,16 Rua José Antônio Escudeiro (quadra 164) 630 3 2.129,40 4.800 20 16.224,00 Rua Walter Horatio Pater (quadra 2008) 302 2 1.020,76 Rua Nicolas Becker (quadra 2008)- inclusa favela 960 9 3.244,80 Rua Leonidas Andreief (quadra 2008) 144 2 486,72 Rua Conde de Monsaras (quadra 2008) 129 1 436,02 Rua Vicente Barbieri (quadra 2008) 150 2 507,00 Rua Domingos Faustino Sarmiento (quadra 2008) 261 3 882,18 Rua Bento Moreira (quadra 2008) 217 2 733,46 Travessa Antônio Buroni (quadra 2008)- inclusa favela 703 6 2.376,14 Av Carlos Oberhuber (quadra 2008) 276 3 932,88 Rua Alfonsina Storni (quadra 2008) 386 4 1.304,68 1.800 16 6.084,00 403 10 1.362,14 9.084 57 50.074,70 Conjunto Faria Lima - todas as ruas (quadra 164) Av Robert Kennedy Rua Arthur Cordeiro (quadra 2008) TOTAL A efetivação dessa ação está prevista para o primeiro trimestre de 2009, portanto ainda não há dados sobre o resultado obtido após a realização da ação, mas há a previsão de uma grande diminuição na quantidade de serviços executados nesse setor bem como a diminuição de sinistros causados pelo refluxo de esgoto nos imóveis atendidos por essas redes e diminuição dos impactos ambientais. 52 6.6. Análise de Dados Obtidos e Relatórios Gerados São gerados relatório mensais e quando necessários são gerados relatórios dos serviços executados apontando a quantidade, tipo, tempo para atendimento, tempo de execução e porcentagem de serviços executados dentro das metas estabelecidas para o setor. O sistema permite gerar todos os relatórios citados anteriormente separado por setor, região ou até por rua com criação, se necessário, de mapas temáticos para serem analisados para a tomada de decisões imediatas ou futuras no planejamento estratégico do setor, para o planejamento de combate às perdas e manutenções preventivas de água e esgoto. 53 7. CONCLUSÃO Como verificado no trabalho apresentado, o serviço de engenharia de operação e manutenção nas redes e ramais de distribuição de água e coleta de esgoto são serviços complexos e constantes, os quais demandam mão de obra especializada e qualificada e caso não haja um planejamento para manutenções preventivas e preditivas a tendência é haver um aumento constante e cada vez maior da quantidade dos serviços de manutenções corretivas a serem executados. Verificou-se também a importância de ações de combate à perdas de água a qual demanda um aumento significativo nos gastos com manutenções mas com retorno rápido do investimento devido à economia com a diminuição dos serviços de manutenções corretivas e desperdício de água tratada, trazendo também um ganho ambiental por demandar um menor consumo de água do manancial. Após a aplicação das manutenções preventivas no sistema de abastecimento de água e verificação dos seus benefícios, o mesmo está sendo planejado para uma manutenção preventiva e diagnóstico das redes e ramais de coleta de esgoto, objetivando a diminuição de custos com manutenções corretivas, problemas de sinistros e impactos ambientais causados pelo refluxo do esgoto. 54 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS SABESP - Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo. Disponível em www.sabesp.com.br . Acesso em abril e Mai/2008. INTRANET SABESP - intranet sabesp – Disponível apenas para acesso interno da empresa. Acesso em abril e Mai/2008. SEADE - Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados. Disponível em www.seade.gov.br. Acesso em Jul/2008. ONU - Organização das Nações Unidas – Disponível em www.onu-brasil.org.br. Acesso em Fev/2008. ABENDE - Associação Brasileira de Ensaios Não Destrutivos. Disponível em www.abende.org.br/down2/down_documentos/pr_051rev2.pdf. Acesso em Disponível em Nov/2007. ABRH - Associação Brasileira de Recursos Hídricos. http://www.abrh.org.br. Acesso em Set/2007. ALVES, Humberto Prates da Fonseca - Vulnerabilidade sócio-ambiental na metrópole paulistana: uma análise das situações de sobreposição espacial de problemas e riscos sociais e ambientais* - Artigo publicado IX ENAMPUR , 2005. ANA - Agência Nacional da Água. Disponível em http://www.ana.gov.br e http://www.ana.gov.br/GestaoRecHidricos/Cobranca/docs/arrecadacao.html Acesso Set/2007. CARMO, Roberto Luiz do. A Água é o limite?– Dinâmica demográfica e recursos hídricos em situações específicas, 2001– Tese (Doutorado) – UNICAMP – Universidade Estadual de Campinas, Campinas, São Paulo, 2001. IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - Diretoria de Pesquisas, Coordenação de População e Indicadores Sociais, Pesquisa Nacional de Saneamento Básico 2000 – Atlas do Saneamento, pg 51. Disponível em: www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/atlas_saneamento/pdfs/mappagxx.pdf. Acesso: Abr/2007. LAO Indústria Ltda - Disponível em www.laoindustria.com.br/sitenovo/vitrine.asp? codigoproduto=&tipo_produto=Hidrômetros&segmento=Domiciliares&mercado=&tipo 55 =&diametro_nominal=&vazao_nominal=&classe_metrologica=&acabamento=&tipo_c onexoes=&tipo_relojoaria=&saida_sinaleletronico=&temperatura_trabalho=&comprim ento=&posicao_instalacao=&portaria_inmetro=&situacao_produto=&denominacao_p roduto=&offset=0&paginacao=1&iio=0. Acesso Jun/2008. MINISTÉRIO DAS CIDADES - PNCDA - Programa Nacional de Combate ao Desperdício de Água –Disponível em www.pncd.gov.br. Acesso em 26/04/2006. TSUTIYA, Milton Tomoyuki - Abastecimento de Água. São Paulo: Departamento de Engenharia Hidráulica e Sanitária da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, 2004. SNIS - Sistema Nacional de Informações Sobre Saneamento. Disponível em: www.snis.gov.br, Acesso 26/04/2007. 56 ANEXO A Lei nº 9.433 – Política Nacional de Recursos Hídricos ANEXO A - Lei Nº 9.433, de 8 de janeiro de 1997. 57 Institui a Política Nacional de Recursos Hídricos, cria o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos, regulamenta o inciso XIX do art. 21 da Constituição Federal, e altera o art. 1º da Lei nº 8.001, de 13 de março de 1990, que modificou a Lei nº 7.990, de 28 de dezembro de 1989. 1 O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: TÍTULO I DA POLÍTICA NACIONAL DE RECURSOS HÍDRICOS CAPÍTULO I DOS FUNDAMENTOS Art. 1º A Política Nacional de Recursos Hídricos baseia-se nos seguintes fundamentos: I - a água é um bem de domínio público; II - a água é um recurso natural limitado, dotado de valor econômico; III - em situações de escassez, o uso prioritário dos recursos hídricos é o consumo humano e a dessedentação de animais; IV - a gestão dos recursos hídricos deve sempre proporcionar o uso múltiplo das águas; V - a bacia hidrográfica e a unidade territorial para implementação da Política Nacional de Recursos Hídricos e atuação do Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos; VI - a gestão dos recursos hídricos deve ser descentralizada e contar com a participação do Poder Público, dos usuários e das comunidades. CAPÍTULO II DOS OBJETIVOS Art. 2º São objetivos da Política Nacional de Recursos Hídricos: I - assegurar à atual e às futuras gerações a necessária disponibilidade de água, em padrões de qualidade adequados aos respectivos usos; II - a utilização racional e integrada dos recursos hídricos, incluindo o transporte aquaviário, com vistas ao desenvolvimento sustentável; III - a prevenção e a defesa contra eventos hidrológicos críticos de origem natural ou decorrentes do uso inadequado dos recursos naturais. CAPÍTULO III DAS DIRETRIZES GERAIS DE AÇÃO Art. 3º Constituem diretrizes gerais de ação para implementação da Política Nacional de Recurso Hídricos: I - a gestão sistemática dos recursos hídricos, sem dissociação dos aspectos de quantidade e qualidade; II - a adequação da gestão de recursos hídricos às diversidades físicas, bióticas, demográficas, econômicas, sociais e culturais das diversas regiões do País; III - a integração da gestão de recursos hídricos com a gestão ambiental; IV - a articulação do planejamento de recursos hídricos com o dos setores usuários e com os planejamentos regional, estadual e nacional; V - a articulação da gestão de recursos hídricos com a do uso do solo; 1 Lei publicada no Diário Oficial - ANO CXXXV - Nº 6 de 9 de Janeiro de 1997, Brasília: Imprensa Nacional. . 58 VI - a integração da gestão das bacias hidrográficas com a dos sistemas estuarinos e zonas costeiras. Art. 4º A União articular-se-á com os Estados tendo em vista o gerenciamento dos recursos hídricos de interesse comum. CAPÍTULO IV DOS INSTRUMENTOS Art. 5º São instrumentos da Política Nacional de Recursos Hídricos: I - os Planos de Recursos Hídricos; II - o enquadramento dos corpos de água em classes, segundo os usos preponderantes da água, III - a outorga dos direitos de uso de recursos hídricos; IV - a cobrança pelo uso de recursos hídricos; V - a compensação a municípios; VI - o Sistema de Informações sobre Recursos Hídricos. SEÇÃO I DOS PLANOS DE RECURSOS HÍDRICOS Art. 6º Os Planos de Recursos Hídricos são planos diretores que visam a fundamentar e orientar a implementação da Política Nacional de Recursos Hídricos e o gerenciamento dos recursos hídricos. Art. 7º Os Planos de Recursos Hídricos são planos de longo prazo, com horizonte de planejamento compatível com o período de implantação de seus programas e projetos e terão o seguinte conteúdo mínimo: I - diagnóstico da situação atual dos recursos hídricos; II - análise de alternativas de crescimento demográfico, de evolução de atividades produtivas e de modificações dos padrões de ocupação do solo; III - balanço entre disponibilidades e demandas futuras dos recursos hídricos, em quantidade e qualidade, com identificação de conflitos potenciais; IV - metas de racionalização de uso, aumento da quantidade e melhoria da qualidade dos recursos hídricos disponíveis; V - medidas a serem tomadas, programas a serem desenvolvidos e projetos a serem implantados, para o atendimento das metas previstas; VI - (VETADO) VII - (VETADO) VIII - prioridades para outorga de direitos de uso de recursos hídricos; IX - diretrizes e critérios para a cobrança pelo uso dos recursos hídricos; X - propostas para a criação de áreas sujeitas a restrição de uso, com vistas à proteção dos recursos hídricos. Art. 8º Os Planos de Recursos Hídricos serão elaborados por bacia hidrográfica, por Estado e para o País. SEÇÃO II DO ENQUADRAMENTO DOS CORPOS DE ÁGUA EM CLASSES, SEGUNDO OS USOS PREPONDERANTES DA ÁGUA Art. 9º O enquadramento dos corpos de água em classes, segundo os usos preponderantes da água, visa a: I - assegurar às águas qualidade compatível com os usos mais exigentes a que forem destinadas; II - diminuir os custos de combate à poluição das águas, mediante ações preventivas permanentes. Art. 10. As classes de corpos de água serão estabelecidas pela legislação ambiental. 59 SEÇÃO III DA OUTORGA DE DIREITOS DE USO DE RECURSOS HÍDRICOS Art. 11. O regime de outorga de direitos de uso de recursos hídricos tem como objetivos assegurar o controle quantitativo e qualitativo dos usos da água e o efetivo exercício dos direitos de acesso à água. Art. 12. Estão sujeitos a outorga pelo Poder Público os direitos dos seguintes usos de recursos hídricos: I - derivação ou captação de parcela da água existente em um corpo de água para consumo final, inclusive abastecimento público, ou insumo de processo produtivo; II - extração de água de aqüífero subterrâneo para consumo final ou insumo de processo produtivo; III - lançamento em corpo de água de esgotos e demais resíduos líquidos ou gasosos, tratados ou não, com o fim de sua diluição, transporte ou disposição final; IV - aproveitamento dos potenciais hidrelétricos; V - outros usos que alterem o regime, a quantidade ou a qualidade da água existente em um corpo de água. § 1º Independem de outorga pelo Poder Público, conforme definido em regulamento: I - o uso de recursos hídricos para a satisfação das necessidades de pequenos núcleos populacionais, distribuídos no meio rural; II - as derivações, captações e lançamentos considerados insignificantes; III - as acumulações de volumes de água consideradas insignificantes. § 2º A outorga e a utilização de recursos hídricos para fins de geração de energia elétrica estará subordinada ao Plano Nacional de Recursos Hídricos, aprovado na forma do disposto no inciso VIII do art. 35 desta Lei, obedecida a disciplina da legislação setorial específica. Art. 13. Toda outorga estará condicionada às prioridades de uso estabelecidas nos Planos de Recursos Hídricos e deverá respeitar a classe em que o corpo de água estiver enquadrado e a manutenção de condições adequadas ao transporte aquaviário, quando for o caso. Parágrafo único. A outorga de uso dos recursos hídricos deverá preservar o uso múltiplo destes. Art. 14. A outorga efetivar-se-á por ato da autoridade competente do Poder Executivo Federal, dos Estados ou do Distrito Federal. § 1º O Poder Executivo Federal poderá delegar aos Estados e ao Distrito Federal competência para conceder outorga de direito de uso de recurso hídrico de domínio da União. § 2º (VETADO) Art. 15. A outorga de direito de uso de recursos hídricos poderá ser suspensa parcial ou totalmente, em definitivo ou por prazo determinado, nas seguintes circunstâncias: I - não cumprimento pelo outorgado dos termos da outorga; II - ausência de uso por três anos consecutivos; III - necessidade premente de água para atender a situações de calamidade, inclusive as decorrentes de condições climáticas adversas; IV - necessidade de se prevenir ou reverter grave degradação ambiental; V - necessidade de se atender a usos prioritários, de interesse coletivo, para os quais não se disponha de fontes alternativas; VI - necessidade de serem mantidas as características de navegabilidade do corpo de água. Art. 16. Toda outorga de direitos de uso de recursos hídricos far-se-á por prazo não excedente a trinta e cinco anos, renovável. Art. 17. (VETADO) 60 Art. 18. A outorga não implica a alienação parcial das águas, que são inalienáveis, mas o simples direito de seu uso. SEÇÃO IV DA COBRANÇA DO USO DE RECURSOS HÍDRICOS Art. 19. A cobrança pelo uso de recursos hídricos objetiva: I - reconhecer a água como bem econômico e dar ao usuário uma indicação de seu real valor; II - incentivar a racionalização do uso da água; III - obter recursos financeiros para o financiamento dos programas e intervenções contemplados nos planos de recursos hídricos. Art. 20. Serão cobrados os usos de recursos hídricos sujeitos a outorga, nos termos do art. 12 desta Lei. Parágrafo único. (VETADO) Art. 21. Na fixação dos valores a serem cobrados pelo uso dos recursos hídricos devem ser observados, dentre outros: I - nas derivações, captações e extrações de água, o volume retirado e seu regime de variação; II - nos lançamentos de esgotos e demais resíduos líquidos ou gasosos, o volume lançado e seu regime de variação e as características físico-químicas, biológicas e de toxidade do afluente. Art. 22. Os valores arrecadados com a cobrança pelo uso de recursos hídricos serão aplicados prioritariamente na bacia hidrográfica em que foram gerados e serão utilizados: I - no financiamento de estudos, programas, projetos e obras incluídos nos Planos de Recursos Hídricos; II - no pagamento de despesas de implantação e custeio administrativo dos órgãos e entidades integrantes do Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos. § 1º A aplicação nas despesas previstas no inciso II deste artigo é limitada a sete e meio por cento do total arrecadado. § 2º Os valores previstos no caput deste artigo poderão ser aplicados a fundo perdido em projetos e obras que alterem, de modo considerado benéfico à coletividade, a qualidade, a quantidade e o regime de vazão de um corpo de água. § 3º (VETADO) Art. 23. (VETADO) SEÇÃO V DA COMPENSAÇÃO A MUNICÍPIOS Art. 24. (VETADO) SEÇÃO VI DO SISTEMA DE INFORMAÇÕES SOBRE RECURSOS HÍDRICOS Art. 25. O Sistema de Informações sobre Recursos Hídricos é um sistema de coleta, tratamento, armazenamento e recuperação de informações sobre recursos hídricos e fatores intervenientes em sua gestão. Parágrafo único. Os dados gerados pelos órgãos integrantes do Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos serão incorporados ao Sistema Nacional de Informações sobre Recursos Hídricos. Art. 26. São princípios básicos para o funcionamento do Sistema de Informações sobre Recursos Hídricos: I - descentralização da obtenção e produção de dados e informações; II - coordenação unificada do sistema; III - acesso aos dados e informações garantido à toda a sociedade. 61 Art. 27. São objetivos do Sistema Nacional de Informações sobre Recursos Hídricos: I - reunir, dar consistência e divulgar os dados e informações sobre a situação qualitativa e quantitativa dos recursos hídricos no Brasil; II - atualizar permanentemente as informações sobre disponibilidade e demanda de recursos hídricos em todo o território nacional; III - fornecer subsídios para a elaboração dos Planos de Recursos Hídricos. CAPÍTULO V DO RATEIO DE CUSTOS DAS OBRAS DE USO MÚLTIPLO, DE INTERESSE COMUM OU COLETIVO Art. 28. (VETADO) CAPÍTULO VI DA AÇÃO DO PODER PÚBLICO Art. 29. Na implementação da Política Nacional de Recursos Hídricos, compete ao Poder Executivo Federal: I - tomar as providências necessárias à implementação e ao funcionamento do Sistema de Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos. II - outorgar os direitos de uso de recursos hídricos, e regulamentar e fiscalizar os usos, na sua esfera de competência; III - implantar e gerir o Sistema de Informações sobre Recursos Hídricos, em âmbito nacional; IV - promover a integração da gestão de recursos hídricos com a gestão ambiental. Parágrafo único. O Poder Executivo Federal indicará, por decreto, a autoridade responsável pela efetivação de outorgas de direito de uso dos recursos hídricos sob domínio da União. Art. 30. Na implementação da Política Nacional de Recursos Hídricos, cabe aos Poderes Executivos Estaduais e do Distrito Federal, na sua esfera de competência: I - outorgar os direitos de uso de recursos hídricos e regulamentar e fiscalizar os seus usos; II - realizar o controle técnico das obras de oferta hídrica; III - implantar e gerir o Sistema de Informações sobre Recursos Hídricos, em âmbito estadual e do Distrito Federal; IV - promover a integração da gestão de recursos hídricos com a gestão ambiental. Art. 31. Na implementação da Política Nacional de Recursos Hídricos, os Poderes Executivos do Distrito Federal e dos municípios promoverão a integração das políticas locais de saneamento básico, de uso, ocupação e conservação do solo e de meio ambiente com as políticas federal e estaduais de recursos hídricos. TÍTULO II DO SISTEMA NACIONAL DE GERENCIAMENTO DE RECURSOS HÍDRICOS CAPÍTULO I DOS OBJETIVOS E DA COMPOSIÇÃO Art. 32. Fica criado o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos, com os seguintes objetivos: I - coordenar a gestão integrada das águas; II - arbitrar administrativamente os conflitos relacionados com os recursos hídricos; III - implementar a Política Nacional de Recursos Hídricos; IV - planejar, regular e controlar o uso, a preservação e a recuperação dos recursos hídricos; V - promover a cobrança pelo uso de recursos hídricos. Art. 33. Integram o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos: 62 I - o Conselho Nacional de Recursos Hídricos; II - os Conselhos de Recursos Hídricos dos Estados e do Distrito Federal; III - os Comitês de Bacia Hidrográfica; IV - os órgãos dos poderes públicos federal, estaduais e municipais cujas competências se relacionem com a gestão de recursos hídricos; V - as Agências de Água. CAPÍTULO II DO CONSELHO NACIONAL DE RECURSOS HÍDRICOS Art. 34. O Conselho Nacional de Recursos Hídricos é composto por: I - representantes dos Ministérios e Secretarias da Presidência da República com atuação no gerenciamento ou no uso de recursos hídricos; II - representantes indicados pelos Conselhos Estaduais de Recursos Hídricos; III - representantes dos usuários dos recursos hídricos; IV - representantes das organizações civis de recursos hídricos. Parágrafo único. O número de representantes do Poder Executivo Federal não poderá ceder à metade mais um do total dos membros do Conselho Nacional de Recursos Hídricos. Art. 35. Compete ao Conselho Nacional de Recursos Hídricos: I - promover a articulação do planejamento de recursos hídricos com os planejamentos nacional, regional, estaduais e dos setores usuários; II - arbitrar, em última instância administrativa, os conflitos existentes entre Conselhos Estaduais de Recursos Hídricos; III - deliberar sobre os projetos de aproveitamento de recursos hídricos cujas repercussões extrapolem o âmbito dos Estados em que serão implantados; IV - deliberar sobre as questões que lhe tenham sido encaminhadas pelos Conselhos Estaduais de Recursos Hídricos ou pelos Comitês de Bacia Hidrográfica; V - analisar propostas de alteração da legislação pertinente a recursos hídricos e à Política Nacional de Recursos Hídricos; VI - estabelecer diretrizes complementares para implementação da Política Nacional de Recursos Hídricos, aplicação de seus instrumentos e atuação do Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos; VII - aprovar propostas de instituição dos Comitês de Bacia Hidrográfica e estabelecer critérios gerais para a elaboração de seus regimentos; VIII - (VETADO) IX - acompanhar a execução do Plano Nacional de Recursos Hídricos e determinar as providências necessárias ao cumprimento de suas metas; X - estabelecer critérios gerais para a outorga de direitos de uso de recursos hídricos e para a cobrança por seu uso. Art. 36. O Conselho Nacional de Recursos Hídricos será gerido por: I - um Presidente, que será o Ministro titular do Ministério do Meio Ambiente, dos Recursos Hídricos e da Amazônia Legal; II - um Secretário Executivo, que será o titular do órgão integrante da estrutura do Ministério do Meio Ambiente, dos Recursos Hídricos e da Amazônia Legal, responsável pela gestão dos recursos hídricos. CAPÍTULO III DOS COMITÊS DE BACIA HIDROGRÁFICA Art. 37. Os Comitês de Bacia Hidrográfica terão como área de atuação: I - a totalidade de uma bacia hidrográfica; II - sub-bacia hidrográfica de tributário do curso de água principal da bacia, ou de tributário desse tributário; ou III - grupo de bacias ou sub-bacias hidrográficas contíguas. Parágrafo único. A instituição de Comitês de Bacia Hidrográfica em rios de domínio da União será efetivada por ato do Presidente da República. 63 Art. 38. Compete aos Comitês de Bacia Hidrográfica, no âmbito de sua área de atuação: I - promover o debate das questões relacionadas a recursos hídricos e articular a atuação das entidades intervenientes; II - arbitrar, em primeira instância administrativa, os conflitos relacionados aos recursos hídricos; III - aprovar o Plano de Recursos Hídricos da bacia; IV - acompanhar a execução do Plano de Recursos Hídricos da bacia e sugerir as providências necessárias ao cumprimento de suas metas; V - propor ao Conselho Nacional e aos Conselhos Estaduais de Recursos Hídricos as acumulações, derivações, captações e lançamentos de pouca expressão, para efeito de isenção da obrigatoriedade de outorga de direitos de uso de recursos hídricos, de acordo com os domínios destes; VI - estabelecer os mecanismos de cobrança pelo uso de recursos hídricos e sugerir os valores a serem cobrados; VII - (VETADO) VIII - (VETADO) IX - estabelecer critérios e promover o rateio de custo das obras de uso múltiplo, de interesse comum ou coletivo. Parágrafo único. Das decisões dos Comitês de Bacia Hidrográfica caberá recurso ao Conselho Nacional ou aos Conselhos Estaduais de Recursos Hídricos, de acordo com sua esfera de competência. Art. 39. Os Comitês de Bacia Hidrográfica são compostos por representantes: I - da União; II - dos Estados e do Distrito Federal cujos territórios se situem, ainda que parcialmente, em suas respectivas áreas de atuação; III - dos Municípios situados, no todo ou em parte, em sua área de atuação; IV - dos usuários das águas de sua área de atuação; V - das entidades civis de recursos hídricos com atuação comprovada na bacia. § 1º O número de representantes de cada setor mencionado neste artigo, bem como os critérios para sua indicação, serão estabelecidos nos regimentos dos comitês, limitada a representação dos poderes executivos da União, Estados, Distrito Federal e Municípios à metade do total de membros. § 2º Nos Comitês de Bacia Hidrográfica de bacias de rios fronteiriços e transfronteiriços de gestão compartilhada, a representação da União deverá incluir um representante do Ministério das Relações Exteriores. § 3º Nos Comitês de Bacia Hidrográfica de bacias cujos territórios abranjam terras indígenas devem ser incluídos representantes: I - da Fundação Nacional do Índio - FUNAI, como parte da representação da União; II - das comunidades indígenas ali residentes ou com interesses na bacia. § 4º A participação da União nos Comitês de Bacia Hidrográfica com área de atuação restrita a bacias de rios sob domínio estadual, dar-se-á na forma estabelecida nos respectivos regimentos. Art. 40. Os Comitês de Bacia Hidrográfica serão dirigidos por um Presidente e um Secretário, eleitos dentre seus membros. CAPÍTULO IV DAS AGÊNCIAS DE ÁGUA Art. 41. As Agências de Água exercerão a função de secretaria executiva do respectivo ou respectivos Comitês de Bacia Hidrográfica. Art. 42. As Agências de Água terão a mesma área de atuação de um ou mais Comitês de Bacia Hidrográfica. Parágrafo único. A criação das Agências de Água será autorizada pelo Conselho Nacional de Recursos Hídricos ou pelos Conselhos Estaduais de Recursos Hídricos mediante 64 solicitação de um ou mais Comitês de Bacia Hidrográfica. Art. 43. A criação de uma Agência de Água é condicionada ao atendimento dos seguintes requisitos: I - prévia existência do respectivo ou respectivos Comitês de Bacia Hidrográfica; II - viabilidade financeira assegurada pela cobrança do uso dos recursos hídricos em sua área de atuação. Art. 44. Compete às Agências de Água no âmbito de sua área de atuação: I - manter balanço atualizado da disponibilidade de recursos hídricos em sua área de atuação; II - manter o cadastro de usuários de recursos hídricos; III - efetuar, mediante delegação do outorgante, a cobrança pelo uso de recursos hídricos; IV - analisar e emitir pareceres sobre os projetos e obras a serem financiados com recursos gerados pela cobrança pelo uso de Recursos Hídricos e encaminhá-los à instituição financeira responsável pela administração desses recursos; V - acompanhar a administração financeira dos recursos arrecadados com a cobrança pelo uso de recursos hídricos em sua área de atuação; VI - gerir o Sistema de Informações sobre Recursos Hídricos em sua área de atuação; VII - celebrar convênios e contratar financiamentos e serviços para a execução de suas competências; VIII - elaborar a sua proposta orçamentária e submetê-la à apreciação do respectivo ou respectivos Comitês de Bacia Hidrográfica; IX - promover os estudos necessários para a gestão dos recursos hídricos em sua área de atuação; X - elaborar o Plano de Recursos Hídricos para apreciação do respectivo Comitê de Bacia Hidrográfica; XI - propor ao respectivo ou respectivos Comitês de Bacia Hidrográfica: a) o enquadramento dos corpos de água nas classes de uso, para encaminhamento ao respectivo Conselho Nacional ou Conselhos Estaduais de Recursos Hídricos, de acordo com o domínio destes; b) os valores a serem cobrados pelo uso de recursos hídricos; c) o plano de aplicação dos recursos arrecadados com a cobrança pelo uso de recursos hídricos; d) o rateio de custo das obras de uso múltiplo, de interesse comum ou coletivo. CAPÍTULO V DA SECRETARIA EXECUTIVA DO CONSELHO NACIONAL DE RECURSOS HÍDRICOS Art. 45. A Secretaria Executiva do Conselho Nacional de Recursos Hídricos será exercida pelo órgão integrante da estrutura do Ministério do Meio Ambiente, dos Recursos Hídricos e da Amazônia Legal, responsável pela gestão dos recursos hídricos. Art. 46. Compete à Secretaria Executiva do Conselho Nacional de Recursos Hídricos: I - prestar apoio administrativo, técnico e financeiro ao Conselho Nacional de Recursos Hídricos; II - coordenar a elaboração do Plano Nacional de Recursos Hídricos e encaminhá-lo à aprovação do Conselho Nacional de Recursos Hídricos; III - instruir os expedientes provenientes dos Conselhos Estaduais de Recursos Hídricos e dos Comitês de Bacia Hidrográfica; IV - coordenar o Sistema de Informações sobre Recursos Hídricos; V - elaborar seu programa de trabalho e respectiva proposta orçamentária anual e submetê-los à aprovação do Conselho Nacional de Recursos Hídricos. CAPÍTULO VI DAS ORGANIZAÇÕES CIVIS DE RECURSOS HÍDRICOS Art. 47. São consideradas, para os efeitos desta Lei, organizações civis de recursos 65 hídricos: I - consórcios e associações intermunicipais de bacias hidrográficas; II - associações regionais, locais ou setoriais de usuários de recursos hídricos; III - organizações técnicas e de ensino e pesquisa com interesse na área de recursos hídricos; IV - organizações não-governamentais com objetivos de defesa de interesses difusos e coletivos da sociedade; V - outras organizações reconhecidas pelo Conselho Nacional ou pelos Conselhos Estaduais de Recursos Hídricos. Art. 48. Para integrar o Sistema Nacional de Recursos Hídricos, as organizações civis de recursos hídricos devem ser legalmente constituídas. TÍTULO III DAS INFRAÇÕES E PENALIDADES Art. 49. Constitui infração das normas de utilização de recursos hídricos superficiais ou subterrâneos: I - derivar ou utilizar recursos hídricos para qualquer finalidade, sem a respectiva outorga de direito de uso; II - iniciar a implantação ou implantar empreendimento relacionado com a derivação ou a utilização de recursos hídricos, superficiais ou subterrâneos, que implique alterações no regime, quantidade ou qualidade dos mesmos, sem autorização dos órgãos ou entidades competentes; III - (VETADO) IV - utilizar-se dos recursos hídricos ou executar obras ou serviços relacionados com os mesmos em desacordo com as condições estabelecidas na outorga; V - perfurar poços para extração de água subterrânea ou operá-los sem a devida autorização; VI - fraudar as medições dos volumes de água utilizados ou declarar valores diferentes dos medidos; VII - infringir normas estabelecidas no regulamento desta Lei e nos regulamentos administrativos, compreendendo instruções e procedimentos fixados pelos órgãos ou entidades competentes; VIII - obstar ou dificultar a ação fiscalizadora das autoridades competentes no exercício de suas funções. Art. 50. Por infração de qualquer disposição legal ou regulamentares referentes à execução de obras e serviços hidráulicos, derivação ou utilização de recursos hídricos de domínio ou administração da União, ou pelo não atendimento das solicitações feitas, o infrator, a critério da autoridade competente, ficará sujeito as seguintes penalidades, independentemente de sua ordem de enumeração: I - advertência por escrito, na qual serão estabelecidos prazos para correção das irregularidades; II - multa, simples ou diária, proporcional à gravidade da infração, de R$ 100,00 (cem reais) a R$ 10.000,00 (dez mil reais); III - embargo provisório, por prazo determinado, para execução de serviços e obras necessárias ao efetivo cumprimento das condições de outorga ou para o cumprimento de normas referentes ao uso, controle, conservação e proteção dos recursos hídricos; IV - embargo definitivo, com revogação da outorga, se for o caso, para repor incontinenti, no seu antigo estado, os recursos hídricos, leitos e margens, nos termos dos arts. 58 e 59 do Código de Águas ou tamponar os poços de extração de água subterrânea. § 1º Sempre que da infração cometida resultar prejuízo a serviço público de abastecimento de água, riscos à saúde ou à vida, perecimento de bens ou animais, ou prejuízos de qualquer natureza a terceiros, a multa a ser aplicada nunca será inferior à metade do valor máximo cominado em abstrato. § 2º No caso dos incisos III e IV, independentemente da pena de multa, serão cobradas do infrator as despesas em que incorrer a Administração para tornar efetivas as medidas previstas nos citados incisos, na forma dos arts. 36, 53, 56 e 58 do Código de Águas, sem prejuízo de responder pela indenização dos danos a que der causa. 66 § 3º Da aplicação das sanções previstas neste título caberá recurso à autoridade administrativa competente, nos termos do regulamento. § 4º Em caso de reincidência, a multa será aplicada em dobro. TÍTULO IV DAS DISPOSIÇÕES GERAIS E TRANSITÓRIAS Art. 51. Os consórcios e associações intermunicipais de bacias hidrográficas mencionadas no art. 47 poderão receber delegação do Conselho Nacional ou dos Conselhos Estaduais de Recursos Hídricos, por prazo determinado, para o exercício de funções de competência das Agências de Água, enquanto esses organismos não estiverem constituídos. Art. 52. Enquanto não estiver aprovado e regulamentado o Plano Nacional de Recursos Hídricos, a utilização dos potenciais hidráulicos para fins de geração de energia elétrica continuará subordinada à disciplina da legislação setorial específica. Art. 53. O Poder Executivo, no prazo de cento e vinte dias a partir da publicação desta Lei, encaminhará ao Congresso Nacional projeto de lei dispondo sobre a criação das Agências de Água. Art. 54. O art. 1º da Lei nº 8.001, de 13 de março de 1990, passa a vigorar com a seguinte redação: " Art. 1º ................................................................. III - quatro inteiros e quatro décimos por cento à Secretaria de Recursos Hídricos do Ministério do Meio Ambiente, dos Recursos Hídricos e da Amazônia Legal; IV - três inteiros e seis décimos por cento ao Departamento Nacional de Águas e Energia Elétrica - DNAEE, do Ministério de Minas e Energia; V - dois por cento ao Ministério da Ciência e Tecnologia. ...................................................................... § 4º A cota destinada à Secretaria de Recursos Hídricos do Ministério do Meio Ambiente, dos Recursos Hídricos e da Amazônia Legal será empregada na implementação da Política Nacional de Recursos Hídricos e do Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos e na gestão da rede hidrometeorológica nacional. § 5º A cota destinada ao DNAEE será empregada na operação e expansão de sua rede hidrometeorológica, no estudo dos recursos hídricos e em serviços relacionados ao aproveitamento da energia hidráulica." Parágrafo único. Os novos percentuais definidos no caput deste artigo entrarão em vigor no prazo de cento e oitenta dias contados a partir da data de publicação desta Lei. Art. 55. O Poder Executivo Federal regulamentará esta Lei no prazo de cento e oitenta dias, contados da data de sua publicação. Art. 56. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. Art. 57. Revogam-se as disposições em contrário. Brasília, 8 de janeiro de 1997; 176º da Independência e 109º da República. FERNANDO HENRIQUE CARDOSO GustavoKrause 67 68 ANEXO B Lei complementar nº 1.025 – Agência Reguladora do Saneamento e Energia do Estado de São Paulo – ARSESP Anexo B 69 70 71