VI CONGRESSO BRASILEIRO DE ENFERMAGEM OBSTÉTRICA E NEONATAL Qualificação da Atenção e dos Recursos Humanos de Enfermagem em Saúde da Mulher e do Recém-nascido 24 à 26 de junho de 2009 Teresina-PI INFLUÊNCIAS DA IMPLANTAÇÃO DO MÉTODO MÃE CANGURU Ana Carla Marques da Costa1 Andréa da Silva Monteiro2 Anne Karolyne da Silva Monteiro3 Francisco Alan Jhon Souza Pereira4 Patrícia Rosana Ferreira Cruz5 _____________________________________________________________________________________________________ 1. Especialista em Enfermagem Materno Infantil (UFPI). Professora Adjunta do Departamento de Enfermagem do Centro de Estudos Superiores de Caxias-MA da Universidade Estadual do Maranhão (CESC/UEMA). E-mail: [email protected] ; 2. Enfermeira Graduada pelo Centro Universitário do Maranhão – UNICEUMA. E-mail: [email protected]; 3. Acadêmica do 6º Período do curso de Enfermagem da Universidade Estadual do Maranhão do Centro de Estudos Superiores de Caxias (CESC/UEMA). E-mail: [email protected] ; 4. Acadêmico do 5º Período do curso de Enfermagem da Universidade Estadual do Maranhão do Centro de Estudos Superiores de Caxias (CESC/UEMA). E-mail: [email protected] ; 5. Acadêmica do 6º Período do curso de Enfermagem da Universidade Estadual do Maranhão do Centro de Estudos Superiores de Caxias (CESC/UEMA). Endereço: Rua Aarão Reis, 610, Centro, Cep. 65600-000. Caxias-MA. E-mail: [email protected] . VI CONGRESSO BRASILEIRO DE ENFERMAGEM OBSTÉTRICA E NEONATAL Qualificação da Atenção e dos Recursos Humanos de Enfermagem em Saúde da Mulher e do Recém-nascido 24 à 26 de junho de 2009 Teresina-PI INFLUÊNCIAS DA IMPLANTAÇÃO DO MÉTODO MÃE CANGURU RESUMO O método Mãe Canguru é um tipo de assistência voltada para o atendimento do recémnascido pré-maturo, que implica colocar o bebê em contato pele a pele com sua mãe. O presente estudo tem como objetivo analisar a situação da produção que está sendo publicada a respeito das influências desse método. Trata-se de um estudo descritivo realizado a partir de uma revisão de literatura nas bases de dados SCIELO e LILACS, no período de 2004 a 2008, onde foram identificados e selecionados dezenove periódicos. As publicações selecionadas foram divididas em quatro categorias importantes: os benefícios do Método Mãe Canguru sobre a fisiologia do recém-nascido, as influências dessa técnica sobre a família, a equipe de saúde e o Método Mãe Canguru e as vantagens da implantação desse processo. Esta estratégia é benéfica para o desenvolvimento do recém-nascido prétermo e/ou de baixo peso, através do vínculo mãe-bebê, e a equipe de saúde é a grande articuladora do sucesso desse método, mas ainda existe certa resistência por parte da mesma. Descritores: Método Mãe Canguru; contato pele a pele; recém-nascido; família; equipe de saúde. VI CONGRESSO BRASILEIRO DE ENFERMAGEM OBSTÉTRICA E NEONATAL Qualificação da Atenção e dos Recursos Humanos de Enfermagem em Saúde da Mulher e do Recém-nascido 24 à 26 de junho de 2009 Teresina-PI INTRODUÇÃO Na área materno-infantil o baixo peso ao nascer constitui um dos principais problemas observados, uma vez que, por acarretar graves conseqüências à saúde do neonato, traz ônus tanto para a rede social, na qual esse recém-nascido (RN) irá inserir-se, como para as instituições hospitalares. O elevado número de crianças prematuras e com baixo peso (inferior a 2.500g) que nascem anualmente atinge a cifra de 20 milhões, dos quais cerca de um terço morre antes de completar um ano de vida, geralmente por problemas respiratórios, asfixia ao nascer e infecções (15) . Nesse sentido o Programa Método Mãe-Canguru (PMMC), iniciado na Colômbia em 1978, permitiu que recém-nascidos pré-termos (RNPT) clinicamente estáveis obtivessem alta hospitalar precoce com acompanhamento ambulatorial. Desde então, é aplicado por vários países e pode ser utilizado como alternativa à tecnologia ou facilitador do vínculo mãe-bebê. Apesar das diferentes formas de aplicação, o contato pele a pele é universal, sendo utilizado como sinônimo do método. No Brasil, iniciou-se no começo da década de 1990, em Santos e Recife, mas somente em 1999 o Ministério da Saúde (MS) regulamentou sua aplicação (16). Antes da idealização do Método Mãe-Canguru - MMC, os serviços de atenção neonatal mantinham os prematuros nas incubadoras até alcançarem o peso ideal para alta, o que trazia implicações para a mãe e seu filho, tais como: desestímulo ao aleitamento materno; rompimento do vínculo afetivo; tempo de permanência prolongado nas unidades de internamento, entre outros (19) . No Brasil, a partir do final da década de 90, esta preocupação traduziu-se na "Atenção Humanizada ao Recém-Nascido de Baixo Peso – Método Canguru" (AHRNBP-MC) elaborada e implementada pelo Ministério da Saúde (MS), através de norma, protocolos e de um amplo processo de capacitação nas diferentes regiões do país. A AHRNBP-MC se caracteriza principalmente pela mudança na forma do cuidado neonatal baseada em quatro fundamentos básicos: (11) • acolhimento do bebê e sua família; • respeito às singularidades (cuidado individualizado); • promoção do contato pele a pele o mais precoce possível; VI CONGRESSO BRASILEIRO DE ENFERMAGEM OBSTÉTRICA E NEONATAL Qualificação da Atenção e dos Recursos Humanos de Enfermagem em Saúde da Mulher e do Recém-nascido 24 à 26 de junho de 2009 Teresina-PI • envolvimento da mãe nos cuidados com o bebê. Autores (4,6,11,14) explicam as três etapas realizadas na aplicação do método. A primeira etapa é um período de adaptação e treinamento para os pais e a busca da estabilidade no quadro clínico do bebê, buscando, sempre que possível, o contato pele a pele. A segunda etapa contempla o acompanhamento contínuo do bebê pela mãe, pois ele estará estável, permanecendo na posição canguru pelo maior tempo possível. E a terceira etapa refere-se ao ambulatório de acompanhamento, após a alta, para avaliar os benefícios e corrigir situações de risco. De acordo com as Normas de Atenção Humanizada do Recém-Nascido de Baixo Peso, do Ministério da Saúde, o MMC é uma forma de assistência neonatal que consiste no contato pele a pele precoce entre mãe e RNPT de baixo peso, de forma crescente, permitindo uma participação maior dos pais no cuidado ao RN. Esse método tem como vantagens aumentar o vínculo mãe-filho; evitar longos períodos sem estimulação sensorial por reduzir o tempo de separação mãe-filho; estimular o aleitamento materno, o que favorece maior freqüência, precocidade e duração; melhorar o controle térmico, devido a maior rotatividade de leitos; reduzir o número de recém-nascidos (RN) em unidades de cuidados intermediários; reduzir o índice de infecção hospitalar e possibilitar menor permanência no hospital (1,10). Conforme percebemos, o MMC é seguro e benéfico para o bebê em termos fisiológicos, proporcionando um maior vínculo mãe-filho que ajuda no aleitamento materno exclusivo, e como as mães tem preferência por esse método, há uma diminuição nos custos hospitalares. No entanto percebe-se que uma das principais dificuldades para a implantação do método é a adesão da equipe de saúde. Mas, além disso, para o êxito dessa técnica, é necessário preparo adequado da família, bem como o conhecimento da configuração desse método na atualidade, gerado e divulgado em periódicos indexados. Diante do exposto, o propósito do presente estudo foi analisar a condição da produção que está sendo publicada a respeito das influências do MMC, com o intuito de contribuir para auxiliar na construção ou aprofundar conhecimentos já abordados por estudiosos. VI CONGRESSO BRASILEIRO DE ENFERMAGEM OBSTÉTRICA E NEONATAL Qualificação da Atenção e dos Recursos Humanos de Enfermagem em Saúde da Mulher e do Recém-nascido 24 à 26 de junho de 2009 Teresina-PI METODOLOGIA Trata-se de um estudo descritivo, com abordagem qualitativa, realizado a partir de uma revisão de literatura em âmbito nacional envolvendo a área da saúde sobre o MMC. Foi realizada uma incursão detalhada pela literatura em bases de dados e bibliotecas da área da saúde, utilizando o unitermo “Método Canguru”. Utilizou-se a BIREME (Biblioteca Virtual da Saúde), estando nela compreendidos a LILACS (Literatura Latino Americana e do Caribe em Ciências da Saúde) e SCIELO (Scientific Eletronic Library Online – Brasil). Esta consulta aos periódicos nacionais teve como período de referência os anos de 2004 a 2008. Foram identificadas quarenta e nove publicações na base de dados LILACS, destas apenas uma era internacional e vinte e sete eram textos completos. Já na base de dados SCIELO foram encontradas vinte e seis publicações e todas eram textos completos e nacionais. A partir das referências obtidas, os materiais levantados e selecionados foram dezoito artigos de periódicos nacionais e uma dissertação de mestrado, de maneira que se pôde analisar e identificar temáticas e compreendê-las a partir de estudos já descritos. Destes, seis publicações eram qualitativas, nove quantitativas e quatro de revisão de literatura, todos eram textos completos (Tabela 1). Revista Ano 2004 Acta Paul. Enferm. 2005 2006 2007 2008 Total Qual. Quant. Rev. Lit. 1 1 1 1 4 1 1 2 Cad. Saúde Pública 1 1 1 4 1 1 1 1 2 4 2 2 1 1 1 1 Rev. Bras. Fisioterapia Rev. Bras. Saúde 1 1 Ciên. Saúde Coletiva Jornal de Pediatria Abordagem 1 2 2 Matern. Infantil Rev. Elet. Enferm. Rev. Lat.-am. Enferm. Rev. Soc. Bras. De 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 VI CONGRESSO BRASILEIRO DE ENFERMAGEM OBSTÉTRICA E NEONATAL Qualificação da Atenção e dos Recursos Humanos de Enfermagem em Saúde da Mulher e do Recém-nascido 24 à 26 de junho de 2009 Teresina-PI Fonoaudiologia Texto Contexto de 1 1 1 Enfermagem Total 1 4 6 6 2 19 6 9 4 Tabela 1 – Distribuição dos Periódicos RESULTADOS E DISCUSSÕES Após analisar toda literatura selecionada nas bases de dados citadas, foram identificadas quatro categorias importantes a cerca da temática: os benefícios do MMC sobre a fisiologia do recém-nascido, as influências do método sobre a família, a equipe de saúde e o MMC e as vantagens da implantação do método. Como característica geral dos dezenove periódicos indexados, percebeu-se que o maior período de publicações foram os anos de 2006 e 2007 com seis publicações em cada ano, se destacando a Acta Paulista de Enfermagem, a Revista Brasileira de Saúde Materno Infantil e o Jornal de Pediatria, cada um com quatro publicações. Para saber qual categoria era abordada com maior freqüência nas publicações, foram utilizadas porcentagens obtidas a partir do total de periódicos selecionados e de quantos periódicos abordavam cada categoria. Os Benefícios do MMC Sobre a Fisiologia do RN As publicações analisadas (45%) avaliaram recém-nascidos pré-termos com idade gestacional ajustada entre 27,7 a 40 semanas e peso ao nascer entre 500 a 2.295g. Foram encontrados nesses estudos evidências de melhoria na estabilidade fisiológica quanto à termorregulação, freqüência respiratória, desenvolvimento neuromotor e comportamental, sono, choro, aleitamento materno exclusivo, peso diário e a permanência no ambiente hospitalar. Os aspectos relacionados a morbidades e suplementação alimentar, também se fizeram presentes. Em relação à termorregulação, os resultados dos estudos propostos mostraram que houve um aumento significativo da termorregulação corporal dos recém-nascidos pré-termos após aplicação do MMC. A posição canguru evita a VI CONGRESSO BRASILEIRO DE ENFERMAGEM OBSTÉTRICA E NEONATAL Qualificação da Atenção e dos Recursos Humanos de Enfermagem em Saúde da Mulher e do Recém-nascido 24 à 26 de junho de 2009 Teresina-PI perda de calor corporal, melhora a oxigenação tecidual e promove o conforto respiratório (1). Artigos (4,7,16,19) analisados propuseram estudos sobre desenvolvimento neuromotor e comportamental que o MMC proporciona. Um dos estudos constatou que crianças nascidas com peso inferior a 2.000g e crianças pré-termo apresentaram maior incidência de atraso no desenvolvimento neuropsicomotor. De acordo com o manual técnico do MMC, há uma estimulação sensorial e vestibular dos bebês prematuros sujeitos a esse método, o que viria a estimular o seu desenvolvimento neuropsicomotor. O posicionamento utilizado é um grande contribuidor desse processo, sendo descritos dois posicionamentos utilizados no método canguru, o decúbito lateral e o decúbito ventral. Estudos realizados relatam melhor desempenho do grupo posicionado em decúbito lateral, demonstrando uma maior evolução com relação ao desenvolvimento do tônus flexor global fisiológico (4) . Também foram observados que o envolvimento dos pais nos cuidados com o seu filho ajuda a promover ou amadurecer os sistemas comportamentais e neurológicos (7). Os estudos que avaliaram o benefício do MMC sobre o desenvolvimento do recém-nascido pré-maturo foram realizados no seguimento ambulatorial com crianças menores de um ano, onde foram apontados efeitos positivos no desenvolvimento neuromotor e comportamental do recém-nascido pré-termo. Publicações (7,9) revelaram que o método influencia positivamente o sono profundo do recém-nascido. Os estudos apontam que a realização do contato pele a pele além de colaborar com o melhor desenvolvimento mental, influencia significativamente o tempo de choro e os períodos de sono profundo (9) . A posição canguru parece diminuir a sensação dolorosa do recém-nascido diante das inúmeras intervenções a que está sendo submetido (7). Em relação ao aleitamento materno exclusivo, seis dos artigos (3,7,9,12,16,19) mostraram que a maioria das crianças participantes desse método, no momento da alta, encontra-se em amamentação exclusiva, apontando o MMC como um facilitador no processo de amamentação, promovendo o aleitamento materno e a melhora da produção láctea. VI CONGRESSO BRASILEIRO DE ENFERMAGEM OBSTÉTRICA E NEONATAL Qualificação da Atenção e dos Recursos Humanos de Enfermagem em Saúde da Mulher e do Recém-nascido 24 à 26 de junho de 2009 Teresina-PI Um dos principais resultados do MMC sobre o bebê é o maior tempo de aleitamento materno. Estudos mostraram que a prevalência de crianças em aleitamento materno é maior em crianças que participaram do método (9) . Houve uma pesquisa que correlacionou o desmame precoce em crianças que participaram da estratégia, mas constatou a prevalência de influências sócio-culturais (2). O ganho de peso também aparece como um aspecto bem explorado. Artigos (9,16,19) analisados revelaram que bebês submetidos ao método tiveram maior ganho de peso diário, e um estudo não demonstrou claramente aumento no ganho de peso (17) . Outra publicação enfatiza o maior ganho de peso na segunda etapa do processo, que pode estar associado ao processo de captação às injúrias sofridas pelo recém-nascido e a descontinuidade de contato e de estímulo materno Autores (3,7,12,16,17) (19) . correlacionam o método canguru ao tempo de internação hospitalar, apontando uma redução na permanência hospitalar do recém-nascido pré-termo assistido pelo método. Os aspectos relacionados às morbidades foram mencionados, enfatizando que o método minimiza a ocorrência de enfermidades graves, o risco de infecção hospitalar é reduzido, as infecções do trato respiratório diminuem (3,7,9) . Segundo a análise das publicações, observou-se que a grande contribuição do método para o bebê é a inserção deste no aleitamento materno, onde é a partir desta modalidade que ele terá um aumento no peso diário e sua estrutura fisiológica se tornará estável, fazendo-o permanecer menos tempo no hospital e conseqüentemente livrando-o de possíveis infecções. A Equipe de Saúde e o MMC Esta categoria compreende 18,1% das publicações encontradas nas bases de dados pesquisadas. Os artigos relacionam o conhecimento e a prática da equipe de saúde sobre o método. Todos os artigos estudados foram realizados em instituições públicas do Brasil, permitindo uma avaliação sobre o progresso na execução e na qualidade do cuidado. Para instrumentalizar os profissionais na AHRNBP-MC, o Ministério da Saúde elaborou um Programa de Disseminação da Atenção Humanizada, realizado através VI CONGRESSO BRASILEIRO DE ENFERMAGEM OBSTÉTRICA E NEONATAL Qualificação da Atenção e dos Recursos Humanos de Enfermagem em Saúde da Mulher e do Recém-nascido 24 à 26 de junho de 2009 Teresina-PI de cursos de capacitação com a duração de 40 horas, conduzidas, consecutivamente, em uma semana de trabalho, com aulas expositivas, práticas clínicas, discussões, oficinas realizadas pelo grupo de consultores que elaborou o manual técnico, base da norma da AHRNBP-MC. Esses cursos são realizados por todo o país, através de centros de referência (11). Constatou-se que apesar do conhecimento teórico sobre a atenção humanizada, os profissionais ainda não o utilizam plenamente em sua prática clinica, sugerindo que ainda não está completamente assimilada a abrangência dessa forma de cuidado neonatal (11,15). Alguns profissionais têm mostrado resistência ao método, possivelmente porque o MMC contradiz o modelo convencional de atendimento neonatal, por permitir a permanência dos pais junto ao filho, seja na unidade de terapia intensiva ou no alojamento conjunto, estimulando a sua participação no tratamento e nos cuidados com o bebê, o que oferece autonomia aos pais para tomar decisões junto à equipe quanto aos procedimentos realizados, tais como a coleta de materiais para exames, respeito ao sono, estimulação, alimentação e alta hospitalar (14). Em suma, estas publicações apontam o quanto à equipe de saúde é de grande importância para o sucesso do MMC, pois é ela que deve orientar e estimular as famílias a desenvolverem estes tipos de cuidados. E percebeu-se que existem poucas publicações a respeito do assunto, ficando uma lacuna de conhecimentos que devem ser mais explorados e estudados. As Influências do Método Sobre a Família Os periódicos que abordam as reações dos pais que vivenciam o MMC, correspondem cerca de 23% das publicações selecionadas. Sendo que destacam os benefícios, a aceitabilidade, as barreiras e as atuações da família frente ao método, enfatizando principalmente a formação do vínculo-mãe-bebê. Uma das publicações é uma dissertação de mestrado e todos são estudos realizados em instituições variadas. Em um dos estudos pôde-se perceber que as características das mãescangurus em comparação às mães antes da implantação indicam um processo VI CONGRESSO BRASILEIRO DE ENFERMAGEM OBSTÉTRICA E NEONATAL Qualificação da Atenção e dos Recursos Humanos de Enfermagem em Saúde da Mulher e do Recém-nascido 24 à 26 de junho de 2009 Teresina-PI seletivo do programa, no qual participam as mulheres cujos arranjos familiares são mais favoráveis, prevalecendo as mais jovens, mais escolarizadas, sem outros filhos, que recebiam mais ajuda nas tarefas domésticas e relataram menos dificuldade na amamentação. Algumas das principais barreiras para a participação efetiva das mães no cuidado do bebê de baixo peso são: a existência de outros filhos, a falta de ajuda efetiva para as tarefas domésticas e a escassez de recursos para o transporte (18). Outro artigo mostra que o MMC apresenta-se como estratégia que possibilita a mãe e a família estarem próximos para também cuidar do filho prematuro, mas isso não ocorre sem trazer conflito para a família, não só pelo nascimento prematuro, mas também pela necessidade de atender às demandas da condição de ter um bebê frágil e da própria família (5). Constatou-se também que: o contato com o filho através do MMC produziu mudanças positivas no humor das mães; mães que visitam o filho na incubadora não apresentam nenhuma mudança positiva no humor; mães que participam do Grupo Canguru (GC) mostram-se mais calmas, fortes, ágeis, dinâmicas, satisfeitas, tranqüilas, perspicazes, relaxadas, atentas, competentes, alegres, amistosas e com idéias mais claras; mães que participam do Grupo Incubadora (GI) mostram-se mais desejosas após visitas ao filho na UTIN (8). As mudanças de humor observados nas mães canguru após a visita podem ser atribuídas aos seguintes fatores: 1) sensação prazerosa proveniente do posicionamento do bebê e do contato pele a pele; 2) conscientização da mãe, pelos profissionais da saúde, sobre os efeitos benéficos do MMC para o bebê; 3) contato com os profissionais durante o posicionamento e retirada do bebê. Tais fatores estão ausentes no atendimento tradicional para as mães e bebês na incubadora (8). Encontrou-se outra pesquisa relativa aos aspectos promotores e complicadores da formação do apego, onde ficaram destacadas as percepções dos pais a respeito da aproximação precoce com o filho nascido pré-termo e/ou de baixo peso durante a prática do MMC, denotando como é dificultosa e complexa essa aproximação. Durante a fase de duração da hospitalização coexistem muitos conflitos e sentimentos ambíguos, desde culpa e medo, até esperança pela VI CONGRESSO BRASILEIRO DE ENFERMAGEM OBSTÉTRICA E NEONATAL Qualificação da Atenção e dos Recursos Humanos de Enfermagem em Saúde da Mulher e do Recém-nascido 24 à 26 de junho de 2009 Teresina-PI sobrevivência de seus bebês, além de todos os comportamentos imaturos que o neonato apresenta e que muitas vezes não são esperados ou bem compreendidos pelos pais (10). Os resultados apontam como principais aspectos promotores: o preparo adequado no pré-natal, o acolhimento no momento do nascimento e a participação ativa no cotidiano neonatal, e como complicadores, a ambigüidade de sentimentos, a falta de compreensão sobre a imaturidade do neonato e a complexa demanda para o cuidado do bebê (10). Diante desses dados, percebeu-se como é importante o envolvimento desses pais tanto na forma como cuidam dos bebês, quanto no comprometimento com esse modelo, e isso só será possível através da comprovação dos seus reais benefícios. Daí a importância de se pesquisar os fatores influentes do MMC, sob a perspectiva e o olhar dos pais, pois como podemos perceber nem sempre a equipe de profissionais esta preparada para assistir, orientar e estimular essa família de uma maneira adequada. As Vantagens da Implantação do MMC As publicações sobre as vantagens do MMC abordam os aspectos gerais do método, resgatando a origem e a utilização deste em diferentes países, incluindo o Brasil, além de discutir os seus benefícios para o país como uma estratégia de substituição da tecnologia. Contudo, esse método merece grande incentivo, pois por ser, simples, eficaz e de baixo custo, pode ser aplicado em qualquer hospital. Sendo de grande importância para a fisioterapia do bebê, podendo ser utilizado como um recurso adicional no tratamento de recém-nascidos pré-termos e/ou de baixo peso, além de aumentar o vinculo mãe-filho, estimula o aleitamento materno, diminui o tempo de internação e ajuda na redução da mortalidade. VI CONGRESSO BRASILEIRO DE ENFERMAGEM OBSTÉTRICA E NEONATAL Qualificação da Atenção e dos Recursos Humanos de Enfermagem em Saúde da Mulher e do Recém-nascido 24 à 26 de junho de 2009 Teresina-PI CONCLUSÃO O MMC no Brasil, ou Atenção Humanizada ao Recém-Nascido de Baixo Peso, fundamenta-se na qualidade de vida e sobrevida orgânica dos prematuros e é um método simples, eficaz e de baixo custo que traz grandes contribuições para o bebê. Este trabalho de revisão apresenta evidências dos benefícios do MMC. O método através do contato pele a pele ajuda no desenvolvimento do recém-nascido, aumenta o ganho ponderal, influencia o aleitamento exclusivo, além de ser uma proposta eficiente e aproximadora entre pais e seus filhos, pois proporciona meios para se alcançar o apego de forma mais harmoniosa e duradoura. Constatou-se a importância da equipe de saúde como articuladora do sucesso do MMC e da necessidade de capacitação contínua desses profissionais, já que ainda existem alguns tabus a serem quebrados sobre a assistência tradicional, para que haja uma maior valorização desse tipo de arrimo. Acredita-se que esta revisão possa contribuir para a compreensão da importância do MMC, além disso, que através desta, possa contribuir para o êxito de uma assistência humanizada e de alta qualidade para os recém-nascidos. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1. ALMEIDA, CM; ALMEIDA, AFN e FORTI, EMP. Efeitos do Método Mãe Canguru nos sinais vitais de recém-nascidos pré-termos de baixo peso. 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