VI CONGRESSO BRASILEIRO DE ENFERMAGEM
OBSTÉTRICA E NEONATAL
Qualificação da Atenção e dos Recursos Humanos de
Enfermagem em Saúde da Mulher e do Recém-nascido
24 à 26 de junho de 2009
Teresina-PI
INFLUÊNCIAS DA IMPLANTAÇÃO DO MÉTODO MÃE CANGURU
Ana Carla Marques da Costa1
Andréa da Silva Monteiro2
Anne Karolyne da Silva Monteiro3
Francisco Alan Jhon Souza Pereira4
Patrícia Rosana Ferreira Cruz5
_____________________________________________________________________________________________________
1.
Especialista em Enfermagem Materno Infantil (UFPI). Professora Adjunta do Departamento de Enfermagem do Centro de
Estudos
Superiores
de
Caxias-MA
da
Universidade
Estadual
do
Maranhão
(CESC/UEMA).
E-mail:
[email protected] ;
2.
Enfermeira Graduada pelo Centro Universitário do Maranhão – UNICEUMA. E-mail: [email protected];
3.
Acadêmica do 6º Período do curso de Enfermagem da Universidade Estadual do Maranhão do Centro de Estudos
Superiores de Caxias (CESC/UEMA). E-mail: [email protected] ;
4.
Acadêmico do 5º Período do curso de Enfermagem da Universidade Estadual do Maranhão do Centro de Estudos
Superiores de Caxias (CESC/UEMA). E-mail: [email protected] ;
5.
Acadêmica do 6º Período do curso de Enfermagem da Universidade Estadual do Maranhão do Centro de Estudos
Superiores de Caxias (CESC/UEMA). Endereço: Rua Aarão Reis, 610, Centro, Cep. 65600-000. Caxias-MA. E-mail:
[email protected] .
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INFLUÊNCIAS DA IMPLANTAÇÃO DO MÉTODO MÃE CANGURU
RESUMO
O método Mãe Canguru é um tipo de assistência voltada para o atendimento do recémnascido pré-maturo, que implica colocar o bebê em contato pele a pele com sua mãe. O
presente estudo tem como objetivo analisar a situação da produção que está sendo
publicada a respeito das influências desse método. Trata-se de um estudo descritivo
realizado a partir de uma revisão de literatura nas bases de dados SCIELO e LILACS, no
período de 2004 a 2008, onde foram identificados e selecionados dezenove periódicos. As
publicações selecionadas foram divididas em quatro categorias importantes: os benefícios
do Método Mãe Canguru sobre a fisiologia do recém-nascido, as influências dessa técnica
sobre a família, a equipe de saúde e o Método Mãe Canguru e as vantagens da implantação
desse processo. Esta estratégia é benéfica para o desenvolvimento do recém-nascido prétermo e/ou de baixo peso, através do vínculo mãe-bebê, e a equipe de saúde é a grande
articuladora do sucesso desse método, mas ainda existe certa resistência por parte da
mesma.
Descritores: Método Mãe Canguru; contato pele a pele; recém-nascido; família; equipe de
saúde.
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INTRODUÇÃO
Na área materno-infantil o baixo peso ao nascer constitui um dos principais
problemas observados, uma vez que, por acarretar graves conseqüências à saúde
do neonato, traz ônus tanto para a rede social, na qual esse recém-nascido (RN) irá
inserir-se, como para as instituições hospitalares. O elevado número de crianças
prematuras e com baixo peso (inferior a 2.500g) que nascem anualmente atinge a
cifra de 20 milhões, dos quais cerca de um terço morre antes de completar um ano
de vida, geralmente por problemas respiratórios, asfixia ao nascer e infecções
(15)
.
Nesse sentido o Programa Método Mãe-Canguru (PMMC), iniciado na
Colômbia em 1978, permitiu que recém-nascidos pré-termos (RNPT) clinicamente
estáveis obtivessem alta hospitalar precoce com acompanhamento ambulatorial.
Desde então, é aplicado por vários países e pode ser utilizado como alternativa à
tecnologia ou facilitador do vínculo mãe-bebê. Apesar das diferentes formas de
aplicação, o contato pele a pele é universal, sendo utilizado como sinônimo do
método. No Brasil, iniciou-se no começo da década de 1990, em Santos e Recife,
mas somente em 1999 o Ministério da Saúde (MS) regulamentou sua aplicação (16).
Antes da idealização do Método Mãe-Canguru - MMC, os serviços de atenção
neonatal mantinham os prematuros nas incubadoras até alcançarem o peso ideal
para alta, o que trazia implicações para a mãe e seu filho, tais como: desestímulo ao
aleitamento materno; rompimento do vínculo afetivo; tempo de permanência
prolongado nas unidades de internamento, entre outros
(19)
.
No Brasil, a partir do final da década de 90, esta preocupação traduziu-se na
"Atenção Humanizada ao Recém-Nascido de Baixo Peso – Método Canguru"
(AHRNBP-MC) elaborada e implementada pelo Ministério da Saúde (MS), através de
norma, protocolos e de um amplo processo de capacitação nas diferentes regiões do
país. A AHRNBP-MC se caracteriza principalmente pela mudança na forma do
cuidado neonatal baseada em quatro fundamentos básicos: (11)
• acolhimento do bebê e sua família;
• respeito às singularidades (cuidado individualizado);
• promoção do contato pele a pele o mais precoce possível;
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• envolvimento da mãe nos cuidados com o bebê.
Autores (4,6,11,14) explicam as três etapas realizadas na aplicação do método. A
primeira etapa é um período de adaptação e treinamento para os pais e a busca da
estabilidade no quadro clínico do bebê, buscando, sempre que possível, o contato
pele a pele. A segunda etapa contempla o acompanhamento contínuo do bebê pela
mãe, pois ele estará estável, permanecendo na posição canguru pelo maior tempo
possível. E a terceira etapa refere-se ao ambulatório de acompanhamento, após a
alta, para avaliar os benefícios e corrigir situações de risco.
De acordo com as Normas de Atenção Humanizada do Recém-Nascido de
Baixo Peso, do Ministério da Saúde, o MMC é uma forma de assistência neonatal
que consiste no contato pele a pele precoce entre mãe e RNPT de baixo peso, de
forma crescente, permitindo uma participação maior dos pais no cuidado ao RN.
Esse método tem como vantagens aumentar o vínculo mãe-filho; evitar longos
períodos sem estimulação sensorial por reduzir o tempo de separação mãe-filho;
estimular o aleitamento materno, o que favorece maior freqüência, precocidade e
duração; melhorar o controle térmico, devido a maior rotatividade de leitos; reduzir o
número de recém-nascidos (RN) em unidades de cuidados intermediários; reduzir o
índice de infecção hospitalar e possibilitar menor permanência no hospital (1,10).
Conforme percebemos, o MMC é seguro e benéfico para o bebê em termos
fisiológicos, proporcionando um maior vínculo mãe-filho que ajuda no aleitamento
materno exclusivo, e como as mães tem preferência por esse método, há uma
diminuição nos custos hospitalares. No entanto percebe-se que uma das principais
dificuldades para a implantação do método é a adesão da equipe de saúde. Mas,
além disso, para o êxito dessa técnica, é necessário preparo adequado da família,
bem como o conhecimento da configuração desse método na atualidade, gerado e
divulgado em periódicos indexados.
Diante do exposto, o propósito do presente estudo foi analisar a condição da
produção que está sendo publicada a respeito das influências do MMC, com o intuito
de contribuir para auxiliar na construção ou aprofundar conhecimentos já abordados
por estudiosos.
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METODOLOGIA
Trata-se de um estudo descritivo, com abordagem qualitativa, realizado a
partir de uma revisão de literatura em âmbito nacional envolvendo a área da saúde
sobre o MMC. Foi realizada uma incursão detalhada pela literatura em bases de
dados e bibliotecas da área da saúde, utilizando o unitermo “Método Canguru”.
Utilizou-se a BIREME (Biblioteca Virtual da Saúde), estando nela compreendidos a
LILACS (Literatura Latino Americana e do Caribe em Ciências da Saúde) e SCIELO
(Scientific Eletronic Library Online – Brasil). Esta consulta aos periódicos nacionais
teve como período de referência os anos de 2004 a 2008.
Foram identificadas quarenta e nove publicações na base de dados LILACS,
destas apenas uma era internacional e vinte e sete eram textos completos. Já na
base de dados SCIELO foram encontradas vinte e seis publicações e todas eram
textos completos e nacionais.
A partir das referências obtidas, os materiais levantados e selecionados foram
dezoito artigos de periódicos nacionais e uma dissertação de mestrado, de maneira
que se pôde analisar e identificar temáticas e compreendê-las a partir de estudos já
descritos. Destes, seis publicações eram qualitativas, nove quantitativas e quatro de
revisão de literatura, todos eram textos completos (Tabela 1).
Revista
Ano
2004
Acta Paul. Enferm.
2005
2006
2007
2008
Total
Qual.
Quant.
Rev. Lit.
1
1
1
1
4
1
1
2
Cad. Saúde Pública
1
1
1
4
1
1
1
1
2
4
2
2
1
1
1
1
Rev. Bras. Fisioterapia
Rev. Bras. Saúde
1
1
Ciên. Saúde Coletiva
Jornal de Pediatria
Abordagem
1
2
2
Matern. Infantil
Rev. Elet. Enferm.
Rev. Lat.-am. Enferm.
Rev. Soc. Bras. De
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
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Fonoaudiologia
Texto Contexto de
1
1
1
Enfermagem
Total
1
4
6
6
2
19
6
9
4
Tabela 1 – Distribuição dos Periódicos
RESULTADOS E DISCUSSÕES
Após analisar toda literatura selecionada nas bases de dados citadas, foram
identificadas quatro categorias importantes a cerca da temática: os benefícios do
MMC sobre a fisiologia do recém-nascido, as influências do método sobre a família,
a equipe de saúde e o MMC e as vantagens da implantação do método.
Como característica geral dos dezenove periódicos indexados, percebeu-se
que o maior período de publicações foram os anos de 2006 e 2007 com seis
publicações em cada ano, se destacando a Acta Paulista de Enfermagem, a Revista
Brasileira de Saúde Materno Infantil e o Jornal de Pediatria, cada um com quatro
publicações.
Para saber qual categoria era abordada com maior freqüência nas
publicações, foram utilizadas porcentagens obtidas a partir do total de periódicos
selecionados e de quantos periódicos abordavam cada categoria.
Os Benefícios do MMC Sobre a Fisiologia do RN
As publicações analisadas (45%) avaliaram recém-nascidos pré-termos com
idade gestacional ajustada entre 27,7 a 40 semanas e peso ao nascer entre 500 a
2.295g. Foram encontrados nesses estudos evidências de melhoria na estabilidade
fisiológica quanto à termorregulação, freqüência respiratória, desenvolvimento
neuromotor e comportamental, sono, choro, aleitamento materno exclusivo, peso
diário e a permanência no ambiente hospitalar. Os aspectos relacionados a
morbidades e suplementação alimentar, também se fizeram presentes.
Em relação à termorregulação, os resultados dos estudos propostos
mostraram que houve um aumento significativo da termorregulação corporal dos
recém-nascidos pré-termos após aplicação do MMC. A posição canguru evita a
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perda de calor corporal, melhora a oxigenação tecidual e promove o conforto
respiratório (1).
Artigos
(4,7,16,19)
analisados propuseram estudos sobre desenvolvimento
neuromotor e comportamental que o MMC proporciona. Um dos estudos constatou
que crianças nascidas com peso inferior a 2.000g e crianças pré-termo
apresentaram maior incidência de atraso no desenvolvimento neuropsicomotor. De
acordo com o manual técnico do MMC, há uma estimulação sensorial e vestibular
dos bebês prematuros sujeitos a esse método, o que viria a estimular o seu
desenvolvimento neuropsicomotor. O posicionamento utilizado é um grande
contribuidor desse processo, sendo descritos dois posicionamentos utilizados no
método canguru, o decúbito lateral e o decúbito ventral. Estudos realizados relatam
melhor desempenho do grupo posicionado em decúbito lateral, demonstrando uma
maior evolução com relação ao desenvolvimento do tônus flexor global fisiológico
(4)
.
Também foram observados que o envolvimento dos pais nos cuidados com o
seu filho ajuda a promover ou amadurecer os sistemas comportamentais e
neurológicos (7).
Os estudos que avaliaram o benefício do MMC sobre o desenvolvimento do
recém-nascido pré-maturo foram realizados no seguimento ambulatorial com
crianças menores de um ano, onde foram apontados efeitos positivos no
desenvolvimento neuromotor e comportamental do recém-nascido pré-termo.
Publicações
(7,9)
revelaram que o método influencia positivamente o sono
profundo do recém-nascido. Os estudos apontam que a realização do contato pele a
pele além de colaborar com o melhor desenvolvimento mental, influencia
significativamente o tempo de choro e os períodos de sono profundo
(9)
. A posição
canguru parece diminuir a sensação dolorosa do recém-nascido diante das inúmeras
intervenções a que está sendo submetido (7).
Em relação ao aleitamento materno exclusivo, seis dos artigos
(3,7,9,12,16,19)
mostraram que a maioria das crianças participantes desse método, no momento da
alta, encontra-se em amamentação exclusiva, apontando o MMC como um
facilitador no processo de amamentação, promovendo o aleitamento materno e a
melhora da produção láctea.
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Um dos principais resultados do MMC sobre o bebê é o maior tempo de
aleitamento materno. Estudos mostraram que a prevalência de crianças em
aleitamento materno é maior em crianças que participaram do método
(9)
. Houve
uma pesquisa que correlacionou o desmame precoce em crianças que participaram
da estratégia, mas constatou a prevalência de influências sócio-culturais (2).
O ganho de peso também aparece como um aspecto bem explorado. Artigos
(9,16,19)
analisados revelaram que bebês submetidos ao método tiveram maior ganho
de peso diário, e um estudo não demonstrou claramente aumento no ganho de peso
(17)
. Outra publicação enfatiza o maior ganho de peso na segunda etapa do
processo, que pode estar associado ao processo de captação às injúrias sofridas
pelo recém-nascido e a descontinuidade de contato e de estímulo materno
Autores
(3,7,12,16,17)
(19)
.
correlacionam o método canguru ao tempo de internação
hospitalar, apontando uma redução na permanência hospitalar do recém-nascido
pré-termo assistido pelo método.
Os aspectos relacionados às morbidades foram mencionados, enfatizando
que o método minimiza a ocorrência de enfermidades graves, o risco de infecção
hospitalar é reduzido, as infecções do trato respiratório diminuem
(3,7,9)
.
Segundo a análise das publicações, observou-se que a grande contribuição
do método para o bebê é a inserção deste no aleitamento materno, onde é a partir
desta modalidade que ele terá um aumento no peso diário e sua estrutura fisiológica
se
tornará
estável,
fazendo-o
permanecer
menos
tempo
no
hospital
e
conseqüentemente livrando-o de possíveis infecções.
A Equipe de Saúde e o MMC
Esta categoria compreende 18,1% das publicações encontradas nas bases de
dados pesquisadas. Os artigos relacionam o conhecimento e a prática da equipe de
saúde sobre o método. Todos os artigos estudados foram realizados em instituições
públicas do Brasil, permitindo uma avaliação sobre o progresso na execução e na
qualidade do cuidado.
Para instrumentalizar os profissionais na AHRNBP-MC, o Ministério da Saúde
elaborou um Programa de Disseminação da Atenção Humanizada, realizado através
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de
cursos
de
capacitação
com
a
duração
de
40
horas,
conduzidas,
consecutivamente, em uma semana de trabalho, com aulas expositivas, práticas
clínicas, discussões, oficinas realizadas pelo grupo de consultores que elaborou o
manual técnico, base da norma da AHRNBP-MC. Esses cursos são realizados por
todo o país, através de centros de referência (11).
Constatou-se que apesar do conhecimento teórico sobre a atenção
humanizada, os profissionais ainda não o utilizam plenamente em sua prática clinica,
sugerindo que ainda não está completamente assimilada a abrangência dessa forma
de cuidado neonatal (11,15).
Alguns profissionais têm mostrado resistência ao método, possivelmente
porque o MMC contradiz o modelo convencional de atendimento neonatal, por
permitir a permanência dos pais junto ao filho, seja na unidade de terapia intensiva
ou no alojamento conjunto, estimulando a sua participação no tratamento e nos
cuidados com o bebê, o que oferece autonomia aos pais para tomar decisões junto à
equipe quanto aos procedimentos realizados, tais como a coleta de materiais para
exames, respeito ao sono, estimulação, alimentação e alta hospitalar (14).
Em suma, estas publicações apontam o quanto à equipe de saúde é de
grande importância para o sucesso do MMC, pois é ela que deve orientar e estimular
as famílias a desenvolverem estes tipos de cuidados. E percebeu-se que existem
poucas publicações a respeito do assunto, ficando uma lacuna de conhecimentos
que devem ser mais explorados e estudados.
As Influências do Método Sobre a Família
Os periódicos que abordam as reações dos pais que vivenciam o MMC,
correspondem cerca de 23% das publicações selecionadas. Sendo que destacam os
benefícios, a aceitabilidade, as barreiras e as atuações da família frente ao método,
enfatizando principalmente a formação do vínculo-mãe-bebê. Uma das publicações
é uma dissertação de mestrado e todos são estudos realizados em instituições
variadas.
Em um dos estudos pôde-se perceber que as características das mãescangurus em comparação às mães antes da implantação indicam um processo
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seletivo do programa, no qual participam as mulheres cujos arranjos familiares são
mais favoráveis, prevalecendo as mais jovens, mais escolarizadas, sem outros
filhos, que recebiam mais ajuda nas tarefas domésticas e relataram menos
dificuldade na amamentação. Algumas das principais barreiras para a participação
efetiva das mães no cuidado do bebê de baixo peso são: a existência de outros
filhos, a falta de ajuda efetiva para as tarefas domésticas e a escassez de recursos
para o transporte (18).
Outro artigo mostra que o MMC apresenta-se como estratégia que possibilita
a mãe e a família estarem próximos para também cuidar do filho prematuro, mas
isso não ocorre sem trazer conflito para a família, não só pelo nascimento
prematuro, mas também pela necessidade de atender às demandas da condição de
ter um bebê frágil e da própria família (5).
Constatou-se também que: o contato com o filho através do MMC produziu
mudanças positivas no humor das mães; mães que visitam o filho na incubadora não
apresentam nenhuma mudança positiva no humor; mães que participam do Grupo
Canguru (GC) mostram-se mais calmas, fortes, ágeis, dinâmicas, satisfeitas,
tranqüilas, perspicazes, relaxadas, atentas, competentes, alegres, amistosas e com
idéias mais claras; mães que participam do Grupo Incubadora (GI) mostram-se mais
desejosas após visitas ao filho na UTIN (8).
As mudanças de humor observados nas mães canguru após a visita podem
ser atribuídas aos seguintes fatores: 1) sensação prazerosa proveniente do
posicionamento do bebê e do contato pele a pele; 2) conscientização da mãe, pelos
profissionais da saúde, sobre os efeitos benéficos do MMC para o bebê; 3) contato
com os profissionais durante o posicionamento e retirada do bebê. Tais fatores estão
ausentes no atendimento tradicional para as mães e bebês na incubadora (8).
Encontrou-se
outra
pesquisa
relativa
aos
aspectos
promotores
e
complicadores da formação do apego, onde ficaram destacadas as percepções dos
pais a respeito da aproximação precoce com o filho nascido pré-termo e/ou de baixo
peso durante a prática do MMC, denotando como é dificultosa e complexa essa
aproximação. Durante a fase de duração da hospitalização coexistem muitos
conflitos e sentimentos ambíguos, desde culpa e medo, até esperança pela
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sobrevivência de seus bebês, além de todos os comportamentos imaturos que o
neonato apresenta e que muitas vezes não são esperados ou bem compreendidos
pelos pais (10).
Os resultados apontam como principais aspectos promotores: o preparo
adequado no pré-natal, o acolhimento no momento do nascimento e a participação
ativa no cotidiano neonatal, e como complicadores, a ambigüidade de sentimentos, a
falta de compreensão sobre a imaturidade do neonato e a complexa demanda para
o cuidado do bebê (10).
Diante desses dados, percebeu-se como é importante o envolvimento desses
pais tanto na forma como cuidam dos bebês, quanto no comprometimento com esse
modelo, e isso só será possível através da comprovação dos seus reais benefícios.
Daí a importância de se pesquisar os fatores influentes do MMC, sob a perspectiva e
o olhar dos pais, pois como podemos perceber nem sempre a equipe de
profissionais esta preparada para assistir, orientar e estimular essa família de uma
maneira adequada.
As Vantagens da Implantação do MMC
As publicações sobre as vantagens do MMC abordam os aspectos gerais do
método, resgatando a origem e a utilização deste em diferentes países, incluindo o
Brasil, além de discutir os seus benefícios para o país como uma estratégia de
substituição da tecnologia.
Contudo, esse método merece grande incentivo, pois por ser, simples, eficaz
e de baixo custo, pode ser aplicado em qualquer hospital. Sendo de grande
importância para a fisioterapia do bebê, podendo ser utilizado como um recurso
adicional no tratamento de recém-nascidos pré-termos e/ou de baixo peso, além de
aumentar o vinculo mãe-filho, estimula o aleitamento materno, diminui o tempo de
internação e ajuda na redução da mortalidade.
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CONCLUSÃO
O MMC no Brasil, ou Atenção Humanizada ao Recém-Nascido de Baixo
Peso, fundamenta-se na qualidade de vida e sobrevida orgânica dos prematuros e é
um método simples, eficaz e de baixo custo que traz grandes contribuições para o
bebê.
Este trabalho de revisão apresenta evidências dos benefícios do MMC. O
método através do contato pele a pele ajuda no desenvolvimento do recém-nascido,
aumenta o ganho ponderal, influencia o aleitamento exclusivo, além de ser uma
proposta eficiente e aproximadora entre pais e seus filhos, pois proporciona meios
para se alcançar o apego de forma mais harmoniosa e duradoura.
Constatou-se a importância da equipe de saúde como articuladora do
sucesso do MMC e da necessidade de capacitação contínua desses profissionais, já
que ainda existem alguns tabus a serem quebrados sobre a assistência tradicional,
para que haja uma maior valorização desse tipo de arrimo.
Acredita-se que esta revisão possa contribuir para a compreensão da
importância do MMC, além disso, que através desta, possa contribuir para o êxito de
uma assistência humanizada e de alta qualidade para os recém-nascidos.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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Canguru nos sinais vitais de recém-nascidos pré-termos de baixo peso.
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Influências da implantação do método mãe canguru