yah
IV
ENCONTRO INTEGRADO DE
PSICOLOGIA DA
PUC MINAS SÃO GABRIEL
CADERNO DE RESUMOS:
TERRITÓRIOS URBANOS E PSICOLOGIA EM MOVIMENTO
Belo Horizonte
17 a 21 de setembro de 2012
IX
Jornada de Estágio e Clínica em Psicologia
Colóquio de Psicologia
III
Mostra de Integração Ensino-Serviço do PróSaúde PUC Minas
IV ENCONTRO INTEGRADO DE
PSICOLOGIA
CADERNO DE RESUMOS:
TERRITÓRIOS URBANOS E PSICOLOGIA EM MOVIMENTO
IV ENCONTRO INTEGRADO DE
PSICOLOGIA DA PUC MINAS SÃO GABRIEL:
IX Colóquio de Psicologia
IX Jornada dos Estágios e da Clínica
III Mostra de Integração ensino-serviço do
Pró-Saúde PUC Minas
Belo Horizonte
17 a 21 de setembro de 2012
Realização:
Curso de Psicologia PUC Minas São Gabriel
Pró-Saúde PUC Minas
2
IV ENCONTRO INTEGRADO DE
PSICOLOGIA
PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MINAS GERAIS
Dom Walmor de Oliveira Azevedo
Grão-Chanceler
Prof. Dom Joaquim Giovanni Mol Guimarães
Reitor
Profª Patrícia Bernardes
Vice-reitora
Prof. Miguel Alonso de Gouvêa Valle
Pró-reitor da PUC Minas São Gabriel
Prof. Cláudio Listher Marques Bahia
Diretor de Graduação da PUC Minas São Gabriel
Profª Maria Cristina Martins de Andrade
Diretora da Faculdade de Psicologia
Profª Liza Fensterseifer
Coordenadora do Curso de Psicologia da PUC Minas São Gabriel
Profª Kátia Tomagnini Passaglio
Coordenadora do Pró-Saúde PUC Minas
3
IV ENCONTRO INTEGRADO DE
PSICOLOGIA
Comissão Organizadora e Comissão
Científica
Betânia Diniz Gonçalves
Carlos Eduardo Carrusca Vieira
Letícia Gonçalves
Mara Marçal Sales
Márcia Mansur Saadallah
Mirelle França Michalick Triginelli
Rosiane Reis de Almeida Xavier
Comissão De Apoio
Eduardo Augusto de Souza Sales
Hananda Gabriele Silva
Maressa Heliana de Andrade
Soelaine Cristina C. Carvalho
Martha Beatriz de Andrade Viana
Vivian Patrícia da Silva
Tafate Ebsan Loic
Sara Edith Souza de Assis
Rafaela Cristina Jacoe Pinto
Vanessa Eveline Ferreira
Lana Kellen Pain Cunha
Silvia Maria de Avelar Sousa
Tamiris Juliane da Silva Machado
Jéssica Lima dos Santos
Iracema O. Souza Mantovani
Ingrid Abel dos Santos
Zilmara Moreira de Araújo
Jéssica Camila de O. Gonçalves
Thais Rafael Pinto
Ludimila Cristina Dias de Paula
Jucilene Cristina de Jesus
Leomar Evangelista Duarte
Banca de Concurso de Artigos
Mirelle França Michalick Triginelli
Maria Auxiliadora da Silva
Mara Marçal Sales
Avaliadores Ad Hoc do
Concurso de Artigos
Angela Buciano do Rosário
Junia Lage
Juliana Marcondes Pedrosa de Souza
Helio Cardoso Miranda Junior
Mônica Soares da Fonseca Beato
Angela Siman
Célia Auxiliadora dos Santos Marra
Liza Fensterseifer
Maria Clara Jost de Moraes Vilela
Márcia Mansur Saadallah
Eunides Almeida
Joao Leite Ferreira Neto
Adriane de Freitas Barroso
Alexandre Frank Silva Kaitel
Alexandre Dutra Gomes da Cruz
Ana Senra
Renata Damiano Riguini
Marcia Stengel
Comissão Editorial
Betânia Diniz Gonçalves
Carlos Eduardo Carrusca Vieira
João Henrique de Sousa Santos
Apoio
D.A. Psicologia – Maria de Fátima
Lobo Boschi - PUC Minas São Gabriel
FAPEMIG
PRÓ-SAÚDE
4
FICHA CATALOGRÁFICA
Elaborada pela Biblioteca da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais
E56c
Encontro Integrado de Psicologia da PUC Minas São
Gabriel (4.: 2012. : Belo Horizonte, MG)
Cadernos de resumos: territórios urbanos e psicologia em
movimento / Organização: Betânia Diniz Gonçalves... [et
al.]. Belo Horizonte: PUC Minas, 2012.
89p.
ISBN: 978-85-8239-000-9
IX Colóquio de Psicologia; IX Jornada dos Estágios e
da Clínica; III Mostra de Integração Ensino-Serviço do PróSaúde PUC Minas
1. Psicologia - Congressos. 2. Psicologia clínica. 3.
Psicoterapia. I. Colóquio de Psicologia (9.: 2012.: Belo
Horizonte, MG). II. Jornada dos Estágios da Clínica (9.:
2012.: Belo Horizonte, MG). III. Mostra de Integração
Ensino-Serviço do Pró-Saúde PUC Minas (3.: 2012.: Belo
Horizonte, MG). IV. Gonçalves, Betânia Diniz. V. Pontifícia
Universidade Católica de Minas Gerais. Instituto de
Psicologia. Campus São Gabriel. VI. Título.
CDU: 159.9
IV ENCONTRO INTEGRADO DE
PSICOLOGIA
SUMÁRIO
EDITORIAL ........... 7
PROGRAMAÇÃO ......... 8
RESUMOS ........... 18
MESAS-REDONDAS ..... 19
RODAS DE CONVERSA .. 39
OFICINAS ........... 46
CINEMA COMENTADO ... 49
MINI-CURSOS ........ 50
ARTIGOS PREMIADOS .. 53
6
IV ENCONTRO INTEGRADO DE
PSICOLOGIA
EDITORIAL
Psicologia. Política. Arte. Urbanismo. Música. Cárcere. Poesia. Trânsito.
Morte. Família. Cinema. Ensino. A transversalidade da investigação a partir de um
profícuo diálogo transdisciplinar: a psicologia e outras inquietações e gozos da alma
acadêmica – arte, ciência e política. Assim se apresenta o Caderno de Resumos:
territórios urbanos e psicologia em movimento, registrando as atividades do IV
Encontro Integrado de Psicologia da PUC Minas São Gabriel, uma ação
contemporânea determinada pelo espírito universitário, reafirmando e resgatando a
Universidade na sua tradição institucional clássica. A Universidade, desde sua
origem, se estabeleceu como uma instituição social, portanto uma prática social
reconhecida legitimamente pelas suas atribuições e pela busca e pela conquista da
ideia de autonomia do conhecimento, além de sua invenção, descoberta e
transmissão. Por isso, o Caderno de Resumos ao promover e registrar suas
atividades de forma a articular e integrar o Ensino, Extensão e Pesquisa, reafirma
uma Universidade desejável e inseparável das ideias de formação, reflexão, criação
e crítica, na busca de um mundo mais humanizado e civilizado, com lutas sociais,
políticas e acadêmicas.
O Caderno de Resumos é por excelência o lugar e ação do sujeito acadêmico
- um ser no mundo. E como universitário aprende-se com ele: no mundo do
conhecimento, no mundo das coisas e mundo dos homens. Como acadêmico tem-se
o objetivo precípuo de transformar este mundo, a partir dele, numa sociedade melhor
do que somos. Esse sujeito acadêmico mostra-se categorial no Caderno: corpo
docente e o enfatizado corpo discente, que pela interação democrática dos corpos
estabelecem temas, ambientes e reflexões críticas a partir de realidades observadas
no cotidiano, visando a produção de conhecimento e a excelência da formação
profissional em psicologia.
Assim, a tarefa sociocultural do IV Encontro Integrado de Psicologia,
registrada pelo Caderno de Resumos: territórios urbanos e psicologia, é levar a
Universidade a lugares que ela ainda não esteve, mas deveria. Desta forma, o Curso
de Psicologia da PUC Minas São Gabriel apresenta uma valiosa reflexão crítica
acadêmica contribuindo para o desenvolvimento da sociedade em suas relações
sociais, econômicas, políticas, culturais, ambientais e garantindo a todos o direito a
uma Universidade democrática de qualidade.
Leiam e reflitam - Caderno de Resumos: territórios urbanos e psicologia.
Prof. Dr. Cláudio Listher Marques Bahia
7
IV ENCONTRO INTEGRADO DE
PSICOLOGIA
PROGRAMAÇÃO
17 DE SETEMBRO
HORÁRIO
Mesa de Abertura: IV SCAP “Territórios Rede: as
linhas de força da periferia” e IV Encontro Integrado
de Psicologia “Territórios Urbanos e Psicologia em
Movimento”
Colegiado do curso de Psicologia: Liza
Fensterseifer, Ana Maria Valladao Pires Gama,
Mara Marçal Sales, Maria da Penha Zanotelli
Felippe
08h30min às
9h00min
Mesa de Abertura
Prof. Humberto Verona (CFP)
09h00min às
10h30min
Lançamento de Livro: AlmaCorpoAção
Jardel Sander da Silva
11h00min
Lançamento de Livro: Juventude em Movimento
Luiz Carlos Castello Branco Rena
(Coordenador); Letícia Soares De Sousa,
Rubens Ferreira do Nascimento; Vicente
Almeida (orgs.)
11h00min
Oficina: A psicomotricidade na relação: o brincar em
evidência.
Érica Fróis
17h30min às
18h30min
Filme: Paraísos Artificiais.
Lucia Efigênia G. Nunes e Oscar Cirino
19h00min às
22h30min
Mesa redonda: Mediação de conflitos em distintos
contextos: Diálogos, interfaces e reflexões
Luana Carola dos Santos, Maria Zóe Rios da
Fonseca, Rubens Ferreira do Nascimento,
Cleidison da Silva Santos, Jocelia de Jesus
Santos, Patrícia Regina de Oliveira e Poliana
Santos de Almeida
19h00min às
20h30min
8
IV ENCONTRO INTEGRADO DE
PSICOLOGIA
Roda de conversa: Teoria dos Processos oníricos e Eduardo Augusto de Souza Sales, Tháis Rafael
a clínica psicanalítica: a relevância do método de
Pinto, Thais Talita do Nascimento Maia,
interpretação dos sonhos para a metapsicologia
Luciana Faluba Rodrigues e Cristina Barbosa
freudiana.
de Oliveira
19h00min às
20h30min
Mini-curso: Os medos que interditam as nossas
vidas
Karina de Lima Silva e Mônica Barrouin
19h00min às
22h00min
Oficina de produção de textos
Maria Cristina de Andrade (Tininha)
19h00min às
22h00min
Mesa redonda: Entre laços e desenlaces, mães e
crianças aprisionadas
Ilka Franco Ferrari, Bárbara Morais Fam,
Isabele Fernanda Sartori, Pablo Ferreira
Bastos Ribeiro
19h00min às
20h30min
Mesa redonda: As transversalidades periféricas:
gênese e desdobramentos em Belo Horizonte
Daniel da Silva Guimarães, Fabiano Mendonça
de Oliveira, Hermes C. Rocha Neto e Hernane
Rocha Souto
21h00min às
22h30min
Mesa redonda: O que é ser grupo? Desafios e
possibilidades nas trilhas das extensões
universitárias
Rubens Ferreira do Nascimento, Cléria Rocha,
Daniele Carmona, Gislaine Souza, Bianca
Rocha, Lidiana Silva, Luana Carola dos
Santos, Natalia Colen, Naiara Silva, Daniela
Moreira, Greice Viana, Kenia Rafaela e Jessica
de Souza
21h00min às
22h30min
9
IV ENCONTRO INTEGRADO DE
PSICOLOGIA
18 DE SETEMBRO
HORÁRIO
Roda de conversa: Roda de Poesia
Maria dos Anjos Lara e Lanna, Bruno Almeida
de Vasconcelos e Luiz Carlos Meneses
08h00min às
10h00min
Filme: A pele que habito
João Henrique de Sousa Santos
08h00min às
12h30min
Mesa redonta: O atual cenário das ocupações
urbanas. O que a psicologia tem a ver com isso?
Aline de Souza Rodrigues, Ailana Sabbadini
Miranda, Letícia Dias Pires, Luiza Moraes
Candido, Maria Aparecida de Sousa Pedra,
Priscilla Daniele Figueiredo, Tainara Teixeira
de Freitas, Pedro Rennó Moreira, Túlio Cesar
Dias Lopes e Márcia Mansur Saadallah
08h00min às
10h00min
Mesa redonda: III Mostra de Integração EnsinoServiço do Pró-Saúde PUC Minas - Gestão,
Trabalho e Cuidado: diálogos necessários
Crisane Costa Rossetti, Cássia Beatriz Batista,
Tassia Coelho, Lorena Lopes, Amanda Lima
Cardoso, Elisabeth Pereira, Luzia Luciana R.
Andrade, Patrícia Pinto de Paula
08h50min às
10h30min
Roda de conversa: Psicologia e políticas públicas:
práticas em gestão e cuidado
Mesa redonda: Psicologia e Arte: formas de
expressão de si pelas vias da música, da fotografia
e do graffiti
Márcia Mansur Saadallah, Emanuelle
Rodrigues Diniz, Silvia Maria de Avelar Sousa,
Vanessa Eveline Ferreira, Carlos Eduardo
Carrusca
10h00min às
12h00min
Vilmar Pereira de Oliveira, Aline Monique
Avelar e Ludimila Cristina Dias de Paula
10h00min às
12h00min
Mesa redonda: III Mostra de Integração EnsinoServiço do Pró-Saúde PUC Minas - A articulação
entre serviços especializados e atenção primária na
saúde mental
Kátia Passaglio, Claudia Penido, Izabel Friche
Passos
10h30min às
12h20min
Mini-curso: Moda, psicanálise e feminino
Renata Gatto
18h00min às
22h00min
10
IV ENCONTRO INTEGRADO DE
PSICOLOGIA
Mesa redonda: Alienação Parental: perspectivas de
pais e filhos
Maria Madalena Silva de Assunção, Helio
Cardoso Miranda Júnior, Elaine Antonia dos
Santos, Lorena Jácome Gobet
19h00min às
20h30min
Roda de conversa: A psicologia e as tensas
relações com a transexualidade: acompanhamento,
avaliação psicológica e laudo psicológico.
Naiara Cristiane da Silva, Patrícia Augusto
Silva, Dalcira Ferrão
19h00min às
20h30min
Roda de conversa: O psicólogo no hospital:
desafios de uma prática
Lucia Efigenia Gonçalves Nunes, Andreza
Soares, Eni Pires, Thais Rafael Pinto e
Eduardo Augusto de Souza Sales
19h00min às
20h30min
Oficina: Vivendo e aprendendo a jogar: oficinas de
jogos, brincadeiras e resolução de problemas.
Adriana Monteiro, Fernanda Gabriela Lemos
Ameno Frois, Fernanda Nobre Santos Costa,
Luciana Faluba Rodrigues, Lucilia Anunciação
de Oliveira, Nayara Caroline Araujo Felicio,
Roberta Lorena Pereira dos Santos, Viviane
Horsth de Souza
19h00min às
21h00min
Filme: Match Point: o acaso e a culpa.
Suzana Márcia Dumont Braga, Rosely Gazire
Melgaço, Theresa Cristina Bruzzi Cúry
19h00min às
22h30min
Roda de conversa: Estado da Arte das Monografias
do Curso de Psicologia da PUC Minas - Unidade
Coração Eucarístico
Nayson Vinicius de Almeida Souza, Paula de
Souza Birchal,Bárbara Naves, Mariane
Carvalho, Fernanda Campos Cauzin, Luíza
Horta, Ana Carolina Andrade.
19h00min às
20h30min
Mesa redonda: Mestrado e Doutorado da Psicologia
na PUC Minas.
Márcia Stengel, Camila Grillo, Cristina Marcos,
Elisângela Lins
19h00min às
20h30min
Roda de conversa: currículo e ênfases no curso de
Psicologia da PUC Minas São Gabriel
Mara Marçal
19h00min às
20h30min
Maria Madalena Silva de Assunção, Leia Lucas
da Silva Moreira, Jefferson Silveira Silva,
Juliana Marina da Silva, Kelly Quintas
Rodrigues, Marianne Danielle Policarpo
Moreira, Sandra Maria Batista
21h00min às
22h30min
Mesa redonda: Homossexualidade e
Intersexualidade: sujeitos e alteridades
11
IV ENCONTRO INTEGRADO DE
PSICOLOGIA
Mesa redonda: O curso de Psicologia como campo
de estágio: a troca de experiência entre alunos
Adriana Monteiro e Maria Cristina Martins de
Andrade
21h00min às
22h30min
Mesa redonda: A homofobia e o contexto
universitário
Juliana Rodrigues Gonçalves, Marina Damico,
Poliana Santos Dantas, Cássia Beatriz Batista,
Dalcira Ferrão e Patrícia Augusto Silva
21h00min às
22h30min
19 DE SETEMBRO
HORÁRIO
Conferência: Avaliação Psicológica
Elizabeth do Nascimento
08h00min às
10h00min
Mesa redonha: Sentimento de culpa como operador
social: algumas leituras possíveis
Juliana Marcondes Pedrosa de Souza, Maria
Clara Jost e Maria Luisa de Vilhena Lana
Peixoto
08h00min às
10h00min
Mesa redonda: Pesquisar com Michel Foucault:
experiências modificadoras de si
Fabíola Alves Esteves, Dantielle Feitosa de
Paula Fraga, João Henrique de Sousa Santos
e Mariana Antunes Henriques
08h00min às
10h00min
Mesa redonda: III Mostra de Integração EnsinoServiço do Pró-Saúde PUC Minas – Políticas de
álcool e drogas no SUS – CAPS AD e Consultório
de Rua
Renata Aparecida Cordeiro, Miriam Pacheco e
Isabela Saraiva Queiroz
08h50min às
10h30min
Roda de conversa: O psicólogo no mercado de
trabalho: o início de carreira na área organizacional
e na área da educação
Maria Auxiliadora da Silva, Ana Paula Dias
Macedo e Cristina Espindola Dias
10h00min às
12h00min
Mesa redonda: Mestrado e Doutorado da Psicologia
na PUC Minas.
Márcia Stengel, Camila Grillo, Cristina Marcos,
Elisângela Lins
10h00min às
12h00min
Mesa redonda: III Mostra de Integração EnsinoServiço do Pró-Saúde PUC Minas – Saúde mental
e os dispositivos de cuidado
Flavio Durães, Fabiane Carvalho e Marconi
Martins da Costa Guedes
10h30min às
12h20min
12
IV ENCONTRO INTEGRADO DE
PSICOLOGIA
Oficina de Pintura: Figuras do feminino e suas
representações em manifestações artísticas
Renata Gatto
14h00min às
18h00min
Oficina: III Mostra de Integração Ensino-Serviço do
Pró-Saúde PUC Minas – Grupo de teatro “Arte e
mobilização Social”
Antonio Sena
18h00min às
19h00min
Roda de conversa: Saúde emocional no trânsito
Daine de Almeida Costa, Ester Carolina Ribeiro
Lopes, Jeane Bastos de Oliveira, Márcia
Cristina de Toledo, Miguel Ângelo Santos
Almeida e Mirian Daniela Marques de Carvalho
19h00min às
20h30min
Roda de conversa: Metodologias em cena:
diálogos, desafios e possibilidades
Luana Santos, Bianca Rocha, Gislaine Souza
19h00min às
20h30min
Mesa redonda: III Mostra de Integração EnsinoServiço do Pró-Saúde PUC Minas – Matriciamento
e supervisão clínico-institucional: desafios da
atuação interdisciplinar para a educação
permanente em saúde
Marcelo Arinos, Juliana Gomes Maciel, Natalia
Silva Azevedo e Cássia Beatriz Batista
19h00min às
20h30min
Roda de conversa: O Vinho, o Coração e suas
Circunstâncias.
Celsa Maria Moreira, Mônica Barrouin
19h00min às
21h00min
Oficina: Klínica da Multiplicação Dramática
Cláudio Márcio, Wanderson da Conceição Silva
19h00min às
22h00min
Roda de conversa: Extensão e uso estratégico do
conhecimento: relação entre universidades e
campos em práticas extensionistas
Aline Aguiar Mendes Vilela e Rubens Ferreira
Nascimento
19h00min às
20h30min
Stella Tozo e convidados
20h00min às
22h30min
Mesa redonda: Terapia familiar
13
IV ENCONTRO INTEGRADO DE
PSICOLOGIA
Mini-curso: Introdução à história dos movimentos e
estudos feministas no Brasil e no mundo: em ondas
e movimentos
Naiara Cristiane da Silva, Gislaine Alves
Souza, Leticia Barreto, Leticia Gonçalves
21h00min. às
22h30min
Mesa redonda: Construções conceituais em
Psicanálise: modalidade do ato e suas relações
com a angústia e o objeto a.
Carina Freitas Passos Pescara, Isabela Alves
Caiafa, Cristina Marcos, Renata Craviée
Fonseca Mendonça, Maria Clara Mendonça
21h00min. às
22h30min
20 DE SETEMBRO
HORÁRIO
Bruno Vasconcelos de Almeida, Adriana Maria
Brandão Penzim e Patrícia Ayer de Noronha
08h00min às
10h00min
Cássia Beatriz Batista, Bruna Karolina da Silva,
Cristhian Higor de Paula, Luana Carla de
Souza Debortoli, Nayene Gonçalves Vieira,
Tatiane Pereira Santos, Ailla Pacheco Borges
Mesa redonda: A formação universitária em debate: de Oliveira, Aline Helen Zanon Amorin, Camila
adoção, práticas de Yoga, sistema prisional e aulas
Aparecida Gonçalves, Leandro Glauco Alves
geminadas na graduação.
de Assis, Renato tsuyoshi Nakazima, Cinthia
Lorena Corrêa Domingos Santos, Eloisa Maria
dos Santos, Fabíola Carneiro Munaier, Jéssica
Gabriella de Souza Isabel, Lays Alves Ferreira,
Priscila Suelen Moreira Gonçalves.
08h00min às
10h00min
Mesa redonda: Conversas Esquizoanalíticas
Roda de conversa: Periferias em debate:
conversando sobre pesquisas e trajetórias nas
periferias metropolitanas.
Bruno Marcio de Castro e Marco Antonio Couto
Marinho
Oficina sobre Etnografia
Luana Santos, Letícia Gonçalves
08h00min às
10h00min
Mesa redonda: Autismo
Cyntia Mesquita Beltrão, Camila, Mirelle
Triginelli e Isabela Saraiva
08h50min às
10h30min
08h00min às
10h00min
14
IV ENCONTRO INTEGRADO DE
PSICOLOGIA
Mesa redonda: Família e Contemporaneidade
Mesa redonda: Pesquisa em Educação:
monografias em debate
Camila Grillo e Cristina Bruxel
10h30min às
12h20min
Bruno Marcio de Castro Reis, Bianca Ferreira
Rocha e Karina Pereira dos Santos
10h30min às
12h20min
Mesa redonda: III Mostra de Integração EnsinoHeliana Conceição de Moura, Gislaine Alves de
Serviço do Pró-Saúde PUC Minas – Diálogos sobre
Souza, Mariana Antunes Henriques e Ana
participação em saúde
Carolina Campagnole
10h30min às
12h20min
Oficina para Cuidadores
Rosana Figueiredo Vieira
14h00min às
17h00min
Mesa redonda: III Mostra de Integração EnsinoServiço do Pró-Saúde PUC Minas – Diálogos sobre
saúde da mulher
Letícia Gonçalves, Tathiana Malta e Luciana
Kind
18h00min às
19h30min
Oficinas de idéias para pesquisa / Delimitação de
tema de pesquisa
Carolina Neves, Jaiza Cruz
19h00min às
20h30min
Oficina: Arteterapia
Karina Masci, Alexandre kaitel
19h00min ás
22h00min
Ciclo de Palestras: "Trabalho e Saúde: a
dissolução das fronteiras entre áreas da psicologia
instigada pelas forças das periferias"
Profa. Leny Sato (USP)
19h30min às
21h30min
Resultado do concurso de artigo
Comissão Organizadora SCAP - TEATRO
21h30min às
22h00min
15
IV ENCONTRO INTEGRADO DE
PSICOLOGIA
21 DE SETEMBRO
HORÁRIO
Roda de conversa: Ensino rigoroso X ensino liberal
Leanderson Luiz de Sá, Lucas Almeida,
Mariana Rosa Botão e Fabio Vilarinho
08h00min às
10h00min
Mesa redonda: A política da psicanálise diante de
uma sociedade criminógena
Alexandre Dutra Gomes da Cruz, Adriane de
Freitas Barroso, Renata Damiano Riguini.
08h00min às
10h00min
Mesa redonda: Seminário clínico: a clínica e o real
em uma experiência
Suzana Braga e Yolanda Mourão Meira,
Juliana Greco, Cleide Scarlatelli, Ida Amaral
Brant Machado, Sandra Brum, Sandra Donato
08h30min às
10h30min
Mesa redonda: Mulheres de palavra: mulheres que
escrevem, seus textos e contextos.
Maria Lúcia Afonso, Maria Cristina Martins de
Andrade, Luciana Kind, Isabela Saraiva de
Queiroz
08h30min às
10h00min
Mesa redonda: III Mostra de Integração EnsinoServiço do Pró-Saúde PUC Minas – Terapêutica da
morte e direito de morrer: diálogo sobre o
documentário “Solitário anônimo”
Bruno Torquato, Luciana Kind, Antonio Sena e
Fernanda Duarte Souza Hott
10h30min às
12h00min
Mesa redonda: Oficinas de intervenção
psicossocial: experiências de estágio em Psicologia
nas áreas da educação e assistência social
Carina Freitas Passos Pescara, Camila Silveira
Costa e Natalia Rosa de Almeida
10h30min às
12h20min
Mesa redonda: III Mostra de Integração EnsinoServiço do Pró-Saúde PUC Minas – A pesquisa e a
integração ensino e serviço: relato dos preceptores
das pesquisas do PET Saúde
Alexandre Lana Reis e Valdênia Nepomuceno
14h00min às
17h00min
Mini-curso: Extensão na PUC São Gabriel: saberes
e fazeres
Bianca Ferreira Rocha, Cléria Rocha, Daniele
R. S. Carmona, Gislaine Alves de Souza,
Greice Vianna, Kenia Januário, Lidiana Silva,
Luana Carola dos Santos, Naiara Silva, Natália
Colen, Daniela Moreira, Jessica de Souza e
Rubens Ferreira do Nascimento
14h00min às
18h00min
Mesa redonda: III Mostra de Integração EnsinoServiço do Pró-Saúde PUC Minas - Grupo de
trabalho: planejamento de ações para o LABSC
Antônio Sena, Cássia Beatriz, Flávio Durães
18h00min às
19h00min
16
IV ENCONTRO INTEGRADO DE
PSICOLOGIA
Mesa redonda: Reflexões sobre as interfaces e os
desafios da teoria e da clínica psicanalítica na
contemporaneidade
Jorge Franca de Oliveira, Helio Cardoso de
Miranda Junior e Flavio Durães
19h00min às
20h30min
Roda de conversa: Técnicas de coleta e análise de
dados
Patrícia Moura, Iara Rocha, Natália Azevedo,
Jaiza Cruz
19h00min às
20h30min
Oficina sobre Etnografia
Luana Santos, Letícia Gonçalves
19h00min às
21h00min
Mesa redonda: III Mostra de Integração EnsinoServiço do Pró-Saúde PUC Minas – Mesa de
encerramento. Pró Saúde e PET-Saúde:
transdisciplinaridade na integração ensino-serviço
Arthur Parreiras Gomes, Isabela Saraiva
Queiroz e Kátia Passaglio
19h00min às
20h30min
Mesa redoda: Segurança pública e políticas
urbanas: o que as psicologias têm relação com
essas praticas?
Luana Carola Santos, Patrícia Moura e Iara
Rocha
21h00min às
22h30min
17
IV ENCONTRO INTEGRADO DE
PSICOLOGIA
RESUMOS
1
1
O teor dos resumos é de responsabilidade dos autores.
18
IV ENCONTRO INTEGRADO DE
PSICOLOGIA
MESAS-REDONDAS
A FORMAÇÃO UNIVERSITÁRIA EM DEBATE: ADOÇÃO, PRÁTICAS DE
YOGA, SISTEMA PRISIONAL E AULAS GEMINADAS NA GRADUAÇÃO.
Coordenação: Cássia Beatriz Batista (PUC Minas)
Responsáveis: Cássia Beatriz Batista, Bruna Karolina da Silva, Cristhian Higor de Paula,
Luana Carla de Souza Debortoli, Nayene Gonçalves Vieira, Tatiane Pereira Santos,
ACássia
proposta
da mesa
é promover
um debate
sobre de
temáticas
importantes
paraZanon
a formação
e que
Beatriz
Batista,
Ailla Pacheco
Borges
Oliveira;
Aline Helen
Amorin;
carecem
ser
focadas
e
ampliadas
no
cenário
universitário.
Os
quatro
trabalhos
aqui
Camila Aparecida Gonçalves; Leandro Glauco Alves de Assis; Renato Tsuyoshi
apresentados
foram
desenvolvidos
por
alunos
de
graduação
da
psicologia
durante
o
estágio
Nakazima; Cinthia Lorena Corrêa Domingos Santos; Eloisa Maria dos Santos; Fabíola
supervisionado
de Práticas
O primeiro
trará um
estudoPriscila
da percepção
Carneiro Munaier;
Jéssica Investigativas.
Gabriella de Souza
Isabel; deles
Lays Alves
Ferreira;
Suelende
universitários
sobre
a
adoção
de
crianças
e
adolescentes,
temática
pouco
presente
na
formação
Moreira Gonçalves.
de psicólogos e advogados. O segundo estudo discute a promoção de saúde a partir da prática
do Yoga tendo como referência a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares
(PNPIC) do Sistema Único de Saúde (SUS). Em seguida, teremos uma análise sobre aulas
dobradas/geminadas, trazendo questionamentos sobre as possibilidades e as resistências dessa
estruturação para o ensino na graduação. Por fim, apresentaremos a questão prisional e a
socialização dos presos e dos egressos por meio do trabalho. Com mesmo intuito, outra mesa
será realizada sobre diversidade sexual e homofobia no contexto da universidade. Dessa
forma, os debates destas mesas alcançam a proposta a Semana de Ciência, Arte e Política da
Unidade São Gabriel da PUC Minas expandindo os diálogos, os espaços e os conteúdos da
formação universitária.
PERCEPÇÕES DE UNIVERSITÁRIOS SOBRE O TEMA DA ADOÇÃO DE
CRIANÇAS E ADOLESCENTES NA FORMAÇÃO
Autores: Bruna Karolina da Silva (PUC Minas); Cristhian Higor de Paula (PUC Minas);
Luana Carla de Souza Debortoli (PUC Minas); Nayene Gonçalves Vieira (PUC Minas);
Tatiane Pereira Santos (PUC Minas); Cássia Beatriz Batista (PUC Minas).
Este projeto teve como objetivo investigar a formação de alunos dos cursos de psicologia e
direito da PUC Minas - Unidade São Gabriel em relação à compreensão geral acerca da
temática da adoção de crianças e adolescentes. Em uma revisão de literatura no Scielo
verificou-se que está temática tem pouca publicação, ainda que os profissionais da psicologia,
do serviço social e do direito estejam atuando e produzindo na área. Nas entrevistas
realizadas, procurou-se identificar conteúdos abordados durante a graduação relativos a
adoção e verificar de que forma se dá a preparação desses futuros profissionais. Optou-se por
uma entrevista semi-estruturada constituída por oito questões realizadas com dez
universitários, sendo cinco do curso de direito e cinco do curso de psicologia, ambos nos
últimos semestre da graduação. Algumas disciplinas tangenciam a questão da família e do
desenvolvimento e direitos das crianças e adolescentes. Como esperado, os referidos cursos
não abordam a adoção de crianças e adolescentes de maneira explícita e os estudantes saem da
graduação com poucas informações sobre o assunto, ainda que apresentem um olhar crítico e
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IV ENCONTRO INTEGRADO DE
PSICOLOGIA
científico sobre a questão de forma ampla. Portanto, este trabalho aponta que a formação
universitária agrega conhecimentos que correspondem ao debate sobre a adoção ainda que de
forma dispersa, indireta ou pouco sistematizada, provocando indagações em relação a
formação de psicólogos e advogados curricular para atuarem com a questão. Palavra-Chave:
adoção, crianças e adolescente, formação, direito, psicologia.
A PRÁTICA DO YOGA E A PRODUÇÃO DE SAÚDE INTEGRAL
Autores: Ailla Pacheco Borges de Oliveira (PUC Minas); Aline Helen Zanon Amorin
(PUC Minas); Camila Aparecida Gonçalves (PUC Minas); Leandro Glauco Alves de
Assis; Renato Tsuyoshi Nakazima (PUC Minas); Cássia Beatriz Batista (PUC Minas).
Este projeto de pesquisa visa investigar a funcionalidade do Yoga para o equilíbrio integral de
seus praticantes, apontando seu processo de melhora a partir dessa prática que busca uma
integração entre corpo, mente, energia, emoção e espírito. A importância desse estudo
justifica-se pelo fato do Yoga ser reconhecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS) como
Prática Integrativa e Complementar (PIC) de saúde. Ainda assim, a formação dos
profissionais de saúde, inclusive dos psicólogos, distância e segmenta as práticas do corpo e
da mente, influenciados pela cultura ocidental e do modelo biomédico de saúde. Com enfoque
qualitativo, objetivamos identificar transformações significativas no sujeito praticante do
Yoga através de entrevista semi-estruturada e análise documental com dois praticantes e seus
respectivos profissionais de saúde e professores. Com isso, ao identificar os benefícios do
Yoga para a saúde, esperamos contribuir com o debate sobre as Práticas Integrativas e
Complementares no SUS, ampliar o conhecimento dos psicólogos nesse campo, bem como
problematizar a hegemonia das práticas biomédicas e mecanicistas que limitam a
compreensão do indivíduo em sua totalidade e consequentemente, a formação dos
profissionais da saúde. Palavras chaves: Yoga; Práticas Integrativas e Complementares;
Saúde Integral.
AVALIAÇÃO DE ALUNOS SOBRE O PROCESSO DE APRENDIZAGEM: A
EXPERIÊNCIA COM AULAS GEMINADAS NA DISCIPLINA DE
INTERVENÇÃO PSICOSSOCIAL
Autores: Cássia Beatriz Batista (PUC Minas); Cristhian Higor de Paula Costa (PUC
Minas); Luana Carla de Souza Debortolli (PUC Minas); Nayene Gonçalves Vieira (PUC
Minas); Tatiane Pereira Santos (PUC Minas).
A investigação aqui relatada é sobre o processo de aprendizagem ocorrido na disciplina de
Intervenção Psicossocial do 8º período do curso de psicologia da PUC Minas, Unidade São
Gabriel que foi lecionada através de aulas geminadas durante o 1º semestre de 2011. Por meio
de análise documental, especificamente de relatórios de avaliação individual elaborados pelos
27 alunos que cursaram a disciplina, analisou-se o processo de aprendizagem decorrente da
dinâmica em sala a partir dos métodos de ensino adotados e da relação educativa estabelecida.
Os relatórios foram desenvolvidos a partir de um roteiro previamente fornecido pelo professor
contendo os seguintes itens: proposta de disciplina (textos, conteúdos, formas de avaliação),
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IV ENCONTRO INTEGRADO DE
PSICOLOGIA
funcionamento da aula (didática, carga horária, espaço físico e recursos), implicação e relação
educativa; além de sugestões de aprimoramento para a disciplina. Ainda que a elaboração e
leitura de atas de aula, utilização de filmes, desenvolvimento de resenhas, construção de
projetos de intervenção, análise de resumos científicos, estudo de caso tenham sido métodos
favoráveis para a aprendizagem citados pelos alunos, opiniões diversas foram observadas em
relação ao tempo da aula , ou seja, quatro aulas de 50 minutos seguidas. Mesmo com uma
avaliação positiva do processo de aprendizagem da disciplina com um encontro semanal, de
forma ambígua, verificou-se alguns descontentamentos ou resistências em relação ao modelo
adotado. Mesmo que o objetivo da disciplina tenha sido alcançado de forma satisfatória na
opinião dos alunos, a experiência apresenta questões importantes no debate sobre tempos
escolares, tecnologias e recursos pedagógicos, métodos participativos de ensino e de
avaliação, autonomia e implicação nos processos de aprendizagem, pontos estes fundamentais
para a estruturação das aulas geminadas na graduação. Palavras-chave: tempos escolares,
métodos de ensino, processos de aprendizagem, graduação.
O TRABALHO NO CONTEXTO PRISIONAL
Autores: Cinthia Lorena Corrêa Domingos Santos (PUC Minas); Eloisa Maria dos Santos
(PUC Minas); Fabíola Carneiro Munaier (PUC Minas); Jéssica Gabriella de Souza Isabel
(PUC Minas); Lays Alves Ferreira (PUC Minas); Priscila Suelen Moreira Gonçalves (PUC
Minas); Cássia Beatriz Batista (PUC Minas).
A presente pesquisa, de natureza exploratória, teve como objetivo conhecer o trabalho no
contexto prisional. No discurso de diferentes profissionais, pesquisadores e meios de
comunicação evidencia-se que o trabalho ocupa lugar de destaque como um instrumento
importante de reinserção social, econômica e moral dos condenados. Diante disso, o estudo
investigou alguns atores nesse contexto para verificar os argumentos e as propostas em torno
do trabalho de condenados e de egressos do sistema prisional. Os métodos de coleta utilizados
foram entrevistas semi-estruturadas com um apenado e uma técnica de programa na área,
observação simples dos locais visitados, além de diário de bordo e análise de documento do I
Colóquio Internacional de Psicossociologia do Trabalho. Adotamos a análise de conteúdo,
transformando os dados obtidos em categorias que retratam tanto as concepções de trabalho
para sociedade, quanto para os programas de remissão penal, para os sujeitos apenados e para
estudiosos da área. Observa-se que o trabalho no debate do sistema prisional apresenta
dimensões diversas tanto de inclusão social, de organização do cotidiano, de direitos
humanos, quanto de atitudes de punição, de combate ao ócio, de exploração e de caridade.
Estas compreensões são agravadas por posturas de preconceito e de desconfiança em relação
aos trabalhadores com passagens criminais e também pelo desemprego, pelas condições
precárias de trabalho e pela baixa qualificação profissional. Detectou-se que a importância do
trabalho é reconhecida e considerada pelas fontes pesquisadas, entretanto concepções e ações
ambíguas em relação a este, dificultam a efetivação de programas como a remissão penal pelo
trabalho ou inserção de egressos no mercado formal. Palavra-chave: trabalho, sistema
prisional, reintegração social.
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IV ENCONTRO INTEGRADO DE
PSICOLOGIA
A HOMOFOBIA E O CONTEXTO UNIVERSITÁRIO
Autores: Juliana Rodrigues Gonçalves; Marina Damico; Poliana Santos Dantas; Cássia
Beatriz Batista (PUC Minas); Dalcira Ferrão (Psicóloga); Patrícia Augusto Silva.
O interesse pelo tema da diversidade sexual e da homossexualidade surgiu de um estágio de
pesquisa desenvolvido no 4º período do curso de psicologia que objetivou conhecer o sentido
que os universitários atribuem à homofobia. Para tal, discutimos acerca da
heteronormatividade imperante nas sociedades tradicionais que influenciam as relações e as
posições de sujeitos no mundo. Partimos da noção de homofobia como termo empregado para
identificar o ódio, a aversão ou a discriminação de uma pessoa contra homossexuais, podendo
incluir formas sutis e silenciosas de preconceito contra os mesmos. Os principais autores
utilizados que discutem essa temática foram Mott, Cerqueira e Almeida, todos com pesquisas
no contexto brasileiro. Numa abordagem qualitativa, foram entrevistados 12 alunos dos cursos
de Direito, Comunicação Social, Psicologia e Sistemas de Informação da PUC Minas,
Unidade São Gabriel buscando identificar suas compreensões sobre a homofobia, além de
outras considerações importantes sobre o preconceito e a diversidade sexual. Os resultados
demonstram que ainda que não seja explícito ou escancarado, o preconceito se faz presente.
Revela ainda que o assunto ainda é pouco discutido, indicando que o debate deve ser ampliado
no contexto universitário. Diante desta pesquisa que propomos apresentar, agregaremos ao
debate da mesa, duas outras contribuições importantes para a formação universitária: um
depoimento de vivência da transexualidade de uma universitária e a ação da política social
voltada para esta temática na cidade de Belo Horizonte.
A PESQUISA E A INTEGRAÇÃO ENSINO-SERVIÇO: RELATO DOS
PRECEPTORES DO PET SAÚDE PUC MINAS.
Autores: Alexandre Lana Reis; Valdênia Nepomuceno.
Estimulado pelo Ministério da Saúde e sustentado pela integração ensino-serviço, o Programa
de Educação pelo Trabalho em Saúde (PET- Saúde) proporciona a composição de equipes
interprofissionais com professores, alunos e trabalhadores do serviço de saúde para
desenvolverem pesquisas de interesse local. Os PETs - Saúde da universidade são
coordenados por professores de diversas áreas e abrangem as temáticas da saúde mental,
álcool e droga; obesidade, Idosos e Saúde da Mulher. A experiência dos profissionais do
serviço como preceptores nos grupos tutorias da PUC Minas é foco deste debate que amplia a
produção de conhecimentos e a formação de profissionais da saúde na relação entre escola e
serviço.
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IV ENCONTRO INTEGRADO DE
PSICOLOGIA
A POLÍTICA DA PSICANÁLISE DIANTE DE UMA SOCIEDADE
CRIMINÓGENA
Autores: Alexandre Dutra Gomes da Cruz (FCMMG); Adriane de Freitas Barroso (PUC
Minas); Renata Damiano Riguini (PUC Minas).
A presente proposta de mesa redonda busca debater algumas respostas possíveis vindas do
campo da Psicanálise à violência e à criminalidade que marcam o cenário urbano atual, sem
desconsiderar parcerias, interlocuções e laços com outras práticas e discursos. Sustentar a
responsabilidade do discurso psicanalítico diante das formas do Real em nossa época talvez
seja a forma de sair da perplexidade e da impotência, alçando-nos à dimensão ética e política
da nossa prática. Pretende-se trabalhar, nesse contexto, temáticas como responsabilização, Lei,
sanção penal, assentimento subjetivo, passagem ao ato, sintoma, segregação e ruptura do laço
social. Tem-se, assim, o objetivo de contribuir na construção de formas de pensar e abordar a
violência e a criminalidade de hoje. Se o Direito não é uma ciência exata, uma vez que opera
sobre a particularidade de valores, opiniões e ideais de uma época, a ética da psicanálise
permite abrir, no domínio da aplicação universal das leis, uma brecha que contemple a
singularidade, e é a partir desse ponto que se torna uma leitura pertinente desses fenômenos.
ALIENAÇÃO PARENTAL: VIVÊNCIAS DE PAIS E FILHOS
Autores: Maria Madalena Silva de Assunção (PUC Minas); Helio Cardoso Miranda Júnior
(PUC Minas); Elaine Antonia dos Santos (Psicóloga); Lorena Jácome Gobet (Psicóloga).
Com a lei nº 12.318, de 26 de agosto de 2010, que dispõe sobre a alienação parental, o assunto
tornou-se pauta recorrente na mídia. No entanto, ainda há muitas controvérsias sobre o tema,
em especial a respeito da Síndrome da Alienação Parental (SAP), bem como as discussões que
vêem ocorrendo no meio acadêmico e nos conselhos das categorias profissionais envolvidas
sobre a inclusão do termo SAP no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais –
DSM, com publicação revisada prevista para 2013. O conhecimento sobre a alienação parental
tem se dado em função, principalmente, de denúncias veiculadas pela mídia, cujo
posicionamento nem sempre é imparcial e esclarecedor. Por tratar-se de um campo de grande
implicação da psicologia nos propusemos a discutir tal assunto e os diversos desdobramentos
destes nos processos de divórcio e as possíveis consequências na conjugalidade e
parentalidade. Para tal, foram realizadas pesquisas com o objetivo de compreender o
significado atribuído à alienação parental pelos filhos e pais que a vivenciam ou a
vivenciaram. A partir destes estudos, entendemos ser prematuro afirmar que a alienação
parental vivida, porventura, por um sujeito desencadeará, inevitavelmente, um transtorno
mental.
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IV ENCONTRO INTEGRADO DE
PSICOLOGIA
AS TRANSVERSALIDADES PERIFÉRICAS: GÊNESE E DESDOBRAMENTOS
EM BELO HORIZONTE
Autores: Daniel da Silva Guimarães (PUC Minas) Fabiano Mendonça de Oliveira (PUC
Minas) Hermes C. Rocha Neto (PUC Minas) Hernane Rocha Souto (Programa Fica Vivo!).
Sucintamente a proposta desta mesa é apresentar a periferia de varias perspectivas, buscando
refutar a imagem incipiente de lugar de violências e exclusões, que são constantemente
cristalizadas pela mídia e por diversos outros atores sociais, que alocam a periferia como local
propicio apenas a intervenções “altruístas”. Para tanto, o intuito é o de dividir o debate em
quatro falas diferentes, mas, convergentes, visando abarcar diversas peculiaridades da
periferia da cidade Belo Horizonte. Para tanto cada um dos integrantes irá tratar da temática
que mais lhe apetece e tem a ver com suas praticas profissionais e ou acadêmicas. O formato
pensado a priori seria o seguinte: 1º momento contextualização histórica da formação da
cidade de Belo Horizonte e conseguintemente a formação das “primeiras periferias” da cidade.
2º O fenômeno dos homicídios e das criminalidades violentas nas periferias e as praticas
estigmatizantes, junto às populações. 3º A produção e fruição cultural da periferia, o Funk, o
Rap e o Pagode como produtos culturais e meios de empoderamento da população. 4º
Fechamento. Posto isto, nosso objetivo ao propor tal mesa é o de apresentar um panorama
ampliado da periferia, muitas vezes “romantizada” ou colocada como “reduto de violências”,
e ao propormos tal mesa esperamos ampliar o prisma das representações a cerca das periferias.
Além de problematizarmos questões vistas com certo distanciamento na academia, tais como
sua produção cultural e a ligação compulsória a violência, dentre outras que vem sendo
discutidas e elaboradas. É fato que tal trabalho carece de maior sistematização, mas o envio de
tal proposta tanto quanto “desalinhada” se deve ao prazo de submissão estabelecido, mas
esperamos que demonstrasse o interesse coletivo em propor tal mesa.
AUTISMO
Autores: Cyntia Mesquita Beltrão (Psicóloga); Camila; Mirelle França Michalick Triginelli
(PUC Minas).
Esta mesa tem como objetivo promover a conscientização de profissionais de saúde e
educação acerca do autismo, síndrome que prejudica de forma precoce o desenvolvimento da
criança, comprometendo sua comunicação, socialização e comportamento. O autismo tem
tratamento, mas não tem cura. Atinge cerca de duas crianças para cada mil nascidas, podendo
esse número ser ainda maior. Atualmente a desinformação e o preconceito são as principais
dificuldades que enfrentam autistas e seus familiares em seu processo de inclusão social.
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IV ENCONTRO INTEGRADO DE
PSICOLOGIA
CONSTRUÇÕES CONCEITUAIS EM PSICANÁLISE: MODALIDADES DO ATO
E SUAS RELAÇÕES COM A ANGÚSTIA E O OBJETO A
Autores: Carina Freitas Passos Pescara (PUC Minas); Isabela Alves Caiafa (PUC Minas);
Cristina Marcos (PUC Minas); Renata Craviée Fonseca Mendonça (PUC Minas); Maria
Clara Mendonça (Psicóloga e Especialista em Psicanálise-PUC Minas).
A temática central desta mesa redonda é a relação entre o ato em psicanálise, a angústia e o
objeto a. Os sintomas contemporâneos parecem se sustentar em um rechaço do inconsciente e
resistem a entrar no discurso. A toxicomania, a bulimia, a anorexia, os ataques de pânico vão
na contramão da vertente simbólica do sintoma como mensagem. O sintoma aparece assim
como fixação de gozo, recusa do saber, recusa do inconsciente. As formulações de Lacan
acerca do ato, da passagem ao ato e do acting-out são fundamentais para respondermos a este
“fora de sentido” que surge na clínica. Este trabalho é fruto da pesquisa intitulada “As
manifestações do ato e sua singularidade em suas relações com o feminino”, coordenada pela
Professora Doutora Cristina Marcos, da qual são bolsistas de iniciação científica as co-autoras
do trabalho. Os conceitos trabalhados partem das teorizações freudiana e lacaniana articuladas
às manifestações clínicas contemporâneas.
CONVERSAS ESQUIZOANALÍTICAS
Autores: Adriana Maria Brandão Penzim (PUC Minas); Bruno Vasconcelos de Almeida
(PUC Minas); Patrícia Ayer de Noronho (Instituto Félix Guattari).
„Conversas Esquizoanalíticas‟ têm por objetivo problematizar um conjunto de experiências do
campo clínico-social e do campo estético em torno da esquizoanálise e da filosofia da
diferença. A conversa, neste sentido, é um exercício experimental e aberto àqueles
mobilizados pela esquizoanálise ou à procura de linhas de fuga. Trata-se de uma mesa
descontraída e alegre para „jogar conversa fora‟ em questões como pensamento, clínica, arte,
ciência e vida. Como estratégia de ativação ou elemento díspar, partimos de três linhas de
problemas: o quê a esquizoanálise tem a dizer sobre ciência, arte e política; comunicação
Deleuze Whitehead: conexões para uma prática clínico-social; e ainda, os efeitos e
ressonâncias da presença de Michel Foucault em Belo Horizonte. Do ponto de vista
metodológico, a abrangência e a diversidade da mesa sinalizam outros modos de brincar com
o pensamento. No primeiro trabalho, „Esquizoanálise e Produção Desejante‟, trata-se de andar
às voltas com os conceitos de imanência e multiplicidade dos processos pelos quais toda a
realidade – incluída a realidade subjetiva – se processa como autocriação permanente, o que
implica a ativação de práticas transdisciplinares, orientadas pela ética da alegria. A
„Comunicação Deleuze Whitehead: Conexões para uma Prática Clínico-social‟, tem por
objetivo a exploração de recursos conceituais extraídos dos pensamentos de Gilles Deleuze e
Alfred North Whitehead para um fazer clínico-social e para uma problematização do
contemporâneo, especialmente através da investigação dos conceitos de acontecimento e vida.
O terceiro trabalho, „Ditos e Escritos de uma Visita de Michel Foucault a Belo Horizonte‟,
dedica-se a explorar, mediante a bibliografia existente (especialmente a biográfica), outras
fontes escritas e entrevistas, sob o paradigma da História Oral, realizadas com alguns daqueles
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IV ENCONTRO INTEGRADO DE
PSICOLOGIA
que conviveram com o filósofo durante sua estada em terras mineiras, as circunstâncias da
visita do filósofo a Belo Horizonte, entre 29 e 31 de maio de 1973. Seu principal objetivo é
estabelecer uma audiografia de Foucault entre nós, ou seja, tanto a ordem discursiva a que sua
palavra se viu submetida quanto a desordem que, naquela, eventualmente imprimiu.
DIÁLOGOS SOBRE PARTICIPAÇÃO EM SAÚDE
Autores: Ana Carolina Campagnole; Heliana Conceição de Moura; Gislaine Alves de
Souza; Mariana Antunes Henriques.
A participação da população em processos decisórios de elaboração e execução de políticas
públicas de saúde foi uma das conquistas diferenciais na gestação do Sistema Único de Saúde
(SUS). Legitimada em Conselhos e Conferências de saúde pela Lei 8.142/90, a participação
da comunidade tem se expressado nessas instâncias. Os temas que se colocam em diálogo
versam em torno da participação que se opera em conselhos de saúde. A história de
constituição do Conselho Municipal de Saúde de Belo Horizonte e o cotidiano do exercício
participativo neste e nos Conselhos Distritais de Saúde do município serão colocados em
pauta.
DIÁLOGOS SOBRE SAÚDE DA MULHER
Autores: Letícia Gonçalves; Tathiana Malta; Mônica Felicíssimo.
A área temática do Ministério da Saúde denominada Saúde da Mulher é organizadora de
políticas, serviços e práticas nos diversos níveis de gestão e de assistência à saúde das
mulheres. Experiências de pesquisa, estágio supervisionado e cotidiano dos serviços que se
orientam para mulheres serão colocadas em movimento pelo diálogo que se pretende produzir.
Serão problematizados os aspectos naturalizantes, produtores de assujeitamento das mulheres,
mas também a produção de conhecimentos e práticas que conduzam ao posicionamento
autônomo das mulheres sobre as práticas que incidem sobre seu corpo.
ENTRE LAÇOS E DESENLACES, MÃES E CRIANÇAS APRISIONADAS.
Autores: Ilka Franco Ferrari (PUC Minas); Bárbara Morais Fam (PUC Minas); Isabele
Fernanda Sartori (PUC Minas); Pablo Ferreira Bastos Ribeiro (PUC Minas).
O trabalho desta mesa será o de comunicar e discutir, de forma reflexiva e crítica, uma
pesquisa que se realiza sob a responsabilidade da Profa. Ilka Franco Ferrari, no “Centro de
Referência à Gestante Encarcerada do Sistema Prisional de Minas Gerais”, criado em 2008.
Trata-se de unidade prisional diferenciada, a única da América Latina que abriga gestante a
partir do sétimo mês de gravidez, ou mães com seus bebês até que estes completem um ano de
vida, em instalações sem grades. Será dado especial destaque ao problema investigado à luz
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IV ENCONTRO INTEGRADO DE
PSICOLOGIA
da psicanálise, aos objetivos e à metodologia a utilizada. A pesquisa recebeu financiamento do
CNPq e da FAPEMIG e conta com Marília Novais da Mata Machado, da Universidade
Federal de São João del-Rei, como pesquisadora consultora, com Hebe Tízio Dominguez, da
Universidade de Barcelona, e Henrique Figueiredo Carneiro, Universidade de Fortaleza, como
pesquisadores colaboradores
FAMÍLIA E CONTEMPORANEIDADE
Autores: Camila Grillo; Cristina Bruxel.
A mesa redonda propõe, através da abordagem psicossocial, levantar questões referentes à
família, visto que esta acompanha os processos de transformação da sociedade e se estrutura
de acordo com os valores, costumes e regras vigentes num determinado período. Assim, a
instituição familiar tem seu processo evolutivo e reproduz em seu meio as mudanças que
ocorrem num contexto mais amplo ao qual pertence. Torna-se imprescindível então, verificar
as implicações da contemporaneidade em suas formas de constituição, configuração e no
processo de subjetivação dos indivíduos que a compõem. Com isso, este trabalho visa discutir
questões que envolvem a organização e a formação familiar. O que conduz um sujeito a
estabelecer uma relação estável? Ter ou não filhos? Quais os significados da criança gestada
para os pais? Manter ou não o casamento? Separar? Divorciar? Investir num outro
relacionamento? Recasar? Constituir uma família recasada? Quais as representações e
influências desses processos nos pais e filhos que vivem tais situações? Essas indagações
estão presentes na atualidade e por isto devem ser avaliadas segundo o discurso da
contemporaneidade. Este reflete nas formas de se estabelecer e manter as relações familiares,
além de contribuir para o surgimento de novas formas de subjetividade através de suas
práticas sociais e mentais. É importante refletir sobre essas mudanças, seus impactos sociais e
compreender a estrutura dinâmica da família.
GAYS E INTERSEXUAIS: ENFRENTAMENTOS EM UMA CULTURA
HOMOFÓBICA
Autores: Maria Madalena Silva de Assunção (PUC Minas); Leia Lucas da Silva Moreira
(Psicóloga); Jefferson Silveira Silva (PUC Minas); Juliana Marina da Silva (PUC Minas);
Kelly Quintas Rodrigues (PUC Minas); Marianne Danielle Policarpo Moreira (PUC Minas);
Sandra Maria Batista (PUC Minas).
A visibilidade promovida pela mídia, em especial a televisiva, por intermédio de novelas,
programas de auditório, reality shows, telejornais dentre outros, à homossexualidade, às
relações homoafetivas, à adoção de filhos por casais gays, aos direitos legais de casais
homoafetivos, nos levam a pensar que a homofobia foi erradicada de nossa cultura.
Entretanto, esta mesma mídia exibe as atrocidades que ainda são cometidas contra gays,
lésbicas, transexuais em nosso cotidiano. Considerando esta realidade é que nos propusemos a
discutir sobre os desafios encontrados pelos sujeitos homossexuais no processo de assumir-se
gay. Como assumir-se em uma realidade tão adversa? Como homens homossexuais
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IV ENCONTRO INTEGRADO DE
PSICOLOGIA
vivenciaram este processo? Quais os enfrentamentos tiveram com os grupos de referência,
como família, escola? Como se sentiram e se perceberam como homossexuais em uma cultura
predominantemente heterossexual? Se em relação aos homossexuais a visibilidade ainda não
promoveu a desconstrução de preconceitos, como pensar nos sujeitos intersexuais, que nem
sequer são lembrados? Há, ainda, um desconhecimento abissal sobre tal condição e um
silenciamento que inviabiliza discussões de toda ordem e em todos os meios. A partir destes
questionamentos discutimos, a partir da vivência dos pais, o que significa ter um filho(a)
intersexual e, a partir das experiências de sujeitos homossexuais, como se deu o processo de
assumir-se gay em nossa cultura.
GESTÃO, TRABALHO E CUIDADO: DIÁLOGOS NECESSÁRIOS.
Coordenação: Patrícia Pinto de Paula (PUC Minas).
A mesa se propõe a debater as interfaces entre o trabalho de cuidar, o agir em saúde e o
processo de gestão de unidade de saúde e de equipes. O primeiro trabalho, de Patricia Pinto de
Paula, apresentará resultados de pesquisa sobre as ressonâncias da gestão produtivista advinda
das atuais políticas de saúde da Atenção Primária, na subjetividade e saúde dos profissionais
das equipes de Saúde da Família. O segundo estudo de autoria de Cássia Batista, Tassia
Coelho e Lorena Silva, refere-se ao adoecimento de profissionais de enfermagem na Atenção
Primária em Saúde, pesquisa desenvolvida em uma unidade básica de saúde de Belo
Horizonte por alunos do curso de psicologia durante o Estágio de Práticas Investigativas no
ano de 2011. A terceira apresentação é um relato de práticas de estágio desenvolvido com
trabalhadores das equipes de Saúde da Família em uma Unidade Básica de Saúde do SUS-BH.
As autoras desse trabalho são alunas do curso de psicologia, Amanda Cardoso, Elisabeth
Pereira, Luzia Andrade e Patrícia Pinto de Paula. Crisane Rossetti é técnica da Prefeitura de
Belo Horizonte e desenvolve acolhimento ao trabalhador da saúde. Sua apresentação
dissertará sobre o setor da Gestão do Trabalho da Secretaria Municipal de Saúde e as
intervenções que os técnicos desenvolvem junto aos trabalhadores de saúde. Palavras- chave:
psicologia do trabalho, trabalho na saúde, saúde do trabalhador, atenção primária à saúde,
equipe de saúde da família.
RELATO DE EXPERIÊNCIA EM ESTÁGIO COM TRABALHADORES DA EQUIPE DE
SAÚDE DA FAMÍLIA DE UNIDADE BÁSICA DE SAÚDE
Autores: Amanda Lima Cardoso (PUC Minas); Elisabeth Pereira (PUC Minas); Luzia Luciana R.
Andrade (PUC Minas); Patrícia Pinto de Paula (PUC Minas).
Este relato busca mostrar os atravessamentos e desafios vivenciados na prática de Estágio de
Políticas Públicas em Saúde com profissionais de uma Unidade Básica de Saúde. O objetivo
principal deste projeto é a compreensão do trabalho da equipe de Saúde da Família e posterior
proposição de melhorias em sua gestão de trabalho, considerando os fatores participantes do
processo saúde-doença. Diante das resistências dos profissionais de saúde frente à proposição
de um espaço de reflexão do trabalho e relações com saúde, encontramos dificuldades para
iniciarmos o estágio. Fizemos uma mudança da estratégia adotada para atender a demanda
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IV ENCONTRO INTEGRADO DE
PSICOLOGIA
daquela equipe. A participação semanal nas reuniões de equipe e o acompanhamento das
Agentes Comunitárias de Saúde (ACS) nas visitas domiciliares, potencializou a inserção dos
alunos de Psicologia. Vivenciamos atravessamentos institucionais, questões de poder e outras
interferências partícipes da complexa atuação do trabalhador de saúde. Aspectos como o
sentimento de desvalorização por parte das ACS, os desgastes físico e emocional dos demais
profissionais da equipe, a sobrecarga de trabalho e os conflitos na gestão da equipe foram
observados durante a prática no campo. O desafio atual trata da discussão desses resultados,
tendo em vista a construção de vínculos dos trabalhadores com o projeto. Palavras- chave:
psicologia do trabalho, gestão e trabalho em saúde, saúde do trabalhador.
ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE E ADOECIMENTO DOS PROFISSIONAIS DE
ENFERMAGEM
Autores: Tassia dos Santos Coelho (PUC Minas); Lorena Lopes da Silva (PUC Minas); Cássia
Beatriz Batista(PUC Minas).
Esta pesquisa visou investigar o adoecimento dos profissionais de enfermagem na Atenção
Primária à Saúde (APS). O estudo se fundamentou na psicologia do trabalho, principalmente
na literatura sobre o nexo causal entre saúde mental e trabalho (Antunes, 2003). A
organização do trabalho, seus processos e condições, no contexto da saúde são aspectos
preocupantes para a saúde do trabalhador. O processo de adoecimento dos profissionais de
saúde, uma vez que estes estão submetidos a desgastes físicos e mentais decorrentes de sua
prática de trabalho, é tema relevante de estudo. Por sua vez, há uma escassez de produção
científica sobre o assunto voltado para a atenção primária. A pesquisa qualitativa realizada em
uma UBS da regional Nordeste de Belo Horizonte envolveu entrevistas com trabalhadores da
enfermagem e análise de documentos das pastas funcionais. Os resultados demonstraram
licenças, faltas no trabalho e tratamentos de trabalhadoras com doenças com correlação ao
próprio trabalho. Os descontentamentos destas se dão mais pelas condições de trabalho,
todavia elas sentem-se satisfeitas com o trabalho realizado em função da atuação em equipe e
da prestação de serviço reconhecida pelos usuários. Palavras-chave: psicologia do trabalho,
trabalho na saúde, saúde do trabalhador, atenção primária à saúde.
MATRICIAMENTO E SUPERVISÃO CLÍNICO-INSTITUCIONAL: DESAFIOS
DA ATUAÇÃO INTERDISCIPLINAR PARA A EDUCAÇÃO PERMANENTE EM
SAÚDE.
Autores: Cássia Beatriz Batista; Juliana Gomes Maciel; Marcelo Arinos; Natália Azevedo.
Buscando fortalecer o modelo preconizado pelo Sistema Único de Saúde e as redes de
atençãoà saúde, algumas metodologias de educação permanente vêm sendo desenvolvidas e
adotadas, a saber: matriciamento, apoiadores, supervisão clínico-institucional, grupos tutoriais
etc. Nesse sentido, retrataremos aqui especificamente duas propostas incentivadas pelo
Ministério da Saúde: o Núcleo de Apoio a Saúde da Família (NASF) na cidade de Belo
Horizonte e o Curso de Formação para Supervisão Clínico-institucional oferecido pela Escola
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IV ENCONTRO INTEGRADO DE
PSICOLOGIA
de Supervisores do Estado de Minas Gerais. As iniciativas se voltam para a formação de
profissionais no serviço de saúde por meio de apoiadores de equipes, de serviços e de redes de
saúde. Mesmo que o foco destes dispositivos seja diferente, o primeiro na atenção primária à
saúde e o outro na rede de Atenção em Saúde Mental, Álcool e outras Drogas, ambos
encontram o desafio da atuação interdisciplinar, tema desse debate.
MEDIAÇÃO DE CONFLITOS EM DISTINTOS CONTEXTOS: DIÁLOGOS,
INTERFACES E REFLEXÕES
Autores: Luana Carola dos Santos (UFMG); Maria Zóe Rios da Fonseca (PUC Minas);
Rubens Ferreira do Nascimento (PUC Minas); Cleidison da Silva Santos (PUC Minas);
Jocelia de Jesus Santos (PUC Minas); Patrícia Regina de Oliveira (PUC Minas); Poliana
Santos de Almeida (PUC Minas).
A presente mesa tem como objetivo apresentar e refletir sobre dois contextos de trabalho com
o método da mediação de conflitos. O primeiro cenário, diz respeito ao emprego da mediação
de conflitos, por via da interdisciplinaridade (alunos do Direito e da Psicologia) no Serviço de
Atendimentos Jurídico (SAJ) da PUC Minas São Gabriel. O segundo cenário é composto por
alunos que estudaram e realizaram também no contexto de um Estágio Supervisionado na
PUC Minas São Gabriel, atividades de estudo e observação participante com o tema da
mediação em Centros de Prevenção à Criminalidade (CPC) do Programa Mediação de
Conflitos da Secretaria de Estado de Defesa Social (SEDS). Entendemos a mediação de
conflitos, como um método extrajudicial e não adversarial que possibilita, por via do diálogo e
da reflexão, que os envolvidos em situações conflituosas possam gerir e pensar soluções para
seus conflitos. A mediação pode estar associada também à promoção de espaços de acesso a
direitos, justiça social, responsabilização e trabalho comunitário. Nesse sentido, a mediação
pode se apresentar como uma importante prática de resolução pacífica de conflitos em âmbitos
diversos. Abordando a temática nos dois contextos apresentados acima a mesa contemplará as
interfaces, desafios e proximidades dos trabalhos.
MESTRADO E DOUTORADO EM PSICOLOGIA NA PUC MINAS
Autores: Márcia Stengel (PUC Minas); Camila Grillo (PUC Minas); Cristina Moreira
Marcos (PUC Minas); Elisângela Lins (PUC Minas).
Temática da mesa-redonda: Apresentação do Programa de Pós-graduação em Psicologia da
PUC Minas Justificativa: Atualmente há interesse e importância na realização de uma pósgraduação stricto sensu. Entretanto, nem sempre os alunos têm conhecimento efetivo do que
vem a ser esta formação e nem o que é necessário para realizá-la. Esta mesa intenciona sanar
estas questões, assim como poder apresentar, especificamente, o Programa de Pós-graduação
em Psicologia da PUC Minas. Observamos que, apesar de os alunos cursarem a graduação na
PUC Minas, têm poucas informações sobre o Programa desta Universidade. Objetivos:
Esclarecer o que é uma pós-graduação stricto sensu; Proporcionar informações sobre o
30
IV ENCONTRO INTEGRADO DE
PSICOLOGIA
Programa de Pós-graduação em Psicologia da PUC Minas; Informar os passos necessários
para entrada na pós-graduação stricto sensu.
O ATUAL CENÁRIO DAS OCUPAÇÕES URBANAS. O QUE A PSICOLOGIA
TEM A VER COM ISSO?
Autores: Márcia Mansur Saadallah (PUC Minas); Aline de Souza Rodrigues; Ailana
Sabbadini Miranda; Letícia Dias Pires; Luiza Moraes Cândido; Maria Aparecida de Sousa
Pedra; Priscilla Daniele Figueiredo, Tainara Teixeira de Freitas.
A presente mesa redonda tem como objetivo discutir sobre o atual cenário das ocupações
urbanas no nosso país e lançar reflexões sobre a forma como a psicologia tem lidado com essa
temática. Para tanto utilizaremos como exemplo o recente caso de “Pinheirinho”, uma ação
violenta de reintegração de posse executada pela Polícia Militar do Estado de São Paulo
juntamente com a Prefeitura de São José dos Campos contra a Comunidade de Pinheirinho.
Também abordaremos na mesa redonda as ocupações ocorridas em Belo Horizonte: ocupação
Dandara e ocupação Eliana Silva que, igualmente como Pinheirinho, foram alvos de ações
violentas. Neste sentido, discutiremos tais acontecimentos à luz da psicologia com o intuito de
auxiliar a compreender esses processos complexos, bem como proporcionar ferramentas para
tentarmos nos inserir nas lutas sociais e contribuir para a transformação dessa realidade.
Nosso objetivo num primeiro momento é de sensibilizar, numa tentativa de promoção de
mudanças. Esta roda de conversa vem trazer esta problemática para ser refletida e discutida
pela Psicologia. Acreditamos que discussões como esta podem servir como um motor
propulsor para a promoção da mudança social, como também como sensibilização e
engajamentos do(a)s psicólogo(a)s neste contexto.
O QUE É SER GRUPO? DESAFIOS E POSSIBILIDADES NAS TRILHAS DA
EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA
Autores: Grupo PEPA (Prosa e Pesquisa-Ação) - Rubens Ferreira do Nascimento; Cléria
Rocha; Daniele Carmona; Gislaine Souza; Bianca Ferreira Rocha; Lidiana Silva; Luana
Carola; Natalia Colen; Naiara Silva; Daniela Moreira; Greice Viana; Kênia Rafaela;
Jéssica de Souza.
O presente trabalho tem como objetivo apreentar o grupo PEPA (Prosas e Pesquisa-ação), que
atualmente é constituído por onze integrantes, sendo cinco estudantes do curso de Psicologia
da PUC Minas São Gabriel, cinco ex-alunas (todas psicólogas, e duas mestrandas em
Psicologia Social) e um Professor do curso de Psicologia. O objetivo do grupo é fortalecer as
ações com a comunidade ao entorno da PUC São Gabriel, estabelecer parcerias com outras
redes comunitárias, como por exemplo, o Projeto de extensão “Conversa-ação comunitária”,
com a própria universidade, dentre outras atividades. Sabemos que um grupo é um conjunto
de pessoas unidas entre si porque se colocam objetivos e ideais em comum, e se reconhecem e
se relacionam orientadas por esses objetivo-ideais, nesse sentido são constantes no PEPA
reflexões teórico-práticas sobre questões como: O que constitui um grupo? O que é ser
31
IV ENCONTRO INTEGRADO DE
PSICOLOGIA
grupo? Concordamos que para um grupo se constituir são necessárias relações face a face e
tarefas comuns, nesse movimento dialético os membros do grupo se reconhecem entre si. O
PEPA nas suas últimas reuniões de trabalho tem exercitado a análise da implicação quanto aos
processos que envolvem o grupo. Sendo assim, a mesa abordará por meio de algumas lentes
analíticas (Pichon-Riviére, Paulo Freire, Enriquez, Lewin, Bion, Freud, dentre outros) leituras
sobre processos e vivências grupais.
OFICINAS DE INTERVENÇÃO PSICOSSOCIAL: EXPERIÊNCIAS DE
ESTÁGIO EM PSICOLOGIA NAS ÁREAS DA EDUCAÇÃO E ASSISTÊNCIA
SOCIAL.
Autores: Carina Freitas Passos Pescara (PUC Minas); Camila Silveira Costa (PUC
Mians); Natália Rosa de Almeida (PUC Minas).
Este trabalho tem como objetivo apresentar artigo fruto de duas experiências de estágio em
que foram utilizadas oficinas de intervenção psicossocial, em campos diferentes. O trabalho
contempla a apresentação do que é, finalidade e a quem se destina, partindo da metodologia
proposta por Lúcia Afonso. Segundo Afonso (2010), o termo oficina pode ser definido como
“um trabalho estruturado com grupos, independentemente do número de encontros, sendo
focalizado em torno de uma questão central que o grupo se propõe a elaborar, em um contexto
social.” (AFONSO, 2010,p.9). Para tanto, o objetivo do estágio foi, além da condução e
participação ativa das oficinas, uma em educação e outra na assistência social, ofertar às
estagiárias vivenciarem todo o processo, desde a construção das propostas até a avaliação final
da instituição concedente, possibilitando uma reflexão sobre como construir, porque construir,
como conduzir e como avaliar. A experiência das oficinas não se restringia a uma reflexão
racional, a um caráter somente pedagógico, visando trabalhar com as vivências e aspectos
afetivos do grupo, tarefa muitas vezes permeada por atravessamentos. Objetiva-se com a
mesa, explanar sobre como as oficinas de intervenção psicossociais podem possibilitar
mudanças sociais, apresentando as duas experiências de estágio.
PESQUISA EM EDUCAÇÃO: MONOGRAFIAS EM DEBATE
Autores: Bruno Márcio de Castro Reis (PUC Minas); Bianca Ferreira Rocha (UFMG);
Karina Pereira dos Santos (Psicóloga).
Propõe-se para esta mesa a apresentação e o debate de três monografias concluídas na área da
educação por alunos do curso de Psicologia da PUC Minas – Unidade São Gabriel. Trata-se
de um campo em comum – a educação –, sob abordagens e propostas distintas, porém não
antagônicas e nem excludentes entre si. Dessa maneira, tendo por base os trabalhos
“Juventudes e Escolas: o vestibular e a construção de projetos de vida” (REIS, 2011), “ProUni
e Estilos de Vida: um estudo com bolsista na PUC Minas, à luz de Pierre Bourdieu”
(SANTOS, 2011) e “Arquitetura Escolar e Aprendizagem: a dimensão pedagógica dos
espaços escolares destinados à educação infantil” (ROCHA, 2011), espera-se promover
diálogos e novas construções a partir de estudos do corpo discente da unidade São Gabriel,
32
IV ENCONTRO INTEGRADO DE
PSICOLOGIA
estimulando e favorecendo uma cultura de apresentação e debate dos trabalhos de conclusão
de curso após sua avaliação final. Além disso, pretende-se discutir a escolha, construção e o
percurso metodológico realizado em cada trabalho. Acredita-se que a diversidade contemplada
pelas pesquisas, no que tange às abordagens teóricas e metodológicas, pode contribuir com
alunos da graduação que se encontram no período de produção de suas monografias, como
também com os demais interessados no campo da educação.
PESQUISAR COM MICHEL FOUCALT: EXPERIÊNCIAS MODIFICADORAS
DE SI
Autores: Fabíola Alves Esteves (PUC Minas); Dantielle Feitosa de Paula Fraga (PUC
Minas); João Henrique de Sousa Santos (PUC Minas); Mariana Antunes Henriques (PUC
Minas).
A temática central desta mesa-redonda consiste em apresentar diferentes experiências de
trabalhos - monografias, práticas de pesquisa, que se pautaram no pensamento de Michel
Foucault. Como condição de criação, o pensamento desse autor é procedido por muitas
tensões, rupturas e movimentos. Foi resgatando o estudo de práticas historicamente
constituídas, retomando o pensamento filosófico greco-romano, sempre numa tentativa de
compreender o homem situado em determinado tempo e espaço, que Foucault pode alcançar o
estudo dos modos de subjetivação. As formas de constituição do sujeito, como ele próprio
declara, foi um tema central de toda a obra do filósofo. Porém, Foucault é um pensador da
atualidade, um historiador do presente. Sua linha de pensamento permite analisar as práticas
ao longo da história que resultou no sujeito que hoje se conhece. Portanto, ao nos deter no
campo da pesquisa, saúde, sexualidade e prisões, nada mais válido do que utilizar um
pensador que se interessa pelos modos de existência, as possibilidades de vida e os processos
de subjetivação que compõe o presente.
POLÍTICAS DE ÁLCOOL E DROGAS NO SUS – CAPS AD E CONSULTÓRIO
DE RUA
Autores: Isabela Saraiva de Queiroz; Renata Aparecida Cordeiro; Míriam Pacheco
Tendo em vista o cenário atual do consumo prejudicial de substâncias psicoativas e as
conseqüências sanitárias e sociais para os usuários e a comunidade, discutiremos as estratégias
e intervenções com vistas à promoção da saúde, tratamento e redução de danos sociais e à
saúde propostas no âmbito do SUS. Serão apresentadas as propostas do CAPS AD, dispositivo
aberto, que oferece atendimento diário aos usuários a partir de um projeto terapêutico
individualizado; e do Consultório de Rua, dispositivo que busca reduzir a lacuna assistencial
histórica das políticas de saúde voltadas para o consumo prejudicial de álcool e outras drogas
por pessoas em situação de rua, por meio da oferta de ações de promoção, prevenção e
cuidados primários no espaço da rua.
33
IV ENCONTRO INTEGRADO DE
PSICOLOGIA
PRÓ-SAÚDE E PET-SAÚDE: TRANSDISCIPLINARIDADE NA INTEGRAÇÃO
ENSINO-SERVIÇO
Autores: Isabela Saraiva de Queiroz, Arthur Parreiras Gomes, Kátia Passaglio.
Realizar um trabalho transdisciplinar, nos faz deparar com inúmeros desafios e possibilidades.
Se sustentarmos nossos serviços na proposta apresentada pelo Pró-Saúde e pelo PET-Saúde,
não teremos outro caminho senão a transdisciplinaridade, por sermos convocados a orientar
nossas ações na construção de uma rede. Pensar a saúde pública como um sistema de níveis,
objetivos e coordenações múltiplas e com finalidades comuns é ir além do que é composto por
muitos, mas sem interação, ou quando interagindo não produzindo, efetivamente, um produto
comum. A assistência à saúde, enquanto uma rede, é construída por inúmeras linhas, pontos,
nós e espaços vazios. As linhas propiciadoras dos pontos necessários para a tessitura da nossa
prática podem ser duras ou flexíveis. As linhas duras são fundamentais enquanto resistência
para que as linhas flexíveis possam agir. Falar, pois, de desafios, é reconhecer as nossas linhas
duras, para frente a elas, deixarmos algo vazar, escapar e produzirmos saídas, enquanto
possibilidades. Uma das linhas duras presente no nosso cotidiano é o impacto entre o público
e o privado. Possibilitar o diálogo entre uma organização privada, no caso a PUC Minas, com
uma organização pública, Secretaria Municipal da Saúde de Belo Horizonte, não é tarefa fácil
por estes espaços, historicamente e epistemologicamente, seguirem orientações distintas.
Talvez, este diálogo torna-se possível se reconhecermos que o público e o privado não estão
apenas fora de nós, mas, antes de tudo dentro de nós mesmos. No contexto do público e do
privado, também nos deparamos com o saber e o poder. Se não reconhecermos os limites dos
nossos campos de conhecimento, tomando o que sabemos enquanto verdades, o máximo que
conseguimos é realizar uma prática disciplinadora e segregadora que, em nome da saúde,
incentiva, assegura e implanta mecanismos de controle. Um trabalho em equipe não se
sustenta por desigualdades, tampouco, consegue acontecer aprisionado na igualdade. São as
semelhanças que permitem a conexão de uma ideia à outra, nos possibilitando o sentimento de
pertencermos a um grupo. Contudo, é a diferença que, pelo afastamento entre linhas, constrói
os intervalos que fazem da rede prática e também discurso. Desta forma, no movimento do
devir, uma significação transforma-se em outra e as linhas duras são essenciais ao trabalho das
linhas flexíveis na produção de híbridos. Devemos ser híbridos, nos quais se misturam, em
cada um de nós, sujeito, objeto, natureza, sociedade, ciência, política, público e privado. Na
sociedade capitalista, os híbridos são desconsiderados em sua constituição mista e reduzidos a
formas puras, classificatórias e excludentes: ou sujeito ou objeto; ou natureza ou cultura; ou
ciência ou política; ou público ou privado. Desta forma cada profissional se identifica por se
excluir de outros campos de saber: ou fonoaudiologia ou fisioterapia ou odontologia ou
enfermagem ou psicologia. Se entendermos que na língua portuguesa, ou pode significar
exclusão, mas, também inclusão, ou, na condição de e, inclui num só espaço vários parceiros.
Assim teremos: e sujeito e objeto; e natureza e cultura; e ciência e política; e público e
privado; e fonoaudiologia e fisioterapia e odontologia e enfermagem e psicologia. Diante do
confronto que angustia, no campo da ética profissional, temos duas possíveis posições: do
traidor experimentador e a do trapaceiro. Na condição de produtor de intervalos propiciadores
da emergência do diferente, seremos experimentadores que, enquanto traidores das verdades
universais, não conformamos com os modelos que nos são apresentados e construímos
ferramentas para enfrentar os desafios apresentados no cotidiano de nossa prática profissional
e para produzir conhecimento. Assim, a cartografia apresenta-se como possibilidade de
34
IV ENCONTRO INTEGRADO DE
PSICOLOGIA
transdisciplinaridade no campo da saúde pública e da pesquisa. Já o trapaceiro, por não
suportar a angústia resultante dos desafios, constrói armas para evitar a resistência e tentar
destruir o confronto, mantendo a totalidade do instituído como verdade. É preciso trair para
produzir diferenças e intensidades, e não trapacear, pois, este último não denota devir. Restanos, pois, fazer nossas escolhas: ser trapaceiro ou experimentador traidor? Tendo em vista o
cenário atual do consumo prejudicial de substâncias psicoativas e as consequências sanitárias
e sociais para os usuários e a comunidade, discutiremos as estratégias e intervenções com
vistas à promoção da saúde, tratamento e redução de danos sociais e à saúde propostas no
âmbito do SUS. Serão apresentadas as propostas do CAPS AD, dispositivo aberto, que oferece
atendimento diário aos usuários a partir de um projeto terapêutico individualizado; e do
Consultório de Rua, dispositivo que busca reduzir a lacuna assistencial histórica das políticas
de saúde voltadas para o consumo prejudicial de álcool e outras drogas por pessoas em
situação de rua, por meio da oferta de ações de promoção, prevenção e cuidados primários no
espaço da rua.
PSICOLOGIA E ARTE: FORMAS DE EXPRESSÃO DE SI PELAS VIAS DA
MÚSICA, DA FOTOGRAFIA E DO GRAFFITI.
Autores: Vilmar Pereira de Oliveira (PUC Minas); Aline Monique Avelar (PUC Minas);
Ludimila Cristina Dias de Paula (PUC Minas).
A temática central desta mesa propõe, através do relato dos trabalhos de conclusão de curso
dos referidos debatedores, discutir sobre as contribuições e implicações da Arte no campo da
Psicologia, visto que, esta pode ser dada como uma importante aliada e/ou interlocutora para a
reflexão acerca de conceitos e práticas oriundas das mais diversas vertentes teóricas. Sob a luz
da teoria sócio-histórica de Vygotsky, a doutora em Psicologia Social, Maheirie (2003), nos
diz que a Arte é um fenômeno humano, derivada da relação do homem com o seu contexto
físico, social, político e cultural, podendo ser vista como mediação para compreender a vida
em diversos âmbitos. Com esse pressuposto, entendemos que a Psicologia não poderia
desperdiçar isso, e, assim, identificamos a Música, a Fotografia e o Graffiti, dentre outras
manifestações artísticas, como formas de se aproximar do sujeito e como componentes para
pensarmos e problematizamos como ele cria a si mesmo e os diversos modos de se colocar no
mundo, evidenciando a sua subjetividade/identidades e a procura por autonomia.
REFLEXÕES SOBRE AS INTERFACES E OS DESAFIOS DA TEORIA E DA
CLÍNICA PSICANALÍTICA NA CONTEMPORANEIDADE
Autores: Jorge Franca de Oliveira (PUC Minas); Hélio Cardoso de Miranda Junior (PUC
Minas); Flávio Durães (PUC Minas).
A mesa tem como objetivo formalizar discussões que têm sido apresentadas no Curso de pósgraduação: A Clínica Psicanalítica na Atualidade – contribuições de Freud e Lacan (PUC
Minas) ampliando o diálogo com a graduação e a comunidade universitária. O primeiro
trabalho, intitulado Questão da linguagem: do biológico ao simbólico, de autoria do Prof.
35
IV ENCONTRO INTEGRADO DE
PSICOLOGIA
Jorge Franca de Oliveira, aborda a relação entre a psicanálise e a linguagem. O enfoque do
trabalho é sobre a questão da topologia do sujeito e a transferência de sentido na enunciação.
Nessa dimensão, busca-se entender como se dá o trabalho clínico de significação da
linguagem transferencial do analisando e quais os efeitos dela decorrentes sobre sua posição
subjetiva. O segundo trabalho, intitulado Diagnóstico e classificação: o retorno a um dos
discursos do mestre no século XIX, de autoria do Prof. Hélio Cardoso de Miranda, desenvolve
uma discussão sobre a retomada, através do DSM, do furor classificatório do século XIX, o
discurso social atual que procura classificar comportamentos, atitudes, valores e outros
itens criando padrões que balizam a comparação entre instituições e indivíduos. O terceiro
trabalho, intitulado Há lugar para o discurso do analista na universidade?, de autoria do Prof.
Flávio Durães, discute como a experiência do inconsciente nos permite situar as relações entre
o discurso capitalista, o discurso do analista e o discurso universitário.
SAÚDE MENTAL E OS DISPOSITIVOS DE CUIDADO
Autores: Flávio Durães (PUC Minas); Marconi Martins da Costa Guedes; Fabiane
Carvalho.
A mesa apresenta duas experiências de estágios no campo da saúde mental do Curso de
Psicologia São Gabriel. A primeira relata o estágio no Centro de Saúde Lajedo onde se discute
a articulação entre saúde mental e atenção primária. A segunda experiência relata a criação do
Espaço Terapêutico Multiprofissional do Instituto Raul Soares/FHEMIG. Este espaço nasceu
da necessidade de proporcionar aos pacientes internos um lugar de acolhimento, convivência e
socialização, onde pudessem passar parte do seu dia em atividades terapêuticas, socializantes
e ocupacionais, ao longo de toda sua permanência na instituição. Outro objetivo do Espaço
Terapêutico foi de se constituir enquanto espaço de ensino, a partir de diferentes práticas de
estágios curriculares existentes na instituição, garantindo o desenvolvimento da formação em
saúde mental na perspectiva da atenção psicossocial e da promoção de cidadania.
SEGURANÇA PÚBLICA E POLÍTICAS URBANAS: O QUE AS PSICOLOGIAS
TÊM RELAÇÃO COM ESSAS PRÁTICAS?
Autores: Luana Carola (UFMG); Patrícia Moura (UFMG); Iara Rocha (Mestre em
Psicossociologia de Comunidades e Ecologia Social).
A presente proposta busca debater a interface entre as políticas públicas de segurança e de
urbanização de vilas e favelas no contexto de Belo Horizonte e do Rio de Janeiro. No campo
da Segurança Pública, procuramos problematizar algumas concepções chave que permeiam os
embasamentos teóricos de elaboração/implementação dessa política, como por exemplo,
violência e pobreza. Problematizaremos também as especificidades de algumas práticas
contemporâneas que articulam vigilância e controle para a produção de tecidos sociais e
urbanos percebidos como seguros. Nesse sentido uma das perguntas que orientará nosso
debate é: Segurança Pública para quem? Já a política urbana, mais especificamente,
urbanização de vilas e favelas em Belo Horizonte tem entre os seus pressupostos intervenções
36
IV ENCONTRO INTEGRADO DE
PSICOLOGIA
estruturantes como abertura de vias, construção de sistemas de drenagem e esgotamento
sanitário, produção de moradias, que tem como objetivo a inserção da favela na “cidade
formal” por meio de padrões arquitetônicos, modos de vida, legalidade fundiária, dentre
outros. Na interface entre esses dois campos de política, observamos o atravessamento de uma
série de questões que reforçam determinadas relações de poder e manutenção/reprodução de
preconceitos e hierarquias na cidade. Podemos dizer assim, que certos desenhos dos cenários
políticos produzem efeitos não apenas no cenário urbano, mas também nos modos de
sociabilidade e subjetividade que emergem na cena e discurso social. Sendo assim, o debate
sobre os temas se torna, especialmente relevante para os diversos campos das psicologias que
se aproxima cada vez mais das práticas relacionadas à segurança pública e às políticas
urbanas.
SEMINÁRIO CLÍNICO: A CLÍNICA E O REAL EM UMA EXPERIÊNCIA
Autores: Yolanda Mourão Meira (iepsi); Juliana Greco (iepsi); Cleide Scarlatelli (iepsi);
Ida Amaral Brant Machado (iepsi); Sandra Brum (iepsi).
A proposta é partirmos da importância do caso clínico na transmissão da psicanálise. Freud
sempre buscou fundamentar seus achados com os casos clínicos fazendo um movimento da
clinica à formalização e voltar à clinica, fazendo avançar a psicanálise que se construía, se
inventava. No espaço da discussão clínica, a Psicanálise é reinventada caso a caso. É um
lugar do fazer escola, uma maneira de interrogar o psicanalista para que ele declare as suas
razões. A orientação da experiência em direção ao real supõe a contingência, uma parte de
acaso, possibilitando construir algo que deixe aparecer o indecidível, o não programado. Ao
contrário de buscar um todo, as apresentações clínicas se orientam na delimitação da falta, da
surpresa, do não programado; deixando espaço para a interlocução para que algo possa advir.
Um participante traz um fragmento clínico, seguindo-se uma discussão e uma busca de
formalização. Seguem-se outros escritos de outros participantes, deixando entrever várias
leituras. Os escritos possibilitam a criação de outros circuitos podendo, assim, produzir
avanços. Esta experiência tem sido feita na Escola Freudiana de Belo Horizonte / iepsi.
SENTIMENTO DE CULPA COMO OPERADOR SOCIAL: ALGUMAS
LEITURAS POSSÍVEIS
Autores: Juliana Marcondes Pedrosa de Souza (PUC Minas), Maria Clara Jost (PUC
Minas), Maria Luisa de Vilhena Lana Peixoto (PUC Minas).
A Mesa Redonda propõe como temática discutir o sentimento de culpa como operador social a
partir do referencial da psicanálise e da psicologia fenomenológico-existencial. Vivemos em
uma sociedade marcada pelo declínio da dimensão alteritária e aumento dos índices de
violência, espaço pertinente para discutirmos o sentimento de culpa. Àquele que transgride a
lei, o direito imputa culpa e sanção como resposta ao ato cometido. Como pensar, a partir de
referenciais distintos, que a culpa pode ser um operador social essencial ao processo de
37
IV ENCONTRO INTEGRADO DE
PSICOLOGIA
responsabilização subjetiva? O indivíduo deve se posicionar frente às situações de sua vida,
mas como trabalhar a responsabilização quando influenciados por fatores psicossociais que o
desculpabiliza por seus atos? Para a fenomenologia-existencial subtrair deste sujeito a
possibilidade da responsabilidade seria condená-lo à sua situação de não possibilidades. Para a
Psicanálise, temos na obra freudiana uma acepção de culpa vinculada ao desamparo e ao
interdito sexual que se apresenta como essencial ao resgate da alteridade. Assim, é
interessante fazermos uma leitura sobre o lugar do sentimento de culpa na contemporaneidade
como promotor e mantenedor do enlaçamento social. Propomos uma discussão a partir de
recortes específicos sobre esse sentimento, permitindo aprofundar seu estudo a partir de uma
compreensão subjetiva.
TER ESTADO LÁ E TER ESTADO AQUI: A ETNOGRAFIA COMO
POSSIBILIDADE METODOLÓGICA
Autores: Luana Carola dos Santos (UFMG)
O presente trabalho tem como objetivo apresentar a etnografia como um recurso metodológico
possível no campo das psicologias. Um dos pontos que irá compor o debate tem relação com a
seguinte problematização: O termo etnografia, ou trabalhos baseados na etnografia é quase
equivalente ao termo antropologia. Observamos que esses conceptos aparecem juntos e como
sinônimos, todavia não são termos tão equivalentes quanto parecem. Para embasar essa
discussão usaremos como lente analítica a proposta de Clifford Geertz, importante
antropólogo que discorre e concebe a etnografia como uma espécie de escrita, um colocar as
coisas no papel. Para Geertz a definição de etnografia ainda não está muito clara, contudo
aquele (a) pesquisador (a) que se propõe ao exercício etnográfico precisa ir a lugares, tomar
nota de informações e disponibilizar para a comunidade acadêmica. A postura do etnógrafo
(a) não deve ser restrita apenas aos estudos nas bibliotecas ou reflexões sobre questões
literárias. É sobre essas questões que discutiremos. A etnografia é um constante movimento e
articulação entre o ter estado lá(nos campos de pesquisas, nas comunidades, dentre outros)e o
ter estado aqui ( na universidade, em meio a comunidade acadêmica).
TERAPÊUTICA DA MORTE E DIREITO DE MORRER: DIÁLOGO SOBRE O
DOCUMENTÁRIO SOLITÁRIO ANÔNIMO
Autores: Fernanda Duarte Souza Hott; Bruno Torquato; Luciana Kind; Antônio Sena.
O documentário Solitário Anônimo acompanha a trajetória de um senhor que reivindica seu
direito de morrer. Produzido por Débora Diniz, retrata a hospitalização do solitário, seguida
do esforço para identificá-lo. A edição do documentário recusa-se, assim como o solitário, a
expor seu nome, respeitando seu direito ao anonimato. Suscita questões sobre o direito de
morrer e a terapêutica contemporânea dedicada a manter a vida a qualquer custo. O diálogo
entre direito e psicologia permitirá o diálogo necessariamente interdisciplinar em torno das
crescentes tecnologias que produzem a obstinação terapêutica, os embates bioéticos
alimentados por diferentes entendimentos sobre a relação dos seres humanos com os
processos de morte e morrer e a abordará, ainda, uma análise crítica da bandeira levantada
pelo documentário: o direito de morrer.
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IV ENCONTRO INTEGRADO DE
PSICOLOGIA
RODAS DE CONVERSA
A PSICOLOGIA E AS TENSAS RELAÇÕES COM A TRANSEXUALIDADE:
ACOMPANHAMENTO, AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA E LAUDO
PSICOLÓGICO
Autores: Naiara Cristiane da Silva (PUC Minas); Patrícia Augusto (PUC Minas); Dalcira
Ferrão (Psicóloga).
Esta Roda de Conversa objetiva propor uma discussão/debate sobre a atuação da Psicologia
junto ás questões que envolvem a transexualidade no que tange ao acompanhamento,
avaliação psicológica e laudos psicológicos decorrentes da preparação para a operação. Este
debate se insere nas lacunas deixadas pela formação, fato que é demonstrado pela falta de
debates e discussões em torno da questão nas Universidades e que demonstra a urgência em
estabelecermos um diálogo em torno da questão. A transexualidade tem sido definida,
seguindo a linha majoritária na medicina e no direito, como um tipo de transtorno psíquico,
identificado na classificação internacional de doenças (CID) pela OMS- Organização Mundial
de Saúde, como transtorno de identidade de gênero amplamente conhecido como
transexualismo. Esse CID é atribuído ao paciente após o término do acompanhamento,
comprovado através de laudos psicológicos, é o psicólogo quem acompanha e identifica esse
paciente como apto á cirurgia, contemplando-o com o CID. Discute-se então vários pontos de
tensão: a atribuição de um CID á pessoa que deseja a mudança de sexo, as lacunas na
formação dos psicólogos acerca desses processos em termos éticos, políticos, teóricos e
práticos e as questões envolvendo a problemática de gênero e sexualidade na formação e na
saúde pública.
AMBULATÓRIOS E HOSPITAIS
Autores: Lúcia Efigênia Gonçalves Nunes (PUC Minas); Andreza Soares (PUC Minas); Eni
Pires (PUC Minas); Thaís Rafael Pinto (PUC Minas); Eduardo Augusto de Souza Sales (PUC
Minas).
Os estágios desenvolvidos em ambulatórios e hospitais têm no acolhimento e oferta da escuta,
a direção da abordagem. A clientela que frequenta a Rede de Saúde Publica é atendida pelos
alunos do Curso de Psicologia, durante o semestre letivo, e enfrentam um ambiente
diferenciado do habitual da Clínica. Podemos citar também o tempo limitado para executar o
atendimento muitas vezes é realizado em apenas uma sessão. Pergunta-se: Como deve ser
feito o atendimento do psicólogo para atender a demanda da pessoa, muitas vezes angustiada,
em apenas uma sessão? Seria isso possível? Verificamos que a atuação do psicólogo dentro de
ambulatórios ou hospitais, nem sempre acontecessem como descrito nos modelos clássicos da
39
IV ENCONTRO INTEGRADO DE
PSICOLOGIA
Psicologia, em que o atendimento ocorre em consultórios. Gostaríamos de conversar sobre as
dificuldades, limitações e conquistas que os profissionais podem encontrar nesse percurso de
atendimento em ambulatórios e hospitais.
CURRÍCULO E ÊNFASES NO CURSO DE PSICOLOGIA DA PUC MINAS
Responsável: Mara Marçal Sales (PUC Minas)
A proposição desta roda de conversa busca atender dois objetivos: (a) oportunizar a
socialização de informações sobre a proposta curricular vigente no curso de Psicologia da
PUC Minas São Gabriel e (b) contribuir para a troca de informações, experiências,
impressões e proposições sobre o currículo, em especial pelo corpo docente vinculado ao
curso. A iniciativa busca contribuir para o aprimoramento da organização pedagógica,
problematizando suas premissas e ações e fomentando a inovação constante.
ENSINO RIGOROSO X ENSINO LIBERAL
Autores: Leanderson Luiz de Sá (PUC Minas); Lucas Almeida (PUC Minas); Mariana
Rosa Botão (PUC Minas); Fabio Vilarinho (PUC Minas).
A roda de conversa tem como temática a aprendizagem infantil. Atualmente crianças são
introduzidas nas mais diversas instituições socializadoras (escolinhas, futebol, natação, aula de
música, inglês etc...) com vistas ao desenvolvimento cognitivo. Em contrapartida, analisar
esse tipo de ensino com um ensino estruturado em valores familiares em que as crianças têm
oportunidade de passar mais tempo com as mães ou pais do que em outros ambientes. Será
ainda postulado o método de ensino da “mãe tigre” (referencial do livro recém traduzido ao
português: Grito de Guerra da Mãe Tigre) em relação o método mais liberal culturalmente
mais aceito na sociedade brasileira. A utilização de referenciais de teóricos como Vigotsky,
Bandura e Piaget axiliará na discussão através de fragmentos de livros destes referentes ao
ensino infantil. A roda de conversa terá como publico alvo alunos da área de humanas,
professores e pais de crianças e adolescentes. Utilizaremos a apresentação de slides, livros e
filmes ilustrativos como metodologia no desenrolar do debate. O objetivo principal é analisar
as implicações do ensino rigoroso e sistematizado aplicado a crianças em relação ao ensino
mais liberal e seus pontos positivos e negativos. Sabemos que ambos os métodos têm
implicações positivas e negativas, analisar e dar respostas a essas questões não cabe aos
alunos proponetes, mas apenas abrir um questionamento para que o público possa se abrir a
pontos de vista diferentes dos já formulados.
40
IV ENCONTRO INTEGRADO DE
PSICOLOGIA
EXTENSÃO E USO ESTRATÉGICO DO CONHECIMENTO: RELAÇÕES
ENTRE UNIVERSIDADE E CAMPOS EM PRÁTICAS EXTENSIONISTAS
Autores: Aline Aguiar Mendes Vilela (PUC Minas); Rubens Ferreira Nascimento (PUC
Minas).
Esta proposta tem como objetivo promover exposições e trocas reflexivas sobre aspectos das
relações de acadêmicos com agentes de organizações comunitárias, de equipamentos públicos
e membros de comunidades, estes três últimos, entendidos como parceiros, utilizadores ou
públicos-alvo em trabalhos extensionistas. Uso Social do Conhecimento é um conceito que se
articula com outro, Relação Social de Investigação, compondo uma perspectiva teórico-prática
(CARIA, 1999) que se vale de estratégias metodológicas dialogais e se sintoniza com a
sociologia das ausências e a sociologia das emergências (SANTOS, 2005). Tal perspectiva
questiona e aponta limites e dicotomia nas opções acadêmicas por mega-teorias
descomprometidas com a experiência de campo ou por um empiricismo acrítico. Desta forma,
considera-se importante e pertinente, no contexto da IV Semana de Arte, Ciência e Política,
propor um espaço de exposição e diálogo entre representantes de projetos em psicologia que
tem, em comum, objetivos e metas de articular a extensão com o ensino e a pesquisa,
focalizando e valorizando a experiência relacional e política entre a universidade e seu extramuros, o que poderá provocar movimentos emancipatórios tanto nos campos de interlocução
quanto no próprio meio acadêmico.
METODOLOGIAS EM CENA: DIÁLOGOS, DESAFIOS E POSSIBILIDADES
Autoras: Bianca Ferreira Rocha (UFMG); Luana Carola (UFMG).
O presente trabalho tem como objetivo promover um espaço de debate, reflexão e prosas
sobre as diversas metodologias de pesquisa utilizadas no âmbito das Ciências Humanas e
Sociais. Para isso, trabalharemos com a metodologia de Rodas de Conversa que se configura
como uma proposta metodológica e permite que a palavra circule, possibilitando assim que as
concepções e experiências sobre trabalhos com as distintas metodologias sejam narrados e
problematizados. Nesse sentido buscaremos fomentar reflexões sobre algumas questões, como
por exemplo: Distinção entre método, metodologia e epistemologia; As possibilidades e os
dilemas entre pesquisa qualitativa e quantitativa; Técnica de coleta e análise de dados, dentre
outras temáticas que surgirem. É importante lembrar que a construção e a escolha do corpo
metodológico do projeto de pesquisa têm grande aproximação e relação com o objetivo do
tema a ser investigado. Nesse sentido, a roda de conversa sobre metodologia convidará os (as)
participantes (as) a debater, pensar e elencar possibilidade de trabalho com as distintas
metodologias.
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IV ENCONTRO INTEGRADO DE
PSICOLOGIA
O CURSO DE PSICOLOGIA COMO CAMPO DE ESTÁGIO: A TROCA DE
EXPERIÊNCIA ENTRE ALUNOS
Autores: Adriana Monteiro (PUC Minas); Maria Cristina Martins de Andrade (PUC
Minas); Inglaty Yane Rosa Gomes (PUC Minas), Jéssica Ferreira de Matos (PUC Minas);
Luana Cristina Mendes Abreu (PUC Minas).
A partir dos relatórios produzidos pelas alunas formandas, proporemos um diálogo entre
alunos para fomentar a discussão da importância da troca entre eles, da necessidade de pensar
a própria formação no interior do curso de Psicologia numa abordagem de campo de estágio,
pesquisa e formação prática. Nesta atividade, pretendemos apresentar e avaliar coletivamente
a proposta e o processo de “acompanhamento acadêmico” de alunos do 1º período do curso de
Psicologia, realizado por alunos que estão em final de formação. A proposta inicial do estágio
era acolher alunos calouros da PUC, no sentido de acompanhá-los em suas adaptações à vida
acadêmica como conhecer espaço físico, uso de biblioteca. Entretanto, no decorrer do contato
com alunos, outras questões foram surgindo e demandando intervenções. Essas por sua vez
geraram novas perguntas: Quais as contribuições que as alunas formandas possibilitaram para
a turma de primeiro período? O que aprenderam com esta experiência? Essa proposta exige
dos proponentes: participação, organização, negociação, comunicação, divisão de tarefas,
registro, sistematização. Para tanto, o referencial teórico está ancorado nos conhecimentos e
procedimentos aprendidos ao longo do curso, bem como nas pesquisas sobre produção da
escrita acadêmica.
O PSICÓLOGO NO MERCADO DE TRABALHO: O INÍCIO DE CARREIRA
NA ÁREA ORGANIZACIONAL E NA ÁREA DA EDUCAÇÃO
Autores: Ana Paula Dias Macedo (Psicóloga); Cristina Espíndola Dias (Psicóloga); Maria
Auxiliadora da Silva (PUC Minas).
Após cinco anos, no curso de psicologia, no qual o aluno teve contato com diversas teorias e
vivenciou muitas experiências práticas, cumprindo as exigências mínimas da Universidade,
ele recebe seu diploma. O diploma de psicólogo possibilita ao recém formado um leque de
atuações nos dias atuais. Assim, sustentado por certo conhecimento teórico e prático, o
psicólogo pode exercer sua profissão de acordo com suas escolhas, preferências, habilidades,
interesse, oportunidades e necessidades. A presente Roda de Conversa tem o objetivo de
discutir a inserção do psicólogo, no início de carreira, no mercado de trabalho nos dias atuais.
Dentre as diversas áreas e campos de atuação da psicologia, nos deteremos nas experiências
de duas profissionais, ex-alunas da PUC Minas, Unidade São Gabriel, em seus diferentes
contextos de trabalho e início de carreira: uma no campo da Educação e outra no campo das
Organizações. A formação, a entrada no mercado de trabalho, os desafios e as possibilidades
de atuação do psicólogo nos dias atuais são uns dos pontos relevantes nesta discussão.
Palavras Chaves: formação; início de carreira; atuação; área da educação; área organizacional
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IV ENCONTRO INTEGRADO DE
PSICOLOGIA
PERIFERIAS EM DEBATE: CONVERSANDO SOBRE PESQUISAS E
TRAJETÓRIAS NAS PERIFERIAS METROPOLITANAS
Autores: Bruno Márcio de Castro Reis (PUC Minas); Marco Antônio Couto Marinho (PUC
Minas).
Propõe-se para esta roda de conversa, o debate a respeito das periferias metropolitanas
brasileiras, reconhecendo-as como espaços complexos e heterogêneos que comportam
distintas e novas configurações econômicas, sociais e políticas (LAGO, 2008) portando
tensões e confrontando discursos que disputam e exercem poder em seu cotidiano
(FELTRAN, 2008). Pautando-se em perspectiva psicossocial, Afonso & Abade (2008), nos
indica que a proposta das rodas de conversa não se sustenta por transmissão de
conhecimentos, mas por trocas de saberes entre os envolvidos a partir dos relatos de suas
vivências e práticas proporcionando reflexão e mútuo aprendizado. O objetivo central é
abordar a pluralidade das periferias por meio de olhares também plurais. Portanto, tem-se
como público alvo acadêmicos, profissionais e militantes de diferentes áreas que se interessem
por partilhar vivências, desafios, inquietações e relatos de pesquisas no contexto das periferias
urbanas, ou seja, suas trajetórias nestes espaços dinâmicos das metrópoles contemporâneas.
Palavras chave: Periferias Metropolitanas; Roda de Conversa; Pluralidade; Trajetórias.
PSICOLOGIA E POLÍTICAS PÚBLICAS: PRÁTICAS EM GESTÃO E CUIDADO
Autores: Márcia Mansur Saadallah (PUC Minas); Emanuelle Rodrigues Diniz (PUC
Minas); Silvia Maria de Avelar Sousa (PUC Minas); Vanessa Eveline Ferreira (PUC
Minas); Carlos Eduardo Carrusca (PUC Minas).
O objetivo desta roda de conversa é apresentar experiências de estágios curriculares no campo
das políticas públicas e articular com as ênfases Gestão e Cuidado propiciando aos
participantes a oportunidade de compartilhar suas experiências e discutir a atuação do
psicólogo em ambas as ênfases. As práticas de estágio em Políticas Públicas se tornam mais
que possibilidades do psicólogo em formação ter contato com as mesmas, através de projetos
e/ou intervenções, nos mais diversos campos das políticas setoriais: áreas da saúde, educação,
assistência social e desenvolvimento urbano. Tornam-se imprescindíveis a uma formação que
privilegie uma postura ética e crítica diante destes desafios que se apresentam na
contemporaneidade. Os proponentes apresentarão suas experiências de estágios curriculares
nas áreas de Políticas Públicas (CRAS, Vila Cemig e Cuidando de quem cuida). Terá duração
de aproximadamente 2h, dividida entre 10 minutos para cada um dos proponentes
apresentarem suas experiências, posteriormente será aberta a discussão com base na proposta
de articular com as ênfases Gestão e Cuidado. Esta roda de conversa destina-se ao alunos, exalunos e professores do curso de Psicologia.
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IV ENCONTRO INTEGRADO DE
PSICOLOGIA
POESIA
Autores: Maria dos Anjos Lara e Lanna (PUC Minas); Bruno de Almeida Vasconcelos
(PUC Minas); Luiz Carlos Meneses (CAPS, Academia Formiguense de Letras).
O objetivo da roda é reunir pessoas interessadas em poesia, tanto da comunidade acadêmica
quanto da comunidade externa, para compartilhar da leitura de poemas próprios ou de autores
nacionais e estrangeiros. A atividade também tem como objetivo discutir o processo criativo
com o jovem e experiente poeta Luiz Carlos Meneses. A metodologia consistirá da leitura, na
roda, de um ou mais poemas que cada participante deverá levar, a partir de sua livre escolha, e
da apresentação pelo poeta convidado de sua experiência criativa no campo da poesia, seguida
de debate.
SAÚDE EMOCIONAL NO TRÂNSITO
Autores: Daine de Almeida Costa (PUC Minas); Ester Carolina Ribeiro Lopes (PUC
Minas); Jeane Bastos de Oliveira (PUC Minas); Márcia Cristina de Toledo (PUC Minas);
Miguel Ângelo Santos Almeida (PUC Minas); Mirian Daniela Marques de Carvalho (PUC
Minas).
O trânsito tornou-se um grave problema de saúde pública, sendo uma das
principais causas de óbitos no país inteiro. Devido às questões atuais de
violência e acidentes de trânsito nas grandes cidades, faz-se necessário estudos acerca dessa
problemática, analisando novos meios de intervenção. Nessa roda de conversa será discutido o
tema “saúde emocional no trânsito”, colocando questões sobre brigas e acidentes de trânsito.
Serão utilizadas referências teóricas (Maria Helena Hoffmann, Roberto Moraes Cruz e João
Carlos Alchieri, entre outros), documentários, dados estatísticos de órgãos de trânsito.
Abordaremos questões como: Comportamento dos motoristas no trânsito, violência, ética
educação, prevenção de acidentes, medidas sócio educativas, leis de trânsito. Esse debate tem
como objetivo conscientizar motoristas e pedestres, mobilizando mudanças e construindo
propostas e medidas de intervenção, proporcionando, reflexões críticas sobre o tema.
TEORIA DOS PROCESSOS ONÍRICOS E A CLÍNICA PSICANALÍTICA: A
RELEVÂNCIA DO MÉTODO DE INTERPRETAÇÃO DOS SONHOS PARA A
METAPSICOLOGIA FREUDIANA
Autores: Eduardo Augusto de Souza Sales (PUC Minas); Thaís Rafael Pinto (PUC Minas);
Thaís Talita do Nascimento Maia (PUC Minas); Luciana Faluba Rodrigues (PUC Minas);
Cristina Barbosa de Oliveira (PUC Minas).
A proposta desse trabalho é a discussão da prática clínica da psicanálise na Clínica-Escola da
PUC Minas, na medida em que estas experiências fomentaram reflexões acerca dos aspectos
relativos a técnica analítica aliada à interpretação dos sonhos. Estes sonhos, por vezes, surgem
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IV ENCONTRO INTEGRADO DE
PSICOLOGIA
durante o processo de análise, propiciando um fulgurante material a ser trabalhado e manejado
pelo praticante de psicanálise (estagiário). Portanto, objetiva-se abordar as questões
concernentes a análise dos sonhos na teoria psicanalítica, perpassando por uma discussão
acerca da construção freudiana do desejo inconsciente, no sentido de conhecer os mecanismos
dos processos oníricos. O trabalho de análise dos sonhos contribui determinantemente para a
compreensão dos processos psíquicos e é de fundamental importância na construção teórica da
psicanálise, além de criar possibilidades de intervenção clínica. A escolha metodológica foi
pela roda de conversa, uma vez que se pretende escutar as opiniões e vivências de cada
participante sobre o tema, abrindo espaço para a discussão sobre a sua relevância na clínica
psicanalítica contemporânea. Esse estudo terá por referências a teoria onírica de Freud
(1900), e sustentada também por contribuições de autores como GARCIA-ROZA (2009) e
OLIVEIRA (2008).
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IV ENCONTRO INTEGRADO DE
PSICOLOGIA
OFICINAS
A PSICOMOTRICIDADE NA RELAÇÃO: O BRINCAR EM EVIDÊNCIA
Autora: Érica Fróis (PUC Minas)
A Psicomotricidade é um campo de saber que estuda o homem com seu corpo em movimento
na relação consigo mesmo e com os demais á sua volta. Nesta medida a prática psicomotora
visa promover, através da Educação, Reeducação ou Terapia Psicomotora, o bem estar do
individuo junto ás relações interpessoais que trava no mundo. Para este projeto conta com a
ludicidade e o prazer da expressividade motora que apontam para a importância do diálogo
tônico e da lógica do corpo em movimento. Logo, a presente oficina pretende destacar a
importância do brincar enquanto estratégia condutora das intervenções em Psicomotricidade.
ARTETERAPIA
Autores: Alexandre Frank Silva Kaitel; Karina Masci
Objetivo: Apresentar a Arteterapia sob a luz da Gestalt-terapia através do uso de técnicas
expressivas com a utilização de recursos artísticos. Justificativa: A verbalização não é única
forma de expressão que o ser humano possui para contatar o meio e seu interior, mas apenas
uma das formas que o nível motor encontra para expressar algo. Porém, muitas vezes a fala
verbal está desconectada do próprio sujeito podendo, assim, interromper o fluxo natural de
auto-regulação e favorecer a racionalização e manutenção de padrões e valores introjetados.
Sendo assim, processos artísticos e experenciais podem auxiliar na intensificação do contato
da pessoa consigo, com o mundo e com os outros. Além de facilitar o contato e a expressão, o
fazer artístico traz consigo um exercício criativo. Ao partir do pressuposto que a expressão
artística pode trazer benefícios terapêuticos, surge a Arteterapia, termo que referencia a
utilização de recursos e experiências artísticas em contextos terapêuticos, sem a finalidade
estética. Nesse contexto, cabe ao arteterapeuta o papel de facilitação da ampliação da
consciência e do auto-conhecimento.
FIGURAS DO FEMININO E SUAS REPRESENTAÇÕES EM MANIFESTAÇÕES
ARTÍSTICAS
Autora: Renata Cordeiro de Carvalho (UFMG)
Essa oficina propõe a discussão das figuras femininas representadas por meio da pintura a
óleo pelos próprios participantes, que serão convocados a pintar uma ou mais mulheres da
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IV ENCONTRO INTEGRADO DE
PSICOLOGIA
maneira mais livre possível. Destina-se às pessoas da comunidade em geral, que já possuam
ou não alguma experiência com o mundo dos pincéis. Esse trabalho justifica-se pela
oportunidade que oferece, de forma gratuita, de refletir acerca do feminino através de criações
e percepções pessoais. A oficina oferece quinze vagas e os participantes receberão os
materiais necessários, sendo orientados pela proponente sobre como manusear os elementos,
tanto a nível funcional quanto artístico.
KLÍNICA DA MULTIPLICITAÇÃO DRAMÁTICA
Autores: Cláudio Márcio (Fundação Gregório Baremblitt); Wanderson da Conceição Silva
(Fundação Gregório Baremblitt).
O esquizodrama é um dispositivo de trabalho clínico, proposto por Gregório Baremblitt. Tem
como aporte teórico a esquizoanálise, a partir dos estudos de Deleuze e Guattari. Para
Baremblitt (2012, p.144), “o esquizodrama é constituído de diversos dispositivos de
intervenção aos quais irá denominar de Klínica do esquizodrama, tomando o sentido grego da
palavra clínica como Klinamen (desvio dos átomos que caem no vazio)”. Dessa forma, além
de uma ferramenta klínica, entende-se que o esquizodrama também é uma ferramenta
pedagógica e de investigação da produção de saberes por produzir invenções de re-afimação
de estar na vida, com a vida e pela vida. Na klínica da Multiplicitação dramática trabalha-se a
multiplicação e explicitação. A multiplicação dramática alude a multiplicação, referindo-se as
multiplicidades puras da realteridade (realidade outra) como as da realidade.
PRODUÇÃO DE TEXTOS
Autora: Maria Cristina Martins de Andrade (PUC Minas).
Escrever não é das tarefas mais simples exigindo, além de conhecimentos linguísticos,
vocabulário e raciocínio lógico. Não bastasse, são vários os gêneros textuais cada um com
suas exigências e especificidades. Em nosso caso, lidamos com o texto argumentativo cuja
forma final pode ser a de um artigo, de uma monografia, de um ensaio, de uma resenha, de um
relatório ou ainda de um resumo que possuem, a seu turno, características próprias. Assim,
propomos nessa oficina, através do uso de modelos textuais e de exercícios, conhecermos
melhor essas características e especificidades, problematizando a escrita como um processo de
resolução de problemas, de modo a ampliar nossa desenvoltura e competência no uso da
língua em sua forma escrita.
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IV ENCONTRO INTEGRADO DE
PSICOLOGIA
VIVENDO E APRENDENDO A JOGAR: OFICINAS DE JOGOS,
BRINCADEIRAS E RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS
Autora: Adriana Monteiro (PUC Minas)
Nesta oficina, pretendemos sensibilizar o público alvo para a aplicabilidade dos jogos e
brincadeiras e duas vertentes: como objetos de conhecimento socioculturais e mediadores
interacionais. Estes podem ser utilizados em trabalhos com sujeitos de todas as idades,
pertencentes a espaços institucionais ou não. Para tanto selecionamos jogos que promovem a
interatividade, estimulação cognitiva, desenvolvimento de estratégias e raciocínio. Nosso
referencial teórico está ancorado nos estudos de Lino de Macedo que foca o jogo nos campos
da Psicologia e Educação tornando o seu uso numa perspectiva científica, aplicável em
ambientes educativos, clínicos e institucionais.
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IV ENCONTRO INTEGRADO DE
PSICOLOGIA
CINEMA COMENTADO
“A PELE QUE HABITO” E O EU QUE HABITA A PELE: UMA LEITURA
PSICANALÍTICA
Autor: João Henrique de Sousa Santos (PUC Minas)
A partir do filme de Almodóvar, “A pele que habito” (2011), almeja-se pensar os signos
psicanalíticos que perpassam a trama: cheia de questões respondidas com enigmas. E tudo que
possa ser evidente, não passa de uma primeira camada. Trata-se da fixação de um cirurgião
plástico, que após a morte de sua mulher, se dedica à criação de uma pele com a qual poderia
tê-la salva. Pouco a pouco os personagens vão a-pare-sendo. Isso mesmo, um convite à
negação (repensar o pensando a cada cena), à reflexão e a ser: temos aí um espelho? Não se
trata, pois da pele que habito, antes do sujeito que habita a pele. A mãe poderosa, filho sem
pai, sexualidade, desejo, sadismo, masoquismo, voyeurismo, falos e mais falos: mais do que
simbólicos, em “A pele que habito” eles são usados. Um filme que opera o corte, como corta a
navalha do cirurgião.
“MATCH POINT”
Autores: Rosely Gazyre Melgaço (iepsi); Suzana Marcia Dumont Braga (iepsi); Theresa
Cristina Bruzzi Cury (iepsi).
A roda de prosa é uma programação que acontece quinzenalmente na Escola Freudiana de
Belo Horizonte/iepsi e tem como objetivo conversar sobre temas da atualidade a partir de um
diálogo da psicanálise com outros campos, particularmente nas manifestações artísticas. Desta
vez, propomos levar a prosa para o SCAP 2012, na PUC São Gabriel. Inscrevemo-nos então
para participar de uma sessão de cinema comentado. Sugerimos o filme: Match Point, dirigido
por Wood Allen. Pretendemos abordar dois temas: o acaso e a culpa.
“PARAÍSOS ARTIFICIAIS”
Autores: Lúcia Efigênia G. Nunes (PUC Minas); Oscar Cirino (Psicanalista; Centro Mineiro de
Toxicomania).
A relevância da temática do filme está associada ao uso abusivo de drogas, questão tão atual e
preocupante para profissionais psis. O objetivo é apresentar a posição subjetiva dos usuários
em “busca da expansão da consciência e comunhão com o Divino”, segundo enunciado do
filme que associa amor e êxtase.
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IV ENCONTRO INTEGRADO DE
PSICOLOGIA
MINI-CURSOS
EXTENSÃO NA PUC SÃO GABRIEL: SABERES E FAZERES
Autores: Grupo PEPA (Prosa e Pesquisa-Ação) - Bianca Ferreira Rocha; Cléria Rocha; Daniele
R. S. Carmona; Gislaine Alves de Souza; Greice Vianna; Kênia Januário; Lidiana Silva; Luana
Carola dos Santos; Naiara Silva; Natália Colen; Daniela Moreira; Jéssica de Souza; Rubens
Ferreira do Nascimento (PUC Minas).
O Mini-Curso de Extensão que propomos para a IV SCAP tem como objetivo principal
convidar alunos de graduação, professores, comunidade externa e pessoas interessadas a
conversar e discutir sobre a atividade extensionista como tripé que compõe a formação
universitária, junto com o ensino e a pesquisa. Nessa direção, pretendemos apresentar e
compartilhar as experiências de extensão vivenciadas por discentes e docentes dos diversos
cursos de graduação na PUC Minas, unidade São Gabriel, pontuando potencialidades e
desafios dessa prática. Nesse sentido, caberá uma breve e objetiva explanação sobre o papel
da Pró-Reitoria de extensão (PROEX) da PUC Minas no fomento e desenvolvimento da
extensão na universidade. O mini-curso será ministrado em um dia com duração aproximada
de duas horas. Almejamos constituir com esta proposta um espaço de troca de conhecimentos
e de tomada de consciência sobre a presença ainda tímida da extensão nas ações universitárias.
Visamos estimular proposições de práticas extensionistas e o fomento à maior aproximação e
participação da comunidade acadêmica nas atividades de extensão já legitimadas. Outro
objetivo é divulgar o PEPA (Prosa e Pesquisa-Ação), grupo de alunos e ex-alunos investidos
em atividades de extensão e na aproximação da universidade com as comunidades do entorno.
O referencial teórico-metodológico que embasará o mini-curso é a literatura sobre extensão
universitária, teorias e metodologias participativas, psicologias, psicologias sociais e outras
disciplinas de caráter crítico, livros, artigos e documentos sobre extensão, internos e externos
à PUC Minas.
INTRODUÇÃO Á HISTÓRIA DOS MOVIMENTOS E ESTUDOS FEMINISTAS
NO BRASIL E NO MUNDO: EM ONDAS E MOVIMENTOS
Autores: Naiara Cristiane da Silva (PUC Minas); Gislaine Alves Souza (Psicóloga);
Letícia Barreto (UFSC); Letícia Gonçalves (PUC Minas).
Este mini-curso tem como objetivo discutir a história do pensamento e do movimento
feminista na Europa e nos Estados Unidos no século XIX, e no Brasil no inicio do século XX,
compreendendo como se desenvolveram as primeiras lutas das mulheres contra o patriarcado,
em busca pela igualdade de direitos civis, políticos e sociais e pelo acesso aos espaços
dominados exclusivamente pelos homens. Neste minicurso pretendemos elencar, através de
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IV ENCONTRO INTEGRADO DE
PSICOLOGIA
aula expositiva: o ”feminismo” iluminista; o surgimento dos primeiros movimentos de
mulheres na Europa e nos Estados Unidos no século XVIII e XIX; as “ondas” dos
feminismos; a história do movimento feminista no Brasil. Visto que a formação acadêmica
deixa lacunas acerca dos estudos de gênero, feminismo e sexualidade, esse mini-curso
apresenta-se como uma proposta de abarcar ás questões introdutórias do movimento feminista,
a fim de expandir e alargar os campos e conhecimento para além do senso comum. O curso
será desenvolvido partindo da discussão de textos de pesquisadores (as) que abordam a
história do movimento feminista, passando por discussões de gênero e sexualidade. Também
trabalharemos com filmes e documentários que dialogam com a história do movimento
feminista no mundo e no Brasil.
MODA, PSICANÁLISE E FEMININO
Autora: Renata Cordeiro de Carvalho (UFMG)
A moda denuncia aspectos culturais de uma sociedade. As relações humanas são constituídas
de encontros que são atravessados por alguns objetos, que podem ser os mais variados, como
elementos de dado ambiente, luzes, preços de mercadorias e vestimentas. Nesse curso, será
tomado o vestuário como elemento constituinte não apenas dos encontros entre sujeitos, mas
como parte do psiquismo feminino. Nesse sentido, torna-se possível pensar na moda como
meio que possibilita à mulher fazer semblant, ocultando sua castração ao buscar a completude
pela via das roupas e adereços. Esse trabalho tem como objetivo principal discutir a relação
entre moda e feminino dentro da perspectiva da Psicanálise, tomando como base teórica as
contribuições de Freud (1923; 1931), Lacan (1966; 1975) e autores contemporâneos como
André (1987), Kehl (2004) e Minerbo (2000). Ainda, será utilizada a perspectiva histórica
propiciada por Ximenes (2009) para contextualizar a moda e a reinvenção que esta
proporcionou ao corpo feminino. Será promovida uma reflexão, através de material didático e
discussões, acerca da especificidade da cultura e da moda como possibilidade da existência
feminina. O público-alvo desse trabalho engloba graduandos dos diversos cursos de humanas,
podendo se estender aos interessados da comunidade em geral.
OS MEDOS QUE INTERDITAM AS NOSSAS VIDAS
Autora: Mônica Barouin (PUC Minas).
Este mini-curso tem como objetivo apresentar aos participantes o processo de
condicionamento dos medos que permeiam o dia a dia a partir da perspectiva behaviorista. Os
aspectos fisiológicos do medo e as síndromes provenientes dos medos continuados como:
transtorno de ansiedade, transtorno de pânico, fobias sociais, transtorno obsessivo compulsivo
também serão apresentadas neste mini-curso. Serão discutidas estratégias de combate a esses
medos e, possibilidades de atendimento clínico a partir da discussão proposta.
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IV ENCONTRO INTEGRADO DE
PSICOLOGIA
LANÇAMENTO DE LIVRO
ALMACORPOAÇÃO: REFLEXÕES SOBRE UMA EXPERIÊNCIA COM
TEATRO E LOUCURA
Autor: Jardel Sander da Silva
Editora: Multifoco
AlmaCorpoAção busca analisar as possibilidades de autonomização de vida de usuários de um
serviço de saúde mental, através do teatro. Parte de uma contemporaneização da discussão
sobre a loucura/doença mental, situando criticamente a temática como construção histórica e
cultural, para caracterizá-la (a loucura) como território de práticas e discursos em que incidem
os dispositivos de saúde mental, de modo disciplinar e controlador. Por isso, toma como base
de análise a produção de corpos-e-almas medicados e apassivados, que se inserem nas
atividades teatrais, caracterizando-se pela lentidão e (aparente) inércia. O livro traz ainda uma
crítica à idéia de autonomia como concebida a priori e vinculada à atividade, propondo
inserção do teatro na vida dos usuários deste serviço de saúde mental como criadora de uma
abertura a novas possibilidades, principalmente a entrada e trânsito por novos espaços que não
os circunscritos aos dispositivos de saúde mental e aos tratamentos psi.
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IV ENCONTRO INTEGRADO DE
PSICOLOGIA
ARTIGOS PREMIADOS
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IV ENCONTRO INTEGRADO DE
PSICOLOGIA
1º LUGAR
O TRABALHO NO CONTEXTO PRISIONAL
Cinthia Lorena Corrêa Domingos Santos
Rua Efigênio Sales Vitor, 38. Bairro Madre Gertrudes - BH
[email protected]
Eloisa Maria dos Santos
Rua Ary Texeira da Costa, N°597; Santa Mônica - Santa Luzia
Email: [email protected]
Fabíola Carneiro Munaier
Amélia Munaier Nº50; Bairro: Centro Cidade - Sabará
[email protected]
Jéssica Gabriella de Souza Isabel
Rua Francisco Viana Santos,N° 634;Esplanada - Santa Luzia
Email: [email protected]
Lays Alves Ferreira
Rua José jacinto Agapito, Nº270 - Bairro das Indústrias - BH
[email protected]
Priscila Suelen Moreira Gonçalves
Rua Santa Rita, Nº: 178;Santa Rita - Santa Luzia
[email protected]
Orientadora: Cássia Beatriz Batista
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IV ENCONTRO INTEGRADO DE
PSICOLOGIA
RESUMO
A presente pesquisa, de natureza exploratória, teve como objetivo conhecer o trabalho no
contexto prisional. No discurso de diferentes profissionais, pesquisadores e meios de
comunicação evidencia-se que o trabalho ocupa lugar de destaque como um instrumento
importante de reinserção social, econômica e moral dos condenados. Diante disso, o estudo
investigou alguns atores nesse contexto para verificar os argumentos e as propostas em torno
do trabalho de condenados e de egressos do sistema prisional. Os métodos de coleta utilizados
foram entrevistas semi-estruturadas com um apenado e uma técnica de programa na área,
observação simples dos locais visitados, além de diário de bordo e análise de documento do I
Colóquio Internacional de Psicossociologia do Trabalho. Adotamos a análise de conteúdo,
transformando os dados obtidos em categorias que retratam tanto as concepções de trabalho
para sociedade, o trabalho no contexto prisional e o lugar do trabalho na sociedade. Observase que o trabalho no debate do sistema prisional apresenta dimensões diversas tanto de
inclusão social, de organização do cotidiano, de direitos humanos, quanto de atitudes de
punição, de combate ao ócio, de exploração e de caridade. Conclui-se que a importância do
trabalho é reconhecida e considerada pelas fontes pesquisadas, entretanto concepções e ações
ambíguas em relação a este como o preconceito, dificultam a efetivação de programas como a
remição penal pelo trabalho ou inserção de egressos no mercado formal.
Palavra-chave: trabalho, sistema prisional, reintegração social.
ABSTRACT
The present research, of exploratory nature, aimed at knowing the work in prison context. In
the speech of different professionals, researchers and media, it is evident that the work
occupies a prominent place as an important instrument of social, economic and moral
integration of the convicts. Thus, the study investigated some of the actors in this context in
order to verify the arguments and proposals about the work of the convicts and the egresses of
prison system. The collection methods used were semi-structured interviews with a convict
and a technique of program in the area, simple observation of the visited places, also logbook
and analysis of the document of the I International Colloquium on Psychosociology of Work.
We adopted a content analysis, transforming the data into categories that picture the concepts
of work for society, work in prison context and the place of work in society. It is observed that
the work in the prison system debates has several dimensions, such as social inclusion, the
organization of everyday life, human rights, and attitudes of punishment, of combat against
idleness, of exploitation and of charity. It is concluded that the importance of the work is
recognized and acknowledged by the sources researched. However, ambiguous conceptions
and actions about this, as prejudice, make harder the effectiveness of programs such as the
penal remission by the work or insertion of egresses into the formal labour market.
Keywords: work, prison system, social reintegration.
55
IV ENCONTRO INTEGRADO DE
PSICOLOGIA
1. INTRODUÇÃO
O trabalho existe desde o início da humanidade e é um assunto que permite extrair
vários conceitos e definições a cerca do tema, tanto na ciência quanto no censo comum. Os
aspectos sobre o trabalho e suas diversas significações na sociedade derivam do âmbito social
de cada sujeito, pois, somos expostos a vários contextos diferentes onde construímos opiniões
de acordo com a nossa realidade de vida.
Esta pesquisa teve como temática o trabalho no contexto prisional, pois pouco se sabe
sobre quais as condições dos presos e egressos que participam dos programas de reinserção
social e da remição penal. Sendo assim nosso problema é: como é consolidado o trabalho, no
contexto prisional?
O objetivo principal foi entender as dimensões do trabalho no contexto prisional,
articulando com a importância deste para a sociedade. Nesta busca, compreendemos também
qual o sentido e a importância do trabalho para o condenado de acordo com sua história de
vida, qual é a realidade enfrentada por eles na hora de procurar um emprego fora e dentro do
presídio e se há o reconhecimento do sujeito no mercado de trabalho levando em consideração
sua passagem pela penitenciária.
Em instância há a explicação de qual é o lugar do trabalho na sociedade, qual a
referência que se tem ao trabalho enquanto valorização, se ele é considerado central na vida
das pessoas, se o trabalho formal e informal tem o mesmo valor e qual o sentido do trabalho
do egresso na sociedade.
O Trabalho, por sua vez, é de utilidade extrema tanto para o homem livre como para
o condenado. Nele estão aplicadas as energias físicas e intelectuais do homem. Faz
com que o homem se realize e ao mesmo tempo realize algo em benefício do
próximo e da comunidade. Nele se desenvolve a capacidade produtiva do homem e
se criam condições para que atinja sua finalidade sobre a terra. (FEU ROSA, 2006,
p.881)
A ideia também é demonstrar a partir da noção de trabalho como são constituídas as
relações com os apenados, se existe uma incapacidade de oferecer as mesmas oportunidades
de emprego a todos ou se a desigualdade não impera neste meio. Como o profissional de
psicologia tem participação em todo o processo de cárcere é importante que reflita sobre sua
capacidade de intervir perante o processo de remição penal, realizar seu trabalho com o intuito
de auxiliar o próprio presidiário, a família e a sociedade diante dos desafios decorrentes.
O tema permite entender e buscar possíveis melhoras e incentivos aos egressos. Ainda
que a sociedade direcione a execução de certas profissões a grupos específicos, como
podemos refletir com a colocação a seguir: “por que estamos habituados a considerar certos
trabalhos como apropriados para presos, eis uma questão, como diriam os juristas, de alta
indagação”. (Brant,1994)
A ressocialização é um processo que demanda muito esforço físico e psicológico
daquele que está se reintegrando e todo o ambiente que o cerca. Este processo influencia na
concepção dos apenados sobre o que é e a importância do trabalho, assim como afeta os
sentimentos desse público estigmatizado. Todo este processo de re-inclusão, afeta a saúde dos
egressos e demonstra a importância desta temática na formação do psicólogo, já que o
objetivo destes é de promoção de saúde.
56
IV ENCONTRO INTEGRADO DE
PSICOLOGIA
2. PERCURSO METODOLÓGICO
Nossa pesquisa foi realizada em 2011, tendo como supervisora a professora Viviane
Baumgartl, porém a efetivação da mesma ocorreu em 2012, com supervisão da professora
Cássia Beatriz Batista. No decorrer da realização do projeto algumas alterações foram
necessárias para que atingíssemos o nosso objetivo: Compreender o trabalho no contexto prisional.
Inicialmente como método de pesquisa seria utilizado um roteiro de entrevista semiestruturada, o intuito era colher informações sobre a opinião dos presos acerca do programa de
remição penal, na qual os mesmos participassem. As entrevistas seriam realizadas pelas seis
alunas pesquisadoras e os resultados seriam analisados e descritos de forma quantitativa e
qualitativa.
Para realização da pesquisa primeiramente entramos em contato com o presídio José
Maria de Alkmim, o objetivo era obter informações sobre os documentos necessários para
permissão de entrevista com os detentos, informações sobre local, horário das entrevistas e o
número possível de encontros.
No entanto, os procedimentos inicialmente planejados não foram possíveis por
diversos motivos entre eles tempo de liberação e consentimento, devido às incidências foram
adotados outros procedimentos.
Os métodos foram: análise de documentos, diário e observação de campo e duas
entrevistas, uma com o apenado e outra com um profissional da área. Foi utilizada análise
documental do caderno de resumo I Colóquio Internacional de Psicossociologia do Trabalho,
que ocorreu nos dias 12, 13, 14 de Abril de 2012 na Universidade Federal de Minas Gerais
(UFMG), em específico foi analisado quatro resumos que abordam a temática do projeto. O
diário de campo consistiu no relato das observações feitas pelas pesquisadoras, diante a mesa
redonda realizada do dia 14 de Abril na UFMG, cuja temática tinha relação direta com a
pesquisa. A observação de campo foi realizada tanto na mesa redonda quanto na entrevista
com o apenado, está possibilitou aos pesquisadores a concessão da entrevista com o
profissional da área. A primeira entrevista aconteceu no Instituto de Direitos Humanos (IDH),
localizado no bairro Santa Tereza em Belo Horizonte, no dia 20 de abril com uma profissional
de psicologia que realiza trabalho de reinserção social com egressos do sistema prisional.
Para a realização da segunda entrevista foi necessário entrar em contato com a
Associação de Proteção e Assistência aos Condenados (APAC) unidade Santa Luzia. O
motivo do contato derivou da busca pelo sujeito da pesquisa, esse foi um apenado chamado de
recuperando pela unidade prisional. Nosso entrevistado participa do processo de remição
penal o que efetiva a nossa busca na pesquisa. No primeiro contato a instituição informou os
procedimentos necessários para concessão da entrevista, em um segundo momento foi
enviado uma carta de apresentação que informava toda finalidade do projeto. Após a
efetivação dos devidos procedimentos a entrevista foi concedida e realizado no dia 10 de maio
de 2012.
Os resultados foram analisados de acordo com os dados obtidos e as pesquisas
bibliográficas realizadas. Os resultados estão descritos de forma qualitativa e divididos em três
temas, sendo elas: Concepções de trabalho; O trabalho no contexto prisional; O lugar do
trabalho na sociedade.
57
IV ENCONTRO INTEGRADO DE
PSICOLOGIA
3. RESULTADOS
3.1. Concepções de trabalho
O trabalho é um vocábulo que tem um grupo amplo de significados, sendo assim
estaríamos cometendo um erro se acharmos uma única definição para ele. Por isso é visto a
necessidade de explorar mais esse assunto. No decorrer do texto trabalharemos algumas
concepções de trabalho. Na perspectiva da sociedade, para os programas de remissão e
principalmente para os sujeitos apenados.
A sociedade coloca o trabalho em um alto patamar, onde quem não o alcança e nem o
almeja é taxado como “vagabundo”, termo utilizado pela mesma e que contem um caráter
pejorativo. Se analisarmos esta concepção veremos o quanto isto está enraizado no meio
social, onde o cidadão para ser alguém na vida precisa trabalhar e ganhar dinheiro, mesmo que
para isso passe por cima das pessoas e não necessariamente como algo prazeroso. Ao ser
questionada sobre a importância do trabalho,Carolyne Reis Barros2menciona que:
O trabalho vai ser panaceia pra todos os males, que resolve tudo, principalmente para
o egresso, mais é uma lógica de trabalho formal, o pleno emprego que é um mito,
posso falar que é um mito na nossa sociedade hoje o pleno emprego. [...] O trabalho
do jeito que ele se estrutura hoje na sociedade capitalista, e do jeito que as pessoas e
as políticas públicas utilizam para o egresso hoje, ele não trás valor nenhum,
reconhecimento nenhum.(Psicóloga, IDH)
Souza (2009) traz a questão do trabalho na visão social. Segundo ele não é suficiente
que o indivíduo ganhe dignamente seu sustento apenas pelo suor de seu rosto, mas que sejam
oferecidas oportunidades reais dentro do contexto social. Já para o apenado MMC 3, a
concepção de trabalho no programa de remissão é visto como um trabalho que reduz a pena é
um incentivo, um estímulo importante, pois este ocupa uma posição significante na sociedade.
Ou seja,é a partir do trabalho que construímos nossa vida, é ele, muitas vezes, quem define o
papel de um indivíduo na sociedade. O que pode ser confirmado por Morin, (2001) “O
trabalho representa um valor importante, exerce uma influência considerável sobre a
motivação dos trabalhadores e também sobre sua satisfação e sua produtividade”.
Em contraponto, Souza (2009) afirma que “Nenhum trabalho é digno por si mesmo,
apenas por ser vivo e assim ter um suposto potencial de mudança do mundo. Isso é um engano
de toda ontologia do trabalho que acaba contribuindo para a idéia de uma dignidade genérica
dele”. No entanto Souza mostra que mesmo o trabalho tendo um caráter significativo para a
maioria das pessoas ele não é digno, pois traz em seu conjunto à desigualdade, a precariedade
e a desqualificação, ou seja, um trabalho com dignidade genérica.
No sistema prisional Brasileiro, o trabalho é visto de duas maneiras, como punição ou
com o objetivo de redução de pena. “essa espécie de escravidão que é a única que se pode
considerar justa, isso é a escravidão temporária que torna a sociedade senhora absoluta da
pessoa e do trabalho do culpado para fazê-lo espiar por essa dependência o dano que causou e
2
3
Psicóloga formada pela UFMG, trabalha no IDH (Instituto de Direitos Humanos).
MMC é o apenado do sistema APAC da cidade de Santa Luzia.
58
IV ENCONTRO INTEGRADO DE
PSICOLOGIA
a violação do pacto social.” (Brant, 1994). A psicóloga aponta em sua entrevista que sua
crítica é ao tipo de trabalho que é oferecido ao preso ou egresso do sistema prisional e para ela
funciona como um prato único, “Construção civil, construção civil, construção civil.”As
pessoas não entendem que eles não querem só construção civil, é muito bom ter outras opções,
eles querem escolher.Nesse sentido o apenado explicita o seguinte:
[...] o sistema não dá condições, não oferece nenhum curso. Na Nelson Hungria o
serviço braçal, por exemplo, aquilo não traz nada de conhecimento, ele ganha
remissão, dinheiro e transformação nenhuma. (MMC, 30 anos)
A Psicossociologia do Trabalho4 tem abordado essa temática no sistema prisional e a
maioria dos resumos analisados no colóquio, mostra o trabalho como uma atividade que
promove a relação do sujeito consigo mesmo, com o outro e com o real. Ou seja, o trabalho é
uma ação sobre o mundo, que além de produzir as condições materiais da existência, produz a
própria existência. Deste modo fica claro que o trabalho constitui um elemento central de
socialização.
O trabalho sempre fez parte da vida dos seres humanos. Ele traz conhecimento,
satisfação pessoal e beneficio econômico. Por isso ele é muito valorizado na sociedade, e é
definido por muitas pessoas como uma ferramenta essencial na vida do homem. Mas, diante
da pesquisa realizada é visto varias concepções de trabalho. Sendo tanto como uma coisa
gratificante quanto ruim, no sentido de que é o trabalho que gera a desigualdade. Portanto o
trabalho é um termo que possui um grupo extenso de significados.
3.2 O trabalho no contexto prisional
Direitos humanos, inclusão social, organização, combate ao ócio, exploração, atitudes
de punição e caridade, são dimensões que estão presentes no trabalho do contexto prisional.
Deste modo iremos abordar estas temáticas ao longo do texto.
No que se refere aos direitos humanos, o trabalho prisional encontra-se como dever
social e condição de dignidade humana, tendo por finalidade a função educativa e produtiva.
Sendo um direito este deveria ser alcançado por todos apenados, no entanto a realidade é
outra. O entrevistado MMC menciona que quando estava em presídios tradicionais as
informações a ele era negada e a oportunidade de trabalho regrada, em suas palavras “as
pessoas são escolhidas a dedo”.
A falta de comunicação é um ponto de destaque também neste contexto e que de certa
forma tem uma relação com a questão dos direitos humanos, uma vez que negar informações
aos apenados é uma violação de seus direitos. Existe um programa concedido ao preso que
reserva seu direito de remição da pena por trabalho prestado, sendo que a cada três dias de
trabalho, reduz-se um dia da pena. Este trabalho deverá ser remunerado conforme determina a
legislação e ainda há a possibilidade de contribuição para Previdência Social. Porém é
possível verificar falha neste processo. Ao ser questionado sobre o processo de remição penal
nos presídios convencionais MMC (Apenado, 30anos) ressalta:
[...] lembro que remição é só quando é condenado, mas não abrange todo mundo,
três ou quatro são escolhidos para limpar as celas, lá todos entendem, sabe, mas não
tem reconhecimento, o presídio não fala, dá e não dá informação.
4
Evento: I Colóquio Internacional de Psicossociologia do Trabalho, realizado na UFMG.
59
IV ENCONTRO INTEGRADO DE
PSICOLOGIA
Segundo a Lei de Execução Penal (LEP) é importante “efetivar as disposições de
sentença ou decisão criminal e proporcionar condições para harmonia integração social do
condenado e do internado.” (art.1° da LEP). O objetivo é que uma vez o condenado saindo da
prisão não tenha muita dificuldade para se reinserir na sociedade na qual se afastou e assim
possa retornar a viver em sociedade. Na Lei aparentemente é fácil, porém a realidade se revela
diferente, alguns apenados ainda acredita no processo e outros como os egressos veem a difícil
realidade. Alguns autores fornecem formulações precisa sobre o problema:
Os apenados acreditam que, pelo trabalho prisional, podem adquirir uma nova
postura em face ao mundo e, dessa forma podem mais bem aceito pela sociedade.
Existe a crença de que o trabalho pode, realmente, gerar condições, para se
estruturarem socialmente; mas, por outro lado, estão conscientes de que o atual
trabalho prisional somente opera para mantê-los ocupados; há, assim uma
contradição muito expressiva entre a realidade e a expectativa. ( KLERING,
LEMOS, MAZILLI, 1998, p.140-141).
Barros (2011) nos aponta outra realidade:
[...] as dificuldades de se manter no trabalho devido aos baixos salários e ao
preconceito, são fatores que indicam o quanto as políticas públicas que apostam na
reinserção via trabalho representam um reparo no tecido social que a todo o
momento é rasgado. (BARROS, 2011, p.94).
E em relação às condições de trabalho Brant (2005, p.152) explicita o seguinte: “O
esforço de examinar a possibilidade de realocação dos presos no mercado de trabalho é, ao
que tudo indica, irrelevante”. Sua crítica baseia-se pelos trabalhadores encarcerados não serem
amparados pelas Consolidações das Leis do Trabalho (CLT), isso segundo o mesmo dificulta
a ressocialização deste e nos faz pensar na proposta do taylorismo presente no presídio. Essa
proposta aponta o caráter disciplinador e de controle dos apenados, como menciona Klering,
Lemos, Mazzili:
O trabalho prisional, ora desenvolvido nas instituições penitenciárias, segue
estritamente os princípios do taylorismo. Isso porque está voltado para o controle dos
apenados, privilegiando uma rígida disciplina, e é totalmente prescrito e normatizado
pela Lei de Execuções Penais - LEP, a qual prescreve quem deve trabalhar e como
esse trabalho tem de ser desenvolvido. (KLERING, LEMOS, MAZILLI,1998 p.)
A disciplina é algo muito recorrente também neste contexto e aparece de certa forma
como um viés para a transformação do indivíduo, segundo Souza (2009) “a disciplina é a
disposição corporal mais importante para uma boa inserção e um bom desempenho no
mercado [...]”
O trabalho no contexto prisional surge como uma forma de combate ao ócio. A lógica
do não desperdício do tempo é afirmada pelo capitalismo, onde a pessoa deve manter- se
ocupado e produzindo. A negação ao ócio implantada no presídio se difunde de forma inerente
a ação do homem o comportamento desses encarcerados é mantido através de reforços, que
são premiações a aquele que se comporta e atenda a legislação do estabelecimento, aquele que
oferece sua força de trabalho e que de alguma forma se mantém produzindo. As motivações
para realização das atividades labutais são variadas, como exemplo reduzir a pena e ter
experiência profissional, mas MMC expressa uma ideia que descrita por Brant (1994) é muito
disseminada entre os presos. “O trabalho ocupa a cabeça neh, e ai cês sabe cabeça vazia é
60
IV ENCONTRO INTEGRADO DE
PSICOLOGIA
[...]” (APENADO, 30 anos). No entanto é possível perceber que a motivação presente para o
trabalho é uma forma de combate ao ócio e ao mesmo tempo de controle para os presídios.
Os serviços oferecidos para a população carcerária são restritos e exigem alta força
física, geralmente estão relacionados à construção civil. A partir deste dado apresenta-se outro
ângulo do trabalho no contexto prisional, este visto como exploração, já que os apenados não
são auxiliados pelas leis trabalhistas e por receberem um salário muitas vezes simbólico. O
que pode-se pensar, estes são trabalhos árduos sendo realizados como mão de obra barata. E
neste sentido é possível perceber que, as parcerias realizadas com as empresas privadas visão
a lucratividade neste modo de trabalho. E Miranda citado por Barros (2011), afirma que:
É possível perceber a lucratividade das empresas na liberação dos encargos e na
utilização da mão-de-obra barata, revelando também, dentro dos presídios e
penitenciárias, um quadro de precarização do trabalho que se intensifica ainda mais
com relação aos sentenciados do sistema prisional. Os presos se transformaram em
vantagem competitiva para as indústrias, recebendo uma quantia inferior a um
salário mínimo, sem direitos a benefícios trabalhistas: 13°, férias e FGTS (Fund o de
Garantia do Tempo de Serviço), sendo cada vez maior o interesse dos empresários
pela mão-de-obra carcerária. (MIRANDA apud BARROS, 2011, p.94).
Privação de liberdade e trabalho são mencionados no texto de Klering, Lemos, Mazzili
(1998) como uma forma de punição. O primeiro extrai do condenado àquilo que é de seu
direito, sua capacidade de ir e vim a qualquer tempo e por mais que este negue e não seja sua
vontade, ele ainda tem que trabalhar. O trabalho também é uma forma de punição, uma forma
de “pagar pelo crime”. Porém a atividade laboral se apresenta como disciplinadora e mais
humana, substituindo o castigo físico e tendo como objetivo uma transformação pessoal do
“delinquente”.
Seria este trabalho uma forma de caridade? A caridade esta sendo avaliada aqui como
um ato de bondade para com o outro. Como pode ser visto este trabalho? Como menciona
Brant (1994) ninguém gosta de trabalhar, sendo assim oferecer atividade laboral a este público
não é um ato caridoso, mas sim uma oportunidade para crescimento e a possibilidade de
ganhar regalias, como mudar para funções alternativas e reduzir a pena. MMC menciona sobre
esta oportunidade:
“tudo de bom, antecede minha liberdade, na verdade o quanto foi importante na
minha vida faço com zelo e reconhecimento, já trabalhei no auditório, auxiliar de
dentista, auxiliar de farmácia, encarregado na faxina, auxiliar jurídico, fui convidado
presidente do conselho isso tudo é gratificante, bom porque aprende, tive
reconhecimento de várias coisas que não sabia, esforço para buscar reconhecimento,
trabalhei na biblioteca catalogava os livros tive que ler pra recomendar os livros...”
(APENADO, 30 anos).
Por fim vale ressaltar a condição do apenado. Para conduzi-los a uma mudança,
barreiras devem ser quebradas e um trabalho com estes deve ser feito, pois todos vivenciam
dilemas delicados dentro do processo e em todo percurso de sua existência. O individuo
vivencia a sensação de angústia proporcionada pelas exigências e ao mesmo tempo a sensação
de prazer ao conseguir benefícios através da disciplina, tais como visitas íntimas e progressão
de pena. Vivem a todo o momento conflitos que deveriam ser trabalhados.
61
IV ENCONTRO INTEGRADO DE
PSICOLOGIA
3.3.O lugar do trabalho na sociedade
O discurso que o trabalho apresenta envolve a reinserção social, econômica e moral
dos condenados. Perante a maioria dos brasileiros, e levando-se em consideração o senso
comum, o trabalho é visto como uma atividade que viabiliza a qualificação do indivíduo e
consequentemente, possibilita a aquisição de meios necessários para sua sobrevivência. Isto é,
a visão predominante é a de que o trabalho dignifica o homem.
Um conceito comum entre os apenados é o de estigma, que equivale a qualquer
característica estigmatizante , não necessariamente física ou visível, que não se incorpora com
o quadro de expectativas sociais acerca de determinado indivíduo. Goffman considera que:
Um atributo que estigmatiza alguém pode confirmar anormalidade de outrem,
portanto ele não é, em si mesmo, nem honroso nem desonroso [...] um estigma é,
então, na realidade, um tipo especial de relação entre atributo e estereótipo.
(GOFFMAN, 1988, p. 13)
Nos resumos do Colóquio³, nota-se em alguns referenciais teóricos o materialismo
histórico-dialético, no qual o trabalho é definido como uma ação sobre o mundo, que além de
produzir as condições materiais da existência, produz a própria existência. Em um dos
resumos apresentados, Taís Bleicher (UECE) e José Jackson Coelho Sampaio definem o
trabalho como um fator de reabilitação social.
Os egressos do sistema prisional ao saírem da prisão almejam vencer o obstáculo da
rotulação, comumente imposta pela sociedade. No entanto, se frustram diante de uma
realidade totalmente contraditória, onde as pessoas ignoram a possibilidade de mudança do
indivíduo ex-apenado, se prendem a visão do mesmo como sujeito ligado à criminalidade,
gerando assim, uma constantemente discriminação ou até mesmo, desconfiança do exapenado em relação a sua posição de trabalhador. Tal desconfiança se torna um empecilho na
conquista de um bom emprego por parte do sujeito.
Logo, quando os apenados terminam de remir sua pena e são inseridos novamente no
convívio social sofrem bastante preconceito.
Na maioria dos empregos formais, é exigido o atestado de bons antecedentes:
documento em que consta sua relação com a justiça, as passagens pelo sistema
prisional em decorrência dos delitos cometidos. Durante todo o período de liberdade
condicional, o atestado continua atestando sua passagem pelo sistema prisional, o
que impede o sujeito de conseguir emprego formal. O que resta é o mercado
informal, alguns trabalhos na construção civil ou a voltar para o crime como meio de
sustento. (Psicóloga, IDH)
A Psicóloga é bem clara ao explicitar isso, pois afirma que “os ex-apenados quando se
tornam livres são vítimas de um enorme preconceito, as ofertas de trabalho são bastante
limitadas, restando apenas a área da construção civil” (Psicóloga, IDH). Na entrevista ela cita
que:
[...] Eles ficam impressionados com o tratamento, eles falam que são tratados bem.
Eu falei: eu não te trato bem, eu te trato como qualquer pessoa deve tratar um ao
outro, né? Acho que se você está assustado com isso é bom, e espero que você
pratique isso né? (Psicóloga, IDH).
62
IV ENCONTRO INTEGRADO DE
PSICOLOGIA
Na entrevista com o apenado MMC, no geral percebe-se que ele considera o trabalho
como algo positivo, porém relata já ter sofrido um grande preconceito quando ele diz: “...
passei por humilhação no sistema prisional convencional, penso no que minha mãe passou, é
desumano o que o pessoal faz”. (MMC, 30 anos).
Souza (2009) apresenta a concepção de que o trabalho é essencial para a sociedade, é
central na vida do homem, e por isso diz que o indivíduo que não tem um trabalho fixo de
carteira assinada é visto como “desqualificado” ou “vagabundo”. Ele afirma que a maior
preocupação da sociedade, que é um traço marcante passado pelas gerações dos pais para os
filhos, é transmitir o que “não se deve ser” ao invés de simplesmente o que “se deve ser”, e
deve afastar-se o máximo possível do derrotado.
A partir da análise dos dados apresentados, percebe-se que os ex-detentos em sua
maioria tiveram uma baixa qualificação, geralmente eles surgem de famílias de baixa renda,
como afirma Souza (2009). Essa baixa qualificação é um dos principais fatores que ocasionam
o desemprego na atualidade. No caso dos ex-apenados, inúmeras vezes eles saem da prisão e
não conseguem emprego devido ao preconceito imposto pela sociedade perante o fato de o
indivíduo ser um ex-detento, um ex-praticante de crimes.
Nota-se também que os apenados têm condições precárias de trabalho e devido ao
preconceito, as ofertas destinadas ao mesmo são muito restritas. Como afirmação deste fato, a
Psicóloga cita:
Mas é, a minha crítica é ao modelo de trabalho que a gente estrutura e o que a gente
oferece para os presos e egressos, que é um cardápio né? Construção civil,
construção civil, construção civil. (Psicóloga, IDH).
Os apenados quando saem do presídio imaginam que vão poder escolher o que querem
fazer dali para frente, mas se deparam com uma realidade muito diferente, que se origina mais
uma vez no preconceito que as outras pessoas têm por eles serem ex-detentos, e o que
geralmente aparece como como oferta é a construção civil. Em seu resumo apresentado no I
Colóquio, Rossietti (2012) afirma que raramente se vê o trabalhador ser consultado sobre o
que ele quer.
4. CONSIDERAÇÕES
A partir desta pesquisa foi possível perceber como a temática do trabalho prisional é
com frequência discutida por diversas áreas profissionais. Diante da realidade encontrada foi
evidente que as diversas questões levantadas acerca deste trabalho esta longe de serem
esgotadas.
Foi possível constatar nos dados coletados que existem questões a serem enfrentadas
tanto pela sociedade, quanto pelos programas de reinserção social. Nesta primeira uma das
dimensões que devemos trabalhar, são os estigmas sociais negativos, que impedem que o
egresso ou mesmo o apenado seja visto não apenas como um eterno infrator, mas como um ser
humano que comete erros. Os programas de reinserção devem sofrer uma reforma, pois apesar
de propor a recuperação moral e social do indivíduo, muitas vezes promovem a exclusão.
Acredita-se também que para que ocorra a reintegração plena dos presos e egressos as
diretrizes vão além das oportunidades de recuperação moral e social desse indivíduo.
É necessário repensar e compreender os diferentes mundos de trabalho. O real mundo
do trabalho em que estavam inseridos a maioria dos presos e egressos do sistema prisional está
longe de ser o mundo do trabalho desejado pela sociedade. Muitos possuem a experiência
63
IV ENCONTRO INTEGRADO DE
PSICOLOGIA
trabalho informal e ilegal, onde as regras são criadas por todos. Ao entrar em um programa
que baseia- se no trabalho desejado socialmente, que tem como fator principal a disciplina e
compromisso para realização das atividades, as dificuldades começam a aparecer. E neste
sentido sobre a organização do trabalho dentro dos presídios Brant destaca que “cria-se uma
nova sociedade no cárcere totalmente distinta daquela onde se pretende reintegrar o
condenado”. (BRANT 1994. p.110).
No entanto, o trabalho prisional é um assunto amplo que possibilita a integração de
vários profissionais interessados em analisar as facetas do trabalho, enquanto: reinserção
social, como forma de controle social, diminuição de reincidência criminal, redução da pena, o
aumento da mão de obra e o desenvolvimento de habilidades. Enfim, observa-se na atualidade
que esta forma de trabalho está sendo muito divulgado na mídia dando margem para a
realização de mais estudos sobre o assunto e que eles sejam sempre orientados pelo senso
crítico, de maneira ética e respeitando os limites dos indivíduos.
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valores e venerabilidades. 2011. 121f. Dissertação (Mestrado em Psicologia) – Universidade
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http://www.guiadedireitos.org/index.php?option=com_content&view=article&id=950&Itemid
=203. Acesso em: 29 set. 2011.
FEU ROSA, Antônio J. Miguel. Execução penal e trabalho do preso: Noções gerais.
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http://artigosdoportalinstitucional.files.wordpress.com/2008/04/execucao-penal-trabalho-dopreso-nocoes-gerais.pdf. Acesso em: 28 set. 2011.
FOUCAULT, Michel. Vigiar e Punir: Nascimento da prisão. Petrópolis, Vozes, 1987.
GOFFMAN, Erving. Estigma – Notas sobre a manipulação da identidade Deteriorada.
Rio de Janeiro/RJ: Guanabara, 1988.
LEMOS, Ana Margarete; MAZZILLI, Cláudio and KLERING, Luís Roque. Análise do
trabalho prisional: um estudo exploratório. Rev. adm. contemp. [online]. 1998, vol.2, n.3,
pp. 129-149. ISSN 1982-7849. http://dx.doi.org/10.1590/S1415-65551998000300008.
MIRABETE, Júlio Fabbrini. Código penal interpretado. 2. ed., atualizada até maio de 2001
São Paulo: Atlas, 2001. p. 304-308.
MORIN, Estelle; TONELLI, Maria José and PLIOPAS, Ana Luisa Vieira. O trabalho e seus
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SOUZA, Jessé. A ralé brasileira: quem é e como vive. Belo Horizonte: Editora UFMG,
2009.
64
IV ENCONTRO INTEGRADO DE
PSICOLOGIA
MENÇÃO HONROSA
A EXTENSÃO DA PENA: ESTUDO COM DETENTOS E FAMILIARES
DE PESSOAS EM PRIVAÇÃO DE LIBERDADE
Nome: Regina Geni Amorim Juncal
Aluna do Curso de Psicologia da Unidade Coração Eucarístico
Departamento de Psicologia da PUC Minas
Endereço: Rua Dom Lúcio Antunes, 904, apt.305, Coração Eucarístico, Belo Horizonte –
Minas Gerais. CEP: 30535-630
E-mail: [email protected]
Fonte de financiamento: PROBIC – PUC
Orientador: Bruno Vasconcelos de Almeida
Professor Doutor do Curso de Psicologia da PUC Minas
Endereço: Rua Serravite, 222, apt. 701, Floresta, Belo Horizonte – Minas Gerais. CEP:
E-mail: [email protected]
Resumo: Este artigo problematiza os resultados obtidos na pesquisa desenvolvida através do
Programa de Bolsas de Iniciação Científica (PROBIC-PUC) durante o ano de 2011. O
objetivo do trabalho foi pesquisar as maneiras pelas quais os familiares são atingidos pela
pena. Foram realizadas entrevistas com detentos e familiares de pessoas em privação de
liberdade em três unidades penais do estado de Minas Gerais, explorando os possíveis efeitos
da extensão da pena para aqueles que mantêm vínculo com o preso. Acrescentamos as
entrevistas com dois advogados que atuam no âmbito do Direito Penal em Belo Horizonte. Os
resultados apontaram para a violação de direitos fundamentais e para o sofrimento motivado
pela prisão, entre outros desdobramentos discutidos no artigo.
Palavras-chave: família; pena; prisão; direitos.
Abstract: This paper discusses the results obtained in the research developed through the
Institutional Scholarship Program of Scientific Initiation5 of Pontifícia Universidade Católica
(PUC), in the state of Minas Gerais in the year 2011. The objective of this study was to
investigate the ways in which family members are affected by the penalty. Interviews were
conducted with inmates and relatives of people deprived of freedom in three criminal
institutions in Minas Gerais, exploring the possible effects of the extent of the penalty to those
who are tied to the inmate. Two interviews with attorneys who work under the Criminal Law
in Belo Horizonte were added. The results pointed out the violation of fundamental rights and
the suffering motivated by the imprisonment, among other consequences discussed in the
article.
Keywords: family; penalty; prison; rights.
5
Programa de Bolsas de Iniciação Científica (PROBIC-PUC)
65
IV ENCONTRO INTEGRADO DE
PSICOLOGIA
1. INTRODUÇÃO:
A questão da extensão da pena e seus efeitos para aqueles que mantêm vínculo com
pessoas em privação de liberdade, surgiu através do questionamento da forma como é
realizada a revista para entrada de visitantes nos estabelecimentos prisionais do Estado de
Minas Gerais. Esse procedimento único e padronizado da revista nas unidades penais do
Estado de Minas Gerais é estruturado a partir da Lei Estadual n.12492/1997. Sobre este tema
há o Procedimento Operacional Padrão que disciplina os direitos e deveres dos detentos,
funcionários e visitantes, adotado em todos os estabelecimentos penais submetidos à
Secretaria de Estado de Defesa Social de Minas Gerais (SEDS) e administrado pela
Subsecretaria de Administração Prisional (SUAPI). No entanto, há uma discrepância entre a
forma como a revista é realizada e o que prescreve não apenas a lei estadual citada e o
Procedimento Operacional Padrão da SEDS, mas também a Resolução n.9 de 2006, editada
pelo Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária, bem como direitos fundamentais
da Constituição Federal do Brasil, que veremos a seguir no decorrer deste trabalho.
A questão da revista para entrada nos estabelecimentos penais realizada sobre os
familiares e amigos de pessoas em privação de liberdade, foi o que suscitou a existência da
extensão da pena, ou seja, da criminalização dos familiares e amigos dos presos, pelo simples
vínculo familiar ou afetivo com o detento. A revista se configurou como primeira hipótese do
efeito da extensão da pena, devido ao procedimento vexatório que é utilizado nos visitantes.
Ao se estender a pena, infringi-se o importante princípio, da pessoalidade da pena,
consagrado pela Constituição Federal, art. 5, XLV, que diz que nenhuma pena passará da
pessoa do condenado. A problematização das revistas como é realizada, trouxe a discussão
sobre as diversas possibilidades dos efeitos da extensão da pena para as pessoas que mantém
vínculo com o preso. Assim, o objetivo deste trabalho é avaliar e problematizar as maneiras
pelas quais os familiares e amigos de pessoas em privação de liberdade são atingidos pela
pena.
2. METODOLOGIA:
Esta pesquisa foi baseada na abordagem qualitativa de pesquisa social, utilizando
entrevistas semi-estruturadas, envolvendo a questão da percepção e a vivência da pena pelos
familiares de pessoas em privação de liberdade e pelos presos. Foram realizadas 33 entrevistas
com detentos; 21 entrevistas com familiares (realizadas na fila de espera no dia de visita
estabelecido pela unidade prisional) e 2 entrevistas com advogados que atuam na área do
Direito Penal. A produção obtida através da transcrição das entrevistas foi analisada a partir da
análise de conteúdo. Essa pesquisa foi desenvolvida igualmente através da exploração de
meios bibliográficos, análise de documentos e observação participante. As três unidades
penais onde foram realizadas as entrevistas com os presos foram: Penitenciária José Maria
Alckimim; Penitenciária Antônio Dutra Ladeira e Centro de Remanejamento de Presos
(CERESP) do bairro Gameleira.
3. DISCUSSÃO
A discussão sobre a extensão da pena para os familiares de pessoas em privação de
liberdade é pautada neste trabalho principalmente pela forma adotada no procedimento
inconstitucional de revista para entrada em estabelecimentos penais. O sofrimento ocasionado
66
IV ENCONTRO INTEGRADO DE
PSICOLOGIA
aos familiares e presos, a perda ou fragilização dos laços, o endividamento familiar, são outras
formas que estão relacionadas à submissão dos indivíduos a esse padrão de revista realizada
nos estabelecimentos.
Uma vez que a classe mais desfavorecida economicamente, marginalizada, está dentro
das prisões; os familiares e amigos também estão inseridos nesse grupo e, portanto, são
também marginalizados e submetidos a um processo de criminalização. Segundo Zaffaroni
(2006), todas as sociedades contemporâneas que formalizam o poder (Estado) selecionam um
grupo reduzido de pessoas que submetem à sua coação com o fim de impor-lhes uma pena.
Essa seleção penalizante é o que ele chama de criminalização. Quanto à revista íntima, os
documentos analisados comprovam que por mais que a amostra desta pesquisa tenha sido
pequena, a realidade drástica deste procedimento é averiguada principalmente pelo
Procedimento Administrativo n. MPMG-0024.09.001836-5 de 5 de outubro de 2009, bem
como pelo projeto de lei de iniciativa popular que busca revogar integralmente a Lei Estadual
12492/1997 a fim de tornar o procedimento de revista em harmonia com a Constituição
Federal, ou seja, mais humanizado, de tal forma que não sejam afetados o direito da dignidade
humana, da intimidade, da liberdade, da integridade física e moral e, inclusive, o direito à
saúde.
A Lei 12.492/1997 dispõe sobre o sistema de revista nos estabelecimentos prisionais
do Estado de Minas Gerais. Diz em seu artigo 1 que a revista “será realizada com respeito à
dignidade humana”, trata-se de um procedimento único e padronizado de revista, ao qual não
serão submetidos chefes de poder, advogados, parlamentares, dentre outros. Seu artigo 3 diz
que objetivando a segurança, deve o estabelecimento possuir equipamentos necessários para
impedir a entrada de qualquer tipo de arma ou droga. O artigo 4 é fundamental para nossa
análise “O procedimento padronizado de revista, previsto no artigo 2, não inclui a realização
de revista íntima, que será efetuada excepcionalmente, dentro dos limites fixados nessa lei”
(MINAS GERAIS, 1997) -grifo nosso-.
A revista íntima, segundo a própria lei, é qualquer inspeção às cavidades corporais,
vaginal e anal, das nádegas, dos seios, efetuada visualmente ou manualmente, com auxílio de
instrumento ou objeto, ou de qualquer outra maneira. Para que a revista íntima seja realizada,
portanto, deve haver um caráter excepcional de fundada e grave suspeita ou em fato objetivo
específico, que indique que o visitante porta algo ilícito. Nesse caso, o equipamento
eletrônico, por exemplo, seria uma forma de se obter critério objetivo para submeter o
visitante a esse tipo de procedimento. A mesma lei versa sobre a realização excepcional do
procedimento, o visitante deverá está ciente do motivo do procedimento especial, através de
expressa declaração do diretor do estabelecimento, sob pena de sanção administrativa. Não
obstante, diz a lei que a revista íntima deverá ser realizada por profissional da área de saúde. A
Resolução n.09 de 12 de julho de 2006 do Conselho Nacional de Política Criminal e
Penitenciária, regula o procedimento de revista dos visitantes de forma similar à lei citada. No
artigo 2 encontramos “a revista manual só será efetuada em caráter excepcional, ou seja,
quando houver fundada suspeita de que o revistando é portador de objeto ou substância
proibidos legalmente e/ou que venham a por em risco a segurança do estabelecimento”
(BRASIL, 2006). O caráter objetivo não é especificado nesta resolução e tão pouco na lei, mas
pode-se entender que o raio-x ou outro equipamento eletrônico seria uma forma de tornar o
critério objetivo para a revista íntima. No entanto, não existe de maneira alguma, de acordo
com todas as entrevistas realizadas tanto com os presos quanto com os familiares, a exceção
nesse procedimento. A revista íntima realizada nos visitantes é um procedimento padrão,
obrigatório e realizado por agentes penitenciárias em todos os dias de visita. Muitas mulheres
são proibidas de verem seus familiares nos dias da visita e o motivo alegado pela agente
67
IV ENCONTRO INTEGRADO DE
PSICOLOGIA
penitenciária é que “não foi possível ver o canal”. Até mesmo as crianças passam por esse
procedimento. Segundo os entrevistados a forma é mais branda, uma vez que não têm que ver
o canal da criança até doze anos. O procedimento é abaixar a calça até o joelho.
O procedimento descrito pelos entrevistados é uma afronta à dignidade humana. A
Coordenadoria de Controle de Constitucionalidade do Ministério Público do Estado de Minas
Gerais em outubro do ano de 2009, fez um Procedimento Administrativo que recomendava
mudanças no item 3 do Procedimento Operacional Padrão dos estabelecimentos penais
(POP.GP.01.15), para que se adéque a Lei Estadual 12492/1997, de forma que a revista íntima
seja efetuada por profissional da área de saúde, e não agente penitenciário. Além disso,
recomenda adequação da redação do item 6.3.17 do PG.GP.01.01 (Procedimento de Gestão
Segurança) à Lei estadual 12.492/1997, de tal forma que se exija grave suspeita ou fato
objetivo específico e expressa autorização do diretor do estabelecimento prisional para que
ocorra a revista íntima, e não, caso o agente simplesmente desconfie, ou apenas o diretor
autorize. Esse procedimento foi feito pela Coordenadoria de Controle de Constitucionalidade
devido ao:
(...) expressivo número de reclamações recebidas pelo Ministério Público Estadual,
principalmente de mulheres, inclusive grávidas, sobre o procedimento vexatório e
fisicamente dolorido a que se submetem na revista íntima realizada nos presídios
estaduais, nos dias de visita aos presos (MINAS GERAIS, 2009).
Esse procedimento é causa de enorme sofrimento e não raro, muitos presos optam por
não receberem visitas para que seus familiares ou amigos não passem por esse procedimento,
principalmente idosos e crianças. A Comissão Interamericana de Direitos Humanos em
Relatório sobre mulheres encarceradas nomeia a revista íntima como vexatória e considera
“extremamente humilhante uma vez que em muitas unidades se exige que as roupas sejam
totalmente retiradas, os órgãos genitais manipulados e até revistados, há obrigação de realizar
vários agachamentos, independentemente da idade avançada do(a) visitante” (BRASIL, 2007,
p.43).
No artigo Os Direitos Individuais e a Intervenção Corporal: A necessária releitura
constitucional como forma de efetivação dos direitos fundamentais, Fiori (2011), nos ajuda a
diferenciar as intervenções corporais das revistas corporais. As intervenções corporais podem
ser provas invasivas ou provas não invasivas.
As provas consideradas invasivas poderiam ser definidas como as intervenções
corporais que pressupõe penetração no organismo humano, por instrumentos ou
substâncias, em cavidades naturais ou não. Entre elas, enumeram-se as perícias
como os exames de sangue em geral, o exame ginecológico, a identificação
dentária, a endoscopia e o exame de reto. E as não invasivas, classifica a autora
como sendo as intervenções em que não há penetração no corpo humano (...)
(FIORI, p.7).
A revista corporal, por sua vez, é superficial, realizada sob a roupa do revistando,
quando se procura, em caso suspeito, objetos escondidos na roupa ou no corpo do sujeito.
Dessa maneira, no que diz respeito à natureza jurídica, a revista como é realizada nos
estabelecimentos penais do Estado se caracteriza não como uma revista, mas sim como uma
intervenção corporal não invasiva, uma vez que seu procedimento, segundo as entrevistas, é
tirar a roupa, agachar de frente e de costas, deitar na maca, abrir as pernas, fazer força e tossir.
Esta intervenção agride a integridade física e a intimidade da pessoa que se submete a este
procedimento.
68
IV ENCONTRO INTEGRADO DE
PSICOLOGIA
Fiori explicita que a natureza jurídica da intervenção corporal é investigatória pós
delito e a revista corporal tem natureza preventiva. Há, portanto, para os familiares em dias de
visita, uma afronta ao princípio de inocência disposto no art.5. LVII da Constituição Federal,
uma vez que utilizam procedimento de caráter processual para obtenção de prova, supondo a
priori que o visitante porta algo ilícito. Ainda segundo Fiori, a prática da intervenção corporal
incide na esfera dos direitos fundamentais e deve-se observar o princípio da proporcionalidade
e da razoabilidade:
É preciso que o delito ocorrido seja elemento justificativo para a interferência e
violação de direitos fundamentais, isto é, exige-se uma correspondência entre o grau
de gravidade da infração penal e a necessidade de uma intervenção corporal. Há a
necessidade de certos indicadores, como indício cujo grau de razoabilidade
demonstre a possibilidade de utilizar a intervenção corporal como única forma de
esclarecer o crime (...) (FIORI, p.7).
Os visitantes dos estabelecimentos penais, no entanto, não cometeram nenhum crime
para se submeterem ao procedimento de intervenção corporal, comumente chamado de revista
íntima. Quem cometeu delito foi seu familiar que está preso, mas ao que parece o fato de ter
amigo ou familiar encarcerado determina por si só a possibilidade do visitante cometer (ou
estar cometendo) algo ilícito. A ideia é que a probabilidade do crime aumenta; para essa
intervenção da forma como ocorre, parte-se do pressuposto que a pessoa porta algo ilícito
consigo, de tal forma que ela deve provar que não cometeu crime, uma vez que o critério da
suspeita é absolutamente subjetivo e pautado no vínculo com o preso. Fica claro a
criminalização e a extensão da pena para o familiar ou amigo de pessoa em privação de
liberdade. Essa extensão possui muitos desdobramentos para os familiares e acaba por
dificultar ainda mais o vínculo com o preso, que é cada vez mais segregado. As entrevistas
demonstraram que os presos se sentem culpados e constrangidos pelo procedimento que os
visitantes são obrigados a passar, para vê-los.
É impressionante como esse procedimento atestadamente falido, inconstitucional se
mantém ainda hoje. O princípio da dignidade da pessoa humana, disposto no art.1, inciso III
da Constituição Federal, é absolutamente maculado. A intimidade, a vida privada, a honra e a
imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral
decorrente de sua violação, disposto no art. 5, inciso X, da Constituição Federal, é devassado
no procedimento de revista íntima. A própria Lei Estadual 12.492/1997 é desconsiderada
quando: não há fundada suspeita, não há expressa autorização do diretor, não há agente de
saúde, não há excepcionalidade na revista íntima. A Resolução n9, de 12 de julho de 2006,
editada pelo Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária, que versa sobre a
excepcionalidade da revista manual, sobre a fundada suspeita, também é desconsiderada.
Trata-se de procedimento restritivo de direitos, realizado sem fundamento, causador de
constrangimento e de riscos à saúde, já que como foi recolhido nas entrevistas não há nenhum
tipo de higiene na maca em que deitam centenas de mulheres em um único dia de visita.
Alguns dos efeitos da extensão da pena para os familiares e amigos de pessoas em privação de
liberdade, veremos a seguir, de acordo com as análises das entrevistas realizadas. A revista
íntima é uma penalização à família, ilícita e inadmissível.
4. RESULTADOS
A partir da análise das entrevistas, encontramos quatro questões como efeitos da
extensão da pena do preso para seus familiares ou amigos: 1) procedimento de revista; 2)
69
IV ENCONTRO INTEGRADO DE
PSICOLOGIA
perda ou fragilização do vínculo pela opção de não receber ou fazer visitas em função do
procedimento da revista e do sofrimento que ocasiona; 3) riscos à saúde; 4) endividamento
familiar devido a perda de quem integrava a renda familiar, ou mesmo pelo gasto com as
visitas e mantimentos para os presos.
Uma questão que apareceu com frequência e que merece ser discutida, foi a
justificativa para a revista; apesar de toda descrição que fazem sobre o fato de estarem presos
ou ter alguém preso na família, de toda indignação e sofrimento ocasionado, acabam por
acolher um discurso que naturaliza o procedimento de revista, baseado no mito de que o
sistema é rígido porque sempre encontram algum objeto ilícito em alguém e por isso a revista
deva ser praticada nos moldes em que ocorrem.
4.1. Procedimento de revista
Como foi discutido neste trabalho, o procedimento de revista é inconstitucional,
violador da intimidade e da dignidade da pessoa, fere uma série de princípios do Estado
Democrático de Direito. Baseamos esse argumento no princípio da pessoalidade da pena, na
presunção de inocência, proporcionalidade e razoabilidade; no direito da dignidade da pessoa
humana, da intimidade, da liberdade, da integridade física e moral, à saúde; na Lei Estadual
n.12492/1997; no Relatório sobre Mulheres Encarceradas da Comissão Interamericana de
Direitos Humanos, na Resolução n.9 de 12 de julho de 2006 do Conselho Nacional de Política
Criminal e Penitenciária, no entendimento de que a revista íntima é tecnicamente uma
intervenção corporal, sendo sua natureza jurídica investigatória pós delito.
Tanto nas entrevistas com os familiares nos dias de visita, quanto com os presos, a
descrição do procedimento é associada à humilhação, ao constrangimento e ao sentimento de
crueldade que associam aos agentes penitenciários.
Ah, as conseqüências é que a gente é muito criticado, né. A gente é muito criticado
por vir aqui, pela família, porque a família acha que...a maioria da família não gosta
que a gente venha não né, que a gente venha nesse lugar não...exatamente pela
humilhação que a gente passa aqui, não pelo preso que tá aí, mas porque a gente...a
humilhação que a gente passa é muito grande né.
Nossa, é horrível! É muito humilhante. Eles faz hora demais com a cara da gente,
mesmo eles sabendo que a gente não tá com nada guardado dentro da gente...eles
faz hora, bastante hora pra poder....a vocação deles é fazer hora mesmo com o ser
humano, você entendeu. É um desrespeito dos grandes porque você já foi aprovado,
ás vezes senta naquela cadeira lá, que é a prova se você tá com nada ou não...que o
aparelho detecta, né, se você tá com alguma coisa, então....Aí eles já começam, pede
pra gente ficar deitada na mesa lá, pelada com as pernas arreganhadas...uma coisa
horrorosa.
Muitas associam o procedimento ao trabalho de parto devido à força exigida. Explicam
que essa força é necessária para que as agentes penitenciárias vejam o “canal”, comparado ao
exame ginecológico. Outro problema é o fato da visita poder ser impedida caso as agentes
aleguem que não foi possível ver o “canal”. Algumas das entrevistadas não sabem o que é o
“canal” e reclamam da arbitrariedade e da dor ocasionada.
Você tem que abrir a sua vagina pra ela tá olhando o canal. Então assim...eu acho
constrangedor porque o canal quem vê é ginecologista. Uma vez eu briguei com
uma agente aí por causa disso, eu não pude entrar porque ela não tava vendo meu
canal. Eu acho assim, por um lado ela tá fazendo o trabalho dela. Não pode julgar
70
IV ENCONTRO INTEGRADO DE
PSICOLOGIA
porque eles estão fazendo o trabalho deles, por outro, eles tinha que ter um
ginecologista de plantão porque volta muita gente por elas não conseguirem ver o
canal.
Horrível. Horrível. Nunca passei por coisa tão humilhante. Eu cheguei uma vez a
ficar 15 dias mancando de uma perna que os agente pressionou. As vezes eu fazia
tanto o processo, tanta coisa lá. Eu acho que dá pra olhar pela minha cara..porque
pelo amor de deus! Por que ela fez tanta coisa lá, mandou eu virar tanto a perna,
enfiar a mão lá por baixo, virar a perna para um lado e pro outro, que eu fiquei
mancando 15 dias. Eu podia até ter processado, mas eu num achei (....).
(...) Assim, as vezes que eu voltei, eu voltei 9 vezes seguidas, logo nas primeiras
vezes que eu vim. Eu não conseguia porque eu chegava aqui, era até incrível porque
eu fui no ginecologista várias vezes, porque eu não tenho problema de urina, não
tenho problema de nada. Eu chegava dentro da salinha e eu não parava de urinar,
não parava. Aí elas chegavam perto de mim, perguntavam se tinha alguma coisa
errada comigo, sabe, aí eu falava(....).
Os presos relataram uma percepção próxima aos familiares sobre o procedimento de
revista. A maioria sabe descrevê-lo. Associam à humilhação e ao sofrimento. Em geral, os
familiares demonstraram a insatisfação quanto ao modelo padrão de revista nos dias de visita,
associando-o à humilhação, constrangimento, dor e crueldade. Pode-se inferir que o
procedimento está associado a um efeito de continuidade da pena do preso a uma pessoa com
quem mantém vínculo, em geral, um familiar, que é tratado como alguém que cometeu algum
crime.
Eu acho que a gente é tratado como coisa sem valor...o jeito que a gente é tratado é
que a gente é criminosa (...).
(..) elas acham como o marido da gente tá aí, a gente tudo é bandido, sabe.
Infelizmente aqui é assim.
O tratamento desumano dado ao “criminoso” é naturalizado, isto é, justificaria este
tipo de procedimento caso a pessoa tenha cometido crime. É através da responsabilização do
indivíduo em detrimento do dever legal do Estado em assegurar direitos e garantias
fundamentais que essas ações degradantes são toleradas e normalizadas.
4.2 Perda ou fragilização do vínculo pela opção de não receber ou fazer visitas devido ao
procedimento de revista e o sofrimento que ocasiona
A situação de encarceramento ocasiona por sua própria natureza a fragilização dos
laços sociais e afetivos. O discurso da ressocialização legitima a segregação de quem cometeu
delito para que, paradoxalmente, ele possa „aprender‟ a viver em sociedade, ainda que
afastado dela. As visitas ocorrem aos sábados e domingos entre as 8 e 16 horas. No entanto,
devido ao procedimento de revista, as pessoas demoram horas na fila e esse tempo é reduzido,
a não ser, como relatado por alguns entrevistados, que a pessoa durma na fila.
A percepção dos familiares e presos sobre a crueldade da revista é representada não
apenas pela descrição da revista e dos sentimentos que faz emergir, mas também pela opção
de não mais receber determinadas visitas para poupar-lhes o procedimento. Como ensina
Foucault (2010), a prisão não é apenas punitiva, é também um mecanismo de eliminação do
indivíduo que ocorre diretamente ou, quase sempre, indiretamente, já que encontram muita
dificuldade em arrumar emprego, não possuem meio de subsistência e encontram dificuldade
71
IV ENCONTRO INTEGRADO DE
PSICOLOGIA
para reconstituir a família. Tudo isso é motivado exatamente pela perda dos vínculos, que é
estimulada de várias maneiras, e a revista, entendemos, é uma delas. As crianças e idosas são
poupadas da visita pelos próprios familiares, na maioria das vezes, mães e esposas.
A minha família, ninguém vem aqui por isso, só por isso. Meus filhos, minha filha,
minhas cunhada, tias dele, nunca visitou ele, só pela revista. É humilhante demais
gente, tem que acabar com isso (mulher de 64 anos, viúva, dois dos seus cinco
filhos estão presos).
Porque eu acho que é muito constrangimento. Eu acho que é muito constrangimento
pra mim, que a revista aqui é muito terrível...aí eu penso que meu filho não deve
passar por isso, sabe. Prefiro preservar a vida dele lá, isso aqui não é lugar pra
criança não (...) nossa, você precisa ver como que é. Por que infelizmente eu dou até
razão pra mãe do meu marido não vir aqui. Por que você fica morrendo de
vergonha, a forma como elas fazem, e depois, se elas não vêem em você o tal canal,
elas chamam uma outra pessoa e aí você fica ali naquele constrangimento ali, elas
mandam você abrir a perna até...e assim, você sai dolorida de lá, sinceramente. Tem
pessoas aqui que eu acho que sai doente. (entrevistada tem 33 anos, tem um filho de
5 anos com o marido que se encontra preso há 1 ano e 4 meses)
Os presos também explicitam a escolha pela perda do contato, o que pode vir a
dificultar a relação com os filhos e a impossibilidade de acompanhar o seu desenvolvimento.
Minha mãe passou por um procedimento uma vez aí....mas aí eu levei ao
conhecimento do coordenador (...) Ah...uma geral que teve aí. Fez minha mãe
abaixar muitas vezes. Minha mãe já tinha tirado a roupa e fez minha mãe tirar a
roupa de novo e aí ela chegou chorando...aí eu levei ao conhecimento do
coordenador (....). Aí depois eu pedi pra ela não vim mais não (...) Não...do jeito que
fizeram não....minha mãe entrar chorando aí.
Não. Atualmente, quando é dia de visita eu prefiro que ela não venha aqui não (...).
Ahhh...eu tenho até vergonha de receber visita aqui. Eu peço minha família
mesmo....minha família tem gente de idade, minha vó que mora aqui e minhas
tias...pra não vim. Não precisa vim....(...)Eu não quero que minha família venha me
ver num lugar desse não, eu não gosto não....eu fico com vergonha. Eu já tive
visitas de familiares já.
Dessa maneira, consideramos a escolha por não fazer ou receber visitas, pela
freqüência com que aparece nas entrevistas, como mais um efeito da extensão da pena para os
familiares. Consideramos, ainda, a perda do vínculo como mais uma penalização do
encarcerado.
4.3 Riscos a saúde
A saúde é um direito social, consagrado pela Constituição Federal nos artigos 6 e 196,
197, 198, 199 e 200 (seção II / Da Saúde). O Estado deve assegurar a saúde como um direito e
fomentar políticas que reduzam o risco de doença e outros agravos. No entanto, o
procedimento a que essas mulheres são expostas demonstram que o Estado promove o
contrário, ao expor as visitantes a condições insalubres. Um dos advogados entrevistados
demonstrou o caráter criminoso da atuação do estado:
O Estado coloca em risco dolosamente a saúde de muitos e muitas quando aceita e
fomenta a realização de procedimentos de revista que são insalubres. Mais crimes
72
IV ENCONTRO INTEGRADO DE
PSICOLOGIA
em larga escala para as costas do Estado, agora o do art. 132 do Código Penal,
Perigo para a Vida ou Saúde de Outrem: “Expor a vida ou a saúde de outrem a
perigo direto e iminente”, com pena de “detenção, de três meses a um ano, se o fato
não constitui crime mais grave.” (advogado 2)
Além das condições de higiene, o fato da revista não ser realizada por agente de saúde,
e sim agente penitenciária, confronta leis e documentos que deveriam regular o procedimento.
Isto porque o agente deve ter formação técnica para acompanhar o procedimento que além de
ser restritivo de direitos pode e, na verdade, coloca em risco a saúde do visitante, devido às
circunstâncias em que é realizado. Muitos dos depoimentos demonstraram a falta de
compromisso com a higiene e saúde da pessoa.
Isso é que eu acho errado...porque tinha que ter uma pia pra lavar as mãos (...).Que
limpa! É o mesmo lençol que todo mundo deita (...). É o mesmo lençol que todo
mundo deita, a não ser que quando alguém acontece de fazer cocô em cima da
cama...aí eles trocam o lençol (...). Acontece sim, acontece. Eu já vi lençol sujo de
bosta. É uma falta de higiene fora do sério, não tem higiene não (...). Horrível. Por
que a gente corre o risco de pegar uma infecção, você entendeu. Primeiro, tinha que
ter uma pia pra lavar as mãos antes de você chegar, de você ir pra revista né...pra
você lavar as mãos pra você colocar em você mesmo. Eu acho que tinha que ter
uma pia, só com aquele gelzinho que eles jogam na mão da gente, não vale a pena
não. Tem que por uma pia com água e sabão pra você lavar, pra depois você passar
um álcool na mão, pra depois você se tocar em você mesmo.
Péssimo, né. Por que eu acho assim, que quando a pessoa deitar na cama com o
forro, eles pelo menos podia tirar o forro e colocar alguma coisa descartável
né....você colocar em um lugar e ter que colocar no mesmo lugar que a outra pessoa
colocou. E se a outra pessoa tiver uma infecção? Pega na gente, né. Concorda?.
O risco a que são submetidos essas mulheres, conforme depoimentos, bem como a
freqüência com a qual apareceram nos fazem considerá-lo como mais um desdobramento da
pena do preso para a família.
4.4 Endividamento familiar devido à perda de quem integrava a renda familiar, ou pelo
gasto com as visitas e mantimentos para os presos
O encarceramento desestrutura as relações familiares. Uma das causas que dificulta o
vínculo, já bastante fragilizado pela perda ou raro contato, é que muitas vezes o preso era o
provedor ou alguém que integrava a renda familiar. Das 21 visitantes entrevistadas, nove
alegaram que o preso integrava a renda familiar. Nos outros casos o preso garantia apenas o
seu sustento com o trabalho, no entanto, o fato de não integrarem a renda, não abole o custo
familiar com seu encarceramento, devido às visitas, mantimentos e objetos pessoais que levam
para os presos. Segundo o Procedimento de Gestão de Segurança, (PG.GP.01.01) da
Secretaria de Estado de Defesa Social de Minas Gerais no item 6.3.16.5, os visitantes podem
levar papel higiênico, sabonente, sabão em barra, creme dental, shampoo e condicionador,
cigarros, vestuário e calçado de uso pessoal, e alguns alimentos citados no documento.
Materiais de uso pessoal devem ser levados não nos dias de visita, nos finais de semana, mas
durante a semana. Nos dias de visita é permitida a entrada apenas de alimentos. Durante as
entrevistas percebemos a enorme quantidade de sacolas que as mulheres levam consigo.
Dessa maneira, existe um custo real da manutenção dos presos para seus familiares,
que por questões das circunstâncias dos estabelecimentos penais, devem suprir o preso com
mantimentos e materiais de uso pessoal. Essa situação é agravada quando o preso contribui
73
IV ENCONTRO INTEGRADO DE
PSICOLOGIA
com a renda familiar. Os presos entrevistados, por exemplo, trabalham nas unidades, mas não
recebem por isso. O trabalho é “trocado” por remissão de pena. Os presos demonstraram
insatisfação com essa situação. Afinal, como tornar o meio do trabalho aceito socialmente
uma via de sustento para o preso, para que ele opte por ela quando sair da prisão, se a ele não
são oferecidas as relações e condições normais de trabalho?
A gente....nós trabalhamu, aí a gente saí daqui e não tem dinheiro pra nada. Aí a
gente não tem dinheiro pra comprar os trem que a gente precisa. Muitos aí que tem
menino na rua e quando chega lá fora tem que correr atrás de serviço. E não é todo
mundo que arruma serviço pra gente não.
Um dos advogados entrevistados demonstrou, mais uma vez, o caráter criminoso da
atuação do estado nas prisões. O trabalho realizado nas prisões, como bem mostraram as
entrevistas com os presos, se configura como exploração e invalidação do sujeito.
Um trabalhador saudável é um indivíduo saudável. O sistema prisional não preza
por isso: a prisionização não preza pela valorização do indivíduo produtivo,
proativo, saudável física e mentalmente; é exatamente o contrário: busca-se um
homem ou mulher dócil, manso(a), submisso(a), servil.
E daí surge o trabalho não remunerado, ou subremunerado: é o Estado novamente
cometendo crimes em massa, é dizer, incorrendo massivamente na prática do crime
do artigo 149 do CP, Redução À Condição Análoga de Escravo: “Reduzir alguém a
condição análoga à de escravo, quer submetendo-o a trabalhos forçados ou a
jornada exaustiva, quer sujeitando-o a condições degradantes de trabalho, quer
restringindo, por qualquer meio, sua locomoção em razão de dívida contraída com o
empregador ou preposto”, cuja pena é de “reclusão, de dois a oito anos, e multa,
além da pena correspondente à violência.” Trabalhar no cárcere sem remuneração
ou sub-remunerado PE trabalhos forçados em condições degradantes, e são
criminosos tanto o Estado que é conivente ou promove isso, quanto a empresa que
explora esta verdadeira mão-de-obra escrava ou semi-escrava. (Advogado 2)
Consideramos, portanto, precárias as condições de trabalho nas prisões, e o possível
endividamento familiar mais um dos efeitos da criminalização da família e da extensão da
pena.
4.5. Justificativa para o procedimento de revista íntima
O caráter perverso dessa justificativa está no fato dos familiares naturalizarem o
procedimento, ainda que ao falarem sobre ele discorram sobre todo o constrangimento e
sofrimento a que são submetidos, como foi discutido até agora. Parece que todo esse
procedimento íntimo e devastador se justifica, segundo discurso dos estabelecimentos penais,
em nome da segurança. Cada vez que é encontrado algum objeto ilícito em posse de uma
visitante, é reforçada a necessidade dessa conduta. Na verdade, em termos legais, ela não se
justifica em hipótese alguma, ela se dá em nome da segurança. O mais grave é que os
visitantes não responsabilizam o Estado ou o estabelecimento por terem que se submeter a
revista íntima, mas a alguém que errou e levou objeto ilícito e por isso, elas “pagam”. Como
dizem “pagam pelos erros dos outros”. A percepção sobre a revista parece ser de um
sentimento contraditório, ao caracterizarem como ruim e ao mesmo tempo boa. Alguns dos
depoimentos das visitantes demonstram isso:
É qualquer uma aí, de qualquer jeito. Inclusive, eu acho assim....eu acho que pelo
ver a pessoa...você já vê que não precisava tá fazendo aquilo comigo. É relativo
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IV ENCONTRO INTEGRADO DE
PSICOLOGIA
também porque as vezes tem uma senhora aí de 70 anos, 80 anos que tá passando
droga(...). Igual, uma vez eu vi numa reportagem que a menina não agüentou...ela
entrou com dois celulares na vagina...incrível, né? Mas aí vai pagando um pelo
outro.
Olha, por um lado é ruim, mas por outro lado é bom né. Por que eu acho que nem
todo mundo é igual né. Então eu acho que não tem como dizer não porque as
vezes....podia ter assim, eu acho que podia ter o raio x né, pra poder olhar
direitinho, pra pessoa não ter que passar tanta coisa. E o pior é assim, que as vezes
você não tem nada e fica fazendo força, você tem que ver um canal que eu nem sei
se existe, sabe, um canal que eu nem sei se existe.
De certa forma, é um discurso que ajuda o indivíduo a lidar com essa situação, já que
segundo Procedimento de Gestão de Segurança (PG.GO.01.01) da Secretaria de Estado de
Defesa Social de Minas Gerais, no item 6.3.16, o visitante que se recusar ao procedimento de
revista não poderá adentrar à unidade. Flagrante é a ilegalidade do procedimento, e para que
se sustente, transfere a responsabilidade para o indivíduo, para dar resposta à criminalidade e
suprimir a obrigação do Estado de garantia aos direitos fundamentais.
Apesar desse discurso, há o entendimento de que, segundo artigo 5, inciso LVI, são
inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por meios ilícitos. As intervenções corporais,
como é o caso da revista íntima, que violam os direitos fundamentais, são provas ilícitas e,
portanto, não podem e não devem ser consideradas como provas. Mariath em seu artigo
intitulado Limites da Revista Corporal no Âmbito do Sistema Penitenciário, demonstra que o
direito fundamental é inegociável e exemplifica através do entendimento do Tribunal do
Estado do Rio de Janeiro, que entendeu que a revista íntima (despir-se completamente,
abaixar-se, abrir as pernas, fazer força, pular) é “vexatória, degradante, violenta o direito à
intimidade e a dignidade da pessoa humana” (MARIATH, p.17), e que não pode se justificar
baseada em qualquer hipótese.
5. CONCLUSÃO
A pesquisa demonstrou que a prisão acarreta inúmeros atravessamentos para os que
mantêm vínculo com os presos, que em geral são seus familiares. A revista íntima que
acontece nos estabelecimentos penais do Estado de Minas Gerais é um instrumento que
fragiliza ainda mais os laços entre presos e familiares, devido aos riscos que oferecem a saúde
das pessoas que passam pelo procedimento, bem como a opção por não fazer ou receber
visitas, principalmente crianças e idosos. A revista íntima tem como critério o vínculo com o
preso. Dessa maneira, o critério que deveria ser objetivo, segundo lei, para submeter a esse
procedimento, passa a ser subjetivo e pautado no vínculo do visitante com o preso. A revista
íntima produz sofrimento aos familiares e desdobramentos em suas vidas e relações, que
devem ser consideradas.
75
IV ENCONTRO INTEGRADO DE
PSICOLOGIA
REFERÊNCIAS
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IV ENCONTRO INTEGRADO DE
PSICOLOGIA
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77
IV ENCONTRO INTEGRADO DE
PSICOLOGIA
MENÇÃO HONROSA
A GÊNESE DA RESILIÊNCIA
NA PERSPECTIVA DA TEORIA DO APEGO6
Araceli Maria Silva
Aluna do Curso de Psicologia da Unidade Arcos
Departamento de Psicologia da PUC Minas
Endereço: Rua Bossuet Costa n°603 – Piumhi – MG
E-mail: [email protected]
Priscila Giarola Arantes
Aluna do Curso de Psicologia da Unidade Arcos
Departamento de Psicologia da PUC Minas
Endereço: Rua Marciano Montserrat nº 75 A– Formiga – MG
E-mail: [email protected]
Orientador: Carlos Eduardo Carrusca Vieira
E-mail: [email protected]
PUC Minas (Arcos)
RESUMO
O presente trabalho empreende uma leitura crítica dos fatores relacionados à gênese da
resiliência, na perspectiva da teoria do apego. Seu principal objetivo é investigar os fatores
relacionados ao desenvolvimento da resiliência, com base nos construtos da teoria do apego.
Para a consecução desse objetivo, as autoras discutem inicialmente, o uso do conceito de
resiliência no âmbito da Psicologia e apresentam os delineamentos principais da teoria do
apego. Em um segundo momento, analisam como a teoria do apego pode favorecer a
compreensão da origem da resiliência. Trata-se de uma revisão bibliográfica, realizada a
partir de diferentes estudos publicados sobre o tema, Abreu (2010); Bowlby (1984, 1990);
Cyrulnik (2009); Dalbem e Dell‟aglio (2005, 2008); Fingergut (2011); Pinheiro (2004); Souza
(2006); Yunes e Szymans (2001). Conclui-se neste trabalho que a teoria do apego pode ser
considerada como uma perspectiva psicológica capaz de aprofundar a compreensão do
processo do desenvolvimento da resiliência, e indica-se a necessidade de novas pesquisas com
base nessa abordagem.
Palavras-chave: Adversidade; Resiliência; Teoria do Apego; Vinculação.
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Artigo baseado no Trabalho de Conclusão de Curso “A gênese da resiliência na perspectiva da teoria do
apego”, orientado pelo professor Carlos Eduardo Carrusca Vieira (PUC Minas/Arcos).
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IV ENCONTRO INTEGRADO DE
PSICOLOGIA
INTRODUÇÃO
Como algumas pessoas conseguem passar por grandes dificuldades na vida, enfrentálas e superá-las de maneira positiva, enquanto outras, em situações semelhantes não
conseguem? O que faz com que alguns indivíduos encontrem forças para seguir adiante apesar
da dor inevitável? Somente alguns possuem essa capacidade, ou ela pode ser desenvolvida?
Essas pessoas possuem algo de especial em relação às demais?
O presente artigo pretende responder esses questionamentos, propondo um
entendimento sobre essa interessante habilidade humana de “saber” lidar positivamente com
as adversidades da vida, à luz da teoria do apego, proposta por John Bowlby. Objetiva
investigar, a partir da realização de pesquisa bibliográfica, os fatores determinantes do
desenvolvimento da resiliência a partir dos conceitos que sustentam a teoria do apego.
Este artigo é fruto de um trabalho de conclusão de curso de graduação em Psicologia,
que abordou uma leitura crítica da gênese da resiliência à luz da teoria do apego.
Discutir a temática da resiliência implica em entrar em um campo marcado por amplas
divergências e possibilidades de entendimento. A resiliência ainda é um tema pouco
explorado, que compreende importantes características do ser humano, sobretudo no que se
refere ao seu potencial frente a situações adversas. Nesse sentindo, a relevância desse trabalho
consiste na leitura que propõe do conceito de resiliência, que toma por base a teoria do apego.
Mais do que descrever o comportamento resiliente, pretendemos oferecer elementos que
poderão, no futuro, subsidiar estudos acerca do desenvolvimento dessa capacidade humana.
A NOÇÃO DE RESILIÊNCIA
A noção de resiliência é relativamente nova no campo das Ciências Humanas e
Sociais. Ela teve origem na Física e Engenharia, tendo aparecido pela primeira vez na
literatura em 1807. (YUNES; SZYMANS, 2001). Thomas Young, um cientista inglês, foi um
dos precursores do estudo ao desenvolver experimentos sobre tensão e compressão de barras,
cujo objetivo era entender a relação entre a força aplicada em um corpo e a deformação
produzida por essa força. De seus estudos surgiu a noção de “módulo de elasticidade” que,
posteriormente, foi quantificada e chamada de “resiliência dos materiais”. (YUNES;
SZYMANS, 2001). Desse modo, a noção de resiliência passou a ser atribuída à resistência dos
materiais, sendo compreendida como a capacidade máxima que um material possui de
suportar uma tensão, se deformar momentaneamente, e retornar ao seu estado original quando
cessada a tensão sofrida. (BENETTI; CREPALDI, 2012).
A Psicologia tomou de empréstimo o conceito de resiliência da Física, passando a
defini-lo como a capacidade do indivíduo de enfrentar as adversidades, ser transformado por
elas, mas conseguir superá-las. (PINHEIRO, 2004). Está correlacionada à noção de sucesso e
adaptação às normas sociais. (PINHEIRO, 2004). Refere-se à capacidade de regeneração,
adaptação e flexibilidade diante de situações de doenças, guerras, catástrofes e situações
traumáticas em geral. (INFANTE, 2005).
Porém, sua definição em Psicologia não é clara e precisa como na Física, pois os
fatores e variáveis a serem considerados no estudo dos fenômenos humanos são complexos e
múltiplos. (FINGERGUT, 2011).
E como mencionou Pinheiro (2004), quando se trata de explicar a resiliência os autores
divergem. Certos estudiosos do tema acreditam que a flexibilidade e versatilidade são
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IV ENCONTRO INTEGRADO DE
PSICOLOGIA
características da pessoa resiliente, apontando a resiliência como traço da personalidade ou
temperamento, enquanto outros se interrogam sobre a natureza da mesma, concebendo-a como
um atributo individual ou fruto da interação com o ambiente, o que faz com que o tema
apresente imprecisões e controvérsias. (PINHEIRO, 2004). Os estudiosos, até o momento, não
encontraram fatores concordantes para tal temática.
Perspectivas relevantes para o entendimento da noção de Resiliência
A definição da resiliência como uma atitude individual requer certa cautela a fim de
evitar que ela seja utilizada como um rótulo de “sucesso” ou “fracasso” do indivíduo. Nesse
sentido, certos estudos são relevantes, uma vez que buscam identificar características e
condições pessoais, investigando a correlação entre aspectos genéticos e ambientais que
estariam na origem do desenvolvimento dessa competência.
Não existe uma única definição sobre essas características e este trabalho não
conseguiria abranger todas as teorias já elaboradas até os dias atuais sobre a resiliência. Mas,
no intuito de uma maior delimitação de características relacionadas ao indivíduo resiliente,
alguns pontos merecem especial atenção.
Cyrulnik citado por Fingergut (2011) aponta para sete fatores por ele classificados
como característicos da resilência, sendo eles: insight – capacidade para observar a si mesmo e
ao outro; independência - ou capacidade para manter distância física e emocional em relação
aos conflitos sem cair no isolamento; relação ou capacidade para criar vínculos íntimos com
outras pessoas; capacidade de auto-regulação e responsabilidade necessária para conseguir a
autonomia; humor e criatividade; ideologia pessoal; e capacidade para desejar coisas boas aos
outros e de dar sentido à própria vida.
A pesquisa desse mesmo autor pontua ainda três características e condições presentes
no indivíduo resiliente. Segundo ele, pessoas resilientes, mesmo nos momentos de trauma e de
crise, costumam pensar no que vão fazer, pois a presença da ideia de futuro, da busca de um
sentido para a vida e a crença de que existe algo a ser feito mais à frente, parece tornar a dor
algo mais suportável; essas pessoas podem e conseguem formular uma explicação sobre o que
aconteceu, articular situações, imagens, sentimentos e representações associadas ao trauma em
uma sequência que torna possível dar coerência aos acontecimentos; e ainda mantêm ao longo
da vida vínculos especiais com uma ou mais pessoas que lhe permitam fortalecer sua autoestima e confiança. (CYRULNIK apud FINGERGUT, 2011).
Para Walsh citado por Fingergut (2011), as características da resiliência podem ser
resumidas em fatores pessoais (temperamento despreocupado e alegre, sentido realista de
esperança e de autocontrole, sentimento de protagonismo nas próprias ações, representação da
mudança como um desafio apaixonante e otimismo), fatores familiares e da rede social (clima
emocional – afeto, existência de limites claros entre as hierarquias familiares. Amigos,
vizinhos, professores e clérigos – que representam figura de apego).
As conclusões desses estudos indicam a importância da rede de apoio do indivíduo,
dos valores culturais, crenças, simbolizações, construções sociais. Fatores que propõe pensar a
resiliência como uma adaptação individual implicada em fatores pessoais (inatos e
adquiridos), familiares, culturais e sociais.
Considerações sobre a Resiliência
Um dos aspectos centrais das questões referentes à resiliência remete a entender como
alguns indivíduos, mesmo diante de uma situação que lhe causa certo grau de perturbação
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IV ENCONTRO INTEGRADO DE
PSICOLOGIA
emocional, conseguem se manter firmes e encontrar vias para superá-la. Esse entendimento
requer cuidado no intuito de evitar rotulações e generalizações, que fazem com que esse
conceito seja utilizado de modo equivocado. (SOUZA, 2006).
Cabe assinalar também que a resiliência não traz consigo a ideia de “super-homens” e
“super-mulheres” que não sofrem e não se abalam, não significa invulnerabilidade ou
impermeabilidade ao estresse. Nessa capacidade humana se implicam sofrimento e
fragilidade, mas também uma “força de”, mesmo diante da adversidade, desenvolver atitudes
de enfrentamento que possibilitam um fortalecimento apesar das dificuldades vividas.
A resiliência consiste então, em conseguir, diante de uma situação que causa estresse e
sofrimento, desenvolver a capacidade de enfrentar e superar a adversidade, sem maiores danos
posteriores à vida. Cyrulnik (2009) afirma o seguinte:
O problema se coloca assim: diante da perda, da adversidade e do sofrimento que
todos topamos um dia ou outro no decorrer da vida, várias estratégias são possíveis.
Podemos nos entregar ao sofrimento, buscar a indiferença ou fazer uma carreira de
vítima. Essas soluções são antirresilientes porque deterão qualquer projeto de
desenvolvimento. Em contraposição, fazer alguma coisa com o seu sofrimento, fazer
uso da compulsão a entender para transcendê-lo e fazer dele um projeto social ou
cultural constitui um trampolim de resiliência. (CYRULNIK, 2009, p.102).
Portando, a resiliência não é um modo de comportamento consciente e independe da
vontade de cada um. Também não é algo fixo e imutável. O indivíduo pode se posicionar de
modo resiliente em certas situações e em outras não. O que determina tais fatos depende de
uma infinidade de fatores. (CYRULNIK, 2009).
Polletti e Dobbs (2010) ressaltam que o conceito de resiliência é mais rico e mais
completo que o da “capacidade de superar”, pois é composto por duas dimensões, uma que
representa a capacidade de proteger a integridade sob fortes pressões, e outra ligada a
capacidade de se construir a despeito das circunstâncias adversas.
Na sociedade moderna, marcada por mudanças cada vez mais rápidas e profundas, a
resiliência se apresenta como mais que um simples conceito ideológico, apresenta-se como um
sentido atribuído à existência humana relacionada à facilidade em estabelecer laços afetivos e
profissionais, e manter um projeto de vida, independente das circunstâncias vivenciadas.
(PINHEIRO, 2004). Essa mesma autora afirma que apesar das divergências, os diversos
autores e pesquisas levam a concluir que a capacidade de amar, de trabalhar, ter expectativas,
e consequentemente, de dar sentido a própria existência, denota ser a base em que as
habilidades humanas se apoiam para serem utilizadas diante das adversidades da vida, que
certamente todos, em maior ou menor intensidade, irão enfrentar enquanto estiverem vivos.
(PINHEIRO, 2004).
Mais do que levantar uma lista de qualidades pessoais e características que englobam o
indivíduo resiliente, é preciso ressaltar que não apresentar tais condições e habilidades não
significa não ser, e nunca poder desenvolver, a resiliência ou essas competências sociais.
Definir efetivamente o que é ou não, o que favorece ou impede, as causas e efeitos implicados
nesse processo, são pontuações que necessitam de especial atenção, cuidadosa análise
contextualizada, e que abrem espaços a novos conhecimentos sobre a resiliência.
No decorrer da realização de pesquisas sobre a resiliência, ficou evidente como os
autores que se dedicaram à compreensão da resiliência não encontraram, até o momento, um
consenso sobre os fatores determinantes de tal capacidade humana.
Tendo em vista que muitos estudiosos do tema propõem a necessidade, cada vez mais,
de estabelecer a temática da resiliência como fonte promotora de qualidade de vida, torna-se
fundamental a busca do entendimento da gênese da resiliência, uma vez que só a partir do
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IV ENCONTRO INTEGRADO DE
PSICOLOGIA
conhecimento da origem de um fenômeno, pode-se pensar em sua promoção. Nesse sentido, a
teoria do apego pode contribuir para uma melhor compreensão da resiliência.
A TEORIA DO APEGO
A teoria do apego consiste em uma teoria do desenvolvimento da personalidade
humana proposta por John Bowlby, que foi um médico e psicanalista inglês, que viveu entre
1907 e 1990.
No período entre a década de cinquenta e sessenta, Bowlby desenvolveu seus estudos
com um interesse principal de: “compreender como se originam e se desenvolvem os
distúrbios no funcionamento da personalidade, a partir da observação dos efeitos da separação
da mãe nos primeiros anos da infância.” (FINGERGUT, 2011, p. 18). Ele investigou e
elaborou a teoria que procura explicar como ocorrem os vínculos afetivos entre o bebê
humano e o seu provedor de segurança e conforto, e quais suas implicações para a vida adulta.
(BOWLBY, 1984).
Seus estudos iniciais, e os trabalhos de outros pesquisadores da época que o
influenciaram, deram origem às primeiras formulações e aos pressupostos formais que
originaram a “teoria do apego”. (DALBEM; DELL‟AGLIO, 2005). Desenvolveram-se desse
modo, as primeiras ideias sobre a compreensão das interações dos seres humanos, buscando
compreender porque algumas crianças crescem felizes e autoconfiantes, enquanto outras
crescem ansiosas e deprimidas, e outras, ainda, emocionalmente frias e anti-sociais.
(ROGRIGUES; CHALHUB, 2009). A teoria do apego, também conhecida como teoria da
vinculação, objetiva apresentar, através da análise relacional da criança, como se estabelecem
os vínculos afetivos nos primeiros anos de vida, e como esses refletirão em todo o
desenvolvimento futuro.
Bowlby buscou conhecimentos científicos, e desenvolveu seus estudos influenciado
por autores e pesquisas da época, pois seus conceitos, “foram construídos com base nos
campos da psicanálise, biologia evolucionária, etologia, psicologia do desenvolvimento,
ciências cognitivas e teorias do sistema de controle.” (DALBEM; DELL‟AGLIO, 2005, p.14).
Suas bases principais foram a psicanálise e a etologia.
Seus estudos sobre o desenvolvimento humano partiram dos conceitos centrais da
teoria de Freud, desenvolvida sessenta anos antes. Enquanto Freud partiu de estudos
retrospectivos, com adultos, Bowlby optou por estudos prospectivos, realizados com crianças
em situações reais, buscando descrever e compreender como as situações vivenciadas no
presente poderiam vir a interferir no desenvolvimento posterior. (FINGERGUT, 2011).
Bowlby descartou o modelo de impulso primário, que associa a alimentação à razão pela qual
a criança estabelece laços afetivos com a mãe, e substituiu essa ideia pela necessidade de um
sentimento de segurança, atribuindo à formação desse vínculo mãe/bebê uma função biológica
de proteção.
Bowlby utilizou os conhecimentos da etologia, ciência que estuda o comportamento
animal, por acreditar que certos comportamentos são comuns a muitas espécies,
principalmente àqueles que dizem respeito à formação de vínculos sociais e a relação entre
mãe e filho. (FINGERGUT, 2011). Segundo ele, os bebês humanos, assim como os animais,
principalmente os mamíferos, seriam “programados” para emitir certos comportamentos que
lhe proporcionariam atenção e proximidade com o cuidador. (BOWLBY, 1984).
De acordo com Fingergut (2011), Bowlby postulou que o comportamento de apego
nos seres humanos se desenvolve mais tardiamente que em outros animais, que geralmente o
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IV ENCONTRO INTEGRADO DE
PSICOLOGIA
manifestam logo após o nascimento, enquanto que no bebê humano ocorre ao longo dos
meses, e, assim como as aves e os primatas, os humanos apresentam um período, em que se
encontram mais dispostos a formar vínculo com suas mães. O autor afirmou ser improvável
que qualquer fase sensível de apego começasse antes das seis semanas de vida. O
comportamento de apego manifestar-se-ia por volta dos três meses de idade, tornando-se
nítido aproximadamente aos seis meses, e ficando mais claro e de fácil observação por volta
dos dezoito e vinte quatro meses, permanecendo por toda a vida. (BOWLBY, 1984).
Características do Apego
Como já dito, a teoria do apego destaca a importância das primeiras relações para o
desenvolvimento humano, ao descrever a ligação emocional que se desenvolve entre a criança
e sua principal figura provedora de cuidados, como algo que gera a orientação do
desenvolvimento afetivo, cognitivo e social da mesma, e fundamenta o modelo de suas
relações futuras. (DALBEM; DELL‟AGLIO, 2005).
Bowlby (1984, p. 396) ressalta que: “Dizer que uma criança é apegada ou tem um
apego por alguém, significa que ela está fortemente disposta a buscar proximidade e contato
com uma figura específica, principalmente quando está assustada, cansada ou doente.” O
apego se caracteriza, então, como um tipo de vínculo no qual o senso de segurança de alguém
está diretamente ligado à sua figura de apego (que na maioria das vezes é a mãe, mas que
poderá ser representada por qualquer outra pessoa que mantenha uma relação de atenção e
cuidados com a criança).
Bowlby (1990) afirma que o apego tem sua própria motivação interna, diferente da
alimentação e do sexo, mas com igual importância para a sobrevivência. Sendo o apego um
estado interno do indivíduo, sua manifestação se dá através dos comportamentos de apego.
Essa teoria envolve “apego” e “comportamento de apego”. Como esclarecem Alexandre e
Vieira (2004), o “apego” é uma ligação contínua e íntima, apresentada pela criança em
relação, geralmente, à figura materna, ou a outra pessoa próxima que lhe proporciona
segurança e proteção, enquanto o “comportamento de apego” se traduz por qualquer forma de
comportamento que uma criança comumente adota com pessoas próximas.
Um aspecto primordial para o entendimento da relação de apego entre a criança e sua
figura provedora de cuidados, consiste em verificar a quantidade de segurança obtida pela
criança na sua relação com seu cuidador. (ABREU, 2010).
Conforme ressalta Abreu (2010), esse aspecto foi mensurado por Mary Ainsworth,
psicóloga que desenvolveu ao longo de sua vida trabalhos relacionados às ligações afetivas
entre mães e filhos, em um experimento intitulado “Procedimento da Situação Estranha”. Tal
experimento consistiu em episódios de três minutos, nos quais crianças de um ano foram
observadas em uma sala pequena e estranha a elas, com muitos brinquedos e a presença de um
adulto desconhecido. Inicialmente as crianças permaneciam na sala na presença das mães, que
em um segundo momento saíam da sala, e posteriormente, retornavam. O objetivo das
observações consistiu em verificar a tensão acumulada pelas crianças na ausência da mãe, e
estudar as diferenças individuais de comportamento.
Abreu (2010) afirma que as crianças que conseguiram, utilizando a mãe como base de
apoio, explorar o ambiente mesmo na presença de um estranho, não se angustiando diante da
súbita ausência da mãe, e a recebendo com afeto e entusiasmo em seu retorno, foram
classificadas como “seguramente apegadas”. Enquanto as que não exploraram o ambiente,
inibiram-se diante do estranho mesmo na presença da mãe, demonstrando certo
desnorteamento quando ela se ausentou e desinteresse ao seu retorno, foram designadas como
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IV ENCONTRO INTEGRADO DE
PSICOLOGIA
“inseguramente apegadas”. Ainda um terceiro tipo de reação foi observado ao se notar que
certas crianças demonstravam uma ambivalência emocional diante o retorno da mãe, ora
buscando, ora resistindo ao contato materno. (ABREU, 2010).
Ainda segundo Abreu (2010), esse experimento determinou os três “Padrões de
Comportamento de Interação da Criança com a Mãe”, apresentados a seguir:
a) apego seguro: equilíbrio entre exploração e apego. As crianças exploram o ambiente
com razoável liberdade, tendo a mãe como base segura, mesmo na presença de estranhos.
Quando a mãe se ausenta, podem ou não mostrar-se aflitos, mas a recebem de volta
efusivamente. A confiança e segurança nos pais fazem com que a criança se sinta mais
corajosa para explorar o mundo;
b) apego inseguro-evitativo: conflito aproximação/evitação. Essas crianças não
utilizam a mãe como base para exploração, separam-se dela para explorar o ambiente,
apresentam dificuldades em partilhar afetos, estabelecem relação com o estranho e evitam a
mãe após seu retorno, preferindo o estranho. Têm acessos de raiva, emitem comportamentos
de rejeição, são ansiosas e não demonstram confiança;
c) apego inseguro-ambivalente: neste tipo de interação a criança necessita de contato e
receia situações e pessoas diferentes. Oscila entre busca de contato e rejeição. Apresenta
pouco interesse em explorar o ambiente, voltando sua atenção à mãe de modo preocupado.
Fica incomodada com a separação e não se aproxima de figuras estranhas. Diante do retorno
da mãe, não se aproxima imediatamente, e alterna comportamentos de procura por contato e
afastamento.
Segundo Dalbem e Dell‟aglio (2005), um quarto tipo de apego foi identificado e
denominado de padrão desorganizado/controlador, sendo caracterizado por crianças que
tiveram experiências negativas a um desenvolvimento adaptado. Está associado a fatores de
risco e maus-tratos infantis. Essas crianças não exibem conduta passível de classificação
dentro dos três tipos anteriores. Na experiência da “situação estranha” apresentaram
comportamentos contraditórios e incoerentes para lidar com a situação. (DALBEM;
DELL‟AGLIO, 2005).
Para Abreu (2010), Bowlby (1984), Fingergut (2011), o modo como os
comportamentos de apego se estabelecem, se seguro ou inseguro, depende de vários fatores.
Podendo-se pontuar as características associadas ao bebê (temperamento, iniciativa ou busca
pela figura de apego, quantidade e frequência de choro, reações diversas, estado de saúde,
reações, etc.), as características individuais da mãe, (paciência, afetividade, sensibilidade),
relacionais (relação com o marido, com sua família de origem, com as redes sociais de apoio e
com o próprio bebê), ou culturais (influências recebidas da cultura da qual faz parte).
Nesse sentido, a sensibilidade da mãe para interpretar e responder aos sinais do bebê, o
contato físico constante e a sua capacidade para acalmar o bebê, criando um ambiente que lhe
possibilita significar suas próprias ações, são fatores que favorecem as bases de um apego
seguro. (FINGERGUT, 2011).
Os bebês, ao desenvolverem maior capacidade de discriminação, podem selecionar
mais de uma figura de apego. (BOWLBY, 1984). Dentre as figuras “escolhidas”, a criança
selecionará a “principal figura de apego” (que procura quando está cansada, doente, com
fome, assustada, insegura, etc.), e as “figuras subsidiárias” (que representam todas as pessoas
que dispensam cuidados, atenção e participam da vida da criança). Uma mesma figura pode
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PSICOLOGIA
representar os dois papéis, assim como mais de uma figura pode representar cada uma das
funções. Algumas crianças ainda, podem dirigir seus comportamentos de apego à figuras não
humanas, na maioria das vezes, representadas por objetos inanimados. (BOWLBY, 1984).
O Apego e suas Consequências para a Vida Adulta
O tipo de vínculo estabelecido pela criança e seu cuidador nos seus primeiros anos de
vida constituem a base de sua personalidade adulta. Nesse sentido, Bowlby (1984) afirma que:
“Tem sido repetidamente afirmado que o comportamento de apego não desaparece com a
infância mas persiste durante a vida adulta.” (BOWLBY, 1984, p.371).
O complexo sistema de comportamento de apego de uma criança, no decorrer de seu
desenvolvimento, passa a envolver uma habilidade de representação mental das experiências
da infância, que determina o modelo interno de funcionamento do indivíduo. (DALBEM;
DELL‟AGLIO, 2005). O modelo interno de funcionamento foi definido por Bowlby (1990)
como algo que influi diretamente na percepção e avaliação da pessoa, podendo ser mais ou
menos válido, ou distorcidos, dependendo do tipo de apego experenciado na infância. Esses
modelos tendem a persistir e passam a atuar em nível inconsciente. No decorrer do
desenvolvimento (conforme a criança cresce e muda a forma como é tratada), ocorre uma
atualização desses modelos. Entretanto, crianças seguramente apegadas têm maior facilidade
de atualizar seu modelo de funcionamento, enquanto as inseguramente apegadas demonstram
dificuldade e rigidez diante dessa mudança. (RAMIRES; SCHNEIDER, 2010).
Portanto, as experiências precoces com o cuidador primário originam as expectativas
da criança sobre si, os outros e o mundo em geral, o que implica diretamente na formação de
sua personalidade em desenvolvimento, e determina, posteriormente, seu modo de estabelecer
relações, enfrentar a vida e viver de forma segura e confiante.
TEORIA DO APEGO: UMA PLATAFORMA TEÓRICA PARA O ENTENDIMENTO
DO PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO DA RESILIÊNCIA
Como se sabe, a resiliência tem sua origem em uma série de fatores, que, juntos,
propiciam o seu desenvolvimento e manifestação. De acordo com Souza (2006), dois aspectos
devem ser necessariamente considerados para o entendimento da resiliência, sendo eles: as
dimensões longitudinal e transversal que permeiam o indivíduo. A dimensão longitudinal
refere-se ao processo natural de desenvolvimento humano, enquanto a transversal considera o
contexto histórico, social e cultural que acompanha e atravessa esse processo. (SOUZA,
2006). E, nesse sentido, fatores referentes às bases interacionais têm muito a dizer sobre a
constituição, desenvolvimento e posicionamento do indivíduo.
Bowlby (1984) afirma que o comportamento de apego é parte de um sistema regulador
de segurança e proteção, responsável por uma importante função biológica, a qual favorece
tanto a saúde psíquica, como física. Esse mesmo autor ressalta que esse sistema de regulação
de segurança é um sistema cujas atividades tendem a reduzir o risco do indivíduo se dar mal
na vida, além de levar a um alívio da ansiedade e a um aumento da sensação de segurança.
(BOWLBY, 1984). Assim, o apego, mais que apenas uma maneira de alcançar e manter
proximidade a um outro, torna-se um modo de responder aos conflitos e incertezas advindos
da existência humana:
Um dado crucial em relação à resiliência é sua emergência como resultado de uma
interação, algo que ocorre com o sujeito levando em consideração quem e o que está
em seu entorno. Essa compreensão é importante haja vista que não se pode ser
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resiliente sozinho. Um dos fatores necessários para o desenvolvimento da resiliência
é o apoio e o acolhimento pelos membros de sua rede pessoal e social. (MENDEL;
GODINHO, 2012, p.8).
O modo como se configuram os vínculos, e se estabelecem os modelos internos de
funcionamento do indivíduo, tem uma ligação direta ao modo como esse se posicionará diante
de uma adversidade, podendo ser seu posicionamento resiliente ou não. (ABREU, 2010).
Para Abreu (2010), as expectativas das pessoas seguras de encontrar apoio de outros
nos momentos de necessidade faz com que busquem suporte social para lidar com situações
estressantes. Isso as torna mais estruturadas emocionalmente e mais resistentes em situações
de desconforto. Por outro lado, pessoas inseguras não confiam e não apresentam expectativas
quanto ao apoio vindo de outros. Desenvolvem estratégias de auto-enfrentamento, que limitam
suas possibilidades de enfrentamento, se comparada a pessoas que buscam apoio social diante
uma dificuldade. (ABREU, 2010). Assim, os modos de vinculação estabelecidos desde a
infância, estão diretamente relacionados à forma como se vive posteriormente a vida diante as
mais distintas situações.
Apego Seguro e o Desenvolvimento da Resiliência
Cyrulnik (2009) ressalta que qualquer pessoa, em qualquer momento, pode “vir-a-ser”
resiliente. Mesmo que uma criança não tenha estabelecido um apego nos primeiros anos de
vida, esse pode ser desenvolvido posteriormente. (DALBEM; DELL‟AGLIO, 2008). Mendel
e Godinho (2012) pontuam que a criança que desenvolver um apego seguro no início de sua
vida, terá maior facilidade em enfrentar seus sofrimentos, mas as que não estabeleceram tal
vínculo, ainda estão abertas e podem encontrar no decorrer de sua vida algum “tutor de
resiliência” que lhe forneça o apoio e segurança necessários.
Não se pode falar de um padrão de apego único, adaptativo para todas as situações.
(FINGERGUT, 2011). Abreu (2010) alerta para o risco de se considerar “sempre” o apego
seguro como o padrão ideal, uma vez que cada um dos padrões de apego tem valor adaptativo
diferente. Basta levar em consideração que a maioria dos estudos sobre resiliência partem de
histórias e trajetórias de vida marcadas por uma infância sofrida e desprovida de cuidados e
atenção. (FINGERGUT, 2011). Mas, tendo como base os dados referentes, tanto à teoria do
apego como à resiliência, em que ambos os conceitos são relacionados, é quase impossível
não atribuir às características da resiliência, o conceito de apego seguro.
Dalbem e Dell‟Aglio (2008) ressaltam que as estratégias de enfrentamento frente às
situações de estresse, assim como a busca por uma pessoa que assegure conforto e proteção,
apontam para a existência, e a possibilidade de desenvolvimento, de processos de resiliência.
Logo, as pessoas resilientes seriam aquelas que estabeleceram com seus cuidadores um padrão
de apego seguro nos primeiros anos e, consequentemente, no decorrer de sua vida.
Segundo Abreu (2010), quando um bebê, nos momentos de insegurança, se depara
com figuras pouco responsivas e atentas à sua necessidade de apoio, ele naturalmente exibirá
um decréscimo de suas capacidades de enfrentamento e de reflexão frente a essas situações.
Posteriormente, quando diante de uma nova situação de insegurança, por não ter desenvolvido
tais capacidades, não terá meios para enfrentá-las. (ABREU, 2010). O mesmo ocorre quando a
criança estruturou sua personalidade a partir de uma base segura, só que nesse caso, ela terá
estruturado meios para enfrentar a situação que se apresenta. (ABREU, 2010).
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Bowlby (1984) ressalta a importância da correlação entre a vinculação segura e a
resiliência, ao concluir toda a sua teoria sobre o desenvolvimento da personalidade humana,
em uma passagem que vale a pena transcrever:
A experiência de uma criança pequena de uma mãe estimulante, que lhe dá apoio e é
cooperativa, e um pouco mais tarde o pai, dá-lhe um senso de dignidade, uma crença
na utilidade dos outros, e um modelo favorável para formar futuros relacionamentos.
Além disso, permitindo-lhe explorar seu ambiente com confiança e lidar com ele
eficazmente, essa experiência também promove seu senso de competência. Daí por
diante, desde que os relacionamentos continuem favoráveis, não só estes padrões
iniciais de pensamento, sentimento e comportamento persistem, como a
personalidade se torna cada vez mais estruturada para operar de maneira
moderadamente controlada e resiliente, e cada vez mais capaz de continuar assim
mesmo em circunstâncias adversas. (BOWLBY, 1984, p.402).
Na perspectiva da teoria do apego a resiliência é vista como uma construção
desenvolvimental. (DALBEM; DELL‟AGLIO, 2008). O apego seguro leva à resiliência,
enquanto essa favorece a manutenção de relações, cuja segurança é o foco principal.
Todo o exposto ressalta a importância das bases de segurança estabelecidas e mantidas
desde as primeiras relações, no que se refere à formação e estruturação da personalidade, na
qual se forma e estrutura a base resiliente, entendida aqui como algo que perpassa por uma
série de fatores, mas está diretamente vinculada ao tipo de apego encontrado pelo indivíduo no
decorrer de sua história de vida.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Diante do exposto neste estudo, sabe-se que pessoas resilientes são aquelas que, ao
deparar com uma adversidade, enfrentam-a de modo otimista e positivo e, apesar do
sofrimento vivido, conseguem supera-la e se fortalecer após a situação. Por sua vez, a teoria
do apego, tal como formulada por John Bowlby em seus trabalhos intitulados “Apego e
Perda”, permite pensar que uma pessoa que tenha estabelecido um apego seguro em suas
primeiras relações com seus cuidadores, desenvolve uma personalidade segura, que pode
torná-la mais propícia a desenvolver um comportamento resiliente. Entretanto, é necessário
também considerar outros aspectos referentes ao desenvolvimento da resiliência.
Pela própria complexidade associada à definição do conceito, realizar uma pesquisa
cujo foco é a resiliência implica em uma série de dificuldades e limitações. Elas decorrem do
fato de ser um tema relativamente recente e ainda pouco conhecido. Trata-se de um fenômeno
psicológico permeado de incertezas e controvérsias.
Ainda se conhece pouco sobre essa habilidade humana e como desenvolvê-la. Daí a
necessidade de relacioná-la a uma perspectiva que compreenda o ser humano mais
amplamente, entendendo-o como um ser social, que se constitui ao mesmo tempo em que
interage com o mundo e consigo mesmo.
A teoria do apego representa um subsídio para o entendimento da personalidade do ser
humano, acreditando ser essa, estruturada em decorrência do tipo de vinculação estabelecido
desde os primeiros anos de vida entre a criança e seu cuidador.
Apesar das críticas à teoria proposta por Bowlby (1984), das limitações de seus
estudos devido aos poucos recursos da época, sua teoria do apego traz considerações
relevantes ao entendimento do modo como se desenvolve uma personalidade resiliente.
É necessário ressaltar que este trabalho, por si só, não teve a pretensão, e não
conseguiu desvendar o fato de algumas pessoas desenvolverem a resiliência enquanto outras
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não, mas visou abrir uma possibilidade de entendimento a partir da qual muito pode ser feito.
Acreditou-se que entender os fatores incluídos na origem do fenômeno se torna primordial a
iniciativas futuras que terão o objetivo de promover a resiliência, como um modo de amenizar
os danos psicológicos decorrentes das adversidades da vida contemporânea.
Ao fim deste estudo, algumas questões ainda ficam em aberto. Por mais que exista
uma ligação entre a teoria proposta e a resiliência, tal teoria abre possibilidades de
reducionismos que podem vir a considerar o indivíduo apenas em termos de sua dinâmica de
apego e suas resultantes e, concomitantemente, deixa lacunas quanto a uma definição precisa
da personalidade, ao se pensar no ser humano como resultante de uma multicausalidade de
fatores, que ainda têm muito a ser estudado e entendido. É importante também, considerar a
resiliência a partir da existência de processos que favorecem o seu desenvolvimento, e não
como algo estruturado e definido.
A evolução de pesquisas sobre o assunto é promissora, há muitos outros estudos que se
fazem necessários a fim de investigar e compreender as correlações entre a vinculação
humana e a capacidade de resiliência. A esses, cabem o interesse e a busca por fatores
concordantes sobre a resiliência, pois somente assim, essa interessante capacidade humana, de
suportar e transformar dor em superação, poderá ser utilizada como forma de promover “a
força” que o ser humano possui de se “manter de pé” apesar dos empurrões que a vida, mais
cedo ou mais tarde, insiste em lhe aplicar.
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