yah IV ENCONTRO INTEGRADO DE PSICOLOGIA DA PUC MINAS SÃO GABRIEL CADERNO DE RESUMOS: TERRITÓRIOS URBANOS E PSICOLOGIA EM MOVIMENTO Belo Horizonte 17 a 21 de setembro de 2012 IX Jornada de Estágio e Clínica em Psicologia Colóquio de Psicologia III Mostra de Integração Ensino-Serviço do PróSaúde PUC Minas IV ENCONTRO INTEGRADO DE PSICOLOGIA CADERNO DE RESUMOS: TERRITÓRIOS URBANOS E PSICOLOGIA EM MOVIMENTO IV ENCONTRO INTEGRADO DE PSICOLOGIA DA PUC MINAS SÃO GABRIEL: IX Colóquio de Psicologia IX Jornada dos Estágios e da Clínica III Mostra de Integração ensino-serviço do Pró-Saúde PUC Minas Belo Horizonte 17 a 21 de setembro de 2012 Realização: Curso de Psicologia PUC Minas São Gabriel Pró-Saúde PUC Minas 2 IV ENCONTRO INTEGRADO DE PSICOLOGIA PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MINAS GERAIS Dom Walmor de Oliveira Azevedo Grão-Chanceler Prof. Dom Joaquim Giovanni Mol Guimarães Reitor Profª Patrícia Bernardes Vice-reitora Prof. Miguel Alonso de Gouvêa Valle Pró-reitor da PUC Minas São Gabriel Prof. Cláudio Listher Marques Bahia Diretor de Graduação da PUC Minas São Gabriel Profª Maria Cristina Martins de Andrade Diretora da Faculdade de Psicologia Profª Liza Fensterseifer Coordenadora do Curso de Psicologia da PUC Minas São Gabriel Profª Kátia Tomagnini Passaglio Coordenadora do Pró-Saúde PUC Minas 3 IV ENCONTRO INTEGRADO DE PSICOLOGIA Comissão Organizadora e Comissão Científica Betânia Diniz Gonçalves Carlos Eduardo Carrusca Vieira Letícia Gonçalves Mara Marçal Sales Márcia Mansur Saadallah Mirelle França Michalick Triginelli Rosiane Reis de Almeida Xavier Comissão De Apoio Eduardo Augusto de Souza Sales Hananda Gabriele Silva Maressa Heliana de Andrade Soelaine Cristina C. Carvalho Martha Beatriz de Andrade Viana Vivian Patrícia da Silva Tafate Ebsan Loic Sara Edith Souza de Assis Rafaela Cristina Jacoe Pinto Vanessa Eveline Ferreira Lana Kellen Pain Cunha Silvia Maria de Avelar Sousa Tamiris Juliane da Silva Machado Jéssica Lima dos Santos Iracema O. Souza Mantovani Ingrid Abel dos Santos Zilmara Moreira de Araújo Jéssica Camila de O. Gonçalves Thais Rafael Pinto Ludimila Cristina Dias de Paula Jucilene Cristina de Jesus Leomar Evangelista Duarte Banca de Concurso de Artigos Mirelle França Michalick Triginelli Maria Auxiliadora da Silva Mara Marçal Sales Avaliadores Ad Hoc do Concurso de Artigos Angela Buciano do Rosário Junia Lage Juliana Marcondes Pedrosa de Souza Helio Cardoso Miranda Junior Mônica Soares da Fonseca Beato Angela Siman Célia Auxiliadora dos Santos Marra Liza Fensterseifer Maria Clara Jost de Moraes Vilela Márcia Mansur Saadallah Eunides Almeida Joao Leite Ferreira Neto Adriane de Freitas Barroso Alexandre Frank Silva Kaitel Alexandre Dutra Gomes da Cruz Ana Senra Renata Damiano Riguini Marcia Stengel Comissão Editorial Betânia Diniz Gonçalves Carlos Eduardo Carrusca Vieira João Henrique de Sousa Santos Apoio D.A. Psicologia – Maria de Fátima Lobo Boschi - PUC Minas São Gabriel FAPEMIG PRÓ-SAÚDE 4 FICHA CATALOGRÁFICA Elaborada pela Biblioteca da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais E56c Encontro Integrado de Psicologia da PUC Minas São Gabriel (4.: 2012. : Belo Horizonte, MG) Cadernos de resumos: territórios urbanos e psicologia em movimento / Organização: Betânia Diniz Gonçalves... [et al.]. Belo Horizonte: PUC Minas, 2012. 89p. ISBN: 978-85-8239-000-9 IX Colóquio de Psicologia; IX Jornada dos Estágios e da Clínica; III Mostra de Integração Ensino-Serviço do PróSaúde PUC Minas 1. Psicologia - Congressos. 2. Psicologia clínica. 3. Psicoterapia. I. Colóquio de Psicologia (9.: 2012.: Belo Horizonte, MG). II. Jornada dos Estágios da Clínica (9.: 2012.: Belo Horizonte, MG). III. Mostra de Integração Ensino-Serviço do Pró-Saúde PUC Minas (3.: 2012.: Belo Horizonte, MG). IV. Gonçalves, Betânia Diniz. V. Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. Instituto de Psicologia. Campus São Gabriel. VI. Título. CDU: 159.9 IV ENCONTRO INTEGRADO DE PSICOLOGIA SUMÁRIO EDITORIAL ........... 7 PROGRAMAÇÃO ......... 8 RESUMOS ........... 18 MESAS-REDONDAS ..... 19 RODAS DE CONVERSA .. 39 OFICINAS ........... 46 CINEMA COMENTADO ... 49 MINI-CURSOS ........ 50 ARTIGOS PREMIADOS .. 53 6 IV ENCONTRO INTEGRADO DE PSICOLOGIA EDITORIAL Psicologia. Política. Arte. Urbanismo. Música. Cárcere. Poesia. Trânsito. Morte. Família. Cinema. Ensino. A transversalidade da investigação a partir de um profícuo diálogo transdisciplinar: a psicologia e outras inquietações e gozos da alma acadêmica – arte, ciência e política. Assim se apresenta o Caderno de Resumos: territórios urbanos e psicologia em movimento, registrando as atividades do IV Encontro Integrado de Psicologia da PUC Minas São Gabriel, uma ação contemporânea determinada pelo espírito universitário, reafirmando e resgatando a Universidade na sua tradição institucional clássica. A Universidade, desde sua origem, se estabeleceu como uma instituição social, portanto uma prática social reconhecida legitimamente pelas suas atribuições e pela busca e pela conquista da ideia de autonomia do conhecimento, além de sua invenção, descoberta e transmissão. Por isso, o Caderno de Resumos ao promover e registrar suas atividades de forma a articular e integrar o Ensino, Extensão e Pesquisa, reafirma uma Universidade desejável e inseparável das ideias de formação, reflexão, criação e crítica, na busca de um mundo mais humanizado e civilizado, com lutas sociais, políticas e acadêmicas. O Caderno de Resumos é por excelência o lugar e ação do sujeito acadêmico - um ser no mundo. E como universitário aprende-se com ele: no mundo do conhecimento, no mundo das coisas e mundo dos homens. Como acadêmico tem-se o objetivo precípuo de transformar este mundo, a partir dele, numa sociedade melhor do que somos. Esse sujeito acadêmico mostra-se categorial no Caderno: corpo docente e o enfatizado corpo discente, que pela interação democrática dos corpos estabelecem temas, ambientes e reflexões críticas a partir de realidades observadas no cotidiano, visando a produção de conhecimento e a excelência da formação profissional em psicologia. Assim, a tarefa sociocultural do IV Encontro Integrado de Psicologia, registrada pelo Caderno de Resumos: territórios urbanos e psicologia, é levar a Universidade a lugares que ela ainda não esteve, mas deveria. Desta forma, o Curso de Psicologia da PUC Minas São Gabriel apresenta uma valiosa reflexão crítica acadêmica contribuindo para o desenvolvimento da sociedade em suas relações sociais, econômicas, políticas, culturais, ambientais e garantindo a todos o direito a uma Universidade democrática de qualidade. Leiam e reflitam - Caderno de Resumos: territórios urbanos e psicologia. Prof. Dr. Cláudio Listher Marques Bahia 7 IV ENCONTRO INTEGRADO DE PSICOLOGIA PROGRAMAÇÃO 17 DE SETEMBRO HORÁRIO Mesa de Abertura: IV SCAP “Territórios Rede: as linhas de força da periferia” e IV Encontro Integrado de Psicologia “Territórios Urbanos e Psicologia em Movimento” Colegiado do curso de Psicologia: Liza Fensterseifer, Ana Maria Valladao Pires Gama, Mara Marçal Sales, Maria da Penha Zanotelli Felippe 08h30min às 9h00min Mesa de Abertura Prof. Humberto Verona (CFP) 09h00min às 10h30min Lançamento de Livro: AlmaCorpoAção Jardel Sander da Silva 11h00min Lançamento de Livro: Juventude em Movimento Luiz Carlos Castello Branco Rena (Coordenador); Letícia Soares De Sousa, Rubens Ferreira do Nascimento; Vicente Almeida (orgs.) 11h00min Oficina: A psicomotricidade na relação: o brincar em evidência. Érica Fróis 17h30min às 18h30min Filme: Paraísos Artificiais. Lucia Efigênia G. Nunes e Oscar Cirino 19h00min às 22h30min Mesa redonda: Mediação de conflitos em distintos contextos: Diálogos, interfaces e reflexões Luana Carola dos Santos, Maria Zóe Rios da Fonseca, Rubens Ferreira do Nascimento, Cleidison da Silva Santos, Jocelia de Jesus Santos, Patrícia Regina de Oliveira e Poliana Santos de Almeida 19h00min às 20h30min 8 IV ENCONTRO INTEGRADO DE PSICOLOGIA Roda de conversa: Teoria dos Processos oníricos e Eduardo Augusto de Souza Sales, Tháis Rafael a clínica psicanalítica: a relevância do método de Pinto, Thais Talita do Nascimento Maia, interpretação dos sonhos para a metapsicologia Luciana Faluba Rodrigues e Cristina Barbosa freudiana. de Oliveira 19h00min às 20h30min Mini-curso: Os medos que interditam as nossas vidas Karina de Lima Silva e Mônica Barrouin 19h00min às 22h00min Oficina de produção de textos Maria Cristina de Andrade (Tininha) 19h00min às 22h00min Mesa redonda: Entre laços e desenlaces, mães e crianças aprisionadas Ilka Franco Ferrari, Bárbara Morais Fam, Isabele Fernanda Sartori, Pablo Ferreira Bastos Ribeiro 19h00min às 20h30min Mesa redonda: As transversalidades periféricas: gênese e desdobramentos em Belo Horizonte Daniel da Silva Guimarães, Fabiano Mendonça de Oliveira, Hermes C. Rocha Neto e Hernane Rocha Souto 21h00min às 22h30min Mesa redonda: O que é ser grupo? Desafios e possibilidades nas trilhas das extensões universitárias Rubens Ferreira do Nascimento, Cléria Rocha, Daniele Carmona, Gislaine Souza, Bianca Rocha, Lidiana Silva, Luana Carola dos Santos, Natalia Colen, Naiara Silva, Daniela Moreira, Greice Viana, Kenia Rafaela e Jessica de Souza 21h00min às 22h30min 9 IV ENCONTRO INTEGRADO DE PSICOLOGIA 18 DE SETEMBRO HORÁRIO Roda de conversa: Roda de Poesia Maria dos Anjos Lara e Lanna, Bruno Almeida de Vasconcelos e Luiz Carlos Meneses 08h00min às 10h00min Filme: A pele que habito João Henrique de Sousa Santos 08h00min às 12h30min Mesa redonta: O atual cenário das ocupações urbanas. O que a psicologia tem a ver com isso? Aline de Souza Rodrigues, Ailana Sabbadini Miranda, Letícia Dias Pires, Luiza Moraes Candido, Maria Aparecida de Sousa Pedra, Priscilla Daniele Figueiredo, Tainara Teixeira de Freitas, Pedro Rennó Moreira, Túlio Cesar Dias Lopes e Márcia Mansur Saadallah 08h00min às 10h00min Mesa redonda: III Mostra de Integração EnsinoServiço do Pró-Saúde PUC Minas - Gestão, Trabalho e Cuidado: diálogos necessários Crisane Costa Rossetti, Cássia Beatriz Batista, Tassia Coelho, Lorena Lopes, Amanda Lima Cardoso, Elisabeth Pereira, Luzia Luciana R. Andrade, Patrícia Pinto de Paula 08h50min às 10h30min Roda de conversa: Psicologia e políticas públicas: práticas em gestão e cuidado Mesa redonda: Psicologia e Arte: formas de expressão de si pelas vias da música, da fotografia e do graffiti Márcia Mansur Saadallah, Emanuelle Rodrigues Diniz, Silvia Maria de Avelar Sousa, Vanessa Eveline Ferreira, Carlos Eduardo Carrusca 10h00min às 12h00min Vilmar Pereira de Oliveira, Aline Monique Avelar e Ludimila Cristina Dias de Paula 10h00min às 12h00min Mesa redonda: III Mostra de Integração EnsinoServiço do Pró-Saúde PUC Minas - A articulação entre serviços especializados e atenção primária na saúde mental Kátia Passaglio, Claudia Penido, Izabel Friche Passos 10h30min às 12h20min Mini-curso: Moda, psicanálise e feminino Renata Gatto 18h00min às 22h00min 10 IV ENCONTRO INTEGRADO DE PSICOLOGIA Mesa redonda: Alienação Parental: perspectivas de pais e filhos Maria Madalena Silva de Assunção, Helio Cardoso Miranda Júnior, Elaine Antonia dos Santos, Lorena Jácome Gobet 19h00min às 20h30min Roda de conversa: A psicologia e as tensas relações com a transexualidade: acompanhamento, avaliação psicológica e laudo psicológico. Naiara Cristiane da Silva, Patrícia Augusto Silva, Dalcira Ferrão 19h00min às 20h30min Roda de conversa: O psicólogo no hospital: desafios de uma prática Lucia Efigenia Gonçalves Nunes, Andreza Soares, Eni Pires, Thais Rafael Pinto e Eduardo Augusto de Souza Sales 19h00min às 20h30min Oficina: Vivendo e aprendendo a jogar: oficinas de jogos, brincadeiras e resolução de problemas. Adriana Monteiro, Fernanda Gabriela Lemos Ameno Frois, Fernanda Nobre Santos Costa, Luciana Faluba Rodrigues, Lucilia Anunciação de Oliveira, Nayara Caroline Araujo Felicio, Roberta Lorena Pereira dos Santos, Viviane Horsth de Souza 19h00min às 21h00min Filme: Match Point: o acaso e a culpa. Suzana Márcia Dumont Braga, Rosely Gazire Melgaço, Theresa Cristina Bruzzi Cúry 19h00min às 22h30min Roda de conversa: Estado da Arte das Monografias do Curso de Psicologia da PUC Minas - Unidade Coração Eucarístico Nayson Vinicius de Almeida Souza, Paula de Souza Birchal,Bárbara Naves, Mariane Carvalho, Fernanda Campos Cauzin, Luíza Horta, Ana Carolina Andrade. 19h00min às 20h30min Mesa redonda: Mestrado e Doutorado da Psicologia na PUC Minas. Márcia Stengel, Camila Grillo, Cristina Marcos, Elisângela Lins 19h00min às 20h30min Roda de conversa: currículo e ênfases no curso de Psicologia da PUC Minas São Gabriel Mara Marçal 19h00min às 20h30min Maria Madalena Silva de Assunção, Leia Lucas da Silva Moreira, Jefferson Silveira Silva, Juliana Marina da Silva, Kelly Quintas Rodrigues, Marianne Danielle Policarpo Moreira, Sandra Maria Batista 21h00min às 22h30min Mesa redonda: Homossexualidade e Intersexualidade: sujeitos e alteridades 11 IV ENCONTRO INTEGRADO DE PSICOLOGIA Mesa redonda: O curso de Psicologia como campo de estágio: a troca de experiência entre alunos Adriana Monteiro e Maria Cristina Martins de Andrade 21h00min às 22h30min Mesa redonda: A homofobia e o contexto universitário Juliana Rodrigues Gonçalves, Marina Damico, Poliana Santos Dantas, Cássia Beatriz Batista, Dalcira Ferrão e Patrícia Augusto Silva 21h00min às 22h30min 19 DE SETEMBRO HORÁRIO Conferência: Avaliação Psicológica Elizabeth do Nascimento 08h00min às 10h00min Mesa redonha: Sentimento de culpa como operador social: algumas leituras possíveis Juliana Marcondes Pedrosa de Souza, Maria Clara Jost e Maria Luisa de Vilhena Lana Peixoto 08h00min às 10h00min Mesa redonda: Pesquisar com Michel Foucault: experiências modificadoras de si Fabíola Alves Esteves, Dantielle Feitosa de Paula Fraga, João Henrique de Sousa Santos e Mariana Antunes Henriques 08h00min às 10h00min Mesa redonda: III Mostra de Integração EnsinoServiço do Pró-Saúde PUC Minas – Políticas de álcool e drogas no SUS – CAPS AD e Consultório de Rua Renata Aparecida Cordeiro, Miriam Pacheco e Isabela Saraiva Queiroz 08h50min às 10h30min Roda de conversa: O psicólogo no mercado de trabalho: o início de carreira na área organizacional e na área da educação Maria Auxiliadora da Silva, Ana Paula Dias Macedo e Cristina Espindola Dias 10h00min às 12h00min Mesa redonda: Mestrado e Doutorado da Psicologia na PUC Minas. Márcia Stengel, Camila Grillo, Cristina Marcos, Elisângela Lins 10h00min às 12h00min Mesa redonda: III Mostra de Integração EnsinoServiço do Pró-Saúde PUC Minas – Saúde mental e os dispositivos de cuidado Flavio Durães, Fabiane Carvalho e Marconi Martins da Costa Guedes 10h30min às 12h20min 12 IV ENCONTRO INTEGRADO DE PSICOLOGIA Oficina de Pintura: Figuras do feminino e suas representações em manifestações artísticas Renata Gatto 14h00min às 18h00min Oficina: III Mostra de Integração Ensino-Serviço do Pró-Saúde PUC Minas – Grupo de teatro “Arte e mobilização Social” Antonio Sena 18h00min às 19h00min Roda de conversa: Saúde emocional no trânsito Daine de Almeida Costa, Ester Carolina Ribeiro Lopes, Jeane Bastos de Oliveira, Márcia Cristina de Toledo, Miguel Ângelo Santos Almeida e Mirian Daniela Marques de Carvalho 19h00min às 20h30min Roda de conversa: Metodologias em cena: diálogos, desafios e possibilidades Luana Santos, Bianca Rocha, Gislaine Souza 19h00min às 20h30min Mesa redonda: III Mostra de Integração EnsinoServiço do Pró-Saúde PUC Minas – Matriciamento e supervisão clínico-institucional: desafios da atuação interdisciplinar para a educação permanente em saúde Marcelo Arinos, Juliana Gomes Maciel, Natalia Silva Azevedo e Cássia Beatriz Batista 19h00min às 20h30min Roda de conversa: O Vinho, o Coração e suas Circunstâncias. Celsa Maria Moreira, Mônica Barrouin 19h00min às 21h00min Oficina: Klínica da Multiplicação Dramática Cláudio Márcio, Wanderson da Conceição Silva 19h00min às 22h00min Roda de conversa: Extensão e uso estratégico do conhecimento: relação entre universidades e campos em práticas extensionistas Aline Aguiar Mendes Vilela e Rubens Ferreira Nascimento 19h00min às 20h30min Stella Tozo e convidados 20h00min às 22h30min Mesa redonda: Terapia familiar 13 IV ENCONTRO INTEGRADO DE PSICOLOGIA Mini-curso: Introdução à história dos movimentos e estudos feministas no Brasil e no mundo: em ondas e movimentos Naiara Cristiane da Silva, Gislaine Alves Souza, Leticia Barreto, Leticia Gonçalves 21h00min. às 22h30min Mesa redonda: Construções conceituais em Psicanálise: modalidade do ato e suas relações com a angústia e o objeto a. Carina Freitas Passos Pescara, Isabela Alves Caiafa, Cristina Marcos, Renata Craviée Fonseca Mendonça, Maria Clara Mendonça 21h00min. às 22h30min 20 DE SETEMBRO HORÁRIO Bruno Vasconcelos de Almeida, Adriana Maria Brandão Penzim e Patrícia Ayer de Noronha 08h00min às 10h00min Cássia Beatriz Batista, Bruna Karolina da Silva, Cristhian Higor de Paula, Luana Carla de Souza Debortoli, Nayene Gonçalves Vieira, Tatiane Pereira Santos, Ailla Pacheco Borges Mesa redonda: A formação universitária em debate: de Oliveira, Aline Helen Zanon Amorin, Camila adoção, práticas de Yoga, sistema prisional e aulas Aparecida Gonçalves, Leandro Glauco Alves geminadas na graduação. de Assis, Renato tsuyoshi Nakazima, Cinthia Lorena Corrêa Domingos Santos, Eloisa Maria dos Santos, Fabíola Carneiro Munaier, Jéssica Gabriella de Souza Isabel, Lays Alves Ferreira, Priscila Suelen Moreira Gonçalves. 08h00min às 10h00min Mesa redonda: Conversas Esquizoanalíticas Roda de conversa: Periferias em debate: conversando sobre pesquisas e trajetórias nas periferias metropolitanas. Bruno Marcio de Castro e Marco Antonio Couto Marinho Oficina sobre Etnografia Luana Santos, Letícia Gonçalves 08h00min às 10h00min Mesa redonda: Autismo Cyntia Mesquita Beltrão, Camila, Mirelle Triginelli e Isabela Saraiva 08h50min às 10h30min 08h00min às 10h00min 14 IV ENCONTRO INTEGRADO DE PSICOLOGIA Mesa redonda: Família e Contemporaneidade Mesa redonda: Pesquisa em Educação: monografias em debate Camila Grillo e Cristina Bruxel 10h30min às 12h20min Bruno Marcio de Castro Reis, Bianca Ferreira Rocha e Karina Pereira dos Santos 10h30min às 12h20min Mesa redonda: III Mostra de Integração EnsinoHeliana Conceição de Moura, Gislaine Alves de Serviço do Pró-Saúde PUC Minas – Diálogos sobre Souza, Mariana Antunes Henriques e Ana participação em saúde Carolina Campagnole 10h30min às 12h20min Oficina para Cuidadores Rosana Figueiredo Vieira 14h00min às 17h00min Mesa redonda: III Mostra de Integração EnsinoServiço do Pró-Saúde PUC Minas – Diálogos sobre saúde da mulher Letícia Gonçalves, Tathiana Malta e Luciana Kind 18h00min às 19h30min Oficinas de idéias para pesquisa / Delimitação de tema de pesquisa Carolina Neves, Jaiza Cruz 19h00min às 20h30min Oficina: Arteterapia Karina Masci, Alexandre kaitel 19h00min ás 22h00min Ciclo de Palestras: "Trabalho e Saúde: a dissolução das fronteiras entre áreas da psicologia instigada pelas forças das periferias" Profa. Leny Sato (USP) 19h30min às 21h30min Resultado do concurso de artigo Comissão Organizadora SCAP - TEATRO 21h30min às 22h00min 15 IV ENCONTRO INTEGRADO DE PSICOLOGIA 21 DE SETEMBRO HORÁRIO Roda de conversa: Ensino rigoroso X ensino liberal Leanderson Luiz de Sá, Lucas Almeida, Mariana Rosa Botão e Fabio Vilarinho 08h00min às 10h00min Mesa redonda: A política da psicanálise diante de uma sociedade criminógena Alexandre Dutra Gomes da Cruz, Adriane de Freitas Barroso, Renata Damiano Riguini. 08h00min às 10h00min Mesa redonda: Seminário clínico: a clínica e o real em uma experiência Suzana Braga e Yolanda Mourão Meira, Juliana Greco, Cleide Scarlatelli, Ida Amaral Brant Machado, Sandra Brum, Sandra Donato 08h30min às 10h30min Mesa redonda: Mulheres de palavra: mulheres que escrevem, seus textos e contextos. Maria Lúcia Afonso, Maria Cristina Martins de Andrade, Luciana Kind, Isabela Saraiva de Queiroz 08h30min às 10h00min Mesa redonda: III Mostra de Integração EnsinoServiço do Pró-Saúde PUC Minas – Terapêutica da morte e direito de morrer: diálogo sobre o documentário “Solitário anônimo” Bruno Torquato, Luciana Kind, Antonio Sena e Fernanda Duarte Souza Hott 10h30min às 12h00min Mesa redonda: Oficinas de intervenção psicossocial: experiências de estágio em Psicologia nas áreas da educação e assistência social Carina Freitas Passos Pescara, Camila Silveira Costa e Natalia Rosa de Almeida 10h30min às 12h20min Mesa redonda: III Mostra de Integração EnsinoServiço do Pró-Saúde PUC Minas – A pesquisa e a integração ensino e serviço: relato dos preceptores das pesquisas do PET Saúde Alexandre Lana Reis e Valdênia Nepomuceno 14h00min às 17h00min Mini-curso: Extensão na PUC São Gabriel: saberes e fazeres Bianca Ferreira Rocha, Cléria Rocha, Daniele R. S. Carmona, Gislaine Alves de Souza, Greice Vianna, Kenia Januário, Lidiana Silva, Luana Carola dos Santos, Naiara Silva, Natália Colen, Daniela Moreira, Jessica de Souza e Rubens Ferreira do Nascimento 14h00min às 18h00min Mesa redonda: III Mostra de Integração EnsinoServiço do Pró-Saúde PUC Minas - Grupo de trabalho: planejamento de ações para o LABSC Antônio Sena, Cássia Beatriz, Flávio Durães 18h00min às 19h00min 16 IV ENCONTRO INTEGRADO DE PSICOLOGIA Mesa redonda: Reflexões sobre as interfaces e os desafios da teoria e da clínica psicanalítica na contemporaneidade Jorge Franca de Oliveira, Helio Cardoso de Miranda Junior e Flavio Durães 19h00min às 20h30min Roda de conversa: Técnicas de coleta e análise de dados Patrícia Moura, Iara Rocha, Natália Azevedo, Jaiza Cruz 19h00min às 20h30min Oficina sobre Etnografia Luana Santos, Letícia Gonçalves 19h00min às 21h00min Mesa redonda: III Mostra de Integração EnsinoServiço do Pró-Saúde PUC Minas – Mesa de encerramento. Pró Saúde e PET-Saúde: transdisciplinaridade na integração ensino-serviço Arthur Parreiras Gomes, Isabela Saraiva Queiroz e Kátia Passaglio 19h00min às 20h30min Mesa redoda: Segurança pública e políticas urbanas: o que as psicologias têm relação com essas praticas? Luana Carola Santos, Patrícia Moura e Iara Rocha 21h00min às 22h30min 17 IV ENCONTRO INTEGRADO DE PSICOLOGIA RESUMOS 1 1 O teor dos resumos é de responsabilidade dos autores. 18 IV ENCONTRO INTEGRADO DE PSICOLOGIA MESAS-REDONDAS A FORMAÇÃO UNIVERSITÁRIA EM DEBATE: ADOÇÃO, PRÁTICAS DE YOGA, SISTEMA PRISIONAL E AULAS GEMINADAS NA GRADUAÇÃO. Coordenação: Cássia Beatriz Batista (PUC Minas) Responsáveis: Cássia Beatriz Batista, Bruna Karolina da Silva, Cristhian Higor de Paula, Luana Carla de Souza Debortoli, Nayene Gonçalves Vieira, Tatiane Pereira Santos, ACássia proposta da mesa é promover um debate sobre de temáticas importantes paraZanon a formação e que Beatriz Batista, Ailla Pacheco Borges Oliveira; Aline Helen Amorin; carecem ser focadas e ampliadas no cenário universitário. Os quatro trabalhos aqui Camila Aparecida Gonçalves; Leandro Glauco Alves de Assis; Renato Tsuyoshi apresentados foram desenvolvidos por alunos de graduação da psicologia durante o estágio Nakazima; Cinthia Lorena Corrêa Domingos Santos; Eloisa Maria dos Santos; Fabíola supervisionado de Práticas O primeiro trará um estudoPriscila da percepção Carneiro Munaier; Jéssica Investigativas. Gabriella de Souza Isabel; deles Lays Alves Ferreira; Suelende universitários sobre a adoção de crianças e adolescentes, temática pouco presente na formação Moreira Gonçalves. de psicólogos e advogados. O segundo estudo discute a promoção de saúde a partir da prática do Yoga tendo como referência a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC) do Sistema Único de Saúde (SUS). Em seguida, teremos uma análise sobre aulas dobradas/geminadas, trazendo questionamentos sobre as possibilidades e as resistências dessa estruturação para o ensino na graduação. Por fim, apresentaremos a questão prisional e a socialização dos presos e dos egressos por meio do trabalho. Com mesmo intuito, outra mesa será realizada sobre diversidade sexual e homofobia no contexto da universidade. Dessa forma, os debates destas mesas alcançam a proposta a Semana de Ciência, Arte e Política da Unidade São Gabriel da PUC Minas expandindo os diálogos, os espaços e os conteúdos da formação universitária. PERCEPÇÕES DE UNIVERSITÁRIOS SOBRE O TEMA DA ADOÇÃO DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES NA FORMAÇÃO Autores: Bruna Karolina da Silva (PUC Minas); Cristhian Higor de Paula (PUC Minas); Luana Carla de Souza Debortoli (PUC Minas); Nayene Gonçalves Vieira (PUC Minas); Tatiane Pereira Santos (PUC Minas); Cássia Beatriz Batista (PUC Minas). Este projeto teve como objetivo investigar a formação de alunos dos cursos de psicologia e direito da PUC Minas - Unidade São Gabriel em relação à compreensão geral acerca da temática da adoção de crianças e adolescentes. Em uma revisão de literatura no Scielo verificou-se que está temática tem pouca publicação, ainda que os profissionais da psicologia, do serviço social e do direito estejam atuando e produzindo na área. Nas entrevistas realizadas, procurou-se identificar conteúdos abordados durante a graduação relativos a adoção e verificar de que forma se dá a preparação desses futuros profissionais. Optou-se por uma entrevista semi-estruturada constituída por oito questões realizadas com dez universitários, sendo cinco do curso de direito e cinco do curso de psicologia, ambos nos últimos semestre da graduação. Algumas disciplinas tangenciam a questão da família e do desenvolvimento e direitos das crianças e adolescentes. Como esperado, os referidos cursos não abordam a adoção de crianças e adolescentes de maneira explícita e os estudantes saem da graduação com poucas informações sobre o assunto, ainda que apresentem um olhar crítico e 19 IV ENCONTRO INTEGRADO DE PSICOLOGIA científico sobre a questão de forma ampla. Portanto, este trabalho aponta que a formação universitária agrega conhecimentos que correspondem ao debate sobre a adoção ainda que de forma dispersa, indireta ou pouco sistematizada, provocando indagações em relação a formação de psicólogos e advogados curricular para atuarem com a questão. Palavra-Chave: adoção, crianças e adolescente, formação, direito, psicologia. A PRÁTICA DO YOGA E A PRODUÇÃO DE SAÚDE INTEGRAL Autores: Ailla Pacheco Borges de Oliveira (PUC Minas); Aline Helen Zanon Amorin (PUC Minas); Camila Aparecida Gonçalves (PUC Minas); Leandro Glauco Alves de Assis; Renato Tsuyoshi Nakazima (PUC Minas); Cássia Beatriz Batista (PUC Minas). Este projeto de pesquisa visa investigar a funcionalidade do Yoga para o equilíbrio integral de seus praticantes, apontando seu processo de melhora a partir dessa prática que busca uma integração entre corpo, mente, energia, emoção e espírito. A importância desse estudo justifica-se pelo fato do Yoga ser reconhecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS) como Prática Integrativa e Complementar (PIC) de saúde. Ainda assim, a formação dos profissionais de saúde, inclusive dos psicólogos, distância e segmenta as práticas do corpo e da mente, influenciados pela cultura ocidental e do modelo biomédico de saúde. Com enfoque qualitativo, objetivamos identificar transformações significativas no sujeito praticante do Yoga através de entrevista semi-estruturada e análise documental com dois praticantes e seus respectivos profissionais de saúde e professores. Com isso, ao identificar os benefícios do Yoga para a saúde, esperamos contribuir com o debate sobre as Práticas Integrativas e Complementares no SUS, ampliar o conhecimento dos psicólogos nesse campo, bem como problematizar a hegemonia das práticas biomédicas e mecanicistas que limitam a compreensão do indivíduo em sua totalidade e consequentemente, a formação dos profissionais da saúde. Palavras chaves: Yoga; Práticas Integrativas e Complementares; Saúde Integral. AVALIAÇÃO DE ALUNOS SOBRE O PROCESSO DE APRENDIZAGEM: A EXPERIÊNCIA COM AULAS GEMINADAS NA DISCIPLINA DE INTERVENÇÃO PSICOSSOCIAL Autores: Cássia Beatriz Batista (PUC Minas); Cristhian Higor de Paula Costa (PUC Minas); Luana Carla de Souza Debortolli (PUC Minas); Nayene Gonçalves Vieira (PUC Minas); Tatiane Pereira Santos (PUC Minas). A investigação aqui relatada é sobre o processo de aprendizagem ocorrido na disciplina de Intervenção Psicossocial do 8º período do curso de psicologia da PUC Minas, Unidade São Gabriel que foi lecionada através de aulas geminadas durante o 1º semestre de 2011. Por meio de análise documental, especificamente de relatórios de avaliação individual elaborados pelos 27 alunos que cursaram a disciplina, analisou-se o processo de aprendizagem decorrente da dinâmica em sala a partir dos métodos de ensino adotados e da relação educativa estabelecida. Os relatórios foram desenvolvidos a partir de um roteiro previamente fornecido pelo professor contendo os seguintes itens: proposta de disciplina (textos, conteúdos, formas de avaliação), 20 IV ENCONTRO INTEGRADO DE PSICOLOGIA funcionamento da aula (didática, carga horária, espaço físico e recursos), implicação e relação educativa; além de sugestões de aprimoramento para a disciplina. Ainda que a elaboração e leitura de atas de aula, utilização de filmes, desenvolvimento de resenhas, construção de projetos de intervenção, análise de resumos científicos, estudo de caso tenham sido métodos favoráveis para a aprendizagem citados pelos alunos, opiniões diversas foram observadas em relação ao tempo da aula , ou seja, quatro aulas de 50 minutos seguidas. Mesmo com uma avaliação positiva do processo de aprendizagem da disciplina com um encontro semanal, de forma ambígua, verificou-se alguns descontentamentos ou resistências em relação ao modelo adotado. Mesmo que o objetivo da disciplina tenha sido alcançado de forma satisfatória na opinião dos alunos, a experiência apresenta questões importantes no debate sobre tempos escolares, tecnologias e recursos pedagógicos, métodos participativos de ensino e de avaliação, autonomia e implicação nos processos de aprendizagem, pontos estes fundamentais para a estruturação das aulas geminadas na graduação. Palavras-chave: tempos escolares, métodos de ensino, processos de aprendizagem, graduação. O TRABALHO NO CONTEXTO PRISIONAL Autores: Cinthia Lorena Corrêa Domingos Santos (PUC Minas); Eloisa Maria dos Santos (PUC Minas); Fabíola Carneiro Munaier (PUC Minas); Jéssica Gabriella de Souza Isabel (PUC Minas); Lays Alves Ferreira (PUC Minas); Priscila Suelen Moreira Gonçalves (PUC Minas); Cássia Beatriz Batista (PUC Minas). A presente pesquisa, de natureza exploratória, teve como objetivo conhecer o trabalho no contexto prisional. No discurso de diferentes profissionais, pesquisadores e meios de comunicação evidencia-se que o trabalho ocupa lugar de destaque como um instrumento importante de reinserção social, econômica e moral dos condenados. Diante disso, o estudo investigou alguns atores nesse contexto para verificar os argumentos e as propostas em torno do trabalho de condenados e de egressos do sistema prisional. Os métodos de coleta utilizados foram entrevistas semi-estruturadas com um apenado e uma técnica de programa na área, observação simples dos locais visitados, além de diário de bordo e análise de documento do I Colóquio Internacional de Psicossociologia do Trabalho. Adotamos a análise de conteúdo, transformando os dados obtidos em categorias que retratam tanto as concepções de trabalho para sociedade, quanto para os programas de remissão penal, para os sujeitos apenados e para estudiosos da área. Observa-se que o trabalho no debate do sistema prisional apresenta dimensões diversas tanto de inclusão social, de organização do cotidiano, de direitos humanos, quanto de atitudes de punição, de combate ao ócio, de exploração e de caridade. Estas compreensões são agravadas por posturas de preconceito e de desconfiança em relação aos trabalhadores com passagens criminais e também pelo desemprego, pelas condições precárias de trabalho e pela baixa qualificação profissional. Detectou-se que a importância do trabalho é reconhecida e considerada pelas fontes pesquisadas, entretanto concepções e ações ambíguas em relação a este, dificultam a efetivação de programas como a remissão penal pelo trabalho ou inserção de egressos no mercado formal. Palavra-chave: trabalho, sistema prisional, reintegração social. 21 IV ENCONTRO INTEGRADO DE PSICOLOGIA A HOMOFOBIA E O CONTEXTO UNIVERSITÁRIO Autores: Juliana Rodrigues Gonçalves; Marina Damico; Poliana Santos Dantas; Cássia Beatriz Batista (PUC Minas); Dalcira Ferrão (Psicóloga); Patrícia Augusto Silva. O interesse pelo tema da diversidade sexual e da homossexualidade surgiu de um estágio de pesquisa desenvolvido no 4º período do curso de psicologia que objetivou conhecer o sentido que os universitários atribuem à homofobia. Para tal, discutimos acerca da heteronormatividade imperante nas sociedades tradicionais que influenciam as relações e as posições de sujeitos no mundo. Partimos da noção de homofobia como termo empregado para identificar o ódio, a aversão ou a discriminação de uma pessoa contra homossexuais, podendo incluir formas sutis e silenciosas de preconceito contra os mesmos. Os principais autores utilizados que discutem essa temática foram Mott, Cerqueira e Almeida, todos com pesquisas no contexto brasileiro. Numa abordagem qualitativa, foram entrevistados 12 alunos dos cursos de Direito, Comunicação Social, Psicologia e Sistemas de Informação da PUC Minas, Unidade São Gabriel buscando identificar suas compreensões sobre a homofobia, além de outras considerações importantes sobre o preconceito e a diversidade sexual. Os resultados demonstram que ainda que não seja explícito ou escancarado, o preconceito se faz presente. Revela ainda que o assunto ainda é pouco discutido, indicando que o debate deve ser ampliado no contexto universitário. Diante desta pesquisa que propomos apresentar, agregaremos ao debate da mesa, duas outras contribuições importantes para a formação universitária: um depoimento de vivência da transexualidade de uma universitária e a ação da política social voltada para esta temática na cidade de Belo Horizonte. A PESQUISA E A INTEGRAÇÃO ENSINO-SERVIÇO: RELATO DOS PRECEPTORES DO PET SAÚDE PUC MINAS. Autores: Alexandre Lana Reis; Valdênia Nepomuceno. Estimulado pelo Ministério da Saúde e sustentado pela integração ensino-serviço, o Programa de Educação pelo Trabalho em Saúde (PET- Saúde) proporciona a composição de equipes interprofissionais com professores, alunos e trabalhadores do serviço de saúde para desenvolverem pesquisas de interesse local. Os PETs - Saúde da universidade são coordenados por professores de diversas áreas e abrangem as temáticas da saúde mental, álcool e droga; obesidade, Idosos e Saúde da Mulher. A experiência dos profissionais do serviço como preceptores nos grupos tutorias da PUC Minas é foco deste debate que amplia a produção de conhecimentos e a formação de profissionais da saúde na relação entre escola e serviço. 22 IV ENCONTRO INTEGRADO DE PSICOLOGIA A POLÍTICA DA PSICANÁLISE DIANTE DE UMA SOCIEDADE CRIMINÓGENA Autores: Alexandre Dutra Gomes da Cruz (FCMMG); Adriane de Freitas Barroso (PUC Minas); Renata Damiano Riguini (PUC Minas). A presente proposta de mesa redonda busca debater algumas respostas possíveis vindas do campo da Psicanálise à violência e à criminalidade que marcam o cenário urbano atual, sem desconsiderar parcerias, interlocuções e laços com outras práticas e discursos. Sustentar a responsabilidade do discurso psicanalítico diante das formas do Real em nossa época talvez seja a forma de sair da perplexidade e da impotência, alçando-nos à dimensão ética e política da nossa prática. Pretende-se trabalhar, nesse contexto, temáticas como responsabilização, Lei, sanção penal, assentimento subjetivo, passagem ao ato, sintoma, segregação e ruptura do laço social. Tem-se, assim, o objetivo de contribuir na construção de formas de pensar e abordar a violência e a criminalidade de hoje. Se o Direito não é uma ciência exata, uma vez que opera sobre a particularidade de valores, opiniões e ideais de uma época, a ética da psicanálise permite abrir, no domínio da aplicação universal das leis, uma brecha que contemple a singularidade, e é a partir desse ponto que se torna uma leitura pertinente desses fenômenos. ALIENAÇÃO PARENTAL: VIVÊNCIAS DE PAIS E FILHOS Autores: Maria Madalena Silva de Assunção (PUC Minas); Helio Cardoso Miranda Júnior (PUC Minas); Elaine Antonia dos Santos (Psicóloga); Lorena Jácome Gobet (Psicóloga). Com a lei nº 12.318, de 26 de agosto de 2010, que dispõe sobre a alienação parental, o assunto tornou-se pauta recorrente na mídia. No entanto, ainda há muitas controvérsias sobre o tema, em especial a respeito da Síndrome da Alienação Parental (SAP), bem como as discussões que vêem ocorrendo no meio acadêmico e nos conselhos das categorias profissionais envolvidas sobre a inclusão do termo SAP no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais – DSM, com publicação revisada prevista para 2013. O conhecimento sobre a alienação parental tem se dado em função, principalmente, de denúncias veiculadas pela mídia, cujo posicionamento nem sempre é imparcial e esclarecedor. Por tratar-se de um campo de grande implicação da psicologia nos propusemos a discutir tal assunto e os diversos desdobramentos destes nos processos de divórcio e as possíveis consequências na conjugalidade e parentalidade. Para tal, foram realizadas pesquisas com o objetivo de compreender o significado atribuído à alienação parental pelos filhos e pais que a vivenciam ou a vivenciaram. A partir destes estudos, entendemos ser prematuro afirmar que a alienação parental vivida, porventura, por um sujeito desencadeará, inevitavelmente, um transtorno mental. 23 IV ENCONTRO INTEGRADO DE PSICOLOGIA AS TRANSVERSALIDADES PERIFÉRICAS: GÊNESE E DESDOBRAMENTOS EM BELO HORIZONTE Autores: Daniel da Silva Guimarães (PUC Minas) Fabiano Mendonça de Oliveira (PUC Minas) Hermes C. Rocha Neto (PUC Minas) Hernane Rocha Souto (Programa Fica Vivo!). Sucintamente a proposta desta mesa é apresentar a periferia de varias perspectivas, buscando refutar a imagem incipiente de lugar de violências e exclusões, que são constantemente cristalizadas pela mídia e por diversos outros atores sociais, que alocam a periferia como local propicio apenas a intervenções “altruístas”. Para tanto, o intuito é o de dividir o debate em quatro falas diferentes, mas, convergentes, visando abarcar diversas peculiaridades da periferia da cidade Belo Horizonte. Para tanto cada um dos integrantes irá tratar da temática que mais lhe apetece e tem a ver com suas praticas profissionais e ou acadêmicas. O formato pensado a priori seria o seguinte: 1º momento contextualização histórica da formação da cidade de Belo Horizonte e conseguintemente a formação das “primeiras periferias” da cidade. 2º O fenômeno dos homicídios e das criminalidades violentas nas periferias e as praticas estigmatizantes, junto às populações. 3º A produção e fruição cultural da periferia, o Funk, o Rap e o Pagode como produtos culturais e meios de empoderamento da população. 4º Fechamento. Posto isto, nosso objetivo ao propor tal mesa é o de apresentar um panorama ampliado da periferia, muitas vezes “romantizada” ou colocada como “reduto de violências”, e ao propormos tal mesa esperamos ampliar o prisma das representações a cerca das periferias. Além de problematizarmos questões vistas com certo distanciamento na academia, tais como sua produção cultural e a ligação compulsória a violência, dentre outras que vem sendo discutidas e elaboradas. É fato que tal trabalho carece de maior sistematização, mas o envio de tal proposta tanto quanto “desalinhada” se deve ao prazo de submissão estabelecido, mas esperamos que demonstrasse o interesse coletivo em propor tal mesa. AUTISMO Autores: Cyntia Mesquita Beltrão (Psicóloga); Camila; Mirelle França Michalick Triginelli (PUC Minas). Esta mesa tem como objetivo promover a conscientização de profissionais de saúde e educação acerca do autismo, síndrome que prejudica de forma precoce o desenvolvimento da criança, comprometendo sua comunicação, socialização e comportamento. O autismo tem tratamento, mas não tem cura. Atinge cerca de duas crianças para cada mil nascidas, podendo esse número ser ainda maior. Atualmente a desinformação e o preconceito são as principais dificuldades que enfrentam autistas e seus familiares em seu processo de inclusão social. 24 IV ENCONTRO INTEGRADO DE PSICOLOGIA CONSTRUÇÕES CONCEITUAIS EM PSICANÁLISE: MODALIDADES DO ATO E SUAS RELAÇÕES COM A ANGÚSTIA E O OBJETO A Autores: Carina Freitas Passos Pescara (PUC Minas); Isabela Alves Caiafa (PUC Minas); Cristina Marcos (PUC Minas); Renata Craviée Fonseca Mendonça (PUC Minas); Maria Clara Mendonça (Psicóloga e Especialista em Psicanálise-PUC Minas). A temática central desta mesa redonda é a relação entre o ato em psicanálise, a angústia e o objeto a. Os sintomas contemporâneos parecem se sustentar em um rechaço do inconsciente e resistem a entrar no discurso. A toxicomania, a bulimia, a anorexia, os ataques de pânico vão na contramão da vertente simbólica do sintoma como mensagem. O sintoma aparece assim como fixação de gozo, recusa do saber, recusa do inconsciente. As formulações de Lacan acerca do ato, da passagem ao ato e do acting-out são fundamentais para respondermos a este “fora de sentido” que surge na clínica. Este trabalho é fruto da pesquisa intitulada “As manifestações do ato e sua singularidade em suas relações com o feminino”, coordenada pela Professora Doutora Cristina Marcos, da qual são bolsistas de iniciação científica as co-autoras do trabalho. Os conceitos trabalhados partem das teorizações freudiana e lacaniana articuladas às manifestações clínicas contemporâneas. CONVERSAS ESQUIZOANALÍTICAS Autores: Adriana Maria Brandão Penzim (PUC Minas); Bruno Vasconcelos de Almeida (PUC Minas); Patrícia Ayer de Noronho (Instituto Félix Guattari). „Conversas Esquizoanalíticas‟ têm por objetivo problematizar um conjunto de experiências do campo clínico-social e do campo estético em torno da esquizoanálise e da filosofia da diferença. A conversa, neste sentido, é um exercício experimental e aberto àqueles mobilizados pela esquizoanálise ou à procura de linhas de fuga. Trata-se de uma mesa descontraída e alegre para „jogar conversa fora‟ em questões como pensamento, clínica, arte, ciência e vida. Como estratégia de ativação ou elemento díspar, partimos de três linhas de problemas: o quê a esquizoanálise tem a dizer sobre ciência, arte e política; comunicação Deleuze Whitehead: conexões para uma prática clínico-social; e ainda, os efeitos e ressonâncias da presença de Michel Foucault em Belo Horizonte. Do ponto de vista metodológico, a abrangência e a diversidade da mesa sinalizam outros modos de brincar com o pensamento. No primeiro trabalho, „Esquizoanálise e Produção Desejante‟, trata-se de andar às voltas com os conceitos de imanência e multiplicidade dos processos pelos quais toda a realidade – incluída a realidade subjetiva – se processa como autocriação permanente, o que implica a ativação de práticas transdisciplinares, orientadas pela ética da alegria. A „Comunicação Deleuze Whitehead: Conexões para uma Prática Clínico-social‟, tem por objetivo a exploração de recursos conceituais extraídos dos pensamentos de Gilles Deleuze e Alfred North Whitehead para um fazer clínico-social e para uma problematização do contemporâneo, especialmente através da investigação dos conceitos de acontecimento e vida. O terceiro trabalho, „Ditos e Escritos de uma Visita de Michel Foucault a Belo Horizonte‟, dedica-se a explorar, mediante a bibliografia existente (especialmente a biográfica), outras fontes escritas e entrevistas, sob o paradigma da História Oral, realizadas com alguns daqueles 25 IV ENCONTRO INTEGRADO DE PSICOLOGIA que conviveram com o filósofo durante sua estada em terras mineiras, as circunstâncias da visita do filósofo a Belo Horizonte, entre 29 e 31 de maio de 1973. Seu principal objetivo é estabelecer uma audiografia de Foucault entre nós, ou seja, tanto a ordem discursiva a que sua palavra se viu submetida quanto a desordem que, naquela, eventualmente imprimiu. DIÁLOGOS SOBRE PARTICIPAÇÃO EM SAÚDE Autores: Ana Carolina Campagnole; Heliana Conceição de Moura; Gislaine Alves de Souza; Mariana Antunes Henriques. A participação da população em processos decisórios de elaboração e execução de políticas públicas de saúde foi uma das conquistas diferenciais na gestação do Sistema Único de Saúde (SUS). Legitimada em Conselhos e Conferências de saúde pela Lei 8.142/90, a participação da comunidade tem se expressado nessas instâncias. Os temas que se colocam em diálogo versam em torno da participação que se opera em conselhos de saúde. A história de constituição do Conselho Municipal de Saúde de Belo Horizonte e o cotidiano do exercício participativo neste e nos Conselhos Distritais de Saúde do município serão colocados em pauta. DIÁLOGOS SOBRE SAÚDE DA MULHER Autores: Letícia Gonçalves; Tathiana Malta; Mônica Felicíssimo. A área temática do Ministério da Saúde denominada Saúde da Mulher é organizadora de políticas, serviços e práticas nos diversos níveis de gestão e de assistência à saúde das mulheres. Experiências de pesquisa, estágio supervisionado e cotidiano dos serviços que se orientam para mulheres serão colocadas em movimento pelo diálogo que se pretende produzir. Serão problematizados os aspectos naturalizantes, produtores de assujeitamento das mulheres, mas também a produção de conhecimentos e práticas que conduzam ao posicionamento autônomo das mulheres sobre as práticas que incidem sobre seu corpo. ENTRE LAÇOS E DESENLACES, MÃES E CRIANÇAS APRISIONADAS. Autores: Ilka Franco Ferrari (PUC Minas); Bárbara Morais Fam (PUC Minas); Isabele Fernanda Sartori (PUC Minas); Pablo Ferreira Bastos Ribeiro (PUC Minas). O trabalho desta mesa será o de comunicar e discutir, de forma reflexiva e crítica, uma pesquisa que se realiza sob a responsabilidade da Profa. Ilka Franco Ferrari, no “Centro de Referência à Gestante Encarcerada do Sistema Prisional de Minas Gerais”, criado em 2008. Trata-se de unidade prisional diferenciada, a única da América Latina que abriga gestante a partir do sétimo mês de gravidez, ou mães com seus bebês até que estes completem um ano de vida, em instalações sem grades. Será dado especial destaque ao problema investigado à luz 26 IV ENCONTRO INTEGRADO DE PSICOLOGIA da psicanálise, aos objetivos e à metodologia a utilizada. A pesquisa recebeu financiamento do CNPq e da FAPEMIG e conta com Marília Novais da Mata Machado, da Universidade Federal de São João del-Rei, como pesquisadora consultora, com Hebe Tízio Dominguez, da Universidade de Barcelona, e Henrique Figueiredo Carneiro, Universidade de Fortaleza, como pesquisadores colaboradores FAMÍLIA E CONTEMPORANEIDADE Autores: Camila Grillo; Cristina Bruxel. A mesa redonda propõe, através da abordagem psicossocial, levantar questões referentes à família, visto que esta acompanha os processos de transformação da sociedade e se estrutura de acordo com os valores, costumes e regras vigentes num determinado período. Assim, a instituição familiar tem seu processo evolutivo e reproduz em seu meio as mudanças que ocorrem num contexto mais amplo ao qual pertence. Torna-se imprescindível então, verificar as implicações da contemporaneidade em suas formas de constituição, configuração e no processo de subjetivação dos indivíduos que a compõem. Com isso, este trabalho visa discutir questões que envolvem a organização e a formação familiar. O que conduz um sujeito a estabelecer uma relação estável? Ter ou não filhos? Quais os significados da criança gestada para os pais? Manter ou não o casamento? Separar? Divorciar? Investir num outro relacionamento? Recasar? Constituir uma família recasada? Quais as representações e influências desses processos nos pais e filhos que vivem tais situações? Essas indagações estão presentes na atualidade e por isto devem ser avaliadas segundo o discurso da contemporaneidade. Este reflete nas formas de se estabelecer e manter as relações familiares, além de contribuir para o surgimento de novas formas de subjetividade através de suas práticas sociais e mentais. É importante refletir sobre essas mudanças, seus impactos sociais e compreender a estrutura dinâmica da família. GAYS E INTERSEXUAIS: ENFRENTAMENTOS EM UMA CULTURA HOMOFÓBICA Autores: Maria Madalena Silva de Assunção (PUC Minas); Leia Lucas da Silva Moreira (Psicóloga); Jefferson Silveira Silva (PUC Minas); Juliana Marina da Silva (PUC Minas); Kelly Quintas Rodrigues (PUC Minas); Marianne Danielle Policarpo Moreira (PUC Minas); Sandra Maria Batista (PUC Minas). A visibilidade promovida pela mídia, em especial a televisiva, por intermédio de novelas, programas de auditório, reality shows, telejornais dentre outros, à homossexualidade, às relações homoafetivas, à adoção de filhos por casais gays, aos direitos legais de casais homoafetivos, nos levam a pensar que a homofobia foi erradicada de nossa cultura. Entretanto, esta mesma mídia exibe as atrocidades que ainda são cometidas contra gays, lésbicas, transexuais em nosso cotidiano. Considerando esta realidade é que nos propusemos a discutir sobre os desafios encontrados pelos sujeitos homossexuais no processo de assumir-se gay. Como assumir-se em uma realidade tão adversa? Como homens homossexuais 27 IV ENCONTRO INTEGRADO DE PSICOLOGIA vivenciaram este processo? Quais os enfrentamentos tiveram com os grupos de referência, como família, escola? Como se sentiram e se perceberam como homossexuais em uma cultura predominantemente heterossexual? Se em relação aos homossexuais a visibilidade ainda não promoveu a desconstrução de preconceitos, como pensar nos sujeitos intersexuais, que nem sequer são lembrados? Há, ainda, um desconhecimento abissal sobre tal condição e um silenciamento que inviabiliza discussões de toda ordem e em todos os meios. A partir destes questionamentos discutimos, a partir da vivência dos pais, o que significa ter um filho(a) intersexual e, a partir das experiências de sujeitos homossexuais, como se deu o processo de assumir-se gay em nossa cultura. GESTÃO, TRABALHO E CUIDADO: DIÁLOGOS NECESSÁRIOS. Coordenação: Patrícia Pinto de Paula (PUC Minas). A mesa se propõe a debater as interfaces entre o trabalho de cuidar, o agir em saúde e o processo de gestão de unidade de saúde e de equipes. O primeiro trabalho, de Patricia Pinto de Paula, apresentará resultados de pesquisa sobre as ressonâncias da gestão produtivista advinda das atuais políticas de saúde da Atenção Primária, na subjetividade e saúde dos profissionais das equipes de Saúde da Família. O segundo estudo de autoria de Cássia Batista, Tassia Coelho e Lorena Silva, refere-se ao adoecimento de profissionais de enfermagem na Atenção Primária em Saúde, pesquisa desenvolvida em uma unidade básica de saúde de Belo Horizonte por alunos do curso de psicologia durante o Estágio de Práticas Investigativas no ano de 2011. A terceira apresentação é um relato de práticas de estágio desenvolvido com trabalhadores das equipes de Saúde da Família em uma Unidade Básica de Saúde do SUS-BH. As autoras desse trabalho são alunas do curso de psicologia, Amanda Cardoso, Elisabeth Pereira, Luzia Andrade e Patrícia Pinto de Paula. Crisane Rossetti é técnica da Prefeitura de Belo Horizonte e desenvolve acolhimento ao trabalhador da saúde. Sua apresentação dissertará sobre o setor da Gestão do Trabalho da Secretaria Municipal de Saúde e as intervenções que os técnicos desenvolvem junto aos trabalhadores de saúde. Palavras- chave: psicologia do trabalho, trabalho na saúde, saúde do trabalhador, atenção primária à saúde, equipe de saúde da família. RELATO DE EXPERIÊNCIA EM ESTÁGIO COM TRABALHADORES DA EQUIPE DE SAÚDE DA FAMÍLIA DE UNIDADE BÁSICA DE SAÚDE Autores: Amanda Lima Cardoso (PUC Minas); Elisabeth Pereira (PUC Minas); Luzia Luciana R. Andrade (PUC Minas); Patrícia Pinto de Paula (PUC Minas). Este relato busca mostrar os atravessamentos e desafios vivenciados na prática de Estágio de Políticas Públicas em Saúde com profissionais de uma Unidade Básica de Saúde. O objetivo principal deste projeto é a compreensão do trabalho da equipe de Saúde da Família e posterior proposição de melhorias em sua gestão de trabalho, considerando os fatores participantes do processo saúde-doença. Diante das resistências dos profissionais de saúde frente à proposição de um espaço de reflexão do trabalho e relações com saúde, encontramos dificuldades para iniciarmos o estágio. Fizemos uma mudança da estratégia adotada para atender a demanda 28 IV ENCONTRO INTEGRADO DE PSICOLOGIA daquela equipe. A participação semanal nas reuniões de equipe e o acompanhamento das Agentes Comunitárias de Saúde (ACS) nas visitas domiciliares, potencializou a inserção dos alunos de Psicologia. Vivenciamos atravessamentos institucionais, questões de poder e outras interferências partícipes da complexa atuação do trabalhador de saúde. Aspectos como o sentimento de desvalorização por parte das ACS, os desgastes físico e emocional dos demais profissionais da equipe, a sobrecarga de trabalho e os conflitos na gestão da equipe foram observados durante a prática no campo. O desafio atual trata da discussão desses resultados, tendo em vista a construção de vínculos dos trabalhadores com o projeto. Palavras- chave: psicologia do trabalho, gestão e trabalho em saúde, saúde do trabalhador. ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE E ADOECIMENTO DOS PROFISSIONAIS DE ENFERMAGEM Autores: Tassia dos Santos Coelho (PUC Minas); Lorena Lopes da Silva (PUC Minas); Cássia Beatriz Batista(PUC Minas). Esta pesquisa visou investigar o adoecimento dos profissionais de enfermagem na Atenção Primária à Saúde (APS). O estudo se fundamentou na psicologia do trabalho, principalmente na literatura sobre o nexo causal entre saúde mental e trabalho (Antunes, 2003). A organização do trabalho, seus processos e condições, no contexto da saúde são aspectos preocupantes para a saúde do trabalhador. O processo de adoecimento dos profissionais de saúde, uma vez que estes estão submetidos a desgastes físicos e mentais decorrentes de sua prática de trabalho, é tema relevante de estudo. Por sua vez, há uma escassez de produção científica sobre o assunto voltado para a atenção primária. A pesquisa qualitativa realizada em uma UBS da regional Nordeste de Belo Horizonte envolveu entrevistas com trabalhadores da enfermagem e análise de documentos das pastas funcionais. Os resultados demonstraram licenças, faltas no trabalho e tratamentos de trabalhadoras com doenças com correlação ao próprio trabalho. Os descontentamentos destas se dão mais pelas condições de trabalho, todavia elas sentem-se satisfeitas com o trabalho realizado em função da atuação em equipe e da prestação de serviço reconhecida pelos usuários. Palavras-chave: psicologia do trabalho, trabalho na saúde, saúde do trabalhador, atenção primária à saúde. MATRICIAMENTO E SUPERVISÃO CLÍNICO-INSTITUCIONAL: DESAFIOS DA ATUAÇÃO INTERDISCIPLINAR PARA A EDUCAÇÃO PERMANENTE EM SAÚDE. Autores: Cássia Beatriz Batista; Juliana Gomes Maciel; Marcelo Arinos; Natália Azevedo. Buscando fortalecer o modelo preconizado pelo Sistema Único de Saúde e as redes de atençãoà saúde, algumas metodologias de educação permanente vêm sendo desenvolvidas e adotadas, a saber: matriciamento, apoiadores, supervisão clínico-institucional, grupos tutoriais etc. Nesse sentido, retrataremos aqui especificamente duas propostas incentivadas pelo Ministério da Saúde: o Núcleo de Apoio a Saúde da Família (NASF) na cidade de Belo Horizonte e o Curso de Formação para Supervisão Clínico-institucional oferecido pela Escola 29 IV ENCONTRO INTEGRADO DE PSICOLOGIA de Supervisores do Estado de Minas Gerais. As iniciativas se voltam para a formação de profissionais no serviço de saúde por meio de apoiadores de equipes, de serviços e de redes de saúde. Mesmo que o foco destes dispositivos seja diferente, o primeiro na atenção primária à saúde e o outro na rede de Atenção em Saúde Mental, Álcool e outras Drogas, ambos encontram o desafio da atuação interdisciplinar, tema desse debate. MEDIAÇÃO DE CONFLITOS EM DISTINTOS CONTEXTOS: DIÁLOGOS, INTERFACES E REFLEXÕES Autores: Luana Carola dos Santos (UFMG); Maria Zóe Rios da Fonseca (PUC Minas); Rubens Ferreira do Nascimento (PUC Minas); Cleidison da Silva Santos (PUC Minas); Jocelia de Jesus Santos (PUC Minas); Patrícia Regina de Oliveira (PUC Minas); Poliana Santos de Almeida (PUC Minas). A presente mesa tem como objetivo apresentar e refletir sobre dois contextos de trabalho com o método da mediação de conflitos. O primeiro cenário, diz respeito ao emprego da mediação de conflitos, por via da interdisciplinaridade (alunos do Direito e da Psicologia) no Serviço de Atendimentos Jurídico (SAJ) da PUC Minas São Gabriel. O segundo cenário é composto por alunos que estudaram e realizaram também no contexto de um Estágio Supervisionado na PUC Minas São Gabriel, atividades de estudo e observação participante com o tema da mediação em Centros de Prevenção à Criminalidade (CPC) do Programa Mediação de Conflitos da Secretaria de Estado de Defesa Social (SEDS). Entendemos a mediação de conflitos, como um método extrajudicial e não adversarial que possibilita, por via do diálogo e da reflexão, que os envolvidos em situações conflituosas possam gerir e pensar soluções para seus conflitos. A mediação pode estar associada também à promoção de espaços de acesso a direitos, justiça social, responsabilização e trabalho comunitário. Nesse sentido, a mediação pode se apresentar como uma importante prática de resolução pacífica de conflitos em âmbitos diversos. Abordando a temática nos dois contextos apresentados acima a mesa contemplará as interfaces, desafios e proximidades dos trabalhos. MESTRADO E DOUTORADO EM PSICOLOGIA NA PUC MINAS Autores: Márcia Stengel (PUC Minas); Camila Grillo (PUC Minas); Cristina Moreira Marcos (PUC Minas); Elisângela Lins (PUC Minas). Temática da mesa-redonda: Apresentação do Programa de Pós-graduação em Psicologia da PUC Minas Justificativa: Atualmente há interesse e importância na realização de uma pósgraduação stricto sensu. Entretanto, nem sempre os alunos têm conhecimento efetivo do que vem a ser esta formação e nem o que é necessário para realizá-la. Esta mesa intenciona sanar estas questões, assim como poder apresentar, especificamente, o Programa de Pós-graduação em Psicologia da PUC Minas. Observamos que, apesar de os alunos cursarem a graduação na PUC Minas, têm poucas informações sobre o Programa desta Universidade. Objetivos: Esclarecer o que é uma pós-graduação stricto sensu; Proporcionar informações sobre o 30 IV ENCONTRO INTEGRADO DE PSICOLOGIA Programa de Pós-graduação em Psicologia da PUC Minas; Informar os passos necessários para entrada na pós-graduação stricto sensu. O ATUAL CENÁRIO DAS OCUPAÇÕES URBANAS. O QUE A PSICOLOGIA TEM A VER COM ISSO? Autores: Márcia Mansur Saadallah (PUC Minas); Aline de Souza Rodrigues; Ailana Sabbadini Miranda; Letícia Dias Pires; Luiza Moraes Cândido; Maria Aparecida de Sousa Pedra; Priscilla Daniele Figueiredo, Tainara Teixeira de Freitas. A presente mesa redonda tem como objetivo discutir sobre o atual cenário das ocupações urbanas no nosso país e lançar reflexões sobre a forma como a psicologia tem lidado com essa temática. Para tanto utilizaremos como exemplo o recente caso de “Pinheirinho”, uma ação violenta de reintegração de posse executada pela Polícia Militar do Estado de São Paulo juntamente com a Prefeitura de São José dos Campos contra a Comunidade de Pinheirinho. Também abordaremos na mesa redonda as ocupações ocorridas em Belo Horizonte: ocupação Dandara e ocupação Eliana Silva que, igualmente como Pinheirinho, foram alvos de ações violentas. Neste sentido, discutiremos tais acontecimentos à luz da psicologia com o intuito de auxiliar a compreender esses processos complexos, bem como proporcionar ferramentas para tentarmos nos inserir nas lutas sociais e contribuir para a transformação dessa realidade. Nosso objetivo num primeiro momento é de sensibilizar, numa tentativa de promoção de mudanças. Esta roda de conversa vem trazer esta problemática para ser refletida e discutida pela Psicologia. Acreditamos que discussões como esta podem servir como um motor propulsor para a promoção da mudança social, como também como sensibilização e engajamentos do(a)s psicólogo(a)s neste contexto. O QUE É SER GRUPO? DESAFIOS E POSSIBILIDADES NAS TRILHAS DA EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA Autores: Grupo PEPA (Prosa e Pesquisa-Ação) - Rubens Ferreira do Nascimento; Cléria Rocha; Daniele Carmona; Gislaine Souza; Bianca Ferreira Rocha; Lidiana Silva; Luana Carola; Natalia Colen; Naiara Silva; Daniela Moreira; Greice Viana; Kênia Rafaela; Jéssica de Souza. O presente trabalho tem como objetivo apreentar o grupo PEPA (Prosas e Pesquisa-ação), que atualmente é constituído por onze integrantes, sendo cinco estudantes do curso de Psicologia da PUC Minas São Gabriel, cinco ex-alunas (todas psicólogas, e duas mestrandas em Psicologia Social) e um Professor do curso de Psicologia. O objetivo do grupo é fortalecer as ações com a comunidade ao entorno da PUC São Gabriel, estabelecer parcerias com outras redes comunitárias, como por exemplo, o Projeto de extensão “Conversa-ação comunitária”, com a própria universidade, dentre outras atividades. Sabemos que um grupo é um conjunto de pessoas unidas entre si porque se colocam objetivos e ideais em comum, e se reconhecem e se relacionam orientadas por esses objetivo-ideais, nesse sentido são constantes no PEPA reflexões teórico-práticas sobre questões como: O que constitui um grupo? O que é ser 31 IV ENCONTRO INTEGRADO DE PSICOLOGIA grupo? Concordamos que para um grupo se constituir são necessárias relações face a face e tarefas comuns, nesse movimento dialético os membros do grupo se reconhecem entre si. O PEPA nas suas últimas reuniões de trabalho tem exercitado a análise da implicação quanto aos processos que envolvem o grupo. Sendo assim, a mesa abordará por meio de algumas lentes analíticas (Pichon-Riviére, Paulo Freire, Enriquez, Lewin, Bion, Freud, dentre outros) leituras sobre processos e vivências grupais. OFICINAS DE INTERVENÇÃO PSICOSSOCIAL: EXPERIÊNCIAS DE ESTÁGIO EM PSICOLOGIA NAS ÁREAS DA EDUCAÇÃO E ASSISTÊNCIA SOCIAL. Autores: Carina Freitas Passos Pescara (PUC Minas); Camila Silveira Costa (PUC Mians); Natália Rosa de Almeida (PUC Minas). Este trabalho tem como objetivo apresentar artigo fruto de duas experiências de estágio em que foram utilizadas oficinas de intervenção psicossocial, em campos diferentes. O trabalho contempla a apresentação do que é, finalidade e a quem se destina, partindo da metodologia proposta por Lúcia Afonso. Segundo Afonso (2010), o termo oficina pode ser definido como “um trabalho estruturado com grupos, independentemente do número de encontros, sendo focalizado em torno de uma questão central que o grupo se propõe a elaborar, em um contexto social.” (AFONSO, 2010,p.9). Para tanto, o objetivo do estágio foi, além da condução e participação ativa das oficinas, uma em educação e outra na assistência social, ofertar às estagiárias vivenciarem todo o processo, desde a construção das propostas até a avaliação final da instituição concedente, possibilitando uma reflexão sobre como construir, porque construir, como conduzir e como avaliar. A experiência das oficinas não se restringia a uma reflexão racional, a um caráter somente pedagógico, visando trabalhar com as vivências e aspectos afetivos do grupo, tarefa muitas vezes permeada por atravessamentos. Objetiva-se com a mesa, explanar sobre como as oficinas de intervenção psicossociais podem possibilitar mudanças sociais, apresentando as duas experiências de estágio. PESQUISA EM EDUCAÇÃO: MONOGRAFIAS EM DEBATE Autores: Bruno Márcio de Castro Reis (PUC Minas); Bianca Ferreira Rocha (UFMG); Karina Pereira dos Santos (Psicóloga). Propõe-se para esta mesa a apresentação e o debate de três monografias concluídas na área da educação por alunos do curso de Psicologia da PUC Minas – Unidade São Gabriel. Trata-se de um campo em comum – a educação –, sob abordagens e propostas distintas, porém não antagônicas e nem excludentes entre si. Dessa maneira, tendo por base os trabalhos “Juventudes e Escolas: o vestibular e a construção de projetos de vida” (REIS, 2011), “ProUni e Estilos de Vida: um estudo com bolsista na PUC Minas, à luz de Pierre Bourdieu” (SANTOS, 2011) e “Arquitetura Escolar e Aprendizagem: a dimensão pedagógica dos espaços escolares destinados à educação infantil” (ROCHA, 2011), espera-se promover diálogos e novas construções a partir de estudos do corpo discente da unidade São Gabriel, 32 IV ENCONTRO INTEGRADO DE PSICOLOGIA estimulando e favorecendo uma cultura de apresentação e debate dos trabalhos de conclusão de curso após sua avaliação final. Além disso, pretende-se discutir a escolha, construção e o percurso metodológico realizado em cada trabalho. Acredita-se que a diversidade contemplada pelas pesquisas, no que tange às abordagens teóricas e metodológicas, pode contribuir com alunos da graduação que se encontram no período de produção de suas monografias, como também com os demais interessados no campo da educação. PESQUISAR COM MICHEL FOUCALT: EXPERIÊNCIAS MODIFICADORAS DE SI Autores: Fabíola Alves Esteves (PUC Minas); Dantielle Feitosa de Paula Fraga (PUC Minas); João Henrique de Sousa Santos (PUC Minas); Mariana Antunes Henriques (PUC Minas). A temática central desta mesa-redonda consiste em apresentar diferentes experiências de trabalhos - monografias, práticas de pesquisa, que se pautaram no pensamento de Michel Foucault. Como condição de criação, o pensamento desse autor é procedido por muitas tensões, rupturas e movimentos. Foi resgatando o estudo de práticas historicamente constituídas, retomando o pensamento filosófico greco-romano, sempre numa tentativa de compreender o homem situado em determinado tempo e espaço, que Foucault pode alcançar o estudo dos modos de subjetivação. As formas de constituição do sujeito, como ele próprio declara, foi um tema central de toda a obra do filósofo. Porém, Foucault é um pensador da atualidade, um historiador do presente. Sua linha de pensamento permite analisar as práticas ao longo da história que resultou no sujeito que hoje se conhece. Portanto, ao nos deter no campo da pesquisa, saúde, sexualidade e prisões, nada mais válido do que utilizar um pensador que se interessa pelos modos de existência, as possibilidades de vida e os processos de subjetivação que compõe o presente. POLÍTICAS DE ÁLCOOL E DROGAS NO SUS – CAPS AD E CONSULTÓRIO DE RUA Autores: Isabela Saraiva de Queiroz; Renata Aparecida Cordeiro; Míriam Pacheco Tendo em vista o cenário atual do consumo prejudicial de substâncias psicoativas e as conseqüências sanitárias e sociais para os usuários e a comunidade, discutiremos as estratégias e intervenções com vistas à promoção da saúde, tratamento e redução de danos sociais e à saúde propostas no âmbito do SUS. Serão apresentadas as propostas do CAPS AD, dispositivo aberto, que oferece atendimento diário aos usuários a partir de um projeto terapêutico individualizado; e do Consultório de Rua, dispositivo que busca reduzir a lacuna assistencial histórica das políticas de saúde voltadas para o consumo prejudicial de álcool e outras drogas por pessoas em situação de rua, por meio da oferta de ações de promoção, prevenção e cuidados primários no espaço da rua. 33 IV ENCONTRO INTEGRADO DE PSICOLOGIA PRÓ-SAÚDE E PET-SAÚDE: TRANSDISCIPLINARIDADE NA INTEGRAÇÃO ENSINO-SERVIÇO Autores: Isabela Saraiva de Queiroz, Arthur Parreiras Gomes, Kátia Passaglio. Realizar um trabalho transdisciplinar, nos faz deparar com inúmeros desafios e possibilidades. Se sustentarmos nossos serviços na proposta apresentada pelo Pró-Saúde e pelo PET-Saúde, não teremos outro caminho senão a transdisciplinaridade, por sermos convocados a orientar nossas ações na construção de uma rede. Pensar a saúde pública como um sistema de níveis, objetivos e coordenações múltiplas e com finalidades comuns é ir além do que é composto por muitos, mas sem interação, ou quando interagindo não produzindo, efetivamente, um produto comum. A assistência à saúde, enquanto uma rede, é construída por inúmeras linhas, pontos, nós e espaços vazios. As linhas propiciadoras dos pontos necessários para a tessitura da nossa prática podem ser duras ou flexíveis. As linhas duras são fundamentais enquanto resistência para que as linhas flexíveis possam agir. Falar, pois, de desafios, é reconhecer as nossas linhas duras, para frente a elas, deixarmos algo vazar, escapar e produzirmos saídas, enquanto possibilidades. Uma das linhas duras presente no nosso cotidiano é o impacto entre o público e o privado. Possibilitar o diálogo entre uma organização privada, no caso a PUC Minas, com uma organização pública, Secretaria Municipal da Saúde de Belo Horizonte, não é tarefa fácil por estes espaços, historicamente e epistemologicamente, seguirem orientações distintas. Talvez, este diálogo torna-se possível se reconhecermos que o público e o privado não estão apenas fora de nós, mas, antes de tudo dentro de nós mesmos. No contexto do público e do privado, também nos deparamos com o saber e o poder. Se não reconhecermos os limites dos nossos campos de conhecimento, tomando o que sabemos enquanto verdades, o máximo que conseguimos é realizar uma prática disciplinadora e segregadora que, em nome da saúde, incentiva, assegura e implanta mecanismos de controle. Um trabalho em equipe não se sustenta por desigualdades, tampouco, consegue acontecer aprisionado na igualdade. São as semelhanças que permitem a conexão de uma ideia à outra, nos possibilitando o sentimento de pertencermos a um grupo. Contudo, é a diferença que, pelo afastamento entre linhas, constrói os intervalos que fazem da rede prática e também discurso. Desta forma, no movimento do devir, uma significação transforma-se em outra e as linhas duras são essenciais ao trabalho das linhas flexíveis na produção de híbridos. Devemos ser híbridos, nos quais se misturam, em cada um de nós, sujeito, objeto, natureza, sociedade, ciência, política, público e privado. Na sociedade capitalista, os híbridos são desconsiderados em sua constituição mista e reduzidos a formas puras, classificatórias e excludentes: ou sujeito ou objeto; ou natureza ou cultura; ou ciência ou política; ou público ou privado. Desta forma cada profissional se identifica por se excluir de outros campos de saber: ou fonoaudiologia ou fisioterapia ou odontologia ou enfermagem ou psicologia. Se entendermos que na língua portuguesa, ou pode significar exclusão, mas, também inclusão, ou, na condição de e, inclui num só espaço vários parceiros. Assim teremos: e sujeito e objeto; e natureza e cultura; e ciência e política; e público e privado; e fonoaudiologia e fisioterapia e odontologia e enfermagem e psicologia. Diante do confronto que angustia, no campo da ética profissional, temos duas possíveis posições: do traidor experimentador e a do trapaceiro. Na condição de produtor de intervalos propiciadores da emergência do diferente, seremos experimentadores que, enquanto traidores das verdades universais, não conformamos com os modelos que nos são apresentados e construímos ferramentas para enfrentar os desafios apresentados no cotidiano de nossa prática profissional e para produzir conhecimento. Assim, a cartografia apresenta-se como possibilidade de 34 IV ENCONTRO INTEGRADO DE PSICOLOGIA transdisciplinaridade no campo da saúde pública e da pesquisa. Já o trapaceiro, por não suportar a angústia resultante dos desafios, constrói armas para evitar a resistência e tentar destruir o confronto, mantendo a totalidade do instituído como verdade. É preciso trair para produzir diferenças e intensidades, e não trapacear, pois, este último não denota devir. Restanos, pois, fazer nossas escolhas: ser trapaceiro ou experimentador traidor? Tendo em vista o cenário atual do consumo prejudicial de substâncias psicoativas e as consequências sanitárias e sociais para os usuários e a comunidade, discutiremos as estratégias e intervenções com vistas à promoção da saúde, tratamento e redução de danos sociais e à saúde propostas no âmbito do SUS. Serão apresentadas as propostas do CAPS AD, dispositivo aberto, que oferece atendimento diário aos usuários a partir de um projeto terapêutico individualizado; e do Consultório de Rua, dispositivo que busca reduzir a lacuna assistencial histórica das políticas de saúde voltadas para o consumo prejudicial de álcool e outras drogas por pessoas em situação de rua, por meio da oferta de ações de promoção, prevenção e cuidados primários no espaço da rua. PSICOLOGIA E ARTE: FORMAS DE EXPRESSÃO DE SI PELAS VIAS DA MÚSICA, DA FOTOGRAFIA E DO GRAFFITI. Autores: Vilmar Pereira de Oliveira (PUC Minas); Aline Monique Avelar (PUC Minas); Ludimila Cristina Dias de Paula (PUC Minas). A temática central desta mesa propõe, através do relato dos trabalhos de conclusão de curso dos referidos debatedores, discutir sobre as contribuições e implicações da Arte no campo da Psicologia, visto que, esta pode ser dada como uma importante aliada e/ou interlocutora para a reflexão acerca de conceitos e práticas oriundas das mais diversas vertentes teóricas. Sob a luz da teoria sócio-histórica de Vygotsky, a doutora em Psicologia Social, Maheirie (2003), nos diz que a Arte é um fenômeno humano, derivada da relação do homem com o seu contexto físico, social, político e cultural, podendo ser vista como mediação para compreender a vida em diversos âmbitos. Com esse pressuposto, entendemos que a Psicologia não poderia desperdiçar isso, e, assim, identificamos a Música, a Fotografia e o Graffiti, dentre outras manifestações artísticas, como formas de se aproximar do sujeito e como componentes para pensarmos e problematizamos como ele cria a si mesmo e os diversos modos de se colocar no mundo, evidenciando a sua subjetividade/identidades e a procura por autonomia. REFLEXÕES SOBRE AS INTERFACES E OS DESAFIOS DA TEORIA E DA CLÍNICA PSICANALÍTICA NA CONTEMPORANEIDADE Autores: Jorge Franca de Oliveira (PUC Minas); Hélio Cardoso de Miranda Junior (PUC Minas); Flávio Durães (PUC Minas). A mesa tem como objetivo formalizar discussões que têm sido apresentadas no Curso de pósgraduação: A Clínica Psicanalítica na Atualidade – contribuições de Freud e Lacan (PUC Minas) ampliando o diálogo com a graduação e a comunidade universitária. O primeiro trabalho, intitulado Questão da linguagem: do biológico ao simbólico, de autoria do Prof. 35 IV ENCONTRO INTEGRADO DE PSICOLOGIA Jorge Franca de Oliveira, aborda a relação entre a psicanálise e a linguagem. O enfoque do trabalho é sobre a questão da topologia do sujeito e a transferência de sentido na enunciação. Nessa dimensão, busca-se entender como se dá o trabalho clínico de significação da linguagem transferencial do analisando e quais os efeitos dela decorrentes sobre sua posição subjetiva. O segundo trabalho, intitulado Diagnóstico e classificação: o retorno a um dos discursos do mestre no século XIX, de autoria do Prof. Hélio Cardoso de Miranda, desenvolve uma discussão sobre a retomada, através do DSM, do furor classificatório do século XIX, o discurso social atual que procura classificar comportamentos, atitudes, valores e outros itens criando padrões que balizam a comparação entre instituições e indivíduos. O terceiro trabalho, intitulado Há lugar para o discurso do analista na universidade?, de autoria do Prof. Flávio Durães, discute como a experiência do inconsciente nos permite situar as relações entre o discurso capitalista, o discurso do analista e o discurso universitário. SAÚDE MENTAL E OS DISPOSITIVOS DE CUIDADO Autores: Flávio Durães (PUC Minas); Marconi Martins da Costa Guedes; Fabiane Carvalho. A mesa apresenta duas experiências de estágios no campo da saúde mental do Curso de Psicologia São Gabriel. A primeira relata o estágio no Centro de Saúde Lajedo onde se discute a articulação entre saúde mental e atenção primária. A segunda experiência relata a criação do Espaço Terapêutico Multiprofissional do Instituto Raul Soares/FHEMIG. Este espaço nasceu da necessidade de proporcionar aos pacientes internos um lugar de acolhimento, convivência e socialização, onde pudessem passar parte do seu dia em atividades terapêuticas, socializantes e ocupacionais, ao longo de toda sua permanência na instituição. Outro objetivo do Espaço Terapêutico foi de se constituir enquanto espaço de ensino, a partir de diferentes práticas de estágios curriculares existentes na instituição, garantindo o desenvolvimento da formação em saúde mental na perspectiva da atenção psicossocial e da promoção de cidadania. SEGURANÇA PÚBLICA E POLÍTICAS URBANAS: O QUE AS PSICOLOGIAS TÊM RELAÇÃO COM ESSAS PRÁTICAS? Autores: Luana Carola (UFMG); Patrícia Moura (UFMG); Iara Rocha (Mestre em Psicossociologia de Comunidades e Ecologia Social). A presente proposta busca debater a interface entre as políticas públicas de segurança e de urbanização de vilas e favelas no contexto de Belo Horizonte e do Rio de Janeiro. No campo da Segurança Pública, procuramos problematizar algumas concepções chave que permeiam os embasamentos teóricos de elaboração/implementação dessa política, como por exemplo, violência e pobreza. Problematizaremos também as especificidades de algumas práticas contemporâneas que articulam vigilância e controle para a produção de tecidos sociais e urbanos percebidos como seguros. Nesse sentido uma das perguntas que orientará nosso debate é: Segurança Pública para quem? Já a política urbana, mais especificamente, urbanização de vilas e favelas em Belo Horizonte tem entre os seus pressupostos intervenções 36 IV ENCONTRO INTEGRADO DE PSICOLOGIA estruturantes como abertura de vias, construção de sistemas de drenagem e esgotamento sanitário, produção de moradias, que tem como objetivo a inserção da favela na “cidade formal” por meio de padrões arquitetônicos, modos de vida, legalidade fundiária, dentre outros. Na interface entre esses dois campos de política, observamos o atravessamento de uma série de questões que reforçam determinadas relações de poder e manutenção/reprodução de preconceitos e hierarquias na cidade. Podemos dizer assim, que certos desenhos dos cenários políticos produzem efeitos não apenas no cenário urbano, mas também nos modos de sociabilidade e subjetividade que emergem na cena e discurso social. Sendo assim, o debate sobre os temas se torna, especialmente relevante para os diversos campos das psicologias que se aproxima cada vez mais das práticas relacionadas à segurança pública e às políticas urbanas. SEMINÁRIO CLÍNICO: A CLÍNICA E O REAL EM UMA EXPERIÊNCIA Autores: Yolanda Mourão Meira (iepsi); Juliana Greco (iepsi); Cleide Scarlatelli (iepsi); Ida Amaral Brant Machado (iepsi); Sandra Brum (iepsi). A proposta é partirmos da importância do caso clínico na transmissão da psicanálise. Freud sempre buscou fundamentar seus achados com os casos clínicos fazendo um movimento da clinica à formalização e voltar à clinica, fazendo avançar a psicanálise que se construía, se inventava. No espaço da discussão clínica, a Psicanálise é reinventada caso a caso. É um lugar do fazer escola, uma maneira de interrogar o psicanalista para que ele declare as suas razões. A orientação da experiência em direção ao real supõe a contingência, uma parte de acaso, possibilitando construir algo que deixe aparecer o indecidível, o não programado. Ao contrário de buscar um todo, as apresentações clínicas se orientam na delimitação da falta, da surpresa, do não programado; deixando espaço para a interlocução para que algo possa advir. Um participante traz um fragmento clínico, seguindo-se uma discussão e uma busca de formalização. Seguem-se outros escritos de outros participantes, deixando entrever várias leituras. Os escritos possibilitam a criação de outros circuitos podendo, assim, produzir avanços. Esta experiência tem sido feita na Escola Freudiana de Belo Horizonte / iepsi. SENTIMENTO DE CULPA COMO OPERADOR SOCIAL: ALGUMAS LEITURAS POSSÍVEIS Autores: Juliana Marcondes Pedrosa de Souza (PUC Minas), Maria Clara Jost (PUC Minas), Maria Luisa de Vilhena Lana Peixoto (PUC Minas). A Mesa Redonda propõe como temática discutir o sentimento de culpa como operador social a partir do referencial da psicanálise e da psicologia fenomenológico-existencial. Vivemos em uma sociedade marcada pelo declínio da dimensão alteritária e aumento dos índices de violência, espaço pertinente para discutirmos o sentimento de culpa. Àquele que transgride a lei, o direito imputa culpa e sanção como resposta ao ato cometido. Como pensar, a partir de referenciais distintos, que a culpa pode ser um operador social essencial ao processo de 37 IV ENCONTRO INTEGRADO DE PSICOLOGIA responsabilização subjetiva? O indivíduo deve se posicionar frente às situações de sua vida, mas como trabalhar a responsabilização quando influenciados por fatores psicossociais que o desculpabiliza por seus atos? Para a fenomenologia-existencial subtrair deste sujeito a possibilidade da responsabilidade seria condená-lo à sua situação de não possibilidades. Para a Psicanálise, temos na obra freudiana uma acepção de culpa vinculada ao desamparo e ao interdito sexual que se apresenta como essencial ao resgate da alteridade. Assim, é interessante fazermos uma leitura sobre o lugar do sentimento de culpa na contemporaneidade como promotor e mantenedor do enlaçamento social. Propomos uma discussão a partir de recortes específicos sobre esse sentimento, permitindo aprofundar seu estudo a partir de uma compreensão subjetiva. TER ESTADO LÁ E TER ESTADO AQUI: A ETNOGRAFIA COMO POSSIBILIDADE METODOLÓGICA Autores: Luana Carola dos Santos (UFMG) O presente trabalho tem como objetivo apresentar a etnografia como um recurso metodológico possível no campo das psicologias. Um dos pontos que irá compor o debate tem relação com a seguinte problematização: O termo etnografia, ou trabalhos baseados na etnografia é quase equivalente ao termo antropologia. Observamos que esses conceptos aparecem juntos e como sinônimos, todavia não são termos tão equivalentes quanto parecem. Para embasar essa discussão usaremos como lente analítica a proposta de Clifford Geertz, importante antropólogo que discorre e concebe a etnografia como uma espécie de escrita, um colocar as coisas no papel. Para Geertz a definição de etnografia ainda não está muito clara, contudo aquele (a) pesquisador (a) que se propõe ao exercício etnográfico precisa ir a lugares, tomar nota de informações e disponibilizar para a comunidade acadêmica. A postura do etnógrafo (a) não deve ser restrita apenas aos estudos nas bibliotecas ou reflexões sobre questões literárias. É sobre essas questões que discutiremos. A etnografia é um constante movimento e articulação entre o ter estado lá(nos campos de pesquisas, nas comunidades, dentre outros)e o ter estado aqui ( na universidade, em meio a comunidade acadêmica). TERAPÊUTICA DA MORTE E DIREITO DE MORRER: DIÁLOGO SOBRE O DOCUMENTÁRIO SOLITÁRIO ANÔNIMO Autores: Fernanda Duarte Souza Hott; Bruno Torquato; Luciana Kind; Antônio Sena. O documentário Solitário Anônimo acompanha a trajetória de um senhor que reivindica seu direito de morrer. Produzido por Débora Diniz, retrata a hospitalização do solitário, seguida do esforço para identificá-lo. A edição do documentário recusa-se, assim como o solitário, a expor seu nome, respeitando seu direito ao anonimato. Suscita questões sobre o direito de morrer e a terapêutica contemporânea dedicada a manter a vida a qualquer custo. O diálogo entre direito e psicologia permitirá o diálogo necessariamente interdisciplinar em torno das crescentes tecnologias que produzem a obstinação terapêutica, os embates bioéticos alimentados por diferentes entendimentos sobre a relação dos seres humanos com os processos de morte e morrer e a abordará, ainda, uma análise crítica da bandeira levantada pelo documentário: o direito de morrer. 38 IV ENCONTRO INTEGRADO DE PSICOLOGIA RODAS DE CONVERSA A PSICOLOGIA E AS TENSAS RELAÇÕES COM A TRANSEXUALIDADE: ACOMPANHAMENTO, AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA E LAUDO PSICOLÓGICO Autores: Naiara Cristiane da Silva (PUC Minas); Patrícia Augusto (PUC Minas); Dalcira Ferrão (Psicóloga). Esta Roda de Conversa objetiva propor uma discussão/debate sobre a atuação da Psicologia junto ás questões que envolvem a transexualidade no que tange ao acompanhamento, avaliação psicológica e laudos psicológicos decorrentes da preparação para a operação. Este debate se insere nas lacunas deixadas pela formação, fato que é demonstrado pela falta de debates e discussões em torno da questão nas Universidades e que demonstra a urgência em estabelecermos um diálogo em torno da questão. A transexualidade tem sido definida, seguindo a linha majoritária na medicina e no direito, como um tipo de transtorno psíquico, identificado na classificação internacional de doenças (CID) pela OMS- Organização Mundial de Saúde, como transtorno de identidade de gênero amplamente conhecido como transexualismo. Esse CID é atribuído ao paciente após o término do acompanhamento, comprovado através de laudos psicológicos, é o psicólogo quem acompanha e identifica esse paciente como apto á cirurgia, contemplando-o com o CID. Discute-se então vários pontos de tensão: a atribuição de um CID á pessoa que deseja a mudança de sexo, as lacunas na formação dos psicólogos acerca desses processos em termos éticos, políticos, teóricos e práticos e as questões envolvendo a problemática de gênero e sexualidade na formação e na saúde pública. AMBULATÓRIOS E HOSPITAIS Autores: Lúcia Efigênia Gonçalves Nunes (PUC Minas); Andreza Soares (PUC Minas); Eni Pires (PUC Minas); Thaís Rafael Pinto (PUC Minas); Eduardo Augusto de Souza Sales (PUC Minas). Os estágios desenvolvidos em ambulatórios e hospitais têm no acolhimento e oferta da escuta, a direção da abordagem. A clientela que frequenta a Rede de Saúde Publica é atendida pelos alunos do Curso de Psicologia, durante o semestre letivo, e enfrentam um ambiente diferenciado do habitual da Clínica. Podemos citar também o tempo limitado para executar o atendimento muitas vezes é realizado em apenas uma sessão. Pergunta-se: Como deve ser feito o atendimento do psicólogo para atender a demanda da pessoa, muitas vezes angustiada, em apenas uma sessão? Seria isso possível? Verificamos que a atuação do psicólogo dentro de ambulatórios ou hospitais, nem sempre acontecessem como descrito nos modelos clássicos da 39 IV ENCONTRO INTEGRADO DE PSICOLOGIA Psicologia, em que o atendimento ocorre em consultórios. Gostaríamos de conversar sobre as dificuldades, limitações e conquistas que os profissionais podem encontrar nesse percurso de atendimento em ambulatórios e hospitais. CURRÍCULO E ÊNFASES NO CURSO DE PSICOLOGIA DA PUC MINAS Responsável: Mara Marçal Sales (PUC Minas) A proposição desta roda de conversa busca atender dois objetivos: (a) oportunizar a socialização de informações sobre a proposta curricular vigente no curso de Psicologia da PUC Minas São Gabriel e (b) contribuir para a troca de informações, experiências, impressões e proposições sobre o currículo, em especial pelo corpo docente vinculado ao curso. A iniciativa busca contribuir para o aprimoramento da organização pedagógica, problematizando suas premissas e ações e fomentando a inovação constante. ENSINO RIGOROSO X ENSINO LIBERAL Autores: Leanderson Luiz de Sá (PUC Minas); Lucas Almeida (PUC Minas); Mariana Rosa Botão (PUC Minas); Fabio Vilarinho (PUC Minas). A roda de conversa tem como temática a aprendizagem infantil. Atualmente crianças são introduzidas nas mais diversas instituições socializadoras (escolinhas, futebol, natação, aula de música, inglês etc...) com vistas ao desenvolvimento cognitivo. Em contrapartida, analisar esse tipo de ensino com um ensino estruturado em valores familiares em que as crianças têm oportunidade de passar mais tempo com as mães ou pais do que em outros ambientes. Será ainda postulado o método de ensino da “mãe tigre” (referencial do livro recém traduzido ao português: Grito de Guerra da Mãe Tigre) em relação o método mais liberal culturalmente mais aceito na sociedade brasileira. A utilização de referenciais de teóricos como Vigotsky, Bandura e Piaget axiliará na discussão através de fragmentos de livros destes referentes ao ensino infantil. A roda de conversa terá como publico alvo alunos da área de humanas, professores e pais de crianças e adolescentes. Utilizaremos a apresentação de slides, livros e filmes ilustrativos como metodologia no desenrolar do debate. O objetivo principal é analisar as implicações do ensino rigoroso e sistematizado aplicado a crianças em relação ao ensino mais liberal e seus pontos positivos e negativos. Sabemos que ambos os métodos têm implicações positivas e negativas, analisar e dar respostas a essas questões não cabe aos alunos proponetes, mas apenas abrir um questionamento para que o público possa se abrir a pontos de vista diferentes dos já formulados. 40 IV ENCONTRO INTEGRADO DE PSICOLOGIA EXTENSÃO E USO ESTRATÉGICO DO CONHECIMENTO: RELAÇÕES ENTRE UNIVERSIDADE E CAMPOS EM PRÁTICAS EXTENSIONISTAS Autores: Aline Aguiar Mendes Vilela (PUC Minas); Rubens Ferreira Nascimento (PUC Minas). Esta proposta tem como objetivo promover exposições e trocas reflexivas sobre aspectos das relações de acadêmicos com agentes de organizações comunitárias, de equipamentos públicos e membros de comunidades, estes três últimos, entendidos como parceiros, utilizadores ou públicos-alvo em trabalhos extensionistas. Uso Social do Conhecimento é um conceito que se articula com outro, Relação Social de Investigação, compondo uma perspectiva teórico-prática (CARIA, 1999) que se vale de estratégias metodológicas dialogais e se sintoniza com a sociologia das ausências e a sociologia das emergências (SANTOS, 2005). Tal perspectiva questiona e aponta limites e dicotomia nas opções acadêmicas por mega-teorias descomprometidas com a experiência de campo ou por um empiricismo acrítico. Desta forma, considera-se importante e pertinente, no contexto da IV Semana de Arte, Ciência e Política, propor um espaço de exposição e diálogo entre representantes de projetos em psicologia que tem, em comum, objetivos e metas de articular a extensão com o ensino e a pesquisa, focalizando e valorizando a experiência relacional e política entre a universidade e seu extramuros, o que poderá provocar movimentos emancipatórios tanto nos campos de interlocução quanto no próprio meio acadêmico. METODOLOGIAS EM CENA: DIÁLOGOS, DESAFIOS E POSSIBILIDADES Autoras: Bianca Ferreira Rocha (UFMG); Luana Carola (UFMG). O presente trabalho tem como objetivo promover um espaço de debate, reflexão e prosas sobre as diversas metodologias de pesquisa utilizadas no âmbito das Ciências Humanas e Sociais. Para isso, trabalharemos com a metodologia de Rodas de Conversa que se configura como uma proposta metodológica e permite que a palavra circule, possibilitando assim que as concepções e experiências sobre trabalhos com as distintas metodologias sejam narrados e problematizados. Nesse sentido buscaremos fomentar reflexões sobre algumas questões, como por exemplo: Distinção entre método, metodologia e epistemologia; As possibilidades e os dilemas entre pesquisa qualitativa e quantitativa; Técnica de coleta e análise de dados, dentre outras temáticas que surgirem. É importante lembrar que a construção e a escolha do corpo metodológico do projeto de pesquisa têm grande aproximação e relação com o objetivo do tema a ser investigado. Nesse sentido, a roda de conversa sobre metodologia convidará os (as) participantes (as) a debater, pensar e elencar possibilidade de trabalho com as distintas metodologias. 41 IV ENCONTRO INTEGRADO DE PSICOLOGIA O CURSO DE PSICOLOGIA COMO CAMPO DE ESTÁGIO: A TROCA DE EXPERIÊNCIA ENTRE ALUNOS Autores: Adriana Monteiro (PUC Minas); Maria Cristina Martins de Andrade (PUC Minas); Inglaty Yane Rosa Gomes (PUC Minas), Jéssica Ferreira de Matos (PUC Minas); Luana Cristina Mendes Abreu (PUC Minas). A partir dos relatórios produzidos pelas alunas formandas, proporemos um diálogo entre alunos para fomentar a discussão da importância da troca entre eles, da necessidade de pensar a própria formação no interior do curso de Psicologia numa abordagem de campo de estágio, pesquisa e formação prática. Nesta atividade, pretendemos apresentar e avaliar coletivamente a proposta e o processo de “acompanhamento acadêmico” de alunos do 1º período do curso de Psicologia, realizado por alunos que estão em final de formação. A proposta inicial do estágio era acolher alunos calouros da PUC, no sentido de acompanhá-los em suas adaptações à vida acadêmica como conhecer espaço físico, uso de biblioteca. Entretanto, no decorrer do contato com alunos, outras questões foram surgindo e demandando intervenções. Essas por sua vez geraram novas perguntas: Quais as contribuições que as alunas formandas possibilitaram para a turma de primeiro período? O que aprenderam com esta experiência? Essa proposta exige dos proponentes: participação, organização, negociação, comunicação, divisão de tarefas, registro, sistematização. Para tanto, o referencial teórico está ancorado nos conhecimentos e procedimentos aprendidos ao longo do curso, bem como nas pesquisas sobre produção da escrita acadêmica. O PSICÓLOGO NO MERCADO DE TRABALHO: O INÍCIO DE CARREIRA NA ÁREA ORGANIZACIONAL E NA ÁREA DA EDUCAÇÃO Autores: Ana Paula Dias Macedo (Psicóloga); Cristina Espíndola Dias (Psicóloga); Maria Auxiliadora da Silva (PUC Minas). Após cinco anos, no curso de psicologia, no qual o aluno teve contato com diversas teorias e vivenciou muitas experiências práticas, cumprindo as exigências mínimas da Universidade, ele recebe seu diploma. O diploma de psicólogo possibilita ao recém formado um leque de atuações nos dias atuais. Assim, sustentado por certo conhecimento teórico e prático, o psicólogo pode exercer sua profissão de acordo com suas escolhas, preferências, habilidades, interesse, oportunidades e necessidades. A presente Roda de Conversa tem o objetivo de discutir a inserção do psicólogo, no início de carreira, no mercado de trabalho nos dias atuais. Dentre as diversas áreas e campos de atuação da psicologia, nos deteremos nas experiências de duas profissionais, ex-alunas da PUC Minas, Unidade São Gabriel, em seus diferentes contextos de trabalho e início de carreira: uma no campo da Educação e outra no campo das Organizações. A formação, a entrada no mercado de trabalho, os desafios e as possibilidades de atuação do psicólogo nos dias atuais são uns dos pontos relevantes nesta discussão. Palavras Chaves: formação; início de carreira; atuação; área da educação; área organizacional 42 IV ENCONTRO INTEGRADO DE PSICOLOGIA PERIFERIAS EM DEBATE: CONVERSANDO SOBRE PESQUISAS E TRAJETÓRIAS NAS PERIFERIAS METROPOLITANAS Autores: Bruno Márcio de Castro Reis (PUC Minas); Marco Antônio Couto Marinho (PUC Minas). Propõe-se para esta roda de conversa, o debate a respeito das periferias metropolitanas brasileiras, reconhecendo-as como espaços complexos e heterogêneos que comportam distintas e novas configurações econômicas, sociais e políticas (LAGO, 2008) portando tensões e confrontando discursos que disputam e exercem poder em seu cotidiano (FELTRAN, 2008). Pautando-se em perspectiva psicossocial, Afonso & Abade (2008), nos indica que a proposta das rodas de conversa não se sustenta por transmissão de conhecimentos, mas por trocas de saberes entre os envolvidos a partir dos relatos de suas vivências e práticas proporcionando reflexão e mútuo aprendizado. O objetivo central é abordar a pluralidade das periferias por meio de olhares também plurais. Portanto, tem-se como público alvo acadêmicos, profissionais e militantes de diferentes áreas que se interessem por partilhar vivências, desafios, inquietações e relatos de pesquisas no contexto das periferias urbanas, ou seja, suas trajetórias nestes espaços dinâmicos das metrópoles contemporâneas. Palavras chave: Periferias Metropolitanas; Roda de Conversa; Pluralidade; Trajetórias. PSICOLOGIA E POLÍTICAS PÚBLICAS: PRÁTICAS EM GESTÃO E CUIDADO Autores: Márcia Mansur Saadallah (PUC Minas); Emanuelle Rodrigues Diniz (PUC Minas); Silvia Maria de Avelar Sousa (PUC Minas); Vanessa Eveline Ferreira (PUC Minas); Carlos Eduardo Carrusca (PUC Minas). O objetivo desta roda de conversa é apresentar experiências de estágios curriculares no campo das políticas públicas e articular com as ênfases Gestão e Cuidado propiciando aos participantes a oportunidade de compartilhar suas experiências e discutir a atuação do psicólogo em ambas as ênfases. As práticas de estágio em Políticas Públicas se tornam mais que possibilidades do psicólogo em formação ter contato com as mesmas, através de projetos e/ou intervenções, nos mais diversos campos das políticas setoriais: áreas da saúde, educação, assistência social e desenvolvimento urbano. Tornam-se imprescindíveis a uma formação que privilegie uma postura ética e crítica diante destes desafios que se apresentam na contemporaneidade. Os proponentes apresentarão suas experiências de estágios curriculares nas áreas de Políticas Públicas (CRAS, Vila Cemig e Cuidando de quem cuida). Terá duração de aproximadamente 2h, dividida entre 10 minutos para cada um dos proponentes apresentarem suas experiências, posteriormente será aberta a discussão com base na proposta de articular com as ênfases Gestão e Cuidado. Esta roda de conversa destina-se ao alunos, exalunos e professores do curso de Psicologia. 43 IV ENCONTRO INTEGRADO DE PSICOLOGIA POESIA Autores: Maria dos Anjos Lara e Lanna (PUC Minas); Bruno de Almeida Vasconcelos (PUC Minas); Luiz Carlos Meneses (CAPS, Academia Formiguense de Letras). O objetivo da roda é reunir pessoas interessadas em poesia, tanto da comunidade acadêmica quanto da comunidade externa, para compartilhar da leitura de poemas próprios ou de autores nacionais e estrangeiros. A atividade também tem como objetivo discutir o processo criativo com o jovem e experiente poeta Luiz Carlos Meneses. A metodologia consistirá da leitura, na roda, de um ou mais poemas que cada participante deverá levar, a partir de sua livre escolha, e da apresentação pelo poeta convidado de sua experiência criativa no campo da poesia, seguida de debate. SAÚDE EMOCIONAL NO TRÂNSITO Autores: Daine de Almeida Costa (PUC Minas); Ester Carolina Ribeiro Lopes (PUC Minas); Jeane Bastos de Oliveira (PUC Minas); Márcia Cristina de Toledo (PUC Minas); Miguel Ângelo Santos Almeida (PUC Minas); Mirian Daniela Marques de Carvalho (PUC Minas). O trânsito tornou-se um grave problema de saúde pública, sendo uma das principais causas de óbitos no país inteiro. Devido às questões atuais de violência e acidentes de trânsito nas grandes cidades, faz-se necessário estudos acerca dessa problemática, analisando novos meios de intervenção. Nessa roda de conversa será discutido o tema “saúde emocional no trânsito”, colocando questões sobre brigas e acidentes de trânsito. Serão utilizadas referências teóricas (Maria Helena Hoffmann, Roberto Moraes Cruz e João Carlos Alchieri, entre outros), documentários, dados estatísticos de órgãos de trânsito. Abordaremos questões como: Comportamento dos motoristas no trânsito, violência, ética educação, prevenção de acidentes, medidas sócio educativas, leis de trânsito. Esse debate tem como objetivo conscientizar motoristas e pedestres, mobilizando mudanças e construindo propostas e medidas de intervenção, proporcionando, reflexões críticas sobre o tema. TEORIA DOS PROCESSOS ONÍRICOS E A CLÍNICA PSICANALÍTICA: A RELEVÂNCIA DO MÉTODO DE INTERPRETAÇÃO DOS SONHOS PARA A METAPSICOLOGIA FREUDIANA Autores: Eduardo Augusto de Souza Sales (PUC Minas); Thaís Rafael Pinto (PUC Minas); Thaís Talita do Nascimento Maia (PUC Minas); Luciana Faluba Rodrigues (PUC Minas); Cristina Barbosa de Oliveira (PUC Minas). A proposta desse trabalho é a discussão da prática clínica da psicanálise na Clínica-Escola da PUC Minas, na medida em que estas experiências fomentaram reflexões acerca dos aspectos relativos a técnica analítica aliada à interpretação dos sonhos. Estes sonhos, por vezes, surgem 44 IV ENCONTRO INTEGRADO DE PSICOLOGIA durante o processo de análise, propiciando um fulgurante material a ser trabalhado e manejado pelo praticante de psicanálise (estagiário). Portanto, objetiva-se abordar as questões concernentes a análise dos sonhos na teoria psicanalítica, perpassando por uma discussão acerca da construção freudiana do desejo inconsciente, no sentido de conhecer os mecanismos dos processos oníricos. O trabalho de análise dos sonhos contribui determinantemente para a compreensão dos processos psíquicos e é de fundamental importância na construção teórica da psicanálise, além de criar possibilidades de intervenção clínica. A escolha metodológica foi pela roda de conversa, uma vez que se pretende escutar as opiniões e vivências de cada participante sobre o tema, abrindo espaço para a discussão sobre a sua relevância na clínica psicanalítica contemporânea. Esse estudo terá por referências a teoria onírica de Freud (1900), e sustentada também por contribuições de autores como GARCIA-ROZA (2009) e OLIVEIRA (2008). 45 IV ENCONTRO INTEGRADO DE PSICOLOGIA OFICINAS A PSICOMOTRICIDADE NA RELAÇÃO: O BRINCAR EM EVIDÊNCIA Autora: Érica Fróis (PUC Minas) A Psicomotricidade é um campo de saber que estuda o homem com seu corpo em movimento na relação consigo mesmo e com os demais á sua volta. Nesta medida a prática psicomotora visa promover, através da Educação, Reeducação ou Terapia Psicomotora, o bem estar do individuo junto ás relações interpessoais que trava no mundo. Para este projeto conta com a ludicidade e o prazer da expressividade motora que apontam para a importância do diálogo tônico e da lógica do corpo em movimento. Logo, a presente oficina pretende destacar a importância do brincar enquanto estratégia condutora das intervenções em Psicomotricidade. ARTETERAPIA Autores: Alexandre Frank Silva Kaitel; Karina Masci Objetivo: Apresentar a Arteterapia sob a luz da Gestalt-terapia através do uso de técnicas expressivas com a utilização de recursos artísticos. Justificativa: A verbalização não é única forma de expressão que o ser humano possui para contatar o meio e seu interior, mas apenas uma das formas que o nível motor encontra para expressar algo. Porém, muitas vezes a fala verbal está desconectada do próprio sujeito podendo, assim, interromper o fluxo natural de auto-regulação e favorecer a racionalização e manutenção de padrões e valores introjetados. Sendo assim, processos artísticos e experenciais podem auxiliar na intensificação do contato da pessoa consigo, com o mundo e com os outros. Além de facilitar o contato e a expressão, o fazer artístico traz consigo um exercício criativo. Ao partir do pressuposto que a expressão artística pode trazer benefícios terapêuticos, surge a Arteterapia, termo que referencia a utilização de recursos e experiências artísticas em contextos terapêuticos, sem a finalidade estética. Nesse contexto, cabe ao arteterapeuta o papel de facilitação da ampliação da consciência e do auto-conhecimento. FIGURAS DO FEMININO E SUAS REPRESENTAÇÕES EM MANIFESTAÇÕES ARTÍSTICAS Autora: Renata Cordeiro de Carvalho (UFMG) Essa oficina propõe a discussão das figuras femininas representadas por meio da pintura a óleo pelos próprios participantes, que serão convocados a pintar uma ou mais mulheres da 46 IV ENCONTRO INTEGRADO DE PSICOLOGIA maneira mais livre possível. Destina-se às pessoas da comunidade em geral, que já possuam ou não alguma experiência com o mundo dos pincéis. Esse trabalho justifica-se pela oportunidade que oferece, de forma gratuita, de refletir acerca do feminino através de criações e percepções pessoais. A oficina oferece quinze vagas e os participantes receberão os materiais necessários, sendo orientados pela proponente sobre como manusear os elementos, tanto a nível funcional quanto artístico. KLÍNICA DA MULTIPLICITAÇÃO DRAMÁTICA Autores: Cláudio Márcio (Fundação Gregório Baremblitt); Wanderson da Conceição Silva (Fundação Gregório Baremblitt). O esquizodrama é um dispositivo de trabalho clínico, proposto por Gregório Baremblitt. Tem como aporte teórico a esquizoanálise, a partir dos estudos de Deleuze e Guattari. Para Baremblitt (2012, p.144), “o esquizodrama é constituído de diversos dispositivos de intervenção aos quais irá denominar de Klínica do esquizodrama, tomando o sentido grego da palavra clínica como Klinamen (desvio dos átomos que caem no vazio)”. Dessa forma, além de uma ferramenta klínica, entende-se que o esquizodrama também é uma ferramenta pedagógica e de investigação da produção de saberes por produzir invenções de re-afimação de estar na vida, com a vida e pela vida. Na klínica da Multiplicitação dramática trabalha-se a multiplicação e explicitação. A multiplicação dramática alude a multiplicação, referindo-se as multiplicidades puras da realteridade (realidade outra) como as da realidade. PRODUÇÃO DE TEXTOS Autora: Maria Cristina Martins de Andrade (PUC Minas). Escrever não é das tarefas mais simples exigindo, além de conhecimentos linguísticos, vocabulário e raciocínio lógico. Não bastasse, são vários os gêneros textuais cada um com suas exigências e especificidades. Em nosso caso, lidamos com o texto argumentativo cuja forma final pode ser a de um artigo, de uma monografia, de um ensaio, de uma resenha, de um relatório ou ainda de um resumo que possuem, a seu turno, características próprias. Assim, propomos nessa oficina, através do uso de modelos textuais e de exercícios, conhecermos melhor essas características e especificidades, problematizando a escrita como um processo de resolução de problemas, de modo a ampliar nossa desenvoltura e competência no uso da língua em sua forma escrita. 47 IV ENCONTRO INTEGRADO DE PSICOLOGIA VIVENDO E APRENDENDO A JOGAR: OFICINAS DE JOGOS, BRINCADEIRAS E RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS Autora: Adriana Monteiro (PUC Minas) Nesta oficina, pretendemos sensibilizar o público alvo para a aplicabilidade dos jogos e brincadeiras e duas vertentes: como objetos de conhecimento socioculturais e mediadores interacionais. Estes podem ser utilizados em trabalhos com sujeitos de todas as idades, pertencentes a espaços institucionais ou não. Para tanto selecionamos jogos que promovem a interatividade, estimulação cognitiva, desenvolvimento de estratégias e raciocínio. Nosso referencial teórico está ancorado nos estudos de Lino de Macedo que foca o jogo nos campos da Psicologia e Educação tornando o seu uso numa perspectiva científica, aplicável em ambientes educativos, clínicos e institucionais. 48 IV ENCONTRO INTEGRADO DE PSICOLOGIA CINEMA COMENTADO “A PELE QUE HABITO” E O EU QUE HABITA A PELE: UMA LEITURA PSICANALÍTICA Autor: João Henrique de Sousa Santos (PUC Minas) A partir do filme de Almodóvar, “A pele que habito” (2011), almeja-se pensar os signos psicanalíticos que perpassam a trama: cheia de questões respondidas com enigmas. E tudo que possa ser evidente, não passa de uma primeira camada. Trata-se da fixação de um cirurgião plástico, que após a morte de sua mulher, se dedica à criação de uma pele com a qual poderia tê-la salva. Pouco a pouco os personagens vão a-pare-sendo. Isso mesmo, um convite à negação (repensar o pensando a cada cena), à reflexão e a ser: temos aí um espelho? Não se trata, pois da pele que habito, antes do sujeito que habita a pele. A mãe poderosa, filho sem pai, sexualidade, desejo, sadismo, masoquismo, voyeurismo, falos e mais falos: mais do que simbólicos, em “A pele que habito” eles são usados. Um filme que opera o corte, como corta a navalha do cirurgião. “MATCH POINT” Autores: Rosely Gazyre Melgaço (iepsi); Suzana Marcia Dumont Braga (iepsi); Theresa Cristina Bruzzi Cury (iepsi). A roda de prosa é uma programação que acontece quinzenalmente na Escola Freudiana de Belo Horizonte/iepsi e tem como objetivo conversar sobre temas da atualidade a partir de um diálogo da psicanálise com outros campos, particularmente nas manifestações artísticas. Desta vez, propomos levar a prosa para o SCAP 2012, na PUC São Gabriel. Inscrevemo-nos então para participar de uma sessão de cinema comentado. Sugerimos o filme: Match Point, dirigido por Wood Allen. Pretendemos abordar dois temas: o acaso e a culpa. “PARAÍSOS ARTIFICIAIS” Autores: Lúcia Efigênia G. Nunes (PUC Minas); Oscar Cirino (Psicanalista; Centro Mineiro de Toxicomania). A relevância da temática do filme está associada ao uso abusivo de drogas, questão tão atual e preocupante para profissionais psis. O objetivo é apresentar a posição subjetiva dos usuários em “busca da expansão da consciência e comunhão com o Divino”, segundo enunciado do filme que associa amor e êxtase. 49 IV ENCONTRO INTEGRADO DE PSICOLOGIA MINI-CURSOS EXTENSÃO NA PUC SÃO GABRIEL: SABERES E FAZERES Autores: Grupo PEPA (Prosa e Pesquisa-Ação) - Bianca Ferreira Rocha; Cléria Rocha; Daniele R. S. Carmona; Gislaine Alves de Souza; Greice Vianna; Kênia Januário; Lidiana Silva; Luana Carola dos Santos; Naiara Silva; Natália Colen; Daniela Moreira; Jéssica de Souza; Rubens Ferreira do Nascimento (PUC Minas). O Mini-Curso de Extensão que propomos para a IV SCAP tem como objetivo principal convidar alunos de graduação, professores, comunidade externa e pessoas interessadas a conversar e discutir sobre a atividade extensionista como tripé que compõe a formação universitária, junto com o ensino e a pesquisa. Nessa direção, pretendemos apresentar e compartilhar as experiências de extensão vivenciadas por discentes e docentes dos diversos cursos de graduação na PUC Minas, unidade São Gabriel, pontuando potencialidades e desafios dessa prática. Nesse sentido, caberá uma breve e objetiva explanação sobre o papel da Pró-Reitoria de extensão (PROEX) da PUC Minas no fomento e desenvolvimento da extensão na universidade. O mini-curso será ministrado em um dia com duração aproximada de duas horas. Almejamos constituir com esta proposta um espaço de troca de conhecimentos e de tomada de consciência sobre a presença ainda tímida da extensão nas ações universitárias. Visamos estimular proposições de práticas extensionistas e o fomento à maior aproximação e participação da comunidade acadêmica nas atividades de extensão já legitimadas. Outro objetivo é divulgar o PEPA (Prosa e Pesquisa-Ação), grupo de alunos e ex-alunos investidos em atividades de extensão e na aproximação da universidade com as comunidades do entorno. O referencial teórico-metodológico que embasará o mini-curso é a literatura sobre extensão universitária, teorias e metodologias participativas, psicologias, psicologias sociais e outras disciplinas de caráter crítico, livros, artigos e documentos sobre extensão, internos e externos à PUC Minas. INTRODUÇÃO Á HISTÓRIA DOS MOVIMENTOS E ESTUDOS FEMINISTAS NO BRASIL E NO MUNDO: EM ONDAS E MOVIMENTOS Autores: Naiara Cristiane da Silva (PUC Minas); Gislaine Alves Souza (Psicóloga); Letícia Barreto (UFSC); Letícia Gonçalves (PUC Minas). Este mini-curso tem como objetivo discutir a história do pensamento e do movimento feminista na Europa e nos Estados Unidos no século XIX, e no Brasil no inicio do século XX, compreendendo como se desenvolveram as primeiras lutas das mulheres contra o patriarcado, em busca pela igualdade de direitos civis, políticos e sociais e pelo acesso aos espaços dominados exclusivamente pelos homens. Neste minicurso pretendemos elencar, através de 50 IV ENCONTRO INTEGRADO DE PSICOLOGIA aula expositiva: o ”feminismo” iluminista; o surgimento dos primeiros movimentos de mulheres na Europa e nos Estados Unidos no século XVIII e XIX; as “ondas” dos feminismos; a história do movimento feminista no Brasil. Visto que a formação acadêmica deixa lacunas acerca dos estudos de gênero, feminismo e sexualidade, esse mini-curso apresenta-se como uma proposta de abarcar ás questões introdutórias do movimento feminista, a fim de expandir e alargar os campos e conhecimento para além do senso comum. O curso será desenvolvido partindo da discussão de textos de pesquisadores (as) que abordam a história do movimento feminista, passando por discussões de gênero e sexualidade. Também trabalharemos com filmes e documentários que dialogam com a história do movimento feminista no mundo e no Brasil. MODA, PSICANÁLISE E FEMININO Autora: Renata Cordeiro de Carvalho (UFMG) A moda denuncia aspectos culturais de uma sociedade. As relações humanas são constituídas de encontros que são atravessados por alguns objetos, que podem ser os mais variados, como elementos de dado ambiente, luzes, preços de mercadorias e vestimentas. Nesse curso, será tomado o vestuário como elemento constituinte não apenas dos encontros entre sujeitos, mas como parte do psiquismo feminino. Nesse sentido, torna-se possível pensar na moda como meio que possibilita à mulher fazer semblant, ocultando sua castração ao buscar a completude pela via das roupas e adereços. Esse trabalho tem como objetivo principal discutir a relação entre moda e feminino dentro da perspectiva da Psicanálise, tomando como base teórica as contribuições de Freud (1923; 1931), Lacan (1966; 1975) e autores contemporâneos como André (1987), Kehl (2004) e Minerbo (2000). Ainda, será utilizada a perspectiva histórica propiciada por Ximenes (2009) para contextualizar a moda e a reinvenção que esta proporcionou ao corpo feminino. Será promovida uma reflexão, através de material didático e discussões, acerca da especificidade da cultura e da moda como possibilidade da existência feminina. O público-alvo desse trabalho engloba graduandos dos diversos cursos de humanas, podendo se estender aos interessados da comunidade em geral. OS MEDOS QUE INTERDITAM AS NOSSAS VIDAS Autora: Mônica Barouin (PUC Minas). Este mini-curso tem como objetivo apresentar aos participantes o processo de condicionamento dos medos que permeiam o dia a dia a partir da perspectiva behaviorista. Os aspectos fisiológicos do medo e as síndromes provenientes dos medos continuados como: transtorno de ansiedade, transtorno de pânico, fobias sociais, transtorno obsessivo compulsivo também serão apresentadas neste mini-curso. Serão discutidas estratégias de combate a esses medos e, possibilidades de atendimento clínico a partir da discussão proposta. 51 IV ENCONTRO INTEGRADO DE PSICOLOGIA LANÇAMENTO DE LIVRO ALMACORPOAÇÃO: REFLEXÕES SOBRE UMA EXPERIÊNCIA COM TEATRO E LOUCURA Autor: Jardel Sander da Silva Editora: Multifoco AlmaCorpoAção busca analisar as possibilidades de autonomização de vida de usuários de um serviço de saúde mental, através do teatro. Parte de uma contemporaneização da discussão sobre a loucura/doença mental, situando criticamente a temática como construção histórica e cultural, para caracterizá-la (a loucura) como território de práticas e discursos em que incidem os dispositivos de saúde mental, de modo disciplinar e controlador. Por isso, toma como base de análise a produção de corpos-e-almas medicados e apassivados, que se inserem nas atividades teatrais, caracterizando-se pela lentidão e (aparente) inércia. O livro traz ainda uma crítica à idéia de autonomia como concebida a priori e vinculada à atividade, propondo inserção do teatro na vida dos usuários deste serviço de saúde mental como criadora de uma abertura a novas possibilidades, principalmente a entrada e trânsito por novos espaços que não os circunscritos aos dispositivos de saúde mental e aos tratamentos psi. 52 IV ENCONTRO INTEGRADO DE PSICOLOGIA ARTIGOS PREMIADOS 53 IV ENCONTRO INTEGRADO DE PSICOLOGIA 1º LUGAR O TRABALHO NO CONTEXTO PRISIONAL Cinthia Lorena Corrêa Domingos Santos Rua Efigênio Sales Vitor, 38. Bairro Madre Gertrudes - BH [email protected] Eloisa Maria dos Santos Rua Ary Texeira da Costa, N°597; Santa Mônica - Santa Luzia Email: [email protected] Fabíola Carneiro Munaier Amélia Munaier Nº50; Bairro: Centro Cidade - Sabará [email protected] Jéssica Gabriella de Souza Isabel Rua Francisco Viana Santos,N° 634;Esplanada - Santa Luzia Email: [email protected] Lays Alves Ferreira Rua José jacinto Agapito, Nº270 - Bairro das Indústrias - BH [email protected] Priscila Suelen Moreira Gonçalves Rua Santa Rita, Nº: 178;Santa Rita - Santa Luzia [email protected] Orientadora: Cássia Beatriz Batista 54 IV ENCONTRO INTEGRADO DE PSICOLOGIA RESUMO A presente pesquisa, de natureza exploratória, teve como objetivo conhecer o trabalho no contexto prisional. No discurso de diferentes profissionais, pesquisadores e meios de comunicação evidencia-se que o trabalho ocupa lugar de destaque como um instrumento importante de reinserção social, econômica e moral dos condenados. Diante disso, o estudo investigou alguns atores nesse contexto para verificar os argumentos e as propostas em torno do trabalho de condenados e de egressos do sistema prisional. Os métodos de coleta utilizados foram entrevistas semi-estruturadas com um apenado e uma técnica de programa na área, observação simples dos locais visitados, além de diário de bordo e análise de documento do I Colóquio Internacional de Psicossociologia do Trabalho. Adotamos a análise de conteúdo, transformando os dados obtidos em categorias que retratam tanto as concepções de trabalho para sociedade, o trabalho no contexto prisional e o lugar do trabalho na sociedade. Observase que o trabalho no debate do sistema prisional apresenta dimensões diversas tanto de inclusão social, de organização do cotidiano, de direitos humanos, quanto de atitudes de punição, de combate ao ócio, de exploração e de caridade. Conclui-se que a importância do trabalho é reconhecida e considerada pelas fontes pesquisadas, entretanto concepções e ações ambíguas em relação a este como o preconceito, dificultam a efetivação de programas como a remição penal pelo trabalho ou inserção de egressos no mercado formal. Palavra-chave: trabalho, sistema prisional, reintegração social. ABSTRACT The present research, of exploratory nature, aimed at knowing the work in prison context. In the speech of different professionals, researchers and media, it is evident that the work occupies a prominent place as an important instrument of social, economic and moral integration of the convicts. Thus, the study investigated some of the actors in this context in order to verify the arguments and proposals about the work of the convicts and the egresses of prison system. The collection methods used were semi-structured interviews with a convict and a technique of program in the area, simple observation of the visited places, also logbook and analysis of the document of the I International Colloquium on Psychosociology of Work. We adopted a content analysis, transforming the data into categories that picture the concepts of work for society, work in prison context and the place of work in society. It is observed that the work in the prison system debates has several dimensions, such as social inclusion, the organization of everyday life, human rights, and attitudes of punishment, of combat against idleness, of exploitation and of charity. It is concluded that the importance of the work is recognized and acknowledged by the sources researched. However, ambiguous conceptions and actions about this, as prejudice, make harder the effectiveness of programs such as the penal remission by the work or insertion of egresses into the formal labour market. Keywords: work, prison system, social reintegration. 55 IV ENCONTRO INTEGRADO DE PSICOLOGIA 1. INTRODUÇÃO O trabalho existe desde o início da humanidade e é um assunto que permite extrair vários conceitos e definições a cerca do tema, tanto na ciência quanto no censo comum. Os aspectos sobre o trabalho e suas diversas significações na sociedade derivam do âmbito social de cada sujeito, pois, somos expostos a vários contextos diferentes onde construímos opiniões de acordo com a nossa realidade de vida. Esta pesquisa teve como temática o trabalho no contexto prisional, pois pouco se sabe sobre quais as condições dos presos e egressos que participam dos programas de reinserção social e da remição penal. Sendo assim nosso problema é: como é consolidado o trabalho, no contexto prisional? O objetivo principal foi entender as dimensões do trabalho no contexto prisional, articulando com a importância deste para a sociedade. Nesta busca, compreendemos também qual o sentido e a importância do trabalho para o condenado de acordo com sua história de vida, qual é a realidade enfrentada por eles na hora de procurar um emprego fora e dentro do presídio e se há o reconhecimento do sujeito no mercado de trabalho levando em consideração sua passagem pela penitenciária. Em instância há a explicação de qual é o lugar do trabalho na sociedade, qual a referência que se tem ao trabalho enquanto valorização, se ele é considerado central na vida das pessoas, se o trabalho formal e informal tem o mesmo valor e qual o sentido do trabalho do egresso na sociedade. O Trabalho, por sua vez, é de utilidade extrema tanto para o homem livre como para o condenado. Nele estão aplicadas as energias físicas e intelectuais do homem. Faz com que o homem se realize e ao mesmo tempo realize algo em benefício do próximo e da comunidade. Nele se desenvolve a capacidade produtiva do homem e se criam condições para que atinja sua finalidade sobre a terra. (FEU ROSA, 2006, p.881) A ideia também é demonstrar a partir da noção de trabalho como são constituídas as relações com os apenados, se existe uma incapacidade de oferecer as mesmas oportunidades de emprego a todos ou se a desigualdade não impera neste meio. Como o profissional de psicologia tem participação em todo o processo de cárcere é importante que reflita sobre sua capacidade de intervir perante o processo de remição penal, realizar seu trabalho com o intuito de auxiliar o próprio presidiário, a família e a sociedade diante dos desafios decorrentes. O tema permite entender e buscar possíveis melhoras e incentivos aos egressos. Ainda que a sociedade direcione a execução de certas profissões a grupos específicos, como podemos refletir com a colocação a seguir: “por que estamos habituados a considerar certos trabalhos como apropriados para presos, eis uma questão, como diriam os juristas, de alta indagação”. (Brant,1994) A ressocialização é um processo que demanda muito esforço físico e psicológico daquele que está se reintegrando e todo o ambiente que o cerca. Este processo influencia na concepção dos apenados sobre o que é e a importância do trabalho, assim como afeta os sentimentos desse público estigmatizado. Todo este processo de re-inclusão, afeta a saúde dos egressos e demonstra a importância desta temática na formação do psicólogo, já que o objetivo destes é de promoção de saúde. 56 IV ENCONTRO INTEGRADO DE PSICOLOGIA 2. PERCURSO METODOLÓGICO Nossa pesquisa foi realizada em 2011, tendo como supervisora a professora Viviane Baumgartl, porém a efetivação da mesma ocorreu em 2012, com supervisão da professora Cássia Beatriz Batista. No decorrer da realização do projeto algumas alterações foram necessárias para que atingíssemos o nosso objetivo: Compreender o trabalho no contexto prisional. Inicialmente como método de pesquisa seria utilizado um roteiro de entrevista semiestruturada, o intuito era colher informações sobre a opinião dos presos acerca do programa de remição penal, na qual os mesmos participassem. As entrevistas seriam realizadas pelas seis alunas pesquisadoras e os resultados seriam analisados e descritos de forma quantitativa e qualitativa. Para realização da pesquisa primeiramente entramos em contato com o presídio José Maria de Alkmim, o objetivo era obter informações sobre os documentos necessários para permissão de entrevista com os detentos, informações sobre local, horário das entrevistas e o número possível de encontros. No entanto, os procedimentos inicialmente planejados não foram possíveis por diversos motivos entre eles tempo de liberação e consentimento, devido às incidências foram adotados outros procedimentos. Os métodos foram: análise de documentos, diário e observação de campo e duas entrevistas, uma com o apenado e outra com um profissional da área. Foi utilizada análise documental do caderno de resumo I Colóquio Internacional de Psicossociologia do Trabalho, que ocorreu nos dias 12, 13, 14 de Abril de 2012 na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em específico foi analisado quatro resumos que abordam a temática do projeto. O diário de campo consistiu no relato das observações feitas pelas pesquisadoras, diante a mesa redonda realizada do dia 14 de Abril na UFMG, cuja temática tinha relação direta com a pesquisa. A observação de campo foi realizada tanto na mesa redonda quanto na entrevista com o apenado, está possibilitou aos pesquisadores a concessão da entrevista com o profissional da área. A primeira entrevista aconteceu no Instituto de Direitos Humanos (IDH), localizado no bairro Santa Tereza em Belo Horizonte, no dia 20 de abril com uma profissional de psicologia que realiza trabalho de reinserção social com egressos do sistema prisional. Para a realização da segunda entrevista foi necessário entrar em contato com a Associação de Proteção e Assistência aos Condenados (APAC) unidade Santa Luzia. O motivo do contato derivou da busca pelo sujeito da pesquisa, esse foi um apenado chamado de recuperando pela unidade prisional. Nosso entrevistado participa do processo de remição penal o que efetiva a nossa busca na pesquisa. No primeiro contato a instituição informou os procedimentos necessários para concessão da entrevista, em um segundo momento foi enviado uma carta de apresentação que informava toda finalidade do projeto. Após a efetivação dos devidos procedimentos a entrevista foi concedida e realizado no dia 10 de maio de 2012. Os resultados foram analisados de acordo com os dados obtidos e as pesquisas bibliográficas realizadas. Os resultados estão descritos de forma qualitativa e divididos em três temas, sendo elas: Concepções de trabalho; O trabalho no contexto prisional; O lugar do trabalho na sociedade. 57 IV ENCONTRO INTEGRADO DE PSICOLOGIA 3. RESULTADOS 3.1. Concepções de trabalho O trabalho é um vocábulo que tem um grupo amplo de significados, sendo assim estaríamos cometendo um erro se acharmos uma única definição para ele. Por isso é visto a necessidade de explorar mais esse assunto. No decorrer do texto trabalharemos algumas concepções de trabalho. Na perspectiva da sociedade, para os programas de remissão e principalmente para os sujeitos apenados. A sociedade coloca o trabalho em um alto patamar, onde quem não o alcança e nem o almeja é taxado como “vagabundo”, termo utilizado pela mesma e que contem um caráter pejorativo. Se analisarmos esta concepção veremos o quanto isto está enraizado no meio social, onde o cidadão para ser alguém na vida precisa trabalhar e ganhar dinheiro, mesmo que para isso passe por cima das pessoas e não necessariamente como algo prazeroso. Ao ser questionada sobre a importância do trabalho,Carolyne Reis Barros2menciona que: O trabalho vai ser panaceia pra todos os males, que resolve tudo, principalmente para o egresso, mais é uma lógica de trabalho formal, o pleno emprego que é um mito, posso falar que é um mito na nossa sociedade hoje o pleno emprego. [...] O trabalho do jeito que ele se estrutura hoje na sociedade capitalista, e do jeito que as pessoas e as políticas públicas utilizam para o egresso hoje, ele não trás valor nenhum, reconhecimento nenhum.(Psicóloga, IDH) Souza (2009) traz a questão do trabalho na visão social. Segundo ele não é suficiente que o indivíduo ganhe dignamente seu sustento apenas pelo suor de seu rosto, mas que sejam oferecidas oportunidades reais dentro do contexto social. Já para o apenado MMC 3, a concepção de trabalho no programa de remissão é visto como um trabalho que reduz a pena é um incentivo, um estímulo importante, pois este ocupa uma posição significante na sociedade. Ou seja,é a partir do trabalho que construímos nossa vida, é ele, muitas vezes, quem define o papel de um indivíduo na sociedade. O que pode ser confirmado por Morin, (2001) “O trabalho representa um valor importante, exerce uma influência considerável sobre a motivação dos trabalhadores e também sobre sua satisfação e sua produtividade”. Em contraponto, Souza (2009) afirma que “Nenhum trabalho é digno por si mesmo, apenas por ser vivo e assim ter um suposto potencial de mudança do mundo. Isso é um engano de toda ontologia do trabalho que acaba contribuindo para a idéia de uma dignidade genérica dele”. No entanto Souza mostra que mesmo o trabalho tendo um caráter significativo para a maioria das pessoas ele não é digno, pois traz em seu conjunto à desigualdade, a precariedade e a desqualificação, ou seja, um trabalho com dignidade genérica. No sistema prisional Brasileiro, o trabalho é visto de duas maneiras, como punição ou com o objetivo de redução de pena. “essa espécie de escravidão que é a única que se pode considerar justa, isso é a escravidão temporária que torna a sociedade senhora absoluta da pessoa e do trabalho do culpado para fazê-lo espiar por essa dependência o dano que causou e 2 3 Psicóloga formada pela UFMG, trabalha no IDH (Instituto de Direitos Humanos). MMC é o apenado do sistema APAC da cidade de Santa Luzia. 58 IV ENCONTRO INTEGRADO DE PSICOLOGIA a violação do pacto social.” (Brant, 1994). A psicóloga aponta em sua entrevista que sua crítica é ao tipo de trabalho que é oferecido ao preso ou egresso do sistema prisional e para ela funciona como um prato único, “Construção civil, construção civil, construção civil.”As pessoas não entendem que eles não querem só construção civil, é muito bom ter outras opções, eles querem escolher.Nesse sentido o apenado explicita o seguinte: [...] o sistema não dá condições, não oferece nenhum curso. Na Nelson Hungria o serviço braçal, por exemplo, aquilo não traz nada de conhecimento, ele ganha remissão, dinheiro e transformação nenhuma. (MMC, 30 anos) A Psicossociologia do Trabalho4 tem abordado essa temática no sistema prisional e a maioria dos resumos analisados no colóquio, mostra o trabalho como uma atividade que promove a relação do sujeito consigo mesmo, com o outro e com o real. Ou seja, o trabalho é uma ação sobre o mundo, que além de produzir as condições materiais da existência, produz a própria existência. Deste modo fica claro que o trabalho constitui um elemento central de socialização. O trabalho sempre fez parte da vida dos seres humanos. Ele traz conhecimento, satisfação pessoal e beneficio econômico. Por isso ele é muito valorizado na sociedade, e é definido por muitas pessoas como uma ferramenta essencial na vida do homem. Mas, diante da pesquisa realizada é visto varias concepções de trabalho. Sendo tanto como uma coisa gratificante quanto ruim, no sentido de que é o trabalho que gera a desigualdade. Portanto o trabalho é um termo que possui um grupo extenso de significados. 3.2 O trabalho no contexto prisional Direitos humanos, inclusão social, organização, combate ao ócio, exploração, atitudes de punição e caridade, são dimensões que estão presentes no trabalho do contexto prisional. Deste modo iremos abordar estas temáticas ao longo do texto. No que se refere aos direitos humanos, o trabalho prisional encontra-se como dever social e condição de dignidade humana, tendo por finalidade a função educativa e produtiva. Sendo um direito este deveria ser alcançado por todos apenados, no entanto a realidade é outra. O entrevistado MMC menciona que quando estava em presídios tradicionais as informações a ele era negada e a oportunidade de trabalho regrada, em suas palavras “as pessoas são escolhidas a dedo”. A falta de comunicação é um ponto de destaque também neste contexto e que de certa forma tem uma relação com a questão dos direitos humanos, uma vez que negar informações aos apenados é uma violação de seus direitos. Existe um programa concedido ao preso que reserva seu direito de remição da pena por trabalho prestado, sendo que a cada três dias de trabalho, reduz-se um dia da pena. Este trabalho deverá ser remunerado conforme determina a legislação e ainda há a possibilidade de contribuição para Previdência Social. Porém é possível verificar falha neste processo. Ao ser questionado sobre o processo de remição penal nos presídios convencionais MMC (Apenado, 30anos) ressalta: [...] lembro que remição é só quando é condenado, mas não abrange todo mundo, três ou quatro são escolhidos para limpar as celas, lá todos entendem, sabe, mas não tem reconhecimento, o presídio não fala, dá e não dá informação. 4 Evento: I Colóquio Internacional de Psicossociologia do Trabalho, realizado na UFMG. 59 IV ENCONTRO INTEGRADO DE PSICOLOGIA Segundo a Lei de Execução Penal (LEP) é importante “efetivar as disposições de sentença ou decisão criminal e proporcionar condições para harmonia integração social do condenado e do internado.” (art.1° da LEP). O objetivo é que uma vez o condenado saindo da prisão não tenha muita dificuldade para se reinserir na sociedade na qual se afastou e assim possa retornar a viver em sociedade. Na Lei aparentemente é fácil, porém a realidade se revela diferente, alguns apenados ainda acredita no processo e outros como os egressos veem a difícil realidade. Alguns autores fornecem formulações precisa sobre o problema: Os apenados acreditam que, pelo trabalho prisional, podem adquirir uma nova postura em face ao mundo e, dessa forma podem mais bem aceito pela sociedade. Existe a crença de que o trabalho pode, realmente, gerar condições, para se estruturarem socialmente; mas, por outro lado, estão conscientes de que o atual trabalho prisional somente opera para mantê-los ocupados; há, assim uma contradição muito expressiva entre a realidade e a expectativa. ( KLERING, LEMOS, MAZILLI, 1998, p.140-141). Barros (2011) nos aponta outra realidade: [...] as dificuldades de se manter no trabalho devido aos baixos salários e ao preconceito, são fatores que indicam o quanto as políticas públicas que apostam na reinserção via trabalho representam um reparo no tecido social que a todo o momento é rasgado. (BARROS, 2011, p.94). E em relação às condições de trabalho Brant (2005, p.152) explicita o seguinte: “O esforço de examinar a possibilidade de realocação dos presos no mercado de trabalho é, ao que tudo indica, irrelevante”. Sua crítica baseia-se pelos trabalhadores encarcerados não serem amparados pelas Consolidações das Leis do Trabalho (CLT), isso segundo o mesmo dificulta a ressocialização deste e nos faz pensar na proposta do taylorismo presente no presídio. Essa proposta aponta o caráter disciplinador e de controle dos apenados, como menciona Klering, Lemos, Mazzili: O trabalho prisional, ora desenvolvido nas instituições penitenciárias, segue estritamente os princípios do taylorismo. Isso porque está voltado para o controle dos apenados, privilegiando uma rígida disciplina, e é totalmente prescrito e normatizado pela Lei de Execuções Penais - LEP, a qual prescreve quem deve trabalhar e como esse trabalho tem de ser desenvolvido. (KLERING, LEMOS, MAZILLI,1998 p.) A disciplina é algo muito recorrente também neste contexto e aparece de certa forma como um viés para a transformação do indivíduo, segundo Souza (2009) “a disciplina é a disposição corporal mais importante para uma boa inserção e um bom desempenho no mercado [...]” O trabalho no contexto prisional surge como uma forma de combate ao ócio. A lógica do não desperdício do tempo é afirmada pelo capitalismo, onde a pessoa deve manter- se ocupado e produzindo. A negação ao ócio implantada no presídio se difunde de forma inerente a ação do homem o comportamento desses encarcerados é mantido através de reforços, que são premiações a aquele que se comporta e atenda a legislação do estabelecimento, aquele que oferece sua força de trabalho e que de alguma forma se mantém produzindo. As motivações para realização das atividades labutais são variadas, como exemplo reduzir a pena e ter experiência profissional, mas MMC expressa uma ideia que descrita por Brant (1994) é muito disseminada entre os presos. “O trabalho ocupa a cabeça neh, e ai cês sabe cabeça vazia é 60 IV ENCONTRO INTEGRADO DE PSICOLOGIA [...]” (APENADO, 30 anos). No entanto é possível perceber que a motivação presente para o trabalho é uma forma de combate ao ócio e ao mesmo tempo de controle para os presídios. Os serviços oferecidos para a população carcerária são restritos e exigem alta força física, geralmente estão relacionados à construção civil. A partir deste dado apresenta-se outro ângulo do trabalho no contexto prisional, este visto como exploração, já que os apenados não são auxiliados pelas leis trabalhistas e por receberem um salário muitas vezes simbólico. O que pode-se pensar, estes são trabalhos árduos sendo realizados como mão de obra barata. E neste sentido é possível perceber que, as parcerias realizadas com as empresas privadas visão a lucratividade neste modo de trabalho. E Miranda citado por Barros (2011), afirma que: É possível perceber a lucratividade das empresas na liberação dos encargos e na utilização da mão-de-obra barata, revelando também, dentro dos presídios e penitenciárias, um quadro de precarização do trabalho que se intensifica ainda mais com relação aos sentenciados do sistema prisional. Os presos se transformaram em vantagem competitiva para as indústrias, recebendo uma quantia inferior a um salário mínimo, sem direitos a benefícios trabalhistas: 13°, férias e FGTS (Fund o de Garantia do Tempo de Serviço), sendo cada vez maior o interesse dos empresários pela mão-de-obra carcerária. (MIRANDA apud BARROS, 2011, p.94). Privação de liberdade e trabalho são mencionados no texto de Klering, Lemos, Mazzili (1998) como uma forma de punição. O primeiro extrai do condenado àquilo que é de seu direito, sua capacidade de ir e vim a qualquer tempo e por mais que este negue e não seja sua vontade, ele ainda tem que trabalhar. O trabalho também é uma forma de punição, uma forma de “pagar pelo crime”. Porém a atividade laboral se apresenta como disciplinadora e mais humana, substituindo o castigo físico e tendo como objetivo uma transformação pessoal do “delinquente”. Seria este trabalho uma forma de caridade? A caridade esta sendo avaliada aqui como um ato de bondade para com o outro. Como pode ser visto este trabalho? Como menciona Brant (1994) ninguém gosta de trabalhar, sendo assim oferecer atividade laboral a este público não é um ato caridoso, mas sim uma oportunidade para crescimento e a possibilidade de ganhar regalias, como mudar para funções alternativas e reduzir a pena. MMC menciona sobre esta oportunidade: “tudo de bom, antecede minha liberdade, na verdade o quanto foi importante na minha vida faço com zelo e reconhecimento, já trabalhei no auditório, auxiliar de dentista, auxiliar de farmácia, encarregado na faxina, auxiliar jurídico, fui convidado presidente do conselho isso tudo é gratificante, bom porque aprende, tive reconhecimento de várias coisas que não sabia, esforço para buscar reconhecimento, trabalhei na biblioteca catalogava os livros tive que ler pra recomendar os livros...” (APENADO, 30 anos). Por fim vale ressaltar a condição do apenado. Para conduzi-los a uma mudança, barreiras devem ser quebradas e um trabalho com estes deve ser feito, pois todos vivenciam dilemas delicados dentro do processo e em todo percurso de sua existência. O individuo vivencia a sensação de angústia proporcionada pelas exigências e ao mesmo tempo a sensação de prazer ao conseguir benefícios através da disciplina, tais como visitas íntimas e progressão de pena. Vivem a todo o momento conflitos que deveriam ser trabalhados. 61 IV ENCONTRO INTEGRADO DE PSICOLOGIA 3.3.O lugar do trabalho na sociedade O discurso que o trabalho apresenta envolve a reinserção social, econômica e moral dos condenados. Perante a maioria dos brasileiros, e levando-se em consideração o senso comum, o trabalho é visto como uma atividade que viabiliza a qualificação do indivíduo e consequentemente, possibilita a aquisição de meios necessários para sua sobrevivência. Isto é, a visão predominante é a de que o trabalho dignifica o homem. Um conceito comum entre os apenados é o de estigma, que equivale a qualquer característica estigmatizante , não necessariamente física ou visível, que não se incorpora com o quadro de expectativas sociais acerca de determinado indivíduo. Goffman considera que: Um atributo que estigmatiza alguém pode confirmar anormalidade de outrem, portanto ele não é, em si mesmo, nem honroso nem desonroso [...] um estigma é, então, na realidade, um tipo especial de relação entre atributo e estereótipo. (GOFFMAN, 1988, p. 13) Nos resumos do Colóquio³, nota-se em alguns referenciais teóricos o materialismo histórico-dialético, no qual o trabalho é definido como uma ação sobre o mundo, que além de produzir as condições materiais da existência, produz a própria existência. Em um dos resumos apresentados, Taís Bleicher (UECE) e José Jackson Coelho Sampaio definem o trabalho como um fator de reabilitação social. Os egressos do sistema prisional ao saírem da prisão almejam vencer o obstáculo da rotulação, comumente imposta pela sociedade. No entanto, se frustram diante de uma realidade totalmente contraditória, onde as pessoas ignoram a possibilidade de mudança do indivíduo ex-apenado, se prendem a visão do mesmo como sujeito ligado à criminalidade, gerando assim, uma constantemente discriminação ou até mesmo, desconfiança do exapenado em relação a sua posição de trabalhador. Tal desconfiança se torna um empecilho na conquista de um bom emprego por parte do sujeito. Logo, quando os apenados terminam de remir sua pena e são inseridos novamente no convívio social sofrem bastante preconceito. Na maioria dos empregos formais, é exigido o atestado de bons antecedentes: documento em que consta sua relação com a justiça, as passagens pelo sistema prisional em decorrência dos delitos cometidos. Durante todo o período de liberdade condicional, o atestado continua atestando sua passagem pelo sistema prisional, o que impede o sujeito de conseguir emprego formal. O que resta é o mercado informal, alguns trabalhos na construção civil ou a voltar para o crime como meio de sustento. (Psicóloga, IDH) A Psicóloga é bem clara ao explicitar isso, pois afirma que “os ex-apenados quando se tornam livres são vítimas de um enorme preconceito, as ofertas de trabalho são bastante limitadas, restando apenas a área da construção civil” (Psicóloga, IDH). Na entrevista ela cita que: [...] Eles ficam impressionados com o tratamento, eles falam que são tratados bem. Eu falei: eu não te trato bem, eu te trato como qualquer pessoa deve tratar um ao outro, né? Acho que se você está assustado com isso é bom, e espero que você pratique isso né? (Psicóloga, IDH). 62 IV ENCONTRO INTEGRADO DE PSICOLOGIA Na entrevista com o apenado MMC, no geral percebe-se que ele considera o trabalho como algo positivo, porém relata já ter sofrido um grande preconceito quando ele diz: “... passei por humilhação no sistema prisional convencional, penso no que minha mãe passou, é desumano o que o pessoal faz”. (MMC, 30 anos). Souza (2009) apresenta a concepção de que o trabalho é essencial para a sociedade, é central na vida do homem, e por isso diz que o indivíduo que não tem um trabalho fixo de carteira assinada é visto como “desqualificado” ou “vagabundo”. Ele afirma que a maior preocupação da sociedade, que é um traço marcante passado pelas gerações dos pais para os filhos, é transmitir o que “não se deve ser” ao invés de simplesmente o que “se deve ser”, e deve afastar-se o máximo possível do derrotado. A partir da análise dos dados apresentados, percebe-se que os ex-detentos em sua maioria tiveram uma baixa qualificação, geralmente eles surgem de famílias de baixa renda, como afirma Souza (2009). Essa baixa qualificação é um dos principais fatores que ocasionam o desemprego na atualidade. No caso dos ex-apenados, inúmeras vezes eles saem da prisão e não conseguem emprego devido ao preconceito imposto pela sociedade perante o fato de o indivíduo ser um ex-detento, um ex-praticante de crimes. Nota-se também que os apenados têm condições precárias de trabalho e devido ao preconceito, as ofertas destinadas ao mesmo são muito restritas. Como afirmação deste fato, a Psicóloga cita: Mas é, a minha crítica é ao modelo de trabalho que a gente estrutura e o que a gente oferece para os presos e egressos, que é um cardápio né? Construção civil, construção civil, construção civil. (Psicóloga, IDH). Os apenados quando saem do presídio imaginam que vão poder escolher o que querem fazer dali para frente, mas se deparam com uma realidade muito diferente, que se origina mais uma vez no preconceito que as outras pessoas têm por eles serem ex-detentos, e o que geralmente aparece como como oferta é a construção civil. Em seu resumo apresentado no I Colóquio, Rossietti (2012) afirma que raramente se vê o trabalhador ser consultado sobre o que ele quer. 4. CONSIDERAÇÕES A partir desta pesquisa foi possível perceber como a temática do trabalho prisional é com frequência discutida por diversas áreas profissionais. Diante da realidade encontrada foi evidente que as diversas questões levantadas acerca deste trabalho esta longe de serem esgotadas. Foi possível constatar nos dados coletados que existem questões a serem enfrentadas tanto pela sociedade, quanto pelos programas de reinserção social. Nesta primeira uma das dimensões que devemos trabalhar, são os estigmas sociais negativos, que impedem que o egresso ou mesmo o apenado seja visto não apenas como um eterno infrator, mas como um ser humano que comete erros. Os programas de reinserção devem sofrer uma reforma, pois apesar de propor a recuperação moral e social do indivíduo, muitas vezes promovem a exclusão. Acredita-se também que para que ocorra a reintegração plena dos presos e egressos as diretrizes vão além das oportunidades de recuperação moral e social desse indivíduo. É necessário repensar e compreender os diferentes mundos de trabalho. O real mundo do trabalho em que estavam inseridos a maioria dos presos e egressos do sistema prisional está longe de ser o mundo do trabalho desejado pela sociedade. Muitos possuem a experiência 63 IV ENCONTRO INTEGRADO DE PSICOLOGIA trabalho informal e ilegal, onde as regras são criadas por todos. Ao entrar em um programa que baseia- se no trabalho desejado socialmente, que tem como fator principal a disciplina e compromisso para realização das atividades, as dificuldades começam a aparecer. E neste sentido sobre a organização do trabalho dentro dos presídios Brant destaca que “cria-se uma nova sociedade no cárcere totalmente distinta daquela onde se pretende reintegrar o condenado”. (BRANT 1994. p.110). No entanto, o trabalho prisional é um assunto amplo que possibilita a integração de vários profissionais interessados em analisar as facetas do trabalho, enquanto: reinserção social, como forma de controle social, diminuição de reincidência criminal, redução da pena, o aumento da mão de obra e o desenvolvimento de habilidades. Enfim, observa-se na atualidade que esta forma de trabalho está sendo muito divulgado na mídia dando margem para a realização de mais estudos sobre o assunto e que eles sejam sempre orientados pelo senso crítico, de maneira ética e respeitando os limites dos indivíduos. REFERÊNCIAS BARROS, Carolyne Reis. O real do egresso do sistema prisional: circulação de normas, valores e venerabilidades. 2011. 121f. Dissertação (Mestrado em Psicologia) – Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte. BRANT, Vinicius Caldeira. O trabalho encarcerado. Rio de Janeiro: Forense, 1994. BRASIL. Guia de direitos. Direito do preso ao trabalho. Disponível em: http://www.guiadedireitos.org/index.php?option=com_content&view=article&id=950&Itemid =203. Acesso em: 29 set. 2011. FEU ROSA, Antônio J. Miguel. Execução penal e trabalho do preso: Noções gerais. Processo Penal, Ed. Consulex, 1ªedição. Disponível em: http://artigosdoportalinstitucional.files.wordpress.com/2008/04/execucao-penal-trabalho-dopreso-nocoes-gerais.pdf. Acesso em: 28 set. 2011. FOUCAULT, Michel. Vigiar e Punir: Nascimento da prisão. Petrópolis, Vozes, 1987. GOFFMAN, Erving. Estigma – Notas sobre a manipulação da identidade Deteriorada. Rio de Janeiro/RJ: Guanabara, 1988. LEMOS, Ana Margarete; MAZZILLI, Cláudio and KLERING, Luís Roque. Análise do trabalho prisional: um estudo exploratório. Rev. adm. contemp. [online]. 1998, vol.2, n.3, pp. 129-149. ISSN 1982-7849. http://dx.doi.org/10.1590/S1415-65551998000300008. MIRABETE, Júlio Fabbrini. Código penal interpretado. 2. ed., atualizada até maio de 2001 São Paulo: Atlas, 2001. p. 304-308. MORIN, Estelle; TONELLI, Maria José and PLIOPAS, Ana Luisa Vieira. O trabalho e seus sentidos. Psicol. Soc. [online]. 2007, vol.19, n.spe, pp. 47-56. SOUZA, Jessé. A ralé brasileira: quem é e como vive. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2009. 64 IV ENCONTRO INTEGRADO DE PSICOLOGIA MENÇÃO HONROSA A EXTENSÃO DA PENA: ESTUDO COM DETENTOS E FAMILIARES DE PESSOAS EM PRIVAÇÃO DE LIBERDADE Nome: Regina Geni Amorim Juncal Aluna do Curso de Psicologia da Unidade Coração Eucarístico Departamento de Psicologia da PUC Minas Endereço: Rua Dom Lúcio Antunes, 904, apt.305, Coração Eucarístico, Belo Horizonte – Minas Gerais. CEP: 30535-630 E-mail: [email protected] Fonte de financiamento: PROBIC – PUC Orientador: Bruno Vasconcelos de Almeida Professor Doutor do Curso de Psicologia da PUC Minas Endereço: Rua Serravite, 222, apt. 701, Floresta, Belo Horizonte – Minas Gerais. CEP: E-mail: [email protected] Resumo: Este artigo problematiza os resultados obtidos na pesquisa desenvolvida através do Programa de Bolsas de Iniciação Científica (PROBIC-PUC) durante o ano de 2011. O objetivo do trabalho foi pesquisar as maneiras pelas quais os familiares são atingidos pela pena. Foram realizadas entrevistas com detentos e familiares de pessoas em privação de liberdade em três unidades penais do estado de Minas Gerais, explorando os possíveis efeitos da extensão da pena para aqueles que mantêm vínculo com o preso. Acrescentamos as entrevistas com dois advogados que atuam no âmbito do Direito Penal em Belo Horizonte. Os resultados apontaram para a violação de direitos fundamentais e para o sofrimento motivado pela prisão, entre outros desdobramentos discutidos no artigo. Palavras-chave: família; pena; prisão; direitos. Abstract: This paper discusses the results obtained in the research developed through the Institutional Scholarship Program of Scientific Initiation5 of Pontifícia Universidade Católica (PUC), in the state of Minas Gerais in the year 2011. The objective of this study was to investigate the ways in which family members are affected by the penalty. Interviews were conducted with inmates and relatives of people deprived of freedom in three criminal institutions in Minas Gerais, exploring the possible effects of the extent of the penalty to those who are tied to the inmate. Two interviews with attorneys who work under the Criminal Law in Belo Horizonte were added. The results pointed out the violation of fundamental rights and the suffering motivated by the imprisonment, among other consequences discussed in the article. Keywords: family; penalty; prison; rights. 5 Programa de Bolsas de Iniciação Científica (PROBIC-PUC) 65 IV ENCONTRO INTEGRADO DE PSICOLOGIA 1. INTRODUÇÃO: A questão da extensão da pena e seus efeitos para aqueles que mantêm vínculo com pessoas em privação de liberdade, surgiu através do questionamento da forma como é realizada a revista para entrada de visitantes nos estabelecimentos prisionais do Estado de Minas Gerais. Esse procedimento único e padronizado da revista nas unidades penais do Estado de Minas Gerais é estruturado a partir da Lei Estadual n.12492/1997. Sobre este tema há o Procedimento Operacional Padrão que disciplina os direitos e deveres dos detentos, funcionários e visitantes, adotado em todos os estabelecimentos penais submetidos à Secretaria de Estado de Defesa Social de Minas Gerais (SEDS) e administrado pela Subsecretaria de Administração Prisional (SUAPI). No entanto, há uma discrepância entre a forma como a revista é realizada e o que prescreve não apenas a lei estadual citada e o Procedimento Operacional Padrão da SEDS, mas também a Resolução n.9 de 2006, editada pelo Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária, bem como direitos fundamentais da Constituição Federal do Brasil, que veremos a seguir no decorrer deste trabalho. A questão da revista para entrada nos estabelecimentos penais realizada sobre os familiares e amigos de pessoas em privação de liberdade, foi o que suscitou a existência da extensão da pena, ou seja, da criminalização dos familiares e amigos dos presos, pelo simples vínculo familiar ou afetivo com o detento. A revista se configurou como primeira hipótese do efeito da extensão da pena, devido ao procedimento vexatório que é utilizado nos visitantes. Ao se estender a pena, infringi-se o importante princípio, da pessoalidade da pena, consagrado pela Constituição Federal, art. 5, XLV, que diz que nenhuma pena passará da pessoa do condenado. A problematização das revistas como é realizada, trouxe a discussão sobre as diversas possibilidades dos efeitos da extensão da pena para as pessoas que mantém vínculo com o preso. Assim, o objetivo deste trabalho é avaliar e problematizar as maneiras pelas quais os familiares e amigos de pessoas em privação de liberdade são atingidos pela pena. 2. METODOLOGIA: Esta pesquisa foi baseada na abordagem qualitativa de pesquisa social, utilizando entrevistas semi-estruturadas, envolvendo a questão da percepção e a vivência da pena pelos familiares de pessoas em privação de liberdade e pelos presos. Foram realizadas 33 entrevistas com detentos; 21 entrevistas com familiares (realizadas na fila de espera no dia de visita estabelecido pela unidade prisional) e 2 entrevistas com advogados que atuam na área do Direito Penal. A produção obtida através da transcrição das entrevistas foi analisada a partir da análise de conteúdo. Essa pesquisa foi desenvolvida igualmente através da exploração de meios bibliográficos, análise de documentos e observação participante. As três unidades penais onde foram realizadas as entrevistas com os presos foram: Penitenciária José Maria Alckimim; Penitenciária Antônio Dutra Ladeira e Centro de Remanejamento de Presos (CERESP) do bairro Gameleira. 3. DISCUSSÃO A discussão sobre a extensão da pena para os familiares de pessoas em privação de liberdade é pautada neste trabalho principalmente pela forma adotada no procedimento inconstitucional de revista para entrada em estabelecimentos penais. O sofrimento ocasionado 66 IV ENCONTRO INTEGRADO DE PSICOLOGIA aos familiares e presos, a perda ou fragilização dos laços, o endividamento familiar, são outras formas que estão relacionadas à submissão dos indivíduos a esse padrão de revista realizada nos estabelecimentos. Uma vez que a classe mais desfavorecida economicamente, marginalizada, está dentro das prisões; os familiares e amigos também estão inseridos nesse grupo e, portanto, são também marginalizados e submetidos a um processo de criminalização. Segundo Zaffaroni (2006), todas as sociedades contemporâneas que formalizam o poder (Estado) selecionam um grupo reduzido de pessoas que submetem à sua coação com o fim de impor-lhes uma pena. Essa seleção penalizante é o que ele chama de criminalização. Quanto à revista íntima, os documentos analisados comprovam que por mais que a amostra desta pesquisa tenha sido pequena, a realidade drástica deste procedimento é averiguada principalmente pelo Procedimento Administrativo n. MPMG-0024.09.001836-5 de 5 de outubro de 2009, bem como pelo projeto de lei de iniciativa popular que busca revogar integralmente a Lei Estadual 12492/1997 a fim de tornar o procedimento de revista em harmonia com a Constituição Federal, ou seja, mais humanizado, de tal forma que não sejam afetados o direito da dignidade humana, da intimidade, da liberdade, da integridade física e moral e, inclusive, o direito à saúde. A Lei 12.492/1997 dispõe sobre o sistema de revista nos estabelecimentos prisionais do Estado de Minas Gerais. Diz em seu artigo 1 que a revista “será realizada com respeito à dignidade humana”, trata-se de um procedimento único e padronizado de revista, ao qual não serão submetidos chefes de poder, advogados, parlamentares, dentre outros. Seu artigo 3 diz que objetivando a segurança, deve o estabelecimento possuir equipamentos necessários para impedir a entrada de qualquer tipo de arma ou droga. O artigo 4 é fundamental para nossa análise “O procedimento padronizado de revista, previsto no artigo 2, não inclui a realização de revista íntima, que será efetuada excepcionalmente, dentro dos limites fixados nessa lei” (MINAS GERAIS, 1997) -grifo nosso-. A revista íntima, segundo a própria lei, é qualquer inspeção às cavidades corporais, vaginal e anal, das nádegas, dos seios, efetuada visualmente ou manualmente, com auxílio de instrumento ou objeto, ou de qualquer outra maneira. Para que a revista íntima seja realizada, portanto, deve haver um caráter excepcional de fundada e grave suspeita ou em fato objetivo específico, que indique que o visitante porta algo ilícito. Nesse caso, o equipamento eletrônico, por exemplo, seria uma forma de se obter critério objetivo para submeter o visitante a esse tipo de procedimento. A mesma lei versa sobre a realização excepcional do procedimento, o visitante deverá está ciente do motivo do procedimento especial, através de expressa declaração do diretor do estabelecimento, sob pena de sanção administrativa. Não obstante, diz a lei que a revista íntima deverá ser realizada por profissional da área de saúde. A Resolução n.09 de 12 de julho de 2006 do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária, regula o procedimento de revista dos visitantes de forma similar à lei citada. No artigo 2 encontramos “a revista manual só será efetuada em caráter excepcional, ou seja, quando houver fundada suspeita de que o revistando é portador de objeto ou substância proibidos legalmente e/ou que venham a por em risco a segurança do estabelecimento” (BRASIL, 2006). O caráter objetivo não é especificado nesta resolução e tão pouco na lei, mas pode-se entender que o raio-x ou outro equipamento eletrônico seria uma forma de tornar o critério objetivo para a revista íntima. No entanto, não existe de maneira alguma, de acordo com todas as entrevistas realizadas tanto com os presos quanto com os familiares, a exceção nesse procedimento. A revista íntima realizada nos visitantes é um procedimento padrão, obrigatório e realizado por agentes penitenciárias em todos os dias de visita. Muitas mulheres são proibidas de verem seus familiares nos dias da visita e o motivo alegado pela agente 67 IV ENCONTRO INTEGRADO DE PSICOLOGIA penitenciária é que “não foi possível ver o canal”. Até mesmo as crianças passam por esse procedimento. Segundo os entrevistados a forma é mais branda, uma vez que não têm que ver o canal da criança até doze anos. O procedimento é abaixar a calça até o joelho. O procedimento descrito pelos entrevistados é uma afronta à dignidade humana. A Coordenadoria de Controle de Constitucionalidade do Ministério Público do Estado de Minas Gerais em outubro do ano de 2009, fez um Procedimento Administrativo que recomendava mudanças no item 3 do Procedimento Operacional Padrão dos estabelecimentos penais (POP.GP.01.15), para que se adéque a Lei Estadual 12492/1997, de forma que a revista íntima seja efetuada por profissional da área de saúde, e não agente penitenciário. Além disso, recomenda adequação da redação do item 6.3.17 do PG.GP.01.01 (Procedimento de Gestão Segurança) à Lei estadual 12.492/1997, de tal forma que se exija grave suspeita ou fato objetivo específico e expressa autorização do diretor do estabelecimento prisional para que ocorra a revista íntima, e não, caso o agente simplesmente desconfie, ou apenas o diretor autorize. Esse procedimento foi feito pela Coordenadoria de Controle de Constitucionalidade devido ao: (...) expressivo número de reclamações recebidas pelo Ministério Público Estadual, principalmente de mulheres, inclusive grávidas, sobre o procedimento vexatório e fisicamente dolorido a que se submetem na revista íntima realizada nos presídios estaduais, nos dias de visita aos presos (MINAS GERAIS, 2009). Esse procedimento é causa de enorme sofrimento e não raro, muitos presos optam por não receberem visitas para que seus familiares ou amigos não passem por esse procedimento, principalmente idosos e crianças. A Comissão Interamericana de Direitos Humanos em Relatório sobre mulheres encarceradas nomeia a revista íntima como vexatória e considera “extremamente humilhante uma vez que em muitas unidades se exige que as roupas sejam totalmente retiradas, os órgãos genitais manipulados e até revistados, há obrigação de realizar vários agachamentos, independentemente da idade avançada do(a) visitante” (BRASIL, 2007, p.43). No artigo Os Direitos Individuais e a Intervenção Corporal: A necessária releitura constitucional como forma de efetivação dos direitos fundamentais, Fiori (2011), nos ajuda a diferenciar as intervenções corporais das revistas corporais. As intervenções corporais podem ser provas invasivas ou provas não invasivas. As provas consideradas invasivas poderiam ser definidas como as intervenções corporais que pressupõe penetração no organismo humano, por instrumentos ou substâncias, em cavidades naturais ou não. Entre elas, enumeram-se as perícias como os exames de sangue em geral, o exame ginecológico, a identificação dentária, a endoscopia e o exame de reto. E as não invasivas, classifica a autora como sendo as intervenções em que não há penetração no corpo humano (...) (FIORI, p.7). A revista corporal, por sua vez, é superficial, realizada sob a roupa do revistando, quando se procura, em caso suspeito, objetos escondidos na roupa ou no corpo do sujeito. Dessa maneira, no que diz respeito à natureza jurídica, a revista como é realizada nos estabelecimentos penais do Estado se caracteriza não como uma revista, mas sim como uma intervenção corporal não invasiva, uma vez que seu procedimento, segundo as entrevistas, é tirar a roupa, agachar de frente e de costas, deitar na maca, abrir as pernas, fazer força e tossir. Esta intervenção agride a integridade física e a intimidade da pessoa que se submete a este procedimento. 68 IV ENCONTRO INTEGRADO DE PSICOLOGIA Fiori explicita que a natureza jurídica da intervenção corporal é investigatória pós delito e a revista corporal tem natureza preventiva. Há, portanto, para os familiares em dias de visita, uma afronta ao princípio de inocência disposto no art.5. LVII da Constituição Federal, uma vez que utilizam procedimento de caráter processual para obtenção de prova, supondo a priori que o visitante porta algo ilícito. Ainda segundo Fiori, a prática da intervenção corporal incide na esfera dos direitos fundamentais e deve-se observar o princípio da proporcionalidade e da razoabilidade: É preciso que o delito ocorrido seja elemento justificativo para a interferência e violação de direitos fundamentais, isto é, exige-se uma correspondência entre o grau de gravidade da infração penal e a necessidade de uma intervenção corporal. Há a necessidade de certos indicadores, como indício cujo grau de razoabilidade demonstre a possibilidade de utilizar a intervenção corporal como única forma de esclarecer o crime (...) (FIORI, p.7). Os visitantes dos estabelecimentos penais, no entanto, não cometeram nenhum crime para se submeterem ao procedimento de intervenção corporal, comumente chamado de revista íntima. Quem cometeu delito foi seu familiar que está preso, mas ao que parece o fato de ter amigo ou familiar encarcerado determina por si só a possibilidade do visitante cometer (ou estar cometendo) algo ilícito. A ideia é que a probabilidade do crime aumenta; para essa intervenção da forma como ocorre, parte-se do pressuposto que a pessoa porta algo ilícito consigo, de tal forma que ela deve provar que não cometeu crime, uma vez que o critério da suspeita é absolutamente subjetivo e pautado no vínculo com o preso. Fica claro a criminalização e a extensão da pena para o familiar ou amigo de pessoa em privação de liberdade. Essa extensão possui muitos desdobramentos para os familiares e acaba por dificultar ainda mais o vínculo com o preso, que é cada vez mais segregado. As entrevistas demonstraram que os presos se sentem culpados e constrangidos pelo procedimento que os visitantes são obrigados a passar, para vê-los. É impressionante como esse procedimento atestadamente falido, inconstitucional se mantém ainda hoje. O princípio da dignidade da pessoa humana, disposto no art.1, inciso III da Constituição Federal, é absolutamente maculado. A intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação, disposto no art. 5, inciso X, da Constituição Federal, é devassado no procedimento de revista íntima. A própria Lei Estadual 12.492/1997 é desconsiderada quando: não há fundada suspeita, não há expressa autorização do diretor, não há agente de saúde, não há excepcionalidade na revista íntima. A Resolução n9, de 12 de julho de 2006, editada pelo Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária, que versa sobre a excepcionalidade da revista manual, sobre a fundada suspeita, também é desconsiderada. Trata-se de procedimento restritivo de direitos, realizado sem fundamento, causador de constrangimento e de riscos à saúde, já que como foi recolhido nas entrevistas não há nenhum tipo de higiene na maca em que deitam centenas de mulheres em um único dia de visita. Alguns dos efeitos da extensão da pena para os familiares e amigos de pessoas em privação de liberdade, veremos a seguir, de acordo com as análises das entrevistas realizadas. A revista íntima é uma penalização à família, ilícita e inadmissível. 4. RESULTADOS A partir da análise das entrevistas, encontramos quatro questões como efeitos da extensão da pena do preso para seus familiares ou amigos: 1) procedimento de revista; 2) 69 IV ENCONTRO INTEGRADO DE PSICOLOGIA perda ou fragilização do vínculo pela opção de não receber ou fazer visitas em função do procedimento da revista e do sofrimento que ocasiona; 3) riscos à saúde; 4) endividamento familiar devido a perda de quem integrava a renda familiar, ou mesmo pelo gasto com as visitas e mantimentos para os presos. Uma questão que apareceu com frequência e que merece ser discutida, foi a justificativa para a revista; apesar de toda descrição que fazem sobre o fato de estarem presos ou ter alguém preso na família, de toda indignação e sofrimento ocasionado, acabam por acolher um discurso que naturaliza o procedimento de revista, baseado no mito de que o sistema é rígido porque sempre encontram algum objeto ilícito em alguém e por isso a revista deva ser praticada nos moldes em que ocorrem. 4.1. Procedimento de revista Como foi discutido neste trabalho, o procedimento de revista é inconstitucional, violador da intimidade e da dignidade da pessoa, fere uma série de princípios do Estado Democrático de Direito. Baseamos esse argumento no princípio da pessoalidade da pena, na presunção de inocência, proporcionalidade e razoabilidade; no direito da dignidade da pessoa humana, da intimidade, da liberdade, da integridade física e moral, à saúde; na Lei Estadual n.12492/1997; no Relatório sobre Mulheres Encarceradas da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, na Resolução n.9 de 12 de julho de 2006 do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária, no entendimento de que a revista íntima é tecnicamente uma intervenção corporal, sendo sua natureza jurídica investigatória pós delito. Tanto nas entrevistas com os familiares nos dias de visita, quanto com os presos, a descrição do procedimento é associada à humilhação, ao constrangimento e ao sentimento de crueldade que associam aos agentes penitenciários. Ah, as conseqüências é que a gente é muito criticado, né. A gente é muito criticado por vir aqui, pela família, porque a família acha que...a maioria da família não gosta que a gente venha não né, que a gente venha nesse lugar não...exatamente pela humilhação que a gente passa aqui, não pelo preso que tá aí, mas porque a gente...a humilhação que a gente passa é muito grande né. Nossa, é horrível! É muito humilhante. Eles faz hora demais com a cara da gente, mesmo eles sabendo que a gente não tá com nada guardado dentro da gente...eles faz hora, bastante hora pra poder....a vocação deles é fazer hora mesmo com o ser humano, você entendeu. É um desrespeito dos grandes porque você já foi aprovado, ás vezes senta naquela cadeira lá, que é a prova se você tá com nada ou não...que o aparelho detecta, né, se você tá com alguma coisa, então....Aí eles já começam, pede pra gente ficar deitada na mesa lá, pelada com as pernas arreganhadas...uma coisa horrorosa. Muitas associam o procedimento ao trabalho de parto devido à força exigida. Explicam que essa força é necessária para que as agentes penitenciárias vejam o “canal”, comparado ao exame ginecológico. Outro problema é o fato da visita poder ser impedida caso as agentes aleguem que não foi possível ver o “canal”. Algumas das entrevistadas não sabem o que é o “canal” e reclamam da arbitrariedade e da dor ocasionada. Você tem que abrir a sua vagina pra ela tá olhando o canal. Então assim...eu acho constrangedor porque o canal quem vê é ginecologista. Uma vez eu briguei com uma agente aí por causa disso, eu não pude entrar porque ela não tava vendo meu canal. Eu acho assim, por um lado ela tá fazendo o trabalho dela. Não pode julgar 70 IV ENCONTRO INTEGRADO DE PSICOLOGIA porque eles estão fazendo o trabalho deles, por outro, eles tinha que ter um ginecologista de plantão porque volta muita gente por elas não conseguirem ver o canal. Horrível. Horrível. Nunca passei por coisa tão humilhante. Eu cheguei uma vez a ficar 15 dias mancando de uma perna que os agente pressionou. As vezes eu fazia tanto o processo, tanta coisa lá. Eu acho que dá pra olhar pela minha cara..porque pelo amor de deus! Por que ela fez tanta coisa lá, mandou eu virar tanto a perna, enfiar a mão lá por baixo, virar a perna para um lado e pro outro, que eu fiquei mancando 15 dias. Eu podia até ter processado, mas eu num achei (....). (...) Assim, as vezes que eu voltei, eu voltei 9 vezes seguidas, logo nas primeiras vezes que eu vim. Eu não conseguia porque eu chegava aqui, era até incrível porque eu fui no ginecologista várias vezes, porque eu não tenho problema de urina, não tenho problema de nada. Eu chegava dentro da salinha e eu não parava de urinar, não parava. Aí elas chegavam perto de mim, perguntavam se tinha alguma coisa errada comigo, sabe, aí eu falava(....). Os presos relataram uma percepção próxima aos familiares sobre o procedimento de revista. A maioria sabe descrevê-lo. Associam à humilhação e ao sofrimento. Em geral, os familiares demonstraram a insatisfação quanto ao modelo padrão de revista nos dias de visita, associando-o à humilhação, constrangimento, dor e crueldade. Pode-se inferir que o procedimento está associado a um efeito de continuidade da pena do preso a uma pessoa com quem mantém vínculo, em geral, um familiar, que é tratado como alguém que cometeu algum crime. Eu acho que a gente é tratado como coisa sem valor...o jeito que a gente é tratado é que a gente é criminosa (...). (..) elas acham como o marido da gente tá aí, a gente tudo é bandido, sabe. Infelizmente aqui é assim. O tratamento desumano dado ao “criminoso” é naturalizado, isto é, justificaria este tipo de procedimento caso a pessoa tenha cometido crime. É através da responsabilização do indivíduo em detrimento do dever legal do Estado em assegurar direitos e garantias fundamentais que essas ações degradantes são toleradas e normalizadas. 4.2 Perda ou fragilização do vínculo pela opção de não receber ou fazer visitas devido ao procedimento de revista e o sofrimento que ocasiona A situação de encarceramento ocasiona por sua própria natureza a fragilização dos laços sociais e afetivos. O discurso da ressocialização legitima a segregação de quem cometeu delito para que, paradoxalmente, ele possa „aprender‟ a viver em sociedade, ainda que afastado dela. As visitas ocorrem aos sábados e domingos entre as 8 e 16 horas. No entanto, devido ao procedimento de revista, as pessoas demoram horas na fila e esse tempo é reduzido, a não ser, como relatado por alguns entrevistados, que a pessoa durma na fila. A percepção dos familiares e presos sobre a crueldade da revista é representada não apenas pela descrição da revista e dos sentimentos que faz emergir, mas também pela opção de não mais receber determinadas visitas para poupar-lhes o procedimento. Como ensina Foucault (2010), a prisão não é apenas punitiva, é também um mecanismo de eliminação do indivíduo que ocorre diretamente ou, quase sempre, indiretamente, já que encontram muita dificuldade em arrumar emprego, não possuem meio de subsistência e encontram dificuldade 71 IV ENCONTRO INTEGRADO DE PSICOLOGIA para reconstituir a família. Tudo isso é motivado exatamente pela perda dos vínculos, que é estimulada de várias maneiras, e a revista, entendemos, é uma delas. As crianças e idosas são poupadas da visita pelos próprios familiares, na maioria das vezes, mães e esposas. A minha família, ninguém vem aqui por isso, só por isso. Meus filhos, minha filha, minhas cunhada, tias dele, nunca visitou ele, só pela revista. É humilhante demais gente, tem que acabar com isso (mulher de 64 anos, viúva, dois dos seus cinco filhos estão presos). Porque eu acho que é muito constrangimento. Eu acho que é muito constrangimento pra mim, que a revista aqui é muito terrível...aí eu penso que meu filho não deve passar por isso, sabe. Prefiro preservar a vida dele lá, isso aqui não é lugar pra criança não (...) nossa, você precisa ver como que é. Por que infelizmente eu dou até razão pra mãe do meu marido não vir aqui. Por que você fica morrendo de vergonha, a forma como elas fazem, e depois, se elas não vêem em você o tal canal, elas chamam uma outra pessoa e aí você fica ali naquele constrangimento ali, elas mandam você abrir a perna até...e assim, você sai dolorida de lá, sinceramente. Tem pessoas aqui que eu acho que sai doente. (entrevistada tem 33 anos, tem um filho de 5 anos com o marido que se encontra preso há 1 ano e 4 meses) Os presos também explicitam a escolha pela perda do contato, o que pode vir a dificultar a relação com os filhos e a impossibilidade de acompanhar o seu desenvolvimento. Minha mãe passou por um procedimento uma vez aí....mas aí eu levei ao conhecimento do coordenador (...) Ah...uma geral que teve aí. Fez minha mãe abaixar muitas vezes. Minha mãe já tinha tirado a roupa e fez minha mãe tirar a roupa de novo e aí ela chegou chorando...aí eu levei ao conhecimento do coordenador (....). Aí depois eu pedi pra ela não vim mais não (...) Não...do jeito que fizeram não....minha mãe entrar chorando aí. Não. Atualmente, quando é dia de visita eu prefiro que ela não venha aqui não (...). Ahhh...eu tenho até vergonha de receber visita aqui. Eu peço minha família mesmo....minha família tem gente de idade, minha vó que mora aqui e minhas tias...pra não vim. Não precisa vim....(...)Eu não quero que minha família venha me ver num lugar desse não, eu não gosto não....eu fico com vergonha. Eu já tive visitas de familiares já. Dessa maneira, consideramos a escolha por não fazer ou receber visitas, pela freqüência com que aparece nas entrevistas, como mais um efeito da extensão da pena para os familiares. Consideramos, ainda, a perda do vínculo como mais uma penalização do encarcerado. 4.3 Riscos a saúde A saúde é um direito social, consagrado pela Constituição Federal nos artigos 6 e 196, 197, 198, 199 e 200 (seção II / Da Saúde). O Estado deve assegurar a saúde como um direito e fomentar políticas que reduzam o risco de doença e outros agravos. No entanto, o procedimento a que essas mulheres são expostas demonstram que o Estado promove o contrário, ao expor as visitantes a condições insalubres. Um dos advogados entrevistados demonstrou o caráter criminoso da atuação do estado: O Estado coloca em risco dolosamente a saúde de muitos e muitas quando aceita e fomenta a realização de procedimentos de revista que são insalubres. Mais crimes 72 IV ENCONTRO INTEGRADO DE PSICOLOGIA em larga escala para as costas do Estado, agora o do art. 132 do Código Penal, Perigo para a Vida ou Saúde de Outrem: “Expor a vida ou a saúde de outrem a perigo direto e iminente”, com pena de “detenção, de três meses a um ano, se o fato não constitui crime mais grave.” (advogado 2) Além das condições de higiene, o fato da revista não ser realizada por agente de saúde, e sim agente penitenciária, confronta leis e documentos que deveriam regular o procedimento. Isto porque o agente deve ter formação técnica para acompanhar o procedimento que além de ser restritivo de direitos pode e, na verdade, coloca em risco a saúde do visitante, devido às circunstâncias em que é realizado. Muitos dos depoimentos demonstraram a falta de compromisso com a higiene e saúde da pessoa. Isso é que eu acho errado...porque tinha que ter uma pia pra lavar as mãos (...).Que limpa! É o mesmo lençol que todo mundo deita (...). É o mesmo lençol que todo mundo deita, a não ser que quando alguém acontece de fazer cocô em cima da cama...aí eles trocam o lençol (...). Acontece sim, acontece. Eu já vi lençol sujo de bosta. É uma falta de higiene fora do sério, não tem higiene não (...). Horrível. Por que a gente corre o risco de pegar uma infecção, você entendeu. Primeiro, tinha que ter uma pia pra lavar as mãos antes de você chegar, de você ir pra revista né...pra você lavar as mãos pra você colocar em você mesmo. Eu acho que tinha que ter uma pia, só com aquele gelzinho que eles jogam na mão da gente, não vale a pena não. Tem que por uma pia com água e sabão pra você lavar, pra depois você passar um álcool na mão, pra depois você se tocar em você mesmo. Péssimo, né. Por que eu acho assim, que quando a pessoa deitar na cama com o forro, eles pelo menos podia tirar o forro e colocar alguma coisa descartável né....você colocar em um lugar e ter que colocar no mesmo lugar que a outra pessoa colocou. E se a outra pessoa tiver uma infecção? Pega na gente, né. Concorda?. O risco a que são submetidos essas mulheres, conforme depoimentos, bem como a freqüência com a qual apareceram nos fazem considerá-lo como mais um desdobramento da pena do preso para a família. 4.4 Endividamento familiar devido à perda de quem integrava a renda familiar, ou pelo gasto com as visitas e mantimentos para os presos O encarceramento desestrutura as relações familiares. Uma das causas que dificulta o vínculo, já bastante fragilizado pela perda ou raro contato, é que muitas vezes o preso era o provedor ou alguém que integrava a renda familiar. Das 21 visitantes entrevistadas, nove alegaram que o preso integrava a renda familiar. Nos outros casos o preso garantia apenas o seu sustento com o trabalho, no entanto, o fato de não integrarem a renda, não abole o custo familiar com seu encarceramento, devido às visitas, mantimentos e objetos pessoais que levam para os presos. Segundo o Procedimento de Gestão de Segurança, (PG.GP.01.01) da Secretaria de Estado de Defesa Social de Minas Gerais no item 6.3.16.5, os visitantes podem levar papel higiênico, sabonente, sabão em barra, creme dental, shampoo e condicionador, cigarros, vestuário e calçado de uso pessoal, e alguns alimentos citados no documento. Materiais de uso pessoal devem ser levados não nos dias de visita, nos finais de semana, mas durante a semana. Nos dias de visita é permitida a entrada apenas de alimentos. Durante as entrevistas percebemos a enorme quantidade de sacolas que as mulheres levam consigo. Dessa maneira, existe um custo real da manutenção dos presos para seus familiares, que por questões das circunstâncias dos estabelecimentos penais, devem suprir o preso com mantimentos e materiais de uso pessoal. Essa situação é agravada quando o preso contribui 73 IV ENCONTRO INTEGRADO DE PSICOLOGIA com a renda familiar. Os presos entrevistados, por exemplo, trabalham nas unidades, mas não recebem por isso. O trabalho é “trocado” por remissão de pena. Os presos demonstraram insatisfação com essa situação. Afinal, como tornar o meio do trabalho aceito socialmente uma via de sustento para o preso, para que ele opte por ela quando sair da prisão, se a ele não são oferecidas as relações e condições normais de trabalho? A gente....nós trabalhamu, aí a gente saí daqui e não tem dinheiro pra nada. Aí a gente não tem dinheiro pra comprar os trem que a gente precisa. Muitos aí que tem menino na rua e quando chega lá fora tem que correr atrás de serviço. E não é todo mundo que arruma serviço pra gente não. Um dos advogados entrevistados demonstrou, mais uma vez, o caráter criminoso da atuação do estado nas prisões. O trabalho realizado nas prisões, como bem mostraram as entrevistas com os presos, se configura como exploração e invalidação do sujeito. Um trabalhador saudável é um indivíduo saudável. O sistema prisional não preza por isso: a prisionização não preza pela valorização do indivíduo produtivo, proativo, saudável física e mentalmente; é exatamente o contrário: busca-se um homem ou mulher dócil, manso(a), submisso(a), servil. E daí surge o trabalho não remunerado, ou subremunerado: é o Estado novamente cometendo crimes em massa, é dizer, incorrendo massivamente na prática do crime do artigo 149 do CP, Redução À Condição Análoga de Escravo: “Reduzir alguém a condição análoga à de escravo, quer submetendo-o a trabalhos forçados ou a jornada exaustiva, quer sujeitando-o a condições degradantes de trabalho, quer restringindo, por qualquer meio, sua locomoção em razão de dívida contraída com o empregador ou preposto”, cuja pena é de “reclusão, de dois a oito anos, e multa, além da pena correspondente à violência.” Trabalhar no cárcere sem remuneração ou sub-remunerado PE trabalhos forçados em condições degradantes, e são criminosos tanto o Estado que é conivente ou promove isso, quanto a empresa que explora esta verdadeira mão-de-obra escrava ou semi-escrava. (Advogado 2) Consideramos, portanto, precárias as condições de trabalho nas prisões, e o possível endividamento familiar mais um dos efeitos da criminalização da família e da extensão da pena. 4.5. Justificativa para o procedimento de revista íntima O caráter perverso dessa justificativa está no fato dos familiares naturalizarem o procedimento, ainda que ao falarem sobre ele discorram sobre todo o constrangimento e sofrimento a que são submetidos, como foi discutido até agora. Parece que todo esse procedimento íntimo e devastador se justifica, segundo discurso dos estabelecimentos penais, em nome da segurança. Cada vez que é encontrado algum objeto ilícito em posse de uma visitante, é reforçada a necessidade dessa conduta. Na verdade, em termos legais, ela não se justifica em hipótese alguma, ela se dá em nome da segurança. O mais grave é que os visitantes não responsabilizam o Estado ou o estabelecimento por terem que se submeter a revista íntima, mas a alguém que errou e levou objeto ilícito e por isso, elas “pagam”. Como dizem “pagam pelos erros dos outros”. A percepção sobre a revista parece ser de um sentimento contraditório, ao caracterizarem como ruim e ao mesmo tempo boa. Alguns dos depoimentos das visitantes demonstram isso: É qualquer uma aí, de qualquer jeito. Inclusive, eu acho assim....eu acho que pelo ver a pessoa...você já vê que não precisava tá fazendo aquilo comigo. É relativo 74 IV ENCONTRO INTEGRADO DE PSICOLOGIA também porque as vezes tem uma senhora aí de 70 anos, 80 anos que tá passando droga(...). Igual, uma vez eu vi numa reportagem que a menina não agüentou...ela entrou com dois celulares na vagina...incrível, né? Mas aí vai pagando um pelo outro. Olha, por um lado é ruim, mas por outro lado é bom né. Por que eu acho que nem todo mundo é igual né. Então eu acho que não tem como dizer não porque as vezes....podia ter assim, eu acho que podia ter o raio x né, pra poder olhar direitinho, pra pessoa não ter que passar tanta coisa. E o pior é assim, que as vezes você não tem nada e fica fazendo força, você tem que ver um canal que eu nem sei se existe, sabe, um canal que eu nem sei se existe. De certa forma, é um discurso que ajuda o indivíduo a lidar com essa situação, já que segundo Procedimento de Gestão de Segurança (PG.GO.01.01) da Secretaria de Estado de Defesa Social de Minas Gerais, no item 6.3.16, o visitante que se recusar ao procedimento de revista não poderá adentrar à unidade. Flagrante é a ilegalidade do procedimento, e para que se sustente, transfere a responsabilidade para o indivíduo, para dar resposta à criminalidade e suprimir a obrigação do Estado de garantia aos direitos fundamentais. Apesar desse discurso, há o entendimento de que, segundo artigo 5, inciso LVI, são inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por meios ilícitos. As intervenções corporais, como é o caso da revista íntima, que violam os direitos fundamentais, são provas ilícitas e, portanto, não podem e não devem ser consideradas como provas. Mariath em seu artigo intitulado Limites da Revista Corporal no Âmbito do Sistema Penitenciário, demonstra que o direito fundamental é inegociável e exemplifica através do entendimento do Tribunal do Estado do Rio de Janeiro, que entendeu que a revista íntima (despir-se completamente, abaixar-se, abrir as pernas, fazer força, pular) é “vexatória, degradante, violenta o direito à intimidade e a dignidade da pessoa humana” (MARIATH, p.17), e que não pode se justificar baseada em qualquer hipótese. 5. CONCLUSÃO A pesquisa demonstrou que a prisão acarreta inúmeros atravessamentos para os que mantêm vínculo com os presos, que em geral são seus familiares. A revista íntima que acontece nos estabelecimentos penais do Estado de Minas Gerais é um instrumento que fragiliza ainda mais os laços entre presos e familiares, devido aos riscos que oferecem a saúde das pessoas que passam pelo procedimento, bem como a opção por não fazer ou receber visitas, principalmente crianças e idosos. A revista íntima tem como critério o vínculo com o preso. Dessa maneira, o critério que deveria ser objetivo, segundo lei, para submeter a esse procedimento, passa a ser subjetivo e pautado no vínculo do visitante com o preso. A revista íntima produz sofrimento aos familiares e desdobramentos em suas vidas e relações, que devem ser consideradas. 75 IV ENCONTRO INTEGRADO DE PSICOLOGIA REFERÊNCIAS ALAGIA. A; BATISTA. N; SLOKAR. A; ZAFFARONI. E. R. Direito Penal Brasileiro – I. Rio de Janeiro: Revan, 2006. BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil (1988). São Paulo: Saraiva, 2006. BRASIL. Lei n10.792, de 1 de dezembro de 2003. 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Ato normativo estadual. Procedimento Operacional Padrão do Sistema Penitenciário do Estado (POP). Necessidade de adequação. Disponível em: www.mp.mg.gov.br/portal/public/interno/arquivo/id/11960 76 IV ENCONTRO INTEGRADO DE PSICOLOGIA MINAS GERAIS. Procedimento Operacional Padrão - Revista no visitante e nos seus pertences. POP.GP.01.15. Disponível em: <www.mp.mg.gov.br/portal/public/interno/arquivo/id/2278> MINAS GERAIS. Procedimento de Gestão de Segurança. PG.GP.01.01. Disponível em: < www.mp.mg.gov.br/portal/public/interno/arquivo/id/2279>. NASSARO, A. L. F. A busca pessoal e suas classificações. Disponível em: < http://cienciaspoliciais.blogspot.com/2009/12/busca-pessoal-e-suas-classificacoes.html>. WACQUANT, L. As prisões da Miséria. Rio de Janeiro: Zahar, 2001. 77 IV ENCONTRO INTEGRADO DE PSICOLOGIA MENÇÃO HONROSA A GÊNESE DA RESILIÊNCIA NA PERSPECTIVA DA TEORIA DO APEGO6 Araceli Maria Silva Aluna do Curso de Psicologia da Unidade Arcos Departamento de Psicologia da PUC Minas Endereço: Rua Bossuet Costa n°603 – Piumhi – MG E-mail: [email protected] Priscila Giarola Arantes Aluna do Curso de Psicologia da Unidade Arcos Departamento de Psicologia da PUC Minas Endereço: Rua Marciano Montserrat nº 75 A– Formiga – MG E-mail: [email protected] Orientador: Carlos Eduardo Carrusca Vieira E-mail: [email protected] PUC Minas (Arcos) RESUMO O presente trabalho empreende uma leitura crítica dos fatores relacionados à gênese da resiliência, na perspectiva da teoria do apego. Seu principal objetivo é investigar os fatores relacionados ao desenvolvimento da resiliência, com base nos construtos da teoria do apego. Para a consecução desse objetivo, as autoras discutem inicialmente, o uso do conceito de resiliência no âmbito da Psicologia e apresentam os delineamentos principais da teoria do apego. Em um segundo momento, analisam como a teoria do apego pode favorecer a compreensão da origem da resiliência. Trata-se de uma revisão bibliográfica, realizada a partir de diferentes estudos publicados sobre o tema, Abreu (2010); Bowlby (1984, 1990); Cyrulnik (2009); Dalbem e Dell‟aglio (2005, 2008); Fingergut (2011); Pinheiro (2004); Souza (2006); Yunes e Szymans (2001). Conclui-se neste trabalho que a teoria do apego pode ser considerada como uma perspectiva psicológica capaz de aprofundar a compreensão do processo do desenvolvimento da resiliência, e indica-se a necessidade de novas pesquisas com base nessa abordagem. Palavras-chave: Adversidade; Resiliência; Teoria do Apego; Vinculação. 6 Artigo baseado no Trabalho de Conclusão de Curso “A gênese da resiliência na perspectiva da teoria do apego”, orientado pelo professor Carlos Eduardo Carrusca Vieira (PUC Minas/Arcos). 78 IV ENCONTRO INTEGRADO DE PSICOLOGIA INTRODUÇÃO Como algumas pessoas conseguem passar por grandes dificuldades na vida, enfrentálas e superá-las de maneira positiva, enquanto outras, em situações semelhantes não conseguem? O que faz com que alguns indivíduos encontrem forças para seguir adiante apesar da dor inevitável? Somente alguns possuem essa capacidade, ou ela pode ser desenvolvida? Essas pessoas possuem algo de especial em relação às demais? O presente artigo pretende responder esses questionamentos, propondo um entendimento sobre essa interessante habilidade humana de “saber” lidar positivamente com as adversidades da vida, à luz da teoria do apego, proposta por John Bowlby. Objetiva investigar, a partir da realização de pesquisa bibliográfica, os fatores determinantes do desenvolvimento da resiliência a partir dos conceitos que sustentam a teoria do apego. Este artigo é fruto de um trabalho de conclusão de curso de graduação em Psicologia, que abordou uma leitura crítica da gênese da resiliência à luz da teoria do apego. Discutir a temática da resiliência implica em entrar em um campo marcado por amplas divergências e possibilidades de entendimento. A resiliência ainda é um tema pouco explorado, que compreende importantes características do ser humano, sobretudo no que se refere ao seu potencial frente a situações adversas. Nesse sentindo, a relevância desse trabalho consiste na leitura que propõe do conceito de resiliência, que toma por base a teoria do apego. Mais do que descrever o comportamento resiliente, pretendemos oferecer elementos que poderão, no futuro, subsidiar estudos acerca do desenvolvimento dessa capacidade humana. A NOÇÃO DE RESILIÊNCIA A noção de resiliência é relativamente nova no campo das Ciências Humanas e Sociais. Ela teve origem na Física e Engenharia, tendo aparecido pela primeira vez na literatura em 1807. (YUNES; SZYMANS, 2001). Thomas Young, um cientista inglês, foi um dos precursores do estudo ao desenvolver experimentos sobre tensão e compressão de barras, cujo objetivo era entender a relação entre a força aplicada em um corpo e a deformação produzida por essa força. De seus estudos surgiu a noção de “módulo de elasticidade” que, posteriormente, foi quantificada e chamada de “resiliência dos materiais”. (YUNES; SZYMANS, 2001). Desse modo, a noção de resiliência passou a ser atribuída à resistência dos materiais, sendo compreendida como a capacidade máxima que um material possui de suportar uma tensão, se deformar momentaneamente, e retornar ao seu estado original quando cessada a tensão sofrida. (BENETTI; CREPALDI, 2012). A Psicologia tomou de empréstimo o conceito de resiliência da Física, passando a defini-lo como a capacidade do indivíduo de enfrentar as adversidades, ser transformado por elas, mas conseguir superá-las. (PINHEIRO, 2004). Está correlacionada à noção de sucesso e adaptação às normas sociais. (PINHEIRO, 2004). Refere-se à capacidade de regeneração, adaptação e flexibilidade diante de situações de doenças, guerras, catástrofes e situações traumáticas em geral. (INFANTE, 2005). Porém, sua definição em Psicologia não é clara e precisa como na Física, pois os fatores e variáveis a serem considerados no estudo dos fenômenos humanos são complexos e múltiplos. (FINGERGUT, 2011). E como mencionou Pinheiro (2004), quando se trata de explicar a resiliência os autores divergem. Certos estudiosos do tema acreditam que a flexibilidade e versatilidade são 79 IV ENCONTRO INTEGRADO DE PSICOLOGIA características da pessoa resiliente, apontando a resiliência como traço da personalidade ou temperamento, enquanto outros se interrogam sobre a natureza da mesma, concebendo-a como um atributo individual ou fruto da interação com o ambiente, o que faz com que o tema apresente imprecisões e controvérsias. (PINHEIRO, 2004). Os estudiosos, até o momento, não encontraram fatores concordantes para tal temática. Perspectivas relevantes para o entendimento da noção de Resiliência A definição da resiliência como uma atitude individual requer certa cautela a fim de evitar que ela seja utilizada como um rótulo de “sucesso” ou “fracasso” do indivíduo. Nesse sentido, certos estudos são relevantes, uma vez que buscam identificar características e condições pessoais, investigando a correlação entre aspectos genéticos e ambientais que estariam na origem do desenvolvimento dessa competência. Não existe uma única definição sobre essas características e este trabalho não conseguiria abranger todas as teorias já elaboradas até os dias atuais sobre a resiliência. Mas, no intuito de uma maior delimitação de características relacionadas ao indivíduo resiliente, alguns pontos merecem especial atenção. Cyrulnik citado por Fingergut (2011) aponta para sete fatores por ele classificados como característicos da resilência, sendo eles: insight – capacidade para observar a si mesmo e ao outro; independência - ou capacidade para manter distância física e emocional em relação aos conflitos sem cair no isolamento; relação ou capacidade para criar vínculos íntimos com outras pessoas; capacidade de auto-regulação e responsabilidade necessária para conseguir a autonomia; humor e criatividade; ideologia pessoal; e capacidade para desejar coisas boas aos outros e de dar sentido à própria vida. A pesquisa desse mesmo autor pontua ainda três características e condições presentes no indivíduo resiliente. Segundo ele, pessoas resilientes, mesmo nos momentos de trauma e de crise, costumam pensar no que vão fazer, pois a presença da ideia de futuro, da busca de um sentido para a vida e a crença de que existe algo a ser feito mais à frente, parece tornar a dor algo mais suportável; essas pessoas podem e conseguem formular uma explicação sobre o que aconteceu, articular situações, imagens, sentimentos e representações associadas ao trauma em uma sequência que torna possível dar coerência aos acontecimentos; e ainda mantêm ao longo da vida vínculos especiais com uma ou mais pessoas que lhe permitam fortalecer sua autoestima e confiança. (CYRULNIK apud FINGERGUT, 2011). Para Walsh citado por Fingergut (2011), as características da resiliência podem ser resumidas em fatores pessoais (temperamento despreocupado e alegre, sentido realista de esperança e de autocontrole, sentimento de protagonismo nas próprias ações, representação da mudança como um desafio apaixonante e otimismo), fatores familiares e da rede social (clima emocional – afeto, existência de limites claros entre as hierarquias familiares. Amigos, vizinhos, professores e clérigos – que representam figura de apego). As conclusões desses estudos indicam a importância da rede de apoio do indivíduo, dos valores culturais, crenças, simbolizações, construções sociais. Fatores que propõe pensar a resiliência como uma adaptação individual implicada em fatores pessoais (inatos e adquiridos), familiares, culturais e sociais. Considerações sobre a Resiliência Um dos aspectos centrais das questões referentes à resiliência remete a entender como alguns indivíduos, mesmo diante de uma situação que lhe causa certo grau de perturbação 80 IV ENCONTRO INTEGRADO DE PSICOLOGIA emocional, conseguem se manter firmes e encontrar vias para superá-la. Esse entendimento requer cuidado no intuito de evitar rotulações e generalizações, que fazem com que esse conceito seja utilizado de modo equivocado. (SOUZA, 2006). Cabe assinalar também que a resiliência não traz consigo a ideia de “super-homens” e “super-mulheres” que não sofrem e não se abalam, não significa invulnerabilidade ou impermeabilidade ao estresse. Nessa capacidade humana se implicam sofrimento e fragilidade, mas também uma “força de”, mesmo diante da adversidade, desenvolver atitudes de enfrentamento que possibilitam um fortalecimento apesar das dificuldades vividas. A resiliência consiste então, em conseguir, diante de uma situação que causa estresse e sofrimento, desenvolver a capacidade de enfrentar e superar a adversidade, sem maiores danos posteriores à vida. Cyrulnik (2009) afirma o seguinte: O problema se coloca assim: diante da perda, da adversidade e do sofrimento que todos topamos um dia ou outro no decorrer da vida, várias estratégias são possíveis. Podemos nos entregar ao sofrimento, buscar a indiferença ou fazer uma carreira de vítima. Essas soluções são antirresilientes porque deterão qualquer projeto de desenvolvimento. Em contraposição, fazer alguma coisa com o seu sofrimento, fazer uso da compulsão a entender para transcendê-lo e fazer dele um projeto social ou cultural constitui um trampolim de resiliência. (CYRULNIK, 2009, p.102). Portando, a resiliência não é um modo de comportamento consciente e independe da vontade de cada um. Também não é algo fixo e imutável. O indivíduo pode se posicionar de modo resiliente em certas situações e em outras não. O que determina tais fatos depende de uma infinidade de fatores. (CYRULNIK, 2009). Polletti e Dobbs (2010) ressaltam que o conceito de resiliência é mais rico e mais completo que o da “capacidade de superar”, pois é composto por duas dimensões, uma que representa a capacidade de proteger a integridade sob fortes pressões, e outra ligada a capacidade de se construir a despeito das circunstâncias adversas. Na sociedade moderna, marcada por mudanças cada vez mais rápidas e profundas, a resiliência se apresenta como mais que um simples conceito ideológico, apresenta-se como um sentido atribuído à existência humana relacionada à facilidade em estabelecer laços afetivos e profissionais, e manter um projeto de vida, independente das circunstâncias vivenciadas. (PINHEIRO, 2004). Essa mesma autora afirma que apesar das divergências, os diversos autores e pesquisas levam a concluir que a capacidade de amar, de trabalhar, ter expectativas, e consequentemente, de dar sentido a própria existência, denota ser a base em que as habilidades humanas se apoiam para serem utilizadas diante das adversidades da vida, que certamente todos, em maior ou menor intensidade, irão enfrentar enquanto estiverem vivos. (PINHEIRO, 2004). Mais do que levantar uma lista de qualidades pessoais e características que englobam o indivíduo resiliente, é preciso ressaltar que não apresentar tais condições e habilidades não significa não ser, e nunca poder desenvolver, a resiliência ou essas competências sociais. Definir efetivamente o que é ou não, o que favorece ou impede, as causas e efeitos implicados nesse processo, são pontuações que necessitam de especial atenção, cuidadosa análise contextualizada, e que abrem espaços a novos conhecimentos sobre a resiliência. No decorrer da realização de pesquisas sobre a resiliência, ficou evidente como os autores que se dedicaram à compreensão da resiliência não encontraram, até o momento, um consenso sobre os fatores determinantes de tal capacidade humana. Tendo em vista que muitos estudiosos do tema propõem a necessidade, cada vez mais, de estabelecer a temática da resiliência como fonte promotora de qualidade de vida, torna-se fundamental a busca do entendimento da gênese da resiliência, uma vez que só a partir do 81 IV ENCONTRO INTEGRADO DE PSICOLOGIA conhecimento da origem de um fenômeno, pode-se pensar em sua promoção. Nesse sentido, a teoria do apego pode contribuir para uma melhor compreensão da resiliência. A TEORIA DO APEGO A teoria do apego consiste em uma teoria do desenvolvimento da personalidade humana proposta por John Bowlby, que foi um médico e psicanalista inglês, que viveu entre 1907 e 1990. No período entre a década de cinquenta e sessenta, Bowlby desenvolveu seus estudos com um interesse principal de: “compreender como se originam e se desenvolvem os distúrbios no funcionamento da personalidade, a partir da observação dos efeitos da separação da mãe nos primeiros anos da infância.” (FINGERGUT, 2011, p. 18). Ele investigou e elaborou a teoria que procura explicar como ocorrem os vínculos afetivos entre o bebê humano e o seu provedor de segurança e conforto, e quais suas implicações para a vida adulta. (BOWLBY, 1984). Seus estudos iniciais, e os trabalhos de outros pesquisadores da época que o influenciaram, deram origem às primeiras formulações e aos pressupostos formais que originaram a “teoria do apego”. (DALBEM; DELL‟AGLIO, 2005). Desenvolveram-se desse modo, as primeiras ideias sobre a compreensão das interações dos seres humanos, buscando compreender porque algumas crianças crescem felizes e autoconfiantes, enquanto outras crescem ansiosas e deprimidas, e outras, ainda, emocionalmente frias e anti-sociais. (ROGRIGUES; CHALHUB, 2009). A teoria do apego, também conhecida como teoria da vinculação, objetiva apresentar, através da análise relacional da criança, como se estabelecem os vínculos afetivos nos primeiros anos de vida, e como esses refletirão em todo o desenvolvimento futuro. Bowlby buscou conhecimentos científicos, e desenvolveu seus estudos influenciado por autores e pesquisas da época, pois seus conceitos, “foram construídos com base nos campos da psicanálise, biologia evolucionária, etologia, psicologia do desenvolvimento, ciências cognitivas e teorias do sistema de controle.” (DALBEM; DELL‟AGLIO, 2005, p.14). Suas bases principais foram a psicanálise e a etologia. Seus estudos sobre o desenvolvimento humano partiram dos conceitos centrais da teoria de Freud, desenvolvida sessenta anos antes. Enquanto Freud partiu de estudos retrospectivos, com adultos, Bowlby optou por estudos prospectivos, realizados com crianças em situações reais, buscando descrever e compreender como as situações vivenciadas no presente poderiam vir a interferir no desenvolvimento posterior. (FINGERGUT, 2011). Bowlby descartou o modelo de impulso primário, que associa a alimentação à razão pela qual a criança estabelece laços afetivos com a mãe, e substituiu essa ideia pela necessidade de um sentimento de segurança, atribuindo à formação desse vínculo mãe/bebê uma função biológica de proteção. Bowlby utilizou os conhecimentos da etologia, ciência que estuda o comportamento animal, por acreditar que certos comportamentos são comuns a muitas espécies, principalmente àqueles que dizem respeito à formação de vínculos sociais e a relação entre mãe e filho. (FINGERGUT, 2011). Segundo ele, os bebês humanos, assim como os animais, principalmente os mamíferos, seriam “programados” para emitir certos comportamentos que lhe proporcionariam atenção e proximidade com o cuidador. (BOWLBY, 1984). De acordo com Fingergut (2011), Bowlby postulou que o comportamento de apego nos seres humanos se desenvolve mais tardiamente que em outros animais, que geralmente o 82 IV ENCONTRO INTEGRADO DE PSICOLOGIA manifestam logo após o nascimento, enquanto que no bebê humano ocorre ao longo dos meses, e, assim como as aves e os primatas, os humanos apresentam um período, em que se encontram mais dispostos a formar vínculo com suas mães. O autor afirmou ser improvável que qualquer fase sensível de apego começasse antes das seis semanas de vida. O comportamento de apego manifestar-se-ia por volta dos três meses de idade, tornando-se nítido aproximadamente aos seis meses, e ficando mais claro e de fácil observação por volta dos dezoito e vinte quatro meses, permanecendo por toda a vida. (BOWLBY, 1984). Características do Apego Como já dito, a teoria do apego destaca a importância das primeiras relações para o desenvolvimento humano, ao descrever a ligação emocional que se desenvolve entre a criança e sua principal figura provedora de cuidados, como algo que gera a orientação do desenvolvimento afetivo, cognitivo e social da mesma, e fundamenta o modelo de suas relações futuras. (DALBEM; DELL‟AGLIO, 2005). Bowlby (1984, p. 396) ressalta que: “Dizer que uma criança é apegada ou tem um apego por alguém, significa que ela está fortemente disposta a buscar proximidade e contato com uma figura específica, principalmente quando está assustada, cansada ou doente.” O apego se caracteriza, então, como um tipo de vínculo no qual o senso de segurança de alguém está diretamente ligado à sua figura de apego (que na maioria das vezes é a mãe, mas que poderá ser representada por qualquer outra pessoa que mantenha uma relação de atenção e cuidados com a criança). Bowlby (1990) afirma que o apego tem sua própria motivação interna, diferente da alimentação e do sexo, mas com igual importância para a sobrevivência. Sendo o apego um estado interno do indivíduo, sua manifestação se dá através dos comportamentos de apego. Essa teoria envolve “apego” e “comportamento de apego”. Como esclarecem Alexandre e Vieira (2004), o “apego” é uma ligação contínua e íntima, apresentada pela criança em relação, geralmente, à figura materna, ou a outra pessoa próxima que lhe proporciona segurança e proteção, enquanto o “comportamento de apego” se traduz por qualquer forma de comportamento que uma criança comumente adota com pessoas próximas. Um aspecto primordial para o entendimento da relação de apego entre a criança e sua figura provedora de cuidados, consiste em verificar a quantidade de segurança obtida pela criança na sua relação com seu cuidador. (ABREU, 2010). Conforme ressalta Abreu (2010), esse aspecto foi mensurado por Mary Ainsworth, psicóloga que desenvolveu ao longo de sua vida trabalhos relacionados às ligações afetivas entre mães e filhos, em um experimento intitulado “Procedimento da Situação Estranha”. Tal experimento consistiu em episódios de três minutos, nos quais crianças de um ano foram observadas em uma sala pequena e estranha a elas, com muitos brinquedos e a presença de um adulto desconhecido. Inicialmente as crianças permaneciam na sala na presença das mães, que em um segundo momento saíam da sala, e posteriormente, retornavam. O objetivo das observações consistiu em verificar a tensão acumulada pelas crianças na ausência da mãe, e estudar as diferenças individuais de comportamento. Abreu (2010) afirma que as crianças que conseguiram, utilizando a mãe como base de apoio, explorar o ambiente mesmo na presença de um estranho, não se angustiando diante da súbita ausência da mãe, e a recebendo com afeto e entusiasmo em seu retorno, foram classificadas como “seguramente apegadas”. Enquanto as que não exploraram o ambiente, inibiram-se diante do estranho mesmo na presença da mãe, demonstrando certo desnorteamento quando ela se ausentou e desinteresse ao seu retorno, foram designadas como 83 IV ENCONTRO INTEGRADO DE PSICOLOGIA “inseguramente apegadas”. Ainda um terceiro tipo de reação foi observado ao se notar que certas crianças demonstravam uma ambivalência emocional diante o retorno da mãe, ora buscando, ora resistindo ao contato materno. (ABREU, 2010). Ainda segundo Abreu (2010), esse experimento determinou os três “Padrões de Comportamento de Interação da Criança com a Mãe”, apresentados a seguir: a) apego seguro: equilíbrio entre exploração e apego. As crianças exploram o ambiente com razoável liberdade, tendo a mãe como base segura, mesmo na presença de estranhos. Quando a mãe se ausenta, podem ou não mostrar-se aflitos, mas a recebem de volta efusivamente. A confiança e segurança nos pais fazem com que a criança se sinta mais corajosa para explorar o mundo; b) apego inseguro-evitativo: conflito aproximação/evitação. Essas crianças não utilizam a mãe como base para exploração, separam-se dela para explorar o ambiente, apresentam dificuldades em partilhar afetos, estabelecem relação com o estranho e evitam a mãe após seu retorno, preferindo o estranho. Têm acessos de raiva, emitem comportamentos de rejeição, são ansiosas e não demonstram confiança; c) apego inseguro-ambivalente: neste tipo de interação a criança necessita de contato e receia situações e pessoas diferentes. Oscila entre busca de contato e rejeição. Apresenta pouco interesse em explorar o ambiente, voltando sua atenção à mãe de modo preocupado. Fica incomodada com a separação e não se aproxima de figuras estranhas. Diante do retorno da mãe, não se aproxima imediatamente, e alterna comportamentos de procura por contato e afastamento. Segundo Dalbem e Dell‟aglio (2005), um quarto tipo de apego foi identificado e denominado de padrão desorganizado/controlador, sendo caracterizado por crianças que tiveram experiências negativas a um desenvolvimento adaptado. Está associado a fatores de risco e maus-tratos infantis. Essas crianças não exibem conduta passível de classificação dentro dos três tipos anteriores. Na experiência da “situação estranha” apresentaram comportamentos contraditórios e incoerentes para lidar com a situação. (DALBEM; DELL‟AGLIO, 2005). Para Abreu (2010), Bowlby (1984), Fingergut (2011), o modo como os comportamentos de apego se estabelecem, se seguro ou inseguro, depende de vários fatores. Podendo-se pontuar as características associadas ao bebê (temperamento, iniciativa ou busca pela figura de apego, quantidade e frequência de choro, reações diversas, estado de saúde, reações, etc.), as características individuais da mãe, (paciência, afetividade, sensibilidade), relacionais (relação com o marido, com sua família de origem, com as redes sociais de apoio e com o próprio bebê), ou culturais (influências recebidas da cultura da qual faz parte). Nesse sentido, a sensibilidade da mãe para interpretar e responder aos sinais do bebê, o contato físico constante e a sua capacidade para acalmar o bebê, criando um ambiente que lhe possibilita significar suas próprias ações, são fatores que favorecem as bases de um apego seguro. (FINGERGUT, 2011). Os bebês, ao desenvolverem maior capacidade de discriminação, podem selecionar mais de uma figura de apego. (BOWLBY, 1984). Dentre as figuras “escolhidas”, a criança selecionará a “principal figura de apego” (que procura quando está cansada, doente, com fome, assustada, insegura, etc.), e as “figuras subsidiárias” (que representam todas as pessoas que dispensam cuidados, atenção e participam da vida da criança). Uma mesma figura pode 84 IV ENCONTRO INTEGRADO DE PSICOLOGIA representar os dois papéis, assim como mais de uma figura pode representar cada uma das funções. Algumas crianças ainda, podem dirigir seus comportamentos de apego à figuras não humanas, na maioria das vezes, representadas por objetos inanimados. (BOWLBY, 1984). O Apego e suas Consequências para a Vida Adulta O tipo de vínculo estabelecido pela criança e seu cuidador nos seus primeiros anos de vida constituem a base de sua personalidade adulta. Nesse sentido, Bowlby (1984) afirma que: “Tem sido repetidamente afirmado que o comportamento de apego não desaparece com a infância mas persiste durante a vida adulta.” (BOWLBY, 1984, p.371). O complexo sistema de comportamento de apego de uma criança, no decorrer de seu desenvolvimento, passa a envolver uma habilidade de representação mental das experiências da infância, que determina o modelo interno de funcionamento do indivíduo. (DALBEM; DELL‟AGLIO, 2005). O modelo interno de funcionamento foi definido por Bowlby (1990) como algo que influi diretamente na percepção e avaliação da pessoa, podendo ser mais ou menos válido, ou distorcidos, dependendo do tipo de apego experenciado na infância. Esses modelos tendem a persistir e passam a atuar em nível inconsciente. No decorrer do desenvolvimento (conforme a criança cresce e muda a forma como é tratada), ocorre uma atualização desses modelos. Entretanto, crianças seguramente apegadas têm maior facilidade de atualizar seu modelo de funcionamento, enquanto as inseguramente apegadas demonstram dificuldade e rigidez diante dessa mudança. (RAMIRES; SCHNEIDER, 2010). Portanto, as experiências precoces com o cuidador primário originam as expectativas da criança sobre si, os outros e o mundo em geral, o que implica diretamente na formação de sua personalidade em desenvolvimento, e determina, posteriormente, seu modo de estabelecer relações, enfrentar a vida e viver de forma segura e confiante. TEORIA DO APEGO: UMA PLATAFORMA TEÓRICA PARA O ENTENDIMENTO DO PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO DA RESILIÊNCIA Como se sabe, a resiliência tem sua origem em uma série de fatores, que, juntos, propiciam o seu desenvolvimento e manifestação. De acordo com Souza (2006), dois aspectos devem ser necessariamente considerados para o entendimento da resiliência, sendo eles: as dimensões longitudinal e transversal que permeiam o indivíduo. A dimensão longitudinal refere-se ao processo natural de desenvolvimento humano, enquanto a transversal considera o contexto histórico, social e cultural que acompanha e atravessa esse processo. (SOUZA, 2006). E, nesse sentido, fatores referentes às bases interacionais têm muito a dizer sobre a constituição, desenvolvimento e posicionamento do indivíduo. Bowlby (1984) afirma que o comportamento de apego é parte de um sistema regulador de segurança e proteção, responsável por uma importante função biológica, a qual favorece tanto a saúde psíquica, como física. Esse mesmo autor ressalta que esse sistema de regulação de segurança é um sistema cujas atividades tendem a reduzir o risco do indivíduo se dar mal na vida, além de levar a um alívio da ansiedade e a um aumento da sensação de segurança. (BOWLBY, 1984). Assim, o apego, mais que apenas uma maneira de alcançar e manter proximidade a um outro, torna-se um modo de responder aos conflitos e incertezas advindos da existência humana: Um dado crucial em relação à resiliência é sua emergência como resultado de uma interação, algo que ocorre com o sujeito levando em consideração quem e o que está em seu entorno. Essa compreensão é importante haja vista que não se pode ser 85 IV ENCONTRO INTEGRADO DE PSICOLOGIA resiliente sozinho. Um dos fatores necessários para o desenvolvimento da resiliência é o apoio e o acolhimento pelos membros de sua rede pessoal e social. (MENDEL; GODINHO, 2012, p.8). O modo como se configuram os vínculos, e se estabelecem os modelos internos de funcionamento do indivíduo, tem uma ligação direta ao modo como esse se posicionará diante de uma adversidade, podendo ser seu posicionamento resiliente ou não. (ABREU, 2010). Para Abreu (2010), as expectativas das pessoas seguras de encontrar apoio de outros nos momentos de necessidade faz com que busquem suporte social para lidar com situações estressantes. Isso as torna mais estruturadas emocionalmente e mais resistentes em situações de desconforto. Por outro lado, pessoas inseguras não confiam e não apresentam expectativas quanto ao apoio vindo de outros. Desenvolvem estratégias de auto-enfrentamento, que limitam suas possibilidades de enfrentamento, se comparada a pessoas que buscam apoio social diante uma dificuldade. (ABREU, 2010). Assim, os modos de vinculação estabelecidos desde a infância, estão diretamente relacionados à forma como se vive posteriormente a vida diante as mais distintas situações. Apego Seguro e o Desenvolvimento da Resiliência Cyrulnik (2009) ressalta que qualquer pessoa, em qualquer momento, pode “vir-a-ser” resiliente. Mesmo que uma criança não tenha estabelecido um apego nos primeiros anos de vida, esse pode ser desenvolvido posteriormente. (DALBEM; DELL‟AGLIO, 2008). Mendel e Godinho (2012) pontuam que a criança que desenvolver um apego seguro no início de sua vida, terá maior facilidade em enfrentar seus sofrimentos, mas as que não estabeleceram tal vínculo, ainda estão abertas e podem encontrar no decorrer de sua vida algum “tutor de resiliência” que lhe forneça o apoio e segurança necessários. Não se pode falar de um padrão de apego único, adaptativo para todas as situações. (FINGERGUT, 2011). Abreu (2010) alerta para o risco de se considerar “sempre” o apego seguro como o padrão ideal, uma vez que cada um dos padrões de apego tem valor adaptativo diferente. Basta levar em consideração que a maioria dos estudos sobre resiliência partem de histórias e trajetórias de vida marcadas por uma infância sofrida e desprovida de cuidados e atenção. (FINGERGUT, 2011). Mas, tendo como base os dados referentes, tanto à teoria do apego como à resiliência, em que ambos os conceitos são relacionados, é quase impossível não atribuir às características da resiliência, o conceito de apego seguro. Dalbem e Dell‟Aglio (2008) ressaltam que as estratégias de enfrentamento frente às situações de estresse, assim como a busca por uma pessoa que assegure conforto e proteção, apontam para a existência, e a possibilidade de desenvolvimento, de processos de resiliência. Logo, as pessoas resilientes seriam aquelas que estabeleceram com seus cuidadores um padrão de apego seguro nos primeiros anos e, consequentemente, no decorrer de sua vida. Segundo Abreu (2010), quando um bebê, nos momentos de insegurança, se depara com figuras pouco responsivas e atentas à sua necessidade de apoio, ele naturalmente exibirá um decréscimo de suas capacidades de enfrentamento e de reflexão frente a essas situações. Posteriormente, quando diante de uma nova situação de insegurança, por não ter desenvolvido tais capacidades, não terá meios para enfrentá-las. (ABREU, 2010). O mesmo ocorre quando a criança estruturou sua personalidade a partir de uma base segura, só que nesse caso, ela terá estruturado meios para enfrentar a situação que se apresenta. (ABREU, 2010). 86 IV ENCONTRO INTEGRADO DE PSICOLOGIA Bowlby (1984) ressalta a importância da correlação entre a vinculação segura e a resiliência, ao concluir toda a sua teoria sobre o desenvolvimento da personalidade humana, em uma passagem que vale a pena transcrever: A experiência de uma criança pequena de uma mãe estimulante, que lhe dá apoio e é cooperativa, e um pouco mais tarde o pai, dá-lhe um senso de dignidade, uma crença na utilidade dos outros, e um modelo favorável para formar futuros relacionamentos. Além disso, permitindo-lhe explorar seu ambiente com confiança e lidar com ele eficazmente, essa experiência também promove seu senso de competência. Daí por diante, desde que os relacionamentos continuem favoráveis, não só estes padrões iniciais de pensamento, sentimento e comportamento persistem, como a personalidade se torna cada vez mais estruturada para operar de maneira moderadamente controlada e resiliente, e cada vez mais capaz de continuar assim mesmo em circunstâncias adversas. (BOWLBY, 1984, p.402). Na perspectiva da teoria do apego a resiliência é vista como uma construção desenvolvimental. (DALBEM; DELL‟AGLIO, 2008). O apego seguro leva à resiliência, enquanto essa favorece a manutenção de relações, cuja segurança é o foco principal. Todo o exposto ressalta a importância das bases de segurança estabelecidas e mantidas desde as primeiras relações, no que se refere à formação e estruturação da personalidade, na qual se forma e estrutura a base resiliente, entendida aqui como algo que perpassa por uma série de fatores, mas está diretamente vinculada ao tipo de apego encontrado pelo indivíduo no decorrer de sua história de vida. CONSIDERAÇÕES FINAIS Diante do exposto neste estudo, sabe-se que pessoas resilientes são aquelas que, ao deparar com uma adversidade, enfrentam-a de modo otimista e positivo e, apesar do sofrimento vivido, conseguem supera-la e se fortalecer após a situação. Por sua vez, a teoria do apego, tal como formulada por John Bowlby em seus trabalhos intitulados “Apego e Perda”, permite pensar que uma pessoa que tenha estabelecido um apego seguro em suas primeiras relações com seus cuidadores, desenvolve uma personalidade segura, que pode torná-la mais propícia a desenvolver um comportamento resiliente. Entretanto, é necessário também considerar outros aspectos referentes ao desenvolvimento da resiliência. Pela própria complexidade associada à definição do conceito, realizar uma pesquisa cujo foco é a resiliência implica em uma série de dificuldades e limitações. Elas decorrem do fato de ser um tema relativamente recente e ainda pouco conhecido. Trata-se de um fenômeno psicológico permeado de incertezas e controvérsias. Ainda se conhece pouco sobre essa habilidade humana e como desenvolvê-la. Daí a necessidade de relacioná-la a uma perspectiva que compreenda o ser humano mais amplamente, entendendo-o como um ser social, que se constitui ao mesmo tempo em que interage com o mundo e consigo mesmo. A teoria do apego representa um subsídio para o entendimento da personalidade do ser humano, acreditando ser essa, estruturada em decorrência do tipo de vinculação estabelecido desde os primeiros anos de vida entre a criança e seu cuidador. Apesar das críticas à teoria proposta por Bowlby (1984), das limitações de seus estudos devido aos poucos recursos da época, sua teoria do apego traz considerações relevantes ao entendimento do modo como se desenvolve uma personalidade resiliente. É necessário ressaltar que este trabalho, por si só, não teve a pretensão, e não conseguiu desvendar o fato de algumas pessoas desenvolverem a resiliência enquanto outras 87 IV ENCONTRO INTEGRADO DE PSICOLOGIA não, mas visou abrir uma possibilidade de entendimento a partir da qual muito pode ser feito. Acreditou-se que entender os fatores incluídos na origem do fenômeno se torna primordial a iniciativas futuras que terão o objetivo de promover a resiliência, como um modo de amenizar os danos psicológicos decorrentes das adversidades da vida contemporânea. Ao fim deste estudo, algumas questões ainda ficam em aberto. Por mais que exista uma ligação entre a teoria proposta e a resiliência, tal teoria abre possibilidades de reducionismos que podem vir a considerar o indivíduo apenas em termos de sua dinâmica de apego e suas resultantes e, concomitantemente, deixa lacunas quanto a uma definição precisa da personalidade, ao se pensar no ser humano como resultante de uma multicausalidade de fatores, que ainda têm muito a ser estudado e entendido. É importante também, considerar a resiliência a partir da existência de processos que favorecem o seu desenvolvimento, e não como algo estruturado e definido. A evolução de pesquisas sobre o assunto é promissora, há muitos outros estudos que se fazem necessários a fim de investigar e compreender as correlações entre a vinculação humana e a capacidade de resiliência. A esses, cabem o interesse e a busca por fatores concordantes sobre a resiliência, pois somente assim, essa interessante capacidade humana, de suportar e transformar dor em superação, poderá ser utilizada como forma de promover “a força” que o ser humano possui de se “manter de pé” apesar dos empurrões que a vida, mais cedo ou mais tarde, insiste em lhe aplicar. REFERÊNCIAS ABREU, Cristiano Nabuco de. Teoria do Apego: fundamentos, pesquisas e implicações clínicas / Cristiano Nabuco de Abreu. – São Paulo: Casa do Psicólogo, 2010. ALEXANDRE, Diuvani Tomazoni; VIEIRA, Mauro Luís. Relação de apego entre crianças institucionalizadas que vivem em situação de abrigo. Psicologia em Estudo. Maringá, v. 9, n. 2, p. 207-217, mai/ago 2004. 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