Direito Administração Ciências Contábeis JORNAL DAS FACULDADES MILTON CAMPOS • N.ª° 168 • ANO XIX • 2013 A g o s t o Carreira atrai e ex-alunos da MC são bem sucedidos em concurso para delegado Vinte e quatro ex-alunos da Faculdade de Direito Milton Campos foram empossados recentemente e estão em atividade no cargo de delegado de polícia de Minas Gerais. Nesta edição do Jornal da Milton Campos, contamos a história de dois desses ex-alunos: Lorena Vaz de Melo (foto), que hoje é a titular da delegacia em frente ao prédio da FDMC, e Gustavo Gomes, atuando em Elói Mendes, no sul de Minas. O JMC ouviu também o professor Vitor Kildare, há 13 anos na carreira, e descobriu que a chefe do Departamento de Recrutamento e Seleção da Polícia Civil, Cinara Maria Moreira Liberal, também é ex-aluna da Milton Campos. Páginas 4 e 5 Faculdade chora a morte de Cid Nelson A Milton Campos perdeu em junho último mais um de seus grandes colaboradores, com o falecimento do professor Cid Nelson Safe Silveira. Em emocionado artigo, o professor Mateus Simões de Almeida se despede do colega e amigo, comentando a “improvável” simbiose entre o delegado de polícia e o homem de choro fácil ao falar do neto. Página 3 Extensão leva assistência a paraplégicos de BH A União dos Paraplégicos de Belo Horizonte (Unipabe) recebeu em maio a visita de alunos e professores da Milton Campos para uma oficina sobre Direito e Economia e receberá em 17 de agosto novamente uma equipe da Faculdade, desta vez a do Programa de Inclusão e Educação Previdenciária (Piep), para esclarecimentos sobre a lei de aposentadoria das pessoas com defi- ciência. As atividades são coordenadas, respectivamente, pelas professoras Luciana Souza e Dinorá Carla Rocha. Página 8 A União dos Paraplégicos de Belo Horizonte recebeu em maio a visita de alunos e professores da Milton Campos 2 6 7 8 Turmas de 2013 colaram grau oficial em 8 de julho A burocracia e os muitos ministérios brasileiros Artigo faz reflexões sobre direito penal Eleita em junho, nova diretoria do Dacon já tomou posse F o r m A t u r A o F i c i A l J O R N A L D A S FA C U L D A D E S M I LT O N C A M P O S • N . 1 6 8 • A G O S T O / 2 0 1 3 Bacharéis de 2013 colaram grau em 8 de julho Os bacharéis graduados no primeiro semestre pela FDMC colaram grau em 8 de julho último, em sessão solene da Congregação, realizada no auditório do Campus II, sob a presidência da diretora da Faculdade, professora Lucia Massara. Compuseram a Mesa da sessão solene a patronesse das turmas, professora Sônia Diniz Viana; o paraninfo, professor André Rennó Lima Guimarães; a desembargadora Tereza Cristina da Cunha Peixoto, representando o presidente do Tribunal de Justiça de MG; o funcionário homenageado pelas turmas, Leonardo de Barros Campos; e o secretário da sessão, Flávio Mendonça Chaves. Ao saudar os novos bacharéis, a professora Lucia Massara destacou que a faculdade procura infundir em seus alunos “o compromisso com a ética, com a liberdade e com o cidadão” e disse esperar que todos levassem para sua vida profissional tal compromisso, “que era o sonho dos fundadores da Milton Campos”. Durante a sessão, foi entregue a “Medalha Professores João Milton Henriques e F A c u l D A D E S m i l t o N c A m P o S A Faculdade do seu tempo. DIRETORA DA FACULDADE DE DIREITO: Prof.ª Lucia Massara • VICE-DIRETOR: Prof. Marcos Afonso de Souza • DIRETOR DA FACULDADE DE ADMInISTRAçãO: Prof. Jorge Lasmar •VICE-DIRETOR: Prof. Vicente de Paula Mendes • DIRETOR EM ExERCíCIO: Prof. Carlos Alberto Rohrmann • SECRETáRIO: Prof. Décio Fulgêncio Alves da Cunha • ASSESSORIA DE COMUnICAçãO: GM3 Comunicação e Consultoria • EDITOR RESPOnSáVEL: Manoel Marcos Guimarães (JP 1587/MG) • EDIçãO, PROJ. GRáFICO e DIAGRAMAçãO: Communicatio (31) 3286-1422 • TIRAGEM: 7,5 mil. As Faculdades são uma instituição de ensino superior, de natureza privada, sem qualquer vínculo com órgão público, tendo como entidade mantenedora a Sociedade Civil denominada Centro Educacional de Formação Superior (Cefos). PRESIDEnTE: Prof. José Barcelos de Souza• SECRETáRIO: Prof. Haroldo da Costa Andrade • DIR. FInAnCEIRO: Prof. Osmar Brina Corrêa Lima e-mail: [email protected] Home page - http:// www.mcampos.br Tel.: (31) 3289-1900 • CAMPUS I - Rua Milton Campos, 202 • CAMPUS II - Alameda da Serra, 61 Bairro Vila da Serra - nova Lima - MG Caixa Postal 3268 - Cep 30140-970 - BH “ Wilson Chaves” à aluna Fernanda Cabral Bittencourt, que se destacou entre todos os formandos pelo aproveitamento final e pela participação nas atividades discentes. Juramento O seguinte juramento dos bacharéis foi lido pelo formando Gustavo Drummond Lima Caldeira: Juro, no exercício de minha profissão, buscar a verdade e agir com competência e dignidade. Comprometo-me a atuar com destemor e lealdade em prol da administração da justiça e pugnar pela liberdade e pelo bem comum. Assumirei, como forma maior de atingir esta tão sonhada justiça, o compromisso de defender a supremacia da Constituição, a intangibilidade dos direitos fundamentais e de repelir quaisquer práticas atentatórias à sua liberdade, pois, sem aquela, não há direito que sobreviva, justiça que se fortaleça, nem paz que se concretize. Juro, afinal, não permitir que este juramento se torne meras palavras irreais e instrumento de manipulação do poder. ” São os seguintes os bacharéis que colaram grau: ADRIANA CARVALHO ASSUNÇÃO, ADRIANO KOSLIDES MITRE, ALEX DA SILVA ALVARENGA, AMANDA DE OLIVEIRA, AMANDA LUIZA SANTOS MOREIRA, ANA BEATRIZ RAUSSE DE ALMEIDA, ANA JÚLIA DA CUNHA PEIXOTO REIS, ANA LUIZA MAGALHÃES LOBATO, ANA PAULA SALGADO RODRIGUES GOMES, ANDRÉ ROSCOE PAPINI GALÉRY, ANTONIO CARLOS SUPPES DOORGAL DE ANDRADA, ANTONIO FERRO COSTA DE MAGALHÃES CASTRO, ARIANA LAURA OLIVEIRA E SILVA, ATHOS MARTINS SILVA, BÁRBARA DE OLIVEIRA MONTEIRO, BERNARDO MONTEIRO DE CASTRO BENDIA, BRENO LOPES FROIS, BRENO LOURENÇO PEIXOTO, BRUNA BRAGA DE DEUS, BRUNA MOURA ZÓLIO DE SOUZA, BRUNO DE ALMEIDA LEWER AMORIM, CAMILA DE SOUZA RODRIGUES, CAMILA JANUZZI NAVES VILELA, CAMILA MACHADO DE MIRANDA, CAMILA ROHLFS PEREIRA, CAROLINA ZEFERINO BASSI, CHARLOTTE GRECO DRUMMOND, CHRISTIANNE LIMA CASTRO FERREIRA, CLARA LAENDER GAZZINELLI, CLEYTON NILO DA COSTA, CRISTINA OTTONI FLÁVIO, DEBORA QUEIROZ ARAUJO SANTOS, DEBORAH MARIA GLAUSS DE LIMA, DEBORAH MARIA VARGAS COSTA, EDSON MARTINS FERREIRA JÚNIOR, EDUARDO DUARTE MOURA LOPES, FELIPE SOARES SALA, FERNANDA CABRAL BITTENCOURT, FERNANDA FRANÇA RIBEIRO, FERNANDA PEREIRA CÂMARA, FERNANDA PINHEIRO NEVES BORGES, FERNANDO OLIVEIRA CARNEIRO, FERNANDO PERSECHINI CÔRTES DE ARAUJO, FILIPE COELHO HUGO, GABRIELA FRAZÃO GRIBEL, GABRIELA SILVA SMITH, GRAZIELLE CAMPOS REIS, GUSTAVO DRUMMOND LIMA CALDEIRA, HENRIQUE BASTOS DE CASTRO PIRES, IARA COSTA SANTOS, ISABELLA BORBA VILELA BORGES, ISABELLA MAGALHÃES PINTO COUTINHO, ÍTALO SAMUEL RODRIGUES CORDEIRO MUNIZ CARDOSO DE JESUS, IZABELA MARQUES DO ESPIRITO SANTO DE FREITAS, JOÃO HENRIQUE DE CARVALHO RASO, JOÃO PEDRO LIMA DE GUIMARÃES VARGAS, JOEL DE PAIVA MONTEIRO, JOSIANE OLIVEIRA DE FREITAS, JULIA MARQUES FERREIRA, JULIANA ACHILLES GUEDES, JULIANA DRUMOND FURQUIM WERNECK, JULIANA MONTEIRO DOS SANTOS, JÚNIO CESAR VAZ, LAIS PENNA PAULA CESAR, LARISSE OLIVEIRA DIAS, LAURA SGROMO PERUGINO, LEONARDO MENDES MALTA DE SOUZA, LETHÍCIA RAMOS PESSO, LETÍCIA SCHIZATTO OLIVEIRA ALVES, LÍVIA SIMAN ALVES, LORRAINE RAFAELA DE PAULA TEIXEIRA, LORRAINY ARAÚJO DE OLIVEIRA, LUANA DE CASTRO LACERDA, LUCAS SALLES MOREIRA ROCHA, LUCIANA BECKER DIAS, LUCIO CARLOS DA SILVA, LUIZA CAVANELLAS DAMASCENO, LUÍZA FILOGÔNIO DE ALMEIDA, LUIZA MAGALHÃES JARDIM, LUIZA OLIVEIRA MASCARENHAS CANCADO, MARIA FERNANDA MACIEL SILVA, MARIA MARTA DE FIGUEIREDO MIRANDA, MARIALICE DUMBÁ SOARES, MARIANA CASTRO SILVEIRA FIGUEIREDO, MARIANA SIQUEIRA DE SOUZA, MARINA MARTINS MACEDO, MATEUS CARVALHO SOEIRO, MAYARA LUPATINI NEGRAES, NARA MARQUES DE OLIVEIRA MATTAR, NATÁLIA ARAUJO DE OLIVEIRA, NATÁLIA FERREIRA PROCÓPIO, NATÁLIA LOURO RODRIGUES DE AGUIAR, NATÁLIA MARTINS BEBIANO, NATÁLIA PRADO IZAR, NATÁLIA XAVIER CUNHA, NÚBIA RAFAELA PINTO REGNE, PABLO GUIMARAES ZOLA CORDEIRO, PAULA HERMONT DINIZ ALVES, PAULA TÂNGARI FERNANDES FIGUEIREDO, PAULO CEZAR MOREIRA ALVES, PAULO LACERDA BOGADO, PEDRO HENRIQUE BARROS NOGUEIRA, PRISCILLA DE BERNARDI ALVES, PRISCILLA MARCIA DE CASTRO GOMES, RAFAEL SOARES GONÇALVES, RAFAELLA RODRIGUES PARDINI, RAÍSSA SALDANHA MACHADO, RENATA ARAÚJO SANTORO, RENATA MARTINS SIMÃO, RONIA ALVES DO AMARAL, SABRINA CORREA ANDRADE, TAMARA HADASSA SOARES DE ÁVILA, THIAGO DA SILVA SANTOS DE MOURA, THIAGO DUCA AMONI, VALESCA RESENDE NOMINATO, VICTOR ABRAS SIQUEIRA, VICTOR FRÓIS RODRIGUES, VICTOR MARTINS DINIZ, VICTOR TAVARES DE CASTRO, VIRGÍNIA BASTOS PENIDO• D E S P E D i D A (ou como foi o Cid Nelson que eu conheci) MATEUS SIMõES DE ALMEIDA* Há seis anos conheci o professor Cid Nelson Safe Silveira, eu com apenas 25 anos de idade e ele quase 50 anos mais velho. Era um sábado, ambos ‘condenados’ a dar aulas para turmas no primeiro horário da manhã. Improvável que um homem de 70 anos fosse sempre o primeiro a chegar à faculdade nas manhãs de sábado, sempre bem disposto e alegre. Por várias vezes tentei chegar à faculdade antes dele, mas nunca consegui. Ao final daquele semestre eu estava chegando às 6h30, para termos mais tempo para conversar, mas ele sempre chegou antes de mim. Nasceu ali a mais improvável amizade, entre dois homens que não se pareciam em nada, mas se entendiam em quase tudo. Pode parecer que nos conhecemos por pouco tempo, mas os que estavam mais próximos sabem que nasceu ali uma amizade para toda a vida. Não bastassem as aulas, nunca tínhamos oportunidade de conversar depois da aula nos sábados, pois ele seguia para seu sítio em Confins, todos os sábados, e não podia alongar a permanência na faculdade. Era um homem de rituais, que seguia com devoção, dando ordem a uma existência tão ativa e atribulada. Com o tempo, aprendi que aquele mesmo senhor viajava semanalmente para o Rio de Janeiro e que durante grande parte da vida também se dirigiu semanalmente ao sul do país, todas as viagens a trabalho, pois viveu conciliando a atuação na iniciativa privada, na Companhia de Petróleo que ele tanto prezava, com os deveres de delegado de polícia, carreira da qual se orgulhava (cumulação que era legalmente possível para ele, em virtude das antigas regras). Para mim, ele foi a personificação dos paradoxos gerados por meus próprios preconceitos, que ele ajudou a destruir. Era policial e religioso. Trabalhou toda a vida com a questão da violência, mas tinha uma conversa leve, um tom suave e sempre uma brincadeira guardada para cada ocasião. Estava velho, quando o conheci, mas permanecia ativo, alegre e disposto. Tinha sofrido muito, mas continuava amando como se nunca tivesse provado dissabores. Foi bom filho, bom marido, bom pai, bom avô, mas nunca negligenciou o trabalho. “ Tinha um carinho por seus alunos, uma alegria por estar em sala de aula e uma disposição que nunca me pareceram combinar com a severidade dos cargos e funções que exerceu e ocupou. ” Fui também aos poucos descobrindo uma infinidade de detalhes sobre essa vida de trabalho e de amor. Contava que acabou se casando com uma filha de militar, união improvável, já que era policial civil. Segundo ele mesmo dizia, fruto de uma dessas paixões à primeira vista. Repetiu inúmeras vezes, para mim, que Glaucy era a mulher da sua vida e que soube disso no primeiro momento em que a viu. Confidenciou várias vezes, mesmo já em seus últimos dias, que não saberia viver sem ela, mas que rezava para que ela soubesse viver sem ele. Trabalhou muito e rompeu muitas barreiras. O irmão mais velho, professor Sidney Safe, por quem ele tinha adoração, foi uma importante influência em sua vida, mas acabou lhe rendendo inimizades. Dizia que o preço foi baixo pela oportunidade de ter o irmão sempre consigo. Gostava de manter os quatro filhos por perto e acredito que não tenha passado um dia de nossas conversas sem que se referisse a cada um deles, sempre alegre com suas conquistas e preocupado com seus problemas, vivia a vida deles como a sua própria, com intensidade. Foi seu neto, César, contudo, quem mudou a sua existência. Esse menino foi muito mais que um neto, foi um filho já na velhice, que veio para desmoralizá-lo, como ele mesmo dizia. Reencontraria, nele, a leveza de uma vida que ainda se inicia. Não amou mais ao César do que aos filhos, mas teve a oportunidade de amar com menos preocupações, com um olhar mais ameno, que apenas a idade permite. Tinha um carinho por seus alunos, uma alegria por estar em sala de aula e uma disposição que nunca me pareceram combinar com a severidade dos cargos e funções que exerceu e ocupou. Era mesmo um homem improvável, com um discurso ácido e irônico, que desafiava os mais atentos, mas soava quase ingênuo aos incautos. Grande, de feições largas, gestos calmos, duro ou suave ao falar, a depender do tema, do momento e do interlocutor. Com carinho, dizia que era meu pai adotivo. Quem me dera... Morreu como viveu, com dignidade, cercado de admiração, afeto e reconhecimento. Ele se foi, mas continuará sendo o meu grande e improvável amigo. Esse texto deveria falar sobre o professor Cid Nelson e as saudades que ele deixou, mas talvez fale mais sobre mim e as impressões que ele plantou na minha vida. Espero fazer jus ao carinho que ele me dedicou e repassar ao menos uma parcela do que ele me deu.• *PROFESSOR NA FACULDADE DE DIREITO MILTON CAMPOS, ADvOGADO DE EMPRESAS E PROCURADOR DA ALMG. J O R N A L D A S FA C U L D A D E S M I LT O N C A M P O S • N . 1 6 8 • A G O S T O / 2 0 1 3 Um homem improvável c A r r E i r A Ex-alunos da Milton Campos conquistam espaço em carreira de delegado de polícia WANESSA SANCHES Vinte e quatro ex-alunos da Faculdade de Direito Milton Campos foram aprovados em concurso, nomeados, empossados recentemente e estão em atividade no cargo de delegado de polícia de Minas Gerais. Como a carreira de Delegado de Polícia desperta a cada dia maior interesse entre os bacharéis em Direito, o Jornal da Milton Campos foi ouvir dois desses ex-alunos: Lorena Vaz de Melo, que é a titular da delegacia em frente ao prédio da FDMC, e Gustavo Gomes, atuando em Elói Mendes, no sul de Minas. A chefe do Departamento de Recrutamento e Seleção da Polícia Civil, Cinara Maria Moreira Liberal, também é ex-aluna da Milton Campos. Ouvimos, ainda, o professor Vitor Kildare, delegado de polícia há 13 anos. Lorena Vaz de Melo J O R N A L D A S FA C U L D A D E S M I LT O N C A M P O S • N . 1 6 8 • A G O S T O / 2 0 1 3 Uma história de paixão pelo trabalho Das salas de aula para a delegacia em frente à faculdade. Esta é a trajetória da exaluna da Faculdade de Direito Milton Campos, Lorena Vaz de Melo, 30 anos, hoje delegada titular da 4ª Delegacia de Polícia de Nova Lima. “Sou apaixonada pelo meu trabalho, cuja conquista se deve em grande parte à base de estudos que a Milton Campos oferece”, explica ela, em entrevista ao nosso jornal. Influenciada pela mãe, Maria do Carmo Silva Vaz de Melo, também advogada, Lorena diz ter escolhido estudar Direito por aptidão pessoal. Conta que entrou para a Milton Campos em fevereiro de 2001 e só não se formou no tempo regulamentar, cinco anos, porque não foi aprovada na matéria ‘Introdução ao Estudo do Processo’, ministrada pelo desembargador da 2ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, professor Caetano Levi Lopes. “Eu era muito nova e fiquei abalada, mas aquela repetência foi a responsável pelo meu maior aprendizado, visto que considero o professor Caetano um verdadeiro mestre, excelente professor e um profissional direcionado, especialmente, pela ética e pela moral. A repetência foi um susto, mas hoje sei que tive mesmo foi um privilégio porque aprendi muito com ele”, relembra. ustavo busca contato mais próximo com a sociedade carente. Na foto, junto com colegas, na formatura; ele é o que está atrás, ao centro Segundo ela, o comprometimento de todos os professores, entre eles promotores, juízes, desembargadores e advogados altamente qualificados, aliado à disciplina que a faculdade impõe é que fazem a diferença na formação do aluno na Milton Campos: “O ritmo de estudo que a faculdade impõe prepara o aluno para o ingresso no mercado de trabalho e o retorno de quem estuda e leva a sério é o sucesso profissional imediato”. Ela diz que a boa formação universitária lhe possibilitou estudar apenas seis meses para conseguir aprovação para o ingresso na carreira de delegado, além de ter sido aprovada no exame da OAB na primeira tentativa. “A carreira de delegada é gratificante”, comenta. O que a encanta sobremaneira é o fato de ser o delegado o primeiro profissional a garantir a paz social, com a relevante tarefa de promover a primeira análise jurídica do fato. Por isso, a importância de um delegado bem formado. Comenta que o perfil do profissional da Polícia Civil está sofrendo alterações e que as exigências dos concursos contribuem para isto. Minas Gerais tem um dos concursos mais difíceis e bem elaborados do país. Por isto, o nível dos profissionais fica cada vez mais apurado, com “sangue novo”. Nesse novo perfil profissional, do policial aplicador de direitos e garantidor da Constituição, a delegada defende maior aproximação da população com as forças de segurança: “A população precisa conhecer a força que possui. Deve, se aproximar mais da delegacia de polícia de seu bairro, levando informações que podem ajudar no combate ao crime”. Gustavo Gomes O contato permanente com os mais carentes Graduado em 2005, Gustavo Gomes, 30 anos, é um dos ex-alunos da FDMC recentemente nomeados e empossados como delegados de polícia em Minas Gerais. Ele assumiu como delegado da 14ª Delegacia de Polícia Civil da Comarca de Elói Mendes, no Sul de Minas Gerais, e credita parcela do seu sucesso profissional ao “nível de cobrança” dos professores da faculdade. Gustavo foi o autor da sugestão que deu origem a essa reportagem. Confira o que ele pensa do Direito e qual caminho precisou percorrer para se tornar um delegado de polícia em Minas Gerais: “ A Milton Campos é uma faculdade de muita tradição no ramo jurídico, por isso não tive dúvidas em entregar a minha formação ‘em suas mãos’. ” O que o levou a cursar Direito? Admiração pelo meu pai, pessoa que obteve muito sucesso e realizações como operador do direito, especificamente na carreira junto ao Ministério Público. Por que na Milton Campos? O que achou do curso? A Milton Campos é uma faculdade de muita tradição no ramo jurídico, por isso não tive dúvidas em entregar a minha formação “em suas mãos”. O curso foi cheio de altos e baixos, mas o saldo final foi amplamente positivo, tanto que, confesso, sinto saudades. Melhores aspectos do curso na Milton Campos. O que considera ruim? Como pode melhorar? A estrutura da Milton Campos sempre foi um ponto positivo, mas o aspecto determinante foi o nível de cobrança dos professores, que acabou forçando os alunos à dedicação extra nos estudos. Na época, devo dizer, não gostava muito, mas hoje reconheço a importância. O que o levou a se preparar para concurso? E como se deu esta preparação? Quanto tempo durou? Qual era a sua rotina de estudo? Desde que me formei sempre tive interesse na carreira pública e, principalmente, na área penal, mas como já estava trabalhando no Tribunal de Justiça, acabei perdendo o foco nos estudos para concurso público. O tempo dedicado ao Tribunal (oito anos) foi de extrema importância, pois ganhei experiência e encontrei pessoas que contribuíram muito para o meu crescimento pessoal e jurídico. Em 2011, no entanto, iniciei com afinco os estudos para concurso público, já focado no concurso para Delegado de Polícia. Estudava pelo menos duas horas por dia, todos os dias, pois tinha que dividir a rotina de estudos com o trabalho. O que o levou a prestar concurso para a carreira de delegado da Polícia Civil? Três foram os fatores que me levaram a escolher a carreira: o fato de ser uma carreira pública, a ligação direta com a esfera penal e o contato próximo com a sociedade em uma área absolutamente carente. O dia a dia em seu trabalho corresponde à sua expectativa profissional? Como é sua rotina? P r r o F i S S i o N A l Fale do que considera bom no trabalho como delegado. O que considero um diferencial na carreira é justamente a ausência de rotina, ao mesmo tempo em que estamos de terno e gravata recebendo o público, atendendo advogados e despachando com juiz e promotor, temos que estar de colete balístico na rua à frente das grandes operações. Fale também do que considera ruim. Há como melhorar? “ O que ainda é ruim na Polícia Civil, especialmente de Minas Gerais, é a carência estrutural, algo que vem mudando rapidamente nos últimos anos. ” O que ainda é ruim na Polícia Civil, especialmente de Minas Gerais, é a carência estrutural, algo que vem mudando rapidamente nos últimos anos. A expectativa de novos avanços, da mesma forma, é bastante interessante, já que a sociedade e o Governo têm olhado para a área de segurança pública com muita atenção. Profissão exige bom preparo emocional, diz professor Kildare Para o delegado geral da Polícia Civil, professor de Direito Penal I e coordenador do Núcleo de Prática Jurídica da FDMC, Vitor Kíldare Viana Perdigão, também ex-aluno, longe do ‘glamour’ de outras profissões, ser delegado de polícia é sinônimo de dificuldade visto que se trata de uma profissão cuja principal característica é enfrentar as agruras do combate ao crime. “Lidar com a violência urbana, tentando contê-la, faz da carreira de delegado uma atividade ingrata e perigosa”, diz, acrescentando que o que dificulta o trabalho “é justamente a falta de entendimento de boa parte da população, despreparada até mesmo para, muitas das vezes, usufruir do trabalho da Polícia”. Vitor Kildare acredita que a base e a qualificação do profissional é que podem fazer a diferença. Delegado há 13 anos, Vitor Kildare afirma que os que pretendem ingressar na profissão devem se preparar também no lado emocional, “pois terão que lidar cada vez mais com o aumento da violência e o despreparo instrumental da polícia no combate ao crime, “mesmo em Minas, onde a categoria vem recebendo especial atenção no que tange ao seu aparelhamento, modernizando-se”. “ Lidar com a violência urbana, tentando contê-la, faz da carreira de delegado uma atividade ingrata e perigosa. Remuneração? Representatividade da classe? A atual remuneração em Minas Gerais, não posso negar, é outro ponto negativo da carreira, mas existe um plano de ajuste salarial já acordado com o governo estadual até 2015 que irá atualizar a remuneração, aproximando-a, entendo eu, da importância do cargo e também da realidade vivenciada em outros Estados. Mensagem para os alunos da faculdade que estão cursando Direito. A fase da faculdade é sem dúvidas uma das melhores de nossas vidas, nela encontramos amigos que nos acompanharão pelo resto da vida e também professores que orientarão os primeiros passos nesse dinâmico e fantástico mundo jurídico, por isso digo, com o conhecimento de quem já esteve aí, aproveitem cada minuto com os amigos e absorvam o máximo que os professores podem oferecer, pois só assim vocês estarão preparados para as dificuldades vindouras. Uma rotina de trabalho pesada O cargo de delegado de polícia se caracteriza pela prestação de serviço em condições adversas de segurança, com risco de vida, cumprimento de horários normais e regulares, sujeitos a plantões noturnos e chamados a qualquer hora do dia, inclusive nos dias de dispensa do trabalho. Realização de diligências em qualquer região do estado ou fora dele e disponibilidade para exercício da “função em qualquer unidade policial sediada no estado de Minas Gerais”. De regime jurídico estatutário, a profissão prevê 40 horas de trabalho semanais, em tempo integral e dedicação exclusiva. O vencimento inicial para o cargo de delegado de polícia, divulgado no edital de abertura do processo seletivo para o último concurso de delegado de polícia, em 2011, foi R$ 5.716,87 (cinco mil, setecentos e dezesseis reais e oitenta e sete centavos). Informações sobre o próximo concurso ou a forma de ingresso na carreira pelo site da Academia de Polícia Civil do Estado de Minas Gerais, www.acadepol.mg.gov.br, cujo Departamento de Recrutamento e Seleção da Polícia Civil tem como chefe a ex-aluna da Milton Campos, também delegada de polícia civil, Dra. Cinara Maria Moreira Liberal. “Na minha época o governador Antônio Anastasia era professor na Milton Campos. Fui aluna dele”, relembra. ” Os ex-alunos delegados São os seguintes os ex-alunos da Milton Campos recentemente aprovados, nomeados, empossados e em atividade no cargo de delegado de polícia de Minas Gerais e os respectivos anos e semestres de suas formaturas: •Fernando Andrade Alvarenga Santos, segundo semestre de 2010; •João César Bicalho Costa Assis, primeiro semestre de 2009; •Henrique Canedo de Castro Pinto, primeiro semestre de 2007; •Melina Isabel Silva Clemente, segundo semestre de 2010; •Marcelo Oliva Galizzi, primeiro semestre de 2006; •Rodrigo Vieira Antunes Oliveira, segundo semestre de 2002; •Thaís Degani Dumont, primeiro semestre de 2008; •Guilherme Mariano Caldeira Coelho, primeiro semestre de 2008; •Mateus Fortini Quintão, segundo semestre de 2005; •Diego Fabiano Alves, segundo semestre de 2010; •Gustavo Gomes, primeiro semestre de 2006; •Vinícius Ramalho Lima, primeiro semestre de 2010; •Matheus Fernandes Pereira, primeiro semestre de 1999; •Ana Carolina Ferreira de Freitas, segundo semestre de 2008; •Adriana das neves Rosa, segundo semestre de 2010; •Luisa de Oliveira Drumond, segundo semestre de 2010; •Ana Paula Lamego Balbino, primeiro semestre de 2005; •Guilherme Melgaço de Alencar Arraes, segundo semestre de 2005; •Lorena Vaz de Melo, segundo semestre de 2005; •Rafael Leandro de Paula Costa, primeiro semestre de 2009; •Karina Resende Oliveira, segundo semestre de 2011; •Robert Carvalhaes Levy, primeiro semestre de 2003; •Adriano Brandão de Castro, primeiro semestre de 2006; •Luiz Alexandre Borille, segundo semestre de 1993.• J O R N A L D A S FA C U L D A D E S M I LT O N C A M P O S • N . 1 6 8 • A G O S T O / 2 0 1 3 Confesso que estou um pouco assustado com o volume de trabalho que encontrei, são muitas as atribuições do delegado de polícia, investigação criminal, setor de trânsito, expedição de documentos, gerenciamento administrativo da delegacia e, ainda, no meu caso, a atribuição de Diretor da cadeia pública. Não há, portanto, uma rotina; a cada dia vivencio uma situação absolutamente diferente. A r t i G o Mais ministérios e a eficiência burocrática J O R N A L D A S FA C U L D A D E S M I LT O N C A M P O S • N . 1 6 8 • A G O S T O / 2 0 1 3 BERNARDO OLIvEIRA COUTO CARvALHO* A criação do 39º Ministério brasileiro foi anunciada no dia 6 de maio pela presidente Dilma Rousseff: a do Ministério da Micro e Pequena Empresa, que “será responsável por formular políticas de apoio, expansão e formalização de empresas de micro e pequeno porte e de artesanato como programas de incentivo de arranjos produtivos, ações de qualificação e extensão empresarial e programas de promoção da competitividade e inovação, por exemplo”. (http://www.folha.uol.com.br) O ministro indicado por Dilma foi o vice-governador de São Paulo, Guilherme Afif Domingos (PSD), que começou sua vida pública como diretor da Associação Comercial de São Paulo na gestão de Paulo Maluf (1976-1979). Empossado em 9 de maio, o novo ministro “informou que sua pasta buscará desburocratizar e aumentar a produtividade do setor. Ele comparou a burocracia ao colesterol”. (http://agenciabrasil.ebc.com.br) Com essa declaração, o ministro fomenta uma discussão interessante: pode a criação de um “novo" sistema burocrático conseguir desburocratizar a burocracia estatal? Primeiramente, é preciso analisar a função e o objetivo da burocracia que está intrínseca em todo o sistema estatal. Um sociólogo que observou a burocracia na sociedade foi Webber, que muito contribui com o estudo deste tema. Para ele, a burocracia enquanto tipo ideal pode “organizar a dominação racional-legal por meio de uma incomparável superioridade técnica que garanta precisão, velocidade, clareza, unidade, especialização de funções, redução do atrito, dos custos de material e pessoal etc”. (Do livro “Um Toque de Clássicos”, de Tania Quintaneiro, Maria Ligia e Márcia Gardênia) Atualmente, o que ocorre no Brasil está muito diferente do sistema de burocracia ideal criado por Webber. Cria-se uma burocracia morosa que prejudica cidadãos e empresas. Uma pequena mostra da ineficiência burocrática são os portos brasileiros. “O comandante de um navio de bandeira estrangeira que chegue ao Brasil precisa entregar 190 informações para as autoridades do governo brasileiro. Às vezes, a mesma informação segue em documentos diferentes para a Receita, a Marinha, a Anvisa e a Polícia Federal. Para sair do país, a situação não é diferente: dos 13 dias da jornada de um contêiner rumo à exportação, seis são gastos com papelada no porto, segundo o Banco Mundial. Cingapura, que tem o melhor desem- penho nesse ranking, gasta um dia; os Estados Unidos, dois. Essa é uma das razões pelas quais o preço para exportar um contêiner no Brasil é mais do que o dobro do cobrado na Europa: US$ 2.215 aqui; US$ 1.028 lá. Apesar do caos logístico para entrar e sair dos portos, a burocracia ainda é o principal problema dos portos brasileiros, segundo pesquisa com usuários feita pelo ILOS (Instituto de Logística e Supply Chain).” (http://www.folha.uol.com.br). Pode-se fazer uma analogia, mutatis mutandis, entre esse cenário burocrático e a metáfora “Diante da Lei”, criada por Kafka. “Ali fica sentado dias e anos. Ele faz muitas tentativas para ser admitido e cansa o porteiro com seus pedidos. Às vezes o porteiro submete o homem a pequenos interrogatórios, pergunta-lhe a respeito da sua terra natal e de muitas outras coisas, mas são perguntas indiferentes, como as que os grandes senhores fazem, e para concluir repete-lhe sempre que ainda não pode deixá-lo entrar.”(O escritor tcheco Franz Kafka viveu entre 1883 e 1924. O conto “Diante da Lei” é de 1919. Do livro Um Médico Rural.) Metaforicamente, não seriam os comodantes dos navios estrangeiros que diante da burocracia estão? Não seriam as perguntas indiferentes feitas pelo porteiro as mesmas feitas 190 vezes ao mesmo navio? Não seria a criação de mais ministérios aumentar o número de porteiros? Com essa mostra conclui-se que a burocracia estatal, que na concepção criada por Webber, deveria ter aspectos de precisão, velocidade e redução dos gastos, tem tomado na realidade um viés de lentidão, ineficácia e aumento de gastos, com sérios prejuízos à economia nacional. Com este atual cenário, retoma-se a questão inicial: pode realmente a criação de mais ministérios, ou seja, novos sistemas burocráticos, melhorar a eficiência da burocracia? Pelos atuais estudos, no que tange à eficiência e número de ministérios e, ainda, pela tendência dos países em desenvolvimento, a resposta seria não. É o que se analisa v.g. quando a China anuncia medidas governamentais que racionalizam os seus ministérios. “Em uma tentativa de aumentar a eficiência do Estado, a China anunciou um plano para racionalizar ministérios. O plano de racionalização inclui diretrizes para restringir e definir melhor as responsabilidades do governo central, limitando a quantidade de licenças necessárias para projetos e o estabelecimento de normas e outras políticas que têm retardado a tomada de decisões.’’ (http://veja.abril.com.br). Um importante estudo publicado na revista da Universidade Cornell, dos Estados Unidos, os físicos Peter Klimek, Rudolf Hanel e Stefan Thurner, depois de estudar a composição ministerial de 197 países, chega à conclusão de que os governos mais eficientes têm entre 19 e 22 membros. Os autores se utilizam de quatro indicadores universalmente aceitos para medir o grau de ineficiência de um governo: Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da ONU; e os indicadores do Banco Mundial sobre Estabilidade Política; Liberdade de Expressão e Votação; e Eficiência Governativa. (http://www.fazenda.gov.br/resenha eletronica). Esses são exemplos, entre outros, da utilização eficiente da burocracia. Portanto, se as “soluções” existem, porque o Brasil não as adota? Porque ir contra a tendência dos países desenvolvidos? Há realmente vontade política em querer mudar o atual cenário? Não estariam aqueles que possuem a prerrogativa para alterar a forma burocrática satisfeitos com o atual sistema? Enfim, retomando a atemporal metáfora de Kafka, [“durante todos esses anos o homem observa o porteiro quase sem interrupção. Esquece os outros porteiros e este primeiro parece-lhe o único obstáculo para a entrada na lei. Nos primeiros anos amaldiçoa em voz alta e desconsidera o acaso infeliz; mais tarde, quando envelhece, apenas resmunga consigo mesmo.”], não estaríamos nós, cidadãos, conformados, somente resmungando conosco mesmo e esquecendo de exigir um sistema burocrático que anseia por renovações?• *ALUNO DO 3º PERíODO. ARTIGO REvISADO PELAS PROFESSORAS CHRISTIANA NORONHA RENAULT E PATRíCIA HENRIqUES RIBEIRO A r t i G o LUCIANO SANTOS LOPES* Escrever sobre Direito Penal em um veículo de comunicação de massa é especialmente complicado e, igualmente, muito instigante. Explica-se. É necessário transmitir a informação de forma acessível ao leitor, expondo a questão de forma técnica, e evitando o fundamento meramente ideológico. Este artigo tratará brevemente de uma destas dificuldades, ligada à criminalização por dolo eventual. Neste sentido, vejam-se as questões de trânsito, entre outras tantas situações fartamente noticiadas. Sobre o tema, há uma premissa: a dogmática penal não sabe lidar adequadamente com os tipos penais culposos. Já é tempo de pensar em graduação de culpas (leve, grave etc.), para que possamos diferenciar adequadamente as várias possibilidades e intensidades de condutas negligentes. Veja-se o exemplo: parece não haver dúvida de que o homicídio culposo não tem uma resposta punitiva adequada, levando-se em consideração os princípios da proporcionalidade e o da ofensividade. A pena do referido tipo penal negligente está desproporcional em relação à ofensa ao bem jurídico tutelado. O desvalor da ação em questão pode ali ser mensurado de forma mais intensa, na resposta judicial. Tema para os nossos legisladores. Todavia, não se pode tentar resolver esta questão, claramente dogmática, com um critério meramente político-criminal. Explica-se. A diferença entre dolo eventual e culpa consciente é questão atinente à dogmática penal. Há estudos sérios e densos sobre o tema, com teorias que a todo tempo se atualizam: vejam-se a teoria da probabilidade, do dolo normativo, etc. Particularmente, parece insustentável discutir a diferença entre estes dois institutos sem analisar a questão do bem jurídico. Todavia, diante da gravidade de alguns fatos ocorridos, e da pena desproporcionalmente pequena imposta ao homicídio culposo, argumentos mais conservadores resolveram trazer a questão da conceituação do dolo para a política criminal. Seria uma forma bem pragmática de corrigir a distorção entre o desvalor da ação do crime culposo, e sua resposta punitiva. P u b l i c A ç ã o Contudo, a segurança jurídica resta ameaçada quando se usa a política criminal desta forma. Alterar conceito dogmático em razão de necessidades políticoscriminais de urgência é um erro, que retira dela (dogmática penal) algumas funções importantíssimas: controle da interpretação da norma; melhor definição técnica para o caso; controle da subjetividade do operador jurídico no momento de aplicação da norma; etc. Repete-se: não há concordância com as penas previstas para o homicídio culposo. Mas, daí a distorcer o Direito Penal, vai um caminho muito longo e impossível de ser trilhado. Fere a própria noção de legalidade estrita e, o que é pior, não reduz índices de criminalidade da forma pretendida. Traz uma sensação apenas simbólica de proteção social. Pensar em dolo eventual, nas situações que dogmaticamente comportam apenas culpa consciente, parece desarrazoado. Não se pode desconsiderar este argumento (dogmático), em virtude da pretensa evitação destes delitos (nos lamentáveis acidentes de trânsito, por exemplo). Claro que há a maior legitimidade neste pleito (de prevenção de mortes negligentes, por exemplo), posto que inúmeras vidas estão sendo perdidas para a violência do trânsito, diariamente. Isto não se discute, por óbvio. Contudo, as distorções conceituais trazidas ao debate trazem insegurança jurídica e dão origem a uma sensação apenas simbólica de reação social. Não é transformando dolo em culpa que a violência negligente será contida. A questão é mais profunda e tem outras nuances. Devemos procurar outras formas de intervenção estatal, que seriam mais eficazes, inclusive. Não confundamos política criminal com dogmática jurídico-penal. O caminho aparentemente mais fácil para a punição não é, necessariamente, o mais correto e adequado aos fins constitucionalmente eleitos para a regulação social, pelo Direito Penal. E, evidentemente, já é tempo de pressionarmos o Congresso Nacional para uma reorganização típica dos crimes culposos, para que a tutela dos bens jurídicos ali protegidos seja efetiva e séria. Por fim, fica um convite à reflexão. Os operadores do sistema penal se protegem da exposição social e midiática, usando a dificuldade de compreensão do argumento jurídico como redoma. O meio acadêmico realiza igual procedimento de isolamento. E, pensa-se, esta atitude nem sempre é consciente. Na maioria das vezes é até mesmo involuntária. Assim, é natural que a sociedade obtenha suas conclusões sem um argumento técnico mais ajustado, ficando cética quanto ao papel desempenhado pelo jurista. É preciso mudar isso. É necessário que as discussões dogmáticas, tão caras ao Direito Penal, tenham assento nas crônicas e noticiários sobre a criminalidade anunciada. Torna-se fundamental a conscientização sobre o papel do Direito na regulação social. Vamos voltar a estudar a dogmática penal de forma séria. Cursos simplificados, apostilas prontas e roteiros esquemáticos têm seu valor, por evidente. Todavia, simplificam de tal forma o Direito Penal, que impedem uma reflexão séria sobre seus institutos e, o que é pior, não conseguem criar o link da teoria com a prática judiciária. O resultado é incompreensão de como a punição deve ser regrada tecnicamente. Aprender Direito Penal leva tempo e exige crítica constante.• *PROFESSOR ADJUNTO DA FDMC; DOUTOR EM DIREITO PELA UFMG; DIRETOR DO INSTITUTO DOS ADvOGADOS DE MINAS GERAIS - IAMG; ADvOGADO CRIMINALISTA. [ARTIGO ORIGINALMENTE PUBLICADO NO ESTADO DE MINAS DO DIA 28/06/2013, CADERNO ‘DIREITO & JUSTIçA’] D E A r t i G o S O espaço para artigos é aberto a professores, alunos e ex-alunos das Faculdades Milton Campos. Envie o seu para [email protected]. O texto deve ter de 4.000 a 6.000 caracteres (com espaço), ser identificado com o nome do autor, telefone para contato e, no caso de estudantes, nome do professor responsável pela revisão. Mande também sua dica para a ilustração. Os artigos são publicados por ordem de chegada. N o t A Os professores e alunos interessados em encaminhar artigos para publicação no ESTADO DE MInAS poderão fazê-lo por intermédio da Assessoria de Comunicação da faculdade: [email protected] J O R N A L D A S FA C U L D A D E S M I LT O N C A M P O S • N . 1 6 8 • A G O S T O / 2 0 1 3 Uma pequena reflexão sobre o direito penal Escreva para o Jornal da Milton Campos e acumule 50 pontos e 10 horas de atividades complementares. Seu artigo deve ser revisado por um professor. FECHAMENTO AUTORIZADO, Envie para: [email protected] PODE SER ABERTO PELA ECT. E x t E N S ã IMPRESSO ESPECIAL Contrato n.º 9912238913 ECT DR/MG Centro Educ. Form. Superior o J O R N A L D A S FA C U L D A D E S M I LT O N C A M P O S • N . 1 6 8 • A G O S T O / 2 0 1 3 Oficina dá noções de Direito e Economia a paraplégicos Alunos do 1º período e professores do curso de Direito da Milton Campos participaram em 27 de maio último de uma oficina sobre “Direito e Economia - noções simples para o dia a dia” junto à União dos Paraplégicos de Belo Horizonte (Unipabe), com o objetivo de levar à entidade auxílio em pequenas questões cotidianas que possam facilitar a rotina diária do público-alvo atendido. A atividade de extensão foi coordenada pela professora Luciana Souza, segundo quem o público da Unipabe é “composto por pessoas idosas, cujas dificuldades na administração orçamentária pessoal e quanto ao conhecimento sobre seus direitos básicos, nas relações de consumo principalmente, tornam necessário o comprometimento da Faculdade Milton Campos com a comunidade externa”. A realização da oficina teve apoio das professoras Dinorá Carla de Oliveira Rocha Fernandes, coordenadora do Piepi, e da Prof.ª Sandra Mara S. Rodrigues Carsalade, coor- denadora de Atividades Complementares. Participaram as alunas Marcela Nagy Prado Gonçalves e Nathália Mitsue Tanigaki e o aluno Diogo Marcelino Correa, que se envolveram em todas as etapas, desde a preparação até a realização da oficina. A atividade terá continuidade no segundo semestre, com envolvimento dos alunos, contemplando uma abordagem multidisciplinar entre Direito, Sociologia e Economia. Professora Luciana e os alunos na Unipabe Assistência Previdenciária O Programa de Inclusão e Educação Previdenciária (Piep) da FDMC voltará à Unipabe em 17 de agosto, para prestar esclarecimentos aos usuários da entidade sobre a Lei Complementar 142, de 8 de maio de 2013, que regulamenta o parágrafo D A c o N Nova Diretoria Foi eleita e empossada em junho último a nova diretoria do Diretório Acadêmico Orozimbo Nonato (Dacon), Gestão Ação, para o período 2013/2014, integrada pelos seguintes membros: Presidente: João Gabriel Fassbender Barreto Prates Vice-presidente: Felipe Motta Paolucci 1º. secretário: Guilherme Gosling de Oliveira Lott Lage 2ª. secretária: Fabiane Barbosa Marra 1ª. tesoureira: Ana Luiza Pereira Braga 2º. tesoureiro: Marcus Vinícius de Oliveira Castro • 1º do artigo 201 da Constituição Federal, que diz respeito à aposentadoria da pessoa com deficiência no Regime Geral da Previdência Social. A atividade vai durar toda a manhã e terá a participação de alunos da faculdade, sendo esperada a presença E x t E de cerca de 300 pessoas com deficiência. A palestra de esclarecimentos será feita pela professora Dinorá Carla Oliveira de Rocha Fernandes, coordenadora do Piep, que também fará atendimento personalizado aos presentes que necessitarem.• N S ã o Grupo fará estudos sobre Lei de Execução Penal A Faculdade de Direito Milton Campos criou uma Comissão para Estudos da Lei de Execução Penal, com o objetivo de elaborar propostas técnicas que serão enviadas à Comissão de Juristas, instituída pelo Senado Federal para a reforma da Lei de Execução Penal e da qual faz parte o professor Luciano Santos Lopes, Coordenador da Área Penal na Graduação e Coordenador da PósGraduação em Ciências Penais. O grupo de estudos da FDMC começará seus trabalhos, efetivamente, no mês de agosto. Compõem a Comissão as professoras Ana Paula Diniz (presidente), Carla Silene Lisboa (relatora), Electra Benevides, todas da FDMC; os desembargadores Herbert Carneiro, presidente da Amagis, e Jane Silva; o juiz de direito da Comarca de Nova Lima Juarez de Azevedo; a professora Virginia Afonso, representando o corpo discente do mestrado da FDMC; o advogado Lécio Costa, representando o corpo discente da pós-graduação/especialização em Ciências Penais da FDMC; o acadêmico Caio Seabra, representando o Dacon; e os professores José Barcelos de Souza, presidente do Cefos e Marcos Afonso de Souza, vice-diretor da FDMC, como consultores especiais.•