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A RELAÇÃO DA INFECÇÃO HOSPITALAR E O DIMENSIONAMENTO
ADEQUADO DE ENFERMEIROS 1
Mercúrio, Magda Teresa 2
Nicola, Anair Lazzari3
Fernandes, Luciana Magnani 4
Alves, Débora Cristina Ignácio5
Introdução: A participação da enfermagem na qualidade da assistência está
diretamente relacionada com a forma pela qual o quadro de pessoal de
enfermagem está organizado1. Isso reflete na carga de trabalho diário dos
profissionais de enfermagem e está diretamente relacionada com a qualidade da
assistência prestada aos pacientes, bem como com os custos hospitalares
decorrentes do quadro de profissionais de enfermagem e interfere diretamente na
eficácia e na qualidade da assistência1,2. Mensurar e avaliar os efeitos da
assistência prestada ao paciente internado é de extrema relevância, pois
possibilita a adequação do quantitativo de profissionais de enfermagem às
necessidades de cuidado do paciente, de maneira individualizada. Para isso, é
necessário que os enfermeiros lancem mão do uso de ferramentas que auxiliem a
gerenciar cada unidade de internação, bem como, as necessidades individuais
dos pacientes, direcionadas à qualidade da assistência e segurança da equipe de
enfermagem e do próprio paciente3. Estudo realizado num hospital universitário
do interior do Paraná comparou o quadro de pessoal de enfermagem existente
com o projetado e encontrou um déficit de 50% de enfermeiros e um excedente
médio de 29,2% de auxiliares de enfermagem, nas três unidades de clínica
médica e cirúrgica estudadas3. Esse resultado possibilita inferir que determinadas
ações de enfermagem em pacientes de maior complexidade e gravidade que
deveriam ser executadas pelo enfermeiro, segundo a Lei do Exercício
Profissional, dada a insuficiência desse profissional, poderiam ser desenvolvidas
pelo pessoal de nível médio3. Todas as ações de enfermagem devem ser
direcionadas para o melhor cuidado e a melhor prática. A falta de profissionais de
Extraído do Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de Enfermagem da UNIOESTE,
Campus de Cascavel em 2008.
2
Enfermeira. Especialista. Goioerê – PR.
3
Enfermeira. Doutora. Professora do Curso de Enfermagem. UNIOESTE – Campus de Cascavel. Cascavel–
PR. (45) 3220 3147. [email protected]
4
Enfermeira. Doutora. Professora do Curso de Enfermagem. UNIOESTE–Campus de Cascavel. Cascavel–
PR.
5
Enfermeira. Mestre. Professora do Curso de Enfermagem. UNIOESTE–Campus de Cascavel. Cascavel–PR.
1
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enfermagem capazes de atender, com qualidade e segurança, as necessidades
dos pacientes, aumenta os riscos para o paciente e para os membros da equipe o
que promove o afastamento do trabalhador do seu local de trabalho, e com isso,
diminui o dimensionamento temporariamente desencadeando sobrecarga de
trabalho2. Na enfermagem, alguns indicadores clínicos e de cuidados são
utilizados para medir os níveis de qualidade do cuidado prestado, entre eles
destaca-se, os índices de infecção hospitalar. Segundo o Ministério da Saúde, as
infecções hospitalares constituem risco significativo à saúde dos usuários dos
hospitais, e sua prevenção e controle envolvem medidas de qualificação da
assistência hospitalar. Estudos demonstram que o provimento inadequado de
enfermeiros está associado ao aumento de infecções colocando em risco a
segurança do paciente e a qualidade da assistência. Assim sendo, consideramos
que para assegurar a qualidade da assistência é imprescindível um quantitativo
de pessoal adequado às necessidades individuais dos pacientes. Objetivo:
analisar o quantitativo de profissionais enfermeiros de um hospital universitário e
relacionar com um dos indicadores de qualidade da assistência, o índice de
infecção hospitalar, nos resultados da assistência. Metodologia: Trata-se de um
estudo de abordagem, descritiva, transversal e retrospectiva. A amostra foi
composta pelos casos de infecções hospitalares ocorridas nas unidades de clínica
médica e cirúrgica no período de janeiro a dezembro de 2003, num total de 124
casos. As infecções foram identificadas segundo topografia como infecções: do
trato respiratório, do sítio cirúrgico, da corrente sanguínea e sistema
cardiovascular, do trato urinário e outros (infecções de pele e partes moles). As
informações foram coletadas nos registros de enfermagem de cada prontuário a
fim de buscar a relação das infecções hospitalares com a assistência de
enfermagem. Resultados: O tipo de infecção encontrada com maior freqüência
foi a infecção do trato respiratório que somou 29,0% (36 casos) do total de
infecções, predominando as pneumonias. A maioria das pneumonias hospitalares
é devida aos microorganismos que colonizam a orofaringe, e a aspiração destes
representa o principal mecanismo de aquisição das pneumonias. A falta de
cuidados de enfermagem aumenta não só as infecções hospitalares como
também favorece o desenvolvimento de seqüelas. As conseqüências clínicas e
econômicas da pneumonia são incontestáveis. Estudos comprovam que a baixa
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Trabalho 2102 - 3/4
relação de enfermeiros por paciente aumenta o risco de pneumonias associadas
aos procedimentos de enfermagem4. O segundo tipo de infecção encontrado com
maior freqüência foi a infecção do sítio cirúrgico, com 23 casos (18,5%). A
infecção de ferida operatória representa uma parcela significativa das infecções
hospitalares, prolongando o tempo de permanência do paciente e elevando os
custos hospitalares, a morbidade, os problemas psicossociais e a incapacidade.
Os cuidados de enfermagem se fazem importantes na prevenção destas
infecções e também na garantia da qualidade da assistência perioperatória.
Garantir o preparo e controles adequados são atribuições que competem ao
enfermeiro e a equipe sob sua supervisão e que ajudam e prevenir infecções. As
infecções do trato urinário somaram 17,8% (22 casos). Em torno de 80% das
infecções do trato uninário adquiridas nos hospitais estão relacionadas ao uso do
cateter vesical de demora5. Estas podem ser ocasionadas devido a diversos
fatores, entre eles: inadequada preparação da área periuretral pré-inserção do
cateter, má técnica asséptica para introdução do cateter, entre outros. Com mais
horas de enfermagem por dia há uma menor taxa de infecção hospitalar do trato
urinário,
ressaltando
a
importância
do
dimensionamento
adequado
de
profissionais de enfermagem na redução das infecções do trato urinário
adquiridas no hospital5. Os casos de infecção da corrente sanguínea e sistema
vascular somaram 16,9% totalizando 21 casos. Estudos demonstram que em
unidades de atendimento a pacientes com alta dependência, os níveis desse tipo
de infecção diminuíram com aumento das horas de enfermagem 4. As infecções
classificadas como outros somaram 22 casos, representando 17,8%. Estes casos
correspondem principalmente às infecções de pele e partes moles, na sua grande
maioria representada pelas úlceras por pressão, adquiridas durante a internação
ou em internações anteriores e àquelas adquiridas na comunidade. As úlceras por
pressão podem representar, dentre outros fatores, a falha na qualidade da
assistência, refletindo em muitos casos os níveis de cuidados de enfermagem.
Conclusão: A abrangência e importância da atuação dos profissionais
enfermeiros têm sido evidenciadas em diferentes estudos que demonstram que
quanto menor o número de enfermeiros que realizam a assistência, maior é o
tempo de permanência do paciente no hospital em função do elevado índice de
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eventos adversos advindos das ações e procedimentos realizados diretamente no
paciente.
Palavras-chave: Dimensionamento de pessoal, assistência de enfermagem,
infecção hospitalar.
Referências
1. Gaidzinski RR. O dimensionamento de pessoal de enfermagem em instituições
hospitalares. [tese] São Paulo: Escola de Enfermagem,Universidade de São
Paulo; 1998.
2. Feldman LB. Gestão de risco e segurança hospitalar. São Paulo: Martinari;
2008.
3. Nicola AL, Anselmi ML. Dimensionamento de pessoal de enfermagem no
Hospital Universitário do Oeste do Paraná. Rev. Bras. Enf. 2005; 58(2):186-90.
4 . Hugonnet S, Uçkay I, Pittet D. Staffing level: a determinant of late-onset
ventilator-associated pneumonia. Critical Care. 2007; 11(4): 1-7.
5 . Sujijantararat R, Booth RZ, Davis LL. Nosocomial urinary tract infection:
nursing-sensitive quality indicator in a Thai hospital. J Nurs Care Qual. 2005;
20(2):134-9.
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