POTENCIAL DE USO DE ÁGUA DE CHUVA PARA ABASTECIMENTO: O
CAMPUS BÁSICO DA UFPA – BELÉM.
Ricardo Angelim da Silva1; Ronaldo Lopes Rodrigues Mendes2; Gustavo Neves Silva1; Antônio de
Noronha Tavares3; Ana Carla Bezerra dos Santos1; Julianne Marinho dos Santos1; Jocivaldo
Souza da Conceição1; Rogério de Souza Aguiar1; Hermes Matos do Nascimento4
Resumo – O aproveitamento dos recursos hídricos para fins de abastecimento humano precisam ser
vislumbrados em todo o seu ciclo para minimizar o déficit, como ocorre na Amazônia. Uma
alternativa é o uso das águas pluviais, ainda bastante negligenciadas. Este trabalho demonstra o
emprego de um método simples para definir o potencial de uso da água de chuva em 57 edificações
um Campus da UFPA em Belém. Para tanto, considerou os índices pluviométricos locais, as áreas
dos telhados e as demandas específicas. Em todas as edificações investigas, o potencial de uso da
água de chuva é positivo ao longo de todos os meses do ano, o que demonstra que podem ser
abastecidas por águas pluviais. O que é um bom exemplo de como o uso deste recurso pode ampliar
o abastecimento em áreas amazônicas.
Palavras-Chave – Água de chuva, Recursos hídricos, Amazônia.
ANALYSIS OF ONE ALTERNATIVE TO COLLECTION FOR THE USE OF WATER
IN THE WATERSHEDS OF GUAMÁ RIVER - PA
Abstract – The use of water for purposes of drinking water need to be glimpsed throughout your
cycle to minimize the deficit, as occurs in the Amazon. An alternative is the use of rainwater, yet
quite neglected. This paper shows the use of a simple method to define the potential use of
rainwater in 57 buildings on one campus UFPa Belém. Therefore, we considered the local rainfall,
areas of roofs and specific demands. In all buildings investigas, the potential use of rainwater is
positive throughout all months of the year, which shows that can be filled by rainwater. What is a
good example of how the use of this feature can expand the supply of Amazonian areas.
Keywords – Rain water, water resources, Amazon.
________________________
1
*Graduando em engenharia Sanitária e Ambiental - Universidade Federal do Pará. [email protected].
do Núcleo de Meio Ambiente – Universidade Federal do Pará. [email protected].
3 Professor do Instituto de Tecnologia – Universidade Federal do Pará. [email protected].
4 Graduando em Engenharia Civil – Universidade Federal do Pará. [email protected].
2 Professor
XX Simpósio Brasileiro de Recursos Hídricos
1
INTRODUÇÃO
Apesar de a Amazônia possui cerca de 12% de toda a água doce superficial do planeta (ANA,
2011), o acesso à água potável ainda é deficitário. O estado do Pará possui cerca de 40% de seus
municípios distribuindo água sem nenhum tratamento. No Amazonas são 38,7% (IBGE, 2008). Isto
demonstra que mesmo sendo grandes detentores de água, isto não garante o atendimento.
Para efeito de contextualização é relevante citar que Belém (capital do Pará) possui 1.393.399
habitantes (IBGE, 2010) e dois sistemas públicos de abastecimento. Está localizada em uma região
com aquíferos granulares que se estendem até pelo menos 300 m de profundidade (Barreiras e
Pirabas), com uma reserva reguladora estimada em 34,08x109 m3/ano (CPRM, 2001), índices
pluviométricos médios em torno de 2.800 mm/ano (INMET, 2011) e com cursos de água superficial
com mais de 50 km2 de espelhos d’água (Mendes, 2005).
Ainda assim, os problemas de abastecimento são severos. Em 2003, eram cerca de 160 mil
pessoas sem acesso à água (Mendes 2005 e Mendes et al 2012). Atualmente cerca de 12,4% da
população urbana (aproximadamente 172 mil pessoas) não é atendida por nem um sistema de
abastecimento (Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento Básico - SNIS 2012). Os
problemas na gestão são significativos (Mendes, 2005; Fenzl et al., 2010; Mendes e Fenzl, 2011).
Os motivos para isto são vários, como a má gestão e o pouco investimento financeiro. Independente
da causa, algumas alternativas para minimizar a limitação no atendimento precisam ser
vislumbradas. Assim, o emprego da água de chuva, mesmo que somente para fins não potáveis, se
mostra uma alternativa concreta e este trabalho procura apresentar uma demonstração do potencial
de aproveitamento da água de chuva no Campus da Universidade federal do Pará, em Belém
(Figura 1).
Este trabalho tem como objetivo calcular o potencial de aproveitamento de água da chuva nas
edificações do campus básico da Universidade Federal do Pará, e assim demonstrar a possibilidade
do uso da água pluvial no abastecimento nas edificações estudadas.
O POTENCIAL DE USO DA ÁGUA DE CHUVA PARA ABASTECIMENTO
O abastecimento de água precisa de elevado nível de segurança, tanto em termos de
quantidade quanto em qualidade. Para este trabalho, nosso foca é a quantidade. Assim, o estudo do
potencial de aproveitamento de água de chuva implica em comparar a demanda de cada edificação e
o respectivo volume possível de ser captado, considerando a pluviosidade e a área dos telhados.
Alguns métodos tem sido empregado no Brasil e conseguem dar suporte satisfatório.
Com boa difusão, está o método empregado por Ghisi et al. (2006) que usa os dados de
precipitação, população atendida por serviço de abastecimento de água, consumo de água potável,
população, número de domicílios e porcentagem de casas e apartamentos. Com este método, Lima
et al. (2011) calcularam o potencial de economia de água potável de 40 cidades investigadas na
Amazônia Ocidental, e afirmam que em 95% das cidades investigadas, o potencial de economia de
água é superior a 50%.
XX Simpósio Brasileiro de Recursos Hídricos
2
Figura 1: Mapa de localização da área estudada.
Fonte: Autores.
MÉTODO
Para medir o potencial de aproveitamento de água de chuva em no Campus Básico da UFPA
em Belém, o método empregado neste trabalho possui a mesma base daquele empregado por Ghisi
et al. (2006) e replicado por Lima et al. (2011) no que tange (a) definição da disponibilidade de
água pluvial; (b) identificação da infraestrutura de captação; e (c) definição da demanda. Mas adota
mais especificamente o método de Flores et al (2012), a saber:
Pluviosidade: obtida a partir das medidas de pluviosidade da região de Belém fornecidos pelo
Instituto Nacional de Meteorologia (INMET, 2011). Foi usada a série histórica para todos os meses
do ano (1961 até 1990) da Estação 2º DISME do Instituto, correspondente à cidade de Belém.
Captação: medição de áreas 57 edificações do Campus básico da UFPA em Belém a partir da
planta fornecida por UFPA (2012). (Figura 2).
Demanda: foram usados os dados de consumo diário hidrometrado levantados por Sá (2012) nas 57
respectivas edificações do campus Básico da UFPA em Belém.
XX Simpósio Brasileiro de Recursos Hídricos
3
Figura 2: Planta baixa do setor básico da UFPA
Fonte: Prefeitura Universitária UFPA.
Cálculo do potencial: considera-se que para cada 1 mm de chuva que recaia sobre 1 m2 de telhado,
seja captado 1 l de água. Assim, se ocorrer 100 mm de chuva em um mês em um telhado com 100
m2, seriam captados 10.000 l, ou seja, 10 m3.
Em seguida são comparadas as quantidades que podem ser acumuladas em cada telhado e a
respectiva da edificação. O potencial é expresso em % de atendimento a demanda.
RESULTADOS
Pluviosidade: Marcadamente a sazonalidade se expressa em um período chuvoso de dezembro a
maio e outro menos chuvoso, de junho a novembro (Figura 3). Pelo menos 100 mm de precipitação
estão disponíveis durante todos os meses do ano.
XX Simpósio Brasileiro de Recursos Hídricos
4
Figura 3: Normais Climatológicas.
Fonte: INMET 2012
Captação: As áreas de telhados apresentadas possuem tamanhos bastante variados, até mesmo
porque referem-se a diversas tipologias (prédios administrativos, salas de aula, laboratórios, etc.). O
tamanho máximo é 3.841 m2 e o menor 30,52 m2.
Demanda: Em cada uma das 57 edificações, temos as demandas hidrometradas, as quais são
bastante variadas, mesmo porque são de tipologias diferentes, o que implica necessariamente em
número variado de indivíduos, horas de permanência e formas de uso.
Por falta de espaço, somente alguns dados de área de telhados e do volume mensal acumulado
são mostrados na tabela 1. No conjunto geral dos dados, volumes mensais de acumulação são
bastante variados, o maior foi de 1.694.265 litros e o menor de 3.330 litros.
Na Tabela 2 são apresentados os potenciais de uso de água de chuva. Também por falta de
espaço, somente algumas edificações são mostradas. Mas de uma forma geral, todas as edificações
estudadas possuem potencial positivo de aproveitamento de água da chuva (apresentados em %
positivo), em outros termos, todas as 57 edificações do Campus Básico estudadas podem ser
abastecidas seguramente com água de chuva.
XX Simpósio Brasileiro de Recursos Hídricos
5
Tabela 1 – volume de água mensal acumulado ao longo e todos os meses em algumas edificações
do Campus básico da UFPA em Belém.
SETOR
ÁREA DO
TELHADO (m²)
VOLUME MENSAL ACUMULADO (LITROS)
Jan
Pórtico I – Portão
Principal
Prefeitura do
Campus
Editora
Universitária
Livraria
Universitária
217,8
340,74
116
174,75
Anexo –
RU(Restaurante
644,56
Universitário)
RU – Restaurante
Universitário
726,67
XX Simpósio Brasileiro de Recursos Hídricos
Fev
Mar
Mai
Jun
Jul
77341
Jul
87948
Ago
96072
Set
83897
Out
61899
Nov
37004
Dez
33258
Jan
27007
Fev
27639
Mar
24219
Mai
23762
Jun
48831
Jul
120997
Jul
137591
150300
131253
Ago
Set
Out
96838
Nov
57892
Dez
52031
Jan
42252
Fev
43240
Mar
37890
Mai
37175
Jun
76394
Jul
41192
Jul
46841
Ago
51168
Set
44683
Out
32967
Nov
19708
Dez
17713
Jan
14384
Fev
14720
Mar
12899
Mai
12656
Jun
26007
Jul
62054
Jul
70564
Ago
77082
Set
67314
Out
49664
Nov
29690
Dez
26684
Jan
21669
Fev
22176
Mar
19432
Mai
19065
Jun
39179
Jul
228883
260273
284315
248285
183184
109511
Jul
Ago
Set
Out
Nov
Dez
98424
Jan
79925
Fev
81795
Mar
71675
Mai
70321
Jun
144510
Jul
258041
293429
320534
279913
206520
123461
Jul
Ago
Set
Out
Nov
Dez
110.963
90.107
92.214
80.806
79.280
162.919
6
Tabela 2 - Potencial de aproveitamento de água de chuva ao longo e todos os meses em algu-mas
edificações do Campus básico da UFPA em Belém.
CONSUMO
SETOR
MENSAL
VOLUME MENSAL ACUMULADO (LITROS)
(LITROS)
Pórtico I – Portão
Principal
Prefeitura do
Campus
Editora
Universitária
Livraria
Universitária
56000
142000
68000
43400
Jan
Fev
Mar
Mai
Jun
Jul
138%
Jul
157%
Ago
172%
Set
150%
Out
111%
Nov
66%
Dez
59%
Jan
48%
Fev
49%
Mar
43%
Mai
42%
Jun
87%
Jul
85%
Jul
97%
Ago
106%
Set
92%
Out
68%
Nov
41%
Dez
37%
Jan
30%
Fev
30%
Mar
27%
Mai
26%
Jun
54%
Jul
61%
Jul
69%
Ago
75%
Set
66%
Out
48%
Nov
29%
Dez
26%
Jan
21%
Fev
22%
Mar
19%
Mai
19%
Jun
38%
Jul
14%
Jul
16%
Ago
18%
Set
16%
Out
11%
Nov
7%
Dez
6%
5%
5%
4%
4%
9%
CONCLUSÕES
Uma forma de atenuar as possibilidades de déficit no abastecimento das populações humanas é
a intensificação do uso de recursos que atualmente ainda são negligenciados, como é o caso da água
de chuva.
Este trabalho demonstra que o potencial de uso da água de chuva é real em termos
quantitativos no Campus Básico da UFPA em Belém. O que indica que as chances de todos os
Campi da UFPA de Belém também poderem ser atendidos.
Mais do que uma forma de definir o potencial para as edificações estudadas, o método
empregado demonstra sua facilidade, praticidade e aplicabilidade. Entende-se assim, que nossos
esforços podem colaborar com a ampliação do emprego de água de chuva e, por conseguinte, com a
ampliação do alcance dos sistemas de abastecimento no país.
XX Simpósio Brasileiro de Recursos Hídricos
7
REFERÊNCIAS
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panorama
nacional.
Disponível
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INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). 2010. Censo
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INSTITUTO NACIONAL DE METEOROLOGIA (INMET). 2011. Dados de 2011. Disponível
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GHISI, E.; MONTIBELLER, A.; SCHMIDT, R.W. 2006. Potential for potable water savings by
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FLORES. R. A.; MENDES, R. L. R; OLIVEIRA, D. R. C; COSTA, T. C. D. Potencial de captação
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UNISINOS. NOPRELO.
UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ. 2012. Planta arquitetônica do Campus Básico do Guamá.
Prefeitura do Campus. Belém.
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