UM POUCO DA HISTÓRIA DO
INSTITUTO DE MATEMÁTICA DA UFRGS
Prof. Aron Taitelbaum
Prof. Eduardo Brietzke
ORIGENS
Como o título indica, não faremos aqui um estudo metódico e
científico da história do Instituto de Matemática. Abordaremos alguns
tópicos escolhidos arbitrariamente.
A Matemática na UFRGS teve três origens principais: a Escola de
Engenharia, a Faculdade de Filosofia e o Centro de Pesquisas Físicas.
1- A Escola de Engenharia
A Escola de Engenharia da UFRGS foi fundada em 11 de agosto
de 1896. A Matemática ensinada era influenciada pela doutrina
positivista da Escola Militar do Rio de Janeiro. Eram usados os textos
“Geometria Algébrica” e “Cálculo
Infinitesimal”
do
Marechal
Trompowsky, antigo professor daquela escola. Esses textos usavam a
noção de infinitésimos. Mais tarde, o Prof. Tietböhl introduziria a técnica
de limites. Em 1936, as disciplinas de Matemática da Escola de
Engenharia eram: Cálculo, Geometria Analítica, Geometria Descritiva e
Mecânica Racional.
Em 1952, atendendo a solicitações de professores que desejavam
uma disciplina matemática mais voltada aos problemas da Engenharia, o
Prof. Manoel Luís da Silva Neto criaria a disciplina “Cálculo Numérico,
Gráfico e Mecânico”, hoje, Cálculo Numérico, o que foi, na ocasião, uma
atitude pioneira no Brasil. Vários assistentes dessa disciplina tornaramse, posteriormente, docentes do Instituto de Matemática (Oswaldo
Paim, Pedro Nowosad, David Martins, Penido Fontoura da Silva, Álvaro
Hoffmann, Cláudio Marques).
2- Faculdade de Filosofia da UFRGS
Em 1943, foi criado o curso de Bacharelado e Licenciatura em
Matemática na Faculdade de Filosofia a UFRGS. Em 1934, havia sido
fundada a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de
1
São Paulo (USP). Esta muito se beneficiou com a vinda de cientistas
europeus, principalmente italianos, que fugiam dos regimes fascistas,
então no poder. Entre eles não podemos deixar de citar Luigi Fantapié,
que teve profunda influência na Matemática brasileira. O Prof. Ary Nunes
Tietböhl, já então professor da Escola de Engenharia, havia sido enviado
para estudar Matemática na USP. Seu retorno, acompanhado do Prof.
Antônio Rodrigues, que fora seu colega na USP, para lecionarem no
curso de Matemática da Filosofia da UFRGS, fez com que essa influência
benéfica se exercesse também aqui.
O curso de Bacharelado tinha a duração de 3 anos e com ele já se
podia lecionar na Universidade. Após um ano adicional de disciplinas de
Didática, obtinha-se o diploma de Licenciado.
Estudavam-se as seguintes matérias:
a) Análise – Prof. Ary Nunes Tietböhl
b) Geometria e Topologia – Prof. Antônio Rodrigues
c) Equações Diferenciais - Prof. Cayoby Vieira de Oliveira (egresso
da UFRGS)
d) Geometria Projetiva – Prof. Luiz Leseigneur de Faria
(Engenharia)
e) Mecânica Racional – Prof. Carlos Carvalho Schmidt (Engenharia)
f) Física Matemática – Prof. Antônio E. P. Cabral (egresso do curso
de Física)
g) Física Geral – Prof. João Simões da Cunha (Engenharia)
A Faculdade de Filosofia da UFRGS fora inspirada na sua
homônima da USP e congregava diversos cursos, entre os quais
Matemática, Física, Química, História Natural, História, Geografia,
Letras, Filosofia, Jornalismo, Ciências Sociais e Arte Dramática. Era uma
mini universidade.
3) Centro de Pesquisas Físicas
Em 1951, sendo presidente Getúlio Vargas, foi criado o CNPq
(Conselho Nacional de Pesquisas) pelo Almirante Álvaro Alberto, de
acordo com a idéia de que um país soberano e independente deveria
estimular o surgimento de cérebros e de idéias inovadoras.
O CNPq constituiu dois órgãos, ambos no Rio de Janeiro: o IMPA
(Instituto de Matemática Pura e Aplicada), cuja influência em nosso
Instituto será comentada mais adiante, e o CBPF (Centro Brasileiro de
Pesquisas Físicas). O CBPF havia sido fundado em 1949 e o IMPA nasceu
dentro do CBPF.
2
Um dos primeiros diplomados do curso de Física da Faculdade de
Filosofia da UFRGS, Antônio Estevam Pinheiro Cabral, foi estagiar no
CBPF, onde teve a oportunidade de trabalhar com o famoso físico
brasileiro César Lattes, um dos descobridores do méson pi. Ao retornar
à UFRGS, entusiasmado, teve a idéia de criar uma entidade que
funcionasse nos mesmos moldes que o CBPF. Em 13 de setembro de
1953, foi fundado o Centro de Pesquisas Físicas (CPF) da UFRGS. Dentre
suas divisões, havia uma divisão de Matemática. A divisão de
Matemática do Centro de Pesquisas Físicas da UFRGS foi um local onde
vários jovens egressos do curso de Matemática e alguns da Engenharia,
que haviam sido convidados para lecionar na Universidade, tiveram a
oportunidade de se dedicar ao estudo de tópicos novos, tais como, por
exemplo: Álgebra Abstrata, Topologia dos Espaços Métricos, Topologia
Geral, Álgebra Linear, Análise Funcional, Espaços Vetoriais Topológicos,
Teoria da Medida e da Integração, Teoria das Probabilidades e
Estatística Matemática. O estudante de final de Bacharelado e de pósgraduação de hoje reconheceria nesta lista tópicos que normalmente
fazem parte dos currículos atuais, mas é importante que se diga que na
época esses tópicos eram desconhecidos entre nós. Desta forma, foi
forjada uma geração de professores, responsáveis por introduzir em
nosso meio o estudo dessas disciplinas.
Vale mencionar também que em novembro de 1952 foi realizada
em Porto Alegre a reunião anual da SBPC, à qual compareceram alguns
dos maiores matemáticos brasileiros da época, como, por exemplo,
Leopoldo Nachbin (do IMPA), Chaim Samuel Hönig (da USP), Maurício
Peixoto (do IMPA), Cândido Dias (da USP) e Charles Ehresman (França).
Aqueles que na época eram estudantes são unânimes em afirmar que
esta foi uma ocasião especial, que serviu para abrir e alargar os
horizontes matemáticos.
Fizeram parte do Centro de Pesquisas Físicas alguns nomes que,
mais tarde, seriam docentes do Instituto de Matemática: Ernesto Bruno
Cossi, Francisca Torres, Maria Isaura de Mattos Paim, Martha Blauth
Menezes e Matilde Groisman Gus.
PRIMEIRA FASE DO INSTITUTO DE MATEMÁTICA
O Instituto de Matemática da Universidade do Rio Grande do Sul
foi criado em 9 de março de 1959, mediante convênio entre o Ministério
da Educação e Cultura e a Universidade do Rio Grande do Sul, através
3
da COSUPI (Comissão Supervisora do Plano dos Institutos) órgão que
surgiu para executar a meta n° 30 da Presidência da República, sob o
tema "Educação para o Desenvolvimento". O Instituto de Matemática foi
criado com a finalidade de dedicar-se à pesquisa em Matemática.
Abaixo transcrevemos a portaria de criação.
Portaria n° 116 de 9 de março de 1959
O Reitor da Universidade do Rio Grande do Sul no uso das atribuições
que lhe confere o Estatuto, tendo em vista o que consta do processo n°
3359/57, da Reitoria, "ad referendum" do Conselho Universitário,
RESOLVE:
Art 1° − Fica criado o Instituto de Matemática, órgão de natureza
científica, autônomo, diretamente subordinado à Reitoria da Universidade do
Rio Grande do Sul.
Art 2° − O Instituto de Matemática reger-se-á pelo Estatuto da
Universidade e pelo Regimento que com este baixa.
Art 3° − Revogam-se as disposições em contrário.
Ass: Elyseu Paglioli
Reitor
O Instituto de Matemática da UFRGS foi criado no espírito
desenvolvimentista do Governo Juscelino no final da década de 50.
Constitui-se, no Ministério da Educação, a Comissão Supervisora do
Plano dos Institutos (COSUPI) com a finalidade de criar instituições
dedicadas à pesquisa científica e tecnológica, nos moldes dos já
existentes CBPF e IMPA no Rio.
Em nossa Universidade, surgiram os Institutos de Matemática e
Física. Foi seu primeiro diretor o saudoso Prof. Ary Nunes Tietböhl, e era
formado por três divisões: Matemática Pura, chefiada pelo Prof. Antônio
Rodrigues, Matemática Aplicada, chefiada pelo Prof. Cayoby Vieira de
Oliveira e Ensino, chefiada pelo Prof. Ernesto Bruno Cossi. Sua primeira
sede foi num apartamento na esquina da Av. André da Rocha com a Av.
João Pessoa, mas, ainda em 1959, instalou-se em um sobrado,
localizado na Av. Venâncio Aires, nº 127, onde permaneceu até 1965.
Em 1966, o então diretor, Prof. Manoel Luiz da Silva Neto, trouxe
o Instituto para o campus central, no 3º andar do Instituto Parobé, na
Av. Sarmento Leite, 425, situando-se ao lado do Departamento de
Matemática da Faculdade de Filosofia, onde funcionavam os cursos de
Licenciatura e Bacharelado em Matemática. De 1959 a 1970, o Instituto
dedicou-se exclusivamente às atividades ligadas à pesquisa e à
4
formação de pesquisadores. O ensino de graduação era atividade dos
departamentos (ou setores) de Matemática das diversas escolas e
faculdades (Filosofia, Engenharia, Ciências Econômicas, Arquitetura,
Agronomia e Veterinária) e funcionavam de forma totalmente
independente.
Após um período inicial de intensa atividade, no qual diversos
cursos foram ministrados por professores locais e estrangeiros, houve
um arrefecimento, devido a diversas razões, uma das quais a total falta
de apoio financeiro por parte do regime implantado em 1964, então em
sua fase recessiva.
Durante esse período inicial, alguns membros do Instituto foram
enviados a instituições do país e do exterior para cursos de mestrado e
doutorado, entre eles Pedro Nowosad, Sílvio Machado, João Bosco
Prolla, Roberto Ribeiro Baldino e José Francisco Porto da Silveira.
Vieram professores de fora que deram cursos e conferências. O
professor Élon Lages Lima (IMPA) ministrou, em 1960, um curso sobre
variedades diferenciáveis, que resultou num livro, publicado pelo
Instituto. O Prof. Mitio Nagumo, da Universidade de Osaka, Japão,
desenvolveu um curso de Análise Funcional, que foi publicado pelo
Instituto, em dois volumes, sob o título “Introdução à Teoria dos
Espaços de Banach. Durante sua permanência, Mitio Nagumo orientou o
Prof. Ernesto Bruno Cossi, em um trabalho de pesquisa que resultou na
publicação de dois artigos na Revista da Academia Brasileira de
Ciências: “ A Note on Closed Linear Operators” e “A New Norm on
Banach Spaces”. São, provavelmente, as primeiras publicações de
pesquisa de um docente do Instituto. Foi, também, durante esse
período, que o Prof. Rodrigues, quando diretor do Instituto, efetuou a
aquisição de uma considerável quantidade de livros, que tornaram a
Biblioteca do nosso Instituto de Matemática uma das melhores do País.
Em 1969 a conjugação do assim chamado “milagre econômico
brasileiro” com o problema dos alunos excedentes levou ao aumento do
número de vagas nas universidades públicas. Nessa ocasião, verbas
adicionais permitiram que o Instituto (cujo diretor era o Prof. Ernesto
Bruno Cossi), num trabalho conjunto com o Departamento de
Matemática da Faculdade de Filosofia (cujo chefe era o Prof. Cayoby
Vieira de Oliveira), arregimentasse um grupo de estudantes do Curso de
Matemática com bolsas de monitoria e iniciação científica, para que se
dedicassem integralmente ao estudo, propiciando também o espaço
físico para essas atividades. À medida que concluíam o curso, esses
alunos saíram em 1971, 72 e 73 para fazerem pós-graduação, a maioria
do IMPA Esse processo de arregimentação foi comandado e inspirado
5
pelo Prof. Roberto Baldino, que concluíra seu mestrado no IMPA,
passara um período na Universidade de Stanford e retornara à UFRGS
no final de 1967, permanecendo aqui por 2 anos, durante os quais,
orientou vários alunos do Bacharelado. Em 1969, o Prof. Baldino
ministrou a disciplina de Álgebra I para os calouros, conseguindo com
seu entusiasmo e dedicação, atraí-los para a iniciação científica em
Matemática. Nessa época as aulas do Curso de Matemática funcionavam
quase que exclusivamente pela manhã. À tarde as salas ficavam vazias.
Com as bolsas de iniciação científica e de monitoria, passou a haver
intensa atividade também à tarde. Os alunos criaram o hábito de
permanecer o dia todo nas dependências do Instituto, dedicando-se ao
estudo, recebendo todo apoio em termos de infraestrutura do Instituto
de Matemática e do Departamento de Matemática da Faculdade de
Filosofia. Também por influência do Prof. Baldino, esse grupo de alunos
passou a freqüentar os cursos de verão no IMPA. Esses hábitos
adquiridos pelos alunos foram sendo transmitidos às gerações
seguintes. Quando o Prof. Baldino foi concluir seu doutorado no Rio de
Janeiro em 1970, o trabalho prosseguiu sob a orientação das
professoras Maria Isaura Paim, Matilde Groisman Gus e Carmen Sílvia
Fagundes. Esse grupo forneceu a massa crítica para o desenvolvimento
posterior e dele saíram vários docentes do Instituto.
Um momento importante em que a UFRGS e, em especial, o
Instituto de Matemática exerceram um importante papel foi quando da
criação do Curso de Engenharia Mecânica da Universidade Federal de
Santa Catarina. Dentre os professores fundadores do Curso o Instituto
de Matemática contribuiu com os Professores Antônio Rodrigues e Ary
Nunes Tietböhl, bem como com o primeiro diretor, o Prof. Ernesto Bruno
Cossi.
SEGUNDA FASE
Em outubro de 1970, o Instituto sofre uma profunda modificação.
Como resultado da reforma universitária de 1968, é criado pela portaria
n° 896 da Reitoria da Universidade o novo Instituto de Matemática, com
novas atribuições e características, constituído de dois departamentos: o
de Matemática Pura e Aplicada e o de Estatística. Anteriormente havia
professores de Matemática e Estatística espalhados pelas várias escolas
e faculdades. Com a reforma, os professores dos departamentos de
Matemática das diversas escolas e faculdades passam para os quadros
do Instituto de Matemática. O ensino das disciplinas de Matemática e
Estatística de toda a Universidade passa a ser atribuição do Instituto de
6
Matemática. A reforma promoveu a passagem de uma universidade
estruturada como uma “confederação” de escolas e faculdades para uma
universidade estruturada a partir de departamentos.
Conforme relata o Prof. Carlos Augusto Crusius, o Departamento
de Estatística, assim, não foi criado a partir de um núcleo de ensino
e/ou pesquisa do qual se pudesse considerar “sucessor”. Isso explica
certos aspectos curiosos que cercaram suas reuniões iniciais, em que os
docentes necessitaram apresentar-se uns aos outros já que, em grande
parte, ainda não se conheciam pessoalmente.
Numa primeira reunião estiveram representados os três grupos de
docentes que atuavam em disciplinas com conteúdos de Estatística e
que seriam lotados no novo departamento: o grupo da Medicina, o da
Agronomia e o da Economia e Sociologia. O primeiro foi representado
pelo Prof. Edgar Mário Wagner que lecionava conteúdos de Estatística
em disciplinas da área médica; o segundo, representado pelo Prof.
Rubem Markus, professor de Estatística para os cursos de Agronomia e
Veterinária. Já o terceiro grupo, bem mais numeroso, era de docentes
que lecionavam Estatística na antiga Faculdade de Ciências Econômicas
(que abrigava os cursos de Ciências Econômicas, Contábeis,
Administração e Ciências Atuariais) e nos cursos de Sociologia do antigo
Instituto de Filosofia, do qual faziam parte os Professores Herbert
Guarini Calháu (que seria diretor do Instituto de Matemática); José
Carlos Grijó (que seria o primeiro chefe do Departamento de
Estatística); Sergio Mariani; Nelson Emilio Michel, Gustavo Rossi Sola e
Carlos Augusto Crusius.
A natureza singular do processo de formação do Departamento de
Estatística iria, é claro, moldar a sua natureza inicial como a de um
departamento voltado fundamentalmente à Estatística Aplicada, cujos
docentes possuíam formação amplamente multidisciplinar. De fato, da
formação original apenas dois docentes (os professores Calháu e Grijó)
possuíam bacharelado específico em Ciências Estatísticas, sendo os
demais graduados em outras áreas, todos com forte treinamento (em
grande parte dos casos, com pós-graduação strictu sensu) em métodos
quantitativos. Não é de surpreender, portanto, que disciplinas altamente
especializadas para determinadas carreiras – como é o caso de
Econometria e Modelos Econométricos, para o curso de Ciências
Econômicas – terem sido localizadas no Departamento. Como não
surpreende, igualmente, a importante colaboração que o Departamento
pôde prestar, desde seu início, à pesquisa e ao ensino de pós-graduação
na UFRGS.
7
A característica de um departamento que privilegiava, pela sua
composição docente, a multidisciplinariedade na aplicação dos métodos
estatísticos, fez com que aumentasse rapidamente a demanda por
disciplinas de estatística aplicada nos mais diversos cursos, o que levou
a que os docentes do Departamento, pelo menos nos primeiros anos,
trabalhassem com sobrecarga didática por vezes impressionante. Tal
situação, felizmente, modificou-se no decorrer do tempo com a
incorporação de novos docentes, muitos deles oriundos do nosso
Bacharelado em Estatística, que foi criado em 1978. Enfatizando não só
o crescimento numérico mas – e principalmente – a qualificação de seus
docentes, o Departamento de Estatística não tardaria a chegar, enfim, à
sua maturidade acadêmica.
A reforma, a partir de 1971 confrontou o Instituto de Matemática
com uma situação traumática. Uma tarefa extremamente difícil recaiu
sobre os ombros do Prof. Ernesto Preussler, então diretor do Instituto de
Matemática e do Prof. Manoel Luiz da Silva Neto, chefe do
Departamento de Matemática Pura e Aplicada. Professores com as mais
diversas origens passam a conviver dentro de um mesmo
departamento. Com a excessão de uns poucos que preferiram
permanecer em suas escolas e faculdades de origem, o Instituto de
Matemática recebeu todos os professores que lecionavam disciplinas de
Matemática ou Estatística na Faculdade de Filosofia, Escola de
Engenharia, Faculdade de Ciências Econômicas, Faculdade de
Arquitetura, Escola de Agronomia e Veterinária, Escola de Geologia e
Faculdade de Farmácia. De uma hora para a outra o Departamento de
Matemática Pura e Aplicada passa a atender a mais de 5000 alunos.
Essa carga didática absorve totalmente os docentes do Departamento.
De 1970 a 1976 o Instituto dedica-se, quase que exclusivamente, ao
ensino de graduação. A partir de 1976, aqueles monitores e bolsistas
arregimentados em 1969, começam a retornar, após concluírem seus
mestrados e doutorados. Aproximadamente 20 docentes do atual
Instituto são originários desse grupo. Com a contratação adicional de
mais pesquisadores, as atividades relacionadas com a pesquisa
ressurgem, e em 1978 é criado o curso de Mestrado em Matemática.
Ainda em 1978 surge o Bacharelado em Estatística. Essa expansão de
atividades faz com que o 3º andar do Parobé se torne acanhado para
abrigar o Instituto.
Em 1985, sendo diretor o Prof. Luiz Severo Panta, o Instituto se
transfere para sua atual sede no Campus do Vale. Em 1990 é criado o
Bacharelado em Matemática Aplicada e Computacional, como resultado
do surgimento de um grupo de pesquisadores nessa área, cujo
8
desenvolvimento leva ao surgimento, em 1994, do Mestrado em
Matemática Aplicada. A partir da iniciativa pioneira dos professores
Antônio Ribeiro Jr. e Joana de Oliveira Bender, nos anos 60, forma-se,
também, um grupo de docentes preocupados com as questões do
ensino da Matemática que, ao longo dos anos, iria revitalizar o Curso de
Licenciatura e aproximar o Instituto do ensino médio. Em 1995 cria-se a
opção do curso noturno de Licenciatura em Matemática, atendendo a
uma antiga aspiração dos estudantes. Recentemente o desenvolvimento
deste grupo, contando com a colaboração de docentes das área de
Matemática Pura e Aplicada, conduziu à elaboração do Projeto de
Mestrado
Profissionalizante
em
Ensino
de
Matemática.
O
desenvolvimento da pesquisa em Matemática leva à criação do
Doutorado em Matemática em 1995.
O Programa de Pós-graduação em Matemática da UFRGS foi criado
em 1978 por um grupo de quatro professores: Miguel Angel Ferrero,
Marcos Arturo Sebastiani Artecona, Luiz Severo Panta e Artur Oscar
Lopes. Estes pesquisadores cobriam respectivamente as áreas de
Álgebra, Singularidades de Aplicações, Física Matemática e Sistemas
Dinâmicos.
Na fase inicial do programa foi fundamental o apoio dado pelo
Prof. Gerhard Jacob, titular da Pró-Reitoria de Pesquisa e PósGraduação. Foi também importante o apoio oferecido pelo DMPA, na
época chefiado pelo Prof. Clóvis Vilanova, quando foi pela primeira vez
estabelecida de maneira regular a redução de carga docente para
atividades de pesquisa.
O número de docentes do programa aumentou rapidamente com a
absorção principalmente de doutores oriundos do IMPA, mas também de
alguns formados no exterior.
O programa inicialmente concedia apenas o grau de mestre em
Matemática, tendo o Doutorado em Matemática sido criado em 1995.
Um grande número dos atuais docentes no Programa de Pós-graduação
em Matemática, do Programa de Pós-graduação em Matemática
Aplicada e do Departamento de Matemática Pura e Aplicada da UFRGS
foram estudantes deste programa. Muitos dos ex-alunos do programa
fizeram posteriormente doutorado em outras instituições do País e
exterior. O programa foi de fundamental importância para a formação
de recursos humanos em Matemática e Matemática Aplicada em nossa
Universidade.
9
Muitos dos mestres formados neste estágio inicial do programa
foram contratados por diversas instituições de Ensino Superior no nosso
estado. Em geral, em função de sua competência, estes professores são
figuras de destaque em suas atividades universitárias e têm colaborado
de maneira fundamental para o aperfeiçoamento do ensino da
Matemática em todos os níveis no Rio Grande do Sul. Muitos destes
docentes participam do ensino dos cursos de licenciatura em Matemática
de suas respectivas.
Em 1985 o programa se transferiu, junto com o próprio instituto,
para o Campus do Vale, onde finalmente pode se obter condições
adequadas de espaço físico para as diversas atividades de docência e
pesquisa. A biblioteca adquiriu um espaço adequado ao volume de livros
e periódicos do seu acervo, os docentes tiveram salas de trabalho
compatíveis com as suas atividades, as salas de aulas eram mais bem
projetadas para as atividades docentes do que as do prédio anterior.
As atividades de pesquisa no programa ao longo dos anos foram
crescendo e se diversificando. Em 1995 o programa foi desmembrado,
tendo sido criado o Programa de Pós-Graduação em Matemática
Aplicada desta Universidade. Já em 1990 havia sido criada a ênfase em
Matemática Aplicada e Computacional, no curso de Bacharelado em
Matemática, uma iniciativa dos professores Júlio Ruiz Claeyssen, Mark
Thompson, José Francisco Porto da Silveira e Oclide José Dotto.
Foram precursores do Programa de Matemática Aplicada os
Professores Júlio César Ruiz Claeyssen e Mark Thompson, quando ainda
inseridos entre os orientadores do Programa de Pós-Graduação em
Matemática.
Vários estudantes desse programa ou mantiveram vínculo com o
grupo de Matemática Aplicada, durante período de treinamento de
doutorado, ou retornaram ao convívio com o grupo, depois de passar
períodos como docentes em outras instituições acadêmicas. Com a
efetivação de várias novas contratações de docentes, via concurso, o
grupo foi se consolidando, atingindo em 1995 um total de 10 (dez)
docentes comprometidos com o desenvolvimento de suas atividades de
pesquisa e de ensino em Matemática Aplicada.
A partir do início de 1994, a UFRGS começou a formar bacharéis
em Matemática com ênfase em Matemática Aplicada e Computacional, e
estes passaram a encaminhar-se para os cursos de pós-graduação
existentes; no Brasil e no exterior. Tornou-se evidente, nesse período, a
necessidade de se criar, na Universidade, um programa de pós-
10
graduação que atendesse essa demanda, tanto de alunos como de
pesquisadores com novas linhas de pesquisa em Matemática Aplicada.
Todas essas atividades com características e identidades próprias
culminaram, em 1995, com a criação e o posterior credenciamento pela
CAPES do Programa de Pós-Graduação em Matemática Aplicada na
Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em nível de Mestrado.
Neste período inicial de criação e consolidação, uma das
prioridades do Programa de Pós-Graduação em Matemática Aplicada foi
a de suprir a carência de mestres no mercado acadêmico, de modo a
qualificar docentes das demais Instituições de Ensino Superior do Estado
e Região Sul.
Uma das estratégias adotadas, para atingir este objetivo, foi a
celebração de convênios com Instituições que já tinham, em seu quadro
docente, um núcleo de pesquisadores que poderiam colaborar com o
desenvolvimento do Mestrado Interinstitucional em questão. Foram
feitos convênios com a Universidade de Caxias do Sul, Universidade de
Santa Maria, Universidade de Rio Grande e Universidade Regional
Integrada do Alto Uruguai e das Missões.
O Instituto hoje oferece, semestralmente, mais de 8000
matrículas em disciplinas de graduação de diversos cursos. Há cinco
cursos de graduação sob a responsabilidade direta do Instituto de
Matemática. Temos ainda dois cursos de mestrado e dois doutorados.
No momento há uma centena de alunos de pós-graduação. O Instituto
já formou mais de 250 mestres e 10 doutores e tem um papel decisivo
na formação e aperfeiçoamento de docentes universitários qualificados
para as demais instituições de ensino superior na região sul do Brasil.
O Instituto tem oferecido diversos cursos de aperfeiçoamento
para professores e alunos do ensino médio, cursos de extensão na área
de Estatística, de Linguagem FORTRAN e de tópicos especiais de
disciplinas matemáticas. Destacamos:
1°. O Núcleo de Assessoria Estatística, coordenado pela Profª
Jandyra Fachel, criado em 1989, que já prestou mais de 1000
consultorias em Estatística para diversas unidades da UFRGS e de outras
universidades brasileiras, bem como a diversos órgãos extrauniversidade, como a Fundação Estadual de Proteção Ambiental, INSS,
Petrobrás, EMATER, EMBRAPA e diversos hospitais.
2° O Projeto Pró-Cálculo, coordenado pela Profª. Luísa Doering é
uma idéia inovadora. A cada semestre o curso de Pré-Cálculo atendende
a mais de 500 estudantes, auxiliando-os a vencer a problemática
11
transição da Matemática de nível médio para o nível superior,
aumentando o aproveitamento dos alunos nas disciplinas de Cálculo.
São convidados a participar todos os calouros que tenham alguma
disciplina de Cálculo na grade curricular de seu curso. O Projeto PróCálculo tem ainda oferecido cursos de extensão de Análise Real, Álgebra
Linear e Séries de Fourier aos alunos interessados em aprofundar seus
conhecimentos.
3° Participação do Instituto de Matemática no convênio UFRGS x
Prefeitura de Porto Alegre no projeto "Modelos Inovadores de Uso das
Tecnologias Digitais na Rede de Escolas Públicas do Município de Porto
Alegre", coordenado pelo Prof. Marcus Vinícius Basso, que envolve 46
alunos do Curso de Matemática da UFRGS e beneficia a todos os
estudantes das escolas municipais de Porto Alegre.
12
Download

UM POUCO DA HISTÓRIA DO INSTITUTO DE MATEMÁTICA