Contato Cultural e deslocamento populacional e simbólico: Uma análise do processo de
transformação nos costumes tradicionais e na cultura da Comunidade Indígena Serra
do Truarú (Murupú – Boa Vista-RR)
Eriki Aleixo de Melo*
Francilene dos Santos Rodrigues**
Resumo:Este trabalho tem por objetivo compreender a formação cultural e suas
transformações decorrentes do processo de contato Interétnico na comunidade indígena Serra
do Truarú, localizada na Terra Indígena (TI) Serra da Moça, região Murupú, na capital Boa
Vista. Procedeu-se uma contextualização histórica da comunidade e do processo de contato
dos Wapixanas com a população não índia, tratamos de identificar os elementos da cultura e
estilo de vida por meio das narrativas dos mais velhos. Com isso, pudemos identificar as
mudanças ocorridas a partir destes contatos interétnicos e, ao mesmo tempo, verificar os
principais mecanismos de resistências e conservação dos costumes tradicionais. Nossas
argumentações foram feitas principalmente a partir dos conceitos identidade, cultura e
descolamento populacional.
Palavras-chaves: Descolamento populacional; identidade; Serra do Truarú; contato.
INTRODUÇÃO
Este trabalho tem por objetivo compreender a formação cultural e suas
transformações decorrentes do processo de contato interétnico tomando como referência o
caso da comunidade indígena Serra do Truarú, localizada na Terra Indígena (TI) Serra da
Moça, região Murupú, na capital Boa Vista – RR.
O enfoque da pesquisa se dá nesse processo de deslocamento, e seus impactos
percebidos nos costumes tradicionais e nas vidas da população mais jovens, com cerca de 20 a
30 anos. Já existem estudos sobre os primeiros contatos entre os portugueses e Wapichanasde
outras regiões, como por exemplo, nos estudos de Farage (1991) na região da Serra da Lua.
Segundo a referida autora, os contatos ocorridos no decorrer do século XVIII, foram
marcados por conflitos de subjugação e dominação, dentro de uma política de colonização e
ocupação do território que tinha grande "importância para o mercado interno colonial como
zona de suprimento de escravos índios e sua posição estratégica, que impunha uma política
oficial do Estado visando defender a Amazônia de possíveis aventuras expansionistas dos
vizinhos espanhóis e holandeses” (FARAGE, 1998, p.55). Porém, estudos voltados ao contato
dos índios e não índios da Terra Indígena da Serra da Moça, ainda não existem, o que torna
*
Aluno do curso de História, na Universidade Federal de Roraima (UFRR), bolsista de Iniciação Cientifica e
membro do GEIFRON-Grupo de Estudo Intedisciplinar sobre Fronteiras. Email: [email protected]
**
Professora no Programa de Pós-graduação Sociedade e Fronteiras (PPGSOF), na UFRR e líder do GEIFRONGrupo de Estudo Interdisciplinar sobre Fronteiras (PPGSOF). Email>[email protected]
mais difícil fazer uma análise do modo de vida da população, uma vez que não sabemos em
que momento ou o grau de modificações existentes, principalmente relacionada à identidade
étnica.
Para o desenvolvimento da pesquisa e consecução dos objetivos utilizou-se a coleta
de dados quantitativos e qualitativos, dando maior ênfase ao segundo. A análise qualitativa
buscou compreender as mudanças culturais que ocorrem a partir de uma comparação entre o
estilo de vida dos mais velhos e o estilo de vida dos mais jovens. Buscou-se também,
compreender o processo de mudanças nos costumes tradicionais decorrentes do contato
cultural entre etnias e culturas diferentes proporcionado, entre outras coisas, pelo processo de
trânsito entre os universos da comunidade e universo urbano. A pesquisa realizou-se em
quatro etapas. A princípio foi construída uma base teórica e metodológica que nos permitisse
entender conceitos como identidade, etnicidade, cultura, deslocamento populacional, com a
finalidade de compreender os processos das transformações culturais e as relações interétnicas
num contexto de permanente deslocamento populacional e simbólico. A seguir, foi feita a
coleta de dados junto às instituições: Conselho Indígena de Roraima - CIR, Fundação
Nacional do Índio - FUNAI e Prefeitura de Boa Vista. Dessa maneira foi possível dividir e
selecionar os integrantes da Comunidade Serra do Truarú que participaram da pesquisa. Além
de propormos fazer uma contextualização histórica da respectiva Comunidade, tratamos de
procurar identificar os elementos da cultura e estilo de vida por meio das narrativas dos mais
velhos, investigamos as mudanças que ocorreram a partir do contato interétnico, verificamos
os principais mecanismos de resistências e conservação dos costumes tradicionais.
1.
Discussão teórica
Neste trabalho, um dos conceitos fundamentais é a categoria “identidade étnica” e as
relações interétnicas que se forma na comunidade. Segundo Barth (1998), as relações
interétnicas se processam nas fronteiras por meio do contato entre grupos caracterizados por
suas diferenças. Pereira (2005) busca compreender as especificidades das interações sociais
na fronteira, a partir dos grupos étnicos que marcam suas identidades por diacríticos com base
na relação com o lugar de sua origem, na descendência e com os fenótipos. De acordo com
Hall (2011, p.), “a questão da identidade está sendo extensamente discutida na teoria social”,
especificamente quando se trata de uma “crise de identidade” onde o próprio conceito ainda é
demasiadamente complexo e muito pouco desenvolvido e compreendido na ciência social
contemporânea. O contato com outros modos de vida, neste caso, principalmente a partir do
deslocamento, segundo Hall (2011, p. 11-12), transforma os indivíduos em sujeitos
sociológicos, passando por um processo de construção de novas identidades culturais
resultante desta dinâmica.
Em nossa pesquisa, observamos que os contatos interétnicos ocorrem especialmente
no interior das comunidades. Entretanto, de acordo com Oliveira (2014, p. 60) pode ser
intensificado nos processos de deslocamento para as cidades onde ocorre novos processos de
relações interétnicas e conformações identitárias.
Reportando ainda a discussão proposta por Hall (1997), as identidades “não são as
coisas com as quais nascemos, mas são formadas e transformadas no interior da
representação (p.49)”, e composta também por símbolos culturais que se constroem no
interior da comunidade. Percebemos em nossa pesquisa que as "narrativas fornecem uma série
de histórias, imagens, panoramas, cenários, eventos históricos, símbolos e rituais que
simbolizam ou representam as experiências partilhadas, as perdas os triunfos e os desastres
que dão sentido a essa comunidade (HALL, 1997, p. 51). Essas construções permanecem na
memória da população mais velha da comunidade como algo unificado, porém, sabe-se que a
construção da identidade é dinâmica e pode tanto transitar como interagir com vários fatores,
o que acarreta mudança na vida dos integrantes mais jovens.
Assim como identidade, outro conceito fundamental é o de cultura. Em nossa
pesquisa observamos as transformações culturais e identitárias decorrentes do contato
interético resultante dos processos de deslocamento. A comunidade Serra do Truarú fica
bastante próxima ao centro urbano da cidade de Boa Vista, capital do Estado de Roraima, o
que facilita o deslocamento pelos mais diversos motivos, sendo este também um conceito
importante para realização deste trabalho. O conceito de deslocamento não é algo novo nas
ciências humanas. De acordo com Oliveira (2014.p.45), o deslocamento insere-se nos estudos
migratórios e trata-se de uma categoria de análise das migrações bastante complexa. De
acordo com Sayd (1998, p. 15-16)
Falar de migração é falar da sociedade como um todo, falar dela em sua dimensão
diacrônica, ou seja, numa perspectiva histórica (história demográfica e história política da
formação da população francesa), e também em sua extensão sincrônica, ou seja, do ponto
de vista das estruturas presentes da sociedade e de seu funcionamento; mas com a condição
de não tomarmos deliberadamente o partido de mutilar esse objeto de uma de suas partes
integrantes, a parte relativa à emigração [...] Por certo, a imigração é, em primeiro lugar,
um deslocamento de pessoas no espaço, e antes de mais nada no espaço físico. [...] Mas o
espaço dos deslocamentos não é apenas um espaço físico, ele é também um espaço
qualificado em muitos sentidos, socialmente, economicamente, politicamente,
culturalmente (sobretudo através das duas realizações culturais que são a língua e a
religião).
Nessa perspectiva de Sayd compreendemos que os moradores da comunidade Serra
do Truarú vêm passando por um processo de modificação bastante intenso devido ao contato
interétnico proporcionado pelo deslocamento. Isso explica, em partes o fato da população
mais velha estranhar esse novo modo de vida que vem se reelaborando a partir da experiência
dos mais jovens que se deslocam para a cidade.
2.
Uma breve história dos Wapichanas da Comunidade Serra do Truarú
De acordo com os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE, em
seu Censo Demográfico de 2010, os wapichanas formam o segundo maior grupo indígena do
estado de Roraima contanto com aproximadamente 3.154 pessoas. De acordo com dados do
Centro de Informação da Diocese de Roraima - CIDR (2009, p.71), o Povo Wapichana ocupa
os seguintes territórios distribuídos em três áreas geográficas diferentes:
1) Área Surumu – Cotingo: tratam-se de três malocas localizadas no meio do povo Macuxi,
com os quais se uniram e se misturaram.
2) Área Taiano – Amajarí: são treze malocas espalhadas à beira dos rios Uraricoera,
Amajarí,Parimé e igarapés afluentes destes rios.
3) Área Serra da Lua – Rupununi: são dezoito malocas espalhadas entre os rios Branco,
Quituaú (no Brasil) e Rupununi (na Guiana).
É uma comunidade que fica à cerca de 60 km da capital, e a facilidade de acesso e uso
de meios de transporte como bicicletas, motos proporciona um grande deslocamento de dos
wapichanas ao centro urbano para os mais diversos fins, como trabalho, passeio, ou até
mesmo moradia. O acesso se dá pela RR 210, que liga a vila Passarão a BR 174. Essa
facilidade no deslocamento para cidade gera uma grande dependência de mercadorias, como
por exemplo, de leite, café, bebidas alcoólicas, e até mesmo carne, e outros produtos básicos
na alimentação que antes eram produzidos na própria comunidade.
Sua história não é tão diferente da história dos outros índios brasileiros,
principalmente quando se trata da região onde hoje é o estado de Roraima. Como dito antes,
os primeiros contatos com os portugueses, foram marcado pela dominação e escravização
desses povos.
Apesar dos principais estudos que foram feitos a cerca desse povo referirem-se as
regiões da Serra da Lua ou Surumu, a nossa pesquisa centra-se na Terra Indígena da Serra da
Moça, localizada ao norte do Estado de Roraima numa área de 11.626,7912 hectares e
perímetro 52.568,5 metros, mas especificamente na comunidade Serra do Truarú que fica às
margens do rio Truarú, afluente do rio Uraricoera.
Até o ano de 2008, a Terra Indígena Serra da Moça fazia parte da Região do Taiano,
mas como o centro da Região, responsáveis para criação de projetos para as comunidades
estar localizada no munícipio do Alto Alegre, as três comunidades (Serra da Moça, Truarú e
Morcego) sempre eram excluídas, pois elas estão localizadas no município de Boa Vista.
Assim foi criada a região do Murupú, juntamente com mais uma comunidade: Truarú da
Cabeceira e também Lago da Praia, comunidade esta que estava em processo de
reconhecimento desde 2004 e ficava localizada às margens do rio Uraricoera, porém, não foi
homologada. Trata-se de uma comunidade inserida em uma Terra Indígena homologada pela
modalidade tradicionalmente ocupada1. É constituída basicamente por wapichanas, mas
estabelece relações interétincas com macuxis, taurepangs e não índios devido à facilidade no
deslocamento, principalmente para cidade.
Essa facilidade no deslocamento gera uma grande dependência de mercadorias, como
por exemplo, de leite, café, bebidas alcoólicas, e até mesmo carne, e outros produtos básicos
na alimentação que antes eram produzidos na própria comunidade.
Segundo levantamento feito desde 1998 no posto de saúde da comunidade, em 2014,
ano que marca o início da pesquisa, era de 197 pessoas e 51 famílias. Esses dados mostram
um crescimento da comunidade desde esse ano, como demostra o gráfico abaixo:
Crescimento Populacional da comunidade Indígena Serra do Truarú 1998 – 2013.
250
200
150
Família
100
Pessoas
50
0
Ano 1998 1999 2001 2002 2003 2006 2011 2012 2013
Fonte: Posto de Saúde da comunidade Serra do Truarú. Adaptação: Eriki Aleixo de Melo, 2014.
A grande maioria da população está concentrada na faixa etária de 0 a 5 anos de idade.
De toda população, apenas três pessoas ainda falam a língua wapichana. As mudanças na
1
Ou seja, são as terras indígenas de que trata o art. 231 da Constituição Federal de 1988, direito originário dos
povos indígenas, cujo processo de demarcação é disciplinado pelo Decreto n.º 1775/96.
comunidade podem ser percebidas claramente a partir do que se encontra nos relatório de
viajantes, missionários do final do século XIX e inicio do século XX.
As atividades econômicas de subsistência baseiam-se no cultivo de roças, na pesca, na
caça e na criação de gado bovino. Cultivam principalmente mandioca (e seus derivados, como
farinha, beiju, goma, caxiri2, etc.), milho, banana, maxixe, batata, entre outros. Quando há
excedente de produção para a subsistência é levado para as feiras da cidade de Boa Vista para
comercialização a fim de comprar outros produtos industriais.
Outro aspecto que é importante ressaltar é que o capital que circula na comunidade
vem principalmente dos funcionários públicos da comunidade, como professores, AIS
(Agente Indígena de Saúde), e vários outros que hoje estão desenvolvendo atividades
remuneradas para órgãos externos, e também os aposentados que ganham um salário mínimo.
A pesca e a caça ainda são um dos principais meios de subsistência, sendo que com a
invasão de não índios vindo da Raposa Serra do Sol, que chegaram em 2013, fez essa prática
sofrer várias transformações devido à diminuição de peixes e caças. O aumento da população
também contribuiu para essas mudanças. Podemos perceber em relatos também a mudança na
forma como é praticada essas duas atividades, como por exemplo, na pesca, era bastante
desenvolvida com a utilização do cipó Timbó3, fachear4 com arco e flecha foram substituídas
pelo uso de arpões, malhadores, flechas de ferros com ligas de soro, linha de náilon e anzol,
entre outros instrumentos.
Uma das características que constatamos nos relatos, é que antes se praticava o ajuri,
ou como também é conhecido: adjunta. Essa prática consiste em reunir toda a comunidade,
principalmente os homens para realizar uma atividade, como pesca, trabalho em roças
individuais. Em troca, o dono da roça retribuía com comida, bebidas, etc. O dono da roça
também participa quando o trabalho é realizado para outro membro da comunidade.
Atualmente, a prática do ajuri está cada vez menos frequente. Assim como descreve
Cirino (2009. p.187): “Não obstante o caráter coletivo no emprego da força de trabalho, já se
registravam a contratação de mão-de-obra entre os índios, quando o trabalho familiar não era
suficiente pra suprir algumas etapas da produção”. Um dos motivos pode ser o de que a
maioria das pessoas já não trabalham de roça, ou por a cultura do trabalho coletivo esta
sofrendo alterações e esta permanecendo o trabalho assalariado. Essas mudanças podem ser
2
Caxiri é uma bebida fermentada feita da mandioca. É utilizada principalmente em datas comemorativas,
adjuntas.
3
É um cipó que tem uma toxina capaz de impedir a respiração do peixe.
4
Pescar à noite, matando peixe com terçado com a iluminação do fogo na beira dos igarapés. Geralmente o fogo
é produzido com a palha de buriti.
explicada devido o deslocamento para cidade de pessoas em busca de empregos e quando
voltam para a comunidade, procuram empregos remunerados.
A comunidade possui duas escolas, sendo uma do Governo do Estado, José Aleixo
Angelo, do 1º ao 9º ano e uma Municipal, Vovó Chica, que atende ao Ensino Infantil. Quando
terminam o ensino fundamental, os alunos da comunidade deslocam-se para a Comunidade
Serra da Moça onde funciona o ensino médio. A escola do estadual José Aleixo Angelo conta
com quatro salas de aula; existem três professores efetivos e quatro que fazem parte do quadro
de professores seletivos temporários e um desses professores seletivos ensinam a língua
indígena wapichana ou macuxi, dependendo da origem da comunidade. Porém, até o
momento não foi detectado eficácia da disciplina na educação dos jovens na comunidade, já
que nenhum dos alunos, desde que a disciplina foi inclusa, fala a língua. O desaparecimento
da língua wapichana entre os é mais forte entre os mais jovens. Os que falam a língua
wapichanas são os mais velhos, e ela é chamada de gíria. Não existe uma preocupação dos
mais jovens de aprender a língua, nem dos mais velhos em ensinar. O português já é a língua
predominante na comunidade. A Escola Municipal Vovó Chica funciona em um barraco
construída pela própria comunidade no centro da comunidade.
Em relação à saúde, a comunidade conta com três AIS (Agente Indígena de Saúde),
que atuam no Posto de Saúde. A Comunidade também é o Polo Base da região, ou seja,
funciona como referência para o conjunto das outras comunidades mais próximas, e fica
responsável pela distribuição de medicamentos, entre outras atividades. No que diz respeito
aos rituais de pajelanças, não existe mais pajé, mas ainda permanece o emprego de folhas,
seivas de árvores como por exemplo o Maruai (que é a seiva de uma árvore que é um pajé). A
seiva e queimada e derretida pra depois, quando ocorrer alguma doença, tira é retirada alguns
pedaços para misturar com água e bebida ou colocada no local onde é localizada a doença),
raízes e cascas de algumas arvores. A ausência de pajés pode ser substituídos por rezadores, e
a comunidade conta com um. Em cultos da igreja católica, o único rezador da comunidade
descreve que apesar de suas rezas serem feitas a partir da invocação de espíritos de outros
pajés, o rezador é apenas um intermediário entre o mundo do homem e Deus. Isso pode ser
confirmado por Cirino (2009. p.198-197), onde afirma que isso é resultado do contato
estabelecido ao longo dos anos entre os wapichanas e os missionários da igreja católica, que
por sua vez, toleravam as orações por serem cristãs.
Outras alterações que podemos perceber é na configuração das relações de trabalho,
como já foi dito. O ajuri ou adjunta esta cada vez menos frequente, e a procura pelo trabalho
remunerado, exclusivamente por pessoas que não possuem outro emprego, está se
fortalecendo. Esse trabalho assemelha-se ao tradicional “bico”, que é uma atividade
temporária, onde o individuo recebe por diária ou pelo serviço.
Considerações Finais
Concluímos em nossa pesquisa que o contato cultural e o deslocamento populacional e
simbólico do povo wapichana é uma realidade bastante complexa por envolver questões
sociais, culturais, políticas e econômicas. Além disso, os deslocamentos foram intensificados
com a saída dos mais jovens que partiram para trabalhar ou estudar na cidade e não
retornaram para a comunidade que não apresenta opções de emprego que garanta sua
permanência. E os que voltam apresentam novas formas de vidas que buscam adaptar-se ao
modo de vida da comunidade, onde ainda se mantém resquício de atividades que são
desenvolvidas coletivamente, principalmente no âmbito familiar.
Apesar das grandes mudanças que ocorreram nos últimos anos, foi constatado ainda a
permanecia da cultura tradicional que ainda resistente às influencias, como a produção de
alimentos (farinha, beiju), a pesca, a caça
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Contato Cultural e deslocamento populacional e simbólico: Uma