PR UNIVERSIDADE TECNOLÓGICA FEDERAL DO PARANÁ UNIVERSIDADE TECNOLÓGICA FEDERAL DO PARANÁ CAMPUS CURITIBA DEPARTAMENTO DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA MECÂNICA E DE MATERIAIS - PPGEM IRAPUAN SANTOS ANÁLISE DOS PARÂMETROS DE ENTRADA NA ELETROEROSÃO DE PENETRAÇÃO DA LIGA DE TITÂNIO TI-6AL-4V CURITIBA AGOSTO - 2010 IRAPUAN SANTOS ANÁLISE DOS PARÂMETROS DE ENTRADA NA ELETROEROSÃO DE PENETRAÇÃO DA LIGA DE TITÂNIO TI-6AL-4V Dissertação apresentada como requisito parcial à obtenção do título de Mestre em Engenharia, do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Mecânica e de Materiais, Área de Concentração em Engenharia de manufatura, do Departamento de Pesquisa e Pós-Graduação, do Campus de Curitiba, da UTFPR. Orientador: Prof. Milton Luiz Polli, Dr. Eng. Co-orientador: Prof. Daniel Hioki, Dr. Eng. CURITIBA AGOSTO – 2010 TERMO DE APROVAÇÃO IRAPUAN SANTOS ANÁLISE DOS PARÂMETROS DE ENTRADA NA ELETROEROSÃO DE PENETRAÇÃO DA LIGA DE TITÂNIO TI-6AL-4V Esta Dissertação foi julgada para a obtenção do título de mestre em engenharia, área de concentração em engenharia de manufatura, e aprovada em sua forma final pelo Programa de Pós-graduação em Engenharia Mecânica e de Materiais. _________________________________ Prof. Giuseppe Pintaúde, Dr. Eng. Coordenador de Curso Banca Examinadora ___________________________ Prof. Jefferson de Oliveira Gomes, Dr. Eng. ITA ______________________________ Prof. Giuseppe Pintaúde, Dr. Eng. UTFPR __________________________ __ Prof. Paulo André de Camargo Beltrão, Ph.D. UTFPR ______________________________ Prof. Daniel Hioki, Dr. Eng. Co-orientador - UTFPR ______________________________ Prof. Milton Luiz Polli, Dr. Eng. Orientador – UTFPR Curitiba, 30 de agosto de 2010 À minha mãe, dona Grá. “Mas é preciso ter força, é preciso ter raça é preciso ter gana sempre, quem traz no corpo a marca, Maria, Maria, mistura a dor e a alegria”. (Milton Nascimento e Fernando Brant) À minha esposa, Bhel, por tudo. “À espera de viver ao lado teu por toda a minha vida”. (Tom Jobim / Vinícius de Moraes) Ao meu filho, que vai chegar, que tenha saúde, se orgulhe e seja um bom homem. “Sua mãe e eu... lhe damos as boas vindas... venha conhecer a vida”. (Caetano Veloso) AGRADECIMENTOS Primeiro, ao amigo e competente orientador Milton Luis Polli, pela crença na capacidade do mestrando, pelo apoio incondicional em todos os momentos e pela paciência. Também ao amigo e competente co-orientador Daniel Hioki, pelo zelo, compreensão, apoio e paciência dedicados em todo o trabalho. Ao professor e amigo Jefferson de Oliveira Gomes, do ITA, pelo duradouro apoio, mesmo à distância, e pela cessão da barra de titânio utilizada em todos os ensaios, além da preciosa colaboração na correção do trabalho. Aos professores da banca Paulo André de Camargo Beltrão e Giuseppe Pintaúde, pelas valiosas colaborações e pelo empenho em avaliar o trabalho À empresa Seecil Carbon Technologies Ltda. (METGRAPHITE), pela doação da barra de grafite EC 14, da MWI Inc. À Universidade Tecnológica Federal do Paraná, campi Curitiba e Ponta Grossa, pela cessão de recursos e locais. Ao Programa de Pós-Graduação em Engenharia Mecânica e de Materiais da UTFPR – PPGEM, pela oportunidade e recursos. Em especial aos professores Davi Fusão, Sandra M. K. Tramontin, Anderson G. M. Pukasiewicz, Guataçara dos Santos Júnior, Ivanir Luiz de Oliveira e Antão Rodrigo Valentin (pelo empréstimo da bomba e das válvulas) e Marcos Antônio Hrentchechen, colegas e amigos, pelo apoio e inestimável contribuição ao trabalho em sugestões e ajuda nos ensaios. Aos professores Cesar Arthur M. Chornobai e Marcela Fonseca Santos, pela ajuda na preparação e utilização de solução e equipamentos da área química. Ao professor e amigo Flávio Madalosso Vieira, pelo auxílio com normas e ortografia. À assistente administrativa do PPGEM, Maria da Graça Costa D. Constantino, pela simpatia e disposição na solução de problemas administrativos do mestrado. À Silvana Weinhardt de Oliveira, pela agilização de verba para manutenção quando a máquina parou de funcionar antes dos ensaios. Ao professor João Paulo Aires, chefe e amigo, pelo apoio e paciência com as necessidades de tempo dispensado ao presente trabalho e pelo empréstimo do notebook. Aos professores Fábio Martins, Jucélio Tomaz, Giuseppe Pintaúde, José Germano Hambrusch, Aloísio Schuitek (compadre), João Carlos Guimarães (obrigado pela mesa), Mário Teske, Márcio Mafra, Carlos Bavastri, Paulo Beltrão, Ossimar Maranho, Antônio Koslik Jr, Eduardo Nascimento, Maro Guérios, Paulo Borges, Walter Mikos, Pedro Amaral, Cláudio Ávila, Carlos Cziulik, Sílvio Junqueira, Carlos Henrique da Silva, Ivan Canone, Marcos F. de O. Schiefler F. e ao servidor Carlos Silvano “Lima” da Luz, pelo apoio, amizade e ajuda na solução de situações técnicas durante todo o trabalho. A todos os colegas de disciplinas no PPGEM, pelo mútuo apoio em diversos momentos. À acadêmica do curso técnico em mecânica da UTFPR (Ponta Grossa) Aline Franco Ferreira e aos acadêmicos de Engenharia Mecânica da UTFPR, Jéssica Machado de Oliveira (Ponta Grossa) e Adriano Gonçalves dos Passos (Curitiba), pelo inestimável auxílio na fabricação e marcação de eletrodos, medição da massa dos corpos de prova e eletrodos e medição da rugosidade, respectivamente. Aos vigilantes da UTFPR Campus Ponta Grossa, Franco A. F. de Oliveira, Gelson L. de Almeida, Gilberto L. Fornazari, Marcos R. dos Santos e Wellington D. dos Santos pelo auxílio e alerta durante as usinagens que ocorreram nas madrugadas e fins de semana. Ao amigo e Herr Professor Walter Lindolfo Weingaertner, pelo exemplo de profissionalismo e competência acadêmica; pela oportunidade de trabalhar em pesquisa pela primeira vez e por muito do que aprendi de usinagem. SANTOS, Irapuan, Análise dos parâmetros de entrada na eletroerosão de penetração da liga de titânio Ti-6Al-4V. 2010, Dissertação (Mestrado em Engenharia) - Programa de Pós-graduação em Engenharia Mecânica e de Materiais, Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Curitiba, 126 f. RESUMO A eletroerosão tem servido de alternativa para usinagem de materiais de difícil usinagem em geometrias complexas. As ligas de titânio são materiais de alto desempenho e possuem características de resistência que tornam sua usinagem complicada. A interação do material com a tecnologia de corte é interessante para a produção de superfícies complexas em aplicações de alta tecnologia. Este trabalho procura estabelecer, através de um método de planejamento de experimentos (DOE), correlações entre o tempo de onda ligado, a corrente, o duty time e a polaridade na eletroerosão de penetração da liga Ti-6Al-4V com eletrodos de grafite e os resultados do trabalho em termos de taxa de remoção, desgaste relativo, rugosidade e camada branca gerada. As relações entre os parâmetros de entrada e os parâmetros de saída do processo foram tratadas estatisticamente e apresentadas em forma gráfica. Foi verificada a vantagem em termos de acabamento da utilização da polaridade positiva no eletrodo, Apesar da pequena remoção de material. Esta possibilidade é incomum e não explorada na literatura. Foram também encontradas formações indesejáveis (protuberâncias) para situações específicas de usinagem com polaridade negativa no eletrodo, especialmente em maiores tempos de onda ligados, que comprometem a utilização da superfície usinada. Palavras-chave: eletroerosão, ligas de titânio, usinagem. SANTOS, Irapuan, Analysis of the input parameters on Ti-6Al-4V alloy die-sinking EDM. 2010, Dissertation (Masters in Engineering) – Post-Graduate in Mechanical Engineering and Materials. Federal University of Technology Paraná, Curitiba, 126 p. ABSTRACT Electro discharge machining has served as an alternative process for removing materials difficult to machining in complex geometries. The titanium alloys are considered high performance materials with high strength resistance characteristics which implies its machining is rather complicated. Interaction between both material and machining technology is useful to produce complex surfaces in high technologies applications. This study aims to stablish the correlation between the factors: on-time, current, duty time and polarity in electrical discharge machining of Ti-6Al-4V, whit graphite electrodes. The approach employed involves the Design of Experiments (DOE) Method. The control variables are: material removal rate, relative wear, roughness and white layer generated thickness. The relationship between input parameters and output process parameters were statistically examined. The obtained results indicated the advantage in terms of finishing when using the positive polarity on the electrode, in despite of the small material removal rate. This option is unusual and not found in literature. Undesirable formations (protuberances) were also found for specific machining with negative polarity on the electrode, especially in higher on-times. This formations can compromise the use of the machined surface. Keywords: electrical discharge machining, titanium grades. LISTA DE FIGURAS Figura 1.1 – Princípio da usinagem por eletroerosão a seco (ABBAS, SOLOMON E BAHARI, 2007)......... Figura 1.2 – Classificação da maiores áreas de pesquisa na eletroerosão, segundo Ho e Newman (2003)........................................................................................................................................................ Figura 1.3 – Distribuição do número de pesquisas em EDM, ainda segundo Ho e Newman (2003)................................................................................................................................................ Figura 2.1 – Micro furos com geometria complexa obtidos por micro EDM (imagens obtidas em microscópio eletrônico de varredura) (RAJURKAR e YU, 2000)................................................................ Figura 2.2 – Esquema da usinagem por eletroerosão a fio (TARNG, MA e CHUNG, 1995)....................... Figura 2.3 – Esquema da usinagem de eletroerosão por penetração (DUNIβ, NEUMANN e SCHWARTZ, 1979 apud YOUSSEF e EL-HOFY, 2008)................................................................................. Figura 2.4 – Diferença da taxa de remoção para catodo e anodoem função de TON (DIBITONTO et al, 1989)......................................................................................................................................................... Figura 2.5- Sequência do processo de descarga de uma faísca em eletroerosão (WEINGAERTNER, 199-?)........................................................................................................................................................ Figura 2.6 – Formato e perfil da cratera formada por condições de usinagem diferentes em eletroerosão (SCHUMACHER, 2004)......................................................................................................... Figura 2.7 – Exemplos de superfícies obtidas em microscópio eletrônico de varredura para vários materiais de peça em eletroerosão de penetração: (a) alumínio, (b) prata, (c) latão, (d) cobre, (e) níquel, (f) aço, (g) platina, (h) titânio, (i) aço inoxidável, (j) tântalo, (k) molibdênio e (l) tungstênio. Material do eletrodo: prata-tungstênio (MAHARDIKA, TSUJIMOTO e MITSUI, 2008)......................................................................................................................................................... Figura 2.8 – Camadas existentes em superfície gerada por eletroerosão de titânio Ti-6Al-4V com eletrodos de grafite, TON 150 µs, corrente 3ª, DT 60%, polaridade negativa no eletrodo...................... Figura 2.9 – Camada negra (Black layer) obtida na usinagem de aço BS 4695 D2, com eletrodo de tungstênio-cobre (75-25) com polaridade positiva, DT = 80%, observado por EDS (energy dispersive spectroscopy) em SEM (microscópio eletrônico de varredura) (MARAFONA, 2007)................................ Figura 2.10 – Comportamento da rugosidade média Ra em função do TON para diversas correntes. TOFF = 2 µs, material da peça P20, eletrodo de cobre eletrolítico (KIYAK e ÇAKIR, 2007)......................................................................................................................................................... Figura 2.11 – Plotagem axonométrica de superfície 3D obtida na eletroerosão de aço ferramenta (0,38%C; 16% Cr), TON = 750 μs, TOFF = 100 µs, i= 11, 18 A (RAMASAWMY e BLUNT, 2004)......................................................................................................................................................... Figura 2.12 - Exemplo de análise de desgaste em eletroerosão através de rugosímetro. Material da peça Cobre e material do eletrodo Prata-Tungstênio (MAHARDIKA, TSUJIMOTO e MITSUI, 2008)......................................................................................................................................................... Figura 2.13 – Evolução do desgaste do eletrodo em comprimento e no raio de canto em função do tempo de usinagem, eletrodos de cobre, polaridade positiva, peça de aço ABNT 1045, i= 8A, TON = 96 μs, DT = 50% (MOHRI et al., 1995)............................................................................................................ Figura 2.14 – Estruturas α (à esquerda) e β (à direita), formadas nas ligas de titânio (LEYENS e PETERS, 2003)........................................................................................................................................... Figura 2.15 – Estruturas formadas em Ti-8Al-1Mo-1V. Em (a) se observam grãos α (claros) em uma matriz α+β (escura). Em (b) notam-se grãos da fase (claros) em uma matriz transformada (escura). Em (c), fase β grosseira (escura) a fase α acicular fina (branca) (ASM HANDBOOK – v 02, 1997)......................................................................................................................................................... Figura 2.16 – Gráfico de resfriamento da liga Ti-6Al-4V, mostrando suas microestruturas (LEYENS e PETERS, 2003)........................................................................................................................................... Figura 2.17 – Velocidade da usinagem e temperatura da peça em função do DT. Material da peça Ti6Al-4V, eletrodo de cobre com polaridade negativa e TON 20 μs (FONDA et al., 2008)............................ Figura 3.1 – Suporte utilizado na fixação dos eletrodos........................................................................... Figura 3.2 – Marcação dos corpos de prova (feita em furadeira)............................................................. 18 18 19 23 24 25 27 28 32 36 37 37 38 39 40 41 43 44 45 47 49 49 Figura 3.3 – Fixação dos eletrodos no suporte e na máquina de eletroerosão........................................ Figura 3.4 – Fixação dos corpos de prova e posicionamento do jato de limpeza lateralmente............... Figura 3.5 – Usinagem dos corpos de prova nos pré-ensaios................................................................... Figura 3.6 – Formação de estalagmites durante a usinagem do corpo de prova 01. A estalagmite mostrada foi resultante de corrente 6A, Ton 50 μs, DT 80%, limpeza por jato lateral, polaridade negativa no eletrodo e regime de usinagem contínuo............................................................................. Figura 3.7 – Resultado no corpo de prova 01........................................................................................... Figura 3.8 – Desgaste nos eletrodos no corpo de prova 03...................................................................... Figura 3.9 – Resultado no corpo de prova 03........................................................................................... Figura 3.10– Formação de protuberâncias nos corpo de prova e vazio nos eletrodos durante a usinagem do corpo de prova 02............................................................................................................... Figura 3.11 – Comparação entre os corpos de prova 02 (acima) e 03(abaixo)......................................... Figura 3.12 – Marca de desgaste em eletrodo usado para o corpo de prova 04. Condições de ensaio: polaridade negativa no eletrodo, limpeza com jato lateral, sistema de usinagem com retração de 0,5 mm e 0,5 s de tempo de usinagem, TON 50 μs, corrente 3A e DT 35%..................................................... Figura 3.13 – Corpo de prova 04 após usinagem em pré-testes....................................................... Figura 3.14 – Método de medição de rugosidade utilizado nos pré-ensaios. Cutoff = 0,8 mm e 3 comprimentos de amostra........................................................................................................................ Figura 3.15 – Comportamento da rugosidade com o TON para diversas situações. Salvo indicação em contrário, a limpeza foi por jato lateral, com regime de retração da máquina (0,5 s x 0,5 mm), polaridade negativa no eletrodo e DT = 35%............................................................................................ Figura 3.16 – Comportamento da rugosidade Ra para três valores de DT e para uma ampla faixa de TON. A corrente é de 15 A e o eletrodo tem polaridade negativa............................................................. Figura 3.17 – Relação do tempo para atingir a profundidade de 2 mm no corpo de prova em função de TON. Condições de ensaio, salvo indicações em contrário: polaridade negativa no eletrodo, limpeza com jato lateral, sistema de usinagem com retração de 0,5 s x 0,5 mm e DT 35%............................................................................................................................................................ Figura 3.18 – Evolução do tempo de usinagem com o aumento de TON, para três DT. Condições de ensaio: polaridade negativa no eletrodo, limpeza com jato lateral e sistema de usinagem com retração de 0,5 s x 0,5 mm........................................................................................................................ Figura 3.19 – Relação do desgaste máximo no eletrodo para atingir a profundidade de 2 mm no corpo de prova em função de TON. Condições de ensaio, salvo indicações em contrário: polaridade negativa no eletrodo, limpeza com jato lateral, sistema de usinagem com retração 0,5 s x 0,5 mm e DT 35%...................................................................................................................................................... Figura 3.20 – Relação do desgaste máximo no eletrodo para atingir a profundidade de 2 mm no corpo de prova para uma maior faixa de TON e três DT. Condições de ensaio: polaridade negativa no eletrodo, limpeza com jato lateral e sistema de usinagem com retração de 0,5 s x 0,5 mm................... Figura 4.1 – Eletrodo com dimensões, marcação e posicionamento para os ensaios.............................. Figura 4.2 - Medição da massa inicial dos corpos de prova...................................................................... Figura 4.3 – Forno mufla e disposição utilizadas para secagem dos eletrodos........................................ Figura 4.4 – Máquina de eletroerosão disponível no laboratório de usinagem da UTFPR, campus Ponta Grossa............................................................................................................................................. Figura 4.5 – Sistema de fixação dos eletrodos e corpos de prova utilizados nos ensaios........................ Figura 4.6 – Alinhamento do suporte dos eletrodos................................................................................. Figura 4.7 – Esquema do sistema auxiliar de limpeza montado para os ensaios...................................... Figura 4.8 – Sistema auxiliar de limpeza montado na máquina. Em cima se observa a ligação elétrica (a)(disjuntor), bomba de engrenagens, acoplamento, válvula de segurança e mangueiras (b) e o conjunto válvula de agulha, manômetro e mangueiras (c e d)................................................................. Figura 4.9 – Posicionamento dos corpos de prova para os ensaios.......................................................... Figura 4.10– Alinhamento do bocal de limpeza sobre o corpo de prova momentos antes dos ensaios...................................................................................................................................................... Figura 4.11 – Medição de rugosidades dos corpos de prova.................................................................... Figura 4.12 - Cortadeira metalográfica de precisão ISOMET 4000, da Buehler, utilizada no corte dos corpos de prova........................................................................................................................................ 50 50 51 52 53 53 54 54 55 55 56 57 58 59 60 61 61 62 67 68 69 71 72 72 73 74 76 76 78 78 Figura 4.13 – Embutidora utilizada e posicionamento das amostras para embutimento e posterior lixamento e polimento.............................................................................................................................. Figura 4.14 - Marcação com caneta gravadora elétrica das posições dos corpos de prova para posterior análise metalográfica................................................................................................................ Figura 4.15 – Lixadeira/politriz metalográfica semiautomática Buehler, modelo Beta, utilizada na preparação metalográfica dos corpos de prova....................................................................................... Figura 4.16 – Micrografia obtida no corpo de prova 7. Aumento de 500x............................................... Figura 4.17 – Exemplos de protuberâncias nas superfícies dos corpos de prova nos ensaios. Os corpos de prova mostrados estão na mesma posição em relação à usinagem.................................................... Figura 4.18 – Vazios formados nos eletrodos........................................................................................... Figura 4.19 – Possibilidade de interrupção do fluxo de limpeza em função do pocket formado no eletrodo com retração menor que a profundidade de usinagem..................................................... Figura 4.20 – Formação de protuberâncias para situação de eletrodo com seção transversal menor que os corpos de prova............................................................................................................................. Figura 5.1 – Gráfico dos efeitos principais sobre a média de rugosidade média Ra (μm), com intervalos de confiança calculados para probabilidade de 95%............................................................... Figura 5.2 – Interação de parâmetros de entrada sobre a rugosidade Ra em μm.................................... Figura 5.3 – Gráfico dos efeitos principais sobre a média da taxa de remoção (mm3/min), com intervalos de confiança calculados para probabilidade de 95%............................................................... Figura 5.4 – Interação de parâmetros de entrada sobre a taxa de remoção de material em mm3/min................................................................................................................................................... Figura 5.5 – Gráfico dos efeitos principais sobre a média de desgaste relativo (%), com intervalos de confiança calculados para probabilidade de 95%..................................................................................... Figura 5.6 – Interação de parâmetros de entrada sobre o desgaste relativo em %................................. Figura 5.7 – Gráfico dos efeitos principais sobre a espessura média da camada branca formada (μm), com intervalos de confiança calculados para probabilidade de 95%....................................................... Figura 5.8 – Micrografia do corpo de prova A26, mostrando a variação da camada branca obtida. Ampliação de 500 x................................................................................................................................... Figura 5.9 – Interação de parâmetros de entrada sobre a espessura da camada branca em μm............ Figura 5.10 – Corpos de prova obtidos com a repetição dos ensaios com i =24 A, DT = 30%, T ON = 150 A e polaridade negativa no eletrodo; com eletrodo menor que o corpo de prova. Os eletrodos forma fotografados na mesma posição em relação à montagem para o ensaio................................................ Figura 5.11 – Gráfico dos efeitos principais sobre a formação de protuberâncias................................... Figura 5.12 – Influência da interação de parâmetros de entrada sobre a formação de protuberâncias.......................................................................................................................................... Figura 5.13 – Comparação entre regiões de protuberância (à esquerda, com ampliação de 200 x) e regiões fora da protuberância (à direita, com ampliação de 500x), para ensaios 12 (em cima, com i = 3 A, TON = 150 μs, DT = 60% e polaridade negativa), 18 e 20 (demais, com i = 24 A, T ON = 150 μs, DT = 30% e polaridade negativa)....................................................................................................................... Figura 6.1 – Quadro resumido das influências dos parâmetros de entrada sobre os parâmetros de saída.......................................................................................................................................................... 79 79 80 81 82 82 83 84 87 89 90 91 92 93 94 95 96 99 99 100 102 104 LISTA DE TABELAS Tabela 2.1 – Propriedades físicas de eletrodos de cobre e de grafite (CHE HARON et al., 2008)............ Tabela 2.2 – Propriedades do titânio em comparação a outros metais (LEYENS e PETERS, 2003).......... Tabela 3.1 – Condições utilizadas nos pré-ensaios................................................................................... Tabela 3.2 – Organização dos pré-ensaios realizados. Os ensaios dos corpos de prova 1 foram os únicos realizados sem retração do eletrodo. Os ensaios do corpo de prova 2 foram realizados com aumento do gap e da velocidade do servomotor na máquina................................................................. Tabela 3.3 – Resultados obtidos nos pré-ensaios realizados.................................................................... Tabela 4.1– Níveis especificados para os parâmetros a serem analisados............................................... Tabela 4.2 – Sequência determinada para os ensaios.............................................................................. Tabela 4.3 – Propriedades de várias grades de grafite (METGRAPHITE, 2009)........................................ Tabela 4.4 – Propriedades físico-químicas do fluido dielétrico Electron, da Archem Química Ltda. (ARCHEM, 2010)....................................................................................................................................... Tabela 4.5 – Parâmetros fixos utilizados nos ensaios............................................................................... Tabela 4.6 - Sequência adotada de lixamento e polimento na preparação metalográfica...................... Tabela 4.7 – Ensaios substituídos em função da modificação do valor da retração do eletrodo............. Tabela 4.8 – Distribuição dos ensaios realizados em função das condições de ensaio............................ Tabela 5.1 – Ensaios e valores dos parâmetros utilizados nos ensaios, com a média das rugosidades Ra associada.............................................................................................................................................. Tabela 5.2 – Corpos de prova ensaiados e atribuição de valor (v) aos defeitos superficiais (protuberâncias) encontrados. Os eletrodos forma fotografados na mesma posição em relação à montagem para o ensaio.......................................................................................................................... 34 43 48 52 56 65 66 67 74 77 80 83 85 87 98 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS CNC EDM EDS GD GND HSM SEM - Comando Numérico Computadorizado Electrical Discharge Machining Energy Dispersive Spectroscopy Geometria Definida Geometria Não Definida High Speed machining Scanning Electron Microscopy LISTA DE SÍMBOLOS ap DT fz i MRR n R Ra Rq Rz RyDIN Rt t TOFF TON U UA vc vf Vfc Vfe Vic Vie τ - - Profundidade de corte (mm) Duty Time (%) Avanço por dente (mm) Corrente (A) Taxa de remoção de material (mm3/min) Rotação (rpm) Tempo de retração do eletrodo (s) Rugosidade média Aritmética (µm) Rugosidade média Quadrática (µm) Altura de cinco pontos de rugosidade (µm) Altura máxima de perfil segundo norma DIN (µm) Rugosidade máxima (µm) Tempo de usinagem (min) Tempo de onda desligado (µs) Tempo de onda ligado (µs) Tempo de sequência de descargas (s) Incerteza de resultado tipo A Velocidade de corte (m/min) Velocidade de avanço (mm/min) Volume final do corpo de prova (mm3) Volume final do eletrodo (mm3) Volume inicial do corpo de prova (mm3) Volume inicial do eletrodo (mm3) Relação de contato (%) Desgaste relativo (%) SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO..................................................................................... 17 1.1 Objetivos................................................................................................................... 20 2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA................................................................... 21 2.1 Eletroerosão.............................................................................................................. 2.1.1 Fundamentos do processo de eletroerosão........................................................... 2.1.2 Parâmetros influentes no processo de eletroerosão............................................. 2.1.2.1 Parâmetros de controle...................................................................................... a) Polaridade................................................................................................................... b) Corrente (i).................................................................................................................. c) Tempo de onda ligado (TON)........................................................................................ d) Tempo de onda desligado (TOFF).................................................................................. e) Duty time (DT)............................................................................................................. f) Tempo de retração (R) e tempo de sequência de descargas (U)................................. 2.1.3 Materiais de eletrodo............................................................................................. 2.1.3.1 Grafite................................................................................................................. 2.1.4 Análise do processo de eletroerosão..................................................................... 2.1.4.1 Integridade de superfície.................................................................................... 2.1.4.2 Taxa de remoção de material e desgaste do eletrodo........................................ 2.1.4.3 Gap...................................................................................................................... 2.2 Titânio....................................................................................................................... 2.2.1 Histórico do titânio................................................................................................. 2.2.2 Propriedades do titânio.......................................................................................... 2.2.3 Ligas de titânio....................................................................................................... 2.2.3.1 Aplicações das ligas de titânio............................................................................. 2.2.3.2 Usinabilidade das ligas de titânio........................................................................ 21 25 28 31 31 31 32 32 33 33 33 34 35 35 39 40 41 41 42 43 45 46 3 PRÉ-ENSAIOS...................................................................................... 48 3.1 Influência dos parâmetros na macrogeometria dos eletrodos e corpos de prova... 3.2 Influência dos parâmetros sobre a rugosidade......................................................... 3.3 Influência dos parâmetros no tempo de usinagem e no desgaste do eletrodo....... 3.4 Aspectos identificados nos pré-ensaios.................................................................... 52 57 59 62 4 MATERIAIS E MÉTODOS..................................................................... 64 4.1 Projeto dos experimentos......................................................................................... 4.2 Preparação dos corpos de prova............................................................................... 4.3 Medição da massa inicial dos corpos de prova e dos eletrodos............................... 4.4 Medição da massa final dos corpos de prova e dos eletrodos.................................. 4.5 Preparação da máquina............................................................................................ 4.5.1 Sistema de fixação.................................................................................................. 4.5.2 Sistema de limpeza................................................................................................. 4.6 Sequência e ajustes gerais dos ensaios.................................................................... 4.7 Medição da rugosidade............................................................................................. 4.8 Medição da camada branca..................................................................................... 64 66 68 70 71 71 73 75 77 78 4.9 Problemas ocorridos nos ensaios e soluções adotadas........................................... 81 4.10 Tratamento dos dados............................................................................................ 84 5 RESULTADOS E DISCUSSÃO................................................................ 87 5.1 Tratamento e análise de dados para a rugosidade................................................. 5.2 Tratamento e análise de dados para a taxa de remoção.......................................... 5.3 Tratamento e análise de dados para o desgaste relativo.......................................... 5.4 Tratamento e análise de dados para a espessura da camada branca....................... 5.5 Tratamento e análise de dados para a formação de protuberâncias....................... 87 89 91 94 97 6 CONCLUSÕES E SUGESTÕES PARA TRABALHOS FUTUROS................ 103 6.1 Resultados obtidos.................................................................................................... 103 6.2 Métodos empregados............................................................................................... 105 6.3 Sugestões para trabalhos futuros............................................................................. 106 REFERÊNCIAS........................................................................................ 107 APÊNDICES............................................................................................ 114 17 1 INTRODUÇÃO Os processos de fabricação de superfícies técnicas têm por finalidade atender às exigências de qualidade e precisão cada vez maiores em componentes. Existe uma ampla gama de possibilidades no momento da opção pelo processo de fabricação de superfícies. Pode-se utilizar fundição, conformação, injeção, tecnologia do pó, usinagem, soldagem, injeção, aspersão, entre outras; além da possibilidade de se utilizar vários processos combinados sequencialmente. Quando as exigências de precisão, tanto dimensional como de forma, e qualidade superficial são elevadas, a usinagem das superfícies como processo de finalização é, indiscutivelmente, a opção mais procurada. A eletroerosão por penetração é um processo de usinagem amplamente utilizado na fabricação de cavidades para moldes e matrizes, na usinagem de sistemas mecânicos e microeletrônicos, e em aços ferramenta tratados (LEE, HSU e TAI, 2004; CHE HARON et al., 2008; AMORIM, 2002). Sua capacidade de realizar formatos complexos e usinar materiais de alta dureza a torna uma excelente opção para estes campos (LEE e TAI, 2003). Embora em princípio não seja um processo caro, as pequenas taxas de remoção, em comparação com os chamados processos convencionais de usinagem, tornam o custo dos componentes produzidos elevado. Algumas modificações no processo, como a utilização de eletrodos de grafite, permitem o aumento da corrente utilizada, aumentando a taxa de remoção e assim a velocidade do processo. Este aumento da corrente pode causar mais danos térmicos como fissuras e modificações metalúrgicas que podem prejudicar a utilização dos componentes usinados. O problema pode ser minimizado pela utilização correta de parâmetros de entrada, como corrente e tempo de onda ligado, que levem a menores danos ao material da peça e sejam economicamente viáveis. Menores danos ao material da peça podem, inclusive, facilitar um processo posterior de acabamento da peça, ou, até mesmo, torná-lo viável, haja vista que uma superfície danificada poder tornar impossível a correção por processos como o polimento. 18 Apesar da importância do problema, ainda existem poucos estudos da influência dos parâmetros de entrada para o processo de eletroerosão com grafite, especialmente porque a variedade de materiais a serem trabalhados é bastante grande. Desenvolvimentos em muitas áreas da eletroerosão têm sido realizados, como vibração ultrasônica do eletrodo, usinagem a seco (mostrada na figura 1.1), aditivos sólidos ao dielétrico, água como dielétrico e modelagem matemática do processo (ABBAS, SOLOMON E BAHARI, 2007). Figura 1.1 – Princípio da usinagem por eletroerosão a seco (ABBAS, SOLOMON E BAHARI, 2007). Os estudos sobre a eletroerosão foram divididos por Ho e Newman (2003) como mostra a figura 1.2. Linhas de pesquisa em eletroerosão Otimização das variáveis do processo Monitoramento e controle do processo Melhoria de performance Desenvolvimentos em eletroerosão Parâmetros elétricos e não elétricos Domínio de pulso/tempo Remoção de material Aplicações da eletroerosão Projeto e fabricação de eletrodos Lógica fuzzi Desgaste Processos de usinagem híbridos Rádio frequência Qualidade superficial Figura 1.2 – Classificação da maiores áreas de pesquisa na eletroerosão, segundo Ho e Newman (2003). 19 O número de trabalhos nestas áreas, também levantado por Ho e Newman (2003) pode ser visto na figura 1.3. Número de trabalhos publicados 70 60 50 40 30 20 10 0 Otimização das variáveis do processo Monitoramento e controle do processo Melhoria de desempenho Desenvolvimentos em eletroerosão Figura 1.3 – Distribuição do número de pesquisas em EDM, ainda segundo Ho e Newman (2003). Por outro lado, a utilização de ligas de titânio representa uma parcela específica de aplicações, devido ao seu alto custo e dificuldade em ser trabalhado. Suas características únicas de resistência garantem o seu emprego em aplicações de alta tecnologia, como a indústria automotiva e aeroespacial, especialmente a liga Ti-6Al-4V (FONDA et al, 2008), de implantes ortodônticos e médicos, de supercondutores (ligado com nióbio) e de materiais com memória (ligado com níquel) (ASM HANDBOOK – v 02, 1997). A dificuldade em se usinarem formas complexas em materiais de alto desempenho como ligas de titânio pode ser ultrapassada pelas características de usinagem presentes no processo de eletroerosão (FONDA et al., 2008). Esta possibilidade é especialmente interessante com o advento das máquinas de eletroerosão 8 eixos, e a possibilidade da aplicação da tecnologia eletroerosiva na fabricação de propulsores de foguetes, em liga de titânio. Neste contexto, o presente trabalho propõe a análise da influência dos parâmetros de entrada para a usinagem da liga de titânio Ti-6Al-4V, visando estabelecer 20 uma correlação destes com os níveis de danos resultantes na peça e resultado de trabalho, aumentando o conhecimento das potencialidades do processo. No capítulo 2 é apresentada uma revisão bibliográfica sobre o processo de eletroerosão, suas variáveis e os estudos na área. Encontra-se também uma revisão sobre ligas de titânio e sua usinabilidade. No capítulo 3 é apresentada uma sequência de pré-ensaios, com os resultados obtidos, que serviram para balizar o método empregado nos ensaios. Este método é apresentada no capítulo 4, incluindo o projeto de experimentos (DOE), a preparação de máquina, eletrodos e corpos de prova, a sequência de ensaios, as medições, os problemas ocorridos durante os ensaios e o tratamento adotado para solucionar esses problemas. No capítulo 5 são realizados o tratamento dos dados de forma gráfica, e as análises dos resultados obtidos, incluindo a análise estatística das influências observadas. As conclusões do trabalho e sobre os métodos empregados são apresentadas no capítulo 6. 1.1 Objetivos O objetivo principal deste trabalho é compreender o processo de eletroerosão por penetração com eletrodos de grafite em liga de titânio, por meio da correlação dos parâmetros de entrada (corrente, polaridade, tempo de onda ligado e duty time) e os resultados do processo, em termos da integridade da superfície obtida, do desgaste relativo entre eletrodo e peça e da taxa de remoção de material. Para tal foram realizados ensaios de usinagem em eletroerosão e avaliados os resultados e comportamentos na usinagem, correlacionados com os parâmetros de entrada descritos. O objetivo secundário é o de desenvolver dispositivos e utilizar métodos adequados para a execução dos ensaios, de maneira a conseguir resultados estatisticamente coerentes. 21 2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA Na literatura inglesa os processos de usinagem são comumente divididos em processos convencionais de usinagem e processos não convencionais de usinagem (BEDDOES e BIBBY, 2003; YOUSSEF e El-HOFY, 2008). A literatura alemã, porém, divide os processos de usinagem em três grupos: processos de usinagem com ferramentas de geometria definida, processos de usinagem com ferramentas de geometria não definida e processos especiais de usinagem (WEINGAERTNER, 199-?). Neste trabalho esta será a divisão utilizada. Os processos de usinagem com ferramentas de geometria definida (GD) são os mais comuns e também os que são empregados para maiores produções. Entre eles estão o torneamento, o fresamento e a furação. Os processos de usinagem com ferramentas de geometria não definida (GND) são caracterizados por seu excelente acabamento superficial. Dentre esses processos encontram-se a retificação, o brunimento e a lapidação. Os processos especiais de usinagem formam uma categoria cuja tecnologia e aplicações são diferenciadas dos anteriores (GD e GND). Enquanto nesses processos a ideia básica é sempre de uma (ou mais) ferramenta sólida em cunha penetrando no material, em processos especiais essa formatação não existe. Os processos especiais de usinagem utilizam tecnologias e conceitos novos, se comparados com processos GD e GND, e surgiram para suprir necessidades específicas, porém com o tempo passaram a ocupar mais espaços na usinagem e a serem mais competitivos (BENEDICT, 1987). Entre estes processos podemos citar a usinagem com jato d´água, a usinagem eletroquímica, a usinagem por laser e a eletroerosão. 2.1 Eletroerosão A eletroerosão é o mais utilizado e popular dos processos especiais de usinagem (HO e NEWMAN, 2003; KIYAK e ÇAKIR, 2007), e se baseia no fenômeno de descargas elétricas não estacionárias (faíscas) controladas para fundir e vaporizar parcelas do material, configurando através da remoção dessas parcelas de material a usinagem de uma determinada superfície. 22 Também conhecido por EDM (do inglês electrical discharge machining), o processo se estabeleceu no início da década de 40, na universidade de Moscou, através do desenvolvimento de dois cientistas, Boris R. Lazarenko e Natalie I. Lazarenko (GUITRAU, 1997; HO e NEWMAN, 2003; LEÃO e PASHBY, 2004; KIYAK e ÇAKIR, 2007). Trabalhos similares se desenvolveram aproximadamente na mesma época nos Estados Unidos, para a retirada de machos e brocas quebradas de válvulas hidráulicas. A partir da década de 80, com a utilização da tecnologia CNC, as máquinas tiveram grande avanço, embora já fossem utilizadas desde a década de 50 (HO e NEWMAN, 2003). O processo possui grande aplicação em usinagem de peças com geometria complexa e alta dureza, tais como moldes e matrizes, setores automotivo, aeroespacial, médico, ótico, de joalheria, dental, de ferramentas, de prototipagem e de componentes cirúrgicos (SIMAO et al, 2003; HO e NEWMAN, 2003; RAMASAWMY e BLUNT, 2004; FONDA et al., 2008). Segundo Ho e Newman (2003) e Tsai, Yan e Huang (2003), a ausência de contato entre peça e ferramenta evita o aparecimento de forças de usinagem na superfície e vibrações durante o processo, o que faz com que, devido à ausência de tensões mecânicas, a precisão dos componentes fabricados seja maior e os dispositivos de fixação sejam menos robustos, o que leva a redução de custo. Os processos de eletroerosão podem ser aplicados a situações bem específicas como a fabricação de microfuros (faixa de 100 µm), como mostrado na figura 2.1 (RAJURKAR e YU, 2000). Também é possível a aplicação em usinagem de cerâmicas condutoras (dopadas) (SANCHES et al, 2001 apud HO e NEWMAN, 2003), ou até mesmo cerâmicas não condutoras, com eletrodos auxiliares (assistidos) (FUKUZAWA et al., 2004). As áreas mais clássicas de aplicação de EDM, como a fabricação de moldes e matrizes promovem o desenvolvimento da tecnologia, especialmente sua produtividade, para se manter como processo viável em função da demanda e pequeno ciclo de vida de componentes (HO e NEWMAN, 2003). As áreas mais clássicas de aplicação de EDM, como a fabricação de moldes e matrizes promovem o desenvolvimento da tecnologia, especialmente sua produtividade, 23 para se manter como processo viável em função da demanda e pequeno ciclo de vida de componentes (HO e NEWMAN, 2003). Figura 2.1 – Microfuros com geometria complexa obtidos por micro EDM (imagens obtidas em microscópio eletrônico de varredura) (RAJURKAR e YU, 2000). O processo de usinagem por eletroerosão se estabeleceu como uma alternativa para a usinagem de materiais de difícil usinabilidade e geometrias complexas. O desenvolvimento do processo, especialmente em termos de taxas de remoção, fez com que se estabelecesse como processo competitivo, extendendo suas aplicações (HO e NEWMAN, 2003). As bases de seu controle ainda são muito empíricas, em função da diversidade e complexidade dos fenômenos elétricos e não-elétricos envolvidos no processo. Existe uma necessidade do processo de contínuo desenvolvimento para se manter competitivo em relação a processos como a usinagem de altas velocidades (HSM), que possui facilidade para usinagem de materiais duros (40-60 HRC), por exemplo (HO e NEWMAN, 2003). Os processos de eletroerosão podem ser divididos em três tipos: eletroerosão por penetração, eletroerosão a fio e retificação eletroerosiva (WEINGAERTNER, 199-?). A eletroerosão a fio é bastante comum e utiliza de um arame metálico como eletrodo para recortar cavidades. Com a utilização de comandos CNC com mais de cinco eixos torna-se um processo muito versátil, e com grande aplicação em matrizaria. Possui vantagens em termos de velocidade de usinagem, custo e velocidade de reposição de eletrodo em relação ao processo de eletroerosão de penetração. Normalmente usa água deionizada como dielétrico (LEÃO e PASHBY, 2004). 24 A figura 2.2 mostra um esquema do processo de eletroerosão a fio. Figura 2.2 – Esquema da usinagem por eletroerosão a fio (TARNG, MA e CHUNG, 1995). Já o processo de eletroerosão por penetração tem a capacidade de fabricar cavidades com fundo (conhecidas por cegas) e é um processo amplamente utilizado. Suas desvantagens em relação aos outros tipos de eletroerosão dizem respeito à fabricação e substituição de seus eletrodos e limpeza da área de trabalho. Normalmente, usa um tipo de óleo hidrocarboneto como dielétrico (LEÃO e PASHBY, 2004). A figura 2.3 mostra um esquema de eletroerosão por penetração. Na busca de melhor desempenho para o processo de eletroerosão, foram ainda desenvolvidos trabalhos que envolvem processos híbridos de eletroerosão com retificação, usinagem a laser e usinagem de alta velocidade (HSM) (HO e NEWMAN, 2003: ASPINWALL et al., 2001), ou usinagem ultrassônica, para a produção de microfuros de até 5 μm de diâmetro (ZHIXIN, JIANHUA e XING, 1997; ABBAS, SOLOMON e BAHARI, 2007; RAMASAWMY e BLUNT, 2004). 25 1 – Eletrodo Peça 2 – Dielétrico 3 – Eletrodo Ferramenta 4 – Avanço 5 – Movimento oscilatório 6 – Gerador de pulso 7 – Fenda de trabalho (gap) 8 – Retificador de corrente Figura 2.3 – Esquema da usinagem de eletroerosão por penetração (DUNIβ, NEUMANN e SCHWARTZ, 1979 apud YOUSSEF e EL-HOFY, 2008) 2.1.1 Fundamentos do processo de eletroerosão O processo de eletroerosão consiste basicamente da aproximação de um eletrodo ferramenta (conhecido normalmente apenas como eletrodo) e um eletrodo peça (peça) com polaridades diferentes, embora seja possível e menos interessante a utilização de corrente alternada. Entre os dois eletrodos normalmente se usa um fluido dielétrico, que pode ser água deionizada, um óleo ou querosene. Quando se atinge certa distância entre eletrodo e peça, denominada gap, que normalmente varia entre 5 e 100 μm (SIMAO et al, 2003), um processo de formação de uma faísca elétrica ocorre (WEINGAERTNER, 199?; GUITRAU, 1997; BENEDICT, 1987). Em nível micrométrico, a sequência do processo de usinagem pode ser explicada através de quatro fases (AMORIM, 2002): 1. Fase de ignição da faísca. 2. Formação do canal de plasma. 3. Fusão e evaporação de parcelas do material de peça e eletrodo. 4. Ejeção do material fundido. A fase de ignição da faísca é dada na aproximação da peça e ferramenta, quando se atinge o gap. O aumento do campo elétrico entre as superfícies da peça e do eletrodo 26 faz com que elétrons do catodo sejam acelerados em direção ao anodo. Durante seu percurso, esses elétrons colidem com moléculas do dielétrico liberando mais elétrons e formando partículas positivas, que também são acelerados no campo, formando uma reação em cadeia conhecida por ionização por impacto (AMORIM, 2002; WEINGAERTNER, 199-?; GUITRAU, 1997). A formação do canal de plasma é causada tanto pela multiplicação do fenômeno da ionização por impacto, quanto pelo superaquecimento do dielétrico, devido à velocidade dessas colisões. Esse superaquecimento diminui a resistência do dielétrico enquanto observa-se um aumento da corrente elétrica (AMORIM, 2002). O fluxo da corrente elétrica é estabelecido quase que na periferia do canal formado, fenômeno conhecido por efeito skin. Alguns autores consideram o fenômeno da ionização por impacto insuficiente para explicar o início da descarga, considerando a evaporação do dielétrico por efeito joule como um mecanismo fundamental para a continuidade do processo (SCHUMACHER, 2004; GUITRAU, 1997). A etapa de fusão e evaporação de parcelas do material de peça e eletrodo com o efeito da passagem da corrente para a região interna do canal de descarga, conhecida por efeito pinch (WEINGAERTNER, 199-?; GUITRAU, 1997; BENEDICT, 1987). Os elétrons penetram concentradamente no anodo e os íons positivos, da mesma forma, no catodo, de forma que a energia cinética de ambos é convertida em calor, o que faz com que sejam atingidas temperaturas altíssimas na região do canal onde se desenvolve a faísca (WEINGAERTNER, 199-?; GUITRAU, 1997; BENEDICT, 1987). Segundo alguns autores, essas temperaturas se situam entre 8000 e 12000 oC (BOOTHROYD, 1989, apud HO e NEWMAN, 2003; GUITRAU, 1997); segundo outras fontes, podem atingir de 15000 a 40000 oC (McGEOUGH, 1988 apud HO e NEWMAN, 2003; DIBITONTO et al, 1989). Essas temperaturas levam à fusão e vaporização de partes do material da peça e do eletrodo, além do dielétrico. Segundo DiBitonto et al (1989), durante os primeiros momentos da descarga, devido a maior mobilidade dos elétrons, o dano é maior no anodo. Com o passar do tempo os íons positivos atingem o catodo, que por emitir apenas elétrons, mantém seu diâmetro no canal de plasma praticamente inalterado, enquanto que o diâmetro do 27 canal de plasma no anodo aumenta, diminuindo sua temperatura e consequentemente, seu dano. O gráfico mostrado na figura 2.4 mostra o comportamento da retirada de material para o catodo e o anodo no tempo. TAXA DE EROSÃO CATODO ANODO Anodo de Cobre Catodo de Aço TON Figura 2.4 – Diferença da taxa de remoção para catodo e anodo em função de TON (DIBITONTO et al, 1989). A ejeção do material fundido acontece com o desligamento da energia elétrica. Com o aumento da bolha formada pelo canal de plasma, através da vaporização dos materiais de eletrodo e peça, a energia passa a se dispersar, em um novo efeito skin e as temperaturas caem (WEINGAERTNER, 199-?). Então a energia do processo é desligada e a bolha entra em colapso, lançando no canal o material parcialmente líquido e parcialmente evaporado no gap, sendo este material rapidamente resfriado e removido do gap na forma de cavacos microscópicos pela ação do fluido dielétrico, que movimentado adequadamente, assume a característica de lavação dos cavacos formados (HO e NEWMAN, 2003; WEINGAERTNER, 199-?; GUITRAU, 1997; BENEDICT, 1987). Uma quantidade desse material é redepositada sobre as superfícies das peças e eletrodo (AMORIM, 2002). A figura 2.5 mostra a sequência do processo, segundo Weingaertner (199-?). 28 Figura 2.5- Sequência do processo de descarga de uma faísca em eletroerosão (WEINGAERTNER, 199-?). Todo esse processo envolve um tempo que normalmente se situa entre 10 e 1000 µs. Cada faísca retira uma quantidade pequena de material, normalmente entre 10-6 e 10-4 mm3 (HO e NEWMAN, 2003), porém como processo de cada faísca é muito rápido, muitas faíscas são disparadas no tempo, criando uma remoção de material que não pode ser comparável aos processos de usinagem com ferramentas de geometria definida e à maior parte dos processos de usinagem com ferramentas de geometria não definida. Não obstante são encontradas diversas aplicações industriais para o processo. A taxa de remoção normalmente se situa entre 2 e 400 mm3/min (HO e NEWMAN, 2003). 2.1.2 Parâmetros influentes no processo de eletroerosão Durante a execução do processo, existem diversos parâmetros de entrada que influenciam o resultado do trabalho (RAMASAWMY e BLUNT, 2004; FENGGOU e DAYONG, 2003): 29 Material da peça. Material do eletrodo. Área usinada. Profundidade da usinagem (para eletroerosão de penetração). Composição e condição do fluido dielétrico. Corrente nominal utilizada. Tempo de onda ligado (TON). Tempo de onda desligado (TOFF). Frequência. Tipo do dielétrico. Condição de limpeza (pressão e vazão de fluido, número e geometria da aplicação e da cavidade). Sistema de usinagem (com ou sem retração do eletrodo), ou no caso de eletroerosão a fio ou retificação eletroerosiva, a velocidade do fio ou rebolo. As condições de limpeza influenciam profundamente o processo. Porém, a quantidade de possibilidades geométricas tanto de disposição dos bicos de limpeza e da cavidade executada, pressão e vazão utilizadas e as possibilidade de utilização de limpeza interna ao eletrodo fazem com que o estudo das condições ideais seja tanto de difícil solução e controle, como muito específica a cada caso. O sistema de usinagem influi, no caso da eletroerosão de penetração, principalmente modificando as condições de limpeza, tornando muitas vezes a usinagem possível em detrimento do tempo de usinagem. A utilização de maiores retrações para o eletrodo, seja em termos de tempo ou distância, facilita a limpeza da fenda, especialmente em cavidade profundas. A velocidade do fio, no caso da eletroerosão a fio, ou a velocidade do rebolo na retificação eletroerosiva tem maior influência na diminuição do desgaste de eletrodo. A frequência é pura consequência matemática dos valores do tempo de onda ligado (TON) e do tempo de onda desligado (TOFF), podendo sua influência ser explicada em termos desses dois parâmetros. Entretanto, é fácil relacionar alguns parâmetros de 30 saída, como acabamento superficial, em termos de freqüência. Isso leva alguns autores a considerarem a frequência como um parâmetro de entrada em separado. Normalmente, um aumento da frequência promove uma melhoria da qualidade superficial, uma vez que a energia fica dividida em várias parcelas, ocasionando uma remoção mais distribuída pelas faíscas geradas (BENEDICT, 1987). O material do eletrodo tem importância fundamental no processo, e embora teoricamente existam muitas possibilidades para material de eletrodo (a princípio qualquer material condutor elétrico), na prática existe um conjunto reduzido de materiais utilizados como eletrodo com sucesso (GUITRAU, 1997). Os materiais para eletrodos serão mais bem discutidos no item 2.1.3. A composição e a condição do fluido dielétrico também influem na estabilidade do processo, o que na prática significa dizer que alteram em todo o resultado da usinagem, desde a taxa de remoção de material (ARANTES, 2001) até a rugosidade obtida (LEÃO E PASHBY, 2004). O fluido dielétrico normalmente é um hidrocarboneto, incluindo o querosene (CHE HARON et al., 2008; TSAI, YAN e HUANG, 2003; GUITRAU, 1997), porém pode ser usada água deionizada (CHEN, YAN e HUANG, 1999), ou até usinagem a seco, que tem sido muito estudada com alternativa econômica, uma vez que o ar é dielétrico (ABBAS, SOLOMON e BAHARI, 2007). Alguns estudos ainda levam em consideração o estudo de dielétricos comerciais baseados em água e água com partículas em suspensão. Estes tipos de dielétrico são interessantes do ponto de vista de meio ambiente, embora, no geral a desempenho do óleo hidrocarboneto seja melhor (LEÃO e PASHBY, 2004). A utilização de pós em suspensão no dielétrico podem ainda melhorar a qualidade superficial, aumentar as taxas de remoção e diminuir o desgaste nos processos de eletroerosão (ABBAS, SOLOMON e BAHARI, 2007). Normalmente, na eletroerosão de penetração, a peça e o eletrodo ficam imersos em dielétrico, embora seja utilizado jato de dielétrico diretamente na fenda de trabalho (LEÃO e PASHBY, 2004). A forma de aplicação do fluido também é fundamental para a determinação da capabilidade do processo. 31 2.1.2.1 Parâmetros de controle Os parâmetros de entrada na máquina, ou seja, os parâmetros facilmente modificáveis no processo e que normalmente são os parâmetros controlados para a obtenção de qualidade no processo de eletroerosão são listados a seguir. a) Polaridade Embora os processos de eletroerosão possam ser realizados com corrente alternada, essa opção não é interessante em termos de desgaste, especialmente. Em processos de eletroerosão por penetração, a polaridade do eletrodo é normalmente positiva, o que previne o desgaste no eletrodo e diminui a velocidade de usinagem (GUITRAU, 1997). Esse fato é causado pela diferença de movimentação dos elétrons e dos íons positivos em direção ao anodo e catodo, respectivamente, conforme explicado no item 2.1.1 (DIBITONTO, 1989). Em geral, a melhor relação entre a taxa de remoção e o desgaste é obtida com polaridade positiva no eletrodo ferramenta e negativa na peça. Polaridades negativas no eletrodo são usadas para remoção rápida de material, especialmente com eletrodos de grafite e também na eletroerosão a fio (GUITRAU, 1997). Na usinagem de titânio, carbonetos e metais refratários com eletrodos metálicos, a utilização de polaridade negativa no eletrodo é considerada a única forma de sucesso na usinagem. b) Corrente (i) A corrente é o fator mais influente na textura da superfície gerada (RAMASAWMY e BLUNT, 2004). Normalmente, para maiores níveis de corrente utilizada, maior a taxa de remoção e piora da qualidade superficial e subsuperficial (GUITRAU, 1997; BENEDICT, 1987). A intensidade de corrente é limitada pela área de usinagem e pelo material do eletrodo (ENGEMAC, 2002; GUITRAU, 1997). 32 c) Tempo de onda ligado (TON) O tempo de onda ligado, comumente denominado de TON é o tempo durante o qual a faísca possui energia elétrica. Este valor é inserido diretamente na máquina e se situa na faixa de alguns microsegundos a alguns milisegundos (BENEDICT, 1987). O aumento de TON normalmente leva a um aumento da taxa de remoção, a uma piora da qualidade superficial e subsuperficial e na diminuição do desgaste do eletrodo (GUITRAU, 1997; BENEDICT, 1987). A figura 2.6 mostra o resultado de uma craterização obtida com diferentes T ON e corrente. Figura 2.6 – Formato e perfil da cratera formada por condições de usinagem diferentes em eletroerosão (SCHUMACHER, 2004). d) Tempo de onda desligado (TOFF) O tempo de onda desligado, denominado TOFF, é o tempo necessário à estabilização do ambiente no gap, incluído o tempo de explosão da bolha de gases, após o tempo de corrente ligada. Pode afetar drasticamente a velocidade do processo, mas é fundamental para a estabilidade deste (GUITRAU, 1997). O TOFF, segundo GUITRAU (1997), não influi no desgaste do eletrodo, uma vez que este ocorre devido à energia disponibilizada apenas durante TON. 33 e) Duty time (DT) O também chamado Duty factor (MARAFONA, 2007; MOHRI et al., 1995; FONDA et al., 2008) ou Duty cicle (GUITRAU, 1997) ou ainda relação de contato τ (WEINGAERTNER, 199-?; AMORIM, 2002) é uma relação entre o TON e o tempo total do pulso, ou ciclo de uma faísca. É um valor que normalmente é inserido na máquina, mantendo a relação entre TON e TOFF mostrada na equação 2.1 (ENGEMAC, 2002). 𝐷𝑇 = 𝑇𝑂𝑁 𝑇𝑂𝑁 +𝑇𝑂𝐹𝐹 × 100 (%) (Eq. 2.1) f) Tempo de retração (R) e tempo de sequência de descargas (U) Em raras situações práticas, a usinagem por eletroerosão se desenvolve de maneira contínua, sem que exista um período em que o eletrodo retroceda e facilite a limpeza da região da usinagem. A bibliografia raramente se refere a essa situação de retração. Amorim e Silva (2010) e Amorim e Weingaertner (2007) citam o tempo de retração (R) e tempo de sequência de descargas (U) como sendo os parâmetros a serem definidos durante a usinagem. O tempo de sequências de descargas significa o tempo durante o qual as descargas são disparadas sem que o eletrodo retroceda, seguido pelo tempo de retração, que é o tempo que o eletrodo retrocede, portanto não disparando faíscas. Em algumas máquinas é possível definir o tempo de sequência de descargas e a distância, ao invés do tempo de retração. 2.1.3 Materiais de eletrodo Podem ser usados como eletrodos de eletroerosão todos os materiais condutores de corrente elétrica. Duas características, em conjunto, são desejáveis aos materiais de eletrodo: alta condutividade elétrica e alto ponto de fusão. Estas características levam ao encontro de dois materiais que são os mais utilizados em eletroerosão: o cobre eletrolítico e o grafite (GUITRAU, 1997). Segundo Amorim (2002), no Brasil e na Europa os eletrodos de cobre eletrolítico, que possuem 34 custo de material menor, são mais utilizados, ao passo que nos Estados Unidos o grafite possui maior aplicação. A tabela 2.1 mostra um comparativo das propriedades do cobre e do grafite. Tabela 2.1 – Propriedades físicas de eletrodos de cobre e de grafite (CHE HARON et al., 2008). Propriedades Físicas Resistividade Elétrica (μΩ/cm) Condutividade elétrica comparado com prata (%) Condutividade Térmica (W/mK) Ponto de Sublimação e Fusão (oC) Calor Específico (cal/goC) Peso Específico a 20 oC (g/cm3) Coeficiente de expansão térmica (x10-6 oC-1) Grafite 0,12 0,11 160 3500 0,17-0,2 1,75 7,8 Cobre 1,96 92 380,7 1083 0,092 8,9 6,6 Analisando-se a tabela 2.1 verifica-se que o cobre tem maior condutividade térmica, mas o grafite suporta mais o dano na eletroerosão, devido ao seu alto ponto de sublimação. O custo de eletrodos de grafite se situa entre R$ 120,00 e 280,00/kg, dependendo da classe utilizada, enquanto que o cobre eletrolítico na faixa de R$ 45,00 (valores de 2009). Porém a facilidade em se usinar o grafite é maior e, devido à diferença de peso específico, eletrodos de grafite possuem preços equivalentes, em relação ao custo de material, que eletrodos de cobre eletrolítico de mesmos volumes. O tipo de material utilizado tem influência especialmente sobre a taxa de remoção de material e sobre o desgaste do próprio eletrodo (CHE HARON et al., 2008). 2.1.3.1 Grafite O grafite possui custo mais elevado, especialmente para as classes mais nobres (GUITRAU, 1997), porém devido à sua resistência ao dano térmico, pode ser utilizado em condições mais agressivas de usinagem (maiores correntes e polaridade negativa no eletrodo) e permitir com isso um processo mais rápido de eletroerosão. O grafite é um metalóide que sublima à temperatura de 3500 oC, o que explica sua maior resistência ao dano térmico. Também sua usinagem (durante a confecção do eletrodo) é frágil, não resultando rebarbas desse processo, que são inadmissíveis em eletrodos usados em eletroerosão (GUITRAU, 1997). 35 Os grafites utilizados como eletrodos de eletroerosão são classificados em diversas classes, com granulometria diferenciada. Grafites com tamanhos de grão extremamente pequenos aumentam a taxa de remoção de material, diminuem o desgaste melhorando o acabamento superficial da peça eletroerodida (BENEDICT, 1987). Os grafites utilizados em eletroerosão não são lubrificantes, ao contrário do que se poderia supor, vistos que existem lubrificantes que são a base de grafite. Os grafites puros são muito abrasivos e exigem cuidados durante a fabricação dos eletrodos, para que os pós gerados não entrem em contato com partes móveis da máquina, gerando desgaste (GUITRAU, 1997; MARINESCU et al, 2007). Existem trabalhos que visam facilitar a fabricação de eletrodos, como prototipagem rápida e sistemas abrasivos vibracionais, no caso do grafite (TANG et al., 2005; HAUSERMANN ABRADING , 2008), além de modos de usinagem que usam movimentação dos eletrodos de forma semelhante ao fresamento de cavidades, diminuindo o tamanho destes (HO e NEWMAN, 2003). 2.1.4 Análise do processo de eletroerosão Os resultados obtidos em eletroerosão são muito estocásticos, em função dos complicados mecanismos envolvidos no processo (PANDIT e MUELLER, 1987 apud HO e NEWMAN, 2003). 2.1.4.1 Integridade de superfície Um dos pontos nos quais a usinagem decididamente está classificada como processo importante de fabricação é justamente na qualidade de superfície obtida. Esse é o parâmetro mais levado em conta na hora de escolher pelos processos de usinagem de uma superfície técnica. A análise de superfícies é um importante relato do resultado de um processo de fabricação, e tem relações muito fortes com o desempenho técnico da superfície. Apesar da aceitação da topografia de superfície como fator relevante para o desempenho da superfície técnica em termos mecânicos, como na resistência a fadiga, existem condições subsuperficiais e microestruturais alteradas durante a usinagem que também contribuem no desempenho do componente (HIOKI, 2006). 36 Superfícies obtidas por eletroerosão apresentam características de crateras, que são típicas do processo térmico, com possibilidades de microfissuras na superfície e abaixo desta (LEE e TAI, 2003), e com possibilidades de grande variação estrutural, devido às altas temperaturas e altas taxas de aquecimento e resfriamento repetitivos aos quais a superfície está exposta (KIYAK e ÇAKIR, 2007). A figura 2.7 mostra exemplos de superfícies obtidas na eletroerosão de diferentes materiais de peça. As superfícies geradas por eletroerosão possuem três camadas bastante claras: A camada refundida, comumente chamada camada branca (white layer) (EKMEKCI, 2007), ou raramente de camada escura (Black layer)(MARAFONA, 2007) (o que depende basicamente do método de observação) mais externa; a camada termicamente afetada e o material não afetado. (LEE et al., 1988 apud HO e NEWMAN, 2003; LEE et al., 1990 apud HO e NEWMAN, 2003). A figura 2.8 mostra as três camadas existentes em uma superfície usinada por eletroerosão. Figura 2.7 – Exemplos de superfícies obtidas em microscópio eletrônico de varredura para vários materiais de peça em eletroerosão de penetração: (a) alumínio, (b) prata, (c) latão, (d) cobre, (e) níquel, (f) aço, (g) platina, (h) titânio, (i) aço inoxidável, (j) tântalo, (k) molibdênio e (l) tungstênio. Material do eletrodo: prata-tungstênio (MAHARDIKA, TSUJIMOTO e MITSUI, 2008). 37 Figura 2.8 – Camadas existentes em superfície gerada por eletroerosão de titânio Ti-6Al-4V com eletrodos de grafite, TON 150 µs, corrente 3ª, DT 60%, polaridade negativa no eletrodo. A figura 2.9 mostra a camada branca (que na figura o autor chama de camada negra) obtida na eletroerosão de aço. Camada negra Camada negra Figura 2.9 – Camada negra (Black layer) obtida na usinagem de aço BS 4695 D2, com eletrodo de tungstênio-cobre (75-25) com polaridade positiva, DT = 80%, observado por EDS (energy dispersive spectroscopy ) em SEM (microscópio eletrônico de varredura) (MARAFONA, 2007). A camada branca possui uma influência bastante grande sobre o desempenho da superfície gerada (HO e NEWMAN, 2003). Nela são encontradas micro-trincas e altas tensões residuais causadas pelos altos gradientes de temperatura característicos do processo (LIN, YAN e HUANG, 2001 apud HO e NEWMAN, 2003; RAMASAWMY e BLUNT, 2004; YADAV, JAIN e DIXIT, 2002) Segundo o ASM Metals Handbook vol. 16 (1997), na utilização de eletroerosão de componentes estruturais sujeitos à alta tensão, a camada termicamente afetada (que 38 geralmente não ultrapassa 0,13 mm no desbaste e 0,025 mm no acabamento) deve ser sempre totalmente removida. A resistência da superfície obtida é bastante influenciada pela quantidade de fissuras que se propagam na camada branca, devido à energia das descargas elétricas (ABU ZEID, 1997 apud HO e NEWMAN, 2003). É natural um aumento da dureza superficial de materiais metálicos na camada branca devido à formação de carbonetos complexos na superfície por reações a altas temperaturas com o carbono presente no dielétrico (HO e NEWMAN, 2003; KRUTH et al., 1995). A medição da rugosidade da superfície é o parâmetro mais utilizado para definição da superfície obtida. A maior parte das publicações se refere aos tradicionais parâmetros bidimensionais de rugosidade. Destes, são mais utilizados o Ra e o Rt embora outros parâmetros, como Ry, Rq, Rz, estejam ganhando espaço (FUKUZAWA et al., 2004; HAN e KUNIEDA, 2004; LONARDO e BRUZZONE, 1999; TARNG, MA e CHUNG, 1995). Um exemplo típico de gráfico analisando a relação de um parâmetro com a rugosidade obtida pode ser visualizado na figura 2.10. Figura 2.10 – Comportamento da rugosidade média Ra em função do TON para diversas correntes. TOFF = 2 µs, material da peça P20, eletrodo de cobre eletrolítico (KIYAK e ÇAKIR, 2007). A figura 2.11 mostra uma avaliação 3D de uma superfície obtida por eletroerosão. 39 O efeito combinado dos diversos parâmetros no processo de eletroerosão torna complicado o controle do processo na produção das superfícies desejadas (KIYAK e ÇAKIR, 2007). Figura 2.11 – Plotagem axonométrica de superfície 3D obtida na eletroerosão de aço ferramenta (0,38%C; 16% Cr), TON = 750 μs, TOFF = 100 µs, i= 11, 18 A (RAMASAWMY e BLUNT, 2004). 2.1.4.2 Taxa de remoção de material e desgaste do eletrodo A taxa de remoção de material é definida como a quantidade de material removida por espaço de tempo durante um processo de usinagem. É um parâmetro muito importante do ponto de vista prático, pois interfere diretamente na produção, tanto em termos de prazos para execução do trabalho, quanto em termos dos custos do processo. Além disso, influencia na opção pelo processo no planejamento. É usual se analisar o desgaste do eletrodo e a taxa de remoção de material em função das variáveis de entrada em processos de eletroerosão (HO E NEWMAN, 2003). A utilização de processos como a eletroerosão com faíscas múltiplas visam aumentar a produtividade do processo (HAN e KUNIEDA, 2004; MOHRI et al., 1985 apud HO e NEWMAN, 2003). Já o desgaste do eletrodo influencia muito na precisão dimensional e de forma da cavidade produzida, o que pode significar inviabilização do processo, em função das necessidades pré-determinadas de tolerâncias ou a necessidade de pós-processamento das superfícies. Segundo CHE HARON et al. (2008), a elevada taxa de desgaste do eletrodo é um dos problemas principais em eletroerosão. 40 O tipo e forma de aplicação do dielétrico influenciam a taxa de remoção do material e o desgaste do eletrodo em operações de desbaste, enquanto influem na rugosidade em operações de acabamento, além de influenciarem na camada branca (LONARDO e BRUZZONE, 1999; WONG, LIM e LEE, 1995). A melhoria da precisão das cavidades produzidas e a diminuição do desgaste do eletrodo podem ser conseguidas pelo movimento orbital do eletrodo, que produz um efeito de limpeza mais adequado do dielétrico, aumentando também a eficiência do processo (SNOEYS, STAELENS e DEKEYSER, 1986 apud HO e NEWMAN, 2003). A medição do desgaste pode ser obtida em função da perda percentual de material em função do tempo de usinagem (CHE HARON et al., 2008; HASÇALIK e ÇAYDAS, 2007) ou também através da medição em perfilômetros da área de desgaste, com mostrado na figura 2.12. Porém é bastante razoável que se faça uma comparação do desgaste do eletrodo relativamente ao material removido da peça. Esse parâmetro é denominado de desgaste relativo. Figura 2.12 - Exemplo de análise de desgaste em eletroerosão através de rugosímetro. Material da peça Cobre e material do eletrodo Prata-Tungstênio (MAHARDIKA, TSUJIMOTO e MITSUI, 2008) Além da análise do desgaste relativo, é possível a análise do desgaste localizado, como em cantos, que levam, inevitavelmente, a erros de forma. A figura 2.13 mostra um gráfico que analisa o desgaste dessa forma, em função do tempo de usinagem. 2.1.4.3 Gap A medição do gap é importante no sentido da utilização prática da tecnologia. O dimensionamento dos eletrodos e seu posicionamento na peça levam em consideração o 41 gap formado no processo. Segundo SCHUMACHER (2004), existem gaps medidos on-line e o “gap a”, medido com a fenda de trabalho limpa. Todos são complicados de se medir, sendo que os primeiros dependem de equipamentos especializados e são muito influenciados pelas condições na fenda; e o gap a é altamente influenciado pela rugosidade e sua medição depende de se interromper o processo. Figura 2.13 – Evolução do desgaste do eletrodo em comprimento e no raio de canto em função do tempo de usinagem, eletrodos de cobre, polaridade positiva, peça de aço ABNT 1045, i= 8A, TON = 96 μs, DT = 50% (MOHRI et al., 1995) 2.2 Titânio O Titânio é nono material e o quarto metal mais abundante do planeta, perfazendo 0,6% da crosta terrestre, perdendo apenas para o alumínio, o ferro e o magnésio dentre os metais (LEYENS e PETERS, 2003). 2.2.1 Histórico do titânio O titânio foi descoberto em 1791, na Inglaterra por William Justin Gregor, a partir do mineral Ilmenita (FeTiO3), na época apenas uma areia preta. O químico alemão Martin Klaproth isolou o óxido de titânio em 1795, agora no mineral húngaro rutilo (TiO2) e o batizou com o nome de titânio, do grego titan (poderosos filhos de Urano e Gaia) (LEYENS e PETERS, 2003; LIU, CHU e DING, 2004). 42 A utilização do titânio como metal só foi possível a partir de 1946, quando Wilhelm J. Kroll, nascido em Luxemburgo, desenvolveu nos Estados Unidos um método de produção ainda utilizado (chamado método Kroll), que consiste na redução de TiCl 4 com magnésio a 800oC em atmosfera de argônio (ASM HANDBOOK – v. 02, 1997; LEYENS e PETERS, 2003). Não existe ainda um processo contínuo para sua produção, além do processo ter um consumo energético elevado. Existem desenvolvimentos de um processo de redução de titânio por eletrólise, que esbarram no aspecto econômico(LEYENS e PETERS, 2003). Logo após a segunda guerra mundial, as ligas de titânio se estabeleceram como material indispensável na indústria aeronáutica (LEYENS e PETERS, 2003). 2.2.2 Propriedades do titânio O titânio é um metal de transição, ou seja, um metal que possui ao menos um orbital d incompleto. Os metais de transição, entre outras, apresentam as seguintes características (SILBERBERG, 2007, METAIS DE TRANSIÇÃO, 2010): Dureza elevada e alto ponto de fusão e ebulição. Alta condutividade térmica e elétrica. Brilho metálico e plasticidade. Formam ligas entre si. O titânio possui como características a resistência a corrosão elevada, alta condutividade elétrica (2,34 x 106/m) e baixa condutividade térmica (21,9 W/(m·K), baixa densidade (4507 kg/m3), ponto de fusão e ebulição elevados (1668 °C e 3287 °C), resistência à fadiga e alta resistência mecânica (duas vezes superior ao alumínio e superior à de muitos aços), e manutenção dessa resistência em altas temperaturas (420 o C) (SANDVIK COROMANT, 2004). A tabela 2.2 mostra propriedades do titânio em comparação com outros metais. 43 Tabela 2.2 – Propriedades do titânio em comparação a outros metais (LEYENS e PETERS, 2003). Ponto de Fusão °C Ponto de Ebulição °C Densidade g/cm3 Reatividade com Oxigênio Custo de material Módulo de Elasticidade à temperatura ambiente (GPa) Resistência à corrosão Tensão de escoamento (MPa) Estrutura Ti Fe Ni Al 1668 3287 4,51 Muito alta Muito alto 115 1538 7,9 Baixa Baixo 215 1455 8,9 Baixa Alto 200 660 2,7 Alta Médio 72 Muito alta 1000 HEX→CCC 882°C α→β Baixa 1000 CCC→CFC 912°C α→γ Média 1000 CFC Alta 500 CFC 2.2.3 Ligas de titânio O titânio na forma natural possui estrutura hexagonal compacta à temperatura ambiente. Suas ligas que possuem esta estrutura são chamadas de ligas α. A 883 oC, a estrutura do titânio passa para cúbica de corpo centrado, conhecida como fase beta. As ligas com elementos que estabilizam esta fase são chamadas ligas β (ASM HANDBOOK – v. 02, 1997). A figura 2.14 mostra as estruturas formadas. Figura 2.14 – Estruturas α (à esquerda) e β (à direita), formadas nas ligas de titânio (LEYENS e PETERS, 2003) A figura 2.15 mostra microestruturas formadas com as fases α e β de uma liga de titânio. 44 a b c Figura 2.15 – Estruturas formadas em Ti-8Al-1Mo-1V. Em (a) se observam grãos α (claros) em uma matriz α+β (escura). Em (b) notam-se grãos da fase (claros) em uma matriz transformada (escura). Em (c), fase β grosseira (escura) a fase α acicular fina (branca) (ASM HANDBOOK – v 02, 1997). Elementos como alumínio e estanho estabilizam a fase α, e as ligas formadas são resistêntes à fluência e portanto aplicadas em altas temperaturas. Também são melhores para aplicações criogênicas que as ligas β, pois não possuem transição dúctilfrágil. Possuem boa resistência, soldabilidade e tenacidade, embora não tenham sua dureza aumentada por tratamento térmico e tenham pouca deformabilidade. Um exemplo de liga α é a liga Ti-5Al-2.5-Sn; e ligas próximas a α: Ti-8Al-1Mo-1V; Ti-11Sn1Mo-2.25Al-5.0Zr-1Mo-0.2 Si; Ti-6Al-2Sn-4Zr-2Mo; Ti-5Al-5Sn-2Zr-2Mo-0.25Si e Ti-6Al2Nb-1Ta-1Mo. As ligas β possuem elementos de transição como vanádio, nióbio e molibdênio. Essas ligas respondem muito bem a tratamentos térmicos e têm grande conformabilidade. Exemplos de ligas β são: Ti-13V-11Cr-3Al; Ti-8Mo-8V-2Fe-3Al; 3Al-8V6Cr-4Mo-4Zr; Ti-11.5Mo-6Zr-4.5Sn; Ti-15V-3Cr-3Al-3Sn e Ti-5Al-2Sn-2Zr-4Cr (ASM HANDBOOK – v 02, 1997). Ligas α+β contém as duas fases, com cerca de 10 a 50% da fase β em temperatura ambiente. Possuem boa conformabilidade e os tratamentos térmicos são usados para controlar a quantidade de fase β presente. A principal liga de titânio, conhecida por titânio aeronáutico e responsável por mais de 50% da produção de ligas de titânio. A liga Ti-6Al-4V, desenvolvida em 1954, é uma liga α+β. Exemplos de ligas α+β, além da Ti-6Al4V, são: Ti-8Mn; 3Al-2.5V; Ti-6Al-6V-2Sn; Ti-7Al-4Mo; Ti-6Al-2Sn-4Zr-6Mo e Ti-6Al-2Sn2Zr-2Mo-2Cr-0.25Si (SANDVIK COROMANT, 2004; ASM HANDBOOK – v 02, 1997). Na figura 2.16 são mostradas as microestruturas resultantes da obtenção da liga Ti-6Al-4V. 45 Lamelar, recozido β Lamelar, forjado β Duas fases, têmpera em água Duas fases, resfriado ao ar Globular fino Globular grosseiro Figura 2.16 – Gráfico de resfriamento da liga Ti-6Al-4V, mostrando suas microestruturas (LEYENS e PETERS, 2003) 2.2.3.1 Aplicações das ligas de titânio Aproximadamente 60 % das ligas metálicas de titânio são usadas na indústria aeroespacial e aeronáutica (para motores, turbinas, peças estruturais e fuselagem (ASM HANDBOOK – v 02, 1997; EZUGWU e WANG, 1997), na indústria de processamento químico, sua resistência à corrosão é apreciada; na indústria naval é utilizado para equipamentos submarinos e de dessalinização; em indústrias nucleares em recuperadores de calor e em produção e armazenamento de energia; em mísseis e peças de artilharia; indústria papeleira. Ligado ao nióbio pode possuir propriedades supercondutoras; ligado ao níquel pode ser usado em aplicações com memória (de forma). Por sua relação de resistência-peso têm encontrado aplicações na indústria automobilística. É também utilizado com pigmento para tintas e material para revestimento de eletrodos (junto ao rutílio), material para óculos, bicicletas, protetores solares para a pele, câmeras, joalheria, equipamentos esportivos e para instrumentos musicais (ASM HANDBOOK – v 02, 1997; THOMAS, 2003). As ligas de titânio têm biocompatibilidade superior a ligas de Cromo-Cobalto e aços 316L em implantes ortopédicos e próteses, além de propriedades mecânicas adequadas e alta resistência a corrosão (ALEIXO, BUTTON e CARAM, 2006; ASM HANDBOOK – v 02, 1997; LIU, CHU e DING, 2004). Nestas ligas para implantes deve-se evitar o vanádio, que é um elemento considerado como pouco tolerado pelo corpo 46 (ALEIXO, BUTTON E CARAM, 2006). Alguns autores também questionam o uso do alumínio, uma vez que pode, assim como o vanádio, liberar íons com alta toxidade. O alumínio é considerado, inclusive, um dos responsáveis pelo mal de Alzheimer (BAUER, 2007). Ligas de alta biocompatibilidade são do tipo β (NIINOMI, 1998), que possuem módulo de elasticidade próximo ao de ossos corticais, como as ligas Ti-13Nb-13Zr, a Ti-5Mo-5z-3Al e a Ti-29Nb-3Ta-4,5 Zr (ALEIXO, BUTTON e CARAM, 2006). As ligas com alumínio, cobre, vanádio e níquel melhoram as propriedades mecânicas das ligas de titânio. A cuidadosa adição de elementos de liga e tratamentos térmicos maximiza as propriedades do titânio e podem mudar suas características de usinabilidade (SANDVIK COROMANT, 2004). 2.2.3.2 Usinabilidade das ligas de titânio Quanto à usinabilidade, a baixa condutividade térmica do titânio, sua grande tendência a ligar-se ou reagir quimicamente com materiais de ferramenta em altas temperaturas, baixo módulo de elasticidade e grande ângulo de cisalhamento, além da resistência mesmo em maiores temperaturas são fontes de problemas na usinagem com ferramentas de geometria definida. As ligas de titânio são consideradas de baixa usinabilidade (SANDVIK COROMANT, 2004; CHE-HARON e JAWAID, 2005) Já na retificação, os maiores problemas das ligas de titânio dizem respeito à tendência à ligação ou reação química com materiais de rebolos em altas temperaturas (TRUCKS, 2008). A baixa condutividade térmica e alta resistividade elétrica, cinco vezes maior que o aço, além de um ponto de fusão relativamente alto em relação aos aços, são decididamente aspectos negativos para o processo de eletroerosão usando ligas de titânio como material de peça (FONDA et al., 2008). Segundo FONDA et al. (2008), a utilização de altos duty times (DT), devido à elevada quantidade de energia, vai causar um sobreaquecimento da peça e consequente aumento da dissipação de calor, aliado ao fato que a resistividade do titânio é crescente com o aumento da temperatura. Isto pode resultar em uma usinagem ineficiente e com pobres características superficiais, isso quando há estabilidade no processo. A figura 2.17 mostra a influência do DT sobre a usinagem. 47 Figura 2.17 – Velocidade da usinagem e temperatura da peça em função do DT. Material da peça Ti-6Al4V, eletrodo de cobre com polaridade negativa e TON 20 μs (FONDA et al., 2008). Ainda na eletroerosão de titânio, existe uma indicação que, mesmo utilizando eletrodos metálicos, a polaridade negativa do eletrodo seja o único método de sucesso na usinagem (GUITRAU, 1997). 48 3 PRÉ-ENSAIOS Como etapa inicial do trabalho, foram realizados pré-ensaios de usinagem, com a intenção de verificar as possibilidades de ensaio em diversos aspectos, uma vez que a bibliografia é escassa para a situação de usinagem por eletroerosão de titânio. Estes pré-ensaios foram realizados sem preocupação com a geometria e alinhamentos dos corpos de prova e eletrodos, com a liga de titânio disponível (Ti-6Al4V) como material de corpos de prova e com um grafite de granulometria desconhecida como material de eletrodo. Foram considerados parâmetros e formas utilizadas na bibliografia, como em Hasçalik e Çaydas (2007). É sugerido (GUITRAU, 1997) que, tanto a usinagem de ligas de titânio, quanto a usinagem com eletrodos de grafite sejam realizadas com polaridade negativa no eletrodo, o que difere da forma mais convencional da eletroerosão. Decidiuse por fazer alguns pré-ensaios também em polaridade positiva. Entre os aspectos dos quais se pretendia testar pode-se destacar: Faixa aproximada para os parâmetros de usinagem (polaridade, TON, DT, e corrente). Geometria aproximada de corpos de prova e eletrodos. Regime de trabalho possível para a geometria aproximada de corpos de prova e eletrodos. Opções de limpeza do gap. Critérios para avaliação do tempo de usinagem e do desgaste do eletrodo Os pré-ensaios foram realizados nas condições mostradas na tabela 3.1. Tabela 3.1 – Condições utilizadas nos pré-ensaios. Parâmetro Polaridade Corrente (A) TON (µs) DT (%) Regime Limpeza Variação +e1,5 a 24 10 a 800 35 a 80 Contínuo e com retração do eletrodo 0,5 s x 0,5 mm Jato lateral Para se realizar os pré-ensaios, foi necessária a confecção de um suporte mais adequado para os eletrodos, que possuem formatos parecidos com prismas, uma vez 49 que a máquina de eletroerosão usada possuía apenas um suporte com rosca interna M10 para eletrodos. A figura 3.1 mostra o suporte. Figura 3.1 – Suporte utilizado na fixação dos eletrodos. Por se tratar de pré-ensaios, a preparação dos eletrodos não foi minunciosa, apenas com corte em serra manual e limagem. A resistência do titânio ao corte é um fator complicador da preparação dos corpos de prova. Depois de serrados em sua forma final, os corpos de prova foram marcados. Uma marcação com punção foi tentada, mas a resistência da liga foi impeditiva. Foram feitas marcações em furadeira-fresadora com brocas de centro, como mostradas na figura 3.2. Figura 3.2 – Marcação dos corpos de prova (feita em furadeira). Com o novo dispositivo de fixação, a colocação dos eletrodos na máquina ficou facilitada e é mostrada na figura 3.3. 50 Suporte Eletrodo de grafite Figura 3.3 – Fixação dos eletrodos no suporte e na máquina de eletroerosão. A fixação dos corpos de prova foi realizada em uma morsa dentro da cuba da máquina de eletroerosão. Apesar das forças atuante no processo serem desprezíveis, as pequenas dimensões dos corpos de prova, acrescidos do empuxo sofrido e do fluxo de fluido podem movimentar os corpos de prova durante a usinagem. A colocação do fluido foi feita da forma mais tradicional para cavidades abertas lateralmente, ou seja, com fluxo lateral horizontal direcionado ao gap. Tanto a fixação dos corpos de prova quanto o posicionamento do fluxo podem ser visualizados na figura 3.4. Suporte Corpo de prova Figura 3.4 – Fixação dos corpos de prova e posicionamento do jato de limpeza lateralmente. Após os procedimentos de preparação da máquina, dos corpos de prova e dos eletrodos realizados, foram executadas as usinagens conforme o planejamento inicial. A figura 3.5 mostra a execução da usinagem. 51 Figura 3.5 – Usinagem dos corpos de prova nos pré-ensaios. Em cada corpo de prova foram realizados cinco ensaios, e foi adotada uma profundidade da usinagem de dois milímetros. As faixas dos parâmetros utilizados para os ensaios levaram em consideração os valores encontrados na bibliografia (HASÇALIK e ÇAYDAS, 2007) e as possibilidades da máquina utilizada. A tabela 3.2 mostra como foram organizados os pré-ensaios. Os pré-ensaios feitos no corpo de prova 01 foram realizados em regime de penetração contínua. Os demais foram em regime de retração do eletrodo, com o tempo de sequência de descargas sendo de 0,5 segundos e a retração de 0,5 mm a cada ciclo. A diferença entre os pré-ensaios dos corpos de prova 02 e 03 consiste no fato de se aumentar o gap e a velocidade do servo motor da máquina ao máximo, e os ensaios seguintes utilizaram valores máximos de gap e velocidade do servomotor. 52 Tabela 3.2 – Organização dos pré-ensaios realizados. Os ensaios dos corpos de prova 1 foram os únicos realizados sem retração do eletrodo. Os ensaios do corpo de prova 2 foram realizados com aumento do gap e da velocidade do servomotor na máquina. CP 1 1 1 1 1 CP 3 3 3 3 3 Pol. Elet. Pol. Elet. - TON (µs) 50 50 50 50 50 TON (µs) 50 50 50 50 50 DT (%) 80 80 80 80 80 DT (%) 80 80 80 80 80 Corrente (A) 1.5 3 6 15 24 Corrente (A) 1.5 3 6 15 24 CP 5 5 5 5 5 5 CP 7 7 7 7 7 7 Pol. Elet. Pol. Elet. - TON (µs) 10 20 30 50 80 100 TON (µs) 10 20 30 50 80 100 DT (%) 35 35 35 35 35 35 DT (%) 60 60 60 60 60 60 Corrente (A) 15 15 15 15 15 15 Corrente (A) 15 15 15 15 15 15 CP 2 2 2 2 2 CP 4 4 4 4 4 4 CP 6 6 6 6 6 6 CP 8 8 8 8 8 8 Pol. Elet. Pol. Elet. Pol. Elet. + + + + + + Pol. Elet. - TON (µs) 50 50 50 50 50 TON (µs) 10 20 30 50 80 100 TON (µs) 10 20 30 50 80 100 TON (µs) 120 150 200 300 500 800 DT (%) 80 80 80 80 80 DT (%) 35 35 35 35 35 35 DT (%) 35 35 35 35 35 35 DT (%) 48 48 48 48 48 48 Corrente (A) 1.5 3 6 15 24 Corrente (A) 3 3 3 3 3 3 Corrente (A) 15 15 15 15 15 15 Corrente (A) 15 15 15 15 15 15 3.1 Influência dos parâmetros na macrogeometria dos eletrodos e corpos de prova. Os pré-ensaios realizados no corpo de prova 01 tiveram uma usinagem instável, atribuída particularmente a uma condição insuficiente de limpeza, agravada pelo uso de DT elevado. Todos os ensaios no corpo de prova 01 resultaram em formação de estalagmite, mostrada na figura 3.6. Figura 3.6 – Formação de estalagmites durante a usinagem do corpo de prova 01. A estalagmite mostrada foi resultante de corrente 6A, Ton 50 μs, DT 80%, limpeza por jato lateral, polaridade negativa no eletrodo e regime de usinagem contínuo. 53 A figura 3.7 mostra todas as tentativas de usinagem do corpo de prova 01. Figura 3.7 – Resultado no corpo de prova 01. Os resultados mostrados nas figuras 3.8 e 3.9 são referentes ao corpo de prova 03. A usinagem deste corpo de prova não foi satisfatória e a superfície resultou altamente irregular, melhorando apenas o fato da usinagem ser estável, em relação ao corpo de prova 01. A Figura 3.8 mostra o desgaste dos eletrodos. Figura 3.8 – Desgaste nos eletrodos no corpo de prova 03. Apesar de a usinagem ter atingido a profundidade proposta, a variação da topografia foi acima da faixa de medição do rugosímetro utilizado, exceção feita ao primeiro ensaio. 54 Figura 3.9 – Resultado no corpo de prova 03. Para a usinagem do corpo de prova 02, foi aumentado o gap e a velocidade do servomotor. O aumento dos valores desses parâmetros na máquina não surtiu efeito sobre a usinagem. Com a dificuldade de usinagem mais centrada na superfície, houve formação de vazios nos eletrodos, resultando seu negativo, em forma de protuberâncias na superfície do corpo de prova. Esses vazios formados na superfície dos eletrodos podem ser visualizadas na figura 3.10. Figura 3.10– Formação de protuberâncias nos corpo de prova e vazio nos eletrodos durante a usinagem do corpo de prova 02. Ainda na figura 3.10 notam-se as protuberâncias formadas no corpo de prova. A medição de rugosidade foi possível fora das protuberâncias, apenas em nível de informação. A figura 3.11 compara os corpos de prova 02 e 03. Comparando-se os resultados dos corpos de prova 02 e 03, nota-se que houve uma melhora da superfície, provavelmente causada principalmente pela concentração das protuberâncias, do que efetivamente o aumento do gap. 55 Figura 3.11 – Comparação entre os corpos de prova 02 (acima) e 03(abaixo). Em conversa com o departamento técnico da Agie Charmilles do Brasil, (PEREIRA, 2009) foi indicado que a faixa de utilização de DT fosse entre 30 e 60%, assim como para a usinagem de metal duro. A partir disso, foi utilizada essa faixa e a usinagem melhorou sensivelmente, como pôde ser comprovado nos ensaios nos corpos de prova 04 a 08. Não foram estabelecidas graficamente as relações entre parâmetros de entrada e de saída para os corpos de prova 01, 02 e 03. Já para os corpos de prova de 04 a 08 a usinagem ocorreu de forma adequada, demonstrando que DT de 80% não é razoável para este tipo de usinagem. Com os dados destes ensaios, foram analisados os parâmetros de saída em função de parâmetros de entrada na usinagem, e estas correlações são mostradas adiante. A figura 3.12 mostra desgastes de eletrodo típicos para estes ensaios. Figura 3.12 – Marca de desgaste em eletrodo usado para o corpo de prova 04. Condições de ensaio: polaridade negativa no eletrodo, limpeza com jato lateral, sistema de usinagem com retração de 0,5 mm e 0,5 s de tempo de usinagem, TON 50 μs, corrente 3A e DT 35%. 56 Os corpos de prova 04 a 08 também apresentaram superfícies possíveis de serem quantificadas, sem formação de nenhum tipo de estrutura na superfície. A figura 3.13 mostra resultados típicos nesses corpos de prova. Figura 3.13 – Corpo de prova 04 após usinagem em pré-testes. A tabela 3.3 mostra os resultados obtidos para as situações propostas, assim como as combinações testadas dos parâmetros mostrados na tabela 3.2. O desgaste máximo foi obtido com medição direta com paquímetro, utilizando-se a haste de profundidade na posição mais profunda da cavidade obtida nos corpos de prova. Tabela 3.3 – Resultados obtidos nos pré-ensaios realizados. (continua) CP Pol. Elet. TON (µs) DT (%) Corrente Tempo (A) (min) 1 - 50 80 1.5 1 1 - 50 50 80 80 3 6 1 - 50 80 1 2 - 50 50 80 80 2 - 50 2 2 - 50 50 2 - 50 80 3 3 - 50 50 80 80 3 3 - 50 50 80 80 3 4 - 50 10 4 - 4 4 - 4 4 Desgaste Max (mm) Regime e limpeza Ra (µm) Rt (µm) Rz (µm) Obs Contínuo/ jato lateral - - - Estalagmite no início Contínuo/ jato lateral Contínuo/ jato lateral - - - Estalagmite no início Estalagmite no início 15 Contínuo/ jato lateral - - - Estalagmite no início 24 1.5 16,5 0,60 Contínuo/ jato lateral Retração 0,5x0,5/ jato lateral 12,26 95,5 60,2 80 3 15,5 1,80 Retração 0,5x0,5/ jato lateral 13,13 96,0 65,1 80 80 6 15 15,5 11,5 1,85 1,80 Retração 0,5x0,5/ jato lateral Retração 0,5x0,5/ jato lateral 14,26 15,40 82,8 102,4 64,1 75,4 24 12 1,80 Retração 0,5x0,5/ jato lateral ? ? ? 1.5 3 16,5 34,5 1,00 1,40 Retração 0,5x0,5/ jato lateral Retração 0,5x0,5/ jato lateral 25,89 ? 125,4 ? 108,4 ? 6 15 40 56,5 1,08 1,60 Retração 0,5x0,5/ jato lateral Retração 0,5x0,5/ jato lateral ? ? ? ? ? ? 80 35 24 3 60 88 1,30 0,70 Retração 0,5x0,5/ jato lateral Retração 0,5x0,5/ jato lateral ? 5,46 ? 34,4 ? 24,8 20 35 3 125 0,80 Retração 0,5x0,5/ jato lateral 4,16 34,1 26,5 30 50 35 35 3 3 157 118 0,60 1,05 Retração 0,5x0,5/ jato lateral Retração 0,5x0,5/ jato lateral 5,51 5,51 36,6 34,4 25,8 27,7 - 80 100 35 35 3 3 97 59 1,05 0,54 Retração 0,5x0,5/ jato lateral Retração 0,5x0,5/ jato lateral 4,85 7,51 29,1 47,8 25,9 36,4 5 - 10 35 15 46 0,54 Retração 0,5x0,5/ jato lateral 4,07 33,6 24,9 5 5 - 20 30 35 35 15 15 33 33 0,50 0,46 Retração 0,5x0,5/ jato lateral Retração 0,5x0,5/ jato lateral 6,82 7,46 44,2 53,6 34,4 40,2 5 5 - 50 80 35 35 15 15 23 10,5 ? 0,30 Retração 0,5x0,5/ jato lateral Retração 0,5x0,5/ jato lateral 11,29 9,67 62,2 58,8 57,0 47,9 5 - 100 35 15 10,5 0,40 Retração 0,5x0,5/ jato lateral 13,52 88,6 70,6 Estalagmite no início – inclusão clara Aumentado o de gaptitânio (daquino grafite. para frente todos usaram gap máximo) 57 CP Pol. Elet. TON (µs) DT (%) Corrente Tempo (A) (min) Desgaste Max (mm) 6 + 10 35 15 304* 1,50* 6 6 + + 20 30 35 35 15 15 370* 318* 6 + 50 35 15 6 6 + + 80 100 35 35 15 15 7 7 - 10 20 60 60 15 15 7 7 - 30 50 60 60 7 - 80 7 8 - 100 120 8 8 Regime e limpeza Ra (µm) Rt (µm) Rz (µm) Obs Retração 0,5x0,5/ jato lateral 2,21 13,0 10,6 * estimado (foi metade para profundidade de 1 mm, devido á lentidão) 1,54* 1,48* Retração 0,5x0,5/ jato lateral Retração 0,5x0,5/ jato lateral 1,78 2,98 13,1 18,8 10,7 15,9 82* 1,08* Retração 0,5x0,5/ jato lateral 1,86 23,0 11,2 106* - 1,80* 0,60* Retração 0,5x0,5/ jato lateral Retração 0,5x0,5/ jato lateral 3,37 7,51 31,7 49,1 24,2 40,4 23 18 0,60 0,53 Retração 0,5x0,5/ jato lateral Retração 0,5x0,5/ jato lateral 5,06 9,96 68,0 70,5 31,3 50,0 15 15 18 16 0,70 0,60 Retração 0,5x0,5/ jato lateral Retração 0,5x0,5/ jato lateral 10,24 8,21 65,9 60,6 46,3 45,3 60 15 13 0,54 Retração 0,5x0,5/ jato lateral 12,21 66,0 62,1 60 48 15 15 12 9 0,80 0,75 Retração 0,5x0,5/ jato lateral Retração 0,5x0,5/ jato lateral 12,33 13,10 76,0 84,8 59,4 64,6 150 200 48 48 15 15 10 ? 0,60 Retração 0,5x0,5/ jato lateral Retração 0,5x0,5/ jato lateral 15,33 14,65 102,8 102,0 79,4 73,8 8 300 48 15 9 0,80 Retração 0,5x0,5/ jato lateral 21,73 116,4 100,3 8 8 500 800 48 48 15 15 10 14 0,76 0,90 Retração 0,5x0,5/ jato lateral Retração 0,5x0,5/ jato lateral 20,29 20,36 116,8 100,9 102,4 84,0 eletrodo solto 3.2 Influência dos parâmetros sobre a rugosidade Foi medida a variação da rugosidade para as condições ensaiadas. Para estes préensaios foram realizadas medições dos parâmetros Ra, Rt e RzDIN em um rugosímetro Mitutoyo Surftest 301, com 3 comprimentos de amostra e cutoff = 0,8 mm. A figura 3.14 mostra a maneira segunda a qual a rugosidade foi medida. Figura 3.14 – Método de medição de rugosidade utilizado nos pré-ensaios. Cutoff = 0,8 mm e 3 comprimentos de amostra. Para as condições dos primeiros ensaios, com regime contínuo, e onde ocorreram estalagmites, naturalmente não se pode medir a rugosidade, e algumas condições de rugosidade muito elevada, como em DT = 80%, o rugosímetro não conseguiu realizar a leitura. Nas situações onde se observaram os vazios formados nos eletrodos (que 58 correspondem a protuberâncias na superfície usinada), a rugosidade foi obtida, quando possível de se medir, fora das protuberâncias resultantes. Para as condições mais ensaiadas, com DT entre 35 e 60%, T ON entre 10 e 100 μs e correntes de 3 e 15 A, foi realizada uma plotagem do comportamento da rugosidade, que pode ser visualizada na figura 3.15. Figura 3.15 – Comportamento da rugosidade com o TON para diversas situações. Salvo indicação em contrário, a limpeza foi por jato lateral, com regime de retração da máquina (0,5 s x 0,5 mm), polaridade negativa no eletrodo e DT = 35%. Os parâmetros Rt e RzDIN tiveram um comportamento similar a Ra. Como a superfície é formada basicamente de crateras e não existe vibração no processo, isso seria de se esperar. Também indica que, dentro dos parâmetros ensaiados, a superfície não sofreu alteração dos fenômenos de sua formação. Também o aumento da rugosidade com o aumento de TON é previsível. A maior energia dissipada com maiores TON forma crateras com raio maior, o que reflete diretamente na rugosidade, que parece não ser influenciada pelo DT. Foi obtida baixa rugosidade com polaridade positiva no eletrodo. Apesar do baixo rendimento e grande desgaste do eletrodo nessa situação a rugosidade, especialmente para baixos TON é uma opção viável. A Figura 3.16 mostra o comportamento da rugosidade Ra para maiores TON (até 800 μs). 59 Figura 3.16 – Comportamento da rugosidade Ra para três valores de DT e para uma ampla faixa de TON. A corrente é de 15 A e o eletrodo tem polaridade negativa. Além de confirmar a não influência do DT sobre a rugosidade, a figura 3.16 também mostra a continuidade do comportamento da rugosidade com o aumento de TON. 3.3 Influência dos parâmetros no tempo de usinagem e no desgaste do eletrodo Para a análise de remoção de material, como se tratavam de ensaios preliminares, foi observado o tempo para se atingir a profundidade estabelecida de dois milímetros. Este processo de medição é muito pouco preciso, em comparação com a medição das massas do corpo de prova antes e depois do ensaio, porém é muito mais rápido e fácil, servindo de base para a análise inicial. Alguns ensaios resultaram em formação de estalagmite, não sendo possível atingir a profundidade estabelecida. Os ensaios com polaridade positiva no eletrodo foram interrompidos com um milímetro de profundidade, devido ao alto tempo de usinagem, e o valor para profundidade de dois milímetros (para comparação com os demais ensaios) foi estimado com sendo o dobro do tempo para profundidade de 1 mm. Como a máquina utilizada dispõe de um cronômetro parcial e zerável, este foi o utilizado para contagem. Para a faixa de DT 35 a 60%, foi possível elaborar o gráfico apresentado na figura 3.17, que mostra as relações de tempo para diversos TON. 60 Figura 3.17 – Relação do tempo para atingir a profundidade de 2 mm no corpo de prova em função de TON. Condições de ensaio, salvo indicações em contrário: polaridade negativa no eletrodo, limpeza com jato lateral, sistema de usinagem com retração de 0,5 s x 0,5 mm e DT 35%. Na figura 3.17 observa-se que a polaridade positiva no eletrodo aumenta muito o tempo de usinagem, especialmente para baixos tempos de onda ligados. Como seria de se esperar, correntes menores aumentam o tempo de usinagem, pois os níveis de energia aplicada por descarga são baixos e removem menor quantidade de material. A figura 3.18 mostra o comportamento do tempo de usinagem para maiores valores de TON. Aparentemente existe uma diferenciação no comportamento do tempo de usinagem com a variação do DT, especialmente para menores TON. Também mostra uma tendência ao decréscimo do tempo de usinagem com o aumento de TON. No que diz respeito ao desgaste do eletrodo, foi verificada a maior profundidade de desgaste no eletrodo com um paquímetro, em uma usinagem prevista de 2 mm de profundidade em titânio Ti-6Al-4V. Nos ensaios que resultaram estalagmite não permitiram a medição do desgaste. Quando houve a formação de vazios nos eletrodos, o desgaste máximo está associado à profundidade dos vazios. 61 Figura 3.18 – Evolução do tempo de usinagem com o aumento de TON, para três DT. Condições de ensaio: polaridade negativa no eletrodo, limpeza com jato lateral e sistema de usinagem com retração de 0,5 s x 0,5 mm. A figura 3.19 mostra o comportamento do desgaste máximo nos eletrodos para diversos TON em algumas situações. Figura 3.19 – Relação do desgaste máximo no eletrodo para atingir a profundidade de 2 mm no corpo de prova em função de TON. Condições de ensaio, salvo indicações em contrário: polaridade negativa no eletrodo, limpeza com jato lateral, sistema de usinagem com retração 0,5 s x 0,5 mm e DT 35%. Através da figura 3.19 percebe-se o elevado desgaste do eletrodo para polaridade positiva no eletrodo. A polaridade positiva no eletrodo deixa o processo de eletroerosão mais lento, porém protege o eletrodo (GUITRAU, 1997). No caso da usinagem de corpos de prova de liga de titânio com eletrodos de grafite, essa proteção é inexistente, ou o 62 demasiado tempo em usinagem (baixa eficiência) faz com que o grafite sofra alto desgaste. A figura 3.20 mostra o comportamento do desgaste para uma maior faixa de TON. Figura 3.20 – Relação do desgaste máximo no eletrodo para atingir a profundidade de 2 mm no corpo de prova para uma maior faixa de TON e três DT. Condições de ensaio: polaridade negativa no eletrodo, limpeza com jato lateral e sistema de usinagem com retração de 0,5 s x 0,5 mm. Na figura 3.20 demonstra-se a pouca ou nenhuma influência do DT sobre o desgaste do eletrodo, e aumento do desgaste com o aumento de TON. 3.4 Aspectos identificados nos pré-ensaios Certos aspectos ficaram mais claros nos pré-ensaios. Alguns deles dizem respeito aos parâmetros a serem utilizados, tanto os pré-definidos como os variáveis. Na questão de parâmetros inicialmente definidos, como se trata de um processo de difícil realização, a utilização de regime de retração do eletrodo na máquina e jato de fluido lateral é imprescindível. Sem isso ocorrem estalagmites no processo. O tamanho aproximado dos eletrodos e corpos de prova foi satisfatório e permite a medição de rugosidade, desgaste, taxa de remoção e outros parâmetros de interesse como a espessura da camada branca. Nos parâmetros variáveis, é interessante se testar a polaridade positiva no eletrodo. A usinagem é possível e resulta em melhora do acabamento superficial, apesar do desgaste elevado e da baixa taxa de remoção. 63 Também a faixa de DT deve chegar apenas a 60 ou 70%. Acima desses valores, a usinagem (pelo menos com polaridade negativa no eletrodo) não possui resultados aplicáveis na prática. A faixa de TON a ser utilizada pode ser grande, assim como a faixa de corrente, sendo possíveis vantagens em termos de produção com TON elevado. 64 4 MATERIAIS E MÉTODOS O método de ensaios seguiu a experimentação usada normalmente em pesquisa na área da usinagem, que é baseada na sequência de ensaios com condições iniciais fixas e variação de parâmetros controláveis, observando-se o processo e comportamento dos parâmetros de saída e posteriormente medindo de forma confiável elementos que representem o resultado do processo, correlacionando-os com os parâmetros e condições de entrada. As condições fixas para este trabalho dizem respeito ao tamanho e material dos eletrodos e corpos de prova, o tipo, pressão, forma de aplicação e vazão do dielétrico, os valores de retração do eletrodo e a máquina a ser utilizada. Os pré-ensaios realizados indicaram quais parâmetros deveriam ser variados e, com auxílio da literatura, especialmente o trabalho de Hasçalik e Çaydas (2007), quais as faixas de variação correspondentes. O planejamento dos experimentos foi feito através de um projeto de experimentos, que foi determinante não só na ordem dos ensaios, como na quantidade destes, levando-se em consideração o tempo estimado por ensaio, incluindo preparação. Os parâmetros utilizados foram a corrente elétrica, o TON, o DT e a polaridade utilizada. Foram adotadas três repetições para cada ensaio. Um número maior seria interessante do ponto de vista de redução das incertezas, porém acarretaria em maior número de ensaios, o que não seria viável em função das limitações de uso de equipamento e material. 4.1 Projeto dos experimentos Optou-se por realizar um projeto de experimentos (DOE – design of experiments) fatorial. As opções consideradas foram a utilização de fatorial geral completo, de fatorial completo de dois níveis e fatorial de dois níveis com meia fração. Analisando-se as três possibilidades foi verificado que a utilização dos dois primeiros modos, especialmente do 65 fatorial geral completo, embora interessante do ponto de vista da quantidade de fatores e níveis ensaiados, era impeditiva do ponto de vista de quantidade de ensaios. Por conseguinte, a opção julgada mais adequada foi a utilização de fatorial de dois níveis com meia fração. O número de experimentos para um projeto desses é determinado por (CARPINETTI, 2000; BARROS NETO, SCARMINIO e BRUNS, 1995): N = 2k−p (eq. 4.1) Onde N= número de experimentos k = número de variáveis p = 1 para meia fração. As variáveis escolhidas para análise são as mais comuns em eletroerosão (HASÇALIK e ÇAYDAS, 2007; WEINGAERTNER, 199?, GUITRAU, 1997; BENEDICT, 1987) e demonstradas como influentes nos pré-ensaios, e são mostradas na tabela 4.1, bem como os níveis adotados. Com a definição de dois níveis para cada parâmetro, tem-se oito ensaios, com três repetições, chegando-se a um total de 24 ensaios. Tabela 4.1– Níveis especificados para os parâmetros a serem analisados. PARÂMETRO POLARIDADE TON (μs) DT (%) CORRENTE (A) NÍVEL 1 10 30 3 NÍVEL 2 + 150 60 24 Os valores escolhidos como níveis para os ensaios foram determinados através dos pré-ensaios. A faixa escolhida para DT foi baseada em informações da assistência técnica da Agie Charmilles (PEREIRA, 2009); e Amorim e Silva (2010), em seu trabalho de furação por eletroerosão de Ti-6Al-4V, que também concluem que valores muito acima de DT 50% não são recomendáveis. O programa utilizado para geração dos experimentos foi o MINITAB ®, versão 15.1.1.0 da Minitab Inc. Com a inserção dos dados anteriormente especificados, o programa gerou a sequência aleatória dos ensaios mostrada na tabela 4.2. 66 Tabela 4.2 – Sequência determinada para os ensaios. Ordem padrão Ordem do ensaio Corrente (A) TON (µs) DT (%) 3 1 3 150 30 21 2 3 10 60 5 3 3 10 60 4 4 24 150 30 1 5 3 10 30 23 6 3 150 60 17 7 3 10 30 10 8 24 10 30 8 9 24 150 60 11 10 3 150 30 7 11 3 150 60 15 12 3 150 60 18 13 24 10 30 16 14 24 150 60 22 15 24 10 60 19 16 3 150 30 6 17 24 10 60 12 18 24 150 30 9 19 3 10 30 20 20 24 150 30 24 21 24 150 60 13 22 3 10 60 14 23 24 10 60 2 24 24 10 30 Polaridade Positiva Positiva Positiva Negativa Negativa Negativa Negativa Positiva Positiva Positiva Negativa Negativa Positiva Positiva Negativa Positiva Negativa Negativa Negativa Negativa Positiva Positiva Negativa Positiva 4.2 Preparação dos corpos de prova e dos eletrodos Os corpos de prova foram confeccionados em titânio Ti-6Al-4V, mesmo material utilizado nos pré-ensaios. Nesta fase da pesquisa, o cuidado no corte dos corpos de prova foi maior, o que modificou a forma de preparação. Essa preparação é descrita no apêndice 01. O material escolhido para os eletrodos foi o grafite, por se tratar de um material com boas características do ponto de vista de resistência e produtividade, uma vez que se esperava dificuldade na usinagem. O grafite utilizado foi o EC 14 da MWI Inc., que possui um custo de cerca de R$ 110,00/kg (valores de 2009). Outras possibilidades seriam os importados EC 15 e EC 17, do mesmo fabricante, a um custo de R$ 180,00/kg e R$ 200,00/kg, respectivamente. Esses materiais têm como principal característica a facilidade de fabricação de paredes 67 finas (CABRAL, 2009). Esta característica não é relevante para os ensaios em função da geometria escolhida, então optou-se pelo EC 14, em função do custo-benefício, além da maior facilidade de obtenção. A tabela 4.3 mostra uma comparação de propriedades entre o grafite EC 14 com outros grafites do mesmo fabricante. Tabela 4.3 – Propriedades de várias grades de grafite (METGRAPHITE, 2009). GRADE EC2 EC3 EC4 EC12 EC14 EC15 EC17 Densidade (g/cm3) 1,70 1,76 1,79 1,85 1,83 1,85 1,84 Porosidade (%) 15 15 15 13 14 14 12 Resistência à flexão (kgf/cm2) 270 330 420 520 550 660 900 Dureza Shore 42 50 56 62 64 66 81 Resistividade Elétrica (μΩ/cm) 1500 1350 1250 1100 1150 1250 1450 Tamanho médio do Grão (µm) 20 15 13 11 7 7 7 A preparação dos eletrodos também é descrita no apêndice 01. Para se evitar os efeitos de falta de limpeza devido a complicações no fluxo de fluido, os eletrodos devem possuir maiores seções transversais que os corpos de prova de titânio. Esta técnica, embora improvável na utilização industrial, foi empregada por Hasçalik e Çaydas (2007), e facilita o fluxo de dielétrico na região do corte, diminuindo a influência da limpeza sobre o processo. Desta forma, os eletrodos ficaram com as dimensões mostradas na figura 4.1, (10 x 16 x 36 mm), e foram marcados com riscador manual. Superfície virada para a frente da máquina Superfície para a eletroerosão Figura 4.1 – Eletrodo com dimensões, marcação e posicionamento para os ensaios. 68 A posição da marcação feita com o riscador nos eletrodos também indica a melhor superfície do eletrodo, em termos de acabamento, lascamentos nas quinas e perpendicularismo, que é a superfície menor oposta à marcação. Isso indica a forma como o eletrodo deveria ser fixado no cabeçote da máquina para os ensaios. Os eletrodos foram então também acondicionados em caixas plásticas com algodão. 4.3 Medição da massa inicial dos corpos de prova e dos eletrodos Antes dos ensaios de usinagem, foram medidas as massas dos corpos de prova de titânio e dos eletrodos de grafite, visando o cálculo do material consumido de ambos durante a usinagem. Foram realizadas cinco leituras para cada corpo de prova, em ordem aleatória, em balanças analíticas eletrônicas modelo Chyo 180, fabricadas pela YMC Co. Ltd., com incremento de escala 0,001 g e capacidade máxima de 180 g, calibradas, pertencentes ao laboratório de Química Analítica da UTFPR campus Ponta Grossa. Os corpos de prova de titânio tiveram todas suas rebarbas retiradas e foram limpos com algodão e álcool para sua pesagem. Na limpeza foram utilizadas luvas cirúrgicas de látex, e durante a pesagem os corpos de prova foram manuseados com uma pinça, como mostrado na figura 4.2. Figura 4.2 - Medição da massa inicial dos corpos de prova. Assim como foi feita a medição da massa inicial para os corpos de prova de titânio, também o foi para os eletrodos de grafite. Devido à característica higroscópica do grafite, depois da preparação e marcação, os eletrodos foram levados a um forno mufla para secagem. O procedimento utilizado foi a manutenção por quatro horas a uma temperatura de 300 ± 10 oC. Esse foi o procedimento utilizado por Hasçalik e Çaydas 69 (2007) para sua experimentação na usinagem da liga de titânio Ti-6Al-4V com diversos materiais de eletrodo, incluindo o grafite, com a finalidade de eliminar o dielétrico absorvido pelo grafite, que representaria um erro na medição da massa das amostras, porém Hasçalik e Çaydas (2007) não utilizaram este procedimento para medição da massa inicial dos eletrodos, e sim para a massa final. Neste trabalho esse procedimento foi utilizado também para a medição prévia (antes dos ensaios) dos eletrodos de grafite. A figura 4.3 mostra a disposição dos eletrodos e também o forno mufla utilizado, da marca Jung, modelo LF 0612, de 3 KW, pertencente ao laboratório de Ensaios de Materiais da UTFPR, campus Ponta Grossa. Figura 4.3 – Forno mufla e disposição utilizadas para secagem dos eletrodos. Depois da secagem, os eletrodos foram colocados em um dessecador com sílica gel, e levados para medição. A medição da massa inicial dos eletrodos seguiu os mesmos passos usados para os corpos de prova. Os eletrodos foram medidos nas mesmas balanças que foram medidos os corpos de prova de titânio. As cinco leituras obtidas para a medição da massa inicial, tanto dos eletrodos como dos corpos de prova, bem como suas médias e desvio padrão podem ser visualizadas no apêndice 02. Realizadas as leituras da massa inicial, tanto os corpos de prova quanto os eletrodos foram novamente acondicionados em suas respectivas caixas plásticas, e movimentados com cuidado, especialmente os eletrodos, em virtude da fragilidade do grafite e a possibilidade de perda de massa devida a uma quebra ou desgastes indevidos. 70 4.4 Medição da massa final dos corpos de prova e dos eletrodos Para o cálculo dos parâmetros referentes aos materiais de eletrodo e corpo de prova consumidos, faz-se necessária a medição das massas finais tanto do eletrodo quanto de corpo de prova. O método e equipamentos utilizados para medição da massa final foram exatamente os mesmos da medição da massa inicial, descritos no item 4.3, e as leituras obtidas podem ser visualizadas no apêndice 02. Os valores obtidos da massa de corpos de prova inicial e final e massa dos eletrodos inicial e final foram transformados em valores de volumes iniciais e finais, sabendo-se que a densidade do grafite utilizado é de 1,83 g/cm3 (tabela 4.3) e do titânio e da liga Ti-6Al-4V é 4,34 g/cm3 (ASM HANDBOOK – v 02, 1997). A taxa de remoção será dada por: 𝑀𝑅𝑅 = Onde: 𝑉𝑖𝑐 −𝑉𝑓𝑐 𝑡 (eq. 4.2) MRR – taxa de remoção (mm3/min). Vic - volume inicial do corpo de prova (mm3). Vfc - volume final do corpo de prova (mm3). t – tempo da usinagem (min). O desgaste relativo será dado por: 𝜗= Onde: 𝑉𝑖𝑒 − 𝑉𝑓𝑒 𝑉𝑖𝑐 −𝑉𝑓𝑐 .100 - desgaste relativo (%). Vie - volume inicial do eletrodo (mm3). Vfe - volume final do eletrodo (mm3). (eq. 4.3) 71 4.5 Preparação da máquina A máquina utilizada foi a máquina de usinagem por eletroerosão de penetração ENGEMAC EDM 440 NC com potência total de 6,5 kVA, disponível no laboratório de usinagem da UTFPR, campus Ponta Grossa, esta já usada nos pré-ensaios (figura 4.4). A máquina possui variação da corrente entre 0 e 36 A, do TON até 999 µs, e com DT entre 1 e 99%. Figura 4.4 – Máquina de eletroerosão disponível no laboratório de usinagem da UTFPR, campus Ponta Grossa. . Alguns sistemas foram melhorados para os ensaios, especificamente os sistemas de fixação e de limpeza. 4.5.1 Sistema de fixação Existem dois sistemas de fixação a serem considerados: o sistema de fixação do eletrodo e o sistema de fixação dos corpos de prova. Para os corpos de prova foi utilizada uma morsa presa à base da máquina, e com dois calços para se atingir a altura necessária à correta fixação dos corpos de prova, como pode ser visualizado na figura 4.5. Embora a eletroerosão se desenvolva sem contato entre eletrodo e corpo de prova, o corpo de prova foi fixado em uma morsa pelos motivos já esclarecidos no capítulo 3 – pré-ensaios. 72 Figura 4.5 – Sistema de fixação dos eletrodos e corpos de prova utilizados nos ensaios. Para a correta fixação dos eletrodos, foi utilizado o mesmo suporte construído para os pré-ensaios. Como o suporte foi projetado e fabricado para manter paralelismos e perpendicularismos entre suas superfícies, foi suficiente fixá-lo através de rosqueamento no cabeçote da máquina, e através dos parafusos de ajuste deste, e do auxílio de um relógio comparador, foi diminuído o erro de paralelismo entre eletrodo e corpo de prova, com o objetivo de reduzir influências externas aos parâmetros determinados. A figura 4.6 mostra esse procedimento. Figura 4.6 – Alinhamento do suporte dos eletrodos. 73 4.5.2 Sistema de limpeza O sistema de limpeza diz respeito aos filtros, tanque do dielétrico, mangueiras e bombas de fluido dielétrico. Foram realizadas manutenções nos filtros da máquina. Em um primeiro momento, foram limpos algumas vezes os filtros existentes e feito o fluxo de fluido pela máquina. Esse procedimento visava que os filtros existentes absorvessem a maior quantidade de resíduos existentes no sistema. Os filtros principais foram então trocados por filtros novos. Esse procedimento visou uma maior limpeza de partículas geradas durante os testes. Ainda no sistema de limpeza, foi instalada uma bomba em paralelo com a bomba da máquina. A bomba utilizada na máquina é a mesma para o enchimento da cuba e limpeza do gap, o que a prejudica em termos de pressão e vazão, pois as tornam dependentes do nível de fluido na cuba e no reservatório. O sistema em paralelo, composto basicamente de motor elétrico, bomba de engrenagens, manômetro, válvula de agulha, válvula de segurança e bico de limpeza. O esquema do sistema de limpeza auxiliar pode ser visualizado na figura 4.7. NV R S T M Figura 4.7 – Esquema do sistema auxiliar de limpeza montado para os ensaios. Na figura 4.8 podem ser vistas as partes que compõem e sistema auxiliar de limpeza. 74 a b c d Figura 4.8 – Sistema auxiliar de limpeza montado na máquina. Em cima se observa a ligação elétrica (a)(disjuntor), bomba de engrenagens, acoplamento, válvula de segurança e mangueiras (b) e o conjunto válvula de agulha, manômetro e mangueiras (c e d). Com a regulagem da válvula de segurança foi possível se manter uma pressão de 1 ± 0,1 kgf/cm2 disponível na linha, a uma vazão de 4,0 ± 0,2 litros/minuto. A variação da pressão está associada com o fato de a bomba ser de engrenagens, o que resulta em pulsação da linha. O dielétrico usado foi o hidrocarboneto Electron, fabricado pela Archem Química Ltda. Esse é o dielétrico indicado pelo fabricante da máquina (ENGEMAC, 2002) como sendo o de uso geral. As características do dielétrico podem ser visualizadas na tabela 4.4. A máquina recebeu dielétrico novo. Tabela 4.4 – Propriedades físico-químicas do fluido dielétrico Electron, da Archem Química Ltda. (ARCHEM, 2010) Aspecto Líquido transparente Ponto de Ebulição 250 oC Ponto de Fulgor (NBR 11341) 100 oC mínimo 0 Densidade 20/24 C 0,760 - 0,820 (g/ml) o Viscosidade Cinemática (ASTM D445 – 40 C) 1,5 - 4,5 cSt Rigidez Dielétrica 20 kV 75 4.6 Sequência e ajustes gerais dos ensaios Uma vez definidos os parâmetros, a sequência de ensaios e preparados máquina corpos de prova e eletrodos, a realização dos ensaios se deu de forma satisfatória e seguiu sempre a sequência dos seguintes passos: Fixação do corpo de prova na morsa de acordo com as indicações de superfícies. Fixação do eletrodo no suporte fixo no cabeçote da máquina, de acordo com as indicações de superfícies. Alinhamento entre eletrodo e corpo de prova. Início do bombeamento de limpeza. Alinhamento do bocal de limpeza. Referenciamento da máquina. Inserção dos parâmetros de corte corretos ao ensaio. Zeragem dos indicadores de tempo de usinagem da máquina. Enchimento da cuba. Início da usinagem e da cronometragem. Término da usinagem e da cronometragem. Desligamento do sistema auxiliar de limpeza. Esvaziamento da cuba. Retirada de eletrodo e corpo de prova. Acondicionamento de eletrodos e corpos de prova em caixas plásticas com algodão. A fixação dos corpos de prova na morsa foi feita sempre na mesma posição, que foi determinada pela posição da marcação do eletrodo, como mostra a figura 4.9. A marcação do eletrodo foi realizada levando-se em consideração a melhor superfície obtida em cada eletrodo, no que diz respeito a quebras e perpendicularismo com as outras superfícies. 76 Superfície virada para a frente da máquina (fixada na morsa) Superfície a ser usinada Figura 4.9 – Posicionamento dos corpos de prova para os ensaios. Como os eletrodos foram concebidos para serem cerca de um milímetro em cada dimensão maiores que a superfície a usinar no corpo de prova, o alinhamento entre os dois foi feito visualmente e sem dificuldade. O método de limpeza utilizado foi o de jato lateral, em função da geometria simples da superfície gerada e por ser o método mais utilizado de limpeza do gap. Com o sistema auxiliar de limpeza ligado, foi feito o alinhamento do fluido para limpeza do gap. Este procedimento foi executado de tal forma que a limpeza fosse a melhor possível na região de corte. A figura 4.10 mostra o alinhamento do bocal de limpeza da mangueira com o corpo de prova. Figura 4.10– Alinhamento do bocal de limpeza sobre o corpo de prova momentos antes dos ensaios. Foi estabelecido que a máquina trabalhasse com retração do eletrodo. Na indústria o regime contínuo quase não é utilizado. Com exceção dos trabalhos de 77 Amorim e Silva (2010), Amorim e Weingaertner (2007) e Simao et al (2003) , os artigos pesquisados não citam a condição, de onde se poderia presumir que o regime é contínuo. O referenciamento da máquina também é feita de forma automática, uma vez alinhados os eletrodos. A profundidade de usinagem usada foi de 2 mm. Desta forma, os parâmetros fixos usados em todos os ensaios ficaram definidos como visto na tabela 4.5. Tabela 4.5 – Parâmetros fixos utilizados nos ensaios. PARÂMETRO VALOR UTILIZADO Profundidade da usinagem 2,00 mm Tempo de usinagem 0,5 s Retração do eletrodo 2,5 mm Pressão disponível do fluido de 1 ±0,1 kgf/cm2 limpeza Vazão do fluido de limpeza 4,0 ± 0,2 l/min Dielétrico Electron O método de ensaio, mesmo para os ensaios cujos tempos de usinagem excederam um dia, foi a de se usinar continuamente. Apesar de a máquina possuir um cronômetro incremento digital de minutos, foi considerado excessivo para ensaios mais rápidos. Então foi utilizado em paralelo um cronômetro digital, com incremento digital de segundos. Esse procedimento minimizou as variações decorrentes da medição com incrementos grandes para ensaios rápidos e serviu de sistema de segurança e comparativo em relação à medição de tempo. Os valores de tempo medido para os ensaios encontram-se no apêndice 03. 4.7 Medição da rugosidade A rugosidade dos corpos de prova foi medida em um rugosímetro da marca Taylor Hobson Precision, modelo Surtronic 25, com software Tale profile versão 3.1, no Laboratório de Superfícies e Contato da UTFPR, campus Curitiba. Devido à natureza aleatória da formação de uma superfície eletroerodida, as leituras da rugosidade também seguiram direções aleatórias, suficientemente com pontos de início aleatórios, perfazendo cinco leituras. Foram utilizados cinco comprimentos de amostra para cada leitura e cut-off de 0,8 mm. A figura 4.11 mostra a medição da rugosidade nos corpos de prova. 78 Figura 4.11 – Medição de rugosidades dos corpos de prova. Foram medidos cinco parâmetros de rugosidade, a saber: Ra, Rq, Rz, Ry DIN e Rt. As médias e o desvio padrão das leituras desses parâmetros para cada corpo de prova encontram-se no apêndice 04. 4.8 Medição da camada branca Os corpos de prova, depois de feitas as medições não destrutivas, foram cortados em uma cortadeira metalográfica de precisão ISOMET 4000, da Buehler, pertencente ao Laboratório de Caracterização de Materiais da UTFPR, campus Ponta Grossa, mostrada na figura 4.12 e embutidos para ensaio metalográfico de medição da camada branca. As amostras foram cortadas com profundidades na ordem de 1,5 mm a partir da lateral. Para situações onde houve formações de protuberâncias, os corpos de prova tiveram seu corte realizado sobre as protuberâncias. Figura 4.12 - Cortadeira metalográfica de precisão ISOMET 4000, da Buehler, utilizada no corte dos corpos de prova. 79 Após o corte, as amostras foram embutidas em baquelite, em uma embutidora metalográfica modelo Maxipress, da Metalotest, conforme mostrado na figura 4.13. Figura 4.13 – Embutidora utilizada e posicionamento das amostras para embutimento e posterior lixamento e polimento. O embutimento de várias amostras ao mesmo tempo foi utilizado para facilitar o apoio durante lixamento e o polimento. As posições dos corpos de prova foram anotadas e também marcadas no verso do embutido, para identificação. A figura 4.14 mostra essas marcações. Figura 4.14 - Marcação com caneta gravadora elétrica das posições dos corpos de prova para posterior análise metalográfica. 80 Após o embutimento, foram realizados o lixamento e o polimento. Ambos foram realizados em uma lixadeira/politriz metalográfica semiautomática Buehler, modelo Beta, também do Laboratório de Caracterização de Materiais da UTFPR, campus Ponta Grossa, mostrada na figura 4.15. Figura 4.15 – Lixadeira/politriz metalográfica semiautomática Buehler, modelo Beta, utilizada na preparação metalográfica dos corpos de prova. A sequência adotada de lixamento e polimento foi a mostrada na tabela 4.6. Tabela 4.6 - Sequência adotada de lixamento e polimento na preparação metalográfica. Passo 1 2 3 4 5 Descrição Lixamento com lixa 400 mesh, carbeto de silício, 500 rpm, 15 N de força, modo discordante. Lixamento com lixa 600 mesh, carbeto de silício, 500 rpm, 15 N de força, modo discordante. Lixamento com lixa 1200 mesh, carbeto de silício, 300 rpm, 15 N de força, modo discordante. Polimento com pasta de diamante 1μm, 300 rpm, modo discordante. Polimento com sílica coloidal a 300 rpm, modo discordante, com 15 N de força. Tempo 8 minutos 8 minutos 12 minutos 10 minutos 10 minutos Depois do polimento, as amostras foram atacadas com uma solução de ácido nítrico, ácido fluorídrico e água (2 ml HF, 8 ml HNO3, 90 ml água) por 15 segundos. Essa solução foi sugerida pela equipe do Centro de Competência em Manufatura do ITA (ALMEIDA JÚNIOR, 2009) e também é semelhante à usada por Hasçalik e Çaydas (2007). 81 Depois do ataque, os corpos de prova foram visualizados em um microscópio ótico Olympus BX 60. Foi também utilizado o software AnaliSYS, versão 5.1, Da Olympus Soft Imaging GMbH, para análise de imagens e medição da espessura média da camada branca. Cada visualização teve a medição em cinco pontos da espessura da camada branca, e sua média calculada. A figura 4.16 mostra uma das imagens obtidas nesse processo. As demais imagens obtidas, bem como as leituras e o valor da espessura média da camada limite por ensaio realizado podem ser visualizados no apêndice 05. Ainda foram medidas as espessuras das camadas brancas nas protuberâncias formadas durante o processo, da mesma forma que as regiões fora das protuberâncias, diferindo apenas na ampliação utilizada, menor nas protuberâncias, em função das dimensões apresentadas. Figura 4.16 – Micrografia obtida no corpo de prova A17. Aumento de 500x. 4.9 Problemas ocorridos nos ensaios e soluções adotadas Durante a usinagem, apenas um problema se apresentou como inesperado: a formação de protuberâncias, semelhantes a bolhas na superfície dos corpos de prova 82 usinados com eletrodos de polaridade negativa. Exemplos desse fato podem ser vistos na figura 4.17. Figura 4.17 – Exemplos de protuberâncias nas superfícies dos corpos de prova nos ensaios. Os corpos de prova mostrados estão na mesma posição em relação à usinagem. Nos eletrodos aparecem como vazios, como mostrado na figura 4.18. Figura 4.18 – Vazios formados nos eletrodos. . Estas “protuberâncias” também ocorreram nos pré-ensaios, mas foram naquele momento atribuídas ao pobre controle das condições de ensaio utilizadas, como o alinhamento entre eletrodo e corpo de prova e sistema de limpeza da fenda. Porém, como se constataram também nos ensaios, onde o controle dessas situações foi bem maior, não foi possível descartar, em um primeiro momento, que a condição de limpeza fixada fosse responsável pela estranha formação. Como isso foi detectado até o sétimo ensaio, foi tomada a decisão de se mudar as condições de limpeza, e o único parâmetro relacionado diretamente com uma dificuldade na limpeza do gap foi o valor da retração do eletrodo. Imaginou-se que, em situações de desgaste excessivo do eletrodo, como a área deste era sempre maior que o corpo de prova, poderia se formar um “pocket” no 83 eletrodo com no máximo dois milímetros de profundidade. Este “pocket” poderia interromper o fluxo lateral de dielétrico advindo do bocal de limpeza, prejudicando o processo, como mostrado na figura 4.19. Portanto, foi modificado o valor da retração do eletrodo para dois milímetros e meio. Essa situação seria muito pouco usual na indústria, pois acarreta em aumento do tempo de usinagem, para um processo inerentemente lento, porém evita o problema mostrado na figura 4.19. Como isso poderia interferir no processo, os ensaios de 01 a 07 foram refeitos segundo a nova condição. A sequência normal dos ensaios foi mantida (o ensaio seguinte foi o 08 e assim por diante), e findo o 24º ensaio, foram refeitas as condições de ensaios de 01 a 07, apenas com a numeração agora de 25 a 31, como mostra a tabela 4.7. Figura 4.19 – Possibilidade de interrupção do fluxo de limpeza em função do pocket formado no eletrodo com retração menor que a profundidade de usinagem. Os valores de massa inicial dos novos eletrodos e corpos de prova utilizados foram medidos da mesma forma anteriormente descrita. Tabela 4.7 – Ensaios substituídos em função da modificação do valor da retração do eletrodo. Ensaio desconsiderado Substituído por ensaio número E01 E25 E02 E26 E03 E27 E04 E28 E05 E29 E06 E30 E07 E31 84 Apesar da possível melhora das condições de limpeza, o aparecimento das protuberâncias persistiu, em maior ou menor grau em vários ensaios com polaridade negativa no eletrodo. Para se testar a influência do fato do eletrodo ter uma seção transversal maior que o corpo de prova, já citada como incomum na indústria, sobre a formação dessas protuberâncias, foram realizados ensaios adicionais, denominados 101, 102 e 103, com situação inversa de seção transversal, e nas condições de ensaio onde foram mais claras as formações. Disso resultaram as mesmas protuberâncias já observadas, como pode ser visto na figura 4.20. Figura 4.20 – Formação de protuberâncias para situação de eletrodo com seção transversal menor que os corpos de prova. 4.10 Tratamento dos dados Para tornar possível a análise dos dados, estes devem ser tratados adequadamente para cada parâmetro de saída. Uma das relações iniciais realizadas diz respeito à correlação de dados com dados de entrada, não mais com dados de sequência de ensaios, como tratado nos capítulos anteriores. A tabela 4.8, em conjunto com os valores médios da tabelas de resultados existentes nos apêndices, serve de base para o tratamento de dados. 85 Tabela 4.8 – Distribuição dos ensaios realizados em função das condições de ensaio. Condição 01 02 03 04 05 06 07 08 Corrente (A) 3 24 3 24 3 24 3 24 TON (µs) 10 10 150 150 10 10 150 150 DT (%) 30 30 30 30 60 60 60 60 Polaridade do Eletrodo Negativa Positiva Positiva Negativa Positiva Negativa Negativa Positiva Ensaios (substitutos) 05(29);07(31);19 08;13;24 01(25);10;16 04(28);18;20 02(26);03(27);22 15;17;23 06(30);11;12 09;14;21 Aqui, os ensaios 25 a 31 substituíram os ensaios 01 a 07, conforme a tabela 4.7. São também avaliadas as medições de parâmetros realizados. Como se trata sempre de medições diretas, essa avaliação é feita em termos de incerteza de resultado, conforme a norma ISO GUM, de 1986, que baliza o cálculo desse tipo de incerteza, mostrado na equação 4.4 (LIRA, 2002; BELL, 1999). 𝑈𝐴 = 𝑆 𝑛 (eq. 4.4) Onde: UA = Incerteza de resultado tipo A. S = desvio padrão amostral. n = número de medições. Durante as medições dos parâmetros de saída, sempre foram realizadas cinco leituras, portanto, para todos os cálculos da incerteza de resultado, n = 5. As incertezas de resultado foram calculadas para cada ensaio realizado e quantificadas como uma porcentagem em relação à média dos valores obtidos em cada ensaio, objetivando uma comparação geral entre as incertezas obtidas para os vários parâmetros analisados. Foram analisadas as influências de efeitos principais dos parâmetros de entrada sobre os parâmetros de saída, e são dispostos graficamente para cada parâmetro. Para esta análise, foram também calculados os intervalos de confiança para os pontos, com o intuito de obter análises consistentes do ponto de vista estatístico. Os intervalos de confiança foram calculados para o número de valores considerados e para 95% de confiança, através da equação 4.5 (TRIOLA, 1999): 86 𝐸=𝑡∙ 𝑆 𝑛 (eq. 4.5) Onde: E = intervalo de confiança para a estimativa da média. t= coeficiente de Student. S= desvio padrão amostral. Também foram analisados os efeitos de interação dos parâmetros de entrada sobre os parâmetros de saída. Para os gráficos construídos de interação de parâmetros de entrada não foram marcados os intervalos de confiança, por uma questão de visualização. Portanto estes gráficos apenas indicam indícios, sem sustentação estatística dos dados, ao contrário dos efeitos principais. 87 5 RESULTADOS E DISCUSSÃO Os resultados foram analisados em termos de qualidade superficial obtida, desgaste relativo entre eletrodo e corpo de prova, taxa de remoção e espessura da camada branca. 5.1 Tratamento e análise de dados para a rugosidade A tabela 5.1 faz a associação dos parâmetros de entrada e as leituras de rugosidade. Tabela 5.1 – Ensaios e valores dos parâmetros utilizados nos ensaios, com a média das rugosidades Ra associada. I (A) TON (µs) DT (%) Polaridade Ensaios Média Ra (µm) 3 10 30 Negativa 05(29);07(31);19 2,94 24 10 30 Positiva 08;13;24 2,64 3 150 30 Positiva 01(25);10;16 3,11 24 150 30 Negativa 04(28);18;20 12,35 3 10 60 Positiva 02(26);03(27);22 2,85 24 10 60 Negativa 15;17;23 5,52 3 150 60 Negativa 06(30);11;12 6,09 24 150 60 Positiva 09;14;21 4,74 A figura 5.1 mostra os efeitos principais dos parâmetros de corte sobre a Ra (μm) Ra (μm) rugosidade Ra. 10 10 8 6 6 4 4 2 2 0 0 Corrente (A) 24 10 Ra (μm) 3 Ra (μm) 8 10 150 TON (μs) 10 8 8 6 6 4 4 2 2 0 30% 60% DT 0 Negativa (-) Polaridade Positiva (+) Figura 5.1 – Gráfico dos efeitos principais sobre a média de rugosidade média Ra (μm), com intervalos de confiança calculados para probabilidade de 95%. 88 Da figura 5.1, pode–se assegurar, com 95% de certeza, que a polaridade positiva apresenta redução da rugosidade Ra, em relação à polaridade negativa. Isso pode ser explicado pelos estudos de Mukund et al (1989) e DiBitonto et al (1989), onde o anodo mostra um craterização menos profunda que o catodo, sem evolução da profundidade com o tempo de onda ligado, embora Simão et al (2003) tenham encontrado um resultado inverso para a usinagem de aço com eletrodos de carboneto de tungstênio. Também pela análise da figura 5.1 percebem-se indicativos de que a rugosidade Ra cresce com o aumento da corrente e do TON, o que é coerente com a formação de crateras maiores devido à maior energia empregada e corrobora os resultados obtidos por Hasçalik e Çaydas (2007) para o titânio, de Lee e Tai (2003), Singh, Maheshwari e Pandey (2004), Amorim e Weingaertner (2007), Simao et al (2003) e Olinik (2009) para o aço e de Lee e Li (2001) e Puertas, Luis e Álvarez (2004) para o carboneto de tungstênio. Os níveis de rugosidade obtidos por Hasçalik e Çaydas (2007) são aproximadamente iguais aos obtidos aqui neste trabalho. Também há indicativos que a variação do DT não influencia a rugosidade Ra, resultado também obtido por Fonda et al (2008) para a mesma liga de titânio e por Puertas, Luis e Álvarez (2004) para o carboneto de tungstênio, o que permite liberdade para que se possam priorizar outros parâmetros de saída sem prejuízo da rugosidade média. Observa-se também que, para a rugosidade Ra, e dentro dos valores ensaiados, menores correntes e tempos de onda ligados, assim como maiores DT e polaridade positiva apresentam resultados menos dispersos. Como seria de se esperar, a julgar pelos resultados obtidos nos pré-ensaios e devido ao mecanismo prioritariamente térmico que rege a formação de superfícies eletroerodidas, o comportamento das demais rugosidades (Rq, Rz, RyDIN e Rt) em relação aos efeitos principais é exatamente o mesmo da rugosidade média Ra, o que é típico de superfícies isotrópicas. Os gráficos relativos a esses outros parâmetros de rugosidade se encontram no apêndice 06. A figura 5.2 traz a interação dos parâmetros ensaiados para a rugosidade. Através de sua análise, observa-se que o aumento de DT e o uso de polaridade positiva fazem 89 com que a influência dos demais parâmetros de entrada sobre a rugosidade seja menos nítida. Existem indicativos também que o DT influi pouco sobre a rugosidade, invertendo sua pequena influência em função dos outros parâmetros testados. Durante as medições de rugosidade para cada ensaio, a maior incerteza tipo A foi de 15% da média e a média das incertezas tipo A foi de 7%. Os intervalos de confiança obtidos ultrapassam esses valores, mostrando que as medições da rugosidade não afetaram os resultados do processo. Interaction Ra (um) Ra (µm) Interação dos parâmetrosPlot parafor a rugosidade Data Means 10 150 Negativa Positiva 8 6 Corrente (A) 4 Ton (us) 10 150 8 6 Corrente (A ) 3 24 Ton (us) 4 8 6 DT (%) DT (%) 30 60 4 8 6 Polaridade Polaridade Negativ a Positiv a 4 3 24 30 60 Figura 5.2 – Interação de parâmetros de entrada sobre a rugosidade Ra em μm. Portanto, em resumo, a utilização de polaridade positiva no eletrodo resulta em rugosidades menores que a polaridade negativa. Indicativos mostram que esse efeito é mais visível para maiores correntes e tempos de onda ligados e levemente maior para DT menores, sempre dentro da faixa ensaiada. Em correntes e tempos de onda maiores é mais perceptível a constância na penetração da energia no catodo, já estudada por Mukund et al (1989) e DiBitonto et al (1989). 5.2 Tratamento e análise de dados para a taxa de remoção A taxa de remoção foi calculada segundo a equação 4.2 e, da mesma forma que a rugosidade, foi analisada em função das médias obtidas para cada ensaio. A figura 5.3 mostra a influência dos principais efeitos na taxa de remoção de material. 90 No que diz respeito ao aumento do DT, Puertas, Luis e Álvarez (2004), na usinagem de carboneto de tungstênio encontraram aumento da taxa de remoção e Simao et al (2003) encontraram redução da taxa de remoção para o aço. Nota-se uma menor dispersão dos dados, diminuindo o intervalo de confiança, Taxa de remoção (mm3/min) Taxa de remoção (mm3/min) para correntes menores e para a polaridade positiva do eletrodo. 4 3 2 1 0 4 3 2 1 0 30% 60% DT 3 2 1 0 Corrente (A) 24 10 Taxa de remoção (mm3/min) Taxa de remoção (mm3/min) 3 4 150 TON (μs) 4 3 2 1 0 Negativa (-) Polaridade Positiva (+) Figura 5.3 – Gráfico dos efeitos principais sobre a média da taxa de remoção (mm3/min), com intervalos de confiança calculados para probabilidade de 95%. A figura 5.4 mostra a influência conjugada dos parâmetros ensaiados sobre a taxa de remoção de material. 91 Interaction Plot forpara Taxa de remoção (mm3/min) Interação dos parâmetros a taxa de remoção (mm3/min) Data Means 10 150 Negativa Positiva 4 2 Corrente (A) Corrente (A ) 3 24 0 4 2 Ton (us) 10 150 Ton (us) 0 4 2 DT (%) DT (%) 30 60 0 4 2 Polaridade Polaridade Negativ a Positiv a 0 3 24 30 60 Figura 5.4 – Interação de parâmetros de entrada sobre a taxa de remoção de material em mm3/min. Da figura 5.4 pode-se concluir que o efeito descrito para a influência da corrente sobre a taxa de remoção é mais nítido em polaridade negativa do eletrodo e em maiores TON. Para a influência da polaridade, já constatada na análise da figura 5.3, notam-se indícios que essa influência é mais clara para maiores correntes e menores DT. Na medição da taxa de remoção para cada ensaio, as incertezas tipo A calculadas foram em média 0,015 % do valor médio e no máximo 0,05 %. 5.3 Tratamento e análise de dados para o desgaste relativo O desgaste relativo foi calculado segundo a equação 4.3. A figura 5.5 mostra os principais efeitos dos parâmetros testados e sua relação com o desgaste relativo. Desgaste relativo (%) Desgaste relativo (%) 92 250 200 150 100 50 0 250 200 150 100 50 0 30% 60% DT 200 150 100 50 0 10 Desgaste relativo (%) Desgaste relativo (%) 3 Corrente (A) 24 250 150 TON (μs) 250 200 150 100 50 0 Negativa (-) Polaridade Positiva (+) Figura 5.5 – Gráfico dos efeitos principais sobre a média de desgaste relativo (%), com intervalos de confiança calculados para probabilidade de 95%. Como os intervalos de confiança de todos os efeitos possuem interseções entre os dois níveis testados, para o desgaste relativo não é possível afirmar sobre nenhum parâmetro. Existem menores dispersões dos dados de desgaste relativo, resultando em menores intervalos de confiança, para menores correntes e maiores tempos de onda e DT, bem como para a polaridade negativa. Ainda verificando os gráficos mostrados na figura 5.5 notam-se indicativos da diminuição do desgaste relativo com a diminuição da corrente, bem como com o aumento do TON e do DT. O mesmo indicativo é mostrada para a polaridade negativa. Hasçalik e Çaydas (2007) encontraram a mesma relação do desgaste com a corrente, porém apenas com polaridades negativas, o que resultou em menores níveis de desgaste relativo. Já com relação do desgaste com o aumento do TON corrobora os resultados encontrados por Chow et al (2000), embora Hasçalik e Çaydas (2007) tenham obtido resultados contrários, ambos para titânio. Para a usinagem de aço, Amorim e Weingaertner (2007) e Simao et al (2003) mostram resultados semelhantes aos aqui apresentados para o comportamento do desgaste relativo com o TON. Lee e Li (2001) e 93 Puertas, Luis e Álvarez (2004) mostram que não existe influência entre estes parâmetros para a usinagem de carboneto de tungstênio. Da mesma forma que os resultados aqui obtidos, Chen, Yan e Huang (1999) observaram diminuição do desgaste relativo com o aumento do DT na usinagem de titânio e assim também foi descrito por Simao et al (2003) para a usinagem de aço. Para a usinagem de carboneto de tungstênio, Puertas, Luis e Álvarez (2004) observaram que o DT não influencia o desgaste relativo do eletrodo. As influências conjugadas dos parâmetros ensaiados sobre o desgaste relativo são mostradas na figura 5.6. Interaction Plot for Desgaste relativo (%) Interação dos parâmetros para a o desgaste relativo (%) Data Means 10 150 Negativa Positiva 200 Corrente (A) 100 0 200 Ton (us) 100 0 200 DT (%) 100 C orrente (A ) 3 24 Ton (us) 10 150 DT (%) 30 60 0 200 Polaridade 100 Polaridade Negativ a Positiv a 0 3 24 30 60 Figura 5.6 – Interação de parâmetros de entrada sobre o desgaste relativo em %. Na figura 5.6 notam-se indicativos que o aumento da corrente leva a um aumento do desgaste relativo, porém apenas para baixos tempos de onda ligados e DT, e para a polaridade positiva. Também há indicativos que para altas corrente, baixos DT e polaridade positiva, a diminuição do TON aumenta o desgaste relativo. Em pequenos tempos de onda, com polaridades positivas no eletrodo, os elétrona acelerados pelo campo magnético formado causam um desgaste maior no anodo, antes que os íons positivos desgastem o catodo, o que é previsto por DiBitonto et al (1989) para o anodo em baixos tempos de onda e fica evidenciado para maiores níveis de energia, obtidos em maiores correntes. 94 A polaridade positiva apresenta indicativos de aumento do desgaste relativo, para maiores correntes, menores tempos de onda ligados e menores DT. Na medição do desgaste relativo para cada ensaio, os cálculos das incertezas tipo A resultaram em média 0,1 % do valor médio e no máximo 0,3 %. 5.4 Tratamento e análise de dados para a espessura da camada branca A formação da camada branca, mais especificamente sua espessura, foi relacionada com os parâmetros de entrada. Na maior parte dos ensaios, a camada foi muito desuniforme. A figura 5.7 mostra os principais efeitos sobre a espessura da Camada branca (μm) Camada branca (μm) camada branca. 60 50 40 30 20 10 0 Corrente (A) 24 10 Camada branca (μm) Camada branca (μm) 3 60 50 40 30 20 10 0 60 50 40 30 20 10 0 30% 60% DT 60 50 40 30 20 10 0 Negativa (-) 150 TON Polaridade Positiva (+) Figura 5.7 – Gráfico dos efeitos principais sobre a espessura média da camada branca formada (μm), com intervalos de confiança calculados para probabilidade de 95%. A camada branca é muito variável no geral nos corpos de prova analisados, o que é uma situação comum na eletroerosão, e devida à sobreposição de faíscas na superfície (EKMEKCI, ELKOCA e ERDEN, 2005). A variação tipicamente encontrada é mostrada na figura 5.8. 95 Camada branca Figura 5.8 – Micrografia do corpo de prova A26, mostrando a variação da camada branca obtida. Ampliação de 500 x. Esta variação acarreta interseções dos intervalos de confiança dos dois níveis para todos os parâmetros testados, não se podendo afirmar consistentemente sobre as influências. Lee et al (2004) também citam o fato da variação obtida para a camada branca ser muito elevada. Existem indícios que a espessura média da camada refundida aumente com os aumentos da corrente, do TON e do DT, o que condiz com o aumento da energia empregada com o aumento destes parâmetros. Ekmekci, Elkoca e Erden (2005) observaram uma estabilidade da camada branca com o aumento da corrente para o aço. Oliniki (2009), em eletroerosão de aço observou aumento da espessura da camada branca com o aumento de TON, especialmente para hidrocarboneto como dielétrico e para eletrodos de grafite. Para Hasçalik e Çaydas (2007), os valores das espessuras médias são semelhantes aos aqui obtidos; e a influência do aumento da corrente sobre a espessura média da camada refundida não é tão relevante quanto o aumento do TON, apesar do fato que do TOFF ter sido mantido constante para os ensaios de Hasçalik e Çaydas (2007). Desta forma, em menores TON, os DT correspondentes são aproximadamente equivalentes aos aqui apresentados; porém, para maiores TON, os DT ultrapassam valores recomendados 96 para a eletroerosão de titânio (Engemac, 2009), gerando maior dificuldade de usinagem e concentrando uma maior quantidade de energia na superfície do material usinado. Também se observa na figura 5.7 que, apesar de terem sido desconsiderados os valores da espessura média da camada refundida sobre as protuberâncias formadas, valores que são elevados, e que ocorreram apenas em polaridade negativa, existe um indicativo que a polaridade negativa produz camadas refundidas mais espessas. Notam-se menores dispersões nos resultados obtidos em maiores tempos de onda. A figura 5.9 mostra a influência conjugada dos parâmetros ensaiados sobre a espessura da camada branca. Interaction Plot for para Espessura da camada branca (um) Interação dos parâmetros a espessura da camada branca (µm) Data Means 10 150 Negativa Positiva 50 30 Corrente (A) 10 50 30 Ton (us) 10 50 30 DT (%) C orrente (A ) 3 24 Ton (us) 10 150 DT (%) 30 60 10 50 30 Polaridade Polaridade Negativ a Positiv a 10 3 24 30 60 Figura 5.9 – Interação de parâmetros de entrada sobre a espessura da camada branca em μm. Da figura 5.9 notam-se indicativos das influências já comentadas, sendo que as influências são menos nítidas para menores DT e correntes. Na medição da camada branca, apesar de sua irregularidade, a medição se mostrou precisa, com incertezas tipo A de no máximo 23% e em média 10,5%. 97 5.5 Tratamento e análise de dados para a formação de protuberâncias Apesar das formações diferenciadas nas superfícies das peças, aqui designadas como protuberâncias em função de seu formato mais aparente, terem ocorrido já nos pré-ensaios, o fato de apresentarem relações, à primeira vista, com os parâmetros de entrada levou a um método para análise. Foram atribuídos valores para essa formação para avaliação qualitativa, com números inteiros de 0 a 3, sendo que 0 significa nenhuma formação aparente, 1 pequena formação, 2 para formações médias e 3 para formações maiores. A tabela 5.2 mostra as características de protuberâncias para os ensaios realizados, dividido pelas condições de ensaio. Nota-se que as protuberâncias aconteceram em condições bem definidas de ensaio. Comparando-se as imagens e valores da tabela 5.2 com a tabela 5.1, percebe-se que as protuberâncias acontecem sempre em polaridade negativa do eletrodo. Como houve uma preocupação em relação à limpeza do eletrodo, mais especificamente sobre o fato do eletrodo ser maior que o corpo de prova, situação esta muito razoável do ponto de vista da limpeza do processo, mas incomum na prática; a condição com maior formação de protuberâncias (24 A, DT 30% e TON 150 A e polaridade negativa no eletrodo) foi repetida para uma situação mais usual, que é a do eletrodo menor que o corpo de prova (ou peça a usinar). A figura 5.10 mostra os resultados obtidos. 98 Tabela 5.2 – Corpos de prova ensaiados e atribuição de valor (v) aos defeitos superficiais (protuberâncias) encontrados. Os eletrodos forma fotografados na mesma posição em relação à montagem para o ensaio. v Média v 1 1 0,667 0 0 0 0 01(25);10;16 0 0 0 0 04 04(28);18;20 3 3 3 3 05 02(26);03(27);22 0 0 0 0 06 15;17;23 0 0 0 0 07 06(30);11;12 2 2 2 2 08 09;14;21 0 0 0 0 Condição Ensaios CP v 01 05(29);07(31);19 0 02 08;13;24 03 CP v CP Da figura 5.10 conclui-se que o efeito do tamanho menor da seção transversal do eletrodo não é responsável pela formação das protuberâncias. 99 Figura 5.10 – Corpos de prova obtidos com a repetição dos ensaios com i =24 A, DT = 30%, TON = 150 A e polaridade negativa no eletrodo; com eletrodo menor que o corpo de prova. Os eletrodos forma fotografados na mesma posição em relação à montagem para o ensaio. As condições de limpeza do gap (posição, pressão disponível e vazão) poderiam ser consideradas como responsáveis pelas formações, e o fato de não terem variado durante os ensaios impedem uma análise mais aprofundada. Porém, essas formações foram detectadas também nos pré-ensaios, sempre em polaridades negativas do eletrodo e com parâmetros de usinagem diferentes e em especial, com condições de limpeza muito diferentes das utilizadas nos ensaios. Este fato mostra que a limpeza não é o principal fator formador das protuberâncias. Para os parâmetros testados, e com os valores atribuídos na tabela 5.2 foi realizada a análise dos efeitos principais, que pode ser visualizada na figura 5.11. Como os valores atribuídos não refletem valores mensuráveis, para esta figura não foram Formaçào de protuberâncias Formaçào de protuberâncias calculados intervalos de confiança. 2 1,5 1 0,5 1,5 1 0,5 0 0 Corrente (A) 24 10 Formaçào de protuberâncias 3 Formaçào de protuberâncias 2 2 1,5 1 0,5 150 TON (μs) 2 1,5 1 0,5 0 30% 60% DT 0 Negativa (-) Polaridade Positiva (+) Figura 5.11 – Gráfico dos efeitos principais sobre a formação de protuberâncias. 100 Os gráficos mostrados na figura 5.11 contêm indicativos da formação de protuberâncias para polaridades negativas, apenas, e com influência mais significativa do TON. Tempos de onda ligados maiores geram protuberâncias maiores. Na faixa ensaiada, a corrente é menos influente que o TON, embora correntes maiores gerem maiores protuberâncias. O mesmo pode ser evidenciado para a diminuição do DT. A figura 5.12 mostra a influência conjugada dos parâmetros ensaiados sobre a formação de protuberâncias, com os valores atribuídos pela tabela 5.2. Levando-se em consideração que não foram calculados intervalos de confiança para nenhum dos dados, mesmo nos efeitos principais, existem indicativos que podem ser detectados. Somente são geradas protuberâncias em polaridades negativas, e são mais aparentes para maiores tempos de onda. O aumento do DT diminui a formação das protuberâncias. Interaction Plot for dedeverruga Interação dos parâmetros paraFormação a formação protuberâncias Data Means 10 150 Negativa Positiva 2 Corrente (A) 1 C orrente (A ) 3 24 0 Ton (us) 10 150 2 Ton (us) 1 0 2 DT (%) 1 DT (%) 30 60 0 2 Polaridade 1 Polaridade Negativ a Positiv a 0 3 24 30 60 Figura 5.12 – Influência da interação de parâmetros de entrada sobre a formação de protuberâncias. Esse efeito não é mencionado por nenhum autor consultado, dificultando sua análise. Nota-se que em quase todas as protuberâncias analisadas (à exceção de uma), as camadas brancas existentes nas protuberâncias são bem mais espessas que nos locais 101 onde não houve a formação. A figura 5.13 mostra exemplos de camadas formadas nas protuberâncias e fora delas, para alguns ensaios. Percebe-se a grande diferença nas espessuras da camada limite sobre a protuberância e fora dela. Isto indica uma região com dificuldade de evaporação do material do corpo de prova, e que acumulou energia, sem ser removido, ao menos por completo. Algum fenômeno impediu a retirada de material e esse material aquecido espessou sua camada, levando inclusive a uma mistura com as fases da base. Uma explicação pode ser a incrustação de grafite sobre a superfície. Guitrau (1997) cita fenômenos de plating em usinagens de desbaste usando elevados TON. O fato de o fenômeno ocorrer em apenas um sentido da descarga (em polaridade negativa) corrobora a possibilidade do exposto acima. Lima e Corrêa (2006) também mostram que eletrodos de grafite promovem maiores irregularidades na superfície da eletroerosão de aços, aspectos estes que podem estar ligados ao fenômeno de plating. A análise feita por Hasçalik e Çaydas (2007) não se referiu em momento algum a este tipo de fenômeno, embora a pequena largura de seus corpos de prova (4,7 mm) possa ter impedido a visualização da ocorrência. 102 Figura 5.13 – Comparação entre regiões de protuberância (à esquerda, com ampliação de 200 x) e regiões fora da protuberância (à direita, com ampliação de 500x), para ensaios 12 (em cima, com i = 3 A, TON = 150 μs, DT = 60% e polaridade negativa), 18 e 20 (demais, com i = 24 A, T ON = 150 μs, DT = 30% e polaridade negativa). 103 6 CONCLUSÕES E SUGESTÕES PARA TRABALHOS FUTUROS As conclusões obtidas dizem respeito a duas situações: os métodos empregados e os resultados obtidos em função dos parâmetros de entrada. 6.1 Resultados obtidos Em toda a bibliografia consultada, a única recomendação de polaridade para usinagem de titânio com eletrodos de grafite apontava o uso de polaridade negativa nos eletrodos ferramenta. A utilização de polaridade positiva no eletrodo mostrou significativamente diminuição da rugosidade e na espessura da camada branca formada, e na ausência de defeitos na superfície (protuberâncias). Também consistentemente pode-se observar uma grande queda na taxa de remoção de material para esta situação. Indícios apontam que o desgaste relativo aumenta para a polaridade positiva. Desta forma, o uso da polaridade positiva no eletrodo apresenta desvantagens em termos de produção, porém a torna atrativa para operações de acabamento de peças de titânio usando eletrodos de grafite, com cuidados em relação ao erro de forma da superfície gerada, devido ao desgaste do eletrodo. Mesmo com a impossibilidade de afirmação devido à sobreposição de intervalos de confiança, há indícios que o aumento da quantidade de energia, composto basicamente pelo aumento da corrente e do TON aumentam a rugosidade, a taxa de remoção e a espessura na camada branca. Isso é explicado pelo fato que a cratera formada é mais profunda e a quantidade de material removido é maior, bem como a quantidade de material impresso em sua superfície quando do colapso da bolha, quando níveis maiores de energia são empregados por descarga. Ainda há indicativos que o aumento do TON diminui o desgaste relativo entre eletrodo e peça, o que é mais nítido para polaridades positivas no eletrodo e é ocasionado pela menor velocidade de remoção no catodo pelos íons positivos, em relação à remoção causada pelos elétrons no anodo. Também existem indicativos que o aumento DT também diminua o desgaste relativo e sem influenciar na rugosidade e na taxa de remoção. 104 Foi constatada a formação de protuberâncias na superfície dos corpos de prova, sendo que ocorrem apenas em polaridade negativa e para situações específicas de usinagem, para as quais existem indicativos que sugerem que o aumento do TON, em especial, favorece o aparecimento e aumento das protuberâncias. As condições de limpeza testadas, como o aumento da retração do eletrodo e utilização de menores áreas da seção transversal dos eletrodos em relação à seção transversal da peça não evitaram o aparecimento dessas formações. O quadro mostrado na figura 6.1 resume as influências constatadas neste trabalho. Rugosidade Taxa de remoção Desgaste relativo Espessura da camada branca Formação de protuberâncias - Aumento de i Aumento de TON Aumento de DT Polaridade + Aumento Diminuição Indicativo de aumento - Indicativo de diminuição Indicativo de não influência Leve indicativo de diminuição Figura 6.1 – Quadro resumido das influências dos parâmetros de entrada sobre os parâmetros de saída. Os elevados intervalos de confiança demonstram a complexidade da relação entre parâmetros de entrada sobre os parâmetros analisados. Existem menores dispersões de resultados para algumas situações, o que pode significar um maior controle ou estabilidade do processo. Em todos os parâmetros analisados, menores correntes apresentaram menores dispersões. Isso é interessante, visto que as situações de melhores acabamentos são aquelas que necessitam de maior controle. O mesmo acontece para maiores DT, exceção feita à análise da taxa de remoção, onde a dispersão é indiferente. Para o desgaste relativo, menores dispersões foram encontradas para maiores TON, assim como para a polaridade negativa. Para as rugosidades e taxa de remoção, 105 dispersões menores foram encontradas para a polaridade positiva. Baixos T ON apresentam menores dispersões para as rugosidades formadas. 6.2 Métodos empregados A realização de pré-ensaios mostrou-se determinante não só na elaboração dos ensaios e planejamento de experimentos, como também forneceu subsídios para a análise do ocorrido nos ensaios. A utilização do método de planejamento de experimentos (DOE) com meio fatorial possibilitou a redução drástica da quantidade de ensaios, possibilitando a repetição de condições de ensaios, aumentando a credibilidade dos resultados. Por outro lado, em função da grande influência de todos os fatores utilizados, nas faixas de valores escolhidas e para o processo em questão, a não utilização de fatorial completo leva a intervalos de confiança elevados, que prejudicam a sustentação de algumas análises realizadas. As medições realizadas se mostraram suficientes para a coleta dos dados, pois suas incertezas de resultado, calculadas como incertezas tipo A, característica de medições diretas, apresentaram valores de no máximo 23% da média dos valores lidos, sendo que na média 5,5% para cada ensaio, e próximas a zero para o desgaste relativo e a taxa de remoção, valores estes em geral bem menores que os intervalos de confiança calculados. Os equipamentos utilizados durante o processo foram capazes tanto de promover as variações necessárias como de detectá-las. O tamanho dos corpos de prova e eletrodos foi satisfatório e facilitou o manuseio, transporte e tratamento para as análises realizadas. Finalmente, o cálculo de intervalos de confiança nos efeitos dos parâmetros aumentou a consistência na análise e evitou conclusões precipitadas baseadas apenas em comportamento médio dos resultados. Esta informação ajuda a dimensionar a quantidade de experimentos necessária à determinação de comportamentos de parâmetros de entrada e de saída para o processo de eletroerosão com consistência de resultados. 106 Desta forma, o objetivo traçado para este trabalho foi alcançado, estabelecendose as relações entre os parâmetros testados e os resultados de trabalho, com consistência analítica. 6.3 Sugestões para trabalhos futuros O estudo apresentado relacionou parâmetros de entrada com várias características em eletroerosão de penetração de uma liga de titânio, usando eletrodos de um tipo de grafite, com análise estatística dos dados e projeto de experimentos com dois níveis. Sugere-se analisar da mesma forma o comportamento de outras ligas de titânio, e também com outros materiais de eletrodo como cobre eletrolítico e ligas de alumínio, sempre com análise estatística dos dados. Sugere-se também analisar o comportamento da liga utilizada com outras classes de grafite, de diferente granulometria. A análise com mais repetições de uma menor quantidade de parâmetros e valores intermediários às faixas testadas pode resultar em maior consistência da análise para estes parâmetros. O ensaio nas condições específicas que mostraram protuberâncias, com outras configurações para o ensaio, como por exemplo áreas maiores dos corpos de prova e diferentes condições de limpeza, junto à análise metalúrgica das irregularidades formadas, pode trazer melhor compreensão sobre os fenômenos que regem a sua formação. Também se sugere a utilização de polaridades positivas para eletrodos em situações normalmente não recomendadas para essa polaridade, como a usinagem de titânio ou carbonetos com eletrodos de cobre, que talvez apresentem vantagens significativas sobre a usinagem dita como recomendada. Avaliar a utilização de outros fluidos dielétricos, como querosene e água deionizada, especialmente para usinagens com maiores energias. 107 REFERÊNCIAS ABBAS, Norliana Mohd; SOLOMON, Darius G; BAHARI, MD. Fuad. A review on current research trends in electrical discharge machining (EDM). International Journal of Machine Tools & Manufacture 47 p. 1214–1228. 2007. ALEIXO, G.T.; BUTTON, S.T.; CARAM, R. Forjamento de hastes de próteses femorais em liga de titânio tipo β. 17º CBECIMat - Congresso Brasileiro de Engenharia e Ciência dos Materiais. Foz do Iguaçu. 2006. ALMEIDA JÚNIOR, A. R de. Ataque do Titânio 5. [mensagem pessoal]. Mensagem recebida por <[email protected]> em 14 de setembro de 2009. AMORIM, Fred L. Tecnologia da eletroerosão por penetração da liga de alumínio AMP 8000 e da liga de cobre CuBe para ferramentas de moldagem de materiais plásticos. 2002. Tese (Doutorado em Engenharia Mecânica). UFSC. Florianópolis. 2002. AMORIM, Fred L.; WEINGAERTNER, Walter L. The behavior of graphite and copper electrodes on the finish die-sinking electrical discharge machining (EDM) of AISI P20 tool steel. Journal of Brasilian Society of Mechanical Science & Engineering. Vol XXIX. No. 4 p 366-371. 2007. AMORIM, F. L.; SILVA, N. H. Usinagem de furos de pequeno diâmetro na liga de titânio Ti6Al4V. Máquinas e Metais ano 46, número 531 p. 100-117. Aranda Editora. São Paulo. Abril 2010. ARANTES, Luciano José. Avaliação do desempenho de fluidos dielétricos no processo de usinagem por descargas elétricas. 2001. Dissertação (Mestrado em Engenharia Mecânica). Universidade Federal de Uberlândia. Uberlândia. 2001. 53 p. ARCHEM. Boletim técnico: Electron. Araras, SP. 2010. 1p. ASM HANDBOOK – VOLUME 02 – Properties and selection: nonferrous alloys and special purpose materials. ASM International. 1997. ASM HANDBOOK – VOLUME 16 – Machining. ASM International. 1997. ASPINWALL, D.K. et al. Hybrid high speed machining (HSM): system design and experimental results for grinding/HSM and EDM/HSM. CIRP Annals – Manufacturing Technology. Volume 50 p. 145-148. 2001. 108 BARROS NETO, Benício de; SCARMINIO, Ieda S.; BRUNS, Roy. E. Planejamento e otimização de experimentos. Editora da Unicamp. 299p. Campinas. 1995. BAUER, J. R de O. Propriedades mecânicas do titânio comercialmente puro e da liga Ti4Al-6V fundidos em diferentes ambientes. 2007. Tese (Doutorado em Odontologia). Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo. 2007. BEDDOES, J.; BIBBY, M. J. Principles of metal manufacturing processes. Elsevier Butterworth-Heinemann. 326p. Massachussetts. 2003 BELL, Stephanie. Measurement good practice guide n. 11 (Issue 2): a beginner´s guide to uncertainty of measurement. Crown. 33p. 1999. BENEDICT, Gary, F. Nontraditional manufacturing processes. Marcel Dekker. New York. 1987. CABRAL, Luiz Antônio. Entrevista concedida ao mestrando sobre tipos de grafites para eletroerosão. Gerência comercial da Seecil Carbon Technologies Ltda. Diadema, setembro de 2009. CARPINETTI, Luiz C. R. Planejamento e análise de experimentos. Apostila do Departamento de Engenharia Mecânica de São Carlos. 205p. São Carlos. 2000. CHE-HARON, C. H.; JAWAID, A. The effect of machining on surface integrity of titanium alloy Ti-6%Al-4%V. Journal of Materials Processing Technology 166 p 188-192. 2005. CHEN, S. L.; YAN, B. H.; HUANG, F. Y. Influence of kerosene and distilled water as dielétrics on the electric discharge machining characteristics of Ti-6Al-4V. Journal of Materials Processing Technology 87 p 107-111. 1999. DIBITONTO, Daryl D.; EUBANK, , Philip T.; PATEL, Mukund R.; BARRUFET, Maria A. Theoretical models of the electrical discharge machining process I. A simple cathode erosion model. J. Appl. Phys. 66 p 4095-4103. 1989 ENGEMAC. Manual de instalação, operação e manutenção: EDM 200 NC e EDM 440 NC. Caxias do Sul. 2002 EKMEKCI, Bülent. Residual stresses and white layer in electric discharge machining (EDM). Applied Surface Science 253 p 9234-9240. 2007. 109 EKMEKCI, Bülent; ELKOCO, Oktay; ERDEN, Abdulkadir. A comparative study on the surface integrity of plastic mold steel due to electric discharge machining. Metallurgical and material Transactions B. Volume 36B p 117-124. 2005. EZUGWU, E.O.; WANG, Z.M. Titanium alloys and their machinability - a review. Journal of Materials Processing Technology 68 p. 262-274. 1997. FENGOO, Cao; DAYONG, Yang. The study of high efficiency and intelligent optimization system in EDM sinking process. Journal of Materials Processing Technology 149 p 83-87. 2004. FONDA, PETER et al. A fundamental study on Ti–6Al–4V’s thermal and electrical properties and their relation to EDM productivity. Journal of materials processing technology 2 0 2 p. 583–589. 2008. FUKUZAWA , Y. et al. Electrical discharge machining properties of noble crystals. Journal of Materials Processing Technology 149 p. 393–397. 2004. GUITRAU, E. P. The EDM Handbook. Hansen Gardner Publications. Cincinnati , OH. 1997. 306p. HAN, Fuzhu; KUNIEDA, Masanori. Development of parallel spark electrical discharge machining. Precision Engineering 28 p. 65–72. 2004. HASÇALIK, Ahmet; ÇAYDAS, Ulas. Electrical discharge machining of titanium alloy (Ti– 6Al–4V). Applied Surface Science 253 p. 9007–9016. 2007. HAUSERMANN ABRADING PROCESS Co. Abrading .Disponível <http://www.hausermann.net/page3.html > Acesso em 22/9/2008 em HIOKI, Daniel. Influência dos parâmetros de corte HSM sobre o desempenho tribológico do aço AISI H13 endurecido. 2006. Tese (Doutorado em Engenharia Mecânica). Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. São Paulo. 2006 HO, K.H.; NEWMAN, S.T. State of the art electrical discharge machining (EDM). International Journal of Machine Tools & Manufacture 43 p. 1287–1300. 2003. KIYAK, M.; ÇAKIR, O. Examination of machining parameters on surface roughness in EDM of tool steel. Journal of Materials Processing Technology 191 p. 141–144. 2007. 110 KRUTH et al. Study of the white layer of a surface machined by die-sinking electrodischarge machining. CIRP Annals - Manufacturing Technology. Volume 44, p 169-172. 1995. LEÃO, Fábio N.; PASHBY Ian R. A review on the use of environmentally-friendly dielectric fluids in electrical discharge machining. Journal of Materials Processing Technology 149 p. 341–346. 2004 LEE, H. G.; SIMAO, J.; ASPINWALL, D. K.; DEWES, R. C.; VOICE, W. Electrical discharge surface alloying. Journal of Materials Processing Technology 149 p 334-340. 2004. LEE, Hwa-Teng; HSU, Fu-Chuan; TAI, Tzu-Yao. Study of surface integrity using the small area EDM process with a copper–tungsten electrode. Materials Science and Engineering A364 p. 346–356. 2004. LEE, S. H.; LI, X. P. Study of the effect of machining parameters on the machining characteristics in electrical discharge machining of tungsten carbide. Journal of Materials processing Technology 115 p 344-358. 2001. LEE, H. T; TAI; T. Y. Relationship between EDM parameters and surface crack formation. Journal of Materials Processing Technology 142 p 676-683. 2003. LEYENS, Christoph; PETERS, Manfred. Titanium and titanium alloys – fundamentals and applications. WILEY-VCH Verlag. Weinhein. 2003. LIMA, F.; CORRÊA, M. Efeitos da eletroerosão sobre a superfície de peças usinadas. UNICAMP, Rev. Tecnol. Fortaleza, v 27. N.1, Brasil. P.26-33. 2006 LIRA, Ignacio. Evaluating the measurement uncertainty. Fundamentals and practical guidance. Institute of Physics Publishing. 243p. 2002. LIU, Xuanyong; CHU, Paul K.; DING, Chuanxian. Surface modification of titanium, titanium alloys and related materials for biomedical aplication. Materials Science and Engineering R 47 p 49-121. 2004. LONARDO, P. M.; BRUZZONE, A. A. Effect of flushing and electrode material on die sinking EDM. CIRP Annals - Manufacturing Technology Volume 48, p 123-126. 1999. 111 MAHARDIKA, Muslim; TSUJIMOTO, Takayuki; MITSUI, Kimiyuki. A new approach on the determination of ease of machining by EDM processes. International Journal of Machine Tools & Manufacture 48 p. 746–760. 2008. MARAFONA, J. Black layer characterisation and electrode wear ratio in electrical discharge machining (EDM). Journal of Materials Processing Technology 184 p. 27–31. 2007. MARINESCU, Ioan J.; HITCHINER, Mike; UHLMANN, Eckart; ROWE, W. Brian; INASAKI, Ichiro. Handbook of machining with grinding wheels. Taylor & Francis Group. 2007. METAIS DE TRANSIÇÃO. Disponível em: <http://www.tabelaperiodica.hd1.com.br/metaisdetransição.htm>. Acesso em: maio 2010. METGRAPHITE. Produtos: EDM. Disponível em <HTTP://www.metgraphite.com.br/produtos_edm.html>. Acesso em: novembro de 2009. MOHRI, Naotake et al. Electrode wear process in electrical discharge machining. Annals of the ClRP Vol. 44/1/1995. MUKUND, R.;BARRUFET, M. A.; EUBANK, P. T.; DIBITONTO, D. D. Theoretical models of the electrical discharge machining process II: the anode erosion model. Journal of Applied Physics. v. 66. P 4104-4111. 1989. NIINOMI, Mitsuo. Mechanical properties of biomedical titanium alloys. Materials Science and Engineering A243 p 231-236. 1998. OLINIKI, Ricardo. Influência da combinação entre os parâmetros de usinagem por eletroerosão na integridade superficial do aço AISI H13 temperado e revenido. 2009. 127 f. Dissertação (Mestrado em Engenharia Mecânica e de Materiais) – Universidade Tecnológica Federal do Paraná. Curitiba. 2009. PEREIRA, Milton. Entrevista concedida ao mestrando sobre utilização de DT em eletroerosão de materiais de difícil usinabilidade. Assistência técnica da Agie Charmilles Ltda. São Paulo, novembro de 2009. 112 PUERTAS, I.; LUIS, C. J.; ÁLVAREZ, L. Analysis of the influence of EDM parameters on surface quality, MMR and EW of WC-Co. Journal of Materials Processing Technology 153-154 p 1026-1032. 2004. RAJURKAR , K. P.; YU , Z. Y. 3D Micro-EDM using CAD/CAM. CIRP Annals – Manufacturing Technology Volume 49, p. 127-130. 2000. RAMASAWMY, H.; BLUNT, L. Effect of EDM process parameters on 3D surface topography. Journal of Materials Processing Technology 148 p. 155–164. 2004. SANDVIK COROMANT. Titanium machining – aplication guide. Sandviken, Suécia; 2004. SCHUMACHER, Bernd M., After 60 years of EDM the discharge process remains still disputed. Journal of Materials Processing Technology 149 p. 376–381. 2004. SILBERBERG, Martin S. Principles of general chemistry. N. Y. McGraw Hill. 2007. 792p. SIMAO, J.; LEE, H.G.; ASPINWALL, D. K.; DEWES, R. C.; ASPINWALL, E. M. Workpiece surface modification using electrical discharge machining. International Journal of Machine Tools & Manufacture 43 p 212-128. 2003. SINGH, Shankar; MAHESHWARI, S.; PANDEY, P. C. Some investigations into the electric discharge machining of hardened tool steel using different electrode materials. Journal of Materials Processing Technology 149 p 272-277. 2004. TANG, Yiping et al. A new technique for the fabrication of graphite EDM electrodes. Journal of Materials Processing Technology 166 p. 199–204. 2005. TARNG, Y. S.; MA, S.C.; CHUNG, L. K. Determination of optimal cutting parameters in wire electrical discharge machining. Int. J. mach. Tools Manufact. Vol. 35. No. 12 p. 1693-1701. 1995. THOMAS, Roger. Titanium in the geothermal industry. Geothermics 32 p 679-687. 2003. TRIOLA, Mário F. Introdução à estatística. 7ª edição. LTC. Rio de janeiro, 1999. 410p TRUCKS, H. E. Machining titanium alloys. Titanium Industries, Inc. Disponível em < http://www.titanium.com/titanium/tech_manual/tech2.cfm> Acesso em 15/09/2008. 113 TSAI, H.C.; YAN, B.H.; HUANG, F.Y. EDM performance of Cr/Cu-based composite electrodes. International Journal of Machine Tools & Manufacture 43 p. 245–252. 2003. WEINGAERTNER, Walter L. Tecnologia de fabricação volume 3. Material didático da disciplina EMC 6316. POSMEC. UFSC. Florianópolis. 199-?. 301p. WONG , Y.S.; LIM, L.C.; LEE, L.C. Effects of flushing on electro-discharge machined surfaces. Journal of Materials Processing Technology 48 p. 299—305. 1995. YADAV, Vinod; JAIN, Vijav K.; DIXIT, Prakash M. Thermal stresses due to electrical discharge machining. International Journal of Machine Tools & Manufacture 42 p 877888. 2002. YOUSSEF, Helmi A.; EL-HOFY, Hassan. Machining technology: machine tools and operations. CRC Press. 633p. Flórida. 2008. ZHIXIN, Jia; JIANHUA , Zhang; XING, Ai. Study on a new kind of combined machining technology of ultrasonic machining and electrical discharge machining. Int. J Mach. Tools Manufact. Vol. 37, No. 2, pp. 193-199, 1997. 114 APÊNDICE 01 – Preparação dos corpos de prova e dos eletrodos para ensaios Para a preparação dos corpos de prova, inicialmente, o tarugo de titânio foi pintado com tinta de traçagem e marcado com traçador de altura, como mostrado na figura A1.1. Figura A1.1 – Marcação da barra de titânio para posterior fresamento. Em seguida foi fresado com fresa de disco de aço rápido como mostrado na figura A1.2. Esse fresamento substituiu o corte por serra manual usado nos pré-ensaios conferindo um melhor controle das dimensões para os ensaios. Figura A1.2 – Fresamento dos corpos de prova. O fresamento mostrado na figura A1.2 foi realizado em uma fresadora universal Milwaukee Model H, marca Kearney & Trecker, com os seguintes parâmetros de corte: Serra com 80 dentes vc = 32 ± 0,02 m/min (127,4 ± 0,3 rpm) ap = 1,3 mm vf = 12,89 ± 0,04 mm/min 115 O corte transversal, que separa os corpos de prova da barra de titânio é mostrado na figura A1.3. Figura A1.3 – Corte de separação dos corpos de prova da barra de titânio. Após o fresamento, os corpos de prova foram retificados. A retificação teve como propósito garantir uniformidade dos corpos de prova. Como o titânio não é um material magnético, a fixação dos corpos de prova foi realizada através de uma morsa de precisão. A figura A1.4 mostra a fixação e retificação dos corpos de prova. Figura A1.4 – Fixação dos corpos de prova e retificação em morsa de precisão. Foi utilizada uma retificadora plana Perfecta pertencente ao laboratório de usinagem do campus Ponta Grossa da UTFPR. O rebolo utilizado foi de óxido de alumínio (ART FE 38A80 KVS), utilizando-se penetrações de 0,01 mm. Após a retificação dos corpos de prova, foram retiradas as rebarbas resultantes com o auxílio de uma lima. As dimensões resultantes para os corpos de prova foram de 7 x 7 x 14 mm, com variações na faixa de um milímetro em suas dimensões. Os corpos de prova foram ainda marcados com uma caneta gravadora elétrica Engraver da Struers A/S, recebendo a denominação AXX, onde XX é uma sequência numérica relativa à ordem dos experimentos. Essa marcação foi feita sempre na mesma posição e pode ser visualizada na figura A1.5. 116 Figura A1.5 – Marcação dos corpos de prova de titânio. Por fim, os corpos de prova foram limpos e acondicionados em algodão em caixas plásticas com identificação, para evitar o risco de danos ou troca de corpos de prova nos ensaios. O grafite foi obtido no formato de uma barra com dimensões de 92 mm x 36 mm x 240 mm, conforme visualizado na figura A1.6. Figura A1.6 – Estado de fornecimento do grafite EC 14, com dimensões de 92 x 36 x 240 mm. Inicialmente, os eletrodos de grafite foram serrados de forma manual, para formarem blocos de aproximadamente 14 mm x 36 mm x 22 mm. Depois de serrados, os eletrodos foram fresados em todos os seus lados, em uma furadeira-fresadora Rocco FFR-30, pertencente ao laboratório de usinagem da UTFPR campus Ponta Grossa. A máquina foi protegida com uma lona plástica para se evitar o contato do pó de grafite gerado como cavaco com as guias da máquina. 117 O processo de fresamento dos eletrodos de grafite mostrou-se de certa forma complicado, devido à característica de fratura frágil que se observa durante a usinagem e devido à geometria advinda do serramento e falta de resistência mecânica. Os erros geométricos gerados do serramento manual e a falta de resistência à compressão do grafite foram um fator complicador, especialmente na fixação dos eletrodos em morsa durante o fresamento. Por conta dessa dificuldade em fixação, o fresamento dos eletrodos foi dividido em duas etapas, sendo que na primeira foi realizada a usinagem de quatro superfícies para fixação do eletrodo. Essa usinagem pode ser visualizada na figura A1.7. Figura A1.7 – Fresamento dos eletrodos de grafite, primeira parte. Os eletrodos foram fresados a seco com ferramenta de metal duro, nas seguintes condições: vc = 51 m/min (n= 325 rpm) vf = 115 mm/min (fz = 0,118 mm/dente). ap= 0,3 mm. A segunda parte diz respeito à usinagem das superfícies menores do eletrodo. Uma delas seria a superfície para a eletroerosão e a outra serviria de referência no suporte do eletrodo. Em virtude da necessidade de bom acabamento, esquadrejamento com superfícies de referência, paralelismo entre estas duas superfícies e cantos sem lascamento, a usinagem destas foi realizada em um eletrodo de cada vez, facilitando a fixação e os resultados requeridos. A ap foi reduzida também para 0,1 mm. 118 APÊNDICE 02 – Valores obtidos para a medição da massa inicial e final dos eletrodos e corpos de prova Tabela A2.1 – Leituras obtidas para a pesagem dos corpos de prova. CP A01 A02 A03 A04 A05 A06 A07 A08 A09 A10 A11 A12 A13 A14 A15 A16 A17 A18 A19 A20 A21 A22 A23 A24 Leitura 1 3,9840 3,7542 3,8485 3,6073 3,6875 3,9289 3,7744 3,8958 3,8220 4,0056 3,8248 3,9457 3,7988 3,9228 3,8012 3,9646 3,7393 3,8836 3,6997 4,0024 3,7892 4,0275 3,9893 3,9389 Leitura 2 3,9839 3,7542 3,8487 3,6074 3,6875 3,9293 3,7750 3,8957 3,8226 4,0059 3,8254 3,9458 3,7989 3,9231 3,8009 3,9647 3,7394 3,8840 3,7007 4,0021 3,7896 4,0274 3,9892 3,9390 Leitura 3 3,9840 3,7542 3,8481 3,6074 3,6873 3,9291 3,7749 3,8963 3,8224 4,0056 3,8253 3,9458 3,7990 3,9231 3,8016 3,9649 3,7393 3,8840 3,7006 4,0025 3,7895 4,0282 3,9894 3,9388 MASSA INICIAL (g) Leitura 4 Leitura 5 3,9840 3,9841 3,7543 3,7541 3,8487 3,8484 3,6073 3,6076 3,6876 3,6872 3,9290 3,9291 3,7750 3,7750 3,8962 3,8961 3,8221 3,8221 4,0056 4,0059 3,8253 3,8255 3,9456 3,9453 3,7990 3,7988 3,9229 3,9229 3,8015 3,8013 3,9647 3,9648 3,7393 3,7390 3,8839 3,8839 3,7007 3,7007 4,0021 4,0022 3,7896 3,7897 4,0280 4,0283 3,9890 3,9890 3,9388 3,9387 Média 3,9840 3,7542 3,8485 3,6074 3,6874 3,9291 3,7749 3,8960 3,8222 4,0057 3,8253 3,9456 3,7989 3,9230 3,8013 3,9647 3,7393 3,8839 3,7005 4,0023 3,7895 4,0279 3,9892 3,9388 S 7,07107E-05 7,07107E-05 0,000248998 0,000122474 0,000164317 0,000148324 0,000260768 0,000258844 0,000250998 0,000164317 0,000270185 0,000207364 1E-04 0,000134164 0,000273861 0,000114018 0,000151658 0,000164317 0,000438178 0,000181659 0,000192354 0,000408656 0,000178885 0,000114018 Tabela A2.2 – Leituras obtidas para a pesagem dos eletrodos. Eletrodos E01 E02 E03 E04 E05 E06 E07 E08 E09 E10 E11 E12 E13 E14 E15 E16 E17 E18 E19 E20 E21 E22 E23 E24 Leitura 1 9,9673 9,9328 9,9397 9,4161 9,9289 9,8469 9,8338 9,9610 9,9508 9,6934 9,2684 9,8586 9,6058 9,9431 9,6426 10,1719 9,5205 9,8915 9,9062 9,6892 9,6554 9,8245 9,8421 9,7562 Leitura 2 9,9679 9,9330 9,9391 9,4158 9,9287 9,8466 9,8326 9,9613 9,951 9,6938 9,2695 9,859 9,6059 9,9439 9,6425 10,1716 9,5212 9,8922 9,9064 9,6890 9,6557 9,8251 9,8431 9,7563 Leitura 3 9,9680 9,9336 9,9396 9,4162 9,9288 9,8466 9,8332 9,9608 9,9509 9,6944 9,2689 9,8588 9,6063 9,9446 9,6423 10,1719 9,5209 9,8920 9,9071 9,6890 9,6547 9,825 9,8426 9,7567 MASSA INICIAL (g) Leitura 4 Leitura 5 9,9679 9,9678 9,9328 9,9325 9,9400 9,9400 9,4157 9,4155 9,9289 9,9287 9,8472 9,8469 9,8332 9,8332 9,9609 9,9609 9,9517 9,9515 9,6942 9,6934 9,2693 9,2692 9,8593 9,8588 9,6059 9,6055 9,9451 9,9448 9,6422 9,6420 10,172 10,1719 9,5212 9,5209 9,8920 9,8920 9,9068 9,9069 9,6892 9,6892 9,6557 9,6556 9,8247 9,8248 9,8424 9,8424 9,7563 9,7561 Média 9,9678 9,9329 9,9397 9,4159 9,9288 9,8468 9,8332 9,9610 9,9512 9,6938 9,2691 9,8589 9,6059 9,9443 9,6423 10,1719 9,5209 9,8919 9,9067 9,6891 9,6554 9,8248 9,8425 9,7563 S 0,000277489 0,000409878 0,000370135 0,000288097 0,0001 0,000250998 0,000424264 0,000192354 0,000396232 0,00045607 0,000427785 0,000264575 0,000286356 0,000803119 0,000238747 0,000151658 0,000288097 0,000260768 0,000370135 0,000109545 0,000420714 0,000238747 0,000370135 0,000228035 119 Tabela A2.3 – Valores das leituras da massa final dos corpos de prova. CP A01 A02 A03 A04 A05 A06 A07 A08 A09 A10 A11 A12 A13 A14 A15 A16 A17 A18 A19 A20 A21 A22 A23 A24 A25 A26 A27 A28 A29 A30 A31 A101 A102 A103 Leitura 1 3,1266 3,3678 3,3841 2,7923 3,0162 3,3783 3,0784 3,6546 3,1102 3,1948 3,3300 3,4774 3,5619 3,2540 3,1881 3,1797 3,1259 3,0829 2,9863 3,1274 3,1217 3,5683 3,4116 3,7237 2,8848 3,5348 3,2424 3,1869 3,3520 4,4102 3,2827 3,208 3,3404 3,3987 Leitura 2 3,1266 3,3679 3,3840 2,7922 3,0162 3,3785 3,0785 3,6546 3,1102 3,1950 3,3302 3,4774 3,5618 3,2540 3,1880 3,1796 3,1259 3,0828 2,9862 3,1273 3,1216 3,5682 3,4116 3,7236 2,8850 3,5347 3,2425 3,1868 3,3520 3,4101 3,2826 3,2079 3,3405 3,3987 MASSA FINAL (g) Leitura 3 Leitura 4 3,1266 3,1266 3,3678 3,3676 3,3840 3,3840 2,7922 2,7922 3,0163 3,0163 3,3784 3,3783 3,0784 3,0784 3,6545 3,6546 3,1102 3,1102 3,1947 3,1946 3,3301 3,3300 3,4774 3,4773 3,5618 3,5618 3,2539 3,2537 3,1878 3,1879 3,1797 3,1797 3,1260 3,1260 3,0829 3,0829 2,9863 2,9862 3,1273 3,1273 3,1217 3,1217 3,5682 3,5683 3,4116 3,4116 3,7237 3,7236 2,8850 2,8850 3,5348 3,5347 3,2425 3,2425 3,1866 3,1866 3,3520 3,3520 3,4102 3,4102 3,2827 3,2827 3,2079 3,208 3,3405 3,3405 3,3986 3,3987 Leitura 5 3,1266 3,3676 3,3841 2,7921 3,0162 3,3785 3,0784 3,6546 3,1101 3,1948 3,3300 3,4773 3,5618 3,2538 3,1880 3,1796 3,1259 3,0827 2,9862 3,1273 3,1216 3,5683 3,4115 3,7235 2,8850 3,5348 3,2426 3,1865 3,3520 3,4101 3,2825 3,208 3,3405 3,3987 Média 3,1266 3,3677 3,3840 2,7922 3,0162 3,3784 3,0784 3,6546 3,1102 3,1948 3,3301 3,4774 3,5618 3,2539 3,1880 3,1797 3,1259 3,0828 2,9862 3,1273 3,1217 3,5683 3,4116 3,7236 2,8850 3,5348 3,2425 3,1867 3,3520 3,6102 3,2826 3,2080 3,3405 3,3987 S 0 0,00012 4,89898E-05 6,32456E-05 4,89898E-05 8,94427E-05 4E-05 4E-05 4E-05 0,000132665 8E-05 4,89898E-05 4E-05 0,000116619 0,00010198 4,89898E-05 4,89898E-05 8E-05 4,89898E-05 4E-05 4,89898E-05 4,89898E-05 4E-05 7,48331E-05 8E-05 4,89898E-05 6,32456E-05 0,000146969 4,44089E-16 0,400020002 8E-05 4,89898E-05 4E-05 4E-05 Tabela A2.4 – Valores obtidos nas leituras das massas finais dos eletrodos, por ensaio. Eletrodos E01 E02 E03 E04 E05 E06 E07 E08 E09 E10 E11 E12 E13 E14 E15 E16 E17 Leitura 1 9,9284 9,7745 9,7402 9,3400 9,8526 9,6783 9,7561 9,4734 9,8576 9,6407 9,1181 9,6911 9,3075 9,8500 9,5165 10,1246 9,3918 Leitura 2 9,9287 9,7750 9,7398 9,3401 9,8529 9,6785 9,7561 9,4732 9,8577 9,6406 9,1182 9,6909 9,3076 9,8500 9,5161 10,1246 9,3918 MASSA FINAL (g) Leitura 3 Leitura 4 9,9285 9,9288 9,7749 9,7748 9,7402 9,7402 9,3401 9,3401 9,8529 9,8529 9,6784 9,6783 9,7560 9,7559 9,4735 9,4735 9,8580 9,8578 9,6410 9,6409 9,1181 9,1182 9,6910 9,6909 9,3077 9,3078 9,8503 9,8503 9,5165 9,5165 10,1247 10,1245 9,3918 9,3917 Leitura 5 9,9286 9,7749 9,7404 9,3400 9,8528 9,6783 9,7560 9,4733 9,8576 9,6408 9,1181 9,6908 9,3077 9,8503 9,5163 10,1244 9,3918 Média 9,9286 9,7748 9,7402 9,3401 9,8528 9,6784 9,7560 9,4734 9,8577 9,6408 9,1181 9,6909 9,3077 9,8502 9,5164 10,1246 9,3918 S 0,000158114 0,000192354 0,000219089 5,47723E-05 0,000130384 8,94427E-05 8,3666E-05 0,000130384 0,000167332 0,000158114 5,47723E-05 0,000114018 0,000114018 0,000164317 0,000178885 0,000114018 4,47214E-05 120 E18 E19 E20 E21 E22 E23 E24 E25 E26 E27 E28 E29 E30 E31 E101 E102 E103 9,8319 9,8256 9,6239 9,5533 9,6270 9,7219 9,4648 10,1201 8,8870 9,9068 9,7973 9,7762 9,9108 9,7666 4,9007 4,7790 4,7111 9,8321 9,8256 9,6239 9,5532 9,6271 9,7218 9,4647 10,1201 8,8871 9,9070 9,7974 9,7764 9,9110 9,7667 4,9007 4,7790 4,7110 9,8319 9,8257 9,6237 9,5535 9,6272 9,7220 9,4650 10,1202 8,8871 9,9068 9,7973 9,7763 9,9108 9,7668 4,9007 4,7790 4,7111 9,8319 9,8256 9,6241 9,5532 9,6270 9,7219 9,4647 10,1202 8,8870 9,9067 9,7973 9,7764 9,9108 9,7667 4,9009 4,7791 4,7113 9,8320 9,8257 9,6238 9,5532 9,6273 9,7218 9,4648 10,1202 8,8870 9,9067 9,7973 9,7764 9,9109 9,7668 4,9009 4,7791 4,7112 9,8320 9,8256 9,6239 9,5533 9,6271 9,7219 9,4648 10,1202 8,8870 9,9068 9,7973 9,7763 9,9109 9,7667 4,9008 4,7790 4,7111 8,94427E-05 5,47723E-05 0,000148324 0,000130384 0,000130384 8,3666E-05 0,000122474 5,47723E-05 5,47723E-05 0,000122474 4,47214E-05 8,94427E-05 8,94427E-05 8,3666E-05 0,000109545 5,47723E-05 0,000114018 APÊNDICE 03 – Tempos de usinagem Tabela A3.1 – Tempo de usinagem medido para os ensaios realizados. Ensaio E01 E02 E03 E04 E05 E06 E07 E08 E09 E10 E11 E12 E13 E14 E15 E16 E17 Tempo de Usinagem (min) 1509,033333 497,7000 594,2500 40,5500 102,6667 64,8000 71,3167 173,6167 120,8667 2658,6500 153,9000 108,7167 171,7333 118,3600 37,8833 2625,6667 38,3500 Ensaio E18 E19 E20 E21 E22 E23 E24 E25 E26 E27 E28 E29 E30 E31 E101 E102 E103 Tempo de Usinagem (min) 45,8667 119,7500 44,6500 124,1333 1066,0167 44,7667 177,3333 2709,7667 1046,5000 1043,9167 51,0783 65,3000 105,1667 128,3500 47,015 54,21666667 44,75 121 APÊNDICE 04 – Medição da rugosidade nos corpos de prova Tabela A4.1 – Valores das médias e desvio padrão dos parâmetros de rugosidade medidos para os corpos de prova (µm) CORPO DE PROVA Ra S Rq S Rz S Ry S Rt S A01 3,089 0,397 3,911 0,480 18,431 2,246 20,206 2,016 23,224 3,481 A02 3,075 0,246 3,741 0,236 17,561 1,294 19,786 2,269 20,210 2,029 A03 3,150 0,321 3,882 0,377 17,179 1,108 20,452 2,445 21,078 2,700 A04 14,889 1,931 18,074 2,308 71,215 10,335 89,610 22,943 92,682 20,347 A05 3,003 0,163 3,764 0,162 18,788 0,719 20,638 0,830 22,286 2,837 A06 6,273 0,577 7,884 0,709 36,321 3,421 43,762 5,754 49,738 7,491 A07 2,958 0,242 3,730 0,309 18,646 1,902 22,152 2,843 22,210 2,730 A08 2,821 0,504 3,437 0,572 15,602 2,330 17,962 2,930 21,726 5,811 A09 4,855 0,787 5,886 0,735 24,253 2,402 29,672 2,547 34,652 4,517 A10 3,079 0,175 3,810 0,238 17,897 1,385 20,300 2,484 22,254 2,398 A11 6,304 1,322 8,087 1,648 37,732 7,187 49,614 12,211 51,048 10,845 A12 5,476 0,382 6,832 0,433 31,041 1,598 38,500 5,693 41,834 4,378 A13 2,678 0,606 3,344 0,748 14,694 2,244 18,748 3,854 20,052 3,198 A14 4,710 1,226 5,855 1,508 24,722 5,539 27,752 5,326 33,084 6,617 A15 6,011 0,657 7,681 1,122 34,236 7,052 43,968 9,735 50,468 7,446 A16 3,043 0,303 3,712 0,330 17,389 0,938 20,296 3,229 21,448 2,556 A17 5,291 1,283 6,562 1,432 29,489 4,986 34,806 6,656 38,170 6,415 A18 12,528 3,434 15,219 3,954 61,173 16,427 71,326 24,065 78,908 17,513 A19 2,864 0,210 3,579 0,278 18,112 1,560 19,352 2,122 21,774 0,901 A20 13,258 2,030 16,472 2,348 64,909 7,783 84,080 14,663 91,616 17,987 A21 4,649 1,039 5,869 1,366 25,588 5,550 31,606 9,529 33,454 8,903 A22 2,777 0,351 3,400 0,488 15,573 2,672 17,552 3,314 21,538 4,821 A23 5,248 0,835 6,737 1,186 30,910 5,729 39,738 12,643 41,334 11,957 A24 2,422 0,462 3,009 0,574 13,575 2,069 16,140 3,517 18,218 4,064 A25 3,223 0,648 3,952 0,772 17,947 2,877 21,082 2,686 21,684 2,688 A26 2,733 0,357 3,385 0,431 15,379 1,865 17,748 2,163 20,350 4,226 A27 3,034 0,493 3,803 0,620 17,317 2,507 20,528 2,758 21,626 2,870 A28 11,254 1,221 13,668 1,710 52,624 6,283 61,750 11,948 76,080 12,155 A29 3,185 0,398 3,985 0,460 19,561 2,576 23,346 4,770 24,154 3,839 A30 6,503 1,035 8,230 1,275 38,244 5,363 41,628 4,832 46,686 10,348 A31 2,786 0,266 3,458 0,294 17,503 0,884 21,136 1,812 22,024 1,229 122 APÊNDICE 05 – Medição da espessura média da camada branca Tabela A5.1 – leituras obtidas para a espessura média da camada branca para cada ensaio (µm). CP A08 A09 A10 A11 A12 A13 A14 A15 A16 A17 A18 A19 A20 A21 A22 A23 A24 A25 A26 A27 A28 A29 A30 A31 LEITURA 1 LEITURA 2 LEITURA 3 LEITURA 4 LEITURA 5 MÉDIA 15,7 48,9 37,1 40,8 86,8 15,5 45,5 51,0 39,4 43,8 85,0 40,4 61,6 55,3 13,9 44,5 9,4 28,1 6,5 8,0 26,2 4,7 44,9 15,4 14,4 43,6 41,3 52,9 36 11,1 56,6 53,1 35,7 59,3 77,9 45,0 49,0 54,9 12,7 31,7 7,3 31,4 12,4 9,1 20,1 3,0 43,0 9,0 14,8 54,8 36,1 43,2 26,8 12,2 56,7 36,5 29,8 64,0 46,1 45,3 57,2 45,6 12,0 27,4 8,2 30,3 8,2 13,0 25,7 5,9 27,0 15,0 14,6 55,5 40,1 57,5 24,2 14,3 55,6 40,3 35,0 69,7 18,9 30,1 32,3 55,0 20,0 31,6 15,5 28,6 19,0 13,1 22,3 9,9 28,8 11,3 20,4 60,2 33,2 34,3 37,7 17,9 57,6 39,5 41,0 77,0 39,6 34,1 19,5 64,2 17,4 27,9 11,8 24,1 11,8 14,7 21,8 7,3 29,5 13,8 15,98 52,6 37,56 45,74 42,3 14,2 54,4 44,08 36,18 62,76 53,5 38,98 43,92 55,0 15,2 32,62 10,44 28,5 11,58 11,58 23,22 6,16 34,64 12,9 123 A09 A10 A13 A14 A16 A17 A18 A20 A21 A22 A23 A24 A25 A26 A27 A30 A31 A08 A12 A28 A29 A11 A15 A19 Figura A5.1 - Camadas brancas obtidas nos ensaios de A08 a A31. Todas as imagens têm a mesma ampliação. 124 Rq (μm) Rq (μm) APÊNDICE 06 – Comportamento das rugosidades em função dos parâmetros de entrada 12 10 8 6 4 2 0 Corrente (A) 24 10 Rq (μm) Rq (μm) 3 12 10 8 6 4 2 0 12 10 8 6 4 2 0 30% 60% DT 12 10 8 6 4 2 0 Negativa (-) 150 TON (μs) Polaridade Positiva (+) Rz (μm) Rz (μm) Figura A6.1 – Gráfico dos efeitos principais sobre a média de rugosidade média quadrática Rq (μm), com intervalos de confiança calculados para probabilidade de 95%. 50 40 40 30 30 20 20 10 10 0 0 Corrente (A) 24 10 150 TON (μs) Rz (μm) 3 Rz (μm) 50 50 50 40 40 30 30 20 20 10 10 0 30% 60% DT 0 Negativa (-) Polaridade Positiva (+) Figura A6.2 – Gráfico dos efeitos principais sobre a média de rugosidade Rz (μm), com intervalos de confiança calculados para probabilidade de 95%. RyDIN (μm) RyDIN (μm) 125 60 50 40 30 20 10 0 Corrente (A) 24 10 RyDIN (μm) RyDIN (μm) 3 60 50 40 30 20 10 0 60 50 40 30 20 10 0 30% 60% DT 60 50 40 30 20 10 0 Negativa (-) 150 TON (μs) Polaridade Positiva (+) Rt (μm) Rt (μm) Figura A6.3 – Gráfico dos efeitos principais sobre a média de rugosidade Ry DIN (μm), com intervalos de confiança calculados para probabilidade de 95%. 80 80 60 60 40 40 20 20 0 0 Corrente (A) 24 10 Rt (μm) Rt (μm) 3 70 50 60 40 10 20 30% 60% DT TON (μs) 80 30 -10 150 0 Negativa (-) Polaridade Positiva (+) Figura A6.4 – Gráfico dos efeitos principais sobre a média de rugosidade Rt (μm), com intervalos de confiança calculados para probabilidade de 95%. 126 InteraçãoInteraction dos parâmetros a rugosidade Rq (µm) Plotpara for Rq (um) Interação dos parâmetros para a rugosidade Interaction Plot for Rz (um)Rz (µm) Data Means 10 150 Data Means Negativa Positiva 10 10,0 7,5 Corrente (A) 5,0 Ton (us) 10 150 10,0 7,5 Corrente (A ) 3 24 Ton (us) 5,0 150 Negativa Positiva 40 30 Corrente (A) 20 Ton (us) 10 150 40 30 C orrente (A ) 3 24 Ton (us) 20 10,0 7,5 DT (%) DT (%) 30 60 40 30 DT (%) 5,0 7,5 20 Polaridade Negativ a Positiv a 10,0 Polaridade DT (%) 30 60 5,0 Polaridade Negativ a Positiv a 40 30 Polaridade 20 3 24 30 60 3 24 30 Interação dos parâmetros para a rugosidade Interaction Plot for Rt (um)Rt (µm) Interação dosInteraction parâmetrosPlot parafor a rugosidade Ry (um) Ry DIN (µm) Data Means Data Means 10 150 Negativa 10 Positiva 60 40 Corrente (A) 20 60 40 20 60 40 DT (%) 150 Negativa Positiva 60 C orrente (A ) 3 24 40 Corrente (A) Ton (us) 10 150 60 40 Ton (us) 20 DT (%) 30 60 60 40 DT (%) 20 60 40 Polaridade 20 Corrente (A ) 3 24 20 Ton (us) 10 150 Ton (us) 60 DT (%) 30 60 20 Polaridade Negativ a Positiv a 60 40 Polaridade Polaridade Negativ a Positiv a 20 3 24 30 60 3 24 30 60 Figura A6.5 – Gráfico da interação dos efeitos sobre as os parâmetros Rq, Rz, Ry e Rt de rugosidade.