CARTA REGIONAL
DE COMPETITIVIDADE
AVE/CÁVADO
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1. TERRITÓRIO
1.1. Os Vales do Ave e Cávado
O Vale do Ave situa-se no Noroeste de Portugal entre as cidades de Braga e Porto, fazendo fronteira
a Oeste com o Atlântico, a Norte com o Vale do Cávado e o Parque Nacional da Peneda Gerês, a
Este com Trás-os-Montes e Alto Douro e a Sul com o Douro.
O território conjugado dos Ave e Cavado atinge os 2 491 Km2, representando 11,7% da superfície
da região Norte e 2,7% da superfície do país. Por sua vez o território do Ave por si abrange uma
área de cerca de 1.250 km², representando 6% da superfície da região Norte e 1,4% da superfície
do País.
FIGURA 1 - SUB-REGIÃO AVE
As condições gerais de estruturação do território do Ave sintetizam-se em três características
fundamentais: 1) relativa homogeneidade das densidades de povoamento; 2) dominância da
urbanização difusa; e 3) representatividade de uma rede urbana policêntrica.
Com efeito, aos territórios dinâmicos de urbanização difusa sobrepõe-se uma rede de aglomerados
urbanos marcada pela conurbação policêntrica apoiada nas cidades de Guimarães, Vila Nova de
Famalicão, Santo Tirso, Trofa, Vizela e Fafe, e pelos núcleos urbanos, de pequena dimensão,
associados às sedes de município de Póvoa de Lanhoso e Vieira do Minho.
O Ave apresenta assim um modelo de território urbano-disperso caracterizado por padrões de
urbanização e industrialização difusos onde a plurifuncionalidade do uso do solo se interconectam,
apoiadas por boas condições de acessibilidade. É cada vez mais parte integrante de um vasto
espaço urbano-industrial, que transcende os limites concelhios da NUT III, integrando-se na Área
Metropolitana do Porto, nas áreas de maior concentração industrial do Cávado, que começa a
estender-se a Viana do Castelo, e em todo o Vale do Sousa.
Territorialmente, o Ave já faz portanto parte de um vasto espaço em organização que pode ser
designado de espaço urbano-industrial do Entre-Douro-e-Minho.
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Em termos rodoviários, o Ave beneficia da dotação de três auto-estradas que atravessam o seu
território, de Norte a Sul, do Litoral ao Interior:
IP1/A3 - entre as cidades do Porto e Valença, atravessa, no Vale do Ave, os municípios da
Trofa, Santo Tirso e Vila Nova de Famalicão. É o principal eixo viário de ligação do Vale do
Ave ao exterior e a Galiza.
IP9/A11 - ligação entre Esposende e IP4-Vila Real, que atravessa, no Vale do Ave, os
municípios de Guimarães, Vizela e Fafe.
IC5/A7 - ligação entre Póvoa de Varzim (IC1/A28) e Vila Pouca de Aguiar (A/24/IP3), que
atravessa, no Vale do Ave, os municípios de Vila Nova de Famalicão, Guimarães e Fafe.
Representa o principal eixo de ligação que atravessa de forma transversal o Vale do Ave
em direcção a Chaves/Verín.
Estes eixos rodoviários permitiram a crescente integração do território do Vale do Ave na região
do Porto, em particular do seu “núcleo duro” (municípios de Vila Nova de Famalicão, Guimarães e
Fafe). De destacar os contributos da construção da A3 (IP1) e da A7 (IC5), eixos que colocaram as
cidades de Vila Nova de Famalicão e Santo Tirso a menos de meia hora da cidade do Porto e as
cidades de Guimarães e de Fafe a menos de 1 hora de distância desta cidade.
O Vale do Ave beneficia também de boas acessibilidades ferroviárias, com a importância de dois
eixos ferroviários da Linha do Minho: eixo Porto-Braga, que atravessa no Vale do Ave os municípios
da Trofa e Vila Nova de Famalicão, permitindo a ligação deste território ao Porto e a Espanha; eixo
Porto- Guimarães, que atravessa os municípios de Santo Tirso, Vila Nova de Famalicão, Vizela e
Guimarães e que permite a estruturação das áreas mais industrializadas e com maior densidade
populacional do Vale do Ave (Guimarães, Vizela, Famalicão).
À semelhança do Vale do Ave, o Vale do Cavado corresponde a um território fortemente povoado
e industrializado. Em termos de rede urbana, apresenta uma hierarquia muito bem definida, tendo
como grande centro urbano a cidade de Braga.
O Cávado cobre um espaço territorial estruturado pelos vales dos rios Cávado e Homem,
estendendo-se desde a fronteira com Espanha ao Atlântico e tendo a Norte o Minho-Lima, a Leste
Alto Trás-os-Montes e a Sul o Ave e o Grande Porto.
FIGURA 2 - SUB-REGIÃO CÁVADO
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São elementos marcantes do Cávado o Parque Nacional Peneda-Gerês, parcialmente integrado no
município de Terras de Bouro (e noutros municípios limítrofes não inseridos no Cávado) e o Parque
Natural do Litoral Norte (que substituiu a Área de Paisagem Protegida do Litoral de Esposende),
inserido geograficamente no município de Esposende embora esteja em curso um processo de
expansão para Norte, no litoral de Viana do Castelo e Caminha.
Por outro lado, é de realçar a extensa área do Cávado associada aos cursos de água superficiais
existentes, destacando-se os rios Cávado, Homem e Neiva. De referir que o Sistema CávadoRabagão-Homem (dois afluentes) é composto por várias barragens implantadas nesses mesmos
percursos fluviais para aproveitamentos hidroeléctricos.
No que respeita ao sistema urbano, destacam-se as cidades de Braga e Barcelos, vértices de uma
”região metropolitana policêntrica” assente no quadrilátero urbano Braga-Barcelos-Vila Nova de
Famalicão-Guimarães, que integra os Vales do Cávado e Ave.
Ao longo dos últimos anos, o Cávado beneficiou de uma melhoria significativa das acessibilidades
rodoviárias, inter e intra-regionais. Destacam-se os seguintes eixos rodoviários:
IP1/A3 - atravessamento norte-sul, que passa por Braga (cidade) e Barcelos (a cerca de
12 km da cidade) e permite a ligação do Cávado ao Porto (e Vila Nova de Famalicão) e à
Galiza;
IC1/A28 - também um atravessamento norte-sul, que cruza todo o litoral de Esposende
e do Vale do Cávado, no limite poente deste território e que possibilita o rápido acesso a
Viana do Castelo (e portanto à Galiza) e à Área Metropolitana do Porto;
IC14/A11 - permite “amarrar” os dois eixos rodoviários anteriores, ligando Braga, Barcelos
e Esposende por auto-estrada, facilitando ainda a ligação ao Vale do Ave (Guimarães) e ao
IC5/A7 (com posterior ligação à fronteira de Vila Verde da Raia-Chaves, através do IP3);
Apesar da presença de uma densa rede de auto-estradas, persistem alguns problemas relacionados
com a deficiência de acessibilidade dos municípios do interior do Cávado a esta rede rodoviária
fundamental. Todavia, as Estradas Nacionais 14, 101, 103, 201 e 205 (e 205-5), apesar de não
assumirem o mesmo significado que os eixos rodoviários atrás referidos, revelam-se estruturantes
para largas franjas do território do Cávado (com especial destaque para os municípios mais
interiores), na sua ligação quer a Braga, quer à rede estruturante.
Ao nível da rede ferroviária, apenas Braga e Barcelos são servidos por ferrovia. A Linha do Minho,
que permite a ligação da Galiza à Área Metropolitana do Porto, atravessa e serve a cidade de
Barcelos, enquanto que o ramal de Braga faz a ligação desta cidade à Linha do Minho (na estação
de Nine, em Vila Nova de Famalicão). Tendo sido recentemente intervencionado (modernização e
electrificação da linha), este ramal assegura uma rápida ligação entre Braga e o Porto.
2. DEMOGRAFIA
2.1. Ave
Em 2009, o Ave tinha uma população residente de cerca de 525 mil habitantes, o correspondente
a 5% da população nacional, apresentando-se como uma das regiões portuguesas com maior
densidade populacional (cerca de 421,4 habitantes por km², apesar de fortes diferenças intraregionais em virtude de um padrão de povoamento contrastado) e com um crescimento demográfico
significativo (na ordem de 11% entre 1991 e 2009). De realçar que a população do Vale do Ave
apresenta duas características fundamentais:
por um lado, não se concentra à volta dos centros urbanos, mas estende-se por todo o
território (povoamento difuso). Todavia, a população do Ave concentra-se maioritariamente
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nos municípios de Guimarães (31% da população total da sub-região) e Vila Nova de
Famalicão (26%), revelando um “núcleo duro” de municípios que sobressaem em termos
de dinâmica populacional (e produtiva).
por outro lado, apresenta uma das populações mais jovens do País e mesmo da Europa.
Cerca de 29% da população residente tem menos de 24 anos, enquanto que para a região
Norte essa proporção é de 27% e a nível nacional não ultrapassa os 26%. Apenas cerca de
13% da população tem mais de 65 anos.
O nível de envelhecimento demográfico deste território encontra-se significativamente abaixo da
média da região do Norte. Por 100 jovens residentes no Ave, existem cerca de 85 idosos; na região
Norte existem, em média, cerca de 102 idosos por cada 100 jovens.
O Ave tem ganho população, quer por via do saldo natural positivo (0.11% em 2009), quer por via
dos movimentos migratórios (poder de fixação e de atracção de residentes). Neste ano, a taxa de
crescimento efectivo da população do Ave foi de 0.09%. No entanto, os comportamentos concelhios
são diferenciados: são os municípios mais envelhecidos (em que se destaca Vieira do Minho, com
um índice de envelhecimento da população de 131.1) que têm observado negativas taxas de
crescimento efectivo da população.
FIGURA 3 - POPULAÇÃO RESIDENTE NO AVE – 2009
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FIGURA 4 - TAXA DE CRESCIMENTO EFECTIVO DA POPULAÇÃO RESIDENTE
NO AVE - 2009
Fonte: INE
2.2. Cávado
Em 2009 residiam no Cávado 414.2 mil indivíduos, o correspondente a cerca de 4% da população
portuguesa e a 11% da população da região Norte. À semelhança do Ave, são de registar as
elevadas densidades populacionais do Cávado – cerca de 330 habitantes por km2, valor muito
superior ao do País (115.4 hab/Km2) e da região Norte (176 hab/km2). Braga e Barcelos são os
municípios mais populosos do Cávado, representando juntos cerca de 73% da população residente
na sub-região e contrastando com os territórios menos densamente povoados de Amares e Terras
de Bouro.
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FIGURA 5 - POPULAÇÃO RESIDENTE NO CÁVADO - 2009
FIGURA 6 - TAXA DE CRESCIMENTO EFECTIVO DA POPULAÇÃO
RESIDENTE NO CÁVADO- 2009
Fonte: INE.
A taxa de crescimento efectivo da população do Cávado mais do que duplicou, em 2009, o valor
registado no País e no Norte (0.36% contra os valores respectivos de 0.09% e 0.01%). Apenas
Terras de Bouro apresentou uma negativa taxa de crescimento da população residente.
Também à semelhança do Ave, o Cávado apresenta os mais baixos índices de envelhecimento
da população residente. Em 2009, todos os municípios, com excepção de Terras de Bouro,
apresentavam menos de 95 idosos por cada 100 jovens residentes na sub-região.
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3. ACTIVIDADES ECONÓMICAS, POLOS INDUSTRIAIS
E CLUSTERS
3.1. Ave
Em 2009, o Produto Interno Bruto (PIB) do Ave, a preços correntes, rondava os 6.1 mil milhões
de euros (o equivalente a 3.6% do total nacional e a 12.9% do total da região Norte). Em termos
de Valor Acrescentado Bruto (VAB), a relevância nacional e regional da sub-região rondava os
mesmos valores.
Naquele ano, o PIB per capita a preços correntes da sub-região era de 11.7 milhares de euros,
valor inferior aos registados a nível nacional (de 15.7 milhares de euros) e na região Norte (12.8
milhares de euros). O índice de disparidade do PIB per capita da sub-região em relação à média
nacional permite aferir que o Ave apresenta um PIB per capita cerca de 26% abaixo do valor médio
nacional.
Em 2007, as actividades industriais representaram cerca de 40% do VAB do Ave (correspondendo
a 11% do VAB industrial do País).
A sub-região representava, em 2010, apenas cerca de 9% dos fluxos do comércio internacional em
Portugal. Em 2009, a taxa de cobertura das entradas pelas saídas na sub-região foi de 182% (muito
acima da média regional de 114% e da média nacional de 62%). Este indicador traduz uma especial
vocação do Ave para se relacionar com o mercado externo, não obstante a forte presença de ramos
e empresas tradicionais no tecido industrial.
Em 2009, cerca de 178 mil indivíduos desenvolviam a sua actividade económica no Ave, o
equivalente a 4.8% do emprego total do País. As actividades económicas mais representativas no
Ave em termos de emprego são, por ordem decrescente: a fabricação de têxteis (corresponde a
17% do emprego total da sub-região); a indústria do vestuário (16%); a construção civil (8%) e o
comércio a retalho (6%).
Cerca de 43 mil empresas tinham, em 2009, sede nos municípios do Ave, 31% das quais concentradas
no município de Guimarães, seguindo-se os municípios Vila Nova de Famalicão (27%), Santo Tirso
(13%) e Fafe (10%).
Os sectores de actividade económica não industriais mais representativos em termos empresariais
são, por ordem decrescente de importância, o comércio por grosso e a retalho (30% do total de
empresas sedeadas na sub-região), as actividades imobiliárias, alugueres e serviços prestados às
empresas (15%) e a construção civil (10%).
A indústria têxtil representa cerca de 58% do total de empresas sediadas nos municípios do Ave
(mais de metade das quais localizadas em Guimarães e Vila Nova de Famalicão), seguindo-se,
embora a longa distância, as indústrias metalúrgicas de base e produtos metálicos (11%).
A taxa de natalidade de empresas no Ave posicionou-se, em 2008, abaixo da média nacional (13.6%
contra 14.2%). Por seu turno, em 2007, a taxa de mortalidade de empresas foi de 14.4% (a média
nacional foi de 16.1%).
No que respeita à estrutura dimensional das empresas com sede nos municípios da sub-região,
o Ave é marcado pela forte presença de micro-empresas (cerca de 92% das empresas) e de
pequenas e médias empresas (7.5%). Cerca de 23% dos Trabalhadores por Conta de Outrem
(TCO) desenvolviam, em 2008, a sua actividade em empresas com menos de 10 trabalhadores;
apenas cerca de 17% dos TOC pertencem a empresas com mais de 250 trabalhadores.
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FIGURA 7 - TAXA DE TCO EM EMPRESAS COM MENOS DE 10 TRABALHADORES,
NO AVE - 2008
FIGURA 8 - TAXA DE TCO EM EMPRESAS COM MAIS DE 250 TRABALHADORES,
NO AVE – 2008
Fonte: INE.
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Em 2009, as empresas do Ave atingiram um volume de negócios de 11.2 mil milhões de euros. Os
sectores mais representativos em termos de volumes de negócio foram, por ordem decrescente
de importância: o comércio por grosso, excepto de veículos automóveis e motociclos (21% do
volume de negócios total); comércio a retalho, excepto de veículos automóveis e motociclos (13%);
fabricação de têxteis (12%); indústria do vestuário (8%); fabricação de artigos de borracha e de
matérias plásticas (6%).
Especialização da base produtiva
O Vale do Ave tornou-se num dos territórios mais dinâmicos e industrializados do País. A sua
estrutura produtiva reflecte uma elevada industrialização, marcada pela relevância das indústrias
têxteis e da indústria do vestuário (no conjunto, estas indústrias representam cerca de 80% da
estrutura produtiva deste território).
A expansão/consolidação do seu perfil de desenvolvimento económico ficou a dever-se à proximidade
ao Porto e dinâmicas de progressiva desindustrialização desta cidade que alastraram a indústria
para territórios adjacentes.
Numa fase inicial, a dinâmica de industrialização do Vale do Ave concentrou-se de forma mais
marcada no “Médio Ave” (sobretudo Santo Tirso), desenvolvendo-se depois uma lógica de
complementaridade das três unidades geográficas constituintes da bacia hidrográfica do Ave: no
“Baixo Ave”, essencialmente agrícola e com uma forte actividade portuária, foram lançadas as infraestruturas ferroviárias e rodoviárias que ligam o sistema territorial e económico do Ave às principais
“rotas” nacionais e internacionais; no “Médio Ave” desenvolveu-se o processo de industrialização,
complementado com uma forte actividade agrícola de subsistência e, mais tarde, uma intensa
actividade terciária de serviços e comércio; no “Alto Ave”, território montanhoso e sobretudo agrícola,
concentrou-se a produção de energia eléctrica de abastecimento a todo o território do Ave.
Assim, o desenvolvimento industrial do Vale do Ave apresenta consideráveis diferenças, sendo
possível distinguir dois importantes subgrupos económicos: um, mais industrializado e localizado
ao Centro e a Sul, polarizado pelos municípios de Guimarães, Vila Nova de Famalicão, Trofa e
Vizela; outro, a Norte, com menor nível de industrialização e maior presença da actividade agrícola,
que inclui os municípios de Fafe, Póvoa de Lanhoso e Vieira do Minho.
De referir que Guimarães e Vila Nova de Famalicão são municípios típicos de um “sistema produtivo
local mono especializado”, caracterizados por uma elevada industrialização concentrada no sector
têxtil e vestuário, baixa diversificação sectorial e elevada densidade demográfica (ainda que o
nível de urbanização seja baixo). Trata-se de um tecido industrial difuso e muito desconcentrado,
com características sócio-económicas particulares (designadamente um povoamento disperso,
associado à importância da actividade agrícola como complemento do rendimento da actividade
industrial).
Um “Ave industrial” é confirmado através de uma análise global do pessoal ao serviço nas sociedades
sedeadas, considerando a divisão clássica por grandes ramos de actividade: no Vale do Ave, cerca
de 79% do pessoal ao serviço nas sociedades encontra-se ligado ao sector secundário (45% a nível
nacional), sendo claramente o território onde a presença da indústria é mais notória, contra 20%
do sector terciário (54% a nível nacional). O peso do sector primário é residual, com apenas 0.5%
do pessoal ao serviço nas sociedades sedeadas no Vale do Ave (1.5% a nível nacional). Como se
referiu, o sector agrícola tem um peso relativamente pequeno no emprego da sub-região enquanto
actividade profissional principal, mas funciona frequentemente como um “amortecedor” social face
aos baixos salários que caracterizam os sectores industriais predominantes neste território.
Em termos da actividade industrial, analisada numa óptica de clusters industriais, o que especifica
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o Vale do Ave é a forte especialização no têxtil. O Ave é o centro de gravidade do cluster têxtil,
que representa uma parte muito significativa do emprego total da sub-região e quase 70% das suas
exportações.
Transformou-se num território de grande densidade fabril nos segmentos da fiação e da tecelagem
desde os finais do século XIX, particularmente no espaço central designado de “Médio Ave”. O
sector têxtil algodoeiro tornou-se a sua actividade motora.
Em termos empresariais, no núcleo central deste cluster existe um grupo de grandes unidades
integradas (fiações/tecelagens/acabamentos), orientadas para a produção de tecidos de alta
qualidade para as indústrias da confecção ou da decoração e fortemente exportadoras – são
exemplos a maior e mais diversificada empresa têxtil portuguesa (TMG - Têxtil Manuel Gonçalves,
vd. Caixa), a RIOPELE – Têxteis (vd. Caixa), o Grupo SOMELOS, etc.
Imediatamente a seguir, encontra-se um grupo de unidades integradas ou de grandes tecelagens
especializadas na produção de têxteis-lar, que se tem afirmado como um dos segmentos têxteis
de maior dinamismo na exportação. São exemplos as seguintes empresas: a LAMEIRINHO Indústria Têxtil, a COELIMA – Indústrias Têxteis, António de Almeida & Filhos Têxteis, Mundo Têxtil,
etc. De referir que o têxtil-lar português é um dos principais actores no mercado internacional,
tendo vindo a apostar na diferenciação, na criação de marcas próprias, no lançamento de novos
conceitos de retalho e no desenvolvimento de produtos inovadores para consolidar a sua posição
nos mercados.
De destacar também a presença de um conjunto de unidades especializadas na produção de tecidos
de malha (Empresa Têxtil Nortenha) e no fabrico de vestuário de malha (Benetton SA, etc).
De referir ainda a presença de outro conjunto de unidades de grande dimensão orientadas para a
confecção em tecido: RICON – Ribeirão Confecções Têxteis; Irmãos Vila Nova (grupo detentor da
marca SALSA), etc.
Estes dois conjuntos são dominados por unidades que trabalham essencialmente para grandes
marcas internacionais, embora existam empresas que, em simultâneo ou com carácter predominante,
vendem com marca própria, tendo algumas delas iniciado o franchising dessas marcas.
Ainda dentro do cluster Têxtil do Ave encontram-se dois outros tipos de actividades:
Um, em franco crescimento, dos têxteis especiais, sobretudo destinados à indústria
automóvel (por exemplo para os assentos); nalguns casos estes produtos são fabricados
por empresas com actividade centrada no têxtil (a TMG - Tecidos Plastificados e
Revestimentos para a Indústria Automóvel, a REEVES – Revestimentos) ou por empresas
centradas nos revestimentos e nos assentos como a COINDU – Componentes para a
Indústria Automóvel.
Outro, em relativo declínio, das cordoarias, hoje sobretudo sintéticas, de que são exemplos a
COTESI – Companhia de Têxteis Sintéticos, pertencente ao grupo Violas, que deslocalizou
a produção de cordoaria de sisal para o Brasil.
A densidade e progressiva sofisticação do cluster Têxtil no Ave têm vindo a proporcionar o
desenvolvimento do sector dos serviços às empresas, que já se encontra entre os dez maiores
empregadores da sub-região.
Ainda no contexto dos clusters industriais, são de referir os seguintes aspectos:
• O Ave tem uma presença menos significativa no cluster Couro, embora se localizem na
sub-região algumas grandes empresas exportadoras como a Kyaia - Fortunato O. Frederico
e & Cª (detentora da marca Fly London), a CAMPORT - Fábrica de Calçado Campeão
Português, a ACO - Fábrica de Calçado, a OTTER Portuguesa, entre outras. Durante os
anos 90 do século XX concretizou-se um processo exemplar de cooperação empresarial
dinamizado pelo Centro Tecnológico do Calçado, no sentido do aprofundamento e
37
•
•
•
•
densificação do cluster do Couro, em torno da endogeneização de novas tecnologias de
fabrico e de novos modos de organização. Em termos de localização, o centro de gravidade
deste cluster situa-se em Entre Douro e Vouga, mas existem bases industriais no Tâmega
e no Ave.
Em termos empresariais, o seu núcleo central é constituído por um conjunto de empresas
nacionais de média ou grande dimensão, mas com diferentes modos de posicionamento
no mercado, indo das que fornecem as grandes marcas internacionais, às que se orientam
para segmentos em que o elemento mais valorizado é o design estético que elas procuram
dominar, até às que se impõem pela aquisição de marcas e pela forte internacionalização
das suas operações, sem perder a base de fabrico em Portugal; é dentro deste último
conjunto que se posicionam algumas das empresas que estiveram mais envolvidas no
processo de cooperação empresarial que estão localizadas no Ave/Cávado.
No que respeita ao cluster Automóvel, e de certo modo em continuidade com o sector
têxtil, localizaram-se no Ave algumas unidades de cablagens eléctricas (que explicam o
relevo do sector máquinas e material eléctrico nas análises sectoriais) pertencentes a
empresas como as Cablagens do Ave, do grupo francês VALEO, a LEONISCHE Portugal,
a alemã KROMBERG E SHUBERT ou o Grupo CABELTE (vd Caixa). A contribuição do
Ave para o cluster automóvel faz-se também por via de uma grande unidade de fabrico
de pneus – a CONTINENTAL MABOR (vd. Caixa), que só por si explica o relevo do sector
borracha e plásticos na análise do perfil de especialização e exportação da sub-região.
No que respeita ao cluster Plásticos, localiza-se no Ave um grupo de transformação de
plásticos fortemente internacionalizado – a NEOPLÁSTICA, para além de diversas PME
como a Fibope ou a Plastrofa – Plásticos da Trofa. De referir que a Simoldes (historicamente
nascida nos moldes, em Oliveira de Azeméis) está a acompanhar e a envolver-se na
nova especialização em competências emergente no Ave, a partir do Departamento de
Engenharia de Polímeros do Pólo de Guimarães da Universidade do Minho.
O cluster equipamentos aflora no Ave em quatro especializações distintas - as máquinas
e ferramentas para trabalhar madeira, com a MIDA e a FREZITE (vd. Caixa), localizadas
na Trofa; os equipamentos para as áreas de distribuição e retalho da indústria petrolífera,
incluindo bombas de combustível, equipamentos para estações de serviço e garagens,
máquinas automáticas de lavagem de automóveis, recipientes para GPL, etc., com
empresas como a AMTROL ALFA – Metalomecânica e a PETROTEC, localizadas em
Guimarães; os equipamentos de medida, em Vila Nova de Famalicão com a ACTARIS –
Sistemas de Precisão (vd. Caixa), que fabrica contadores de água e electricidade, a LEICA
– Aparelhos Ópticos de Precisão, ou os fabricantes de balanças como a CACHAPUZ (vd.
Caixa); por último, os equipamentos de frio para aplicações comerciais e industriais, com
múltiplos exportadores.
Sem que se possa falar de integração em clusters são de referir outras presenças industriais,
exportadoras, no Ave:
A maior unidade de trefilaria do Norte do País – a SOCITREL;
No que respeita ao material electrónico, de destacar a presença desde há décadas da
ROEDERSTEIN (adquirida pelo grupo norte-americano VISHAY) e da Electromecânica
Portuguesa PREH.
Do ponto de vista da dinâmica de criação/destruição de emprego, o Ave corresponde a um caso
típico em que o cluster de actividades industriais em torno das quais se estrutura a economia local
vem diminuindo a sua capacidade para criar ou mesmo manter o nível de emprego. As indústrias
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têxteis, de vestuário e do couro apresentam-se como fortes destruidoras de emprego na sub-região,
consequência da desaceleração do crescimento destas actividades e sobretudo dos ganhos de
produtividade que a manutenção da sua posição competitiva exige.
3.2. CÁVADO
O PIB a preços correntes do Cávado rondava, em 2009, os 4.9 mil milhões de euros (o equivalente
a 2.9% do total nacional e a 10.3% do total da região Norte). Em termos de VAB, que atingiu
naquele ano os 3.9 mil milhões de euros, a relevância nacional e regional da sub-região rondava os
mesmos valores. As actividades industriais representam cerca de 22% do total do VAB do Cávado
(correspondendo a 5% do VAB industrial do País).
Em 2009, o PIB per capita a preços correntes da sub-região era de 11.9 milhares de euros, valor
inferior aos registados a nível nacional (de 15.7 milhares de euros) e na região Norte (12.7 milhares
de euros). O índice de disparidade do PIB per capita da sub-região permite aferir que o Cávado
apresenta um PIB per capita cerca de 25% abaixo do valor médio nacional.
A sub-região representava, em 2010, apenas cerca de 4.2% dos fluxos do comércio internacional
de Portugal. Em 2009, a taxa de cobertura das entradas pelas saídas na sub-região foi de 176%
(muito acima da média regional de 114% e da média nacional de 62%).
Em 2009, cerca de 130 mil indivíduos desenvolviam a sua actividade económica no Cávado (3.5%
do emprego total do País). As actividades económicas mais representativas em termos de emprego
são a construção civil (que representa cerca de 15% do emprego da sub-região), a indústria do
vestuário (11%), a actividade agrícola (10%) e o comércio a retalho (8%). Uma parte importante
da actividade económica e do emprego no Vale do Cávado está concentrada em Braga (48%),
embora Barcelos (33%) também tenha um relevo importante neste território. Estes dois municípios
absorvem, no seu conjunto, mais de 80% do emprego por conta de outrem do Cávado, apresentando
uma concentração do emprego que ultrapassa a população residente. Cerca de 38 mil empresas
tinham, em 2009, sede nos municípios do Cávado, concentrando-se sobretudo em Braga (48% do
total) e Barcelos (28%).
Os sectores de actividade económica mais representativos em termos empresariais são, por ordem
decrescente de importância, o comércio por grosso e a retalho (28% do total de empresas sedeadas
na sub-região), as actividades imobiliárias, alugueres e serviços prestados às empresas (17%), a
indústria transformadora (15%) e a construção civil (12%).
A indústria têxtil representa cerca de 49% do total de empresas com sede nos municípios do Cávado,
destacando-se o município de Barcelos com 73% das empresas a pertencerem àquele sector.
A taxa de natalidade de empresas no Cávado foi, em 2008, ligeiramente inferior à registada a nível
nacional (13.6% contra 14.2%). A taxa de mortalidade de empresas foi, em 2007, de 14.7%, valor
inferior ao registado a nível nacional (16.1%).
O tecido empresarial da sub-região é constituído predominantemente por pequenas empresas.
Cerca de 27% dos TOC desenvolviam, em 2008, a sua actividade em empresas com menos de 10
trabalhadores. Nos municípios Vila Verde, Terras de Bouro, Esposende e Amares esta proporção
ultrapassa os 30%. Apenas cerca de 15% dos TOC da sub-região estão integrados em empresas
com mais de 250 trabalhadores.
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FIGURA 9 - TAXA DE TCO EM EMPRESAS COM MENOS DE 10 TRABALHADORES, NO CÁVADO - 2008
FIGURA 10 - TAXA DE TCO EM EMPRESAS COM MAIS DE 250 TRABALHADORES, NO CÁVADO - 2008
Fonte: INE.
Em 2009, o volume de negócios das empresas do Cávado atingiu os 9.0 mil milhões de euros. Os
sectores mais representativos em termos de volumes de negócio foram, por ordem decrescente de
importância: o comércio por grosso, excepto de veículos automóveis e motociclos (18% do volume
40
de negócios total); promoção imobiliária (desenvolvimento de projectos de edifícios) e construção de
edifícios (15%); comércio a retalho, excepto de veículos automóveis e motociclos (14%); indústria
do vestuário (8%); comércio, manutenção e reparação, de veículos automóveis e motociclos (6%).
Especialização da base produtiva
O Cávado apresenta uma estrutura produtiva razoavelmente análoga à do Ave, voltando a verificarse a relevância das indústrias têxteis e vestuário na estrutura do emprego (cerca de 26% do emprego
da sub-região). As outras actividades mais relevantes situam-se no sector terciário (serviços de
educação, comércio por grosso e comércio a retalho, serviços da administração pública, serviços
da educação e análogos) e na construção. A agricultura ainda se mantém no Cavado como uma
das actividades mais empregadoras.
Em termos de clusters o que especifica o Vale do Cávado são as seguintes características:
O cluster Têxtil tem uma expressão significativa (embora claramente inferior à que tem no
Ave), e mais orientada para a fabricação de malhas e vestuário, destacando-se as empresas de
malhas e confecções como a ORFAMA - Organização Fabril de Malhas, a IMPETUS Portugal
Têxteis (vd. Caixa), a TEBE - Empresa Têxtil de Barcelos, a FILOBRANCA – Fábrica de Malhas, a
CALIDA Portugal - Empresa de Confecções, a F. Moda Indústria Têxtil ou a Folkers - Confecções.
De destacar ainda a presença, em Barcelos, de uma empresa – a P&R Têxteis – reconhecida
internacionalmente no segmento de peças de vestuário para desporto de alta competição (com a
marca própria Onda).
O mesmo acontece com o cluster Couro, no qual também estão presentes algumas exportadoras
significativas, nomeadamente estrangeiras como a Jefar - Fábrica de Calçado, a Gabor Portugal –
Indústria de Calçado ou a Mephisto Portuguesa - Fábrica de Calçado.
O cluster Electrónica caracteriza-se no Cávado pela expressão do hardware electrónico para o
automóvel, em especial nos equipamentos áudio e nos sistemas de navegação automóvel, contando
com a maior fábrica europeia de auto-rádios da alemã Blaupunkt (vd. Caixa) localizada fora da
Alemanha, e com as instalações pioneiras da Grundig (actualmente integradas na multinacional
Visteon) – a Grundig electrónica de consumo pertence actualmente a um grupo turco; em paralelo,
desenvolveram-se PME de material e de software para telecomunicações móveis, como a Mobicomp
(vd. Caixa), empresa adquirida pela Microsoft.
Tendo as suas raízes no sector têxtil, mais precisamente na cordoaria, desenvolveu-se no Cávado o
pólo nacional mais importante de fabrico de cabos para electricidade e telecomunicações em torno
do Grupo CABELTE (vd. Caixa) e da SOLIDAL – Condutores Eléctricos, pertencente ao Grupo
Quintas & Quintas (vd Caixa).
À semelhança do observado no Ave, no Cavado o cluster das indústrias têxteis e vestuário regista
uma fraca capacidade para criar ou manter os elevados níveis de emprego que resultaram da
expansão passada. No caso do Cavado, à previsível continuidade de destruição de emprego nas
indústrias têxteis e vestuário junta-se uma dinâmica muito clara de destruição de emprego na
actividade agrícola.
Um traço que distingue o Cávado do Ave é o Cluster da Construção que tem vindo a ganhar
dimensão e dinamismo no Cávado, distinguindo-se empresas como a CASAIS, a FDO, a EUSÉBIO,
a DUARTES, que não só têm vindo a ganhar dimensão no mercado interno da construção residencial
e comercial como se têm diversificado para o imobiliário, hotelaria, energia e ambiente e algumas
delas se tem internacionalizado.
41
3.3. Ave e Cávado – principais actores
empresariais
3.3.1. Os principais grupos empresariais
CAIXA 1 - TMG - TÊXTEIS MANUEL GONÇALVES
Fundada em 1937, sob a designação de Fábrica de Fiação e Tecidos do Vale de Manuel Gonçalves e transformada em Sociedade
Anónima em 1965, a TMG abrange toda a fileira têxtil, desde a fiação até à distribuição, passando pela tricotagem, ultimação e
confecção, tendo-se tornado um dos maiores grupos nacionais da indústria têxtil.
Fruto de um processo de reestruturação, em 2006 o Grupo TMG aparece reorganizado em áreas estratégicas de negócio que,
embora independentes, procuram criar sinergias, aumentando a eficiência e a competitividade em áreas diversas da fabricação de
têxteis, desde tecelagem de fio tipo algodão, de tecidos para vestuário e decoração, tecidos plastificados e outros revestimentos
para automóveis, acabamentos de tecidos e têxteis técnicos, à electromecânica (através de participação na EFACEC), produção
de energia eléctrica em cogeração e hídricas e à área financeira (participa no capital do Millenium BCP desde a sua fundação).
O Grupo TMG é constituído por:
- TMG Yarns - detém uma longa tradição na produção e comercialização de fios de algodão e misturas, procurando, através de
processos constantes de melhoria contínua, a excelência na qualidade e serviço.
- TMG Fabrics - pretende ser o fornecedor europeu líder em tecidos de fibras naturais para camisaria e vestuário exterior, com
padrões e acabamentos inovadores.
- TMG Decor - dedica-se ao fornecimento de tecidos para estofos e decoração, usando fibras naturais e acabamentos únicos.
- TMG Finishing - uma das maiores unidades industriais de acabamentos da Europa, completando o ciclo produtivo dos tecidos
e malhas.
- TMG Fasttrack e TMG Automotive, com actuação na indústria de tecidos plastificados e outros revestimentos para a indústria
automóvel.
Fontes: TMG; Imprensa.
CAIXA 2 - Riopele - Têxteis
A Riopele foi fundada em 1927 como uma tecelagem de algodão, com dois teares num moinho de água, em Pousada de
Saramagos, no município de Vila Nova de Famalicão. Em 1950, já com uma fiação moderna, a Riopele foi a primeira fábrica
têxtil portuguesa a introduzir as fibras sintéticas e dá início à exportação. Duas décadas mais tarde, consolidou a actividade
exportadora, adquirindo uma dimensão global.
O contínuo investimento tecnológico tornou a empresa líder europeia de tecidos feitos a partir de fibras sintéticas, conseguindo
um excelente posicionamento no mercado da moda, com o desenvolvimento de tecidos inovadores, e o fornecimento das mais
prestigiadas casas e marcas de moda internacional.
A aposta da empresa na I&D centrou-se, por exemplo, na introdução de novas técnicas produtivas no âmbito da nanotecnologia,
passíveis de melhorar as características térmicas dos seus tecidos.
A Riopele dedica-se sobretudo à produção de fios e tecidos de algodão e fibras sintéticas, dispondo de sectores de fiação,
torcedura, tinturaria, tecelagem e acabamentos. Exporta cerca de 80% da sua produção, principalmente para a União Europeia
e os EUA. O principal motor de crescimento das vendas foi o início do novo ciclo de moda com produtos poliéster/viscose/lycra
em alta, segmento em que a Riopele é especialista.
De referir que a Riopele integra o Pólo de Competitividade e Tecnologia da Moda, reconhecido formalmente como Estratégia de
Eficiência Colectiva em Julho de 2009.
Fontes: Riopele; COTEC; Imprensa.
42
CAIXA 3 - GRUPO CABELTE
O Grupo CABELTE resultou de uma cisão do grupo familiar Quintas & Quintas. Tem como actividade principal o fabrico de cabos de
energia (alta e baixa tensão) em cobre e alumínio, cabos de telecomunicações em cobre e fibra óptica através de um conjunto de
três grandes unidades fabris em Arcozelo, Granja e Madalena, no município de Vila Nova de Gaia, e outra unidade em Vila Nova de
Famalicão, além de uma unidade em Pamplona, Espanha. É um dos maiores fabricantes ibéricos deste tipo de material, dispondo aliás
da única unidade de produção de fibra óptica existente na Península Ibérica – a IBEROPTICS.
O Grupo expandiu-se para o fabrico de fios condutores e cablagens para a indústria automóvel com a CABELAUTO e, mais
recentemente, adquiriu o controlo da DESCO, fabricantes e exportadores de equipamento eléctrico de baixa tensão e de cabos de
alimentação.
Nos anos 80 iniciou o fabrico de cabos para fins especiais desde os cabos de sinalização para linhas férreas, até aos cabos e sensores
para redes de monitorização e cabos híbridos, integrando funções de energia e telecomunicações.
O grupo CABELTE dispõe de uma empresa tecnológica - a WIN Brain - Tecnologias da Informação e Comunicação. Num processo de
integração vertical, o Grupo constituiu a CABELTE Metais responsável pelo fabrico das principais matérias primas metálicas utilizadas
pelo grupo (cobre e alumínio) e uma empresa encarregue do tratamento de resíduos industriais – a CABELTE Recycling, que irá
permitir reintroduzir no ciclo produtivo os desperdícios gerados no processo de fabrico das empresas do Grupo.
O Grupo tem evoluído para o fornecimento de Soluções Chave na Mão por exemplo em linhas aéreas de energia, redes estruturadas
em cobre e fibra óptica, soluções costumizadas, etc.
Mais recentemente admitiu a possibilidade de utilizar parte das instalações da QIMONDA em Vila do Conde para instalar fábricas de
cabos. O Grupo CABELTE está em fase acelerada de expansão internacional, estando a avaliar a instalação de unidades fabris em
vários países – Espanha, Rússia, Polónia e Líbia.
Fontes: Grupo Cabelte.
CAIXA 4 - GRUPO QUINTAS E QUINTAS
Este Grupo teve a sua origem na indústria dos cabos em sisal e posteriormente em fibras sintéticas de que foi um dos dois principais
exportadores, competindo com o grupo Violas.
Expandiu-se depois para o fabrico de cabos para electricidade, tendo constituído uma unidade autónoma para essa área – a SOLIDAL
– empresa que fabrica cabos de cobre e alumínio (foi a primeira empresa portuguesa a reconhecer o potencial do alumínio para
condutores eléctricos). Esta empresa, localizada em Esposende, lidera a produção de cabos de alumínio em Portugal, com uma quota
de mercado estimada em cerca de um terço. A nova linha instalada na SOLIDAL (CCVL - Continuous Catenary Vulcanization Line)
permite a fabricação, pela primeira vez em Portugal, de cabos da gama da Alta Tensãoo, até 220 Kv (o fabrico nacional de cabos
circunscrevia-se à gama da Média Tensão, até 30 kV). Mais recentemente, o Grupo Quintas e Quintas entrou no sector da mecânica
com a aquisição da TEGOPI, fabricante de equipamento de movimentação (pontes rolantes etc).
Até há pouco tempo o grupo integrava a CABELTE que depois se separou, formando um grupo empresarial à parte.
Fontes: Grupo Quintas e Quintas.
CAIXA 5 - GRUPO CASAIS
A CASAIS iniciou a sua actividade no sector da construção há 50 anos e hoje é uma referência, nomeadamente nos vários segmentos
da construção de edifícios: construção residencial, construção de edifícios comerciais, incluindo centros comerciais (vd. Ria Shopping
em Olhão) edifícios para unidades industriais, construção de hospitais e centros de saúde, infra-estruturas de ensino, construção de
hotéis e resorts, estádios e complexos desportivos, reabilitação de património. No segmento de obras públicas a sua experiência,
centra-se na construção de estradas e viadutos, na construção de infra-estruturas ferroviárias, em obras marítimas e hidráulicas
(incluindo a construção de depósitos de gás natural flutuantes em Algeciras), de estações de tratamento de efluentes (ETAR´s).
Começou a sua internacionalização com a presença num mercado de grande exigência como o da Alemanha e hoje está presente
com obras realizadas em curso em Espanha, na Bélgica, Holanda e em Angola, Marrocos, Gibraltar. Tem vindo a diversificar-se para
as Áreas do Ambiente e da Energia.
A CASAIS AMBIENTE tem-se focalizado na gestão e tratamento de resíduos e na limpeza urbana, sendo responsável pela primeira
em Ponte de Barca e Estremoz e da segunda em Palmela, Évora e Condeixa, e, mais recentemente, na descontaminação de Solos
e Águas Subterrâneas, utilizando novas tecnologias e as técnicas mais avançadas existentes quer por via biológica (bioreabilitação,
bioventilação e compostagem) quer por via físico-química (ventilação do solo, lavagem do solo, solidificação/estabilização, decloração,
extracção multi-fase e oxidação química).
A CASAIS ENERGIA está focalizada em três domínios fundamentais: o desenvolvimento de projectos de energias renováveis, a
eficiência energética e a construção sustentável. Na área das energias renováveis, tem vindo a investir nas mini hídricas e, mais
recentemente, decidiu apostar nas Energias Oceânicas tendo em desenvolvimento um projecto de aproveitamento de energia das
ondas, baseado na tecnologia Wave Dragon (DK). Esta tecnologia é uma das três tecnologias mais avançadas no que se refere à
curva de maturidade, tendo o protótipo desenvolvido (escala ¼) sido objecto de testes de mar (sobrevivência) em ambiente real de
ligação à rede eléctrica com produção efectiva de energia. A ambição do Grupo é vir a instalar uma unidade de alguns MW em regime
pré-comercial na zona piloto de SPM, já instituída em 2008 e concessionada à REN, presentemente em fase de contratualização e
regulamentação das actividades. A CASAIS tem também actividades de promoção imobiliária (condomínios fechados, por exemplo).
Fontes: Grupo Casais; Imprensa.
43
CAIXA 6 - GRUPO MATOS GIL
É um Grupo fundado em 1925, que começou por produzir fio de viscose e hoje lidera o mercado europeu de PET (polietileno
tereftalato, plástico utilizado em embalagens), tendo também actividade nas áreas financeira, imobiliária e energias renováveis.
Em 2001, vendeu a primeira empresa que teve, a NEOPLÁSTICA, ao grupo alemão Klöckner que produz embalagens para o
sector alimentar. Em 2002, comprou a Trevira Fibras em Portalegre, passando a designar-se por Selenis (e que se expandiu
para Itália). Em 2004, vendeu a Neoplástica América (Brasil e México) ao Banco Pastor e Reordo (da têxtil Inditex) e comprou
a Aussapol (Itália) e, em 2005, a Volos PET Industry (Grécia). Em 2006, o grupo vendeu a Selenis Indústria (Portalegre) e a
Selenis Itália ao Grupo espanhol La Seda. A transacção com a La Seda implicou a entrada da Imatosgil no capital da La Seda,
introduzindo a produção de PTA na empresa. Em 2007, o Grupo expandiu-se para a Arábia Saudita (A.Control PET Gulf) e Países
de Leste.
Fontes: Grupo Matos Gil; Imprensa.
3.3.2. As Empresas Multinacionais
CAIXA 7 - BLAUPUNKT
A BLAUPUNKT é uma das principais empresas mundiais na produção de electrónica de consumo e de equipamento rádio e de
navegação automóvel. Criada em 1923 em Berlim, para a produção de auscultadores, foi integrada no Grupo Bosch, com sede
em Hildesheim, na Alemanha.
Emprega cerca de 7500 pessoas em todo o mundo, 2800 das quais na sua unidade de produção situada em Hildesheim. Fabrica
anualmente cerca de cinco milhões de auto-rádios.
Na fábrica portuguesa, localizada desde 1990 em Braga, são produzidos todos os componentes, desde as amostras de autorádios, protótipos até ao produto final. É ainda dado apoio ao desenvolvimento dos sistemas de qualidade dos fornecedores
locais, à gestão de projectos e ao fluxo logístico. Em 1999, esta fábrica tornou-se no produtor exclusivo de auto-rádios da Europa,
tendo o grupo deslocalizado a totalidade da sua produção da Alemanha para Braga.
Os produtos incluem os auto-rádios, os sistemas de navegação, o entretenimento automóvel, os componentes do som, os
acessórios e os sistemas profissionais.
A Blaupunkt conta em Portugal com cerca de 2300 trabalhadores, dois mil dos quais pertencem à unidade de Braga, a única
fábrica na Europa da marca dedicada à produção de auto-rádios. Esta unidade produtiva, a maior da Europa em auto-rádios,
assegura mais de 80% da produção anual total da marca alemã, que em Portugal é número dois em vendas e na Europa é líder
de mercado.
A quota de mercado nos auto-rádios da Blaupunkt em Portugal é de 23%, ocupando a segunda posição depois da Sony Em
2004, a fábrica de Braga foi escolhida pela casa-mãe como centro de competências para esta área de negócio. Dado o excelente
desempenho nacional, foram deslocalizadas recentemente as unidades de gestão de projectos de I&D. A aposta da empresa nos
recursos humanos passa pela parceria com a Universidade do Minho.
Fontes: Blaupunkt; Imprensa.
CAIXA 8 - GRUNDIG/DELPHI
A GRUNDIG constituiu nos anos 60 o primeiro grande investimento alemão na electrónica em Portugal, estando especializado
então no fabrico e exportação de aparelhos de televisão da marca alemã para os países da EFTA. Décadas depois, a falência
da casa mãe na Baviera levou a uma partição do grupo tendo a unidade de Braga ficado especializada no fabrico de auto rádios
e outro equipamento para utilização na indústria automóvel, pertencendo à GRUNDIG Car InterMedia System, com sede em
Nuremberga e centros de desenvolvimento nesta cidade e em Salzdetfurth e com unidade de produção em Braga. Em 2007 foi
incorporada na DELPHI americana como unidade especializada no que hoje se designa por infotainment, concentrando-se nas
conexões wireless para a habitação e escritórios e para aplicações na indústria automóvel.
Com a BLUPUNKT projectou Braga para um lugar cimeiro na produção de auto rádios na Europa.
Fontes: Grundig/Delphi.
44
CAIXA 9 - CONTINENTAL MABOR
A Continental Mabor é uma das principais fornecedoras de pneus das maiores e das mais prestigiadas marcas de automóveis
(VW, Daimler AG, Ford, BMW, General Motors, Toyota, Honda, Renault e Porsche, entre outras).
Embora se dedique à produção de pneus, os produtos e processos da casa-mãe Continental são muito diversificados, tendo
iniciado a sua actividade como fabricante de produtos de borracha. Actualmente está dividida em 3 áreas: pneus, CAS (Continental
Automotive Systems) e ContiTech. A ContiTech reúne a produção de correias de transmissão, molas, correias transportadoras,
bolsas e interiores automóveis, mangueiras e módulos de controlo de vibração. A CAS inclui os travões, os programas de
estabilidade electrónicos e os componentes electrónicos para automóveis.
A Continental começou a sua internacionalização na década de 80 do século XX, tendo sido Portugal um dos primeiros países
(juntamente com os EUA e a Áustria) a receber o know-how desta empresa, quando adquiriu a Mabor. O Grupo abriu então uma
fábrica em Lousado, Vila Nova de Famalicão.
Ao longo da década de 90 expandiu-se para os Países de Leste e América Latina. Em 2001, adquiriu a Temic, empresa de
automatismos electrónicos da Daimler Chrysler; em 2004 comprou a Phoenix, empresa alemã de borracha e plásticos para
automóveis; em 2006, adquiriu a unidade de componentes electrónicos da Motorola; em 2007 comprou à Siemens a unidade de
electrónica e instrumentação automóvel – a VDO. Em 2008 foi adquirida pelo Grupo alemão Schaeffler.
Fontes: Continental Mabor; Imprensa.
CAIXA 10 - ACTARIS- SISTEMAS DE MEDIÇÃO
Localizada em Vila Nova de Famalicão, a Actaris dedica-se à produção de contadores de energia eléctrica e de água, sendo
considerada a maior fábrica da Península Ibérica e uma das maiores da Europa neste sector. Está integrada no Grupo multinacional
americano Itron, líder mundial no fornecimento de produtos, sistemas e serviços na área da gestão de electricidade, gás, água
e energia térmica.
A empresa tem 160 colaboradores, altamente qualificados, e 125 dos quais estão exclusivamente dedicados à produção.
Os seus principais clientes são a distribuição de electricidade (caso da EDP Distribuição, Electricidade dos Açores, Empresa
Eléctrica da Madeira); empresas de distribuição de água (como Câmaras Municipais, a EPAL, a Indaqua ou a Veolia), empresas
distribuidoras de gás (como a GALP e a EDP Gás). Cerca de 75% da produção é destinada à exportação, nomeadamente para
os mercados do Reino Unido, Espanha, Grécia, Bélgica e Alemanha.
A Actaris Portugal irá desenvolver, produzir e comercializar os contadores inteligentes que serão instalados nos lares
portugueses.
De referir que a Actaris conta com uma longa história na indústria portuguesa. Fundada em 1892 como “A Boa Reguladora”,
destinada à actividade metalomecânica, foi a primeira fábrica de relógios da Península Ibérica. A partir de 1955 evoluiu e alargou
o leque das suas actividades, passando a fabricar contadores de energia eléctrica e de água. Em 1974, internacionalizou-se,
passando uma empresa espanhola a fabricar contadores do modelo Reguladora. Em Dezembro de 1992 foi integrada na Divisão
Europa-Sul do Grupo Schlumberger. Em 2001, a Actaris comprou a divisão dos sistemas de medição deste Grupo.
Fontes: Actaris; Imprensa.
4. RECURSOS HUMANOS - EDUCAÇÃO BÁSICA E SECUNDÁRIA
Nos Vales do Ave e Cávado predominam os baixos níveis de escolaridade da população residente,
comprovados por uma percentagem muito significativa da população com uma escolaridade inferior
ao ensino secundário (cerca de 73% em ambos os territórios). A proporção de população residente
sem escolaridade representa ainda cerca de 27% quer no Ave quer no Cávado.
Nestas sub-regiões, a percentagem de jovens que abandonaram a escola antes de terminar o 9º
ano (saída antecipada do sistema de ensino) foi, em 2007, respectivamente de 38% e 34%.
A heterogeneidade interna é muito evidente, com Braga a assumir o melhor desempenho educativo
e a contrabalançar um diagnóstico mais desfavorável sobretudo em municípios como Vila Verde,
Terras do Bouro, Vieira do Minho e mesmo Barcelos (este município apresentou uma saída
antecipada do sistema de ensino de 44%).
Ao nível da saída precoce do sistema de ensino (percentagem de indivíduos com idades entre 18
e 24 anos que não concluíram o 12º ano) o diagnóstico ainda é menos animador: este indicador
atingiu, em 2007, 57% no Vale do Ave e 54% no Vale do Cávado.
Os Vales do Ave e do Cávado dispõem de uma boa rede de estabelecimentos de ensino, em
45
particular de ensino profissional. No conjunto, cerca de 10.5 mil alunos frequentavam, no ano
lectivo 2008/2009, o ensino profissional (o correspondente a 36% dos alunos do ensino secundário
leccionado no Ave e Cávado).
No Vale do Ave, com excepção de Vizela, todos os municípios possuem pelo menos de um
estabelecimento de ensino profissional. Os municípios com maior número de escolas profissionais
e centros de formação são Vila Nova de Famalicão e Guimarães, em virtude de serem os municípios
com maiores quantitativos populacionais e onde se denota uma maior concentração industrial.
A oferta de cursos profissionais é variada, desde cursos direccionados para a agricultura até à
prestação de serviços, passando pelo sector da indústria. A formação existente abre perspectivas
de disponibilidade de mão-de-obra qualificada direccionada não exclusivamente para sectores
tradicionais (particularmente a fileira têxteis/confecções), tornando-se um factor de maior
diversificação das actividades produtivas. São escolas especializadas nas áreas da agricultura,
turismo, têxtil e vestuário, metalurgia e metalomecânica, economia, finanças, administração e
electrónica.
Entre os estabelecimentos de ensino profissional localizados no Ave e no Cávado destacam-se:
Escola Profissional de Fafe (Fafe); Escola Profissional CENATEX (Guimarães) Escola Profissional
para o Comércio, Indústria e Serviços - CISAVE (Guimarães); Escola Profissional Profitecla
(Delegação de Guimarães); Escola Profissional Agrícola do Alto Ave (Delegação de Vieira do
Minho); Escola Profissional Artística do Vale do Ave (Vila Nova de Famalicão); Escola Profissional
Tecnológica do Vale do Ave (Vila Nova de Famalicão); Centro de Formação Profissional da Indústria
Metalúrgica e Metalomecânica (núcleo Trofa); Centro de Formação Profissional da Indústria Têxtil
– CITEX (pólo de Delães/Vila Nova de Famalicão); Escola Profissional “Amar Terra Verde” (Braga
e Amares); Escola Profissional de Esposende; Escola Profissional de Braga.
No que se refere ao ensino tecnológico, no ano lectivo 2008/2009, cerca de 1.3 mil alunos do Ave
frequentavam cursos tecnológicos (o equivalente a 6% dos alunos da sub-região inscritos no ensino
secundário); no Cávado, o número de alunos que frequentavam este tipo de cursos rondava as 6
centenas. Destacaram-se os cursos tecnológicos nas áreas da administração, informática, acção
social, do desporto e do marketing.
46
FIGURA 11 - ALUNOS INSCRITOS EM CURSOS TECNOLÓGICOS POR ÁREA CIENTÍFICA
(% TOTAL INSCRITOS NESTE TIPO DE CURSOS)
ANO LECTIVO 2008/2009
Ave
Desporto
10%
Acção Social
23%
Electrotecnia e
Electrónica
5%
Informática
19%
Desporto
14%
Const. Civil e
Edificações
3%
Cávado
Electrotecnia e
Electrónica
6%
Informática
25%
Acção Social
10%
Ordenamento do
Território e
Ambiente
2%
Ordenamento
Território e
Ambiente
3%
Multimédia
8%
Administração
25%
Design de
Equipamento
3%
Administração
32%
Marketing
8%
Marketing
3%
Multimédia
1%
Fonte: Ministério da Educação.
QUADRO 1 - CURSOS DE ESPECIALIZAÇÃO TECNOLÓGICA – ANO LECTIVO 2009/2010
Instituição Promotora
Instituto Politécnico do Cávado e do Ave
Estabelecim e nto
Escola Superior de Gestão
Designação do CET
Banca e Seguros
Contabilidade
Contabilidade Pública
Gestão Comercial
Gestão da Qualidade
Serviços Jurídicos
Instituto Politécnico do Cávado e do Ave
Escola Superior de Tecnologia
CESAP - Cooperativa de Ensino Superior Artístico do
Porto
Escola Superior Artística do Porto
(Guimarães)
Instituto de Estudos Superiores de Faf e
Escola Superior de Tecnologias de Fafe
Desenvolvimento de Produtos Multimédia
Instalação e Manutenção de Redes e
Sistemas Informáticos
Organização Industrial
Desenvolvimento de Produtos Multimédia
Ilustração Gráfica
Gestão de Redes e Sistemas Informáticos
Gestão de Turismo
CENATEX II - Formação e Serviços
Aplicações Informáticas de Gestão
Gestão de Redes e Sistemas Informáticos
ACIB - Associação Comercial e Industrial de Barcelos
Aplicações Informáticas de Gestão
Automação, Robótica e Controlo Industrial
Fonte: Direcção Geral do Ensino Superior.
5. RECURSOS HUMANOS - ENSINO SUPERIOR
E INVESTIGAÇÃO
5.1. Diplomados do ensino superior
Os referidos baixos níveis de escolaridade da população residente e activa nos Vales do Ave e
Cávado são também comprovados pela baixa taxa de escolarização no ensino superior. No Vale do
Cávado este indicador atingia os 32% em 2007; no Vale do Ave não ia além dos 8%.
Todavia, o Ave e o Cávado possuem uma assinalável rede de estabelecimentos de ensino superior,
consequência do facto de constituírem territórios muito dinâmicos quer em termos demográficos
quer em termos empresariais.
De realçar a presença da Universidade do Minho (com mais de 15 mil alunos, dos quais 2 mil são
alunos de pós-graduação), que tem desempenhado o papel de agente dinamizador da inovação e
da colaboração com as empresas do Ave e do Cávado.
Esta Universidade, com sede em Braga, tem em Guimarães o Campus Universitário de Azurém
47
que alberga mais de 5000 alunos (dos quais cerca de 4500 são alunos de engenharia). A Escola de
Engenharia tem-se destacado por ser, a nível nacional, a que tem o maior número de doutoramentos
na indústria (35%) e o maior número de projectos na Agência de Inovação (cerca de 30%).
De realçar ainda outras instituições de ensino superior: Universidade Lusíada (Famalicão);
Universidade Católica (Braga); CESPU - Cooperativa de Ensino Superior Politécnico e Universitário
(que integra o Instituto Superior de Ciências da Saúde e o Instituto Politécnico de Saúde do Norte,
composto pela Escola Superior de Saúde do Vale do Ave e a Escola Superior de Saúde do Vale
do Sousa); Instituto Superior de Saúde do Alto Ave; Escola Superior Artística do Porto (Pólo de
Guimarães, pertencente à Cooperativa de Ensino Superior Artístico do Porto); Instituto de Estudos
Superiores de Fafe (que integra a Escola Superior de Educação e a Escola Superior de Tecnologia);
Instituto Politécnico do Cávado e do Ave (Escola Superior de Tecnologias e Escola Superior de
Gestão).
Nestas instituições existe um leque variado de licenciaturas que abrangem várias áreas como a
saúde, arquitectura, economia e gestão, engenharia civil, engenharia têxtil, administração, educação
ou as tecnologias de informação.
Embora a formação superior seja muito variada no Ave e no Cávado destacam-se duas principais
orientações: por um lado, cursos com um cunho marcadamente técnico/tecnológico, eventualmente
resultado da forte presença empresarial na envolvente das instituições de ensino superior aqui
sedeadas; por outro lado, cursos relacionados com as ciências da saúde, cuja criação se deveu,
eventualmente, a uma oportunidade de negócio que a formação nesta área permite, aproveitando
o défice existente ao nível da oferta deste tipo de formação nas sub-regiões e no País.
Em termos de diplomados nas instituições de ensino superior do Ave e do Cávado, destacam-se
as ciências da saúde (cuidados pessoais) e as ciências da vida, que, no conjunto, representaram
cerca de 35% do total de diplomados no ano lectivo 2008/2009 (importância das referidas Escolas
Superiores de Saúde). As ciências de engenharia representaram, naquele ano lectivo, 19% do total
de diplomados (importância da Universidade do Minho nesta área científica)
FIGURA 12 - DIPLOMADOS DO ENSINO SUPERIOR POR ÁREA CIENTÍFICA (% TOTAL)
ANO LECTIVO 2008/2009
Economia Gestão
12%
Saúde Cuidados
Pessoais
24%
Ciências Exactas e
Computação
3%
Turismo e Lazer
0.4%
Recursos Naturais e
Ambiente
1%
Educação
14%
Artes
1%
Ciências Vida
12%
Humanidades e
Direito
14%
Ciências Engenharia
19%
ã
G
ld
S
Fonte: Direcção-Geral do Ensino Superior.
48
5.2. Investigação
Em 2008, cerca de 2880 indivíduos desenvolviam actividades de investigação, sobretudo em
instituições do ensino superior e empresas. As despesas em I&D atingiam os 177.4 mil milhares de
euros (95.8 mil milhares de euros em empresas e 75.6 mil milhares de euros no ensino superior).
A Universidade do Minho apresenta um desempenho muito elevado no domínio da investigação,
destacando-se em áreas diversas como a engenharia civil (é internacionalmente conhecida pelos
seus trabalhos em estruturas de alvenaria e em pavimentos), os polímeros, a saúde, os biomateriais
ou o software. As caixas seguintes apresentam algumas unidades de investigação de renome na
Universidade do Minho:
FIGURA 13 - ÁREAS DE FORMAÇÃO E INVESTIGAÇÃO NO ENSINO SUPERIOR
Eng.
Eng. Têxtil
Têxtil
&
& Vestuário
Vestuário
Eng.
Eng. Gestão
Gestão
Industrial
Industrial
Alunos licenciados
Alunos com grau de
mestre e pós-licenciatura
52
52
31
31
33
Eng. Civil
11
135
135 46
46 55
23
23
Eng.
Eng.
Mecânica
Mecânica
Alunos doutorados
51 a 89 alunos (média de
2004/2005 e 2005/2006)
94
94 27
27(a)(a) 44
Mais de 90 alunos (média de
2004/2005 e 2005/2006)
(a) Inclui eng. bioprocessos, genética
molecular, biologia do stress das plantas
e evolução e origem da vida, ciências do
ambiente e tecnologia do ambiente
(b) Inclui genética eng. polímeros,
moldes, processamento e caracterização
de materiais
(c) Inclui eng. municipal, eng. rodoviária
Eng.
Eng. Materiais
Materiais &
&
Polímeros
Polímeros &
&
Química
Química Aplicada
Aplicada
Biologia
Biologia Aplicada
Aplicada
&
& Eng.
Eng. Biológica
Biológica
Até 50 alunos (média de
2004/2005 e 2005/2006)
72
72
55
55
44 (c(c)) 22
23
23(b)(b) 88
Univ.Minho
Optometria e
Ciências
da Visão
Eng.Sistemas
Eng.Sistemas ee
Informática
Informática &
&
Matemática
Matemática ee
Ciências
Ciências
da
da Computação
Computação
43
43
120
16
16
66
Eng.
Eng.
Electrónica
Electrónica
Industrial
Industrial ee
Computadores
Computadores
46
46
2
Na Universidade do Minho destacam-se cinco áreas de I&D nas áreas de Ciência e Tecnologia:
• Ciências da Computação e Tecnologias da Informação
• Ciência e Tecnologia dos Materiais com destaque para Polímeros
• Biotecnologia e Engenharia Biomédica
• Robótica e Automação
• Engenharia Têxtil - Processos e materiais
Seguidamente, apresentam-se breves apontamentos sobre alguns dos principais Centros de I&D
da Universidade do Minho nas áreas de Ciências & Tecnologias, alguns dos quais integrando
Laboratórios Associados de âmbito nacional.
49
CAIXA 11 - CENTRO ALGORITMI
O Centro ALGORITMI (CAlg) é uma unidade de investigação ligada à Escola de Engenharia da Universidade do Minho, que
desenvolve actividade nas áreas da electrónica industrial, sistemas de informação e produção de sistemas. É famoso pelos
seus robots (não só robots futebolistas, mas também robots de exploração submarina), bem como pelos casos de sucesso em
comunicações móveis e pelos novos aparelhos de diagnóstico médico que desenvolve.
Conta com 4 áreas tecnológicas de aplicação, que correspondem a grupos de investigação nos quais estão integrados cerca de
80 investigadores a tempo integral (a equipa total é de cerca de 160 investigadores). São elas:
1) Controlo e electrónica – tecer e coser electronicamente; micro sistemas e micro espectrometro; desenvolvimento da liga de
futebol entre robots.
2) Engenharia de sistemas – cortagem e embalagem; programação semi-infinita e programação integer em larga escala;
contributos para a programação teórica e Kits de software; operações de automação de armazéns em parceria com a Efacec.
3) Sistemas de informação.
4) Comunicação – desenvolvimento de sistemas móveis e engenharia de computação – instrumentos de programação automática
para microprocessadores.
Fontes: Universidade do Minho; Centro Algoritmi.
CAIXA 12 - CENTRO DE COMPUTAÇÃO GRÁFICA
O Centro de Computação Gráfica nasceu em 1993, resultado de uma parceria entre a Universidade do Minho e o Zentrum für
Graphische Datenverabeirung (instituto sedeado na cidade alemã de Darmstadt). É uma associação sem fins lucrativos que visa a
investigação científica e tecnológica aplicada nas áreas da computação gráfica e dos sistemas de informação.
Com sede junto da Universidade do Minho e ainda com instalações no Instituto Superior de Engenharia de Coimbra, tem como
objectivos:
- Estabelecer-se como a instituição de investigação e desenvolvimento de referência nacional na área da computação gráfica e
suas aplicações, implementando um modelo de pesquisa aplicada fortemente orientado para a solução final.
- Constituir-se como o pólo de transferência de tecnologia para a indústria portuguesa, promovendo o desenvolvimento de soluções
de computação gráfica com um espectro alargado de aplicabilidade, conseguido pelo cruzamento das diferentes valências
provenientes da rede INI-GraphicsNet e da competência no campo aplicacional detida pela Universidade do Minho.
De referir que o CCG/ZGDV está integrado na INI-GraphicsNet, rede mundial de institutos de desenvolvimento tecnológico. Gerido
numa lógica empresarial, apesar de inserido num meio académico e de investigação, tem vindo a desenvolver a sua actividade de
transferência de tecnologia para a economia numa base local, regional e internacional, através da participação em projectos em
parceria em diversos países, sendo de destacar a Alemanha, Coreia, Espanha e Itália.
A actividade do CCG/ZGDV está segmentada nos seguintes domínios de investigação aplicada:
- Virtual Characters and Actors
- Usability Research and Services
- Urban and Mobile Computing
- Engineering Process Maturity and Quality Software Engineering
- Creative Media
- Perception and Visualization.
Em 2008, o CCG/ZGDV lançou, a nível mundial, um serviço inovador - o Concave Hull -, que permite o planeamento de rotas para
robôs de busca e salvamento. O sistema processa conjuntos de pontos cuja densidade espacial pode variar ao longo da região que
eles ocupam no espaço e integra um serviço de geração de polígonos que descrevem uma região, convexa ou côncava, ocupada
por um conjunto de pontos num espaço a duas dimensões.
Quando integrado em sistemas de informação geográfica, determina o contorno de quintas agrícolas e de rios ou, se integrado
em sistemas de análise de imagem, detecta a delimitação da área ocupada por espécies protegidas (plantas) ou até mesmo a
superfície exterior de ossos. O sistema interessa a várias instituições, como são exemplos a Universidade de Sydney (determinação
do contorno de quintas agrícolas), da Universidade de Leeds (contorno de rios) ou do Institut für Maschinenkonstruktion/
Konstruktionstechnik, da Alemanha (detecção da superfície exterior de ossos).
Este interesse estende-se, ainda, ao Department of Computer Science, da Universidade de Toronto (informação/visualização), ao
Conservatório Botânico National Alpin, de França (delimitação da área ocupada por plantas protegidas), e à empresa Engineering
Consultants, de Taiwan (modelos numéricos para analise de hidráulicas).
De referir que o CCG/ZGDV integra o Pólo de Competitividade e Tecnologia TICE.PT, reconhecido formalmente como Estratégia
de Eficiência Colectiva em Julho de 2009.
Fontes: Centro de Computação Gráfica.
CAIXA 13 - INSTITUTO DE NANO ESTRUTURAS, NANO MODELAÇÃO E NANO
50
FABRICAÇÃO (I3N)
O Instituto de Nanoestruturas, Nanomodelação e Nanofabricação é um Laboratório Associado da Universidade do Minho que
nasceu de uma parceria entre: Instituto de Polímeros e Compósitos (IPC) da Universidade do Minho; Centro de Investigação em
Materiais (CENIMAT) da Universidade Nova de Lisboa; Unidade de Física de Semicondutores em Camadas, Optoelectrónica e
Sistemas Desordenados da Universidade de Aveiro.
Este Laboratório, sedeado no Avepark, é coordenado pelo IPC e tem como objectivos o estudo de sistemas poliméricos com micro
e nanoestrutura controlada, a caracterização física de nanoestruturas, a modelação multi-escala do comportamento de materiais
e a micro e nanofabricação.
As principais áreas temáticas são: a modelação anti-escala do comportamento dos materiais, nanofabricação e microtecnologias,
sistemas poliméricos com micro e nanoestrutura controlada, caracterização física de nanoestruturas.
Conta com 209 investigadores, 93 dos quais são doutorados.
Fontes: Universidade do Minho; Imprensa.
CAIXA 14 - INSTITUTO DE POLÍMEROS E COMPÓSITOS (IPC)
E PÓLO DE INOVAÇÃO EM ENGENHARIA DE POLÍMEROS
O Instituto de Polímeros e Compósitos integra o Laboratório Associado I3N, Instituto de Nanoestruturas, Nanomodelação e
Nanofabricação da Universidade do Minho. Conta com 21 membros permanentes doutorados, 6 doutorados associados e 79
investigadores não doutorados.
As suas principais áreas de actividade são:
- Preparação, processamento, desenvolvimento tecnológico, modelação e optimização do comportamento de compósitos e
nanocompósitos.
- Monitorização, visualização, modelação, optimização e desenvolvimento tecnológico de técnicas de processamento.
- Microprocessamento.
- Estudo de moldes e seu desenvolvimento tecnológico.
- Relações processamento-estrutura-propriedades de sistemas poliméricos.
- Estrutura e comportamento de sistemas poliméricos.
- Desenvolvimento (nomeadamente por extrusão reactiva) e caracterização de novos sistemas poliméricos.
- Desenvolvimento de técnicas de caracterização.
- Reologia e reometria.
- Microfluidica.
- Modelação multi-escala.
- Aplicações especiais.
- Desenvolvimento de metodologias e de rotinas de projecto.
Tem desenvolvido projectos de I&D com: Grupo Cires, Corticeira Amorim, Plasfil, SET/Iberomoldes, Soprefa, ISar-Rakoll,
Pronefro, Probos, Phaar-Physica, Nestlé, Repsol, Vidropol, INEGI, entre muitos outros.
O Pólo de Inovação em Engenharia de Polímeros (PIEP) é a instituição de interface com a indústria do Departamento de
Engenharia de Polímeros da Universidade do Minho. Fundado em 2002, o PIEP é uma associação privada sem fins lucrativos que
conta como associados, para além da Universidade do Minho, várias empresas de transformação de plásticos e de sectores afins,
associações empresariais, e o Ministério da Economia e Inovação (representado pelo IAPMEI). Com cerca de 20 investigadores,
o PIEP desenvolve projectos em estreita colaboração com empresas, em sectores como o automóvel, aeronáutica, electrónica,
embalagem, saúde e calçado.
Desenvolveu competências nos domínios da caracterização e desenvolvimento de materiais, da engenharia de produto e das
tecnologias de processamento.
Assume como missão ser uma entidade de referência europeia de inovação em engenharia de polímeros, assegurando uma
resposta em tempo oportuno às necessidades de I&D dos seus associados e clientes, com base em conhecimento diferenciado
nos domínios tecnológicos estratégicos, materializando a vocação de desenvolvimento de know-how e de converter ideias em
produtos em estreita articulação com a indústria.
De salientar que o PIEP está envolvido no projecto de desenvolvimento de um avião não tripulado que conta com a participação
de cerca de 1 dezena de empresas/instituições portuguesas em consórcio (Portuguese Aerospace Industrial Consortium – PAIC).
Além do PIEP, integram este consórcio a Active Space Tecnologies, o CeNTI, a Critical Software, a Edisoft, a Empordef, a
Ibermoldes, o INEGI, a PEMAS, a Skysoft, a Spin Works e a Tekever.
Este projecto destina-se ao desenvolvimento de sistemas de aviação sem piloto (UAV) e da aeronave (P-3C) que poderá operar
com diversos sistemas para fins civis, nomeadamente de observação florestal ou marítima. O investimento no projecto está
estimado em 10 milhões de euros, dos quais já estão cativos pelas empresas 1,5 milhões de euros entre 1999 até ao primeiro
trimestre de 2010, prevendo-se que a restante parcela venha do QREN.
Conta com a participação da Loockeed Martin, em contrapartida da modernização dos P3P - Cup.
De salientar ainda que o PIEP integra os seguintes Pólos de Competitividade e Tecnologia reconhecidos formalmente como
Estratégias de Eficiência Colectiva em Julho de 2009: Health Cluster Portugal; Produtech – Tecnologias de Produção; Engineering
and Tooling.
Fontes: Universidade do Minho; PIEP; Imprensa.
51
CAIXA 15 - INSTITUTO DE BIOTECNOLOGIA E BIOENGENHARIA (IBB)
O Instituto de Biotecnologia e Bioengenharia é um Laboratório Associado da Universidade do Minho que conta com a participação
de centros de I&D de quatro universidades portuguesas: Centro de Engenharia Biológica da Universidade do Minho; Grupo de
Investigação 3 B’s - Biomateriais, Biodegradáveis e Biomiméticos, da Universidade do Minho; Instituto de Biotecnologia e
Química Fina, do Instituto Superior Técnico; Centro de Genética e Biotecnologia, da Universidade de Trás-os-Montes; Centro de
Biomedicina Molecular e Estrutural da Universidade do Algarve.
Este Laboratório, criado em Outubro de 2006, visa funcionar como infra-estrutura estratégica para o desenvolvimento das
políticas nacionais de investigação, desenvolvimento e inovação nas áreas da biologia molecular e celular, genómica, biologia de
sistemas, biomateriais, engenharia de células e tecidos, e nanotecnologia.
As suas principais áreas de investigação são: biotecnologia industrial; biotecnologia aplicada à saúde; biotecnologia agrícola e
biotecnologia e química ambientais.
Integra uma equipa de 457 investigadores, 189 dos quais são doutorados.
De realçar que o IBB deu origem à referida Unidade de Investigação 3B’s, da Universidade do Minho, que conta com 95
investigadores de cerca de 20 nacionalidades.
Esta Unidade coordena a rede de excelência EXPERTISSUES e lidera o European Institute of Excellence on Tissue Engineering
and Regenerative Medicine Research, cuja sede se localizará no Avepark. Este Instituto reunirá cerca de 20 grupos de excelência
de 13 países diferentes, incluindo algumas empresas.
O Grupo de Investigação 3B’s tem como objectivo desenvolver novos materiais que tenham diversas aplicações biomédicas
e ambientais. A investigação desenvolvida centra-se nos novos biomateriais poliméricos e compósitos de origem natural e
principalmente a partir de recursos renováveis (amido, quitina, quitosano e seus derivados, caseína, soja, algas e outros). Estão a
ser estudados vários sistemas biodegradáveis para obter aplicações relacionadas com a fixação/substituição de defeitos ósseos,
cimentos ósseos parcialmente degradáveis, sistemas de libertação controlada de fármacos, e scaffolds (suportes tridimensionais
para cultura de células) para engenharia de tecidos.
As actividades do Grupo de Investigação baseiam-se numa abordagem de investigação segundo a qual os investigadores devem
sempre tentar aprender com a natureza de modo a compreender o seu funcionamento e assim poder mimetizá-la através da
criação de procedimentos e materiais biomiméticos.
Em 2007, foi formalmente criada a Stemmatters, a empresa que resultou de uma spin-off do 3B’s e cujo objectivo principal é
desenvolver e comercializar novas tecnologias de regeneração que beneficiem a qualidade de vida de pacientes.
Fontes: Universidade do Minho; Imprensa.
CAIXA 16 - GAR -- GRUPO DE AUTOMAÇÃO E ROBÓTICA
Este Grupo do Departamento de Electrónica Industrial começou a sua actividade em 1997 dedicando-se á realização de trabalhos
aplicados na área da robótica industrial, robótica móvel, robótica autónoma, simulação gráfica de robots, processamento de
imagem e automação em geral.
Tem participado em múltiplos projectos internacionais e concorrido a eventos na área da divulgação da robótica – a ROBOTICA
EUROBOT etc.
Fontes: GAR.
CAIXA 17 - CENTRO DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA TÊXTIL (CCTT/2C2T)
O Centro de Ciência e Tecnologia Têxtil é uma unidade de investigação da Universidade do Minho que iniciou a sua actividade
em 1978, sendo a primeira unidade de I&D em Portugal especializada na investigação no domínio da inovação nos materiais e
processos têxteis.
O Centro conta com cerca de 30 investigadores e desenvolve actividades de investigação e desenvolvimento tecnológico, em
parceria com outras instituições de prestígio nacional e internacional. É líder nacional no desenvolvimento de tecnologias em
fibras têxteis.
Desenvolve projectos nas seguintes áreas: novos materiais e produtos; optimização e automatização de processos de fabricação;
tecnologias emergentes, incluindo métodos, equipamentos e sistemas integrados; metodologias de design.
Entre as suas mais actuais áreas de investigação destacam-se: aplicações de metodologias de física e química ao estudo
avançado de materiais; desenvolvimento na área da nanotecnologia; têxteis Inteligentes e materiais funcionais; fortalecimento do
conhecimento de base molecular, em especial no tratamento complexo da comercialização de efluentes de tintas.
Fontes: Universidade do Minho.
52
CAIXA 18 - CENTRO DE FÍSICA (CF)
O Centro de Física da Universidade do Minho conta com cerca de 70 investigadores, 57 dos quais doutorados. As suas principais
áreas de actividade são:
- Física de matéria condensada.
- Física molecular e atómica.
- Óptica e optoelectrónica.
- Filmes finos e aplicações.
Está vocacionado para a produção de materiais próprios ao nível de métodos ópticos, iluminação, estetocópios, propriedades
eléctricas e de transporte; propriedades ópticas não lineares e nanoestruturas dos materiais; preparação e caracterização
funcional de materiais de cobertura e revestimento na ciência da visão e optometria; investigação orientada para aplicação,
nomeadamente, em oftalmologia e propriedades mecânicas.
Ao nível da internacionalização, tem desenvolvido numerosas colaborações no âmbito dos Programas Quadro de I&D e está
envolvido na criação do Instituto Ibérico Internacional de Nanotecnologia.
Deu origem à spin-off WideColour.
Fontes: Universidade do Minho
5.3. Os spin off da Universidade do Minho
Uma das manifestações do dinamismo das actividades de ensino e investigação da Universidade
do Minho e do seu papel na inovação da região encontra-se no significativo grupo de empresas
que se constituíram como spin off da UM. Nas caixas que se apresentam a seguir exemplificamse algumas delas em áreas associadas às tecnologias de informação, automação e robótica,
biotecnologias e novos materiais.
CAIXA 19 - BIOTEMPO
Localizada em Braga, a Biotempo nasceu em 2002 como resultado de um spin-off da Universidade do Minho apoiada pela
TecMinho.
A empresa teve a sua génese no empreendedorismo de quatro investigadoras do Departamento de Engenharia Biológica
da Universidade do Minho. Assume-se como uma empresa pioneira na área da biotecnologia, designadamente ao nível do
desenvolvimento de produtos através de processos biológicos, com incorporação de novas matérias-primas, até então produzidos
por métodos químicos.
Visa fornecer soluções inovadoras que acrescentem valor aos produtos dos seus clientes nas áreas da biotecnologia alimentar,
farmacêutica e ambiental, estando especialmente direccionada para organizações que explorem estações de tratamento de
águas residuais (ETAR’s) e empresas da indústria alimentar.
O tipo de soluções que apresenta engloba não só actividades de consultoria especializada e de formação avançada, mas
sobretudo o desenvolvimento de produtos inovadores de base biotecnológica, passíveis de disseminação industrial ao nível
alimentar e ambiental.
Esse desenvolvimento é da responsabilidade das unidades de biotecnologia alimentar e farmacêutica e de biotecnologia
ambiental, que, através do estabelecimento de uma rede de parcerias com os seus clientes e com a Universidade do Minho,
garantem a criação de soluções inovadoras, únicas e flexíveis.
É constituída por três unidades:
- Unidade de Biotecnologia Ambiental - promove diagnósticos e reavaliações de problemas do foro ambiental, como o apoio
técnico em projectos de concepção e reavaliação da exploração de ETAR’s e o acompanhamento dos sistemas de tratamento de
águas residuais através da avaliação dos processos biológicos.
- Unidade de Biotecnologia Alimentar e Farmacêutica – presta serviços de diagnóstico e consultoria quer à indústria alimentar,
quer à indústria farmacêutica.
- Unidade de Formação Avançada - organiza acções de formação avançada nas suas áreas de intervenção.
De referir que a Biotempo integra o Pólo de Competitividade e Tecnologia Agro-Industrial, reconhecido formalmente como
Estratégia de Eficiência Colectiva em Julho de 2009.
Fontes: Biotempo.
53
CAIXA 20 - MICROPOLIS - PRODUÇÃO E DESENVOLVIMENTO
DE POLÍMEROS EM PÓ
A Micropolis surgiu como spin-off da Universidade do Minho, no seguimento de um programa de investigação de microcápsulas do
Departamento de Engenharia Têxtil. Foi criada em 2001, após o desenvolvimento industrial do processo de microencapsulamento
de PCM (Phase Change Materials).
Estas microcápsulas de PCM começaram por aparecer no mercado americano, sendo comercializadas por duas empresas norteamericanas que detinham o monopólio deste produto protegido por duas patentes mundiais. Refira-se que as microcápsulas
de PCM funcionam, quando aplicadas em artigos têxteis, como reguladores térmicos do corpo humano, isto é, mediante certas
condições, não deixam o corpo arrefecer ou sobreaquecer, mantendo-o numa temperatura que é a temperatura de conforto.
A aposta da Micropolis assenta em dois vectores primordiais: a investigação e desenvolvimento de novos produtos e aplicações
na área das microcápsulas e a comercialização dos produtos já desenvolvidos. Inserido neste último vector, a microcápsula de
PCM constitui o principal produto da empresa devido ao seu carácter inovador (patenteado) e à tecnologia já desenvolvida no seu
processo de fabrico e que representa um know-how quase único a nível mundial. Estas microcápsulas, pelas suas características
únicas, são aplicadas principalmente em artigos de Inverno, nomeadamente, em sapatos, botas, blusões e luvas. São também
aplicadas em artigos têxteis-lar, tais como edredões e almofadas.
A empresa apostou numa outra microcápsula, que tem um potencial elevado para o mercado português - a microcápsula de
fragrâncias. Esta microcápsula poderá ser um foco de dinamização e diferenciação dos produtos produzidos pela indústria
têxtil nacional. A lista de fragrâncias ou aromas microencapsulados é já bastante extensa, contendo aromas para todo o tipo de
aplicações, ficando a cargo dos designers nacionais explorar este novo caminho sensorial.
Outros produtos comercializados pela Micropolis são os protectores de cores ao ataque dos peróxidos de hidrogénio e da luz,
que, embora não sejam microcápsulas, são produtos altamente funcionais e patenteados em Portugal, além da aplicação das
microcápsulas de PCM ao vestuário de protecção, ao isolamento térmico em habitações e a microcápsula anti-bacteriana.
Entre 2003 e 2008, a Inovcapital teve uma intervenção muito importante na Micropolis, quer ao nível de financiamento, dado
que o projecto foi exigindo suporte para o seu desenvolvimento empresarial, quer ao nível de acompanhamento na gestão e
estratégia da empresa. Em 2008, a InovCapital alienou a sua participação à multinacional belga Devan Chemicals.
Fontes: Micropolis; Imprensa.
CAIXA 21- NEW TEXTILES
Esta empresa, criada em 2008 em Guimarães, é um spin off da Universidade do Minho que se especializou na concepção de
roupa interior com propriedades funcionais inovadoras -“têxteis inteligentes” -, graças à combinação de materiais, que vão da
prata aos derivados de algas, com os materiais têxteis tradicionais como o algodão. Tal é o caso de têxteis com propriedades
calmantes sobre a pele ou de têxteis com propriedades de termo regulação ou de gestão da humidade.
Fontes: New Textiles.
CAIXA 22- WIDECOLOUR – COLOURS SERVICES AND SYSTEMS
Criada em 2006, a WideColour é uma spin-off baseada em tecnologia desenvolvida no Laboratório de Ciência e Tecnologia da
Cor do Centro de Física da Universidade do Minho.
Desenvolve tecnologia da cor para um vasto espectro de aplicações e possibilita análises precisas de propriedades espectrais
e colorimétricas, usando a técnica de imageografia hiperespectral em arte, indústria e biomedicina. Presta ainda serviços
especializados de consultadoria e organiza programas personalizados de formação avançada na área da cor.
A tecnologia que a WideColour usa consiste num sistema hiperespectral composto por numa câmara digital de baixo ruído e alta
resolução e num filtro electrónico sintonizável. O sistema proporciona um varrimento espectral sequencial, obtendo assim uma
série de imagens monocromáticas no espectro visível. Estes dados permitem a reconstrução do espectro da radiação de cada
pixel individual, obtendo assim toda a informação relacionada com as propriedades espectrais do objecto em análise, bem como
a determinação da cor com alta resolução espacial e espectral.
A WideColour tem como objectivo a aplicação desta tecnologia a diversas áreas, tais como a arte, onde a digitalização de pinturas
artísticas pode ser usada para a criação de bases de dados digitais com a informação espectral completa de toda a pintura;
análise do conteúdo cromático; análise de degradação; análise e controlo de restauros; autenticação e controlo de qualidade na
reprodução. Neste contexto, desenvolveu o PaintingSpectra, um serviço de imageografia que possibilita um varrimento espectral
completo de qualquer pintura artística com uma grande resolução espacial e espectral para armazenamento digital, restauro e
autenticação.
Outra das aplicações da tecnologia da empresa é a vitivinicultura onde a imagiografia hiperespectral permite avaliar as
características cromáticas das uvas, de uma forma precisa e científica, o que irá possibilitar a obtenção de informação acerca do
seu estado de maturação.
Por outro lado, desenvolveu a digitalização hiperespectral aplicada aos insectos, mais propriamente às borboletas, que permitirá
avaliar de uma forma exacta os padrões de cores que estas possuem nas asas de forma a poder definir vários parâmetros para
a identificação da espécie, família, sexo, e outras características de interesse para a investigação nesta área.
Fontes: WIDECOLOUR; Imprensa.
54
CAIXA 23 - SAR - SOLUÇÕES DE AUTOMAÇÃO E ROBÓTICA
A SAR, localizada em Guimarães, foi criada em 2006 por um grupo de licenciados da Universidade do Minho (do Departamento de
Electrónica Industrial) que fizeram parte da equipa de robôs futebolistas e que ganharam vários prémios na área da robótica. Esta
empresa pretende colmatar as necessidades da indústria fornecendo soluções de automação, robótica e electrónica industrial.
Projecta e instala braços manipuladores autómatos e dispositivos autónomos; desenvolve protótipos, incluindo robôs, máquinas
industriais, dispositivos electrónicos, aplicações de software e sistemas de videovigilância. Desenvolve soluções no domínio da
domótica (casas inteligentes), dispositivos biométricos para controlo de acessos (por impressão digital, painéis de controlo por
palavra-chave, sistema RFID, Radio-Frequency IDentification, para identificação de bens e pessoas), sistemas de localização por
GPS, uma gama completa de sensores e actuadores para instalar os mais exigentes sistemas de alarmes
Esta empresa desenvolveu a primeira cadeira de rodas eléctrica omnidireccional, em parceria com a Universidade do Minho e
a Ortomaia.
Fontes: SAR; Imprensa.
CAIXA 24 - UBISIGN - TECNOLOGIAS DE INFORMAÇÃO
Localizada em Braga, a Ubisign é uma empresa spin-off da Universidade do Minho, cujo conceito de negócio se baseia na oferta
de soluções digitais para espaços públicos (ecrãs públicos).
Concebe, desenvolve e implementa soluções de interacção e adaptação ao espaço físico envolvente, para organizações que
procuram novas formas de comunicar com o seu público-alvo. A empresa oferece soluções de Smart and Interactive Screen Media,
que possibilitam a utilização de ecrãs com mecanismos de interacção, capazes de disponibilizar um conjunto de conteúdos e
serviços informativos e de entretenimento aos utentes dos espaços, enriquecendo a sua experiência de frequência dos mesmos
e induzindo um melhor desempenho do negócio que aí se desenvolve.
Fontes: Ubisign; Imprensa.
CAIXA 25 - WEADAPT – INCLUSIVE DESIGN AND ENGINEERING SOLUTIONS
Criada em 2005, a WeAdapt é uma spin-off da Universidade do Minho que desenvolve e comercializa online produtos inclusivos,
destinados a indivíduos com necessidades especiais motoras, designadamente os que se deslocam em cadeira de rodas. A
empresa reúne profissionais com formações académicas diversas (indústria têxtil, engenharia de polímeros, electrónica,
mecânica, física e psicologia).
As suas peças apresentam moldes especialmente adaptados às necessidades específicas desta população, sobretudo em termos
ergonómicos e antropométricos e acabamentos especiais que permitem facilitar a tarefa de vestir/despir, contribuindo assim para
uma maior autonomia do utilizador. As peças possuem ainda acabamentos funcionais ao nível do tratamento dos tecidos, que
permitem atribuir propriedades químicas. Estes acabamentos, inovadores, têm sempre em vista o conforto, a funcionalidade e a
estética. As peças pretendem também responder a necessidades de reabilitação.
A WeAdapt está a concluir o registo de patente Body Me, dispositivos de reconstituição física para equilibrar os volumes
corporais. Como a generalidade dos utilizadores de cadeiras de rodas desenvolve atrofia dos membros inferiores, a empresa
está a estudar várias melhorias ao nível dos materiais (exemplo da espuma de polierbeno). Por outro lado, através da marca
Sense4Me, a empresa vai produzir têxteis electrónicos e interactivos que possibilitem a monitorização de sinais vitais e a electroestimulação de membros com atrofia (a investigação decorre em parceria com o Hospital de São Marcos, em Braga). Neste caso,
os dispositivos permitirão cumprir um programa de recuperação física sem sair de casa (a ideia é que o médico possa modificar
o programa através de uma entrada USB).
Recorrendo à internet para as vendas e aos correios para a distribuição, a empresa está a procurar entrar no mercado dos EUA,
através do apoio do programa UTEN (University Technology Enterprise Network) e da Cisco Systems.
Em 2008, a WeAdapt ganhou o prémio START - Prémio Nacional de Empreendedorismo, promovido pelo BPI, pela Optimus e
pela Universidade Nova de Lisboa
Fontes: WeAdapt; Imprensa.
6. A INOVAÇÃO EMPRESARIAL NA REGIÃO
A inovação empresarial no Ave e no Cávado pode diferenciar-se em dois processos distintos:
• A diversificação estrutural, que consiste no surgimento e multiplicação de empresas em
sectores de actividade que não tinham tradição neste território, nomeadamente se tiverem
vocação exportadora.
55
•
A inovação sectorial, que consiste no desenvolvimento de novos produtos e/ou processos
de produção, na criação de marcas próprias e na adopção de novas estratégias de marketing
para a internacionalização por parte de empresa já estabelecidas em sectores com tradição no
território, nomeadamente se tiverem vocação exportadora.
6.1. A diversificação estrutural
Se os spin off da Universidade do Minho se podem incluir neste grupo, pretende-se seguidamente
destacar um conjunto de empresas de dimensão média já consolidadas e que podem dar origem
no Ave e Cávado a uma presença reforçada ou nova em áreas associadas às Tecnologias da
Informação e às Tecnologias da Saúde.
6.1.1 O pólo de software e serviços
informáticos do minho
O cluster comunicação/informação reveste-se de grande importância no Cávado - embora ainda
não em termos exportadores -, já que em Braga existe um pólo dinâmico de empresas de software
e serviços informáticos organizado em torno de empresas de software empresarial, multimédia
e serviços informáticos e de consultadoria em telecomunicações. São exemplos a Primavera
Software; a TLCI – Soluções Integradas de Telecomunicações; a F3M - Engenharia, Sistemas e
Informática; a Eticadat – Software; a Escaleira Software; a Activenet - Serviços de Informática e
Telecomunicações, a Minhosoft - Aplicações de Informática; a SOSO – Sociedade de Produção
de Dados de Software Industrial; a Sidra Multimedia (pertencendo hoje ao universo da Sonae.com
através da WeDo Technologies, vd. Caixa), a Multivector TI - Tecnologia e Informação; a Wintouch,
etc.
CAIXA 26 - PRIMAVERA BUSINESS SOFTWARE SOLUTIONS
Esta empresa, criada em 1993 em Braga, é hoje uma multinacional de base portuguesa de Package Software para gestão
empresarial com presença em Espanha, Brasil e PALOP´s, tendo uma parceria tecnológica firme com a MICROSOFT. Entre os
seus produtos incluem-se as Soluções de ERP, de CRM, de BI - Business Intelligence e de manutenção de aplicações comuns
de gestão corrente.
De referir que a Primavera Business Software Solutions integra o Pólo de Competitividade e Tecnologia TICE.PT, reconhecido
formalmente como Estratégia de Eficiência Colectiva em Julho de 2009.
Fontes: Primavera Software.
CAIXA 27 - MOBICOMP
Criada no ano 2000, a MobiComp é uma empresa portuguesa dedicada ao desenvolvimento de soluções de negócio assentes
em tecnologias de computação e comunicações móveis e vocacionada para a implementação de soluções inovadoras, que
tirem partido de processos e ambientes tecnológicos pré-existentes. Os produtos e soluções da MobiComp foram adoptados por
líderes de mercado nos sectores das telecomunicações, serviços financeiros, media, retalho e logística. Entre os seus clientes
de referência contam-se a TMN, Optimus, Vodafone, Edimpresa, Sonae, GalpEnergia/M24, MilleniumBCP, BPI, UMIC e Esprit.
Todas as soluções são construídas utilizando frameworks e componentes desenvolvidos pela MobiComp, que permitem acelerar
a entrega da solução final.
A estratégia seguida pela empresa valorizou inicialmente a consolidação da sua posição no mercado português, mas tem vindo
a posicionar-se no mercado global de produtos e soluções avançadas de mobilidade.
No processo de internacionalização, a MobiComp definiu uma estratégia baseada em produtos avançados e na abordagem a
mercados internacionais específicos.
De referir que, em Julho de 2008, a Mobicomp foi adquirida pela Microsoft e funciona como centro de pesquisa do grupo. A
empresa tem escritórios em Braga, Lisboa, Madrid, Londres e Dubai.
Fontes: Mobicomp; Imprensa.
56
CAIXA 28 - WEDO TECHNOLOGIES
A WeDo Technologies (que até ao final do ano de 2007 se designava WeDo Consulting) é uma empresa líder de soluções de
software. Foi criada formalmente em Junho de 2000 e iniciou a sua actividade comercial em Fevereiro de 2001. O seu know-how
centra-se no business assurance para redes Telecom, com liderança nas áreas de revenue assurance, roaming, commissions e
credit & collections solutions. A nível nacional, a WeDo intervém nos mercados da saúde, financeiro, indústria e telecomunicações.
Criada formalmente em Junho de 2000, a WeDo Technologies iniciou a sua actividade comercial em Fevereiro de 2001.
A WeDo desenvolve os seguintes serviços: consultoria, desenvolvimento de produtos e integração de sistemas. Em Maio de
2009, concretizou a sua fusão com a Brainware, uma empresa portuguesa especializada no sector financeiro
No seu portfolio, a WeDo Technologies soma mais de 60 operadores, em cerca de 40 países: Orange, America Movil, Vodafone
& Orascom Group, ERA GSM, Vimpelcom (Beeline GSM), Telefonica, Amena, Auna, Optimus, Novis, AIS Thailand, Oi Brasil,
Telemar Brasil e Brasil Telecom, entre outros. Com cerca de 400 consultores, a WeDo Technologies conta já com escritórios em
Portugal, Austrália, Brasil, Egipto, Espanha, Estados Unidos da América, Reino Unido, Irlanda, Malásia, México e Polónia.
A empresa foi seleccionada pela Sonae.com para implementar no seu contact center a solução Contact Centers In-LineTM
(CCIL) da InStranet. De salientar que a Sonae.com é o mais dinâmico grupo privado de telecomunicações em Portugal, sendo a
sub-holding do Grupo Sonae para a área das telecomunicações, internet e multimédia.
Os produtos da WeDo Technologies foram nomeados para prémios de referência mundial nomeadamente na categoria de ‘Best
New Product’, pelos Billing World Excellence Awards em 2003; na categoria de ‘Best Revenue Assurance Project’, pelos World
Billing System Awards em 2005 e 2006.
Fontes: WeDo Technologies; Imprensa.
6.1.2. O health cluster de portugal e o seu potencial
impacto no ave/cávado
No grupo de Fundadores do HCP - Health Cluster Portugal, Pólo de Competitividade e Tecnologia
da Saúde, com sede no Porto, está incluída a BIAL, que o lidera e que tem as suas instalações
fabris em Trofa, no Ave. O HCP engloba, além de outras entidades, o Instituto de Patologia e
Imunologia Molecular da Universidade do Porto (IPATIMUP), o Instituto de Biologia Molecular e
Celular (IBMC), o Instituto de Engenharia Biomédica Universidade do Porto (INEB), o Instituto de
Investigação e Inovação em Saúde (I3S) e as Universidades do Porto e do Minho. O HCP pode vir
a constituir um instrumento de atracação de actividades associadas à Engenharia biomédica para
o Ave e Cávado.
CAIXA 29 - BIAL
A Bial é um Grupo farmacêutico internacional, sedeado na Trofa, cuja missão é desenvolver novas soluções terapêuticas na área
da saúde.
Criada em 1924, desenvolveu a sua actividade internamente até 1998, ano em que adquiriu uma empresa farmacêutica espanhola
com sede em Madrid e com centro de I&D e unidade industrial em Bilbau. Em termos comerciais, os seus produtos estão em mais
de 30 países na Europa, América, África e Ásia. Já em 2008, assinou um contrato de licenciamento com a empresa norte-americana
Sepracor, para o desenvolvimento e comercialização nos EUA e no Canadá de um anti-epiléptico.
Centraliza em Espanha a produção de vacinas anti-alérgicas e de meios de diagnóstico para alergias.
Esta empresa, que conta com cerca de 650 colaboradores (mais de 50% com formação superior ou doutorados), assume a I&D como
áreas estratégicas para a expansão e autonomia do Grupo. Equipas de técnicos internacionais dedicam-se à investigação de novas
soluções terapêuticas que possam representar avanços significativos nos vários domínios da saúde, em particular nos domínios dos
antibióticos, anti-inflamatórios, anti-ulcerosos, analgésicos, doenças cardiovasculares, produtos anti-depressivos e anti-asmáticos.
Foi pioneira no desenvolvimento das relações indústria/universidade, pelo que tem assumido o desenvolvimento de vários projectos
de investigação em estreita colaboração com instituições universitárias e outros centros de investigação, beneficiando da partilha
de conhecimentos e de experiências e da criação de equipas de trabalho multidisciplinares.
A empresa tem-se distinguido no apoio a inúmeras actividades de âmbito médico e científico através da Fundação Bial, criada em
1994. Das suas acções salientam-se a atribuição do Prémio Bial (“Grande Prémio Bial de Medicina (índole médica) e o “Prémio Bial
de Medicina Clínica” (prática clínica geral).
O laboratório de I&D da Bial conta com 100 investigadores (23 doutorados, de 7 nacionalidades). Entre 1993 e 2009 foram assinados
contratos com 82 instituições de I&D, feitos investimentos em I&D na ordem dos 30 milhões de euros/ano, que deram origem à
descoberta de mais de 10 mil novas moléculas e 6 novos medicamentos.
De referir que a Bial integra (e lidera) o Pólo de Competitividade e Tecnologia Health Cluster Portugal, reconhecido formalmente
como Estratégia de Eficiência Colectiva em Julho de 2009.
Fontes: Bial; COTEC; Imprensa.
57
6.2. A inovação sectorial
6.2.1. Os centros tecnológicos
Em Vila Nova de Famalicão, localiza-se o CITEVE - Centro Tecnológico das Indústrias Têxtil e do
Vestuário de Portugal (vd. Caixa) e a sede da rede de centros tecnológicos do País – a RESET.
CAIXA 30 - CENTRO TECNOLÓGICO DAS INDÚSTRIAS TÊXTIL
E DO VESTUÁRIO DE PORTUGAL (CITEVE)
Criado em 1989, e com instalações em Vila Nova de Famalicão e na Covilhã, o CITEVE tem por objectivo promover a capacidade
técnica e tecnológica da indústria têxtil e do vestuário, fomentando e difundindo a inovação. Com cerca de 600 associados e mais
de 1500 clientes, tem seis principais áreas de intervenção:
- Actividade laboratorial; Consultoria e assistência técnica; Vigilância e desenvolvimento tecnológico; Valorização de recursos
humanos; Cooperação com o sector público; Consultoria internacional.
Nas actividades de inovação, os seus focos principais são:
- Materiais - pela aplicação de novos materiais, sejam fibras, polímeros ou outros componentes, capazes de conferir ao produto
final um aspecto inovador e diferenciado, quer pela via puramente estética, quer pela via da “função” ou da performance do
produto.
- Tecnologia - a inovação por via da tecnologia pode reflectir-se não apenas no equipamento, mas também na técnica (processo),
com maior ou menor grau de integração.
- Gestão/Organização - através da introdução de modelos inovadores de gestão da organização e do negócio, nomeadamente
ao nível das actividades de planeamento, controlo e gestão ou ao nível das actividades comerciais e das novas tecnologias da
informação e da comunicação.
A participação do CITEVE em projectos de I&D tem sido realizada em 5 grandes áreas: TT (projectos de transferência de
tecnologia e conhecimento de tecnologia); MRI - Mobilizar a Região para a Inovação (tecnologia de produto e processo têxtil);
PTI (projecto de difusão de técnicas e tecnologias promotoras da inovação); Cost Biotecnologia (qualidade têxtil e biotecnologia);
SEM -Textile (gestão energética na indústria têxtil).
De referir que o CITEVE integra os seguintes Pólos de Competitividade e Tecnologia, reconhecidos formalmente como Estratégias
de Eficiência Colectiva em Julho de 2009: Health Cluster Portugal; Moda e Produtech – Tecnologias de Produção.
Fontes: CITEVE.
Em Braga está instalado o Centro Ibérico de Investigação em Nanotecnologias, que irá contribuir
decisivamente para o desenvolvimenbto tecnológico da região (vd. caixa).
CAIXA 31- CENTRO DE NANO TECNOLOGIAS E MATERIAIS TÉCNICOS,
FUNCIONAIS E INTELIGENTES (CENTI)
Este Centro, instalado em Vila Nova de Famalicão nas instalações do CITEVE, resultou de uma parceria entre este centro
tecnológico, o Centro Tecnológico das Indústrias do Couro e as Universidades do Minho, do Porto e de Aveiro.
Tem como principais objectivos: gerar conhecimento; promover a integração tecnológica; participar no desenvolvimento de uma
estratégia de intervenção tecnológica na área das micro/nanotecnologias; e funcionalização de materiais para as indústrias têxtil,
vestuário e couro.
Destacam-se os seguintes objectivos estratégicos:
- Investigação e desenvolvimento de nanomateriais, materiais funcionais e materiais inteligentes, com vista ao aumento do
desempenho humano (ao nível da saúde/bem-estar, protecção, desporto e lazer).
- I&D de novos materiais para têxteis com aplicação em painéis fotovoltaicos flexíveis, nos meios de transporte (automóvel e
aeronáutica) e construção civil.
- Contribuir através das nanotecnologias e novos materiais para o desenvolvimento de processos ambientalmente mais favoráveis
e economicamente viáveis.
- Desenvolvimento de técnicas de simulação da utilização de materiais e aferição da interacção entre os mesmos e a fisiologia
humana.
A sua actividade de I&D encontra-se organizada nas seguintes áreas: tratamento e modificação de superfícies; fibras não
convencionais; materiais e estruturas inteligentes; nanodispositivos e materiais funcionais e compósitos.
De referir que o CeNTI integra o Pólo de Competitividade e Tecnologia Health Cluster Portugal, reconhecido formalmente como
Estratégia de Eficiência Colectiva em Julho de 2009.
Fontes: CeNTI.
58
CAIXA 32 - CENTRO DE VALORIZAÇÃO DE RESÍDUOS (CVR)
Estabelecido em 2002, o CRV é uma instituição privada sem fins lucrativos que tem como missão a prestação de serviços de
I&D, análise científica e aplicação de soluções na área da valorização de resíduos. Para além dos associados constituintes
(Associação Industrial do Minho, Associação Portuguesa de Fundição, Universidade do Minho e TecMinho), o CVR conta com
cerca de meia centena de associados fundadores e aderentes, a larga maioria dos quais empresas industriais de todo o País.
Promove a inovação empresarial nas seguintes áreas: utilização de resíduos industriais na fileira da construção civil; tratamento
de resíduos contendo metais; processos biológicos de tratamento; valorização energética; valorização de resíduos para produção
de biocombustíveis.
Fontes: Centro de Valorização de Resíduos.
6.2.2. Exemplos de empresas
Apesar de os “vales industriais” do Ave e do Cávado apresentarem um perfil de especialização
produtiva assente em actividades industriais intensivos em mão de obra e tradicionais, logo com
fraca incorporação de tecnologia (veja-se o caso das indústrias têxtil e vestuário), têm vindo a
surgir cada vez mais empresas inovadoras que se destacam pela capacidade competitiva nos seus
segmentos de actividade (muitas vezes na própria indústria têxtil e do vestuário). As caixas seguintes
apresentam alguns exemplos de empresas inovadoras localizadas no Ave ou no Cávado.
CAIXA 33 - NATURAPURA
Esta empresa, constituída em 1999 e localizada em Braga, tem como objectivo estratégico principal a produção e comercialização
de produtos têxteis (têxteis-lar e vestuário de bebé, dos 0 aos 24 meses) suportados integralmente em fibras naturais, em
cuja produção não entraram pesticidas nem herbicidas. Utiliza algodão orgânico biológico como matéria-prima. Foi a primeira
empresa portuguesa têxtil a certificar os seus produtos com o Rótulo Ecológico Europeu.
Estando já presente em 24 países através de lojas multimarca, lançou-se na criação de uma rede de lojas próprias e pretende
expandir-se internacionalmente através de uma rede de franchising, começando por Espanha.
Fontes: Naturapura; Imprensa.
CAIXA 34 - IMPETUS
Fundada em Dezembro de 1973, com apenas 6 operárias, a Impetus constitui hoje um Grupo de 8 empresas, 7 das quais
na indústria têxtil, das quais se destacam 4 na área da produção (incluindo uma unidade em Cabo Verde) e 3 na distribuição
(Portugal, Espanha e Áustria).
Localizada em Barqueiros/Barcelos, a empresa decidiu especializar-se no sector têxtil, com uma marca própria de roupa interior
masculina de alta qualidade que se posiciona na lista dos 10 maiores produtores europeus de roupa interior.
Conta com 800 trabalhadores e possui 45 m2 de áreas edificadas, onde se encontram as diversas unidades que compõem o
complexo fabril: tecelagem para a produção de malhas, elásticos e artigos sem costuras, tingimento, estamparia e acabamento,
corte, confecção e embalamento.
A vocação internacional marca desde o início as opções estratégicas do Grupo: 95% da produção destina-se à exportação para
a Europa, Canadá, EUA e China, como principais mercados.
Em 2008, a Impetus comprou a marca francesa Coup de Coeur. Presente em 15 mil pontos de venda em todo o mundo, a
empresa atingiu naquele ano uma facturação na ordem dos 40 milhões de euros.
Fontes: Impetus; COTEC; Imprensa.
CAIXA 35 - RICON INDUSTRIAL
Fundada em 1973 em Braga, a Ricon tem procurado desde a sua fundação acompanhar a evolução do mercado apostando na
oferta de produtos e soluções inovadoras, o que lhe permitiu reunir uma carteira de clientes internacionais de prestígio (Gant,
Armani, Paul & Shark, Massimo Dutti, Náutica ou o El Corte Inglés). A forte aposta tecnológica da empresa fez com que seja
possível encontrar produtos da Ricon em mais de 65 países distribuídos pelos cinco continentes. É representante em Portugal
da marca Gant e detentora da marca Decénio.
Fontes: Ricon; Imprensa.
59
CAIXA 36 - FORTUNATO O. FREDERICO/GRUPO KYAIA
A Kyaia foi criada em 1984, em Guimarães, com uma capacidade de produção de 500 pares/dia e com um total de 50 trabalhadores.
Em 1994 criou marcas próprias – a Fly London, a Overcube, a M.C. Power e a Fungi.
Ao nível da internacionalização, merece destaque a marca Fly London, que em Janeiro de 2009 foi considerada a número 1 no
Reino Unido em calçado contemporâneo feminino. Dos EUA ao Japão, passando pela maioria dos países europeus, esta marca
portuguesa conseguiu conquistar um vasto número de jovens consumidores: em todo o mundo, conta já com mais de 1.500
pontos de venda, mais de 600 dos quais localizados no Reino Unido.
Actualmente, o Grupo Kyaia conta com mais de 500 trabalhadores, uma capacidade de produção de cerca de três mil pares
de sapatos por dia e um volume de negócios que ultrapassa os 60 milhões de euros. Com 4 unidades de produção (uma
em Guimarães e 4 em Paredes de Coura, detém várias empresas nas áreas industrial, comercial, imobiliária e turismo de
habitação. É detentor da rede de lojas Foreva e Sapatalia. A empresa Kyaia é responsável por todo o processo de concepção,
desenvolvimento e produção do calçado Camel, tendo parceria semelhante com a Aerosoles para o calçado de homem desta
marca.
A Kyaia foi um dos 63 parceiros europeus que se envolveram no projecto CEC-Made-Shoe, um novo conceito de calçado.
Juntamente com o Centro Tecnológico de Calçado, foi a mentora de um modelo de sapato em que a redução do número de
costuras se faz com recurso a software avançado que permite a produção de mais de 15% de pares diários com os mesmos
operadores em menos 45% do tempo.
De referir que a empresa integra os Pólos de Competitividade e Tecnologia Moda e Produtech – Tecnologias de Produção,
reconhecidos formalmente como Estratégia de Eficiência Colectiva em Julho de 2009.
Fontes: Kyaia; Imprensa.
CAIXA 37 - ALBANO MIGUEL FERNANDES, LDA
Fundada em 1999 e com sede em Guimarães, a empresa Albano Miguel Fernandes é especializada na produção de calçado de
segurança de elevada qualidade. Após vários anos a produzir calçado para empresas de renome internacional, em regime de
outsourcing, lançou, em 2005, a sua própria marca de calçado de segurança - a marca 2work4 -, vocacionada para especialistas
e profissionais que exigem calçado de elevada fiabilidade e performance, isto é, calçado ultra-leve, flexível e confortável, com
um design muito apelativo.
Entre 2006 e 2009, o volume de vendas da empresa aumentou 250%. As exportações, para mais de duas dezenas de mercados,
correspondem a mais de 80% das vendas.
Em 2007, a empresa ganhou o Prémio GAPI (Gabinete de Apoio à Propriedade Industrial), do Centro Tecnológico do Calçado,
na categoria “Inovação do produto”.
Fontess: site da empresa; imprensa; Cotec.
CAIXA 38 - FREZITE
A Frezite é um Grupo de empresas de engenharia vocacionado para a maquinagem dos materiais através de sistemas de
ferramentas de corte de precisão.
Foi fundada em 1978, com o objectivo de produzir e comercializar ferramentas de alta tecnologia e precisão, com aplicação na
transformação da madeira, plásticos, materiais derivados e metais. Da produção de algumas ferramentas de corte, faz parte
integrante o corte das cabeças de corte a partir de uma patela de diamante policristalino.
Com a sua experiência acumulada de três décadas na produção de ferramentas de corte, conquistou o seu lugar entre as
empresas mais qualificadas do sector a nível mundial. A marca FMT, Frezite Metal Tooling representa a divisão Metal da Frezite
para o sector da metalomecânica nos mais diversos mercados em que está presente. A empresa tem sucursais em Espanha,
Brasil, Reino Unido, Alemanha e República Checa.
O Grupo Frezite reestruturou a sua organização, criando a holding Frezigest, na dependência da qual ficam a Frezite, que produz
ferramentas de corte para madeira, e a FMT - Frezite Metal Tooling, destinada ao corte de metais.
As ferramentas para corte de madeira e sucedâneos destinam-se à carpintaria, produção de mobiliário e à construção. O
segmento para corte de metais tem como clientes os sectores automóvel, aeronáutico, a indústria de moldes e a produção de
instrumentos médicos.
Entre os principais projectos a desenvolver pelo Grupo Frezite está o desenvolvimento de ferramentas de perfuração para o
sector petrolífero.
O crescimento do Grupo tem sido feito por aquisições, sobretudo no estrangeiro. Uma das operações mais relevantes foi a
criação da FMT Grã-Bretanha, que, no espaço de um ano, teve de absorver duas empresas (uma delas, a participação na
Eurogrind, sedeada no País de Gales, que encontrou na FMT um importante parceiro tecnológico).
Em 2008, a Frezite foi galardoada como a melhor fornecedora de máquinas e equipamentos para a indústria do mobiliário
(prémio Mobis).
De referir que a Frezite integra o Pólo de Competitividade e Tecnologia Produtech - Tecnologias de Produção, reconhecido
formalmente como Estratégia de Eficiência Colectiva em Julho de 2009.
Fontes: Frezite; COTEC; Imprensa.
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CAIXA 39 - CACHAPUZ
Localizada em Braga, a Cachapuz é uma empresa que se dedica sobretudo à concepção, produção e comercialização de
soluções para pesagem industrial. A evolução registada na última década, de simples produtora de equipamentos de pesagem
(metalomecânica) para implementadora de soluções de natureza tecnológica, conduziu ao reconhecimento da Cachapuz como
centro de competências tecnológicas do Grupo italiano Bilanciai e à afirmação das suas soluções no mercado internacional.
A empresa é uma das cinco unidades produtivas do Grupo Bilanciai (Itália, Inglaterra, Estados Unidos, Argélia e Portugal),
possuindo uma estrutura dimensionada para o fabrico anual de 300 básculas para pesagem de camiões e 800 plataformas de
pesagem para outros fins.
Além da pesagem industrial, a Cachapuz desenvolve actividade nos seguintes domínios:
- Indústria cimenteira – a empresa conta com uma longa experiência no desenvolvimento de soluções inovadoras para a indústria
cimenteira, quer ao nível da expedição de inertes em pedreiras, quer ao nível da recepção de matérias-primas e expedição de
cimento em unidades de produção de cimento. Desenvolveu o SLV Platform, um sistema modular e inovador que se adapta
eficazmente à automatização de processos de carga e descarga quer nas pedreiras (SLV Aggregates) quer nas fábricas de
cimento (SLV Cement).
- Gestão de resíduos – a empresa tem vindo a ganhar competências e a investir no desenvolvimento de soluções para a
gestão de informação na área da gestão de resíduos. Tem apostado na recepção de resíduos em aterros e nas estações de
transferências, através das suas soluções SPAT (Sistema de Pesagem para Aterros) e SPAR (Sistema de Planeamento e Análise
da Recolha de Ecopontos).
Reconhecendo a importância vital das Tecnologias de Informação, Comunicação e Electrónica (TICE) na oferta de soluções
pelo Grupo Bilanciai, a Cachapuz possui na sua estrutura um Departamento de Engenharia e Inovação (DEI), cuja actividade
se centra no desenvolvimento de soluções inovadoras, utilizando as mais recentes tecnologias de informação e automação,
destinadas à automatização de processos para o sector industrial. No seu seio, o DEI integra um núcleo permanente de I&D com
o objectivo exclusivo de estudar, em cooperação com a Universidade do Minho, tecnologias que potenciem a evolução das suas
soluções, nomeadamente nas áreas de Business Intelligence e Systems Integration.
Fontes: Cachapuz; COTEC; Imprensa
CAIXA 40 - NANOLOGIC - TECNOLOGIAS DE MICRO E NANOMOLDAÇÃO
A NanoLogic foi fundada em Maio de 2005, corporizando um exemplo de cooperação entre os Grupos Celoplás (referência
europeia na concepção e fabrico de componentes em plástico de elevado rigor dimensional), Plasdan (com competências
reconhecidas na engenharia de produto, concepção e fabrico de moldes e de equipamentos de transformação) e a Car Indústria,
uma spin-off que resultou do projecto Care e que se propõe desenvolver actividade, industrial e comercial, na fileira do dispositivo
médico.
Elegendo como objectivo estratégico o acesso aos mercados globalizados de grande valor acrescentado no domínio da
microfabricação de componentes plásticos, a NanoLogic assenta o seu modelo de desenvolvimento na investigação aplicada e
orientada, tendo na Universidade do Minho e no PIEP os seus parceiros-chave.
Esta aposta materializou-se em opções de tecnologia e conhecimento no sector, ao nível de instalações, meios de equipamento
e ferramentas. Neste contexto, merece referência o facto de o sistema integrado de injecção, bi-material, que a empresa adquiriu
sob sua especificação, ser o pioneiro a nível mundial.
A NanoLogic é associada fundadora do Pólo de Competitividade e Tecnologia - Health Cluster Portugal, assumindo, tendo em
conta a sua dimensão, um papel potencial no desenvolvimento/dinamização do pólo que decorre das competências e knowhow que vem reunindo num nicho tecnológico cada vez de maior importância no sector dos dispositivos médicos high-tech e de
elevado desempenho – a micro injecção (de plástico) bimaterial.
De referir que a Nanologic integra o Pólo de Competitividade e Tecnologia Health Cluster Portugal, reconhecido formalmente
como Estratégia de Eficiência Colectiva em Julho de 2009.
Fontes: Nanologic; Imprensa.
CAIXA 41 - CRITICAL MATERIALS
A empresa Critical Materials é uma spin-off da Critical Software, especializada no fornecimento de materiais auto-reparáveis, de
inspiração biónica, capazes de realizar diagnósticos e prognósticos de manutenção em aeronaves de forma a estender a sua
vida útil, maximizar as horas de voo, sem prejuízo da segurança e reduzindo custos. É uma empresa fornecedora de tecnologia
para o “cérebro e o sistema nervoso” de aplicações críticas de materiais avançados.
Fundada em 2008 e sedeada em Guimarães, é fruto da visão empreendedora de dois doutorados da Universidade do Minho e
da Critical Software e posiciona-se como fornecedor para os mercados internacionais dos sectores aeroespacial e defesa. Em
Março de 2009 esta empresa deslocalizou-se da cidade de Guimarães para o SpinPark, campus de empresas da Universidade
do Minho (também em Guimarães).
As actividades comerciais da Critical Materials tiveram início em 2009, com a aposta nos mercados do Reino Unido e do EUA.
Fontes: Critical Materials; Imprensa.
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CAIXA 42 - EDIGMA.COM – GESTÃO DE PROJECTOS DIGITAIS SA
Criada no ano 2000 e com sede em Braga, a Edigma.com é uma empresa especializada no desenvolvimento de tecnologias
interactivas. Iniciou o seu processo de internacionalização em 2004 e detém projectos de referência em mercados como
Alemanha, Espanha, Holanda, Reino Unido, Austrália, Brasil, Turquia e Emirados Árabes Unidos.
Desde a sua criação que a Edigma.com dá uma grande importância à inovação, pelo que possui uma equipa na área de I&D,
materializada na criação do Future Lab – Research Center. Um factor diferenciador na actividade da empresa é a aposta numa
metodologia de desenvolvimento de projectos própria, denominada “ProjectPlus® project management process”.
A empresa desenvolveu a tecnologia Displax Multitouch que permite transformar qualquer superfície não condutora, plana ou
curva, opaca ou transparente, num ecrã multi-toque. Esta nova tecnologia, baseada na aplicação de uma película de polímero
transparente mais fina do que o papel, é capaz de detectar até 16 dedos em simultâneo em ecrãs de grandes dimensões e
é também a primeira tecnologia multi-toque sensível ao sopro. O seu universo potencial de aplicações é alargado, desde as
estações aeroespaciais, à estratégia militar, salas de controlo, museus ou canais de televisão.
A marca Displax® Interactive Systems tem uma forte presença em cerca de 20 países, destacando-se, com projectos de relevo,
nos seguintes mercados: Espanha, EUA, Emirados Árabes Unidos, Malásia, Coreia do Sul, Brasil e Grécia.
Em 2007, a empresa foi um estudo de caso do MBA do Instituto de Empresa de Madrid, pelo sucesso da sua estratégia de
crescimento tecnológico fora do Silicon Valley.
Em 2010, a empresa recebeu o premio “Exame Informática” pelo desenvolvimento de tecnologias interactivas de toque que se
distinguem pelo carácter vanguardista e disruptivo.
Fontess: site da empresa; imprensa; Cotec.
6.3. As infra-estruturas de suporte à inovação
empresarial e as instituições de interface
Universidade/Empresas
O Ave e o Cavado dispõem actualmente de uma boa dotação em infra-estruturas de suporte ao
tecido empresarial, algumas das quais com padrões de excelência ao nível internacional. As caixas
seguintes apresentam alguns exemplos de infra-estruturas orientadas para a inovação empresarial
deste território:
CAIXA 43 - SPINPARK - CENTRO DE INCUBAÇÃO DE BASE TECNOLÓGICA
Localizado no Avepark, o SpinPark é uma entidade privada sem fins lucrativos, criada em 2006 por iniciativa da Universidade do
Minho, do próprio Avepark e da Associação do Parque de Ciência e Tecnologia do Porto (APCTP). Promove e apoia actividades
de tecnologia avançada e intensivas em conhecimento, servindo simultaneamente de plataforma ao lançamento e difusão da
inovação no contexto da economia do conhecimento. A sua missão é, em articulação com a cadeia de valorização do conhecimento
da Universidade do Minho, apoiar as spin-off’s ao longo do seu processo de desenvolvimento, providenciando não apenas um
espaço físico mas também consultoria, formação, networking e acesso a seed e venture capital.
Além da incubação de empresas, o SpinPark tem a sua actividade estruturada em 5 programas:
1) Start-up - é um programa para empreendedores com ideias inovadoras mas que ainda necessitam de amadurecimento. O seu
objectivo é dotar o empreendedor das competências e conhecimentos base para a criação de negócios.
2) Laboratório de Empresas - é uma iniciativa para apoiar empreendedores na fase de pré-arranque e arranque da empresa.
3) Acelerar Negócios - é um programa de apoio a novas empresas tecnológicas com forte potencial de crescimento.
4) Mercado Global - é um programa de apoio a empresas de base tecnológica que pretendam iniciar processos de
internacionalização.
5) Financiamento – através deste programa, o SpinPark disponibiliza um conjunto de instrumentos de financiamento em
articulação com os seus parceiros.
De referir que o SpinPark é parceiro da Microsoft em programas de apoio a start-ups.
Fontes: SpinPark.
62
CAIXA 44 - AVEPARK - PARQUE DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA
O Avepark, fundado em 2004 e oficialmente inaugurado em Setembro de 2008, localiza-se em Guimarães (Taipas) e é o resultado
de uma parceria entre a Câmara Municipal de Guimarães (51% do capital), a Associação do Parque de Ciência e Tecnologia do
Porto, a Universidade do Minho, a Associação Industrial do Minho (cada uma com 15% do capital) e a Associação Comercial de
Guimarães (com 4% do capital). Tem como objectivos o fomento do empreendedorismo de base tecnológica, o acolhimento de
200 empresas e a criação de 4 mil postos de trabalho qualificado até 2022.
Este parque de ciência e tecnologia acolheu cerca de uma dezena de empresas da incubadora da Universidade do Minho (num
total de cerca de 40 empresas nele localizadas), está associado ao SpinPark - Centro de Incubação de Base Tecnológica e
vai acolher brevemente o grupo de investigação 3Bs - Biomaterials, Biodegradables and Biomimetics e o Instituto Europeu de
Engenharia de Tecidos e Medicina Regenerativa.
O Avepark criou já cerca de 700 empregos e espera-se que, num período de 10 anos, conte com cerca de 5 mil empregos
altamente qualificados (num total de 150 a 200 empresas).
De referir ainda que o Avepark, com o apoio da Federação Nacional de Business Angels e da Invicta Angels, criou o Clube de
Business Angels de Guimarães (Vima Angels).
O Avepark integra o programa de colaboração entre o Estado português e a Universidade do Texas em Austin (UTAustin),
assinado em Março de 2009. Uma das vertentes com maior potencial de interesse para os utentes do Avepark é a rede de
comercialização de ciência e tecnologia (University Technology Enterprise Network, UTEN).
A partir desta Rede, coordenada pelo INESC-Porto e pelo IC2 Institute de Austin, é possível aos utentes do Avepark aceder ao
mercado americano.
De referir ainda que o Avepark integra o Pólo de Competitividade e Tecnologia Health Cluster Portugal, reconhecido formalmente
como Estratégia de Eficiência Colectiva em Julho de 2009.
Fontes: Avepark; Imprensa.
CAIXA 45 - TECMINHO - ASSOCIAÇÃO UNIVERSIDADE-EMPRESA
PARA O DESENVOLVIMENTO
Fundada em 1990, a TecMinho é uma associação de direito privado sem fins lucrativos que teve como promotores a Universidade
do Minho e a Associação dos Municípios do Vale do Ave. A sua missão fundamental consiste em constituir-se como uma estrutura
de interface daquela universidade, promovendo a sua ligação à sociedade, sobretudo nas vertentes da ciência e tecnologia.
Desenvolve três grandes linhas de actuação:
- Formação Contínua - através do Departamento de Formação Contínua da TecMinho, promove a transferência de conhecimentos
entre a Universidade do Minho e as empresas/instituições através da formação contínua dos seus colaboradores.
- Transferência de Tecnologia - o seu Departamento de Transferência de Tecnologia tem por missão apoiar empresas e
investigadores no desenvolvimento e comercialização de ideias/tecnologias. Desde 2000 que este Departamento operacionaliza
o Gabinete de Transferência do Conhecimento gerado na Universidade do Minho (KTO – Knowledge Transfer Office), incluindo
a gestão da propriedade industrial e a comercialização de Ciência & Tecnologia.
- Empreendedorismo Académico - o Departamento de Empreendedorismo da TecMinho tem como missão promover uma
cultura empreendedora na Universidade do Minho e apoiar o lançamento de projectos empresariais de base tecnológica e de
conhecimento intensivo gerados no meio académico, apoiando o desenvolvimento de spin-offs daquela Universidade.
Nesta última vertente de actuação, é de destacar a UNITEC - Incubadora de Inventos e Empreendedores da Universidade do
Minho, empresa virtual que tem por objectivo fazer a prospecção de inventos inovadores e promover a sua comercialização, via
criação de spin-offs ou licenciamento. Esta empresa enquadra-se na missão da TecMinho (entidade promotora e gestora) de
“ligação à sociedade” nos domínios da promoção da inovação e da promoção do empreendedorismo de base tecnológica.
Fontes: TecMinho.
CAIXA 46 – INSTITUTO DE DESENVOLVIMENTO E INOVAÇÃO TECNOLÓGICA
DO MINHO (IDITE)
O IDITE-Minho foi fundado em 1989, em Braga, no âmbito de uma iniciativa conjunta da Universidade do Minho, da Associação
Industrial do Minho e do Instituto Nacional de Engenharia e Tecnologia Industrial (lNETI).
Operacional desde 1994, é uma infra-estrutura tecnológica de interface entre os centros de saber e as empresas, que actua nas
seguintes áreas:
-Transferência de tecnologia; Desenvolvimento de novos produtos e processos; Investigação tecnológica aplicada; Formação
avançada em novas tecnologias; Endogeneização do processo de inovação; Eco-Eficiência e Sustentabilidade; Auditorias e
Diagnósticos Ambientais; Prevenção e controlo de riscos ambientais; Planos de Racionalização Energética.
Fontes: IDITE.
63
Além das infra-estruturas atrás identificadas, merece ainda referência o Ideia Atlântico - Instituto
de Desenvolvimento Empresarial e Inovação do Atlântico. Esta infra-estrutura de apoio a empresas
de base tecnológica foi constituída em 2006, com o objectivo de prestar apoio a empreendedores
e PME, disponibilizando espaços com diferentes tipos de utilização e serviços. Dispondo de
instalações em Lisboa, Porto e Braga, o Ideia Atlântico juntou o conceito de Centros de Negócios
ao conceito de Incubadora de Empresas inovadoras num só espaço.
7. OS NOVOS PROJECTOS
– ACTIVIDADES & INFRAESTRUTURAS
7.1 Novas actividades
Os Vales do Ave e do Cávado apresentam fortes potencialidades de desenvolvimento de novas actividades,
na sua maioria decorrentes da ascensão na cadeia de valor de actividades de especialização do perfil
produtivo destes territórios. A participação de empresas e centros de I&D deste território nos Pólos de
Competitividade e Tecnologia lançados no âmbito das Estratégias de Eficiência Colectiva do QREN é disso
exemplo.
Assim, como actividades emergentes destacam-se:
Têxteis técnicos: existe margem para a reconversão de algumas unidades de produção de
produtos tradicionais (vestuário e têxteis-lar) em unidades de produção e comercialização de
produtos destinados a determinados nichos de mercado, como por exemplo os sectores médico
(vestuário, material cirúrgico,...), automóvel (revestimentos interiores) e desportivo (vestuário
para alta competição). Esta aposta reside no desenvolvimento e comercialização de produtos de
aplicação tradicional com base em novos materiais, tendo por base algumas experiências que
têm sido desenvolvidas em centros de investigação. Trata-se também de uma oportunidade a
ser eventualmente explorada por novos operadores, aproveitando a tradição têxtil do Ave e do
Cávado, a mão-de-obra disponível, o conhecimento dos circuitos internacionais de comercialização
de alguns produtos e as competências e capacidade de investigação científica existentes em
algumas entidades de I&D e empresas. A aposta nos têxteis técnicos é complementar aos esforços
de reforço da capacidade competitiva da indústria da moda nacional. De referir, neste âmbito,
o reconhecimento formal do Pólo de Competitividade da Moda, que integra, além de outras,
entidades do Ave e Cávado (exemplos: CITEVE, CITEX, Grupo Somelos, Irmãos Vila Nova, Kyaia Fortunato O. Frederico & Cª, Riopele - Têxteis). O objectivo deste Pólo é a afirmação internacional
de Portugal como criador e produtor de excelência de Moda, de forma a que as indústrias
relacionadas (têxtil, vestuário, calçado, ourivesaria) consigam tornar-se competitivas e enfrentar a
concorrência cada vez mais agressiva.
Novos materiais: é uma oportunidade de valorização de actividades tradicionais como a
metalurgia e metalomecânica e a referida indústria têxtil. Consiste no investimento em novos
materiais, nomeadamente materiais compósitos, em substituição/complemento das matériasprimas tradicionais. Estas novas aplicações serão naturalmente facilitadas pela existência no
território de centros de investigação conceituados. Merecem destaque o potencial de produção
de instrumentos médicos, a aposta nos polímeros e materiais compósitos (com aplicação em
domínios muito variados – referência para a aeronáutica por exemplo, em virtude da presença
de empresas como a Critical Materials) e nos referidos têxteis técnicos. Por outro lado, no
64
desenvolvimento de novas actividades ligadas à metalurgia e metalomecânica assume relevância
o reconhecimento formal do Pólo de Competitividade e Tecnologia das Tecnologias de Produção
(PRODUTECH). Este Pólo tem como objectivos principais: o desenvolvimento e exploração
comercial de um conjunto significativo de novos equipamentos, sistemas e respectivos serviços
de suporte, tecnologicamente avançados, inovadores e com grande potencial nos mercados
nacional e internacional; a criação de uma rede articulada de empresas produtoras de tecnologias
e serviços para a indústria e de instituições do Sistema Científico e Tecnológico, capaz de reunir os
recursos e as capacidades (massa crítica) necessários à prossecução do objectivo anterior. Fazem
parte deste Pólo algumas entidades e empresas localizadas no Ave e Cávado (CITEVE; Centro de
Formação Profissional da Indústria Metalúrgica e Metalomecânica, CENFIM, que tem um núcleo na
Trofa; PIEP; Frezite; Kyaia - Fortunato O. Frederico & Cª).
De salientar ainda que a Universidade do Minho, através do seu Departamento de Engenharia de
Polímeros, está integrada na Associação Pool Net – Portuguese Tooling Network, entidade líder de
um outro Pólo de Competitividade e Tecnologia reconhecido em Portugal - o Engineering & Tooling
-, que tem como principais objectivos desenvolver moldes de elevada complexidade para plásticos
e materiais compósitos; desenvolver ferramentas especiais e peças maquinadas de alta precisão;
integrar as principais empresas do sector dos moldes nas actividades de fabricação de produtos e
componentes plásticos com base em materiais compósitos.
Saúde: esta é uma actividade que apresenta fortes potencialidades de desenvolvimento, em
virtude da conjugação dos seguintes factores:
o
Aposta no fabrico de dispositivos médicos e desenvolvimento de soluções nas vertentes
da optometria/oftalmologia;
o
Aumento das competências em nanotecnologias, com a aposta em instituições de I&D
especializadas nesta actividade e em redes de conhecimento que concorrem para o seu
desenvolvimento. De referir que a Agência de Inovação apoiou uma Rede de Competência
neste domínio e que, em 2009, iniciou actividade o Laboratório Ibérico Internacional de
Nanotecnologia.
o
Utilização crescente de sistemas poliméricos em aplicações biomédicas, dadas a
versatilidade de propriedades, processabilidade e a tolerância biológica. Neste contexto,
tem-se vindo a propor em algumas situações, como em estratégias de libertação de
fármacos ou outros agentes activos, a utilização de sistemas poliméricos que possuem
a capacidade de responder a estímulos externos, incluindo ph ou temperatura. A
utilização de polímeros inteligentes, como na preparação de sistemas de encapsulamento
de células, tem assumido relevância em termos de actividades de I&D e inovação
empresarial, apresentando forte potencial no desenvolvimento da medicina regenerativa.
Por outro lado, de referir a importância do Instituto de Excelência de Medicina
Regenerativa de Tecidos (vd. Projectos no ponto 7.2).
o
Reconhecimento formal do Pólo de Ciência e Tecnologia HCP - Health Cluster Portugal,
no qual estão envolvidos importantes actores do Ave e do Cávado (exemplo da Bial, da
Nanologic, da Universidade do Minho, do Avepark, entre outros).
O HCP corporiza uma iniciativa colectiva de um conjunto muito representativo de actores
e protagonistas da cadeia de valor de saúde nacional, que desenhou uma estratégia e
um plano de actividades a curto, médio e longo prazo, tendo como grande objectivo
transformar o País num player competitivo na investigação, concepção, desenvolvimento,
fabrico e comercialização de produtos e serviços associados à saúde.
65
FIGURA 14 - OBJECTIVOS DO HCP
IT = Investigação de Translação (transformação do conhecimento científico na área da
saúde/biomedicina em produtos ou processos destinados ao diagnóstico, tratamento ou
prevenção de doenças, lesões ou deficiências).
TT = Transferência de Tecnologia
PI&N = Promoção Internacional & Networking
Fontes: Health Cluster Portugal.
Software e Tecnologias de Informação e Comunicação: actividade emergente ancorada na presença
de empresas com forte potencial de desenvolvimento no domínio do software e TIC, com soluções
informáticas adequadas aos vários ramos industriais. Desde 2003 que a COTEC está envolvida na
dinamização do Pólo Software do Minho (em Braga), com o envolvimento do Departamento de
Informática da Universidade do Minho e de várias empresas de software e TIC. No âmbito deste pólo,
foi desenvolvido o Centro de Excelência em Desmaterialização de Transacções (CEDT), um consórcio
nascido no âmbito do programa nacional de criação de Redes de Competência/Centros de Excelência,
promovido pela Agência de Inovação. De referir que o CEDT tornou-se, em Maio de 2009, membro
associado da rede temática europeia em RFID, designada “RACE NETWORK RFID”. Esta Rede visa criar
uma plataforma federativa em benefício de todas as empresas e entidades com competências em RFID
em todos os Estados Membros da União Europeia, promovendo o desenvolvimento, a adopção e a
aplicação desta tecnologia.
Integram o Pólo de Software do Minho empresas como a Cachapuz, a Mobicomp, a WeDo
Technologies, a Enabler, a Primavera e a WinTouch.
As iniciativas do Pólo assentam em quatro medidas de intervenção que se traduzem em acções e
objectivos concretos, conforme ilustra a figura seguinte:
66
FIGURA 15 - ACÇÕES E OBJECTIVOS DO PÓLO DE SOFTWARE DO MINHO
Fontes: COTEC.
De referir ainda que este Pólo de Software do Minho está integrado no Pólo de Competitividade
Tecnologias de Informação, Comunicação e Electrónica (TICE.PT), também reconhecido formalmente
como Estratégia de Eficiência Colectiva. Embora o seu centro de gravidade seja Coimbra e Aveiro,
este Pólo de Competitividade e Tecnologia conta com a presença da Universidade do Minho e do
Centro de Computação Gráfica.
7.2 Novos projectos
No que respeita aos novos projectos, destacam-se os que decorrem da aposta nas actividades
emergentes atrás identificadas ou de outras actividades que, num futuro próximo, poderão ganhar
capacidade competitiva no Ave e no Cávado. Destaque para os seguintes projectos:
Laboratório Ibérico Internacional de Nanotecnologia: inaugurado em Braga em
Julho de 2009, é o primeiro laboratório de nanotecnologia do mundo com estatuto legal
internacional, aberto à participação de instituições e de especialistas de todo o mundo,
que pretende promover as nanociências e a nanotecnologia, desenvolvendo aplicações
práticas e colaborando com empresas reputadas e instituições académicas prestigiadas.
Este Laboratório assinou, em Maio de 2009, um contrato com o Massachusetts Institute
of Technology (MIT) para a contratação de investigadores e uma agenda comum de
investigação. Entre as suas áreas de I&D destacam-se as aplicações médicas de
diagnóstico e de aplicação de fármacos, as tecnologias da informação com muito mais
elevadas capacidades de processamento e armazenamento de dados, as novas formas de
produção e armazenamento de energia e a qualidade e segurança alimentar.
Instituto de Excelência de Medicina Regenerativa de Tecidos: inaugurado em Junho
de 2009 no Avepark, conta com 120 investigadores de 20 países. Resultou da Rede de
Excelência Europeia em Engenharia de Tecidos Humanos (EXPERTISSUES), liderada pela
referida Unidade de Investigação da Universidade do Minho 3B’s - Biomateriais, Materiais
Biodegradáveis e Biomiméticos. Este Instituto actua na área de investigação de métodos
de reconstrução de tecidos, nomeadamente ossos, cartilagens e pele.
Projecto I9PARK (Parque Empresarial de Elevado Índice de Inovação): resultou de uma
67
parceria entre as Câmaras Municipais de Vila Verde e Amares, a Associação Industrial do
Minho e a Universidade do Minho. Visa construir um parque empresarial de nova geração
com uma área de cerca de 100 ha e cujas valências principais são a engenharia ligada à
construção, a electrónica e automação industrial, a robótica, as TIC e telecomunicações, as
nanotecnologias, a optoelectrónica, a biotecnologia, as energias alternativas, a farmacêutica
e a agricultura biológica.
Guimarães - Capital Europeia da Cultura em 2012: este projecto tem como objectivo
aumentar a notoriedade internacional da cidade de Guimarães como destino turístico e
cultural. Entre as principais intervenções previstas destacam-se a transformação da antiga
zona industrial de Couros em área de extensão universitária e a criação de uma Plataforma
das Artes. Este projecto insere-se no Cluster das Indústrias Criativas do Norte, reconhecido
no âmbito do primeiro concurso para Estratégias de Eficiência Colectiva.
CAIXA 47 - MINHO IN – UMA INICIATIVA PROVERE LOCALIZADA
NO AVE E CÁVADO
O PROVERE (Programa de Valorização Económica de Recursos Endógenos) é uma tipologia de Estratégias de Eficiência
Colectiva (EEC), previstas pelo QREN, destinada a estimular as iniciativas dos agentes económicos orientados para a melhoria
da competitividade territorial das áreas de baixa densidade, com o objectivo de acrescentar valor económico aos recursos
endógenos. Os projectos integrados em EEC beneficiam de majorações previstas nos diversos sistemas de incentivo e outros
programas de apoio ao investimento no âmbito do QREN.
Entre Outubro de 2008 e Julho de 2009 realizou-se o processo de reconhecimento de candidaturas apresentadas no primeiro
concurso de reconhecimento formal de EEC-PROVERE. Uma das candidaturas aprovadas (num total de 30 candidaturas
apresentadas e de 25 candidaturas aprovadas) tem incidência no território do Ave e Cávado: Minho In.
Este consórcio junta as comunidades intermunicipais do Minho-Lima, do Ave e do Cávado (num total de 24 municípios), as
associações de desenvolvimento local destas sub-regiões e a Entidade Regional de Turismo Porto - Norte de Portugal, além de
vários investidores privados.
O investimento é centrado em 7 tipologias: golfe e turismo residencial; turismo na natureza; solares e aldeias/património edificado
de relevante interesse cultural; enoturismo/gastronomia e vinho verde; produtos da terra; náutica; e novos negócios.
8. DESAFIOS, RISCOS E OPORTUNIDADES NO MÉDIO PRAZO
O Vale do Ave e o Vale do Cávado correspondem a um território jovem, com capacidade
empreendedora e industrial, aberto ao exterior e com um potencial de desenvolvimento alicerçado
na aposta em actividades de base tecnológica (sejam elas emergentes ou focadas na ascensão na
cadeia de valor de actividades tradicionais).
Sintetizam-se no seguinte os factores-críticos de sucesso deste território:
1) A presença de uma população jovem e dinâmica que, através da melhoria dos níveis de
qualificação, poderá contribuir para o desafio da modernização e competitividade do tecido
produtivo;
2) As indústrias tradicionais do têxtil, vestuário ou calçado que se vêem obrigadas a percorrer
um caminho de modernização, assente na inovação e na criação de marcas próprias e
assumindo os seus próprios circuitos de distribuição;
3) O potencial de desenvolvimento da capacidade empreendedora, com a presença de várias
instituições de apoio à incubação empresarial;
4) O potencial científico e de investigação das instituições de ensino superior, dos laboratórios
internacionais ou dos centros tecnológicos existentes ou que, num futuro próximo, iniciarão
actividade.
È evidente a duplicidade do tecido produtivo do Ave e do Cávado: por um lado, mantêm-se as
reminiscências do modelo tradicional do têxtil e vestuário; por outro lado, desenvolvem-se unidades
68
modernas e competitivas não só nestes sectores mas também noutras actividades, como as
metalúrgicas de base e outros produtos metálicos, a fabricação de equipamentos electrónicos e de
óptica ou as ciências da saúde (que associam a investigação científica e a inovação empresarial
na área da produção farmacêutica ao conhecimento, à criação e produção de dispositivos médicos,
têxteis especiais, entre outros).
Este aspecto é muito importante num território mono-especializado de longa tradição industrial,
em que um número significativo de empresas do têxtil e vestuário se encontram em situação de
crise já declarada ou em declínio e outras estão a encetar amplos processos de reestruturação e
modernização.
De acordo com o Relatório “Norte Conjuntura” (1º trimestre de 2009), a fabricação de têxteis tem
acentuado a queda no volume de negócios (-22,6% em termos homólogos no 1º trimestre de
2009), sendo este resultado explicado pela forte contracção da procura interna e externa. Face
a um cenário restritivo do lado da procura, o sector, muito concentrado no Ave e no Cávado,
redimensionou a sua oferta, intensificando-se a quebra na produção industrial e nos índices de
emprego e remunerações.
Por outro lado, a conjuntura na indústria do vestuário é muito semelhante: a contracção na procura
traduziu-se numa forte redução no volume de negócios (-18,9% em termos homólogos no 1º
trimestre de 2009) e no índice de produção (-16,9% neste trimestre). O agravamento da situação
económica da indústria traduziu-se também na redução do emprego e das remunerações.
Todavia, e apesar da crise verificada nos têxteis e vestuário, são várias as empresas do Ave e do
Cávado que têm conseguido marcar a diferença, tornando-se líderes nacionais e, muitas vezes,
internacionais nos seus segmentos de actividade (veja-se os casos da Impetus, da Riopele, dos
Irmãos Vila Nova, dos Têxteis Manuel Gonçalves ou da P&R Têxteis, por exemplo, algumas delas
com marcas próprias de sucesso no mercado internacional).
Assim, um dos desafios destes “vales industriais” é a capacidade de diferenciação e modernização
de empresas pertencentes a sectores de actividade que têm perdido dinamismo na procura nacional
e internacional e que, consequentemente, se destacam pelos preocupantes níveis de destruição de
emprego (que conduziu ao reforço das políticas activas de emprego e formação nestes territórios).
Neste domínio, um factor a relevar, e que constitui uma importante oportunidade de incremento de
valor da estrutura produtiva do Ave e Cávado, é a participação de inúmeras empresas e instituições
de I&D destes territórios em vários pólos de competitividade e tecnologia reconhecidos no âmbito
do primeiro concurso para Estratégias de Eficiência Colectiva (moda, tecnologias de produção,
tecnologias de informação, comunicação e electrónica, moldes e ferramentas especiais).
Outro desafio é a capacidade de plena utilização das oportunidades de investigação e tecnologia
existentes quer no Ave quer no Cávado. São inúmeras nestas sub-regiões as instituições de I&D
que se têm destacado a nível nacional e internacional em áreas tão diversas como os têxteis
técnicos, os polímeros, o software, as tecnologias de informação e comunicação ou as ciências da
saúde.
De referir que a Universidade do Minho tem sido pioneira, através dos seus vários departamentos,
no desenvolvimento de competências em áreas chave da competitividade regional. Além disso,
desenvolveram-se nestas sub-regiões grupos de investigação e centros de I&D integrados nas
mais importantes e destacadas redes internacionais de investigação em áreas com forte potencial
de desenvolvimento (nanotecnologias, biomateriais, polímeros, tecnologias de informação,
biotecnologia e farmacêutica, por exemplo).
São variadas, modernas e inovadoras as infra-estruturas de acolhimento e apoio à actividade
empresarial que têm surgido no Ave e no Cávado. São também variadas as spin offs da Universidade
do Minho que se têm afirmado nas suas áreas de actividades e ganho posicionamento nos mercados
internacionais.
69
O Ave e o Cávado destacam-se pela crescente concentração de empresas de base tecnológica,
de talentos e de competências concentradas em Universidades e instituições de I&D de projecção
nacional, e mesmo internacional, nas suas áreas de especialização, apesar de ser ainda evidente
a sua insuficiente articulação com um tecido produtivo marcado pela relevância de actividades
tradicionais maduras e em declínio. Assim, num quadro de desenvolvimento futuro do Ave e do
Cávado e de evolução irreversível no sentido do reforço e liderança de actividades intensivas em
tecnologias e conhecimento, um dos maiores desafios é a capacidade de multiplicação de start-ups
na estrutura industrial deste território, com amplos efeitos de spillover sobre a economia regional.
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FICHA TÉCNICA
Coordenação Científica
Professor Doutor José Veiga Simão
José Félix Ribeiro
Execução: Dr. José Félix Ribeiro
e Mestre Joana Chorincas
NOTA: As Cartas Regionais de Competitividade que agora se apresentam foram elaboradas
durante os anos 2008 e 2009, tendo a informação estatística sido actualizadas em 2011. A
informação sobre Empresas e Centros de Investigação deverá ser periodicamente actualizada
dada a dinâmica do mundo empresarial e a evolução das actividades de I&D no País.
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AVE/CÁVADO