257 SITUAÇÃO DE SAÚDE DE PROFISSIONAIS DO SEXO EM UM MUNICÍPIO DO NORTE DO PARANÁ SITUAÇÃO DE SAÚDE DE PROFISSIONAIS DO SEXO EM UM MUNICÍPIO DO NORTE DO PARANÁ STATE HEALTH PROFESSIONALS OF SEX IN A CITY OF NORTH PARANA Aline Balandis COSTA * Natália Maria Maciel GUERRA SILVA** Eliana de Fátima CATUSSI PINHEIRO*** Ana Lúcia de GRANDI**** Cristiano Massao TASHIMA***** João Lopes TOLEDO NETO****** Luiz Fabiano ZANATTA******* Simone Cristina CASTANHO S. de MELO******** _____________________________________________ * Enfermeira. Mestranda no Programa de Pós Graduação em Ciências da Saúde da Universidade Estadual de Maringá (UEM) ** Docente. Mestre do Curso de Enfermagem da Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP) - Campus Luiz Meneghel, Bandeirantes/PR. *** Docente. Mestre do Curso de Enfermagem da Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP) - Campus Luiz Meneghel, Bandeirantes/PR. **** Docente. Mestre do Curso de Enfermagem da Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP) - Campus Luiz Meneghel, Bandeirantes/PR. ***** Docente. Doutor do Curso de Enfermagem da Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP) - Campus Luiz Meneghel, Bandeirantes/PR. ****** Docente. Doutor do Curso de Enfermagem da Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP) - Campus Luiz Meneghel, Bandeirantes/PR. ******* Docente. Mestre do Curso de Enfermagem da Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP) - Campus Luiz Meneghel, Bandeirantes/PR. ******** Docente. Mestre do Curso de Enfermagem da Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP) - Campus Luiz Meneghel, Bandeirantes/PR. COSTA, A. B.; GUERRA SILVA, N. M. M.; CATUSSI PINHEIRO, E. F. et al., Situação de saúde de profissionais do sexo em um município do norte do Paraná. Rev. Odontologia (ATO), Bauru, SP., v. 14, n. 4, p. 257-276, abr., 2014. 258 SITUAÇÃO DE SAÚDE DE PROFISSIONAIS DO SEXO EM UM MUNICÍPIO DO NORTE DO PARANÁ RESUMO A história da prostituição perdeu-se no tempo, porque é tão antiga quanto a história da humanidade. A prostituição seja ela ignorada, tolerada, regulamentada ou proibida, sempre existiu. Este trabalho objetivou analisar as variáveis ginecológicas, obstétricas e o perfil sócio demográfico das profissionais do sexo de um município do norte do Paraná. A coleta de dados foi através da realização do exame de citologia oncótica, exame clínico das mamas e preenchimento de um questionário. Foram entrevistadas 8 mulheres, maiores de 18 anos, com faixa etária predominante de 20 à 29 anos, 50% faziam uso de drogas ilícitas, a maioria apresentou a primeira relação sexual com menos de 15 anos, 75% usam preservativos durante os programas, todas apresentaram exame de citologia oncótica negativo para células neoplásicas e também sem alterações em exame clínico das mamas. Este trabalho permitiu compreender que não é só de ações ginecológicas e obstétricas que essa clientela precisa e sim de um olhar holístico e humanizado. As equipes de saúde precisam criar estratégias voltadas para essas mulheres, como agendas com horários flexíveis e educação permanente. ABSTRACT The history of prostitution was lost in time because is as old as the history of mankind. Prostitution is she ignored, tolerated, regulated or prohibited, has always existed. This work aimed to analyze gynecological , obstetric and social demographic of sex workers in a city in northern Paraná profile variables. Data collection was through the examination of cytology, clinical breast exam and completing a questionnaire. 8 women , aged 18 were interviewed , with predominant age group of 20 to 29 years , 50 % used illicit drugs, most had their first sexual intercourse under 15 years, 75 % use condoms during programs, all examination showed negative cytology for neoplastic cells and no changes in clinical breast examination. This work allows us to understand that it is not only gynecologic and obstetric actions that customers need but rather a holistic and humanizing look. Health teams need to create strategies for these women, like calendars with flexible hours and continuing education. UNITERMOS: Prostituição; Saúde da mulher; neoplasia da mama; neoplasias do colo do útero. UNITERMS: Prostitution; Women's health; breast tumor; neoplasms of the cervix. INTRODUÇÃO A história da prostituição perdeu-se no tempo, porque é tão antiga quanto à história da humanidade e, seja ela ignorada, tolerada, regulamentada ou proibida, sempre existiu. No entanto o ato de prostituir-se é visto como uma atividade contrária às regras sociais, desrespeitando os limites impostos pela sociedade conservadora, fazendo com que a COSTA, A. B.; GUERRA SILVA, N. M. M.; CATUSSI PINHEIRO, E. F. et al., Situação de saúde de profissionais do sexo em um município do norte do Paraná. Rev. Odontologia (ATO), Bauru, SP., v. 14, n. 4, p. 257-276, abr, 2014. 259 SITUAÇÃO DE SAÚDE DE PROFISSIONAIS DO SEXO EM UM MUNICÍPIO DO NORTE DO PARANÁ população discriminalize, porém a mesma sociedade que condena é também aquela que mantém tal comportamento (AQUINO; NICOLAU; MOURA et al., 2008). Este preconceito presente na sociedade desde tempos remotos faz com que estas mulheres tenham dificuldades de acesso aos sistemas de educação e saúde (CORREA; MATUMOTO; LONARDONI, 2008), mesmo sendo assegurado legalmente como direito de cidadania a todo povo brasileiro conforme consta no artigo 196 da Constituição Federal Brasileira de 1988. Estima-se que a população de profissionais do sexo no Brasil seja em torno de 1% da população feminina de 15 a 49 anos de idade, ou seja, aproximadamente meio milhão de mulheres (DAMACENA; SZWARCWALD; BARBOSA JÚNIOR, 2011). O trabalho das profissionais do sexo é caracterizado por grande vulnerabilidade (SANTOS et al., 2008), pois são uma população de alto risco para o câncer uterino e, também, para doenças sexualmente transmissíveis, pois apresentam elevados fatores de risco como o número de parceiros sexuais, início precoce da atividade sexual, prática do sexo sem segurança e situações associadas como consumo de drogas lícitas e ilícitas (PASSOS; FIGUEIREDO, 2004 e BRASIL¹, 2006). Dentre alguns desafios para se alcançar integralidade na assistência à saúde da mulher na atenção básica, estão as ações de controle dos cânceres do colo do útero e da mama. O câncer de mama é a principal causa de morte feminina seguido do câncer do colo do útero. Em 2009 o câncer de mama em mulheres foi responsável por 11.813 óbitos no Brasil e o câncer do colo do útero aproximadamente 4.000 (BRASIL2, 2011 e BRASIL3, 2012). O Instituto Nacional do Câncer (INCA) estima que em 2012 tenha 17.540 novos casos de câncer de colo do útero e 52.680 novos casos de câncer de mama (BRASIL4, 2011). O Estado do Paraná apresentou um total de 4.006 óbitos por câncer de colo de útero de 1980 a 2000 (MÜLLER et al., 2011). Portanto, por ser a população de profissionais do sexo exposta a problemas de saúde peculiares à profissão e carente de atividades educativas, preventivas e terapêuticas relacionadas à saúde da mulher, este estudo objetivou analisar a situação ginecológica e obstétrica, bem como o perfil sócio demográfico das profissionais do sexo. REVISTA DA LITERATURA A PROSTITUIÇÃO NA HISTÓRIA A história da prostituição é muito antiga, porém vem sofrendo mudanças ao longo dos tempos, promovendo diferentes características sendo elas de caráter sagrado, político ou econômico e, também, houve modificações na legislação ao ponto de se questionar a atividade enquanto profissão (NUNES, 2008). No período pré-histórico existem relatos de que as mulheres tinham grande contribuição na economia devido à coleta de alimentos, porém o maior papel delas na comunidade era simbologicamente a COSTA, A. B.; GUERRA SILVA, N. M. M.; CATUSSI PINHEIRO, E. F. et al., Situação de saúde de profissionais do sexo em um município do norte do Paraná. Rev. Odontologia (ATO), Bauru, SP., v. 14, n. 4, p. 257-276, abr, 2014. 260 SITUAÇÃO DE SAÚDE DE PROFISSIONAIS DO SEXO EM UM MUNICÍPIO DO NORTE DO PARANÁ encarnação terrena de deusas, cujos rituais eram de extrema importância para a comunidade (NUNES, 2008). Diante disso os aspectos ligados à sexualidade eram naturais, sem inibição ou opressão e, nesse mesmo período estas mulheres lideravam rituais de sexo em grupo, no qual toda a comunidade participava, tendo-se neste momento a incorporação da prostituta sagrada (DINIZ, 2009). Na Grécia, havia um extenso cenário de prostituição sendo prostitutas do templo, as cortesãs de classe alta, as dançarinas, escravas de bordel, concubinas (amante) e, as hieroduli, sendo estas consideradas a encarnação de Afrodite, a deusa do amor (SILVA, 2008). As mulheres casadas tinham como função cuidar do lar e da reprodução. Para os homens a única fonte de prazer eram as prostitutas, podendo ser detentoras de conhecimento intelectual e, era vedado a elas o direito de usar o véu, já que este era caracterizado como submissão ao marido (DINIZ, 2009). Uma das civilizações mais importantes quando se refere à história da prostituição é a romana, pois a sexualidade e a prostituição eram vivenciadas abertamente e evidenciado o culto ao prazer, sendo que o Estado lucrava com a exploração do sexo (MARTINS, 2009). Neste período as prostitutas encontravam-se na base da pirâmide, pois eram consideradas pobres e escravas e, em contrapartida existia uma lenda de uma imperatriz romana chamada Messalina esposa do então imperador Claudio que saia às ruas para se prostituir. Havia relatos que ela competia com as outras prostitutas para ver quem conseguia satisfazer o maior número de homens por noite, sendo que a nobre mulher sempre vencia (MARTINS, 2009 apud ROBERTS, 1996). Com a desintegração do império romano e o surgimento do cristianismo é que a prostituição começa a ocupar uma condição imoral e começa a fortalecer o estigma da prostituta como sendo a detentora de pecado e, aquela que levará a humanidade a destruição. No século XVI, Lutero encarava as prostitutas como emissárias do diabo, enviadas para destruir a fé, considerando que a atividade deveria ser totalmente proibida (MARTINS, 2009). Durante o século XIX, o tema da prostituição é recuperado, para tentar entender os aspectos que levariam as mulheres a optarem por esta vida, sendo neste período que na Inglaterra, houve o primeiro movimento organizado por mulheres feministas e sindicalistas da classe média denunciando a violência e os maus-tratos sofridos pelas prostitutas (FIGUEIREDO; PEIXOTO, 2010). No início do século XX a prostituição ganha destaque, pois é neste período que as doenças sexualmente transmissíveis (DST) ganham força e, sendo assim, para manter a ordem e a saúde pública era necessário punir quem exercia tal atividade (MARTINS, 2009). No período da segunda guerra mundial as prostitutas foram consideradas delinquentes, tendo havido muita repressão por parte da polícia e, estas mulheres eram presas e sujeitas a exames para detectar DST‟s (MARTINS, 2009 apud ROBERTS, 1996). Na década de 50 e 60 tem-se a intensificação do movimento feminista contra a repressão das mulheres e, neste contexto começam COSTA, A. B.; GUERRA SILVA, N. M. M.; CATUSSI PINHEIRO, E. F. et al., Situação de saúde de profissionais do sexo em um município do norte do Paraná. Rev. Odontologia (ATO), Bauru, SP., v. 14, n. 4, p. 257-276, abr, 2014. 261 SITUAÇÃO DE SAÚDE DE PROFISSIONAIS DO SEXO EM UM MUNICÍPIO DO NORTE DO PARANÁ alguns movimentos em defesa dos direitos das prostitutas, que permanecem até os dias de hoje (RODRIGUES, 2009). Em 1973, nos Estados Unidos, uma profissional do sexo, fundou a primeira organização de prostitutas do mundo, sendo que o objetivo era a luta contra a discriminação e, o reconhecimento da cidadania das meretrizes (MOURA et al., 2009). No Brasil, a primeira associação de prostitutas foi a de Vila Mimosa, em 1988, no Rio de Janeiro (MOURA; LIMA; FARIAS et al., 2009 e RODRIGUES, 2009). Na década de 1990 foram criadas várias associações com objetivo principal de educação e apoio às prostitutas (FIGUEIREDO; PEIXOTO, 2010). Atualmente, o mundo vive um crescimento exponencial do mercado sexual, pois muitas mulheres na ilusão de conseguir uma vida melhor acabam se prostituindo. Este ato gera um volume de dinheiro grande, porém o preço que se paga para se manter em tal mundo, sendo inegavelmente muito mais alto. TRAJETÓRIA LEGISLATIVA DA PROSTITUIÇÃO RUMO A LEGALIZAÇÃO? Na sociedade atual a sexualidade feminina está vinculada aos fins reprodutivos e associada ao modelo tradicional de estrutura familiar. Cada comunidade tem suas regras, sendo que indivíduos que não seguem os padrões estabelecidos são na maioria das vezes, julgados, desrespeitados e, muitas vezes, ignorados diante de seus direitos (AQUINO et al., 2008). Há no mundo três sistemas legais sobre prostituição. O Abolicionismo, o Regulamentarismo e o Proibicionismo (BRASIL5, 1996). Para a legislação abolicionista pune-se o dono ou gerente de casa de prostituição e, não a prostituta. Já no Regulamentarismo, a profissão é reconhecida e regulamentada, tendo até mesmo a seguridade social, inclusive aposentadoria. Uruguai, Equador, Bolívia, Alemanha e Holanda são exemplos de paises que adotam essa postura. O Proibicionismo é adotado por pouquíssimos países, porém é o sistema vigente nos Estados Unidos, nele tanto a prostituta quanto o dono de casa de prostituição e, até o cliente são puníveis pela lei. No Brasil, existe um confronto norteado pelo sistema abolicionista versus regulamentarista, por muito tempo o abolicionista esteve na frente, porém nos últimos anos do século XXI os regulamentaristas começaram a ganhar força. Em São Paulo no final do século XIX houve um crescimento absurdo de casas de prostituição e de prostitutas nas ruas e no centro da cidade. Em 1890 é inserido no código penal um artigo que proíbe o lenocínio, ou seja, pune qualquer pessoa que favoreça e ganhe lucros com a prostituição, a ideia de punir o lenocínio e, não a prostituição foi a maneira que o Brasil encontrou de resolver o paradoxo de a prostituição ser um mal necessário. “Embora a prostituição fosse contrária aos parâmetros de moral sexual, considerados corretos, a manutenção e reprodução desta mesma moral requeria a preservação da atividade” (RODRIGUES, 2007 apud CASTRO, 1993). COSTA, A. B.; GUERRA SILVA, N. M. M.; CATUSSI PINHEIRO, E. F. et al., Situação de saúde de profissionais do sexo em um município do norte do Paraná. Rev. Odontologia (ATO), Bauru, SP., v. 14, n. 4, p. 257-276, abr, 2014. 262 SITUAÇÃO DE SAÚDE DE PROFISSIONAIS DO SEXO EM UM MUNICÍPIO DO NORTE DO PARANÁ Em 1892 foi aprovado o decreto nº 1034, no qual a polícia tinha total liberdade para exercer a repressão sobre as prostitutas em todas as ocasiões em que elas ofendessem publicamente a moral e os bons costumes. Ainda nas primeiras décadas do século XX, as autoridades começam a se preocupar em realizar ações educativas com a população, devido a grande disseminação da sífilis. É neste momento que até mesmo os anti-regulamentaristas, afirmam a existência das prostitutas e formulam propostas voltadas a educação moral e sanitária a população com o intuito provocar neles, um verdadeiro medo pelo perigo venéreo (RODRIGUES, 2007 apud RAGO, 1991). Em 1940 tem–se a reformulação do Código penal, com isso persiste o entendimento de que a prostituição em si não constitui crime, a legislação penal criminaliza somente atividades relacionadas à prostituição. Este código ainda está em vigor, nele salienta no Capítulo V, do lenocínio e do tráfico de pessoas, do artigo 227 à 231relacionados diretamente a prostituição: Mediação para servir a lascívia de outrem; Favorecimento a prostituição; Casa de prostituição; rufianismo e tráfico internacional de pessoas (BRASIL6, 2009). No Capítulo VI no atual código penal, principalmente o artigo 233 que diz: “Praticar ato obsceno em lugar público, ou aberto ou exposto ao público” (BRASIL6, 2009) não refere a nenhum tipo específico de agente, porém policiais na maioria das vezes utiliza-o para justificar a detenção de prostitutas que atuam na rua. A discriminação e a violência contra elas é o que impulsionou as primeiras organizações informais em favor do reconhecimento público da profissão bem como a cidadania das profissionais do sexo, sendo recentemente, criado a Rede brasileira de prostitutas (RODRIGUES, 2009). No final da década de 80 a "profissão mais antiga do mundo" se revela através de um movimento que mostra o seu cotidiano, ocorrido na Vila Mimosa no Rio de Janeiro. As prostitutas procuram conquistar um lugar de reconhecimento social, no qual as pessoas possam enxergar a profissional do sexo como um grupo de mulheres que estão lutando por algum ideal (FIGUEIREDO; PEIXOTO, 2010). Após o movimento ocorrido na Vila Mimosa, impulsionou novos movimentos sendo que em 1990 foram criadas várias associações com objetivo principal de educação, como: a APROCE – Associação das Prostitutas do Ceará, o Grupo de Mulheres Prostitutas da Área Central de Belém (1990), a Associação Sergipana de Prostitutas (1990), o Da Vida Prostituição, Direitos Civis e Saúde (1992), entre outras (FIGUEIREDO; PEIXOTO, 2010). A perspectiva das organizações é colocar a discussão da prostituição no campo da cidadania, enfatizando-se em especial, a questão da atividade referir-se a direitos sexuais e trabalhistas, e não a uma questão criminal/penal (RODRIGUES, 2009). Em 2002, as profissionais do sexo foram reconhecidas como trabalhadoras, pelo Ministério do Trabalho, recebendo a denominação designada pela Constituição Brasileira de Operações (CBO) de prestador de serviço (RODRIGUES, 2009). A inclusão da atividade na legislação do Ministério do Trabalho representa um grande avanço no modo como as políticas públicas brasileiras têm tratado o tema da prostituição, com isso COSTA, A. B.; GUERRA SILVA, N. M. M.; CATUSSI PINHEIRO, E. F. et al., Situação de saúde de profissionais do sexo em um município do norte do Paraná. Rev. Odontologia (ATO), Bauru, SP., v. 14, n. 4, p. 257-276, abr, 2014. 263 SITUAÇÃO DE SAÚDE DE PROFISSIONAIS DO SEXO EM UM MUNICÍPIO DO NORTE DO PARANÁ inovou a forma de enfrentar a questão da prostituição no país (VILELA, 2011). Com a entrada do novo milênio, autoridades regulamentaristas resolveram se manifestar em favor das prostitutas e cogitaram a ideia de que a mulher que se dedica ao sexo deve ter sua atividade reconhecida como profissão, e como tal, ter o respectivo registro na Carteira Profissional, com direito a aposentadoria, assistência médico-hospitalar entre outros benefícios. Este pensamento foi o que motivou dois deputados Fernando Gabeira e Eduardo Valverde quando propuseram em 2003 e 2004 os Projetos de Lei n° 98 e 4.244 respectivamente. O primeiro é baseado em uma iniciativa alemã, que no final de 2001 tornou obrigatório por lei o pagamento pela prestação de serviços de natureza sexual. O projeto de lei 98/2003: “Dispõe sobre a exigibilidade de pagamento por serviço de natureza sexual e suprime os arts. 228, 229 e 231 do Código Penal” (BRASIL7, 2007). O segundo projeto baseia-se na legalização da prostituição na Holanda. Vale a pena ressaltar que os dois projetos não defendem o Rufião, fazendo-se valer um dos artigos do código penal brasileiro. Percebe-se, portanto, que as profissionais do sexo enfrentam problemas não só relacionados à discriminação que sofrem, mas também outros referentes ao reconhecimento do trabalho como uma profissão digna e legítima, bem como a dificuldade de engajamento entre elas para formar um movimento ou sindicato de classe forte que mobilizasse toda a sociedade (VILELA, 2011). POLÍTICAS PÚBLICAS PARA A SAÚDE DA MULHER Atualmente muito se fala sobre a saúde da mulher, porém olhando para a história nem sempre houve esta perspectiva. Os movimentos feministas retratam batalhas antigas, precedentes ao surgimento do SUS e, que reivindicam reformas das instituições de saúde. Como marco histórico, a proposta do Programa de Atenção Integral à Saúde da Mulher (PAISM), criado na década de 80, demonstrou a necessidade de mudanças na abordagem a elas por parte dos serviços (MAIA; GUILHEM; LUCCHESE, 2010). A criação deste programa em 1984 surgiu com a limitação do cuidado para a saúde da mulher. As ações deste programa visam uma atenção integral clínico – ginecológica e educativa, com aperfeiçoamento do pré-natal, parto e puerpério, controle de DST‟s, câncer de mama e câncer do colo do útero bem como assistência para concepção, contracepção e mulheres vítimas de violência (AQUINO, 2007). Em 1985, com a disseminação do HIV foi criado o programa de DST/AIDS, que priorizava estratégias voltadas à área de saúde sexual e reprodutiva inicialmente para os homossexuais e logo em seguida para as profissionais do sexo. A principal estratégia deste programa é a realização de atividades educativas que priorizem mudanças no comportamento sexual, percepção do risco, além da oferta de informações que garanta a adoção de medidas preventivas, com ênfase no uso de preservativo (AQUINO, 2010). Em 2001 sob a responsabilidade do programa de DST/AIDS foi criado a política de preservativos masculinos e femininos do Ministério da COSTA, A. B.; GUERRA SILVA, N. M. M.; CATUSSI PINHEIRO, E. F. et al., Situação de saúde de profissionais do sexo em um município do norte do Paraná. Rev. Odontologia (ATO), Bauru, SP., v. 14, n. 4, p. 257-276, abr, 2014. 264 SITUAÇÃO DE SAÚDE DE PROFISSIONAIS DO SEXO EM UM MUNICÍPIO DO NORTE DO PARANÁ Saúde. Em 2003 foram distribuídos 256,7 milhões de preservativos masculinos e 2,5 milhões de preservativos femininos (BRASIL8, 2005). Em 2003 houve a elaboração da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da mulher (PNAISM) (AQUINO, 2007). Esta política incorporou os princípios e filosofias do PAISM incluindo os direitos humanos das mulheres. Desta forma contemplou grupos sociais historicamente excluídos: as mulheres negras, indígenas, de diferentes orientações sexuais, residentes em áreas urbanas e rurais ou de difícil acesso, em situação de risco, presidiárias, com deficiência, ou seja, as mulheres dos estratos mais vulneráveis econômica e socialmente. Dentre alguns desafios para se alcançar integralidade na assistência à saúde da mulher na atenção básica, estão as ações de controle dos cânceres do colo do útero e da mama. O câncer está entre as principais causas de morte na população feminina e, a mudança de hábitos, aliada ao estresse gerado pelo estilo de vida do mundo moderno, contribuem diretamente na incidência dessa doença (ALBUQUERQUE; FRIAS; ANDRADE et al., 2009). No Brasil, o controle do câncer tem seu ponto de partida em iniciativas pioneiras de profissionais que trouxeram para o país a citologia e a colposcopia, a partir dos anos 1940 (BRASIL9, 2011). MATERIAL E MÉTODOS Estudo descritivo exploratório, realizado no período de agosto à dezembro de 2011. A população pesquisada foi composta por mulheres profissionais do sexo, maiores de 18 anos que desenvolvem suas atividades em casas localizadas na zona de prostituição de um município do norte do Paraná. O local conhecido como zona do baixo meretrício (ZBM) conta com quatro casas. A proprietária de uma delas não consentiu a participação das mulheres na pesquisa inclusive não foi revelado o número de profissionais desta casa. Nas outras três casas havia um total de 13 mulheres. No decorrer da pesquisa uma delas foi interditada pela Polícia Militar do Munícipio, onde 4 profissionais do sexo deixaram a ZBM. Uma mulher se recusou a participar da pesquisa, com isso fizeram parte deste estudo 08 profissionais do sexo e, duas eram as responsáveis pela casa. A coleta de dados foi realizada em duas etapas. Utilizou-se em ambas as etapas salas distintas improvisadas no estabelecimento de trabalho (casas) de atuação das entrevistadas. Após assinado o termo de consentimento livre e esclarecido, foi aplicado um questionário, semiestruturado, com perguntas sobre condições sócio-demográficas, história obstétrica, ginecológica e dados profissionais. Num segundo momento, foi coletado o exame colpocitológico e realizado o exame clínico das mamas. A Secretaria Municipal de Saúde do município da pesquisa disponibilizou os materiais para coleta da citologia oncótica, encaminhou os exames para análise e forneceu o tratamento quando necessário. As informações colhidas foram digitadas em um banco de dados do sistema Excel e a apresentação foi através de tabelas. A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Estadual do Norte do Paraná, sob número 062/2011. COSTA, A. B.; GUERRA SILVA, N. M. M.; CATUSSI PINHEIRO, E. F. et al., Situação de saúde de profissionais do sexo em um município do norte do Paraná. Rev. Odontologia (ATO), Bauru, SP., v. 14, n. 4, p. 257-276, abr, 2014. 265 SITUAÇÃO DE SAÚDE DE PROFISSIONAIS DO SEXO EM UM MUNICÍPIO DO NORTE DO PARANÁ RESULTADOS A idade das entrevistadas variou de 23 à 70 anos, com predominância da faixa etária mais jovem. Com relação à escolaridade, 62,5% apresentaram fundamental incompleto (Tabela 1). Tabela 1 – Distribuição das profissionais do sexo segundo variáveis socioeconômicas e demográficas em um município do norte do Paraná, 2012. Fonte: Universidade Estadual do Norte do Paraná Variáveis N % 20 à 29 anos 4 50,0% 30 à 39 anos 2 25,0% 40 à 49 anos 1 12,5% > 50 anos 1 12,5% Fundamental incompleto 5 62,5% Fundamental completo 3 37,5% Com companheiro 3 37,5% Sem Companheiro 5 62,5% < de 1 salário 1 12,5% de 1 à 3 salários 5 62,5% > de 4 salários 2 25,0% Total 8 100% Idade Escolaridade Estado Civil Renda A tabela 2 contém o uso de drogas lícitas e ilíctas pelas PS. Tabela 2 – Distribuição das profissionais do sexo segundo o uso de tabaco, álcool e outras drogas, em um município do norte do Paraná, 2012. Fonte: Universidade Estadual do Norte do Paraná Drogas Lícitas e Ilícitas Sim Não N % N % Tabaco 6 75,0% 2 25,0% Álcool 6 75,0% 2 25,0% Drogas ilícitas (Maconha, Crack e Cocaína) 4 50,0% 4 50,0% * A porcentagem ultrapassa 100% pois se deve levar em conta que as participantes faz uso de mais de uma substância. COSTA, A. B.; GUERRA SILVA, N. M. M.; CATUSSI PINHEIRO, E. F. et al., Situação de saúde de profissionais do sexo em um município do norte do Paraná. Rev. Odontologia (ATO), Bauru, SP., v. 14, n. 4, p. 257-276, abr, 2014. 266 SITUAÇÃO DE SAÚDE DE PROFISSIONAIS DO SEXO EM UM MUNICÍPIO DO NORTE DO PARANÁ A tabela 3 mostra os dados obstétricos e ginecológicos das entrevistadas. Tabela 3 – Distribuição da situação obstétrica e ginecológica das profissionais do sexo, em um município do norte do Paraná, 2012. Fonte: Universidade Estadual do Norte do Paraná Dados sobre história obstétrica e ginecológica N % de 10 à 12 anos 1 12,5% de 13 à 15 anos 6 75,0% > de 15 anos 1 12,5% Nenhum 5 62,5% de 1 à 2 abortos 2 25,0% > de 3 abortos 1 12,5% Sim 6 75,0% Não 2 25,0% Sim* 2 25,0% Não 6 75,0% Total *Cancro; Sífilis. 8 Primeira Relação Sexual Número de Abortos Uso do Preservativo DST Prévia 100% Verifica-se na tabela 4 a trajetória profissional das profissionais do sexo. Tabela 4 – Distribuição das profissionais do sexo segundo trajetória profissional, Bandeirantes – PR, 2012. Fonte: Universidade Estadual do Norte do Paraná Dados sobre história profissional N % Idade que iniciou na profissão de 10 à 12 anos 1 12,5% de 13 à 17 anos 2 25,0% > de 18 anos 5 62,5% Sim 4 50,0% Não 4 50,0% Total 8 100% Sofreu Violência durante o trabalho COSTA, A. B.; GUERRA SILVA, N. M. M.; CATUSSI PINHEIRO, E. F. et al., Situação de saúde de profissionais do sexo em um município do norte do Paraná. Rev. Odontologia (ATO), Bauru, SP., v. 14, n. 4, p. 257-276, abr, 2014. 267 SITUAÇÃO DE SAÚDE DE PROFISSIONAIS DO SEXO EM UM MUNICÍPIO DO NORTE DO PARANÁ A tabela abaixo mostra o resultado dos exames ginecológico e clínico das mamas. Tabela 5 – Distribuição das profissionais do sexo segundo resultado do exame ginecológico e exame clínico das mamas, Bandeirantes – PR, 2012. Fonte: Universidade Estadual do Norte do Paraná Dados sobre exame ginecológico e exame clínico das mamas N % Sim 6 75,0% Não 2 25,0% No ultimo ano 1 16,7% de 3 à 4 anos 2 33,3% > de 5 anos 2 33,3% Não lembra 1 16,7% 8 100% Tricomonas vaginalis 1 12,5% Gardnerella vaginalis 2 25,0% Indeterminado 1 12,5% Cocos; bacilos; cocos e bacilos 4 50,0% 8 100% Realização do exame ginecológico prévio Período de realização de exame ginecológico* Resultado do exame citológico Negativo para células neoplásicas Microbiologia Exame Clínico das mamas Sem alterações *Obs. Apenas 6 mulheres realizaram exame ginecológico prévio. DISCUSSÃO Estudo realizado em Fortaleza verificou um predomínio de mulheres entre 21 a 30 anos trabalhando na prostituição. Segundo o mesmo autor isto se deve ao fato de que a sensualidade é quesito fundamental para tal prática, levando em conta que a juventude está diretamente ligada ao interesse pelo sexo oposto. As prostitutas consideram a idade um fator importante na negociação do programa. Mulheres mais velhas são caracterizadas como mais experientes, porém mulheres jovens podem ser mais requisitadas pelos clientes (GUIMARÃES; MERCHÁNHAMANN, 2005 e AQUINO; NICOLAU; MOURA et al., 2008). Quanto a idade das PS do presente estudo encontrou-se uma média de 31,8 anos. Idade superior a outras pesquisas como a realizada em Ribeirão Preto em que a idade média das PS foi de 25 anos e de outras localidades como na Holanda (27 anos), no porto de Santos, Brasil (27,2) e na Espanha (29,8 anos) (PASSOS; FIGUEIREDO, 2004). Baixa escolaridade observada nesta pesquisa, na qual 62,5% das mulheres possuíam ensino fundamental incompleto, taxa superior a encontrada em Umuarama – PR (50,6%), onde se verificou associação entre baixa escolaridade e DST, com maior ocorrência deste agravo entre COSTA, A. B.; GUERRA SILVA, N. M. M.; CATUSSI PINHEIRO, E. F. et al., Situação de saúde de profissionais do sexo em um município do norte do Paraná. Rev. Odontologia (ATO), Bauru, SP., v. 14, n. 4, p. 257-276, abr, 2014. 268 SITUAÇÃO DE SAÚDE DE PROFISSIONAIS DO SEXO EM UM MUNICÍPIO DO NORTE DO PARANÁ mulheres com menor nível educacional (CORREA; MATUMOTO; LONARDONI, 2008). Outra variável analisada foi a situação conjugal e, na presente pesquisa 62,5% das entrevistadas não possuíam companheiro. Em outros estudos a taxa encontrada foi ainda maior. Em Botucatu 71,6% das PS não tinha companheiro fixo e, na pesquisa realizada no Ceará 96,7% (MOURA; LIMA; FARIAS et al., 2009 e POGETTO; SILVA; PARADA, 2011). No estudo encontrou-se também grande parte delas fazendo uso do tabaco (75%). Na pesquisa em Umuarama – PR 67% delas eram usuárias de algum tipo de droga lícita ou ilícita, das quais 64% consumiam apenas o tabaco e 36% faziam uso do tabaco em associação com outras drogas (CORREA; MATUMOTO; LONARDONI, 2008). O consumo de bebida alcoólica é ainda mais evidente nesta população, no qual 94,7% usavam o álcool (CORREA; MATUMOTO; LONARDONI, 2008) e, no presente estudo esta porcentagem é mais elevada (75%). São inúmeros os fatores que levam as PS a usarem o álcool, destacando-se a necessidade de estimular o consumo pelos clientes, pois assim elas obtem um maior lucro, já que a maioria das casas de prostituição estabelecem cotas de venda de bebida, bem como participação no lucro. Outra razão evidente é que o álcool por ser uma droga com efeito desinibitório, facilita algumas dificuldades próprias da profissão, buscando uma certa audácia para exercer o trabalho (PASSOS; FIGUEIREDO, 2004 e CORREA; MATUMOTO; LONARDONI, 2008). No atual estudo, 50% usam algum tipo de droga ilícita, sendo que duas usam cocaína, uma o crack e uma utiliza maconha, cocaína e crack caracterizando assim o policonsumo. Este dado foi semelhante ao estudo realizado em Ribeirão Preto, 50,6% usam drogas ilícitas (PASSOS; FIGUEIREDO, 2004). O binômio drogas e prostituição estão estreitamente ligados, na medida em que o primeiro termo possibilita a entrega do corpo sem ter um aprofundamento reflexivo do que está entregando ao pagador, no entanto para desfrutar da droga como um anestésico é necessário ter condições financeiras, no qual o ato de prostituir-se oferece, tornando-se assim um ciclo que se retroalimenta (NUNES; ANDRADE, 2009). Muitas mulheres se prostituem apenas para conseguir como pagamento a droga, principalmente o crack. Esta condição torna as PS mais vulneráveis a adquirir alguma DST, já que muitas vezes são obrigadas a reduzir o preço e aumentar o número de programas além de sujeitarem a práticas de alto risco exigidas pelos parceiros, como o não uso do preservativo (PASSOS; FIGUEIREDO, 2004). Em relação ao início da vida sexual observa-se no presente estudo que a primeira relação foi em média com 12,7 anos. Idade inferior ao encontrado na pesquisa realizada em Porto Alegre e Ribeirão Preto, onde os autores verificaram uma média de 14,8 e 15 anos de idade respectivamente (BERGAMIM; BORGES, 2009 e POGETTO; SILVA; PARADA, 2011). Porém no estudo realizado em São Paulo, 60,8% das PS analisadas iniciou a vida sexual com mais de 15 anos (CAMEJO; MATA; DIAZ, 2003). Quanto ao abortamento, este representa um grave problema de saúde pública e, na atual pesquisa 3 - 37,5% das PS já tiveram aborto, COSTA, A. B.; GUERRA SILVA, N. M. M.; CATUSSI PINHEIRO, E. F. et al., Situação de saúde de profissionais do sexo em um município do norte do Paraná. Rev. Odontologia (ATO), Bauru, SP., v. 14, n. 4, p. 257-276, abr, 2014. 269 SITUAÇÃO DE SAÚDE DE PROFISSIONAIS DO SEXO EM UM MUNICÍPIO DO NORTE DO PARANÁ porém 2 – 25% declararam ter induzido o mesmo. Autores revelaram uma porcentagem ainda mais elevada de PS que já induziram o aborto pelo menos uma vez na vida (50,3%), eles também relacionaram que quanto maior a idade da mulher e o número de gestação, maior a probabilidade da realização do aborto (MADEIRO; RUFINO, 2011). As PS são consideradas um grupo com comportamento de risco, sendo mais vulnerável a ocorrência de doença sexualmente transmissível (DST), pois alguns fatores inerentes a profissão estão relacionados como elevado número de parceiros, sexo não seguro e algumas práticas relacionadas como consumo de drogas lícitas e ilícitas, baixo nível educacional e socioeconômico (POGETTO; SILVA; PARADA, 2011). Na atual pesquisa 75,0% das entrevistadas declararam fazer uso de preservativo durante o programa. Foi identificado que 61,3% das PS usavam preservativos, número muito próximo da porcetagem da população feminina em geral (63%), isso deixa evidente que estas mulheres mesmo inseridas em um grupo com maior vulnerabilidade para adquirir DST, não adotam medidas de prevenção mais consistentes que mulheres da população em geral (CORREA; MATUMOTO; LONARDONI, 2008). Em contrapartida, as PS entrevistadas em um estudo declararam usar preservativos em todas as relações sexuais mesmo relatando que o número de preservativo distribuido pelo sistema público de saúde é insuficiente (SANTOS; FANGANIELLO; PAPARELLI et al., 2008). A história pregressa de DST foi descrita por 25% das PS desta pesquisa. No entanto estudo realizado em Fortaleza, 16% das PS declararam DST prévia, como gonorréia, Papilomavírus humano (HPV) e sífilis (SILVA, ARAUJO E PESSOA, et al., 2008). Quando questionado a idade de início na prostituição a maioria (62,5%) relatou que iniciou com mais de 18 anos. Estudo realizado em 2007, 50% das entrevistadas iniciou após a maioridade (FONAI; DELITTY, 2007). Na atual pesquisa, uma das entrevistadas relatou início na prostituição com 10 anos. Acredita-se que não tenha sido uma escolha própria e sim um aliciamento de menor, caracterizando exploração sexual infantil. Quanto ao tempo de profissão, 50% tinham até 10 anos de trabalho como PS. No estudo em Fortaleza-CE foi encontrada taxa ainda maior (69,1%), indicando que essa profissão não representa apenas um momento na vida destas mulheres (AQUINO; NICOLAU; MOURA et al., 2008). Em relação à ocupação anterior a de PS, este estudo encontrou que 75% das mulheres possuíam atividade prévia à prostituição. Em uma pesquisa realizada em 2007, são vários os motivos relatados que levam a mulher ao ato de prostituir-se como privação financeira e social, imitação do comportamento de uma pessoa próxima e privação afetiva (FONAI; DELITTY, 2007). O estudo atual aponta que 50,0% das entrevistadas alegaram que entraram para a prostituição devido as necessidades financeiras, porcentagem inferior de 61,1% (DELL'AGNOLO et al., 2012). Em uma pesquisa todas as participantes relataram que a prostituição é uma profissão que fornece dinheiro rápido, solucionando de maneira eficaz muitos problemas financeiros como doença COSTA, A. B.; GUERRA SILVA, N. M. M.; CATUSSI PINHEIRO, E. F. et al., Situação de saúde de profissionais do sexo em um município do norte do Paraná. Rev. Odontologia (ATO), Bauru, SP., v. 14, n. 4, p. 257-276, abr, 2014. 270 SITUAÇÃO DE SAÚDE DE PROFISSIONAIS DO SEXO EM UM MUNICÍPIO DO NORTE DO PARANÁ de algum familiar, desemprego e necessidades básicas dos filhos (FONAI; DELITTY, 2007). Uma das participantes do estudo acima desabafou: “quando descobri que minha mãe tinha câncer, e aquele tratamento era caro, eu falei „ah, eu não vou roubar, né, vou ter que fazer alguma coisa para ajudar minha mãe‟” (FONAI; DELITTY, 2007). Este fato foi semelhante com o que uma das participantes da atual pesquisa declarou: “Meu filho, doente, pediu um copo de leite, e eu não tinha para dar, fiquei desesperada”. Em uma pesquisa com PS que atendem as classes média e alta de Goiânia relatam que através do dinheiro ganho com a prostituição é possível obter respeito, amigos, família e uma vida digna, pois pertecendo a classe média alta, com o qual elas sonham, será possível serem aceitas e bem tratadas pela sociedade (LOPES; RABELLO; PIMENTA, 2007). No entanto, estes mesmos autores relatam que há uma ambiguidade em relação ao dinheiro ganho com a prostituição, pois o dinheiro não é fácil de ganhar, mas é um dinheiro rápido, que as entrevistadas relatam que gastam rápido também. A solidão também foi um dos motivos alegado pelas PS, no atual estudo, duas das entrevistadas, ou seja, 25% relataram que buscaram a prostituição, pois se sentiam sozinhas e abandonadas. Em um estudo relataram que ausência de afeto e de contato social podem levar as pessoas a prostituir-se, pois muitas vezes as PS esperam que os clientes se envolvam amorosamente ou pelo menos o fato de escolher, dentre as outras, para o programa já é indicativo de afeto para elas (FONAI; DELITTY, 2007). Outro fator que diminui a solidão é o fato de que as PS se consideram amigas e, mantem uma relação de confiança e não punitiva entre elas (FONAI; DELITTY, 2007). No entanto outro estudo vai contra este pensamento, pois as entrevistadas deste estudo relatam que esta profissão é caracterizada por solidão, pois não existem amigos dentro deste campo de trabalho, e ainda relatam que apesar de terem contato com tantas pessoas elas ainda se sentem sozinhas (LOPES; RABELLO; PIMENTA, 2007). Uma das entrevistadas do atual estudo relatou que foi a mãe que a obrigou a iniciar a vida na prostituição, pois contou que tanto a mãe quanto as irmãs já trabalhavam com isso. A imitação é um fator muito relevante no ato de prostituir-se, pois muitas PS começam a trabalhar a partir do contato com uma amiga que já trabalhava como prostituta (FONAI; DELITTY, 2007). Em relação ao tema prostituição e violência, é possível constatar que a agressão, seja ela de qual forma for, está extremamente inserida na vida das PS (MOREIRA; SILVA; MACEDO et al., 2009). Pesquisa realizada pela Organização Mundial da saúde (OMS) encontrou que 37,9% das mulheres da cidade de São Paulo foram vítimas de violência física pelo menos uma vez na vida (VIEIRA; PERDONA; ALMEIDA et al., 2009). No atual estudo foi possível constatar que 50% das entrevistadas sofreram alguma violência durante o exercício do trabalho, sendo duas violências verbal, uma física e uma física e sexual. O motivo mais relatado pelas prostitutas foi porque elas não queriam realizar o programa. O preconceito e as idéias errôneas sobre a prostituição faz com que estas mulheres sejam desprotegidas. Em um estudo realizado em Belo COSTA, A. B.; GUERRA SILVA, N. M. M.; CATUSSI PINHEIRO, E. F. et al., Situação de saúde de profissionais do sexo em um município do norte do Paraná. Rev. Odontologia (ATO), Bauru, SP., v. 14, n. 4, p. 257-276, abr, 2014. 271 SITUAÇÃO DE SAÚDE DE PROFISSIONAIS DO SEXO EM UM MUNICÍPIO DO NORTE DO PARANÁ Horizonte fica evidente o descaso das autoridades em relação a segurança das PS, pois uma das entrevistadas relatou ter sido vítima de violência sexual por parte de um cliente e quando esta foi prestar queixa o polícial disse: “é isso mesmo que vocês estão caçando, entrando no carro de qualquer um” (BARRETO; PRADO, 2010). Os fatores de risco para o câncer uterino são o início precoce da atividade sexual, múltiplos parceiros sexuais, tabagismo, entre outros (BRASIL¹, 2006). Considerando as PS como sendo vulnerável ao câncer de colo do útero, é necessário que no mínimo elas realizem o exame anualmente (BRASIL¹, 2006), porém no presente estudo 75% já haviam realizado o exame preventivo anteriormente e, destas apenas uma, ou seja, 12,5% haviam realizado no último ano. Sabe-se que quanto maior o número de parceiros sexuais durante a vida, maior a chance de se adquirir o HPV, bem como o câncer de colo do útero, sendo identificado que 67,7% das PS eram positivas para HPV e, sendo que destas 50,7% apresentavam pelo menos um genótipo de alto risco oncogênico (POGETTO; SILVA; PARADA, 2011). Entretanto, no presente estudo 100% tiveram resultado negativo para células neoplásicas, porém na pesquisa realizada em Maringá – PR, 5,6% apresentaram lesão intra-epitelial cervical de grau I (DELL'AGNOLO; COSTA; JARDIM et al., 2012). No que diz respeito aos agentes infecciosos que mais acometem a região vaginal a Gardnerella vaginalis aparece com 8% à 75%, Candida spp entre 2,2% e 30% e Tricomonas vaginalis entre 0% e 24% (SLOMSKI, LIMA E SOUZA, 2010). No presente estudo, 32,5% das mulheres apresentaram Gardnerella ou Tricomonas. Em um estudo comparativo entre mulheres prostitutas e mulheres da população em geral identificou que o nível de infecção vaginal é maior em PS, sendo que 40% das PS apresentaram Gardnerella vaginalis (SLOMSKI; LIMA; SOUZA, 2010). No que diz respeito ao câncer de mama, quanto mais cedo for feito o diagnóstico maior a probabilidade de cura. Rastreamento significa detectar a doença em sua fase pré-clínica enquanto diagnóstico precoce significa identificar câncer da mama em sua fase clínica precoce (BRASIL¹, 2006). As ações de diagnóstico precoce consistem no exame clínico da mama por um profissional de saúde treinado em todas as consultas e em qualquer faixa etária (BRASIL¹, 2006). No exame clínico realizado nas PS do presente estudo, 100% não apresentaram nenhuma alteração. Percebe-se que as PS são uma população vulnerável, não só para problemas ginecológicos, mas também pela vulnerabilidade de apresentar sentimentos negativos como a insatisfação com a vida. Diante disso faz-se necessário criar serviços para atendimento e acolhimento integral dessa população. Estudo relata que é preciso criar horários e agendamentos específicos para esse grupo, fazendo referência à discriminação positiva conhecida como o ato de privilegiar determinadas classes que por algum motivo são marginalizadas pela sociedade (AQUINO; XIMENES; PINHEIRO, 2010). COSTA, A. B.; GUERRA SILVA, N. M. M.; CATUSSI PINHEIRO, E. F. et al., Situação de saúde de profissionais do sexo em um município do norte do Paraná. Rev. Odontologia (ATO), Bauru, SP., v. 14, n. 4, p. 257-276, abr, 2014. 272 SITUAÇÃO DE SAÚDE DE PROFISSIONAIS DO SEXO EM UM MUNICÍPIO DO NORTE DO PARANÁ Deve-se pensar que não é só de ações ginecológicas e obstétricas que esta clientela precisa e, sim, de um olhar holístico e humanizado com ênfase na qualidade de vida, pois como se pode comprovar neste estudo diversos são os problemas sociais e de saúde que acometem esta população. Estudos como este proporcionam conhecimento e compreensão sobre o contexto social a que estas pessoas estão inseridas, contribuindo assim para despertar um olhar mais atento a este grupo cada vez mais excluído na sociedade moderna. CONCLUSÕES Com este estudo pode-se concluir que: 1. 37,5% das entrevistadas iniciaram na prostituição com menos de 18 anos, 50% fazem uso de drogas ilícitas e, 50% já sofreram algum tipo de violência durante o trabalho. 2. No que se refere a citologia oncótica, em 100% das mulheres não foram identificadas células neoplásicas, porém 37,5% apresentaram afecções ginecológicas como Gardnerella vaginallis e Tricomonas vaginallis. Quanto ao exame clínico das mamas, também não apresentou alteração. 3. Levando em consideração que o mercado da sexualidade está crescendo a passos acelerados e que fingir que isso não é um problema social não é o melhor caminho, torna-se necessário reconhecer e legitimar tal fato para que seja possível criar estratégias sociais e de saúde pública para diminuir tal impacto. 4. Quando se fala em estratégias de saúde para um grupo prioritário, deve-se realizar uma discriminação positiva como fator essencial para resolver ou pelo menos minimizar o problema. É necessário que em especial as equipes de saúde criem estratégias voltadas para esta clientela como montar agendas com horários flexíveis e de acordo com a disponibilidade destas mulheres, bem como realizar uma educação permanente com este grupo tão vulnerável a certas doenças. Além disso, os profissionais de saúde devem procurar entender a situação em que elas vivem, para que assim não haja nenhum tipo de preconceito e seja possível realizar um cuidado digno. 5. Outro ponto a se pensar é que não é só de ações ginecológicas e obstétricas que esta clientela precisa e, sim, de um olhar holistico e humanizado com ênfase na qualidade de vida, pois como pode-se comprovar neste estudo diversos são os problemas sociais e de saúde que acometem esta população. 6. Estudos como este proporcionam conhecimento e compreensão sobre o contexto social a que estas pessoas estão inseridas, contribuindo assim para despertar um olhar mais atento a este grupo cada vez mais excluído na sociedade moderna. 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