PPGCOM ESPM // SÃO PAULO // COMUNICON 2014 (8 a 10 de outubro 2014) A utilização da propaganda na construção do imaginário social norte-paranaense1 Rosana Aparecida Reineri Unfried2 Resumo: Este trabalho tem por objetivo demonstrar a utilização da propaganda na construção do imaginário social - por meio do emprego de imagens, linguagem propagandística e atualização de mitos de origem. Para tanto, serão analisadas, como objeto de estudo, três propagandas utilizadas pela Companhia de Terras Norte do Paraná (CTNP) - à época da colonização do Norte do Paraná, para a venda de lotes a compradores de diferentes regiões e nacionalidades nas quais eram propagadas as maravilhas da “terra da promissão”. Palavras-chave: Imaginário social; Mito; Propaganda; Companhia de Terras Norte do Paraná; História de Londrina (PR). Introdução Desde o início das sociedades primitivas, a humanidade encontra-se permeada por uma série de figuras universais, que orientam e conferem sentido à vida coletiva, denominadas arquétipos. Estas figuras - consideradas primordiais uma vez que existem desde os tempos mais remotos - são carregadas pela psique humana durante gerações e tem a capacidade de se revelar e se repetir a qualquer tempo e em qualquer parte do 1 Trabalho apresentado no Grupo de Trabalho COMUNICAÇÃO, CONSUMO, MEMÓRIA: cenas culturais e midiáticas, do 4º Encontro de GTs - Comunicon, realizado nos dias 08, 09 e 10 de outubro de 2014. 2 Graduada em Comunicação Social – Habilitação Jornalismo e mestranda em Comunicação pela Universidade Estadual de Londrina (UEL). Pesquisadora do Grupo de Pesquisa Comunicação e História do CNPq. Coautora do livro Memórias fotográficas: a fotografia e fragmentos da história de Londrina. E-mail: [email protected] PPGCOM ESPM // SÃO PAULO // COMUNICON 2014 (8 a 10 de outubro 2014) mundo, mesmo “onde não é possível explicar a sua transmissão por descendência direta ou por ‘fecundações cruzadas’ resultantes da migração”. (JUNG, 1964, p.69). Os arquétipos encontram-se alocados no inconsciente do indivíduo e - por serem idênticos em todos os seres humanos - se manifestam por meio de formas ou imagens de caráter coletivo, encontrando no mito e nos contos de fada, terreno fértil para se propagar. O mito, segundo Serbena (2003, p.4), surge “da necessidade de resolver questões tais como a oposição entre a natureza e a cultura” e encontra-se presente em nossa sociedade uma vez que configura-se como parte integrante da natureza humana. Ele possui a função primária de fornecer os símbolos que auxiliam o espírito humano a avançar. Tais símbolos da mitologia, na visão de Campbell (1949, p.6), não podem ser fabricados, ordenados, inventados, muito menos, ser permanentemente suprimidos, uma vez que possui a capacidade de constante atualização. Desta forma, os mitos primordiais são de tempos em tempos atualizados, ganhando novas significações, no entanto, eles mantêm sua estrutura mítica inalterada. De acordo com Girardet (1987, p.12-13), o mito deve ser entendido como uma narrativa que faz referência ao passado, mas que conserva no presente “um valor eminentemente explicativo, na medida em que esclarece e justifica certas peripécias do destino do homem ou certas formas de organização social”. Esta participação do mito na organização social pode ser explicada, segundo Serbena (2003, p.4), pelo fato de que a estrutura básica que o constitui pode ser considerada como um modelo de funcionamento do imaginário. Além dos mitos, carregados de arquétipos, fazem parte do imaginário social – ou coletivo - outras formas reguladoras das práticas coletivas da sociedade, tais como os símbolos, as religiões, as utopias e as ideologias. Através do imaginário, a coletividade é capaz de instituir sua identidade, elaborar representações e estabelecer a distribuição dos papéis e das posições sociais que serão desempenhados por seus integrantes. Por meio do imaginário é possível, PPGCOM ESPM // SÃO PAULO // COMUNICON 2014 (8 a 10 de outubro 2014) também, exprimir e impor crenças comuns e construir uma espécie de código de boa conduta para o pleno funcionamento da comunidade. (BACZKO, 1985, p.309). Essa potência unificadora, própria do imaginário é assegurada, segundo Baczko (1985, p.311): Pela fusão entre verdade e normatividade, informações e valores, que se opera no e por meio do simbolismo. Com efeito, o imaginário social informa acerca da realidade, ao mesmo tempo que constitui um apelo a ação, um apelo a comportar-se de determinada maneira. Esquema de interpretação, mas também de valorização, o dispositivo imaginário suscita a adesão a um sistema de valores e intervém eficazmente nos processos da sua interiorização pelos indivíduos, modelando os comportamentos, capturando as energias e, em caso de necessidade, arrastando os indivíduos para uma ação comum. No entanto, Baczko (1985, p.313) afirma que a influência exercida pelos imaginários sociais, sobre as mentalidades humanas, depende da difusão desses imaginários através de meios capazes de assegurar tal propagação. Segundo ele, para garantir a dominação simbólica, é de “importância capital o controle destes meios, que correspondem a outros tantos instrumentos de persuasão, pressão e inculcação de valores e crenças”. É neste cenário que a propaganda atua. Engana-se quem pensa que trata-se de um fenômeno recente, a propaganda encontra-se presente desde os tempos mais remotos. Ela estava presente já na Roma Antiga e tinha seu espaço garantido na vida do império. (SAMPAIO, 1999, p.20). No entanto, se consolidou a partir do século XX, nas sociedades modernas, como ferramenta de construção e manipulação de imaginários, uma vez que dispõe de meios técnicos e científicos para desempenhar tal tarefa. Propaganda A propaganda moderna, de acordo com Baczko (1985, p.314), goza de algumas possibilidades técnicas, culturais e até mesmo políticas que permitem que ela seja capaz PPGCOM ESPM // SÃO PAULO // COMUNICON 2014 (8 a 10 de outubro 2014) de fabricar e manipular as emoções e imaginários coletivos. Em certas condições, a propaganda consegue fazer subir as angústias e esperanças coletivas, impondo a uma sociedade uma espécie de modelo único de comportamento que deve ser seguido por todos. Ela possui a capacidade de criar uma identidade coletiva e mobilizar a sociedade para uma ação comum ou a uma obediência “entusiástica”. Segundo Gade (1998, p.147), são empregadas várias formas de persuasão a fim de levar os indivíduos a uma mudança de atitude. Esses métodos são utilizados, tendo em vista que... A mudança de atitude pode ocorrer por meio de aumento do componente cognitivo, fornecendo novas informações, associação de mudanças com consequências reforçadoras, o que leva a uma mudança de componente afetivo e a uma tentativa de fazer com que o consumidor se engaje em comportamento contrário a suas tendências atitudinais, provocando assim uma modificação do componente comportamental. Gade (1998, p.147) explica que são levadas em consideração as características do grupo ao qual os indivíduos, para quem a propaganda está sendo direcionada, pertencem ou pretendem pertencer. Essas características são importantes na formação e na modificação de atitudes desses sujeitos. Outro ponto importante a ser observado são os traços de personalidade desse grupo, de acordo com eles os indivíduos estarão mais ou menos inclinados a serem influenciados. É certo, porém, segundo Sampaio (1999, p.36), que a propaganda é uma “das grandes formadoras do ambiente cultural e social de nossa época. Isto porque trabalha a partir de dados culturais existentes, recombinando-os, remodelando-os, e sobre alguns instintos mais fortes dos seres humanos”. Esta manipulação exercida pela propaganda sobre o consumidor pode ser realizada de diversas maneiras, uma delas é por meio da linguagem. A linguagem da propaganda procura alimentar, satisfazer as aspirações humanas sempre com o objetivo de “vender” uma ideia. De acordo com Sandmann (1993, p.34), a linguagem propagandística configura-se, até certo ponto, como “reflexo e expressão da ideologia PPGCOM ESPM // SÃO PAULO // COMUNICON 2014 (8 a 10 de outubro 2014) dominante, dos valores em que acredita, ela manifesta a maneira de ver o mundo de uma sociedade em certo espaço na história”. Outra forma utilizada pela propaganda para chamar a atenção do consumidor é a utilização de ilustrações, desenhos e principalmente fotografias aliadas a seus textos com o intuito de impactar o observador e tornar a mensagem de fácil compreensão. Por trás da aparente simplicidade e inocência da imagem existe um “conteúdo simbólico, repleto de significações” que se comunicam diretamente com o imaginário do receptor. (HOLMER, 2005, p.1-2). Com este objetivo... [...] diversas empresas recorrem à utilização da fotografia publicitária como principal instrumento midiático, talvez pela sua chamada “magia” ou poder. Magia que está atrelada à estética, ou seja, à produção de um conteúdo imagético, em que os elementos dispersos na imagem estão quase sempre vinculados a uma ou diversas significações. O intuito dessa articulação visual é penetrar na mente do consumidor visando fazer com que este se mobilize para o que lhe está sendo ofertado. A fotografia publicitária, além de comunicar com ênfase, é requisitada por seu poder de causar uma interação rápida com o receptor quando exposto à imagem e sua mensagem. (LAHAM; LOPES, 2005, p.117). A fotografia publicitária, ainda segundo Laham e Lopes (2005, p.118) deve “comunicar seus conceitos e pretensões de maneira a despertar sentimentos, emoções e reações pré-estabelecidas. Ela leva consigo a responsabilidade de ligar a mensagem elaborada na imagem com a mente do seu público-alvo”. E, foi esta uma das técnicas utilizadas pela Companhia de Terras Norte do Paraná (CTNP) para propagandear as terras norte-paranaenses, as quais comercializava. CTNP: a criação do imaginário norte- paranaense A Companhia de Terras Norte do Paraná (CTNP) foi uma das diversas empresas privadas que adquiriram terras do governo do estado do Paraná no final da década de 1920 e início da década de 1930, a fim de comercializá-las. A CTNP se utilizava das PPGCOM ESPM // SÃO PAULO // COMUNICON 2014 (8 a 10 de outubro 2014) imagens fotográficas, aliadas à linguagem empregadas no texto, para propagandear as riquezas das terras norte-paranaenses – onde se localiza a cidade de Londrina - para atrair futuros compradores, ao passo que propiciava a criação de um imaginário em torno da região. De acordo com Arias Neto (2008, p.15), até fins da década de 1930, o Norte do Paraná era “a Terra da Promissão, o paraíso prometido da fertilidade, da produção agrícola abundante, das oportunidades iguais de enriquecimento para aqueles que quisessem nela trabalhar e prosperar”. O norte-paranaense se apresentava, dessa forma, como uma atualização do mito bíblico da “terra prometida”. Este mito, segundo Beek (1967), descreve a Palestina (denominada no Velho Testamento como Canaã), como parte do chamado “Fértil Crescente” - que une o Egito à Mesopotâmia – que se apresentava como um oásis para os povos nômades que viviam cercados pela aridez. Essa terra, onde corriam leite e mel, foi prometida por Deus aos hebreus para que construíssem ali a nação de Israel. No entanto, Arias Neto (2008, p. V) explica que a “terra da promissão” a qual se referia as propagandas da CTNP não era relacionada ao paraíso bíblico, onde corriam leite e mel, tampouco relacionada a terra na qual haveria minas de ouro, como era imaginado pelos espanhóis que conquistaram a América. Ao contrário, os textos utilizados para propagandear a “terra da promissão” norte-paranaense propagavam ideias que “designaram o que os homens poderiam construir e construíram através do trabalho”. (ARIAS NETO, 2008, p. V). Enfatizava-se a fertilidade das terras que eram adequadas a qualquer tipo de cultura. Eram terras que tudo produziria, desde que se trabalhasse nela. Ainda segundo Arias Neto (2008, p. X), uma das principais ferramentas de difusão das propagandas da CTNP, eram anúncios veiculados nas páginas do jornal Paraná-Norte, que atuava como porta voz dos interesses da Companhia. De acordo com Boni (2004, p. 237), este jornal, o primeiro de Londrina, foi fundado em 1934 por Humberto Puiggari com ajuda financeira da CTNP e trazia na última página de cada edição a propaganda da empresa (Figura 1). PPGCOM ESPM // SÃO PAULO // COMUNICON 2014 (8 a 10 de outubro 2014) Figura 1 – Última página da edição do Jornal Paraná-Norte, de 28 jun. 1935 Fonte: Cópia digitalizada do Acervo do Museu Histórico de Londrina Padre Carlos Weiss Nesta propaganda (Figura 1) pode-se observar a utilização da linguagem a fim de convencer o leitor das maravilhas do solo norte-paranaense: “[...] única reserva de terras roxas, em clima admirável servidas pelas melhores águas.”. Também se destacava que nessas terras “não há saúvas”, uma praga que estava acabando com as PPGCOM ESPM // SÃO PAULO // COMUNICON 2014 (8 a 10 de outubro 2014) lavouras brasileiras à época. Desta forma, acreditava-se que a divulgação da ausência dessa praga poderia influenciar positivamente os compradores. Aliado a este discurso propagandístico, eram utilizadas as fotografias das lavouras já em formação na região, de forma a não apenas mostrar, mas a provar ao comprador o quanto as terras eram férteis. Segundo Arias Neto (2008, p. 8), “era necessário ‘ver para crer’ na fantástica fertilidade do solo, que dificilmente em outros lugares se encontra”. Neste caso, a fotografia (Figura 1) retrata uma plantação de milho em meio a lavoura de café – a principal atividade da região à época. Pode-se notar que os pés de milho têm quase o dobro do tamanho da pessoa que aparece na fotografia. Isso demonstra a fertilidade do solo norte-paranaense e a diversidade de culturas que poderiam ser cultivadas nele. No entanto, não foi somente nas páginas do Paraná-Norte que as propagandas da CTNP circularam. De forma a atrair uma grande e variada clientela, essas propagandas foram veiculadas em todo o Brasil, estando as maravilhas do solo norteparanaense estampadas, também, nas páginas do jornal O Estado de S.Paulo. (Figura 2). PPGCOM ESPM // SÃO PAULO // COMUNICON 2014 (8 a 10 de outubro 2014) Figura 2 – Edição do jornal O Estado de S.Paulo, de 28 jun. 1936, p.2 Disponível em: http://acervo.estadao.com.br/pagina/#!/19360628-20464-nac-0002-999-2-not Acesso em: 30 jun. 2013 Nesta propaganda, podemos, novamente, observar a exaltação da fertilidade da terra e a reiteração da ausência da temida saúva e outras pragas que pudessem prejudicar o desenvolvimento da agricultura na região. O texto da propaganda deixa claro que as terras da Companhia... Produzem tudo do bom e do melhor! Posto que o Norte do Paraná seja uma região nova, nem por isso deixa de possuir tudo como nos grandes centros metropolitanos. O bom clima aliado à excelente rede rodoviária e ferroviária, a água magnífica, são fatores preponderantes do progresso verificado. Cidades, vilas, povoações lá fundadas, possuem escolas, telégrafo e tudo o mais. As terras são imensamente produtivas, dando de tudo abundantemente. Café, algodão, trigo, milho, feijão, aveia, frutas, etc., havendo ainda grande quantidade e variedade de madeira. Não há saúva nem outros parasitas nas plantações. Companhia de Terras Norte do Paraná. A maior empresa colonizadora da América do Sul. (O ESTADO DE S.PAULO, 1936). PPGCOM ESPM // SÃO PAULO // COMUNICON 2014 (8 a 10 de outubro 2014) A fotografia (Figura 2) retrata, como diz a legenda utilizada, um “cacho de bananas, contendo 355 frutas e medindo 1 metro de extensão, procedente de plantações em terras da Companhia”. Para que o observador pudesse ter a dimensão real do tamanho do cacho de bananas, o fotógrafo, responsável pela tomada, utilizou as figuras humanas, do homem e do garotinho como uma espécie de escala. Podemos observar que o cacho de bananas é do mesmo tamanho da criança. Isso demonstra a qualidade do solo comercializado pela CTNP. Além os anúncios veiculados em jornais, eram produzidos cartões postais para serem enviados à Europa. Muitos dos imigrantes que compraram terras e se fixaram na região passavam a atuar como agenciadores, enviando mensagens a seus conterrâneos a fim de convencê-los a se aventurar e solos norte-paranaenses. Entre os agenciadores encontrava-se o imigrante italiano Eugênio Brugin, que enviou aos seus conterrâneos a seguinte mensagem: “Esta fotografia faz você ver três pais e três mães com seus 36 filhos felizes de estarem nesta colonização do norte do Paraná. Eles são venezianos. Não se preocupe por eles. Sua felicidade é completa. Você também quer ser feliz com a sua família? Venha aqui.” (Figura 3). PPGCOM ESPM // SÃO PAULO // COMUNICON 2014 (8 a 10 de outubro 2014) Figura 3 – Cartão enviado por Eugênio Brugin a seus conterrâneos na Itália Fonte: Cópia Digitalizada do Acervo do Museu Histórico de Londrina Padre Carlos Weiss Esses cartões e fotografias eram distribuídos nos escritórios que a CTNP mantinha no Velho Continente e entre agenciadores autônomos que o percorriam em PPGCOM ESPM // SÃO PAULO // COMUNICON 2014 (8 a 10 de outubro 2014) busca de novos compradores. Segundo Boni e Sato (2009, p.265), “a proposta de comprar terras no norte do Paraná era um verdadeiro ‘convite’ para os que, nesse período, estavam preocupados com o clima de tensão que estava se instalando na Europa” por consequência da ascensão de Hitler ao poder na Alemanha em 1933. Não devemos deixar de lembrar que, segundo Baczko (1985, p.310), as épocas de crise são favoráveis à construção de novos imaginários sociais. Dessa forma as propagandas da CTNP contribuíram para a criação do imaginário coletivo em torno do Norte do Paraná atuando em épocas de graves crises mundiais. Em 1933, Hitler ascendeu ao poder, na Alemanha, período em que milhares de judeus perseguidos buscavam outros países para se refugiar. De 1936 a 1939, ocorreu a Guerra Civil Espanhola, fazendo com que muitos espanhóis fossem forçados a mudar de país em busca de paz. Em 1939 teve início a Segunda Guerra Mundial, com consequências catastróficas, que fez milhares de europeus fugirem em busca de paz e trabalho. (BONI; SATO, 2009, p.265). Deste modo, segundo Boni e Sato (2009, p.265), os conflitos europeus podem ser considerados como variáveis importantes à colonização do Norte do Paraná. Esta região, por meio das propagandas da CTNP, se apresentava como um oásis em meio a tantas crises. Seria a “terra prometida” na qual os imigrantes poderiam encontrar paz e felicidade, e, os “vendedores sabiam que a ideia de um Éden terrestre atrairia, afinal de contas, compradores desejosos de adquirir um fragmento do paraíso”. (ARIAS NETO, 2008, p. 8). Considerações finais A vida do ser humano é permeada por imagens primordiais – que existem desde os tempos remotos – que conferem sentido e orientam a coletividade. Tais imagens denominadas arquétipos, encontram-se presentes no inconsciente do indivíduo e possuem a capacidade de se manifestar em qualquer tempo e lugar. PPGCOM ESPM // SÃO PAULO // COMUNICON 2014 (8 a 10 de outubro 2014) Estas imagens arquetípicas se expressam por meio dos mitos, que possuem a capacidade de atualização constante, mantendo sua estrutura inalterada. O mito, carregado de imagens primordiais, atua no imaginário coletivo e impulsiona o indivíduo às ações comuns. No entanto, existem ferramentas que podem ser utilizadas para criar e manipular este imaginário. A propaganda apresenta-se como uma dessas ferramentas, uma vez que possui a capacidade de atualizar os mitos para criar imaginários em torno de um produto. Um exemplo desse poder - utilizado aqui como objeto de estudo – são as propagandas da Companhia de Terras Norte do Paraná. Utilizando fotografias que exaltassem a fertilidade do solo norte-paranaense aliada à linguagem propagandística, a CTNP atualizou o mito bíblico da “terra prometida”, criando, dessa forma, o imaginário do Norte do Paraná como “terra da promissão”, atraindo, assim, compradores de diversas nacionalidades para uma terra onde se plantando tudo dá. Referências ARIAS NETO, José Miguel. O Eldorado: representações da política em Londrina (19301975). Londrina: EDUEL, 2008. BACZKO, Bronislaw. A imaginação social. Lisboa: Casa da moeda, 1985. BEEK, M. A. História de Israel. Rio de Janeiro: Zahar, 1967. BONI, Paulo César. 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