www.metodistavilaisabel.org.br/jornaldavila Rio de Janeiro, 26 de julho de 2009 - Ano XXIX - No. 1.430 Curso de Teologia, no Bennett, não mais será suspenso Depois das notícias preocupantes da semana passada, surgem boas informações com referência à manutenção do Curso de Teologia, no Bennet. Como se sabe, o curso havia sido suspenso e o coordenador e os professores tinham recebido aviso prédio de demissão. Certamente, graças à grande reação que ocorreu, nas reuniões realizadas ficou decidida a continuação daquele curso e anulados os avisos prévios. Há um trabalho de reformulação do currículo, de maneira a facilitar o ingresso de novos alunos (ou seja, que não precisem sempre formar novas turmas). Isto sem perder a qualidade do curso.Na próxima semana outras reuniões acontecerão e definirão aspectos administrativos gerais. Hoje teremos eleição de delegados da Vila para diversos concílios Ao término do culto matutino de hoje teremos mais um Concílio Local, sob direção do Rev. Luciano Vergara, para eleição de delegados a diversos concílios. Dos dez relacionados pela Comissão de Indicação, dois pediram exclusão de seus nomes: Paulo Roberto Soares e Nagib Assad Filho. E o concílio de domingo passado indicou: Angélica Gouveia, Damaris Amaral e Maria José Pimentel. Assim serão 11 os candidatos. O mais votado será indicado como candidato da Vila ao Concílio Geral; os dois que tiverem mais votos serão delegados ao Concílio Regional: os quatro com maior número de votos irão ao Concílio Distrital. Os demais serão suplentes, na ordem de sua votação. Haverá uma cédula com o nome de todos eles, a saber: Álvaro Simões, Ângela Soares,Angélica Gouveia, Carlos Henrique Garcia, Damaris Amaral, José da Cruz Alves, Maria José Pimentel, Raquel Gonçalves, Ricardo Wesley, Suely Peixoto Mattos e William de Souza. . Igreja comemora hoje o Dia dos Avós Os avós são pessoas muito especiais para os netos. Geralmente compreensivos, carinhosos, avós normalmente são menos exigentes do que os pais, criando profundos laços de amizade com os filhos dos filhos. Por isso, hoje nossa igreja, em festa, comemora o Dia dos Avós. Primeiramente será no culto matutino, sob a direção do Ministério da Terceira Idade e pregação de William de Souza. E depois da Escola Dominical, com um almoço de confraternização. Parabéns aos vovôs e vovós. Que Deus a todos abençoe. Rápidas No culto desta noite, sob a direção da Sociedade de Jovens, pregará o Rev. Wagner Caetano, da Igreja Batista da Gávea No artigo de domingo passado “Suspensão do Curso de Teologia”, o Rev. Marcelo Carneiro constou com “ex-Coordenador”. Na realidade, no original estava assim, mas ele ainda ocupava tal cargo porque fora nomeado pelo Colégio Episcopal e somente este poderia dispensá-lo, o que não ocorrera. Leia nesta edição Arvoredo abençoado– artigo de Ely Leal - página 2. O alimento do amor – Anna Luisa Carvalho - página 3. Mais uma vez, o Bennett – artigo de Airton Campos – páginas 4 e 5. Dois assuntos de uma vez – artigo de João Wesley – páginas 6 e 7. Esta e outras notícias estão em O que há pela Vila – página 6. Arvoredo abençoado Ely Ferreira Leal Observo, e fico encantado, com o revoar dos pássaros da mesma espécie, voando em uma só direção: para o arvoredo. Há um só gorjeio, alegres sons agradáveis, que nos fazem ficar deveras emocionado com a beleza e harmonia! Fico imaginando e até mesmo comparando isto a uma frondosa e linda árvore centenária, plantado com muito amor sobre terra firme e abençoada, onde em alegria vivemos desde filhotes e que, pelo seu vigor, tem dado muitos frutos. Dela também saem muitas mudas, plantadas em diversos lugares e hoje algumas delas já são formosas como a mãe! É lindo ver, principalmente aos domingos, a revoada dos “pássaros” deixando seus ninhos em direção a essa encantadora “árvore”, que se transforma numa esplendorosa beleza, florindo aquele sagrado ambiente num cantar celestial. Nós voamos desse encantador lugar e assim organizamos nosso ninho em uma terra mui distante, visto que uma de nossas avezinhas casou, deixando nosso ninho. Então, nós que vivemos com muito amor, saudosos, após um ano voamos também, para que assim, com a Graça de Deus, ficássemos todos perto. Aqui chegados, depois de arrumar nosso ninho, com tristeza notamos que não havia nenhum arvoredo que nos abrigasse, embora encontrássemos alguns pássaros de nossa espécie, mas dispersos, o que nos fez segui-los. Isto por pouco tempo, visto que a saudade daquele lindo arvoredo distante e também por nosso cantar destoando, por se tratarem de outras espécies. Procuramos e encontramos um arvoredo semelhante e lá fomos arrolados, onde estamos até hoje. Só que já algum tempo não temos voado até lá, devido a distância (fica a 30 quilômetros de estrada). Só que, “as aves que aqui gorjeiam, não gorjeiam como lá.” Estamos mui longe daquele arvoredo centenário, é verdade, mas aquele gorjeio de lá ainda soa em nossos ouvidos, quando meditamos ou oramos. Como são lindos e emocionantes estes momentos! De vez em quando, bato as asas e vou pousar nos galhos sagrados daquele arvoredo original que nosso amado Deus plantou. Como fico feliz! Depois de matar a saudade, volto ao nosso ninho familiar, que é tão gostoso e agradável. “Qual a ave que vagueia longe do seu ninho, tal é o homem que anda vagueando longe de seu lar” (Provérbios 27-8) Creio em Deus, nosso amado Pai, que em breve teremos aqui perto de nosso ninho, um lindo arvoredo plantado com muita fé, em terreno sólido e abençoado, com muito amor, regado pelo Espírito Santo, onde uniremos nossa espécie a cantar com alegria cânticos de glória ao Senhor. Obrigado Igreja Metodista de Vila Isabel, nosso inesquecível arvoredo. Oremos para que todos estejam bem. Nota da Redação: Nosso irmão Ely Leal e sua família, depois de serem membros de nossa igreja por muitos anos, mudaram-se para Rio Claro (SP). Ele sempre fala da saudade que sente deste “arvoredo”. Atualmente é membro da Igreja Metodista de Piracicaba. Chegou a ser aberto um trabalho metodista em Rio Claro, mas alguns problemas impediram sua continuação. No dia 15 de agosto, um grupo de “pássaros” de nossa igreja irá até Rio Claro, para realizar o Culto do Lar na residência do Ely e de sua esposa Lydia e, assim, matar um pouco das saudades. E, quem sabe, contribuir para o estabelecimento de um trabalho metodista naquela cidade. O alimento do amor Anna Luisa Carvalho Dois dos dez mandamentos são “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento” e “Amarás o teu próximo como a ti mesmo”, incluindo aí as pessoas que moram com você e também aquelas que você só vê de vez em quando. Muito tempo depois de Moisés receber as tábuas com estas ordens, Jesus veio à Terra com a missão principal de nos trazer uma mensagem: a de que estes dois mandamentos são os mais importantes e os que mais merecem nossa atenção. Para que a gente entendesse bem isso, Ele deixou claro, em Mateus 22:38 “Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas”. Mas para não deixar dúvidas, Jesus também contou muitas histórias, tomou suas atitudes e explicou qual é o caminho certo em diversas situações. Tudo que Ele fez e disse levava sempre aos dois mandamentos principais. Se é assim, podemos parar de nos preocupar com tantos afazeres e começar a, simplesmente, amar a Deus e ao próximo, certo? Aí é que está. Dizer “eu te amo” não é suficiente para demonstrar nosso amor. O verdadeiro amor precisa de alimento, para que cresça e floresça. E o alimento do amor é o cuidado. Então, amar o próximo significa cuidar dele, dar atenção e lugar a ele. Como as pessoas sentem, pensam e agem diferentemente, cuidar do outro nem sempre é fácil. Se cuidar de quem mora na sua casa já é difícil, imagine então cuidar daquele próximo que a gente só encontra de vez em quando?! É difícil porque primeiro precisamos saber como a pessoa é, do que ela gosta, do que sente falta, etc., para só então cuidar dela do jeito que ela precisa. Agora, se amar a Deus significa cuidar Dele, então complicou de vez. Ele não fica doente para darmos remédio, não precisa de roupas, educação, atendimento médico. Como cuidar de Deus? Na verdade, como Ele está presente em tudo que criou - inclusive em nossos corações, pois também somos suas criaturas -, temos que cuidar de Suas coisas para conseguirmos alcançar nosso objetivo. Sejam seres com vida, sejam inanimados. Cuidar da cidade onde vivemos, cuidar dos rios, praias e campos, cuidar dos animais e das plantas, enfim, cuidar de tudo que Ele nos deu, inclusive nossos irmãos e irmãs. Mas, assim como precisamos conhecer as pessoas para poder cuidar delas, é preciso que a gente entenda como as coisas funcionam para depois dar-lhes o cuidado necessário. Um cachorro precisa de espaço para brincar, alimentação saudável, carinho do dono, etc. Já para um jacaré, não precisamos dar nada disso! Em compensação, temos que manter os rios cheios e limpos, para que eles possam viver bem. Uma planta precisa ser regada, podada e protegida contra ventos ou chuvas fortes. Já uma floresta pode crescer sozinha, desde que a gente não a desmate ou polua. É dessa forma que podemos demonstrar nosso amor por todas as coisas que Deus nos deu e, consequentemente, por Ele mesmo e por todos os nossos próximos. Se conseguirmos isso, o mundo inteiro saberá que nós o amamos sem que digamos uma única palavra. Nesses casos, o cuidado fala muito mais alto do que aquelas três palavrinhas, “eu te amo”. Bem, como estes dois são os mandamentos mais importantes, podemos colocar as mãos à obra desde já. Vamos ter mais atenção ao fazer compras, escolhendo produtos ecologicamente corretos, reutilizar mais o que consumimos, reciclar tudo que for possível, diminuir o uso da água e, principalmente, evitar os desperdícios de qualquer tipo! Ah, outro passo importante é conquistar os outros para esta tarefa de cuidar do mundo. Mais uma vez, o Bennett Airton Campos Mais uma vez somos surpreendidos por notícia a respeito do Bennett. Há cerca de um ano foi a surpresa da informação do leilão da propriedade para o pagamento de dívida não honrada. Naquela ocasião, depois que a noticia se espalhou, a Administração Regional emitiu comunicados com respostas tardias e a conta-gotas, minimizado o problema. Agora o fechamento de cinco dos 15 cursos superiores ministrados pelo Bennett, como não podia deixar de ser, repercutiu de modo negativo nos meios de comunicação e causou verdadeiro espanto na comunidade metodista, principalmente pelo fechamento do Curso de Teologia, que prepara os pastores para a Igreja. Também mais uma vez a notícia foi veiculada por pessoas ligadas à instituição e não pelos canais oficiais. Agora, ao que parece, a autoridade eclesiástica regional também foi pega de surpresa e a reação dos alunos e da comunidade metodista pode tornar sem efeito a decisão, pelo menos com relação ao Curso de Teologia. A Região se movimenta numa campanha de crescimento, não importa se o alvo é grande demais ou não, e por razões puramente econômicas se resolve não formar mais pastores? Fica difícil de entender. Até parece que os conselheiros do Bennett ignoram a estratégia da Região, mesmo tendo dentre eles representantes dela. Se a decisão de fechar os cursos foi cuidadosamente estudada em todas as suas conseqüências, porque o edital do vestibular para o 2° semestre de 2009, com inscrição até o dia 17 de julho, lançado em maio, previu vagas para estes cursos? Como se noticia o fim de um curso sem uma definição clara de qual será a solução para os alunos que ainda o estão cursando? A informação de que dispomos é de que há pelo menos dois vestibulares anteriores não foi aberta turma de teologia. E porque, só agora depois de anunciado o fechamento do curso, estão sendo estudadas soluções? Não foi feito um diagnóstico para entender o que está acontecendo com a instituição e os seus cursos? O diagnóstico institucional é a principal ferramenta para manter a sustentabilidade. Ele deve ter uma justificativa, com contexto situacional que expresse a história da instituição, sua realidade financeira e a análise dos acertos e erros. Parece que nada disto é feito. Procurase só “apagar os incêndios”, mas as brasas continuam acesas por baixo das cinzas, até que um dia as labaredas aparecem novamente. Enxugar as despesas e cortar custos são medidas necessárias em momentos de crise. Demissões e reestruturação de equipes são medidas impopulares que muitas vezes são necessárias para adaptar uma instituição à uma nova realidade, mas é fundamental, porém, manter o senso de justiça nestes momentos. Se isto for feito, mesmo na dor, será possível gerar confiança entre professores e alunos. Os verdadeiros líderes são os que incentivam o diálogo para obter e colocar em prática as melhores idéias, sejam elas populares ou não. Ele não pode se omitir nem agir de forma impulsiva. Por agir sem pensar, ou sem pensar nas consequências, o Bennett responde hoje a um enorme número de reclamações na Justiça do Trabalho, envergonhando o nome da Igreja Metodista. Espera-se pelo menos que a falta de definição sobre o futuro dos alunos não leve a outra enxurrada de processos judiciais. Antes, os erros administrativos das decisões dos Conselhos Diretores eram debitados à falta de experiência dos conselheiros em gerir instituições educacionais. Foi então criado um curso de preparação para pessoas que quisessem ser conselheiros destas instituições. O Conselho Nacional de Educação é o órgão responsável por formar e manter o cadastro de candidatos a membros dos conselhos diretores das instituições educacionais e o curso de capacitação é organizado e oferecido periodicamente pelo COGEIME, só podendo ser nomeados os candidatos previamente credenciados e aprovados no curso de capacitação. Também nossa legislação determina que todos os cargos de reitores, vice-reitores, diretores gerais e vice-diretores gerais sejam impreterivelmente ocupados por metodistas e que uma política para aproveitamento e formação de metodistas para esses cargos seja criada. Uma pergunta que não quer calar. Então porque nossas instituições vão mal financeiramente, enquanto outras particulares vão muito bem? Os novos Cânones, que entraram em vigor em 2007, abriram a possibilidade de que as instituições subordinadas à COGEAM ou à COREAM possam ter um único Conselho Diretor para duas ou mais instituições, de modo a ensejar integração administrativa. Se já é difícil para o conselheiro acompanhar realmente a vida da instituição através de reuniões mensais, quanto mais prestando este serviço voluntário a mais de uma, algumas vezes distantes. Atravessar crises econômicas não é, contudo, um privilégio de instituições metodistas. A universidade luterana ULBRA, no sul do país, está vendendo propriedades para pagar dívidas, tal como fo Granbery, que se desfez da maior parte de sua propriedade. O patrimônio é consumido para custear despesas de funcionamento mal gerido. Não me digam que é porque as universidades particulares estão preocupadas só com o lucro, sem se importar com a qualidade do ensino. Vários dos cursos de nossas instituições estão muito mal classificados nas avaliações do Ministério da Educação. Hoje está em andamento uma grande concentração organizacional das instituições de ensino superior. Muitas aquisições e fusões têm ocorrido, envolvendo enormes valores financeiros. Grandes grupos como a Anhanguera Educacional, o Kroton e o Universo Online abriram o capital colocando ações na bolsa de valores e têm pago bons dividendos aos acionistas. O ensino superior tem se mostrado um bom negócio, existindo até mesmo fundo de investimento norteamericano aplicando recursos nesta área, no Brasil. Sei disso porque tenho acompanhado esta movimentação e dado conhecimento dela a dirigentes de instituições metodistas e autoridades da Igreja. Será que a Igreja Presbiteriana Independente, que vai abrir curso superior em São Paulo, não estudou o mercado? Para se instalar no Rio, a Mackenzie certamente estudou o mercado e viu oportunidade. Então porque há evasão de alunos nos cursos do Bennett que obriguem seu cancelamento? A Igreja Metodista procurou se adaptar à concentração do ensino superior criando a Rede Metodista de Ensino, mas segundo parecer especializado, a criação da rede com todas as instituições tendo como mantenedora a Igreja Metodista, se configura como grupo econômico e assim todas serão condenadas solidariamente a pagar débitos trabalhistas. Se esta condição já caracteriza a formação de grupo econômico, imagine-se se o Conselho Diretor e o Reitor forem os mesmo, como no caso do Bennett e Granbery. Dois assuntos de uma vez João Wesley Dornellas A crise do Bennett e o fechamento de sua Faculdade de Teologia De uma cambulhada só, o Bennett fechou diversos cursos, entre eles o de Teologia, prejudicando uma porção de alunos. No momento em que escrevo, não sei se houve ou, mesmo, se haverá solução. Todos se revoltam mas eu creio que está na hora de, aproveitando a crise, estudar seriamente o problema da formação de pastores em nossa Igreja e até o seu recrutamento. No seu comunicado publicado no JORNAL DA VILA, o ex-coordenador do Curso de Teologia, Rev. Marcelo Carneiro, critica o “capitalismo predatório” e “a lógica do mercado”, que considera um “pragmatismo canibal”, como causadoras da crise. No mesmo documento, ele critica o sistema de Educação à Distância, que ele acha ser “um mecanismo canibalizador da essência do ensino”. No mesmo comunicado, ele critica uma certa preferência que existe pela Faculdade de Teologia da São Paulo, que “é subsidiada pela Igreja, o que já indica uma clara política de preferência”. Antes do IMS e da apropria UMESP, em São Bernardo, o que existia era a Faculdade de Teologia, criada pelo Concílio Geral de 1938, unificando os seminários de Juiz de Fora e de Porto Alegre. A aquisição daquela grande propriedade, às margens da Rodovia Anchieta foi uma façanha. O que garantiu a sua pujança de hoje, com instalações novas e muitos recursos, é fruto da visão dos delegados ao Concílio Geral de 70/71. Ao aprovar a criação do IMS, que se transformaria na UMESP, todas as garantias foram tomadas para que a Faculdade de Teologia não fosse afetada no seu funcionamento. Por isto, ela é hoje cada vez mais forte, tem mais recursos pessoais e tecnológicos. Nela a Educação à distância não é canibalizadora, mas um fator de aumento de sua influência, inclusive em meios nãometodistas. A crise do Bennett, bem como de muitas outras instituições de nossa Igreja, é uma crise de competência. Normalmente, procuram-se posições para as pessoas e não ao contrário. As improvisações, os pistolões, a ambição de muitos, têm impedido um crescimento profissional. E não adianta botar a culpa no capitalismo ou no mercado. O mercado sempre existiu e vai continuar existindo. E o capitalismo ainda é a forma mais eficiente de enfrentar os problemas que ele possa causar e, principalmente, aproveitar todas as possibilidades que ele enseja para o desenvolvimento social. Não dá para fazer uma lei abolindo o mercado, como também não dá para revogar a lei da oferta e da procura... Ao final do seu comunicado, o Rev. Marcelo Carneiro fala que não soube usar o poder, porque não foi seduzido por ele. Poder, parodiando o sambista, são “cinco letras que choram num soluço de dor”. Essa é a guerra que existe nas instituições de nossa Igreja, a luta pelo poder. A lógica da nova Rede Metodista de Educação vai levando para longe da Igreja e de seus membros o ideal plantado em terras brasileiras por Martha Watts e J.M. Lander ainda no século 19, fundadores do Piracicabano e do Granbery, e muitos outros. A educação em nossa Igreja hoje em dia é um meio e não mais um fim. Hoje em dia, ainda existe uma ligação entre ela e a Igreja, mas essa ligação, pelo aumento de poder que a Rede vai, aos poucos, conseguindo, vamos repetir a situação da Igreja Metodista Americana, que praticamente perdeu todas as suas universidades, transformadas em fundações independentes e sem nenhuma influência da Igreja. Felizmente, lá eles tomaram a mesma providência tomada na criação do IMS no Brasil. Isto é, as universidades teriam que se responsabilizar pelas Escolas de Teologia metodistas. Assim, nos Estados Unidos, temos ótimas escolas de Teologia, como Yale, Duke, Drew, Boston University e na SMU, que mantém o nome metodista em sua marca porque ela vale muito por motivos de marketing. Ou seja, não dá para fugir do “maldito” mercado. Outra questão da qual não podemos fugir nessa questão de escolas de teologia é a finalidade real delas. Antigamente, quando se chamava a Faculdade de Teologia de “menina dos olhos de nossa Igreja”, ela era chamada também de “Casa dos Profetas”. E hoje, ela está formando profetas, que falem, como pastores, em nome de Deus, ou está simplesmente preparando “teólogos” para escrever livros, fazer cursos de aperfeiçoamento, ser professores ou diretores em nossas escolas de nível superior? Não tenhamos dúvidas, a crise de identidade de nossa Igreja não é culpa de leigos mas dos pastores. Nunca houve na história do Metodismo, repleta de divisões em quase todos os países, um movimento desagregador liderado por leigos. Quando aderem é porque foram levados na conversa de pastores nos quais confiavam. Não conheço as estatísticas mas tenho a impressão que a média de idade dos alunos de gradua- ção na Faculdade de Teologia de São Paulo é muito menor do que nesses seminários regionais. Gostaria e conhecer esses números. A mim me parece que nesses seminários regionais o que existe mesmo são as “vocações tardias”, que podem significar um chamado especial de Deus, como também podem significar que se trata de pessoas que não conseguiram realizar-se em atividade nenhuma e que vêem o pastorado como tábua de salvação para suas vidas. Daí termos esse excesso de pastores coadjutores em muitas igrejas. Mesmo igrejas pequeninas têm, hoje em dia, mais de um pastor. E há então esse excesso de presbíteros, com direitos que a Igreja não pode atender, compondo concílios regionais gigantescos, como o da Primeira Região, caríssimos, nos quais os leigos são uma minoria e onde não há a mínima chance de uma discussão objetiva dos problemas da Igreja. Voltando à Faculdade de Teologia do Bennett, deve-se dizer francamente que ela, desde os tempos em que se chamava Instituto Asbury, funcionando no Instituto Central do Povo, ou Seminário Bispo César, já então funcionando no Bennett, nunca esteve com essa bola toda. Na maioria dos anos, tudo foi muito improvisado. Essa era uma das queixas do saudoso Rev. Frederick Blake Maitland, que dirigiu o “César Dacorso” por muitos anos. Essa falta de identidade metodista, que é mais visível em nossa Região Eclesiástica, deve ser fruto, em grande parte de nosso Seminário Regional. Esse é um problema também de nossa Faculdade de Teologia, de São Paulo, que deveria, por força de sua tradição de quase 100 anos, porque já existia antes dela o Seminário do Granbery, com professores que escreveram o seu nome na história de nossa Igreja, manifestar-se a respeito das questões básicas de nossa Igreja, sem medo da perda de posições. Suas atitudes depois do último Concílio Geral, não se posicionando claramente com relação à violência da aprovação de uma política antiecumênica da Igreja Metodista, foram uma decepção da comunidade metodista que ainda se dispõe a pensar. Pode-se até dizer, em defesa dela, que o Concílio Geral é a autoridade máxima da Igreja. É. Mas ele não tem a força e o poder de fazer com que não se pense. Suas decisões podem e devem ser discutidas. Voltaremos ao assunto. O SEPULTAMENTO DO REV. EUGÊNIO SIAS Falamos na semana passada sobre a vida do Rev. Eugênio. Hoje sobre o seu sepultamento, ao qual compareceram muitas pessoas, a maioria de nossa igreja de Vila Isabel. Há diversos pontos a comentar, além da tristeza de todos com a perda de pessoa tão querida. O primeiro deles, é que o Bispo estava lá. Com o atraso da chegada do corpo, o sepultamento tam- bém atrasou muito. O Bispo, o pastor dos pastores, não pôde esperar em virtude de outro compromisso. Lamentável, principalmente pela posição que representa. No sepultamento de minha mãe, que não era pastora mas viúva de pastor, ele estava em São Paulo numa reunião do Colégio Episcopal , largou tudo e veio ao Rio para oficiar na cerimônia fúnebre, voltando incontinente a São Paulo. Nossa família é muito grata a ele por aquela atitude. Foi uma pena que ele tivesse ido embora no sepultamento do Rev. Eugênio, a quem havia visitado naquela semana. Tendo em vista a justiça da razão, creio que nenhuma pessoa das que o esperavam para esse compromisso ficaria desapontada com o seu atraso. Felizmente tivemos no sepultamento, que não seguiu totalmente o ritual, duas intervenções que vale a pena registrar aqui. A primeira delas, a do Rev. Ronan Boechat, curtíssima, de aproximadamente três minutos. Além do que lhe pediram, a leitura de dois versículos bíblicos, ele ofereceu palavras de consolo aos familiares e, de maneira especial, se dirigiu aos três empregados do Cemitério, popularmente chamados coveiros, que lhe prestaram uma obsequiosa atenção. O Rev. Ronan lhes falou que sua tarefa naquela tarde era muito importante porque eles estavam enterrando uma pessoa muito importante, que era um pastor de almas chamado por Deus para servir aos homens e ajudar a implantar o Reino de Deus na terra. Eu creio que essa palavra representou, na mente e no coração daqueles humildes homens, alguma coisa especial, uma exceção de dignidade numa tarefa socialmente desprezada, a de ajeitar um caixão na chamada “última morada” e derramar terra por cima. Naquele dia, certamente, eles tiveram que relatar às suas esposas e familiares, depois de um domingo chuvoso e desgastante, a satisfação de terem participado de um enterro muito importante, o de um pastor de almas. Parabéns pela criatividade do Rev. Ronan que, em poucas palavras, sem discurso inflamado e cheio de “evidentementes”, marcou, com uma palavra de esperança, de fé e de confiança em Deus, uma cerimônia que normalmente é triste pela própria natureza. O Rev. Marcelo Corrêa, que teve despertado o seu chamado para o ministério no pastorado do Rev. Eugênio em Vila Isabel, marcou também, com poucas frases, um retrato da personalidade do Rev. Eugênio no trato com os jovens e juvenis da nossa igreja e do estilo do seu pastorado. Depois de ressaltar sua amizade, seu companheirismo e o fato de estar sempre presente nas atividades dos jovens, ele proferiu uma frase lapidar: “Como pastor, o Rev. Eugênio provou que o que o que prende um jovem na igreja não é a guitarra ou a bateria mas outros valores”. No que tinham inteira razão, não só Marcelo Corrêa mas o próprio Rev. Eugênio. N Que há pela Vila o próximo sábado, dia 1º de agosto, nossa igreja abrigará um encontro tri-distrital das Sociedades de Mulheres. Aqui se reunirão sociedades dos Distritos do Catete, Cascadura e Penha. A programação começa às 14 horas, indo até o final de tarde, sob a liderança de Jane Gonçalves, SD do Distrito do Catete. A presidente Suely Mattos está convocando todas as mulheres da Vila para estarem aqui naquele dia e participarem da programação. E nos dias 1 e 2 de agosto acontecerá no Acampamento Clay um reencontro dos juvenis que participaram de congressos e encontros nos anos de 1979 a 1982. Vila Isabel estará representada por diversos ex-juvenis. Não haverá condução especial e cada participante cuidará de seu meio de transporte. As inscrições devem ser feitas antecipadamente. Informações podem ser obtidas com Roberto Pimenta. D e 31 de julho a 2 de agosto será realizado na Escola de Missões, em Teresópolis, o II Encontro Regional de Evangelistas, com série de estudos e palestras visando ao melhor preparo destes leigos voltados para a evangelização. O Rev. Ronan, Coordenador do Ministério Regional de Missões e Evangelização, lá estará presente. s segundas-feiras, à noite, temos a Igreja no Lar, culto que acontece nas residências daqueles que as oferecem para o evento. Mas, no dia 15 de agosto, um sábado, teremos uma Igreja no Lar muito especial, pois ela será realizada na casa de nossos irmãos Ely e Lydia Leal, na cidade de Rio Claro (SP). O planejado é alugar-se uma van, tendo preferência aqueles que normalmente À frequentam esta programação. E m sua última reunião, o Ministério de Ação Administrativa autorizou o aluguel de um imóvel na Praça Cocotá, próximo à estação das barcas, na Ilha do Governador, para que ali tenhamos nosso Ponto Missionário. As primeiras reuniões já têm acontecido em casa de membros da Igreja Metodista naquela ilha. E por falar em imóvel, está à venda uma propriedade quase defronte à casa ocupada por nossa Congregação do Grajaú, na Rua Uberaba. O Corpo Pastoral (pastores e guiasleigos) reunido na última 4ªfeira, manifestou interesse na aquisição do imóvel e buscará alternativas que serão apreciadas em uma outra reunião marcada para a 4ªfeira, dia 8 de agosto. A Vigília do Coração Aquecido, que normalmente ocorre na manhã do sábado que antecede ao primeiro domingo do mês foi adiada e será realizada no dia 8 de agosto O editor, editor da conceituada revista Ultimato, Elben Cezar, deverá estar conosco nos dias 29 e 30 de agosto, para uma programação especial. No sábado ha- verá palestra e debate. No domingo, ele participará dos cultos. Elben é um leigo presbiteriano. H oje, logo após a Escola Dominical, serão inaugurados dois banheiros para adultos, no segundo andar do Edifício Hilton Vidal Campante. Até aqui, os dois banheiros ali existentes destinavam-se apenas a meninos e meninas. C om a volta das férias do Coordenador e do ViceCoordenador do Ministério da Memória, serão acelerados os projetos para instalação do Espaço Memória de nossa igreja. Logo mais, às 17 horas, será realizada uma reunião do ministério. N a próxima sexta-feira, a Congregação do Grajaú fará uma vigília, das 22 horas até às 5:30 da manhã. JORNAL DA VILA ANO XXIX - Nº 1430 Publicado semanalmente pelo Ministério de Comunicação da Igreja Metodista de Vila Isabel – Rio (RJ). Coordenador do Ministério: Marcus Vinicius Mello Vice-Coord: Simone Lins Diretor: Roberto Pimenta Redator: Luiz Pimenta Xerox e distr: Walquírio Mattos Os artigos assinados são de exclusiva responsabilidade de seus autores.