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Revista Betel
Apresentação
G
raças ao nosso Deus e Pai por mais uma edição da Revista Betel. O objetivo é contribuir,
segundo a misericórdia do nosso Senhor, que
está evidenciado nas palavras de Efésios 4:13.
Até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da
estatura da plenitude de Cristo.
A finalidade desta divulgação é para que Cristo seja conhecido, e por este conhecimento muitos sejam salvos e
edificados. Por isso, pedimos a todos os leitores que orem
por este ministério, para que Deus continue usando este
pequeno instrumento, na proclamação da boa nova do
evangelho e na edificação de Sua Igreja. Para que não mais
sejamos como meninos, agitados de um lado para outro e levados ao redor por todo vento de doutrina, pela artimanha
dos homens, pela astúcia com que induzem ao erro. Mas, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é
a cabeça, Cristo, de quem todo o corpo, bem ajustado e consolidado pelo auxílio de toda junta, segundo a justa cooperação
de cada parte, efetua o seu próprio aumento para a edificação
de si mesmo em amor. Efésios 4:14-16.
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Revista Betel
“Cristo é tudo em todos” • Ano 4 • Nº 1 • Inverno 2008
Sumário
Apresentação, 1
ESTUDO BÍBLICO
A Graça na Prática ou a Prática da Graça, 3
Jader Charles Malafaia
O Novo Nascimento, 8
Humberto X. Rodrigues
Pecado versus Graça, 13
Glênio Fonseca Paranaguá
A Religião, a Graça e a Pecadora, 18
Tomaz Germanovix
RIQUEZA
DA
GRAÇA
Entristecer o Espírito Santo, 22
Billy Graham
Graça, 26
A. T. Pierson
Vida em Cristo, 30
Julio Cesar Lucarevski
A Solidão de Deus , 36
Arthur W. Pink
Enganos Fatais, 40
Sinval Teófilo da Silva
LEGADO
FÉ Salvadora - Um Dom de Deus, 43
Robert Murray McCheyne
Associação Betel, 47
Revista Betel
ESTUDO BÍBLICO
A Graça na Prática
ou a Prática da Graça
3
Jader Charles Malafaia
Pois somos feitura dEle, criados
em Cristo para as boas obras...
Efésios 2:10
É
verdade que fomos escolhidos por Deus para a
salvação, e que pela Sua
misericórdia nos gerou de
novo e nos tornou Seus filhos através
da ressurreição de Jesus Cristo, conforme 1 Pedro 1:3: Bendito o Deus e
Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que,
segundo a sua muita misericórdia, nos
regenerou para uma viva esperança,
mediante a ressurreição de Jesus Cristo
dentre os mortos.
É verdade que o Senhor Deus,
o Pai, nos levou a Jesus Cristo: Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me
enviou, não o trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia; João 6:44, e é
também verdade que quando o Pai
nos levou a Jesus Cristo, Ele, o Filho,
nos atraiu ao Seu Corpo para fazer
da Sua morte, a nossa morte: E eu,
quando for levantado da terra, atrairei
todos a mim mesmo. João 12:32.
É verdade que morremos: porque
morrestes, e a vossa vida está oculta
juntamente com Cristo, em Deus. Co-
4
ESTUDO BÍBLICO
lossenses 3:3. Também sabemos que
o corpo do pecado que nos levava a
ser pecadores foi totalmente destruído: sabendo isto: que foi crucificado
com ele o nosso velho homem, para que
o corpo do pecado seja destruído, e não
sirvamos o pecado como escravos; Romanos 6:6
Quando nos olhamos no espelho,
vemos que somos aquela mesma pessoa, pelo menos na aparência, com
quem estamos tão acostumados a
ver e de quem sabemos toda a história. O fato relevante é que, embora o
vaso seja o mesmo e, aparentemente,
seja igual, houve uma morte e uma
ressurreição dentro desse corpo. O
espírito morto, que agora foi vivificado, e essa alma, que traz registrada
na memória o período em que estava
em trevas e que foi condicionada ao
raciocínio da escravidão, experimentam agora a presença santa da vida de
Cristo.É preciso, com urgência, ter a
mente reciclada para que se possa raciocinar como nova criatura.
Isto, portanto, digo e no Senhor testifico que não mais andeis como também
andam os gentios, na vaidade dos seus
próprios pensamentos, obscurecidos de
entendimento, alheios à vida de Deus
por causa da ignorância em que vivem,
pela dureza do seu coração, os quais,
tendo-se tornado insensíveis, se entregaram à dissolução para, com avidez, cometerem toda sorte de impureza. Mas
Revista Betel
não foi assim que aprendestes a Cristo,
se é que, de fato, o tendes ouvido e nele
fostes instruídos, segundo é a verdade
em Jesus, no sentido de que, quanto ao
trato passado, vos despojeis do velho homem, que se corrompe segundo as concupiscências do engano, e vos renoveis
no espírito do vosso entendimento, e vos
revistais do novo homem, criado segundo Deus, em justiça e retidão procedentes da verdade. Efésios 4:17-24.
O despojar do velho homem deve
ser tratado na maneira de pensar
como velha criatura, já que, de fato,
foi crucificado com ele o nosso velho homem, para que o corpo do pecado seja
destruído. Isto significa que os nossos
pensamentos têm que ser estabelecidos conforme convém a uma nova
criatura. Os pensamentos do homem
foram os seus norteadores quando
na impiedade: “entre os quais também
todos nós andamos outrora, segundo
as inclinações da nossa carne, fazendo
a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos, por natureza, filhos da
ira, como também os demais. Efésios
2:3. Agora, como regenerados, precisamos entender quem realmente
é essa nova criatura; não tendo mais
passado (no sentido de que, quanto ao
trato passado, vos despojeis do velho
homem), tudo o que se refere a ela,
nova criatura, é totalmente novo: E,
assim, se alguém está em Cristo, é nova
criatura; as coisas antigas já passaram;
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ESTUDO BÍBLICO
eis que se fizeram novas. 2 Coríntios
5:17. Agora, toda a visão, operação e
modo de pensar são diferentes (e vos
renoveis no espírito do vosso entendimento, e vos revistais do novo homem,
criado segundo Deus, em justiça e retidão procedentes da verdade), pois pela
Sua Graça, o Senhor Jesus nos tornou completamente outros; mas vós
sois dele, em Cristo Jesus, o qual se nos
tornou, da parte de Deus, sabedoria, e
justiça, e santificação, e redenção.1 Coríntios 1:30.
A prática da nova maneira de pensar leva-nos a uma forte convicção do
conhecimento da grandeza e intensidade da obra de Cristo em nós: para
que o coração deles seja confortado e
vinculado juntamente em amor, e eles
tenham toda a riqueza da forte convicção do entendimento, para compreenderem plenamente o mistério de Deus,
Cristo. Colossenses 2:2.
Não basta apenas crer na nossa
morte e ressurreição juntamente com
Cristo, embora sejam os únicos fundamentos realmente válidos. É necessário trazer sempre à memória o fato
dessa morte e a nossa identificação
nela, para que as nossas mentes e corações sejam impregnados com essa
verdade e, em todas as situações que
se apresentem, fique evidente essa
operação da Graça de Deus em nós.
Temos que levar sempre no corpo o
morrer de Jesus para que experimen-
5
temos a manifestação de Sua vida em
nossos corpos: levando sempre no corpo o morrer de Jesus, para que também
a sua vida se manifeste em nosso corpo.
2 Coríntios 4:10.
O levar no corpo o morrer de Jesus está intimamente ligado à ação
diária de levarmos a cruz de Cristo,
que é a nossa cruz: E dizia a todos:
Se alguém quer vir após mim, neguese a si mesmo, e tome cada dia a sua
cruz, e siga-me. Lucas 9:23. E a contínua confissão desse fato, conforme
Gálatas 2:20: Já estou crucificado com
Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo
vive em mim; e a vida que agora vivo
na carne vivo-a na fé do Filho de Deus,
o qual me amou e se entregou a si mesmo por mim”.
A evocação da realidade da nossa morte e ressurreição juntamente com Cristo faz com que a nossa
mente considere que, naquele vaso
de barro, há um tesouro inestimável, que é a Vida de Cristo: Temos,
porém, esse tesouro em vasos de barro,
para que a excelência do poder seja de
Deus e não de nós. 2 Coríntios 4:7.
Embora olhemos para nós e consideremos que somos aparentemente os
mesmos, o fato é que naquele corpo
habita agora toda a Divindade, e a
Graça de Deus é que opera em nós
é nos faz agir, pensar, vencer, operar,
manifestar a Vida de Cristo e refletir
a Glória do Senhor: Mas todos nós,
6
ESTUDO BÍBLICO
com cara descoberta, refletindo, como
um espelho, a glória do Senhor, somos
transformados de glória em glória, na
mesma imagem, como pelo Espírito do
Senhor. 2 Coríntios 3:18.
O problema que enfrenta o regenerado em tomar posse de todas as
bênçãos, que no Senhor Jesus Cristo recebemos, conforme Efésios 1:3,
Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor
Jesus Cristo, o qual nos abençoou com
todas as bênçãos espirituais nos lugares
celestiais em Cristo, está na falta de entendimento da plena Graça de Deus.
Olhamos para nós e consideramos
que, por sermos falhos, não poderia
haver uma operação Divina através
de nós. Talvez o nosso conhecimento
teórico da Graça não se coadune com
a sua aplicação prática, visto que sabemos o que é Graça para a salvação,
mas não consideramos a sua aplicabilidade no Homem quanto à vida.
Deus escolheu aquilo que não tinha
valor para que Ele atribuísse o valor
à Sua obra: E Deus escolheu as coisas
vis deste mundo, e as desprezíveis, e as
que não são para aniquilar as que são.
1 Coríntios 1:28. Ouvi, meus amados
irmãos. Porventura, não escolheu Deus
aos pobres deste mundo para serem ricos
na fé e herdeiros do Reino que prometeu
aos que o amam? Tiago 2:5, Não temas,
ó pequeno rebanho, porque a vosso Pai
agradou dar-vos o Reino. Lucas 12:32
A confissão diária de nossa morte
Revista Betel
juntamente com Cristo nos faz ficar
mentalmente atentos à realidade da
vida de Cristo em nós. Talvez alguns
estejam procurando em outros lugares o modo pelo qual “terão” vidas
abundantes, por entender que deve
acontecer algo sensorial e extraordinário quando essa vida se manifestar,
mas a receita da Palavra de Deus é:
levando sempre no corpo o morrer de
Jesus, para que também a sua vida se
manifeste em nosso corpo. É levando no
corpo essa morte que a Vida se manifesta, e isso é Graça, quando nada
do que fomos interessa, e, aquilo que
somos, fazemos, faremos ou seremos,
é tão-somente fruto da operação da
Graça de Deus em nós e através de
nós, tornando-nos operantes para
as boas obras que Deus de antemão
preparou, para que andássemos nelas: Porque somos feitura sua, criados
em Cristo Jesus para as boas obras, as
quais Deus preparou para que andássemos nelas. Efésios 2:10. Seremos
capazes de realizar muito mais do
que nós imaginamos: Mas, pela graça
de Deus, sou o que sou; e a sua graça,
que me foi concedida, não se tornou vã;
antes, trabalhei muito mais do que todos eles; todavia, não eu, mas a graça
de Deus comigo. 1 Coríntios 15:10.
As nossas mentes, como regeneradas, têm que considerar essa mudança sob pena de não tomar posse
de tudo quanto recebemos em Cristo
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ESTUDO BÍBLICO
Jesus, e só com a renovação do nosso entendimento é que poderemos
saber a vontade de Deus: E não vos
conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso
entendimento, para que experimenteis
qual seja a boa, agradável e perfeita
vontade de Deus. Romanos 12:2.
A Graça, na prática, se manifesta
quando olhamos para nós e sabemos
que somos regenerados, e consideramos que nada podemos fazer por
nós mesmos, mas que n’Ele podemos
todas as coisas, exatamente como o
Senhor Jesus disse: Eu sou a videira,
vós, as varas; quem está em mim, e eu
nele, este dá muito fruto, porque sem
mim nada podereis fazer. João 15:5
e posso todas as coisas naquele que me
fortalece. Filipenses 4:13.
Com o nosso entendimento renovado, temos a mente de Cristo: Porque quem conheceu a mente do Senhor,
para que possa instruí-lo? Mas nós
7
temos a mente de Cristo. 1 Coríntios
2:16. Diferentemente daqueles que
viram a regeneração como uma promessa distante, conforme Hebreus
11:13 “Todos estes morreram na fé,
sem terem recebido as promessas, mas,
vendo-as de longe, e crendo nelas, e
abraçando-as, confessaram que eram
estrangeiros e peregrinos na terra, agora podemos ter o entendimento de
Cristo, e vemos na comparação dos
textos de Deuteronômio e o de Mateus, essa introdução do entendimento: Deuteronômio 6:5 Amarás, pois,
o SENHOR, teu Deus, de todo o teu
coração, de toda a tua alma e de toda
a tua força., e Mateus 22:37; Respondeu-lhe Jesus: Amarás o Senhor, teu
Deus, de todo o teu coração, de toda a
tua alma e de todo o teu entendimento.
E, com esse entendimento, pratiquemos a Graça para sermos sal na terra
e luz neste mundo e, assim, faremos
com vigor a obra do nosso Deus.
A natureza da salvação de Cristo é deturpada de forma lamentável pelos “evangelistas” de
hoje em dia. Eles anunciam mais um Salvador do inferno do que um Salvador do pecado. E assim
é porque muitos estão fatalmente ludibriados, e porque há multidões que desejam escapar do
Lago de Fogo, mas sem terem o mínimo desejo de serem libertas da sua própria carnalidade e
mundanismo. A primeira coisa dita dEle no Novo Testamento é: A quem chamarás JESUS; porque
ele salvará o seu povo (“não da ira vindoura”, mas) dos seus pecados .Mateus 1:21. Cristo é um
Salvador para aqueles que percebem algo da excessiva malignidade do pecado, que sentem o
terrível fardo dele sobre suas consciências, que se detestam a si mesmos por culpa dele, que
desejam serem livres do seu terrível domínio; e um Salvador para ninguém mais. Se realmente
Ele “salvasse do inferno” aqueles que ainda amam o pecado, Ele seria um Ministro do pecado,
perdoando sua maldade e apoiando-os contra Deus. Que coisa indizivelmente horrível e blasfema
com a qual acusam o Santo!
-- Arthur W. Pink
8
ESTUDO BÍBLICO
O Novo Nascimento
Revista Betel
Humberto X. Rodrigues
A isto, respondeu Jesus:
Em verdade, em verdade
te digo que, se alguém não
nascer de novo, não pode
ver o reino de Deus.
João 3:3.
O
que é o novo nascimento? No Velho Testamento, a definição
de novo nascimento é
dada como a troca de coração: Darvos-ei coração novo e porei dentro de
vós espírito novo; tirarei de vós o coração de pedra e vos darei coração de
carne. Ezequiel 36:26. Jesus fala de
novo nascimento como a troca de
vida. Quem acha a sua vida perdêla-á; quem, todavia, perde a vida por
minha causa achá-la-á. Mateus 10:39.
Ser regenerado significa possuir, no
seu interior, a vida de Cristo.
A morte de Cristo é o término da
nossa velha vida. E a ressurreição de
Cristo é o início da nova vida. Não
é mudança da velha natureza, mas a
implantação de uma nova vida. Ali,
na cruz, foi realizada uma grande
transação, perdemos a nossa velha
vida e ganhamos a vida de Cristo.
O que não é novo nascimento?
Não é educação religiosa, não é possuir um diploma de teologia, e nem
Revista Betel
ESTUDO BÍBLICO
um diploma de batismo nas águas,
não é ser membro de uma organização religiosa, não é ter justiça própria, que é o ato da velha natureza,
tomar os preceitos de Deus e procurar praticá-los, não é a transferência
de um grupo para outro, não é reencarnação, em que o indivíduo vai
reencarnando até chegar à perfeição,
não é ter um comportamento exemplar, ser educado, gentil, prestativo,
bondoso, amável...
Por que o novo nascimento? Porque, com esta vida espiritual que
herdamos em Adão, fica impossível
alguém entrar no Reino de Deus. Ou
não sabeis que os injustos não herdarão
o reino de Deus? Não vos enganeis: nem
impuros, nem idólatras, nem adúlteros,
nem efeminados, nem sodomitas, nem
ladrões, nem avarentos, nem bêbados,
nem maldizentes, nem roubadores herdarão o reino de Deus. I Coríntios 6:910. Muitos pensam que, para nascer
de novo, basta deixar de fazer coisas
erradas e substituí-las por coisas “certas”, porém, não se trata de fazer ou
não fazer coisas certas; o problema é
que todos os homens já nascem errados.
O apóstolo Paulo, em crise, ganha
a revelação de que o único problema
de sua vida reside numa só coisa: pecado. Porque nem mesmo compreendo
o meu próprio modo de agir, pois não
faço o que prefiro, e sim o que detesto.
9
Ora, se faço o que não quero, consinto
com a lei, que é boa. Neste caso, quem
faz isto já não sou eu, mas o pecado que
habita em mim. Romanos 7: 15-16.
Como nascer de novo? A consciência da nossa miserabilidade decorre da revelação de Deus em Sua
palavra. Exemplo: desde a planta do
pé até à cabeça não há nele coisa sã,
senão feridas, contusões e chagas inflamadas, umas e outras não espremidas,
nem atadas, nem amolecidas com óleo.
Isaias 1:5. Você vai ao médico para
fazer um exame, e, lá, ele descobre a
presença de um tumor maligno. Ao
ser comunicado do seu estado de
saúde, você tem duas opções: ignorar
o diagnóstico do médico, ou confiar e
se entregar para ser submetido a uma
cirurgia. Respondeu-lhes Jesus: Os sãos
não precisam de médico, e sim os doentes. Não vim chamar os justos, e sim
pecadores, ao arrependimento. Lucas
5:31. Deus desceu até às profundezas da nossa ruína para nos curar.
A cruz revela o juízo de Deus contra toda a carne e, ao mesmo tempo,
mostra a Sua salvação para o pecador perdido e culpado. O Pecado é
perfeitamente julgado, o pecador é
perfeitamente salvo, e Deus é perfeitamente revelado e inteiramente
glorificado na cruz. Tudo o que o
homem precisa é conhecer a verdade de Deus. Uma simples declaração de Deus é suficiente. A Palavra
10
ESTUDO BÍBLICO
de Deus, que é pura, incorruptível e
eterna, nos assegura que o sacrifício
do Senhor Jesus é o perfeito fundamento de tudo que precisamos para
o descanso de nossas almas. Pois fostes regenerados não de semente corruptível, mas de incorruptível, mediante a
palavra de Deus, a qual vive e é permanente. I Pedro 1:23.
Deus o Pai delineou o plano;
Deus o Filho lançou o fundamento;
e Deus o Espírito Santo é o agente
revelador por meio da Palavra. Toda
a estrutura está montada para que o
homem seja salvo, e, sobre esta estrutura, lê-se a inscrição, pela graça sois
salvos. Fé é crer tão-somente no que
Deus disse. Fé significa ser governado pelo que Deus disse, e não pelos
nossos sentimentos. Porém que se
diz? A palavra está perto de ti, na tua
boca e no teu coração; isto é, a palavra
da fé que pregamos. Se, com a tua boca,
confessares Jesus como Senhor e, em teu
coração, creres que Deus o ressuscitou
dentre os mortos, serás salvo. Porque
com o coração se crê para justiça e com
a boca se confessa a respeito da salvação. Porquanto a Escritura diz: Todo
aquele que nele crê não será confundido.Romanos 10:8-11. A palavra confessar no grego é homologar e significa concordar com Deus. Quem está
dizendo que morremos com Cristo é
o próprio Deus, então, morremos.
O que é o Reino de Deus? Jesus ao
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ser questionado pelos fariseus acerca
da vinda do reino, responde: Interrogado pelos fariseus sobre quando viria
o reino de Deus, Jesus lhes respondeu:
Não vem o reino de Deus com visível
aparência. Nem dirão: Ei-lo aqui! Ou:
Lá está! Porque o reino de Deus está
dentro em vós. Lucas 17:20-21. Jesus
ensinou que o reino de Deus não é
um acontecimento futuro, mas um
relacionamento íntimo com Ele no
presente, dentro em vós. Este reino
não está em nenhuma placa denominacional e nem ocupa um espaço
geográfico. Este reino é espiritual.
Entrar no reino de Deus significa que Cristo vive e reina em nós. A
palavra de Deus fala de um reino da
graça. Sobreveio a lei para que avultasse a ofensa; mas onde abundou o pecado, superabundou a graça, a fim de
que, como o pecado reinou pela morte,
assim também reinasse a graça pela
justiça para a vida eterna, mediante
Jesus Cristo, nosso Senhor. Romanos
5:20-21. A graça divina não opera
em detrimento da justiça, mas a graça reina pela justiça; e é evidente que
se a graça “reina”, então ela é soberana.
O nascido de novo está sob o reinado da graça, consciente e apoiado
na suficiência de Cristo, e seguro de
que nada mais tem a fazer, a não ser
celebrar a vida. Então, você já nasceu
de novo? Está escrito: SENHOR é
Revista Betel
ESTUDO BÍBLICO
tardio em irar-se, mas grande em poder
e jamais inocenta o culpado. Naum
1:3. Ninguém nasce neste mundo
como um inocente; todos nós somos
culpados, e, para o culpado, o remédio é a graça de Deus. “Se você nunca
nascer de novo, desejará nunca ter
nascido”. Derek Cleave .
A definição básica de vida cristã é:
não mais eu, mas Cristo. Isto equivale a dizer que a vida cristã é uma vida
de substituição. Deus não veio a este
mundo com o objetivo de transformar o homem, e sim substituí-lo. Se
pegarmos uma barra de chumbo e a
transformarmos em uma estatueta, o
resultado é uma mudança de forma;
contudo a massa, isto é, a essência,
continua sendo chumbo. De igual
modo, Deus não vai pegar a nossa essência, isto é, a nossa natureza espiritual que é perversa, condenada, sob
a sentença de morte, e transformá-la.
Por mais gentil, educado, cordial,
prestativo, de boa índole que alguém
possa ser, está sob sentença de morte. Eis que todas as almas são minhas,
como a pai, também a alma do filho é
minha; a alma que pecar, esta morrerá.
Ezequiel 18:4.
Nada há que se aproveite no ser
humano, nem o próprio Deus viu
algo de bom que pudesse ser aproveitado. Quem da imundícia poderá tirar
coisa pura? Ninguém. Jó 14:4. A salvação oferecida por Deus não é um
11
aperfeiçoamento da velha vida. Ninguém ousaria lavar e passar uma calça velha para depois jogá-la no lixo.
Jesus disse: Ninguém costura remendo
de pano novo em veste velha; porque o
remendo novo tira parte da veste velha,
e fica maior a rotura. Marcos 2:21.
Deus só nos recebe após a cruz. O
que isto significa? Que é impossível
alguém entrar em comunhão com
Deus sem passar por Cristo. Não
há possibilidade de alguém acessar o
reino de Deus sem primeiro perder a
própria vida.
Deus não pode aprovar, ou mesmo aproveitar, nada em nós, por
mais inocentes que sejamos ou belos
que pareçamos aos olhos humanos.
Por isso só existe um remédio para
o homem: “morte”. Mas o Senhor dos
Exércitos se declara aos meus ouvidos,
dizendo: Certamente esta maldade não
será perdoada, até que morrais, diz o
Senhor, o Senhor dos Exércitos. Isaías 22:14. Deus resgata o indivíduo,
aniquilando-o, e depois ressuscita-o
para uma nova vida. No dizer de Watchman Nee: “Não é uma vida transformada mas sim uma vida substituída. Não é supressão, mas expressão.
Essa vida não pode ser produzida
por você mesmo, mas é Cristo vivendo em você. Não conquistada por esforço, mas obtida gratuitamente”.
Ele vos deu vida, o que isto significa? Substituição: sai a velha nature-
12
ESTUDO BÍBLICO
za e entra a nova. Disse Jesus: E eu,
quando for levantado da terra, atrairei
todos a mim mesmo. Isto dizia, significando de que gênero de morte estava
para morrer. João 12:32 e 33. Fomos
atraídos em seu corpo no momento
da Sua crucificação. Ali, na cruz, perdemos a velha natureza. Mas Cristo
não permaneceu na cruz, nem na
sepultura, Ele ressuscitou. Assim
como fomos incluídos na sua morte,
também fomos em sua ressurreição:
Porque, se fomos unidos com ele na semelhança da sua morte, certamente, o
seremos também na semelhança da sua
ressurreição,
Assim como a cruz representa o
fim do homem, a ressurreição representa o começo de uma nova vida.
A cruz representa o fim repentino
de nós mesmos. Tozer escreveu: “O
homem, na época romana, que tomou a sua cruz e seguiu pela estrada,
já se despedira de seus amigos. Ele
não mais voltaria. Estava indo para
o seu fim. A cruz não fazia acordos,
não modificava nem poupava nada;
ela acabava completamente com o
homem, de uma vez por todas. Não
tentava manter bons termos com sua
vítima. Golpeava-a cruel e duramen-
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te e, quando terminava seu trabalho,
o homem não mais existia.”
Quem quiser possuir a nova vida
deve repudiar a sua própria vida e
concordar com a justa sentença de
Deus. Porque o salário do pecado é
a morte. Romanos 6:23a. Feito isto,
contemple com confiança o Salvador,
pois o poder que levantou o Senhor
Jesus dentre os mortos foi o mesmo
poder que nos levantou para uma
nova vida em Cristo. Fomos substituídos, fomos despedidos; agora,
Cristo é a nossa vida.
É a manifestação desta nova vida
no dia-a-dia do regenerado é natural. Exemplos: Qual é o esforço que
fazemos para respirarmos? Qual o
esforço que uma laranjeira faz para
produzir laranjas? Nenhum. É uma
questão de essência: a seiva que passa
pelo tronco é a mesma que vai para
os ramos. Cristo é a videira, nós os
seus ramos. Todo esforço que fizermos para acrescentarmos vida na
vida é inútil e desgastante. Quem crer
em mim, como diz a Escritura, do seu
interior fluirão rios de água viva. João
7:38 Louvado seja Deus pela salvação
que nos foi dada em Cristo. Amém.
Judas ouviu todos os sermões de Cristo.
-- Thomas Goodwin
Revista Betel
ESTUDO BÍBLICO
Pecado versus Graça
13
Glênio Fonseca Paranaguá
Portanto, assim como por um
só homem entrou o pecado no
mundo, e pelo pecado, a morte,
assim também a morte passou
a todos os homens, porque
todos pecaram. Pois todos
pecaram e carecem da glória de
Deus. Romanos 5:12 e 3:23.
O
que é o pecado? Alguns
dizem que é orgulho.
Outros afirmam que é
rebeldia. Há também
os que sustentam ser autonomia. Na
verdade o pecado foi uma atitude
teomaníaca de Adão que originou a
sua separação de Deus, bem como de
toda a sua descendência. No pecado
a criatura fica apartada da comunhão
com o seu Criador. O ser humano se
torna morto, isto é, separado espiritualmente de Deus.
O pecado é uma oposição da criatura ao governo do Criador. O homem criado à imagem e semelhança
de Deus não aceita a idéia de não ser
como Deus. Essa é a base de toda a
rebeldia egoísta do pecado. Somos
uma raça contaminada pelo egoísmo
e tentamos viver às nossas próprias
custas.
A trama do pecado propõe a auto-coroação do ser humano como se
ele fosse o próprio Deus. O que está
latente em todo o comportamento
14
ESTUDO BÍBLICO
pecaminoso é a arrogância autônoma de quem quer se dirigir por conta
própria. Sendo assim, podemos dizer
que o pecado é uma sugestão de independência, em que a criatura tenta
viver com os seus recursos naturais.
No fundo dessa obstinação reside
um sentimento de soberania.
O pecado é hereditário e universal. Todos nós nascemos em pecado
e ninguém pode dar uma de Joãosem-braço achando-se imaculado.
Davi percebeu claramente este fato
quando disse: Eu nasci na iniqüidade,
e em pecado me concebeu minha mãe.
Salmos 51:5. Isso não significa que o
seu nascimento tenha sido adulterino, mas que ele foi gerado no âmbito
de uma raça perversa e presunçosa.
Todos os seres humanos, exceto Jesus, foram concebidos em pecado.
Outrossim, o pecado é sempre uma oposição a Deus. Todo
crime é contra a humanidade,
mas o pecado é radicalmente contra a Divindade. Apesar de Davi
ter cometido dois ou três crimes
no contexto desse salmo, ele diz
que o seu pecado era somente contra Deus. Pequei contra ti,
contra ti somente, e fiz o que é mal perante os teus olhos, de maneira que serás tido por justo no teu falar e puro no
teu julgar. Salmos 51:4.
A prova de nossa pecaminosidade
é a morte. O apóstolo Paulo diz que
Revista Betel
o único lucro do pecado são os restos
mortais. Porque o salário do pecado é
a morte, mas o dom gratuito de Deus
é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso
Senhor. Romanos 6:23.
Todos nós somos pecadores por
natureza, não tendo qualquer inclinação natural por Deus. Nenhum
pecador busca automaticamente a
Deus. Não existe essa disposição espontânea do ser humano procurar o
Deus verdadeiro, voluntariamente.
Veja como o salmista expõe a tendência humana. Do céu, olha Deus
para os filhos dos homens, para ver se
há quem entenda, se há quem busque
a Deus. Salmos 53:2. E Paulo reitera de modo definitivo: não há quem
entenda, não há quem busque a Deus;
Romanos 3:11.
A proposta do pecado ao ser humano é a sua emancipação de Deus
e nunca a sua aproximação dele. Não
há interesse instintivo do pecador
com relação à intimidade com Deus.
Tudo o que o pecador almeja é a sua
isenção no que diz respeito à busca
pessoal de Deus, pois no íntimo, o
pecado propõe que o ser humano
seja ele mesmo, o seu deus.
Ora, se ninguém busca a Deus naturalmente, quando resolve buscá-lo,
quem o fez buscar? Aqui entra a graça. Porquanto a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens,
educando-nos para que, renegadas a
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ESTUDO BÍBLICO
impiedade e as paixões mundanas, vivamos, no presente século, sensata, justa e piedosamente. Tito 2:11-12.
O pecado nos tornou arrogantes
e teimosamente rebelados contra
Deus. O Deus trino não faz parte
da nossa agenda repleta de compromissos. Mas a graça vem em
Cristo de um modo polido, e, irresistivelmente nos atrai para o coração do Pai. Somos convidados por
um amor incondicional a participar
de um relacionamento sem cobranças.
Todas as religiões do mundo começam com a iniciativa humana de
criar um deus à imagem e semelhança da criatura e de fazê-lo digno de
veneração. Nessas religiões vemos a
criação construindo seus ídolos e altares como um invento de sua imaginação. Porém, no Cristianismo é o
Criador quem empreende a busca da
criatura. A boa notícia do Evangelho
mostra o eterno Caçador farejando e
perseguindo a caça que ele ama com
amor integral, até alcançá-la. No
Evangelho é a graça que procura o
desgraçado.
Pecado é tudo o que pretende
exaltar a criatura em lugar do Criador. O sentimento que nos enaltece
é ameaçador. A carência de elogio ou
a cata de um tamanco que nos eleve é muito arriscada, pois podemos
torcer o pé. O pecado gosta do culto
15
à personalidade. A graça é a contratura do Criador para obter a cria na
dimensão da criatura. Na graça, o
Deus absoluto não temeu se reduzir
até ao diâmetro de servo com bacia
nas mãos e cruz nas costas, pois, antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em
semelhança de homens; e, reconhecido
em figura humana. Filipenses 2:7.
Se o pecado pode ser definido
como a arrogância da teomania humana, a graça pode ser descrita como
Deus na estatura de um homem se revelando totalmente favorável àquele
que é o mais detestável dos rebeldes.
O caráter da graça é a indignidade
do indigente. Quanto mais descrédito perante a lei, mais crédito diante
da graça. O Evangelho é a boa nova
para os canalhas e o habeas-corpus a
todos os sentenciados ao inferno.
Alguém disse que graça é mais do
que favor a quem não merece, é favor
cabal àquele que tem completo demérito. A questão não é se a pessoa
não tem algum merecimento, mas se
ela tem total desmerecimento. A graça só requer integral desonra a fim
de poder honrar aquele que é o mais
cafajeste dos pecadores. Sobreveio a
lei para que avultasse a ofensa; mas
onde abundou o pecado, superabundou
a graça. Romanos 5:20.
Jesus mostrou o estilo magnânimo do reino da graça, quando con-
16
ESTUDO BÍBLICO
tou uma parábola de um homem rico
que preparou uma grande ceia e convidou muita gente. Todavia os convidados não deram bola para o convite
nem fizeram caso da festa. Eles eram
muito importantes e tinham negócios vantajosos em vista.
Talvez aqueles convidados tenham
rejeitado o ingresso ao banquete da
graça, porque eles eram nobres demais a fim de participar de um festival que não lhes custasse coisa alguma, nem lhes agregasse algum valor
especial. A reação daquele senhor
perante o promoter é um sintoma
do caráter da graça: Voltando o servo,
tudo contou ao seu senhor. Então, irado,
o dono da casa disse ao seu servo: Sai
depressa para as ruas e becos da cidade
e traze para aqui os pobres, os aleijados,
os cegos e os coxos. Lucas 14:21.
A graça não exclui ninguém, todavia tem-se percebido que os ilustres
não se sentem à vontade no salão de
festas do reino da graça. Aquele chamamento foi ecumênico, mas apenas
os deficientes puderam comemorar o
evento. O único bloqueio para a celebração do evento é a justiça própria
com seus direitos e privilégios.
Jesus contou uma outra parábola
em que um rei comemorava as bodas do seu filho, quando um penetra
tentou fazer uma boquinha livre. Naquela época era costume do dono da
festa, que fosse rico, dar as vestes festi-
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vais para os convidados, a fim de ninguém se sobressair sobre os outros.
Contudo, havia alguém naquele banquete destoando. Entrando, porém, o
rei para ver os que estavam à mesa, notou ali um homem que não trazia veste
nupcial e perguntou-lhe: Amigo, como
entraste aqui sem veste nupcial? E ele
emudeceu. Mateus 22:11-12.
O mérito é o nosso maior problema.
Nós não gostamos da graça nem aceitamos com facilidade a dependência
divina. Viver tão somente pelo consentimento da opinião do céu é uma
dificuldade terrível para os atrevidos
da terra. Mas aquele rei não concordou com a permanência daquele
abusado que quis ditar as regas da
festa com a sua indumentária. Então,
ordenou o rei aos serventes: Amarrai-o
de pés e mãos e lançai-o para fora, nas
trevas; ali haverá choro e ranger de dentes. Porque muitos são chamados, mas
poucos, escolhidos. Mateus 22:13-14.
O traje na Bíblia tipifica a questão
da justiça. Aquele intrometido queria
ser aceito com a sua justiça e não com
a justiça do rei. A graça nunca acolhe
quem se traja com a sua justiça, uma
vez que os celebrantes da festa do Rei
sempre se vestem com as roupas que
lhe foram dadas no hall do Palácio.
Só a justiça de Cristo pode atender
a dignidade do pecador. Assim, ninguém entra no reino de Deus portando sua reputação pessoal.
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ESTUDO BÍBLICO
Um tempo desses, estive numa
capital do Nordeste celebrando um
casamento. O pai do noivo acabou
esquecendo o seu terno na cidade
onde mora, bem distante do local
da festa, o que causou uma situação
embaraçosa. Um dos tios do noivo
tinha mais de um terno, que podia
emprestá-lo, mas o pai não quis, pois
havia alguma diferença na compleição física, e todos nós queremos ficar
bem na foto. Ele teve que comprar
uma roupa nova, ainda que tivesse
um terno de grife, só para ficar confortável na festa.
No reino de Deus nós seremos
aceitos somente com a vestimenta de
Cristo. Ela é a única justiça feita sob
medida. Nenhuma indumentária
pessoal será admitida nesse aprazível
ágape da graça absoluta. Nós só participaremos da festa, se Cristo for a nossa identidade. Pois todos vós sois filhos
de Deus mediante a fé em Cristo Jesus;
17
porque todos quantos fostes batizados em
Cristo de Cristo vos revestistes. Gálatas
3:26-27. Quero apenas lembrar aqui,
que este batismo não é em águas, mas
na identificação com Cristo.
O Pai só nos aceita plenamente na
pessoa do seu Filho amado. Sendo
assim, não há necessidade de vestuários complementares. O filho pródigo, mendigo maltrapilho, quando
foi recebido como fidalgo na casa do
seu pai, foi acolhido sob as expensas
e os cuidados do tesouro paterno. O
pai, porém, disse aos seus servos: Trazei depressa a melhor roupa, vesti-o,
ponde-lhe um anel no dedo e sandálias
nos pés. Lucas 15:22.
Graça é a coleção de inverno, o
guarda-roupa preparado pelo Pai
para os filhos malroupidos. É o Pai
condecorando os falidos com a excelência da aristocracia. É o pecador
sendo recebido no reino de Deus
apenas pela justiça de Cristo.
O IMPACTO DE UM SERMÃO
Campell Morgan é sem dúvida um dos principais expositores da Bíblia deste século, e foi
considerado por alguns como: “O príncipe dos expositores”. Um pregador norte-americano disse,
certa vez, a respeito dele: Sabe que Campell Morgan veio a este país e pregou um sermão que
destruiu todos os sermões que fiz durante quarenta anos? Por quarenta anos eu estive pregando
sobre a necessidade do sacrifício: negando coisas a nós mesmos, desistindo disso e daquilo. Nós
praticávamos isso em nossa família. Deixávamos de comer manteiga por uma semana para usar o
dinheiro de alguma forma que Deus pudesse abençoar. Outra semana, deixávamos outra coisa e
assim por diante. Campell Morgan disse que o que nós precisávamos abandonar era o “eu” e não
as coisas; e esta fora a única coisa que nós não havíamos abandonado em nosso lar. Nós tínhamos
abandonado tudo debaixo do sol, menos o nosso “eu”. Rendei-vos a Deus. Romanos 6:13.
-- Weymouth
18
ESTUDO BÍBLICO
A Religião,
a Graça e a Pecadora
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Tomaz Germanovix
A tua fé te salvou;
vai-te em paz.
Lucas 7:50
C
onvidou-o um dos fariseus
para que fosse jantar com
ele. Jesus, entrando na casa
do fariseu, tomou lugar à
mesa. E eis que uma mulher da cidade, pecadora, sabendo que Ele estava à
mesa na casa do fariseu, levou um vaso
de alabastro com ungüento; e, estando
por detrás, aos seus pés, chorando, regava-os com suas lágrimas e os enxugava
com os próprios cabelos; e beijava-lhe
os pés e os ungia com o ungüento. Ao
ver isto, o fariseu que o convidara dis-
se consigo mesmo: Se este fora profeta,
bem saberia quem e qual é a mulher
que lhe tocou, porque é pecadora. Mas
Jesus disse à mulher: A tua fé te salvou;
vai-te em paz. Lucas 7:36-39 e 50.
A seita dos fariseus já era conhecida há mais de cem anos, antes do
nascimento de Jesus. Segundo Melinda Fish, os fariseus eram “um grupo
de homens sinceros cujo único desejo era, originalmente, o de fazer com
que Israel voltasse à fé no Deus das
Escrituras. A obediência à Lei era o
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ESTUDO BÍBLICO
centro de sua doutrina pois criam
que, desta forma, ganhariam o favor
de Deus, evitando Seu julgamento.
Eram pessoas sinceras, preocupadas
em agir corretamente”.
A mesma escritora também faz
a seguinte observação:” Mas, pela
época da vinda de Jesus, a seita dos
fariseus havia deixado para trás suas
origens humildes e se tornara uma
força que unia os poderes políticos e
religiosos tornando-se, muitas vezes,
maior do que sacerdotes e reis. Eles
haviam elaborado um sistema religioso que definia, para cada judeu,
o que significava ser verdadeiramente espiritual. As massas os temiam.
Certas infrações da lei judaica, como
heresia, eram punidas com a morte, e
o povo os temia por serem, freqüentemente, homens sem misericórdia,
que podiam influenciar os poderes
governantes a condenar e executar
um cidadão comum.” Infelizmente, o
espírito do farisaísmo ainda vive no
cristianismo hoje. A religião farisaica ensina que somente aqueles que
se esforçam bastante, oram muito e
praticam todos os deveres religiosos,
merecem o amor de Deus. O religioso é crítico e sempre tem preparado
muitos textos bíblicos, convenientemente selecionados, para, com eles,
defender as suas próprias convicções.
Armado de sua munição predileta,
o julgamento, está sempre de pron-
19
tidão para atacar todo aquele que
não se conforma com os seus rígidos padrões de espiritualidade. Todos aqueles que trilham o caminho
de um cristianismo fundamentado
no desempenho estão fadados a um
esgotamento espiritual. Tornam-se
pessoas amarguradas e frustradas
consigo mesmas, com os outros e
com a própria religião. Em realidade, todo o que se esforça para obter
a aprovação dos outros, e de Deus, é
um religioso. O fariseu precisa se utilizar de muitas máscaras para poder
ser aceito pelos homens e por Deus.
O religioso é todo aquele que cria
um próprio padrão de retidão moral,
tentando, desta maneira, ser aceito
por Deus. Ao invés de se render à
suficiência da graça para ser aceito
por Deus, prefere, como os fariseus
da época de Jesus, aumentar o tamanho de seus filactérios e alongar
as franjas de seus xales de oração. O
religioso tem uma necessidade doentia de fazer alguma coisa para Deus.
Completamente cego para a suficiência da graça, precisa se apoiar em alguma coisa que possa fazer com que
se sinta merecedor da atenção divina.
Todo religioso vive de aparência.
A tradição dos homens, a busca da
glória e o apego à própria justiça são
marcas de todo religioso. Lemos,
em Marcos 7:9, João 12:42-43, Lucas
16:15: E disse-lhes ainda: Jeitosamente
20
ESTUDO BÍBLICO
rejeitais o preceito de Deus para guardardes a vossa própria tradição. Contudo, muitos dentre as próprias autoridades creram nele, mas, por causa dos
fariseus, não o confessavam, para não
serem expulsos da sinagoga; porque
amaram mais a glória dos homens do
que a glória de Deus. Mas Jesus lhes
disse: Vós sois os que vos justificais a vós
mesmos diante dos homens, mas Deus
conhece o vosso coração; pois aquilo que
é elevado entre os homens é abominação diante de Deus.
O fariseu da narrativa de Lucas é
um típico religioso da época de Jesus.
Consideremos alguns contrastes entre ele e a mulher pecadora: a mulher
estava com um vaso de alabastro repleto de um raro perfume, o fariseu
estava carregado de preconceito. A
mulher derramava lágrimas aos pés
de Jesus e os enxugava com os seus
próprios cabelos, o fariseu esbanjava falsa espiritualidade e julgava. A
mulher ungia os pés de Jesus com o
precioso ungüento, o fariseu se orgulhava de sua religião eletiva. A mulher via em Jesus um salvador que a
aceitava como ela era, o fariseu criticava e não enxergava em Jesus mais
do que um mestre e fazedor de milagres. A mulher estava convicta dos
seus muitos pecados, o fariseu achava-se muito justo. No ponto de vista
do fariseu, somente os especiais, os
morais e os dignos eram amados e
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aceitos por Deus. Porém, Jesus nos
mostra exatamente o contrário. Ele
veio para os perdidos, indignos, imorais e malsucedidos. A religião só
premia os vencedores. A graça elege
somente os fracassados. No mundo
religioso, somente os esforçados são
recompensados por Deus. No reino
da graça, somente os que se vêem
miseráveis e indignos recebem o
tudo de Deus. O compromisso gracioso de Jesus envolve os desprezados, cansados, rejeitados, oprimidos
e falidos, porém a liberdade oferecida pela religião é falsa e mentirosa. A
especialidade da religião é frustrar e
castrar toda a liberdade do homem.
Todo religioso reza numa cartilha
especial chamada: “Isto pode, mas
isto não pode”. O fermento farisaico
produz um sentimento de culpa no
homem, pois somente aqueles que se
enquadram no duro regime imposto
pelo legalismo são aceitos por Deus.
Não existe graça e misericórdia na
religião. O que impera é um sistema
maligno de troca. Faça, e receberás.
Jesus, que conhece todas as coisas e
sabia o que havia no coração do fariseu, disse o seguinte a ele: Certo
credor tinha dois devedores: um lhe
devia quinhentos denários, e o outro,
cinqüenta. Não tendo nenhum dos dois
com que pagar, perdoou-lhes a ambos.
Qual deles, portanto, o amará mais?
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ESTUDO BÍBLICO
Respondeu-lhe Simão: Suponho que
aquele a quem mais perdoou. Replicoulhe: Julgaste bem. Lucas 7: 41-43. O
fariseu foi sábio em sua resposta,
porém estava cego em relação ao Senhor Jesus. O fariseu, acorrentado
pela sua tradição religiosa, continuava insensível em relação às lágrimas
daquela mulher. Não conseguia ver
o arrependimento e a sinceridade
em sua atitude diante do Senhor. Segundo a tradição daquela época, era
sinal de uma boa hospedagem oferecer água para os pés, saudar com
ósculo e passar óleo sobre a cabeça
dos convidados. Porém, nada disso
vemos no fariseu. Então, Jesus, voltando-se para a mulher, disse a Simão:
Vês esta mulher? Entrei em tua casa,
e não me deste água para os pés; esta,
porém, regou os meus pés com lágrimas
e os enxugou com os seus cabelos. Não
me deste ósculo; ela, entretanto, desde
que entrei não cessa de me beijar os
pés. Não me ungiste a cabeça com óleo,
mas esta, com bálsamo, ungiu os meus
pés. Lucas 7:44-46. Em seguida estas
palavras, Jesus disse ao fariseu: Perdoados lhe são os seus muitos pecados,
porque ela muito amou; mas aquele a
quem pouco se perdoa, pouco ama. Então, disse à mulher: Perdoados são os
teus pecados. Lucas 7:47 e 48. A colocação de Jesus provocou um alvoroço
21
entre os outros convidados: Os que
estavam com Ele à mesa começaram
a dizer entre si: Quem é este que até
perdoa pecados? Lucas 7:49. Sem dar
atenção àqueles fariseus legalistas,
Jesus fala à mulher: A tua fé te salvou;
vai-te em paz. Lucas 7:50. Sem acusações, sem discursos, sem cobranças, sem críticas, e sem um sermão
moral, Jesus despediu aquela mulher.
Aquela mulher não precisava ouvir
um belo discurso sobre moralidade.
Não necessitava saber que não podia
freqüentar determinados lugares.
Não tinha que ouvir que a sua vida
era um poço de lama de imoralidade,
pois ela já sabia disso. Ela necessitava
desesperadamente ser aceita como
ela era. Ela jamais poderia ser aceita
no meio religioso, pois, neste lugar,
somente os dignos são recebidos.
Porém, Jesus Cristo, que é pleno de
graça, a recebeu e a salvou perfeitamente. Chegou diante de Jesus cheia
de pecados, e foi embora perdoada e
repleta de paz. Que todos atendam
ao convite de Jesus: Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e Eu vos aliviarei. Tomai sobre
vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração;
e achareis descanso para a vossa alma.
Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve. Mateus 11:28-30.
22
RIQUEZA
Entristecer o
Espírito Santo
DA
GRAÇA
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Billy Graham
Não apagueis o Espírito.
1 Tessalonicenses 5:19
C
hegamos, agora, a dois
pecados que podem ser
cometidos por entristecer o Espírito Santo e
apagar o Espírito.
Quase tudo o que nós fazemos de
errado pode ser incluído em um destes dois termos. Vejamos, primeiro, o
que é entristecer o Espírito.
Paulo adverte os seus leitores, em
Efésios 4:30: Não entristeçais o Espírito de Deus, no qual fostes selados
para o dia da redenção. É importante
e consolador ouvir Paulo dizer que
nós fomos selados para o dia da redenção. Isto deixa claro que nós somos e não deixamos de ser cristãos.
Ele não está falando de julgamento,
no sentido de que o que estamos
fazendo aqui está nos separando do
amor de Deus e nos fará ir para o inferno. Está, isto sim, falando de coisas que não combinam com a natureza do Espírito Santo, e, por isso, O
ferem em Seu ser e entristecem Seu
coração. Com o que nós fazemos, po-
Revista Betel
RIQUEZA
demos fazer o Espírito sofrer. “Tristeza” é uma palavra do “amor”.
O Espírito Santo nos ama tanto
quanto Cristo: Rogo-vos, pois irmãos, por nosso Senhor Jesus Cristo
e também pelo amor do Espírito, que
luteis juntamente comigo nas orações
a Deus a meu favor. Romanos 15:30.
Podemos magoar ou irar alguém que
não nos tem afeição, mas, entristecer,
podemos só quem nos ama. Uma
vez , eu ouvi um pai dizendo a seu
filho: “Se você não se comportar, eu
não vou mais amar você”. Isto foi
uma frase infeliz. Ele tinha o direito de exigir bom comportamento
do filho, mas não tinha o direito
de dizer que não o amaria mais.
Um pai tem de amar seu filho sempre, quer ele se comporte bem ou
mal. Quando o filho ë mau, então o
amor do pai por ele está misturado
com sofrimento, tristeza e até angústia.
Como alguém pode entristecer o
Espírito Santo?
Em Efésios 4:20-32, Paulo diz
que tudo que não combina com Cristo, em ações, palavras e pensamento,
entristece o Espírito da graça.
Ruth Paxson diz, em um de seus
livros, que nós podemos saber o que
entristece o Espírito analisando nossa conduta à luz das palavras que a
Escritura usa para caracterizar o Espírito.
DA
GRAÇA
23
O Espírito Santo é o Espírito da:
Verdade – João 14:17; assim, tudo
que é falso, enganoso e hipócrita O
entristece.
Fé – 2 Coríntios 4:13; por isso
dúvidas, desconfiança, ansiedades e
preocupações O entristecem. Graça – Hebreus 10:29; assim, tudo
em nós que é duro, amargo, malicioso, indelicado e indisposto para
perdoar e amar O entristece. Santidade – Romanos 1:4; por isso tudo
que é impuro, sujo ou degradante O
entristece. O que acontece quando
nós entristecemos o Espírito Santo?
Normalmente Ele gosta de nos revelar o que é de Cristo. Ele também
nos proporciona alegria, paz e um
coração satisfeito. Mas quando nós
O entristecemos, seu ministério fica
interrompido.
Eu venho de uma região nos Estados Unidos onde predomina a
indústria têxtil. Há alguns anos, eu
visitei uma fábrica muito grande,
onde centenas de teares estavam tecendo tecidos com finíssimos fios de
linho. O gerente da fábrica me explicou: “Estas máquinas são tão delicadas que, se um só fio dos trinta mil
que estão passando pelas máquinas
neste momento se rompesse, todas
elas parariam no mesmo Instante”.
Para provar, ele foi a uma máquina e
cortou um fio. Imediatamente todas
as máquinas pararam até que o fio
24
RIQUEZA
fosse recolocado; depois continuaram automaticamente. Este milagre
mecânico é uma analogia rude “do
que é espiritual”. Quando eu peco,
desobedeço ou me desvio do caminho claro da vontade e do temor de
Deus, então o ministério do Espírito
em minha vida está prejudicado. Sua
atuação é interrompida, mas Ele continua presente. Ele não é afastado,
somente Sua atuação é prejudicada.
Assim que o fio partido é restaurado, seu ministério pleno recomeça e
Ele ilumina de novo o meu coração,
satisfaz as necessidades do meu coração e faz eficaz, em mim, o ministério
de Cristo.
Mas isto tudo tem um lado
glorioso: entristecer o Espírito
Santo não implica em perdê-lo.
Eu continuo selado por Ele; Ele não
deixa de morar em mim. Nenhum
crente pode entristecê-lo a ponto de
Ele o deixar totalmente.
Os hinos de William Cowper, sócio de John Newton, têm me abençoado muito, mas estas linhas têm me
perturbado:
Retorna, santa Pomba vem, Ó Tu
que dás a paz! Odeio o que Te dá pesar E abandonar-me faz.
Eu tenho a incômoda impressão
de que estas palavras querem dizer
mais que isto: que o trabalho do Espírito foi somente interrompido. Elas
Implicam em que eu O perdi. Se foi
DA
GRAÇA
Revista Betel
isto que Cowper quis dizer, creio que
ele estava errado. Deus pode fazer
com que não sintamos mais a presença do Espírito Santo. Podemos
ver isto no Salmo 51, onde Davi diz:
Não retires de mim o teu Santo Espírito (v. 11). Mas não se esqueça que
o Espírito Santo selou todos os crentes para o dia da redenção, isto é, a
redenção dos nossos corpos (Efésios
1:13, 4:30, Romanos 8:23).
Você e eu podemos escorregar,
mas isto é bem diferente de cair da
graça ou perder o Espírito Santo totalmente. Se o Espírito se retirasse de
um crente selado por Ele, não estaria
negando todo o plano da salvação?
Mas quando nós O entristecemos,
Ele retira de nós a alegria e o poder
até que renunciemos e confessemos o
pecado. Mesmo parecendo contentes
externamente, se no interior nos sentimos infelizes, é porque não estamos
em comunhão com o Espírito. Não
que o Espírito nos tenha abandonado, mas porque Ele nos faz sentir assim até que voltemos a Cristo, humildes, contritos, prontos para confessar.
O Salmo 32, muitos acham que foi
escrito por Davi depois de pecar com
Bate-Seba, é um ótimo exemplo disto:
Enquanto não confessei os meus pecados, eu chorava o dia todo, até cansar. De dia e de noite me castigaste, ó
Deus, e as minhas forças se acabaram
como sereno que seca no calor do ve-
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RIQUEZA
rão. Então eu te confessei os meus
pecados, e não escondi a minha maldade. Resolvi confessar tudo a ti, e tu
perdoaste as minhas faltas. . . . Todos
vocês que são corretos alegrem-se
e fiquem contentes pelo que Deus
tem feito! Cantem de alegria todos
vocês que são honestos de coração!
(Sal. 32:3-5,11, BLH).
Eu estou convencido que, uma vez
batizados no corpo de Cristo, tendo
o Espírito Santo em nós, nunca mais
seremos abandonados por Ele. Estamos selados para sempre. Ele é a garantia, o penhor do que virá. Sei que
muitos dos meus Irmãos na fé têm
outro ponto de vista, mas até onde
posso ver hoje, tenho certeza que o
Espírito Santo nos sustém. Por um
lado, o Espírito Santo, que mora em
nós, nos guarda para Deus. Isto Ele
faz através do sangue de Cristo, em
que nós confiamos e sabemos que
fomos redimidos. Por outro lado,
Ele nos concede alegria contínua por
sabermos que somos de Deus; esta
DA
GRAÇA
25
alegria só cessa quando alguma obra
da carne entristece Aquele que nos
selou. Ele anseia por nós com ciúme.
Tiago 4:5.
Eu duvido que, neste lado da eternidade, alguma vez cheguemos a saber que grande força poderíamos ter
utilizado: o poder do Espírito Santo,
do qual tomamos pequenas amostras, através da oração.
Quando nós nos entregarmos
totalmente a Cristo, o Senhor, cada
momento de cada dia, não será possível descrever o poder (capaz de fazer
milagres) e o testemunho do Espírito
Santo que estarão em nós.O segredo
de pureza, paz e poder está neste
momento de entrega. E eu acho que
também inclui o que George Cutting
costumava chamar de segurança,
certeza e contentamento. Engloba
também a idéia de realização externa
e satisfação interna. Sim, quando nós
pecamos, o, Espírito Santo, Espírito
de amor, é entristecido, porque Ele
nos ama.
Tu és meu Salvador, minha força e esteio,
A Tua face, oh Senhor, venho buscar;
Mesmo dos fracos sendo o mais fraco,
A minha força é apenas a Tua graça.
-- W.Nee
26
RIQUEZA
Graça
DA
GRAÇA
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A. T. Pierson
Porque todos nós temos
recebido de sua plenitude, e
graça sobre graça.
João 1:16
A
palavra graça ocorre cerca de 200 a 300 vezes na
Bíblia, mas principalmente no Novo Testamento. Os termos grego e hebraico
trazem o mesmo conceito – favor
concedido sem mérito por parte do
favorecido; incluindo assim a idéia
de alegria e gratidão, como é natural quando o bem conferido não se
relaciona com o merecimento do
recipiente nem tem medida da parte
do Doador. Todas essas idéias pertencem ao conceito bíblico da graça,
que imediatamente aponta então a
liberalidade infinita do doador e a
indignidade ilimitada do recipiente.
A graça ocupa um lugar de tanto
destaque no Novo Testamento que
o Evangelho é chamado de a palavra
de sua graça. Atos 14:3; o Espírito
Santo de Espírito da graça. Hebreus
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RIQUEZA
10:29. E o próprio Deus de Deus de
toda graça. 1 Pedro 5:10.
A ênfase principal, no entanto,
está nas “riquezas infinitas e indescritíveis ou a abundância da graça”.
Para dar expressão a este pensamento, as possibilidades da linguagem
são sobrecarregadas ao máximo. Por
exemplo, tomemos as seguintes passagens – chave, dispostas em ordem
crítica:
1. Efésios 1:7,8 - Segundo a riqueza da sua graça, que Ele nos concedeu
gratuitamente... A própria palavra riqueza, como aplicada à graça sugere
um suprimento infinito e inesgotável;
pois as riquezas de Deus, diferentemente das do homem, não tem absolutamente limite. A palavra grega
para riqueza, ploutos, é semelhante
a polus, pleion, muito, muito mais,
tendo a mesma raiz que expressa a
idéia de abundância. O termo inglês
rico (rich), vem provavelmente do
gótico reiks, um governante, pois
apenas ele possuía muitos bens.
Mas este conceito não basta; é
preciso acrescentar abundantemente; perisseuo significa exceder, ser
supérfluo. As riquezas da graça são
tão abundantes em nossa direção
que chegam a exceder toda demanda feita sobre elas, mesmo levando
em conta nossa desmedida falta de
merecimento, nosso pecado e necessidade. Este é o grande conceito de
DA
GRAÇA
27
graça que Paulo tinha sempre diante
de si.
Romanos 5:15 expressa o mesmo
pensamento: muito mais a graça de
Deus, e o dom pela graça... foi abundante sobre muitos. A palavra usada aqui
é a mesma. Por maior que seja o número dos que se valem dela, e quanto mais vezes dela nos utilizamos,
sua abundância continua infinita.
2. II Coríntios 9:14 – a superabundante graça de Deus – huperballo:
de onde vem o termo hipérbole, significando aquilo que passa de um
certo limite – como uma flecha que
ultrapassa o alvo, ou uma vasilha que
ferve e se derrama – transmitindo a
idéia daquilo que é excessivo, exagerado, proeminente.
3. I Pedro 4:10 – A multiforme
graça – poikilos, literalmente, variegada; isto é, infinita na variação
tanto de forma ou aparência como
de adequação ou adaptação. Deus na
graça como na natureza, um Deus
de infinita variedade e adaptabilidade. Sua graça tem infinitas formas
de manifestação, como as plantas
possuem incontáveis peculiaridades de forma e modelos, tonalidade
e fragrância. Para ele, a igreja é um
jardim; não existem duas plantas
iguais, sendo todavia todas fruto da
mesma graça. O mesmo Senhor liberta de toda obra iníqua, qualifica
para todo serviço e preserva através
28
RIQUEZA
de toda provação e tentação a alma
confiante.
4. Efésios 2:7 – A suprema riqueza da sua graça. As duas palavras
se conjugam aqui, embora em Efésios 1:7 e II Coríntios 9:14 estejam
separadas, com uma ascensão ou
acúmulo correspondente de ênfase.
Trata-se de graça, riqueza da graça,
e suprema riqueza da graça.
5. Efésios 3:8 – insondáveis riquezas – anexichniastos: que não
podem ser traçadas – aquilo que desafia a pesquisa ou plena verificação.
Compare Romanos 11:33, onde são
usados dois termos, sendo ambos
praticamente intraduzíveis. Quando
pesquisamos os prodígios do trato de
Deus com o homem, olhando para
baixo, observamos uma profundidade infinita e, alçando os olhos, contemplamos infinitas alturas; sendo
que ambas desafiam os nossos mais
extremados esforços para verificá-las
ou descobrir a sua origem. Só podemos exclamar: “Ó, as profundezas!
Ó, as alturas!”
6. I Timóteo 1:14 – Transbordou
– huperpleonazo – uma palavra
composta, e cada parte transmite a
idéia de excesso; pleonazo significa
fazer, ou ser, mais do que suficiente, e huper significa excessivamente. Este termo traduz uma idéia de
um excesso que ultrapassa o excesso; não um simples transbordar,
DA
GRAÇA
Revista Betel
mas um transbordamento copioso
- como a abertura das janelas do céu
no Dilúvio.
O tema em conjunto é irresistível. A graça nos é apresentada como
uma benesse pura e generosa – amor
– estendendo o seu favor para os que
não merecem e os indignos. Nas palavras de Guthrie: “A miséria do homem, e não o seu mérito, é o imã que
atrai dos céus o Salvador”.
Estamos, pois, preparados para
manifestações de perdão incomparáveis. O pecado é apagado, como se os
registros estivessem sido cancelados
de uma tábula de cera, invertendo o
estilo e comprimindo a cera nas cavidades; removido como uma “nuvem
pesada” dispersa pelo vento; “cancelado” como o que é colocado “atrás
das costas” e não pode ser mais visto,
ou “nas profundezas dos mares” de
onde não pode ser recuperado. Essa
então é a universalidade e liberalidade dos oferecimentos e convites do
evangelho. Quem quer que, qualquer
que – são esses os termos universais
de Deus.
Da mesma forma que o mar se
acalmou para os marinheiros quando Jonas foi atirado fora do navio,
Jesus foi entregue à morte a ao juízo
a fim de que não houvesse para nós
tempestades de ira divina; tudo, daqui por diante, é paz para o cristão.
A abundância da graça é inexpri-
Revista Betel
RIQUEZA
mível e inconcebível. Sua generosidade e magnificência desafiam as
palavras. Os persas só podiam dizer
a respeito da eternidade de Deus,
“zeruane akerene” tempo ilimitado.
Pois quanto o céu se alteia, acima da
DA
GRAÇA
29
terra... quanto dista o Oriente do Ocidente. Salmos 103:12.
A Divindade em seu todo se encontra à disposição do cristão.
Extraído da Revista
À Maturidade.
HISTÓRIAS QUE ABREM A JANELA MAIS AMPLA DE DEUS
(V.F.Beard)
Ainda me lembro de uma noite há vários anos quando visitava uma igreja em Queens, Nova
York. Na ocasião, uma carta acabara de chegar da China. Uma irmã de Watchman Nee enviara
uma carta que Nee lhe escrevera pouco antes de sua morte. Aqueles que a leram disseram que
a grafia dos caracteres era forte, bem como o tom das poucas palavras que escrevera: “Aprendi
como manter minha alegria”.
Quão freqüentemente nos dias que se seguiram, ao passar uma nuvem negra sobre meu
espírito, lembrei-me que, quando aquilo ocorreu, Nee já estivera na prisão por mais de 20 anos.
Ainda que estivesse fisicamente fraco, ele se regozijava em seu espírito. Ele aprendeu o segredo
de manter a alegria no Senhor.
Alegria ou depressão -- a escolha é sempre minha.
A cada dia, posso escolher submergir minhas raízes em Teu rio de graça, de forma que minha
expressão será de gozo. Vejo, então, que minha escolha é o segredo para manter minha alegria
diária.
A vida pode parecer difícil, mas Deus é tão bom e misericordioso;
A vida pode parecer injusta, mas Deus é tão justo e amoroso;
A vida pode parecer imprevisível, mas Deus é tão soberano;
A vida pode parecer temporária, mas Deus é eterno.
Isso me ajuda a reconhecer que, manter uma perspectiva correta, faz toda a diferença. Se fitar
meus olhos naquilo que terei de enfrentar hoje, sucumbirei. Quando contemplo além de hoje
para ver o que Deus planejou na eternidade é que posso dizer:
Alegria indizível e cheia de glória. 1Pedro 1.8.
Hoje você tem a escolha de ser um infeliz, deprimido e viver ao sabor das circunstâncias, de
forma que essa atmosfera não apenas o envolverá, como também envolverá outros. Mas você
pode escolher ser alegre, de tal maneira contagiante, que outros serão contaminados por sua
alegria. Entendo que Jesus era um varão de dores, que conhecia a tristeza por causa da condição
ao Seu redor. Mas também estou convicto de que Ele viveu segundo uma perspectiva de longo
prazo: Em troca da alegria que lhe estava proposta, suportou a cruz. Hebreus 12.2.
Jesus considerou o corredor do tempo para ver o que agradaria Seu Pai, e assim Ele ignorou o
que era temporal para viver por aquilo que é eterno.
“Pai, somente pela Tua graça é que posso fazer essa mesma escolha”.
-- DeVern Fromke, Histórias que Abrem a Janela Mais Ampla de Deus,
Edições Tesouro Aberto
30
RIQUEZA
Vida em Cristo
DA
GRAÇA
Revista Betel
Julio Cesar Lucarevski
Porque, se nós, quando
inimigos, fomos reconciliados
com Deus mediante a morte do
seu filho, muito mais, estando
já reconciliados com Deus,
seremos salvos pela sua vida.
Romanos 5:10
O
nascimento de uma
criança é um verdadeiro milagre. Cada pulsão de vida que entra
neste mundo anuncia que o fluxo da
criação ainda continua. Para os pais,
as quarenta semanas de espera, de
repente, se transformam em explosão de alegria contagiante. Para a
criança é apenas o início de um tempo repleto de possibilidades de ser,
fazer e ter. Um mundo inteiro para
ser conhecido e uma vida inteira para
ser vivida. Estamos falando do nascimento natural porém, quando se
trata do nascimento sobrenatural as
coisas não são muito diferentes.
A Bíblia afirma que existem dois
tipos de nascimento: o terreno e o espiritual. O terreno nos capacita para
viver e interagir com o mundo concreto. Enquanto o espiritual nos possibilita viver e agir no mundo sobrenatural. A fonte dessa nova vida está
fora e acima de nós, em Deus. A vida
cristã é mais do que um sistema ético
que nos ensina a viver neste mundo.
Trata-se de um relacionamento vivo
com Deus. Aquele que está infinitamente acima de nós, passa a estar
Revista Betel
RIQUEZA
também dentro de nós. Ocorre uma
vivificação interior que nos coloca em
uma realidade totalmente nova.
O apóstolo João ao escrever o seu
evangelho sobre Jesus deixa bem claro o seu objetivo: Estes, porém, foram
registrados para que creiais que Jesus é
o Cristo, o Filho de Deus, e para que,
crendo, tenhais vida em seu nome. João
20:31. Jesus não apenas nos ensina a
vida cristã, Ele a cria em nosso ser
pela ação do seu Espírito. Por seu
poder nos restaura à semelhança divina e nos faz filhos de Deus. Mas,
a todos quantos o receberam, deu-lhes
o poder de serem feitos filhos de Deus;
a saber, aos que crêem no seu nome; os
quais não nasceram do sangue, nem da
vontade da carne, nem da vontade do
homem, mas de Deus. João 1:12.
Jesus Cristo é a fonte de vida sobrenatural, tanto para trazer libertação do pecado quanto para uma
vida de vitória e de ... boas obras, as
quais Deus de antemão preparou para
que andássemos nelas. Efésios 2:10.
No capítulo primeiro do evangelho
de João encontramos João Batista
apontando Jesus como Salvador.
Aquele que iria morrer na cruz como
expiação dos pecados. Eis o Cordeiro
de Deus, que tira o pecado do mundo!
João 1:29. Porém, o mesmo João
Batista testificou de Jesus também
como Aquele quem dá o Espírito
Santo: Aquele sobre quem vires descer
DA
GRAÇA
31
e pousar o Espírito, esse é o que batiza
com o Espírito Santo. João 1:33.
Muitas vezes nos fixamos apenas
em um dos lados da obra de Cristo. Normalmente enfatizamos a sua
morte e deixamos de compreender
e experimentar a sua vida de ressurreição. Jesus disse: Eu vim para que
tenham vida, e a tenham em abundância. João 10:10. A vida que Cristo nos trouxe é a sua própria vida,
como Filho de Deus. E, devido à sua
ressurreição, recebeu o poder de comunicar a todos nós o seu Espírito.
Quando Cristo envia o seu Espírito
ao nosso espírito, sua presença é manifestada e torna-se para nós a fonte
de vida nova, uma nova identidade e
um novo modo de agir.
Quando falamos de “vida em
Cristo”, segundo a frase de Paulo, eu
vivo, não mais eu, mas Cristo que vive
em mim. Gálatas 2:20, não estamos
falando de auto-alienação, mas da
descoberta de nossa verdadeira identidade diante de Deus. Vida centrada
em Deus e não em nós mesmos.
O pecado trouxe a supremacia do
“eu”, a vida humana passou a girar em
torno de si mesma. O homem sem a
vida de Cristo é um escravo, não tem
vontade própria. Ele está entregue
às suas compulsões, idiossincrasias e
ilusões, de modo que jamais consegue
fazer o que realmente quer. Seu espírito não está no comando e, por isso,
32
RIQUEZA
não pode dirigir sua própria vida. O
apóstolo Paulo descreve os resultados trágicos deste viver sob a escravidão do pecado:Porque nem mesmo
compreendo o meu próprio modo de
agir, pois não faço o que prefiro, e sim o
que detesto... Neste caso, quem faz isto
já não sou eu, mas o pecado que habita
em mim... vejo, nos meus membros, outra lei que, guerreando contra a lei da
minha mente, me faz prisioneiro da lei
do pecado que está nos meus membros.
Romanos 7:15-23
O diagnóstico de uma pessoa nãoregenerada, segundo as Escrituras,
não é nada animador. Obscurecidos
de entendimento, separados da vida
de Deus por causa da ignorância em
que vivem, pela dureza do seu coração.
Efésios 4:18. Quando uma pessoa
que está separada da vida de Deus
nasce do alto, pela fé em Jesus Cristo, recebe uma nova vida. A salvação
é mais que o perdão de pecados. É
implantação de uma nova natureza.
Mas Deus, sendo rico em misericórdia,
por causa do grande amor com que nos
amou, e estando nós mortos em nossos
delitos, nos deu vida juntamente com
Cristo. Efésios 4:4-5. João Wesley
afirmou que o novo nascimento é
“a grande transformação que Deus
opera na alma quando lhe dá vida;
quando a tira da morte do pecado
para uma vida de justiça”.
DA
GRAÇA
Revista Betel
A nova vida surge da morte. Na
cruz de Cristo houve o aspecto substitutivo e o aspecto identificatório.
A nossa participação na morte com
Cristo pôs fim ao reinado do “eu”, enquanto que, a nossa participação na
Sua ressurreição, fez do nosso coração lugar de Sua habitação. Porque se
fomos unidos com ele na semelhança da
sua morte, certamente o seremos também na semelhança da sua ressurreição. Romanos 6:5.
Sem a morte de cruz não é possível a vida da ressurreição. A aceitação da cruz por parte do crente, e
a morte para o eu que ela inclui, são
fatos relacionados ao recebimento
do Espírito Santo. Sabendo isto, que
foi crucificado com ele o nosso velho
homem, para que o corpo do pecado
seja destruído, e não sirvamos o pecado
como escravos. Oswaldo Chambers
afirma que diante da verdade de nossa co-crucificação com Cristo é preciso uma decisão moral em relação
ao pecado. “Terei tomado essa decisão sobre o pecado – que ele deve
ser totalmente destruído em mim?
Leva muito tempo para chegarmos
a uma decisão moral sobre o pecado, mas o grande momento de nossa
vida é quando decidimos que, assim
como Jesus morreu pelos pecados
do mundo, assim também o pecado
deve morrer em mim; não apenas re-
Revista Betel
RIQUEZA
freado ou suprimido ou contrariado,
mas crucificado”.
De fato não é possível ao cristão
considerar- se “morto para o pecado”
a menos que tenha passado por essa
radical decisão da vontade, diante de
Deus. Estar crucificado com Cristo
é estar identificado com a morte de
Jesus, até que não sobre espaço algum para o pecado em sua vida, mas,
apenas para a vida de Cristo. A prova
de que fui crucificado com Jesus é a
gradativa semelhança com Ele. A infusão do Espírito de Jesus em mim
ajusta a minha vida com Deus. A
ressurreição de Jesus deu ao Espírito autoridade para transmitir–me a
vida de Deus, e minha vida, deve ser
construída sobre a base da vida Dele.
Porque , se nós, quando inimigos, fomos
reconciliados com Deus mediante a
morte do seu Filho, muito mais, estando já reconciliados com Deus, seremos
salvos pela sua vida. Romanos 5:10.
Posso ter agora a vida ressurreta de
Jesus, a qual se manifestará em santidade e frutificação.
Para o cristão, a vida da ressurreição é também uma questão de escolha. Isto porque, enquanto em Deus
habita a plenitude de toda a realidade e perfeição, em nós não acontece
o mesmo. Tendemos para o nada,
para a não-existência. Nossa vocação
para sermos aquilo a que fomos destinados implica, portanto, uma prova
DA
GRAÇA
33
de vontade, um teste em que somos
interrogados por Deus sobre nossa
livre opção. Parece que nossa vida
toda será esse teste, ou seja, de escolhas, de optar viver uma vida rasteira
ou uma vida em um plano mais alto.
Viver como pessoas livres na ordem sobrenatural é fazer escolhas espirituais livres. Isto é possível porque
Deus infundiu o Seu Espírito na vida
dos seus filhos. Porei dentro de vós
o meu Espírito e farei que andeis nos
meus estatutos, guardeis os meus juízos
e os observeis. Ezequiel 36:27. Agora, podemos obedecer a Deus por
amor. Somente compreenderemos a
obediência pregada por Cristo se nos
lembrarmos sempre de que, Sua obediência não é mera justiça, mas amor.
Não é simplesmente a submissão de
nossa vontade à autoridade de Deus,
mas é a livre união de nossa vontade
com o amor de Deus. Jesus é o maior
exemplo de obediência de um filho
em relação ao Pai celestial.
Nosso Pai celestial não está muito
interessado no trabalho que realizamos para Ele, mas sim, no tipo de
filhos que somos para Ele. Ele nos
libertou do cativeiro do pecado e da
morte para vivermos sob um novo
governo. Porque a lei do Espírito da
vida, em Cristo Jesus, te livrou da lei
do pecado e da morte. Romanos 8:1-2.
O Espírito de vida, não somente dá
uma consciência livre da culpa do
34
RIQUEZA
pecado, mas também, poder para
uma vida de libertação e frutificação.
O Espírito Santo purifica a imagem
de Deus em minha alma, pela fé. Ele
cura minha cegueira espiritual, abre
meus olhos para as coisas de Deus.
Ele toma posse de minha vontade, de
forma que eu não seja mais escravo
de minhas paixões e compulsões, podendo agir na tranqüilidade frutífera
da liberdade espiritual. Ensinandome gradativamente o amor, ele me
aperfeiçoa à semelhança de Deus em
minha alma, conformando-me com
Cristo.
Em tudo isso, Deus tem um propósito. Deus quer se expressar através dos seres humanos, tanto através
do cristão quanto pela Igreja. Jesus
Cristo nos batiza com seu Espírito a
fim de que sejamos testemunhas do
caráter e do amor de Deus. Recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas.
Atos 1:8. Recebemos a incumbência
de tornar Deus conhecido por meio
da proclamação do Evangelho, como
também pelo nosso estilo de vida. Jesus rogou ao Pai: A fim de que todos
sejam um; e como és tu, ó Pai, em mim
e eu em ti, também sejam eles em nós;
para que o mundo creia que tu me enviaste. João 17.21.
Não há como separar regeneração de discipulado, apesar de muitos
tentarem. Mas se estamos cansados
DA
GRAÇA
Revista Betel
de uma vida cristã de “segunda categoria”, precisamos nos comprometer
existencialmente com o Senhor Jesus
de corpo, alma e espírito. O Senhor
Jesus disse: Se alguém quer ser meu discípulo, a si mesmo se negue, tome a sua
cruz e siga-me. Mateus 16.24. Mais
tarde, o apóstolo Paulo reitera o convite com outras palavras: ... levando
sempre no corpo o morrer de Jesus para
que também a sua vida se manifeste em
nosso corpo. 2 Coríntios 4:10. Se temos dificuldades em nos acertar com
Deus é porque não queremos nos decidir definitivamente sobre o pecado.
Assim que decidirmos, a vida plena
de Deus nos invade. Jesus veio para
nos dar todos os suprimentos da vida
sobrenatural, para que sejais tomados
de toda a plenitude de Deus.
O chamado para “viver em Cristo”
é um privilégio que demanda uma
vida de decisões e escolhas deliberadas. E isto deve ocorrer em todas
as circunstâncias do dia a dia: nas
alegrias, como também nas tentações, provações e tribulações. Pois,
qualquer resquício de nossa própria
energia, turva a vida de Jesus. Quando tomamos a decisão moral de, não
mais eu, mas Cristo a energia e o poder que se manifestaram em Jesus,
manifestar-se-ão em nós, pela ação
do Espírito. Temos que estar sempre nos rendendo, para que, lenta
e seguramente, a majestosa vida de
Revista Betel
RIQUEZA
Deus inunde cada parte de nosso ser.
Assim, não só nós seremos aperfeiçoados, como também outros terão
DA
GRAÇA
35
o privilégio de conhecer o Senhor
Jesus Cristo, redundando em glória
para Deus.
MINHA GRAÇA É SUFICIENTE PARA TI
Peploe
Há vinte e um anos passados, minha esposa e eu fomos para a praia. Éramos pobres
e tínhamos muitos filhos. Era o ano da Convenção de Oxford; e, no dia da sua abertura, eu
encontrei o Sr.Arthur Blackwood, e, após conversarmos um pouco, ele me disse: “Você sabe
alguma coisa sobre a Convenção de Oxford?” Eu era um clérigo do interior na época e não tinha
ouvido falar dela. Explicou então: “Pessoas vão ali para procurar uma benção e orar pedindo a
vida de descanso”.Ele me olhou no rosto e disse: “Você tem descanso?” Eu respondi: “Sim, graças
a Deus”.“O que você entende por descanso?” Perguntou. “Entendo que meus pecados estão
perdoados, que sou aceito no Amado, que Deus de alguma forma cuidará de mim neste mundo
e me receberá quando eu morrer”. Ele replicou: “Eu esperava que você fosse dizer isso; mas
sabe o que é ter perfeita paz em meio às responsabilidades e dificuldades, ter uma alegria que é
permanente em todos os momentos de sua vida, ter uma calma jamais interrompida e força para
cada serviço com um sentimento de repouso no Deus vivo?” Eu disse: “Não; prouvera a Deus
que tivesse; é isso que mais anseio”.Respondeu: “Eu também. Vou dizer-lhe o que vou fazer. Um
amigo vai enviar-me todos os dias um relatório da Convenção, e toda manhã iremos para a floresta
e a leremos. Deus pode abençoar-nos aqui da mesma forma que em Oxford”.
Quatro dias depois, meu filhinho que estava conosco na praia adoeceu e morreu. Eu tive
de carregar o pequeno caixão nos meus braços por todo o caminho até em casa, onde enterrei
meu pequenino com minhas próprias mãos. Voltei do enterro e disse a mim mesmo: “Agora você
perdeu suas férias, retornou para casa com problemas e deve falar ao seu povo ao invés de deixar
seu auxiliar fazê-lo; seria melhor que lhes contasse sobre Deus e seu amor”. Procurei ver que lição
estava designada para o domingo e soube que era o capítulo doze de Segunda Coríntios. Li o nono
verso: minha graça é suficiente para ti. E pensei: “este é o verso para ser meditado”. Assentei-me
para preparar minhas anotações, mas logo me achei murmurando contra Deus por tudo que ele
me levara a suportar. Larguei a caneta, pus-me de joelhos e disse a Deus: “Não é suficiente, não é
suficiente! Senhor, permita que a tua graça seja suficiente. Ó Senhor, permita!”
Um dia antes de sair de casa, recebi de minha mãe um lindo texto iluminado e pedi à
empregada para pendurá-lo na parede sobre minha mesa para que eu o encontrasse lá quando
voltasse. Ao abrir meus olhos, eu estava dizendo: “Ó Deus, permita que a tua graça seja suficiente
para mim”, e, lá na parede, eu vi. Minha graça é suficiente para ti.
A palavra é estava em verde claro, minha em preto, e ti em preto. Minha graça é suficiente para
ti. Eu ouvi uma voz que parecia dizer: “Seu tolo, como você ousa pedir a Deus para fazer aquilo
que é?! Levante-se e receba e descobrirá a verdade contida nessas palavras. Quando Deus diz é,
deve crer nele, e você descobrirá que isso é verdadeiro a cada momento”. Aquele é transformou
a minha vida; daquele momento em diante eu podia dizer: “Ó Deus, tudo o que dizes em tua
Palavra eu creio, e, se Deus quiser, nela andarei”.
-- Extraído da Revista À Maturidade.
36
RIQUEZA
DA
GRAÇA
A Solidão de Deus
Revista Betel
Arthur W. Pink
Ele faz todas as coisas segundo,
o conselho da sua vontade.
Efésios 1:11
H
ouve tempo, se é
que se lhe pode chamar “tempo”, em que
Deus, na unidade de
Sua natureza, habitava só (embora
subsistindo igualmente em três pessoas divinas). No princípio... Deus...
Não existia o céu, onde agora se manifesta particularmente a Sua glória.
Não existia a terra, que Lhe ocupasse
a atenção. Não existiam os anjos, que
Lhe entoassem louvores, nem o universo, para ser sustentado pela pala-
vra do Seu poder. Não havia nada,
nem ninguém, senão Deus; e isso,
não durante um dia, um ano ou uma
época, mas “desde sempre”. Durante
uma eternidade passada, Deus esteve só - completo, suficiente, satisfeito
em Si mesmo, de nada necessitando.
Se um universo, ou anjos, ou seres
humanos Lhe fossem necessários de
algum modo, teriam sido chamados
à existência desde toda a eternidade.
Ao serem criados, nada acrescentaram a Deus essencialmente. Ele não
Revista Betel
RIQUEZA
muda (Malaquias 3:6), pelo que, essencialmente, a Sua glória não pode
ser aumentada nem diminuída.
Deus não estava sob coação, nem
obrigação, nem necessidade alguma
de criar. Resolver fazê-lo foi um ato
puramente soberano de Sua parte,
não produzido por nada alheio a Si
próprio; não determinado por nada,
senão o Seu próprio beneplácito, já
que Ele faz todas as coisas, segundo o
conselho da sua vontade. Efésios 1:11.
O fato de criar foi simplesmente para
a manifestação da Sua glória.
Será que algum dos nossos leitores imagina que fomos além do que
nos autorizam as Escrituras? Sabemos que o elevado terreno que estamos pisando é novo e estranho para
quase todos os nossos leitores; por
esta razão faremos bem em andarmos devagar. Recorramos de novo
às Escrituras. No final de Romanos
capítulo 11:34-35, onde o apóstolo
conclui sua longa argumentação sobre a salvação pela pura e soberana
graça, pergunta ele: Por que quem
compreendeu o intento do Senhor? Ou
quem foi seu conselheiro? Ou quem lhe
deu primeiro a ele, para que lhe seja
recompensado? A importância disto
é que é impossível submeter o Todopoderoso a quaisquer obrigações
para com a criatura; Deus nada ganha da nossa parte. Se fores justo, que
lhe darás, ou que receberá da tua mão?
DA
GRAÇA
37
A tua impiedade faria mal a outro tal
como tu; e a tua justiça aproveitaria a
um filho do homem - Jó 35-7-8; mas
certamente não pode afetar a Deus,
que é bem-aventurado em si mesmo. quando fizerdes tudo o que vos for
mandado, dizei: Somos servos inúteis,
porque fizemos somente o que devíamos
fazer. Lucas 17:10. Nossa obediência
não dá nenhum proveito a Deus.
De mais a mais, vamos além: nosso
Senhor Jesus Cristo não acrescentou
nada a Deus em Seu Ser essencial
e à glória essencial do Seu Ser, nem
pelo que fez, nem pelo que sofreu. É
certo, bendita e gloriosamente certo, que Ele nos manifestou a glória
de Deus, porém nada acrescentou a
Deus. Ele próprio o declara expressamente, e não há apelação quanto
às Suas palavras: não tenho outro bem
além de ti - Salmo 16:2; na versão
usada pelo autor, literalmente: ... a
minha bondade não chega a Ti. Em
toda a sua extensão, este é um Salmo
sobre Cristo. A bondade e a justiça
de Cristo alcançou os Seus santos na
terra (Salmo 16:3), mas Deus estava
acima e além disso tudo, pois unicamente Deus é “o Bendito” (Marcos
14:61, no grego).
É absolutamente certo que Deus
é honrado e desonrado pelos homens; não em Seu Ser essencial, mas
em Seu caráter oficial. É igualmente
certo que Deus tem sido “glorificado”
38
RIQUEZA
pela criação, pela providência e pela
redenção. Não contestamos isso, e
não ousamos fazê-lo nem por um
momento. Mas isso tudo tem que ver
com a Sua glória declarativa e com o
nosso reconhecimento dela. Todavia,
se assim Lhe aprouvesse, Deus poderia ter continuado só, por toda a
eternidade, sem dar a conhecer a Sua
glória a qualquer criatura. Que o fizesse ou não, foi determinado unicamente por Sua própria vontade. Ele
era perfeitamente bem-aventurado
em Si mesmo antes de ser chamada à
existência a primeira criatura. E, que
são para Ele todas as Suas criaturas,
mesmo agora? Deixemos outra vez
que as Escrituras dêem a resposta Eis que as nações são consideradas por
ele como a gota dum balde, e como o pó
miúdo das balanças. eis que lança por
aí as ilhas como a uma coisa pequeníssima. Nem todo o Líbano basta para
o fogo, nem os seus animais bastam
para holocaustos. Todas as nações são
como nada perante ele; ele as considera
menos do que nada e como uma coisa
vã. A quem pois fareis semelhante a
Deus: ou com que o comparareis? Isaías 40:15-18. Esse é o Deus das Escrituras; infelizmente Ele continua
sendo o “Deus desconhecido (Atos
17:23) para as multidões desatentas.
Ele é o que está assentado sobre o globo
da terra, cujos moradores são para ele
como gafanhotos; ele é o que estende os
DA
GRAÇA
Revista Betel
céus como cortina, e os desenrola como
tenda para neles habitar; o que faz voltar ao nada os príncipes e torna coisa
vã os Juizes da terra. Isaías 40.22-23.
Quão imensamente diverso é o Deus
das Escrituras do “deus” do púlpito
comum!
O testemunho do Novo Testamento não tem nenhuma diferença
do que vemos no Velho Testamento;
como poderia ser, uma vez que ambos têm o mesmo Autor! Ali também
lemos. A qual a seu tempo mostrará o
bem-aventurado, o único poderoso Senhor, Rei dos reis e Senhor dos senhores; aquele que tem, ele só, a imortalidade, e habita na luz inacessível; a quem
nenhum dos homens viu nem pode ver.
ao qual seja honra e poder sempiterno.
Amém. 1 Timóteo 6:15-16. O Ser
que aí é descrito deve ser reverenciado, cultuado, adorado. Ele é solitário
em Sua majestade, único em Sua excelência, incomparável em Suas perfeições. Ele tudo sustenta, mas Ele
mesmo é independente de tudo e de
todos. Ele dá bens a todos, mas não é
enriquecido por ninguém.
Um Deus tal não pode ser encontrado mediante investigação; só pode
ser conhecido como e quando revelado ao coração pelo Espírito Santo,
por meio da Palavra. É verdade que a
criação manifesta um Criador, e isso
com tanta clareza, que os homens
ficam inescusáveis (Romanos 1:20);
Revista Betel
RIQUEZA
contudo, ainda temos que dizer com
Ló: Eis que isto são apenas as orlas dos
seus caminhos; e quão pouco é o que
temos ouvido dele! Quem pois entenderia o trovão do seu poder? Jó 26:14.
Cremos que o argumento baseado
no desígnio, assim chamado, argumento apresentado por “apologetas”
bem intencionados, tem causado
mais dano que benefício, pois tenta
baixar o grande Deus ao nível do entendimento finito e, com isso, perde
de vista a Sua singular excelência.
Tem-se feito uma analogia com o
selvagem que achou um relógio e que,
depois de um detido exame, inferiu a
existência de um relojoeiro. Até aqui,
tudo bem. Tentemos ir mais longe,
porém. Suponhamos que o selvagem
procure formar uma concepção pessoal desse relojoeiro, de seus afetos
pessoais, de suas maneiras; de sua
disposição, conhecimentos e caráter
moral - de tudo aquilo que se junte
para compor uma personalidade.
Poderia ele chegar a imaginar ou
pensar num homem real - o homem
que fabricou o relógio - de modo que
pudesse dizer: “Eu o conheço”? Fazer perguntas como esta parece fútil,
mas estará o eterno e infinito Deus
tanto mais ao alcance da razão humana? Realmente, não. O Deus das
Escrituras só pode ser conhecido por
aqueles a quem Ele próprio Se dá a
DA
GRAÇA
39
conhecer.
Tampouco o intelecto pode conhecer a Deus. Deus é espírito. . . João
4:24 e, portanto, só pode ser conhecido espiritualmente. Mas o homem
decaído não é espiritual; é carnal. Está
morto para tudo que é espiritual. A
menos que nasça de novo, que seja
trazido sobrenaturalmente da morte
para a vida, miraculosamente transferido das trevas para a luz, não pode
sequer ver as coisas de Deus ( João
3:3), e muito menos entendê-las (1
Coríntios 2:14). É mister que o Espírito Santo brilhe em nossos corações
(não no intelecto) para dar-nos o ...
conhecimento da glória de Deus, na
face de Jesus Cristo. 2 Coríntios 4:6. E
até mesmo esse conhecimento espiritual é apenas fragmentário. A alma
regenerada terá de crescer na graça e
no conhecimento do Senhor Jesus (2
Pedro 3:18).
A nossa principal oração e finalidade como cristãos deve ser que possamos ... andar dignamente diante do
Senhor, agradando-lhe em tudo, frutificando em toda a boa obra, e crescendo
no conhecimento de Deus. Colossenses 1.10
Fonte:
Os Atributos de Deus - A. W. Pink
(PES - Publicações Evangélicas
Selecionadas)
40
RIQUEZA
Enganos Fatais
DA
GRAÇA
Revista Betel
Sinval Teófilo da Silva
Vede que ninguém
vos engane.
Mateus 24:4
H
á enganos que poderão ser corrigidos,
outros nunca mais.
Se porventura alguém
tomar um caminho errado, é possível
voltar, tomar o caminho certo e seguir o seu destino. Ao embarcar por
engano num ônibus de roteiro não
desejado, ainda com certos prejuízos
é possível parar, corrigir o erro e retomar o destino pretendido. Tudo isso
já aconteceu comigo e com muita
gente inexperiente e mal informada.
E ele lhes respondeu: Vede que ninguém
vos engane. Mateus 24:4 Muitos ainda se lembram da tragédia ocorrida
há pouco mais de oito anos, no curto vôo de Marabá a Belém, quando
aquele avião mergulhou no meio da
mata matando oito pessoas e deixando muitas outras feridas. A causa da
tragédia foi um pequeno engano do
comandante da aeronave, ao ler o seu
plano de vôo.
Há caminhos sem volta. Há enganos fatais. O que veremos a seguir
Revista Betel
RIQUEZA
atingiu a humanidade inteira. Respondeu a mulher: a serpente me enganou, e eu comi. Gênesis 3:13 Este
engano causou uma grande perda
para toda a humanidade e custou a
preciosa vida do Filho de Deus para
consertar. Podemos também ver em
Esaú, como foi desastrosa a sua experiência.
Quando por um bocado de comida para satisfazer o seu estômago, ele
vendeu o seu direito de primogenitura. Esta negociata o caracterizou
como uma pessoa profana, mundana, que não sabe valorizar as coisas
sagradas e habitualmente deixa Deus
fora de seus planos.
Mesmo depois de ter negociado
e perdido a bênção, ele a desejou de
volta e a buscou ardentemente, até
com lágrimas, não lhe sendo possível
reavê-la. Nem haja algum impuro, ou
profano, como foi Esaú, o qual por um
repasto, vendeu o seu direito de primogenitura. Pois, sabeis também que, posteriormente, querendo herdar a bênção,
foi rejeitado, pois não achou lugar de arrependimento, embora, com lágrimas,
o tivesse buscado.Hebreus 12:16-17
Leia com bastante atenção Mateus
7:21-23 e medite na triste descrição,
que Jesus dá, do engano religioso de
muita gente. É possível o crente ocupar uma posição de destaque na sua
igreja, desenvolver arrojados projetos
em diversos ministérios, até mesmo
DA
GRAÇA
41
ter um certo relacionamento com o
nome de Jesus e não ter a experiência de sua própria conversão. Joseph
Alleine, com base em Hebreus 6:4-6,
dizia:”Por incrível que pareça, o homem pode experimentar a iluminação, provar o dom celestial, receber
bênção do Espírito Santo e não ser
convertido.”
Cuidado para não confundir porta
estreita com porta larga, árvore boa
com árvore ruim, caminho estreito
com caminho largo, fundamento de
rocha com fundamento de areia, discernimento com fanatismo, realidade
com emoção, evangelho com religião,
sabedoria com tolice, o visível com
visão, o que faz a vontade de Deus
e os que dizem: Senhor, Senhor! Mateus 7:22.
A sentença final dos enganados
e enganadores é esta: Apartai-vos de
mim. Mateus 7:23 Tremenda fatalidade!... Não espere a morte bater à
sua porta para procurar o seu novo
nascimento. Pode ser muito tarde.
Cuidado para não cometer o engano
fatal. Na eternidade não tem mais
volta.
Atenção! Sem o novo nascimento,
você está num caminho sem saída!
Não fique numa estrada sem retorno, se o seu destino não lhe é desejado. Cuidado que ninguém vos venha a
enganar com suas filosofias e vãs sutilezas, conforme a tradição dos homens,
42
RIQUEZA
conforme os rudimentos do mundo; e
não segundo Cristo.Colossenses 2:8
Cuidado com os falsos mestres e com
os profetas enganadores! Acautelaivos dos falsos profetas. Mateus 7:15
Assim como no meio do povo surgiram
DA
GRAÇA
Revista Betel
falsos profetas, assim também haverá
entre vós falsos mestres, os quais introduzirão dissimuladamente heresias
destruidoras... II Pedro 2:1 Levantarse-ão muitos falsos profetas e enganarão a muitos. Mateus 24:11
EXORTAÇÃO AOS HOMENS
Quando Deus pôs Adão para que guardasse o jardim, estava reconhecendo a existência de um inimigo
de quem o jardim deveria ser guardado. Satanás rondava o jardim de Adão, e este deveria defendê-lo.
Assim também, hoje, Satanás ronda o jardim dos filhos de Deus para feri-los novamente. A ferida
pode vir –novamente– sobre a mulher, pode vir sobre os filhos, ou sobre os bens. Mas seja como
for, é preciso estar conscientes disto: o jardim de cada filho de Deus está na mira de Satanás.
As famílias sofrem muitos males e dores hoje em dia por uma falta de cobertura espiritual paterna.
Muitas desgraças familiares, acidentes, roubos, fraudes, etc., que atribuímos inadvertidamente a causas
naturais, são obras de forças malignas enviadas para destruição das famílias cristãs. E muitas destas coisas
acontecem porque os homens descuidaram do exercício de sua autoridade no cuidado do seu jardim.
Filhos de Deus,ouçam a advertência profética: “Atentem para as vossas responsabilidades como
sacerdotes das suas famílias. Olhem e vejam como Satanás e seus seguidores planejam contra
você. Olhem as suas estratégias de alto nível. Isto é o que ele tece secretamente contra vocês.
Olhem como aponta as suas setas contra a sua esposa e os seus filhos. Ele conhece todas as
artimanhas e sabe como lhes fazer dano. Vocês não poderão lutar contra ele usando a sua vã
confiança em vós mesmos ou a vossa astúcia. Nada poderá impedir que vos fira, exceto se
orarem. Nada lhes poderá servir neste momento crítico, exceto resistir firmemente às suas
perseguições, e desfazer as suas maquinações por meio da oração. Se tão-somente vos levantares
cada dia para vos submeteres a Deus e para resistir ao diabo, então ele se afastaria de vós (Tiago
4:7). Todos as suas estratagemas contra vós fracassariam. O seu convite se converteria em
armadilha para ele próprio (Rom. 11:9). Se tão-somente vos puseres firmes, saireis vitoriosos”.
Muitos filhos de Deus pensam que Deus lhes guardará mesmo que eles adormeçam com respeito
ao inimigo. No entanto, a sabedoria de Deus dispôs as coisas de outra maneira. Deus deixou todos
os seus recursos nas mãos dos seus filhos, para que estes ajam contra o inimigo. Deus não fará
o que nós devemos fazer. “Tomai toda a armadura de Deus...” nos diz Paulo (Ef. 6:13), para em
seguida detalhar qual deve ser a nossa atitude e quais são as armas da nossa milícia. “Ao qual (ao
Continua na página 46
Revista Betel
LEGADO
FÉ Salvadora Um Dom de Deus
43
Robert Murray McCheyne
Porque pela graça sois salvos,
mediante a fé; e isto não vem
de vós, é dom de Deus.
Efésios 2:8
A
maioria dos homens tenta colocar Deus numa
posição de débito com
relação a sua salvação.
Eles trabalham para serem salvos, ao
invés de trabalharem por serem salvos. Eles vão procurando estabelecer
a sua própria justiça. Romanos 10:3.
Deste modo, pessoas mundanas procuram vida eterna - Que faremos para
realizar as obras de Deus? João 6:28.
Embora, em palavras, renunciem
toda pretensão de qualquer mérito
neles mesmos ou em suas obras, eles
acalentam uma esperança secreta de
serem recomendados a Deus por sua
decência, sobriedade e performance
religiosa. Deste modo, aqueles que
tem uma pequena preocupação com
suas almas, como o jovem rico, buscam a vida eterna - Mestre, que farei
eu de bom, para alcançar a vida eterna? Mateus 19:16. Seu maior desejo
era parecer justo diante de Deus. Assim também, aqueles que experimentam uma inquietação mais profunda,
44
LEGADO
freqüentemente vagueiam buscando
perdão e paz. Talvez haja traços deste sentimento na pergunta ansiosa
do pobre carcereiro - Senhores, que
devo fazer para que seja salvo? Atos
16:30; e no grito lancinante do prostrado Saulo - Senhor, que queres que
eu faça? Atos9:6. Certamente esta
justiça própria é o pior e mais duradouro veneno do coração humano. A
maioria dos homens, debaixo de convicção, se mostra relutante em abandonar a confiança que depositam em
si mesmos. Eles não estão dispostos a
tirar suas esperanças das suas “boas”
obras. Eles se assustam com a idéia
de estarem perdidos, a despeito de
qualquer coisa que façam. Eles não
gostam do perigo de jazer sem socorro e sem justificativa, aos pés da soberania de Deus. Quão solene estas
palavras deveriam ser, para um pecador neste estado Porque pela graça
sois salvos, mediante a fé; e isto não
vem de vós, é dom de Deus.
Salvação É Pela Graça
Quando um homem escolhe uma
maçã de uma árvore, ele geralmente
escolhe a mais madura, a que parece ser melhor. Não é assim que
Deus age na escolha das almas que
Ele salva. Ele não salva aqueles que
menos pecaram ou aqueles que estão mais dispostos a serem salvos;
Ele freqüentemente escolhe os mais
Revista Betel
vis dentre os homens para o louvor e
glória da Sua graça. Efésios 1:6. Isto é
provado pelos exemplos dados na Bíblia. Por que Deus escolheu Manassés, que queimou a seus filhos, pôs
imagem de escultura na casa de Deus
e encheu Jerusalém com o sangue de
homens santos, enquanto muitos do
seu povo iludido, que pecaram muito menos, pereceram? 2 Crônicas 33.
Por que Deus salvou Zaqueu, maioral dos publicanos? Lucas 19:110. Por
que Jesus disse aos fariseus, os publicanos e as meretrizes entram adiante
de vós no reino de Deus.? Mateus
21:31 Por que Jesus entrou nos portões perolados do paraíso com um
pobre ladrão, que nunca tinha feito
nada a não ser pecar, até seu último
momento? (Lc.23:43 e Mt. 27:44).
Por que Ele deixou o outro ladrão,
que não era pior do que seu companheiro (ambos merecedores do
inferno), cair em perdição, estando
ao alcance dos braços do Salvador
Todo-Poderoso? Todas estas coisas
aconteceram a eles, como exemplos,
para nos mostrar que Deus salva de
acordo com a Sua boa vontade, não
por nossas “boas” obras, mas para
mostrar sua adorável e livre graça.
A mesma coisa se prova pela experiência de todo filho de Deus. Somente aqueles que “provaram que o
Senhor é gracioso” não sentem objeção no seu coração à declaração de
Revista Betel
LEGADO
um simples crente - “Se Deus não
tivesse me escolhido antes de eu ter
nascido, Ele nunca teria visto motivo
para me escolher depois, pois não há
nada em mim que atraia o amor de
Deus”. Eis que até a lua não resplandece, e as estrelas não são puras aos
Seus olhos. E quanto menos o homem,
que é um verme, e o filho do homem,
que é um vermezinho! Jó 25:5-6. Ele
ama o que é puro, santo e perfeito;
mas eu sou carnal, vendido sob o pecado. Romanos 7:14. Tudo o que
há em mim contribui para afastar
a Deus. Um Deus que se ira todos os
dias contra o mau. Salmos 7:11. Ele
estava irado comigo. A Sua natureza
me causava aversão, pois eu estava
debaixo do pecado de Adão. Fui formado em iniqüidade; cada membro
do meu corpo, cada faculdade da minha alma, era servo do pecado. Apesar disto, Ele veio sobre todas estas
montanhas para minha alma. Eu disse, vieste aqui atormentar-nos antes do
tempo? Mateus 8:29. Eu não desejava
conhecer Seus caminhos, mas Ele
me fez desejar o dia do Seu poder.
Glória, glória, glória ao Pai que me
escolheu, ao Filho que morreu por
mim e ao Espírito que me vivificou!
A salvação é do Senhor e é totalmente por Sua graça.
Salvação É Por Meio Da Fé
Quando David Brainerd estava
45
sob convicção de pecado, a corrupção
existente no seu coração foi terrivelmente incomodada pelo fato de que
a única condição para a salvação era
a fé.
Deste mesmo texto, ele costumava falar –“ Este é um duro discurso,
quem pode suportá-lo?” Outra coisa
que o mantinha na miséria era que
- “eu não descobria o que era fé, ou
o que era crer e vir a Cristo. Eu lia
os chamados de Cristo aos cansados
e sobrecarregados, mas não podia
achar o caminho pelo qual eles são
dirigidos a Ele”. Esta é uma dificuldade que a maioria dos pecadores inquiridores, sente. É provável que satanás use isto, freqüentemente, como
um dardo inflamado, para manter
pobres pecadores longe de Cristo. O
único modo de saber o que é a fé é
experimentando-a. Em uma parte da
Palavra, ela é descrita como “conhecimento”: E a vida eterna é esta: que
te conheçam, a ti só, por único Deus
verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem
enviaste. João 17:3. Um verdadeiro
conhecimento de Deus e de Cristo,
como Seu enviado, é fé salvadora.
Eu tenho este conhecimento, ó minha alma? Eu nasci como um potro
selvagem. Deus não estava em meus
pensamentos. Não queria retê-lO
no meu entendimento. Mas Deus
se agradou em revelar Seu Filho em
mim. Carne e sangue não podiam
46
LEGADO
revelá-lo para mim, a não ser meu
Pai que está no céu. Ele me abriu o
caminho para salvação, de maneira
que eu vi sua sabedoria, excelência e
libertação; eu nada podia fazer, a não
ser crer, e esta humilde confiança, é
aquela fé que é dom de Deus.
Em outra parte das Escrituras, a fé
é descrita como descoberta da beleza
e excelência de Cristo: Naquele dia o
renovo do Senhor será cheio de beleza
e de glória; e o fruto da terra excelente
e formoso para os que escaparem de Israel. Isaías 4:2. Uma descoberta real
da glória do Senhor Jesus Cristo na
alma, de forma correta e libertadora, é fé salvadora. O homem natural
sabe o que é chegar a conhecer um
semblante bonito, e o coração natural, imediatamente arder em admiração. Ninguém, a não ser os crentes,
sabe o que é descobrir a bonita face
de Cristo que é mais formoso do que os
filhos dos homens. Salmos 45:2, e ter o
Revista Betel
coração suprido com a alegria e a paz
em crer. Já fiz esta descoberta? Eu
posso dizer ao qual, não o havendo
visto, amais; no qual, não o vendo agora, mas crendo, vos alegrais com gozo
inefável e glorioso? 1Pedro 1:8 Outrora não via nenhuma beleza em Jesus
que me fizesse desejá-lo. Mas Ele
saltou montanhas e montes. Ficou
ao lado de nossa parede, olhou para
dentro pela janela, se mostrou através da grade. Mostrou-me Suas mãos
e Seus pés perfurados por pecadores.
Mostrou-me que existe lugar sob
Sua justiça. Mostrou Seu coração,
que é o mesmo ontem, hoje e para
sempre; e agora, eu só posso dizer
que Ele é para mim belo e glorioso,
excelente e gracioso. Se existisse dez
mil maneiras diferentes de perdão,
eu as ignoraria e correria para Ele.
Ele é completamente gracioso. Isto,
eu acredito, é fé salvadora, a qual é
dom de Deus.
... continuação da página 44
diabo) resisti firmes na fé” ensina-nos Pedro em outra parte (1ª Pedro 5:9). Deus não substituirá
o pai de família na defesa de sua casa. Deus delegou a sua autoridade sobre o pai, e não a retirará.
A desarticulação das obras de Satanás, assim como das suas estratégias contra as famílias, está na
mão de todo homem que é pai de família. Quaisquer que sejam os intentos que Satanás realize
contra os lares cristãos –ainda que se lance como um rio (Is. 59:19)– eles pode ser perfeitamente
neutralizados se apenas o homem tomar consciência da autoridade que Deus lhe deu, e a exercer.
Assim como ele mesmo está perfeitamente protegido por sua Cabeça, que é Cristo, a mulher e os
filhos podem estar, se ele se conduzir com a dignidade de quem é cabeça de sua família.
47
Revista Betel
Associação Betel
A
Associação Betel é uma entidade juridicamente
organizada, sem quaisquer vínculos denominacionais ou fins lucrativos, mantida por recursos
advindos de colaboração espontânea de pessoas
que apóiam seus objetivos, cujo fim é viabilizar a pregação do
Evangelho do nosso Senhor Jesus Cristo.
Os objetivos da Associação Betel:
a) Apoiar missionários e pregadores (uma vez confirmados
em seus compromissos com a verdade do Novo Nascimento
pela nossa morte e ressurreição com Cristo) para a pregação
do Evangelho de Cristo;
b) Produzir e adquirir literatura e material evangelístico
para uso dos missionários e dos grupos por eles atendidos,
como: folhetos, livretos, estudos dirigidos, livros evangelísticos, Bíblias, fitas de áudio e afins;
c) Assistência Social, sempre vinculada ao Evangelismo,
pois “a fé sem obras é morta em si mesma”.
A Associação Betel é mantida por colaborações espontâneas de pessoas físicas ou jurídicas, que apóiam seus objetivos.
São basicamente pessoas regeneradas, contribuintes muitas vezes anônimos, mas que se fazem participantes da pregação, para que também outras pessoas, até mesmo por eles
desconhecidas, possam gozar da mesma graça e esperança.
São aqueles que compreendem com amor e dedicação as
Palavras do Senhor Jesus Cristo: “Indo por todo o mundo,
pregai o Evangelho a toda criatura”.
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leitores gratuitamente.
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