PUCRS
-
Fundação Irmão José Otão
ano 1 - n° 8 - Maio de 2005
Fórum da Liberdade
Mathias Cramer/Tempo Real Foto
EDITORIAL
Por que
profissionalizar o
Terceiro Setor
página 2
ENTREVIST
A
ENTREVISTA
Reitor da PUCRS
ressalta a dimensão
humana e social
página 5
IGREJA
• TTrabalho
rabalho em questão
• Emprego e renda
• Controle de gastos do governo
• W
orkshop do TTerceiro
erceiro Setor
Workshop
Bento XVI, um
Papa Pacificador
•
Corpus Christi
página 8
páginas 6 e 7
PROGRAMAS SOCIAIS
TRÂNSITO
PROGRAMAS SOCIAIS
Kamila Almeida/FIJO
Divulgação/Kinder
Velocidade nas estradas
não deve ser determinada
por padrões políticos
Kinder começa nova
sede este ano
página 4
Preenchimento incorreto
pode invalidar
autos de infração
Coral da FIJO presta
homenagem às Mães
páginas 2 e 3
página 10
FIJO disponibiliza novas turmas de pós-graduação - páginas 11 e 12
Economia Social
2
Terceiro Setor e Você
Editorial
Viária
Adriano
Panitz
Segurança V
iária - Mauri A
driano P
anitz
Profissionalizar o
Terceiro Setor
Dentro dos parâmetros da Economia, a
Economia Social é o resultado do Capital
Social, considerada como elemento social
financeiro que flui, permeia e alimenta a ação
social no Terceiro Setor e, também, nas ações
de responsabilidade social, cunhadas nas
empresas – Segundo Setor.
Uma das finalidades da FIJO é o
envolvimento com suas congêneres, numa
linha de interação e integração que estimule
o crescimento e a solidariedade do Terceiro
Setor, buscando ação e qualidade.
Dessa forma, tem voltado-se para o
empoderamento do Terceiro Setor como uma
área que atua objetiva e concretamente na
busca da melhoria de vida das pessoas e
conseqüente crescimento das comunidades.
Mas acreditamos, também, que essa direção
nos conduz, necessariamente, à produção de
conhecimento e à divulgação da consciência
de que a profissionalização é condição sine qua
non para a sustentabilidade do Terceiro Setor.
Por que todas essas buscas? Porque as
pessoas, ainda, não têm claro o significado
dessa divisão entre Primeiro, Segundo e
Terceiro Setores. Essa divisão não é e não
pode ser o ponto alto da questão. O importante
é o sentido que cada um deles tem na sua
dimensão maior e nas suas relações de
comprometimento consigo mesmo, entre eles
e com a sociedade civil que os compõe.
Não existe a viabilidade de uma dicotomia
entre a sociedade civil e cada um dos três
setores porque são os cidadãos que,
livremente, convergem para a formação e
estruturação desses setores. Portanto, a
cidadania está presente como característica
essencial nas pessoas que compõem cada um
dos setores, basicamente, como cidadãos da
sociedade civil.
Este jornal, talvez, não inove, mas volta-se
para a sedimentação de conceitos, clareando
posições de dicotomias para adequar e
localizar conhecimentos e ações, na ordem em
que acontecem e se situam, como fatos sociais
nas comunidades.
Essa incompreendida velocidade
O deslocamento na mais alta velocidade
Quando a via se encontra em operação,
possível é uma tendência natural no equilíbrio existem dois meios de controle da velocidade: pela
dinâmico de tudo que existe no Universo, caso imposição de limites e controlando-os com auxílio
contrário haveria o caos. Nas atividades de de dispositivos de segurança viária, previstos na
transporte a velocidade é considerada um atributo legislação, e através das técnicas de moderação
fundamental em qualquer modal. Assim sendo, de tráfego (traffic calming). Ambos procedimentos
tal característica não poderia ser diferente na requerem um projeto inteligente e de bom senso.
circulação e transportes, em que os seres De acordo com a lei e a boa técnica a regulação
humanos participam na condição de condutores da velocidade operacional se faz pelo percentil
de veículos.
85% das velocidades praticadas na via, com o qual
Todavia, por falta de habilitação e/ou se define o limite da velocidade de circulação.
qualificação técnica, muitos usuários não
A simples troca de placas e de pintura de
percebem outro atributo importante e necessário sinalização para aumentar ou reduzir a velocidade
ao transporte, que é a segurança no trânsito, para níveis diferentes do que aqueles das
razão pela qual é sonegada por grande parte dos velocidades de projetos da vias, como tem sido
gerenciadores do sistema viário, que assim feito, é uma temeridade, pois as características
procedendo descumprem o
que dependem da velocidade
primeiro artigo da lei de
diretriz devem ser reprojetadas,
trânsito.
para adequá-las às novas
Ambos
esquecem
ou
condições de circulação e
desconhecem que a velocidade
garantir a segurança viária
é o parâmetro técnico mais
A velocidade alta ou como estabelece o Código de
importante, e ainda confundem
Trânsito. Sendo o limite de
baixa não é
a velocidade adequada com a
velocidade uma função do
velocidade perigosa, chegando responsável por tudo.
percentil 85% das velocidades
ao absurdo de pensar que
praticadas na via pública, do
Mas determinar
velocidade baixa é segurança e
volume de tráfego e das
velocidade alta é insegurança.
características da via, não pode
politicamente o
Na verdade, a escolha da
ser imposta, em hipótese
velocidade
correta
na
alguma, através do palpite de
aumento da
circulação decorre de uma
um burocrata ou de uma
velocidade das vias, autoridade, de uma promessa de
decisão inteligente, coerente
com a consagrada regra ASAP
um político ou mesmo de uma
sem estudo, cria
(as soon as possible), empregada
sentença judicial.
na segurança de viária e na
A divulgação na mídia da
confusão na mente
logística, cujo significado é o de
intenção da determinação de
dos motoristas,
que se deve dirigir mais rápido
certas autoridades e políticos, de
quando possível.
aumentar a velocidade sem
induzindo-os a
Por se constituir num
qualquer estudo técnico
parâmetro fundamental, ela
consistente, além de ser um
situações de risco.
recebe o nome de velocidade
retrocesso na educação de
diretriz ou de projeto. A
trânsito revela um ato
velocidade
de
projeto,
inconseqüente
dos
que
tecnicamente, é o parâmetro
deveriam
primar
pela
que estabelece a hierarquia e
segurança, que criará confusão
a categoria das vias que compõem as redes na mente dos motoristas, induzindo-os a
viárias e define as características de um projeto situações de risco de vida, pois a velocidade que
viário, tais como a rampa máxima, a rampa emociona usuários, e promove políticos, é a mesma
crítica, o raio das curvas, a distância de que mata.
visibilidade nas curvas verticais, a distância de
ultrapassagem, a largura livre nas curvas
Prof. Eng. Civil M. Sc., Especialista em
horizontais, a superelevação etc.
Segurança Viária e professor da FIJO
“
”
Expediente
FIJO - Economia Social - Terceiro Setor e Você
Ano 1, n° 8, maio de 2005
Tiragem: 10.000 exemplares
DIRETORIA EXECUTIVA
Presidente Maria Cecília Medeiros de Farias Kother Vice Ana Maria Jorgens Sartori Secretário Egon Carlos Seitz
CONSELHO DELIBERATIVO
Adair Jacques Schiavon, Alexandre Zamprogna Peixoto, Ana Maria Jorgens Sartori, Attila Sá d’Oliveira, Attilio
Bilibio, Carlos Rivaci Sperotto, Celito Francisco Mengarda, Cícero Santini e Silva, Daniel Juckowsky, Domiciano
José da Cunha, Egon Carlos Seitz, Emílio Hideyuki Moriguchi, Humberto César Busnello, Irmão Francisco José
Ruzzarin, Irmão Joaquim Clotet, Irmão Norberto Francisco Rauch, Jerônimo Carlos Santos Braga, João Jacob Vontobel,
João Miguel Messina da Cruz, João Pedro Lamana Paiva, Jonathas Abbott Bittencourt, Jorge Alberto Franzoni,
Jorge Gerdau Johannpeter, José Augusto Amaral de Souza, Leomar Bammann, Lotário Lourenço Skolaude, Marcos
Túlio Mazzini Carvalho, Maria Cecília Medeiros de Farias Kother, Maria Emília Amaral Engers, Marivaldo Antônio
Tumelero, Marta Maria Mundt Manzke, Paulo D’Arrigo Vellinho, Paulo Ronei Reali, Rafael Nichele, Ricardo Malcon,
Sérgio Juarez Kaminski, Sergio Silveira Saraiva, Solange Medina Ketzer e Vicente Pessato Netto
CONSELHO FISCAL
José Guilherme Piccoli, Olivio Koliver e Nilton Goulart Brito
SUPLENTES
Luis Edgar de Medeiros e Telmo Apparicio Grillo
NÚCLEO DE COMUNICAÇÃO DA FIJO
Edição Luciano Klöckner/reg. prof. 4612 Reportagens Kamila Almeida e Nelson Burd/reg. prof. 11361
Planejamento gráfico e diagramação Márcio Gastaldo
Colaboração Gelson Adriano da Silva e Zélia Maria Martins Amaral
Revisão Profª Lucinda M. Lorenzoni Jornalista responsável Lauro Dias/reg. prof. 6684
Impressão Gazeta do Sul (51) 3715-7800 / 3715-7887
Av. Ipiranga, 6681 - prédio 2
CEP 90610-001
Porto Alegre-RS, Brasil
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(51) 3336-5857
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Economia Social
PUCRS
3
Terceiro Setor e Você
O CTB e o direito administrativo
CFC - FIJO
Preenchimento incorreto compromete auto de infração de trânsito
Provas virtuais
Não é de hoje a polêmica acerca da autuação
no trânsito por parte dos agentes de autoridade
de trânsito.
Reza o art. 281° que a infração de trânsito não
é imposta pelo agente de trânsito, como supõe
muitos usuários da via pública. O agente de
trânsito apenas lavra o auto de infração, peça
acusatória. A previsão legal para o ato de autuação
não poderia ter sido mais acertada, haja vista que
os agentes de trânsito não têm a mínima
condição técnica e jurídica para uma límpida
autuação. A missão de fiscalizar o trânsito deveria
ser ato administrativo de caráter técnico que
atendesse os princípios constitucionais da
legalidade, impessoalidade, moralidade,
publicidade e eficiência. De outro norte não é o
que vem ocorrendo. Procedimentos equivocados
dos agentes comprometem sua atuação na pista,
inclusive no que diz respeito ao apontamento da
infração no Auto de Infração de Trânsito (AIT).
Neste sentido fere também o princípio da
eficiência que informa que a atividade
administrativa deve ser exercida com presteza,
perfeição e rendimento funcional. Trata-se de o
princípio mais moderno da administração pública.
Pode-se falar também que em alguns casos o erro
na autuação é tão gritante que chega a
transparecer perseguição de o agente de trânsito
ao condutor. Assim agindo o agente de trânsito
fere de morte o princípio da impessoalidade que
ensina que todo o ato administrativo deve ser
voltado ao interesse público. Tem de ser praticado
com finalidade legal e não em prejuízo de
determinado condutor.
O desrespeito às regras e princípios do CTB,
inclusive pelas autoridades de trânsito, é uma
realidade. Muitas vezes a própria autoridade de
trânsito local não apresenta qualquer sorte de
conhecimentos técnicos e jurídicos na área de
trânsito. Com efeito, fica difícil a vulgarização das
normas de trânsito, pois a própria autoridade de
trânsito é quem as desrespeita.
Ressalta-se que o correto tratamento ao
trânsito se dá de forma multidisciplinar visto
tratar-se de uma ciência que envolve
conhecimentos jurídicos, de engenharia, de meio
ambiente e etc. O total desconhecimento da
matéria faz com que os processos administrativos
sejam desrespeitados em sua essência.
Em busca da necessária vulgarização do CTB
urge a necessidade de que alguns detalhes do
novel CTB sejam efetivamente respeitados pelos
agentes de autoridade de trânsito e, depois pelas
autoridades propriamente ditas.
Infere-se daí que a presunção de legitimidade
que acompanha todo ato administrativo deve ser
relativizada haja vista a falta de conhecimento
técnico na matéria de trânsito das autoridades e
seus agentes.
Vale dizer que o CTB somente se
perfectibilizará no momento em que a autoridade
de trânsito, seus agentes e o condutor falarem o
mesmo idioma. Para isso basta um
aperfeiçoamento no conhecer técnico das
autoridades e de seus agentes através de
campanhas onde todos os cidadãos sejam
convidados e instigados a participar do tema
trânsito.
Fernando Guterres Borges
Bacharel em Direito pela PUCRS
e Especializando em Direito do Trânsito pela
Fundação Irmão José Otão
Só podia ser homem
Se como dizia aquele dramaturgo toda
unanimidade é burra, um título como o que você
lê acima já nasce capenga. Mas é da natureza
humana, na tentativa de compreender e de se
relacionar com a complexidade do mundo, rotular
pessoas, atitudes, instituições. Daí para o
preconceito e suas conseqüências mais
negativas, a distância é só a de um pequeno
passo.
No trânsito, o esquema se repete, e nem
poderia ser diferente, já que estamos falando de
um espaço público onde desconhecidos
interagem, protegidos muitas vezes por cascas
metálicas e um relativo anonimato. É a hora,
pensam alguns, de descontar as frustrações sem
maiores conseqüências. E dê-lhe buzinadas
agressivas, xingamentos variados, exteriorização
de preconceitos sociais, raciais, econômicos e de
gênero.
Parece mentira, mas, em um país de
contrastes econômicos e sociais como o nosso,
quem tem um carrinho popular de 1963 se acha
no direito de enfiar a mão na buzina para fazer o
carroceiro que está “atrapalhando” o trânsito
chicotear o cavalo lomba acima. Ou ofender o
papeleiro, só porque é um pouco mais pobre do
que ele. Mas o trânsito é composto de todos estes
personagens que se deslocam pelas vias públicas,
seja como for, a pé ou de carro, em lombo de burro
ou bicicleta, em carro último tipo ou ônibus
antigo. O motorista do carrão esquece que em
algumas ocasiões também é pedestre, que seu
filho é ciclista, que o DVD que aluga chega à sua
casa embaixo da chuva na caixa de um motoboy.
Acha pouco? O que dizer então das empresas
que anunciam seus veículos explorando o que seu
público alvo tem de pior? E das madames que
estacionam em fila dupla para esperar os rebentos
na saída das escolas? E dos senhores em crise de
meia idade que ostentam suas máquinas,
correndo atrás do que acham que a vida lhes
tirou? De fato, o trânsito é um caldo de cultura do
comportamento humano no que ele tem de
melhor e de pior; um prato cheio para sociólogos
e psiquiatras.
Neste ambiente em tensão emocional, os
agressivos gritam mais alto e causam mais
problemas, e por isso parecem ser muitos. Mas
felizmente os que trafegam civilizadamente
ainda são maioria. Afinal, não é todo dia que um
neandertal se irrita pelo fato da senhora à sua
frente não estar pisando fundo e lança o célebre
e batido “só podia ser mulher!”.
Por tudo isso, colabore para pacificar o trânsito,
compreendendo-o melhor. Se você vir um carro
passar cantando pneus e emparelhar com outro
para um perigoso “pega” em plena via pública,
seja você homem ou mulher, dê uma olhadinha,
tentando conferir se você adivinhou o sexo do
motorista. Se a película escura estiver dentro da
lei, é claro.
Eunice Gruman
Coordenadora da Assessoria de
Comunicação Social do Detran-RS
Desde o início de maio, os Centros de
Formação de Condutores (CFCs) podem
agendar a realização virtual de provas
teóricas para obtenção da primeira
habilitação, para os cursos de renovação e
de reciclagem. A Fundação de Apoio à
Tecnologia e Ciência (Fatec), vinculada a
Universidade Federal de Santa Maria, e
encarregada pelo Detran-RS da criação e
aplicação das provas teóricas e práticas,
inaugurou no dia 4/5, às 11 horas, um
conjunto de salas, num total de 274m², para
a aplicação destes exames teóricos. Uma das
salas dispõe de seis terminais para
realização das provas virtuais, mas a idéia é
disponibilizar até 18 terminais. O próprio
computador sorteia, do banco de questões,
o número necessário de perguntas e o
resultado pode ser obtido na hora. Trata-se
do programa Trabalhando pela Vida, criado
pela Fatec, com capacidade para atender
2000 candidatos/mês.
A sala localiza-se na Rua José Montaury
n° 139 - 9° andar. A Fatec realizará o
monitoramento virtual desta sala, através da
internet, desde o momento em que o
candidato entra na sala até o seu resultado
final. Todos estes procedimentos garantem
um alto nível de segurança, já que todos os
registros serão salvos nos computadores. As
provas serão realizadas em horários préagendados pelos CFCs interessados.
Cursos de atualização
A atualização dos procedimentos no novo
processo de Habilitação nos Centros de
Formação de Condutores (CFCs) do Estado,
determinada pela Resolução 168 do
Conselho Nacional de Trânsito (Contran),
está acontecendo em etapas.
O processo de Primeira Habilitação no
Estado já está incluindo o curso de Direção
Defensiva, que aumentou sua carga horária
de 10h/aula para 12; e Primeiros Socorros,
que diminuiu de 6h/aula para 4, desde o
dia 4 de abril.
O Detran-RS está elaborando uma
Portaria que isentará todas as pessoas que
já fizeram o curso exigido (Direção Defensiva
e Primeiros Socorros), como por exemplo
médicos e enfermeiros.
A data prevista para este procedimento
iniciar é 22 de junho de 2005.
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Economia Social
4
Terceiro Setor e Você
O Eu em formação
Kinder amplia
auxílio às crianças
Divulgação/Kinder
A educação tem um papel importante na nossa espaço e tempo, com as características que lhes
sociedade. Não podemos deixar de perceber que são próprias e já citadas acima, são seres em
cada vez mais ela se torna global. Neste contexto aberto, buscando o seu crescimento, sendo
é importante a formação de professores, mais fundamental o papel que o professor desenvolve,
especificamente, deste ser que escreve e ensina pois, como diz Paulo Freire, o professor necessita
de uma rigorosidade metódica
a escrever.
para propiciar uma educação
Como pensar a constituição/
mais humana e mais alegre.
formação de um professor sem
É importante lembrar,
buscar
elementos
que
também, que “o saber pode ser
constituam a sua existência?
O professor tem um
reconstituído” que ele é
Para isto, temos que perceber
“insuficiente” e que nele há
que antes de sermos professor papel instigador. Isto
sempre o nosso cotidiano
somos sujeitos e somos seres
porque, mesmo tendo envolvido em todo processo
humanos.
A própria
Nessa
perspectiva,
consciência de que é ensino-aprendizagem.
linguagem é contextualizada.
precisamos estabelecer uma
Por intermédio da linguagem
reflexão com novos olhares para
o próprio ser que
tornamo-nos sujeitos da
a constituição do professor
constrói o seu
História e nos posicionamos
como ser. Urge perguntar: como
perante a realidade, mesmo
construir uma identidade de
conhecimento,
que a realidade pessoal do
professor? Esta identidade é
importante?
também sabemos que professor seja diferente da
realidade de seu aluno.
Vejamos, primeiramente, o
ele constrói a partir
professor como ser humano,
Linguagem e Valor
pois o ser não está já
do que lhe chega,
O discurso possibilita ao
plenamente determinado em
sujeito
posicionar-se
e
sendo a linguagem
sua essência, [ele] é posto em
assumir-se enquanto aprendiz,
aberto. Neste sentido, podemos
fundamental.
buscando significar alguém ou
dizer que ser humano é tarefa.
alguma coisa através de um
A tarefa na nossa existência, da
assumir,
a
partir
de
“construção de si mesmo”.
determinados valores para as
Como “abrir para si o espaço das
questões, o que resulta em não
diferentes possibilidades de sua
própria realização”. O ser humano é complexo, ser indiferente diante das diferentes realidades
por isto, o professor, além de estar em que convive. Paulo Freire tem uma grande
permanente formação, contribui para a formação contribuição, pois percebeu que a raiva, no
dos outros. É da formação docente que se busca sentido de que esta propicia indignação,
sinalizar perspectivas para uma formação mais movimenta-nos. Neste movimento as ações dos
seres, em prol do que acreditamos estão imbuídas
humana e mais ampla de educação.
Nesse sentido, o professor tem um papel de valores.
“Na escola o que se busca é o valor”. Esses
instigador. Isto porque, mesmo tendo consciência
de que é o próprio ser que constrói o seu valores dão sentido à vida e à existência, muitas
conhecimento, também sabemos que ele constrói vezes, esquecidas e não desenvolvidas na escola.
a partir do que lhe chega, sendo a linguagem Cabe à escola e a outros espaços educativos
fundamental para este processo. Diante disto, diferenciados oportunizarem reflexões e
torna-se importantíssimo questionar a formação estimular a curiosidade crítica para, assim,
de professores, pois mesmo que o aluno seja um transformar a escola num ambiente alegre que
ser de decisões, as trocas podem ser mais ou contemple os valores que possam ser assumidos
menos significativas para a construção da e vividos em nosso dia.
“Sempre sonhei com uma escola alegre”, diz
felicidade do sujeito. Entendendo que nossa busca
é pela felicidade que revela que os indivíduos Rubem Alves e este é o desafio da atuação do
“devem ser pensados na sua capacidade de professor.
sobreviverem felizes, de sobreviverem num
mundo em que o viver bem seja a regra geral”,
Anelise Vieira Bonatto
ele vai além e justifica que aprendemos, também,
Aluna do Curso de Especialização Educação de
para sermos felizes. Mas será que isto está
acontecendo? Ouvimos muitas queixas dos Jovens e Adultos na Fundação Irmão José Otão
professores que acham tudo difícil. Será que não
José Antônio Fracalossi Meister
está na hora de mudarmos? O que move alguém
Professor de Filosofia da Educação no Curso
em ser professor? Da decisão de ser professor de Especialização Educação de Jovens e
da decisão crítica e não ingênua, se nos permitem
Adultos na Fundação Irmão José Otão
fazer este trocadilho com os conceitos freirianos.
Os sujeitos na escola são os que compõem este
“
”
Construção da nova sede será iniciada
ainda no primeiro semestre de 2005
A Kinder (Centro de Integração da Criança
Especial) é uma entidade filantrópica que desde
1988, presta atendimento interdisciplinar a
bebês, crianças e adolescentes portadores de
deficiências múltiplas, sem condições
financeiras. A instituição acredita no potencial
de aprendizagem do ser humano, independente
do grau de lesão física, sensorial ou mental,
propiciando a estas crianças e jovens o direito à
escola e ao trabalho.
Administrada por voluntários, a instituição
recebe novos alunos, com um ciclo de avaliações
para definir a melhor maneira de conduzir a
recuperação da criança.
No primeiro contato que a família tem com a
entidade é feito o cadastramento e explica-se a
dinâmica do processo de ingresso. A etapa
seguinte obedece aos critérios de lista de espera
disponibilidade de vagas. A coordenação técnica
entra em contato para marcação da triagem que
apresenta a seguinte dinâmica:
1º) Avaliação com Assistente Social;
2º) Avaliação com Neurologista;
3º) Avaliação com Fisioterapeuta, Fonoaudióloga e Terapeuta Ocupacional;
4º) Avaliação Psicológica;
5º) Avaliação Pedagógica.
Após todas as etapas e a partir de um consenso
de equipe, a criança ingressa em parte das
atividades que foram indicadas e aguarda em
lista de espera interna inclusão nos
atendimentos que no momento não
apresentarem disponibilidade de horários.
Balanço de 2004
A Kinder atingiu, no último ano, um resultado
positivo de R$ 106.819,76 e um passivo a
descoberto de R$ 13.165,84 em função dos déficits
dos exercícios anteriores, sendo que 50% das
crianças e adolescentes foram atendidos com
doações fixas de padrinhos, os demais
atendimentos foram realizados com doações
eventuais.
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Economia Social
PUCRS
5
Terceiro Setor e Você
Entrevista: Joaquim Clotet, reitor
PUCRS incentiva a dimensão humana e social
ASCOM/PUCRS
De que forma o senhor vê as ações
protagonizadas pelo Terceiro Setor no Brasil,
comparativamente às realizadas nos países
mais desenvolvidos?
Joaquim Clotet: Nos países mais desenvolvidos
já não se confunde o terceiro setor com
assistencialismo. No Brasil e nos países em
desenvolvimento, de uma forma geral, ainda
persiste a idéia de que o Terceiro Setor tenha
por finalidade, tão-somente, a prestação de
assistência social aos menos favorecidos. Na
realidade, é muito mais do que isso. O Terceiro
Setor tem vocação de instrumento de equalização
social, quer dizer, ele conduz a uma sociedade
mais justa e igualitária onde as chances (acesso
à educação, trabalho, identidade cultural, e
outros) são distribuídas de forma mais eqüitativa.
Ainda que a origem do Terceiro Setor encontrese nas obras assistenciais de cunho religioso, e
estas continuem desempenhando um importante
papel, as fundações, as organizações nãogovernamentais e as cooperativas hoje
transcendem àquela feição.
A boa notícia é que estamos caminhando nessa
direção a passos largos. As atividades de
instituições como a Fundação Irmão José Otão,
pioneira na divulgação e profissionalização do
Terceiro Setor, colaboram muito para o
desenvolvimento do tema no País.
A atuação da PUCRS se estrutura sobre as
finalidades de cultivar os valores humanos e a
ética cristã. Quais os planos da Universidade
nessa área?
Joaquim Clotet: Cabe afirmar que todas as
disciplinas e cursos têm a sua dimensão humana
e social, às vezes não perceptível num primeiro
momento. Este é um dos desafios para o educador
e para o educando. Como posso contribuir com
este estudo ou com esta pesquisa para o progresso
e bem-estar da sociedade?
A Universidade tem múltiplos projetos em
andamento. Citarei apenas alguns. O Projeto
Reflexões, voltado à formação humana,
pedagógica, religiosa e institucional dos
professores e funcionários. O Projeto Fé & Cultura
facilita o diálogo entre a ciência e a religião.
Ambos os projetos estão coordenados pelo ViceReitor Irmão Evilázio Teixeira. O Centro de
Pastoral, sob a coordenação do Irmão Édison
Hüttner e do Irmão Marcelo De Bastiani, organiza
encontros de reflexão, amizade, introdução e
“
O Terceiro Setor é mais
aprofundamento da vivência cristã para
estudantes, professores e funcionários. O Projeto
Solidariedade, sob a coordenação do Irmão Avelino
Madalozzo, desenvolve inúmeras ações voltadas
à prática dos valores humanos e religiosos em
benefício de pessoas e instituições carentes.
Dentro da Política de Humanização e Assistência
à Saúde, está o Programa de Humanização
efetivado no Hospital São Lucas, sob a
coordenação do Irmão Jorge Moreira Ribas, e da
vice-coordenadora, Assistente Social Magda
Ferreira, presta um eficiente atendimento e
ajuda aos pacientes e aos familiares dos mesmos
deste grande centro de saúde.
O Projeto Intercâmbio Brasil-Canadá,
desenvolvido pelo Projeto Rondon e a instituição
canadense Jeunesse Canada Monde, beneficia
pessoas de ambos os países e desenvolve
atividades de serviço, atendimento e cidadania
aos estudantes nele engajados. Podem participar
nesse Projeto, coordenado pelo Prof. Edgar
Erdmann, alunos de qualquer curso da PUCRS,
de Graduação ou Pós-Graduação, com idade até
23 anos. Além de tudo quanto foi colocado, penso
nos estudantes que dedicam parte do seu fim de
semana e de suas férias colaborando em projetos
de saúde e higienização na Ilha dos Marinheiros,
ou com crianças doentes internadas no Serviço
de Pediatria do HSL, realizados por alguns alunos
e professores da Faculdade de Letras. A PUCRS
precisa aumentar todas essas atividades. Todos
nós, finalmente, devemos incentivar o lado
solidário da nossa existência.
No PUCRS Informação (nov-dez/2004), o senhor
preconiza a importância de uma maior
interação entre a Universidade e a comunidade
local. O programa Universidade para Todos, que
visa à inclusão social, é uma forma de
aproximação. O senhor poderia citar outras que
passem pelo Terceiro Setor?
do que assistencialismo.
Ele tem vocação de
instrumento de equalização
social, conduz para uma
sociedade mais justa
e igualitária.
”
Joaquim Clotet: É importante salientar que
dentro da Universidade o Terceiro Setor é,
também, objeto de estudos. O Núcleo de Estudos
de Organizações Civis e Cidadania no Mestrado
de Ciências Sociais constitui um exemplo. Além
disso, a Universidade também tem participado
ativamente na realização de eventos que
divulgam o Terceiro Setor além de ser parceira
da FIJO na realização de cursos de especialização
na área. Essa caminhada está iniciada, temos
certeza de que mais adiante várias oportunidades
e desafios virão.
Conselho Deliberativo da FIJO elege nova gestão
Nelson Burd/FIJO
A nova diretoria da Fundação Irmão José
Otão foi escolhida na última reunião do
Conselho Deliberativo, com a recondução da
Professora Maria Cecília Medeiros de Farias
Kother à presidência.
O Dr. Vicente Pessato Netto, convidado a
permanecer como vice-presidente, alegou
problemas pessoais que o impediam de
continuar na diretoria. Para a vicepresidência, foi eleita, então, a Dra. Ana Maria
Jorgens Sartori.
A FIJO não pode deixar de registrar o
importante trabalho que o conselheiro
Vicente Pessato Netto realizou neste período
em que assumiu para completar o mandato do
Dr. Raphael Loro, falecido em 2004.
O Dr. Vicente, um dos primeiros
conselheiros da FIJO, foi vice-presidente na
gestão 1990-1992, cujo presidente era Daniel
Juckowsky e o secretário, o Ir. Geraldo
Minuscoli; e 2004-2005 na presidência de
Maria Cecília Medeiros de Farias Kother e
secretário Egon Carlos Seitz.
Amigo e sempre disposto a participar da
FIJO, com um história de reconhecimento da
Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande
do Sul, permanece como Conselheiro da FIJO.
Obrigado pela dedicação.
Dr. Vicente Pessato e Ana Maria Sartori
6
Economia Social
Terceiro Setor e Você
Fórum discute o capital social
Principais temas do evento foram a questão do trabalho e a importância de ligar a teoria à prática
Mathias Cramer/Tempo Real Foto
Kother, da presidente da
A 18ª edição do Fórum da
ONG Parceiros Voluntários,
Liberdade, promovida pelo
Maria Elena Johannpeter, do
Insti-tuto de Estudos
professor da Universidade
Empresariais, abriu espaço
Federal do Rio de Janeiro,
para discussões sobre
Carlos Montaño, e da
Responsabilidade Social e
fundadora da Associação
Terceiro Setor. PersonaSaúde Criança Renascer, do
lidades do meio sociopolíticoRio de Janeiro, Vera Regina
empresarial
estiveram
Cordeiro.
presentes aos painéis
Para Maria Cecília
realizados no Campus da
Kother, o Terceiro Setor é a
Pontifícia Universidade
sociedade civil como um
Católica do Rio Grande do
todo. “A finalidade é o
Sul. A solenidade de
desenvolvimento
da
abertura, no final da tarde do
solidariedade, pois há um
dia dois, contou com as
compromisso
com
as
presenças do governador do
comunidades”, explicou.
Estado, Germano Rigotto, do
Maria Elena Johannpeter
prefeito de Porto Alegre, José
complementou a idéia. “O
Fogaça, do presidente do IEE,
resultado é um ser humano
Lars Knorr, do reitor da
melhor. Tanto quem ajuda,
PUCRS, Joaquim Clotet, e da
como quem é ajudado”,
presidente da Fundação José
enfatizou.
Irmão Otão, Maria Cecília
O governador de São
Medeiros de Farias Kother,
Paulo, Geraldo Alckmin,
dentre outras autoridades.
convidado especial do Fórum,
Lars Knorr saudou os
ressaltou a importância da
participantes do Fórum,
Maia (E), Murphy e Freire participaram do painel O futuro do trabalho
Lei de Responsabilidade
exaltando a importância da
Social. “Ninguém tem o
palavra “Liberdade” na
direito de gastar aquilo que
atualidade. Já o governador
Germano Rigotto parabenizou o empresário Pessoal trouxe o presidente do Grupo Gerdau, não existe”, garantiu. Alckmin ainda defendeu o
Renato Malcon, agraciado com o Prêmio Libertas, Jorge Gerdau Johannpeter, e o PhD em respeito entre os políticos, principalmente em
conferido a empreendedores que se destacam no Economia, Eduardo Gianetti da Fonseca. época de campanhas eleitorais. “Como meu pai
trabalho pela valorização dos princípios de “Trabalhando com o espírito de servir, estamos falou para mim uma vez: os possíveis equívocos
economia de mercado e de respeito ao Estado de construindo o verdadeiro capital social”, disse dos seus adversários não aumentam suas
Direito democrático. O primeiro dia de atividades Johannpeter. Logo após, o embaixador dos Estados qualidades”.
No encerramento do Fórum da Liberdade, o
foi encerrado com as oratórias do prefeito do Rio Unidos no Brasil, John Danilovich, afirmou que
de Janeiro, César Maia, do deputado federal por as pessoas não estão mais em busca de emprego doutor em Ciências pela Fundação Escola de
Sociologia e Política de São Paulo, Carlos Faccina,
Pernambuco, Roberto Freire, além da e salário, mas sim de trabalho e renda.
O workshop Terceiro Setor ocorreu à tarde, no argumentou que a sua experiência acadêmica
participação do ex-ministro da Fazenda da
Salão de Atos da PUCRS, e contou com as foi essencial para alcançar o cargo de diretor da
Argentina, Ricardo López Murphy.
No dia 3, o painel Trabalho e Realização presenças da presidente da FIJO, Maria Cecília Nestlé: “Teoria e prática não são excludentes”.
Trabalho e realização pessoal
Gerdau e Giannetti realizaram painel que abriu o segundo dia de debates
Mathias Cramer/Tempo Real Foto
Mathias Cramer/Tempo Real Foto
Jorge Gerdau Johannpeter,
presidente do grupo Gerdau e
coordenador
da
Ação
Empresarial, disse que o
importante para a empresa é
fazer com que os empregados
sejam seres pensantes. Um dos
seus empregados disse uma vez:
“Cheguei como um peão e saí
como
um
campeão”.
O
compromisso
com
a
responsabilidade social deve
estar presente dentro de cada
um, estimulando as pessoas na
auto-realização pessoal. O
mercado força as empresas a
fazerem essas ações, e o
empresário precisa de um time
de profissionais que pensem dessa maneira, essa é uma empresa
vencedora. Uma empresa só constrói a sua perpetuidade se tiver
valores empreendedores, assim como o verdadeiro líder tem de
servir, e não apenas ser servido.
Eduardo Giannetti da
Fonseca, Ph.D em Economia
pela
Universidade
de
Cambridge, Inglaterra, e
integrante do Conselho
Superior de Economia da
FIESP, citou exemplos gerais
de dilemas, como a escolha de
um emprego. “É muito difícil
encontrar a real vocação de
cada um. O bom é quando se
consegue conciliar o lado
financeiro com a satisfação
pessoal. A aproximação entre
trabalho e ética, profissão e
realização, mercantilismo e
satisfação, está se tornando
uma exigência econômica.
Discutir o trabalho é um luxo, pois a maior parte da população
não tem um trabalho. O trabalho está intimamente ligado à
felicidade humana, a situação do emprego pode mudar, pois
depende da atitude das instituições e não do governo.”
PUCRS
Economia Social
Workshop - TTerceiro
erceiro Setor
Outros destaques
O Terceiro Setor obteve destaque no18º Fórum da Liberdade. O workshop sobre o tema reuniu
personalidades do meio social, como a presidente da Fundação Irmão José Otão, Maria Cecília
Kother, o professor da Escola de Serviço Social da UFRJ, Carlos Montaño, a fundadora da Associação
Saúde Criança Renascer, Vera Cordeiro e a presidente da ONG Parceiros Voluntários, Maria Elena
Johannpeter. O painel, realizado no segundo dia do evento, foi mediado por Ricardo Ranzolin
presidente da União Empresarial.
Maria Cecília Kother
Carlos Montaño
“O voluntariado deve estar presente em cada
um, é uma questão de humanismo, cujo
objetivo é tornar as pessoas mais felizes.”
“O estado federal é rico e eficaz, mas as
prioridades não são garantir o que a
constituição exige, é um país democrático e de
direito, mas a política econômica deve ser
mudada.”
“O trabalho social não deve ser encarado
como uma ação de marketing.”
“Cidadania é a palavra chave do Terceiro
Setor, que é um dos alicerces da
democracia.”
“Terceiro Setor é a sociedade civil como um
todo.”
“A finalidade dessa atividade é o
desenvolvimento da solidariedade.”
“Compromisso com as comunidades, onde
trabalha-se pela felicidade de um todo e não
a individual.”
“As Organizações não-governamentais
surgiram entre as décadas de 70 e 80, como
uma contestação política, e são assim
chamadas porque não faziam parte do
governo e iam contra o regime da época.”
“O Terceiro Setor é considerado um gerador
de empregos, pois está na área dos serviços.
Hoje ele emprega mais de um milhão e meio
de pessoas.”
“A sustentabilidade está no reforço teórico e
na profissionalização do Terceiro Setor.”
“Deve-se repensar individualmente um projeto
de país muito humano. Humanidade não é um
país rico, e sim com qualidade de vida.”
7
Terceiro Setor e Você
Mathias Cramer/Tempo Real Foto
“Se o trabalhador vai mal, a indústria vai mal.”
Maria Elena Johannpeter
Geraldo Alckmin
“Momentos antes do início deste evento, um
jornalista me perguntou se eu achava que o
Quarto Setor era o crime organizado. Respondi
que não, pois não podemos dar respaldo a um
desvio de conduta. Para mim, o Quarto Setor
seria a imprensa.”
“Ninguém tem o direito de gastar o que não
existe.”
“Responsabilidade Social é obrigação do
indivíduo.”
“O desemprego ocasiona o Terceiro Setor.”
“O Terceiro Setor deveria se chamar Setor
Cidadão.”
“Queremos solidariedade, felicidade, e não
uma sociedade consumista.”
Vera Cordeiro
“O talento do voluntário faz a diferença, com
isso, ele economiza em anti-depressivos.”
“Que sociedade queremos?”
“A sociedade não agüenta o consumismo.”
“Completar o Estado não significa substituí-lo.”
Kamila Almeida/FIJO
“A Lei de Responsabilidade Fiscal é um
marco.”
“Gastam muito para garantir a própria reeleição,
ou o sucessor.”
“Defendem a Reforma e Tributária, mas apenas
aumentam os impostos.”
“O Brasil precisa de reformas da Previdência,
trabalhista e política.”
Carla Cicco
Presidente e diretora de Relações com
Investidores da Brasil Telecom S.A, afirmou
que somente o primeiro setor e a área do
conhecimento produzem riqueza paupável.
Carla evita o uso de e-mail, para que o
contato entre os funcionários seja olho no
olho. “O e-mail impessoal foi proibido na
empresa. Incentivar a capacitação dos
profissionais para mobilizar e valorizar os
funcionários jovens é uma prática na
empresa, e o mais importante numa
companhia são as pessoas, os recursos
humanos. O objetivo do trabalho é criar um
ambiente feliz para que o trabalho seja
produtivo.”
Carlos Faccina
Diretor de Recursos Humanos da Nestlé,
foi um acadêmico que conseguiu alcançar
o cargo de diretor. “Toda a empresa deve
oferecer oportunidade a jovens talentos.”
Ele afirmou que teoria e prática não
excluem uma à outra. “Se a teoria tiver
algo da prática é teoria, se não é utopia”,
completa.
Acesse a versão on-line do jornal
Economia Social - Terceiro Setor e Você
Terceiro Setor: Vera Cordeiro, M. Cecília Kother, Ranzolin e M. Elena Johannpeter
www.fijo.org.br
Economia Social
8
Terceiro Setor e Você
Bento XVI, o papa abençoado e pacificador
Missa solene em Roma inaugurou o pontificado do novo chefe da Igreja católica no dia 24 de abril
O cardeal alemão Joseph Ratzinger, 78 anos
completados em 16 de abril, é o novo Papa.
Etimologicamente, BENTO significa abençoado,
bem-falado, pacificador. O Papa anterior, com o
nome Bento XV (1914-1922), teve um pontificado
de oito anos, durante a Primeira Guerra Mundial,
quando tentou a pacificação do conflito, sem
grande êxito.
O Arcebispo Metropolitano, Dom Dadeus
Grings,
quando
foi
secretário
do Vaticano, conviveu com o Cardeal Ratzinger e
afirma que “é homem receptivo, bem relacionado,
bom, carinhoso, que quer bem a todos”,
acrescentando que o novo Papa é “homem de
intelectualidade, de vivência profunda da fé e de
grande diálogo”. Dom Dadeus entende que a
eleição foi “um sinal de confiança do Conclave
em uma pessoa que iria continuar os trabalhos
de João Paulo II e abre as portas para o diálogo
com os povos americanos”.
Cronologia do novo Papa
1927: Em 16 de abril, nasce em um Sábado de
Aleluia em Marktl am Inn, na Baviera.
1932: Em dezembro, a família se transfere para
os alpes da Baviera. Cinco anos mais tarde, com
a aposentadoria de seu pai, a família se muda
para Hufschlag (Baviera), onde Ratzinger passou
a maior parte da adolescência.
1939: Aos 12 anos, entra para o pequeno
seminário de Traunstein.
1947: Ratzinger entra no Herzogliches
Georgianum, instituto teológico associado à
Universidade de Munique. Paralelamente, estuda
filosofia e teologia na universidade de Munique
e na Escola Superior de Freising.
1951: No dia 29 de junho, Ratzinger e seu
irmão são ordenados padres pelo cardeal
Faulhaber de Munique na Catedral de Freising,
durante a festa de São Pedro e São Paulo.
1953: Ratzinger termina o doutorado em
teologia pela universidade de Munique. Em
seguida, produz o primeiro trabalho importante:
“O povo e a Casa de Deus na doutrina de Santo
Agostinho para a Igreja”. Ele dedica a tese de pósdoutorado para a história da teologia.
1959: Em 15 de abril começa a lecionar como
professor titular de teologia na Universidade de
Bonn, onde permanece até 1969, e na
Universidade de Münster [de 1963 a 1966].
1966: Obtém uma cadeira em Teologia
Dogmática na Universidade de Tübingen, onde
sua indicação é apoiada pelo teólogo suíço Hans
Küng (que questiona a autoridade papal).
Ratzinger continua convicto sobre a visão
tradicionalista, apesar da atmosfera liberal de
Tübingen e da tendência marxista do movimento
estudantil nos anos 60.
Corpus Christi, o memorial da P
aixão
Paixão
A origem da festa que se celebra na quinta- Santa da Paixão. Fazer da Eucaristia, enquanto
feira posterior à festa da Santíssima Trindade fruto precioso e memorial do mistério pascal,
(primeiro domingo após a solenidade de objeto de uma ação de graças celebrada com fé e
Pentecostes – 50 dias após a Páscoa), deve ser alegria (basta pensar na procissão pelas ruas das
vista em conexão com a devoção ao Santíssimo cidades, os enfeites das casas, das mesmas ruas,
Sacramento, que desabrochou poderosamente ao os cantos), uma vez mais no ciclo anual das
longo do século XII e na qual se realçava de festas, parece-nos de todo defensável e oportuno.
maneira particular a presença real do “Cristo Ora, o mistério central da Páscoa é celebrado como
todo” no pão consagrado. A este movimento um todo não somente uma vez por ano, mas
eucarístico estava ligado um grande desejo de também cada domingo, sem que, no entanto, aqui
contemplar as coisas por parte do homem da Idade pareça cabível a objeção de reduplicação.
Celebrada de forma correta, no autêntico
Média, desejo este que levou, entre outras coisas,
espírito da liturgia, após a santa
ao costume de elevar a hóstia
missa solene, a procissão do
após a consagração na parte
Corpo de Deus poderia vir a ser,
central da missa católica. Em
muito mais intensamente do
meio a esta situação, a visão da
que qualquer outro tipo de
A visão de Juliana
religiosa agostiniana Juliana
procissão, uma maneira de
de Liège, no ano de 1209 e
levar os homens do nosso tempo,
repetida posteriormente, deu de Liége deu estímulo
grande estímulo à introdução de
à introdução de uma muitas vezes envolvidos no
burburinho da existência, a
uma
festa
especial
do
festa da Eucaristia
sentir, por assim dizer, através
sacramento da Eucaristia.
do símbolo do real, que não
Juliana teria tido uma visão do
foram abandonados na sua
disco lunar (comparado a uma
caminhada terrestre tão cheia
hóstia) dentro do qual havia
uma parte escura. Isso foi interpretado como de perigos, mas que estão com o Senhor
sendo a falta de uma festa eucarística no ciclo eucarístico dentro deles, diante deles e atrás
anual das festas do ano litúrgico católico. Por deles, na comunhão da Igreja, a caminho com
instância sua e de seus conselheiros espirituais, Cristo da parusia que há de vir “para ser
o bispo Roberto de Liège introduziu essa festa, glorificado na pessoa de seus santos e para ser
pela primeira vez, em sua diocese, no ano de admirado na mesma pessoa de todos aqueles que
1246. Em 1264 o Papa Urbano IV (antigo creram” (1 Ts, 1, 10). Podemos concluir com a
arquidiácono de Liège), prescreveu-a para toda a oração da Igreja para esse dia: “Senhor Jesus
Igreja. Por incumbência sua, santo Tomás de Cristo, neste admirável sacramento, nos
Aquino compôs os textos da missa e do breviário. deixastes o memorial de vossa Paixão. Dai-nos
Houve quem lembrasse, com certa razão, que venerar com tão grande amor o mistério do vosso
a comemoração do sacramento da Eucaristia se Corpo e do vosso Sangue, que possamos colher
realiza propriamente na Quinta-feira Santa, o dia continuamente os frutos da vossa redenção. Vós,
de sua instituição, e que a festa do Corpo de Deus que viveis e reinais com o Pai, na unidade do
é praticamente uma reduplicação da anterior. Espírito Santo. Amém”.
Entretanto, convém não esquecer que é
Pe. Pedro Alberto Kunrath
impossível dar expansão à alegria festiva na
Professor da Faculdade de Teologia e
tarde/noite de Quinta-feira Santa que, por ser o
Pároco Universitário - PUCRS
início do Tríduo sagrado, já pertence à Sexta-feira
“
”
1969: Retorna à Baviera, para a Universidade
de Regensburg, onde ocupa vaga de professor de
teologia dogmática e de história do dogma, além
de vice-presidente e reitor da universidade.
Posteriormente, transforma-se em conselheiro
teológico dos bispos alemães.
1972: Funda o jornal trimestral teológico
“Communio” com os teólogos Hans Urs von
Balthasar, suíço, e o francês Henri de Lubac,
entre outros. “Communio”, agora publicado em
alemão, inglês e espanhol, torna-se um dos mais
importantes jornais do pensamento católico.
1977: O Papa Paulo VI elege Ratzinger
arcebispo de Munique e Freising e, em maio, é
consagrado o primeiro padre diocesano a
conquistar o Ministério Pastoral da Grande
Diocese da Baviera. O Papa também nomeia
Ratzinger cardeal no consistório (assembléia de
cardeais presidida pelo sumo pontífice), em 27
de junho de 1977. Depois disso, se torna bispo de
Velletri-Segni e Ostia - que tradicionalmente é
a “ante-sala” para o trono do papado.
1981: O Papa João Paulo II, em 25 de
novembro, nomeia Ratzinger encarregado da
Congregação para a Doutrina da Fé,
anteriormente conhecida como Tribunal da
Santa Inquisição, que foi renomeado em 1908
pelo papa Pio X. Ele também preside as comissões
Bíblica e Pontifícia Internacional Teológica.
Opinião
De guardião da moral
a Papa do diálogo
A eleição de Bento XVI, para substituir o
Papa João Paulo II, talvez tenha surpreendido
e desgostado a muitos que esperavam um papa
sul-americano, ou do terceiro mundo, ou mais
populista e humanista, não necessariamente
vaticanista, como na realidade aconteceu.
Também não imaginei a votação do Cardeal
Joseph Ratzinger, conhecido desde muito
tempo por suas firmes convicções doutrinais
e declarações seguras. As atuais declarações
e ações, porém, diplomáticas, dialogais e
relacionais do novo Papa parecem surpreender
e destoar de seu passado dogmático e um tanto
intransigente. Acontece que não conhecemos
ainda Ratzinger como Papa, Pai, Pastor e Guia
do rebanho católico. Tivemos chance de
conhecê-lo como defensor e advogado da fé, na
defesa da ortodoxia. Na sua função de Prefeito
da Sagrada Congregação da Doutrina da Fé,
não poderia ser diferente. Precisava ser firme,
doutrinário, esclarecedor das verdades cristãs.
Estava na sua função e missão, recebida
durante 23 anos por João Paulo II.
Acredito que Bento XVI será o Papa do
Diálogo ecumênico e inter-religioso,
diplomático com o mundo e com as ciências.
É o que atesta quem o conhece de perto e que
teve algum contato anterior. Sua bondade é
bem maior do que possa aparentar. Sua alma
de pastor transparece em seus primeiros
gestos. Uma coisa é ser guardião da verdade e
da moral; outra coisa é ser pai. Numa família,
percebemos claramente que ser pai e não só
advogado dos valores é uma missão bem mais
ampla, responsável e difícil. Pensemos nisso!
Pe. Gerson Schmidt
Jornalista, Coordenador da
Pastoral de Comunicação da
Arquidiocese de Porto Alegre
PUCRS
Economia Social
Terceiro Setor e Você
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Economia Social
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Terceiro Setor e Você
Mães homenageadas pela FIJO
Agradecimento
Feira de produtos e coral da fundação marcaram a data
Kamila Almeida/FIJO
Dando continuidade aos investimentos em
iniciativa social, há mais de dois anos a Fundação
Irmão José Otão realiza atividades junto às
senhoras da Vila São Judas Tadeu. Muitas dessas
mulheres são mães de crianças integrantes do
coral “Cantando na infância e brincando com
instrumentos”, promovido pela instituição. Elas
desenvolvem habilidades manuais como crochê,
tricot e bordado no projeto “Complementação de
renda - Fazendo e ganhando”.
Num clima de integração e solidariedade, o
projeto busca despertar nos alunos a criatividade,
que é empregada em bonecas, bolsas,
guardanapos, panos de prato e peças de roupa,
que podem ser inventadas ou recriadas. A venda
desses produtos torna-se uma opção para auxiliar
nas despesas de casa. Além disso, todas segundas
e quartas-feiras, acontece o encontro
“Recuperando o tempo de aprender”, que visa a
alfabetização das mulheres da comunidade. Um
trabalho que além de ensinar a ler e escrever,
aumenta a auto-estima dos estudantes.
As aulas são gratuitas e ainda existem vagas
para os interessados. Qualquer pessoa pode se
inscrever, basta dirigir-se ao Prédio 2 do campus
central da PUCRS, sede da FIJO.
Homenagem emociona os participantes
Em homenagem às mães, no dia cinco de
maio, foi realizada uma feira com exposição de
produtos confeccionados pelas artesãs, com a
apresentação do coral da FIJO, na sede da
instituição. As crianças, ainda prepararam um
presente, com uma linda mensagem de Dia das
Mães. O evento emocionou Silvia Prudente, que
desde 2003 faz parte do programa de alfabetização.
“Sou tia do Guilherme e da Franciele da Silva e
cuido das crianças desde que a mãe deles morreu,
há três anos. É muito gratificante ser
homenageada nessa data”. Em meio a muita
descontração, as mulheres tiveram a
oportunidade de vender alguns produtos. Eliana
dos Santos participa do artesanato e conta que
“Além de garantir uma fonte alternativa de
renda, os trabalhos manuais são uma terapia”.
Disciplinadas e confiantes, as crianças do Coral,
fizeram uma apresentação emocionante. A mãe
de Carla Lacerda disse que a menina adora as
atividades da instituição e já começa a notar
melhoras no comportamento da filha. “Eu estou
adorando e no próximo ano vou inscrever minha
outra filha de sete anos nas atividades da FIJO
também”.
Coluna do Leitor
Gostaria de agradecer o recebimento do
jornal “Economia Social - Terceiro Setor e
Você” e cumprimentar pela excelente edição.
Certo de poder manter este canal de
comunicação entre nós, aproveito a
oportunidade para enviar forte abraço. Márcio
Bins Ely, vereador de Porto Alegre
Congratulações
O Terceiro Setor assume, cada vez mais,
papel de relevante importância para a
realização do Bem Comum.
O engajamento de pessoas e entidades nas
atividades que buscam o alcance desse
propósito é dever dos que desfrutam de
melhores condições sociais, em especial dos
cristãos, a quem o Evangelho ensina amar uns
aos outros, do mesmo modo como Cristo os
ama.
O surgimento de “Economia Social Terceiro Setor e Você”, ao mesmo tempo que
um alento aos voluntários, é também uma
contribuição inestimável ao preparo e à
atualização dos conhecimentos daqueles que,
interessados em agir, não dispunham de um
canal adequado de acesso às informações
necessárias. A linha editorial adotada é
perfeita.
Com fornecimento de dados objetivos sobre
a realidade e sobre os projetos e ações em
andamento, bem como reportagens
ilustrativas e artigos de caráter técnico e
doutrinário, tem a amplitude necessária para
satisfazer pessoas como eu que, não dispondo
das condições necessárias para buscar os
dados e informações de meu interesse,
encontro no “Economia Social - Terceiro Setor
e Você” o veículo capaz de satisfazer essa
minha necessidade.
Parabéns à Direção e integrantes do FIJO
pela iniciativa de realizá-lo. E o meu desejo
sincero de que evolua sempre e obtenha o
sucesso que busca e, certamente, merece.
Cordialmente, João Carlos Nedel, vereador
de Porto Alegre
Artigos e depoimentos
Apresentação das crianças do Coral da
FIJO marcou a festa do dia das mães
O Economia Social tem espaço para
depoimentos e artigos sobre o Terceiro Setor.
Mande para o endereço eletrônico
[email protected] ou deixe na
secretaria da Fijo, prédio 2 do Campus Central
da PUCRS até o dia 20 de cada mês.
Mulheres da Vila São Judas
ganham tratamento de beleza
Na tarde do dia 7 de maio,
sábado véspera do Dia das
Mães, 150 mulheres da Vila
São Judas Tadeu receberam
gratuitamente tratamentos de
beleza como cortes de cabelo,
depilação,
manicure
e
pedicure. Os serviços foram
realizados por funcionárias do
salão de beleza People Beauty,
localizado no Campus Central
da PUCRS, durante um mutirão
voluntário. O Centro Marista
Irmão Donato, Associação dos
Moradores da Vila São Judas
Tadeu, Projeto Solidariedade da
PUCRS e salão People Beauty
organizaram o evento. “Das 14h
às 17 horas, tivemos o prazer de
atender as pessoas. Essa foi a
terceira vez que prestamos esse
tipo de serviço à comunidade.
Aguardamos novos convites para
repeti-lo”,
disse
Natália
Ventura, proprietária do salão.
Conforme o coordenador do
Centro Marista Irmão Donato,
Alexander Sapiro, a intenção foi
levantar a auto-estima das
mamães, deixando-as bonitas
para passarem o seu dia com as
famílias.
Visão panorâmica da melhor gastronomia
Almoço de segunda a sábado
Eventos sociais e empresariais
Prédio 41 da PUCRS 4° andar
Fone/Fax: (51) 3339-2446 / 3315-3067
[email protected]
Economia Social
PUCRS
11
Terceiro Setor e Você
A vida é justa?
Sejamos cautelosos e vamos primeiro definir porque se fazem presentes de maneira ímpar e
sobre que vida e que aspecto da Justiça estamos pouco provável rotineiramente e o alçam a rota
nos referindo.
de destaques especiais. São os indivíduos com
Aqui nesse espaço, estou me referindo a uma vidas excepcionais numa sociedade.
justiça objetiva, de inclusão social, de igualdade
A utopia da plena igualdade não é para essa
de oportunidades, de respeito às diferenças de vida terrena. Porém, a degradação da vida social
gênero, de cultura, de etnia, de credo. Logo, e a crueldade do dia a dia indigno decorrente
estamos nos referindo a parte da vida do indivíduo principalmente do culto ao supérfluo e do
que se expressa na sua atuação, num desapego à verdade. Esses desvalores são os
determinado espaço social (comunidade), o grandes responsáveis pela falta do necessário
respeito dessa comunidade a esse espaço e a esse comprometimento na busca de resolução
indivíduo e a suficiência dessas ações para que definitiva para parcela injusta da vida social
“essa vida” seja justa.
brasileira.
Então vamos a reflexão sobre o que é uma vida
O supérfluo se manifesta no apego exacerbado
justa. Onde se encontra o limite entre uma vida ao ter, ao estético, ao consumir prazeres
vivida sob o jugo da injustiça e uma vida vivida instantâneos e o viver sentimentos voláteis.
sobre o manto da justiça?
Está no endeusamento da forma em detrimento
Intuitivamente todos nós, com uma certa dose da essência. Está no descompromisso com a
de eqüidade, temos a resposta, de maneira nossa espécie, com nossa historia, quer na não
exemplificativa de onde e como se dá a vida injusta preservação dos valores sociais e familiares, quer
social e emocional do ser humano, nesse nosso na não preservação de nossa psique e de nosso
planeta e, mais especificamente, que rosto tem ambiente ecológico.
a vida injusta socialmente em nosso país?
A mentira é o caminho percorrido com
Vivemos num país colonizado pela Europa contumaz freqüência pelos homens e mulheres
Ocidental, onde os valores judaico-cristãos são a ávidos de uma vida superficial , de poder mundano
base de nossa formação moral. A influência de e muitas vezes somos por eles liderados.
imigrações africanas, asiáticas e dependências
São almas perdidas na busca da felicidade e
econômica e cultural dos países
certamente não a encontrarão.
da
América
do
Norte,
Primeiro porque não é de
principalmente Estados Unidos,
permanente felicidade que é
poucas variantes trouxeram na
composta a vida do homem,
essência do que consideramos
segundo porque a felicidade
Para nós, não tem
uma vida justa socialmente
está no prazer maduro de
tendo em vista esses valores
importância a fé que conviver com a verdade e
como nossa ética social.
contemplar, sem subterfúgio a
professam as
Não é de senso comum toda
realidade.
a extensão de todas as
Estamos estruturados
pessoas por nós
possibilidades de uma justiça
legalmente
dentro de um
social plena, mas, certamente
modelo
democrático.
A vida das
assistidas. Nosso
há
senso
comum
na
instituições públicas e privadas
identificação do limite que
critério de ajuda não estão obrigadas a aterem-se
define o começo de uma vida
aos princípios basilares da
é de crença, mas de
minimamente justa porque
democracia e o sucesso da
sabemos
onde
não
a
democracia depende muito da
necessidade.
encontramos.
habilidade das instituições e
Madre Teresa de Calcutá
Não a encontramos, com
dos cidadãos em distinguir um
certeza, no sofrimento do idoso
bom de um mau argumento.
que carece de condições
A identificação de objetivos
econômicas mínimas no âmbito
nobres para busca de uma vida
da saúde, da alimentação e da
social justa é relativamente
moradia para viver com dignidade essa etapa de fácil, porém devemos estar atentos e não nos
vida que por si só já é limitativa .
deixarmos enganar por confusões decorrentes de
Não a encontramos na ausência de uma um mau argumento travestido de um nobre
adequada nutrição na infância, quando se objetivo.
estabelece, definitivamente, as condições
Portanto, para que possamos construir uma
biológicas e fisiológicas que potencializarão uma sociedade mais justa através de instituições,
possível igualdade de oportunidades na vida quer públicas ou privadas, compromissadas com
adulta.
objetivos defendidos primordialmente pelo
Não a encontramos na pobreza castradora de chamado Terceiro Setor, devemos ficar atentos
recursos mínimos para a subsistência do núcleo ao caráter dos homens e das mulheres que
familiar, tanto no âmbito econômico quanto norteiam as suas decisões e conseqüentes ações.
moral, indispensáveis para que ela cumpra seu
É na escolha desses líderes que efetuaremos
papel basilar na formação adequada de seus a verdadeira revolução ética no campo
membros para vida.
social , entregando a oportunidade de
Não a encontramos no abandono aos jovens uma vida digna a cada cidadão de nosso
que deixam de construir bases sólidas culturais país.
e emocionais que os transformariam em adultos
Eles devem ser homens e mulheres
saudáveis.
comprometidos apenas com a verdade
Não a encontramos no exercício de crenças do exercício de seus papéis sociais
morais na forma de preconceito,quando sem apegos mesquinhos a “brilhos
confundimos o direito de termos escolhas imediatos” e com a serena certeza que
pessoais conforme essas crenças com verdades a dignidade do ser humano se constrói
absolutas e praticamos, mesmo que por omissão, durante todo o exercício de seu
uma perversa exclusão social.
caminhar.
Caminho
às
vezes
Enfim, não a encontramos na “fome crônica” identificado pelos refletores sociais,
de nossa sociedade desigual na formação de seus mas muitas vezes mal compreendido
indivíduos, onde não se promove a nutrição básica ou exercido, solitariamente, na
do corpo e da alma a todos para que, aí sim, depois bruma da discrição. A “luz verdadeira”
de resolvida a igualdade de oportunidades, possa vem com certeza no final porque é no
haver as recompensas pelas peculiaridades conjunto de sua obra que o homem se
individuais. Exemplificando: o talento nato, o mostra grande.
maior grau de dedicação a um objetivo e porque
não admitir do imponderável chamado “sorte”
Ana Maria Jorgens Sartori
para alguns ou “desígnios de Deus” para nós os
Vice-presidente e Professora de
crentes. São diferenciais que colocam o homem
Pós-Graduação em Cooperativismo
frente a uma conjunção de variantes aleatórias
e Administração Rural - FIJO
“
”
Curtas
Voluntárias
A Associação das Voluntárias de Câncer de
Mama/FIJO/Hospital São Lucas/PUCRS
participará da Feira de Promoção da Saúde no
dia 15 de maio de 2005, no Brique da Redenção,
realizando campanhas de exames físicos de
mama. O evento contará com equipes
multidisciplinares do Centro de Mama/PUCRS
e HSL, como ocorreu em anos anteriores.
A Campanha integra a Semana da
Solidariedade/Feira da Saúde e atende a
população, identificando possíveis anomalias.
A Semana da Solidariedade ocorrerá de 16 a
20 de maio, no Hospital São Lucas.
CRAS-Partenon
De acordo com Ofício Circular nº 06/2004,
de 16/08/2004, há uma nova normatização
sobre inscrição ou renovação de inscrição de
entidade de Assistência Social, no Conselho
Muncipal de Assistência Social, através da
Resolução nº 089/04, posteriormente alterada
em parte pela Resolução nº 148/04.
De acordo com estes procedimentos a
entidade deve participar das reuniões do
Conselho Regional de Assistência Social
(CRAS) da sua região, solicitar visita do
conselho à entidade e apresentar toda a
documentação necessária no CMAS.
A organização, além de cumprir com todas
estas formalidades, deve participar de no
mínimo 70% das reuniões, que acontecem a
cada quinze dias, em local previamente
combinado, como forma de manter a inscrição.
A FIJO, desde 11/11/2004, vem
participando ativamente do CRAS - Partenon.
Novas turmas
Os cursos de Especialização Engenharia de
Trânsito e Profissionais para o Terceiro Setor,
da FIJO, iniciarão turmas quinzenais no mês
de junho. As cargas horárias são de 360 h/
aula, com classes sextas-feiras à noite e
sábados, manhã e tarde.
O curso de Engenharia de Trânsito tem por
objetivo qualificar engenheiros para a área
de consultoria e assessoria de órgãos públicos
e privados, no que se refere à tecnologia, à
adequação, à segurança e à atualidade do
veículo de uso social. Já o “Profissionais para
o Terceiro Setor” visa a contribuir na
formação especializada de recursos humanos
para atuarem na organização, planejamento
e administração de entidades do Terceiro
Setor.
Economia Social
12
Terceiro Setor e Você
Cursos da FIJO capacitam profissionais em pós
-graduação
pós-graduação
A escolha adequada e a dedicação do estudante garantem um futuro promissor
Arquivo pessoal
Retornar a estudar sempre é
bom, ainda mais quando temos a
chance de contribuir para um
mundo mais digno. Faz algum
tempo que fiquei sabendo que a
Fundação Irmão José Otão estava
oferecendo
um
curso
de
especialização voltado para o
Terceiro Setor, o que me
interessou muito. Eu, formada em
Publicidade e Propaganda pela
FAMECOS/PUCRS, em 1991,
sonhava em continuar meus
estudos, mas questões financeiras
e de falta de tempo atrapalhavam
a realização deste desejo. Queria
algo que fosse um diferencial em
minha carreira, algo novo e necessário para a
comunidade.
O Terceiro Setor de alguma forma já fazia
parte de minha vida. Trabalho em uma OSCIP
(Organização Social de Interesse Público), o que
me fez conhecer algumas instituições envolvidas
nesta área. Em 1999 cheguei a fazer a arte de
um folder que reunia várias instituições aqui de
Porto Alegre e que tentava divulgar de forma bem
primária a existência destas Associações e
Fundações para a sociedade. Lembro também em
1998 quando um colega de uma empresa, onde
atuei no departamento de marketing, comentou
sobre o novo setor que envolveria muitas pessoas
e que seria uma revolução no mercado de
trabalho. Achei curioso, mas não tinha idéia da
amplitude deste envolvimento social que hoje
todos percebem com maior facilidade.
Mas o curso que a FIJO me oferecia ainda não
era bem o que procurava. Tratava-se do curso de
pós-graduação “Profissionais para o Terceiro
Setor” que preparava pessoas de qualquer
graduação para trabalhar em instituições ou
empresas que atuassem nesta área. Com esse
curso eu ficaria apta a ser gestora, o que não era
bem o que queria. Eu procurava um curso de
comunicação voltado para o Terceiro Setor.
Acreditava que era importante a existência de
profissionais de comunicação mais sensíveis e
instruídos para os detalhes específicos que a
responsabilidade social envolve.
Acho que liguei para a FIJO pedindo
informações sobre cursos uns dois anos seguidos
e finalmente em 2003 vi no jornal o anúncio da
almejada pós-graduação em “Comunicação para
o Terceiro Setor” que aconteceria em 2004. Achei
muito legal a iniciativa da FIJO em ser pioneira
em todo o Brasil criando este curso em parceria
Arquivo pessoal
com a FAMECOS/PUCRS. Bacana
também
foi
reencontrar
professores que me deram aula na
graduação, inclusive minha
orientadora de monografia, nesta
nova possibilidade de perceber e
produzir a comunicação.
Nossa turma não foi muito
grande, eu era a única
Publicitária
entre
quatro
Jornalistas e uma Relações
Públicas. Estas profissões tão
complementares
no
meio
comunicacional, aqui, com este
aprendizado,
tiveram
a
possibilidade de uma integração
ainda maior e isso foi muito
especial.
É claro que como toda nova idéia, algumas
sugestões foram feitas para reestruturação.
Nossa turma foi a primeira e contribuiu para que
adequações fossem realizadas para um melhor
aproveitamento dos alunos, tenho certeza.
Agradeço a iniciativa da Profª Maria Cecília
Medeiros de Farias Kother pela criação do curso
e ao Professor Luciano Klöckner pelo
engajamento nesta causa, como coordenador.
Uma observação relevante foi a experiência
de perceber comentários de algumas pessoas
sobre eu ser uma Publicitária e estar cursando
algo tão socialmente correto, como se não fosse
concebível, pois acostumaram-se com um falso
paradigma de que o meio publicitário é
“capitalista selvagem”, que não reflete sobre a
influência das campanhas que desenvolve para
o bem do planeta e dos seres vivos. Acredito que
o Terceiro Setor está aí para mostrar que o bem
existe e que é muito mais do que uma boa
intenção. E nós Publicitários, Jornalistas e
Relações Públicas, podemos fazer esses
paradigmas mudarem para algo mais condizente
com o que o mundo precisa de bom e divulgar
caminhos para que cada um possa se descobrir
e querer ajudar.
Atualmente estou fazendo minha monografia
e me preparando para retornar num futuro
mestrado. Pretendo, se possível, desenvolver
estudos que permeiem esta área.
Cláudia Guardiola Soares
Publicitária, aluna do Curso de
Pós-Graduação em Comunicação
para o Terceiro Setor, pela FIJO
Comunicação para o Terceiro Setor
Curso de Pós-Graduação - Especialização
NOVAS TURMAS
O Terceiro Setor tem uma forma diferenciada de ser. Noticiá-lo também implica fazê-lo de
um modo especial. Se você acredita que o Terceiro Setor é um compromisso com valores e
com cidadania, encontrará nesse curso a complementação para seu trabalho.
Público-alvo: profissionais da área de comunicação
Carga Horária: 360h/aula
Opções de horários do curso:
Sexta-feira - Tarde e Noite (turma quinzenal)
Sábado - Manhã
Informações
Secretaria de Pós-Graduação da FIJO Fones: (51) 3339-1692 / (51) 3336-5857
Endereços eletrônicos: [email protected] / [email protected]
Segundo o Eng.
Adriano Murgel
Branco: “Há no
Brasil projetistas
de estradas que
não conhecem sequer as Normas
Brasileiras de Segurança Viária.”
Quando um destacado especialista
na área de trânsito, escreve uma
frase como essa, eu
como engenheiro e
atuando profissionalmente na área
de rodovias, vejo-me no dever de saudar esse que
é um dos poucos cursos de especialização nesta
área, de singular importância para todos nós,
usuários de “nossas” rodovias.
Tenho consciência de que ainda há muito a
ser realizado para que os acidentes sejam
reduzidos. No entanto, imagino que outro
caminho não há para “virar esse jogo”, que não
passe necessariamente pelo ensino. Desejo que
muitos outros profissionais tenham essa rica
experiência a fim de que possamos passar, o mais
rápido possível, da teoria à prática, diminuindo
as situações de risco encontradas nas rodovias.
Aproveito esta oportunidade para parabenizar
todas as pessoas desta Fundação, especialmente
os mestres, pelo empenho em despertar em nós,
alunos, a importância desse tema. Também
merece o meu agradecimento a Univias, empresa
onde trabalho, pelo auxílio e incentivo à minha
presença neste curso.
Sidnei Rigo
Engenheiro, aluno do curso de Especialização
em Engenharia do Trânsito pela FIJO
Cursos
Gestão e Liderança de Equipes
Objetivo: Desenvolver conhecimentos e
habilidades para Coordenação de Equipes com
Enfoque técnico e comportamental (dinâmica
do comportamento).
Período: 16/05 a 19/05 – noite
Carga Horária: 12h/aula.
Hotelaria na Era
da Competitividade
Objetivo: Fornecer aos participantes técnicas
e estratégias que facilitem a comunicação
com o cliente.
Período: 17/05 a 19/05
Carga Horária: 10h/aula.
Negociando com fornecedores
Objetivo: Fornecer aos participantes técnicas
e estratégias que os permitam aprimorar suas
habilidades de negociação.
Período: 06/06 a 09/06 - noite
Carga Horária: 12h/aula.
Cursos previstos para junho
• Acompanhantes de pessoas de 3ª idade;
• Culinária Italiana;
• Administrando os Conflitos da Empresa;
• Trabalho Voluntário;
• Teoria e Prática de Rotinas Trabalhistas.
Informações pelos telefones 3339-1692 ou
3336-5857.
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