PUCRS - Fundação Irmão José Otão ano 1 - n° 8 - Maio de 2005 Fórum da Liberdade Mathias Cramer/Tempo Real Foto EDITORIAL Por que profissionalizar o Terceiro Setor página 2 ENTREVIST A ENTREVISTA Reitor da PUCRS ressalta a dimensão humana e social página 5 IGREJA • TTrabalho rabalho em questão • Emprego e renda • Controle de gastos do governo • W orkshop do TTerceiro erceiro Setor Workshop Bento XVI, um Papa Pacificador • Corpus Christi página 8 páginas 6 e 7 PROGRAMAS SOCIAIS TRÂNSITO PROGRAMAS SOCIAIS Kamila Almeida/FIJO Divulgação/Kinder Velocidade nas estradas não deve ser determinada por padrões políticos Kinder começa nova sede este ano página 4 Preenchimento incorreto pode invalidar autos de infração Coral da FIJO presta homenagem às Mães páginas 2 e 3 página 10 FIJO disponibiliza novas turmas de pós-graduação - páginas 11 e 12 Economia Social 2 Terceiro Setor e Você Editorial Viária Adriano Panitz Segurança V iária - Mauri A driano P anitz Profissionalizar o Terceiro Setor Dentro dos parâmetros da Economia, a Economia Social é o resultado do Capital Social, considerada como elemento social financeiro que flui, permeia e alimenta a ação social no Terceiro Setor e, também, nas ações de responsabilidade social, cunhadas nas empresas – Segundo Setor. Uma das finalidades da FIJO é o envolvimento com suas congêneres, numa linha de interação e integração que estimule o crescimento e a solidariedade do Terceiro Setor, buscando ação e qualidade. Dessa forma, tem voltado-se para o empoderamento do Terceiro Setor como uma área que atua objetiva e concretamente na busca da melhoria de vida das pessoas e conseqüente crescimento das comunidades. Mas acreditamos, também, que essa direção nos conduz, necessariamente, à produção de conhecimento e à divulgação da consciência de que a profissionalização é condição sine qua non para a sustentabilidade do Terceiro Setor. Por que todas essas buscas? Porque as pessoas, ainda, não têm claro o significado dessa divisão entre Primeiro, Segundo e Terceiro Setores. Essa divisão não é e não pode ser o ponto alto da questão. O importante é o sentido que cada um deles tem na sua dimensão maior e nas suas relações de comprometimento consigo mesmo, entre eles e com a sociedade civil que os compõe. Não existe a viabilidade de uma dicotomia entre a sociedade civil e cada um dos três setores porque são os cidadãos que, livremente, convergem para a formação e estruturação desses setores. Portanto, a cidadania está presente como característica essencial nas pessoas que compõem cada um dos setores, basicamente, como cidadãos da sociedade civil. Este jornal, talvez, não inove, mas volta-se para a sedimentação de conceitos, clareando posições de dicotomias para adequar e localizar conhecimentos e ações, na ordem em que acontecem e se situam, como fatos sociais nas comunidades. Essa incompreendida velocidade O deslocamento na mais alta velocidade Quando a via se encontra em operação, possível é uma tendência natural no equilíbrio existem dois meios de controle da velocidade: pela dinâmico de tudo que existe no Universo, caso imposição de limites e controlando-os com auxílio contrário haveria o caos. Nas atividades de de dispositivos de segurança viária, previstos na transporte a velocidade é considerada um atributo legislação, e através das técnicas de moderação fundamental em qualquer modal. Assim sendo, de tráfego (traffic calming). Ambos procedimentos tal característica não poderia ser diferente na requerem um projeto inteligente e de bom senso. circulação e transportes, em que os seres De acordo com a lei e a boa técnica a regulação humanos participam na condição de condutores da velocidade operacional se faz pelo percentil de veículos. 85% das velocidades praticadas na via, com o qual Todavia, por falta de habilitação e/ou se define o limite da velocidade de circulação. qualificação técnica, muitos usuários não A simples troca de placas e de pintura de percebem outro atributo importante e necessário sinalização para aumentar ou reduzir a velocidade ao transporte, que é a segurança no trânsito, para níveis diferentes do que aqueles das razão pela qual é sonegada por grande parte dos velocidades de projetos da vias, como tem sido gerenciadores do sistema viário, que assim feito, é uma temeridade, pois as características procedendo descumprem o que dependem da velocidade primeiro artigo da lei de diretriz devem ser reprojetadas, trânsito. para adequá-las às novas Ambos esquecem ou condições de circulação e desconhecem que a velocidade garantir a segurança viária é o parâmetro técnico mais A velocidade alta ou como estabelece o Código de importante, e ainda confundem Trânsito. Sendo o limite de baixa não é a velocidade adequada com a velocidade uma função do velocidade perigosa, chegando responsável por tudo. percentil 85% das velocidades ao absurdo de pensar que praticadas na via pública, do Mas determinar velocidade baixa é segurança e volume de tráfego e das velocidade alta é insegurança. características da via, não pode politicamente o Na verdade, a escolha da ser imposta, em hipótese velocidade correta na alguma, através do palpite de aumento da circulação decorre de uma um burocrata ou de uma velocidade das vias, autoridade, de uma promessa de decisão inteligente, coerente com a consagrada regra ASAP um político ou mesmo de uma sem estudo, cria (as soon as possible), empregada sentença judicial. na segurança de viária e na A divulgação na mídia da confusão na mente logística, cujo significado é o de intenção da determinação de dos motoristas, que se deve dirigir mais rápido certas autoridades e políticos, de quando possível. aumentar a velocidade sem induzindo-os a Por se constituir num qualquer estudo técnico parâmetro fundamental, ela consistente, além de ser um situações de risco. recebe o nome de velocidade retrocesso na educação de diretriz ou de projeto. A trânsito revela um ato velocidade de projeto, inconseqüente dos que tecnicamente, é o parâmetro deveriam primar pela que estabelece a hierarquia e segurança, que criará confusão a categoria das vias que compõem as redes na mente dos motoristas, induzindo-os a viárias e define as características de um projeto situações de risco de vida, pois a velocidade que viário, tais como a rampa máxima, a rampa emociona usuários, e promove políticos, é a mesma crítica, o raio das curvas, a distância de que mata. visibilidade nas curvas verticais, a distância de ultrapassagem, a largura livre nas curvas Prof. Eng. Civil M. Sc., Especialista em horizontais, a superelevação etc. Segurança Viária e professor da FIJO “ ” Expediente FIJO - Economia Social - Terceiro Setor e Você Ano 1, n° 8, maio de 2005 Tiragem: 10.000 exemplares DIRETORIA EXECUTIVA Presidente Maria Cecília Medeiros de Farias Kother Vice Ana Maria Jorgens Sartori Secretário Egon Carlos Seitz CONSELHO DELIBERATIVO Adair Jacques Schiavon, Alexandre Zamprogna Peixoto, Ana Maria Jorgens Sartori, Attila Sá d’Oliveira, Attilio Bilibio, Carlos Rivaci Sperotto, Celito Francisco Mengarda, Cícero Santini e Silva, Daniel Juckowsky, Domiciano José da Cunha, Egon Carlos Seitz, Emílio Hideyuki Moriguchi, Humberto César Busnello, Irmão Francisco José Ruzzarin, Irmão Joaquim Clotet, Irmão Norberto Francisco Rauch, Jerônimo Carlos Santos Braga, João Jacob Vontobel, João Miguel Messina da Cruz, João Pedro Lamana Paiva, Jonathas Abbott Bittencourt, Jorge Alberto Franzoni, Jorge Gerdau Johannpeter, José Augusto Amaral de Souza, Leomar Bammann, Lotário Lourenço Skolaude, Marcos Túlio Mazzini Carvalho, Maria Cecília Medeiros de Farias Kother, Maria Emília Amaral Engers, Marivaldo Antônio Tumelero, Marta Maria Mundt Manzke, Paulo D’Arrigo Vellinho, Paulo Ronei Reali, Rafael Nichele, Ricardo Malcon, Sérgio Juarez Kaminski, Sergio Silveira Saraiva, Solange Medina Ketzer e Vicente Pessato Netto CONSELHO FISCAL José Guilherme Piccoli, Olivio Koliver e Nilton Goulart Brito SUPLENTES Luis Edgar de Medeiros e Telmo Apparicio Grillo NÚCLEO DE COMUNICAÇÃO DA FIJO Edição Luciano Klöckner/reg. prof. 4612 Reportagens Kamila Almeida e Nelson Burd/reg. prof. 11361 Planejamento gráfico e diagramação Márcio Gastaldo Colaboração Gelson Adriano da Silva e Zélia Maria Martins Amaral Revisão Profª Lucinda M. Lorenzoni Jornalista responsável Lauro Dias/reg. prof. 6684 Impressão Gazeta do Sul (51) 3715-7800 / 3715-7887 Av. Ipiranga, 6681 - prédio 2 CEP 90610-001 Porto Alegre-RS, Brasil Telefones: (51) 3339-1692 (51) 3336-5857 Fax: (51) 3339-1377 Home-page: www.fijo.org.br E-mail: [email protected] Economia Social PUCRS 3 Terceiro Setor e Você O CTB e o direito administrativo CFC - FIJO Preenchimento incorreto compromete auto de infração de trânsito Provas virtuais Não é de hoje a polêmica acerca da autuação no trânsito por parte dos agentes de autoridade de trânsito. Reza o art. 281° que a infração de trânsito não é imposta pelo agente de trânsito, como supõe muitos usuários da via pública. O agente de trânsito apenas lavra o auto de infração, peça acusatória. A previsão legal para o ato de autuação não poderia ter sido mais acertada, haja vista que os agentes de trânsito não têm a mínima condição técnica e jurídica para uma límpida autuação. A missão de fiscalizar o trânsito deveria ser ato administrativo de caráter técnico que atendesse os princípios constitucionais da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência. De outro norte não é o que vem ocorrendo. Procedimentos equivocados dos agentes comprometem sua atuação na pista, inclusive no que diz respeito ao apontamento da infração no Auto de Infração de Trânsito (AIT). Neste sentido fere também o princípio da eficiência que informa que a atividade administrativa deve ser exercida com presteza, perfeição e rendimento funcional. Trata-se de o princípio mais moderno da administração pública. Pode-se falar também que em alguns casos o erro na autuação é tão gritante que chega a transparecer perseguição de o agente de trânsito ao condutor. Assim agindo o agente de trânsito fere de morte o princípio da impessoalidade que ensina que todo o ato administrativo deve ser voltado ao interesse público. Tem de ser praticado com finalidade legal e não em prejuízo de determinado condutor. O desrespeito às regras e princípios do CTB, inclusive pelas autoridades de trânsito, é uma realidade. Muitas vezes a própria autoridade de trânsito local não apresenta qualquer sorte de conhecimentos técnicos e jurídicos na área de trânsito. Com efeito, fica difícil a vulgarização das normas de trânsito, pois a própria autoridade de trânsito é quem as desrespeita. Ressalta-se que o correto tratamento ao trânsito se dá de forma multidisciplinar visto tratar-se de uma ciência que envolve conhecimentos jurídicos, de engenharia, de meio ambiente e etc. O total desconhecimento da matéria faz com que os processos administrativos sejam desrespeitados em sua essência. Em busca da necessária vulgarização do CTB urge a necessidade de que alguns detalhes do novel CTB sejam efetivamente respeitados pelos agentes de autoridade de trânsito e, depois pelas autoridades propriamente ditas. Infere-se daí que a presunção de legitimidade que acompanha todo ato administrativo deve ser relativizada haja vista a falta de conhecimento técnico na matéria de trânsito das autoridades e seus agentes. Vale dizer que o CTB somente se perfectibilizará no momento em que a autoridade de trânsito, seus agentes e o condutor falarem o mesmo idioma. Para isso basta um aperfeiçoamento no conhecer técnico das autoridades e de seus agentes através de campanhas onde todos os cidadãos sejam convidados e instigados a participar do tema trânsito. Fernando Guterres Borges Bacharel em Direito pela PUCRS e Especializando em Direito do Trânsito pela Fundação Irmão José Otão Só podia ser homem Se como dizia aquele dramaturgo toda unanimidade é burra, um título como o que você lê acima já nasce capenga. Mas é da natureza humana, na tentativa de compreender e de se relacionar com a complexidade do mundo, rotular pessoas, atitudes, instituições. Daí para o preconceito e suas conseqüências mais negativas, a distância é só a de um pequeno passo. No trânsito, o esquema se repete, e nem poderia ser diferente, já que estamos falando de um espaço público onde desconhecidos interagem, protegidos muitas vezes por cascas metálicas e um relativo anonimato. É a hora, pensam alguns, de descontar as frustrações sem maiores conseqüências. E dê-lhe buzinadas agressivas, xingamentos variados, exteriorização de preconceitos sociais, raciais, econômicos e de gênero. Parece mentira, mas, em um país de contrastes econômicos e sociais como o nosso, quem tem um carrinho popular de 1963 se acha no direito de enfiar a mão na buzina para fazer o carroceiro que está “atrapalhando” o trânsito chicotear o cavalo lomba acima. Ou ofender o papeleiro, só porque é um pouco mais pobre do que ele. Mas o trânsito é composto de todos estes personagens que se deslocam pelas vias públicas, seja como for, a pé ou de carro, em lombo de burro ou bicicleta, em carro último tipo ou ônibus antigo. O motorista do carrão esquece que em algumas ocasiões também é pedestre, que seu filho é ciclista, que o DVD que aluga chega à sua casa embaixo da chuva na caixa de um motoboy. Acha pouco? O que dizer então das empresas que anunciam seus veículos explorando o que seu público alvo tem de pior? E das madames que estacionam em fila dupla para esperar os rebentos na saída das escolas? E dos senhores em crise de meia idade que ostentam suas máquinas, correndo atrás do que acham que a vida lhes tirou? De fato, o trânsito é um caldo de cultura do comportamento humano no que ele tem de melhor e de pior; um prato cheio para sociólogos e psiquiatras. Neste ambiente em tensão emocional, os agressivos gritam mais alto e causam mais problemas, e por isso parecem ser muitos. Mas felizmente os que trafegam civilizadamente ainda são maioria. Afinal, não é todo dia que um neandertal se irrita pelo fato da senhora à sua frente não estar pisando fundo e lança o célebre e batido “só podia ser mulher!”. Por tudo isso, colabore para pacificar o trânsito, compreendendo-o melhor. Se você vir um carro passar cantando pneus e emparelhar com outro para um perigoso “pega” em plena via pública, seja você homem ou mulher, dê uma olhadinha, tentando conferir se você adivinhou o sexo do motorista. Se a película escura estiver dentro da lei, é claro. Eunice Gruman Coordenadora da Assessoria de Comunicação Social do Detran-RS Desde o início de maio, os Centros de Formação de Condutores (CFCs) podem agendar a realização virtual de provas teóricas para obtenção da primeira habilitação, para os cursos de renovação e de reciclagem. A Fundação de Apoio à Tecnologia e Ciência (Fatec), vinculada a Universidade Federal de Santa Maria, e encarregada pelo Detran-RS da criação e aplicação das provas teóricas e práticas, inaugurou no dia 4/5, às 11 horas, um conjunto de salas, num total de 274m², para a aplicação destes exames teóricos. Uma das salas dispõe de seis terminais para realização das provas virtuais, mas a idéia é disponibilizar até 18 terminais. O próprio computador sorteia, do banco de questões, o número necessário de perguntas e o resultado pode ser obtido na hora. Trata-se do programa Trabalhando pela Vida, criado pela Fatec, com capacidade para atender 2000 candidatos/mês. A sala localiza-se na Rua José Montaury n° 139 - 9° andar. A Fatec realizará o monitoramento virtual desta sala, através da internet, desde o momento em que o candidato entra na sala até o seu resultado final. Todos estes procedimentos garantem um alto nível de segurança, já que todos os registros serão salvos nos computadores. As provas serão realizadas em horários préagendados pelos CFCs interessados. Cursos de atualização A atualização dos procedimentos no novo processo de Habilitação nos Centros de Formação de Condutores (CFCs) do Estado, determinada pela Resolução 168 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), está acontecendo em etapas. O processo de Primeira Habilitação no Estado já está incluindo o curso de Direção Defensiva, que aumentou sua carga horária de 10h/aula para 12; e Primeiros Socorros, que diminuiu de 6h/aula para 4, desde o dia 4 de abril. O Detran-RS está elaborando uma Portaria que isentará todas as pessoas que já fizeram o curso exigido (Direção Defensiva e Primeiros Socorros), como por exemplo médicos e enfermeiros. A data prevista para este procedimento iniciar é 22 de junho de 2005. Serviços mecânicos e eletrônicos em automóveis Supensão, direção, freios, motor, Barão do Tramandaí, 185 Porto Alegre - RS elétrica e injeção eletrônica Fone: 3022-3018 / 9196-5217 Fax: 3337-6769 Economia Social 4 Terceiro Setor e Você O Eu em formação Kinder amplia auxílio às crianças Divulgação/Kinder A educação tem um papel importante na nossa espaço e tempo, com as características que lhes sociedade. Não podemos deixar de perceber que são próprias e já citadas acima, são seres em cada vez mais ela se torna global. Neste contexto aberto, buscando o seu crescimento, sendo é importante a formação de professores, mais fundamental o papel que o professor desenvolve, especificamente, deste ser que escreve e ensina pois, como diz Paulo Freire, o professor necessita de uma rigorosidade metódica a escrever. para propiciar uma educação Como pensar a constituição/ mais humana e mais alegre. formação de um professor sem É importante lembrar, buscar elementos que também, que “o saber pode ser constituam a sua existência? O professor tem um reconstituído” que ele é Para isto, temos que perceber “insuficiente” e que nele há que antes de sermos professor papel instigador. Isto sempre o nosso cotidiano somos sujeitos e somos seres porque, mesmo tendo envolvido em todo processo humanos. A própria Nessa perspectiva, consciência de que é ensino-aprendizagem. linguagem é contextualizada. precisamos estabelecer uma Por intermédio da linguagem reflexão com novos olhares para o próprio ser que tornamo-nos sujeitos da a constituição do professor constrói o seu História e nos posicionamos como ser. Urge perguntar: como perante a realidade, mesmo construir uma identidade de conhecimento, que a realidade pessoal do professor? Esta identidade é importante? também sabemos que professor seja diferente da realidade de seu aluno. Vejamos, primeiramente, o ele constrói a partir professor como ser humano, Linguagem e Valor pois o ser não está já do que lhe chega, O discurso possibilita ao plenamente determinado em sujeito posicionar-se e sendo a linguagem sua essência, [ele] é posto em assumir-se enquanto aprendiz, aberto. Neste sentido, podemos fundamental. buscando significar alguém ou dizer que ser humano é tarefa. alguma coisa através de um A tarefa na nossa existência, da assumir, a partir de “construção de si mesmo”. determinados valores para as Como “abrir para si o espaço das questões, o que resulta em não diferentes possibilidades de sua própria realização”. O ser humano é complexo, ser indiferente diante das diferentes realidades por isto, o professor, além de estar em que convive. Paulo Freire tem uma grande permanente formação, contribui para a formação contribuição, pois percebeu que a raiva, no dos outros. É da formação docente que se busca sentido de que esta propicia indignação, sinalizar perspectivas para uma formação mais movimenta-nos. Neste movimento as ações dos seres, em prol do que acreditamos estão imbuídas humana e mais ampla de educação. Nesse sentido, o professor tem um papel de valores. “Na escola o que se busca é o valor”. Esses instigador. Isto porque, mesmo tendo consciência de que é o próprio ser que constrói o seu valores dão sentido à vida e à existência, muitas conhecimento, também sabemos que ele constrói vezes, esquecidas e não desenvolvidas na escola. a partir do que lhe chega, sendo a linguagem Cabe à escola e a outros espaços educativos fundamental para este processo. Diante disto, diferenciados oportunizarem reflexões e torna-se importantíssimo questionar a formação estimular a curiosidade crítica para, assim, de professores, pois mesmo que o aluno seja um transformar a escola num ambiente alegre que ser de decisões, as trocas podem ser mais ou contemple os valores que possam ser assumidos menos significativas para a construção da e vividos em nosso dia. “Sempre sonhei com uma escola alegre”, diz felicidade do sujeito. Entendendo que nossa busca é pela felicidade que revela que os indivíduos Rubem Alves e este é o desafio da atuação do “devem ser pensados na sua capacidade de professor. sobreviverem felizes, de sobreviverem num mundo em que o viver bem seja a regra geral”, Anelise Vieira Bonatto ele vai além e justifica que aprendemos, também, Aluna do Curso de Especialização Educação de para sermos felizes. Mas será que isto está acontecendo? Ouvimos muitas queixas dos Jovens e Adultos na Fundação Irmão José Otão professores que acham tudo difícil. Será que não José Antônio Fracalossi Meister está na hora de mudarmos? O que move alguém Professor de Filosofia da Educação no Curso em ser professor? Da decisão de ser professor de Especialização Educação de Jovens e da decisão crítica e não ingênua, se nos permitem Adultos na Fundação Irmão José Otão fazer este trocadilho com os conceitos freirianos. Os sujeitos na escola são os que compõem este “ ” Construção da nova sede será iniciada ainda no primeiro semestre de 2005 A Kinder (Centro de Integração da Criança Especial) é uma entidade filantrópica que desde 1988, presta atendimento interdisciplinar a bebês, crianças e adolescentes portadores de deficiências múltiplas, sem condições financeiras. A instituição acredita no potencial de aprendizagem do ser humano, independente do grau de lesão física, sensorial ou mental, propiciando a estas crianças e jovens o direito à escola e ao trabalho. Administrada por voluntários, a instituição recebe novos alunos, com um ciclo de avaliações para definir a melhor maneira de conduzir a recuperação da criança. No primeiro contato que a família tem com a entidade é feito o cadastramento e explica-se a dinâmica do processo de ingresso. A etapa seguinte obedece aos critérios de lista de espera disponibilidade de vagas. A coordenação técnica entra em contato para marcação da triagem que apresenta a seguinte dinâmica: 1º) Avaliação com Assistente Social; 2º) Avaliação com Neurologista; 3º) Avaliação com Fisioterapeuta, Fonoaudióloga e Terapeuta Ocupacional; 4º) Avaliação Psicológica; 5º) Avaliação Pedagógica. Após todas as etapas e a partir de um consenso de equipe, a criança ingressa em parte das atividades que foram indicadas e aguarda em lista de espera interna inclusão nos atendimentos que no momento não apresentarem disponibilidade de horários. Balanço de 2004 A Kinder atingiu, no último ano, um resultado positivo de R$ 106.819,76 e um passivo a descoberto de R$ 13.165,84 em função dos déficits dos exercícios anteriores, sendo que 50% das crianças e adolescentes foram atendidos com doações fixas de padrinhos, os demais atendimentos foram realizados com doações eventuais. Você tem habilitação para dirigir? Se não tiver, tome a direção certa. O lugar para aprender a dirigir e obter a habilitação é na CFC - FIJO -PUCRS Prédio 2 - Campus PUCRS www.fijo.org.br Tel.: 3339-1166 - ramal 4130 Economia Social PUCRS 5 Terceiro Setor e Você Entrevista: Joaquim Clotet, reitor PUCRS incentiva a dimensão humana e social ASCOM/PUCRS De que forma o senhor vê as ações protagonizadas pelo Terceiro Setor no Brasil, comparativamente às realizadas nos países mais desenvolvidos? Joaquim Clotet: Nos países mais desenvolvidos já não se confunde o terceiro setor com assistencialismo. No Brasil e nos países em desenvolvimento, de uma forma geral, ainda persiste a idéia de que o Terceiro Setor tenha por finalidade, tão-somente, a prestação de assistência social aos menos favorecidos. Na realidade, é muito mais do que isso. O Terceiro Setor tem vocação de instrumento de equalização social, quer dizer, ele conduz a uma sociedade mais justa e igualitária onde as chances (acesso à educação, trabalho, identidade cultural, e outros) são distribuídas de forma mais eqüitativa. Ainda que a origem do Terceiro Setor encontrese nas obras assistenciais de cunho religioso, e estas continuem desempenhando um importante papel, as fundações, as organizações nãogovernamentais e as cooperativas hoje transcendem àquela feição. A boa notícia é que estamos caminhando nessa direção a passos largos. As atividades de instituições como a Fundação Irmão José Otão, pioneira na divulgação e profissionalização do Terceiro Setor, colaboram muito para o desenvolvimento do tema no País. A atuação da PUCRS se estrutura sobre as finalidades de cultivar os valores humanos e a ética cristã. Quais os planos da Universidade nessa área? Joaquim Clotet: Cabe afirmar que todas as disciplinas e cursos têm a sua dimensão humana e social, às vezes não perceptível num primeiro momento. Este é um dos desafios para o educador e para o educando. Como posso contribuir com este estudo ou com esta pesquisa para o progresso e bem-estar da sociedade? A Universidade tem múltiplos projetos em andamento. Citarei apenas alguns. O Projeto Reflexões, voltado à formação humana, pedagógica, religiosa e institucional dos professores e funcionários. O Projeto Fé & Cultura facilita o diálogo entre a ciência e a religião. Ambos os projetos estão coordenados pelo ViceReitor Irmão Evilázio Teixeira. O Centro de Pastoral, sob a coordenação do Irmão Édison Hüttner e do Irmão Marcelo De Bastiani, organiza encontros de reflexão, amizade, introdução e “ O Terceiro Setor é mais aprofundamento da vivência cristã para estudantes, professores e funcionários. O Projeto Solidariedade, sob a coordenação do Irmão Avelino Madalozzo, desenvolve inúmeras ações voltadas à prática dos valores humanos e religiosos em benefício de pessoas e instituições carentes. Dentro da Política de Humanização e Assistência à Saúde, está o Programa de Humanização efetivado no Hospital São Lucas, sob a coordenação do Irmão Jorge Moreira Ribas, e da vice-coordenadora, Assistente Social Magda Ferreira, presta um eficiente atendimento e ajuda aos pacientes e aos familiares dos mesmos deste grande centro de saúde. O Projeto Intercâmbio Brasil-Canadá, desenvolvido pelo Projeto Rondon e a instituição canadense Jeunesse Canada Monde, beneficia pessoas de ambos os países e desenvolve atividades de serviço, atendimento e cidadania aos estudantes nele engajados. Podem participar nesse Projeto, coordenado pelo Prof. Edgar Erdmann, alunos de qualquer curso da PUCRS, de Graduação ou Pós-Graduação, com idade até 23 anos. Além de tudo quanto foi colocado, penso nos estudantes que dedicam parte do seu fim de semana e de suas férias colaborando em projetos de saúde e higienização na Ilha dos Marinheiros, ou com crianças doentes internadas no Serviço de Pediatria do HSL, realizados por alguns alunos e professores da Faculdade de Letras. A PUCRS precisa aumentar todas essas atividades. Todos nós, finalmente, devemos incentivar o lado solidário da nossa existência. No PUCRS Informação (nov-dez/2004), o senhor preconiza a importância de uma maior interação entre a Universidade e a comunidade local. O programa Universidade para Todos, que visa à inclusão social, é uma forma de aproximação. O senhor poderia citar outras que passem pelo Terceiro Setor? do que assistencialismo. Ele tem vocação de instrumento de equalização social, conduz para uma sociedade mais justa e igualitária. ” Joaquim Clotet: É importante salientar que dentro da Universidade o Terceiro Setor é, também, objeto de estudos. O Núcleo de Estudos de Organizações Civis e Cidadania no Mestrado de Ciências Sociais constitui um exemplo. Além disso, a Universidade também tem participado ativamente na realização de eventos que divulgam o Terceiro Setor além de ser parceira da FIJO na realização de cursos de especialização na área. Essa caminhada está iniciada, temos certeza de que mais adiante várias oportunidades e desafios virão. Conselho Deliberativo da FIJO elege nova gestão Nelson Burd/FIJO A nova diretoria da Fundação Irmão José Otão foi escolhida na última reunião do Conselho Deliberativo, com a recondução da Professora Maria Cecília Medeiros de Farias Kother à presidência. O Dr. Vicente Pessato Netto, convidado a permanecer como vice-presidente, alegou problemas pessoais que o impediam de continuar na diretoria. Para a vicepresidência, foi eleita, então, a Dra. Ana Maria Jorgens Sartori. A FIJO não pode deixar de registrar o importante trabalho que o conselheiro Vicente Pessato Netto realizou neste período em que assumiu para completar o mandato do Dr. Raphael Loro, falecido em 2004. O Dr. Vicente, um dos primeiros conselheiros da FIJO, foi vice-presidente na gestão 1990-1992, cujo presidente era Daniel Juckowsky e o secretário, o Ir. Geraldo Minuscoli; e 2004-2005 na presidência de Maria Cecília Medeiros de Farias Kother e secretário Egon Carlos Seitz. Amigo e sempre disposto a participar da FIJO, com um história de reconhecimento da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, permanece como Conselheiro da FIJO. Obrigado pela dedicação. Dr. Vicente Pessato e Ana Maria Sartori 6 Economia Social Terceiro Setor e Você Fórum discute o capital social Principais temas do evento foram a questão do trabalho e a importância de ligar a teoria à prática Mathias Cramer/Tempo Real Foto Kother, da presidente da A 18ª edição do Fórum da ONG Parceiros Voluntários, Liberdade, promovida pelo Maria Elena Johannpeter, do Insti-tuto de Estudos professor da Universidade Empresariais, abriu espaço Federal do Rio de Janeiro, para discussões sobre Carlos Montaño, e da Responsabilidade Social e fundadora da Associação Terceiro Setor. PersonaSaúde Criança Renascer, do lidades do meio sociopolíticoRio de Janeiro, Vera Regina empresarial estiveram Cordeiro. presentes aos painéis Para Maria Cecília realizados no Campus da Kother, o Terceiro Setor é a Pontifícia Universidade sociedade civil como um Católica do Rio Grande do todo. “A finalidade é o Sul. A solenidade de desenvolvimento da abertura, no final da tarde do solidariedade, pois há um dia dois, contou com as compromisso com as presenças do governador do comunidades”, explicou. Estado, Germano Rigotto, do Maria Elena Johannpeter prefeito de Porto Alegre, José complementou a idéia. “O Fogaça, do presidente do IEE, resultado é um ser humano Lars Knorr, do reitor da melhor. Tanto quem ajuda, PUCRS, Joaquim Clotet, e da como quem é ajudado”, presidente da Fundação José enfatizou. Irmão Otão, Maria Cecília O governador de São Medeiros de Farias Kother, Paulo, Geraldo Alckmin, dentre outras autoridades. convidado especial do Fórum, Lars Knorr saudou os ressaltou a importância da participantes do Fórum, Maia (E), Murphy e Freire participaram do painel O futuro do trabalho Lei de Responsabilidade exaltando a importância da Social. “Ninguém tem o palavra “Liberdade” na direito de gastar aquilo que atualidade. Já o governador Germano Rigotto parabenizou o empresário Pessoal trouxe o presidente do Grupo Gerdau, não existe”, garantiu. Alckmin ainda defendeu o Renato Malcon, agraciado com o Prêmio Libertas, Jorge Gerdau Johannpeter, e o PhD em respeito entre os políticos, principalmente em conferido a empreendedores que se destacam no Economia, Eduardo Gianetti da Fonseca. época de campanhas eleitorais. “Como meu pai trabalho pela valorização dos princípios de “Trabalhando com o espírito de servir, estamos falou para mim uma vez: os possíveis equívocos economia de mercado e de respeito ao Estado de construindo o verdadeiro capital social”, disse dos seus adversários não aumentam suas Direito democrático. O primeiro dia de atividades Johannpeter. Logo após, o embaixador dos Estados qualidades”. No encerramento do Fórum da Liberdade, o foi encerrado com as oratórias do prefeito do Rio Unidos no Brasil, John Danilovich, afirmou que de Janeiro, César Maia, do deputado federal por as pessoas não estão mais em busca de emprego doutor em Ciências pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, Carlos Faccina, Pernambuco, Roberto Freire, além da e salário, mas sim de trabalho e renda. O workshop Terceiro Setor ocorreu à tarde, no argumentou que a sua experiência acadêmica participação do ex-ministro da Fazenda da Salão de Atos da PUCRS, e contou com as foi essencial para alcançar o cargo de diretor da Argentina, Ricardo López Murphy. No dia 3, o painel Trabalho e Realização presenças da presidente da FIJO, Maria Cecília Nestlé: “Teoria e prática não são excludentes”. Trabalho e realização pessoal Gerdau e Giannetti realizaram painel que abriu o segundo dia de debates Mathias Cramer/Tempo Real Foto Mathias Cramer/Tempo Real Foto Jorge Gerdau Johannpeter, presidente do grupo Gerdau e coordenador da Ação Empresarial, disse que o importante para a empresa é fazer com que os empregados sejam seres pensantes. Um dos seus empregados disse uma vez: “Cheguei como um peão e saí como um campeão”. O compromisso com a responsabilidade social deve estar presente dentro de cada um, estimulando as pessoas na auto-realização pessoal. O mercado força as empresas a fazerem essas ações, e o empresário precisa de um time de profissionais que pensem dessa maneira, essa é uma empresa vencedora. Uma empresa só constrói a sua perpetuidade se tiver valores empreendedores, assim como o verdadeiro líder tem de servir, e não apenas ser servido. Eduardo Giannetti da Fonseca, Ph.D em Economia pela Universidade de Cambridge, Inglaterra, e integrante do Conselho Superior de Economia da FIESP, citou exemplos gerais de dilemas, como a escolha de um emprego. “É muito difícil encontrar a real vocação de cada um. O bom é quando se consegue conciliar o lado financeiro com a satisfação pessoal. A aproximação entre trabalho e ética, profissão e realização, mercantilismo e satisfação, está se tornando uma exigência econômica. Discutir o trabalho é um luxo, pois a maior parte da população não tem um trabalho. O trabalho está intimamente ligado à felicidade humana, a situação do emprego pode mudar, pois depende da atitude das instituições e não do governo.” PUCRS Economia Social Workshop - TTerceiro erceiro Setor Outros destaques O Terceiro Setor obteve destaque no18º Fórum da Liberdade. O workshop sobre o tema reuniu personalidades do meio social, como a presidente da Fundação Irmão José Otão, Maria Cecília Kother, o professor da Escola de Serviço Social da UFRJ, Carlos Montaño, a fundadora da Associação Saúde Criança Renascer, Vera Cordeiro e a presidente da ONG Parceiros Voluntários, Maria Elena Johannpeter. O painel, realizado no segundo dia do evento, foi mediado por Ricardo Ranzolin presidente da União Empresarial. Maria Cecília Kother Carlos Montaño “O voluntariado deve estar presente em cada um, é uma questão de humanismo, cujo objetivo é tornar as pessoas mais felizes.” “O estado federal é rico e eficaz, mas as prioridades não são garantir o que a constituição exige, é um país democrático e de direito, mas a política econômica deve ser mudada.” “O trabalho social não deve ser encarado como uma ação de marketing.” “Cidadania é a palavra chave do Terceiro Setor, que é um dos alicerces da democracia.” “Terceiro Setor é a sociedade civil como um todo.” “A finalidade dessa atividade é o desenvolvimento da solidariedade.” “Compromisso com as comunidades, onde trabalha-se pela felicidade de um todo e não a individual.” “As Organizações não-governamentais surgiram entre as décadas de 70 e 80, como uma contestação política, e são assim chamadas porque não faziam parte do governo e iam contra o regime da época.” “O Terceiro Setor é considerado um gerador de empregos, pois está na área dos serviços. Hoje ele emprega mais de um milhão e meio de pessoas.” “A sustentabilidade está no reforço teórico e na profissionalização do Terceiro Setor.” “Deve-se repensar individualmente um projeto de país muito humano. Humanidade não é um país rico, e sim com qualidade de vida.” 7 Terceiro Setor e Você Mathias Cramer/Tempo Real Foto “Se o trabalhador vai mal, a indústria vai mal.” Maria Elena Johannpeter Geraldo Alckmin “Momentos antes do início deste evento, um jornalista me perguntou se eu achava que o Quarto Setor era o crime organizado. Respondi que não, pois não podemos dar respaldo a um desvio de conduta. Para mim, o Quarto Setor seria a imprensa.” “Ninguém tem o direito de gastar o que não existe.” “Responsabilidade Social é obrigação do indivíduo.” “O desemprego ocasiona o Terceiro Setor.” “O Terceiro Setor deveria se chamar Setor Cidadão.” “Queremos solidariedade, felicidade, e não uma sociedade consumista.” Vera Cordeiro “O talento do voluntário faz a diferença, com isso, ele economiza em anti-depressivos.” “Que sociedade queremos?” “A sociedade não agüenta o consumismo.” “Completar o Estado não significa substituí-lo.” Kamila Almeida/FIJO “A Lei de Responsabilidade Fiscal é um marco.” “Gastam muito para garantir a própria reeleição, ou o sucessor.” “Defendem a Reforma e Tributária, mas apenas aumentam os impostos.” “O Brasil precisa de reformas da Previdência, trabalhista e política.” Carla Cicco Presidente e diretora de Relações com Investidores da Brasil Telecom S.A, afirmou que somente o primeiro setor e a área do conhecimento produzem riqueza paupável. Carla evita o uso de e-mail, para que o contato entre os funcionários seja olho no olho. “O e-mail impessoal foi proibido na empresa. Incentivar a capacitação dos profissionais para mobilizar e valorizar os funcionários jovens é uma prática na empresa, e o mais importante numa companhia são as pessoas, os recursos humanos. O objetivo do trabalho é criar um ambiente feliz para que o trabalho seja produtivo.” Carlos Faccina Diretor de Recursos Humanos da Nestlé, foi um acadêmico que conseguiu alcançar o cargo de diretor. “Toda a empresa deve oferecer oportunidade a jovens talentos.” Ele afirmou que teoria e prática não excluem uma à outra. “Se a teoria tiver algo da prática é teoria, se não é utopia”, completa. Acesse a versão on-line do jornal Economia Social - Terceiro Setor e Você Terceiro Setor: Vera Cordeiro, M. Cecília Kother, Ranzolin e M. Elena Johannpeter www.fijo.org.br Economia Social 8 Terceiro Setor e Você Bento XVI, o papa abençoado e pacificador Missa solene em Roma inaugurou o pontificado do novo chefe da Igreja católica no dia 24 de abril O cardeal alemão Joseph Ratzinger, 78 anos completados em 16 de abril, é o novo Papa. Etimologicamente, BENTO significa abençoado, bem-falado, pacificador. O Papa anterior, com o nome Bento XV (1914-1922), teve um pontificado de oito anos, durante a Primeira Guerra Mundial, quando tentou a pacificação do conflito, sem grande êxito. O Arcebispo Metropolitano, Dom Dadeus Grings, quando foi secretário do Vaticano, conviveu com o Cardeal Ratzinger e afirma que “é homem receptivo, bem relacionado, bom, carinhoso, que quer bem a todos”, acrescentando que o novo Papa é “homem de intelectualidade, de vivência profunda da fé e de grande diálogo”. Dom Dadeus entende que a eleição foi “um sinal de confiança do Conclave em uma pessoa que iria continuar os trabalhos de João Paulo II e abre as portas para o diálogo com os povos americanos”. Cronologia do novo Papa 1927: Em 16 de abril, nasce em um Sábado de Aleluia em Marktl am Inn, na Baviera. 1932: Em dezembro, a família se transfere para os alpes da Baviera. Cinco anos mais tarde, com a aposentadoria de seu pai, a família se muda para Hufschlag (Baviera), onde Ratzinger passou a maior parte da adolescência. 1939: Aos 12 anos, entra para o pequeno seminário de Traunstein. 1947: Ratzinger entra no Herzogliches Georgianum, instituto teológico associado à Universidade de Munique. Paralelamente, estuda filosofia e teologia na universidade de Munique e na Escola Superior de Freising. 1951: No dia 29 de junho, Ratzinger e seu irmão são ordenados padres pelo cardeal Faulhaber de Munique na Catedral de Freising, durante a festa de São Pedro e São Paulo. 1953: Ratzinger termina o doutorado em teologia pela universidade de Munique. Em seguida, produz o primeiro trabalho importante: “O povo e a Casa de Deus na doutrina de Santo Agostinho para a Igreja”. Ele dedica a tese de pósdoutorado para a história da teologia. 1959: Em 15 de abril começa a lecionar como professor titular de teologia na Universidade de Bonn, onde permanece até 1969, e na Universidade de Münster [de 1963 a 1966]. 1966: Obtém uma cadeira em Teologia Dogmática na Universidade de Tübingen, onde sua indicação é apoiada pelo teólogo suíço Hans Küng (que questiona a autoridade papal). Ratzinger continua convicto sobre a visão tradicionalista, apesar da atmosfera liberal de Tübingen e da tendência marxista do movimento estudantil nos anos 60. Corpus Christi, o memorial da P aixão Paixão A origem da festa que se celebra na quinta- Santa da Paixão. Fazer da Eucaristia, enquanto feira posterior à festa da Santíssima Trindade fruto precioso e memorial do mistério pascal, (primeiro domingo após a solenidade de objeto de uma ação de graças celebrada com fé e Pentecostes – 50 dias após a Páscoa), deve ser alegria (basta pensar na procissão pelas ruas das vista em conexão com a devoção ao Santíssimo cidades, os enfeites das casas, das mesmas ruas, Sacramento, que desabrochou poderosamente ao os cantos), uma vez mais no ciclo anual das longo do século XII e na qual se realçava de festas, parece-nos de todo defensável e oportuno. maneira particular a presença real do “Cristo Ora, o mistério central da Páscoa é celebrado como todo” no pão consagrado. A este movimento um todo não somente uma vez por ano, mas eucarístico estava ligado um grande desejo de também cada domingo, sem que, no entanto, aqui contemplar as coisas por parte do homem da Idade pareça cabível a objeção de reduplicação. Celebrada de forma correta, no autêntico Média, desejo este que levou, entre outras coisas, espírito da liturgia, após a santa ao costume de elevar a hóstia missa solene, a procissão do após a consagração na parte Corpo de Deus poderia vir a ser, central da missa católica. Em muito mais intensamente do meio a esta situação, a visão da que qualquer outro tipo de A visão de Juliana religiosa agostiniana Juliana procissão, uma maneira de de Liège, no ano de 1209 e levar os homens do nosso tempo, repetida posteriormente, deu de Liége deu estímulo grande estímulo à introdução de à introdução de uma muitas vezes envolvidos no burburinho da existência, a uma festa especial do festa da Eucaristia sentir, por assim dizer, através sacramento da Eucaristia. do símbolo do real, que não Juliana teria tido uma visão do foram abandonados na sua disco lunar (comparado a uma caminhada terrestre tão cheia hóstia) dentro do qual havia uma parte escura. Isso foi interpretado como de perigos, mas que estão com o Senhor sendo a falta de uma festa eucarística no ciclo eucarístico dentro deles, diante deles e atrás anual das festas do ano litúrgico católico. Por deles, na comunhão da Igreja, a caminho com instância sua e de seus conselheiros espirituais, Cristo da parusia que há de vir “para ser o bispo Roberto de Liège introduziu essa festa, glorificado na pessoa de seus santos e para ser pela primeira vez, em sua diocese, no ano de admirado na mesma pessoa de todos aqueles que 1246. Em 1264 o Papa Urbano IV (antigo creram” (1 Ts, 1, 10). Podemos concluir com a arquidiácono de Liège), prescreveu-a para toda a oração da Igreja para esse dia: “Senhor Jesus Igreja. Por incumbência sua, santo Tomás de Cristo, neste admirável sacramento, nos Aquino compôs os textos da missa e do breviário. deixastes o memorial de vossa Paixão. Dai-nos Houve quem lembrasse, com certa razão, que venerar com tão grande amor o mistério do vosso a comemoração do sacramento da Eucaristia se Corpo e do vosso Sangue, que possamos colher realiza propriamente na Quinta-feira Santa, o dia continuamente os frutos da vossa redenção. Vós, de sua instituição, e que a festa do Corpo de Deus que viveis e reinais com o Pai, na unidade do é praticamente uma reduplicação da anterior. Espírito Santo. Amém”. Entretanto, convém não esquecer que é Pe. Pedro Alberto Kunrath impossível dar expansão à alegria festiva na Professor da Faculdade de Teologia e tarde/noite de Quinta-feira Santa que, por ser o Pároco Universitário - PUCRS início do Tríduo sagrado, já pertence à Sexta-feira “ ” 1969: Retorna à Baviera, para a Universidade de Regensburg, onde ocupa vaga de professor de teologia dogmática e de história do dogma, além de vice-presidente e reitor da universidade. Posteriormente, transforma-se em conselheiro teológico dos bispos alemães. 1972: Funda o jornal trimestral teológico “Communio” com os teólogos Hans Urs von Balthasar, suíço, e o francês Henri de Lubac, entre outros. “Communio”, agora publicado em alemão, inglês e espanhol, torna-se um dos mais importantes jornais do pensamento católico. 1977: O Papa Paulo VI elege Ratzinger arcebispo de Munique e Freising e, em maio, é consagrado o primeiro padre diocesano a conquistar o Ministério Pastoral da Grande Diocese da Baviera. O Papa também nomeia Ratzinger cardeal no consistório (assembléia de cardeais presidida pelo sumo pontífice), em 27 de junho de 1977. Depois disso, se torna bispo de Velletri-Segni e Ostia - que tradicionalmente é a “ante-sala” para o trono do papado. 1981: O Papa João Paulo II, em 25 de novembro, nomeia Ratzinger encarregado da Congregação para a Doutrina da Fé, anteriormente conhecida como Tribunal da Santa Inquisição, que foi renomeado em 1908 pelo papa Pio X. Ele também preside as comissões Bíblica e Pontifícia Internacional Teológica. Opinião De guardião da moral a Papa do diálogo A eleição de Bento XVI, para substituir o Papa João Paulo II, talvez tenha surpreendido e desgostado a muitos que esperavam um papa sul-americano, ou do terceiro mundo, ou mais populista e humanista, não necessariamente vaticanista, como na realidade aconteceu. Também não imaginei a votação do Cardeal Joseph Ratzinger, conhecido desde muito tempo por suas firmes convicções doutrinais e declarações seguras. As atuais declarações e ações, porém, diplomáticas, dialogais e relacionais do novo Papa parecem surpreender e destoar de seu passado dogmático e um tanto intransigente. Acontece que não conhecemos ainda Ratzinger como Papa, Pai, Pastor e Guia do rebanho católico. Tivemos chance de conhecê-lo como defensor e advogado da fé, na defesa da ortodoxia. Na sua função de Prefeito da Sagrada Congregação da Doutrina da Fé, não poderia ser diferente. Precisava ser firme, doutrinário, esclarecedor das verdades cristãs. Estava na sua função e missão, recebida durante 23 anos por João Paulo II. Acredito que Bento XVI será o Papa do Diálogo ecumênico e inter-religioso, diplomático com o mundo e com as ciências. É o que atesta quem o conhece de perto e que teve algum contato anterior. Sua bondade é bem maior do que possa aparentar. Sua alma de pastor transparece em seus primeiros gestos. Uma coisa é ser guardião da verdade e da moral; outra coisa é ser pai. Numa família, percebemos claramente que ser pai e não só advogado dos valores é uma missão bem mais ampla, responsável e difícil. Pensemos nisso! Pe. Gerson Schmidt Jornalista, Coordenador da Pastoral de Comunicação da Arquidiocese de Porto Alegre PUCRS Economia Social Terceiro Setor e Você 9 Economia Social 10 Terceiro Setor e Você Mães homenageadas pela FIJO Agradecimento Feira de produtos e coral da fundação marcaram a data Kamila Almeida/FIJO Dando continuidade aos investimentos em iniciativa social, há mais de dois anos a Fundação Irmão José Otão realiza atividades junto às senhoras da Vila São Judas Tadeu. Muitas dessas mulheres são mães de crianças integrantes do coral “Cantando na infância e brincando com instrumentos”, promovido pela instituição. Elas desenvolvem habilidades manuais como crochê, tricot e bordado no projeto “Complementação de renda - Fazendo e ganhando”. Num clima de integração e solidariedade, o projeto busca despertar nos alunos a criatividade, que é empregada em bonecas, bolsas, guardanapos, panos de prato e peças de roupa, que podem ser inventadas ou recriadas. A venda desses produtos torna-se uma opção para auxiliar nas despesas de casa. Além disso, todas segundas e quartas-feiras, acontece o encontro “Recuperando o tempo de aprender”, que visa a alfabetização das mulheres da comunidade. Um trabalho que além de ensinar a ler e escrever, aumenta a auto-estima dos estudantes. As aulas são gratuitas e ainda existem vagas para os interessados. Qualquer pessoa pode se inscrever, basta dirigir-se ao Prédio 2 do campus central da PUCRS, sede da FIJO. Homenagem emociona os participantes Em homenagem às mães, no dia cinco de maio, foi realizada uma feira com exposição de produtos confeccionados pelas artesãs, com a apresentação do coral da FIJO, na sede da instituição. As crianças, ainda prepararam um presente, com uma linda mensagem de Dia das Mães. O evento emocionou Silvia Prudente, que desde 2003 faz parte do programa de alfabetização. “Sou tia do Guilherme e da Franciele da Silva e cuido das crianças desde que a mãe deles morreu, há três anos. É muito gratificante ser homenageada nessa data”. Em meio a muita descontração, as mulheres tiveram a oportunidade de vender alguns produtos. Eliana dos Santos participa do artesanato e conta que “Além de garantir uma fonte alternativa de renda, os trabalhos manuais são uma terapia”. Disciplinadas e confiantes, as crianças do Coral, fizeram uma apresentação emocionante. A mãe de Carla Lacerda disse que a menina adora as atividades da instituição e já começa a notar melhoras no comportamento da filha. “Eu estou adorando e no próximo ano vou inscrever minha outra filha de sete anos nas atividades da FIJO também”. Coluna do Leitor Gostaria de agradecer o recebimento do jornal “Economia Social - Terceiro Setor e Você” e cumprimentar pela excelente edição. Certo de poder manter este canal de comunicação entre nós, aproveito a oportunidade para enviar forte abraço. Márcio Bins Ely, vereador de Porto Alegre Congratulações O Terceiro Setor assume, cada vez mais, papel de relevante importância para a realização do Bem Comum. O engajamento de pessoas e entidades nas atividades que buscam o alcance desse propósito é dever dos que desfrutam de melhores condições sociais, em especial dos cristãos, a quem o Evangelho ensina amar uns aos outros, do mesmo modo como Cristo os ama. O surgimento de “Economia Social Terceiro Setor e Você”, ao mesmo tempo que um alento aos voluntários, é também uma contribuição inestimável ao preparo e à atualização dos conhecimentos daqueles que, interessados em agir, não dispunham de um canal adequado de acesso às informações necessárias. A linha editorial adotada é perfeita. Com fornecimento de dados objetivos sobre a realidade e sobre os projetos e ações em andamento, bem como reportagens ilustrativas e artigos de caráter técnico e doutrinário, tem a amplitude necessária para satisfazer pessoas como eu que, não dispondo das condições necessárias para buscar os dados e informações de meu interesse, encontro no “Economia Social - Terceiro Setor e Você” o veículo capaz de satisfazer essa minha necessidade. Parabéns à Direção e integrantes do FIJO pela iniciativa de realizá-lo. E o meu desejo sincero de que evolua sempre e obtenha o sucesso que busca e, certamente, merece. Cordialmente, João Carlos Nedel, vereador de Porto Alegre Artigos e depoimentos Apresentação das crianças do Coral da FIJO marcou a festa do dia das mães O Economia Social tem espaço para depoimentos e artigos sobre o Terceiro Setor. Mande para o endereço eletrônico [email protected] ou deixe na secretaria da Fijo, prédio 2 do Campus Central da PUCRS até o dia 20 de cada mês. Mulheres da Vila São Judas ganham tratamento de beleza Na tarde do dia 7 de maio, sábado véspera do Dia das Mães, 150 mulheres da Vila São Judas Tadeu receberam gratuitamente tratamentos de beleza como cortes de cabelo, depilação, manicure e pedicure. Os serviços foram realizados por funcionárias do salão de beleza People Beauty, localizado no Campus Central da PUCRS, durante um mutirão voluntário. O Centro Marista Irmão Donato, Associação dos Moradores da Vila São Judas Tadeu, Projeto Solidariedade da PUCRS e salão People Beauty organizaram o evento. “Das 14h às 17 horas, tivemos o prazer de atender as pessoas. Essa foi a terceira vez que prestamos esse tipo de serviço à comunidade. Aguardamos novos convites para repeti-lo”, disse Natália Ventura, proprietária do salão. Conforme o coordenador do Centro Marista Irmão Donato, Alexander Sapiro, a intenção foi levantar a auto-estima das mamães, deixando-as bonitas para passarem o seu dia com as famílias. Visão panorâmica da melhor gastronomia Almoço de segunda a sábado Eventos sociais e empresariais Prédio 41 da PUCRS 4° andar Fone/Fax: (51) 3339-2446 / 3315-3067 [email protected] Economia Social PUCRS 11 Terceiro Setor e Você A vida é justa? Sejamos cautelosos e vamos primeiro definir porque se fazem presentes de maneira ímpar e sobre que vida e que aspecto da Justiça estamos pouco provável rotineiramente e o alçam a rota nos referindo. de destaques especiais. São os indivíduos com Aqui nesse espaço, estou me referindo a uma vidas excepcionais numa sociedade. justiça objetiva, de inclusão social, de igualdade A utopia da plena igualdade não é para essa de oportunidades, de respeito às diferenças de vida terrena. Porém, a degradação da vida social gênero, de cultura, de etnia, de credo. Logo, e a crueldade do dia a dia indigno decorrente estamos nos referindo a parte da vida do indivíduo principalmente do culto ao supérfluo e do que se expressa na sua atuação, num desapego à verdade. Esses desvalores são os determinado espaço social (comunidade), o grandes responsáveis pela falta do necessário respeito dessa comunidade a esse espaço e a esse comprometimento na busca de resolução indivíduo e a suficiência dessas ações para que definitiva para parcela injusta da vida social “essa vida” seja justa. brasileira. Então vamos a reflexão sobre o que é uma vida O supérfluo se manifesta no apego exacerbado justa. Onde se encontra o limite entre uma vida ao ter, ao estético, ao consumir prazeres vivida sob o jugo da injustiça e uma vida vivida instantâneos e o viver sentimentos voláteis. sobre o manto da justiça? Está no endeusamento da forma em detrimento Intuitivamente todos nós, com uma certa dose da essência. Está no descompromisso com a de eqüidade, temos a resposta, de maneira nossa espécie, com nossa historia, quer na não exemplificativa de onde e como se dá a vida injusta preservação dos valores sociais e familiares, quer social e emocional do ser humano, nesse nosso na não preservação de nossa psique e de nosso planeta e, mais especificamente, que rosto tem ambiente ecológico. a vida injusta socialmente em nosso país? A mentira é o caminho percorrido com Vivemos num país colonizado pela Europa contumaz freqüência pelos homens e mulheres Ocidental, onde os valores judaico-cristãos são a ávidos de uma vida superficial , de poder mundano base de nossa formação moral. A influência de e muitas vezes somos por eles liderados. imigrações africanas, asiáticas e dependências São almas perdidas na busca da felicidade e econômica e cultural dos países certamente não a encontrarão. da América do Norte, Primeiro porque não é de principalmente Estados Unidos, permanente felicidade que é poucas variantes trouxeram na composta a vida do homem, essência do que consideramos segundo porque a felicidade Para nós, não tem uma vida justa socialmente está no prazer maduro de tendo em vista esses valores importância a fé que conviver com a verdade e como nossa ética social. contemplar, sem subterfúgio a professam as Não é de senso comum toda realidade. a extensão de todas as Estamos estruturados pessoas por nós possibilidades de uma justiça legalmente dentro de um social plena, mas, certamente modelo democrático. A vida das assistidas. Nosso há senso comum na instituições públicas e privadas identificação do limite que critério de ajuda não estão obrigadas a aterem-se define o começo de uma vida aos princípios basilares da é de crença, mas de minimamente justa porque democracia e o sucesso da sabemos onde não a democracia depende muito da necessidade. encontramos. habilidade das instituições e Madre Teresa de Calcutá Não a encontramos, com dos cidadãos em distinguir um certeza, no sofrimento do idoso bom de um mau argumento. que carece de condições A identificação de objetivos econômicas mínimas no âmbito nobres para busca de uma vida da saúde, da alimentação e da social justa é relativamente moradia para viver com dignidade essa etapa de fácil, porém devemos estar atentos e não nos vida que por si só já é limitativa . deixarmos enganar por confusões decorrentes de Não a encontramos na ausência de uma um mau argumento travestido de um nobre adequada nutrição na infância, quando se objetivo. estabelece, definitivamente, as condições Portanto, para que possamos construir uma biológicas e fisiológicas que potencializarão uma sociedade mais justa através de instituições, possível igualdade de oportunidades na vida quer públicas ou privadas, compromissadas com adulta. objetivos defendidos primordialmente pelo Não a encontramos na pobreza castradora de chamado Terceiro Setor, devemos ficar atentos recursos mínimos para a subsistência do núcleo ao caráter dos homens e das mulheres que familiar, tanto no âmbito econômico quanto norteiam as suas decisões e conseqüentes ações. moral, indispensáveis para que ela cumpra seu É na escolha desses líderes que efetuaremos papel basilar na formação adequada de seus a verdadeira revolução ética no campo membros para vida. social , entregando a oportunidade de Não a encontramos no abandono aos jovens uma vida digna a cada cidadão de nosso que deixam de construir bases sólidas culturais país. e emocionais que os transformariam em adultos Eles devem ser homens e mulheres saudáveis. comprometidos apenas com a verdade Não a encontramos no exercício de crenças do exercício de seus papéis sociais morais na forma de preconceito,quando sem apegos mesquinhos a “brilhos confundimos o direito de termos escolhas imediatos” e com a serena certeza que pessoais conforme essas crenças com verdades a dignidade do ser humano se constrói absolutas e praticamos, mesmo que por omissão, durante todo o exercício de seu uma perversa exclusão social. caminhar. Caminho às vezes Enfim, não a encontramos na “fome crônica” identificado pelos refletores sociais, de nossa sociedade desigual na formação de seus mas muitas vezes mal compreendido indivíduos, onde não se promove a nutrição básica ou exercido, solitariamente, na do corpo e da alma a todos para que, aí sim, depois bruma da discrição. A “luz verdadeira” de resolvida a igualdade de oportunidades, possa vem com certeza no final porque é no haver as recompensas pelas peculiaridades conjunto de sua obra que o homem se individuais. Exemplificando: o talento nato, o mostra grande. maior grau de dedicação a um objetivo e porque não admitir do imponderável chamado “sorte” Ana Maria Jorgens Sartori para alguns ou “desígnios de Deus” para nós os Vice-presidente e Professora de crentes. São diferenciais que colocam o homem Pós-Graduação em Cooperativismo frente a uma conjunção de variantes aleatórias e Administração Rural - FIJO “ ” Curtas Voluntárias A Associação das Voluntárias de Câncer de Mama/FIJO/Hospital São Lucas/PUCRS participará da Feira de Promoção da Saúde no dia 15 de maio de 2005, no Brique da Redenção, realizando campanhas de exames físicos de mama. O evento contará com equipes multidisciplinares do Centro de Mama/PUCRS e HSL, como ocorreu em anos anteriores. A Campanha integra a Semana da Solidariedade/Feira da Saúde e atende a população, identificando possíveis anomalias. A Semana da Solidariedade ocorrerá de 16 a 20 de maio, no Hospital São Lucas. CRAS-Partenon De acordo com Ofício Circular nº 06/2004, de 16/08/2004, há uma nova normatização sobre inscrição ou renovação de inscrição de entidade de Assistência Social, no Conselho Muncipal de Assistência Social, através da Resolução nº 089/04, posteriormente alterada em parte pela Resolução nº 148/04. De acordo com estes procedimentos a entidade deve participar das reuniões do Conselho Regional de Assistência Social (CRAS) da sua região, solicitar visita do conselho à entidade e apresentar toda a documentação necessária no CMAS. A organização, além de cumprir com todas estas formalidades, deve participar de no mínimo 70% das reuniões, que acontecem a cada quinze dias, em local previamente combinado, como forma de manter a inscrição. A FIJO, desde 11/11/2004, vem participando ativamente do CRAS - Partenon. Novas turmas Os cursos de Especialização Engenharia de Trânsito e Profissionais para o Terceiro Setor, da FIJO, iniciarão turmas quinzenais no mês de junho. As cargas horárias são de 360 h/ aula, com classes sextas-feiras à noite e sábados, manhã e tarde. O curso de Engenharia de Trânsito tem por objetivo qualificar engenheiros para a área de consultoria e assessoria de órgãos públicos e privados, no que se refere à tecnologia, à adequação, à segurança e à atualidade do veículo de uso social. Já o “Profissionais para o Terceiro Setor” visa a contribuir na formação especializada de recursos humanos para atuarem na organização, planejamento e administração de entidades do Terceiro Setor. Economia Social 12 Terceiro Setor e Você Cursos da FIJO capacitam profissionais em pós -graduação pós-graduação A escolha adequada e a dedicação do estudante garantem um futuro promissor Arquivo pessoal Retornar a estudar sempre é bom, ainda mais quando temos a chance de contribuir para um mundo mais digno. Faz algum tempo que fiquei sabendo que a Fundação Irmão José Otão estava oferecendo um curso de especialização voltado para o Terceiro Setor, o que me interessou muito. Eu, formada em Publicidade e Propaganda pela FAMECOS/PUCRS, em 1991, sonhava em continuar meus estudos, mas questões financeiras e de falta de tempo atrapalhavam a realização deste desejo. Queria algo que fosse um diferencial em minha carreira, algo novo e necessário para a comunidade. O Terceiro Setor de alguma forma já fazia parte de minha vida. Trabalho em uma OSCIP (Organização Social de Interesse Público), o que me fez conhecer algumas instituições envolvidas nesta área. Em 1999 cheguei a fazer a arte de um folder que reunia várias instituições aqui de Porto Alegre e que tentava divulgar de forma bem primária a existência destas Associações e Fundações para a sociedade. Lembro também em 1998 quando um colega de uma empresa, onde atuei no departamento de marketing, comentou sobre o novo setor que envolveria muitas pessoas e que seria uma revolução no mercado de trabalho. Achei curioso, mas não tinha idéia da amplitude deste envolvimento social que hoje todos percebem com maior facilidade. Mas o curso que a FIJO me oferecia ainda não era bem o que procurava. Tratava-se do curso de pós-graduação “Profissionais para o Terceiro Setor” que preparava pessoas de qualquer graduação para trabalhar em instituições ou empresas que atuassem nesta área. Com esse curso eu ficaria apta a ser gestora, o que não era bem o que queria. Eu procurava um curso de comunicação voltado para o Terceiro Setor. Acreditava que era importante a existência de profissionais de comunicação mais sensíveis e instruídos para os detalhes específicos que a responsabilidade social envolve. Acho que liguei para a FIJO pedindo informações sobre cursos uns dois anos seguidos e finalmente em 2003 vi no jornal o anúncio da almejada pós-graduação em “Comunicação para o Terceiro Setor” que aconteceria em 2004. Achei muito legal a iniciativa da FIJO em ser pioneira em todo o Brasil criando este curso em parceria Arquivo pessoal com a FAMECOS/PUCRS. Bacana também foi reencontrar professores que me deram aula na graduação, inclusive minha orientadora de monografia, nesta nova possibilidade de perceber e produzir a comunicação. Nossa turma não foi muito grande, eu era a única Publicitária entre quatro Jornalistas e uma Relações Públicas. Estas profissões tão complementares no meio comunicacional, aqui, com este aprendizado, tiveram a possibilidade de uma integração ainda maior e isso foi muito especial. É claro que como toda nova idéia, algumas sugestões foram feitas para reestruturação. Nossa turma foi a primeira e contribuiu para que adequações fossem realizadas para um melhor aproveitamento dos alunos, tenho certeza. Agradeço a iniciativa da Profª Maria Cecília Medeiros de Farias Kother pela criação do curso e ao Professor Luciano Klöckner pelo engajamento nesta causa, como coordenador. Uma observação relevante foi a experiência de perceber comentários de algumas pessoas sobre eu ser uma Publicitária e estar cursando algo tão socialmente correto, como se não fosse concebível, pois acostumaram-se com um falso paradigma de que o meio publicitário é “capitalista selvagem”, que não reflete sobre a influência das campanhas que desenvolve para o bem do planeta e dos seres vivos. Acredito que o Terceiro Setor está aí para mostrar que o bem existe e que é muito mais do que uma boa intenção. E nós Publicitários, Jornalistas e Relações Públicas, podemos fazer esses paradigmas mudarem para algo mais condizente com o que o mundo precisa de bom e divulgar caminhos para que cada um possa se descobrir e querer ajudar. Atualmente estou fazendo minha monografia e me preparando para retornar num futuro mestrado. Pretendo, se possível, desenvolver estudos que permeiem esta área. Cláudia Guardiola Soares Publicitária, aluna do Curso de Pós-Graduação em Comunicação para o Terceiro Setor, pela FIJO Comunicação para o Terceiro Setor Curso de Pós-Graduação - Especialização NOVAS TURMAS O Terceiro Setor tem uma forma diferenciada de ser. Noticiá-lo também implica fazê-lo de um modo especial. Se você acredita que o Terceiro Setor é um compromisso com valores e com cidadania, encontrará nesse curso a complementação para seu trabalho. Público-alvo: profissionais da área de comunicação Carga Horária: 360h/aula Opções de horários do curso: Sexta-feira - Tarde e Noite (turma quinzenal) Sábado - Manhã Informações Secretaria de Pós-Graduação da FIJO Fones: (51) 3339-1692 / (51) 3336-5857 Endereços eletrônicos: [email protected] / [email protected] Segundo o Eng. Adriano Murgel Branco: “Há no Brasil projetistas de estradas que não conhecem sequer as Normas Brasileiras de Segurança Viária.” Quando um destacado especialista na área de trânsito, escreve uma frase como essa, eu como engenheiro e atuando profissionalmente na área de rodovias, vejo-me no dever de saudar esse que é um dos poucos cursos de especialização nesta área, de singular importância para todos nós, usuários de “nossas” rodovias. Tenho consciência de que ainda há muito a ser realizado para que os acidentes sejam reduzidos. No entanto, imagino que outro caminho não há para “virar esse jogo”, que não passe necessariamente pelo ensino. Desejo que muitos outros profissionais tenham essa rica experiência a fim de que possamos passar, o mais rápido possível, da teoria à prática, diminuindo as situações de risco encontradas nas rodovias. Aproveito esta oportunidade para parabenizar todas as pessoas desta Fundação, especialmente os mestres, pelo empenho em despertar em nós, alunos, a importância desse tema. Também merece o meu agradecimento a Univias, empresa onde trabalho, pelo auxílio e incentivo à minha presença neste curso. Sidnei Rigo Engenheiro, aluno do curso de Especialização em Engenharia do Trânsito pela FIJO Cursos Gestão e Liderança de Equipes Objetivo: Desenvolver conhecimentos e habilidades para Coordenação de Equipes com Enfoque técnico e comportamental (dinâmica do comportamento). Período: 16/05 a 19/05 – noite Carga Horária: 12h/aula. Hotelaria na Era da Competitividade Objetivo: Fornecer aos participantes técnicas e estratégias que facilitem a comunicação com o cliente. Período: 17/05 a 19/05 Carga Horária: 10h/aula. Negociando com fornecedores Objetivo: Fornecer aos participantes técnicas e estratégias que os permitam aprimorar suas habilidades de negociação. Período: 06/06 a 09/06 - noite Carga Horária: 12h/aula. Cursos previstos para junho • Acompanhantes de pessoas de 3ª idade; • Culinária Italiana; • Administrando os Conflitos da Empresa; • Trabalho Voluntário; • Teoria e Prática de Rotinas Trabalhistas. Informações pelos telefones 3339-1692 ou 3336-5857.