ANAIS DO III CONGRESSO NACIONAL DE PESQUISADORES EM DANÇA Comitê Dança (e)m Política – Setembro/2014 BLACK DANCE AMERICANA: HISTORICIDADE, POLÍTICA E RESSONÂNCIAS DE UMA LINGUAGEM ARTÍSTICA. . Fernando Marques Camargo Ferraz (IA/UNESP) i RESUMO: O trabalho reflete sobre a Black Dance americana a partir de discursos dos coreógrafos Rod Rodgers, Bill T. Jones e Jawole Zollar, entre 1960 até os anos 2000. O texto analisa as concepções artísticas em jogo, os pressupostos estéticos e engajamentos políticos e sociais exteriorizados pelos artistas. Dialogaremos com os aportes teóricos de Judith Butler, Paul Gilroy, Thomas DeFrantz e Brenda Dixon Gottschild. Nosso objetivo é indagar como essa linguagem de dança oferece subsídios para pensar a respeito da dança negra no Brasil. PALAVRAS-CHAVE: BLACK DANCE. DANÇA NEGRA. DIÁSPORA. AMERICAN BLACK DANCE: HISTORICITY, POLITICS AND RESONANCES OF AN ARTISTIC LANGUAGE. ABSTRACT: This paper reflects on the American Black Dance using speeches from choreographers like Rod Rodgers, Bill T. Jones and Jawole Zollar, from 1960 until 2000. The text analyzes the artistic conceptions in play, aesthetic assumptions and political commitments externalized by the artists. We will use theoretical contributions of Judith Butler, Paul Gilroy, Thomas DeFrantz and Brenda Dixon Gottschild. Our goal is to investigate how this dance language helps us to think about Brazilian Black Dance. KEYWORDS: BLACK DANCE. BRAZILIAN BLACK DANCE. DIASPORA. 1 http://www.portalanda.org.br/anai ANAIS DO III CONGRESSO NACIONAL DE PESQUISADORES EM DANÇA Comitê Dança (e)m Política – Setembro/2014 "As memórias são conteúdos de um continente da sua vida, da sua história, do seu passado, como se o corpo fosse o documento. Não é a toa que a dança para o negro é um momento de libertação. O homem negro não pode estar liberto enquanto ele não esquecer pelo gesto que ele não é mais um cativo." Beatriz Nascimento (1942-1995) - Historiadora, poetiza e ativista negra (fala em trecho do filme Ori de Raquel Gerber) Introdução: Esse texto parte da ideia de que a dança negra recusa e confunde as polarizações rotuladas de contemporâneo e tradicional na dança, sendo uma linguagem artística “boa para pensar” (como dizem os antropólogos) as políticas de nomeação e classificação do fazer saber em dança. Enquanto prática artística a dança negra constrói entre as experiências de artistas, pesquisadores e educadores múltiplas camadas de significado. Seus coreógrafos enredam-se em práticas que criam e dissolvem imagens simultaneamente, frequentemente performando uma identidade ao mesmo tempo em que recusam sua estabilidade. As experiências narradas e debatidas a seguir indicam que o fazer de coreógrafos da dança negra insere-se num processo de tornar-se, negando cristalizações. O pesquisador de dança afro americano Thomas DeFrantz (2002) ao analisar a formação do termo black dance aponta que o termo foi inventado por críticos brancos como forma de definir aquilo que eles sentiam-se sem preparo ou desconfortáveis para nomear. O autor narra como nos anos 60, o termo foi reapropriado pelos artistas negros como categoria usada para representar os espetáculos feitos por artistas afro-americanos para audiências também afro-americanas, que intencionalmente dramatizassem e compartilhassem memórias, experiências e valores estéticos da comunidade negra. Para o autor o contexto político negro de afirmação pelos direitos civis enfatizou conexões entre experiências histórico-sociais e o fazer da arte. Desta forma o termo black dance tem se constituído como ferramenta de mobilização engajando produtores e 2 http://www.portalanda.org.br/anai ANAIS DO III CONGRESSO NACIONAL DE PESQUISADORES EM DANÇA Comitê Dança (e)m Política – Setembro/2014 audiência a conectar arte e política. O autor aponta o caráter inclusivo do termo que tem sido usado para englobar diversas vertentes da dança, de acordo com as identificações políticas de seus produtores ou as formas de avaliação e recepção da crítica. Desta forma, se a categoria black dance tem sido usada para apontar produções politicamente alinhadas com a representação de uma negritude, verificamos na produção de artistas que se reconhecem (ou são reconhecidos) como produtores desse estilo tensionamentos entre subjetividades inerentes à sua criação artística e a reprodução de imagens estigmatizadas e mercantilizáveis. Nosso interesse está em apontar como cada coreógrafo agencia subjetividades no processo de identificação desse estilo de dança, e ao mesmo tempo, recusar caracterizações simplistas sobre esse fazer artístico. Esses posicionamentos conferem à dança negra uma característica de contínuo movimento, constituindo uma linguagem em construção. Interessa aqui uma abordagem aberta, colocando a dança negra num caminho de devir, que considere as ações constantemente reencenadas pelas identidades localizadas entre o corpo dos artistas, seus desejos e suas representações, defendendo sua instabilidade como maneira de resistência aos estereótipos a ela associados. Protagonistas desse enredo. Nosso primeiro personagem é o coreógrafo afro-americano Rod Rogers (19382002), fundador, em 1968, de uma das primeiras companhias de dança afro-americanas a conquistar reconhecimento sem estar atrelada a estilos concebidos como étnicos ou tradicionais. Rodgers questionou, entre os anos 1960 e 1970, a noção disseminada de que a identidade cultural negra somente poderia ser estabelecida a partir de temas e materiais afro-descendentes tradicionais. Ele engaja-se publicamente num esforço em não simplificar identidades negras, limitando-as a lidar exclusivamente com materiais tradicionais. Para Rodgers os compromissos políticos ou ideológicos em relação à arte 3 http://www.portalanda.org.br/anai ANAIS DO III CONGRESSO NACIONAL DE PESQUISADORES EM DANÇA Comitê Dança (e)m Política – Setembro/2014 localizam-se, sobretudo, na liberdade, autonomia e honestidade do trabalho coreográfico e no esforço em produzir uma arte bela e emocionante. O artista concebe as ações engajadas como paternalistas ao pretender conscientizar o público sobre suas tradições e ancestralidades. Para ele não é uma questão de se distanciar das tradições, já que essas inevitavelmente nos afetam. O artista preocupa-se com os usos recorrentes e a manutenção imagens sobre a herança afro-americana asseverando que esses não são os únicos meios de comunicar uma consciência negra. Para Rodgers, mesmo que a arte tradicional desempenhe um papel fundamental no despertar de uma identidade cultural negra, é importante para os artistas negros desencorajar a cristalização de novos estereótipos limitantes, negando circunscreverem-se a simplificadas imagens tradicionais. Americanos tanto brancos como negros têm sido condicionados a aceitarem o mito de que afro-americanos se dão bem apenas em certas áreas previsíveis. Esse mito deve ser dissipado. A recusa de artistas negros em limitar o seu trabalho nas categorias convenientes irá contribuir para a destruição desta noção limitada. (RODGERS, 1998, p. 190, tradução nossa). O coreógrafo, em texto publicado na revista Dance Scope de 1967, constata que nos anos 50 a presença de bailarinos negros nas companhias de dança se limitava aos papéis exóticos e que vigorava entre jovens artistas, nos anos 60, um temor compartilhado de que suas habilidades não fossem valoradas sem a intromissão de julgamentos racistas. Rodgers aponta o aparecimento de artistas negros como Alvin Ailey, Donald Mckayle, Talley Beattey, Carmen de Lavallade, Arthur Mitchell e Mary Hinkson nos espaços profissionais da dança cênica, visibilidade improvável anteriormente, advertindo os artistas jovens, no entanto, ser um erro desconsiderar julgamentos a partir da raça, já que as oportunidades para dançarinos negros faziam-se menores que as dos brancos com habilidades similares. Rodgers afirma, nos anos 60, que embora os estereótipos sobre os artistas negros fossem menos óbvios que no passado as barreiras raciais, ainda que mais sutis, permaneciam. Para o artista a grande preocupação voltava-se para a qualidade artística dos trabalhos de dança e para a criação de centros de treinamento 4 http://www.portalanda.org.br/anai ANAIS DO III CONGRESSO NACIONAL DE PESQUISADORES EM DANÇA Comitê Dança (e)m Política – Setembro/2014 para artistas negros como incentivo de seu aperfeiçoamento, clamando a necessidade de divulgar a dança teatral negra aos expectadores afro-americanos e do papel desses em apoiar suas iniciativas. O coreógrafo critica a formação de modelos que estabeleçam ou limitem parâmetros sobre a dança negra, assim como, a falta de políticas públicas ou privadas comprometidas com a diversificação e apoio a essa produção. O aprimoramento dos dançarinos negros não significaria evidentemente que os mesmos tornassem-se melhores dançarinos de jazz ou de danças tradicionais, sendo a inserção na dança negra contemporânea um produto da resposta dos afro-americanos para seu contexto. A demonstração de que os negros possam representar a humanidade, quer isso seja numa dança contemporânea ou num clássico pas de deux, é particularmente importante para muitos afro-americanos condicionados a aceitar limitações sobre sua arte e a si mesmos. Eu não quero dizer que o público negro não aprecie performances com dançarinos brancos, mas eu insisto que eles terão uma resposta significativamente diferente para dançarinos negros. Negros norteamericanos estão enfrentando não só uma revolução social, mas também uma revolução de imagem e realidade. Negros não irão mais tolerar uma imagem de si que lhes são impostas pela maioria branca. O retrato de "Step'n Fetchit" já não pode ser projetado livremente pelos meios de comunicação de massa. Essa mudança criou um vácuo na mente do público branco, para o negro que eles pensavam conhecer e provou ser em grande parte uma construção falsa e artificial. Dúvidas substituíram as explicações simplistas. O dilema resultante forneceu ao artista negro uma excelente oportunidade. Desde que a arte lida diretamente com a revelação do homem aos homens através da criação de imagens autênticas, é importante que os nossos artistas da dança comecem a explorar as características étnicas e raciais únicas dos afro-americanos. Embora a consciência de integração dos americanos tenha medo de que qualquer ênfase às diferenças entre negros e brancos possam incentivar o racismo em ambos os lados, muitos percebem agora que a introspecção racial positiva é uma necessidade pré-integrativa. Como o instrumento de dança é o corpo humano, é esta arte que pode lidar diretamente com a nossa distintiva identidade físico-racial. Nossos artistas de dança contemporânea tem uma chance maravilhosa para estimular e refletir o alcance da nova consciência racial negra (RODGERS, 1967, p.8 tradução). Não poderíamos deixar de ressaltar sua fala sobre a urgente necessidade dos artistas, que viviam inseridos num momento histórico de lutas por direitos, de conectaremse com uma ação de afirmação de negritude, como condição sine qua non para qualquer política integrativa ou de cidadania nos âmbitos da democracia. Essa questão ainda 5 http://www.portalanda.org.br/anai ANAIS DO III CONGRESSO NACIONAL DE PESQUISADORES EM DANÇA Comitê Dança (e)m Política – Setembro/2014 ressoa fortemente hoje, em pleno século XXI, já que as desigualdades étnico-raciais ainda vigoram nos Estados Unidos ou no Brasil. Brenda Gottschild (2003) historiadora da dança negra afro-americana, comenta que a raça tem se constituído como constructo social conveniente para propósitos de classificação e diferenciação. A autora ironiza que tão breve os artistas negros tornaramse prontos para utilizar construtivamente a ideia de raças separadas, muitos pesquisadores brancos decidiram que o uso da categoria raça estava desatualizado. Gottschild afirma que muitos coreógrafos e diretores argumentam atualmente que questões politizadas como as ações afirmativas, ao questionarem, por exemplo, a existência de elencos monocromáticos, restringiriam sua liberdade artística de escolha. Para ela o mundo da dança ainda gosta de pensar dele mesmo como sendo além da política1, como se algum sistema humano de expressão pudesse existir fora desse lugar. A crítica da pesquisadora nos faz pensar sobre como o contexto de produção da dança contemporânea, aparentemente tão multifacetado e aberto aos chamados atravessamentos da pós-modernidade, também se reduz a um campo de poder onde disputas pelo reconhecimento e hegemonia de grupos e seus olhares, determinam o controle político sobre a representatividade estética desse fazer de dança, circunscrevendo concepções sobre o alcance dessa linguagem, não raro, nem sempre afeito as imponderabilidades rizomáticas. O extenso trabalho de Gottschild, diga-se de passagem, é valioso ao enumerar a maciça presença de elementos da dança negra nas Artes Cênicas contemporâneas, assim como, das políticas de invisibilização dessa mesma influência. Esse olhar me fez notar, por exemplo, que livros de referência sobre a percepção e o fazer da dança contemporânea, como A poética da dança Contemporânea, da pesquisadora francesa Laurence Louppe (2012), não faz menção em seu precioso e denso estudo crítico de, se quer, um único artista negro. Embora Louppe tenha privilegiado artistas com os quais pode dialogar diretamente e, em momento algum, tenha a pretensão de historiar sobre a dança contemporânea ou 1 Brenda cita o exemplo de Steve Paxton, um dos criadores do estilo de dança conhecido como contato improvisação, que no filme da série dance in America de 1980, intitulado “Beyond the Maisntream” fala sobre o estado da mente do praticante de contato improvisação como sendo receptivo, aberto e apolítico. 6 http://www.portalanda.org.br/anai ANAIS DO III CONGRESSO NACIONAL DE PESQUISADORES EM DANÇA Comitê Dança (e)m Política – Setembro/2014 traçar um panorama completo sobre sua produção, a ausência de artistas negros, ou que produzam a partir de seu envolvimento com a estética da dança negra, nos revela uma ausência sintomática. Essa lacuna aponta um desconhecimento sobre como esses artistas tem dialogado intensamente com os pressupostos poéticos da dança contemporânea ao questionarem incessantemente o lugar do corpo e de suas representações, os inserindo como desestabilizadores de gêneros fechados. Silêncios como esse são coniventes com pensamentos socialmente veiculados nas artes que ainda circunscrevem dançarinos negros em manifestações “tradicionais” e “folclóricas” de dança. Um negro pós-moderno. Bill T. Jones construiu sua carreira com seu parceiro de vida Arnie Zane. Sua carreira pode ser analisada em três fases: a primeira, em seus primeiros trabalhos com Zane; a segunda, com as peças produzidas pela Companhia a partir de 1982 e a última, através da produção realizada após a morte de seu parceiro em 1988, em decorrência da Aids. Entre as influencias de Jones estão Martha Graham, José Limon, Alvin Ailey e a onda pós-modernista que se estendeu a partir de Merce Cunningham através da Judson Dance Theater (1962-64) e do Grand Union group (1970-76), quando se envereda para as práticas de contato improvisação, mescladas à energia contrastante da cultura de dança dos night clubs de Nova York e o uso de diálogos autobiográficos, fazendo público seus sentimentos privados. Jones também se refere a si mesmo como poeta e desenvolve estudos sobre o uso de filmes, a teatralidade e o estudo de temas sobre a quebra de estereótipos de gênero. Com a morte do parceiro temas homoeróticos e exames sobre o racismo, a perda e a ausência tornaram-se ainda mais presentes. Uma de suas peças mais audaciosas, ainda em parceria com Zane foi Secret Pastures, de 1985, realizada com a colaboração do artista plástico Keith Haring e do estilista Willi Smith, recebida pela crítica como uma coreografia atlética, jazzy e eclética. A 7 http://www.portalanda.org.br/anai ANAIS DO III CONGRESSO NACIONAL DE PESQUISADORES EM DANÇA Comitê Dança (e)m Política – Setembro/2014 capa da Revista Dance Magazine de outubro de 1984, possuía o título “Sólidos cidadãos do Pós-Modernismo: Bill T. Jones e Arnie Zane”. Na reportagem contava-se a história da parceria dos artistas e de seu trabalho coletivo pautado na produção de trabalhos colaborativos e independentes, primando pela autonomia dos artistas e chamando atenção para as inúmeras parcerias desenvolvidas com artistas visuais, estilistas e músicos. A revista descreve o processo de consagração dos dois artistas, conjecturando sobre as transformações de seu modus operandi mais alternativo a partir de sua inserção no mainstream, inclusive em escala mundial, considerando o aumento das responsabilidades administrativas e monetárias de seu fazer. Nesse periódico, Jones comenta sobre as diferenças culturais entre as comunidades negras onde ele cresceu e o fazer mais materialista e categorizador do que ele chama white culture. Zane, por sua vez, comenta que a partir de sua parceria com Jones ele nunca mais foi referenciado como branco e ainda afirma que o meio da dança foi ocupado, nas últimas décadas, por pessoas brancas liberais e endinheiradas e em sua esperança de mudar esse quadro. A matéria finaliza aclamando-os como uma possível nova geração de dançarinos pós-modernos que, assim como Twyla Tharp, foram convidados para coreografar em musicais da Broadway. Nos anos decorrentes do falecimento de seu parceiro Arnie Zane, Bill T. Jones tornou-se abertamente político na escolha dos temas de trabalho, explorando temas como o homoerotismo, a discriminação racial e os papéis de gênero na sociedade e na dança. Essa atuação expôs diferenciações e estigmas sociais e desafiou expectadores, questionando convenções da dança experimental, incluindo nelas novos estilos coreográficos e expondo dimensões políticas da fisicalidade. Aos discutir sobre as expectativas de gênero na dança na Revista The Drama Review, especializada sobre os estudos da performance, Jones avalia como os corpos das mulheres são percebidos em sua companhia. Durante a reflexão o artista tece um comentário sobre sua própria condição, construindo uma autoavaliação crítica sobre seus esforços em ser aceito como bailarino de vanguarda, afirmando que a negligência de sua condição de artista negro foi um ponto relevante: 8 http://www.portalanda.org.br/anai ANAIS DO III CONGRESSO NACIONAL DE PESQUISADORES EM DANÇA Comitê Dança (e)m Política – Setembro/2014 eu não estou mais interessado em neutralidade, porque eu estou mais consciente das diferenças agora. Por exemplo, eu aprendi coisas sobre o porque frequentemente eu me considero como um emblema negro. O contrato que eu fiz foi que eu não era diferente. Que todos nós vamos ignorar o fato de que eu sou negro, que eu vim de uma história de vida singular, que este país tem uma história de repressão. Este é o acordo que fizemos, para que eu seja aceito no centro da vanguarda (BOYCE et al., 1988, p.98. Tradução nossa). A autoavaliação de Jones indica estratégias que o artista construiu para conseguir burlar as expectativas realizadas sobre o corpo negro e os estereótipos construídos sobre ele. Ao adotar nos últimos anos discursos sobre a negritude Jones também assume o risco de ora rejeitar, ora assumir e purgar as perspectivas que reproduzem o corpo negro como espetáculo e mercadoria. Compartilhando histórias Jawole é herdeira de uma linhagem da dança moderna afro-americana, possui em seu currículo a influência de Joseph Stevenson, ex-aluno da lendária Katherine Dunhan (1909-2006), uma formação vinculada a dois programas de ensino superior de dança nos Estados Unidos (Universidade de Missuori e Master of Fine Arts pela Universidade do Estado da Flórida), além de estudos com a premiada coreógrafa afro-americana Dianne McIntyre, em Nova York nos anos 80. Sua companhia, Urban Bush Women, fundada em 1984, com sede no Brooklyn (NY) desde 2004, possui mais de 30 obras apresentadas. Zollar também acumula reconhecimento entre instituições promotoras das artes nos Estados Unidos como a Guggenheim Foundation, o Kennedy Center of Performing Arts, a Ford Foundation, por exemplo. Zollar surge no cenário da dança no final dos anos 80, dialogando com o legado da dança pós-moderna e introduzindo explicitamente temas políticos identitários em sua dança, subvertendo radicalmente os sentidos de ascetismo antiteatral da dança experimental. Seu trabalho incorpora temas sociais como as questões de gênero e empoderamento da mulher negra. Podemos visualizar em seu trabalho o caráter experimental da dança contemporânea somado a forte ênfase na técnica moderna, influências da jazz dance e das danças do Oeste africano, fundamentos improvisacionais 9 http://www.portalanda.org.br/anai ANAIS DO III CONGRESSO NACIONAL DE PESQUISADORES EM DANÇA Comitê Dança (e)m Política – Setembro/2014 afro diaspóricos, a presença do uso de vocalizações e da respiração como material físico, além do uso de atmosferas ritualísticas e da narratividade. Muitas de suas coreografias foram criadas em relação direta com comunidades negras, autores como Banes (1994) e George-Graves (2010) analisam a simpatia de Zollar por princípios pedagógicos e métodos propostos por Paulo Freire e Augusto Boal. A companhia desenvolve projetos de engajamento social cuja abordagem constrói reciprocidade e diálogo entre artistas e comunidades. Nesses projetos as expressões culturais locais são acionadas como catalisadoras de mudanças sociais, conferindo protagonismo às experiências locais. Muitas das coreografias usam mensagens políticas que abordam as experiências e histórias comuns de mulheres em suas próprias comunidades, favorecendo o reconhecimento do público. A companhia oferece workshops para adultos e crianças, visando favorecer a organização da comunidade através da improvisação sobre elementos de sua própria cultura e experiência. Nessas ações a improvisação aparece como ferramenta de grande alcance para além do palco, favorecendo a construção de relações de escuta, troca e trabalho dialógico entre os artistas e os participantes. O trabalho desenvolvido não possui a obrigação de buscar soluções rápidas, mas desenvolver ações de cooperação e coletividade, estimulando olhares mais autônomos, nos quais a improvisação surge como ferramenta para empoderar aqueles que foram desprivilegiados. Os participantes são encorajados a acessar seus próprios conhecimentos, reconhecendo seu valor enquanto estabelecem um ambiente de aprendizado compartilhado e recíproco. As culturas das comunidades e seus legados são considerados fundamentais para o desenvolvimento de um senso de história e também autoestima. Para a coreógrafa não se trata de levar a expertise dos artistas para as comunidades, mas sim, engajar-se com um grupo de pessoas, aprender com elas, criar uma atmosfera de beneficio mútuo, evitando armadilhas que estereotipem os participantes. Zollar estimula que membros da companhia tornem-se especialistas em suas comunidades, usando a arte como catalisador de mudança social ao conectar a companhia com as comunidades negras. Ao ser questionada por Brenda Gottschild sobre quais imagens tinha em mente sobre a dança negra, Zollar comenta: 10 http://www.portalanda.org.br/anai ANAIS DO III CONGRESSO NACIONAL DE PESQUISADORES EM DANÇA Comitê Dança (e)m Política – Setembro/2014 Eu vejo um arco-íris, porque eu acho que a dança negra é realmente como somos na sociedade. Nós somos absolutamente tudo e todos, assim como a experiência negra. Isso significa que você pode ser culturalmente branco, criado nos subúrbios brancos de classe média, com essa orientação, ou mesmo ter sido criado no interior da cidade e gostar de música clássica e ópera. Então, para mim, eu diria que a experiência americana [negra] é absolutamente um espectro completo. (GOTTSCHILD, 2003, p.91, tradução nossa) O comentário da artista expõe sua visão plural sobre a dança negra, entretanto, Zollar preocupa-se com a representação do corpo feminino negro, jogando com os usos e abusos dos ideais normativos, expondo em seus trabalhos as expectativas do público sobre os corpos que assistem. A pesquisadora George-Graves (2010) conecta o trabalho coreográfico de Zollar com a abordagem sobre gênero desenvolvida pela teórica feminista Judith Butler. A produção teórica de Butler revela a artificialidade das noções hegemônicas das identidades de gênero, expondo seu caráter ficcional, assim como, os processos que os constituem como formas naturalizadas. Ao criticar as noções identitárias essencializadas, seja pela natureza ou pela cultura, valida os direitos daqueles que são excluídos de sua humanidade por se destoarem dessas normas. Butler (2003) indica que a construção do sujeito ocorre por um processo de materialização dos corpos, no qual atuam os poderes regulatórios dos discursos normativos, que produzem e constrangem os corpos ao mesmo tempo. Nessa seara os corpos se constituem enquanto repetição de uma materialidade forjada por um processo temporal de reiteração de normas. Esse processo confere ao sexo um efeito naturalizado pela sedimentação dessas práticas reiteradas. Butler argumenta que os atributos de gênero não expressam uma interioridade essencial, mas criam a ilusão de uma interioridade preexistente ou essência através de atos performativos. Em muitas coreografias as bailarinas da Urban Bush Women performam a feminilidade negra, criando e reproduzindo corpos que problematizam estereótipos, expondo circunstâncias de muitas mulheres negras americanas. Se tanto as ideias de raça, quanto de gênero, produzem os corpos sobre os quais elas dominam, é sobre esse próprio corpo negro que esses ideais normativos incidem, naturalizando estigmas em sua materialidade. Ao expor as circunstâncias sociais de muitas mulheres negras os 11 http://www.portalanda.org.br/anai ANAIS DO III CONGRESSO NACIONAL DE PESQUISADORES EM DANÇA Comitê Dança (e)m Política – Setembro/2014 membros da companhia executam imagens dos corpos racializados e, ao mesmo tempo, problematizam estereótipos, celebrando forças negligenciadas, reivindicando memórias ancestrais de resistência e crítica aos estigmas. Butler defende que os atos performativos pretendem sempre uma reiteração de uma norma, que dissimula pelo ato presente às convenções das quais ela é mera repetição, sua aparência instauradora resulta da dissimulação de sua historicidade. Se a sociedade racista naturaliza padrões de beleza embranquecidos, Zollar questiona esses mesmos padrões reconfigurando histórias sobre cabelos e narrativas sobre o “butt power”. Se os padrões são incessantemente reiteradas com o intuito de garantir sua força hegemônica é a necessidade de sua ação constante que expõe, também, sua própria instabilidade, bem como, as resistências do próprio corpo que não reverencia totalmente as normas, expondo as artimanhas e fissuras dos preceitos sociais ao reconfigurar concepções pela afirmação de sua própria experiência e afirmação de força de vida. Como na coreografia Batty Moves, Zollar desconstrói uma das partes mais estereotipadas do corpo da mulher negra, chamando atenção para as relações sociais e políticas que as mulheres negras possuem com essa parte do corpo, em especial no campo da dança. A coreografia focaliza inúmeras e complexas possibilidades de movimentos com os quadris e nádegas. Ao explorar essa parte do corpo esquecida/negada e estigmatizada, a coreografia instaura uma retórica corporal que celebra o corpo, muito além de seu clichê de sensualidade, mas engajado em demonstrar a força de seu centro de poder e gravidade. Essa celebração do corpo o redefine, transformando-o não em objeto, mas em sujeito. Partes inferiorizadas são isoladas e desafiadas a mover-se, criando uma mensagem que se contrapõe aos cânones do balé, os quais pressionam muitas mulheres negras em desejar esconder ou negar suas formas corporais. Zollar convida a audiência para pensar novas relações com seus próprios corpos. A peça clama pela autoestima e incentiva que mulheres negras celebrem partes de seus corpos, particularmente aquelas que são tabus, questionando representações negativas e os efeitos maléficos de conclusões sexistas e racistas sobre o lugar da mulher negra no mundo. 12 http://www.portalanda.org.br/anai ANAIS DO III CONGRESSO NACIONAL DE PESQUISADORES EM DANÇA Comitê Dança (e)m Política – Setembro/2014 Considerações Finais Esse breve artigo esforça-se em colaborar com as pesquisas e diálogos que visem aprimorar as definições sobre o campo da dança negra, trazendo novos olhares para esse campo caleidoscópico. Brenda Gottschild chama atenção sobre os problemas da definição da produção de artistas negros em conceitos/gêneros de dança. Para autora esses esforços estariam vinculados em processos de estigmatização, quando resultam de classificações realizadas por críticos e públicos brancos, que nomeiam e relegam grupos de artistas negros, independente de seu estilo de dança, a um status separado de outras companhias, com o intuito, assumido ou velado, de estereotipá-los. Por outro lado, esse empenho balizador poderia ser igualmente resultado do contexto de opressão sóciopolítico-econômico-racial nos EUA, que torna a questão da definição um tema crucial da identidade e dos direitos civis, já que constrói estratégias de visibilidade para a cultura negra americana e pode garantir espaços de produção cultural. Há de se considerar que essa classificação racializada possa reproduzir lugares de estigmatização, criando guetos ao separar criadores identificados com uma postura racialmente afirmativa. Ao que parece, o ponto chave dessa polêmica reside na discussão sobre quem é o protagonista em realizar essa denominação e em qual contexto específico ela pode ser acionada para empoderar seus expoentes sem, contudo, criar camisas de força ou amarras que se sobreponham ao trabalho criativo dos artistas. Devemos considerar, também, que na grande maioria das expressões identificadas como dança negra na história da dança cênica resultam de fazeres hibridizados, provenientes dos processos históricos sincréticos da própria cultura das Américas. Coreógrafos pioneiros como Katherine Dunham, nos Estados Unidos, ou Mercedes Baptista, no Brasil, fundiam em suas criações formas afro derivadas com outras hegemônicas. 13 http://www.portalanda.org.br/anai ANAIS DO III CONGRESSO NACIONAL DE PESQUISADORES EM DANÇA Comitê Dança (e)m Política – Setembro/2014 Existem, no entanto, duas questões que ainda precisam ser evidenciadas no que tange a avaliação sobre a dança negra. A primeira diz respeito à falta de referenciais estéticas de críticos, educadores e pesquisadores sobre a cultura africana e da diáspora para que o exame das formas de dança, inclusive as que se relacionem com contextos hibridizados, possam ser consideradas e apreciadas a partir de quadros de referência menos eurocentrados, evitando essencialismos e universalizações. A segunda demanda se refere a nossa incapacidade de reconhecer as contribuições das estéticas e fazeres afro derivados na cultura hegemônica (GOTSCHILD, 1996). Mesmo que nossas tradições e costumes sejam minuciosamente misturados, nossos hábitos racistas nos tornam incapazes de criar novas categorias, que consigam romper com generalizações e recorrências essencialistas. Muitas ponderações hierarquizam as produções artísticas da diáspora negra em critérios que apenas reproduzem seu lugar como o de um “Outro” exótico. Cabe ressaltar que muitos estigmas que assolam as apreciações preconceituosas sobre a dança e arte negra se fazem presentes quando a associam a uma determinada ideia de cultura tradicional. É bem verdade que a ideia de tradição sempre invocou lembranças sobre as experiências históricas de resistência da cultura negra, constituindose num discurso recorrente da negritude político afirmativa. No entanto, devemos considerar que essa referência deve ocorrer sempre com a cautela dos que desejam evitar generalizações perigosas. O sociólogo inglês Paul Gilroy (2012) argumenta que a ideia de tradição não deve ser vista como polo oposto à modernidade, apontando as limitações políticas reveladas pelas formas essencialistas de conceituar os traços culturais e identitários negros, constantemente vistos como preceitos contrários aos fluxos contemporâneos. Para o autor deve se fugir de uma oposição estéril entre tradição e modernidade, afirmando a prioridade irredutível do presente. Gilroy (2007) defende que a constituição de uma mutualidade humana isenta dos essencialismos raciais pode ser desenvolvida ao consideramos a ideia de diáspora negra como nova ecologia social de identificação. Nela a cultura passa a ser vista como fenômeno mutante e viajante, como processo. Essa abordagem recusa a noção de 14 http://www.portalanda.org.br/anai ANAIS DO III CONGRESSO NACIONAL DE PESQUISADORES EM DANÇA Comitê Dança (e)m Política – Setembro/2014 tradição cultural como algo cristalizado ou mitificado, olhar que reduz a tradição à mera repetição, ou a experiência de hibridização e contato com a diferença cultural, como forma de perda. Não devemos conceber a tradição como itens ensimesmados, um conjunto de regras rígidas que podem ser aplicadas conscientemente sem interpretação ou atenção para condições históricas específicas. Essa concepção conservadora não faz justiça à complexidade dos processos culturais contemporâneos, nem às habilidades improvisadas daqueles que puderam recriar seus traços culturais negros em contextos históricos de privação e violência. A diáspora africana moderna, com sua experiência de dispersão forçada, nos ensina sobre o funcionamento da identidade na medida em que a desassocia da ideia de pureza e a configura numa apreensão sofisticada de sincretismo, adaptação e intermistura culturais. Pela apreensão do processo da diáspora podemos desessencializar identidades, afirmando traços e características marcadas pela contingência histórica, a indeterminação e o conflito. Diáspora nos chama a avaliar a importância do processo de dispersão em oposição à suposta uniformidade, chama a atenção tanto para a similaridade no interior da diferenciação, quanto para a diferenciação no interior da similaridade, fornecendo pistas e indícios valiosos para a elaboração de uma ecologia social de identidade e identificação cultural que nos leva para muito além do dualismo inflexível da genealogia e da geografia. (GILROY, 2007, p.154) Para Gilroy, a diáspora negra constrói uma poética baseada na iteração e reprocessamento, retendo elementos sem reificá-los, compondo uma “tradição decididamente não tradicional”, uma somatória de processos promíscuos que nos desafiam a apreender formas mutáveis, redefinindo a ideia de cultura através de uma reconciliação com o movimento, com a variação complexa e dinâmica. (GILROY, 2007). Se a dança negra possui de fato uma unidade ela se faz pelos processos históricos de articulação em torno da organização de um fazer artístico afirmativo. Seus intérpretes inserem-se em contextos de mobilização política negra construindo experiências 15 http://www.portalanda.org.br/anai ANAIS DO III CONGRESSO NACIONAL DE PESQUISADORES EM DANÇA Comitê Dança (e)m Política – Setembro/2014 solidárias na contestação dos estigmas, na subversão e questionamento dos estereótipos e no compartilhamento de esperanças de transformação nas maneiras de ver e avaliar. No interior de seu contexto caleidoscópio, com suas múltiplas linguagens associadas, cada vez mais a dança negra constitui um campo de produção e circulação artística, educacional e crítica reflexiva. Suas diversas ocorrências são capazes de construir circuitos de produção e fazer de dança que se fortalecem por iniciativas de organização em rede2, conferindo uma importância política aos seus membros, apoiando e valorizando as comunidades artísticas vinculadas. Nesse sentido, podemos vislumbrar a necessidade desses fóruns garantir a multiplicidade de seus atores envolvidos, bem como, a sua capacidade de realizar inúmeras mediações que possam assegurar diversidade e isonomia nos processos de disputa e definição dos códigos reguladores de sua inserção no fazer de dança. O esforço dos simpatizantes da dança negra em nomear seu fazer revela um desejo de se localizar no campo político da produção de dança. Trata-se de uma definição corporificada que desconfia de apreciações imparciais, ainda mais num campo onde sua invisibilidade sempre foi moeda comum, negando, também, considerações totalizadoras que as circunscrevem nos lugares étnicos folclorizados. Ao se nomear negra ela localiza um protagonismo e também se responsabiliza pela sua imagem, sua força e devir. Companhias de danças brasileiras como a CLAN, a Laso e a Cia. Étnica no Rio de Janeiro; a Será Que? em Belo Horizonte e as Corpo Sísmico, Incontro e Jorge Silva Cia de Dança, em Salvador são exemplos de novos grupos profissionais que vem construindo um lugar na cena contemporânea e afirmando-se como expoentes da dança negra brasileira dialogando entre si e com seu legado, sem restringir-se aos estigmas de sua linguagem. Ao assumir essa perspectiva parcial esses grupos também se tornam responsável por seus erros e acertos. Esse lugar de fala reflete um fazer-saber localizado consciente de seu contexto histórico e capaz de negar atitudes pretensamente apolíticas. Sua ação criadora não se esvazia em subjetividades, muito menos se limita a apenas reproduzir os 2 Inúmeras iniciativas têm desenvolvido redes nesse sentido seja nos Estados Unidos ou no Brasil, veja como exemplo: a International Association of Blacks in Dance (http://www.iabdassociation.org/) e a Rede Terreiro (http://seraquecultural.blogspot.com.br/p/escola-intercontine.html) respectivamente. 16 http://www.portalanda.org.br/anai ANAIS DO III CONGRESSO NACIONAL DE PESQUISADORES EM DANÇA Comitê Dança (e)m Política – Setembro/2014 discursos da militância, reproduzindo identidades redutoras. Sua presença referencializada impõe também a obrigação de não fazer de sua militância um racionador de energias. O engajamento pode ser um filtro vigilante sobre os clichês reproduzidos e posições de desigualdade, mas nunca um moderador de vontades, conferindo à dança negra a possibilidade de escapar de um enquadramento preciso, delimitado, reivindicando seu corpo livre e capaz de inventar seu próprio gesto. Por seu lugar distanciado das hegemonias, suas vivências de repressão, invisibilidade, esquecimento e apropriação pelo maisntream possibilitaram a dança negra uma perspectiva privilegiada de observador. Assim ela vê os lugares dos quais foi excluída e os espaços onde foi relegada, possui também o olhar inconformado dos que não foram canônizados. Pela periferia observa seus trunfos, demandas e desejos, aceitando a responsabilidade em construir reavaliações críticas sobre suas ações, de se desconstruir, se reinventar e propor transformações a partir de seu lugar. Referências BOYCE, Johanna; DALY, Ann; JONES, Bill T. e MARTIN, Carol. Movement and Gender: A Roundtable Discussion. 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In: Dance Magazine, October, Vol.: LVIII No. 10, 1984, p.56-62. i Pesquisador das danças afro-diaspóricas, doutorando em Artes Cênicas pelo Instituto de Artes da Unesp (bolsista Fapesp), Mestre em Artes (IA-Unesp), Bacharel Licenciado em História pela FFLCH-USP, arte educador e bailarino. Integra o Grupo de Pesquisa Terreiro de Investigações Cênicas do Instituto de Artes da Unesp, o Diaspóros Coletivo das Artes (SP) e a Rede Terreiro Contemporâneo de Dança. Email: [email protected]. 18 http://www.portalanda.org.br/anai